PREVALÊNCIA DE ACIDENTES EM CRIANÇAS ATENDIDAS EM GRUPOS DE PUERICULTURA EM UNIDADE DE ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA

Pedagogia

Identificação de ocorrências de acidentes em crianças de 0 a 5 anos atendidas em grupos de puericultura.

índice

1. RESUMO

Introdução: Os acidentes e violências configuram um problema de saúde pública de grande magnitude, causando um forte impacto na morbidade e mortalidade da população. Os acidentes ou lesões não intencionais representam a principal causa de morte de crianças de 1 a 14 anos no Brasil. No total, cerca de 4.700 crianças morrem e 125.000 são hospitalizadas anualmente, segundo dados do Ministério da Saúde. Objetivo: Identificar a ocorrência de acidentes em crianças de 0 a 5 anos de idade atendidas em grupos de puericultura de uma unidade da ESF (Estratégia de Saúde da Família) do município de Taubaté. Método: A pesquisa foi desenvolvida após parecer favorável do Comitê de Ética e Pesquisa – CEP UNITAU nº 709.805, em uma ESF em Taubaté – SP, que atende crianças de 0 a 9 anos de idade. Realizamos uma pesquisa quantitativa, sobre os casos de acidentes ocorridos na faixa etária de 0 a 5 anos. Os dados foram coletados durante os dias de consultas de puericultura, por meio de um questionário aplicado aos responsáveis das crianças que aguardavam atendimento. Resultados: A maior incidência de acidentes ocorreu em crianças do sexo masculino – 64%; a faixa etária mais acometida foi a de 5 anos de idade – 50%; a maioria dos acidentes ocorreram na rua – 59%; em relação ao responsável presente no momento do acidente, observou-se a mãe em 36% dos casos; o acidente mais frequente foi a queda, com 63,63%, seguido de ferimentos perfurantes – 13,63%. Conclusão: Diante de um grave problema de saúde pública envolvendo as crianças em acidentes (seja no domicílio, na escola ou em vias públicas), sugere-se a realização de novos estudos, objetivando complementar o conhecimento e contribuir para a promoção de ações que melhorem a qualidade de vida das crianças.

Palavras-chave: Prevenção de acidentes; Causas Externas; Enfermagem pediátrica.

Tagima DM, Roque SM. Prevalence of accidents in children attending childcare groups in the family unit [completion of course work] Health Strategy. Taubaté (SP): University of Taubaté; 2014.

ABSTRACT

Introduction: Accidents and violence constitute a public health problem of great magnitude, causing a strong impact on morbidity and mortality of the population. Accidents or unintentional injuries are the leading cause of death for children 1-14 years in Brazil. In total, about 4,700 children die and 125,000 are hospitalized annually, according to the Ministry of Health. Objective: To identify the occurrence of accidents in children 0-5 years of age treated in childcare groups of a unit of ESF (Strategy health) in the city of Taubaté. Method: The study was conducted with the assent of the Research Ethics Committee - CEP UNITAU No. 709,805, in a FHS in Taubaté - SP, which serves children 0-9 years old. We conducted a quantitative research on the cases of accidents in the age group 0-5 years. Data were collected during the days checkups, through a questionnaire applied to parents of children awaiting care. Results: The highest incidence of accidents occurred in male children - 64%; the most affected age group was 5 years old - 50%; most accidents occurred on the street - 59%; with regards to the present at the time of the accident, the mother was observed in 36% of cases; the most frequent accident was falling, with 63.63%, followed by puncture wounds - 13.63%. Conclusion: Faced with a serious public health problem involving children in accidents (whether at home, at school or on public roads), we suggest the new studies, aiming to complete the knowledge and contribute to the promotion of actions to improve the quality of life of children.

Keywords: Accident prevention; External causes; Pediatric nursing.

2. INTRODUÇÃO

Os acidentes e violências configuram um problema de saúde pública de grande magnitude, causando um forte impacto na morbidade e mortalidade da população, resultado de omissões humanas e de condicionamentos técnicos e sociais (Minayo, Souza, 1997).

O Ministério da Saúde (Brasil, 2001, p. 8) faz a seguinte consideração:

Os acidentes também se apresentam sob formas concretas de agressões heterogêneas quanto ao tipo e repercussão. Entretanto, em vista da dificuldade para estabelecer, com precisão, o caráter de intencionalidade desses eventos, reconhece-se que os dados e as interpretações sobre acidentes e violências comportarão sempre certo grau de imprecisão.

