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BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA PARA PESSOAS QUE VIVEM COM ASMA BRÔNQUICA

Saúde

Atividade física proporciona para as pessoas que possuem asma, melhora do condicionamento físico; qualidade no desempenho motor; melhora no sistema cardiorrespiratório; e socialização, auto-estima e autoconfiança.

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1. RESUMO

Este artigo será realizado através de revisão bibliográfica e discorrerá sobre os benefícios da atividade física para as pessoas que possuem asma brônquica e os impactos que a doença causa na qualidade de vida do indivíduo, não só pela alteração respiratória, mas também, pelos prejuízos físicos, psicológicos e comportamentais. A proposta para este artigo é transmitir o máximo de conhecimento com base nas pesquisas existentes visando à atividade física adaptada através da conscientização dos movimentos musculares durante a inspiração e expiração, ou seja, a reeducação respiratória e postural. Em suma, o presente estudo visa possibilitar a inclusão destas pessoas em programas de exercícios físicos, a prática de esporte e lazer, gerando qualidade de vida equiparada a de uma pessoa normal.

Palavras chave: Benefícios, Atividade, Asma, Alteração, Reeducação.

2. INTRODUÇÃO

A Asma brônquica é uma das doenças mais preocupantes tanto por sua frequência, como por sua potencial gravidade, sendo crônica e obstrutiva, em sua obra Perides (2008, pg, 2) ao descrever sobre a asma citou uma definição de maior aceitação entre os estudiosos com base ao Jornal da Asma (1989, pg. 02) que como sendo "um aumento do grau de reatividade da árvore traqueobrônquica a diferentes estímulos, manifestando-se por um estreitamento generalizado dos brônquios que se resolve espontaneamente e a custa de medicamentos específicos".

As pessoas com Asma possuem um alto grau de sensibilidade de acordo com os graus de gravidade da doença e quanto maior o grau desta doença, maiores as consequências a nível fisiológico, morfológico, psicológico e social podendo causar a morte.

Esta doença afeta principalmente as crianças e caracteriza-se principalmente por falta de ar, chiados, tosse e sensação de aperto no peito, sendo que, às vezes, a pessoa pode apresentar apenas tosse e, em alguns casos, podem aparecer, exclusivamente, quando o indivíduo pratica atividade física ou mesmo quando dá muita risada (RATTO, et al, 1981).

A Síndrome Asmática (SA) é estimulada principalmente pela irritação das Vias Aéreas (VA) que podem ser ocasionadas por diversos fatores, tais como a contaminação ambiental causada pela liberação de poluentes no ar devido à combustão dos motores de automóveis, o pó, a fumaça do cigarro, os vírus, os aerossóis e a hiperventilação durante o exercício, entre outros. Em geral, estes são mecanismos adquiridos e não genéticos, tais como acontece nas famílias atópicas, onde tanto os alergênicos como os ácaros, os pelos dos animais, os mofos e o pólen são as que provocam a Hiper-reatividade Brônquica, ou seja, é a resposta anormal da parede dos brônquios podendo ser transitórias como doenças virais este estudo esta na obra de Perides (2008, pg.00000) citado por (EUGÊNEA, et al., 1998).

Explica Nely (2004, pg. 25) que:

[...] traduzindo melhor esta definição da inflamação dos brônquios é comparar à pele quando levamos aquele tombo de bicicleta e ralamos o braço no asfalto: a pele fica toda esfolada. Primeiro tudo fica vermelho ou “em carne viva”, como a vovó gostava de falar; depois começar a sair “aguinha” do machucado e em alguns dias forma uma casquinha, que agente tem mania de arrancar. Só no fim desse processo que a pele fica normal. Isso tudo se agente não cair novamente.

A epidemiologia da asma vem aumentando drasticamente nos últimos anos em todo o mundo. Nely (2004, pg.28) relata em seu livro que a prevalência em países tais como: Inglaterra, Nova Zelândia e Austrália estimam-se que a doença esteja em torno de 30%. No Brasil estima-se que a prevalência esteja em 25% de fato é um número bastante significativo, pois, só no Brasil ocorre por ano mais de 350 mil internações por asma.

A asma gera em todo o mundo um grande impacto econômico, seja por seus custos diretos ou indiretos, seja pelos seus custos sociais, que estão relacionados a perdas de dias de trabalho e aula, bem como ao sofrimento individual e familiar. Uma fonte de dados norte-americana aponta para um custo total anual de mais de seis bilhões de dólares associados à asma naquele país. No entanto, o custo para a prevenção e controle da doença é alto, mas, certamente os resultados financeiros do não tratamento da doença são maiores, tanto para o indivíduo quanto para o sistema de saúde (COSTA, E. F. S, 2008, p.).

A problemática maior envolvendo a Asma esta no agravo da doença devido a não realização de atividades física adaptada os seus portadores. É cediço que as pessoas asmáticas têm um declínio mais acentuado a não praticarem atividades físicas, tendo em vista que em muitos casos, quando da prática sem orientação profissional, são desencadeadas crises. Além disso, ainda há profissionais da área da saúde que insistem em orientar que os portadores de asma não devem praticar tais atividades.

Entretanto, tais pessoas desconhecem o grande êxito que a educação física adaptada vem tendo com as pessoas portadoras de asma, seja nos movimentos musculares durante a inspiração e expiração, seja na reeducação respiratória e postural, que de fato é de suma importância na motricidade destas pessoas.

