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O tratamento do alcoolismo sob a perspectiva da teoria fenomenológica-existencial

Psicologia

O alcoolismo é uma dependência naturalizada pela sociedade, pois o álcool é de fácil acesso para consumo, e é utilizado para a pessoa ficar mais desinibida. Os dependentes químicos sofrem diversos preconceitos e são muitos julgados, e além disso, seu tratamento geralmente segue um padrão.

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1. RESUMO

O alcoolismo é uma dependência naturalizada pela sociedade, pois o álcool é de fácil acesso para consumo, e é utilizado para a pessoa ficar mais desinibida. Os dependentes químicos sofrem diversos preconceitos e são muitos julgados, e além disso, seu tratamento geralmente segue um padrão. O Objetivo do presente trabalho é trazer uma nova percepção do tratamento do alcoolismo, através da abordagem fenomenológica-existencial, na qual visa um olhar humanizado e empático, buscando o sentido do alcoolismo, olhando para o alcoolista como um ser humano, e não apenas um dependente de álcool. A metodologia de pesquisa deste trabalho foi realizada através de uma Revisão Bibliográfica qualitativa e descritiva baseada em referências, como livros e artigos científicos publicados nos últimos dez anos. Como demonstrado durante todo o trabalho, os objetivos foram concretizados e é possível realizar o tratamento do alcoolismo através de uma nova abordagem, através da compreensão da busca pelo álcool como alívio do vazio existencial, além de ressignificar e proporcionar novamente ao alcoolista a responsabilidade pela liberdade da sua própria existência.

Palavras-chave: Dependência. Alcoolismo. Fenomenologia - Existencial

ABSTRACT

Alcoholism is a dependency naturalized by society, since alcohol is easily accessible for consumption, and is used to make people more uninhibited. Drug addicts suffer from various prejudices and are often judged, and in addition, their treatment generally follows a pattern. The objective of this work is to bring a new perception of the treatment of alcoholism, through the phenomenological-existential approach, in which it aims at a humanized and empathic look, seeking the meaning of alcoholism, looking at the alcoholic as a human being, and not just a alcohol dependent. The research methodology of this work was carried out through a qualitative and descriptive Bibliographic Review based on references, such as books and scientific articles published in the last ten years. As demonstrated throughout the work, the objectives were achieved and it is possible to carry out the treatment of alcoholism through a new approach, through the understanding of the search for alcohol as a relief from the existential void, in addition to re-signifying and giving alcoholics the responsibility for freedom again. of your own existence.

Keywords: Dependency. Alcohol. Phenomenology – Existential.

2. INTRODUÇÃO

A dependência de substancias psicoativas é considerada pelo DSM V (Manual de Diagnóstico e Estatística) e pelo CID 10 (Classificação Internacional de Doenças) como um Transtorno Mental e de comportamento decorrente do uso e abuso de substâncias psicoativas (drogas lícitas ou ilícitas), levando o sujeito a uma dependência.

O alcoolismo é a dependência mais naturalizada pela sociedade. O álcool é de fácil acesso a população, está presente nos diversos contextos sociais (festas, baladas, encontros familiares) e além disso, beber pode tornar inicialmente o sujeito desinibido, corajoso e extrovertido, demorando um pouco mais para surgirem as consequências, no qual se diferencia das demais substâncias psicoativas.

Devido ao alcoolismo ter essas características singulares na Dependência Química, este é denominado o objeto de pesquisa deste trabalho. O alcoolismo se desenvolve em diversos contextos, porém quando esse consumo passa de social para prejudicial na vida do indivíduo se torna uma problemática a ser refletida.

Os tratamentos da dependência de substâncias psicoativas normalmente seguem um padrão dentro de clínicas, comunidades terapêuticas e Centro de Atenção Psicossocial de álcool e drogas (CAPS- AD). No contexto psicológico não é diferente, ou seja, os olhares e modos de cuidados aos dependentes baseiam-se na Psicologia comportamental ou na Terapia Cognitiva Comportamental, visto que o foco é minimizar ou sanar o uso da substância, e não a compreensão do sentido do uso.