As violências e os acidentes são um conjunto de agravos à saúde, no qual estão inclusas as causas intencionais e acidentais, caracterizadas, respectivamente, pelas agressões e lesões autoprovocadas e pelos acidentes relacionados ao trânsito, trabalho (Brasil, 2001).

De acordo com o Ministério da Saúde (MS), as lesões decorrentes de acidentes e violências são classificadas como causas externas de morbidade e mortalidade infantil. Essas intercorrências devem ser registradas na base de dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informações Hospitalares (SIH). No ano de 2007, segundo os dados do SIM, as causas externas representaram a primeira causa de óbitos em crianças de 0 a 10 anos no país (Brasil, 2012).

Reconhecendo que as violências e os acidentes exercem grande impacto social e econômico, sobretudo no setor da saúde, por meio da Portaria MS/GM n.º 1.356, de 23 de junho de 2006, implantou-se o Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA) constituído por dois componentes: o VIVA/SINAN – Vigilância de Violência Interpessoal e Autoprovocada do Sistema de Informação de Agravos de Notificação e o VIVA Inquérito – Vigilância de Violências e Acidentes em Unidades de Urgência e Emergência (Brasil, 2011).

A notificação no sistema VIVA é compulsória para os componentes em situações de violências envolvendo crianças e adolescentes, idosos e mulheres conforme determinada, respectivamente, pelo Ministério da Saúde, pelas Leis n.º 8.069/1990, n.º 10.741/2003 e n.º 10.778/2003 (Ministério da Saúde, 2011).

Os acidentes ou lesões não intencionais representam a principal causa de morte de crianças de 1 a 14 anos no Brasil. No total, cerca de 4,7 mil crianças morrem e 125 mil são hospitalizadas anualmente, segundo dados do Ministério da Saúde. O trauma é a principal causa de morte em crianças e adultos jovens, e um dos maiores problemas de saúde pública mundial (Vieira, 2004).

Segundo Relatório Mundial sobre Prevenção de Acidentes com Crianças e Adolescentes, lançado em dezembro de 2008 pela Organização Mundial da Saúde e pela UNICEF, 830 mil crianças morrem vítimas de acidentes, anualmente, em todo o mundo (Vieira, 2004).

A ocorrência de acidentes na infância está relacionada à idade, sexo, fatores familiares e características individuais de temperamento e do ambiente físico (casa ou escola). O fator mais importante que possui relação direta com o desenvolvimento, bem como com a ocorrência de acidentes, é a idade. Injúrias físicas acontecem em idades definidas, já que a criança está suscetível a ameaças que exigem certas ações nas quais ainda não está preparada. Além disso, a idade irá influenciar na gravidade do acidente (Sociedade Brasileira de Pediatria, 2005).

Pelo fato de as crianças na primeira infância estarem mais suscetíveis aos acidentes, por meio da Estratégia de Saúde da Família, ressalta-se a grande importância em prestar mais atenção nessa fase vulnerável na vida da criança. Para garantir uma boa assistência e acompanhamento, são realizadas consultas de puericultura, visando atuar de maneira preventiva, aumentando a chance da criança crescer e se desenvolver com êxito (Campos et al, 2011).

Para nortear as ações a serem desenvolvidas em uma consulta de puericultura, um dos princípios do SUS que aborda é o da linha de cuidado, uma estratégia para alcançar a integralidade da atenção, proporcionando a produção do cuidado desde a atenção primária até o mais complexo nível de atenção, de modo que haja interação de outros sistemas como a garantia de direitos, proteção e defesa de crianças e adolescentes (Brasil, 2010).

3. REVISÃO DA LITERATURA

3.1. Qualidade de vida infantil

Na medida em que os índices de morbidade e mortalidade por causas externas vão se destacando, a necessidade de estratégias para minimizar este problema de saúde pública mobiliza a sociedade e organizações (Godoy, 2006).

Em 1955, durante a 80.ª Assembleia Mundial de Saúde, realizada em Genebra, o governo sueco propôs, pela primeira vez, que os acidentes sejam considerados como um problema de saúde pública. Onze anos após, no ano de 1966, em nova Assembleia Mundial de Saúde, com todos os representantes membros da Organização Mundial de Saúde (OMS), tornou-se prioridade o encaminhamento de propostas para a prevenção de acidentes. No mesmo ano, a Sociedade Brasileira de Pediatria criou o Comitê de Prevenção de Acidentes na Infância, sob a presidência de Orlando V. Orlandi, autor do primeiro trabalho sobre o tema no Brasil (Blank, 2002).

