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TOXINA BOTULÍNICA: APLICAÇÃO E FARMACOLOGIA ASSOCIADA A FINS TERAPÊUTICOS

Saúde

O contexto histórico da toxina botulínica; a aplicação da toxina botulínica por meio de parâmetros essenciais e como é feito o uso da toxina botulínica para fins terapêuticos.

índice

1. RESUMO

A toxina botulínica trata-se de uma das mais potentes toxinas bacterianas conhecidas quando se refere a área farmacológica por meio de áreas terapêuticas que possui quanto sua eficácia de tratamento em algumas síndromes que serão descritas ao longo da pesquisa. Dessa forma, buscou-se responder a seguinte pergunta: Como as propriedades farmacológicas, aplicações da Toxina Botulínica estão associadas a indústria farmacêutica e são utilizadas para fins terapêuticos? Feito isso, buscou-se definir o objetivo geral da pesquisa que foi demonstrar as propriedades farmacológicas e aplicações da Toxina Botulínica está associada a fins terapêuticos. Quanto a metodologia utilizada foi uma revisão de literatura, onde foram pesquisados dissertações, artigos científicos, livros, selecionados por meio das seguintes bases de dados: “Biblioteca Anhanguera”, “Google Acadêmico”, “Capes”, “Scielo”, “Biblioteca Unesp”. As palavras – chave utilizadas para a busca serão: “Toxina Botulínica”, “Fins terapêuticos”, “Aplicação”, “Estudos”. Nota-se, portanto, que os objetivos propostos na pesquisa foram alcançados, visto que se pode alcançar e contextualizar o contexto histórico da toxina botulínica; a aplicação da toxina botulínica por meio de parâmetros essenciais e como é feito o uso da toxina botulínica para fins terapêuticos, conforme proposto.

Palavras-chave: Toxina Botulínica. Aplicação. Síndromes. Terapêutico. 

ABSTRACT

Botulinum toxin is one of the most powerful bacterial toxins known when it comes to the pharmacological area through the therapeutic areas that it has regarding its effectiveness of treatment in some syndromes that will be described throughout the research. Thus, we sought to answer the following question: How are the pharmacological properties and applications of Botulinum Toxin associated with the pharmaceutical industry and used for therapeutic purposes? Having done this, we sought to define the general objective of the research, which was to demonstrate that the pharmacological properties and applications of Botulinum Toxin are associated with therapeutic purposes. The methodology used was a literature review, where dissertations, scientific articles, and books were researched, selected through the following databases: "Biblioteca Anhanguera", "Google Acadêmico", "Capes", "Scielo", "Biblioteca Unesp". The keywords used for the search were: "Botulinum toxin", "Therapeutic purposes", "Application", "Studies". It is noted, therefore, that the objectives proposed in the research were achieved, since it was possible to reach and contextualize the historical context of botulinum toxin; the application of botulinum toxin through essential parameters, and how the use of botulinum toxin for therapeutic purposes is done, as proposed.

Keywords: Botulinum toxin. Application. Syndromes. Therapeutic.

2. INTRODUÇÃO

A toxina botulínica foi descoberta no século XVIII por Justinius Kerner, que era físico e poeta, na qual desde seus estudos foram realizados diversos avanços na utilização da toxina para fins estéticos e terapêuticos no avanço de tratamento de patologias clínicas. Com isso, a toxina botulínica passou a ser uma substância que veem apresentando crescente ênfase em diversos tratamentos. É proveniente da bactéria Clostridium Botulinum, que pode se apresentar em serótipos diferentes, onde o mais utilizado é a Toxina Botulínica tipo A, formada por uma cadeia simples composta por três porções, L; Hc; Hn essas desempenham um mecanismo de ação da toxina. A toxina botulínica trata-se de uma das mais potentes toxinas bacterianas conhecidas quando se refere a área farmacológica por meio de áreas terapêuticas que possui quanto sua eficácia de tratamento em algumas síndromes. 

