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Lesões osteomioarticulares e suas etapas fisiológicas nos trabalhadores - Estudo de caso

Saúde

Vários fatores associados ao trabalho mobilizam a possibilidade da LER/DORT, porém, a repetitividade de movimentos e manutenção inadequadas geram uma pressão propicia a essa enfermidade, causando perda acentuada do controle sobre o processo de trabalho.

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1. RESUMO

As Lesões por esforço repetitivos (LER) e as Doença ocupacional relacionada ao trabalho (DORT), vem ao longo das décadas apresentando grande índices alarmantes aos poderes públicos, onde causa muitas vezes déficit aos trabalhadores afastados de suas atividades laborativas. A presente pesquisa demonstra a importância do tratamento precoce dessas LER/DORT, como também, a promoção e prevenção, devido a qualidade de reparo do tecido lesionado com base fisiológica. Os dados foram coletados em 6 Programa de Saúde da Família do Distrito II da Prefeitura da cidade do Recife. A pesquisa foi realizada com 66 profissionais de ambos os gêneros, profissão, idade, raça e tempo de empresa, e os exames clínicos foram realizados de acordo com a disponibilidade de cada trabalhador, que ao participar assinava um termo de consentimento livre e esclarecido e depois era realizado exame clinico com objetivo de identificar as LER. Ao analisar os dados, foi obtido estatisticamente 43 LER com prevalência nos Agente Comunitário de Saúde, onde obteve também grande índice de recidivas. Ao verificar a percentagem dos 43 lesionados apenas 29 trabalhadores realizaram consultas médicas, que resultou em 14 indicações de tratamento fisioterapêutico, onde apenas 10 realizaram o tratamento. Foi constatado também, que os 43 profissionais lesionados só procuravam tratamento médico e fisioterapêutico acima de 1 ano, deixando em evidência a prevalência da busca de tratamento de 1 a 5 anos pós lesão. Foi constada também, uma grande prevalência em faixa etária dos profissionais de 40 a 50 anos acima, onde também, se evidenciou os trabalhadores que apresentava tempo de empresa de 5 a 10 anos.

ABSTRACT

The repetitive strain injuries (RSI) and work-related occupational disease (MSDs), over the decades has been showing great alarming the public authorities, which often causes shortage of workers away from their work activities. This research demonstrates the importance of early treatment of these LER / DORT, but also promotion and prevention, because the quality of repair of damaged tissue with physiological basis. Data were collected in 6 of the Family Health Program of the District II Prefecture of Recife. The survey was conducted with 66 professionals of both genders, occupation, age, race and length of service, and clinical examinations were performed according to the availability of each worker, who by participating signed a consent form and then clinical examination was performed in order to identify RSI. In analyzing the data, we obtained statistically READ 43 with a prevalence in the Community Health Agent, where he also earned high rate of recurrence. By checking the percentage of the 43 injured workers held only 29 doctors, which resulted in 14 nominations of physical therapy, where only 10 completed the treatment. It was noted also that the 43 injured were only looking for professional medical treatment and physical therapy over 1 year, leaving in evidence the prevalence of seeking treatment from 1 to 5 years post injury. Were found to have also a high prevalence in the age group of professionals from 40 to 50 above, which also showed that workers who had time in the company from 50 to 10 years.

2. INTRODUÇÃO

As lesões musculares têm em sua característica alterações morfológicas e histoquímicas que por sua vez causa déficit funcional no segmento afetado1. As lesões musculares podem ocorrer por trauma, excesso de calor ou frio, agentes miotóxicos, isquemia, distrofia, inflamação e contração muscula2. As lesões musculares podem ser provocadas por fatores extrínsecos como contusões musculares e intrínsecas que são: cãibras, contraturas e estiramentos ou rompimento de fibras3. Já a distinção muscular aguda é causada por uma sobrecarga dinâmica de um músculo tanto concêntrica como excêntrica ou por um estiramento excessivo passivo de um músculo4.

Após a lesão muscular as fibras apresentam degeneração, edema e hemorragia que são observados nas primeiras horas após trauma, porém, também é visto atividades normais das células entre o segundo e terceiro dia pós a lesão, ao trigésimo dia, observa-se nas periferias alguns vestígios de funções celulares5.

