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Dificuldade de Aprendizagem de Leitura e Escrita

Educação

Abordagem sobre as dificuldades demonstradas por alunos na aprendizagem da leitura e escrita

índice

1. RESUMO

Este trabalho de conclusão de curso aborda as dificuldades de aprendizagem demonstradas por alunos no que diz respeito a escrita e a leitura. A pesquisa demonstra os obstáculos enfrentados pelos professores durante o processo de ensino por meio de uma pesquisa bibliográfica, de caráter qualitativa, onde serão analisadas publicações virtuais e físicas acerca do assunto para fundamentar as ideias aqui apresentadas. O primeiro capítulo é o responsável por esclarecer a importância da leitura e escrita, enquanto o segundo capítulo adentra de fato no tema e aborda os problemas presentes dentro de sala de aula durante o processo de aprendizagem da escrita e leitura. Durante o desenvolvimento do trabalho, foi abordado também a contribuição dos professores para com seus alunos nesse período onde o aprendizado em diversas áreas é muito importante, e por fim, serão apresentadas algumas das estratégias que os professores podem utilizar para facilitar o aprendizado da leitura e escrita.

Palavras-chave: Dificuldade. Leitura. Escrita.

2. INTRODUÇÃO

O presente trabalho procura mostrar os possíveis problemas que podem interferir no processo de aprendizagem de leitura e escrita nos anos iniciais do ensino fundamental, haja vista, que muitas crianças apresentam tais dificuldades. Nota-se que os pais e os profissionais da educação, muito das vezes, não sabem lidar com estas situações.

A dificuldade de aprendizagem de leitura e escrita pode estar ligada com disfunções neurológicas como a dislexia, que pode acarretar lentidão na aprendizagem, dificuldade de concentração, troca de letras com sons ou grafias parecidas, entre outros problemas. Insta salientar que a dificuldade de aprendizagem de leitura e escrita pode estar também ligada a fatores externos no ambiente escolar, como: sala de aula com muitos alunos, a metodologia de ensino usada pelos professores, a falta de políticas públicas que promovam a formação continuada de professores, tornando o processo de ensino aprendizagem muito das vezes obsoleto.

Outro fator que pode atrapalhar o processo de aprendizagem de leitura e de escrita é o ambiente familiar, tendo em vista que os filhos se espelham em seus pais, sendo assim, um ambiente familiar conturbado pode atrapalhar substancialmente o referido processo, uma vez que pais que não apresentam interesse em acompanhar o estudo dos filhos de certa forma também desmotivam os mesmos.

A aprendizagem, a leitura e a escrita são processos sistemáticos, construídos diariamente no meio social. (FERREIRO, 1996). Destarte, devemos levar em consideração que tal processo está intrinsecamente relacionado com o convívio social e familiar, que envolve o relacionamento entre os pares, construindo paulatinamente a alfabetização.

Martins (1994) assinala que “aprendemos a ler lendo”, mas este ato se relaciona de forma contextualizada, usando a interdisciplinaridade entre prática e ludicidade. A autora enfatiza que os pais possuem um papel fundamental no processo de aprendizagem de leitura e escrita, haja vista que o diálogo auxilia no aprendizado.  Rodrigues (2003), por sua vez, enfatiza a importância da família no processo de aprendizagem de leitura e escrita, tendo em vista que o interesse dos pais ajuda o progresso escolar dos filhos.

Como objetivo principal, o presente trabalho busca demonstrar como se dá a dificuldade de aprendizagem da escrita e da leitura nos alunos dos anos escolares iniciais, bem como demonstrar qual a importância desses dois fatores na vida dos indivíduos, independentemente de sua idade.

E como objetivos específicos, o presente trabalho se propõe a:

  • Demonstrar como acontece o problema da dificuldade de aprendizagem nas escolas brasileiras no que diz respeito à leitura e escrita;
  • Apresentar qual a contribuição dos professores no processo de aprendizagem;
  • Esclarecer qual a importância da leitura e da escrita na vida das pessoas;
  • Abordar quais estratégias podem ser utilizadas pelos professores para superarem as dificuldades enfrentadas por seus alunos no que diz respeito à leitura e à escrita.

Visando atender aos objetivos elencados anteriormente, a realização desde trabalho baseou-se em pesquisa bibliográfica exploratória de abordagem qualitativa que, segundo Severino (2002), exige do pesquisador reflexão pessoal autônoma, crítica e rigorosa. Nesta perspectiva, o investigador se envolve de uma forma que o objeto a ser investigado passe a fazer parte de sua vida. Em relação às fontes de papel utilizadas, a pesquisa bibliográfica é, segundo entendimento de Alves (2003), aquela desenvolvida exclusivamente a partir de fontes já elaboradas livros, artigos científicos publicações periódicas, as chamadas fontes de “papel”. Tem, assim, como vantagem, cobrir uma ampla gama de fenômenos que o pesquisador não poderia contemplar diretamente.

Dentro das ideologias que norteiam os pensamentos dos vários autores citados, foi possível realizar uma pesquisa significativa/ qualitativa. A produção deste trabalho possibilitou–me conhecimentos aprofundados a respeito do tema abordado (leitura e escrita), por meio do qual muitos questionamentos em relação ao tema foram esclarecidos nesta pesquisa qualitativa, através da investigação e da reflexão.

A dificuldade de aprendizagem, de leitura e escrita é um problema enfrentado por muitos alunos que frequentam as escolas públicas e privada no Brasil, e tais dificuldades, comprometem de forma significativa a trajetória estudantil. E nesse sentido, visando trazer um aprofundamento a essa temática com possíveis caminhos para solução desse problema no ensino fundamental, utilizaremos autores especialistas no assunto, como García (1998), Fernández (1990), Fonseca (1984), Cruz (2009), Ajuriaguerra e Grajan (1995).

Para melhor compreensão didática do tema aqui analisado, o presente trabalho se dividirá em capítulos.