A pesquisa justifica-se pois a importância em aprofundar conhecimentos sobre a associação da toxina botulínica para fins terapêuticos pode auxiliar em novos estudos sobre o assunto, dessa forma é um tema que necessita ser investigado por se tratar da comprovação em relação a eficácia em relação a outras síndromes que será disposta ao longo da pesquisa. A relevância da pesquisa se da na medida que ela contribui para que haja maior contribuição acerca das ações da toxina botulínica diante de sua história e dos avanços ao longo do tempo, portanto, a escolha do tema partiu-se do pressuposto de ter alta relevância de novas pesquisas para contribuição de novos estudos, servindo de embasamento teórico para novas pesquisas na área farmacêutica, comunidade acadêmica e para a sociedade, podendo ainda ser utilizada para quem venha se interessar sobre a toxina botulínica associada a fins terapêuticos.

Sendo assim, para nortear a pesquisa, foi necessário definir um problema de pesquisa para o projeto, dessa forma pretendeu-se responder a seguinte pergunta: Como as propriedades farmacológicas, aplicações da Toxina Botulínica estão associadas a indústria farmacêutica e são utilizadas para fins terapêuticos?

O objetivo geral do trabalho foi demonstrar as propriedades farmacológicas e aplicações da Toxina Botulínica está associada a fins terapêuticos, para isso foram definidos os objetivos específicos: O contexto histórico da toxina botulínica; a aplicação da toxina botulínica por meio de parâmetros essenciais e como é feito o uso da toxina botulínica para fins terapêuticos.

A metodologia que foi utilizada para compor a presente pesquisa, é por meio de uma revisão bibliográfica, na qual foi feito um levantamento qualitativo e descritivo de artigos, periódicos e livros, publicados nos últimos anos, na qual os locais de busca foram disponibilizados pela instituição para que pudesse nortear a pesquisa e ter embasamento teórico para sua construção. O tipo de pesquisa que foi realizado é uma revisão de literatura, onde foram pesquisados dissertações, artigos científicos, livros, selecionados por meio das seguintes bases de dados: “Biblioteca Anhanguera”, “Google Acadêmico”, “Capes”, “Scielo”, “Biblioteca Unesp”. As palavras – chave utilizadas para a busca serão: “Toxina Botulínica”, “Fins terapêuticos”, “Aplicação”, “Estudos”.

3. CONTEXTO HISTÓRICO TOXINA BOTULÍNICA

A história da toxina botulínica, teve início no século XVIII, onde o Botulismo doença caracterizada por meio da ingestão da Clostridium Botulinum era uma causa comum de morte na Europa, pois estava presente em comidas contaminadas. A falta de medidas sanitárias e a pobreza presentes na época da Guerra Napoleónica (1976 – 1813), favoreceram a procriação da bactéria do Clostridium Botulinum (FREIMAN, 2004, p. 258).

Portanto, quando se fala na toxina botulínica sua história se inicia por meio da descoberta de um Físico, Justinius Kerner, este um físico alemão, sendo o primeiro a referenciar o Botulismo em 1822, por meio de “envenenamento por salsicha”. Tal designação foi atribuída pelo fato de a salsicha ter sido causadora de uma intoxicação, assim, Kerner presumiu que seria um veneno a causa da doença, porém mais tarde, após estudos, presumiu-se o uso terapêutico para a toxina botulínica (MUTHANE, 2003, p. 455). No ano de 1871, houve a ocorrência do aumento de casos da doença, assim a mesma foi renomeada, passando a ser usado o termo “botulos”, provendo do latim de salsicha, que segundo Kerner, era causador inequívoco da doença, perante isso foram criadas novas formas de enlatar a comida para que a conservação e manuseamento passassem a ser mais seguros.

