PREGAÇÃO EXPOSITIVA: UM BREVE ESTUDO NA BÍBLIA, NA HISTÓRIA E NOS DIAS ATUAIS.

Religião

A importância da pregação expositiva, bem como de sua relevância para a igreja contemporânea.

índice

  1. 1. RESUMO
  2. 2. Introdução
  3. 3. A relevância bíblica da exposição das Escrituras
    1. 3.1 A trajetória da exposição bíblica no ANTIGO TESTAMENTO
      1. 3.1.1 A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DE MOISÉS
      2. 3.1.2 JOSUÉ, SAMUEL, DAVI E SALOMÃO COMO PROCLAMADORES DA PALAVRA DE DEUS
      3. 3.1.3 A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DE ESDRAS
      4. 3.1.4 ISAÍAS, JEREMIAS E ZACARIAS COMO EXPOSITORES DA PALAVRA DE DEUS
    2. 3.2 A trajetória da pregação expositiva no Novo Testamento
      1. 3.2.1 A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DE JOÃO BATISTA
      2. 3.2.2 A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DE JESUS CRISTO
      3. 3.2.3 A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DO APÓSTOLO PEDRO
      4. 3.2.4 A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DO APÓSTOLO PAULO
      5. 3.2.5 A pregação expositiva e as Escrituras
  4. 4. A relevância histórica da exposição das Escrituras
    1. 4.1 A exposição bíblica no ministério dos pais da igreja
      1. 4.1.1 A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DE ORÍGENES
      2. 4.1.2 A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DE JOÃO CRISÓSTOMO
      3. 4.1.3 A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DE AGOSTINHO DE HIPONA
    2. 4.2 A exposição bíblica no ministério dos reformadores
      1. 4.2.1 A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DE MARTINHO LUTERO
      2. 4.2.2 A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DE JOÃO CALVINO
    3. 4.3 A exposição bíblica de Calvino à era moderna
  5. 5. A exposição bíblica e a igreja contemporânea
    1. 5.1 O que não é exposição bíblica
    2. 5.2 O que é exposição bíblica
      1. 5.2.1 GUIA DE COMO PREPARAR UM SERMÃO EXPOSITIVO
      2. 5.2.2 PERGUNTAS QUE SE DEVEM FAZER AO TEXTO AO ELABORAR O SERMÃO EXPOSITIVO
    3. 5.3 O resultado da exposição bíblica na vida da igreja
  6. 6. Conclusão
  7. 7. Referências

1. RESUMO

Esta monografia realizou um estudo sobre a importância da pregação expositiva, bem como de sua relevância para a igreja contemporânea. Seu objetivo foi analisar a exposição bíblica ao longo da história, iniciando com os profetas do Antigo Testamento, passando pelo ministério terreno do Senhor Jesus Cristo e estendendo-se pela trajetória dos apóstolos, pais da igreja, os reformadores como Martinho Lutero e João Calvino e os grandes expositores bíblicos da atualidade. O objetivo é trazer um panorama histórico da exposição bíblica, tanto como, seu estilo e resultados. A Palavra de Deus deve ser pregada de forma fiel e integral. O remédio de Deus para a igreja contemporânea é a sua Palavra.

Palavras-chave: Exposição Bíblica, Palavra de Deus, ministério, pregação e igreja.

ABSTRACT

This monograph conducted a study on the importance of expository preaching as well as its relevance to the contemporary church. Its purpose was to analyze the biblical exposition throughout history, beginning with Old Testament prophets, going through the earthly ministry of the Lord Jesus Christ and extending through the trajectory of the apostles, church fathers, reformers such as Martin Luther and John Calvin and the great biblical expositors of today. The goal is to provide a historical overview of the biblical exposition, as well as its style and results. God's Word must be preached faithfully and integrally. God's remedy for the contemporary church is His Word.

Keywords: Biblical Exposition, Word of God, ministry, preaching and church.

2. Introdução

Vivemos em uma época na qual a fiel pregação das Escrituras não encontra mais espaço dentro de algumas igrejas de nossos dias. Há um desvio de objetivos na pregação, uma falta de compromisso com o estudo da Palavra que possa apresentar ao homem de nossos dias um sermão Cristocêntrico que glorifique a Deus, uma pregação que apresente o estado caído do homem e lhe mostre o caminho da salvação. Porém, quando analisamos a trajetória da igreja através do retrovisor da história, o que constatamos é que todas as vezes em que a igreja esteve no seu auge, a pregação das Escrituras também estava no auge. Não podemos exigir o crescimento da igreja de tal forma que este mesmo crescimento sacrifique a exposição da Palavra de Deus.

Outro fator interessante em nossos dias é que alguns ministros não estão mais preocupados em pregar toda a verdade de Deus. Não se preocupam mais em pregar o que é certo, e sim, o que dá certo. Em concordância com isso, LOPES (2008, p. 43) diz: “o que estamos acompanhando é um verdadeiro comércio das Escrituras, onde o evangelho se torna um produto, o púlpito um balcão e os crentes consumidores”.

Atualmente, muitas pessoas têm recorrido ao evangelho apenas como caçadores de experiência. Basta observarmos os sermões televisivos das megas igrejas e logo iremos perceber que boa parte da pregação que se tem ouvido é dominada por temas, tais como: “o que eu, ou você, precisa” ou “o que você deve fazer para se sentir bem”. O que deve ser levado em conta é que Deus não tem a obrigação de realizar nossos desejos, ao contrário do que se tem observado nos sermões atuais, uma pregação totalmente centralizada no ser humano. Deus não tem compromisso com a palavra do homem, Deus tem compromisso com a sua palavra.

Outro aspecto que também não pode deixar de ser observado é que, atualmente, a pregação expositiva perdeu o seu lugar para um estilo de pregação cujo foco é somente o que Deus pode fazer pelo homem, e não o que Deus requer do homem. A pregação não pode ser antropocêntrica como temos visto com muita frequência em nossos dias, mas sim, deve ser uma pregação teocêntrica, conforme nos ensina o catecismo de Westminster, dizendo que “a verdadeira pregação expositiva precisa anunciar e defender a doutrina de que o fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-Lo para sempre, e não o contrário”.

Acredita-se que não existe outra forma de ver a igreja de Deus crescendo a não ser uma verdadeira volta à pregação fiel e expositiva das Escrituras. Infelizmente, o que muitos têm ensinado é que o fim principal de Deus é honrar e satisfazer os desejos do coração do homem. A Igreja não pode se conformar com uma pregação que expõe somente o que Deus pode fazer pelo homem e ocultar o que Deus requer do homem, que é arrependimento. Sendo assim, pode-se afirmar que a solução para o problema é uma volta completa para a Palavra de Deus, pois, cultivando um compromisso profundo com as Santas Escrituras, poder-se-á ver a Igreja de Deus crescer de forma que agrade ao Senhor dentro de uma dieta espiritual saudável.

No entanto, uma vez que se está inserido em um contexto marcado por distorção da Palavra, pragmatismo e teologia da prosperidade, propõe-se, através deste trabalho, mostrar que é preciso resgatar a pregação expositiva. Ou seja, uma pregação que glorifique a Deus, e por causa dessa certeza, aí sim, a Igreja experimentará um crescimento numérico e saudável, entendendo, também, que a pregação expositiva, indiscutivelmente, é o único meio de doutrinar, discipular, ministrar e fortalecer o corpo de Cristo.

A Deus toda glória!

3. A relevância bíblica da exposição das Escrituras

É com pesar no coração e tristeza de espírito, mas ao mesmo tempo, com uma indescritível convicção de que, como defensores da verdade, não podemos negligenciar a responsabilidade de afirmar que o padrão de pregação em alguns meios de comunicação nos dias atuais é deplorável. O profeta Oséias disse: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento” (Os 4.6 b). LOPES (2008, p. 7) dizia que: “A maior contribuição que a Igreja pode dar ao mundo de hoje, a uma geração atribulada e amedrontada, é retornar à pregação consistente e relevante da Palavra de Deus”. No entanto, não restam dúvidas de que tanto a superficialidade, quanto a insegurança e inconsistência, são as marcas que, lamentavelmente, têm ditado as regras de uma era mergulhada no pós-modernismo. Sendo assim, não temos alternativa a não ser abraçarmos a ideia de que somente um retorno fiel às Escrituras e uma pregação pura e simples serão capazes de reerguer novamente o evangelho das cinzas do descrédito. STOTT (2001, p. 52), em seu livro “Crer é também pensar”, afirma o seguinte: “Os dons que mais devem ser procurados e apreciados, portanto, são os dons do ensino, já que é por meio deles que a igreja é mais edificada”.

De acordo com LOPES (2008, p. 51), quando perguntaram para D. L. Moody acerca do maior problema da obra de Deus, ele respondeu que “O maior problema da obra são os obreiros”. Destarte, tendo em vista os aspectos observados, o que se pode detectar é que boa parte da incerteza a respeito da verdadeira missão da igreja e do evangelho deve-se, indiscutivelmente, a uma geração de líderes e pregadores que perderam a confiança na Palavra de Deus como única regra de fé e prática e, por incrível que pareça, muitos já não se dão mais ao trabalho de estudá-la em profundidade e de proclamá-la sem medo nem favoritismo.

CHAPELL (2007, p. 18), afirma que “a exposição bíblica liga o pregador e as pessoas à única fonte de transformação espiritual verdadeira”. Considerando que os corações são transformados quando as pessoas se deparam com a Palavra de Deus, os pregadores expositivos ficam comprometidos a dizer o que Deus diz. O compromisso de Deus não é com a palavra do homem, Deus se compromete única e exclusivamente com a sua Palavra. Não é a palavra do homem que não volta vazia, e sim, a Palavra de Deus. Prova disto é que a maioria dos grandes expositores do passado usou o método expositivo de pregação bíblica. Sendo assim, analisar-se-á de forma bíblico-histórica a pregação expositiva, a começar pelo ministério dos profetas no Antigo Testamento.

3.1. A trajetória da exposição bíblica no ANTIGO TESTAMENTO

O Antigo Testamento está repleto de pregadores expositivos. No contexto israelita o profeta era a boca de Deus, ou seja, o canal pelo qual Deus transmitia sua Palavra ao coração do homem. A palavra "Profeta" vem do Hebraico: נָבִ֣יא , nā·ḇî, em latim propheta que significa "intérprete" ou "porta-voz”. O profeta não era alguém que estava autorizado a proclamar a Palavra de Deus em seu nome, mas a função específica do profeta não era outra, a não ser anunciar a Palavra de Deus em nome de Deus.

O que é pregação expositiva? Quais as suas marcas? Quais os seus reais valores? Pode-se afirmar com exatidão que não é possível compreender o desenvolvimento da pregação expositiva sem antes entender, porém, o que ela significa.

A palavra “exposição” deriva-se do termo latino expositio, que traduzido significa “tornar acessível”, “publicar” ou “divulgar”, de tal forma que a mesma se torne compreensível ao ouvinte contemporâneo. Pregação expositiva, então, nada mais é que uma volta às origens bíblicas, ou seja, o pregador não é aquele que traz uma mensagem nova da parte de Deus, mas aquele que transmite a mensagem de Deus. STOTT (2011), um dos maiores exegetas que já existiu, diz que o pregador cristão não é um profeta e afirma:

“Portanto, o pregador cristão não é um profeta. Ele não recebe nenhuma revelação original; sua tarefa é expor a revelação que já foi definitivamente dada. E embora pregue no poder do Espírito santo, ele não é “inspirado” pelo Espírito no sentido em que os profetas o foram. Certo, “se alguém fala”, deve falar “de acordo com os oráculos de Deus”, ou “como se pronunciasse palavras de Deus” (1Pe 4.11). Mas isso não ocorre porque tenha recebido algum oráculo divino especial, mas porque é um despenseiro” (STOTT, 2011, p. 12 – 13).

Sendo assim, a tarefa do pregador consiste em pregar a Palavra de Deus com fidelidade, nada além da Palavra de Deus. A função do expositor é transmitir aquilo que Deus falou. Afinal de contas, a pregação cumpre seus objetivos espirituais não por causa da habilidade de comunicação ou a retórica do pregador, mas por causa do poder da Escritura proclamada.

Os profetas foram ardorosos expositores da Palavra de Deus. Homens piedosos que se colocavam na presença de Deus antes de anunciar a Palavra de Deus. O apóstolo Pedro se referiu a Noé como o pregador da justiça (2Pe 2.5). Deus usou instrumentos diferentes para comunicar a sua palavra, como o profeta que transmitia a palavra divina do Senhor, o sacerdote que transmitia a lei e o sábio que oferecia conselhos (Jr 18.18).

3.1.1. A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DE MOISÉS

Concordo com STOTT (2003), quando diz:

“Primeiramente, Deus falou por meio de profetas e interpretou o significado das suas ações na história de Israel, e, ao mesmo tempo, mandou transmitir sua mensagem ao povo, quer pela palavra falada, quer pela escrita, quer por ambas juntas” (STOTT, 2003, p. 15)

Prova disto é que o livro de Deuteronômio pode ser visto como um compêndio de sermões de Moisés ao povo hebreu. Moisés passou boa parte de sua vida no palácio real após ter sido resgatado de um cesto pela filha de Faraó (Ex 2.5). Trata-se de um homem bem instruído, pois a infância na realeza lhe rendeu uma educação diferenciada, cidadão de cultura enciclopédica. Moisés foi o maior guia que a nação hebreia teve. No Pentateuco, tudo o que se fala, se pensa e faz, tem a ver com Moisés. Ele foi um tipo de Cristo que recebeu a incumbência de conduzir o povo hebreu à terra prometida (At 3.22).

O livro de Deuteronômio não é apenas uma mera repetição da Lei e da história de Israel, mas uma série de discursos conclamando o povo de Deus para a renovação da aliança. Deuteronômio é citado no Novo Testamento mais de cinquenta vezes, um número superado somente pelos Salmos e por Isaías. Exortação é o que não falta no livro de Deuteronômio, pois, como mensagens de despedida de Moisés ao seu povo, o livro combina exortação e mandamentos e serve como exemplo sucinto de como a Lei deveria ser transmitida e ensinada às gerações posteriores:

“Ordenou-lhes Moisés, dizendo: Ao fim de cada sete anos, precisamente no ano da remissão, na Festa dos Tabernáculos, quando todo o Israel vier a comparecer perante o Senhor, teu Deus, no lugar que este escolher, lerás esta lei diante de todo o Israel. Ajuntai o povo, os homens, as mulheres, os meninos e o estrangeiro que está dentro da vossa cidade, para que ouçam, e aprendam, e temam o Senhor, vosso Deus, e cuidem de cumprir todas as palavras desta lei” (Dt 31.10-12).

Percebe-se que o objetivo de Moisés não era sonegar a verdade de Deus ao povo, mas nutri-lo com o trigo da verdade. Moisés tinha plena convicção de que o propósito de ler a “Lei” era uma forma de ensinar ao povo sobre Deus e seus preceitos. Fato interessante é que somente os Dez Mandamentos são dados diretamente pela voz de Deus; todo o restante da lei é mediado através da pessoa de Moisés. “Ouve, Israel, o senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (Dt 6.4). Esta porção do livro de Deuteronômio mostra um Moisés convicto de que sua posição como líder do povo não era apenas um posto de privilégios, mas uma plataforma de serviços. Ele não só leu a lei perante o povo de Israel, mas também ensinou o povo de acordo com os preceitos os quais o senhor havia estabelecido:

“Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes, para que vivais, e entreis, e possuais a terra que o senhor, Deus de vossos pais, vós dá. Nada acrescenteis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do senhor, vosso Deus, que eu vos mando” (Dt 4.1,2).