O primeiro capítulo é responsável por abordar a importância da leitura e escrita na vida dos indivíduos, uma vez que, através desses dois elementos, é que se torna possível o exercício da cidadania.

Já o segundo capítulo trata, de fato, do problema da dificuldade de aprendizagem no Brasil, analisando problemas para o aprendizado da leitura e da escrita, bem como as consequências dessas deficiências na vida dos indivíduos.

O terceiro capítulo aborda a contribuição dos professores para o aprendizado dos alunos.

E o quarto capítulo trata da importância da leitura na sociedade, fazendo uma breve contextualização histórica do uso da escrita e leitura através das civilizações.

O quinto e último capítulo aborda, de maneira breve, algumas estratégias que os professores podem utilizar durante as aulas para facilitar o aprendizado da leitura e escrita pelos alunos.

3. A IMPORTÂNCIA DA LEITURA E ESCRITA

De acordo com a perspectiva tradicional, o ato de ler se referia apenas a decifrar códigos. Entretanto, a ótica moderna trata a leitura como uma forma de interação entre o leitor e o texto, sendo que através do qual, o leitor busca atingir os objetivos pelos quais está lendo, ou seja, é a criação de um diálogo entre o autor e o leitor, onde este compreende os pensamentos daquele.

Nesse sentido, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN):

A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do texto, a partir de seus objetivos, de seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que sabe sobre a linguagem, etc. Não se trata de extrair informação, decodificando letra por letra, palavra por palavra. Trata-se de uma atividade que implica estratégias de seleção, antecipação, inferência e verificação, sem as quais não é possível proficiência. É o uso desses procedimentos que possibilita controlar o que vai sendo lido, permitindo tomar decisões diante de dificuldades de compreensão, avançar na busca de esclarecimentos, validar no texto suposições feitas. (PCN, 1998, p. 69)

Verifica-se, então, que o ato de decodificar os símbolos é somente uma das maneiras existentes para a leitura. Contudo, a leitura diz respeito ao processamento das informações extraídas de um texto, objetivando sua interpretação e assimilação do conteúdo ali disposto. Dessa forma, por meio do conteúdo extraído do texto, em conjunto com seus próprios conhecimentos, o leitor alcançará seu objetivo.

De acordo com Foucambert (1998), podemos considerar que a leitura acontece quando o leitor utiliza o que já sabe para criar significados para o que está escrito em determinado texto.

Já Solé, entende que

[...] quem lê deve ser capaz de interrogar-se sobre sua própria compreensão, estabelecer relação entre o lê e o que faz parte do seu acervo pessoal, questionar seu conhecimento e modificá-lo, estabelecer generalizações que permitem transferir o que foi aprendido para outros contextos diferentes.[1] (SOLÉ, 1998, p. 118)

Matta (2009) leciona que a leitura é um requisito para se obter conhecimento, que é muito importante atualmente par ao mercado de trabalho, para o exercício dos direitos e principalmente, da cidadania, ou seja, é através da leitura que se compreende melhor a função do indivíduo no meio social em que ele vive. A leitura é então uma ferramenta na busca por conhecimento.

Nesse sentido, Silva (2003), explica que

Nunca é demais lembrar que a prática da leitura é um princípio de cidadania, ou seja, leitor cidadão, pelas diferentes práticas de leitura, pode ficar sabendo quais são as suas obrigações e também pode defender os seus direitos, além de ficar aberto às conquistas de outros direitos necessárias para uma sociedade justa, democrática e feliz. (SILVA, 2003, p. 24)

De acordo com o referido autor, percebe-se então que a escola é o ambiente ideal para se buscar conhecimento, e tem como função, formar cidadãos capazes de terem um olhar crítico acerca do mundo exterior, atuando de maneira competente e digna, condizente com seu meio social. E, pra isso, tanto a leitura quanto a escrita desempenham papéis importantes na formação de uma sociedade mais juntos e igualitária, onde a busca pelo conhecimento é constante, para o correto exercício da cidadania.

Isto posto, vale ressaltar a importância dos professores na criação do hábito da leitura e escrita nos alunos, onde os profissionais devem criar condições e favorecer a busca pela leitura e escrita.

Alarcão (2000) destaca que “[...] a escola tem a função de preparar cidadãos, mas não pode ser pensada apenas como tempo de preparação para a vida. Ela é a própria vida, um local de vivência da cidadania”.[2] (ALARCÃO, 2000, p.18) 

Dessa forma, a leitura é um meio eficiente para se construir uma compreensão do mundo, sendo o elo capaz de ligar as culturas, sendo por meio desse ato – de ler – que o aluno forma uma visão crítica. E no mesmo sentido segue a escrita, pois exteriorizar o conhecimento é de grande importância para fixação do mesmo e sua disseminação, ou seja, é através da escrita – dentre outras formas – que é possível demonstrar o que se aprendeu.

Paulo Freire (1989) destaca a importância da leitura e da escrita para se fazer uma avaliação sobre a maneira com que estamos enxergando o mundo. Segundo o autor,

A importância do ato de ler, eu me senti levado - e até gostosamente - a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na minha memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo. (FREIRE, 1989, p. 11)

Segundo essa exposição de ideias, podemos compreender que o aluno deve sair da escola possuindo certo conhecimento do mundo externo, e para isso, a leitura e a escrita são de grande importância. Contudo, importante ressaltar que é com a aquisição de experiência de vida, que a leitura é capaz de se aperfeiçoar e garantir a correta compreensão e interpretação dos textos.

Segundo Cagliari, “A maioria do que se deve aprender na vida terá de ser conseguido através da leitura fora da escola. A leitura é uma herança maior do que qualquer diploma”. (CAGLIARI, 2009, p. 87)

Assim, os pais também desempenham uma importante função na prática e no incentivo da leitura e da escrita no seio familiar. Assim, o aluno se sente mais motivado, até mesmo para desempenhar as tarefas escolares, principalmente por não as associar a obrigações, mas sim, à obtenção de conhecimento.