Kerner era poeta e físico, este passou a ser conhecido como “Wurst”, que quer dizer salsicha em alemão, por meio do seu estudo anterior acerca do envenenamento por salsicha. Entre os anos de 1817 e 1820, o físico realizou as primeiras publicações sobre intoxicação pela toxina botulínica, sendo que no ano de 1822 realizou a primeira monografia sobre a Toxina Botulínica na qual é produzida pelo Clostridium Botulinum, por meio desse estudo, o físico pode desempenhar conclusões concluindo que a toxina se desenvolvia em salsichas e crescia por meio anaeróbio, era letal em pequenas doses e interrompia o neurotransmissor no sistema nervoso periférico e autônomo.  De acordo com Freiman (2004, p. 259), o físico que originou a descoberta da toxina, foi capaz de produzir relatos de alguns sintomas neurológicos desta toxina, como vômitos, falha respiratória, espasmos intestinais, midríase e disfagia.

O físico, propôs então o uso da toxina botulínica para fins terapêuticos, sugerindo que pudesse ser usada para que diminuísse a atividade do sistema nervoso, quando há desordem dos movimentos, delírios e raiva, ulceras, entre outros. Houveram várias tentativas de reproduzir a toxina botulínica de forma artificial, então Kerner, chegou à conclusão que essa toxina era de origem biológica e animal, o que foi uma grande descoberta para época (FREIIMAN, 2004, p. 259).

Com o passar dos anos a toxina botulínica passou a ser utilizada como arma biológica durante a Segunda Guerra Mundial, porém o projeto de utilização foi abandonado pelos Estados Unidos. Ao decorrer da história a toxina botulínica passou por diversas evoluções que trouxeram avanços para a sua utilização, destacando-se na área de biomedicina, neurologia, dermatologia, oftalmologia, fazendo com que esta possua alta relevância na história da estética (FREIMAN, 2004).

Quanto a estrutura molecular da toxina botulínica, estão presentes as neurotoxinas do Clostridium Botulinum, portanto, são produzidas por meio de uma cadeia peptídeo simples de 150 K Da, composta por meio de 3 porções de 50kD, sendo: L, Hc, Hn. Sendo as três porções da cadeia molecular da neurotoxina, designada como Bontoxilysin que são conectadas entre si, por meio de pontes. Assim, foi mencionado, que por meio dessas porções podem ser desenvolvidos inúmeras funções de intoxicação celular e bloqueio funcional (SCHANTZ; JOHNSON; BORODIC, 1996, p. 26).

De acordo com Aoki (2001), a cadeia Hc, pode ser responsável pela ligação com o motor neurônio, assim, sua constituição, ocorre, por meio de duas sub-cadeias (Hcn e Hcc). No entanto, Tonello (1998), afirma que a cadeia Hn, permeia a internalização e translocação da membrana para a célula nervosa.

3.1. MECANISMOS DE AÇÃO

Os mecanismos de ação que ocorrem no processo de recomposição fisiológica da toxina botulínica, ocorrem de forma gradual, ou seja, entre um período de dois a três meses, após a sua aplicação. Sua restituição da estagnação decorrente da paralização dos músculos e outros mecanismos, como por exemplo, o brotamento neural. De acordo com Calza (et al., 2015), quando o músculo passa por o procedimento da aplicação da toxina botulínica este é regenerado por meio das proteínas presentes nas vesículas de acetilcolina do qual é reconstituída dentre um a quatro meses.

A toxina de Botulínica de tipo A, apresenta resultados após 24 a 48h de sua aplicação, por meio de procedimentos injetáveis. Por meio dos aspectos clínicos devem ser observados nas primeiras 48 horas algumas características, como por exemplo a paralisia expressiva, essa pode chegar até os dez dias após o procedimento. Assim, foi mencionado, que a efetividade da aplicação da toxina botulínica tipo A, permanece no organismo sendo em média por três meses (KANE & SATTLER, 2016). 

Um fator importante, é que quando se vai aplicar a toxina botulínica deve se ter o cuidado de estudo, pois é por meio do local que é estabelecido, quanto a concentração de dosagem da substancia que estão diretamente relacionadas com o  tempo de durabilidade e eficiência da toxina, de tipo A. Conforme a técnica utilizada, produto, sua atuação possui potencial máximo sendo bastante expressiva na primeira semana até os quatorze dias, possuindo duração de até seis meses (SPOSITO & TEIXEIRA, 2014).