Em 1990, a Convenção sobre os Direitos da Criança e do Adolescente, publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 22 de novembro de 1990, normatizou que deve-se assegurar a todos os setores da sociedade, em especial aos pais e às crianças, o conhecimento dos princípios básicos de saúde e, entre outros, o de ações de prevenção de acidentes, recebendo apoio”. Em outubro de 1998, a Sociedade Brasileira de Pediatria lançou a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes (Brasil, 1990).

Em nosso país providências foram tomadas para atender essa determinação, em outubro de 1998, a Sociedade Brasileira de Pediatria lança a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes. (Brasil, 1990) e mais posteriormente, o MS lança em 2001 a Política Nacional para Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências, com propostas de ações específicas.

Segundo Maciel (1998), as ações específicas propostas para os gestores federais, estaduais e municipais relacionadas aos acidentes e violências são:

  • Promoção da adoção de comportamentos e de ambientes seguros e saudáveis;

  • Monitorização da ocorrência de acidentes e de violências;

  • Sistematização, ampliação e consolidação do atendimento pré-hospitalar;

  • Assistência interdisciplinar e intersetorial às vítimas de acidentes e de violências;

  • Estruturação e consolidação do atendimento voltado à recuperação e à reabilitação;

  • Capacitação de recursos humanos;

  • Apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas.

Basso (2000) afirma que é preciso que os programas de prevenção e controle das causas externas em crianças tenham como base a identificação de fatores de risco e se efetuem por meio de:

  • Intervenção por meio de legislação apropriada, voltada para os padrões de segurança e prevenção desses episódios, principalmente em relação à indústria farmacêutica (fabricação de medicamentos com tampa inviolável, produção de álcool gel etc.) e construção civil (com a adoção de medidas de segurança na construção de playgrounds e residências – pisos que diminuam o impacto, tomadas altas etc.);

  • Programa de educação em saúde segundo a realidade social de cada população alvo, envolvendo a criança, a família, os profissionais das diversas áreas, as associações comunitárias e a sociedade em geral;

  • Contato direto com as famílias para elucidar atitudes e práticas na prevenção de acidentes infantis;

  • Treinamento de profissionais de saúde e outras categorias que direta ou indiretamente lidam com crianças;

  • Adequação dos serviços de nível primário e secundário para um atendimento eficaz e resolutivo, com diminuição das sequelas, reabilitação e reintegração no contexto familiar e social.

Para tanto, as medidas de prevenção e controle dos acidentes precisam ser compreendidas e praticadas não só pelos órgãos competentes, mas principalmente pela família e sociedade. Desta forma, as ações voltadas para a problemática das causas externas culminarão com o conceito de prevenção (Basso, 2000).

Vale destacar que os aspectos determinantes dos acidentes infantis se reportam às necessidades de cada população. Portanto, é necessário que qualquer reflexão ou proposta de ação se baseie na realidade local, quer seja do ponto de vista epidemiológico, social ou cultural, tendo sempre em vista os riscos inerentes ao ambiente e o estágio de desenvolvimento neuropsicomotor da criança (Vanzin, Nery, 1998).

Considerando que o estágio neuropsicomotor da criança influencia significativamente nos riscos e agravos a saúde, se faz necessário conhecer as fases do desenvolvimento infantil para assim planejar e implementar medidas de prevenção de acidentes.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (2005), nos primeiros meses de vida, a capacidade motora é muito limitada, e o bebê só reage ao que vê; portanto sujeito a riscos de terceiros, como, por exemplo: intoxicado por medicamentos mal administrados. Com o decorrer do tempo, vai adquirindo capacidade de buscar e explorar o ambiente, entretanto a má coordenação motora e a incapacidade de reconhecer riscos podem gerar situações de um grande número de traumas fisicos, como o traumatismo dentro de automoveis, a aspiração de objetos, as quedas, as queimaduras, os afogamentos e as intoxicações.

As características comportamentais para cada faixa etária são específicas: dos 2 aos 6 anos, no período pré escolar, as crianças vivenciam um pensamento mágico, cheio de possibilidades como voos, escaladas, desaparecimentos por esconderijos secretos e, muitas vezes, perigosos; o que também as tornam suscetíveis à acidentes característicos de sua busca por conhecimento, mas passíveis de realizar as mais diversas atividades, desde que sob a supervisão de uma adulto responsável, que estará encarregado por ensinar as medidas de segurança cabíveis (Sociedade Brasileira de Pediatria, 2005).