4. A DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM NO BRASIL

Um dos principais problemas enfrentados pelos professores no ambiente escolar tem a ver com as dificuldades de aprendizagem dos alunos.

De acordo com Antunes (2008), o problema na aprendizagem do aluno pode ser identificado em crianças que possuem um baixo rendimento escolar numa ou mais áreas, como por exemplo, dificuldade em se expressar oralmente, problemas na compreensão oral, ortografia inapropriada, dificuldade em leituras básicas, problemas para compreender o que está sendo lido, dentre outros.

De acordo com García,

Dificuldade de Aprendizagem (D.A.) é um problema que está relacionado a uma série de fatores e podem se manifestar de diversas formas como: transtornos, dificuldades significativas na compreensão e uso da escuta, na forma de falar, ler, escrever, raciocinar e desenvolver habilidades matemáticas. Esses transtornos são inerentes ao indivíduo, podendo ser resultantes da disfunção do sistema nervoso central, e podem acontecer ao longo do período vital. Podem estar também associados a essas dificuldades de aprendizagem, problemas relacionados as condutas do indivíduo, percepção social e interação social, mas não estabelecem, por si próprias, um problema de aprendizagem. (GARCÍA, 1998, p. 31-32)

Enquanto Fernández (1990) entende que as dificuldades de aprendizagem são, na verdade, falhas no processo de aprendizagem, onde se relacionam quatro fatores de grande importância, sendo eles, o organismo, o corpo, a inteligência e o desejo.

Em contrapartida, Coll, Marchesi e Palácios entendem que, “[...] nem sempre que o cérebro funciona mal é por culpa de uma falha cerebral: pode ser resultado de um ambiente nocivo”.[3] (COLL; MARCHESI; PALÁCIOS, 2004, p. 74)

Já Leite (1998) entende que os problemas escolares enfrentados pelos alunos no que diz respeito ao aprendizado, estão diretamente associados à realidade socioeconômica do mesmo, além de outros fatores internos das instituições de ensino, como por exemplo, falta de infraestrutura física, e até mesmo professores desmotivados.

Como observado, existem diversos posicionamentos diferentes acerca do centro do problema da dificuldade de aprendizagem por parte do aluno, contudo, não podemos dizer que algum destes entendimentos esteja errado, tendo em vista que se complementam e, de certa forma, todos estão corretos.

Porém, é importante compreender que o indivíduo já nasce preparado para aprender, contudo, são necessários incentivos externos para que ele desenvolva a capacidade de aprendizagem, que podem ser por exemplo, a necessidade de se inserirem socialmente, ou até mesmo a percepção de que, através do estudo, pode-se alcançar uma melhor qualidade de vida. Neste sentido, o professor deve ser responsável por mostrar aos alunos a importância do estudo na formação de uma pessoa, não só apenas no que diz respeito à formação acadêmica, como títulos e especializações profissionais, mas como cidadão, como um ser capaz de exercer seu direito à cidadania com consciência de seus atos e conhecimento de seu papel dentro da sociedade.

Vale destacar que, para ser possível identificar, de fato, uma dificuldade de aprendizagem, é necessária uma avaliação do aluno, e somente através dos resultados dessa avaliação é que se deve elaborar algum tipo de intervenção pedagógica no auxílio ao discente.

4.1. Dificuldades na leitura

O processo de leitura não é somente um produto final do processo escolar, mas representa também um importante avanço para o desenvolvimento de uma determinada sociedade. Através da leitura, o aluno desenvolve melhor a linguagem, e se torna um indivíduo mais comunicativo, inserido num grupo social que possui vida e histórias individuais.

De acordo com Fonseca (1984), a linguagem é composta por uma estrutura formada por fonologia, léxico, morfologia, semântica e sintaxe. Já para Vitor Cruz (2009), a leitura é formada por dois elementos de grande importância e indissociáveis, sendo eles a decodificação e a compreensão. A decodificação se dá por meio do reconhecimento e identificação das letras, símbolos e palavras, enquanto a compreensão é o processo que acarreta no aprendizado da informação disposta no texto.

A decodificação não se trata apenas de diferenciar ou identificar as letras, palavras e símbolos, mas trata também da união dos símbolos com os sons. As dificuldades de aprendizagem que podem aparecem durante esse processo são os erros na leitura das letras, sílabas e palavras inteiras, além de uma lentidão na leitura, ou mesmo repetições desnecessárias.

Já no que diz respeito à compreensão do que se está lendo, o mais importante é compreender a mensagem que está presente no texto, e com isso, o processo de compreensão do mesmo acontece através da extração e organização da linguagem.

Citoler (1996), entende que as dificuldades de aprendizagem no âmbito da leitura podem resultar de dificuldade na decodificação, vocabulário limitado, falta de experiências anteriores que podem auxiliar na compreensão da mensagem, déficit de memória, falta de técnicas para captação, e até mesmo desinteresse por parte do leitor.

Existem autores ainda que acreditam serem quatro os fatores que podem influenciar na aprendizagem da leitura de um aluno, sendo eles, a dificuldade da percepção da fonética e na maneira de desenvolver o alfabeto, falta de estratégias de compreensão da leitura, dificuldade em se motivar para a leitura, e a falta de professores preparados nas instituições de ensino.

Os problemas na leitura, na maioria das vezes, acontecem no reconhecimento e entendimento da palavra escrita. O ato de reconhecer a palavra é o fator mais básico e importante durante o processo de leitura, tendo em vista que ele é anterior à compreensão da palavra, e por isso, é caracterizado por uma leitura ora devagar, onde palavras ou letras são omitidos, distorcidos, podendo chegar até mesmo na substituição de palavras, com interrupções e a necessidade de correções. (DOCKRELL; MCSHANE, 1997)

Existem crianças que possuem dificuldades somente no reconhecimento das palavras, mas possuem a capacidade de entender uma mensagem oral. Outros alunos podem ainda saber ler as palavras, mas enfrentam grandes dificuldades na compreensão do que foi lido. Em casos mais problemáticos, as crianças possuem dificuldade em ambas as áreas, seja na leitura, ou compreensão de mensagens orais. (SÁNCHEZ MIGUEL; MARTÍNEZ MARTÍN, 1998).