3.2. CONTROLE, QUALIDADE E PRODUÇÃO

A toxina botulínica trata-se de um produto farmacêutico biológico, ou seja, é derivado de um organismo vivo, isso quer dizer que estas não são iguais, possuem semelhanças, dessa forma, existe uma equivalência clínica, devendo produzir o mesmo efeito terapêutico que a outra. Uma forma de comprovar que a toxina possui o efeito clínico desejado, é desenvolver quatro etapas de estudos clínicos, onde deve se assegurar a efetividade e segurança do produto. Por meio desses estudos são feitos assim, estudos pré clínicos, onde são avaliados efeitos colaterais, eficácia, toxicologia aguda e subaguda da toxina, feito isso, a farmacocinética é responsável pela segurança específica para que alguns sistemas sejam estudados, assim, de acordo com Fonseca (2008) essas fases são divididas da seguinte forma:

Primeira fase: São realizados estudos em voluntários humanos que estejam sadios e para que possa determinar a segurança, efeitos colaterais, limites de dosagem, farmacocinética;

Segunda fase: Avaliação de eficácia em pacientes;

Terceira Fase: São feitos estudos multicêntricos e efeitos colaterais em um número maior de indivíduos por meio de cálculo de limitações e vantagens;

Quarta fase: Realização de estudos pós registros do produto, para que haja a melhoria do mesmo na farmacovigilância (FONSECA, 2008).

Diante desses parâmetros, a ANVISA, passou a autorizar o uso da toxina para fins terapêuticos, no entanto, as diferenças que são atribuídas dentre as toxinas, passam por limitações, isso quer dizer que a troca de marca ou de fabricantes não é possível diante de algumas situações. Quando vai realizar o registro de um novo medicamento biológico, as empresas devem realizar esses ensaios clínicos, tendo em vista a eficácia, qualidade e segurança do medicamento, sua validade de registro é de cinco anos e sua renovação depende de revalidação. De acordo com a ANVISA (2007), quando se há suspeita de reações adversa da toxina botulínica, os profissionais da saúde devem estar atentos e realizar uma notificação para a Gerência de Farmacovigilância para início de investigações e tomada de medidas sanitárias.

4. APLICAÇÃO DE TOXINA BOTULÍNICA PARAMETROS ESSENCIAIS

A aplicação de toxina botulínica segue alguns parâmetros que são essenciais para efetividade no tratamento, assim, se tem um protocolo geral a ser utilizado, sendo fundamentado por passos importantes que não devem ser omitidos, assim cabe destacar alguns princípios fundamentais (DOVER; KAMINER, KENNETT, 2012):

Acomodar o paciente, fazendo com que sua cabeça fique abaixo do nível do aplicador;

Ressalta-se seguir os procedimentos de esterilização e preparação da pele para aplicação posterior;

O uso de seringas deve ser descartáveis, com agulhas de calibre 30-32;

O uso de anestesia é indicado para os pacientes mais sensíveis, assim recomenda-se o uso de gelo;

O uso de fotografia é um mecanismo importante para comparar o antes e depois do paciente;

A eletromiografia pode ser utilizada como um meio de auxiliar a aplicação de toxina botulínica, visto que se tem a indicação da posição da agulha durante a aplicação;

As seringas devem conter 1 ml com marcas que permitam uma fácil visualização dos volumes que estão sendo injetados nos pacientes;

Não é preciso aplicação de anestesia geral;

A área que é objeto de tratamento deve ser esterilizada e limpa com álcool, que deverá ser secado antes do início do tratamento, visando a prevenção a desnaturação da proteína;

O uso de gelo pode ser usado como anestesia, contudo, pode gerar efeito colateral causando dores de cabeça no paciente.

As aplicações da toxina botulínica são diversas na área estética, portanto devem seguir os protocolos que são associados para ter um bom resultado do produto, os procedimentos que se destacam são as aplicações no Complexo Glabelar e nas linhas de expressões verticais, linhas horizontais na testa, rugas, desse modo, cada uma possui aspectos que distinguem de modo diferente uns dos outros, os protocolos podem ser utilizados em aplicações buscando fins terapêuticos (SHETTY, 2008).