Após alguns minutos da lesão, as fibras musculares ficam contraídas possivelmente por causa do aumento do influxo de cálcio, que desaparecem após 24 horas. Toda lesão muscular causa um edema que por sua vez propicia uma compressão na fáscia, ocasionando uma necrose. O tratamento imediato proporcionará oportunidade de regeneração e recuperação adequada dessas fibras, que receberá o suprimento sanguíneo adequado para que aconteça uma retirada de células lesionadas6.

Quando se fala na funcionalidade muscular esquelética, é importante citar a sua estrutura: proprioceptiva, inervação motora, carga mecânica, realização de ciclos de estiramento/encurtamento e mobilidade das articulações. Quando há alteração de um desses fatores, resultará em uma possível atrofia7.

A perda de forças dos músculos ocorre parcialmente ou de acordo com a perda de massa muscular8-10, sabendo que a falta de força é uma característica da atrofia do músculo que pode ter intervenção nessa etapa da lesão11-13. Numa le-são muscular acontece uma diminuição de força, que retornará 50% ao terceiro dia, e 80% ao décimo quarto dia, tendo o seu retorno total até os 30 dias2.

Durante a regeneração muscular do terceiro ao décimo dia, observa-se um grande acúmulo de fibroblastos na área lesionada, isso pode ser prejudicial, devido ao acumulo de fibrose sobre a musculatura. Esse processo ocorre devido à velocidade de atuação dos fibroblastos a frente das células Satélites (células responsáveis pela regeneração muscular). É possível comprovar que o exercício muscular aumenta três vezes a quantidade de células satélites em 24 horas, que por sua vez repara ou regenera as fibras lesionadas6.

É bastante comum a incidência de recidivas de lesões musculares que por sua vez traz diminuição da força tensil do tecido cicatricial, e também, diminuição de força e flexibilidade em outros músculos14.

A regeneração muscular depende do tamanho da lesão, pois, uma LER por excesso de trabalho afeta poucas fibras musculares, com isso, obtêm-se uma boa reparação tecidual caso venha ser tratada a tempo6. A reabilitação pode ter eficácia em duas a três semanas dependendo do caso, mas, se o tratamento não for adequado, a regeneração muscular pode demorar e alterar as propriedades viscoelásticas do músculo15.

A proposta do presente artigo representa uma das formas de tornar explicito a importância adequada do tratamento de lesões osteomioarticulares e suas etapas fisiológicas quanto a LER/DORT.

Diante do fato dos profissionais pertencerem a um núcleo de saúde, supunha-se que serão encontradas poucas LER, devido os mesmos possuírem conhecimentos abrangentes de saúde.

Vários fatores associados ao trabalho mobilizam a possibilidade da LER/DORT, porém, a repetitividade de movimentos e manutenção inadequadas, geram uma pressão propicia a essa enfermidade, que causará uma perda acentuada do controle sobre o processo de trabalho por parte dos trabalhadores, onde possibilitou descrever fisiologicamente o perfil de lesões osteomioarticulares e suas etapas evolutivas de modo a quantificar os tipos de lesões em agudos e suas recidivas.

Esta pesquisa foi aprovado pela Diretoria Geral do Trabalho da Prefeitura do Recife (DGT) Sob o registro: CI CIRC Nº094/2010 –GOEP/GDP/DGGT/SS e pelo comitê de ética do Hospital Agamenon Magalhães do Recife-PE sob registro: CAAE-0009.0.236.000-11.

3. METODOLOGIA

As etapas de coletas desse estudo foram realizadas de forma clínica, nos próprios PSF do distrito II da Prefeitura da Cidade do Recife dos profissionais avaliados: Médicos, Enfermeiros, Dentistas, Técnicos de enfermagem, Auxiliares de Consultório Dentário e Agentes Comunitário de Saúde que assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido. Foi utilizado como instrumentos de exame clínico: Ficha clínica, goniômetro, martelo de teste neurológico e fita métrica.