Os problemas na leitura acarretam ainda na dificuldade que o aluno possui em recordar palavras vistas anteriormente, dificuldade em soletrar palavras, troca de letras e palavras e vocabulário deficiente, o que acaba por diminuir o interesse pela leitura que a criança possui.

Nielsen (1999) esclarece que a leitura é de grande importância para a vida do ser humano, independente do período, pois é através dela que se obtém novos conhecimentos, sendo preciso verificar atenciosamente os sinais que podem facilitar a identificação de problemas nessa área do aprendizado, pois é este elemento o responsável pela formação de ideias, opiniões e posicionamentos individuais.

4.2. Dificuldades na escrita

A escrita é uma ferramenta de comunicação de grande importância para todo o desenvolvimento do aprendizado, pois tem uma atuação ativa na vida em sociedade, sendo este um fator relevante para o exercício da cidadania pelo indivíduo.

Segundo o entendimento de Ajuriaguerra e Grajan (1995), a escrita surge de um processo de aprendizado que se relaciona a vários fatores, principalmente os que dizem respeito a questões subjetivos dos alunos, como o interesse pela escola, e também a relação entre a família do aluno e a instituição educacional.

De acordo com Andrew Ellis, o processo de aprendizagem da escrita deve ser muito bem trabalhado, tendo em vista que necessita que o aluno domine uma variedade de habilidades em várias áreas, como coordenação motora e habilidades ortográficas. Além disso, é um procedimento que lida com a forma de aprendizagem, através de níveis estruturais.

A escrita é caracterizada por quatro fatores fundamentais. O primeiro trata do processo de construção, elaboração e interpretação do significado. Já o segundo, corrobora a necessidade de o indivíduo atuar de maneira mais ativa para ser possível compreender o conteúdo, ao elaborar estratégias de aprendizagem que servem para a solução de problemas. O terceiro fator lida com o processo afetivo e diz respeito à vontade de escrever, a condição emocional do indivíduo e seu interesse pela aprendizagem. O quarto e último, abrange os fatores afetivo-motivacionais que se relacionam com o rendimento do aluno dentro da sala de aula. (CRUZ, 2009)

A dificuldade na escrita não caracteriza a falta de capacidade do aluno, porém, pode demonstrar que a criança possui algum outro tipo de obstáculo que prejudique a aprendizagem. Assim, o seu desenvolvimento no campo da escrita pode estar qualitativamente diferente de outros alunos, entretanto, não é mais lento ou pior. (VYGOTSKY, 1991)

Nieto (1998) entende que os problemas enfrentados pelos alunos na aprendizagem da escrita, é um fator que deve ser analisado, e a realidade deve ser transformada com foco na interação entre os três elementos mais importantes para o processo da aprendizagem, que são o sujeito, o professor que, de fato, atua no processo de aprendizagem do aluno, e os conteúdos que constituem o objeto de ensino. Ou seja, a relação entre o aluno, o professor e o conteúdo estudado devem ser analisados, objetivando colocá-los mais próximos e conexos, e assim é possível compreender qual a dificuldade o aluno vem enfrentado no seu processo de aprendizagem.

Segundo o referido autor, para ser possível analisar e avaliar os problemas presentes no processo de aprendizagem, estes precisam antes ser compreendidos, não sendo relacionados às propriedades biológicas ou cognitivas. (NIETO, 1998)

Assim, os problemas na escrita estão diretamente relacionados às dificuldades que os alunos possuem no desenvolvimento das habilidades necessárias para a escrita (disgrafia), e podem ser apresentar desde erros na soletração, chegando até erros na sintaxe, formação e pontuação de sentenças, ou organização de parágrafos. (GARCIA, 1998)

Vale destacar ainda que podem existir alunos que possuem uma boa capacidade de se comunicarem oralmente, mas que enfrentam dificuldades na escrita das palavras (disgrafia), ou vice-versa.  Neste caso, determinados alunos possuem facilidade na escrita, mas dificuldade de se comunicarem via oral, e até mesmo alunos que enfrentam problemas nas duas áreas, ou seja, escrevem com dificuldade e também se expressam mal. (MIGUEL; MARTÍN, 1998)

5. A CONTRIBUIÇÃO DOS PROFESSORES

A identificação do conhecimento se apresenta nas atividades que a criança pratica com os objetos e fenômenos ao seu redor. Para se concretizar a aprendizagem, é preciso que haja uma comunicação prática e verbal com as pessoas que estão próximas, semelhante a um espelho que reflete as ações de cada indivíduo. (PAIVA; BATISTA, 2013)

Nas escolas, uma parte dos alunos podem apresentar problemas para se adaptarem à instituição ou dificuldades no aprendizado, que podem ou não estar ligados à certas limitações no processo de desenvolvimento, o que pode ensejar numa série de dificuldades e obstáculos para acompanhar o ritmo da turma nas atividades curriculares, prejudicando até mesmo o convívio social com os colegas e professores, sendo necessário um apoio e auxílio pedagógico curricular. (PAIVA; BATISTA, 2013)

Ross (1921) entende que a aprendizagem não é um comportamento, mas sim, uma modificação deste, uma vez que o aluno poderá se transformar ao obter mais conhecimento.

