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TRANSTORNO DISRUPTIVO DA INFÂNCIA: UM ESTUDO NO MUNICÍPIO DE GUARAPUAVA

Pedagogia

Diversidade no ensino e o trabalho multidisciplinar em rede visando ofertar um processo educacional de qualidade para para alunos com Transtornos Disruptivos da Infância.

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RESUMO

Os Transtornos Disruptivos (TD) compostos do Transtorno Opositor Desafiador (TOD) e o Transtorno de Conduta (TC) são distúrbios psiquiátricos que apresentam como característica principal um modelo repetitivo e persistente de conduta antissocial, agressiva ou desafiadora. A falta de conhecimentos mais aprofundados pelos profissionais da educação muitas vezes provoca uma incompreensão quanto às atitudes e ações deste aluno e a melhor conduta pedagógica. Mesmo com laudo médico, ainda assim, não é realizada uma intervenção adequada, visando uma qualidade no processo educacional. Diante disso, o objetivo deste trabalho foi analisar o atendimento educacional para estudantes com TOD e TC nas escolas públicas do município de Guarapuava-Pr. Para alcançar este fim foi necessário compreender as discussões cientificas relacionada ao TOD e TC, analisar a relação da escola com a família dos estudantes, avaliar conduções de diagnóstico, intervenção e orientação para professores. O método de coleta e análise de dados foi qualitativo visando colher elementos sobre questões específicas do contexto educativo do aluno. A pesquisa de campo foi realizada de forma exploratória adotando como instrumento uma entrevista semiestruturada realizada diretamente pela pesquisadora com uma gestora da equipe de educação especial do município e uma pedagoga de uma escola que possui um aluno com diagnóstico de TOD. Concluímos que um número reduzido de alunos são atendidos com diagnóstico na rede apesar do índice de prevalência superior, revelando fragilidade no processo de diagnostico e intervenção. O atendimento do aluno ocorre em AEE em salas de recursos multifuncionais. Nem todas as famílias contribuem com o tratamento medicamentoso e terapêutico, sendo estes os grandes desafios, além de incluir e socializar. Desta forma, o presente trabalho visou contribuir para uma necessária reflexão sobre a consideração da diversidade no ensino e o trabalho multidisciplinar em rede visando ofertar um processo educacional de qualidade para alunos com Transtornos Disruptivos da Infância.

PALAVRAS-CHAVE:. Transtorno Opositor Desafiador; Transtorno de Conduta; Dificuldades de Aprendizagem.

ABSTRACT

Disruptive Behavior Disorders (DBD) composed with Oppositional Defiant Disorder and Conduct Disorder (CD) are psychiatric disorders characterized by a persistent and repetitive pattern of antisocial, aggressive or challenging behavior. The lack of more in-depth knowledge by education professionals often leads to a misunderstanding of the student's attitudes and actions and the best pedagogical conducts. Even with a medical report, however, an adequate intervention is not carried out, aiming at a quality in the educational process. Therefore, the objective of this study was to analyze the educational attendance for students with DBD and CD in public schools in the city of Guarapuava-Pr. To achieve this goal, it was necessary to understand the scientific discussions related to the DBD and CD, to analyze the relationship between the school and the student’s families, to evaluate the diagnostic intervention and guidance for teachers. The method of data collection and analysis was qualitative in order to gather elements on specific questions of the student's educational context. The field research was carried out in an exploratory way, adopting as an instrument a semistructured interview conducted directly by the researcher with a manager of the special education team of the municipality and a pedagogue of a school that has a student diagnosed with DBD. We conclude that a reduced number of students are seen with diagnosis in the network despite the higher prevalence index, revealing fragility in the diagnosis and intervention process. Student attendance occurs in Specialized Educational Service (AEE) in multifunctional resource rooms. Not all families contribute to drug and therapeutic treatment, which are the major challenges, in addition to including and socializing. In this way, the present work aimed to contribute to a necessary reflection on the consideration of diversity in teaching and the multidisciplinary work in network aiming to offer a quality educational process for students with Disruptive Behavior Disorders.

KEYWORDS: Oppositional Defiant Disorder; Conduct Disorder; Learning Difficulties.

1. INTRODUÇÃO

Ao me deparar com uma criança com TC, no meu estágio de observação e regência e nas aulas de Dificuldades de Aprendizagem, achei de extrema importância abordar um assunto tão delicado e tão pouco conhecido e debatido dentro da área da educação. O tema que foi pesquisado, refere-se ao Transtorno Opositor Desafiador e Transtorno de Conduta, considerados pela comunidade científica como Transtornos Disruptivos da Infância, com prevalência importante, porém, pouco debatida.

Os Transtornos Disruptivos (TD) se caracterizam por comportamentos antissociais e violação de regras básicas, sendo que aqueles que o possuem podem apresentar comportamentos raivosos, violentos e manipuladores. Esses transtornos muitas vezes vêm acompanhados de outros problemas, ou comorbidades, que afetam a família, os ambientes sociais que ela frequenta e a escola, comprometendo a relação afetiva entre professor e aluno, e, principalmente a aprendizagem desse individuo.

Os TD’s são os transtornos psiquiátricos que surgem na infância e têm grande abalo na adolescência e na vida adulta. Como exposto anteriormente o Transtorno Opositor Desafiador e Transtorno de Conduta, termos simplificados pelas siglas TOD e TC apresentam como característica principal um modelo repetitivo e persistente de conduta antissocial, agressiva ou desafiadora. Tal comportamento é preocupante quando não é considerado apropriado e para a idade do individuo.

A escola precisa ter um olhar diferenciado com a criança que apresenta esse transtorno como: o modo de tratamento considerando as peculiaridades do seu comportamento, apoiar na resolução das dificuldades no desenvolvimento escolar e jamais discriminar pelo seu comportamento opositor e desafiador.

Compreendemos que trabalhar com crianças que apresentem dificuldades de comportamento não é tarefa fácil, portanto, é essencial que se tenha uma visão inclusiva buscando conhecimentos para entender e poder realizar os procedimentos pedagógicos.

Sendo assim os Transtornos devem ser bem assistidos e compreendidos pelas pessoas mais próximas, como: a família e a escola. A observação deve ser feita com muita atenção e responsabilidade e não precipitadamente, pois os Transtornos Disruptivos não se manifestam isoladamente geralmente ele pode ser associado a outros transtornos e comorbidades, pois há crianças e adolescentes que apresentam diferentes sinais e sintomas, portanto, o diagnóstico preciso é indispensável.

Quando nos referimos ao aluno com TD, a falta de conhecimentos mais aprofundados sobre o transtorno pelos profissionais da educação, muitas vezes provoca uma incompreensão dos docentes e equipe pedagógica quanto às atitudes e ações deste aluno. Mesmo com laudo médico, ainda assim, muitas vezes não é realizada uma intervenção adequada, visando uma qualidade no processo educacional deste aluno. Não raro este é classificado por todos como indisciplinado e rebelde diante das constantes ocorrências de conduta inadequada, isso acontece pela falta de conhecimento, bem como em virtude do desconhecimento de como trabalhar na área da educação com um individuo com esse transtorno.

Portanto, o objetivo deste trabalho foi analisar o atendimento educacional para estudantes com Transtornos Disruptivos no ensino fundamental das escolas públicas do município de Guarapuava-Pr. Para atingir a este fim geral especificamente buscamos compreender as discussões cientificas relacionadas aos Transtornos Disruptivos da Infância; descrever as políticas públicas de inclusão e recomendações educacionais e psicológicas ao aluno com Transtornos Disruptivos da Infância e verificar as conduções para diagnóstico, intervenção e orientação para professores nas escolas públicas municipais de Guarapuava.

Para alcançar este fim realizamos uma pesquisa de campo, com uma Pedagoga e uma componente da equipe de gestores de educação especial do município para se ter uma real dimensão da problemática. Para alcançar os fins do estudo foi necessário compreender as discussões científicas relacionadas aos TD’s (TOD e TC), analisar a relação da escola com a família dos estudantes, avaliar conduções de diagnóstico, intervenção e orientação para professores. O método de coleta e análise de dados utilizado foi qualitativo com a finalidade de colher elementos sobre questões específicas do contexto educativo dos alunos.