Compreende-se, portanto, a justificativa de que se faz necessário ampliar o modo de cuidado de dependentes de substâncias psicoativas, visando não olhar apenas para a patologia, mas também olhar o sujeito como um ser humano que possui uma liberdade de escolha de cuidar da sua existência, buscando entender qual é o sentido de fazer o uso de uma substância psicoativa, visto que limita tal cuidado consigo mesmo.

Diante de tal problemática, advém a seguinte reflexão: Quais contribuições a teoria fenomenológica-existencial pode dar ao tratamento das pessoas dependentes da substância psicoativa do álcool?

O objetivo geral dessa pesquisa é compreender as contribuições da teoria fenomenológica-existencial sobre as intervenções em pacientes dependentes da substância psicoativa do álcool. Os objetivos específicos são: descrever conceitualmente a dependência da substância psicoativa do álcool; discorrer conceitualmente as apreciações da teoria Fenomenológica-existencial sobre a dependência de substância psicoativa do álcool; e discutir as estratégias de intervenção fundamentadas pela teórica Fenomenológica-existencial, acerca da dependência da substância psicoativa do álcool;

A metodologia de pesquisa realizada através de uma Revisão Bibliográfica qualitativa e descritiva com a finalidade de demonstrar as contribuições do olhar da fenomenologia-existencial no tratamento do alcoolismo. Irá ser baseada em diversas referência publicadas nos últimos dez anos sobre o tema, no qual serão encontradas em livros e artigos científicos (Scielo, Pepsic, Google Acadêmico, etc), utilizando-se de palavras chaves para realizar essa pesquisa.

O presente trabalho é composto pela estrutura de três capítulos: O capítulo um irá abordar os conceitos referentes a Dependência de Substância Psicoativa (especificamente o alcoolismo); O capítulo dois irá abordar a Fenomenologia existencial como uma nova forma de olhar a dependência do álcool (ser-no-mundo diante do alcoolismo e vazio existencial); No capítulo três será abordado as possibilidades de intervenção do tratamento do alcoolismo através da Fenomenologia-Existencial.

3. DEPENDÊNCIA DE SUBSTÂNCIA PSICOATIVA: ALCOOLISMO

A dependência de uma substância psicoativa, também conhecida como dependência química, conforme a Associação Americana de Psiquiatria (2013) se caracteriza pela compulsão em obter e utilizar determinada substância, independente das consequências e prejuízos biopsicossociais que geram ao sujeito.

O Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5ª edição (DSM – V, 2013), classifica os Transtornos Relacionados a Substâncias e Transtornos Aditivos em dez categorias distintas de drogas: álcool; cafeína; cannabis; alucinógenos; inalantes; opioides; sedativos; hipnóticos e ansiolíticos; estimulantes; tabaco e outras substâncias.

Todas as substâncias psicoativas (drogas) que são consumidas em excesso causam prejuízos, pois o uso está diretamente relacionado ao sistema de recompensa e memórias do cérebro, a ativação produz a negligência de atividades “normais” da rotina e provocam a sensação de prazer, conhecidas pelo senso comum como “barato”, “viagem” ou “brisa”. (DSM V, 2013)

O Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5ª edição (DSM - V, 2013), também cita dois critérios que caracterizam a dependência, no qual são denominados de “tolerância” (necessidade de crescentes quantidades da substância para atingir o efeito desejado, na qual causam a abstinência e a compulsão), e a “fissura” (forte impulso e desejo incontrolável de usar).

Conforme a classificação internacional de doenças (CID-10), a dependência de substância psicoativa se caracteriza por sintomas cognitivos, comportamentais e fisiológicos, indicando que o sujeito continua e prioriza o uso apesar das consequências. (KAPLAN; SADOCK; GREBB, 2007)

A dependência relaciona-se a fatores biológicos, sociais e psicológicos sendo prejudiciais para o usuário e família que não o impedem de continuar o uso, gerando comportamentos compulsivos e abstinência (SCHLINDWEIN, 2013).

O alcoolismo é a dependência mais naturalizada na sociedade, a aquisição da substância é de fácil acesso. Diante de tal problemática, o estudo a seguir busca a compreensão do desenvolvimento da dependência.