Durante esses processos, os alunos podem estagnar no que diz respeito ao aprendizado, e o professor pode nem identificar o momento em que o aluno deixou de aprender. É nesse momento que o aluno começa a demonstrar, tanto na escola quanto em casa, dificuldades no processo de aprendizado. (PAIVA; BATISTA, 2013)

O processo de aprendizagem experimentado pelo aluno é complexo e contempla inúmeras condições e oportunidades. Se o professor exigir uma atividade que o aluno não consiga realizar, seu cérebro pode parecer estagnado, como explica a professora do Núcleo Regional de Educação de Curitiba,

Em nossa prática do dia a dia são comuns as situações nas quais nos deparamos com os distúrbios de aprendizagem, notamos com bastante frequência a dificuldade de muitas crianças na aquisição e desenvolvimento da leitura e escrita. Sabemos que para muitas crianças a leitura e a escrita são processos muito complexos e as dificuldades podem ocorrer de muitas maneiras. Nós professores, pedagogo muitas vezes não conseguimos transpor estas dificuldades, pois em diversas situações não sabemos qual é a melhor estratégia para podermos ajudar nossos alunos a superarem estas dificuldades ou mesmo qual instrumento devemos utilizar para buscar um caminho mais adequado tendo em vista que todos os indivíduos são únicos e possuem características próprias (P3).

Ross (1921) defende que se o aluno conseguir expandir sua capacidade de resolver problemas adquire, de fato, a aprendizagem. E essa aprendizagem só ocorrerá de maneira efetiva se, através das observações acerca da modificação no comportamento do aluno, for possível identificar que este aumento sua capacidade de resolução de problemas ou realização de alguma tarefa específica.

6. A RELEVÂNCIA DA LEITURA NA SOCIEDADE

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) são indicações elaboradas pelo Governo Federal que orientam a educação no Brasil, sendo divididos por disciplinas. Esses parâmetros também podem ser adotados pela rede privada de ensino, contudo, sem caráter obrigatório.

O objetivo dos PCNs é fazer com que o aluno possua um conhecimento que esteja de acordo com os conteúdos escolares, e também com as questões sociais, para facilitar a compreensão da realidade por este aluno, sendo possível que o mesmo atue de maneira ativa no que diz respeito à questões sociais, políticas e culturais, o que é a principal exigência para o exercício da cidadania e principalmente, para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Mesmo que este objetivo se estenda para todos os conteúdos disciplinares, vale destacar que a aprendizagem da leitura e da escrita ocupam um lugar especial nessa busca, especialmente por serem unidades básicas do ensino, sendo de grande importância em qualquer nível de escolarização, além de representarem os elementos sem os quais não é possível realizar uma correta compreensão acerca do mundo, de si mesmo e também das questões sociais que se manifestaram em cada momento da história.

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A necessidade de compreender os códigos da escrita não é exclusiva da sociedade contemporânea, tendo em vista que a utilidade do uso de uma linguagem escrita atravessa gerações, evoluindo com o passar do tempo. Historicamente, podemos perceber que a invenção de uma técnica de escrita se relacionada sempre com a necessidade que as civilizações têm de registrarem algo, ou arquivarem ensinamentos para futuras civilizações, especialmente sobre agricultura, comércio, dentre outros.

Os alunos da educação básica de hoje se tornarão adultos amanhã e serão responsáveis por protagonizarem as mudanças culturais, técnicas e científicas de nossa sociedade e, para tanto, são necessárias pessoas com boa capacidade de adaptação, além de serem proativas e criativas.

É certo que a civilização está em constante evolução, e determinados conceitos desenvolvidos durante a história também mudaram, como aconteceu com as definições de leitura e escrita.

Nesse sentido, o desenvolvimento histórico do que significa ser alfabetizado ultrapassa os limites da codificação e decodificação das mensagens escritas, e passa a considerar a capacidade de o indivíduo compreender o código escrito, interpretar este código, e saber utilizá-lo para satisfazer suas exigências socais e individuais.

Paulo Freire (1989) entende que o homem só é homem por conta da palavra. Ou seja, a humanização do indivíduo ocorre através da pronúncia da palavra, tendo em vista que é assim que ele toma consciência de sua condição no meio social, e se relaciona com os outros. Ou seja, antes de ensinar uma pessoa a ler palavras, é importante que esta pessoa seja ensinada a ler o mundo.

Isto posto, a linguagem escrita é uma ferramenta valorosa para toda a humanidade. Vale destacar que esta particularidade da língua escrita era considerada como uma maneira privilegiada de compilar os acontecimentos. Assim, em todas as civilizações ao longo do tempo é possível identificar que a escrita era utilizada por conta da necessidade de se registrar acontecimentos e também o conhecimento.

Já a leitura diz respeito a uma relação entre o leitor e o texto, onde o leitor busca alcançar o objetivo que originou a leitura, através de um diálogo com o escritor, buscando compreender seus pensamentos e mensagens, argumentando e ao mesmo tempo, encontrando as respostas durante a leitura.

Para realmente se aprender a lei, é necessário que o indivíduo tenha interagido com a grande variedade de textos escritos, adquirindo mais conhecimento através da leitura. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais,

A leitura, como prática social, é sempre um meio, nunca um fim. Ler é resposta a um objetivo, a uma necessidade pessoal. Fora da escola, não se lê só para aprender a ler, não se lê de uma única forma, não se decodifica palavra por palavra, não se responde a perguntas de verificação do entendimento preenchendo fichas exaustivas, não se faz desenho sobre o que mais gostou e raramente se lê em voz alta. (PCN, 1998, p. 57)

Porém, isso não quer dizer que, na escola, não seja possível, eventualmente, responder perguntas sobre a leitura, ou em algumas ocasiões, desenhar a mensagem que o texto buscou transmitir, ou mesmo ler em voz alta, se necessário. Contudo, a prática da leitura não é a repetição sem fim dessas atividades desempenhadas no âmbito escolar.

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), a realização de leitura no ambiente escolar implica na utilização de vários objetivos, modalidades e textos, para de fato, buscar o ensinamento ao aluno. Isso acontece porque existem vários formatos de textos, tendo em vista que alguns, podem ser lidos por partes, onde se objetiva a leitura da parte onde está presente a informação desejada, enquanto outros carecem de serem lidos mais de uma vez, para a correta compreensão.

