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Serviço Social para o Servidor Público Municipal: Sobre a Prática Profissional

Sociologia

Pesquisar e identificar as reais e legítimas necessidades dos usuários e da eficiente prática profissional para os servidores públicos municipais em suas mais diversas características, profissões, culturas e necessidades.

índice

1. RESUMO

O Serviço Social brasileiro ainda carrega o estigma de que sua atuação é mais próxima de um assistencialismo do que de uma assistência, e por isso é comum a associação de Serviço Social com a pobreza e a miserabilidade. Contudo, como qualquer outra prática profissional de cunho científico, sua atuação não se subordina aos sensos e consensos comuns, tendo a ciência como seu pressuposto primário, e portanto, todas as suas ações embasam-se na realidade, no concreto, ainda que como perspectiva contínua, mas não se submetendo em nenhum momento aos ideologismos de um ou de alguns, mesmo que alguns muitos, pois, nunca se perde o foco de que sua razão existencial é o próprio usuário e suas legítimas necessidades, tendo esta prerrogativa como elemento fundante de todas as ações. Nesta linha, observa-se a escassez de produção teórica que considere o usuário em suas especificidades, entretanto, este trabalho busca pesquisar e identificar as reais e legítimas necessidades de seus usuários e da eficiente prática profissional para estes que, neste caso, são servidores públicos municipais em suas mais diversas características, profissões, culturas, necessidades.

Palavras-chave: Serviço Social para servidores. Prática profissional.

ABSTRACT

The Brazilian Social Service still carries the stigma that its action is closer to a welfare state than to an assistance, and therefore the association of Social Service with poverty and miserability is common. However, like any other scientific professional practice, its performance is not subordinated to common sense and consensus, with science as its primary presupposition, and therefore all its actions are based on reality, concrete, although as a perspective continuous, but not submitting at any moment to the ideologies of one or some, even though some many, therefore, never lose the focus that his existential reason is the user himself and his legitimate needs, having this prerogative as a founding element of all actions. In this line, it is observed the scarcity of theoretical production that the user considers in its specificities, however, this work seeks to identify and identify the real and legitimate needs of its users and the efficient professional practice for these, in this case, are municipal public servants in their diverse characteristics, professions, cultures, needs.

Keywords: Social Service for servers. Professional practice.

2. INTRODUÇÃO

Consensualmente define-se o Serviço Social como uma profissão “inscrita na divisão social do trabalho, situada no processo de reprodução das relações sociais”. Aqui, deparamos com o primeiro paradoxo. Consenso implica em fato? Se o Serviço Social tem seus pressupostos na ciência, na aproximação da realidade, especialmente da realidade regionalizada, podemos direcioná-lo com base em consensos de teóricos que desconhecem por completo a realidade em sua especificidade regional? Consensos de quem e de onde para onde? Por pressuposto, o Serviço Social não deve ser direcionado com base em constatações científicas, que tem como principal objetivo a não estatização para que possa decorrer a superação? Epistemologicamente falando, quais foram as premissas categoricamente escolhidas para definição de ciência? Quem escolherá estas premissas? Portanto, este trabalho, embora se trate de apenas mais uma simples produção acadêmica, um trabalho de conclusão de curso, não se aliena às subjugações ideológicas, apresentando à todo leitor a completa liberdade/responsabilidade e a total possibilidade de reflexão que seja efetivamente superadora, necessária para que avance-se e aproxime-se da essência do Serviço Social que, não é fomentar o já estabelecido pelo capitalista ou pelo proletariado, pelo estadista ou pelo cidadão, tanto faz quem fomente. É superar a mera reprodução, a começar pela academia científica, ambiente universalizado de saberes onde não há espaços para autodeclaradores de detentores de saber pleno, onde todos são pesquisadores com respostas parciais, continuamente, onde todos apenas possuem fragmentos de verdades. Deste modo, o objetivo deste trabalho é encontrar respostas mais objetivas e mais concretas para as atividades que devem contemplar o cotidiano do assistente social que atua na prática cotidiana de servidores públicos municipais, numa perspectiva do que é ideal e legal, mas também jamais desprezando a realidade, concomitantemente (Telles, 2006).

O Direito Social – também conhecido como Direito do Trabalho (Zainagui, 2014) estabelece que o trabalhador deve ser privilegiado em alguns aspectos, buscando um agir isonômico, para ir de encontro à justiça social. Entretanto, atualmente, num mundo de trabalho multifacial onde é cada vez mais escasso o emprego formal – considerando que emprego é trabalho celetista ou estatutário – como insistir nesta postura, ignorando e desprezando persistentemente um mundo dinâmico de cada vez mais intensas transformações sociais? Não estaria na hora de romper os ideologismos (Foucault, 1986) de toda espécie e começar a aglutinar, ao menos intensamente estreitar em atitudes a teórica apresentada com a prática, produzir mais o que é praticável em detrimento de produções que redundam no que seria ideal, num quase completo desprezo do que é real? Qual a função do Serviço Social? Muito mais que isso. Qual a função do assistente social em suas especificidades no cotidiano? Submeter-se à cultura predominante que, tenta confundir constantemente os sujeitos, supostos dominantes e dominados, numa constante antinomia maniqueísta (uma reflexão sobre a análise polarizada. Mário Sérgio Cortella, Leandro Karnal, Luiz Felipe Pondé. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=AK40tqLEY4Y>. Acesso em 5 de maio. 2018.), seria esta a alternativa norteadora de todas as situações em que atuam os assistentes sociais? Louvável os esforços de tantos profissionais do Serviço Social em toda parte do planeta. Mas, louvável no tocante ao reconhecimento de seus esforços e empenho no tentar agir acertado, não significando, em absoluto, conversão à uma religião proposta; a religião dicotômica, a religião do bem e do mal, do certo e do errado, a religião que quer nos salvar socialmente (Cortella, 1996).

A liberdade como o primeiro princípio fundamental do código de ética do assistente social foi sabidamente lembrada de ser inclusa na formatação do mesmo. Porém, necessário que, ao mesmo tempo, esse princípio seja o primeiro da prática do Serviço Social, inclusive da prática do escrever, do falar, do agir, materialmente falando. Isso quer dizer que, ao assistente social que se preze por uma fala bem estreitada com a prática, deve secundar o agir politicamente correto, mantendo em supremacia o agir discernido, objetivado numa perspectiva de assistência completamente desvencilhada de assistencialismo que, se esta ajuda paliativamente, também atrapalha efetivamente.

As reflexões iniciais deste trabalho são meras proposituras de alternativas posturais, oferecendo possibilidades de diferentes premissas para uma análise inter-associada. O mais profundo respeito e reconhecimento ao outro (Guareschi, pág. 32, 2011). Jamais desatrela-se desta abordagem a razão existencial do Serviço Social; o assistente e o assistido, o eu e o outro. O que veementemente quer-se é oferecer uma reflexão capaz de superar a mera reprodução, que não seja mais um   teoricismo estéril (Iamamoto, 2001), e sim uma reflexão que questione todos os paradigmas predominantes, possibilitando o desmantelar e o remontar da maioria deles, pois, só a partir daí começaremos a encontrar meios para que este trabalho possa ser algo muito além de ideias transcritas num papel. Possa tonar-se alguma possibilidade para ações materiais transformadoras na vida de todos os usuários e agentes da assistência social.

Embora enalteceu-se a constante reflexão/ação/reflexão como forma de superação dos paradigmas estabelecidos ao Serviço Social, o principal objetivo deste trabalho é apresentar resposta ao problema dos serviços de assistência social prestados ao servidor público municipal, compreendendo este como um necessitado da assistência social – não de assistencialismos - principalmente no tocante à fatores socioassistenciais, uma vez que ele será o principal agente executivo das políticas públicas estabelecidas, devendo compreender amplamente o seu papel, seu posicionamento, dissociar constantemente políticas públicas de políticas de governo, cidadão de eleitor, servir e ser servido, pois, daí a possibilidade de seu cumprimento constitucional. Nesta linha, esta proposta é promover a autonomia de todos, emancipar a todos, oferecendo total liberdade/responsabilidade – liberdade sempre é imbricada com responsabilidade – para que deste modo seja alcançado o desejado por todos, para que façamos mais jus à chamada república democrática, onde ninguém deve ser ônus para ninguém, e todos devem ser solução para todos.

Ao olharmos para a assistência social, para as principais ações governamentais, veremos o quão intensamente ela é focada na assistência à pessoas em situação de miséria ou pobreza, no lidar das expressões das questões sociais que já estão em altíssimo nível de criticidade, o quão pouco a assistência social tem atuado nas questões promotoras de bem estar social. Este trabalho não convergente com as massas de trabalhos acadêmicos até aqui produzidos e percebidos segue a linha de promoção de bem estar social, não confundindo isto, de nenhum modo e momento algum, com combate de mal estar social, embora para alguns possa aparentar e até ser a mesma coisa, mas o fato é que são completamente distintas, uma vez que uma persiste no amenizar da miséria e da pobreza e a outra no agir na causa, no que fomenta, no que mantém pessoas à estarem na pobreza e na miséria de toda espécie, impactando diretamente em todos os fatores antropobiopsicossociais. Aqui um completo diferencial.

Quando volta-se o olhar para mais próximo da causa do que do efeito gerado pela causa, observa-se que a assistência social predomina-se paliativa porque predominantemente possui um olhar intensamente individualizado do usuário, olvidando – em termos práticos - que todo indivíduo é um ser social, que é parte de uma sociedade – não é o todo, mas parte integrada ao todo – e que toda ação voltada para o indivíduo deve prescindir de uma ação coletiva, ou seja, só é possível resguardar o direito do indivíduo se em momento algum, enquanto ações resguardadoras, não deixar de resguardar o direito do coletivo. Começamos a compreender que reflexões sobre o que é direito tem sido bastante ausente no cotidiano do Serviço Social, uma vez que tem passado desapercebido de que direito prescinde de dever (Discursos de Rumi-Samuel Weiser, 1972 - Marshall, 1967), e toda vez que tivermos numa perspectiva de resguardar o direito de algum sujeito, uma série de deveres está imbricado à este direito, e portanto, resguardar direitos dos usuários, em todas as vezes, implica a necessidade de articulações precedentes que possibilitem o resguardar de seus direitos/deveres, implica a necessidade de ações de medida justa, ou seja, não se pode resguardar direitos de um sujeito, e neste mesmo tempo, ferir um outro seu direito e ainda direitos de outros sujeitos, o que ocorre no imediato momento da prática assistencialista, pois, o assistencialismo fere o direito do usuário em ser emancipado, ser autônomo, tira-lhe as condições de protagonizar, de ser autor de sua própria história (CEP, CFESS, 2012).