Alcoolismo

O Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5ª edição (DSM – V, 2013), classificam os Transtornos Relacionados ao Uso do Álcool em: transtorno por uso de álcool; intoxicação por álcool; abstinência de álcool outros transtornos induzidos por álcool; transtorno relacionado ao álcool não especificado. Define o alcoolismo como a dependência com comportamentos de abstinência ou comportamentos compulsivos, e ainda o sujeito consome o álcool continuamente para evitar tais sintomas.

O Código Internacional de Doença (CID – 10), classifica o F10 – Transtornos Mentais e de Comportamento Decorrentes do Uso de Álcool, com as subdivisões: F10.0 – intoxicação aguda; F10.1 – uso nocivo; F10.2 – síndrome de dependência; F10.3 – estado de abstinência; F10.4 – estado de abstinência com delirium; F10.5 – transtorno psicótico; F10.6 – síndrome amnésica; F10.7 – transtorno psicótico residual e de início tardio; F10.8 – outros transtornos mentais e de comportamento; F10.9 – transtorno mental e de comportamento não-especificado. (OMS, 1997)

Conforme o Código Internacional de Doença (CID – 10) são estabelecidos alguns critérios para diagnosticar a dependência do álcool:

  1. Desejo intenso ou compulsão para ingerir bebidas alcoólicas;

  2. Tolerância: necessidade de doses crescentes de álcool para mesmo efeito obtido com doses anteriormente inferiores ou efeito cada vez com uma mesma dose de substância;

  3. Abstinência: síndrome típica e de duração limitada que ocorre quando o uso do álcool é interrompido ou reduzido drasticamente.

  4. Aumento do tempo empregado em conseguir, consumir ou recuperar-se dos efeitos da substância; abandono progressivo de outros prazeres ou interesses devido ao consumo;

  5. Desejo de reduzir ou controlar o consumo do álcool com repetidos insucessos;

  6. Persistência no consumo de álcool mesmo em situações em que o consumo é contraindicado ou apesar de provas evidentes de prejuízos, tais como, lesões hepáticas causadas pelo consumo excessivo de álcool, humor deprimido ou perturbação das funções cognitivas relacionada ao consumo do álcool.

Para se caracterizar dependência, deve-se seguir pelo menos três critérios citados acima.

O alcoolismo é um problema social e de saúde pública. Conforme a organização mundial da saúde (OMS, 2001), é a alteração do estado físico e psíquico resultante da dependência através da interação do sujeito com o álcool.

3.0.1. Naturalização do consumo do álcool

O consumo de bebida alcóolica é muito comum em grande parte da sociedade, geralmente se inicia logo na adolescência, pois o álcool é encontrado facilmente em eventos, festas, reunião familiar, baladas e qualquer encontro que marque uma interação social. O álcool não é visto como uma ameaça a vida do jovem, porém quando este é consumido em excesso, pode se tornar patológico, virar uma dependência química e consequentemente causar diversos prejuízos biopsicossociais (CISA, 2014).

Além da naturalização do consumo, o álcool é um grande contribuinte com a economia, visto que os gastos financeiros são altos, principalmente quando o sujeito é um dependente (FANTINATO, 2011).

3.0.2. Possíveis causas do Alcoolismo

Entre as possibilidades de fatores associados ao alcoolismo, destacam-se: biológicos (predisposição genética familiar); psicológicos (baixa estima, busca de prazer, modo de esquecer ou de lidar com um momento de dor, frustração, término de relacionamento, luto não elaborado, etc.); sociais (aceitação cultural, necessidade de inserção em um grupo social) (SOUSA, 2013).

Geralmente o consumo do álcool se inicia na adolescência, porém muitos dependentes relatam que o contato com o álcool começou desde a infância, por fatores genéticos e reuniões familiares, e que além deste contato em alguns casos se presenciam situações traumáticas vivenciadas pelo convívio com um responsável alcoolista (ZANINI, 2019).

3.0.3. Consequências

O álcool é uma droga depressora do Sistema Nervoso, afetando o comportamento, cognição, respiração, coordenação psicomotora e capacidade de tomada de decisão. Entre os indivíduos há diferentes níveis de gravidade e prejuízos que depende dos sintomas e da abstinência (BERTOLOTE,1997).

Conforme a Organização Mundial da Saúde cerca de vinte doenças estão relacionadas diretamente a dependência do álcool e sessenta estão relacionadas indiretamente (OMS, 2011).