Para Bassichis (2013) as comparações entre o aspecto do complexo glabelar no tratamento antes e após um mês da aplicação da toxina botulínica é imprescindível no que se refere a importância do conhecimento anatômico para aplicação e uso da toxina botulínica de modo adequado. Assim, os músculos envolvidos nesse complexo são responsáveis pelas rugas do complexo glabelar vão ser os músculos referidos, o músculo corrugado do supercílio irá contribuir para a formação das linhas obliquas na região da glabela e quadrante superior interna da órbita, na aplicação da toxina botulínica nos pontos indicados, visa proporcionar um tratamento eficiente para a obtenção de resultados satisfatórios.

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Quanto a aplicação da toxina botulínica no tratamento dos “Pés de galinhas” rugas nas laterais dos olhos, o principal músculo envolvido é orbicular do olho, isso faz com que a concentração da porção de lateral leve a formação dessas rugas laterais (LIPHAM, p. 13).  As linhas de “coelhos” são oriundas da concentração do músculo nasal, devendo a aplicação da toxina botulínica ser feita para se ter a redução entre as linhas e a tensão muscular, desse modo são realizadas suas aplicações uma em cada zona do músculo nasal, podendo ser realizada ainda uma aplicação extra de toxina na zona média desse músculo, para que o tratamento se torne mais eficaz.

Na elevação da sobrancelha, o músculo frontal é responsável pela elevação, portanto, quando há a contração se tem a criação das linhas horizontais na testa, o que permite esta elevação quando ela não está presente, aplica-se o tratamento da toxina botulínica, visando diminuir a ação dos músculos depressores das sobrancelhas, o musculo corrugado e depressor do supercílio, e a porção pré orbital do músculo orbicular do olho (LIPHAM, p. 13).

De acordo com Lipham (p. 15) na testa, as famosas linhas de expressão, é recomendado:

Que o paciente deva elevar as sobrancelhas no intuito de acentuar as linhas do músculo;

Deve-se evitar a aplicação da toxina botulínica na zona lateral inferior da testa;

Manter alguma atividade no músculo frontal, o que previne uma migração da substância e uma ptose palpebral;

Realização de aplicação na zona central da testa, o que em caso de falha, provoca movimento pouco natural da sobrancelha;

O tratamento da região lateral do músculo deve ser tratado, isso faz com que se evite a elevação da sobrancelha só na parte lateral.

Assim, Lipham (p. 15), cita que para eliminar as linhas horizontais da testa, as aplicações de toxina botulínica devem ser realizadas nos pontos de aplicações referenciados sob o músculo frontal. As linhas vão ser eliminadas pela redução da contração do músculo frontal. A aplicação deve ser feita na zona central da testa, assim a região lateral do músculo também deve ser tratada, evitando assim a lateral da sobrancelha.

Para aplicação da toxina botulínica nos lábios, vale ressaltar que as rugas peribucais na zona superior dos lábios são normalmente causadas pelo músculo orbicular dos lábios, portando, se deve proceder a uma aplicação botulínica neste músculo para que tenha a diminuição da concentração muscular, o que pode acontecer nas rugas presentes na zona abaixo do lábio inferior (LIPHAM, 2012). Assim, tem-se as seguintes recomendações para aplicações de toxina botulínica na aplicação nos lábios:

Pode ser usado em EMG, o que ajuda na localização do musculo, isso faz com que seja utilizado quando o único músculo orbicular da boca;

Quando a paralização não é completa, pois assim pode interferir na fala;

As técnicas de aplicação podem variar, desse modo, normalmente são realizadas em 3 a 4 pontos de aplicação 5 mm acima da zona do lábio superior.

No sorriso gengival:

Deve realizar um ponto de aplicação por cada lado, sendo aplicada uma dose de toxina botulínica de 2-4 U dividida pelos lados a aplicar;

Assim, a aplicação da toxina botulínica para o tratamento do sorriso gengival, conduz a redução da contração do músculo levantador do lábio superior, que é responsável pelo levantamento do lábio superior, quando esse músculo se encontra em hiperatividade, se tem a condução de elevação excessiva do lábio superior (LIPHAM, 2012).