No primeiro capítulo abordamos a definição dos Transtornos Disruptivos, classificados em Transtorno Opositor Desafiador e Transtorno de Conduta. No segundo capítulo descrevemos as políticas públicas de inclusão e recomendações legais, educacionais e psicológicas ao aluno com Transtornos Disruptivos da Infância por meio de uma breve análise das politicas públicas e sociais. O terceiro capítulo ocupa-se em descrever os resultados das análises de dados coletados no campo da pesquisa.

Em suma, o presente trabalho visou contribuir para uma necessária reflexão sobre a consideração da diversidade no ensino e o trabalho multidisciplinar em rede visando ofertar um processo educacional de qualidade para estes alunos.

CAPÍTULO l DEFINIÇÃO DOS TRANSTORNOS DISRUPTIVOS: TRANSTORNO OPOSITOR DESAFIADOR E TRANSTORNO DE CONDUTA.

Neste primeiro capitulo nosso objetivo é descrever os Transtornos Disruptivos da Infância, realizando uma breve análise neurocientífica. Estes transtornos são desconhecidos pela maioria dos educadores, porém, muito frequente em criança e adolescentes. Muitas vezes desconhecido como um transtorno pela escola e família, se torna em geral desafio para todos os que estão envolvidos num mesmo ambiente social ou que convivem com as crianças e adolescentes que possuem esse transtorno.

Por vezes, os professores se deparam em sala de aula com alunos de comportamento muito difícil, que respondem de forma grosseira, testam a paciência dos educadores a todo instante como forma de provocação, envolvem-se em brigas com os colegas sem nenhum motivo, esses são apenas alguns exemplos de condutas, que podem atrapalhar o desenvolvimento de uma aula.

Neste capitulo abordaremos a situação em que professores convivem diariamente com alunos que tem esse transtorno e é considerado comum, porém, se tornam mais difíceis pela falta de conhecimento dos TD’s. A falta de conhecimento e compreensão das pessoas mais próximas como a família e a escola vai acarretar sérios problemas como: prejuízo na relação afetiva familiar e relação professor e aluno, dificuldades na aprendizagem, comprometimento no circulo de convivência desse individuo na sociedade, dentre outros.

Barletta (2011) destaca que os transtornos disruptivos são considerados difíceis de diagnosticar e tratar, uma vez que as crianças e os adolescentes, em seu ciclo normal de desenvolvimento, apresentam uma série de classes de comportamentos, incluindo os desafiadores. Isso significa dizer que nem todos os comportamentos apresentados por eles são aqueles desejados socialmente. Grevet (2007),ressalta que:

São descritos dois subtipos com base na idade de início do transtorno com início na infância (antes dos 10 anos) ou com início na adolescência (após os 10 anos). O início na infância predispõe ao transtorno de conduta persistente e ao transtorno da personalidade anti-social na idade adulta.

Quando se fala do TD em crianças e adolescentes estamos falando de um problema maior do que pensamos, pois esses vêm com comorbidades, que são alguns outros transtornos associados, como: TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção) que é facilmente confundido com TOD, pelos sintomas de hiperatividade/impulsividade, além disso, segundo Barletta (2011), também há os transtornos da comunicação e de aprendizagem, dessa forma, o diagnóstico diferencial é muito importante.

Às vezes por falta de conhecimento dos transtornos ele pode passar despercebido pelos familiares e pela escola. Não se pode confundi-lo com travessuras infantis ou a rebeldia normal adolescente. ’Atitudes como mentir e cabular aula podem ser observadas no curso do desenvolvimento normal das crianças e adolescentes. (CURATOLO,2003,p.343)

Esses transtornos acontecem muitas vezes na infância sendo uma das principais causas do encaminhamento de crianças a psiquiatria infantil. Observar e constatá-lo no ambiente familiar e precocemente ajuda no tratamento, além disso, quando estiver na escola poderá ser realizada a intervenção adequada.

De acordo com Curatolo (2003), o papel da família é fundamental para o desenvolvimento de uma criança saudável psicologicamente. Com base nos estudo de Lopes e col.(1995), a criança que apresenta o TC, é na maioria das vezes pela ausência do pai na família, diferente da criança que tem lares organizados.

O comportamento anti-social persistente na infância é de grande preocupação clinica, pois este é frequentemente um precursor de comportamento anti-social adulto. É incomum encontrar comportamento anti-social adulto na ausência de uma história de transtorno semelhante na infância. A não diminuição destes comportamentos, à medida que o tempo passa, é um mal prognóstico com relação à socialização adulta normal. (LEWIS,1993 apud CURATOLO p.344).

Para poder amenizar um problema futuro mais grave esse transtorno precisa ser levado a sério por todos, necessita de uma ação por parte de familiares, educadores e profissionais da área para que de fato, exista uma qualidade de vida melhor e mais adequada para a criança ou adolescente com TC.

Segundo (APA, 1994), a persistência de comportamento mal-adaptativo destrutivo é bem mais característico em meninos do que em meninas. Meninos: de 6% a 16%; meninas: 2% a 9%. Andrade (1999) enfatiza que a diferença de prevalência da síndrome entre os sexos diminui na adolescência, em função do diagnóstico do TC ser realizado com mais demora nas meninas. Podemos perceber que uma avaliação é um dos começos para se ter um possível resultado. Barletta relata que:

Inicialmente, em qualquer transtorno e para qualquer paciente, o primeiro passo é a realização de uma avaliação minuciosa que possa trazer dados consistentes a fim de se traçar uma linha de base. Isto é, conhecer quem é a pessoa, qual sua demanda, como foi sua história de aprendizagem e quais são as relações estabelecidas com o contexto. A avaliação permite fazer um diagnóstico topográfico e funcional, apontar diagnósticos diferenciais e escolher as técnicas mais pertinentes e eficazes para serem utilizadas no processo terapêutico.( BARLETTA, 2011,p.27)

Portanto, podemos perceber que o objetivo da avaliação é verificar possíveis resultados para que assim possa estabelecer intervenções, porém, Relvas (2008) ressalta que o diagnóstico é uma terminologia somente utilizada na área médica, não faz parte do contexto educativo, entretanto, o conhecimento de determinadas terminologias facilita o entendimento de algumas situações que possam estar presentes no ambiente escolar, pois “A presença de uma dificuldade de aprendizagem não implica necessariamente um transtorno” (RELVAS, 2008, p. 52).

Com base nisto, é importante a busca pelo conhecimento de algumas terminologias como: problemas, dificuldades, distúrbios ou transtornos. Quando se tem um entendimento é mais fácil perceber, principalmente no âmbito escolar, onde é mais frequente, pois é na escola que se evidenciam alguns sinais.. Muitas vezes os sintomas depressivos e ansiosos se misturam à agressividade e ao comportamento desafiador.

1.1 TRANSTORNO OPOSITOR DESAFIADOR -TOD

O TOD é um transtorno caracterizado por dois diferentes grupos de problemas: há agressividade e tendência para incomodar e irritar intencionalmente os outros. Esta costuma ser a razão pela qual as pessoas buscam tratamentos sempre ressaltando que o TOD vem acompanhado com outros tipos de transtornos como por exemplo com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), depressão, tiques, ansiedades ou outros transtornos neuropsiquiátricos. Quando o quadro é acompanhado por estas comorbidades torna-se mais grave e de difícil tratamento.

O TOD caracteriza-se especialmente pela presença de condutas de oposição, desobediência e desafio. Os comportamentos opositivos e desobedientes podem ser “passivos”, uma vez que a criança pode não responder ao pedido, mas pode apenas permanecer inativa. Os comportamentos desafiadores, ao contrário, incluem verbalizações negativas, hostilidade e resistência física que podem ocorrer junto com a desobediência (LUISELLE, 2005 apud BARROS, 2006).

Segundo (APA, 2002), as condutas das crianças com TOD são menos severas do que aquelas apresentadas no TC. Podemos assim dizer à importância que tem o diagnostico do TOD na infância, pensar na formação do individuo enquanto ser humano, suas emoções, seu desenvolvimento, ter uma compreensão para que o processo seja satisfatório, não causando retrocesso, desequilíbrio de comportamento e causando comprometimento clinico significativo das funções sociais, acadêmicos ou profissionais.