As doenças são graves, podendo levar o indivíduo até a morte: Esteatose Hepática (acúmulo de gordura no fígado); Hepatite alcóolica; Cirrose Hepática; entre outras (GIGLIOTTI, 2004). Além de doenças de saúde física, a dependência do álcool provoca consequências emocionais e sociais graves relacionados a: Violência; abandono de estudo e trabalho, perdas financeiras, agressividade, frustração, culpa, tristeza, ansiedade, etc (CISA, 2013).

No âmbito familiar o alcoolismo é responsável por brigas, abandono, agressões físicas e verbais e violência doméstica (CISA, 2013).De acordo com Collins e Messerschmidt (1993), o consumo de álcool também tem relação com a violência, visto que provocam pelo menos metade dos crimes violentos (violência doméstica, acidentes de trânsito, agressões, etc), pois prejudica a capacidade de controlar o impulso, agressividade e de tomar decisões.

Socialmente é notável a exclusão e o preconceito no qual sofrem os dependentes do álcool, isso se torna cada vez mais aparente devido à dificuldade de encontrar assistência de saúde adequada e falta de conscientização da população (ANDRADE; ANTHONY; SILVEIRA, 2009).

O indivíduo sofre com a perda da confiança em si mesmo e da sua identidade pessoal, falta de autocuidado, autoconfiança, autoestima, capacidade para tomar decisões e controle de impulsos, bem como desesperança em relação as suas perspectivas futuras e sonhos (ANDRADE; ANTHONY; SILVEIRA, 2009).

3.0.4. Dificuldades no tratamento do alcoolismo

Conforme Higson (1982), apenas 1% dos indivíduos reconhecem terem problemas e prejuízos devido ao consumo excessivo do álcool, e possui dificuldades também para buscar um tratamento e ajuda profissional, pois tem a influência do álcool ser naturalizado e dos dependentes sofrerem preconceitos.

Além do tratamento relacionado aos serviços públicos ou privados de saúde (Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas – CAPS AD, clínicas ou comunidades terapêuticas, etc), o apoio da família é fundamental, porém é necessário também o tratamento dos membros familiares, porque eles acabam adoecendo junto com o dependente e se tonando coodependentes dos mesmos (MARTINS; FARIAS, 2012).

Dentro de uma família, o alcoolismo é uma consequência grave a todos membros familiares que são afetados devido ao estresse, angústia, tristeza, raiva e até mesmo pela tentativa de controle sobre o dependente, no qual conduz a família a um apego exagerado, no qual todos acabam adoecendo com o indivíduo (RAMOS, 1997).

Diante da complexidade da dependência do álcool é necessário refletir sobre como o alcoolista é visto como ser-no-mundo e como ser-no-mundo diante do alcoolismo, propondo um olhar além da dependência, mas para um ser humano em busca de um sentido diante da própria existência.

4. PERSPECTIVA fenomenológica- existencial

O presente trabalho apresenta uma nova forma de olhar humanizado para o tratamento de um alcoolista através da fenomenologia-existencial, visto que a dependência de substância psicoativa do álcool é normalmente olhada e cuidada através de duas abordagens da psicologia: a Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) e Terapia Comportamental. Para Lessa e Novais de Sá (2006, p. 394):

O objetivo da psicoterapia não é enquadrar o paciente em padrões morais ou em modelos teóricos, mas buscar compreender as possibilidades singulares de existir de cada um, tal como ele as experimente em suas relações com as pessoas e coisas que lhe vêm ao encontro no mundo (LESSA; NOVAIS, 2006, p. 394).

Considerando que a fenomenologia-existencial é uma abordagem que considera a subjetividade da existência humana (liberdade de existir), maneira que o sujeito se comporta como um ser-no-mundo (faz suas escolhas; afeta e é afetado através do mundo, na qual é uma rede de significado de relações) e sente (angústia, vazio existencial, culpa, etc.), é importante refletir o que leva o sujeito a um vício (PENHA, 2001).

A fenomenologia- existencial, busca compreender e contribuir para que o sujeito se perceba como um ser além do seu corpo físico, mas um ser que sente através do psíquico. Conforme Penha (2001), a fenomenologia-existencial destaca a importância da percepção, ou seja, observar o fenômeno tal como se apresenta a consciência enquanto intencional, deste modo o processo se torna mais significativo.