Moisés leu a Lei, explicou-a e aplicou-a ao coração do povo. Mais importante que receber as bênçãos de Deus é aprender a andar com Deus. O povo já havia recebido a promessa de que Deus os sustentaria provendo-lhes o alimento necessário para sua subsistência durante os anos de peregrinação (Ex. 16.11,12 e 35). Porém, Moisés foi colocado como mediador entre Deus e o povo. No entanto, o ensino da Lei de Deus foi justamente para que o povo não pecasse contra Deus. Tanto é, que quando questionado pelo povo que temia a presença de Deus, Moisés respondeu: “Não temais; Deus veio para vos provar e para que o seu temor esteja diante de vós, a fim de que não pequeis” (Ex 20.20).

3.1.2. JOSUÉ, SAMUEL, DAVI E SALOMÃO COMO PROCLAMADORES DA PALAVRA DE DEUS

Josué foi testemunha da fidelidade de Deus ao relatar a entrada vitoriosa do povo de Israel na terra prometida (2.1). Como substituto de Moisés, agora com a responsabilidade de conduzir o povo hebreu Josué diz: “Nenhuma promessa falhou de todas as boas palavras que o Senhor falara à casa de Israel; tudo se cumpriu” (21.45). Josué não omite sua responsabilidade de pregar e ensinar a Palavra de Deus, de tal forma que esta afirmação categórica da plena fidelidade de Deus é acompanhada do reconhecimento de que muito do que fora prometido ainda estava por realizar-se (23.5). No entanto, o povo é exortado quanto ao fato de que o usufruto da promessa agora cumprida se condicionava sempre à obediência aos mandamentos do Senhor Deus de Israel (23.12-13).

Da mesma sorte, não podemos negligenciar a voz profética de Samuel que, após a exposição da Palavra de Deus, conclama a nação de Israel ao arrependimento (1Sm 7.2-17). Os livros de Samuel focalizam uma importante inovação na vida religiosa e política de Israel. No início, o povo não tinha um rei e este mesmo povo, que se encontrava com a liderança terrena do profeta Samuel, também não estava preocupado em honrar o Senhor dos Exércitos, o Rei Divino. A Bíblia diz que até mesmo os filhos de Eli não estavam trilhando os retos caminhos do senhor, mas fazendo o que era correto aos seus próprios olhos (2.12-17), de tal forma que era mui grande o pecado destes moços perante o Senhor e Samuel, então, é levantado por Deus para exortar ao povo quanto à necessidade de arrependimento.

Não se pode esquecer também dos salmos do rei Davi. Apesar dos vários estilos e gêneros, o que se percebe é que Davi usa a poesia para enaltecer Deus e sua majestade. Consequentemente, os Provérbios de Salomão apresentam-nos um compêndio entesourado de instruções práticas para o nosso dia a dia. É importante notar que o livro de Provérbios tem o objetivo de dar entendimento ao ‘sábio’, e não ao tolo, o que parece ser um contrassenso. É o sábio que precisa de entendimento? Não seria o tolo? Ora, com relação às Escrituras, sábio é aquele que se aplica ao temor do Senhor, ou seja, conhecimento da Palavra de Deus. Sábio não tem relação com ser letrado ou versado no conhecimento humano.

3.1.3. A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DE ESDRAS

Quem lê a história do povo de Deus no Antigo Testamento toma conhecimento de uma tragédia que se abateu sobre Judá, o reino do Sul: a invasão de Jerusalém, a destruição e saque do templo, a queda da monarquia davídica e o exílio de grande parte do povo, que ao que nos consta, fora levada evidentemente contra sua vontade para a Babilônia (2 Rs 23.36-25.30). Tais acontecimentos se desenvolveram por volta do ano 589 a.C. Aproximadamente 200 anos antes, o reino do Norte, Israel, havia caído perante o avanço do império Assírio. Os dois reinos foram castigados devido à mesma transgressão: desobediência aos princípios estabelecidos por Deus na lei de Moisés. No entanto, como já é de conhecimento, o Senhor disciplinou o povo por sua desobediência, permitindo assim, que fossem vencidos por exércitos estrangeiros, os quais os conquistaram, venceram e posteriormente os levaram para distante de sua pátria.

Ao retornarem para sua terra natal, os exilados encontraram uma cena catastrófica, um cenário de completa destruição, de tal forma que apenas a reconstrução dos muros de Jerusalém, como também do templo, não seriam o suficiente para o completo restabelecimento da nação, mas fazia-se necessária uma completa restauração da sociedade para que então o povo pudesse se sentir repatriado novamente, resgatando, assim, sua dignidade como povo escolhido de Deus. Diante de tal situação, vários líderes foram levantados para fazer a diferença neste momento de recomeço na história do povo de Deus, dentre os quais podemos destacar Esdras, o escriba que fora levantado por Deus no processo de reconstrução da nação.

Esdras destaca-se pelo seu vigor e compromisso com a Palavra de Deus: “Porque tinha disposto o coração para buscar a Lei do Senhor, e para cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos” (7.10). Esdras era um praticante fervoroso da Palavra de Deus, uma demonstração de pleno zelo com os preceitos divinos. Como ouvinte e praticante diligente da Palavra, o objetivo de Esdras era ensinar seus compatriotas a fazerem o mesmo. A vida e ministério de Esdras são prova viva de que não basta apenas conhecer a Lei de Deus ou apenas ser um erudito com a cabeça cheia de luz, não basta apenas ostentar a Palavra de Deus, é necessário ser boca de Deus.

LOPES (2008, p. 26), afirma que: “Assim como o cirurgião não pode operar com as mãos sujas, o pregador não pode subir ao púlpito com a vida maculada” (Zc 31-10). Da mesma forma, ao falar sobre a vida do pregador, BAXTER (2008, p. 45) ressalta o seguinte: “Não devemos desmentir com a vida aquilo que pregamos com a língua, pois este é o maior empecilho para o sucesso verdadeiro do trabalho do pregador”. Esdras obteve resultados positivos como expositor da Palavra de Deus, pois durante seu ministério demonstrou confiança em Deus (7.6,9,27), dependência de Deus (8.15,21,32) e identificação com o povo de Deus (9.3-15).

Outro aspecto interessante é que a aliança feita era condicional; o Senhor guardaria as suas promessas e Israel obedeceria aos seus mandamentos divinos. Israel, por sua vez, falhou, deixando de observar os mandamentos de Deus, e o resultado foi o exílio. No entanto, em um cenário de destruição, humilhação e pobreza, Esdras se levanta como expositor da Palavra de Deus (Ne 8.1-8). A Lei foi não somente lida, mas também explicada, para garantir que o povo compreendesse o seu significado transformador. A fiel pregação da Palavra de Deus pode mudar a história de toda uma nação. Prova disto é que todo o povo chorava, ouvindo as palavras da Lei (Ne 8.9), pois, o verdadeiro conhecimento nos leva às lágrimas. Quanto mais perto estamos de Deus, mais nos tornamos conscientes de nossa pecaminosidade. A fiel pregação da Palavra de Deus também traz alegria, pois, esta foi a reação do povo. Choraram de arrependimento pelo pecado e depois se alegraram com a promessa da restauração (Ne 8.10).

3.1.4. ISAÍAS, JEREMIAS E ZACARIAS COMO EXPOSITORES DA PALAVRA DE DEUS

Isaías viveu no turbulento período assírio, presenciando o cativeiro do seu povo. Ambos os reinos (Norte/Israel e Sul/Judá) haviam experimentado poder e prosperidade. Israel, governado por Jeroboão e outros seis reis de menor importância, haviam aderido ao culto pagão; Judá, no período de Uzias, Jorão e Ezequias, permaneceram em conformidade com a aliança mosaica, porém, gradualmente, o rigor foi diminuindo, causando um sério declínio moral e espiritual (3.8-26). Lugares secretos de culto pagão passaram a ser tolerados; o rico oprimia o pobre; as mulheres negligenciavam suas famílias na busca do prazer carnal; muitos dos sacerdotes e falsos profetas buscavam agradar os homens (5.7-12, 18-23; 22.12-14). Tudo isso deixava claro e patente aos olhos do profeta Isaías que a aliança registrada por Moisés em Deuteronômio (30.11-20), havia sido inteiramente violada, portanto, a sentença divina estava proferida, o cativeiro e o julgamento eram inevitáveis para Judá, assim como era para Israel.

Durante a segunda metade do século VIII, a.C, o profeta Isaías bateu de frente com os governantes em razão de sua hipocrisia (1.10-15), ganância (5.8), autossatisfação (5.11) e cinismo (5.19). A nação estava em declínio moral como consequência desses pecados, no entanto, Deus levanta Isaías como arauto para anunciar o destino da nação, caso não haja mudança de conduta (6.11-13). Porém, este mesmo povo que se encontra no pecado, longe dos preceitos de Deus, é agora chamado ao arrependimento através da pregação de Isaías: “Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” (Is 55.6-7).

OSWALT (2011), comentando estes versículos diz:

“O Senhor tem se aproximado de seu povo, não só na obra do Servo que já foi predita, mas também na proclamação do profeta em todo o livro, especialmente do capítulo 40 em diante. É evidente que ele está mais pronto a deixar-se encontrar. Ele (o Senhor) quer confortar o desesperado, perdoar o pecador e libertar o preso” (OSWALT, 2011, p. 536).

Para STOTT (2008, p. 86), “a verdadeira função do pregador é incomodar as pessoas que estão acomodadas e acomodar as que estão incomodadas”. Por conseguinte, NILTON (2008, p. 86), disse que “o propósito da pregação é quebrar o coração duro e curar o coração quebrado”. O profeta Isaías foi tremendamente usado por Deus para trazer o povo ao arrependimento através do pronunciamento das Escrituras.

Da mesma forma, o profeta Jeremias foi um proclamador da Palavra de Deus. Quando Deus chamou Jeremias para ser profeta (1:5), ele não queria aceitar: "Ah! Senhor Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança" (1:6). O Senhor respondeu que ele lhe daria as palavras e que ele determinaria a proclamação (1:7). Também ele se comprometeu a estar com Jeremias: "Não tenha medo deles, pois eu estou com você para protegê-lo" (1:8). O Senhor também concedeu a Jeremias os recursos dos quais ele precisaria para resistir aos ataques dos inimigos.

“Eis que hoje te ponho por cidade fortificada, por coluna de ferro e por muros de bronze, contra todo o país, contra os reis de Judá, contra os seus príncipes, contra os seus sacerdotes e contra o seu povo. Pelejarão contra ti, mas não prevalecerão; porque eu sou contigo, diz o Senhor, para te livrar” (1. 18, 19).

Deus já deixou Jeremias prevenido dos esforços dos oponentes, mas lhe deu plena certeza da presença dele para capacitá-lo a encarar todas as dificuldades. Jeremias pregou ousadamente o que fora determinado pelo Senhor: “Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas” (2.13). Jeremias expôs ousadamente a infidelidade e a insensatez do povo de Judá por ter abandonado a única fonte do bem e por ter corrido atrás dos ídolos vazios.

Não se pode esquecer, também, do profeta Zacarias que foi um arauto do Senhor e grande expositor das Escrituras. Estudiosos afirmam que o panorama histórico de Zacarias é o mesmo de Ageu, no entanto, seus ministérios foram diferentes. Enquanto Ageu teve um ministério focado na reconstrução do templo, o de Zacarias foi extensivamente designado para encorajar o povo de Deus em relação ao bem-estar da cidade de Jerusalém e do futuro que estava por vir. A mensagem foi de repreensão, exortação e incentivo. O profeta censurou a comunidade pós-exílica por ter perpetuado os maus caminhos e atos de seus ancestrais. Ele diz:

“Portanto, dize-lhes: assim diz o Senhor dos Exércitos: Tornai-vos para mim, diz o Senhor dos Exércitos, e eu me tornarei para vós outros, diz o Senhor dos Exércitos. Não sejais como vossos pais, a quem clamavam os primeiros profetas, dizendo: assim diz o Senhor dos Exércitos: Convertei-vos, agora, dos vossos maus caminhos e das vossas más obras; mas não ouviram, diz o Senhor. Vossos pais, onde estão eles? E os profetas, acaso, vivem para sempre?” (Zc 1 3-5).

É impressionante como a fé decaída de uma comunidade pode ser reanimada pela pregação de um profeta sincero e fervoroso, o qual, mesmo não sendo um gênio, possui uma grande fé! Zacarias viu a possibilidade de uma repentina e decisiva intervenção da parte de Javé em favor de Israel.

3.2. A trajetória da pregação expositiva no Novo Testamento

O método expositivo de pregação é enfatizado não somente no Antigo Testamento, mas também no Novo Testamento. Uma herança que foi recebida dos profetas e teve sequência no ministério terreno de Jesus Cristo e, consequentemente, dos apóstolos. O ministério dos apóstolos não se resume apenas em curas e milagres, mas eles eram, acima de tudo, pregadores da Palavra de Deus, “e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra” (At 6.4). Ainda no livro de Atos dos Apóstolos temos a seguinte informação: “Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja de Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria. Entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra (At 8.1,4)”.

Através da perseguição, do martírio de muitos que se dispuseram a entregar suas vidas por amor à proclamação da Palavra de Deus, a mensagem foi espalhada mais longe e mais rapidamente. Tertuliano, um dos pais da igreja, considerado o pai da teologia latina em função do grande impacto que teve sobre a igreja ocidental chegou a afirmar as seguintes palavras: “O sangue dos mártires é a semente da igreja” (MACGRATH, 2007, p. 39). Talvez o cristianismo não se expandisse de maneira tão bem-sucedida caso o império Romano não tivesse existido. Poder-se-ia dizer que o império nada mais era que o combustível à espera da faísca da fé cristã.

A pregação sempre foi e será a função decisiva na vida da igreja. O Senhor Jesus, antes de ser assunto aos céus, disse: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). A pregação é múnus profético, apostólico e cristão. Pois as Escrituras afirmam, “Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas” (Rm 10.15b).

3.2.1. A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DE JOÃO BATISTA

João Batista foi, sem sombra de dúvidas, um dos mais destacados personagens do Novo Testamento, pois fora vocacionado por Deus para introduzir o ministério terreno do Senhor Jesus e o fez com dignidade e grandeza. Como os destemidos profetas do Antigo Testamento, João Batista combateu tenazmente a hipocrisia, a maldade e a desonestidade existentes em sua época, opondo-se abertamente à crise moral (Lc 3.1), social (Lc 3.11), econômica (Lc 3.10-14), política (Lc 3.1,14) e espiritual (Lc 3.2,8) naqueles dias.

Em um contexto de sequidão espiritual, no qual o pecado reinava do palácio à choupana, João Batista veio para confrontar a nação de Israel com a Palavra de Deus.

“Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus. Porque este é o referido por intermédio do profeta Isaías: Voz do que clama do deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (Mt 3. 1-3).

A Bíblia diz que o povo, tanto de Jerusalém, como também da Judeia, afluiu em direção ao deserto para vê-lo pregar (Mt 3.5), de forma que ao serem impactados pelo poder da Palavra de Deus eram, então, batizados (Mt 3.6). João Batista estava longe dos holofotes, não pregava sob as luzes da ribalta e tinha o deserto como lugar para ensinar os preceito de Deus. Mesmo não estando em um ambiente sofisticado, ainda assim, o relato bíblico nos mostra que grandes multidões iam ao deserto somente para ouvi-lo, ao ponto de o interrogarem-no sobre o que fazer (Lc 3.10-14).