Nas palavras de Silva, Assis e Lopes,

A leitura não é apenas uma das maiores experiências da vida escolar, é também uma questão de sobrevivência, pois o domínio dessa competência possibilita a aquisição de novos conhecimentos, como também uma melhor compreensão do mundo e favorece a inclusão do indivíduo da sociedade, conforme afirma professor Silva: Ler em si não é viver, ler é conseguir o devido combustível de ideias para viver em sociedade. (SILVA; ASSIS; LOPES, 2013, p. 49)

Sob essa ótica, a leitura não corresponde a uma prática mecânica, que não carrega consigo um significado. O ato de ler exige do indivíduo uma problematização, onde através da leitura, se buscará a solução ou significados. É necessário que o leitor processe a informação extraída do texto, para que seja possível interpretá-lo.

O objetivo basilar da leitura é a compreensão de significados previstos pelo texto escrito, em outras palavras, é a compreensão de outras perspectivas inscritas por algum determinado autor.

De acordo com Kleiman,

Às vezes, quando o aluno se depara com uma palavra pela primeira vez, ou seja, um vocábulo estranho, uma nova gíria, ou uma palavra de uma língua estrangeira, adquiriu uma ideia aproximada do significado da expressão, a partir do contexto linguístico em que ela é usada. Isto é, inferimos o significado dessa palavra nova a partir do contexto. Aos poucos, mediante novos encontros com a palavra, em outros contextos, vamos adquirindo uma ideia mais precisa do significado. Quando passamos a usar a palavra, então há uma transformação desse conhecimento inicial. (KLEIMAN, 2001, p. 69)

A partir desse posicionamento, quanto mais textos o indivíduo ler, mais prazer com a leitura ele terá, e dessa forma, terá aumentada sua capacidade de compreensão de novos textos, tendo em vista que a familiaridade com a palavra depende exclusivamente de quanto tempo você passa com ela.

Assim, a escola desempenha um papel importante na busca pelo resgate da função política e social da leitura e da escrita, pois é através delas que o indivíduo se conscientiza e forma seus ideais.

Kleiman entende que

É fundamental neste contexto os Programas de alfabetização de jovens e adultos como base, mesmo que por um curto período como são estes programas, porém quando aplicado com uma boa metodologia os resultados são bastante significativo do ponto de vista de pedagógico, como por exemplo o Programa de Alfabetização Solidária que utiliza o método freiriano de alfabetizar em oito meses adultos que consegue sair do programa lendo e escrevendo texto com palavras do seu cotidiano. (KLEIMAN, 2001, p. 72)

De maneira ampla, é importante dizer que o aluno deve buscar se familiarizar com todo tipo de leitura, expandindo seu vocabulário e sua capacidade de compreensão, não se limitando à prática da leitura apenas na escola, especialmente porque dificilmente, na instituição de ensino se ensinará a mesma linguagem experimentada pelo educando em seu cotidiano.

7. AÇÕES DOS PROFESSORES COM OBJETIVO DE FACILITAR O APRENDIZADO DA LEITURA E ESCRITA

Em um estudo publicado no ano de 2012, Santos (2012) destacou uma série de estratégias que podem ser utilizadas pelo docente para vencer a dificuldade de aprendizagem, as quais utilizaremos para fundamentar o presente capítulo.

Para que o aluno possa, de fato, aprender o conteúdo passado pelo professor, é preciso que o mesmo realize um trabalho constante, utilizando-se de estratégias diversificadas dentro da sala de aula, através do material disponibilizado pela própria escola, e também com textos trazidos pelos alunos, ou extraídos da convivência do meio social em que os professores e alunos estão inseridos. Assim, é de grande importância que o professor ensine certas estratégias de leitura a sua turma, de forma com que ela desenvolva sua leitura de maneira mais fácil e eficaz.

Essas estratégias consistem em técnicas conscientes e inconscientes que o leitor utiliza para decodificar, compreender e também interpretar o que está lendo, ao mesmo tempo em que soluciona os problemas observados durante a leitura.

De acordo com Solé (1998, p. 68), uma técnica é frequentemente “[...] chamada também de regra, método, destreza ou habilidade, é um conjunto de ações ordenadas e finalizadas, isto é, dirigidas à consecução de uma meta”.

No que diz respeito ao modelo de ensino direto, este é caracterizado pela necessidade de ser ensinado de maneira sistemática, oferecendo uma proposta bastante rígida para o ensino, mesmo que este deva ser adequado a cada caso ou contexto, através de flexibilizações. Ou seja, é preciso analisar o cenário da sala de aula, para garantir ao aluno um aprendizado de qualidade, efetivo, cooperando através do ensino e do aprendizado para a formação de uma visão geral acerca do que é o processo de leitura. Assim, o professor deve fazer uso de todos os recursos disponíveis para fazer de seus alunos leitores ativos e independentes que, de fato, conseguiram aprender estratégias e técnicas para realizarem uma leitura eficiente.

Durante o processo de ensino da leitura e escrita, é necessário a utilização de uma grande variedade de textos com estruturas diferentes, para que o aluno possa utilizar-se desses materiais para facilitar o processo de aprendizado. De acordo com Bronckart (1984), os textos podem ser divididos em categorias, que passaremos a analisar individualmente a partir de agora.

Os textos narrativos buscam explicar algo, como acontecimentos, por exemplo. Alguns textos dessa categoria seguem uma mesma organização, contanto com estado inicial, complicação, ação, resolução e estado final, enquanto outros trazem uma estrutura de diálogo, inserindo-a numa estrutura narrativa. São exemplos dessa modalidade de textos os contos, as lendas e os romances. (BRONCKART, 1984)

Os textos descritivos possuem o objetivo de descreverem um objeto ou fenômeno, através de comparações ou outra técnica específica. Essa modalidade textual se faz presente tanto na literatura quando nos dicionários, guias turísticos, dentre outros. (BRONCKART, 1984)

Já os textos expositivos trazem a definição de certos fenômenos, ou em outras situações apresenta informações acerca de tais fenômenos. (BRONCKART, 1984)

Os textos instrutivos e indutivos podem ser agrupados numa só categoria, pois possuem o objetivo de induzir o leitor a agir, através do uso de palavras de ordem, instruções de uso ou montagem de algo. (BRONCKART, 1984)