Tal olhar visa explorar o sentir e sentido do sujeito perante sua existência, trazendo sua percepção para a consciência, sem que seja necessário o retorno a eventos do passado, mas sim focar no aqui e agora (GOMES; CASTRO, 2010).

4.1. FENOMENOLOGIA-EXISTENCIAL E ALCOOLISMO

Busca-se compreender as contribuições e o olhar terapêutico da fenomenologia-existencial para considerar o alcoolista não apenas através do olhar patológico de dependente, como um ser humano diante de uma dependência. (PENHA, 2001)

Numa compreensão fenomenológica-existencial, todo ser humano (Daisen) é lançado em um mundo, não nasce pronto, mas se constitui através da sua liberdade diante das diversas possibilidades de escolhas, e deve-se, portanto, cuidar de sua existência (HEIDEGGER, 1995).

Existir, significa transitar por todo o “sentir” (angústia, medo, culpa, felicidade, etc.), mas, para alguns seres o sentir se torna insuportável, quando não se aprende a lidar com ele, dando lugar ao vazio existencial e consequentemente as fugas, na qual, através do entorpecer chamamos de dependência de substâncias psicoativas, neste foco, especificamente, o álcool (HEIDEGGER,1995).

Através da Fenomenologia-existencial é possível acolher através de um olhar humanizado o alcoolista, e entender a seguinte questão: Qual é o sentido do uso de uma substância que lhe proporciona um prazer momentâneo, mas um mal-estar autodestrutivo?

4.1.1. Ser-no-mundo

A maneira de se compreender o homem na fenomenologia-existencial se difere da compreensão de outros seres e objetos. O homem (Daisen) como descreve Heidegger (1993), é um ser que está aberto as possiblidades, as experiências, na qual reconhece sua finitude, ou seja, sabe que é mortal e que em um momento sua existência se findará.

Conforme Sartre (1978), a “existência precede a essência”, o homem não nasce pronto, é lançado ao mundo como um projeto. Temos a liberdade de escolha e a responsabilidade de lidar com elas, essa questão nos faz sermos constituintes da nossa própria essência enquanto ser existente.

Ao reconhecer-se livre, o homem sente a angústia, pois deve escolher sobre sua vida sendo o responsável por ela diante do mundo. Como ser-no-mundo, o homem sente e enfrenta diversas situações e possui a tarefa de cuidar de si mesmo: angústia, culpa, medo, fracasso, felicidade, vazio, sofrimento, etc. Diante desse contexto do ser, se “livrar” dessa responsabilidade de suas escolhas e do cuidado consigo mesmo parece ser mais fácil, desta forma as fugas ocorrem tentando preencher o vazio de si mesmo, neste caso citaremos a fuga através da dependência do álcool (SAFRANSKI, 2000).

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De acordo com Loparic (2004), o homem experimenta diversos sentimentos devido a responsabilidade diante da sua própria existência, e o uso de substâncias psicoativas se apresenta como a possibilidade da promessa de um viver mais tranquilo, de um entorpecer de sentir e do alívio do cuidar abrindo mão do seu próprio existir.

4.1.2. Ser-no-mundo diante do Alcoolismo

Tratando-se da dependência do álcool ou qualquer outra substância psicoativa, é necessário considerar o sujeito como único e subjetivo, pois a motivação, intencionalidade ou até mesmo a escolha do uso é particular de cada um, seja a busca por prazeres (novas experiências, sensações), a desinibição (interação social) ou até mesmo a fuga da realidade (entorpecimento e desligamento momentâneo) (SIPAHI; VIANNA, 2001).

Conforme descrevem Sipahi e Vianna (2001), no artigo “A dependência e a fenomenologia-existencial”, a dependência se configura quando a esperança e confiança de uma vida mais agradável obscurece, fazendo com que o cuidado consigo mesmo se torne limitado, e essa seria a única forma de viver melhor.

De acordo com Angerami-Camon (1998, p.14), o ser-no-mundo significa “A luta constante do homem consigo próprio para não perder a sua dignidade existência e suas características individuais. ” Portanto, estar no mundo diante do alcoolismo é um desencontro com a sua própria essência, é um mentir para si mesmo através da ilusão de que o prazer irá ser encontrado em aspectos externos.