João Batista pregava como quem possui um coração cheio de fogo. Ele não somente proclamava a Palavra de Deus, mas era boca de Deus a uma geração que estava caminhando a passos largos rumo à perdição. A mensagem de João Batista não era dele mesmo, mas era a Palavra dinâmica do próprio Deus e somente a Palavra de Deus, sob a unção do Espírito Santo, pode trazer transformação a um povo cego pelo deus deste século.

3.2.2. A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DE JESUS CRISTO

Jesus Cristo é o verbo encarnado de Deus (Jo 1.1). Muito embora o ministério terreno de Jesus tenha alcançado os doentes, ainda assim, podemos afirmar com exatidão que a pregação era a parte central no ministério de Jesus. Ele, como o Filho de Deus encarnado, poderia muito bem ter começado seu ministério terreno fazendo milagres, “e Ele os fez”, afinal, ele mesmo é a Palavra encarnada, o mensageiro e o conteúdo da sua mensagem. Mas, o evangelista Lucas registra a trajetória de Jesus nos dizendo: “E ensinava nas sinagogas, sendo glorificado por todos” (Lc 4.15). Após sua tentação no deserto, o Senhor Jesus dirigiu-se para a cidade de Nazaré e ali fez a sua primeira exposição da Palavra de Deus, conforme está no relato do livro de Lucas 4:17-21, que diz:

“Então, Lhe deram o livro do profeta Isaías, e, abrindo o livro, achou o lugar onde estava escrito: O espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor. Tendo fechado o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e todos na sinagoga tinham os olhos fitos n’Ele. Então, passou Jesus a dizer-lhes: Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir “(Lc 4.17-21).

De acordo com OLYOTT (2005, p. 31), Jesus leu, explicou e aplicou a Palavra de Deus. Jesus não era alguém que conhecia as Escrituras apenas superficialmente. O sermão do Monte é uma prova de que Jesus mantinha absoluta confiança na veracidade do Antigo Testamento. Posteriormente, quando ensinava a respeito da autoridade e poder das Escrituras, disse aos saduceus: “Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt 22.29). De acordo com Soon Woo Hong, o Senhor Jesus desenvolveu um conjunto de ensinamentos (Mc 4.2) que, em essência, representam o cumprimento do Antigo Testamento em Sua pessoa, vida, feitos, morte sacrificial e ressurreição (LOPES, 2008, p. 31). Jesus era muito diferente dos rabinos contemporâneos. Ele não só fazia o que ensinava, como também seus ensinamentos tinham autoridade divina. Os profetas do Antigo Testamento haviam proclamado: “Assim diz o Senhor...”, ao passo que Jesus proclamou: “Eu vos digo...” (LOPES, 2008, p. 31).

Jesus não somente lia as Escrituras, mas também era um especialista nato na arte de explicar as Sagradas Letras. Explicar é trazer luz, entendimento, contribuir para que determinado assunto se torne claro e compreensível. De acordo com Lucas, mesmo depois de ressurreto, Jesus explicou as Escrituras aos discípulos no caminho de Emaús. “E, começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a Seu respeito constava em todas as Escrituras” (Lc 24.27). Jesus mostrou a tais discípulos que não existe uma só parte das Sagradas Escrituras que deixam de apontar para Sua pessoa. Mostrou-lhes o caminho para entender a Bíblia (Lc 24.45) e também ensinou que o verdadeiro pregador da Palavra de Deus não deve produzir nenhum conceito inovador elaborado segundo sua própria mente, mas simplesmente trazer o testemunho daquilo que Deus já realizou em favor do seu povo (Lc 24.48).

3.2.3. A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DO APÓSTOLO PEDRO

Basta dar uma rápida olhada no Antigo Testamento e ver-se-á Deus prometendo através de vários profetas que derramaria o Seu Espírito. Moisés orou a Deus pedindo que Israel como um todo se tornasse uma nação de profetas (Nm 11.29). O profeta Joel, por sua vez, profetizou tais acontecimentos como partículas referentes ao glorioso futuro da nação de Israel.

“E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias” (Jl 2.28,29).

Da mesma sorte, o profeta Isaías diz:

“Porque derramarei água sobre o sedento e torrentes, sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade e a minha bênção, sobre os teus descendentes; e brotarão como a erva, como salgueiros junto às correntes das águas. Um dirá: Eu sou do Senhor; outro se chamará do nome de Jacó; o outro ainda escreverá na própria mão: Eu sou do Senhor, e por sobrenome tomará o nome de Israel” (Is 44.3-5).

Isaías estava prevendo que, no futuro, muitos iriam ter o privilégio de participar do novo tempo da restauração, tempo este, não somente os judeus, mas também os gentios estariam juntos confessando o nome do Senhor. Como confirmação da promessa de Deus que estava por vir, o profeta Ezequiel discorre sobre os grandes milagres que estavam para ocorrer nesse glorioso dia (Ez 36.35), dia este em que o Senhor derramaria o Seu Espírito sobre a face da terra.

O Pentecostes foi um marco na história do cristianismo. Pessoas foram impactadas pelo poder do Espírito Santo e acontecimentos miraculosos ocorreram nesse dia: “Um som como de vento impetuoso veio do céu, línguas como que de fogo pousaram sobre cada um deles e todos começaram a falar em outras línguas” (At 2.1-4). No entanto, o que se pode perceber é que o milagre, ao invés de produzir transformação e mudança de vida naquelas pessoas, causou escândalo em muitos. Muitos dos que ali estavam interpretaram o evento do Pentecostes sob a ótica da discriminação: “Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando?” (At 2.7). Outros, por sua vez, com os corações endurecidos pelo pecado, zombavam do agir de Deus dizendo que estavam todos embriagados (At 2.13).

LOPES (2008, p. 32), ao falar sobre o grande dia do Pentecostes, afirma que os milagres podem até mesmo provocar impacto, não mudanças interiores. Os milagres podem até mesmo chamar a atenção das pessoas, mas não produzem transformação de vidas. Tais acontecimentos podem abrir portas para a pregação do evangelho, mas não são o evangelho. Prova disso é que o grande número de convertidos não aconteceu até que Pedro, cheio do Espírito Santo pregou uma poderosa mensagem, de tal forma que os corações ali presentes foram derretidos pelo poder de Deus e quase três mil foram batizados (At 2.41).

Pedro expôs as Escrituras, anunciou o amor de Jesus e aplicou a Palavra de Deus aos que estavam ali presentes. Fato interessante é que, quando o Espírito Santo age, ele faz a obra de forma completa, de maneira que não se fazem necessárias invenções e novidades. Pedro, em seu discurso, pregou um sermão Cristocêntrico. Ele pregou a morte de Cristo, a ressurreição de Cristo, a ascensão de Cristo e a glorificação de Cristo. O mais impressionante é que, após o sermão, a iniciativa partiu da própria multidão: “ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: que faremos irmãos?” (At. 2.37). Pedro, por sua vez lhes respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (At. 2.38).

Outro aspecto interessante é que João Batista, quando pregava no deserto, convocava as pessoas ao arrependimento para remissão de pecados (Mc 1.4). O próprio Senhor Jesus Cristo, ao ser confrontado pelos fariseus, disse: “Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento” (Lc 5.32). Pedro, da mesma forma, começou seu sermão falando de arrependimento: “Arrependei-vos” (At 2.38). É impossível haver salvação sem que, em primeiro lugar, haja arrependimento. A verdadeira pregação confronta o pecador e o induz à necessidade de arrepender-se. Muitos dos que estavam ali presentes no dia do Pentecostes, talvez não passassem apenas de frequentadores do templo. Outros, por sua vez, possivelmente, carregavam consigo a tradição herdada de seus ancestrais e outros, ainda, carregavam a máscara da religiosidade, mas tinham uma necessidade única: precisavam desesperadamente de transformação de vida.

Pedro foi impulsionado pelo Espírito a pregar um sermão específico em relação ao que Deus havia prometido. “Para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2.38). Somente depois de genuíno e verdadeiro arrependimento é que pode haver perdão e, posteriormente, salvação. Em primeiro lugar, o sermão de Pedro confrontou as pessoas presentes à necessidade de arrependimento e, somente após a transformação realizada através da eficácia da Palavra de Deus, é que veio o crescimento numérico da igreja. EBY (2001), ao falar sobre o crescimento numérico como consequência do sermão de Pedro, afirma o seguinte:

“Por fim, nosso sonho inclui crescimento numérico: números que falem de indivíduos que foram transformados pelo evangelho; números que representem pecadores trazidos das trevas para a luz, e do poder de Satanás ao poder de Deus, por meio da cruz. O crescimento de conversões é seu forte desejo íntimo. E também era definitivamente de interesse para Lucas e para o Espírito Santo, porque está enfaticamente registrado para sempre: “e naquele dia agregaram-se quase três mil almas” (At 2. 41), (EBY, 2001, p. 28).

3.2.4. A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DO APÓSTOLO PAULO

Indiscutivelmente o apóstolo Paulo foi o maior pregador da história do cristianismo. Um homem que outrora fora um perseguidor dos cristãos, que lançava famílias inteiras na prisão por causa do evangelho, agora, após sua conversão, começou a pregar imediatamente (At 9.20). Paulo foi o maior plantador de igrejas da sua época. Um defensor da fé cristã que proclamava o evangelho com ousadia por onde passava e, ainda hoje, abençoa imensamente o povo de Deus através das cartas de sua autoria.

LOPES (2008), ao falar sobre a vida e ministério do apóstolo Paulo, afirma que:

“A fim de cumprir seu ministério, enfrentou conflitos, cadeias e muitos problemas e tribulações. Foi perseguido, preso, açoitado e apedrejado. Suportou pobreza, desprezo e abandono. Para cumprir seu ministério, viajou por todo o Império Romano, foi missionário além das fronteiras, cruzou desertos, navegou por mares bravios, pregou a Palavra de Deus em muitas cidades, povoados, templos, sinagogas, praças, ilhas, praias, escolas, tribunais e prisões. Pregou a grandes multidões, a pessoas livres e escravas, a vassalos e reis, a sábios e a iletrados, a judeus e gentios. Pregou sempre com grande entusiasmo, com saúde ou enfermo, como prisioneiro ou liberto, amado ou odiado, aplaudido ou apedrejado, na abundância e na pobreza. Fez três viagens missionárias pregando o evangelho e plantando igrejas para a glória de Deus e para a expansão do reino de Deus” (LOPES, 2008, p. 35 – 36).

Paulo respirava as Escrituras. Homem culto, piedoso e que, acima de tudo, era um grande expositor da Palavra de Deus. O apóstolo Paulo tinha os Escritos Sagrados em mais alta estima, ou seja, um conceito elevado das Escrituras como Palavra inspirada de Deus. Prova disso é que ele disse: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (II Tm 3.16,17). DEVER (2010, p. 17), cita o grande pastor puritano Richard Baxter, afirmando que, “Todas as igrejas tanto crescem quanto diminuem conforme o ministro cresce ou diminui, não em riquezas e bens materiais, mas em conhecimento, zelo e capacidade para a sua missão”. O conhecimento sólido da inerrância, infalibilidade e supremacia das Escrituras deve ser o principal requisito no ministério de um fiel expositor da Palavra de Deus.

Paulo também tinha plena convicção de que não existe outro evangelho a ser pregado aos homens. Escrevendo aos Gálatas, ele disse: “mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gl 1.8). Não existe outro meio de ser um fiel expositor das Escrituras a não ser reconhecendo a integridade absoluta da palavra de Deus. Paulo acreditava piamente que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele crê em Jesus Cristo como único e suficiente salvador (Rm 1.16) e que a pregação é o meio usado por Deus para alcançar os perdidos (Rm 10.17).

Outro aspecto interessante é que, apesar de erudito, estudioso e um grande expositor das Escrituras, Paulo não descarta sua dependência e necessidade do poder do Espírito Santo para que o evangelho seja eficazmente anunciado através de sua pessoa. Por mais pura que seja a pregação, ela não surte nenhum efeito sem a ação do Espírito Santo. JONES (1976) declara:

“O fato é que, se não houver poder, não haverá pregação. Afinal de contas, a verdadeira pregação consiste na atuação de Deus. Não se trata apenas de um homem proferindo palavras; é Deus quem o está usando. O pregador está sendo usado por Deus. Está debaixo da influência do Espírito Santo. A verdadeira pregação é aquilo que Paulo chama de “demonstração do Espírito e de poder” (1 Co 2.4). Ou, então, conforme ele o expressa em 1 Tessalonicenses 1.5: “O nosso evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito santo e em plena convicção”. Aí ele está: é um dos elementos essenciais da pregação autêntica” (JONES, 1976, p. 93).

Falando à igreja de Corinto o apóstolo Paulo disse:

“A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus” (1 Co 2.4,5).

LOPES (2008), citando Roland Allen, diz o seguinte a respeito do ministério do apóstolo Paulo:

“Em menos de dez anos, Paulo estabeleceu a igreja em quatro províncias do império: Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia. Antes de 47 d. C., não havia igrejas nessas províncias; em 57 d.C., Paulo pôde falar como se o seu trabalho já tivesse feito. Esse é um fato realmente espantoso. Igrejas serem estabelecidas de forma tão rápida e sólida. Parece quase incrível para nós que estamos acostumados a dificuldades, incertezas, fracassos, relapsos desastrosos de nosso trabalho missionário. Muitos missionários em épocas mais recentes tiveram um número maior de convertidos do que Paulo; muitos pregaram em uma área mais ampla do que ele pregou, mas nenhum estabeleceu tantas igrejas” (LOPES, 2008, p. 39).

Como pregador expositor da Palavra de Deus, Paulo teve a oportunidade de pregar para vários e distintos grupos. Ensinou a crentes e não crentes (At 20. 20, 21, 26 e 27). Foi perseguido, apedrejado e terminou seu ministério em uma prisão; mas disse: “Por esta razão, tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com eterna glória” (II Tm 2.10). Na certeza de que havia pregado com fidelidade todo o desígnio de Deus, se despediu com as seguintes palavras: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (II Tm 4.7).

3.2.5. A pregação expositiva e as Escrituras

Concluindo sobre a exposição bíblica nas Escrituras, poderia verificar-se que ela aparece de forma destacada e bem documentada tanto no Antigo como no Novo Testamento. No entanto, não existe outra forma de pregação a não ser a que aponta para Cristo e se enquadra no padrão das escrituras. No Antigo Testamento, a exposição da Palavra de Deus levou as algumas nações ao arrependimento e novidade de vida. No Novo Testamento, a exposição das Escrituras produziu crescimento tanto qualitativo, quanto quantitativo da comunidade cristã.

Um sermão cristão sobre o Antigo Testamento necessariamente irá na direção do Novo Testamento. Isso é óbvio quando o texto contém uma promessa que é cumprida em Cristo: o pregador não pode parar na promessa, mas, naturalmente, irá prosseguir com o sermão até o seu cumprimento. O mesmo ocorre quando o texto contém um tipo que é cumprido em Cristo: o sermão vai do tipo para o antítipo. Isso também acontece quando o texto relata um tema que é mais desenvolvido no Novo Testamento: no sermão, o pregador vai do tema do Antigo Testamento para seu desenvolvimento mais completo no Novo Testamento, pois o real valor da exposição bíblica consiste em Jesus Cristo, o amém de Deus.