Como facilmente perceptível, as implicâncias das ações do assistente social é demasiadamente ampla, pois que ele está inscrito num ponto do qual lhe exige uma prática bem equilibrada, possibilitando-o que seja justo social. É neste momento que começa-se um repensar da prática do Serviço Social, quais seriam as suas principais intervenções, as suas necessárias atuações nas minúcias das situações. Neste momento é que a multidisciplinaridade para o Serviço Social se torna fundamental para a percepção de um delinear de foco para estabelecer uma estratégia que atinja os objetivos propostos; uma efetiva assistência social, distante das paliações, prescindida de criatividade (Tibeau, 2002). E na busca por estas efetividades, começou-se a elaborar um planejamento para encontrar respostas, e neste elaborar, surge aqui a proposta deste trabalho; a proposta de antes do fazer, identificar as reais necessidades do que deve-se fazer, sendo certo de que, se continuarmos a fazer o já estabelecido, o mesmo, ficar-se-á sempre no mesmo resultado, nas ações paliativas que, se amenizam para algo ou alguém momentaneamente, concomitantemente oneram para algo ou alguém constantemente, para o todo transforma-se num regresso.

3. DA INSTITUIÇÃO

3.1 Do início da instituição

Seguindo a proposta, foi-se antes de tudo buscar conhecer melhor a instituição a qual fora escolhida para realizar esta pesquisa, verificar se há problema e qual seria este principal problema, quais hipóteses apresentar-se-á e quais resultados obteriam-se.

Fundada em 02/10/1901, localizada na região do Vale do Paraíba, Estado de São Paulo, Brasil, a cidade de Cruzeiro possui 81.406 habitantes (IBGE 2016) e área de 305.699 m², situada no cruzamento dos Estados Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, sua cultura predominante, como qualquer cidade, possui influência de seus fatores regionalizados. Sua localidade também estabelece sua cultura, sua peculiaridade, inclusive em sua percepção e prática profissional de assistência social.

Ao iniciar as atividades no setor de Serviço Social / Treinamento, divisão do Departamento de Relações Humanas da Prefeitura Municipal de Cruzeiro, começou-se uma profunda leitura ambiental para um reconhecimento amplo de sua funcionalidade, como atuava, para quem atuava diretamente e qual a sua demanda, quais seus principais objetivos e seus principais resultados. Nos primeiros dias passou-se por apresentações à toda equipe de trabalho, explorando um pouco de sua história e de suas impressões acerca da instituição composta pelo quadro de mais de 2.400 servidores e equiparados. Durante dias, foi-se colhendo informações que viriam à dar base para a primeira reunião com a equipe gestora para elaboração de um plano de trabalho que subsidiasse os objetivos propostos. Nesta reunião, numa discussão sobre as atividades do setor, chegou-se na conclusão de que seria necessário uma completa releitura do próprio setor, tanto pelo reconhecimento aprofundado de suas funcionalidades atuais, tanto para o reconhecimento de suas necessidades. A primeira ação foi a elaboração de uma análise institucional, para depois disso iniciar uma leitura do departamento de relações humanas e posteriormente uma análise do setor de Serviço Social / Treinamento. Nesta análise institucional encontrou-se informações importantes para o norteamento desta pesquisa, elementos dos quais se mostraram fundamentais para o desenvolvimento deste trabalho.

3.2 Da criação do setor de serviço social / treinamento.

No desenvolvimento da análise institucional, na leitura dos documentos constitutivos da entidade, onde buscou-se os dados de identificação, sua constituição histórica, os grupos sociais que participaram de sua criação e desenvolvimento, as demandas da instituição, seu contexto atual, começou-se por perceber uma escassez de fontes para uma análise institucional documental aprofundada, e portanto, esta deveria ser realizada em fontes secundárias, tais como; registros públicos de atos administrativos da instituição pelo perpassar dos anos para ajuntar e formar uma visão documental panorâmica da instituição. Neste explorar, percebeu-se sobre com qual perspectiva seria instituído o setor de Serviço Social / Treinamento e como fora instituído. Assim, identificou-se na Lei Orgânica Municipal em seu artigo 85, a determinação de uma seção de Assistência Social para servidores e seus familiares, mas também especificando esta assistência para casos de doença, acidente, “desajuste social” ou morte. Nesta mesma lei em seu artigo 145, onde trata da questão da assistência social ao município, determina que a mesma seja prestada em caráter emergencial e para os mais necessitados da população que, por razões sociais, pessoais ou de calamidade pública, dela necessitasse. Percebeu-se, nesta linha, que a visão do legislador sobre assistência social estava fundamentada predominantemente numa perspectiva de atuação em caos, estabelecendo exclusividade de atuação da assistência social em fatores agravados, calamitosos ou trágicos. Contudo, no ano de 2008, a Câmara Municipal aprova e sanciona a lei 3.858 que dispõe sobre a reestruturação organizacional da instituição. Desta feita, ampliando a forma de atuação, fica instituído o Setor de Serviço Social / Treinamento para servidores, agora também incumbido de colaborar no desenvolvimento e execução de políticas de gestão de pessoas, de atuar nas áreas do aprendizado, do aperfeiçoamento profissional, além de outras áreas de atuação da assistência social. Começou-se a perceber melhor as finalidades do setor de Serviço Social /Treinamento o qual fora deparado.

4. DA PRÁTICA DO SERVIÇO SOCIAL NO SETOR DE SERVIÇO SOCIAL / TREINAMENTO.

4.1 A leitura dos procedimentos e apresentação das respostas

A prática do Serviço Social no setor de Serviço Social / Treinamento da instituição a qual fora observada era predominantemente realizada por praxes ou hábito organizacional. Depara-se com uma escassez de manuais de procedimentos, normativas ou qualquer outro documento que pudesse subsidiar as práticas de trabalho do setor de Serviço Social / Treinamento. As demandas de trabalho do setor de Serviço Social / Treinamento estavam subdividas em outros setores e em outras funções, descentralizadas. A primeira ação fora elaborar um planejamento para uma análise setorial e intersetorial que pudesse subsidiar as atividades iniciais, que pudesse formatar as atividades inerentes ao setor para a partir daí criar condições para instituir e adequar os procedimentos, criar manuais e definir funções e atribuições específicas aos membros componentes.

Para que pudesse ser subsidiada uma releitura do setor de Serviço Social / Treinamento - SST, elaborou-se uma entrevista aberta para ser feita com todos os servidores lotados no Departamento de Relações Humanas, identificar suas principais atividades e o modo do qual desempenhavam-nas, identificar como estas atividades inter-relacionavam-se no próprio departamento, entre todos os setores, por todos os servidores. Nesta entrevista aberta identificou-se que alguns servidores do próprio departamento enalteceram muito positivamente uma atividade realizada no passado pelo setor de Serviço Social / Treinamento, e que não estava mais sendo realizada, embora foram unânimes em afirmar perceberem-la como imprescindível. Era a atividade de acompanhamento psicológico para servidores, que enfatizava uma atuação no trato para questões de cunho socioemocional.

Continuando com a leitura sobre as atividades mais relevantes do setor de Serviço Social / Treinamento para os servidores, identificou-se também atividades de apoio técnico ao departamento, especialmente jurídico, relatórios, pareceres técnicos em processos administrativos, visitas domiciliares esporádicas e atendimento à casos de dependência química, todos estes sem manuais de procedimentos, realizados principalmente por praxes desde os primeiros instituidores e formatadores do setor. Algumas realizações se davam de modo empirista, pois, embora não houvesse uma especificação de feitos à título de assistência social, fato era que as ações visavam sanar as necessidades dos usuários em suas solicitações.

Munidos destas informações, começa-se por um planejar sobre quais seriam as próximas ações para o desenvolvimento e execução das atividades do setor de Serviço Social / Treinamento. Neste plano, incluiu-se pesquisas sobre literatura e quaisquer referências bibliográficas que tratassem do tema em sua especificidade, sobre atuações de setores de Serviço Social para servidores públicos. Nesta pesquisa, realizada por consulta aos órgãos de assistência social, profissionais do Serviço Social, bibliotecas públicas e particulares, acervos digitais e até mecanismos de busca “on line”, sites compartilhadores de trabalhos acadêmicos, programas compartilhadores de arquivos “point at point”, por nenhuma destas formas encontrou-se algo para que pudesse ser norteado de modo específico este trabalho. No máximo, encontrou-se alguns sítios eletrônicos de prefeituras informando que possuíam em sua estrutura um setor de Serviço Social aos servidores, mas não encontramos nenhum respaldo de produções acadêmicas ou de organizações que tratassem do tema. Daqui, surge a necessidade de formatar o que já estava sendo identificado como uma necessidade; um Serviço Social / Treinamento para servidores que tivesse bem definido os seus fundamentos e a sua prática profissional cotidiana.

2.2. O desenvolvimento das atividades do setor de serviço social.

Uma vez definida as atividades do setor de Serviço Social / Treinamento, seu foco foi o desenvolvimento de campanhas, de programas e projetos para suas demandas. Estas campanhas, programas e projetos foram desenvolvidos de modo que o setor de Serviço Social / Treinamento pudesse ter estabelecido programas educativos de caráter continuado e permanente, visando também um enfoque proativo, uma abordagem que além de intervir em situações, concomitantemente interviria em suas causas, aprofundando e desenvolvendo nas causas, buscando um agir cada vez mais eficiente.

Após estabelecer-se algumas atividades já bem definidas em procedimentos e pequenos manuais, estabeleceu-se também uma estratégia de um aprimorar constante de seus principais programas e seus resultados, analisando constantemente pela escuta qualificada de seus usuários e das impressões da equipe de trabalho e da equipe gestora, de suas percepções acerca das atividades executadas pelo setor de Serviço Social / Treinamento. Além da escuta qualificada, numa busca por uma avaliativa qualitativa, utilizou-se algumas ferramentas simples como a “Roda da Vida”, mas que normalmente nos dava um resultado bem fidedigno aos relatos do servidores e à todas as outras formas avaliativas.

O aprimoramento das atividades do setor de Serviço Social / Treinamento se dava pela busca constante através de literaturas atualizadas e produções acadêmicas, especialmente as produções da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais – ANPOC, Associação Nacional de Programas em Pós Graduação em Comunicação – COMPÓS, Associação Nacional de Pesquisa e Pós Graduação em Psicologia – ANPEPP, Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social – ABEPPS, além de pesquisas e leituras esporádicas de qualquer informativo sobre as atividades ligadas.

Para que o setor de Serviço Social / Treinamento pudesse publicizar sua atuação, foi criada várias formas de divulgação do setor e de suas atividades, através de cartazes de divulgação à serem afixados em unidades públicas municipais, através de site oficial da instituição, páginas eletrônicas apoiadoras das atividades do setor de Serviço Social / Treinamento, páginas e grupos do setor em redes sociais, além de panfletos informativos disponibilizados em locais estratégicos de alto fluxo de servidores componentes de toda a instituição. Uma relação constante com o departamento de comunicação social da instituição foi fundamental para a publicidade das atividades desempenhadas.