Assim, o presente estudo irá divulgar e possibilitar a inclusão destas pessoas em programas de exercícios físicos, bem como conscientizar as pessoas que vivem com asma brônquica e os profissionais da saúde que a partir da prática do exercício físico o indivíduo pode sim ter uma qualidade de vida melhor, tanto na saúde corporal quanto na saúde mental e ainda obter o fortalecimento do aparelho pulmonar e se tornar mais resistente às crises.

Com isso, visa ainda o presente estudo disseminar essa informação no meio acadêmico e tornar estas informações acessíveis à população e principalmente, àquelas portadoras de asma para que se conscientize sobre os benefícios da atividade física.

3. OBJETIVO

ELIAS e DUARTE (2001, p.) relatam os benefícios que o exercício físico proporciona para as pessoas que possuem asma, quais sejam, melhora do condicionamento físico, ou seja, aumenta-se a capacidade do sistema cardiorrespiratório; a resistência muscular geral e localizada se desenvolve juntamente com a força; flexibilidade; agilidade; conseguindo com tudo isto um melhor equilíbrio corporal e coordenação motora.

Porém, para obter êxito ao tratamento da asma depende de uma parceria efetiva entre a equipe e/ou o profissional que dispensa cuidados ao paciente, e ele próprio e seus familiares, tendo como premissa o diálogo e a educação em saúde, objetivando específicamente: melhora do condicionamento físico; qualidade no desempenho motor; melhora no sistema cardiorrespiratório; e socialização, auto-estima e autoconfiança.

4. MÉTODO

4.1 Natureza da Pesquisa

A presente pesquisa científica é de natureza bibliográfica, ou seja, foi realizada de maneira indireta e baseada nos demais estudos existentes hoje na àrea.

4.2 Procedimentos

Para contextualizar e conceituar o presente estudo foi realizada uma busca em base de dados especializados com a temática “os benefícios da atividade física para pessoas que possuem Asma Brônquica”, sendo neste sentido, realizada uma busca na base de dados do Google Acadêmico (http://scholar.google.com.br/) e em livros com as palavras chaves: Benefícios, Atividade, Asma, Alteração, Reeducação.

5. REVISÃO DE LITERATURA

5.1 Definição do sistema respiratório

O Sistema respiratório é composto pelo nariz, cavidade nasal, faringe, laringe, traquéia, brônquios e pulmões. Este sistema de órgãos é responsável pela troca gasosa do corpo humano através da hematose pulmonar possibilitando, assim, a respiração celular, através do fornecimento de oxigênio e remoção de gás carbônico do organismo (FONSECA, K, 2011, n.p).

5.2 Definição da inflamação da asma brônquica no aparelho respiratório

As Diretrizes do Programa Nacional para a Educação e Prevenção da Asma dos Estados Unidos (NAEPP – iniciais em inglês) traz a definição mais aceita e aduz que a asma nada mais é do que um transtorno inflamatório crônico das vias áreas, associada a uma hiperatividade das vias aéreas em resposta a determinados fatores desencadeantes que como dito anteriormente no estudo pode ser oriundo de infecções virais, exercício físico ou da exposição a diferentes substâncias alérgicas, ocasionando a obstrução do fluxo de ar e gerando sintomas como chiados, tosse e sensação de pressão no peito.

Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) define a asma como sendo uma condição crônica resultante da inflamação das vias aéreas nos pulmões que afeta a sensibilidade das terminações nervosas das vias aéreas, que são facilmente irritáveis, sendo que sua gravidade e frequência variante de indivíduo para indivíduo.

Segundo Costa (2008, n.p) a inflamação brônquica constitui o mais importante mecanismo fisiopatológico da asma que decorre de interações complexas entre células inflamatórias, mediadores e células estruturais das vias aéreas. Sendo que esta inflamação está presente tanto em pacientes com formas leves da doença, quanto ao grau mais elevado, pois a mucosa brônquica torna-se hiper-reativa aos estímulos, sendo alérgicos ou não, as figuras 1 e 2 a seguir o bronquíolo normal comparando ao bronquíolo revestido de muco, principal causador da obstrução das vias aéreas centrais e periféricas.

Para Lepori (2007, n.p), por sua vez, a obstrução das vias aéreas é devido a presença de edema das vias aéreas e a secreção do muco que contribuem para obstrução da passagem de ar e para a hiperatividade brônquica. Sendo que esta inflamação atinge a totalidade das vias aérea inferiores, embora sejam os bronquíolos as vias onde existe maior compromisso, devido ao seu diâmetro.

Nesse sentido a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia visando evitar dúvidas acerca do diagnóstico do paciente com asma ilustrou o diagnóstico diferencial no quadro 01, que são as doenças mais confundidas com a asma brônquica e em seguida no quadro 02, ilustrou a classificação pela gravidade da asma. Estas pesquisas são imprescindíveis para classificá-las, interligando pontos conforme a gravidade dos sinais e dos sintomas. (PAULO e IUKI, 2007, n.p).

Fonte: http://www.scielo.br/pdf/jpneu/v28s1/a05v28s1.pdf

Fonte: http://www.scielo.br/pdf/jpneu/v28s1/a05v28s1.pdf

5.3 A asma brônquica: definição fisiológica e implicações na vida do indivíduo

No quadro clínico apresenta-se uma série de sintomas com intensidades variadas: sibilância, dispnéia, tosse, aperto no peito, tosse noturna e tosse desencadeada pelo exercício, incluem também a resposta do broncoespasmo e broncodilatador (PERIDES, 2007. Pg. 147).