Os dados coletados foram lançados numa planilha de Excel avançada onde quantificou: função, gênero, idade, tempo de empresa, tipos lesões, data do começo dos sintomas, tempo que procurou o tratamento, tipo de tratamento, lesões recidivas e suas complicações. Após os resultados obtidos estatisticamente, foram confrontados com as etapas fisiológicas de uma lesão muscular em DORT, que proporcionou a discussão com outros resultados de artigos científicos relatando mesma linha científica. Para essa pesquisa foi adotada critérios de inclusão, todos os profissionais consultados clinicamente no PSF sem exceção.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

No presente estudo foi observado que os profissionais do PSF do distrito II da Prefeitura do Recife, não possuíam informações suficientes para prevenção de LER/DORT mesmo pertencendo a um órgão de saúde. Alguns mobiliários não obedeciam as medidas indicadas pela norma ergonômica.

Os funcionários do PSF executam tarefas laborativas de acordo com suas respectivas funções, porém, todos cumprem carga horária dia de 8 horas de trabalho que é das 8:00 ás 17:30hs com intervalo de 1 hora e 30 minutos de descanso para o almoço de segunda a sexta-feira.

Os exames clínicos dos trabalhadores foram realizados com base fisioterapeutica e com visão de pericia em LER/DOT.

Foi coletado de forma aleatória de acordo com a disponibilidade dos profissionais de 6 PSF´s dos 18 pertencentes ao distrito II DA , onde 66 funcionários desses Programa de Saúde da Família submeteram-se a exames onde foi obtidos dados de lesões osteomioarticulares em 43 trabalhadores que apresentou maior índice os ACS com 72,0 (n=31), diferente dos enfermeiros com 9,3% (n=4), e médicos com 9,3% (n=4), já técnicos de enfermagem apresentaram 6,9% (n=3) e Dentistas com 2,3% (n=1) citados na (Tabela 01).

Com a ausência da ginástica laborativa e promoções preventivas sobre LER/DORT aos funcionários dos PSF´s, relata-se a falta de manutenção músculo esquelética como prevenção as LER no ambiente ocupacional6, podendo possibilitar dessa forma o resultado observado abaixo do total dos funcionários analisados 65,2% apresentam lesões osteomioarticulares.

Dos resultados obtidos pela pesquisa, foi constatado que os ACS´s apresentam maior índice de lesões osteomioarticulares em relação aos demais profissionais. Os Agentes de saúde executam movimentos biomecânicos exacerbados durante sua jornada laborativa diária, onde 74,19% dos ACS´s lesionados tem em suas visitas domiciliares que subir ladeiras e escadarias, onde exercer uma grande exaustão músculo-esquelético, além, de carregarem em bolsas, material e instrumento de trabalho necessário a execução de suas atividades laborativas.

Tabela 01. Relação de profissionais dos 6 PSF´s do distrito II da Prefeitura do Recife, que apresentam LER.

Profissionais com LER

Quantidade

%

Agente comunitário de saúde

31

72,09

Enfermeiros

4

9,30

Médicos

4

9,30

Técnico de Enfermagem

3

6,98

Dentistas

1

2,33

Técnico de Higiene Dental

0

-

Auxiliar de consultório dental

0

-

Total

43

100,0


O percentual dos profissionais que não apresentaram de LER inclui-se os ACS com 66,6% (n=16), como também em: enfermeiros com 16,6% (n=4), já os técnicos de enfermagem apresentaram 8,3% (n=2), bem diferente dos enfermeiros, que nesta categoria foi constatado com 4,1% (n=1), percentagem igual ao dos profissionais THD (técnico de higiene dental) citados na (Tabela 02).

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Tabela 02. Relação de profissionais dos 6 PSF´s do distrito II da Prefeitura do Recife, sem indícios de LER/DORT.