Para que o setor de Serviço Social / Treinamento pudesse realizar uma escuta qualificada profunda de seus usuários, de suas percepções, foi criado e ampliado o canal de comunicação entre setor de Serviço Social / Treinamento e seus usuários, tais como, recepção e atendimento pessoal e individualizado no setor em horários pré-definidos, e-mail para dúvidas e sugestões, disponibilidade para visitas em qualquer unidade pública municipal, desde que simplesmente previamente agendada pelas secretarias ou departamentos da instituição. O setor de Serviço Social / Treinamento ainda estabeleceu visita semanal à unidades públicas municipais como forma de leitura direta do funcionamento destas unidades e da desenvoltura prática/real dos servidores públicos na atribuição de suas funções.

2.3. A estruturação de uma rede de serviços como alternativa para apresentar respostas às necessidades da demanda.

Diante do constante acionamento do setor de Serviço Social / Treinamento para o trato de questões que envolviam os fatores socioemocionais, as decorrências em suas múltiplas expressões, a necessidade de responder a necessidade da demanda que alegava sem condições psíquicas para trabalhar e tinham seu pedido de afastamento institucional negado pelo órgão competente, o encaminhamento psicológico como uma das alternativas de respostas à demanda se fazia frequentemente. Entretanto, na maioria das vezes a apresentação desta alternativa recebia uma contra resposta de que existia previamente uma intenção de busca por apoio psicológico, mas, não obtivera condições para o acesso, especialmente condições econômicas. Ao levantar informações sobre a persistente alegação por boa parte dos servidores sobre a dificuldade de acesso à serviços psicológicos, deparou-se com um modelo de política pública municipal bastante voltado para o combate de doenças, organizações sociais prestadoras de serviços ao município a qual destinavam mais de cinquenta por cento do repasse de verbas públicas para custear vinte porcento de profissionais médicos, sendo menos de cinquenta por cento do repasse destas verbas destinados à oitenta porcento de pessoas de todas as outras classes profissionais, incluindo psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, farmacêuticos, ajudantes, entre outros. Ao realizar um levantamento sobre o modelo em âmbito privado no município, deparou-se com a mesma lógica. Percebeu-se uma disparidade entre o conceito da Organização Mundial de Saúde – OMS e o modelo estabelecido pela cultura local. Combate de doenças era o maior esforço, promoção de bem estar biopsicossocial era mais do que secundário, era quase desprezado. Os planos de saúde e associações de saúde do município tinham o profissional de psicologia bastante inviabilizado. Essa constatação também se deu quando verificou-se que no município havia grande escassez de profissionais médicos disponíveis para serem contratados, em contra partida um volume enorme de profissionais psicólogos desempregados, que também acionavam o setor constantemente numa prospecção de informações que pudessem ingressar-lhes numa vaga no serviço público. Só no último concurso público para trabalho temporário, foram quase oitenta profissionais de psicologia para cinco vagas (2017), uma proporção de quase dezesseis candidatos para uma vaga. Essa conjuntura, após algumas outras pesquisas, levou o setor de Serviço Social / Treinamento também ao desenvolvimento de um anteprojeto, numa perspectiva de estruturar uma rede de serviços, especialmente serviços psicológicos, onde poderiam ser articuladas ações e captados recursos para os setores em que a categoria profissional mais demandada pelo setor de Serviço Social / Treinamento pudesse ao mesmo tempo ser acessada pela sua demanda. Esta disparidade entre a categoria profissional de psicologia e sua demanda foi percebida em outras instâncias. Na Lei Orgânica do Município em seu artigo 149 estava determinado ao município a manutenção de profissionais de psicologia na rede pública de ensino básico, com a finalidade de diminuir os índices de reprovações escolares e auxiliar os pais na educação dos filhos, entretanto, ao pesquisar, não identificou-se nenhuma escola da rede pública municipal tendo este serviço oferecido diretamente pelo profissional de psicologia. Percebeu-se que a disparidade se deu ao fato da cultura municipal não identificar tais serviços como de alguma prioridade, pois, a secretaria de educação possuía recursos para tal, no entanto, priorizava estes recursos para outras áreas que não a da psicologia. Constatamos a necessidade desta priorização também em pesquisas realizadas pela Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional.

Este anteprojeto de estruturação de uma rede de serviços psicológicos se fez necessário continuamente e cada vez mais necessário. Entre diversas questões tratadas pelo setor de Serviço Social / Treinamento que focava suas ações nas atividades de promoção de bem estar social chegava de modo constante situações que em sua maioria estavam ligadas às questões socioemocionais, desde relatos de estresse seguido de pedido de afastamento à ameaças de morte entre colegas. Casos de servidores solicitando amparo psicológico mostrou-se entre as maiores necessidades do setor de Serviço Social / Treinamento. Quando a necessidade não era declarada explicitamente pelo próprio servidor, percebia-se implícita através de seus relatos de desejo de afastamento e aposentadoria, seguido da afirmação de um trabalho penoso, quando não até mesmo falta de vontade de viver.

Após o planejamento do anteprojeto embasado em vários estudos e pesquisas sobre psicologia social, psiquiatria, medicalização, adoentamento, seguindo as mesmas perspectivas da Comissão dos Cidadãos para os Direitos Humanos – CCDH em seus levantamentos, articulou-se com alguns profissionais de psicologia da rede pública e privada, no intuito de informar, sensibilizar e mobilizar a categoria para ações que levassem à organização de uma rede de serviços que pudessem atender à uma demanda que estava bem maior que a disponibilidade de serviços. A rede pública possuía muitos poucos profissionais e o atendimento psicológico se mostrou bastante inviável, quando não inacessível. Algumas reuniões com profissionais de psicologia e com entidades apoiadoras do anteprojeto foram realizadas. Por se tratar de uma estruturação de uma rede de serviços visando uma organização, esta formação estabeleceu-se como uma proposta continuada, firmada principalmente num estudante de psicologia que se comprometeu com este anteprojeto, a ser desenvolvido constantemente. A rede de serviços psicológicos estava em passos iniciais, contudo, sua necessidade se mostrou do mais elevado nível, pois, as escutadas qualificadas com freqüência registravam uma tensão socioemocional.

5. A PRÁTICA PROFISSIONAL PARA SERVIDORES PÚBLICOS

5.1 Metodologia

Diante das coletas, começou-se por elaborar uma metodologia de pesquisa que atendesse aos propósitos da instituição e as necessidades dos usuários. Como o setor era praticamente dirigido pela diretoria do Departamento de Relações Humanas, optou-se por entrevistas, especialmente semi-estruturadas para a diretoria como forma principal de obtenção de dados da demanda e de dados das necessidades para o setor de Serviço Social / Treinamento. Estas entrevistas ocorreram em períodos delineados conforme o tempo de desenvolvimento do projeto. Estes dados foram os principais elementos para o desenvolvimento e definição das rotinas e dos procedimentos do setor de Serviço Social / Treinamento – SST à constar em um manual. Essa pesquisa foi, acima de tudo, aquilo que, diante dos dados que denotaram um problema, viria à apresentar uma resposta; a assistência social para as reais e legítimas necessidades dos servidores públicos municipais, especialmente da cidade de Cruzeiro, foco deste trabalho.

Essa metodologia de análise consistiu:

Metodologia Proposta:

Objetivo

Meta

Como

Quando

Entrevistar o diretor do departamento de relações humanas da prefeitura municipal

Elaborar uma entrevista

Consultando modelos

Do 1° ao 5° dia

Agendar uma entrevista de uma hora

Solicitação pessoal e direta ao diretor do departamento

Do 1° ao 10° dia

Executar a entrevista

Entrevistando com questões verbais e gravando em áudio

Do 1° ao 15° dia

Analisar as demandas do departamento de relações humanas da prefeitura municipal

Identificar os principais e frequentes requerimentos

Analisando os assuntos dos protocolos de entrada e seus conteúdos

Do 16° ao 20° dia

Pesquisar os assuntos e temas mais frequentes demandados ao departamento de relações humanas da prefeitura municipal

Catalogar os principais assuntos e lista-los em ordem crescente

Organizar por temas e contabilizar as solicitações dos últimos 12 meses.

Do 21° ao 25° dia

Pesquisar se há, e se sim, quais são as ações proativas que visam a boa desenvoltura e o aprimoramento dos servidores públicos municipais, e quais são os seus resultados

Levantar todas as ações e registros destas ações

Consultando toda a equipe de trabalho do departamento e documentos comprobatórios.

Do 25° ao 30° dia

Pesquisar quais as principais reclamações e insatisfações dos servidores públicos municipais

Levantar as frequentes reclamações dos servidores

Entrevistando aleatoriamente os servidores que procuram o departamento do RH

Do 1° ao 30° dia

Coletar dados sobre motivos de pedidos de afastamentos institucionais

Levantar os principais motivos dos pedidos

Analisando os requerimentos de afastamentos e catalogando os assuntos

Do 30° ao 35° dia

Discutir os dados obtidos, e com base nisso, apresentar os principais tipos de serviços sociais que devem ser prestados ao servidor público

Elaborar os reais e principais serviços sociais à serem oferecidos aos servidores públicos municipais

Analisando todos os dados obtidos e apresentando soluções comprovadamente eficazes para as solicitações.

Do 35° ao 60° dia.

Esse plano de ação estabeleceu quatro quinzenas para realização da pesquisa e juntar do material para formatar as repostas. Segue abaixo o cronograma deste período:

ITEM

ATIVIDADE

1° Quinzena

2° Quinzena

3° Quinzena

Quinzena

1

Entrevistar o diretor do departamento de relações humanas da prefeitura municipal

X

 

 

 

2

Analisar as demandas do departamento de relações humanas da prefeitura municipal

 

X

 

 

3

Pesquisar os assuntos e temas mais frequentes demandados ao departamento de relações humanas da prefeitura municipal

 

X

 

 

4

Pesquisar se há, e se sim, quais são as ações proativas que visam a boa desenvoltura e o aprimoramento dos servidores públicos municipais, e quais são os seus resultados

X

X

 

 

5

Pesquisar quais as principais reclamações e insatisfações dos servidores públicos municipais

X

X

 

 

6

Coletar dados sobre motivos de pedidos de afastamentos institucionais

 

 

X

 

7

Discutir os dados obtidos, e com base nisso, apresentar os principais tipos de serviços sociais que devem ser prestados ao servidor público

 

 

X

X

. Com as informações obtidas, elaboraram-se as novas rotinas e procedimentos do setor de Serviço Social / Treinamento. Tinham-se definidas todas as informações à constar no manual. Entre estas atividades, considerando a principal necessidade do setor de Serviço Social / Treinamento, desenvolveu-se dois programas que foram executados e que obtiveram resultados bastante satisfatórios, considerando que estes resultados proviram de servidores participantes, onde relataram um elevar de sua qualidade de vida no trabalho após sua participação nestes programas, o que para o setor de Serviço Social / Treinamento era seu principal objetivo, que também se tornara o principal objetivo deste trabalho; o bem estar antropobiopsicossocial do servidor público, bem estar este, percebido principalmente por ele próprio.