É imprescindível a pessoa quando sentir os sintomas de asma, procurar um especialista para realização do diagnostico funcional, pois este é um dos meios primários para identificação e posteriormente o tratamento da asma brônquica, pois, o quadro asmático é facilmente diagnosticado através do exame de Espirometria que conforme ilustração de PERIDES (2007. Pg. 147) pode chegar aos seguintes resultados:

a) Obstrução das vias aéreas caracterizada por educação do VEF (Volume Expiratório Forçado) inferior a 80% do previsto e da relação VEF/CVF (Capacidade Vital Forçada) inferior a 80%;

b) Obstrução do fluxo aéreo, que desaparece ou melhora significativamente após o uso do broncodilatador (aumento do VEF de 7% em relação ao valor previsto e 200 ml em valor absoluto, após inalação de beta-2 agonista de curta duração);

c) Aumentos espontâneos do VEF no decorrer do tempo ou após o uso de corticosteróides (30 a 40 mg/dia VO, por duas semanas) de 20%, excedendo também 250 ml, são considerados significativos para o diagnóstico.

São indicativos de asma para o diagnóstico funcional de Pico do fluxo expiratório (PFE), conforme os parágrafos a seguir: Variação diurna exagerada do PFE pode ser utilizada para documentar limitação variável da obstrução do fluxo aéreo; Diferença percentual média maior entre três medidas de PEF efetuadas pela manhã, e à noite com amplitude maior que 20% em um período de duas a três semanas; Aumento de 30% no PFE, quinze minutos após uso de broncodilatador de curta duração (PERIDES, 2007. Pg. 147).

Na alteração do CVF, VEF, FEV 25-75% e PFE, é de suma importância que a pessoa asmática tenha em mãos o aparelho individual que realiza medida Peak Flow. Esta medida detecta o estado de crise, incluído sua gravidade, em vários momentos do dia seja em repouso ou praticando atividade física. Este medidor é um excelente auxiliar para o tratamento de crises, uma vez que, a prevenção é a principal medida terapêutica e, em casos de manifestações agudas ou crônicas é necessário muito conhecimento sobre o tipo de medicação a administrar, desta forma, é de fundamental importância que haja um carinho especial entre o médico (toda equipe da área da saúde envolvida no tratamento) e família para com a pessoa com asma (Araújo, 1989, n.p).

5.4 Epidemiologia no Brasil e no mundo

Há indícios de que a asma está aumentando em todo o mundo, inclusive no Brasil. Atualmente no Brasil ocorrem anualmente 350.000 internações por asma, constituindo-se na quarta causa de hospitalização pelo SUS (2,3% do total), sendo a terceira causa entre crianças e jovens adultos.

Os maiores gastos no orçamento público relacionados à asma esta direcionado em atendimentos de emergência e hospitalizações. Nesse sentido, há um levantamento de gastos feito pelo SUS no ano de 1996, referente a internações por asma demonstrando que foram gastos 76 milhões de reais, sendo este montante o equivalente a 2,8% do gasto total anual e o terceiro maior valor dispendido com uma doença (COSTA, 2008, n.p).

Segundo SPADA (2010, p.) afirma que no Brasil, essa morbidade também merece destaque, já que apontou a Organização Panamericana da Saúde que a asma acomete cerca de 15 milhões de brasileiros.

Já Costa (2008) relata que no Brasil a asma constitui-se na quarta causa de hospitalização pelo SUS (2,3% do total), sendo a terceira causa entre crianças e adultos jovens. Nota-se destes registros que houve um aumento desse número entre 1993 e 1999, confirmando os indícios de que a prevalência da asma esta aumentando em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Ressalta-se que apesar disto a mortalidade por causa da doença é preocupante, mesmo sendo a prevalência baixa, o fator negativo está no fato de que apresenta este número tem crescido em diversos países. Foi observado em países desenvolvidos, ela aumentou nas últimas décadas do século XX, correspondendo a até 10% das mortes por causa respiratória, com elevada proporção de óbitos domiciliares.

Alguns estudos isolados apontam estabilização ou até mesmo redução da mortalidade por asma em algumas cidades de países desenvolvidos na Europa, o que pode estar associado ao melhor reconhecimento e consequente diagnóstico da doença, bem como ao uso mais difundido de medicamentos, com efeito, anti-inflamatório (corticosteroides tópicos) nos últimos anos, bem como a prática de exercícios adaptados.

5.5 O quê é exercício adaptado?

No ano de 1838, na cidade de Boston, iniciou-se o exercício físico adaptado para cegos na escola PerKins ganhando amplo destaaque. Dois anos depois, em 1840, estes alunos começaram a participar de ginástica e natação, sendo considerado o primeiro programa de atividade física adaptada nos Estados Unidos, desde então foram feitas pesquisas e testes para a adaptação de acordo com a necessidade de cada indivíduo (BEZERRA, C. C 2010).

De acordo com Perides (2007, p. 38) os programas de aulas de Educação Física adaptada para pessoas que possuem asma brônquica estão fundamentado nos conhecimentos e na literatura oferecida para os mesmos, sobre suas necessidades especiais, bem como em sua capacidade de participação em atividades físicas.

Portanto, as aulas de Educação Física adaptada compreendem ginástica respiratória e postural, atividades físicas diversificadas e motivadoras, respeitando a individualidade com relação à idade, à gravidade da doença e ao estado geral dos alunos no dia da aula.

5.6 Educação Física Adaptada ao portador de Asma Brônquica

Ao iniciar no campo de estudos sobre adaptação de atividades físicas para pessoas que possuem asma brônquica, ingressa-se no mundo da multidisciplinaridade, pois, é este o fator determinante dos conhecimentos e compreensões sobre as mesmas e a contribuição da Educação Física na conquista de uma vida mais saudável (STANLEY et AL., 1998; DROBNIC, 1990; MOISÉS et AL., 1993, n.p).