Quando a Palavra de Deus é pregada sob a unção do Espírito Santo os resultados são incríveis. O Senhor disse: “Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei” (Is 55.11). Sendo assim, o verdadeiro crescimento da igreja só é possível através de uma pregação pura e simples, que além de edificar o corpo de Cristo promove o Reino de Deus sobre a face da terra.

4. A relevância histórica da exposição das Escrituras

Não é preciso ser um grande estudioso do assunto para entender claramente as dificuldades que sempre estiveram presentes na vida da igreja de Cristo. Os profetas do Antigo Testamento foram perseguidos. Os apóstolos foram todos perseguidos e até mesmo o próprio Jesus, o Deus encarnado, não ficou isento de sofrer oposição e ser odiado por aqueles que odiavam o avanço do Reino de Deus. Tanto é que em seu discurso de despedida encontram-se as seguintes palavras: “No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33b).

Por volta do ano 54 d.C., Nero sobe ao poder e desemboca-se uma das mais cruéis perseguições da história contra o povo de Deus. Dez anos depois, em 64 d.C., na noite de 18 de julho de 64, Nero teve a brilhante ideia de colocar fogo em Roma, cidade que, naquela época, era a capital do império e, com vestes de ator, subiu ao alto da torre de Mecenas, de onde assistiu ao terrível espetáculo das chamas que, sem piedade, lambiam de forma destrutiva e arrasadora a cidade dos Césares. Conta a história que foram seis dias e seis noites de chamas inapagáveis. Nero queria uma cidade mais digna de sua pessoa, mais moderna. Por isso, a ideia de destruir a cidade para, então, reerguê-la a partir das cinzas. Dos quatorze bairros de Roma, dez foram completamente destruídos pelas chamas do incêndio. Os quatro bairros restantes tinham sua população composta por judeus e cristãos. Esse fato deu ao imperador Nero provas suficientes, segundo suas conclusões, para colocar a culpa do incêndio nos cristãos. Daí então, uma brutal e sangrenta perseguição desencadeou-se contra o povo de Deus (GONZÁLEZ, 2011, p. 40 – 41).

Em 66 d.C., estoura uma grande revolução na região da Palestina devido a problemas religiosos entre judeus e gregos. O imperador, na tentativa de conter o motim, envia para lá o general Tito Vespasiano para, então, colocar um fim na revolução. O apóstolo Paulo foi condenado e degolado em Roma por volta de 67 d.C. e, segundo reza a tradição, Pedro foi crucificado de cabeça para baixo. Em 68 d.C., pressionado pelo império, Nero foge de Roma e põe fim a sua própria vida. No ano 70 d.C., o imperador Tito destrói a cidade de Jerusalém e, como consequência deste ato, há uma dispersão de judeus e cristãos mundo afora.

No ano 81 d.C., Domiciano assume as rédeas do governo de Roma. Foi chamado de “o segundo Nero”. Domiciano foi o primeiro imperador a arrogar para si o título de “Senhor e Deus”. É na busca implacável de conter o avanço do cristianismo que Domiciano deporta o apóstolo João, nessa época o único sobrevivente do colégio apostólico, então pastor em Éfeso, para a ilha de Patmos (GONZALEZ, 2011, p. 43). No entanto, o cenário sangrento de perseguição e terror sobre os cristãos, faz com que alguns proeminentes pais da igreja enfatizaram a tradição da pregação expositiva já anunciada pelos profetas e apóstolos da igreja.

4.1. A exposição bíblica no ministério dos pais da igreja

Segundo historiadores, poucos sermões e informações no que concerne a pregação das Escrituras proveniente do período da Patrística sobreviveram. No entanto, o estudo desses documentos revela que, durante os três primeiros séculos, os sermões não eram bem estruturados homileticamente falando e, também, não havia muita preocupação com o tema ou unidade. De acordo com historiadores, nesse período da história da igreja, o sermão estava longe de ser um discurso formal e sua forma se assemelhava a uma homilia, denotando, então, uma pregação de estilo extemporâneo. ANGLADA (2005), diz que Justino Mártir, continua nos informando a respeito do culto dominical em meados do segundo século em Roma e o estilo de pregação comum no contexto da época:

“No dia chamado de domingo, todos os que vivem nas cidades ou no campo reúnem-se em um lugar, e as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas são lidos, o tanto que o tempo permitir; então, quando o leitor termina o presidente instrui verbalmente, e exorta os ouvintes à imitação destes bons exemplos” (ANGLADA, 2005, p. 49).

Inácio, Justino Mártir, Policarpo, que foi discípulo do apóstolo João, e incluindo outros pais da igreja, foram grandes pregadores das Escrituras Sagradas, mas como afirmado anteriormente, esses escritos não foram preservados. Os nomes de maior relevância nesse período da história da pregação são os de Orígenes, João Crisóstomo e Agostinho. De acordo com LOPES (2008, p. 41), “os primeiros quatrocentos anos da igreja produziram muitos pregadores, mas poucos verdadeiros expositores”. Alguns deles, como Justino Mártir e Tertuliano foram reconhecidos de forma equânime como apologetas. Justino Mártir endereçou sua primeira apologia ao imperador, na perspectiva de defender o cristianismo contra as interpretações distorcidas e errôneas, argumentando ser ele verdadeiro, pois o Cristo que havia morrido e ressuscitado era a personificação da verdade e também o Salvador da humanidade (LOPES, 2008, p. 41).

4.1.1. A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DE ORÍGENES

Orígenes (185-253) nasceu no Egito, em lar cristão, por volta do ano 185. Seu pai, Leônidas, foi martirizado na perseguição do ano 202; o jovem desejou acompanhá-lo, só não o fazendo porque sua mãe escondeu suas roupas. Estudou aos pés de Clemente e se tornou professor de literatura e filosofia. Com apenas 18 anos de idade, o bispo Demétrio o colocou à frente da escola catequética. Como consequência, sua fama se espalhou de tal forma que mesmo pagãos destacados iam ouvi-lo (MATOS, 2008, p. 50).

Tertuliano, aparentemente, foi o primeiro a dar o nome de sermão ao discurso cristão; enquanto que, Orígenes, o primeiro a usar o método expositivo de pregação da Palavra de Deus (LOPES, 2008, p. 41). Sua produção literária foi gigantesca, são conhecidos os títulos de cerca 800 de suas obras, no entanto, a maior parte se perdeu com o passar dos anos. Muitos de seus escritos são voltados para a área de exortações morais e seus muitos comentários bíblicos, dos quais subsistem grandes porções dos referentes a Mateus, João, Romanos e Cantares de Salomão (MATOS, 2008, p. 50-51). Seus sermões, embora demonstrem grande labor exegético, quase sempre degeneram em alegorias. Não obstante, ele é super reconhecido por duas grandes contribuições à pregação cristã. Primeiro, dele foram preservados os mais antigos sermões em forma de discurso em passagens bíblicas específicas, onde o texto é explicado e aplicado. Segundo, ele é conhecido por ser o primeiro grande expositor a pregar as Escrituras de forma sequencial em livros inteiros da Bíblia, como fez, por exemplo, com o Evangelho de João (ANGLADA, 2005, p. 50).

O panorama histórico nos oferece pouco a respeito do método de exposição bíblica de Orígenes, entretanto, sua abordagem é de essencial importância para que se possa entender o surgimento da pregação expositiva no contexto dos pais da Igreja. Visto que Orígenes foi acima de tudo um intérprete das Escrituras, considerando sua abordagem exegética. Orígenes cria firmemente na inspiração de cada palavra da Bíblia, mas entendia que se deve buscar, por trás do sentido literal do texto, outro mais profundo, espiritual (MATOS, 2008, p. 51). Dedicava-se ao propósito da passagem, e não simplesmente comentar o texto, uma cláusula após a outra.

4.1.2. A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DE JOÃO CRISÓSTOMO

O Século IV produziu muitos pregadores, dentre os quais, Basílio, Gregório de Nazianzeno, Gregório de Nissa, Ambrósio, João Crisóstomo e por último Agostinho, reconhecidamente o maior pregador da igreja ocidental. Crisóstomo e Agostinho são figuras reconhecidas pela igreja como os mais prolíferos pregadores expositivos entre o período apostólico e a Reforma Protestante.

João Crisóstomo (347-407) é considerado um dos grandes pregadores de todos os tempos. Tanto é que este estilo de pregação lhe rendeu a alcunha de príncipe da pregação expositiva. Crisóstomo, de forma especial, esteve na linha de frente da Escola de Interpretação de Antioquia e, esta por sua vez, rejeitou a abordagem alegórica da tão conhecida Escola de Alexandria. Ele era praticante da exegese literal, gramatical e histórica. Pregou de forma sequencial em diversos livros da Bíblia, entre eles, Gêneses, Salmos, Mateus, João, Atos, e Epístolas de Paulo e Hebreus, além de vários sermões em livros avulsos da Bíblia que foram pregados em ocasiões especiais (ANGLADA, 2005, p. 51).

Crisóstomo pregou durante doze anos na Catedral de Antioquia. Foi intitulado o maior pregador da igreja grega. O papa Pio X referiu-se a ele como o santo patrono dos pregadores cristãos (LOPES, 2008, p. 43). Em 397, o imperador Teodósio I o nomeou bispo da cidade de Constantinopla. Empenhou-se em reformar a vida do clero local, onde pregou de forma veemente contra o predomínio do imperador sobre a Igreja e condenou as desigualdades e injustiças sociais da cidade, tornando-se um herói da massa oprimida da população (MATOS, 2008, p. 69). Entre suas virtudes como pregador, ANGLADA (2005) cita Schaff, que menciona o seguinte:

“a profundidade do conhecimento das Escrituras, a intensa veemência, a propriedade das ilustrações e aplicações, a variedade de tópicos, a autoridade da linguagem, a elegância de estilo e ritmo fluente do seu grego, a vivacidade dramática, a maneira rápida e engenhosa das suas transições, e o magnetismo e simpatia” (ANGLADA, 2005, p. 51).

Da mesma forma, Lopes (2008), ao citar David Larsen, declara o seguinte a respeito desse poderoso expositor das Escrituras: “Ele praticamente decorou as Escrituras e pregava, de forma sistemática e consecutiva, livro após livro da Bíblia. Condenava a oratória vazia, mas usava as mais finas habilidades retóricas da época ao abrir a Palavra de Deus” (LOPES, 2008, p. 43).

João Crisóstomo é aplaudido e reverenciado constantemente como a voz que mais se destacou na oratória do púlpito da igreja grega. Entre os pais latinos, inclusive, não há quem se iguale a este gigante da exposição bíblica. Cem anos depois de sua morte, Crisóstomo recebeu o título de “o homem da boca de ouro”. Para ele, todavia, o púlpito não era simplesmente uma tribuna onde ele oferecia brilhantes peças de oratória. Ele foi, antes, a expressão oral de toda a sua vida, ou seja, palco de sua ferrenha batalha contra os poderes do mal que assolavam a população, vocação insubornável que mais tarde lhe custou a própria vida (GONZÁLEZ, 2001, p. 198).

Ao analisar a história da igreja, pode-se perceber que a maioria dos sermões existentes de Crisóstomo seguiu o método “lectio continua” de exposição bíblica. Em forte contraste com seus contemporâneos, este pai da igreja pregava exposições contínuas, versículo por versículo e palavra por palavra de muitos livros da Bíblia Sagrada. LOPES (2008), ao citar David Larsen mais uma vez, relata que:

“Sua dedicação ao texto levou-o a produzir comentários expondo versículo por versículo, e ele pregava sistematicamente livros inteiros da Bíblia, entre eles Gênesis (75 sermões), Salmos (144), Mateus (90), João (88) e várias epístolas de Paulo (244). Suas 54 mensagens sobre Atos constituem o que pode ser o primeiro verdadeiro comentário desse livro. Ele geralmente pregava por uma hora” (LOPES, 2008, p. 43-44).

João Crisóstomo era um fiel expositor das Escrituras, pois buscava o verdadeiro sentido do texto bíblico, ou seja, entendia que o sermão não é apenas uma leitura rasa das Escrituras, mas a verdadeira exposição da Palavra de Deus. STOTT (2003) destaca com veracidade quatro características da pregação desse ardoroso expositor das Escrituras:

“Primeiro era bíblica. Não somente pregava sistematicamente por vários livros bíblicos em seguida, como também seus sermões estão repletos de citações e alusões da Bíblia. Segundo, sua interpretação das Escrituras era singela e direta. Seguia a escola antioquiana da exegese “literal”, em contraste com as alegorizações alexandrinas imaginativas. Terceiro, suas aplicações morais eram aplicáveis à vida diária prática. Lendo seus sermões hoje, podemos imaginar sem dificuldade a pompa da corte imperial, os luxos da aristocracia, as corridas loucas no hipódromo, e, na realidade, a totalidade da vida de uma cidade oriental no fim do século IV. Quarto, era destemido nas suas condenações. Na realidade, “era mártir do púlpito, pois foi principalmente sua pregação fiel que provocou o seu exílio” (STOTT, 2003, p. 21).

De acordo com MATTOS (2008, p. 69), muito embora João Crisóstomo tenha dado pequena contribuição à teologia, ainda assim, ele é considerado o modelo do teólogo. Para a tradição ortodoxa oriental, o bom teólogo é aquele que ora bem e prega bem. Quando ovacionado e aplaudido pelas multidões que o veneravam como ilustre pregador, dizia: “vocês louvam o que eu disse e recebem minha exortação com ovações e aplausos, mas demonstrem a aprovação de vocês pela obediência; Este é o louvor que busco” (ANGLADA, 2005, p. 51).

GONZÁLEZ (2011), ao mencionar o sucesso obtido por João Crisóstomo como fiel expositor das Santas Escrituras, diz:

“Era monge do deserto que clamava na cidade. Era a voz do cristianismo antigo que não se dobrava às tentações do cristianismo imperial. Era um gigante cuja voz fazia tremer até os fundamentos da sociedade, não porque sua língua era de ouro, mas porque suas palavras eram do alto” (GONZÁLEZ, 2011, p. 200).

4.1.3. A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DE AGOSTINHO DE HIPONA

Aurelius Augustinus, conhecido como “Agostinho de Hipona”, ou simplesmente “Agostinho” (354-430), que foi, o detentor de uma das mais brilhantes e influentes mentes da Igreja. Atraído à fé cristã pela pregação do Bispo Ambrósio de Milão, Agostinho passou por uma dramática e dolorosa experiência de conversão ao Senhor Jesus. Ele chegou aos 32 anos de idade sem ter satisfeito o seu desejo ardente de conhecer a verdade. Certo dia, em um jardim na cidade Milão, lutando desesperadamente com as questões momentosas da natureza e destino do ser humano, quando pensou ouvir algumas crianças que estavam por perto cantarem “Tolle, lege (“toma e lê”). Sentindo que se tratava de uma orientação divina, encontrou o documento do Novo Testamento que estava à mão, incidentalmente, a carta de Paulo aos Romanos e leu as palavras decisivas “revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (Rm 13.14). Essa foi no entanto, a gota d’água para Agostinho, para quem o paganismo havia se tornado cada vez mais difícil de suportar. Toda sombra de dúvida desapareceu e a partir de então, Agostinho passou a dedicar sua capacidade intelectual extraordinária a defender e consolidar a fé cristã (MACGRATH, 2007, p. 40).