Segundo o DSM-IV-TR (APA, 2002), são oito os critérios para identificar a criança ou o adolescente com TDO, sendo que esses sintomas devem persistir pelo período mínimo de seis meses. São eles: perder a calma, discutir com adultos, desafiar ou negar-se a obedecer, emitir comportamentos para incomodar as pessoas, deliberadamente culpar terceiros por seus comportamentos, irritabilidade, estar enraivecido constantemente, comportamentos vingativos e rancorosos. Outro ponto importante é que esses comportamentos devem ser apresentados em lugares públicos, além da escola e da casa.(BARLETTA,2011,P.27).

Estratégias não médicas podem ser aplicadas tanto no âmbito escolar como familiar, o objetivo principal é impedir que os comportamentos inadequados funcionem, ou de que pelo menos as tentativas de irritar, aborrecer, causar briga ou agredir não funcionem. Para que isso ocorra precisa de uma modificação de comportamento por parte das pessoas mais próximas desse individuo, algumas como: Não se deve reagir emocionalmente frente ao comportamento desafiador, tentar ficar o mais calmo possível enquanto a criança esta tentando testar o limite, o comportamento deve ser claro, consistente, deve ser simples e direto, tem que ser firme.

O TOD é diagnosticado do mesmo modo que muitos outros distúrbios psiquiátricos em crianças. É preciso examinar a criança, conversar com ela, conversar com os pais e analisar a história médica. Algumas vezes são necessários outros exames clínicos para o diagnóstico preciso, muitas crianças com esse transtorno têm outros distúrbios associados. Este quadro como já citado é muito comum na infância, mais de 5% das crianças o apresentam, entre os mais jovens é mais frequente entre os meninos, mas à medida que a idade aumenta a taxa passa a ser a mesma nos sexos masculino e feminino.

A evolução das crianças com TOD, na vida adulta tem três possibilidades: a grande maioria diminui os sintomas, mas podem persistir algumas agressividades; o pode transformar-se em um Transtorno de Conduta e alguns persistem com sintomas de TOD ou evoluem para um quadro de Transtorno de humor ou ansiedade.

TRANSTORNO DE CONDUTA (TC): VERSÃO PIORADA DO TRANSTORNO OPOSITOR DESAFIADOR (TOD).

Um dos subtipos do Transtorno Disruptivo, o TC ou Transtorno de Conduta, pode ser mais amplo que o TOD envolvendo atitudes patológicas. Pode-se entender que esse transtorno pode se apresentar em todas as modalidades, sendo assim o distúrbio de conduta será mais grave.

O termo “transtorno” é usado por toda a classificação, de forma a evitar problemas ainda maiores inerentes ao uso de termos tais como “doença” ou“enfermidade”. “Transtorno” não é um termo exato, porém é usado para indicar a existência de um conjunto de sintomas ou comportamentos clinicamente reconhecível associado, na maioria dos casos, a sofrimento e interferência com funções pessoais (CID - 10 1992.p. 5).

Com base em Barletta (2011), o transtorno tem frequência maior em crianças do gênero masculino, assim como a sintomatologia apresentada também difere em relação ao gênero da criança. Isto é, em meninos há predominância de comportamentos de enfrentamento, como brigas, enquanto nas meninas há predominância de comportamentos sem enfrentamento, como mentir, fugir e prostituir-se (Koch & Gross, 2005). Sendo assim é o mais grave distúrbio psiquiátrico da infância. Questiona-se se o TOD e o TC estão relacionados. Podemos considerar baseado em varias pesquisas que o TC é a forma mais grave do TOD.

A linha que separa esses dois transtornos é a segurança, se uma criança tem TC deve haver preocupações com a segurança. Algumas vezes com a segurança pessoal e de outras pessoas na escola, na família ou na comunidade. Já crianças com TOD causam transtornos sociais, mas não especialmente são perigosas.

Segundo Eddy (2009), o TC descreve um padrão persistente de comportamentos antissociais manifestados por crianças ou jovens, em que são violados os direitos sociais dos outros ou regras sociais estabelecidas.

Dando continuidade a fala do autor, podem-se destacar no TC a falta de sentimento e piedade, crueldades físicas com pessoas ou animais, mentiras, manipulação, rompimento de promessas, falta de comprometimento com os mais simples e comuns afazeres, roubos em confronto com a vítima, furtos, fraude, estupro e, em casos menos comuns, homicídio. Estas são algumas características que devem ser consideradas, porém:

Devido aos sintomas do transtorno de conduta estarem presentes em muitas síndromes psiquiátricas, é fundamental realizar uma avaliação neuropsiquiátrica detalhada e abrangente antes de considerar a criança como simplesmente portadora um transtorno de conduta (LEWIS,1995, apud CURATOLO,p.344).

Assim como o TOD, o TC é geralmente associado a outros transtornos neuropsiquiátricos, a esta situação se dá o nome de comorbidades, a combinação mais frequente com o TC é o TDAH. Entre 30 a 50% das crianças com TC também terão TDAH, outra associação mais comum é a depressão ou ansiedade (25 a 50% das crianças), com abuso de substancia que alteram o funcionamento do cérebro ou seja psicoativas, ou Síndrome de Tourette (enfermidades associadas a tiques), é importante procurar distúrbios comórbidos em crianças com TC, pois o tratamento das mesmas dependem de qual distúrbio comórbidos esteja presente.

O diagnóstico do TC é realizado em neuropsiquiatria pediátrica, a crianças e os responsáveis são entrevistados em primeiro momento juntamente, em segundo momento separado para se verificar a história e outras possíveis afecções comórbidas. Relatórios escolares são essenciais para o diagnóstico, uma das grandes preocupações é que não há exame laboratorial que mostre estes problemas.

O transtorno na infância e adolescência pode evoluir, cerca de 30% das crianças com TC continuam com problemas semelhantes na idade adulta, cerca de 50 a 70% das crianças com 10 anos de idade com o transtorno terão tendências para o uso de substancias químicas 4 anos mais tarde, o tabagismo também é muito frequente.

As estratégias de tratamento tanto para o TOD e TC, devem ser multissistêmica, ou seja, um trabalho em equipe, tratando da origem familiar desse individuo, sendo: psicólogos, psicoeducacionais e orientações médicas através da abordagem farmacológica, o importante é tratar os distúrbios comórbidos. Por exemplo, se o TC é associado a depressão, a medicação antidepressiva pode ser mais eficaz, se é associado ao TDAH, medicação estimulante como o metilfenidato( ritalina) pode ajudar a criança com TC. Assim como o TOD o TC tem estratégias não médicas que pode ser aplicado no âmbito escolar e familiar, o objetivo principal é impedir que os comportamentos inadequados funcionem, as tentativas de irritar, causar brigas, agredir verbalmente ou fisicamente não funcionem, não se deve reagir emocionalmente frente ao comportamento do TC.

Estratégias médicas são importantes pois há três razões para se pensar no uso de medicamentos: Presença de afecções comórbidas (TDAH, depressão, tiques, ansiedade e psicose); se intervenções não-médicas não tiverem sucesso e quando os sintomas forem muito severos.

Muitas dessas crianças cresceram em lares violentos e podem jamais ter estabelecido um relacionamento forte de afetividade com alguém, estas questões podem ser abordadas por aconselhamentos de profissionais especializados e educadores. As crianças com TC frequentemente tem distúrbios de aprendizagem, precisam ser avaliadas e precisa ser dado auxilio extra com o trabalho escolar, muita dessas crianças também tem algum outro problema psiquiátrico maior, estas necessitam ser vigorosamente tratadas, a maioria delas tem dificuldades em se dar bem com outras pessoas, isso precisa ser abordado.

Se a criança com TC tiver um diagnostico com um olhar mais cuidadoso principalmente na aprendizagem escolar, pode-se dizer que é o ponto de partida para garantir que essa criança tenha acesso adequado e eficiente, para o seu desenvolvimento enquanto sujeito social.

CAPÍTULO II BREVE ANÁLISE DAS POLITICAS PÚBLICAS E SOCIAIS

O objetivo deste capítulo foi descrever as políticas públicas de inclusão e recomendações legais, educacionais e psicológicas ao aluno com Transtornos Disruptivos da Infância.

Meyer (2012), ressalta que: as Políticas Públicas podem ser entendidas como diretrizes e princípios norteadores de ação do poder público; regras e procedimentos para estabelecer as relações entre poder público e sociedade; mediações entre atores da sociedade e do Estado. São, nesse caso, políticas explicitadas, sistematizadas ou formuladas em documentos (leis, programas, linhas de financiamentos), orientadoras de ações que normalmente envolvem aplicações de recursos públicos. Nem sempre, porém, há compatibilidade entre as intervenções, as demonstrações de vontade e necessidades e as ações desenvolvidas.