As pessoas que possuem asma possuem particularidades de risco de morte se não tratadas corretamente, que implicam uma série de fatores direcionam a uma infinidade de casos.

Segundo Perides (2007, p. 33) existem particularidades a cada quadro clínico, que se inicia desde a origem até a gravidade da doença a qualidade do desempenho motor, cognitivo e afetivo das pessoas até a condição socioeconômica. Mas apesar das diferenças individuais, há, entre os portadores de asma brônquica, características e comportamentos comuns, que facilitam no decorrer do tratamento e a prevenção de crises de broncoespasmo ou asmáticas.

Ressalta Perides (2007, p. 33) ainda, que, os comportamentos variam no grau de complexidade e seriedade de caso para caso, mas, como a origem dos acontecimentos é única, a repetição de crises asmáticas e as conseqüências orgânicas, motoras e socioafetivas são comuns. Estes comportamentos podem ser encontrados nas aulas de Educação Física escolar:

Alunos asmáticos são dispensados pelo médico por não conseguirem participar das aulas com sucesso (Desconhecendo o benefício da atividade física adequada);

Alunos não se interessam em participar das aulas por não possuírem confiança de que possam ter sucesso. (Sentimento de regeição ou de incapacidade diante dos desafios motores propostos, baixa auto-estima);

Alunos não acompanham o ritmo das atividades em aula, mostrando cansaço apesar da boa vontade (desconhecimento da adequação da atividade física);

Alunos ficam isolados, entristecidos e desencorajados pela dificuldade respiratória que apresentam (desconhecimento da adequação da atividade física);

Alunos têm o menor grau de participação, pois se vêem discriminados por não sentirem solidariedade nas aulas (incentivar a participação por meio de jogos mais cooperativos);

Alunos têm posturas que deflagram a asma brônquica: peito em tonel, ombros elevados, respiração alta, pouca participação em atividades extenuantes (desconhecimento do benefício do exercício respiratório);

Alunos saem da aula para se automedicarem, a fim de suportar o melhor esforço (importante aconselhar sobre o uso adequado do medicamento);

Alunos que não estão em tratamento médico, mas precisam de medicação para minimizar o número de crises asmáticas;

Alunos negam a dificuldade respiratória, por questões pessoais, talvez por timidez, orgulho ou medo de ser discriminado (é preciso desenvolver a consciência corporal e a consciência de suas próprias capacidades, reconhecendo suas limitações e as dos demais).

Visto que, a questão em foco, a adaptação de atividades físicas para asmáticos, depende da individualidade e da especificidade relacionada ao quadro clínico e, por sua vez, profundamentamente comprometida com os conhecimentos específicos sobre a tolerância de exercícios e sua implicação no rendimento fisiológico e motor (PERIDES, 2007, p.34).

5.7 Sistematização do programa de aulas de Educação Física adaptada para asmáticos

Afirma Carneiro-Sampaio (1992, n.p) que para obtenção do sucesso no tratamento da criança asmática, é imprescindível a troca de informações sobre a doença com o paciente ou seus responsáveis, propondo-se abordagem global da criança com propostas terapêuticas adequadas e que requer compreensão da doença, como ela se apresenta e como afeta física e psicologicamente o crescimento e o desenvolvimento do paciente.

Resumindo detalhadamente os objetivos do treinamento: a) manter a função pulmonar tão próxima do normal quanto possível sem produzir efeitos colaterais importantes das drogas; b) facilitar o ajuste social da criança com a família, escola e comunidade, incluindo sua participação normal em atividades recreacionais e esportivas.

De início deve-se, incluir o diagnóstico precoce e o tratamento adequado das crises asmáticas. Ressalta ainda que sejam desnecessárias as proibições e as restrições na vida da família e da criança. Portanto, o sucesso terapêutico depende do empenho de todos, principalmente do médico, cuja experiência será requisitada, sobretudo nos casos mais graves (TEIXEIRA, 1991).

A ginástica respiratória ou atividades físicas para asmáticos é um programa estratégico para a prevenção de crises asmáticas em esforço, beneficiando assim as pessoas asmáticas do conteúdo proposto, de maneira gradativa até uma totalidade de aproveitamento. A natação, por sua vez, é um programa que desenvolve atividades motoras aquáticas preventivas e com a devida preocupação com as necessidades especiais do aluno (PERIDES, 2007).

Sendo assim, Betti (1996) adota uma terminologia de ginástica respiratória para seu trabalho com asmáticos na Universidade Estadual Paulista de Rio Claro, definindo-a assim: “É constituída por exercícios respiratórios, exercícios ginásticos, jogos com controle da respiração e exercícios posturais”.

Seguindo o termo de ginástica exposto por Soares et AL. (1992, n.p) se refere a formas esportivas que envolvem formas básicas do atletismo, de exercícios em aparelho e em aparelhos manuais e formas de lutas, além de incluírem também os jogos que representam as experiências lúdicas da comunidade. Entretanto, a terminologia usada para este trabalho será usado tanto o termo ginástica respiratória como também atividade física adaptada para a pessoa que possui asma brônquica, e os demais conteúdos específicos e complementares serão utilizados de forma estratégica, cujo principal propósito é evitar o broncoespasmo durante o esforço físico.

5.8 Planejamento nas aulas de Educação Física para a prevenção de crises asmáticas.

Para que se obtenham resultados positivos nas atividades motoras, voltado para as pessoas que possuem asma é necessário que o professor tenha, primeiramente, um bom princípio pedagógico ao qual se vincula e uma visão global que complete a participação geral nas atividades.