Segundo a literatura Reformada, Agostinho foi o maior pregador da Igreja Ocidental e um dos maiores nomes da igreja cristã. Estudou em sua cidade natal e depois em Madura e Cartago, vindo a destacar-se na retórica latina. Em Milão, recebeu influência da filosofia neoplatônica e impressionou-se com a eloquência erudita e com a pregação alegórica do grande Bispo Ambrósio (339-397), considerado o maior orador sacro da antiga igreja latina (MATOS, 2008, p. 83). Segundo LOPES (2008), Agostinho foi o primeiro teórico da homilética. Seu livro De Doctrina Christiana trata exclusivamente da arte da pregação. Ele foca a mensagem fundamental do cristianismo, como decodificá-la e, finalmente, como comunicá-la a outros (LOPES, 2008, p. 45). Durante toda a Idade Média, Agostinho influenciou o cristianismo de tal forma que sua obra não ficou esquecida. Sobre o impacto de Agostinho, GONZÁLEZ (2011) afirma:

“Apesar de tudo, sua obra não ficou esquecida entre os escombros da civilização que desmoronava. Agostinho foi o mestre por excelência do novo tempo. Durante toda a Idade Média, nenhum teólogo foi mais citado do que ele. Consequentemente, ele acabou sendo um dos grandes doutores da Igreja Católica Romana” (GONZÁLEZ, 2011, p. 215).

Sobre seu estilo expositivo de pregação da Palavra de Deus, LOPES (2008) afirma o seguinte:

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“Seus sermões eram exposições dos livros bíblicos, mais notavelmente os Salmos e o Quarto Evangelho. Agostinho pregou tanto sermões lectio selecta como lectio continua. Todos falados diretamente ao povo, insistindo sobre a necessidade de examinar suas vidas à luz do evangelho e de conformá-las a ele. Não pregou para impressionar, mas para leva-los para o céu” (LOPES, 2008, p. 45).

Para Agostinho, o verdadeiro propósito da pregação não é apenas no sentido de instruir, mas persuadir, mover e, acima de tudo, subjugar os ouvintes. ANGLADA (2005), ao fazer menção a uma fala de Agostinho, traz a lume um de seus comentários quando menciona a reação que anelava com a sua pregação:

“Eu me empenho com toda veemência de palavra com o propósito de desarraigar e expulsar do coração e vida deles um mal tão cruel e inveterado. Não foi, contudo, quando ouvi os aplausos, mas quando vi as lágrimas deles que achei que tinha produzido efeito. Pois o aplauso mostra que eles foram instruídos e se deleitaram, mas as lágrimas, que foram subjugados” (ANGLADA, 2005, p. 52).

Agostinho é considerado um dos maiores teólogos de todos os tempos. O que atualmente chamamos de calvinismo, nada mais é do que a doutrina de Paulo desenvolvida por Agostinho e sistematizada por João Calvino (LOPES, 2008, p. 45). Combateu os maniqueístas, os donatistas e os pelagianos no interesse de defender a pureza das Escrituras. Autor de 230 obras, seus escritos mais tarde foram fonte de consulta para os reformadores como Lutero e Calvino, mas acima de tudo, era um homem cuja a vida e ministério estavam focados completamente na Palavra de Deus (LOPES, 2008, p. 46).

Ao relatar a riqueza ministerial produzida por Agostinho, LOPES (2008) afirma:

“Agostinho, acima de tudo, era um pregador notável e um exegeta que moldou certos aspectos da pregação tanto em seus dias como hoje. Agostinho é conhecido no Ocidente como, possivelmente, o maior orador do cristianismo entre Paulo e Martinho Lutero. Agostinho pregou sem manuscrito ou notas. Acredita-se que pregou cerca de 8 mil sermões. Cerca de 685 de seus sermões foram preservados. Sua pregação era literalmente doutrinária. Podia até chorar no púlpito. O conteúdo para Agostinho era mais importante que a forma. O conteúdo é o fundamento, mas o expositor cristão deve combinar sabedoria com eloquência” (LOPES, 2008, p. 46).

4.2. A exposição bíblica no ministério dos reformadores

Muito embora alguns se intitulavam como donos da igreja, ainda assim, o que se sabe à luz das Escrituras é que o único e verdadeiro dono da igreja é o Senhor Jesus Cristo. Deus sempre preservou servos fiéis para dar prosseguimento à sua obra na face da terra. Basta olharmos para o período da Pré-Reforma e iremos nos deparar com vários líderes comprometidos com a exposição das Escrituras após um longo período de apostasia. Dentre eles, destaca-se a figura de John Wycliffe (1330-1384), homem de coração erudito, de cultura enciclopédica e, acima de tudo, um homem comprometido com a pregação e divulgação dos escritos Sagrados (MATOS, 2008, p. 127). Stott (2003) chama John Wycliffe de “estrela da alva” da Reforma. Homem que proclamou as Escrituras Sagradas como a autoridade suprema da fé e na vida, que atacava o papado, as indulgências, a transubstanciação e as riquezas da igreja (STOTT, 2003, p. 23). Possuía plena convicção de que a vocação principal do clero era pregar a Palavra de Deus. STOTT (2003) cita uma de suas falas a respeito da responsabilidade dos ministros:

“O serviço mais sublime que os homens poderão alcançar na terra é pregar a Palavra de Deus. Esse serviço é dever mais específico dos sacerdotes, e por isso Deus exige diretamente da parte deles. E por causa disso, Jesus deixava de lado outras obras e se ocupava principalmente na pregação; assim também se ocupávamos apóstolos, e, por isso, Deus os amava. A igreja, no entanto, é mais honrada pela pregação da palavra de Deus, e, daí esse é o melhor serviço que os sacerdotes prestam a Deus. Portanto, se nossos bispos não pregarem pessoalmente e se impedirem os sacerdotes verdadeiros de pregar, serão culpados dos mesmos pecados daqueles que mataram o Senhor Jesus Cristo” (STOTT, 2003, p. 23).

Da mesma sorte, John Huss (1373-1415) e Gerônimo Savonarola (1452-1498), ambos estudiosos e pregadores da Palavra de Deus. Todos estes servos de Deus foram perseguidos por causa da verdadeira pregação, chegando ao ponto de Huss e Savonarola serem martirizados pela própria igreja. A Reforma Protestante foi uma volta à Palavra de Deus. Foi sobre o alicerce da centralidade da Bíblia que a Reforma Protestante ergueu suas colunas, Sola Scriptura. A autoridade das Escrituras sobre a tradição e os sacramentos e a autoridade da igreja submetida à autoridade das Escrituras.

Os Reformadores compreendiam piamente que a Escritura é a Palavra de Deus, trazendo a lectio continua de volta a um local de destaque na adoração da igreja. Ulrich Zwinglio (1484-1531) ilustra muito bem este estilo contínuo de pregação, pois era dedicado à pregação expositiva da Palavra de Deus. Zwinglio começava com Evangelho de Mateus e o pregava inteiro, versículo por versículo, dia após dia, durante o ano inteiro. E continuou nesse propósito “de pregar a Bíblia inteira, versículo por versículo e um livro de cada vez” (LOPES, 2008, p. 48). No entanto, este trabalho concentrar-se-á em apenas dois reformadores, Martinho Lutero e João Calvino, os dois mais importantes expoentes da Bíblia no período da Reforma Protestante. Tanto Lutero quanto Calvino foram homens altamente comprometidos com a Palavra de Deus, e seus exemplos reergueram a igreja das cinzas da religiosidade sem vida.

4.2.1. A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DE MARTINHO LUTERO

Martinho Lutero (1483-1546), detentor de uma das mais sublimes e brilhantes mentes que já existiu, foi quem encabeçou o movimento da Reforma Protestante. Além de grande pregador, possuía também dotes para ensinar, preparar panfletos e atuar na tradução e composição de hinos (GONZÁLEZ, 2011, p. 31). Devido ao zelo e prestígio pela Palavra de Deus, tornou-se um ícone da Reforma Protestante, de forma que sua influência revolucionou toda a história da Igreja. Como um revolucionário a serviço do Reino de Deus, Lutero não perdia nenhuma oportunidade de engrandecer o poder libertador e sustentador da Palavra de Deus. Ele afirmou:

“A igreja deve sua vida a Palavra. As promessas de Deus são a causa da igreja, mas a igreja não é a causa das promessas de Deus. Além do mais, existem somente dois sacramentos autênticos, o “batismo e o pão”, porque somente nesses dois achamos tanto o sinal divinamente instituído quanto a promessa do perdão dos pecados. A Palavra de Deus, portanto, é indispensável para nossa vida espiritual. A alma pode dispensar de todas as coisas, menos da Palavra de Deus. Se ela possui a Palavra, é rica, e nada lhe falta, visto que esta Palavra é a palavra da vida, da verdade, da luz, da paz, da justiça, da salvação, da alegria, da liberdade. Assim é, porque a Palavra se centraliza em Cristo. Daí a necessidade de pregar Cristo com base na Palavra: ... pois pregar a Cristo significa alimentar a alma, torna-la justa, libertá-la e salvá-la, se ela crer na pregação” (STOTT, 2003, p. 24-25).

Martinho Lutero, durante seu ministério, revelou o elevado conceito que tinha a respeito das Santas Escrituras. Quando pressionado pelo imperador Carlos V, na Dieta de Worms, afirmou: “Estou certo na minha consciência e fortemente ancorado na Palavra de Deus” (STOTT, 2003, p. 23). No fim, disse o seguinte:

“Ainda que eu perdesse meu corpo e minha vida por causa da verdadeira Palavra de Deus, não poderei me afastar dela. Foi a pregação dessa Palavra divina, e não a intriga política, nem o poder da espada, que estabeleceu a Reforma da Alemanha. Eu simplesmente ensinava, pregava e citava por escrito a Palavra de Deus, fora disso, eu nada fazia nada, a Palavra tudo realizou” (STOTT, 2003, p. 26).

Lutero valorizava altamente as Escrituras em seus mínimos detalhes. E como expositor, cria que o texto deve controlar o sermão, pois o Espírito Santo não ensina nada além do que a Bíblia ensina. Sobre isto, MATOS (2008) declara:

“Lutero estabeleceu forte vínculo entre o Espírito Santo, a Palavra externa e a Bíblia. Eles formam uma unidade inseparável. O Espírito usa as Escrituras para chamar, convencer e instruir os pecadores. Ele não ensina nada além do que a Bíblia ensina. A única comprovação da veracidade e autoridade das Escrituras é o testemunho do Espírito Santo por meio dela” (MATOS, 2008, p. 145).

Pregar fazia parte do dia a dia de Lutero. Era um dos seus deveres favoritos. Começou seu ministério de pregação no monastério e continuou na universidade, frequentemente, na Town Church, às vezes, na estrada ou em viagens (LOPES, 2008, p. 49). Lopes (2008), ainda cita James F. Stitzinger, que diz o seguinte a respeito do prolífico ministério de pregação de Martinho Lutero: “Lutero provou ser um expositor ao produzir comentários sobre Gênesis, Salmos, Romanos, Gálatas, Hebreus, 2 Pedro e Judas, assim como sermões sobre os Evangelhos e Epístolas” (LOPES, 2008, p. 49).

Muitos dos sermões de Lutero foram preservados e publicados. Muito embora não fosse um pastor formal, ainda assim, foi um dos que pregou com mais frequência e, devido à sua habilidade nos escritos originais, provavelmente foi o pregador de mais autoridade entre os demais. Defendeu a pregação para os mais humildes e refutou a missa realizada em Latim, pois, para Lutero, pregar na língua do povo era uma forma de facilitar sua compreensão da Palavra de Deus. Valorizou grandemente a igreja e acreditava que a suprema autoridade na Igreja é a Palavra de Deus pregada e ouvida.

4.2.2. A EXPOSIÇÃO BÍBLICA NO MINISTÉRIO DE JOÃO CALVINO

Sem dúvida, o mais importante sistematizador da teologia protestante no século XVI foi João Calvino (1509-1564). Segundo Calvino, as Escrituras não precisam conformar-se à pregação; a pregação é que deve conformar-se às Escrituras. Nos dias de Calvino, o principal assunto de controvérsia era a autoridade suprema da Igreja. As tradições da igreja, os decretos impostos pelo papa e, consequentemente, as decisões oriundas dos conselhos eclesiásticos precediam a verdade contida nas Escrituras. Entretanto, João Calvino, pela graça de Deus, permaneceu firme sobre a pedra angular da Reforma, Sola Scriptura, isto é, “somente a Escritura”. Ele acreditava que as Escrituras eram o verbum Dei, ou seja, A Palavra de Deus e que somente a Palavra de Deus tinha autoridade o suficiente para regulamentar a vida da igreja e não os papas, conselhos ou tradições (LAWSON, 2008, p. 34). Ele considerava a explicação das Escrituras a parte mais importante do culto cristão, pois dizia: “O que Deus tem a dizer ao homem é infinitamente mais importante do que as coisas que o homem tem a dizer para Deus” (LAWSON, 2008, p. 38).

Calvino cria que, quando a Bíblia era aberta e explicada de forma correta e coerente, a soberania de Deus era manifestada para a congregação imediatamente. Como erudito e conhecedor dos idiomas originais, quando pregava no Antigo Testamento, o texto era traduzido diretamente do hebraico. Quando pregava sobre o Novo Testamento, pregava diretamente no grego original. Em suas pregações, sempre tinha à sua frente um Antigo Testamento hebraico ou um Novo Testamento grego e, geralmente, não usava quaisquer anotações em seus sermões (LOPES, 2008, p. 50). Suas pregações eram repletas de conteúdo bíblico. Muito embora tivesse obtido uma formação humanística, Calvino rejeitou toda teologia de cunho natural e especulativa, optando pelas Escrituras como o caminho mais seguro para o conhecimento de Deus (MATOS, 2008, p. 156). Sua preocupação era levar as pessoas a uma adoração apropriada de Deus, pois, para tanto, não existe outro meio a não ser as Escrituras. Sobre este fato MACGRATH (2007) comenta dizendo:

“É precisamente porque Calvino atribui uma importância suprema à adoração apropriada de Deus, à medida que este revelou a si mesmo em Jesus Cristo, que ele considera tão importante reverenciar e interpretar, corretamente, o único meio através do qual se pode obter o pleno e definitivo acesso a esse Deus, as Escrituras” (MACGRATH, 2007, p. 157).

Citando Parker, LOPES (2008) considera a pregação de Calvino dizendo:

“Domingo após domingo, dia após dia, Calvino subia as escadas do púlpito. Ali ele guiava pacientemente a congregação, versículo por versículo, livro após livro da Bíblia. O que o levava a pregar e a pregar como fazia? O impulso ou compulsão de pregar era teológico. Calvino pregava porque cria. Pregava como fazia por acreditar no que fazia” (LOPES, 2008, p. 50).