4. Classificação dos tipos de acidentes

Verificamos que a ocorrência de acidentes está diretamente relacionada com a idade, bem como o seu desenvolvimento neuropsicomotor. Abaixo segue um quadro relacionando os tipos dos acidentes conforme as fases de desenvolvimento.

Quadro 1. Tipos de acidentes, conforme fases de desenvolvimento

Faixa Etária

Tipos de Acidentes

Desenvolvimento

RN a 4 meses

Asfixia

Totalmente dependente do adulto

Quedas

Segue objeto na linha média

Queimaduras

Eleva a cabeça

Intoxicações

Segura objetos

Afogamento

Sentado sustenta a cabeça

5 a 10 meses

Aspiração

Coloca tudo na boca

Intoxicações

Sentado sustenta a cabeça

Traumas em geral

Engatinha / Fica de pé com apoio

Queimaduras / Choque Elétrico

Não tem medo de animais

1 ano

Anteriores +

Fica de pé

Acidentes de Trânsito

Anda

Quedas

Pode subir escadas

1 a 3 anos

Anteriores +

Atividade motora intensa

Quedas

Empilha objetos

Mordedura

Tem crises de birra

3 a 5 anos

Anteriores +

Corre

Acidentes de Trânsito

Pula

Quedas

Começa a se vestir sozinho

6 a 10 anos

Anteriores +

Conta e inventa histórias

Acidentes Esportivos

Gosta de canções

Agressões entre crianças

Corre

10 a 15 anos

Anteriores +

Mudanças físicas e psicológicas

Uso de drogas

Risco de gravidez e DST

Armas e Violência

Tem impulsividade

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria. Segurança da Criança e do Adolescente. Belo Horizonte MG, 2003.

           Segundo a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria, 2005), os acidentes mais frequentes de acordo com as idades são:

  • 0 a 1 ano: quedas (trocador, cama, colo), asfixia, sufocação, aspiração de corpos estranhos, intoxicações, queimaduras (água quente, cigarro etc.).

  • 2 a 4 anos: quedas, asfixia, sufocação, afogamentos, intoxicações, choques elétricos, traumas.

  • 5 a 9 anos: quedas, atropelamentos, queimaduras, afogamentos, choques elétricos, intoxicações, traumas.

  • 10 a 19 anos: quedas, atropelamentos, afogamentos, choques elétricos, intoxicações, traumas.

            De acordo com o estudo acima, constata-se que o acidente presente, do nascimento ao término da adolescência é a queda.

4.1. Prevenção de acidentes

Para prevenção dos acidentes na infância, do nascimento à adolescência, uma estratégia de grande importância é a disseminação de informações por meio de ações educativas à sociedade, particularmente as famílias e aos educadores responsáveis pelo cuidado infantil, que contemplem as principais medidas preventivas adequadas ao desenvolvimento infantil (Brasil, 2001). As ações educativas são estratégias utilizadas por profissionais de saúde nas instituições de saúde, assim como na comunidade com o objetivo de detectar os riscos à saúde e melhorar as condições de saúde da população atendida.

Um dos espaços destinados a essa prática são as consultas de puericultura, destinadas as crianças de 0 a 9 anos de idade.

4.2. Consulta de Puericultura na Estratégia de Saúde da Família (ESF)

A ESF tem como objetivo à reorganização da atenção básica, de acordo com as normas do Sistema Único de Saúde – SUS, e é vista como algo que busca à expansão e à qualificação nos serviços relacionados à saúde favorecendo uma reorientação do processo de trabalho, buscando ampliar melhorias na situação da saúde de maneira coletiva, propiciando uma importante relação de custo-efetividade (Ministério da Saúde, 2001).

Relacionado à equipe, Brasil – ESF (Ministério da Saúde, 2001) faz a seguinte consideração:

Um ponto importante é o estabelecimento de uma equipe multiprofissional (equipe de Saúde da Família – ESF) composta por, no mínimo: (I) médico generalista, ou especialista em Saúde da Família, ou médico de Família e Comunidade; (II) enfermeiro generalista ou especialista em Saúde da Família; (III) auxiliar ou técnico de enfermagem; e (IV) agentes comunitários de saúde. Podem ser acrescentados a essa composição os profissionais de Saúde Bucal: cirurgião-dentista generalista ou especialista em Saúde da Família, auxiliar e/ou técnico em Saúde Bucal.