De acordo com Perides (2007 p. 36, 37) o bom planejamento depende também, da atuação do professor como agente focalizador, intermediador, flexibilizador e determinador de um plano de aula consistente, que permita a aprendizagem individual visando a vivência do sucesso. Logo, o autor ainda ressalta, que a escolha das atividades deve ser cuidadosa no que tange as aulas de Educação Física Adaptada, devendo constar de objetivos, conteúdos e estratégias bem adequados as necessidades especiais dos alunos, considerando o estudo dos seguintes pontos:

Seleção dos objetivos propostos (gerais e específicos);

Nível de desenvolvimento motor e cognitivo apresentado pelos alunos;

Condições orgânicas das crianças asmáticas em aula;

Suas individualidades e necessidades especiais; e

Conteúdos pertinentes ao programa de educação física geral e específica.

No quadro a seguir modificado por Nieto & Moisés (1990, n.p) apresenta uma proposta de programas de atividades físicas adaptadas ao portador de asma brônquica.

NÍVEIS Aprendizado e treinamento respiratório Aprendizado de habilidades motoras Aprendizado e treinamento de habilidades motoras e esportes

OBJETIVOS Aquisição de consciência e controle respiratório; Aquisição de noção de relaxamento; Aquisição de consciência postural; e Conhecimento sobre a doença. Melhor trabalho do sistema cardiovascular; Melhor domínio corporal; e melhor domínio das habilidades motoras básicas. Melhor desempenho desportivo específico

CONTEÚDOS Exercícios respiratórios; Exercícios de relaxamento; Exercícios de consciência corporal; Exercícios posturais; e Palestras/Reuniões com pais e alunos. Exercícios respiratórios; Exercícios aeróbios; Exercícios posturais; Habilidades motoras em meio terrestre e aquático; e jogos. Exercícios respiratórios; Basquetebol adaptado, voleibol adaptado, atletismo adaptado, ginástica olímpica, dança e jogos.

Com base ao conteúdo proposto por Perides (2007, p. 38) a Educação física adaptada ao asmático deve estar voltada ao condicionamento físico e a prevenção de crises asmáticas, logo estes objetivos tem finalidade de fazer o aluno adquirir: melhor condicionamento físico geral; maior consciência e domínio sobre suas potencialidades físico-motoras; e melhor qualidade de vida.

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Ele argumenta ainda que os objetivos específicos serão alcançados ao final de um programa de ensino, onde será desenvolvidos com base na aplicação de conteúdos e estratégias específicas, relacionados diretamente à prevenção de crises asmáticas, à tolerância ao esforço e à aquisição de saúde geral, em conseqüência o aluno irá desenvolver (PERIDES, 2007, p. 38/39):

Resultados positivos na consciência corporal;

Melhorar ou desenvolver a consciência e o controle do relaxamento da respiração normal, da respiração durante o esforço e durante a crise de broncoespasmo ou asmática.

Melhorar ou desenvolver as habilidades motoras e as qualidades físicas;

Melhorar ou desenvolver autoconfiança e a auto-estima;

Prevenir as crises de broncoespasmo; e

Adquirir conhecimentos sobre a doença, implicações e procedimentos preventivos adequados.

Assevera Perides M.M (2007, p.41, 42) que as atitudes que o professor deve tomar diante de alterações em alunos que possuem asma brônquica, sendo então observados os seguintes sintomas:

Se o aluno ficar pálido ou avermelhado, com lábios arroxeados e com olheiras;

Disposição na tarefa motora: quando o aluno diminuir o ritmo de sua participação na atividade proposta;

Frequência respiratória: quando o aluno iniciar uma inspiração forçada, com aparente movimentação do externo e ombros, ou seja, quando a respiração se tornar alta e reforçada.

À postura: quando o aluno assumir a postura de flexão dos ombros à frente, com apoio das mãos sobre os joelhos, parar no meio da atividade, sentar-se ao chão ou se isolar do grupo.

Comportamento geral: quando o aluno ficar irritado ou nervoso, ansioso, também quando apresentar calado, entristecido, frustrado e angustiado.

5.8.1 Aquecimento prévio preventivo

Para dar início a atividade física adaptada a pessoa com asma é de suma importância o professor verificar a propriedade do período refratário que protege o asmático do broncoespasmo induzido pelo exercício (BIE).

Ao iniciar a sessão de atividade física os alunos deverão realizar no aquecimento uma série de exercícios respiratórios, principalmente associados à mobilização das articulações dos ombros e da cintura pélvica, também de alongamento dos grandes grupos musculares, possibilitando, além de a preparação articular e muscular, uma preparação cardiorrespiratória, o aquecimento prévio deve ocorrer de forma gradual, iniciando com intensidade leve até o desenvolvimento da parte aeróbia (PERIDES., M.M 2007, p. 45, 46).

Enfatiza Kerbej (2002, n.p) que o portador de asma brônquica apresenta inúmeras dificuldades de expirar, no entanto, se deve ao professor adquirir estratégias para serem trabalhados exercícios respiratórios.

Pode-se diferenciar dois modos de respirar: a respiração normal – quando a inspiração é um fato ativo e a expiração, um ato passivo; e, a respiração forçada – quando a inspiração e a expiração tornam-se um fenômeno ativo com contração da musculatura acessória e abdominal.

Para Betti (1996, n.p) e Kerbej (2002, n.p), os exercícios respiratórios têm a finalidade de melhorar a capacidade ventilatória, visando ao treinamento de músculos específicos da expiração e à alteração da estrutura torácica. A expiração deve ser mais prolongada que a inspiração, porém sem ultrapassar os limites do asmático, segue alguns exemplos de exercícios respiratórios.