Quando se fala em politicas públicas de Educação Especial o assunto tende a ser mais sério ou não se dá o devido valor que o mesmo merece e exige pela sua complexidade, seja relacionados a transtornos, distúrbios, patologias ou outros. Neste capitulo faremos uma breve análise das politicas publicas e sociais, no que se refere ao Transtorno Opositor Desafiador e ao Transtorno de Conduta. Considerando a questão da diversidade, podemos citar a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, onde descreve que:

O movimento mundial pela educação inclusiva é uma ação política, cultural, social e pedagógica, desencadeada em defesa do direito de todos os estudantes de estarem juntos, aprendendo e participando, sem nenhum tipo de discriminação. A educação inclusiva constitui um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis, e que avança em relação à ideia de equidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola. (MEC/SECADI).

Podemos perceber que as crianças e adolescentes que possuem os transtornos TOD e TC, são amparados por lei na questão de diversidade. Com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990) este determina que todos os municípios da Federação devem assegurar a constituição de órgãos que atendam às crianças e adolescentes considerados em situação de vulnerabilidade social. Com base no Título VIII Da Ordem Social Capítulo VII Da Família, da Criança, do Adolescente e do Idoso no Art. 227 é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Nesta perspectiva, o Ministério da Educação/Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão apresenta a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, que acompanha os avanços do conhecimento e das lutas sociais, visando constituir políticas públicas promotoras de uma educação de qualidade para todos os estudantes. (MEC/SECADI).

Sabe-se que há legislações que asseguram a inclusão dos alunos, mas será que ela funciona na pratica? Será que a lei esta sendo cumprida, nas escolas? A Constituição Federal de 1988 traz como um dos seus objetivos fundamentais “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (art.3º, inciso IV). Define, ainda no artigo 205, a educação como um direito de todos, garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. No seu artigo 206, inciso I, estabelece a “igualdade de condições de acesso e permanência na escola” como um dos princípios para o ensino e garante como dever do Estado, a oferta do atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino (art. 208).

Especificamente no Estado do Paraná, podemos citar um documento de extrema importância que é a Resolução SEED (2016), esse documento ampara a criação de um “Grupo de Trabalho Interdepartamental de políticas educacionais de atendimento aos Transtornos Disruptivos – do controle de impulsos e da conduta para apoio institucional e mobilizador de orientações às instituições escolares estaduais. ’’ Esse documento se baseia nas leis, sendo: A Constituição de 1988, em seu Art. 205, como já referido acima. A Lei Federal n.º 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996 que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, a qual evidencia o direito à educação em todas as etapas e modalidades de ensino. A SEED, na resolução 2786 (2016) ressalta que se faz necessária a implantação deste grupo: ‘’Considerando a ampliação das políticas de atendimento aos estudantes que apresentam sinais e sintomas de Transtornos Disruptivos – do controle de impulsos e da conduta matriculados na Rede Estadual de Ensino’’.

Percebemos que o objetivo do grupo é diretamente com os alunos portadores do TD, consideramos um avanço observar que algo está sendo feito, medidas estão sendo tomadas em questão de leis, é um grande avanço, em saber que alunos, instituição e a família, podem recorrer quando necessário.

No Art. 2º, vemos que: O GTI (Grupo de Trabalho Interdepartamental), tem a responsabilidade de dar apoio institucional e ser mobilizador de orientações às instituições escolares estaduais, pertencendo a ele vários fatores de responsabilidades como: ‘’ promover a integração das ações interdepartamentais, visando o atendimento aos estudantes regularmente matriculados na rede estadual de ensino com Transtornos Disruptivos, elaborar ações conjuntas de atendimento, com base em análises referentes às condições psíquicas do estudante, necessidade de acompanhamento pedagógico, formação continuada dos profissionais da educação e orientações às instituições escolares.” Estes dentre outros componentes importantíssimos que agregam essa lei.

Não se podem fechar os olhos e cruzar os braços diante de um fato tão real e atual dentro das escolas tanto estaduais, quanto municipais. Os alunos com TD fazem parte da realidade escolar, eles existem e precisam ser amparados, pelos grupos mais próximos que são a escola e a família, e essas precisam de ajuda também, necessitam de uma base, de um apoio que possam dirigir-se quando necessário.

É importante conhecer o desenvolvimento normal de uma criança e adolescente, pois muitos sintomas podem mimetizar comportamentos normais conforme a fase do desenvolvimento. O que delineará uma doença será a intensidade do sintoma e principalmente o prejuízo que causa para a própria criança, para as famílias e nas suas relações sociais e ocupacionais. (DÓRIA, 2011, p.10).

Podemos ressaltar que não é dever da escola realizar o diagnóstico, como vimos anteriormente esse é realizado por equipe multidisciplinar na área médica e psicológica, mas a escola deve ter entendimento para identificar os comportamentos externalizantes e habilidades acadêmicas e sociais desse aluno, para poder orientar a Rede de Proteção, a equipe de educação preparada para atender esses alunos solicitando a avaliação por profissionais preparados.

No que visa ao ECA (Estatuto da criança e do adolescente) a Lei nº 12.010, de 03 de agosto de 2009, mostra as legislações que regem o amparo a crianças e adolescentes e como se pode usar em favor das mesmas:

A política de atendimento dos direitos da criança e do adolescente far-se-á através de um conjunto articulado de ações governamentais e não governamentais, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (DIGIÁCOMO, 2010.p.94)

O ECA clarifica que se pode contar com as politicas publicas, a escola não pode ser indiferente e ter má vontade, mais uma vez ressaltamos que ela é o lugar onde esse individuo vai mostrar todas as sua habilidades sociais, e ela mais do que tudo tem que abraçar e trabalhar em prol desse individuo.

O ECA ressalta também que:

A política de atendimento dos direitos da criança e do adolescente a serem implementada pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios visa proporcionar a todas as crianças e adolescentes (assim como, é claro, também a seus familiares), de maneira concreta, o direito a um nível de vida adequado, capaz de permitir o seu pleno desenvolvimento físico, mental, espiritual, moral e social, atendendo ao princípio elementar da dignidade da pessoa humana. (DIGIÁCOMO, 2010.p.94)

Com base no que diz o ECA, podemos perceber que as crianças e adolescentes que possuem o TOD e TC, podem encontrar amparo da lei para si e suas famílias se assim houver omissão da escola, da saúde e até mesmo do poder público para com os mesmos. Como já falado, trabalhar com crianças e adolescentes que tem o TOD e TC é um desafio grande e de pouco conhecimento, tanto para as famílias quanto para a escola.

Portanto, no que se refere à responsabilidade o ECA ressalta no Art. 101 os devido fins após verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98, a autoridade competente poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas definidas aqui em cinco tópicos sendo:

I - encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade;

II - orientação, apoio e acompanhamento temporários;

III - matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental;

IV - inclusão em programa comunitário ou oficial de auxilio à família, à criança e ao adolescente;

V - requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial. (BRASIL, 1990)

Lembrando que no titulo IV, Artigo 129, observamos as medidas pertinentes aos pais ou responsável, sendo: “ III - encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico VI - obrigação de encaminhar a criança ou adolescente a tratamento especializado.

Portanto, cabe a família observar as características dos transtornos e realizar os encaminhamentos que se fizerem necessários, para assim, família e escola caminharem lado a lado.

Sabe-se que há filmes e documentários de fatos verdadeiros que falem sobre diversos assuntos, podemos relatar o filme chamado: ‘’Precisamos falar sobre o Kevin’’. Esse filme mostra o passado e presente mostrando a vida de Eva mãe de Kevin, o filme demonstra uma gravidez indesejada por Eva, e como o relacionamento com seu filho sempre foi difícil, distante e com pouco sentimento da mãe para com o filho, menino que desde bebe sempre teve um comportamento bastante difícil e desafiador. Conforme foi crescendo foi ficando pior, desobediente, manipulava seu pai e sabendo que a mãe sabia que ele era falso, com ela se tornava pior a relação.

Ele fazia coisas aterrorizantes só para desafiá-la, provocando de maneira proposital situações de risco, de mentira, manipulação, ameaçadora como: deixou em cima da pia da cozinha um líquido ácido, onde sua irmã pequena foi brincar e acabou derramando no olho, e perdeu a visão. Ele crescia e a situação se agravava, culminado no assassinato do seu pai, sua irmã e de colegas de escola, com arco e flecha.