A dependência se revela como a possibilidade de se aliviar da tarefa de cuidar da sua existência, na qual de imediato parece ser algo bom, porém reverbera diversos prejuízos sócias, emocionas e financeiros a vida do sujeito. É como “abandonar o barco”, como perder-se de si mesmo e da sua própria existência.

4.1.3. Vazio Existencial

Segundo Frankl (2010), o sentimento de vazio existencial é resultante de frustrações pessoais e pode levar o sujeito a desenvolver transtornos e dependências baseado na busca de prazer e alívio através do entorpecimento existencial. O álcool assume a função de “felicidade” e “alívio”, sendo um modo ilusório de se obter satisfação pessoal.

O alcoolismo através da perspectiva fenomenológica-existencial se refere a uma fuga do “vazio”, no qual não se é mais capaz de suportar os conflitos, sofrimentos, sentimentos e frustrações, portanto o uso da substância é uma “anestesia” para as dores existenciais, assim como cita Ribeiro (2015):

A análise existencial entende que o dependente recorre à bebida com a finalidade de garantir momentos de prazer dentro da realidade que vive. Visando assim, na busca desse prazer, mascarar frustrações de sentido, em algo que só o encontro com o sentido pode proporcionar (RIBEIRO, 2015, p.16).

Viver não é fácil, é um processo que comtempla momentos bons e ruins, e ás vezes o existir pode ser dolorido e sofrido. Essa é uma grande dificuldade apontada pelo olhar da fenomenologia-existencial, pois, em um determinado momento devido a dependência o sujeito passa a se configurar fora da sua realidade, ou seja, comete uma fuga e perde-se de si mesmo, abandonando as perspectivas de desenvolvimento da sua existência. (SONENREICH, 1982)

Nessa perspectiva, o alcoolismo se torna uma fuga do “vazio existencial”, no qual o sujeito não se sente mais capaz de suportar tantos conflitos e sofrimento e encontra no abuso do álcool o seu conforto através da sensação de “anestesia” produzida pelo mesmo (RIBEIRO, 2015).

O uso do álcool é apenas um dos problemas do alcoolista. O excesso para tentar suprir a falta é algo momentâneo, por isso, o dependente tende ao consumo excessivo e intensivo, para não deixa que essa sensação de prazer acabe e o traga para a realidade, provocando em si a abstinência (RIBEIRO, 2015).

Conforme Frankl, 2010 é importante compreender a relação que existe entre a dependência de substância psicoativa, neste caso, o abuso do álcool, e o vazio existencial, bem como a ausência de sentido perante a sua própria existência.

O vazio existencial não é suprido com substâncias, vícios, pessoas ou coisas. Portanto é importante ir além de tratar os sintomas e afastá-lo de determinados ambientes, é preciso ir além, adentrar as questões existenciais e proporcionar o apoio para o reencontro consigo mesmo, para que possa realizar a busca por um sentido e novas perspectivas de vida (FRANKL, 2010).

De acordo com as possiblidades de tratamento e intervenção, no próximo capítulo será proposto uma nova possibilidade de cuidado através da fenomenologia-existencial. É proposto um olhar de cuidado humanizado e empático.

5. POSSÍBILIDADES DE INTERVENÇÃO SOB A PERSPECTIVA FENOMENOLÓGICA-EXISTENCIA

A fenomenologia-existencial entende que o alcoolista tem a finalidade de garantir momentos de prazer dentro da fuga da realidade em que vive, ou seja, a vida não é fácil, e a bebida proporciona um momento de prazer e entorpecimento, como fuga da realidade e visando desta forma, tentar preencher o vazio existencial, e minimizar alguns sentimentos, tais como: frustações, mágoas, culpas, medos, angústias, sentimento de rejeição, etc (RIBEIRO, 2015).

Diante de tais conflitos existenciais, a fenomenologia-existencial oferece ao sujeito a liberdade de escolha para se apropriar da sua existência e cuidar dela. Ou seja, ao sujeito cabe escolher viver sua essência, e se perceber como um ser-no-mundo em construção e evolução. Conforme descreve Camon (1995, p. 17):

O psicoterapeuta atua como facilitador do processo de crescimento do paciente, será alguém que deverá ter muito claro o momento em que sua posição de ser de ‘estar-junto’ ou, então, a de ‘atuar-junto. (CAMON, 1995, p.17).