5.8.2 Mobilidade articular associada ao exercício respiratório:

Todos os alunos sentados, cada um em um colchonete, dispostos em círculo, em fileiras e em colunas ou à vontade dos alunos (recomenda-se alterar a formação dos colchonetes conforme a necessidade do conteúdo e da estratégia).

O professor solicita aos alunos que realizem exercícios de mobilidade articular associados ao exercício respiratório diafragmático, peitoral ou total, acrescentando o exercício e o ritmo aos exercícios. Cada aluno pode executar o exercício de acordo com o seu ritmo respiratório ou sob comando do professor.

Por outro lado pode-se também dar orientação sobre os movimentos, por exemplo: solicitar que façam uma inspiração pelo nariz ao mesmo tempo em que elevem os braços para cima da cabeça e, na expiração, retornem os braços, ao lado do corpo; outro movimento: que alternem os braços, nesse exercício, elevando um de cada vez; outro movimento: que afastem os braços, em forma de cruz, na inspiração, e abracem o corpo ao soprar.

5.8.3 Mobilidade articular associada ao exercício respiratório, com material:

Todos os alunos em pé, em círculo, voltados para o centro, então o Professor solicita que escolham a parte do corpo que será mobilizada de forma que associem o movimento à respiração diafragmática. Nesse exercício, poderá ser utilizado corda, bola, bastão e pesinhos, entre outros, enfatizando o movimento de amplitude articular e a consciência sobre a respiração.

Por exemplo: a) na inspiração elevar os dois braços estendidos segurando uma corda, e na expiração colocá-la atrás do tronco; b) segurando uma bola de borracha, fazendo-a circundar a cintura, depois uma coxa e a outra enquanto soprar o ar; c) segurando um pesinho em cada mão, na inspiração afastar os braços na linha dos ombros e na expiração aproximar os pesinhos com os braços estendidos à frente do tórax.

5.8.4 Aquecimento historiado:

Esse exercício é voltado para crianças de forma lúdica, mas pode ser adaptado para adultos, de acordo com conhecimento pedagógico e estratégico do professor. Nesta atividade é contada uma história que sugere a movimentação do grupo pela (o) (quadra, tatame ou campo) executando diferentes posições corporais. Por exemplo: o professor sugere aos alunos que imitem os movimentos corporais conforme sua fala; os alunos, por sua vez, deverão exagerar na amplitude postural.

5.8.5 Caminhada livre:

É determinado o número o tempo ou o número de voltas a serem realizadas com uma caminhada ou corrida leve, levando em consideração o controle da respiração (PERIDES, 2007, p. 45/46).

Ao salientar a importância do aquecimento e da comunicação do professor ao aluno, essa autora traçou um referencial teórico para que o aluno possa compreender seu corpo em diferentes movimentos musculares, fisiológicos, sociais, psicológicos e neurológicos, tendo seu enfoque na mecânica respiratória e em exercícios de carga leve.

Outra sugestão de atividade física são as atividades aquáticas, pois, Nieman (1999, n.p) afirma que os objetivos propostos pela natação incorporam conceitos de reeducação no comportamento do indivíduo, no meio aquático, vivenciando e enfrentadando situações novas e, a cada dificuldade superada, constatando um progresso na sua eficiência.

Por outro lado Kerbej (2002, n.p) relata que, na natação, a ventilação pulmonar deve ser mais eficiente, por isso trabalha-se a resistência aeróbia tornando o asmático capaz de suportar um esforço de longa duração, numa intensidade moderada.

De acordo com Correira (1993, p.117), “A Natação por si só traz alterações ao corpo humano quando imerso, mesmo sem realizar uma grande movimentação”. Logo os fatores que influenciam para que isso ocorra é de fato, resultado de trabalhos positivos de atividades físicas adaptadas, conforme a necessidade de cada indivíduo asmático, ou seja:

A força de empuxo diminui o trabalho de apoio e sustentação do corpo, condição apropriada para a execução de exercícios de compensação postural.

Favorece alterações de regulação cardiopulmonar.

Quando ao meio líquido a água oferece uma pressão sobre o tórax, que dificulta a inspiração e favorece a expiração, importante para o treinamento do controle respiratório.

O meio líquido facilita o relaxamento muscular, importante para a diminuição de tensões musculares.

O vapor da água existente sobre a superfície da água mantém úmidas as vias aéreas superiores, agindo na prevenção ao ressecamento da mucosa e o broncoespasmo (Perides M.M, 2007, p. 126, 127).

Além dos benefícios que o meio líquido traz para as pessoas que possuem asma, o meio líquido proporciona o efeito relaxante, a sensação de menor peso corporal e a pressão da água sobre a superfície corpórea há algumas considerações positivas aos asmáticos, relativas ao efeito da prática da natação, citada anteriormente por Correia (1993 n.p):

O ritmo respiratório, tão desejado, é executado na execução continua dos nados, mesmo que nestes a inspiração seja do tipo oral.

Nos nados, a água favorece uma existência a expiração submersa que desenvolve a musculatura respiratória.

Na realização dos movimentos intensos e regulares de braçadas facilita o trabalho articular da cintura escapular, responsável pela mecânica respiratória.

Em crianças o acervo motor é aumentado pela gama de habilidades motoras aquáticas.

Proporciona realização emocional, pelos desafios intrínsecos à atividade.

O treinamento aeróbio para treinadores habilidosos é característico da modalidade de natação, pela necessidade hidrodinâmica de se colocar a cabeça na água, quando se tem melhor deslizamento (Perides, 2007, p. 127).