5.2 A formatação das atividades.

Com base nos dados obtidos, após seu processamento, a formatação das atividades definidas para o setor de Serviço Social / Treinamento foram:

Atividades específicas:

  • Prevenção de problemáticas; Consiste numa leitura profunda numa perspectiva da psicologia social comunitária;

  • Análise de problemas no trabalho; Analisando as demandas apresentadas, especialmente em reuniões de socioterapia;

  • Treinamento; Cursos ministrados por profissionais do setor ou designados pelo setor;

  • Laudos e recomendações; Feito pelo técnico assistente social em sua análise;

  • Encaminhamento psicológico; Feito pelo técnico assistente social em sua análise;

  • Encaminhamento jurídico; Feito pelo técnico assistente social em sua análise;

  • Avaliação de ambientes de trabalho; Feito conjuntamente pelo técnico assistente social, por um psicólogo e por um técnico em segurança do trabalho em suas análises;

  • Relatórios e pareceres sociais; Feito pelo técnico assistente social em sua análise;

  • Apoio técnico ao departamento ou órgão alocado; Pela equipe de trabalho do setor de Serviço Social / Treinamento;

  • Apoio técnico aos órgãos governamentais e atendimento à demais entidades; Pela equipe de trabalho do setor;

  • Pareceres técnicos em processos administrativos relacionados a área de atuação; Feito pelo técnico assistente social em sua análise;

  • Informação preventiva; Elaborada pela equipe de trabalho do setor de Serviço Social / Treinamento; Organizando cursos e treinamentos realizados por profissionais designados;

  • Intervenção preventiva em assuntos de alta complexidade em toda a instituição;

  • Acompanhamento de processos que envolvia a matéria de Serviço Social;

  • Suporte em toda instituição no trato de questões que envolvia a matéria de Serviço Social;

  • Articulações intersetoriais em busca de alternativas para ampliação contínua das respostas do setor de Serviço Social / Treinamento;

  • Assessoramento em movimentos intraorganizacionais;

  • Atividades de pesquisa; Pesquisa e levantamentos sobre as necessidades trazidas pelas demandas Social em formato de campanhas de divulgação pessoal e virtual.

  • Atividades de aprimoramento; Desenvolvido principalmente pelo Programa de Aprimoramento do Servidor Público – PASP. e pelo Programa de Terapia Socioeducativa.

Principais demandas atendidas:

  • Dúvidas sobre legislação que envolvia a matéria de Serviço Social;

  • Aprimoramento de atividades desempenhadas entre equipes de trabalho;

  • Benefícios;

  • Troca de setores (remoção, redistribuição, remanejamento);

  • Dependência de toda espécie, especialmente química;

  • Transtornos psíquicos com interfaces nas relações sociais (depressão, estresse, etc.);

  • Dificuldades de relacionamento interpessoal no trabalho;

  • Atendimento e suporte nos assuntos econômicos;

  • Dificuldade no trato para questões socioemocionais;

  • Solicitação de intervenção em assuntos de alta complexidade.

5.3 Os principais programas e projetos

O clima organizacional expressado na visão da maioria dos servidores escutados era de uma instituição estigmatizada, rechaçada, uma organização pouco digna de alegria em trabalhar nela. Afirmativa de ódio entre colegas servidores e equiparados foram observadas e não de modo isolados. A protagonização e a noção de participação e controle social, gestão compartilhada e comprometimento com a gestão da instituição eram assuntos desconhecidos pela maioria dos servidores escutados. Na maioria das reuniões de grupo realizadas deparou-se com a culpabilização entre servidores e equiparados. Isso denotava uma não percepção de responsabilidade institucional nos indivíduos. A postura da quase totalidade dos servidores era de que alguém ou algum grupo ou vários grupos de servidores ou equiparados dentro da própria instituição eram culpados pela sua situação ou responsáveis por coisas que não eram de sua responsabilidade. Isso motivou à criar programas que enfocassem a protagonização de todos, a autonomia, promovessem todos os servidores e equiparados à perceberem e agirem como se cada um fosse – e é - a própria instituição, um representante legítimo, buscando meios e mecanismos para criarem soluções para suas necessidades, para alcançarem seus objetivos, e o principal deles era o elevar de seu bem estar antropobiopsicossocial, o elevar de sua qualidade de vida no trabalho, a qual percebeu-se estar baixa na maioria dos servidores e equiparados.

Com base nos levantamentos e nas pesquisas internas foi-se direcionando para o desenvolvimento de programas e projetos que atendessem à esta demanda. Para atender as principais demandas foi desenvolvido, entre outros, dois programas para o setor de Serviço Social / Treinamento, e estes passaram a serem reajustados conforme as necessidades e as situações. Estes dois programas se mostraram uma ferramenta de altíssimo potencial e completa eficácia. Todas as vezes em que foram aplicados e executados estes programas com servidores e equiparados, todas as vezes foram obtidos resultados eficientes e eficazes.

5.3.1 Programa de Aprimoramento do Servidor Público - PASP

O Programa de Aprimoramento do Servidor Público – PASP foi desenvolvido com base nos levantamentos realizados. Este programa em seu original foi desenvolvido com base em estudos da Academia de Inteligência, instituição que pesquisava técnicas de vanguarda para o desenvolvimento de pessoas nas organizações. Programa similar à este era executado em instituições no Brasil e no mundo com excelentes resultados. Diante destes resultados, desenvolveu-se um programa similar à este, considerando e adequando à todas as necessidades específicas das demandas do setor de Serviço Social / Treinamento, atendendo a especificidade da regionalidade e da própria instituição.

A proposta deste programa era transformar uma situação, um ambiente, um grupo, um quadro, aprimorar um sujeito, não partindo de pressupostos de precariedade ou afins, mas simplesmente buscando proativamente perceber suas potencialidades e explorá-las, promovê-las, canalizá-las para melhor aproveitamento próprio, causando consequentemente um resultado esperado, que além de aumentar a qualidade de vida no trabalho, também é aumentar a sua produtividade, elevar seu bem estar antropobiopsicossocial, que em outras palavras também é aumentar a qualidade dos serviços prestados. O local de execução do programa foi estabelecido para ocorrer no Departamento de Relações Humanas da Prefeitura Municipal de Cruzeiro, onde foram desenvolvidas atividades que aprimoraram os conceitos e concepções acerca das temáticas propostas e dos sujeitos envolvidos.

Este programa foi fruto de uma sistemática análise situacional e institucional através de observações, entrevistas, pesquisas de informações, reuniões, comparações, especialmente análise sobre a qualidade de vida do servidor público, da qualidade de seu fazer profissional, da qualidade de seu estar, suas implicâncias mais amplas. Tão amplas estas implicâncias que, constatamos que os servidores estavam entre os munícipes que mais possuíam estabilidade no trabalho e estabilidade salarial, além de muitos outros benefícios assegurados constitucionalmente, e mesmo assim denotavam altíssimo nível de insatisfação. A insatisfação se mostrava generalizada, com poucas exceções. Constatou-se, então, fatores psicossociais e socioemocionais como a principal causa desta insatisfação, já que em termos de direitos garantidos os servidores públicos municipais estavam a frente de todos os demais munícipes da cidade de Cruzeiro. Estas constatações se deram através de comparações, de pesquisas entre vários órgãos públicos e privados do município, principalmente entre os dados e relatórios obtidos através da Secretaria de Desenvolvimento Social – SEDS, do Centro de Referência de Assistência Social – CRAS, Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS, Centro Integrado de Desenvolvimento – CID, Posto de Atendimento ao Trabalhador – PAT, Tribunal de Justiça do Trabalho - TJT, entre outros.

Uma vez que as questões ligadas à fatores psicossociais mostraram-se em supremacia em relação ao bem estar antropobiopsicossocial, haja vista a inseparabilidade do servidor público em ato administrativo com aquele sujeito que é pai, que é mãe, que é filho, membro de uma família com suas diversidades e adversidades, membro de uma sociedade com uma infinidade de expressões da questão social, percebidas ainda, em elevados níveis de intensidade, desenvolver ações que visavam um elevar da qualidade de vida do servidor público se mostrou uma das principais necessidades. Não importava o nível escolar e salarial. A queixa e a insatisfação predominavam-se em todos os grupos. Curiosamente, percebeu-se uma insatisfação maior nos servidores de maior nível de escolaridade e salário. Apresentar alternativas de aprimoramento, especialmente para pessoas com relativo elevado nível cultural, se mostrou fundamental para antes de começar a discutir-se melhor sobre necessidades. A proposta era basicamente promover o sujeito à protagonização e facultar-lhe a possibilidade de redefinir à si mesmo melhores parâmetros, diretrizes mais acertadas para o seu bem estar antropobiopsiossocial, propiciar-lhe condições para alcançar seus objetivos propostos, visando ainda um fortalecimento institucional, fortalecimento este que, antes de tudo, seria o fortalecimento em todos os aspectos de cada um dos membros que compunham a instituição, sendo tudo mais facilitado à ele próprio conforme maior fosse a coesão entre os membros da mesma instituição. Esta proposta interventiva através do Programa de Aprimoramento do Servidor Público - PASP buscava acima de tudo a ratificação do artigo I do princípio fundamental do código de ética do assistente social, que estabelece “Reconhecimento da liberdade como valor ético central e das demandas políticas à ela inerentes – autonomia, emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais;”. O reconhecimento da liberdade dos servidores como valor ético central fora completamente resguardado. Todo ideário do programa era voltado para o trato de assuntos que promovessem a autonomia, a emancipação e a plena expansão de todos os participantes e envolvidos.