O grande reformador de Genebra tinha plena consciência de que a autoridade de sua pregação não se encontrava nele mesmo. Ele disse: “quando subimos ao púlpito, não levamos conosco nossos sonhos e nossas fantasias”. Ele sabia que assim que os homens se afastam da Palavra de Deus, ainda que seja em pequena proporção, eles pregam nada mais que falsidades, vaidades, mentiras e enganos. É tarefa do expositor bíblico, dizia ele, fazer com que a suprema autoridade da Palavra divina influencie seus ouvintes (LAWSON, 2008, p. 35). Para Calvino, a primeira marca de uma igreja verdadeira é a pregação fiel da Palavra de Deus. Sobre este fato STOTT (2003) comenta:

“Enquanto Calvino escrevia suas Institutas na paz comparativa de Genebra, ele, também, exaltava a Palavra de Deus. Em especial, enfatizava que a primeira marca, a principal, de uma igreja verdadeira, era a pregação fiel da Palavra. Sempre onde vemos a Palavra de Deus pregada e ouvida com pureza, escreveu ele, e os sacramentos administrados segundo a instituição de Cristo, ali, não se pode duvidar, existe uma igreja de Deus” (STOTT, 2003, p. 26).

Como ministro titular em Genebra, Calvino pregava duas vezes aos domingos e todos os demais dias da semana em semanas alternadas, de 1549 até sua morte em 1564. Calcula-se que tenha pregado mais de dois mil sermões somente no Antigo Testamento. Passou um ano fazendo a exposição de Jó e três anos em Isaías (LOPES, 2008, p. 52). Sob a administração de Calvino, Genebra alcançou crescimento espiritual, moral e material. LAWSON (2008) cita James Montgomery Boyce que afirmou o seguinte sobre Calvino e sua obra em Genebra:

“Calvino não tinha outra arma senão a Bíblia... Ele pregava a Bíblia todos os dias, e, sob o poder desta pregação, a cidade começou a ser transformada. Conforme o povo de Genebra adquiria conhecimento da Palavra de Deus e era transformado por ela, a cidade tornou-se, como John Knox chamou-a mais tarde, uma Nova Jerusalém, de onde o evangelho espalhou-se para o resto da Europa, para a Inglaterra, e para o Novo Mundo” (LAWSON, 2008, p. 15).

As pregações de João Calvino eram consideradas amplas e minuciosas acerca das Escrituras. Este era o sentimento presente na pregação de Calvino. Do começo ao fim, era Soli Deo Gloria: Somente para a honra e majestade de Deus (LAWSON, 2008, p. 79). Seu ministério teve ampla influência na cidade de Genebra como em todo mundo da Época. De todas as partes chegavam estudantes para estudar e serem treinados para o sagrado ministério aos pés de João Calvino. Sobre este fato GONZÁLEZ (2011) registra:

“Naquela academia, a juventude genebrina se formou segundo os princípios calvinistas. Porém, seu principal impacto se deve a que pessoas procedentes de vários outros países cursaram nela estudos superiores. Depois elas levaram o calvinismo a seus países” (GONZÁLEZ, 2011, p. 69).

Do começo ao fim de seu ministério, Calvino manteve sua pregação singularmente focalizada na explicação do significado planejado por Deus para o texto bíblico. Como Parker escreveu: “A pregação expositiva consiste na explanação e aplicação de uma passagem das Escrituras. Sem explanação ela não é expositiva; sem aplicação ela não é pregação” (LAWSON, 2008, p. 79). Calvino se dedicou com rigor a esta tarefa. Beza afirmou sobre a pregação de Calvino que “Cada palavra pesava uma libra”. Calvino exerceu influência em vários de seus contemporâneos, dentre os quais Henry Bullinger (1504-1575) e o reformador John Knox (1513-1572), (LOPES, 2008, p. 52). Anos depois, Charles Haddon Spurgeon expressou as seguintes palavras a respeito de João Calvino: “Nenhum outro homem pôde expressar, conhecer e explicar as Escrituras de forma mais clara do que a forma como Calvino o fez” (LAWSON, 2008, p. 119).

4.3. A exposição bíblica de Calvino à era moderna

A história da Igreja está repleta de exemplos de bons pregadores, como os já citados João Crisóstomo, Agostinho e os resultados gloriosos que a pregação expositiva proporcionou à igreja de Cristo. Onde a Palavra foi pregada com fidelidade a igreja experimentou resultados satisfatórios. Com a Reforma Protestante, com a volta às Escrituras, a igreja se reergueu das cinzas do descrédito e multidões foram transformadas pelo poder da Palavra de Deus. Martinho Lutero e João Calvino foram expositores fiéis da Palavra de Deus.

Os puritanos são herdeiros leais do movimento reformado. Viveram em uma época de perseguição e martírio. Criam na soberania de Deus, na supremacia das Escrituras e na importância da pregação expositiva. Colocavam o púlpito no centro do templo, mostrando a centralidade e primazia da pregação. Pregavam com ardor e sentido de urgência. Richard Baxter, o mais conhecido de todos os expoentes puritanos, certa vez disse: “Preguei como se tivesse certeza de que nunca mais pregaria. Preguei como um homem prestes a morrer, para pessoas que estão mortas em seus pecados” (MOHLER, 2009, p. 143). O objetivo do puritano era tornar seus ouvintes melhores cristãos, pois, consideravam o evangelho o remédio para a alma (LOPES, 2008, p. 58).

O século XVIII também foi beneficiado através do ministério de vários pregadores de grande destaque. Na Inglaterra, John Wesley e George Whitefield foram os nomes mais famosos na área da pregação. Ambos foram missionários na América, na Nova Inglaterra. Da mesma forma, Howell Harris e William Williams, no País de Gales, destacaram-se como pregadores e poderosos reavivalistas. Na América do Norte, Jonathan Edwards destacou-se como a maior figura do puritanismo. David Vaughan, falando sobre a espiritualidade de Edwards afirma:

“A espiritualidade de Edwards apresentava-se não só numa profunda humildade, mas também numa profunda santidade. Todos que o conheciam ficavam impressionados com sua integridade, honestidade, imparcialidade e modéstia; tudo isso estava arraigado na conformidade de sua alma à vontade de Deus” (LAWSON, 2010, p. 77).

O século XIX, por sua vez, experimentou uma série de grandes despertamentos na Inglaterra, no País de Gales, Escócia e América do Norte. No entanto, a igreja sofreu grande perseguição ideológica. Nacionalismo, evolucionismo e liberalismo teológico produziram grande devastação na igreja. O iluminismo, com seu ponto de vista centrado no homem, considerou a razão humana o juiz supremo de tudo, rejeitou os milagres, a revelação e as doutrinas sobrenaturais, como a encarnação e a redenção (LOPES, 2008, p. 60-61).

O século XX, também produziu grandes expositores das Escrituras. E ainda assim, alguns deles foram e continuam sendo grandes pregadores da Palavra de Deus. Marcado por grande entusiasmo, com o avanço da ciência, a humanidade no auge das conquistas e muitas nações se orgulhando de sua prosperidade, o humanismo em ascendência colaborou para que no mínimo duas guerras demonstrassem a brutalidade de seres sem o temor de Deus. Ainda assim, a Palavra de Deus, que é infalível, continuou produzindo transformação. Dietrich Bonhoeffer (1906-1945) que foi capturado pelos nazistas em abril de 1943, passou dois anos na prisão e foi enforcado em abril de 1945 (BROWN, 2007, p. 171). Ele ressaltava de forma tão veemente a importância da pregação ao ponto de dizer:

“O mundo existe com todas as suas palavras por causa da palavra proclamada, no sermão, lança-se o fundamento para um novo mundo. Nele a palavra original torna-se audível. Não é possível fugir nem se afastar da palavra dita no sermão; nada nos livra da necessidade desse testemunho, nem sequer o culto ou a liturgia. O pregador deve estar seguro de que Cristo entra na congregação mediante essas palavras da Escritura por ele proclamadas” (LOPES, 2008, p. 64).

O Dr. Martyn Lloyd-Jones (1899-1981) foi o sucessor de George Campbell Morgan (1863-1945), na Capela de Westminster em Londres. Lloyd-Jones deu grande importância a pregação expositiva. Dizia: “Qual é a principal finalidade da pregação? Gosto de pensar que é esta: dar a homens e mulheres o senso de Deus e de sua presença” (JONES, 1976, p. 95).

Muitos outros pregadores influenciaram e ainda influenciam a exposição bíblica no século XX, dentre os quais John Stott, W. A. Criswell, John MacCarthur, Ray Stedman, John Piper e outros. A história da igreja está repleta de bons pregadores, que através da exposição puramente bíblica, conduziram o corpo de Cristo ao genuíno crescimento. A Reforma Protestante, a volta às Escrituras, proporcionou grande despertamento e inúmeras vidas foram transformadas pelo poder de Deus mediante a exposição bíblica. Da mesma forma, os puritanos alcançaram grande êxito fazendo uso do mesmo estilo de pregação. Portanto, este capítulo afirma que a exposição puramente bíblica foi a causa do triunfo do cristianismo e do crescimento da igreja. De modo que, afirma-se que a exposição bíblica, muito embora não seja o único fator, sem ela, é impossível estabelecer uma igreja forte e saudável. João Calvino dizia: “Deus cria e multiplica sua igreja somente por meio de sua Palavra. É só pela pregação da graça de Deus que a igreja escapa de perecer” (LAWSON, 2008, p. 43).

5. A exposição bíblica e a igreja contemporânea

A confissão de Fé de Westminster (2001) declara:

“Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência manifestam de tal modo a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, todavia não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e de sua vontade, necessário à salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isso torna a Escritura Sagrada indispensável, tendo cessado aqueles antigos modos de Deus revelar a sua vontade ao seu povo” (WESTMINSTER, 2001, p. 15).

Da mesma sorte, a Confissão de Fé Congregacional (2015), declara o seguinte a respeito da Palavra de Deus:

“Por esta fé, o cristão crê ser verdadeiro tudo quanto está revelado na Palavra, pois a autoridade do próprio Deus fala em Sua Palavra; e age de conformidade com o que cada trecho específico da mesma contém, obedecendo aos mandamentos, tremendo ante suas ameaças, e abraçando as promessas de Deus para esta vida e a vida por vir” (CONGREGACIONAL, 2015, p. 69).

A supremacia da Palavra de Deus e a primazia da pregação pura são elementos indispensáveis em relação ao crescimento saudável da igreja de Cristo. Não existe outro meio pelo qual se possa proclamar as verdades contidas nas Escrituras, a não ser através da verdadeira pregação. DEVER (2007) salienta: “A primeira marca de uma igreja saudável é a pregação expositiva. Não é somente a primeira marca; é a mais importante de todas as marcas, porque, se você desenvolvê-la corretamente, todas as outras a seguirão” (DEVER, 2007, p. 40).

A Bíblia é a regra suprema de doutrina e de vida, de fé e prática (2 Tm 3.16,17). A Bíblia não é somente poderosa, ela é inigualável. CHAPELL (2007), trabalha cinco princípios pelos quais podemos perceber o poder transformador da Palavra de Deus:

Cria: “Disse Deus; Haja luz; e houve luz” (Gn 1.3). “pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou e tudo passou a existir” (Sl 33.9).

Controla: “Ele envia as suas ordens à terra, e sua palavra corre velozmente; dá a neve como lã e espalha a geada como cinza. Ele arroja o seu gelo em migalhas... manda sua palavra e o derrete” (Sl 147. 15-18).

Persuade: “... mas aquele em quem está a minha palavra fale a minha palavra com verdade (...) diz o Senhor. Não é a minha palavra fogo, diz o Senhor, e martelo que esmiúça a penha?” (Jr 23.28,29).

Cumpre seus propósitos: “ Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que reguem a terra... assim também será a palavra que sair da minha boca; não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a designei” (Is 55.10,11).

Anula os motivos humanos: Na prisão, o apóstolo Paulo se regozijava, porque quando outros pregavam a palavra, “... quer por pretexto, quer por verdade”, a obra de Deus seguia adiante (Fp 1.18)” (CHAPELL, 2007, p. 18-19).

O apóstolo Paulo escreveu: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2Tm 3.16). Não são as novidades do mercado da fé que irão fazer da igreja uma entidade pura e imaculada, mas as finas iguarias encontradas na Palavra de Deus. A respeito da importância e centralidade das Escrituras na vida da igreja, LOPES (2008) afirma:

“A Bíblia é a escola do Espírito Santo em que o homem aprende tudo que é necessário e prático para ter uma vida abundante. É o livro por excelência, inspirado por Deus, escrito por homens, concebido no céu, nascido na terra, odiado pelo inferno, pregado pela igreja, perseguido pelo mundo e crido pelos eleitos de Deus” (LOPES, 2008, p. 72).

A igreja contemporânea precisa desesperadamente de uma volta completa às Escrituras, pois somente a Bíblia que é a Palavra de Deus triunfou diante de todas as adversidades impostas pelo inimigo da noiva de Cristo. O profeta Isaías disse: “seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente” (Is 40.8). Da mesma forma, o Senhor Jesus Cristo afirma: “passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão” (Mt 25.35).

A falta de crescimento sadio na maioria das igrejas protestantes da atualidade, nada mais é, do que uma consequência viva e direta da ausência da centralidade das Escrituras nos púlpitos (LOPES, 2008, p. 81). O principal problema das igrejas atuais é que a maioria dos seus líderes não estão cumprindo o IDE de Jesus. O mandamento do mestre é que a Palavra seja pregada em todo o mundo (Mc 16.15). Contudo, as igrejas têm substituído o mandamento de Cristo por aquilo que, via de regra, agrada o coração do homem. Muitos líderes estão trocando a pregação da Palavra de Deus por teatro, danças e modismos que não edificam em nada a vida da igreja. Segundo BOYCE (2003), não temos sido vitoriosos no que diz respeito ao crescimento da igreja pelo motivo de não sermos suficientemente obedientes ao chamado de Jesus de nos importar como ele se importa e fazer como ele fez (BOYCE, 2003, p. 28). BOYCE (2003) cita Cal Thomas e Ed Dobson quando diz:

“Não temos deficiência de líderes, mas de seguidores do Líder que pode transformar vidas e nações. Não precisamos alargar nossas visões, mas fazê-las menores e mais focalizadas. Não precisamos mais números, mas mais qualidade e consistência entre os números que já temos. Precisamos de mais pessoas que façam coisas da maneira de Deus e menos pessoas fazendo coisas do jeito do homem” (BOYCE, 2003, p. 28).

5.1. O que não é exposição bíblica

MICHELÉN (2018) Diz: “Sermão expositivo não é pegar uma passagem da Bíblia e explicar o significado de cada versículo e de cada palavra importante que vamos encontrando no caminho”. Quando isso acontece, o pregador deixa de ser um expoente da Palavra para se transformar em uma espécie de comentário bíblico ambulante. E afirma também que “não é usar o púlpito para dar uma aula seca e pouco fértil de interpretação bíblica que deixa os ouvintes confusos e irritados, tentando discernir qual é a mensagem de Deus para eles”.

BAXTER (2008) dizia que: “É de doer o coração, ver pecadores, mortos e entorpecidos, assentados para receber uma mensagem de vida, e não ouvirem do pastor nenhuma palavra que os desperte” (BAXTER, 2008, p. 126). Por mais agradável, alegre e prazeroso que seja o culto, se não houver pregação genuína da Palavra de Deus para transformação de vida, tal culto é inútil. A Confissão de Fé de Westminster declara que “O arrependimento para a vida é uma graça evangélica, doutrina esta que deve ser pregada por todo ministro do Evangelho, tanto quanto a da fé em Cristo” (WESTMINSTER, 2001, p. 118).