Segundo Perides (2007, p. 130) os objetivos e conteúdos de aula de natação são específicos e, também, passa por adequação metodológica, primando em uma abordagem mais crítica, construtiva e desenvolvimentista, que por sua vez, influencia numa aprendizagem participativa e coletiva através do ensino-aprendizagem nas aulas aquáticas, sendo diversificado com atividades lúdicas, respiratórias e motoras. A partir deste certame deve-se considerar a importância da escolha de estratégias que satisfaçam as necessidades e os interesses dos alunos.

As estratégias descritas para a prevenção de crises asmáticas podem ser desenvolvidas tanto em espaços abertos quanto em piscina, pois, a ênfase do trabalho está na utilização dos procedimentos básicos de prevenção. Este procedimento pode ser adaptado para qualquer tipo de atividade física adaptada, ou seja, no lazer, em passeios e caminhadas, independentemente do ambiente físico (PERIDES. M.M, p. 130).

5.9 Estudo bibliográfico sobre atletas amadores de natação

Foram avaliados 171 nadadores amadores, com idade entre 6 e 14 anos e com nível socioeconômico de classe média alta, de um clube privado da cidade de São Paulo por: NELY, I. F, CARLOS, L. A. S, ANTUNES, T, CALVO, R. G, RICARDO, C. F. C, ROBERTO, C. R. C. (2008, n. p).

Neste estudo o tratamento de desinfecção da piscina era realizado com compostos à base de cloreto e os nadadores e seus responsáveis responderam um questionário para avaliar a frequência de sintomas de asma, e as crianças foram submetidas à espirometria de repouso. Todos foram informados dos objetivos do estudo, e a inclusão dos atletas ocorreu somente após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, de acordo com a legislação nacional e protocolo de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital São Luiz (número 114/2006).

Dos 171 atletas amadores que aceitaram participar deste estudo, 125 responderam ao questionário ISAAC e 119 realizaram a prova de função pulmonar e, no total, 73 nadadores realizaram as duas avaliações. Os avaliados apresentavam idade média de 11 ± 18 anos e 50,3% eram do sexo feminino. Nenhum nadador da faixa etária de 6-7 anos realizou a espirometria.

Do estudo observou-se que a frequência de sintomas de asma entre nadadores de todas as faixas etárias foi de 16,8% (21/125), e sua ocorrência permaneceu em taxas similares entre todos os grupos etários avaliados (variando de 17,2% a 20%; Tabela 1). Entre as crianças que tinham diagnóstico médico de asma antes do início da prática da natação, na faixa etária de 6-7 anos, foi observada uma frequência de sintomas de 26% (19/73). Esses valores foram semelhantes aos observados nas outras faixas de idade (23% e 26,6%, nas faixas etárias de 8-12 e de 13-14 anos, respectivamente).

Dos 119 nadadores que realizaram a espirometria, 39 (32,7%) apresentaram redução da relação VEF1 /CVF. A frequência da redução de função pulmonar foi menor na faixa etária de 13-14 anos do que na de 8-12 anos (21% e 35%, respectivamente; Tabela 2). A obstrução das vias aéreas (VEF1 /CVF < 0,75) foi similar quando analisada entre os 73 nadadores que realizaram a espirometria e responderam ao questionário ISAAC (33,8% e 36,3%, respectivamente, nas faixas etárias de 8-12 anos e de 13-14 anos).

Ao se avaliar a concordância entre a frequência de sintomas de asma com a redução da função pulmonar entre os nadadores, verificou-se que os atletas apresentaram maior frequência de redução da relação VEF1 /CVF do que de sintomas de asma (34,2% vs. 15%; p < 0,01; Tabela 3). Já a frequência na redução da função pulmonar foi mais acentuada entre os nadadores que apresentavam diagnóstico prévio de asma, mas não houve diferença se comparada com os nadadores não-asmáticos (47% vs. 29,6%; p = 0,29).

Não houve concordância entre as alterações de função pulmonar e a frequência de sintomas de asma em nadadores não-asmá- ticos e asmáticos (p < 0,01; Tabela 3). Dos 125 participantes que responderam ao questionário, questionados quanto aos motivos que os levaram a procurar a natação, 112 (89,6%) relataram a preferência pela modalidade esportiva; 6 (4,8%), a motivação para competição; 5 (4,0%), a presença de problemas respirató- rios; e 2 (1,6%), a necessidade de correção de problemas ortopédicos e posturais.

Do mesmo grupo de participantes, 32 (25,6%) referiram ter o diagnóstico de asma e/ou bronquite, e 73 (58,4%) relataram ter conhecimento de algum familiar com asma. Quando solicitados a relatar o tratamento medicamentoso para asma, 10 nadadores (31,2%) alegaram não realizar nenhum tipo de tratamento, e 22 (68,7%) descreveram livremente o tratamento.

A terapêutica foi categorizada de acordo com as modalidades mais relatadas, sendo que 13% dos nadadores realizavam o tratamento clínicomedicamentoso somente com homeopatia ou simpatia; 9%, com antibiótico associado ou não a outro tratamento; 24%, com broncodilatador associado ou não com outras abordagens, excluindo-se o uso de corticoide; e 16%, com corticoide e broncodilatador associados (NELY, I. F, CARLOS, L. A. S, ANTUNES, T, CALVO, R. G, RICARDO, C. F. C, ROBERTO, C. R. C. 2008, n. p).