Torna-se importante reconhecer que o alcoolista precisa de ajuda, e a família também exerce um papel importante neste processo, o apoio nesse momento de conflito se torna uma excelente contribuição no tratamento.

Portanto o tratamento do alcoolista ocorre através de psicoterapia, na fenomenologia-existencial com foco no aqui e agora, buscando um movimento para frente. O olhar humanista é compreensivo ao ter entendimento de “como” acontece e não o julgamento do “porque”. Também faz parte do tratamento a participação em grupos, apoio familiar e social, e se necessário pode aliar-se a internação em comunidades terapêuticas e uso de medicamentos (RIBEIRO, 1985).

Considera-se que a Fenomenologia-Existencial atua de modo que valoriza as potencialidades do sujeito, respeitando a sua existência humana e liberdade de escolha, traçando estratégias para ocorrer um reencontro consigo mesmo e um retorno do ser-no-mundo real (RIBEIRO, 1985).

5.1. TRATAMENTO ATRAVÉS DO OLHAR DA FENOMENOLOGIA-EXISTENCIAL

Quanto mais se usa uma substância psicoativa, menos se obtém alívio e prazer, essa sensação é chamada na dependência de tolerância, ou seja, é necessário ir aumentando o uso para aumentar o efeito da promessa de alívio de bem-estar, pois com o tempo o prazer que era sentido no início se torna menos intenso, e a tolerância surge com a busca insaciável pela intensa satisfação. Essa busca faz com que o dependente se distancia dos outros. (OLIEVENSTEIN, 1989)

A dependência priva o ser de sua própria liberdade e responsabilidade pela sua existência. Liberdade é entendida como a própria abertura humana, possibilidade de o homem cuidar de si. (PESSANHA, 1999)

O tratamento com o dependente através da fenomenologia-existencial se pauta na abertura das possibilidades de transformação do seu-estar-no-mundo, se tornando responsável por si, e tomando a liberdade para se apropria da sua existência e encontrar o sentido da sua história. (HEIDEGGER, 1995)

5.1.1. O adoecimento existencial através da dependência

De acordo com o olhar da fenomenologia-existencial, o sujeito precisa ter coragem para viver e se apropriar de sua própria existência, essa coragem consiste em lidar com as dificuldades que surgem na vida, e não fugir delas. Portanto, o sujeito que está doente precisa lidar e cuidar desta doença, neste caso passará a existir de forma saudável (FORGHIERI, 2011).

O adoecimento existencial ocorre justamente quando o indivíduo não enfrenta e não aprende a lidar com as dificuldades. Quando ocorre a não aceitação dessas condições, dores e sofrimentos se tornam intensos e prolongados levando ao afastamento do sentido do seu próprio existir (FORGHIERI, 2011).

Deste modo por meio do abuso do álcool o sujeito busca se “livrar” da responsabilidade do cuidado de seu próprio ser, sente-se aliviado, porém em contraponto acaba abandonando a sua liberdade de existir e se aprisionando na dependência de uma substância para sentir prazer e bem-estar (SODELLI, 2010).

É importante trabalhar a condição de existência desse sujeito, o sentido do uso e a maneira na qual enxerga a si mesmo. É também necessário trabalhar a culpa existencial, pois é lidando com sua própria liberdade de escolha e responsabilidade pela sua singular existência que o sujeito se tornará saudável (SODELLI, 2010).

5.1.2. Lidando com a culpa existencial

O alcoolista na dependência apresenta uma culpa e angústia existencial, na qual diante da possibilidade de um tratamento é importante lidar com esse sentir. A culpa existência surge como a lamentação de lamentação de possibilidades não escolhidas (FERREIRA, 2002).

O sentimento de culpa também surge devido ás perdas sofridas durante a vida pelo dependente, despertando sentimento de fracasso por não lidar com as dificuldades sem recorrer ao consumo do álcool como alívio, por não conseguir realizar suas próprias escolhas e por abandonar o cuidado de sua própria existência (FRANKL, 2005).

Quando o sujeito reconhece a culpa, consegue trocá-la pela responsabilidade, de modo que se aproprie da sua vida novamente e tenha a percepção de que as suas escolhas dependem somente de si, se tornando transformador da sua existência perante a dependência do álcool (FRANKL, 2005).