Infelizmente, pessoas têm se deslocado para algumas igrejas em busca de Deus, mas ao invés disso, têm encontrado muito do homem. O pregador precisa estar cheio da verdade de Deus; se a mensagem tem um pequeno custo para o pregador, também terá um pequeno valor para a congregação (LOPES, 2008, p. 77). A verdadeira exposição bíblica que também é teológica não é fácil. A disciplina rígida necessária para interpretar corretamente a Escritura é um fardo constante e a mensagem que somos solicitados a proclamar frequentemente é ofensiva, por isso, muitos optam por não confrontar os ouvintes com a Palavra de Deus, mas, pregar em suas igrejas palavras de morte que afagam o ego do ser humano.

Na igreja dos dias atuais, alguns pastores são encorajados a fazer de tudo um pouco. A regra é agradar, manter o templo cheio, não confrontar, pois, tal ato pode esbarrar em algum pecado particular de alguém e a saída deste prejudica a arrecadação da igreja. Coaduna-se com MACCARTHUR (2010) quando diz:

“Atualmente, os pastores enfrentam uma pressão rígida para fazer de tudo, exceto isso. Eles são encorajados a ser contadores de histórias, comediantes ou palestrantes motivacionais. São alertados para evitar assuntos que as pessoas consideram desagradáveis. Muitos abrem mão da pregação bíblica a favor de conversas superficiais planejadas para fazer as pessoas se sentirem bem. Alguns até mesmo substituíram a pregação por representações dramáticas e outras formas de entretenimento encenado” (MACARTHUR, 2010, p. 132-133).

Da mesma forma, há também aqueles que se intitulam pastores, bispos e missionários e, ao invés de nutrir o povo com o trigo da verdade, estão oferecendo apenas a palha do engano. Não pregam o que é certo, mas aquilo que dá certo e, com isso, cada vez mais o templo vai se transformando em um mercado e os crentes consumidores, que, atraídos por um discurso mentiroso, se tornam vítimas de falsos profetas que vendem a graça de Deus por dinheiro. Sobre este frequente desvio da verdade de Deus nos púlpitos de algumas igrejas contemporâneas Lopes (2004) afirma o seguinte:

“A Igreja atual está também substituindo o pão do céu por outro alimento. Está pregando o que o povo quer ouvir e não o que o povo precisa ouvir. Prega para agradar e não para alimentar. Dá palha em vez de trigo ao povo (Jr 23.28). Prega sobre saúde e prosperidade e não sobre a cruz de Cristo. Prega os direitos do homem e não a soberania de Deus. Prega sobre o que Deus pode fazer para o homem e não sobre o que Deus requer do homem. Prega sobre acumular tesouros na terra e não acerca e um lar no céu. Prega sobre libertação e não sobre arrependimento e conversão. Prega outro evangelho e não o evangelho da graça. Prega o antropocentrismo e não o teocentrismo. Não ensina que o fim principal do homem é glorificar a Deus, mas que o fim principal de Deus é agradar e exaltar o homem” (LOPES, 2004, p. 21).

O Arcebispo William Temple dizia que: “A Igreja é a única sociedade cooperativa no mundo, que existe em benefício dos que não são membros” (AGRESTE, 2007, p. 80). Mas, não é imitando as práticas do mundo que se fará com que a igreja alcance os perdidos. Tais práticas podem até agradar, podem até atrair multidões e fazer com que retornem no domingo seguinte, mas isso não é exposição bíblica. Falando a respeito do que a pregação expositiva não tem como propósito, LOPES (2008) diz o seguinte:

“A suficiência da Escritura foi abandonada para adotar outras doutrinas estranhas à Bíblia. Para agradar o mundo, muitas igrejas mudaram a mensagem e a abordagem. Para atrair pessoas, muitos pastores não pregam o que Deus manda, mas o que as pessoas querem ouvir. Eles mudaram o glorioso evangelho de Jesus Cristo por outro evangelho. De fato, a mensagem é centrada no homem, em vez de centrar-se em Deus” (LOPES, 2008, p. 98).

A verdadeira pregação das Escrituras produz uma adoração centrada em Deus e não na preferência de um auditório. Jesus disse: “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4. 24). Então, concorda-se com BAXTER (2008) quando diz:

“Um comandante traidor, que só atira contra o inimigo com balas de festim, poderá fazer tanto barulho com suas armas quanto com os que atiram com balas de Carga, mas jamais ferirá o inimigo. Desta maneira, alguém poderá fazer alarde do evangelho e falar com aparente fervor, mas raramente ferirá a satanás e suas hostes” (BAXTER, 2008, p. 65).

5.2. O que é exposição bíblica

Exposição bíblica é o texto Sagrado dirigindo o sermão. As ideias, o conteúdo, as divisões e a aplicação do sermão devem ser centrados na passagem bíblica, não nos critérios, nos pensamentos e nas opiniões dos pregadores ou teólogos. Ou seja, é “Pregar a Palavra de Deus, não sobre a Palavra de Deus”. Sendo assim, uma vez que a exposição bíblica é pregação centrada na Palavra de Deus, a tarefa do pregador é ajustar seus pensamentos à ideia real contida nas Escrituras (LOPES, 2008, p. 141).

Exposição bíblica é pregar estando a serviço da Palavra de Deus. Pressupõe a crença na autoridade das Escrituras, a crença no fato de que a Bíblia é realmente a Palavra de Deus. Os profetas do Antigo Testamento e os apóstolos do Novo Testamento receberam não uma comissão pessoal de ir e falar, mas uma mensagem particular que deveriam proclamar (DEVER, 2010, p. 42). MARINHO (2008), falando sobre o poder da pregação expositiva afirma:

“Exposição é o contrário de imposição. Essa simples declaração diz quase tudo sobre o sermão expositivo. Significa que, no sermão expositivo, você não “impõe”, ou seja, não “põe” nada no texto nem determina nada sobre o texto. Ao contrário, você “expõe” ou extrai do texto a informação, deixando que o texto determine o conteúdo e “ponha” a mensagem na vida do pregador e dos ouvintes. É aqui que está o poder do sermão expositivo e o grande desafio para o pregador, ou seja, explorar o conteúdo do texto e permitir que o poder do texto alcance o ouvinte” (MARINHO, 2008, p. 201).

Para Calvino, a pregação é a explicação das Escrituras. O texto governa o pregador. A passagem em si é a voz de Deus; o pregador, a boca e os lábios; e a congregação, o ouvido em que a voz soa (LOPES, 2008, p. 141). A pregação é Palavra de Deus porque transmite a mensagem bíblica que é aquilo que Deus tem para falar ao seu povo (ANGLADA, 2005, p. 61). Ainda, citando DABNEY, que usa o termo arauto para descrever o ofício do pregador, ANGLADA (2005) afirma o seguinte:

“Primeiro, que não lhe compete inventar sua mensagem, mas transmiti-la e explicá-la. Ele lembra, por outro lado, que o arauto “não transmite a mensagem como mero instrumento sonoro, como uma trombeta ou tambor; ele é um meio inteligente de comunicação... ele tem um cérebro, além de uma língua; e espera-se que ele entregue e explique de tal maneira a mente do seu Senhor, que os ouvintes recebam, não apenas os sons mecânicos, mas o verdadeiro significado da mensagem” (ANGLADA, 2005, p. 62).

Charles Simeon de Cambridge, um exímio expositor das Escrituras, certa vez, em uma carta ao seu publicador, escreveu:

“Meu esforço é ressaltar num texto bíblico o que está ali, e não simplesmente jogar para dentro dele o que imagino que talvez esteja ali. Sou muito zeloso quanto a isso: nunca falar mais nem menos do que acredito ser a mente do Espírito na passagem que estou expondo” (STOTT, 2003, p. 136).

A verdadeira exposição bíblica não é apenas um mero comentário sobre uma passagem da Escritura. Muito além disso, a verdadeira exposição bíblica tem como objetivo tornar o texto bíblico útil, informativo e relevante para o ouvinte. John Stott compara o sermão a uma ponte entre dois mundos (STOTT, 2003, p. 146). Contudo, para que um sermão seja expositivo, deve estar baseado em uma passagem bíblica. O sentido real da passagem deve ser encontrado e deve estar relacionado com o contexto imediato e geral da passagem. As verdades devem ser esclarecidas e agrupadas em volta de um tema instigante. Assim, os ouvintes serão chamados a obedecer a essas verdades e aplicá-las na vida diária (LOPES, 2008, p. 143).

J. I. Packer definiu a pregação como “o evento pelo qual Deus traz ao povo uma mensagem de instrução e orientação procedentes dele mesmo, biblicamente fundamentada, impactante e que diz respeito a Cristo, através das palavras de um porta-voz” (MOHLER, 2009, p. 56). Daí então, MARINHO (2008) destaca quatro verdades as quais exemplificam as vantagens de uma mensagem expositiva da Palavra de Deus:

Garante a mensagem de Deus. Por estar baseado e estruturado num texto bíblico, não há o risco de se pregar um assunto supérfluo, já que o próprio texto é a mensagem cujas ideias serão apresentadas no sermão.

Honra a Bíblia. Pelo fato de tratar a Bíblia tal como foi escrita, o sermão expositivo caracteriza-se pelo respeito ao texto e a seu sentido original. Além disso, coloca a Bíblia acima de qualquer outra fonte.

Alimenta a igreja. No sermão expositivo, o ouvinte é levado a ter um contato mais profundo com a Bíblia, o que resulta em alimento espiritual mais sólido. Isso também aumenta a familiaridade do ouvinte com o texto sagrado e desenvolve nele o desejo de conhecer mais a Bíblia.

Alimenta e desenvolve o pregador. Ao preparar-se para alimentar os outros, o pregador alimenta sua própria alma, tornando-se ele mesmo mais convicto da mensagem que deseja apresentar” (MARINHO, 2008, p. 202-203).

Um dos documentos da Assembleia de Westminster declara que “o pregador deve ser um instrumento com relação ao texto, abrindo-o e aplicando-o como Palavra de Deus aos seus ouvintes para que o texto possa falar e ser ouvido, elaborando cada ponto do texto de tal forma que a sua audiência possa discernir a voz de Deus”. Em outras palavras, o pregador expõe; não impõe. Como diz o teólogo escocês Sinclair Ferguson, “o pregador cria o sermão, mas não cria a mensagem. Ele proclama e explica a mensagem que recebeu”. Paulo coloca as coisas da seguinte forma em (2 Cor 4.1-2):

“Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos; pelo contrário, rejeitamos as coisas que, por vergonhosas, se ocultam, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; antes, nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade” (II Cor 4:1-2).

Por este motivo, o pastor australiano Gary Millar afirma que “a chave da pregação expositiva é tornar evidente a mensagem do texto. Ajudar as pessoas a vê-lo, senti-lo e entendê-lo”. E, mais adiante, acrescenta: “Estou totalmente convencido de que o tipo de pregação que muda os corações das pessoas é aquele que permite ao texto falar por si mesmo” Com isso, o grande expositor das Escrituras STOTT afirma:

“Expor as Escrituras é extrair o que se encontra no texto e deixá-lo ao alcance da vista. O expoente emprega esforço para expor o que parecia estar oculto, confere clareza ao que parecia confuso, desfaz os nós e desmonta o que parecia um assunto difícil. O oposto da exposição é a imposição, ou seja, impor sobre o texto algo que não está incluído nele. O “texto” em questão pode ser um versículo, uma oração gramatical ou ainda uma só palavra. Do mesmo modo, pode tratar-se de um parágrafo, um capítulo ou um livro inteiro. O tamanho do texto não tem importância, desde que seja tirado da Bíblia; o importante é o que vamos fazer com ele. Seja curto ou extenso, nossa responsabilidade como expositores é fazer com que o texto seja exposto de tal modo que transmita uma mensagem clara, simples, exata, de forma pertinente, sem adições, subtrações ou falsificação” (STOTT, 2003, p. 122).

O dever do pregador é apresentar o evangelho em sua totalidade. Pregar é a atividade mais admirável e emocionante na qual um homem pode se envolver, por causa do que ela nos proporciona no presente e das gloriosas e infindas possibilidades no futuro eterno. Lloyd-Jones dizia, “a obra da pregação é a mais elevada, a maior e a mais gloriosa vocação para a qual alguém pode ser chamado”. (JONES, 1976, p. 43). Diante da mais alta posição, da mais sublime tarefa que é ser um mensageiro da Palavra de Deus, é importante saber como fazer um sermão expositivo, qual caminho seguir e quais os mecanismos que são usados no preparo. O pregador precisa entender que o texto vai ditar e controlar o que ele vai falar, como bem assinala STOTT (2003). “Isso é pregação expositiva ou, para ser mais preciso, isso é pregação!” Quando é algo menos que isso, deixa de ser pregação expositiva para se transformar em outra coisa. LAWSON (2008) diz que Calvino entendia que a “Pregação é a exposição pública das Escrituras pelo homem enviado por Deus, na qual o próprio Deus está presente em julgamento e em graça”. Por isso, é importante está consciente e preparado para tal missão desafiadora de nossos dias. MARINHO (2008) nos dá um excelente guia de como preparar um sermão expositivo.

5.2.1. GUIA DE COMO PREPARAR UM SERMÃO EXPOSITIVO

  • Comece orando;

  • Identifique as necessidades dos ouvintes;

  • Escolha a passagem bíblica;

  • Determine o objetivo do sermão;

  • Determine o tema do sermão;

  • Determine o título do sermão;

  • Decomponha o texto;

  • Conheça o contexto bíblico;

  • Ache as subdivisões;

  • Pesquise em comentários bíblicos;

  • Pesquise em teologias sistemáticas, introduções, chaves bíblicas e dicionários bíblicos;

  • Acrescente comentários às subdivisões;

  • Acrescente as aplicações;

  • Faça a introdução;

  • Faça a conclusão.

5.2.2. PERGUNTAS QUE SE DEVEM FAZER AO TEXTO AO ELABORAR O SERMÃO EXPOSITIVO

  • Qual o sentido literário do texto

  • Quem é que está falando

  • Para quem foi dirigida a mensagem

  • Há alguma palavra que merece atenção especial no texto

  • Qual o contexto que foi dito

  • O que a Bíblia fala deste assunto em outros lugares

5.3. O resultado da exposição bíblica na vida da igreja

A pergunta 76 do Catecismo Maior de Westminster interroga-nos sobre a seguinte questão: “O que é arrependimento que conduz à vida?” E responde: “O arrependimento que conduz à vida é uma graça salvífica, operada no coração do pecador pelo Espírito Santo e pela Palavra de Deus” (WESTMINSTER, 2001, p. 62).

Como já se observou, a exposição bíblica está arraigada em solo escriturístico. De acordo com a proposta, ficou claro que foi o meio pelo qual os profetas do Antigo Testamento, os apóstolos, os pais da igreja, os reformadores, os puritanos e os pregadores mais conhecidos usaram para proclamar a verdade de Deus e chamar o povo ao arrependimento. Sendo assim, pode-se, então, dizer que a exposição bíblica é um dos fatores mais importantes para o crescimento da igreja. John Stott já dizia que: “Pregar é indispensável ao cristianismo” (MOHLER, 2009, p. 58).

EBY (2001) salienta a importância da pregação bíblica e os resultados obtidos pela igreja no livro de Atos e afirma:

“A pregação segundo Atos era uma pregação de poder. Era pregar o evangelho de poder no poder do Espírito Santo. Era pregação de poder porque pela graça de Deus alcançava o milagre do novo nascimento e transformava vidas despedaçadas” (EBY, 2001, p. 36).