As pesquisas realizadas por: NELY, I. F, CARLOS, L. A. S, ANTUNES, T, CALVO, R. G, RICARDO, C. F. C, ROBERTO, C. R. C. (2008, n. p) mostrou que a natação é considerada como a atividade física ideal para asmáticos, provavelmente devido à alta umidade do ar inspirado, o que pode prevenir e reduzir o BIE (Broncoespasmo Induzido por Exercício).

Logo, os benefícios da natação para asmáticos são reforçados por estudos que sugerem redução dos sintomas, melhora da capacidade de endurance e redução da intensidade do BIE. Os pesquisadores descreveram ainda que existem relatos mostrando que o tratamento de desinfecção de piscinas à base de cloreto pode causar irritação e alterações das vias aéreas, alterações estas bem estabelecidas em nadadores de elite, mas desconhecidas em nadadores amadores, pois sempre se acreditou que estas eram associadas à intensidade do treinamento e à exposição crônica ao cloro.

5.9.1 Asma Induzida por Exercício (AIE)

Diante de tantos benefícios que o exercício traz as pessoas asmáticas também é preocupante à asma induzida por exercício (AIE) que desencadeia diversas crises e permanece sem uma conclusão definida, no entanto, a AIE é explicada por duas hipóteses.

A hipótese osmótica considera que a desidratação das vias aéreas gerada pela perda insensível de água pelo trato respiratório estimulada pela inalação de ar seco, durante o exercício aumenta a osmolaridade dos líquidos periciliares, liberando mediadores químicos (histamina, prostaglandinas e leucotrienos) que acentuam a contração da musculatura lisa brônquica, causando consequentemente a obstrução.

Por outro lado, existe a hipótese térmica que considera a AIE como um efeito térmico nas vias aéreas causadas pelo exercício, isto é, o resfriamento das vias aéreas seguido de um reaquecimento pós exercício que causa uma hiperemia reativa da vasculatura brônquica e edema nas paredes das vias aéreas. (LAITANOL, O & MEYER, F. 2007, n.p).

Os sintomas da AIE são observados a partir do momento que a pessoa desencadeia crises de tosse, chiado na respiração, dificuldade de respirar e aperto no peito, após o exercício (LAITANOL, O & MEYER, F. 2007, n.p).

MELO R. E, SOLÉ, D, 2002, ressalta que, além de um programa de treinamento físico, a escolha do esporte e as condições em que ele é realizado podem afetar o desempenho do paciente asmático. Atividades muito asmatogênicas incluem esportes em condições adversas – clima frio e/ou seco (por ex.: esqui na neve e hóquei no gelo) e os que demandam alta ventilação-minuto (por ex.: corrida livre e futebol).

É interessante constatar que a asma é particularmente prevalente em nadadores, pois a natação está entre as atividades físicas mais bem toleradas pelos asmáticos, provavelmente dando origem à crença popular de que a natação “cura a asma”.

Sendo assim, uma orientação simples na prática clínica seria a de realizar aquecimentos curtos e repetidos, reduzindo a resposta asmatogênica ao exercício, Em aproximadamente metade dos asmáticos, a resposta brônquica à hiperpnéia não se repetirá com a mesma intensidade, se o exercício for repetido, nas mesmas condições, até 2 a 4 horas após, configurando o período refratário da AIE.

5.9.2 Método e benefício do exercício físico para pessoas que possuem Asma Induzida pelo Exercício.

LAITANOL, MEYER, (2007, p.), indica a realização de sessões com curtos intervalos de exercícios, pois, tem mostrado reduzir a severidade da resposta,esse fenômeno é conhecido como período refratário (1-2, 13,22-24) e tem sido utilizado como manobra para reduzir os efeitos da AIE. Mesmo com uma variabilidade intra-sujeito, essa manobra possui boa efetividade na prevenção da AIE. A forma pela qual o período refratário reduz a magnitude da AIE também não está bem definida. Entretanto, é possível que os mediadores inflamatórios sofram depleção durante esse período, necessitando de tempo para a sua ressíntese (13,22) e, dessa forma, reduzindo a crise de AIE.

Já ELIAS, DUARTE, (2001,p.) demonstra uma série de benefícios que o exercício físico proporciona para as pessoas: melhora do condicionamento físico, ou seja, aumenta-se a capacidade do sistema cardio-respiratório, a resistência muscular geral e localizada se desenvolve juntamente com a força, flexibilidade, agilidade, conseguindo com tudo isto um melhor equilíbrio corporal e coordenação motora.

Para obter êxito ao tratamento da asma depende de uma parceria efetiva entre a equipe e/ou o profissional que dispensa cuidados ao paciente, e ele próprio e seus familiares, tendo como premissa o diálogo e a educação em saúde.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

NÃO PRECISAM SE PREOCUPAR COM AS CONSIDERAÇÕES FINAIS POR ENQUANTO, mas aqui você vai relatar a importância dos exercícios físicos e a importância da conscientização para a melhora da saúde em pessoas que vivem com asma brônquica.

Conclui-se que, com base nos estudos, a implantação da educação física adaptada para as pessoas que possuem asma brônquica, acarreta no afastamento de crises que em conseqüência obtiveram uma melhor qualidade de vida. Foi verificado ainda que, ao realizarem atividades físicas melhoraram seus aspectos físicos, cardiorrespiratórios, sociais e psicológicos, além de aumentar a auto-estima, devido estarem mais motivados e preparados para realizar atividades de rotineiras.

Entretanto, é de suma importância a atividade física para as pessoas que possuem asma, pois, os benefícios são diversos, tanto para a saúde mental e corporal, quanto na diminuição das despesas hospitalares e farmacêuticas.

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Publicado por: Mauro Ferreira Júnior

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