Como descreve o artigo Psicologado: Suarez (2015) ‘’Frequentemente, expressam comportamentos explosivos e impulsivos, com predominância de provocações, ameaças, intimidações e crueldade na relação com o outro. Costumam agir com indiferença aos desejos, direitos e sentimentos alheios, enganando e manipulando, com a intenção de obter benefício e prazer para si, desconsiderando as prováveis consequências de seus atos. Em geral, os indivíduos possuem uma autoestima muito baixa, embora, transmitam aos outros uma imagem de contrária a isso, considerando-se o ser que sempre possui razão’’.

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Como visto anteriormente na comparação entre o TOD e TC, o que diferencia é a questão da segurança, onde o TOD tem uma conduta menos agressiva do que o TC. Em outras palavras, a criança portadora do TOD, apresenta risco para ela mesma e seus comportamentos não são tão graves para a sociedade, já a que tem o TC, transmite perigo e riscos para a coletividade, principalmente às pessoas mais próximas, já que não apresenta empatia com o outro.

CAPÍTULO III ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

1.2 METODOLOGIA

A presente pesquisa empírica foi de caráter exploratório utilizando a abordagem metodológica qualitativa na coleta e nas análises, empregando como procedimentos um questionário estruturado com perguntas abertas à equipe de Educação Especial mantida pela Secretaria de Educação de Guarapuava e de perguntas fechadas para Pedagoga de uma determinada Escola Municipal de Guarapuava. Portanto, o campo de pesquisa foi uma Escola Municipal de Ensino Fundamental 1ª Etapa e Secretaria Municipal de Educação Especial.

Os sujeitos alvo da pesquisa são profissionais que atuam indiretamente com alunos com TD (Transtornos Disruptivos), que apresentam como característica principal um modelo repetitivo e persistente de conduta antissocial, agressiva ou desafiadora.

Neste trabalho destaca-se a metodologia qualitativa, já que:

Os pesquisadores qualitativistas ocupam-se com os processos, ou seja, querem saber como os fenômenos ocorrem naturalmente e como são as relações estabelecidas entre esses fenômenos. “A curiosidade e o empenho do pesquisador estão voltados para o processo, definido como ato de proceder do objeto, quais são seus estados e mudanças e, sobretudo, qual é a maneira pela qual o objeto opera (Turato, 2003, p.262).

Um dos interesses desta pesquisa foi compreender as relações sociais e culturais do indivíduo com TD (Transtorno Disruptivo), no ambiente escolar, nos permitindo uma construção do conhecimento proposto nas questões, estabelecendo assim uma relação intercomunicante entre o pesquisador e o pesquisado, ocorrendo um processo de conhecimento de uma realidade de modo continuo.

A decisão sobre quais devam ser os focos específicos de investigação não é fácil. Ela se faz sobretudo através de um confronto entre o que pretende a pesquisa e as características particulares da situação estudada.(LUDKE, MENGA, 1986,p.46).

Os questionários foram construídos com a devida cautela para não fugir do tema, com uma linguagem simples e de fácil compreensão, de maneira que fossem escritas às respostas, e com a responsabilidade de entregar a profissionais que pudessem colaborar com respostas objetivas e que fossem importantes ao assunto proposto. Conforme aponta Godoy (1995), sob a denominação "pesquisa qualitativa" encontram-se variados tipos de investigação’’.

Conforme destaca Oliveira (2017) a pesquisa qualitativa é também conhecida como “estudo de campo”, “observação participante”, “entrevista qualitativa”, “abordagem de estudo de caso”, “pesquisa participante” entre outras.

Optamos pelo instrumento questionário, porque compreendemos que este pode ser utilizado na área da educação, pois permite o levantamento de dados com um custo baixo. Para complementar nossa decisão consideramos o que aponta Oliveira (1982) de que a entrevista é um dos principais instrumentos usados nas pesquisas das ciências sociais, desempenhando papel importante nos estudos científicos. Segundo Lüdke e André (1986, p. 34), a grande vantagem dessa técnica em relação às outras “é que ela permite a captação imediata e corrente da informação desejada, praticamente com qualquer tipo de informante e sobre os mais variados tópicos”.

A abordagem qualitativa, diz respeito a alguém ou a alguma coisa, ela busca uma compreensão de caráter privado, sendo que o ponto mais importante ou principal da sua atenção é concentrado no específico particular, para poder então compreender melhor a ação do sentido do que estava sendo estudado.

Para Godoy (1995), os pesquisadores qualitativos não partem de hipóteses estabelecidas a priori, não se preocupam em buscar dados ou evidências que corroborem ou neguem determinadas suposições. Partem de questões ou focos de interesse amplos, que vão se tornando mais diretos e específicos no transcorrer da investigação. Com base nesta ideia, pode-se afirmar que o pesquisador qualitativo não pode trabalhar no senso-comum, tem que partir de métodos e conclusões cientificas.

Portanto, foi encaminhado um questionário a Equipe de Educação Especial, Secretaria de educação Guarapuava, e outro a uma escola pública do município de Guarapuava. Onde foi retornado devidamente com as respostas. Para preservação da identidade das participantes da pesquisa adotamos um código de identificação, sendo E1 para a gestora da educação especial e P1 para a pedagoga da escola campo.

No levantamento de dados realizado com a equipe da Secretaria Municipal da Educação que atua na área da Educação Especial o objetivo foi compreender como é a rotina do trabalho no âmbito educacional com os alunos que tem o TD. No instrumento foram abordadas questões como: incidência de alunos com TD matriculados na rede pública municipal e suas respectivas idades, orientações dadas aos educadores que atuam diretamente com estes alunos, participação familiar, diagnóstico, atendimentos extracurriculares e desafios encontrados no trabalho com este público.

Já para a pedagoga, questionamos informações sobre o aluno que a escola trabalha que apresenta TD e o processo de ensino e de aprendizagem.

1.3 PERFIL DAS ENTREVISTADAS

E1 é do sexo feminino, e esta na faixa etária de 49 anos, é Especialista em Educação Especial. No que se refere à experiência atua há 4 anos na Gestão da Educação Especial.

P1 é do sexo feminino, está na faixa etária de 46 anos, possui como maior titulação pós graduação e no que se refere à experiência atua há 26 anos na área da educação.

1.4 RESULTADOS EQUIPE DE EDUCAÇÃO ESPECIAL

Inicialmente questionamos quantos alunos com Transtorno Disruptivo (Transtorno de Conduta ou Transtorno Opositor Desafiador) e suas respectivas idades encontram-se matriculados na rede municipal de Ensino de Guarapuava. Obtivemos a resposta que atualmente há oito alunos. Estes se encontram na faixa etária de cinco a dez anos de idade.

A mesma relata que há outros com indícios, porém, devido à dificuldade em se realizar um diagnóstico clínico, não há laudos de confirmação da hipótese de Transtorno Disruptivo. Isso demonstra a preocupação da equipe municipal de Educação Especial em confirmar diagnósticos evitando rotulações.

Considerando a população de Guarapuava e a projeção de incidência de TD que de acordo com (APA, 1994) esse transtorno é mais característico em meninos do que em meninas, ou seja, meninos de 6% a 16% e meninas entre 2% a 9%. Trazendo essa projeção ao número de alunos matriculados na rede municipal de educação que segundo o IBGE (2015) era de 25903 alunos, podemos observar que muitos não estão sendo atendidos dentro das peculiaridades do TD. Como foi discutido nos capítulos teóricos, os alunos com Transtorno devem ser assistidos e compreendidos pelas pessoas mais próximas, como: a família e a escola.

Como referenciado anteriormente o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) (BRASIL, 1990), determina que todos os municípios da Federação devem assegurar a constituição de órgãos que atendam às crianças e adolescentes considerados em situação de vulnerabilidade.

Além disso, a pesquisa aponta uma questão de saúde pública quando se demonstra a dificuldade para se obter o diagnóstico clínico para a aquisição de um laudo. Como foi relatado acima, esses transtornos vem com comorbidades, inclusive, Barletta (2011), comenta que também podem ser somados os transtornos da comunicação e de aprendizagem, dessa forma, o diagnóstico diferencial é muito importante.