O Programa de Aprimoramento do Servidor Público – PASP inicialmente foi desenvolvido para servidores que trabalhavam na recepção à população, nos postos de atendimentos públicos. Com o passar do tempo o programa foi sendo adaptado para outros grupos, até uma versão criada para todos os servidores e equiparados, independentemente da complexidade de sua função. Esta última versão se mostrou mais eficiente, pois, fatores como o simples fato de ser dirigido à um grupo específico restringiam as possibilidades e geravam exclusões, descontentamentos nos prospectos participantes, culpabilização e coisas do gênero, na afirmativa de que um programa assim deveria ser direcionado apenas para outros grupos, especialmente para gestores, solicitações da qual não obteve-se nenhuma constatação para proceder. Os gestores principais, de eletivo democrático através da população, de modo direto e indireto, na totalidade das vezes demonstraram-se coesos no desempenhar de suas funções. O gargalo comumente observado era no estigma de que só gestores possuíam responsabilidades, o que atravancavam processos. Essa noção presente na instituição em variados graus e em variados sujeitos promovia uma postura bastante passiva em muitos que, não se percebiam também como responsáveis pela instituição a qual eram membros, embora guardadas as funções e os níveis de complexidade destas funções em cada sujeito. Entretanto, uma vez que a quase totalidade dos servidores sentiam-se numa condição de refém de uma situação, a proposta deste programa tinha como tema inicial o resgate da liderança do eu, onde, sem este resgate, tudo mais ficaria completamente comprometido em termos de desenvolvimento humano. Se não houvesse uma proposta de resgate da liderança do eu, o eu jamais poderia ser autor de qualquer feito, toda ocorrência em cada sujeito seria sempre uma ação de um outro sujeito que não ele próprio.

O Programa de Aprimoramento do Servidor Público – PASP foi desenvolvido estrategicamente para rodar em 12 etapas - 12 workshops – ao longo de 12 semanas que visavam uma completa transformação. Nestas 12 semanas foram trabalhados os seguintes temas:

1°- Workshop – O Resgate da Liderança do Eu;

2°- Workshop – Educar a Emoção;

3°- Workshop – Libertar a Criatividade: Superar a Rotina;

4°- Workshop – Ter um Sono Restaurador;

5°- Workshop – Gerenciar os Pensamentos;

6°- Workshop – Administrar a Emoção;

7°- Workshop – Trabalhar os Papéis da Memória: Reeditar o Filme do Inconsciente;

8°- Workshop – A Arte de Ouvir e a Arte de Dialogar;

9°- Workshop – A Arte do Autodiálogo: A Mesa Redonda do Eu;

10°- Workshop – Ser Empreendedor: Trabalhar Perdas e Frustrações;

11°- Workshop – Inteligência Espiritual: Superando Conflitos Existenciais;

12°- Workshop – Fazer da Vida uma Festa, Uma Grande Aventura.

Embora cada tema de cada workshop poderia ter sido feito um curso de dezenas de horas, este programa atuou como uma ferramenta de altíssimo impacto, algo que pudesse dar uma resposta rápida para que outras propostas e alternativas pudessem ser apresentadas posteriormente com algum nível significativo de receptividade, de compreensão mínima do que estaria sendo apresentado. Não que fossem complexas em si cada uma das temáticas apresentadas. Entretanto, estava-se a apresentar em uma instituição centenária, numa cidade média de um interior, bases teóricas de programas executados em grandiosas e renomadas instituições do Brasil e do Mundo, ações baseadas em teses e pesquisas realizadas pelas mais conceituadas entidades e universidades do Brasil e do mundo. A referência bibliográfica deste programa perpassou principalmente através de nove obras com as mais significativas pesquisas das últimas décadas, e em uma delas tratou de um estudo sobre investimento social feito pela Universidade Harvard que perdurou por 75 anos e se tornou a mais longa e ampla pesquisa feita por uma universidade, a citar; “12 Semanas para Mudar Uma Vida”, de Augusto Cury, “O Código da Inteligência”, idem, “Psicologia Social e Comunitária”, de sete PhDs, “O Jeito Harvard de Ser Feliz”, de Shawn Achor, “Geração Valor”, de Flávio Souza, “O Catador de Sonhos”, de Geraldo Rufino, “O Monge e o Executivo”, de James Hunter, “Quem Mexeu no Queijo”, de Spencer Johnson, e também no código de ética do assistente social, base primária de todas as atividades.

O Programa de Aprimoramento do Servidor Público – PASP ocorreu de forma concomitante através de grupos virtuais de interatividade, onde foi possível o disponibilizar em textos, em vídeos e em áudios de todo o material inerente aos workshops. O compartilhamento foi demasiadamente rico. Todos os Workshops foram registrados em vídeo para disponibilização dos participantes e demais interessados. Apenas o momento de interatividade direta entre os participantes, onde alguns expunham-se intimamente, foram removidos dos registros. Para os participantes do programa que completaram o ciclo, estabeleceu-se um laço onde foi possível realizar um acompanhamento constante, e deste modo constatamos se tratar de servidores que estavam em maior nível de bem estar antropobiopsicossocial, tornaram-se servidores modelos para toda a organização, pessoas que foram reconhecidas e tiveram suas identidades veiculadas nos canais de comunicação social da instituição, apresentando internamente e publicamente o modelo de servidor que ele próprio almejara e que a população gostaria de ser servida.

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5.3.2 Programa de Terapia Socioeducativa – Socioterapia

A socioterapia é uma técnica de prerrogativa interdisciplinar cada vez mais demandada do Serviço Social. Sua interdisciplinaridade perpassa principalmente pela sociologia, psicologia, economia, administração, direito, antropologia, história, comunicação, estatística, filosofia, relações humanas, ética, entre outras disciplinas e suas derivativas interconectadas com a técnica.

Conforme os levantamentos e pesquisas internas, percebeu-se a necessidade do desenvolvimento de um programa permanente, totalitário, algo que pudesse dar resposta para todos os sujeitos da instituição, um programa que pudesse atender à todas as demandas, seja agindo como reativo ou seja agindo como proativo nas necessidades dos servidores e equiparados em suas múltiplas necessidades apresentadas, considerando por completo a circunstancialidade; condições pessoais e ambientais, recursos disponíveis, etc. Diante de tal necessidade, elaborou-se um programa que, embora sua simplicidade aparente, o mesmo foi fruto de pesquisas mais atuais em várias entidades e academias entre as mais conceituadas do planeta, especialmente as universidades renomadas como a criada por John Harvard que tem seu sobrenome como ícone do saber acadêmico, a conhecida mundialmente Universidade Harvard.

Linda Hill, professora na Universidade Harvard, durante pesquisa realizada por uma década descobre que as organizações mais criativas do mundo tem a socioterapia como prioridade máxima para o desenvolvimento da criatividade para a melhor gestão, o que consequentemente é a principal ferramenta para busca de todas as soluções organizacionais. Linda Hill apresenta a socioterapia numa palestra no palco da TED, numa plataforma onde palestraram os fundadores da Google, Bill Gates, Bill Clinton, Al Gore e diversos ganhadores do Prêmio Nobel.
Sua pesquisa e seus resultados estão registrados na obra "Gênio Coletivo".

Desenvolveu-se um programa com estas prerrogativas, uma ferramenta de altíssimo potencial, de altíssima capacidade e escalabilidade, de muita simplicidade e ao mesmo tempo capaz de lidar com as temáticas mais complexas. Este programa que atuava como instrumento político-andragógico e também como a principal e mais eficiente forma de socialização das informações, foi resumidamente, uma ação reflexiva/educativa grupal, que possuía os seguintes princípios e objetivos:

- Promover o fortalecimento institucional;

- Emanada de um projeto ético-sociopolítico;

- Conteúdo político-andragógico;

- Centrado na esfera informativa e reflexiva/educativa;

- Prerrogativa de construção do “sujeito coletivo”;

- Fomentar a organização coletiva;

- Perspectiva andragógica-emancipatória;

- Abordagem interdisciplinar;

- Destinada à integração social; priorizando-a;

- Permitir autoposicionamento com a realidade em novas perspectivas;

- Potencializar o redescobrir-se, principalmente dos próprios valores;

- Fortalecer e ampliar o reconhecimento dos direitos/deveres;

- Focalizar nos pontos fortes, utilizando-os para compensar e equilibrar os pontos fracos do grupo e da instituição.

A socioterapia também visava o elevar do bem estar antropobiopsicossocial dos participantes. Entretanto, seu potencial e possibilidade era muito amplo. Na socioterapia foi possível identificar o que se mostrou não ser identificável em nenhuma outra situação analisada, se mostrou capaz de revelar o que em nenhuma situação ou circunstância seria possível revelar. Uma característica singular da ferramenta é que ela socializava as legítimas e principais informações necessárias aos participantes, equilibrava e autogerenciava os temas, ao mesmo tempo ocorria um compartilhamento do seu melhor e do necessário de ser compartilhado naquele momento. Como eram membros de uma mesma instituição, seus principais interesses e suas principais colaborações eram compartilhadas e consideradas no momento de execução da socioterapia. A ferramenta propiciava uma circunstancialidade única, pois, sua abordagem era de extração do melhor de todos para todos, melhor este que só poderia vir à tona numa circunstância como aquela, onde sentados em formato circular com os pressupostos da ferramenta estabelecidos, todos eram iguais; pessoas de mesma instituição, com os mesmos objetivos institucionais, com as mesmas vontades de melhoramento. Isso foi de um impacto altamente transformador. Serventes, ajudantes e outros servidores de funções menos complexas com chefias de funções complexas, pessoas de variados níveis organizacionais eram legítimas colaboradoras entre si durante a socioterapia. Foi quase “fenomênica” cada uma das reuniões realizadas. Todos os paradigmas de recursos pecuniários para providências de realizações entre pessoas foram superados. No desenvolver do programa fora previsto o alcance dos objetivos, mas, não fora previsto tamanho êxito e velocidade das transformações, dos resultados, mostrando-se cada vez mais rápidos, mais escaláveis. A socioterapia promovia seu público alvo à uma reflexão/ação/reflexão constante, fazendo-o reposicionar-se constantemente, buscar sua excelência, a magnificência de seu fazer.

O mediador da socioterapia também era uma figura que realizava uma escuta qualificada individual e grupal, analisava e processava todos os dados e informações para posteriormente realizar devolutivas individuais e grupais. A socioterapia que em si possui uma característica de “auto-gestora”, o mediador possuía um papel otimizador, alguém capaz de potencializar e elevar ainda mais as possibilidades de elevação dos resultados. A figura do mediador se mostrou altamente potencializadora. O mediador e implantador da técnica pode em alguns casos apenas apresenta-la em algumas unidades públicas para serem desenvolvidas entre servidores e equiparados, realizar algumas reuniões e mediações com a socioterapia até o grupo se mostrar autônomo. A partir deste momento ele se tornava dispensável, a menos a priori, para seguir disseminando e implantando a ferramenta em outras unidades públicas municipais.