5.1.3. Possibilidades de tratamento e intervenção

Diversas possibilidades são possíveis no tratamento de dependência de substâncias psicoativas: internações em clínicas ou comunidades terapêuticas, intervenções medicamentosas, apoio da família, grupos de apoio (como por exemplo, Alcoólicos anônimos (AA) , Narcóticos Anônimos (NA), Amor Exigente (AE), entre outros), através de políticas públicas pelo Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (CAPS – AD) no entanto pode ser traçada uma possibilidade de cuidado e olhar humanizado perante a fenomenologia- existencial (COSTA, 2011).

O processo terapêutico consiste em olhar para o sujeito de acordo com sua singularidade e particularidade; respeitar sua existência e possibilitar a compreensão do sentido do uso e abuso da substância; ver as possíveis recaídas como desafio e não como fracasso; apropriar-se das escolhas; ressignificação da culpa e uma nova dimensão de existência: novo sentido e significado para sua liberdade de existir (SIPAHI; VIANNA, 2002).

Contudo, a escolha de um olhar fenomenológico-existencial se perpetua em compreender o alcoolista como um ser humano, um ser-no-mundo, o apoiando a busca pelo sentido da sua existência e o assumindo como um sujeito de escolhas e infinitas possiblidades (SIPAHI; VIANNA, 2002).

O existir não é fácil, porém só é possível ter a liberdade sobre sua própria existência quando nos tornamos responsáveis por ela, ás vezes pode ser doloroso aceitar que as transformações dependem apenas de nós, porém é necessário ocorrer essa aceitação para que se ocorra a transformação (RIBEIRO, 2015).

Torna-se, portanto, necessário reconhecer que o dependente precisa ser olhado através da humanização e empatia, sendo um ser que precisa de apoio e ajuda para se readaptar como ser-no-mundo e se reencontrar consigo mesmo, isso é possível através do apoio familiar, das possibilidades já citadas de tratamento e do olhar acolhedor da fenomenologia-existencial para o ser humano (CAMON, 1995).

O julgamento é comum em casos de Dependência Química, é necessário quebrar tabus e acolher. Eles precisam ser escutados sem julgamento, cuidados e respeitados como seres humanos e construtores da sua própria existência.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo deste trabalho foi compreender as contribuições que a perspectiva da fenomenológica-existencial proporciona visando o tratamento do alcoolismo, bem como, como é o olhar empático e humanizado para os alcoolistas e como eles sentem e agem diante da sua própria existência. Através do conteúdo descrito, foi possível perceber as importantes contribuições dessa nova forma de olhar para o tratamento dos alcoolistas.

Conforme desenvolvido, o trabalho levantou importantes reflexões, tais como: Definição de Dependência Psicoativa e especificamente o alcoolismo; Perspectiva fenomenológica-existencial abordando o ser-no-mundo, ser-no-mundo diante do alcoolismo e o vazio existencial) e as possibilidades de intervenção através dessa abordagem, bem como as dificuldades de tratamento e a culpa existencial.

Tendo como objetivo propor uma nova forma de olhar para o tratamento do alcoolismo através de uma pesquisa bibliográfica, é possível refletir que tal objetivo foi concretizado, pois é importante olhar para o alcoolista não apenas como dependente, mas como ser humano.

O presente estudo teve como resultado a descrição de uma nova possibilidade de tratamento do alcoolismo, através de olhar o sentido da dependência do álcool para aquele ser humano, tal como ser subjetivo, a fuga da realidade através do entorpecimento, a tentativa de livrar-se da responsabilidade de existir, bem como as novas perspectivas e ressignificações que o mesmo pode realizar diante da sua existência.

Visando uma nova forma de olhar e de contribuir com o tratamento do alcoolismo através da abordagem fenomenológica-existencial é importante a abertura de possibilidades para reflexão e conscientização através de novos trabalhos para propor um tratamento humanizado em casos de alcoolismo, visto que, é necessário menos julgamento e mais empatia para compreender o vazio existencial do ser enquanto busca pelo sentido da sua existência.

7. REFERÊNCIAS

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Publicado por: Kethellin Freitas Moraes

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