Segundo a pesquisada: ‘’O diagnóstico é realizado clinicamente. Quando é observado comportamento que nos leva a pensar em Transtorno de Conduta ou TOD orientamos a família para que procure atendimento clinico’’. (E1) Percebemos uma atitude correta por parte da equipe de educação em proceder os encaminhamentos para a equipe multidisciplinar, entretanto, a família irá encontrar dificuldades para localizar todos os profissionais para emitir um parecer confirmando ou negando a hipótese de TD de qualquer tipo.

Contudo, com a confirmação de um diagnóstico, decorrem as ações de orientações aos professores em relação aos alunos com TD em suas salas de aula. Questionado sobre isso E1 respondeu:

As orientações são repassadas com vista ao desenvolvimento integral dos alunos, desde o emocional até o acadêmico, buscando adaptar o comportamento desses alunos às situações de ensino/aprendizagem. É esclarecido a cada professor a realidade sobre cada aluno, orientado para que se descubra a potencialidade a habilidades, procurando estabelecer parcerias com a família e com os atendimentos especializados que o mesmo recebe. (E1)

Sabemos que o trabalho integrado entre família e escola é extremamente importante em função do aluno com TD, a escola faz parte da socialização e reabilitação desses indivíduos. É um trabalho contínuo de muita perseverança, há muitos desafios da gestão municipal de educação para conduzir a vida acadêmica desses alunos, porém a orientação aos professores é que se valorize as habilidades dos alunos, e não tão somente as características. Isto vem de encontro a orientações para reforçar aspectos positivos e dirimir os negativos. A entrevistada ressalta que: ‘’Os alunos são acompanhados, bem como os professores e equipe pedagógica pela Equipe de Educação Especial da Secretaria de Educação’’, diante disto, percebemos o bom desempenho, e a importância dada à equipe realiza com esses alunos.

Como relatado pelo pesquisada busca-se nesse processo estabelecer parcerias com a família. Compreendemos que a família é fundamental, não ocorrendo um trabalho conjunto fica muito difícil incluir socialmente e educacionalmente esses alunos, e, principalmente dar continuidade aos tratamentos. Sabemos que a lei ampara esses alunos, então qualquer indiferença por parte da família em não apoiar os procedimentos de tratamento, a escola pode acionar as instancias maiores.

É relevante a família nesse processo educacional e terapêutico. A equipe de educação avalia essa participação como fundamental, mas nem tudo procede como deveria, o apoio é escasso. Ressalta E1 que: “O grande problema com alguns é a questão dos medicamentos que devem ser usados regularmente e que a família tem essa responsabilidade de levá-los ao médico e administrar esses medicamentos.” Inclusive, com base no Art. 227 podemos mencionar que:

É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão BRASIL(CF/88)

A falta de responsabilidade da família em relação a ministrar medicação, levar ao médico constantemente, deixa-a vulnerável causando um retrocesso em tudo que foi conseguido pela escola, tendo então que recomeçar tudo de novo o processo de adaptação, como relatou a gestora pesquisada. Aqui importante ressaltar que não há no município médico Psiquiátrica pediátrico e que também não há um Centro Especializado com equipe multidisciplinar para os atendimentos.

Ao perguntarmos quais são os locais de atendimento extracurricular para as crianças com TD nas escolas municipais de Guarapuava E1 relatou que os atendimentos ocorrem em Salas de Recursos Multifuncionais e Centro de Atendimento Educacional Especializado. Sabemos que na sala de ensino regular fica mais difícil para o professor suprir todas as necessidades do aluno com TD, geralmente tem mais alunos para dar atenção. Em sala de recursos o professor pode auxiliar individualmente amparando e observando melhor esses alunos, utilizando instrumentos de apoio que ajudem no aprendizado, proporcionando também a adaptação para que na sala regular possa acompanhar os demais.

Questionamos à pesquisada quais os maiores desafios que a Gestão Municipal de Educação Especial encontra na condução da vida acadêmica dos alunos, esta respondeu em três tópicos. Analisaremos inicialmente o tópico 1: Incluir e Socializar.

Com base nessa questão podemos citar Amaral (2013: ‘’Muitos professores do Ensino Regular apresentam dificuldades em trabalhar com estes alunos. É necessária a adaptação curricular, não modificando o conteúdo, mas, adequando às necessidades do aluno.’’ Como mencionado anteriormente a importância da sala de recursos para ajudar o professor da sala regular é muito eficaz, pois sabe-se que essa parceria conjunta vai produzir o efeito esperado. O professor da sala multifuncional poderá apoiar o professor, promovendo discussões de adaptação curricular e de avaliação, além de orientações quanto a metodologia pedagógica.

Os tópicos dois e três relatados pela pesquisada como os maiores desafios da inclusão do aluno com TD são: Estabelecer parcerias com a família e dar continuidade aos tratamentos.

Como descrito anteriormente, a família é parte principal na vida das crianças com TD, ela é à base de tudo, com ajuda, interesse, e responsabilidade o trabalho da escola fica mais eficaz. E a família fazendo sua parte, deixa a escola mais tranquila em questão de medicamentos e visitas ao médico, pois o trabalho da escola é pedagógico.

1.5 RESULTADOS PEDAGOGA DA ESCOLA MUNICIPAL.

Em primeiro momento foi questionado a P1, se era a primeira vez que teve experiência em trabalhar com aluno com TD, a mesma respondeu que não. Logo após foi pedido informações sobre o aluno, onde foi informado: que se trata de um aluno do sexo masculino, tem cinco anos de idade e está na educação infantil.

No levantamento de dados realizado com a P1, foi questionado a ela como a equipe pedagógica percebeu o TOD (Transtorno Opositor Desafiador) nesse aluno. P1 respondeu que: ‘‘O aluno que apresenta transtorno de conduta ou transtorno desafiador opositor é visível, e o seu comportamento é diferente dos demais pode se manifestar desde o 1º dia de aula.” Curatolo (2003) relata que o Transtorno de Conduta tem como principal característica o comportamento antissocial, agressivo ou desafiador, isso fica claro a importância de os professores como equipe pedagógica ter o entendimento, ou sendo assim um breve conhecimento desses transtornos, para que a intervenção pedagógica seja imediata.

Sendo recorrente o comportamento negativista, desobediente e hostil com figuras de autoridade (Curatolo, 2003), questionamos a pesquisada em relação aos procedimentos pedagógicos adotados e serviços ofertados para atender as necessidades desses alunos. Como resposta P1 relata que: “quase sempre o aluno é agitado, em questão de sua aprendizagem ele não aceita as regras, mas sabe fazer as atividades, então necessita de atendimento individualizado e estimulador.”

Observamos a importância que a escola deve ter com esses indivíduos, sabe-se que o TD, nem sempre vem isolado ele apresenta comorbidades, ou seja, vem ligado com outros sintomas e transtornos, em outros casos podem ser sintomas secundários de outros quadros.(PRAXEDES,1995). Estimular alunos com TD exige do professor uma total dedicação, sempre buscar o conhecimento e isso entra a formação continuada dos docentes para encontrar o melhor jeito de se trabalhar em função do aprendizado desse aluno.

Voltamos à questão família e sua indispensável participação e colaboração na vida futura acadêmica e social desses alunos com TD. P1 relatou que o maior desafio enfrentado pela escola no processo educacional do aluno em questão é: o atendimento desse aluno sem o apoio da família.

As atitudes e os comportamentos parentais certamente influenciam o comportamento mal adaptativo das crianças, porém as explicações causais geralmente são vagas. Sabe-se que condição doméstica caótica, lares rompidos em si mesmos, falta de limites, falta de disciplina doméstica consistente e, principalmente, alto nível de tensão entre os pais estão associados com delinquência. (GIANCOLA,2000 apud, CURATOLO p. 345)

Isto demonstra o quanto o ambiente social influencia na vida dessas crianças, nesse caso a família, a violência domestica, pai e mãe indiferentes aos filhos ou em conflitos tende a colocar essas crianças a vários fatores perigosos, uma delas é a violência e o sentimento de abandono, a criança que sofre isso vai demonstrar na escola com professores e colegas, sem conseguir controlar seus impulsos.