A socioterapia atuava principalmente na transformação de fatores ligados à psicossocialidade. Devido ao fato de que na era informacional, numa era onde “informações” são abundantes e pululam de toda a parte e por todos os meios, especialmente as já processadas e provindas por tecnologias informacionais, constatava-se frequentemente servidores em estados emocionais, envolto em tensões, com exposições de ideias sobre ocorrências em outros Estados e até em outros países, alterados. A socioterapia propiciava uma condição singular de trazer os participantes para mais perto de questões mais próximas de sua realidade cotidiana, levando-os às percepções de que a importância da informação era proporcional a possibilidade de influenciação real em seu cotidiano. Com isso, a socioterapia focava no trato de questões mais próximas, mais municipalizadas, mais institucionalizada, mais pessoalizada, menos internacionalizada. Por mais que pudesse aparentar algumas questões como irrelevantes, o fato era que se constatou uma cultura organizacional exposta pelos servidores e equiparados que se mostravam preocupados com assuntos internacionais, ao mesmo tempo que se demonstravam em alguns casos completamente despreocupados, sentindo-se completamente desvinculados com responsabilidades em sua própria unidade de trabalho. Portanto, a socioterapia colocava em reflexão e promovia o participante à uma análise de que, por ventura, sua angústia e insatisfação externada teria alguma correlacionalidade com sua postura diante de sua própria unidade colaborativa. O senso de envolvimento e comprometimento, postura, comportamento, compreensão e apreensão acerca da psicossocialidade era permanentemente transformado entre os participantes que, em todos os casos, mostraram-se através de novas participações efetivamente transformados.

A meta de oferecer condições aos servidores e equiparados de encontrarem respostas para suas necessidades se mostrou em todos os participantes, atingida. A mediação conduziu estas reuniões de modo que sempre se teria uma resposta, e sempre ofereceu-se. A emancipação dos sujeitos, à autonomia, à protagonização foi meta base da socioterapia. Um dos principais fatores que promoviam esta autonomia, emancipação, protagonização se deu pelo fato de que a ferramenta levava os participantes à percepção da condescendência. A condescendência comumente não é percebida nas relações sociais como algo relevante, algo à considerar como fundamental para o trato de questões de todas as espécies. Entretanto, a condescendência é a principal consideração feita pela psicologia social para o trato de questões ligadas às relações sociais. Esta percepção de condescendência gerada pela socioterapia promovia os participantes à reflexionarem sobre os seus impasses em suas relações sociais, especialmente suas relações intra-organizacionais e até intra-pessoais.

Muitas vezes fora percebido pelos participantes de que o que era atribuído como responsabilidade à uma outra pessoa era na verdade responsabilidade dele próprio, pois, o outro era apenas condescendente para as ações dele, e que se eram reativas, mais reativas ainda eram as ações do outro. Percebia-se então uma situação relacional de completa ingerência, sem postura ativa consciente por ambas as partes. Os participantes que eram levados à um reposicionamento através da socioterapia experimentavam nas relações aquilo que percebiam durante a socioterapia, depois trouxeram suas constatações de que realmente a postura e comportamento do outro era uma mera condescendência com a sua postura, e que portanto, a mudança só seria possível de ocorrer se ele mudasse, e que jamais iria ocorrer uma mudança se ele se mantivesse na compreensão e na expectativa de que seria o outro quem teria de mudar sua postura e comportamento. O desenvolvimento da noção de condescendência promovido pela socioterapia se mostrou como um mecanismo de protagonização como nenhum outro mecanismo se mostrou. A transformação do que fosse e como fosse passava a ser percebida como jamais na dependência de alguma coisa, ou de alguém, que não o eu. O estereótipo de reivindicação por devaneios psíquicos direcionavam-se à extinção.

A reivindicação por devaneios psíquicos, por “gritos ao vento” seguido de frustrações por perceberem-la como não atendida foram gradativamente cedendo espaços por reivindicação através de posturas, comportamentos, atitudes, ações que viabilizavam, organizavam, criavam condições para serem atendidas, e quando chegada na fase de formalização ou concretização burocrática, responsáveis formais apenas ratificava a vontade dos sujeitos reivindicantes, não havendo alternativa para agirem diferente. A socioterapia desconstruía o paradigma de que nível hierárquico tinha correlação com nível de poder real. O poder real se mostrou consistir apenas no conjunto, na coletividade, pois, todos são responsáveis, cada qual apenas com sua complexidade individual, única. Tudo mais, efemeridades, ilusões, devaneios, ocorrências que geravam e mantinham estigmas de vilão e mocinho, heróis e dragões, soluções mágicas, mantinham e fomentavam insuperações, criticidades. A socioterapia expandia de modo escalável a noção de gestão social inerente à todo ser humano, e de liberdade/responsabilidade de tal.

O trato para o aspecto comunicacional se mostrou altamente relevante para a boa desenvoltura da socioterapia. Uma comunicação que se desse completamente coesa, sem ruídos, interpretações sem suposições e sim com asserções era o eixo estruturante da socioterapia. Todo o seu êxito dependia desta coesão, desta comunicação perfeitamente sincronizada entre comunicantes. Deste modo a socioterapia demandou em sua estrutura uma metodológica capaz de eliminar todo e qualquer tipo de ruído entre comunicantes. Uma técnica desenvolvida há tempos e culminada no que ficou conhecida mundialmente como Comunicação Não Violenta – CNV se tornou o pressuposto da comunicação durante a socioterapia. Assim, a socioterapia teve em sua estruturação a introdução de uma metodológica para sua execução.

A metodológica Comunicação Não Violenta – CNV desenvolvida pelo PhD em psicologia Dr. Marshall Bertram Rosenberg da Universidade de Madison, EUA, se fez necessária numa instituição onde possuía uma comunicação organizacional precaríssima. Preconceitos, acusações, culpabilização não era uma ocorrência de exceção. Era ocorrência de regra. Diante disso, para que se pudesse executar uma atividade como a socioterapia, uma atividade grupal, para que não divagasse do foco foi crucial a introdução de uma metodologia como a CNV. As primeiras experiências da socioterapia sem a CNV se mostrou frágil. O que era inicialmente uma proposta para busca de alternativas e soluções para os problemas e busca por ações proativas culminava em troca de acusações exaltadas. Apresentar a socioterapia sem enaltecer de antemão a necessidade da CNV se mostrou uma abordagem sem sucesso na instituição aplicada. Rapidamente a postura de defesa e agressão tomava conta da atividade proposta, invertendo seus objetivos. Elucidar a socioterapia e enfatizar os pressupostos da CNV fora uma combinação de sucesso extremo. A metodologia se mostrou à prova de desmantelamento. Todo participante que “automaticamente” iniciava uma agressão, este ia perdendo possibilidade para mantê-la. A CNV Se mostrou altamente robusta e de total confiança.

Este programa foi desenvolvido inicialmente para execução em dois dias da semana no salão de reuniões do departamento de relações humanas. O programa que tinha duração de uma hora a cada dia, com o passar do tempo foi ampliado para outros dias da semana. Diante dos resultados obtidos pelo programa, o mesmo começou a ser demandado para apresentação em outros setores e em outras unidades públicas. Um plano de apresentação e disseminação da ferramenta socioterapia se tornou uma das atividades principais do setor de Serviço Social / Treinamento. Cada vez que este programa era executado ou apresentado, seus resultados eram percebidos rapidamente, e novas demandas do programa chegavam ao setor. A socioterapia foi se tornando a atividade principal e mais demandada do setor de Serviço Social / Treinamento, devido à sua capacidade de transformar situações e pessoas, de sensibilizar e mobilizar os participantes diretos e impactar indiretamente em outras pessoas.

O principal instrumento avaliativo estabelecido para a socioterapia foi a ferramenta “Roda da Vida”, onde cada sujeito participante era orientado à preenche-la e guardá-la consigo para que pudesse ser comparada com um novo preenchimento que ocorria trimestralmente, dando-lhe uma resposta de como estava se desenvolvendo durante este processo. Este instrumento avaliativo se mostrou ser o mais necessário, o mais eficiente e eficaz, o de maior adequação à necessidade dos participantes e da instituição.

A altíssima complexidade de construção que existia por detrás da ferramenta socioterapia e seus demais elementos constitutivos contrastava com sua aparente simplicidade técnica-operativa. Essa característica cruzava sincronizadamente com a altíssima complexidade da necessidade institucional e com todos os seus recursos disponíveis.

5.4 Pesquisa de campo.

O campo de pesquisa deste trabalho foi a Prefeitura Municipal de Cruzeiro, priorizando o Departamento de Relações Humanas e o Setor de Serviço Social / Treinamento em suas demandas e atividades.

A pesquisa realizada para este trabalho se deu de modo constante, através de análises, observações, comparações, entrevistas, leituras ambientais, e tudo quanto mais fora possível em conformidade com todos os subsídios e recursos disponíveis para tal. A vivência em campo foi demasiadamente rica. O processo de análise trouxe um volume de dados e informações tão grandes que só poderiam serem transmitidas neste trabalho após uma compilação que resultasse em algo bem compactado. Deste modo, tudo quanto pareceu-nos de mais óbvio e de mais banal foi perguntado constantemente sobre o que de fato cada coisa significava. Esta foi a perspectiva essencial desta pesquisa em sua vivência em campo, vividas com todas as prerrogativas curriculares, sobretudo pela ética profissional.

5.4.1 Sujeitos

A complexidade deste trabalho que levou esta abordagem do modo o qual fora realizada possui dois fatores principais que o caracterizaram. Um é a circunstancialidade, a regionalidade em sua especificidade singular, a cultura local. Outra é o sujeito, o público alvo o qual este trabalho direcionou-se. Este sujeito, o servidor público municipal da cidade de Cruzeiro, usuário da assistência social prestada pelo setor de Serviço Social / Treinamento, em sua maioria, se mostrou de frágil interatividade. Comumente, os sujeitos respondiam às ações do setor de Serviço Social / Treinamento sem a tomada de ciência, e frequentemente o servidor acionava o setor com solicitações não enquadradas na assistência social, dada sua noção de assistência social e dados os seus hábitos adquiridos historicamente. Muitas vezes o setor de Serviço Social / Treinamento era acionado e a devolutiva era o esclarecimento das atribuições do setor, levando o servidor público à percepção de que sua solicitação não era da alçada da assistência social. Em alguns casos, foram realizadas algumas orientações jurídicas legislativas, seguida de um encaminhamento profissional jurídico, para que o servidor fosse melhor esclarecido sobre seus direitos/deveres sem implicar-se num conflito com a lei, sem incorrer numa situação de crime, o que comumente verificou-se com possibilidade de incorrer, inconscientemente. A noção de administração pública preconizadora dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência estava bastante passível de aprimoramento na instituição. A constatação destes fatos se dava às intensas queixas de relacionamentos entre equipes de trabalho, comumente habituada à uma compreensão de relacionamento pessoalizado e uma noção de legislação completamente unilateralizada. A comunicação organizacional possuía elevados níveis de ruídos entre algumas equipes.