Profissionais sem LER

Quantidade

%

Agente comunitário de saúde

16

69,57

Médicos

3

13,04

Técnico de Enfermagem

2

8,70

Enfermeiros

1

4,35

Técnico de Higiene Dental

1

4,35

Dentistas

0

-

Auxiliar de consultório dental

0

-

Total

23

100,0


Em relação as patologias acometidas nos trabalhadores de saúde do distrito II da prefeitura do Recife, pode-se constatar um relação de lesões de diversas origens reumatólogicas e neurologicas como: Tendinite do supra-espinhoso que apresenta 20,93% (n=9), sindrome do túnel do carpo com 18,60% (n=8), lombalgia 11,63% (n=5), tenosinovite do punho 11,63% (n=5), cervicalgia 9,30% (n=4), tendinite pata de ganço 6,98 (n=3), bursite do ombro 6,98% (n=3), tendinite no tendão de aquiles 4,65 (n=2), tendinite no tendão do quadriceps 4,65% (n=2), tenossinovite do flexor do dedo minimo da mão 2,33% (n=1), tendinite do Infra- espinhoso 2,33% (n=1) que estão inseridas na (Tabela 03).

Tabela 03. Relação das 43 patologias em contratadas nos profissionais dos PSF´s do distrito II da Prefeitura do Recife.

Diagnóstico

Quantidade

%

Tendinite do Supra-espinhoso

9

20,93

Síndrome do túnel do carpo

8

18,60

Lombalgia

5

11,63

Tenossinovite do punho

5

11,63

Cervicalgia

4

9,30

Tendinite Pata de Ganso

3

6,98

Bursite no ombro

3

6,98

Tendinite no tendão de Aquiles

2

4,65

Tendinite no tendão do quadríceps

2

4,65

Tenossinovite no flexor do dedo midinho da mão

1

2,33

Tendinite do Infra-espinhoso

1

2,33

Total

43

100,00


Observou-se que a síndrome do túnel do carpo e a tendinite do supra-espinhoso apresentaram 22,86% (n=8) das recidivas nos trabalhadores, em seguida a lombalgia com 11,43% (n=4), já a Bursite no ombro, Cervicalgia e a Tendinite Pata de Ganso apresentaram 8,57% (n=3), diferente da Tendinite no tendão de Aquiles e da Tenossinovite do punho e que mostrou 5,71% (n=2), ficando com menor índice a Tendinite do Infra-espinhoso e a Tendinite no tendão do quadríceps 2,86% (n=1) mostrada na (Tabela 04).

Dos profissionais com recidivas de lesões, constatou que 96,7% desse índice são os ACS´s, prevalência essa que demonstra preocupação na qualidade dos reparos dessas lesões, pois os mesmo em pesquisa relataram não cumprir todo o tratamento seja por fármaco ou fisioterapêutico, além de manterem as mesmas intensidades de atividades laborativas.

Tabela 04. Relação das 35 patologias que apresentaram recidivas nos profissionais dos PSF´s do distrito II da Prefeitura do Recife.

Diagnóstico Recidivas

Quantidade

%

Síndrome do túnel do carpo

8

22,86

Tendinite do supra-espinhoso

8

22,86

Lombalgia

4

11,43

Bursite no ombro

3

8,57

Cervicalgia

3

8,57

Tendinite Pata de Ganso

3

8,57

Tendinite no tendão de Aquiles

2

5,71

Tendinite no punho

2

5,71

Tendinite no Infra-espinhoso

1

2,86

Tendinite no tendão do quadríceps

1

2,86

Total

35

100,00


Para os profissionais do PSF que apresentam algum indíce de lesões osteomioarticulares, foi constatado que dos 43 profissionais com LER, 60,4% (n=29) foram ao médico e 39,6% (n=14) não realizaram consultas médicas (Figura 01).

Relatando essa ocorrência das lesões, ficou claro que os trabalhadores avaliados com LER, apenas 60% procuravam um profissional médico para uma avaliação dos sintomas e conduta adequada das lesões. Em pesquisa alguns profissionais relatam exercer por conta própria os diagnósticos e cuidados, possibilitando um maior agravamento dessas lesões.

Figura 01 Percentual relativo aos 43 profissionais que apresentaram lesões osteomioarticulares e que foram ao médico.

Gráfico profissionais com lesões e consultaram médico
Fonte: Do próprio autor

Dos trabalhadores que apresentaram sintomas de lesões, foi observado que o maior índice de profissionais que realizaram a 1º consulta médica, aconteceu entre o período de 1 ano e 1 dia a 5 anos que foi de 46,5% (n=20), entre 6 meses e 1 ano apresentavam 44,2% (n=19) e 9,3% (n=4) foram as consultas de 5 anos e 1 dia acima (Figura 02).