Para isso precisa o trabalho conjunto, com diálogo e encontros para discutir o andamento do procedimento educacional desses alunos com TD. E isso acontece no município de Guarapuava entre a equipe de Educação Especial e a Escola. Segundo P1, a comunicação se dá com conversas, encontros para análise do caso, tomadas de decisões para o auxilio dos professores regentes e os demais professores da instituição envolvida com esse aluno. Pode-se perceber a importância da troca de ideias, para evitar a piora no quadro, pois como descrito anteriormente a evolução das crianças com TOD, na vida adulta tem três possibilidades:

A grande maioria diminui os sintomas, mas podem persistir algumas agressividades. Entende-se então que é um trabalho de grande dedicação e paciência.

Entretanto, o TD pode transformar-se em um Transtorno de Conduta quando não diagnosticado e tratado na infância. Lewis (1995), comenta que: ‘’O transtorno de conduta é um diagnostico demasiadamente fácil de fazer e difícil de evitar’’.

Alguns persistem com sintomas de TD ou evoluem para um quadro de Transtorno de humor ou ansiedade, portanto a intervenção da escola é necessária, não somente para o processo pedagógico, mas também para evitar evoluções negativas do quadro.

Foi questionada a P1 como é o processo avaliativo desse aluno, a mesma respondeu que: ’’Nesse caso, educação infantil, pode-se usar o processo de observação, já que os registros ainda por esse aluno, está em processo.” Porém, ao avançar em sua vida acadêmica a escola precisa também adaptar o processo avaliativo deste aluno, de modo processual e contínuo. Hoffmann (1995, p. 21) apud VIEIRA, 2010, p.47-48) defende que :

A avaliação deixa de ser o momento terminal do processo educativo [...] para se transformar na busca incessante de compreensão das dificuldades do educando e na dinamização de novas oportunidades de conhecimento". Para isso, ela deve ser contínua, realizada em diferentes momentos, oportunizando um acompanhamento sistematizado da aprendizagem do aluno pelo professor. Assim surgem propostas de avaliação diagnóstica, formativa, contínua, dentre outras.(VIEIRA,2010,p.47-48)

Sabe-se que a observação é um dos instrumentos mais importantes, mas não necessariamente só isso. O dialogo de escola e família tem que ser mais profundo, e mais aproveitável possível. Utilizar de métodos diferentes para avaliar esse aluno, ir além da observação. Um interessante método de avaliação seria segundo Barletta( 2011):

[...] construir junto com os pais e com as crianças/adolescentes um diário. Inicialmente é preciso fazer um trabalho psicoeducativo, definindo os comportamentos específicos, para que não haja confusão quanto ao que observar e ao que avaliar.(BARLETTA, 2011,p.28)

O aproveitamento desse método vai ajudar muito o professor em sala de aula, pois sabemos que ele precisa trabalhar considerando a realidade do aluno.

Foi questionada a P1, como é o relacionamento do aluno com colegas de turma e escola, a mesma respondeu que: ’’Bastante conturbado, em alguns momentos muito agressivo, em outros momentos muito carente.” Neste aspecto o educador e toda a instituição devem tomar cuidado quanto as rotulações inadequadas que são utilizadas que ocorre casualmente e até mesmo sem querer, muitas vezes, de forma que pode ofender, magoar ou insultar isso pode causar sérios prejuízos na autoestima do aluno com TD

Entende-se que a escola é a continuação do lar, sendo que esta não pode se limitar a fornecer somente conhecimentos conceituais, mas contribuir para o desenvolvimento da personalidade de seus alunos em sua totalidade. A maior influência no processo escolar é exercida pelo professor que precisa ter o conhecimento de como se dá desenvolvimento emocional e comportamental da criança em todas as suas manifestações. (SEED,,apud Wallon,2017,p.2).

Tanto o professor quanto a escola são modelos para seus educandos em todos os aspectos, seja expressar valores, um pensamento, seus comportamentos e atitudes. Ser educado e respeitar o momento de cada aluno em suas peculiaridades, assim pode-se dizer que o professor é um espelho para seus alunos. Um olhar diferenciado do professor e da escola, faz com que esses alunos formem uma identidade de si mesmos estruturada pela afetividade, pois a incompreensão e o preconceito gerarão comportamentos ainda mais desafiadores e opositores.

2. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O propósito desse trabalho foi conhecer ainda que de forma limitada o TD, na educação básica do município de Guarapuava Pr, além de refletir sobre a essencial importância de se considerar estes estudantes em suas particularidades como inclusos no processo educativo, e garantir o respeito pelas crianças que apresentam os TD’s. Buscamos neste trabalho compreender qual o trabalho que o professor realiza com alunos, qual o apoio que esses recebem e quais as leis que amparam, tanto os alunos quanto a equipe de educação especial.

Ao realizar a pesquisa com a equipe gestora da educação especial e inclusiva, observamos prática e experiência, além disso, apresentam conhecimento no atendimento educacional para alunos com TD.

Em primeiro momento detectamos a quantidade de alunos matriculados na rede pública, com TD. Foi mencionado oito diagnosticados e com laudos, onde há intervenção com esses já é trabalhada, mas havendo outros com indícios, porém sem diagnóstico e sem laudo médico. Esses elementos demonstram um número reduzido de alunos em relação à proporção de alunos matriculados na rede de educação básica do município de Guarapuava. Certamente há muitos alunos desassistidos em suas necessidades, ou sendo confundidos com alguma outra patologia. Estes mesmos dados apontam uma fragilidade no sistema de diagnóstico dos TD’s no município de Guarapuava. Observamos que não há uma equipe multiprofissional constituída no município, profissionais de modo isolado realizam suas consultas e indicam o transtorno e seu tratamento.

Este fator dificulta a realização de um trabalho mais preciso, considerando que a educação é importantíssima para esses alunos, na construção de valores, sua convivência social e desenvolvimento acadêmico, relembrando as orientações legislativas que amparam esses alunos. Compreendemos que o diagnóstico é realizado clinicamente, mas quando esses deixarem a desejar, é nesse processo que a família tem todo o direito de recorrer à lei, cabendo também à escola orientar os pais nesta luta por direitos.

Observamos que orientações aos professores são realizadas e repassadas com vista ao desenvolvimento integral dos alunos desde o emocional até o acadêmico, é um processo bem estruturado e elaborado, buscando sempre o melhor para esses alunos, em questão do ensino e aprendizagem, a parceria com a família, procurando sempre ver os atendimentos especializados que o mesmo recebe, ou seja, ocorre orientação da equipe de educação especial, aos alunos, professores e equipe pedagógica. Pôde-se ver que são bastante compromissados e trabalham bastante pra que isso ocorra da melhor maneira possível.

Incluir e socializar esses alunos é um dos desafios que a gestão municipal de educação encontra, sabe-se que os alunos com TD, são de socialização difícil e complicada, porém deve haver bastante criatividade e entusiasmo para que esse processo ocorra.

O relato das duas pesquisadas aponta que nem sempre a parceria com as famílias ocorre com sucesso para a continuação dos tratamentos, já que estes são a base de terapia e medicação. Esta situação implica em fracasso no processo educacional de alguns alunos cujas famílias não se comprometem, considerando assim que tem coisas que não é responsabilidade da escola e sim das famílias. Quando não ocorre essa preocupação, essa responsabilização, tende-se a ter um desanimo uma desvalorização do trabalho que a escola vem realizando. Esses alunos precisam da medicação faz parte do seu tratamento, do seu desenvolvimento na aprendizagem. Considerando a ocorrência deste tipo de situação a escola pode partir para as instâncias competentes nos casos da falta de responsabilidades e compromissos da família com a criança, sabe-se que a lei também ampara as instituições escolares neste aspecto.

Considerando que um dos recursos de atendimento extracurricular aos alunos com TD’s no Atendimento Educacional Especializado (AEE) ocorre nas salas de Recursos Multifuncionais e Centros de Atendimento Educacional Especializado, temos que entender que o foco do trabalho não deve ser clinico e sim pedagógico. Realizar sondagem para ver o nível de escrita, utilizar instrumentos de apoio que ajudem esse aluno em seu desenvolvimento social, verificar suas habilidades, dando estimulo, elogios e oportunidades para que se expressem e possam ser avaliados de modo justo, processual e contínuo.

Em uma Escola de Educação Infantil Municipal, obtivemos por meio de questionário informações sobre o processo educacional de uma criança da Educação Infantil, do sexo masculino diagnosticado com TOD. Quando relatado pela pedagoga que o transtorno foi percebido pela equipe pedagógica no primeiro dia de aula, concluímos que esta possui um conhecimento anterior sobre as características do TOD. Isto destaca a importância da formação continuada para professores. Sabemos que o tema TD, não é conhecido pela maioria dos educadores, portanto, torna-se urgente promover formações, já que há um número bem maior de alunos com TD no município e que muitas vezes estão sendo confundidos com outras patologias.