5. O USO DA TOXINA BOTULÍNICA PARA FINS TERAPÊUTICOS

A utilização da toxina botulínica tem se tornado um grande avanço quanto a atenção farmacêutica, isso faz com que ela tenha sido usada para tratar milhões de pacientes em todo o mundo, seu uso clínico possui aprovação em mais de 73 países. Dessa forma, para fins terapêuticos, o uso da toxina botulínica inclui o tratamento da paralisia cerebral juvenil em 52 países, espasticidade adulta em 36 países. Há outros usos para a regulamentação da toxina botulínica, nos Estados Unidos por exemplo, é utilizada para tratamento de cefaleias primárias, dor miofascial, desordens de sudorese excessiva e sialorreia que é associada a condições como a paralisa cerebral e a doença de Parkinson (SILVA, 2011).

Por volta de 20 anos, a utilização da toxina botulínica é efetiva no tratamento de uma variedade de doenças e patologias que são caracterizadas pelo aumento patológico da contração muscular, desse modo várias pesquisas se esforçam para relacionar novas áreas na aplicação da toxina botulínica, assim terapias dolorosas específicas, como em cefaleias primárias e síndrome dolorosa miofascial cervical da cintura escapular e dorso (WENZEL, 2004).

5.1. ESTRABISMO

Shimauti (et al., 2012), o estrabismo é normalmente conhecido como um desvio do globo ocular, o que ocasiona um desfoco na visão em relação ao ponto de fixação, isso ocorre devido a hiperatividade de um ou mais músculos que controlam a posição dos olhos, embora hoje se saiba o que é, ainda não tem uma definição padronizada para o estrabismo, isso se dá devido a complexidade da alteração na visão. O estrabismo, logo, pode ser classificado, de acordo com o ângulo do desvio em relação ao que se está olhando, pode ser classificado como:

  • Esotropia, para dentro;
  • Extotropia, para fora;
  • Hipertropia, para cima;
  • Hipotropia, para baixo.

Com isso, o estrabismo, pode ocorrer em qualquer faixa etária, quando afeta indivíduos em idades iniciais, crianças, pode acarretar prejuízos no desenvolvimento da visão, em adultos é tido como uma manifestação secundária a alguma alteração existente, por exemplo, doença vascular, neurológicas, entre outras (SHIMAUTI et al., 2012).

No estrabismo, o diagnóstico deve ser feito de modo precoce, permitindo que se tenha um tratamento eficaz, e deve ser determinado por um profissional oftalmologista, uma das formas de tratamento existente para o tratamento é a toxina botulínica do tipo A (SUGANO, 2013).

Os testes iniciais iniciando a toxina botulínica tipo A para o tratamento do estrabismo, teve início no ano de 1978, por meio do médico oftalmologista Alan Scott, em 1989 teve a aprovação do método como tratamento, o que foi considerado a melhor droga para causar paralização do músculo extraocular, promovendo o alinhamento do globo ocular, o que passou a ser um método alternativo ao cirúrgico (MARQUES, 2014).

A ação da toxina botulínica do tipo A, procede na terminação nervosa muscular, onde o transporte de cálcio é bloqueado, assim não tem cálcio, faz com que a acetilcolina não liberada na porção pré sináptica, de modo com que o músculo não se contraia, permitindo o alinhamento dos eixos visuais durante o período de ação da droga (COLHADO et al., 2009).

A ação gradativa da toxina botulínica tem uma duração de aproximadamente seis meses no organismo, por agir diretamente na terminação nervosa, quando a ação da toxina botulínica chega ao fim, ocorre a regeneração das fibras e do músculo ocular e este pode voltar a contrair, e o alinhamento regredir sendo necessário a reavaliação após aplicação (SUGANO, 2013).