É importante dizer que o professor não tem o papel somente de ensinar o que é um texto narrativo ou comparativo, mas deve também auxiliar seus alunos a distingui-los, caracteriza-los, ou seja, devem tornar os alunos capazes de identificar qual o tipo de texto de maneira independente, através do uso de informações que facilitarão a compreensão dos mesmos. (SANTOS, 2012)

O professor não deve ser o responsável por transmitir ao aluno um conhecimento engessado, mas deve ensiná-lo a pensar por si mesmo, a ser capaz de resolver os problemas de forma autônoma. Com isso, incentivar a práticas das estratégias de leitura e escrita ensinadas é muito importante, pois o ato de escrever ou ler textos contribui de maneira impactante no processo de aprendizagem. Assim, os alunos devem fazer uso dos textos na escola de maneira constante, tendo em vista que estes devem ser trabalhados para que aprendam a ler, e leiam para compreender, o que, consequentemente, auxiliará na escrita. (SANTOS, 2012)

Por isso é tão importante que o professor transmita as estratégias de leitura e escrita durante o desenvolvimento das atividades. Através dessas estratégias, os alunos realizarão as atividades de maneira espontânea e prazerosa, pois estarão cientes do que estão fazendo, sendo mais fácil motivá-los a avançarem cada vez mais no aprendizado. Vale destacar que o professor deve desassociar a leitura e a escrita à competição, para que todos os alunos se sintam à vontade com a atividade, facilitando a identificação de alunos com dificuldades e outros com determinadas aptidões.

Ao realizarem a atividade de leitura e escrita, os alunos devem se sentir motivados, e isso pode acontecer através do professor, que deve encorajá-los a continuar no caminho do aprendizado e aperfeiçoamento.  É dever do docente encorajar os estudantes, fornecendo os recursos necessários e auxiliando sempre que julgar necessário. (SANTOS, 2012)

Um elemento que pode ajudar o professor a motivar os alunos e buscar demonstrar o significado do que está sendo proposto dentro da sala de aula é sempre apresentar o motivo pelo qual é importante realizar tais tarefas. Outro fator é buscar a união da turma, que pode ser realizada através da leitura fragmentada, onde cada aluno faz a leitura de um parágrafo, ou determinado trecho do texto, como, por exemplo, representando os personagens presentes na história. Essas são técnicas muito utilizadas atualmente dentro da sala de aula, pois têm o poder de incentivar a leitura, mas não devem ser usadas de maneira única, e sim, intercalada com outras práticas prazerosas e atrativas.

O professor deve optar por utilizar textos que incentivem a reflexão, que instiguem os alunos a opinarem e demonstrarem o que compreenderam da leitura, através de abordagens que se relacionam com a realidade vivenciada pelos discentes, o que pode incentivar ainda mais a leitura. Além disso, é dever do professor valorizar o conhecimento que o aluno já possuía antes de trabalhar o texto, tendo em vista que o conhecimento surge através da leitura de textos, e também do mundo em que vivemos. (SANTOS, 2012)

Durante o desenvolvimento das práticas pedagógicas previstas pelo professor, este deve atuar de acordo com o contexto da sala de aula, adaptando atividades, se for necessário, para extrair o máximo dos alunos. Isso pode fazer com que as dificuldades enfrentadas pelos discentes sejam ao menos amenizadas.

É possível identificar um bom leitor quanto este é crítico quanto ao conteúdo lido, e não somente reproduz o que foi escrito pelo autor, mas sim relaciona as informações obtidas pela leitura com as situações fáticas vivenciadas, construindo uma compreensão ampla do que foi lido, o que acaba por facilitar a escrita também.

Os especialistas destacam a relevância das várias formas de aprendizagem da escrita através de leituras, como, por exemplo, a escrita de textos que são tradicionalmente conhecidos de maneira oral, como as adivinhas, cantigas de roda, além, é claro, da utilização dos textos abordados acima, como os narrativos, informativos, dentre outros. Ou seja, na verdade, é importante que o professor faça uso de todo tipo de texto através de uma sequência de atividades elaboradas e desempenhadas com o intuito de garantir a melhora na escrita e na leitura do aluno. (SANTOS, 2012)

Outro aspecto importante é que o professor deve propor atividades ao longo do período letivo com diferentes níveis de dificuldade, para que os alunos desenvolvam a capacidade de resolver problemas cada vez mais complexos. Por exemplo, a leitura realizada pelo professor não exige nenhuma ação do aluno, devendo este apenas assimilar o texto lido, e por isso, o professor deve fazer a leitura de vários textos dos mais variados gêneros, para que o aluno se aproprie das características individuais de cada tipo textual. O professor pode oferecer esse tipo de leitura diariamente, ou em determinados dias da semana, mas o importante é que o aluno tenha contato contínuo com os textos, para se familiarizarem com os mesmos.

Já a leitura compartilhada entre professor e alunos deve ser realizada em textos que os alunos conhecem profundamente, para ser possível que eles antecipem significados, expressões ou palavras durante a leitura. Bons exemplos de textos assim são os dispostos em cartazes pela sala, com os quais os alunos possuem contato diariamente.  (SANTOS, 2012)

A leitura coletiva abrange a leitura, o conto, o recital e outros tipos de brincadeiras com os textos previamente conhecidos. É muito importante que os alunos identifiquem, na escola, que a leitura está diretamente relacionada ao prazer e à descontração. (SANTOS, 2012)

A leitura dirigida ocorre quando o professor propõe uma atividade em que os alunos devam encontrar determinadas palavras num texto conhecido. Essa atividade acaba por trabalhar também a escrita, tendo em vista que os alunos devem conhecer a palavra para identificá-la e localizá-la. (SANTOS, 2012)

A leitura individual pode ser proposta quando os alunos já possuem um certo nível de conhecimento dos textos, para que seja possível lê-los de maneira independente. Como o aluno fará a leitura sozinho, é importante propor algum objetivo que pode ser atingido com a leitura.  Por exemplo, pode ser solicitado ao aluno que selecione a parte que mais gostou de ler.