Dado ao fato de que a faixa etária de servidores da instituição era de mais de 50 anos de idade, havendo até mesmo elevado número de servidores já aposentados atuantes, onde o comum era aposentar-se e continuar ativo, percebeu-se alguns pontos de ruídos na comunicação dada as grandes diferenças intergeracionais. O sujeito desta pesquisa se mostrou bastante singular para a assistência social. Identificou-se uma tendência ao nível de necessidade de assistência social proporcional ao nível de escolaridade, ou seja, muitas ações interventivas direcionavam às pessoas, setores, departamentos, unidades onde era maior o nível de escolaridade, parecendo haver uma correlação entre maior necessidade de assistência social e maior nível de escolaridade. Curiosamente, os servidores de menor escolaridade e menor complexidade de tarefas e serviços eram os que menos acionavam o setor de Serviço Social / Treinamento, e quando acionavam, se mostraram os mais interativos com as atividades da assistência social que, constatavam-os como menos necessitados de assistência. A intervenção social para estes era na maioria das vezes pontual e resolutiva. A assistência social se mostrou quanto mais de necessidade, quanto maior a complexidade da responsabilidade das funções.

5.5 Análise dos resultados.

A ciência, um empreendimento social dinâmico e não uma simples expressão aritmética desprezando uma ontologia inerente (Peixinho, 2007), algo só possível numa atuação de constante (Zohar, 1990), ainda mantém em sua cultura científica a ideia de que resultados estão passíveis de serem observados apenas de modo estático, olvidando muitas vezes que o legítimo resultado não deve partir de percepções e constatações do observador, mas sim de percepções e constatações do observado e de uma análise universalizada deste, de um sujeito que muitas vezes desconhece por completo a intenção do observador, do cientista, do sujeito que caberá a determinação de qual fora o resultado obtido.

Seguindo esta linha epistêmica, na compreensão de que toda objetividade é subjetivada (Filho & Daineze, 2014), toda esta análise considera os pressupostos do Serviço Social, de uma ciência social não exata, de que muitas vezes a própria epistemologia considerada deverá embasar-se em fatores que privilegiem os pressupostos da semiótica, a linguagem específica utilizada por cada sujeito, em cada ambiente, em cada circunstância. Deste modo, as análises dos resultados deste trabalho primou por uma leitura que mais se aproximasse da realidade na especificidade do analisado, contemplando toda a realidade regionalizada, a conjuntura da qual implica este próprio trabalho acadêmico de conclusão de curso, a pesquisa realizada por ele.

Sabida, considerada a importância de atenção pelo não enveredamento pelos cientificismos. Contudo, mais atenção ainda fora dado no decorrer deste trabalho ao não desenvolvimento de uma propositiva aparentemente científica ou pseudo-científica, de adornos formais em detrimento do essencial. Buscou-se um processo desvencilhado de qualquer ortodoxia científica, o que acaba fomentando o estigma de que teoria e prática são elementos divergentes, obscurecendo a realidade de que teoria/prática são elementos imbricados e dinâmicos para o legítimo cientista, pois, este é consciente que é a prática que qualifica com exatidão o teórico e a consistência de sua própria teoria, uma vez que compreende a abrangência das leis naturais explicitadas no axioma de que todo efeito provém de uma causa imediata, em tudo pensável há ação/reação (Morais, 2002). Isso quer dizer que gráficos e tabelas não foram privilegiados nesta pesquisa de campo. Privilegiou-se os relatos das pessoas e a aferência emitida por ela própria ao apresentar suas expressões em cada uma das situações em que foram escutadas, ouvidas, atendidas, observadas. Essa metodológica parametrizou uma percepção de máxima aproximação com a realidade analisada e menos com a realidade do analista.

Diante disso tudo considerado, levando ainda toda a conjuntura desta pesquisa, a prática da assistência social aos servidores públicos municipais fora sendo clarificada. As reais necessidades dos usuários foi se aparentando mais perceptível, inclusive mais perceptível suas necessidades implícitas, quase sempre desconhecidas em sua totalidade pelos próprios usuários, pois, traziam na maioria das situações uma visão de assistência social amplamente assistencialista, e necessidades que não eram suas reais necessidades. Muitas das necessidades trazidas até o setor de Serviço Social / Treinamento foram identificadas como necessidades de outras pessoas que dividiam com os usuários seus espaços socioambientais; colegas de trabalho, famílias e grupo social do qual havia predominado suas estadas ao longo do tempo. A estratégia de obter uma leitura profunda e mais aproximada da realidade começou a se dar principalmente através da socioterapia que, cada vez mais estava sendo demandada pelos usuários, servidores e equiparados, pelos seus setores e pelos seus departamentos, pelas suas unidades de trabalho.

A assistência social para servidores públicos municipais do município de Cruzeiro começou a se fazer menos presente nas situações individualizadas e cada vez mais a fazer-se mais presente nas atividades de aprimoramento de pessoal e nas análises avaliativas. Para toda situação foi-se percebendo que a ferramenta socioterapia era única capaz de apresentar soluções, pois, ela em si não era a solução, mas, em se tratando de instituição e de pessoas se comunicando, a harmonização e a ampliação da qualidade comunicacional sempre levou os sujeitos à terem suas necessidades identificadas e serem satisfeitas inicialmente através da socioterapia, e só após a executividade dela isso ocorria. A assistência social passou à ser proativa e a avaliação focou nos resultados obtidos na percepção dos sujeitos e no contrabalanço com a identificação dos resultados obtidos para toda a instituição. Os resultados da instituição eram identificados quando uma pesquisa intercontextualizada era realizada com todos os sujeitos envolvidos diretamente numa mesma situação. Em suas individualidades os sujeitos não detinham uma visão total de uma ocorrência. Mas, numa conjuntura davam devolutivas que se complementavam e permitia uma construção que ensejava uma leitura exata dos resultados. A análise fragmentada, considerando apenas a individualidade foi se mostrando altamente precária, quando não completamente dissonante com o real resultado. Os resultados acabaram provindos principalmente de instâncias e de devolutivas de pessoas que estavam numa posição de maior amplitude de informações e situações, e isso se mostrou nem sempre provir de posições formais supostamente privilegiadas, de pessoas de maior elevação hierárquica. Muitas vezes, percebemos a maior congruência em pessoas que detiam maior amplitude de informações e situações sendo aquela na posição hierárquica de menos elevação, em funções de menor complexidade. Portanto, nossa avaliação e monitoramento de ações e de seus resultados foram centrados nos momentos de aplicação da socioterapia. De modo suscinto, a socioterapia se mostrou a principal legítima necessidade assistencial do servidor público do município de Cruzeiro. O ruído na comunicação organizacional era de tal intensidade que, em alguns casos de escuta, análise, processamento e devolutiva, meses foram levados para que fosse alcançado algum ponto que pudesse ser considerado de razoável êxito. O já constatado pela psicanálise de que a comunicação entre pessoas normalmente é bastante precária, percebeu-se precaríssima na maioria dos casos analisados.

Feitas as considerações iniciais acerca dos resultados e da metodológica utilizada na apreensão dos mesmos, constatamos a socialização de informações realizada com algumas premissas estabelecidas, neste caso a ferramenta socioterapia articulada conjuntamente com a técnica CNV como a principal legítima necessidade de serviço assistencial à ser oferecido ao servidor público municipal, especialmente ao servidor do município de Cruzeiro onde atuou-se diretamente, pois, toda necessidade apresentada por ele, especialmente em suas especificidades, sempre foi implícita de necessidades institucionais, necessidades interassociadas que numa observação intercontextualizada o setor de Serviço Social / Treinamento sempre possuía condições de agir nos pontos mais causais das questões apresentadas, uma vez que o acesso e detimento de informações possuídas pelo setor de Serviço Social / Treinamento eram perpassadas por todas as instâncias da instituição, e até mesmo detinha-se informações que perpassavam por instâncias extra-institucionais. O setor de Serviço Social / Treinamento devido à sua posição aparentou ser aquele que possuía a mais privilegiada posição para obtenção e análise de informações, e isto ao mesmo tempo, aparentou ser aquele o mais privilegiado para apresentar respostas à toda instituição. Durante todas as análises realizadas até então, nada foi capaz de alterar esta aparência.

6. CONCLUSÃO

Antes de iniciar uma pesquisa, a análise de um problema, apresentar as hipóteses e testá-las, confirmar ou não uma resposta, buscou-se partir de um questionamento inicial onde colocou-se em análise todos os paradigmas e pressupostos já estabelecidos. De fato, a proposta deste trabalho não é apresentar conceitos novos, mas apenas uma nova forma de apresentar os mesmos conceitos já elucidados por tantos. Apresentar ampliando as possibilidades de transformação da realidade social. Inexiste uma intenção de transformação radical com este trabalho, contudo, existe uma intenção radical de superar paradigmas, pois, considerou-se completa intransigência em corroborar ou ser condescendente com quaisquer cientificismos ou quaisquer teoricismos, por mais bem empolados estes pudessem apresentar-se. Também inexiste a intenção de ratificar teorias de maioria, tendo isso como pressuposto básico de transformação, levando sempre em conta que jamais as verdades consistirão nos números de pessoas que nelas crêem, sendo possível até mesmo que as verdades poderão consistir em nenhum crente dela. Portanto, intentou-se pelo ratificar de teorias que se mantiveram irrefutáveis em todos os comparativos, independentemente da epistêmica utilizada nestas. Equações aritméticas básicas não serviram de parâmetro para análises estatísticas, dadas as expressões aritméticas complexas sobrepujadoras apresentadas pela física numa análise moderna, especialmente pela quântica, bem aglutinada com a filosofia, demonstrando fragilidade, quando não completo equívoco em análise estatística de equações simplificadas. Outro aspecto relevante desta pesquisa fora a consideração anfibológica no tocante as teorias apresentadas pelos autores pesquisados, pois, cada consideração buscou sempre representar fidedignamente a própria concepção de termos o qual buscou-se o máximo de aproximação, no melhor intuito de apreender profundamente as ideias, e deste modo realizar uma pesquisa capaz de extrair o melhor de tudo que já fora produzido com vistas à uma assistência social que possa ser tomada como de excelência.

A importância da análise dos pressupostos deste trabalho fora necessário diante da realidade regional deparada. Embora situados numa organização comum no Estado brasileiro, os fenômenos encontrados foram surpreendentes, adversos, alguns aparentemente paradoxais, aparentemente dissonantes com as comuns compreensões acerca das doutrinas expostas nas universidades e na literatura, com aparência de muita distância com tudo visualizado no curso de Serviço Social e na Universidade Paulista, visualizado no relacionamento de todas as instituições envolvidas, elementos que subsidiam o estigma de que teoria e prática são divergentes. Uma vez que a proposta deste trabalho fora a superação deste estigma, para que tal pudesse ocorrer, utilizamos de todos os recursos disponíveis e encontrados para possibilitar esta superação, recursos os quais, sem estes, nos aparentou inicialmente impossível superar tal estigma. A possibilidade se fez quando aprofundamos na análise dos pressupostos do Serviço Social, não se mantendo à uma análise inicial por volta dos anos 1930, e sim nas bases primordiais que elucidam caracteres singulares do ser humano, remontando sua história e sua relação com o seu meio desde o primeiro remontar de sua história em meados dos tempos de Tales de Mileto, conhecido nas academias como pai da filosofia.