Dos 60,4% dos trabalhadores dos PSF´s com LER que foram ao médico, 100% deles relataram que só procuravam a consulta cima de 1 ano após a lesão, motivo esse não relatado, causando dessa forma, agravamento no reparo estrutural do tecido músculo tendíneo que é ideal até os 21 dias pós lesão6,15.

Figura 02 Relação dos trabalhadores com LER de acordo como o período da 1º consulta médica.

Gráfico período da primeira consulta
Fonte: Do próprio autor

Dos 43 profissionais de saúde dos PSF´s que foram lesionados, foi observado o tempo de contrato onde relatou maior índice de LER nos trabalhadores que tinham o tempo de empresa de 5 anos e 1 dia a 10 anos que é de 55,81% (n=24), já os funcionários que tinham de 10 anos e 1 dia acima apresenta 27,91% (n=12), ficando com o menor índice os de 1dia a 5 anos que representa 16,28% (n=7) (Figura 03).

Quando observou-se que os mais acometidos de LER foram os trabalhadores com o tempo de trabalho de 1 a 5 anos, verificou-se suas faixas etárias que apresentavam de 40 a acima de 50 anos, predisposição essa esclarecida na Figura 04.

Figura 03 Profissionais com lesão de acordo com o tempo de empresa.

Gráfico lesões por tempo de empresa
Fonte: Do próprio autor

Nós funcionário de saúde dos PSF´s avaliados com lesões osteomioarticulares, foi encontrado maior índice de LER em trabalhadores com faixa etária de 41 a 50 anos acima que apresentava 46,51% (n=20), já nos profissionais entre 31 a 40 anos relatou índice de 39,53 (n=17), obtendo o menor estatística de 14,00% (n=6) entre os funcionários de 20 a 30 anos, mostrado na (Figura 04).

Diante desse fato, observou-se que a existe uma grande dificuldade no reparo das lesões acometidas nos profissionais da pesquisa, devido a maior prevalecência dessas LER ocorrerem na faixa etária de 40 a acima de 50 anos. Pois com o avanço da idade, gera alterações bioquímica no tecido muscular possibilitando uma degeneração colagenosa, que por sua vez, diminui a possibilidade de renovação do colágeno que é essencial para reparo de lesões musculares16.

Figura 04 Profissionais com lesões de acordo com a faixa etária.

Gráfico lesões por faixa etária
Fonte: Do próprio autor

Dos 43 profissionais com LER 29 foram ao médico e 14 receberam indicação de fisioterapia, porém, apenas 71,43% (n=10) trabalhadores realizaram tratamento fisioterapêutico (Tabela 03).

Os demais trabalhadores indicados para o tratamento fisioterapêutico não realizaram devido às dificuldades do acesso ao serviço.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para os profissionais de saúde que precisam executar suas atividades laborativas com excelência, é preciso um olhar dos órgãos de saúde do setor público que possibilite a prevenção de LER/DORT no ambiente de trabalho.

É preciso ações de promoção e prevenção aos funcionários dos PSF´s, visando o profissional como um todo não como apenas o executor de atividades laborativas, pois, cada trabalhador tem funções diferenciadas e executam movimentos biomecânicos diferentes, porém, é preciso diferenciar a prevenção no decorrer de suas atividades, pois, o meio que o envolve também é essencial para promoção dessas lesões. O fato das lesões não é a produção, e sim, os meios e as formas para executá-los, onde mostra um despreparo músculo-esquelético desses profissionais.

É preciso assistência dos poderes públicos com foco na saúde do trabalhador, pois, diante de fatos reais, a perda não é apenas do profissional que sofre e é restringido pela LER/DORT, mas, pela população e cofres públicos que investiram na qualificação do profissional que hoje possa está limitado ou afastado de suas atividades laborativas.

Em âmbito global, todo setor é atingido pela LER/DORT, proporcionando um reflexo hierárquico com a limitação do funcionário na execução de suas atividades laborativas, ou, ausência no setor de trabalho por falta de promoções e prevenções a LER/DORT.

6. REFERÊNCIAS

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Publicado por: JOSÉ CASSIANO FERREIRA NETO

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