A pesquisa de outros textos deve ser utilizada para que os alunos tenham mais facilidade em identificar qual o tipo de texto está sendo trabalho, uma vez que o professor pode exigir que os alunos pesquisem outros textos do mesmo tipo em livros, revistas, jornais, etc. Numa atividade desse tipo, pode ser interessante incluir algumas atividades extras, como, por exemplo, entrevista com os avós acerca dos textos antigos. (SANTOS, 2012)

A propositura de uma roda de conversa ou leitura é uma boa opção se o desejo do professor é ver a turma interagir, compartilhando conhecimento entre eles, o que beneficia todos os alunos, até mesmo os que possuem certa dificuldade com algo. É nessa atividade que é possível analisar quais as experiências e preferências próprias de cada aluno. (SANTOS, 2012)

A escrita individual consiste em atividade que pode ser realizada através da escrita de acordo com as capacidades individuais de cada um. Assim, é importante que os alunos se sintam confortáveis em escreverem sozinhos. Destaca-se que o professor deve evitar qualquer tipo de correção. (SANTOS, 2012)

A escrita coletiva, por sua vez, é quando o professor apresenta um texto à sala de aula, e os alunos ditam o texto para ele.  Vale destacar aqui que é necessário que os alunos conheçam amplamente o texto a ser utilizado posteriormente. (SANTOS, 2012)

Durante a atividade de escrita, é muito importante que o professor argumente com seus alunos a maneira de escrever as palavras, tendo em vista que isto pode ajudar no aprendizado de novas regras da língua escrita. A reflexão sobre a escrita pode ser feita com mais frequência, sempre que o processor achar necessário que os alunos realizem uma reflexão acerca do texto lido ou escrito.

Aprender com os outros é também uma forma de obter conhecimento, e o compartilhamento de conhecimento entre os alunos é de grande importância. Além disso, é possível aprender uma outra maneira de interpretar as ações humanas, por meio de expressões faciais, gestos, etc. Como exemplo, o professor pode apresentar aos alunos alguém que goste de ler ou escrever, que seja da comunidade da família, o que, por algum outro motivo, os estudantes o conhecem, o que pode deixá-los mais à vontade durante o desempenho da atividade.

Outras práticas são: a gravação que, como o próprio nome diz, consiste na gravação de uma fita por parte dos alunos, contendo os textos preferidos de cada um; a produção de um livro também pode ser tratada como uma boa atividade pelo professor, pois neste caso o aluno deverá escrever seus próprios textos.

Por fim, os projetos apresentados pelos professores dizem respeito às propostas de aprendizagem que devem garantir aos alunos um ambiente comunicativo e de interação, envolvendo a leitura e escrita de diversas coisas. Esses projetos são boas opções para que os alunos comessem a produzir textos de maneira contextualizada. E, dependendo da maneira com que são elaborados, podem integrar a leitura e a escrita, além da produção de textos orais. (SANTOS, 2012)

É dever do professor inovar e pesquisar novas estratégias para a aplicação dentro da sala de aula, buscando obter o interesse dos alunos na realização das atividades propostas, pois, com isso, o aprendizado se torna mais interessante e atrativo.

8. CONCLUSÃO

O presente trabalho abordou fundamentalmente o problema da aprendizagem no que diz respeito à leitura e escrita dentro da sala de aula, através de uma pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo.

Restou demonstrado, logo no primeiro capítulo, a importância da leitura e da escrita na vida das pessoas, tendo em vista que estes dois fatores estão intimamente relacionados ao exercício da cidadania.  Ademais, é por meio da leitura e escrita que o indivíduo compreende melhor sua função no meio social em que vive.

Foi possível identificar que o conceito contemporâneo de leitura não diz respeito somente à capacidade de saber o que está escrito, mas sim compreender o que o autor busca transmitir e como isso pode ser aplicado de maneira prática em nosso cotidiano, ou seja, é como uma espécie de diálogo entre o autor e o leitor, onde a leitura se transforma numa ferramenta na busca pelo conhecimento.  No mesmo sentido segue a escrita que, na verdade, é a capacidade de o indivíduo tem de utilizar-se de símbolos para transmitir uma mensagem, com clareza.

Dessa forma, o ambiente escolar é o mais apropriado para preparar os cidadãos para a vida e assim deve colocar em contato o indivíduo - estudante - com o aprendizado desses dois fatores tão importantes ao longo de toda a vida da pessoa.

Nesse sentido, enquanto a escola busca oferecer aos alunos um ambiente de aprendizado voltado à formação de cidadãos, é possível identificar que alguns deles enfrentam sérias dificuldades para assimilarem certos conteúdos e, limitando-se ao tema abordado aqui no trabalho, esses discentes encontram obstáculos no processo de aprendizagem da escrita e leitura.

Esses problemas de aprendizagem podem ser facilmente identificados quando os alunos apresentam um rendimento abaixo a média da turma e geralmente não se expressam bem oralmente, não possuindo uma ortografia apropriada e tendo dificuldades em leituras básicas.

Vale destacar ainda que foi abordado no trabalho o fato de que certas deficiências no aprendizado podem estar associadas à realidade socioeconômica do aluno, e também a questões relacionadas ao ambiente escolar, como infraestrutura precária ou professores desmotivados.

Apresentaram-se também algumas estratégias que os professores podem utilizar para tentar facilitar o aprendizado da leitura e escrita pelo aluno e, por fim, conclui-se que os professores devem estar sempre atentos às particularidades de cada aluno, com o objetivo de identificar cada vez mais cedo um aluno que possui algum tipo de déficit de aprendizado, para ser possível contornar o problema através de ações mais prazerosas e interessantes dentro da sala de aula.

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[1] Supressão nossa

[2] Supressão nossa

[3] Supressão nossa


Publicado por: Celso Ribeiro da Costa

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