O apóstolo Pedro pregou o seu primeiro sermão em Pentecostes e quase 3 mil pessoas se renderam a Cristo. “Então os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase 3 mil pessoas” (At 2.41). Como resultado da exposição bíblica, o segundo sermão de Pedro produziu um crescimento de mais de 2 mil convertidos. “Muitos, porém, dos que ouviram a palavra, a aceitaram, subindo o número de homens a quase 5 mil” (At 4.4). Da mesma sorte, os cristãos dispersos pela perseguição em Jerusalém pregaram aos judeus e gregos (At 11.19,20) e o resultado foi tremendo. “A mão do Senhor estava com eles e muitos, crendo, se convertiam ao Senhor” (At 11.21). Muitos foram convertidos ao Senhor mediante o ministério de Barnabé em Antioquia. “E muita gente se uniu ao Senhor” (At 11.24), (LOPES, 2008, p. 222).

Mesmo debaixo de forte esquema de perseguição, a igreja de Cristo não deixou de crescer. Herodes pereceu, no entanto, a Palavra de Deus predominou. A igreja cresce em igualdade com a Palavra. Se a Palavra prevalece, então a igreja cresce: “entretanto, a Palavra do Senhor crescia e se multiplicava” (At 12.24). A primeira viagem do apóstolo Paulo e Barnabé é marcada por uma grande explosão de crescimento daqueles que criam no Senhor Jesus Cristo (LOPES, 2008, p. 222): “Os gentios, ouvindo isso, regozijaram-se e glorificaram a palavra do Senhor e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna. E divulgava-se a palavra do Senhor por toda aquela região” (At 13.48,49).

Em Icônio, após ouvirem a pregação de Paulo e Barnabé, tanto judeus como também gregos, creram no Senhor Jesus Cristo (At 14.1). Lucas acrescenta: “Assim, as igrejas eram fortalecidas na fé e, dia a dia, aumentavam em número” (At 16.5). Da mesma forma, em Tessalônica muitos foram salvos devido à exposição das Escrituras feita por Paulo e Silas. “Alguns deles foram persuadidos e unidos a Paulo e Silas, bem como numerosa multidão de gregos piedosos, e muitas distintas mulheres” (At 17.4). Em Beréia não foi diferente. Devido a fiel exposição das Escrituras grandes resultados se seguiram como consequência da pregação da palavra (At 17.11-12).

“Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica. Pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram de fato, assim. Com isso, muitos creram, mulheres gregas de alta posição e não poucos homens” (At 17.11,12).

No ministério de João Calvino na Cidade de Genebra, Steven Lawson comenta sobre seu ministério afirmando que: “Seu objetivo era edificar sua congregação nas coisas do Senhor, não as arruinar. Sendo um pastor atencioso, ele pregava a Palavra de Deus para produzir mudanças na vida de seu povo, tudo para a glória de Deus e para o bem deles” (LAWSON, 2008, p. 99).

Como consequência de vários anos expondo a Palavra de Deus, Calvino exerceu influência em todo o mundo cristão de sua época. Como de costume, pregava em livros contínuos da Bíblia, de tal forma que muitos de seus sermões se tornaram comentários. Genebra tornou-se um abrigo seguro para refugiados e Calvino era procurado frequentemente por pessoas que queriam aconselhar-se sob a sabedoria do grande reformador.

Com Charles Haddon Spurgeon, o príncipe dos pregadores, não foi diferente. Durante toda sua trajetória ministerial, a pregação de Charles Spurgeon repousava sobre a rocha impenetrável que é a Palavra de Deus. Quando ele subia ao púlpito, falava com confiança na infalível pureza e no poder salvador da Palavra de Deus. Para Spurgeon, quando a Bíblia fala, Deus fala. E este foi o motivo de seu grande sucesso como expositor da Palavra de Deus. Sobre seu ministério Lewis A. Drummond declara:

“Para Spurgeon, a Bíblia era apenas isto: a palavra do próprio Deus, que quebra o coração e leva a alma adiante do trono de Deus, trazendo-lhes o conhecimento redentor do Senhor Jesus Cristo. Sobre este fundamento, Spurgeon construiu toda sua teologia e ministério” (LAWSON, 2012, p. 37).

Hernandes Dias Lopes, um estudioso sobre o assunto, afirma que a maioria dos pastores das igrejas que experimentaram um crescimento saudável e equilibrado adotou a pregação expositiva da Palavra de Deus. Martyn Lloyd-Jones foi um grande referencial do método expositivo da pregação das Escrituras na Capela de Westminster em Londres durante vários anos, ministério que se seguiu até sua promoção à glória eterna, em 1981. Milhares de pessoas foram abençoadas através das pregações fiéis desse grande servo de Deus (LOPES, 2008, p. 226).

W. A. Criswell é outro exemplo que alcançou crescimento em sua igreja através da exposição fiel das Escrituras. Sob sua liderança, guiada pelo Espírito Santo, a Primeira Igreja Batista de Dallas continua crescendo. Prova disso é que a membresia excedeu em muito a 20 mil congregados e continua aumentando a cada semana (LOPES, 2008, p. 226).

Quando a Palavra de Deus é pregada com fidelidade, a tendência das pessoas é ser atraídas pelo poder transformador das Santas Escrituras. Um exemplo que ilustra muito bem esta verdade é o ministério do pastor norte americano Bob Russell. Desde 1996, a Southeast Christian Church aumentou de 125 mil a mais de 135 mil pessoas nos cultos (LOPES, 2008, p. 226). A tarefa mais nobre de um pastor é pregar a Palavra de Deus com fidelidade, pois somente o alimento sólido contido nas Escrituras é que produz um crescimento saudável ao corpo de Cristo.

Somente as Escrituras são nossa regra de fé e prática. O escopo principal da Palavra de Deus é revelar o caminho da Salvação aos perdidos e, essa proeza, só acontecerá através de um ministro comprometido com a exposição fiel das Escrituras. Thomas Watson, afirma o seguinte a respeito do fim principal das Escrituras:

“As Escrituras fazem uma clara descoberta de Cristo: “estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31). O propósito da Palavra é ser um teste pelo qual nossa graça deve ser testada, uma boia de demarcação marítima para nos mostrar que rochas devem ser evitadas. A Palavra deve sublimar e saciar nossas afeições. Deve ser diretiva e consoladora, deve soprar na direção da terra prometida” (WATSON, 2009, p. 48).

Diante de tais provas o que fazer? Deve-se fazer o que os profetas, apóstolos e reformadores da igreja fizeram há tanto tempo. Não existem remédios novos para problemas velhos. A igreja atual precisa retornar aos caminhos antigos. É preciso um retorno decisivo à pregação direcionada pela Palavra, que exalta a Deus, que é centrada em Cristo e fortalecida pelo Espírito (LAWSON, 2008, p. 120).

Que a bondosa graça de Deus conceda à igreja da atualidade homens corajosos e cheios do Espírito Santo, para quando subir aos púlpitos e proclamar, cheios de intrepidez, a Palavra de Deus.

Fica claro para os pastores e expositores bíblicos da atualidade, que o método expositivo da Palavra de Deus é, portanto, indispensável na vida da igreja contemporânea pelos seguintes motivos:

1º - Doutrina a igreja com o verdadeiro evangelho de Jesus: A palavra “evangelho” significa literalmente “boas novas”. Entretanto, para realmente compreender quão boas essas novas são, deve-se, primeiramente, compreender a má notícia de que o home “está morto em seus delitos e pecados”. (Ef 2:1) Como resultado da queda do homem no Jardim do Éden (Gênesis 3:6), MACHEN (2012) nos alerta quanto à diferença gritante entre o liberalismo moderno e o cristianismo para com o Senhor Jesus. O liberalismo moderno o considera um exemplo e um guia; ao passo que o cristianismo genuíno o considera um salvador (MACHEN, 2012, p. 83). Sendo assim, o evangelho de Jesus consiste em pregar as boas novas de salvação que permite ao salvo entrar no Reino de Deus (Hb 4:2; Lc 4: 43).

2º - Fortalece os crentes a uma vida espiritual saudável: A Palavra de Deus é um banquete rico, saudável e nutritivo. Enquanto alguns enganadores estão pregando as novidades do mercado da fé, a verdadeira exposição bíblica coloca diante das ovelhas as finas iguarias da mesa de Deus. Somente a verdade contida nas Escrituras e pregada com fidelidade pode gerar saúde espiritual na vida das ovelhas (Jo 17.17).

3º - Combate as heresias e ventos de doutrina contrários: Enquanto o verdadeiro pastor está preocupado com o bem-estar das ovelhas, o falso profeta e herege centra-se no quanto ganhará com o abate de cada uma delas. Entretanto, a verdadeira exposição bíblica fortalece a igreja contra todo e qualquer modismo passageiro no seio do corpo de Cristo (Cl 2.6-7).

4º - Promove o crescimento quantitativo e qualitativo: Se a igreja é um organismo vivo, então ela precisa crescer. Um organismo que não cresce está doente, precisa receber os devidos cuidados para continuar se desenvolvendo. As conversões no dia de pentecostes só ocorreram após o poderoso sermão de Pedro (At 2.14-36). Uma igreja pode até crescer numericamente, mas somente a pregação genuína do evangelho pode trazer o verdadeiro crescimento (At 2.47).

5º - Desperta e desafia o cumprimento da evangelização e missões: Para Charles Haddon Spurgeon, “Nenhum pecador em volta de vocês será salvo exceto pelo conhecimento da grande Verdade contida na Palavra de Deus. Nenhum homem jamais será trazido ao arrependimento, à fé e à vida em Cristo, senão pela constante aplicação da Verdade pelo Espírito.” (LAWSON, 2012, p. 93). A verdadeira exposição bíblica encoraja a igreja a sair das quatro paredes e não se encaramujar guardando o tesouro da redenção apenas para uma comunidade particular. O mandamento do Senhor é que o evangelho seja pregado a toda criatura (Mc 16.15).

6º - Promove verdadeiro avivamento e revitalização: logo, todas as vezes que a pregação predominou na história a igreja esteve em alta, no entanto, todas as vezes que a pregação das Escrituras foi deixada de lado, assim também a igreja caiu na cinza do descrédito. No livro de Atos, capítulo dois, a partir do verso quarenta e dois, o sermão de Pedro produziu obediência à sã doutrina, oração perseverante e amor fraternal.

Por último, desafia o investimento no discipulado e formação de liderança: o Senhor Jesus Cristo pregou seus mais esplêndidos sermões para uma única pessoa. Quem não está disposto a pregar para um pequeno grupo não está credenciado a pregar para um grande auditório (LOPES, 2008, p. 125). “Aconteceu, depois disto, que andava Jesus de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus, e os doze iam com ele” (Lc 8.1).

Todos os itens acima mencionados são resultados naturais proporcionados pela exposição bíblica. Quando a igreja do Senhor Jesus Cristo alcança um alto índice de crescimento saudável, a exposição das Escrituras Sagradas tem sempre prioridade. Durante os eventos decisivos da História da Igreja, a pregação da Palavra de Deus ocupou uma posição de destaque.

Que Deus derrame sua graça sobre a igreja brasileira, de tal forma que tenhamos mais pregadores preocupados em expor todo o conselho de Deus, e não mercenários preocupados em satisfazer os desejos do coração do homem.

6. Conclusão

Após analisar este tema de vital importância, chegou-se a algumas conclusões que, ao serem consideradas, podem confirmar o papel e relevância da exposição bíblica no contexto da igreja contemporânea, pois, não pode haver dualismo entre a supremacia das Escrituras, a primazia da exposição da Palavra de Deus e uma igreja saudável.

Concluímos, então, que a fiel exposição da Palavra de Deus leva a igreja a crescer de forma saudável devido ao compromisso com a supremacia das Escrituras. A suficiência das Santas Escrituras é que sustenta e dá solidez a pregação expositiva.

A exposição da Palavra de Deus é a maior necessidade concernente à igreja contemporânea. O maior compromisso do pastor não deve ser enriquecer o seu relatório de visitas diárias, mas nutrir o rebanho com uma pregação fundamentada na Bíblia, pois um rebanho mal alimentado torna-se presa vulnerável nas mãos dos espertalhões.

Depreende-se, ainda, que o método expositivo de pregação da Palavra de Deus é de suprema necessidade na vida diária da igreja. Isso porque as heresias, o mundanismo e as filosofias diabólicas estão atacando o povo de Deus constantemente e um compromisso profundo com a Palavra de Deus prepara o rebanho contra tais ataques.

A fiel exposição das Escrituras Sagradas é vital para a igreja contemporânea, porque, no passado, o equilíbrio, pureza e crescimento do rebanho de Cristo mantiveram-se firmes graças a este estilo de pregação. Na era apostólica tanto João Crisóstomo como Agostinho, usaram o método expositivo de pregação das Escrituras. Na Reforma Protestante, Deus usou Martinho Lutero e João Calvino para restaurarem a centralidade da Bíblia (Sola Scriptura). Os puritanos, a ala mais piedosa e intelectual da história cristã, foram fiéis expositores da Palavra de Deus. Alguns pastore da atualidade, os mais conhecidos e aplaudidos pelas massas, são expositores fieis das Escrituras, provando-nos, que tal estilo de pregação é uma volta à herança bíblica, e não uma inovação para atrair grandes auditórios.

Conclui-se, também, que o verdadeiro crescimento da igreja é causado por Deus (At 2.47; 1Co 3.6), mas a exposição da Palavra de Deus é indispensável por ser um fator imprescindível no que diz respeito ao crescimento saudável do corpo de Cristo. Deus salva o pecador mediante a loucura da pregação (1Co 1.21). A edificação da igreja e a salvação dos perdidos só se dão mediante a fiel exposição das Santas Escrituras.

Ao analisar a história da igreja, pode-se perceber que Deus sempre chamou seu povo ao arrependimento mediante a exposição da Palavra. Pentecostes, Reforma Protestante, os grandes avivamentos do passado, são grandes exemplos nos quais a exposição bíblica exerceu papel crucial, assim, se as intervenções de Deus no passado ocorreram através da pregação fiel, na igreja contemporânea não pode ser diferente.

Outro aspecto que também não pode deixar de ser observado é que, atualmente, a pregação expositiva perdeu o seu lugar para um estilo de pregação que expõe somente o que Deus pode fazer pelo homem, e não o que Deus requer do homem. A pregação verdadeiramente expositiva não pode ser antropocêntrica, como temos visto com muita frequência, mas sim, deve ser uma pregação teocêntrica. A verdadeira pregação expositiva precisa pregar e defender a doutrina de que o fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre, e não o contrário.

É triste admitir o pequeno número de pregadores comprometidos com a exposição bíblica na atualidade. Mas, ainda assim, com a graça de Deus, este quadro está mudando. Muito embora este estilo de pregação exija trabalho árduo, correta exegese e uma vida espiritual disciplinada, a igreja de Deus pode ser abençoada e transformada através desses esforços. Sob este prisma, tendo em vista que a fiel exposição da Palavra de Deus é indispensável para o crescimento saudável da igreja, não há dúvidas que, tanto no Brasil, como em todo o mundo, o que mais se precisa é de arautos corajosos que preguem com fidelidade todo desígnio de Deus e não mercadores de um evangelho falido que sonega ao povo o trigo da verdade. “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda longanimidade e doutrina” (2Tm 4. 2).

Soli Deo Gloria!

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Publicado por: Wagner Stand`Laus Rodrigues da Silva

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