Quanto a procedimentos pedagógicos ofertados para a necessidade desse aluno, foi percebido que desenvolver atividades no grupo torna-se complexo pelo fato da criança com TOD não obedecer a regras e precisar de atendimento individual e estimulador. Este papel cabe ao professor da sala multifuncional.

Como já falado acima, um professor que saiba como trabalhar com TOD, estimular um comportamento positivo, realizar atividades de diversas formas e com diversos métodos, sobre a importância do respeito, do convívio com seus pares, mostrar as possibilidades que vai adquirir se respeitar as atividades propostas, enfim um educador dinâmico, criativo, cheio de amor e paciência.

Assim como a gestora da equipe, a pedagoga destaca como desafio da escola no processo educacional é o atendimento do aluno com TD sem o apoio da família. Este fato é preocupante, pois sabemos que a base de um bom trabalho pedagógico encontra apoio na família, quando isso não ocorre, normalmente através de desculpas ou argumentos vazios, o trabalho realizado pela escola fica complicado. Portanto, se faz necessário dialogar, conversar e dar continuidade na casa o trabalho em parceria com a escola. Como falado acima, quando há negligencia com a criança por parte dos pais ou responsáveis, a escola pode comunicar às instancias que amparam a segurança e a saúde do aluno, uma delas o Conselho Tutelar, a fim de garantir o direito ao tratamento e terapia.

Constatamos que a escola recebe apoio da equipe multidisciplinar, há comunicação, diálogo e encontros para análise do caso, tomadas de decisões para auxiliar professores envolvidos com esses alunos. Concordamos que é fundamental essa junção, isso fortalece a escola e a equipe pedagógica tendo onde recorrer. Se fosse possível, essa equipe deveria realizar visitas domiciliares as famílias dos alunos com TD. Normalmente são famílias muito carentes e sem informação ficando enfraquecidas, sem estimulo e força para ajudar seu próprio membro. Poderia ser feito uma vez em cada dois meses se possível, para assim saberem que não estão sozinhos nessa luta, mostrar a família a real preocupação que a educação tem e o trabalho que realizam com os mesmos.

Foi descrito que o processo de avaliação desse aluno é feito por observação, sendo que o registro ainda desse aluno está em processo. Seria importantíssimo a escola descrever quais as atividades realizadas com esse aluno da Educação Infantil e quais são os processos de observação, o que tem sido revelado no desenvolvimento dele, pois além de ser um diagnóstico da aprendizagem também se torna um instrumento de avaliação diagnóstica da evolução do transtorno.

No que se refere à socialização é nesse período que o aluno com TOD, tem que ser mais trabalhado, estimulado, em questões de ordem emocional, social, já que seus relacionamentos são bastante conturbados, seus sentimentos são distorcidos pelo fato das comorbidades que esse transtorno traz consigo. Para isto também se faz necessário trabalhar com as outras crianças para que compreendam o seu comportamento oscilante e não tenham medo e se afastem dele, fato que apenas reforça as inabilidades sociais.

Sugerimos que haja continuidade nos estudos relacionados com Transtorno Disruptivo e suas definições, para poder ampliar um trabalho de ajuda para professores, alunos e famílias. Jamais deve-se acomodar numa atitude conformada e submissa, aceitando estereótipo de que o TD não tem jeito ou solução. Deve-se ter confiança na capacidade de trabalhar com responsabilidade e jamais olhar para a diferença com enfoque negativo e sim positivo, buscando as potencialidades da criança com TD.

Entendemos que as instancias superiores que dão direcionamento à escola ainda necessitam ter mais habilidades, talvez mais conhecimentos, diálogos e uma visão mais ampla em questão ao TD. A busca por conhecimento nesta área não se deve dar apenas quando há um aluno matriculado. Seria necessário e urgente que essas instancias se preocupassem também com a implantação de um centro de diagnóstico e intervenção de TD no município de Guarapuava. Caso isso ocorresse poder-se-ia oferecer uma perspectiva diferente ao aluno com TD em sua vida adulta.

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envolvendo-escola-e-familia. Acesso em: 23 jun. 2017

http://portal.mec.gov.br/politica-nacional-de-educacao-especial-na-perspectiva-da-educacao-inclusiva. Acesso em: 28 ago. 2017.

http://www.legislacao.pr.gov.br/legislacao/listarAtosAno.do?action=exibir&codAto=159872&indice=6&totalRegistros=3031&anoSpan=2016&anoSelecionado=2016&mesSelecionado=0&isPaginado=true Acesso em: 12 out. 2017.

http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2012/09/sobre-transtornos-dificuldades.html. Acesso em: 14 nov. 2017.

http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/T207092.pdf. Acesso em: 14 nov. 2017.

4. ANEXOS

Este questionário será utilizado para coleta de dados para a monografia de conclusão do curso de pedagogia da Faculdade Guairacá, Transtorno Disruptivo da infância, Angela Isabel Apª Ribeiro, sob orientação da Profª Ms Carla Maria de Schipper, tendo por objetivo: Analisar o atendimento educacional para estudantes com Transtornos Disruptivos no ensino fundamental das escolas públicas do município de Guarapuava-Pr.

Os dados serão analisados dentro dos princípios éticos e sua identidade, bem como de sua escola serão preservadas.

Agradecemos a sua colaboração.

1- Sexo: Fem. ( ) Masc. ( )

2- Idade: ----------

3- Formação: ---------------------------------------

4- Tempo de atuação: -----------------------------

5- É a primeira vez que você tem experiência no trabalho com Transtornos Disruptivos (Transtorno de Conduta ou Transtorno Desafiador Opositor)?

Sim Não

6- Informações do aluno com TC ou TOD.

Idade: ----------------------------

Sexo: ---------------------------

Serie: ----------------------------

7-Como foi percebido pela equipe pedagógica o Transtorno Opositor Desafiador nesse aluno (a)?

8-Quais são os procedimentos pedagógicos adotados e serviços ofertados para atender as necessidades desses alunos?

9- Quais são os maiores desafios enfrentados pela escola no processo educacional dos alunos com Transtorno Opositor Desafiador?

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10- Há comunicação entre a escola e a equipe multiprofissional que atua com os alunos com Transtorno Opositor Desafiador?

Sim Não

Caso positivo como se dá essa comunicação?

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11- Como é o processo avaliativo desse(s)/dessa (s) aluno(s)/aluna(s)?

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12-Como é o relacionamento deste (a) aluno (a) com colegas de turma e da escola?

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Este questionário será utilizado para coleta de dados para a monografia de conclusão do curso de pedagogia da Faculdade Guairacá. Transtorno Disruptivo da infância, Angela Isabel Apª Ribeiro, sob orientação da Profª Ms Carla Maria de Schipper, tendo por objetivo: Analisar o atendimento educacional para estudantes com Transtornos Disruptivos no ensino fundamental das escolas públicas do município de Guarapuava-Pr.

Os dados serão analisados dentro dos princípios éticos e sua identidade, bem como de sua escola serão preservadas.

Agradecemos a sua colaboração.

ROTEIRO DE ENTREVISTA, COM EQUIPE DA EDUCAÇÃO ESPECIAL.

1- Sexo: Fem. ( ) Masc. ( )

2- Idade:-----------

3- Formação: ---------------------------------------

4- Tempo de atuação na Gestão da Educação Especial: -------------------------

5- Há quantos alunos e suas respectivas idades matriculados na rede pública municipal que apresentam Transtorno Disruptivo (Transtorno de Conduta ou Transtorno Opositor Desafiador) em Guarapuava PR?

6- Como é realizado o diagnóstico?

7- Quais são as orientações dadas aos professores que receberão alunos com Transtorno Disruptivo em suas salas de aula?

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8- Quais os maiores desafios que a gestão municipal de Educação Especial encontra na condução da vida acadêmica destes alunos?

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9- Como você avalia a participação da família no processo educacional e terapêutico do aluno com estes transtornos?

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10- Quais são os locais de atendimento extracurricular ás crianças com Transtorno Disruptivo, que estão nas escolas municipais?

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Publicado por: Angela Ribeiro

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