Após estas análises iniciais e estabelecidos alguns pressupostos, foi possível identificar um problema. Uma vez que o problema a ser analisado era em uma instituição com mais de 116 anos e milhares de pessoas por ela já haviam perpassadas, e todas elas incumbidas da missão de administrar seu município, e esta mesma instituição carregava o estigma de que há décadas não estaria administrando este município, isso levou o questionamento sobre tudo que fora realizado até o início deste trabalho. No caso aqui enveredou-se pelas reais e legítimas necessidades dos servidores públicos municipais, especialmente do município de Cruzeiro, pois, obviamente, quem forma uma instituição não é o seu número de cadastro nacional de pessoa jurídica, e sim todos os membros que a compõem diretamente, e até mais que isso. Numa sociedade democrática, uma instituição de mais de 116 anos já ofereceu possibilidade de intervenção e mobilização por todos os seus munícipes. Se há fatos históricos em que alguns foram mais ou menos favorecidos do que outros, há também o fato histórico de que atualmente todo organismo público brasileiro demanda a participação e controle social, uma gestão compartilhada entre agentes públicos e sociedade civil organizada. A culpabilização não possui mais espaços na democracia moderna. É o que comprovou-se através de estudos sobre gestão social por meio de pesquisas feitas junto à Universidade Aberta do Nordeste e a Fundação Demócrito Rocha e que compuseram bases para este trabalho.

Outro elemento o qual embasou o desenvolvimento desta pesquisa fora os princípios éticos expostos no curso de ética realizado pela Universidade de São Paulo, levando, deste modo, um distinguir aprofundado de ética e moral, esclarecendo a impossibilidade, numa definição aprofundada, de haver um código de ética, pois, todo código por ser código só poderá ser moral, embora embasado em princípios de ética. Poderia aparentar irrelevante esta consideração, no entanto, ela se fez presentemente necessária para lidar com situações das mais adversas e complexas. Sem esta noção aprofundada de ética, a leitura de ações e medidas assistenciais poderiam ser tomadas como assistencialistas, e até situações de cumprimento poderiam ser tomadas como infrações ao código de ética. Contudo, numa consideração aprofundada sobre ética percebeu-se que mesmo que todo código seja moral, embasa-se em princípios éticos, e estes princípios sempre serão subjetivos, pois, a moral é estabelecida por um grupo, a ética não se submete à grupos, pois, ela é universal, dependente de relações universais entre seres para sua concepção, sendo princípio também para as características mais singulares de pessoas e culturas, e por isso observa-se até mesmo existência de código de ética para grupos em conflito com a lei. A compreensão profunda de ética possibilita uma compreensão profunda do código de ética do assistente social, um dos principais elementos norteadores deste trabalho.

Uma vez estabelecidos os pressupostos acima referidos, a identificação de problemas simplificou-se. Neste caso, buscou-se pelas reais e legitimas necessidades de serviços de assistência social aos servidores públicos municipais. Estas reais e legítimas necessidades em sua maioria não se resumiam em ações isoladas. Nos atendimentos individualizados houvera vezes que ações isoladas e pontuais de fato eram as reais e legítimas necessidades de servidores. No entanto, na maioria dos atendimentos individualizados, percebeu-se explícita ou implicitamente uma necessidade também em outras áreas, e que na maioria das vezes o usuário não possuía consciência, e isso era completamente natural, pois, o usuário sempre apresentava uma necessidade levando em conta sua individualidade, porém, sempre fora analisado levando em conta toda uma conjuntura, interassociando e intercontextualizando, pesquisando constantemente as informações que eram apresentadas na exposição destas necessidades, até porque o próprio bem estar antropobiopsicossocial do indivíduo é interdependente à todos os demais indivíduos de uma mesma instituição e também de uma sociedade, necessitando sempre um visar coletivo em todas as ações.

O fato de constatar-se também as principais e legítimas necessidades ligadas aos fatores de desenvolvimento humano, à necessidade de aprimoramento do bem estar antropobiopsicossocial do servidor público municipal, a necessidade de um aprimoramento relacional humano, não houve implicância de ações “psicologizantes”, e sim, constatações de quadros psicológicos em evolução para quadros psiquiátricos que se efetivaram, culminando, por exemplo, em situações de servidores utilizando dez tipos de medicamentos psiquiátricos, impossibilitado psiquicamente de adentrar em uma unidade pública para trabalhar, e mesmo assim ter tido negado pelo órgão competente um afastamento institucional. Em casos assim, ainda havia o agravante socioeconômico. Normalmente o sujeito nestas condições e situações, também estava em condições de alta vulnerabilidade socioeconômica, sem condições de buscar alternativas em âmbito privado para o trato de suas questões. Assim, nenhuma ação “psicologizante” fora considerada. Fora considerada uma grande necessidade de desenvolvimento psicológico, já que relatos de depressão e relatos de não vontade de viver também se deram, e não de modo tão incomum.

Com o desenvolvimento de programas de aprimoramento com vistas à elevação de qualidade de vida, à elevação do bem estar antropobiopsicossocial do servidor público municipal, as ferramentas avaliativas demonstraram significativos resultados. Registrou-se casos de servidores que após participarem de apenas uma reunião de socioterapia encontraram nesta ocasião elementos que lhe ofereceram uma guinada em sua situação, demonstrando também deste modo que a maior necessidade do servidor público municipal era de que lhe fosse oferecida a liberdade/responsabilidade como valor ético central, condições para emancipar-se, para ter autonomia em suas ações e decisões, inclusive decisões sobre aquilo que seria melhor para si mesmo. Oferecer liberdade/responsabilidade como valor ético central se mostrou algo altamente complexo numa instituição de 116 anos que nas ruas principais de sua cidade trazia os nomes de coronéis, majores, tenentes, marcando definitivamente suas características culturais, refletindo as influências nos servidores e em todos os habitantes da cidade.

O programa de aprimoramento do servidor público e o programa de socioterapia cabalmente se mostraram a real e legítima necessidade do servidor público municipal. Num programa trabalhava-se de modo linear um conjunto de preceitos acerca do desenvolvimento humano de modo integral e de modo especificado. Noutro programa trabalhava-se de modo dinâmico as necessidades e as respostas para elas. Nestes programas, nestas reuniões eram apresentadas muitas necessidades, das mais diversas, e também eram apresentados os impasses que estes servidores enfrentavam. Nestas reuniões em que eram apresentadas as necessidades, se mostraram nelas também como única circunstância possível para encontrar respostas para os impasses enfrentados para suprirem as necessidades, pois, uma vez que a maioria das necessidades eram trazidas conjuntamente e dependente de outras necessidades que envolviam outros sujeitos e instâncias desconhecidas até então, através das atividades grupais percebiam-se melhor estes sujeitos e instâncias para que fosse possível agir em função da busca pelo necessário. Os programas consistiam ferramentas simples, mas, com altíssimo potencial e realização, perceptível por todos os participantes.

Atendimentos individualizados em situações isoladas se mostraram necessários, mas não prioritários, de baixíssima relevância. Questões de conflitos, problemáticas e outras situações do gênero sempre tiveram como causa, em última análise, uma necessidade organizacional que, por sua vez, prescindia de uma necessidade organizacional pessoal, de modo que possibilitasse uma construção coletiva harmônica. Se alguns antagonismos são inevitáveis e culminam em embates, o mesmo não se mostrou procedente numa instituição, pois, todo servidor estava voltado à um mesmo objetivo institucional, deliberadamente optado por ele próprio após sua maioridade civil. Devido à este fato, os atendimentos individualizados sempre encontrava soluções através da mediação do setor de Serviço Social / Treinamento. Todas as vezes que não fora possível uma solução, percebeu-se uma necessidade de encaminhamento psicológico do usuário que acionara o setor de Serviço Social / Treinamento, um encaminhamento que em muitas vezes era solicitado pelo próprio usuário atendido, conforme suas conclusões.

Um outro atendimento individualizado que se mostrou bastante eficiente e direcionador fora o atendimento com fins de orientações. Simples orientações quando bem realizadas geravam completa transformação de intenção e posicionamento nos servidores. Reivindicações deixaram de ser reivindicações após orientações do setor de Serviço Social / Treinamento e passaram à ser o início de uma protagonização que colocava o reivindicante como um também reivindicado, protagonizando para as suas necessidades, percebendo-se um agente parte de um processo que não se limitava à uma dicotomia de reivindicante e reivindicado, e sim apenas sujeitos de responsabilidades mútuas em processo de construção coletiva.

Uma desnecessidade mostrada no setor de Serviço Social / Treinamento fora a viabilização de ações fiscalizadoras. Todo o departamento e setores eram filmados 24 horas por dia, monitorados pelas chefias e disponibilizadas às pessoas e aos órgãos competentes. A controladoria municipal junto à controladoria estadual eram presentes, constantemente. Alimentação aos sistemas de auditoria, inclusive eletrônica também eram atividades frequentes. Os mecanismos de fiscalização e transparência sempre se fizeram presentes. Todos os servidores e até a população tinham completa autonomia para realizar um controle social. Assim, o estereótipo da corrupção em unidades públicas não encontrou respaldo nestas observações, nas análises e pesquisas, pois, um vasto mecanismo de controle e participação social existiu, desde sistemas eletrônicos de acessos públicos até uma delegacia de polícia federal à poucos metros da instituição. Portanto, a protagonização dos servidores públicos em tudo perseverou como sua real e legítima necessidade.

A socioterapia também mostrou-se como uma ferramenta de gestão compartilhada, já que a possibilidade de participação era para todos os servidores e equiparados, sem exceção. Isto quer dizer que a participação muitas vezes se deu simultaneamente entre chefe e chefiados, gestores e geridos, pessoas com interesses sempre convergentes – o que é fato para membros de uma mesma instituição - e que muitas vezes apenas não sabiam como compartilhar tais necessidades e responsabilidades. A socioterapia se mostrou ser o elo perfeito para tal compartilhamento, ser algo capaz de trazer as questões aparentemente mais complexas para serem resolvidas como algo factualmente simples de solucionar, desde que, simplesmente fossem colocadas todas as questões de modo claro, direto e completamente transparente para todos.

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Políticas Sociais: acompanhamento e análise. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/politicas_sociais/bps_19_completo.pdf>. Acesso em: 24 d e maio. 2018. 


Publicado por: Halan Crystian Mendes Mota

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