5.2. ENXAQUECA

A enxaqueca normalmente se manifesta de modo recorrente como um tipo de dor de cabeça intensa, que muitas vezes é acompanhada de vômito e náuseas, devido a dores, assim as crises são tidas em torno de 45 dias sua duração é em média entre 24 a 48 horas, a enxaqueca acomete mulheres e homens, é mais comum nas faixas etárias entre 18 a 29 anos e de 40 a 49 anos, possui maior incidência em mulheres (WANNMACHER & FERREIRA, 2004).

Tavares (2017), menciona que a enxaqueca em sua forma crônica é caracterizada por episódios de cefaleia, que ocorrem em 15 ou mais dias no mês, por três meses ou mais, os sintomas da enxaqueca duram por pelo menos 8 dias desse período. É considerada uma doença grave, por ser altamente incapacitante, o que acarreta impactos significativos na qualidade de vida do indivíduo.

Gomes (2012), menciona que a fisiopatologia da enxaqueca é uma pauta de discussão no âmbito da saúde, porém a sensibilização central e periférica é um papel importante no desenvolvimento. A enxaqueca tem início quando as células nervosas excitadas respondem a uma alteração normalmente externa, que enviam impulsos para os vasos sanguíneos o que causa a construção seguida de uma dilatação, com liberação de prostaglandinas, serotonina e substancias inflamatórias que causam dor.

Para Tavares (2017), os principais fatores de riscos envolvidos na enxaqueca são:

  • Idade;
  • Condições sócio econômicas;
  • Gênero;
  • Predisposição genética;
  • Uso de determinados medicamentos.

Gomes (2012), menciona que quando é estabelecido o diagnóstico da enxaqueca, principalmente a crônica, devem ser adotadas medidas de prevenção e tratamento. Essas medidas são precisas para tentar amenizar o distúrbio e evitar a ocorrência de novas crises, assim a toxina botulínica tipo A desde o ano de 2010, vem sendo utilizada para o tratamento da enxaqueca crônica.

Com a aplicação da toxina botulínica tipo A no tratamento da enxaqueca crônica, ela age na sensibilização periférica, o que inibe a liberação de substancia P pelos nervos sensitivos, de glutamato e outros neurotransmissores e neuropeptídios que são responsáveis por causar excitação das células nervosas e que ocasionalmente diminui a dor (TAVARES, 2017). 

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A toxina botulínica trata-se de um produto farmacêutico de origem biológica que é derivado de um organismo vivo, assim as toxinas botulínicas não são iguais, possuem semelhanças, pois existe equivalência clínica, quando ela produz o mesmo efeito clínico que outra.

Quanto as aplicações da toxina botulínica são dispostas em diversos ramos da área estética, assim se tem alguns parâmetros a serem seguidos para que se tenham um resultado eficaz, os protocolos devem ser utilizados em aplicações por um profissional capacitado buscando fins terapêuticos.

O uso da toxina botulínica passou a ser utilizado mundialmente, visto sua eficácia para fins terapêuticos em diversos quadros clínicos, portanto, diversos países aprovaram seu uso para tratamentos como enxaqueca, estrabismo e muitas outras doenças na qual as patologias são caracterizadas pelo aumento da contração do musculo, assim é notório que várias pesquisas sejam feitas para que haja relação da toxina botulínica em novos estudos.

O efeito curativo que a toxina botulínica apresenta por meio de fins terapêuticos, é eficaz, visto a boa tolerância que a maioria dos pacientes apresenta as técnicas utilizadas perante a outros métodos de tratamento, sendo um método alternativo.

Portanto, pode-se concluir que os objetivos previstos nessa pesquisa foram alcançados, pois a toxina botulínica vem ganhando destaque para uso de fins terapêuticos, por mais que seus efeitos sejam temporários, as melhoras no quadro clínico que apresenta ao paciente que a utiliza a torna uma opção segura e eficaz, de fácil aplicação e elevada satisfação, o que permite até o retorno de atividades após horas do procedimento sendo de caráter temporário e reversível que quase sem frequência não deixam sequelas.

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Publicado por: Jaqueline Lopes Holanda

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