Na ESF a saúde da criança é de grande importância em função do ser humano nessa fase ser mais vulnerável, para isso são realizadas as consultas de puericultura visando acompanhar o desenvolvimento e o crescimento da criança em acordo com as 13 linhas de cuidados.

Segundo Ceara (2002):

A puericultura efetiva-se pelo acompanhamento periódico e sistemático das crianças para avaliação de seu crescimento e desenvolvimento, vacinação, orientações às mães sobre a prevenção de acidentes, aleitamento materno, higiene individual e ambiental e, também, pela identificação precoce dos agravos, com vista à intervenção efetiva e apropriada. Para isto, pressupõe a atuação de toda equipe de atenção à criança, de forma intercalada ou conjunta, possibilitando a ampliação na oferta dessa atenção, pela consulta de enfermagem, consulta médica e grupos educativos.

Relacionada à consulta de enfermagem à criança Ribeiro et al. (2009) faz a seguinte consideração:

Tem como objetivo prestar assistência sistematizada de enfermagem, de forma global e individualizada, identificando problemas de saúde-doença, executando e avaliando cuidados que contribuam para a promoção, proteção, recuperação e reabilitação de sua saúde.

Na atenção primária, é de extrema importância a consulta de enfermagem para o acompanhamento da saúde da criança, com vigilância do crescimento e desenvolvimento, prevenção de agravos, promoção e manutenção da saúde, de modo sistematizado, de caráter generalista, centrada no ciclo vital e no contexto da família, buscando contribuir para que a criança alcance todo o seu potencial (Ribeiro et al, 2009).

A prática assistencial da consulta de enfermagem foi legalizada pela Lei n.º 7.498/1986, que regulamentou o exercício da Enfermagem. Estabeleceu-se essa atividade como privativa do enfermeiro (a), assim como a Resolução n.º 159 do Conselho Federal de Enfermagem descreve a obrigatoriedade da realização da consulta de enfermagem em todos os níveis de atenção à saúde (Cofen, 1993).

A consulta de enfermagem em puericultura para a avaliação da saúde da criança tem como objetivos (Ribeiro et al, 2009):

  • Prestar assistência sistematizada de enfermagem à criança e a sua família;

  • Promover a interação com a criança e a família na perspectiva do estabelecimento de vínculo e respeito à autonomia do usuário;

  • Enfermagem na atenção à saúde da mulher e da criança: o puerpério e o acompanhamento;

  • Conhecer a situação biopsicossocial, espiritual, econômica e sanitária da família da criança, relacionando com sua qualidade de vida, e intervir quando necessário;

  • Ampliar a cobertura de atendimento à criança e a sua família, contribuindo para a melhoria da qualidade da assistência;

  • Monitorar o processo de crescimento e desenvolvimento da criança;

  • Orientar e apoiar a gestante e a puérpera quanto ao aleitamento materno e aos cuidados com a criança.

A linha de cuidado da saúde da criança se torna uma prioridade da Secretaria Municipal de Saúde, assumindo compromisso de reduzir a mortalidade infantil e abordar integralmente a saúde da criança, com promoção da qualidade de vida e de equidade. Segundo o Ministério da Saúde (2004), as 13 linhas de cuidados abrangem desde a atenção a saúde da mulher (incluindo a gravidez) até o crescimento e desenvolvimento do bebê; são divididas em:

  • Ações da saúde da mulher: atenção humanizada e qualificada;

  • Atenção humanizada e qualificada à gestante e ao recém-nascido;

  • Triagem neonatal: teste do pezinho;

  • Incentivo ao aleitamento materno;

  • Incentivo e qualificação do acompanhamento do crescimento e desenvolvimento (CD);

  • Alimentação saudável e prevenção do sobrepeso e obesidade infantil;

  • Combate à desnutrição e anemias carenciais;

  • Imunização;

  • Atenção às doenças prevalentes;

  • Atenção à saúde bucal;

  • Atenção à saúde mental;

  • Prevenção de acidentes, maus tratos/violência e trabalho infantil;

  • Atenção à criança portadora de deficiência.

5. PROPOSIÇÃO

5.1. Objetivo Geral

Identificar a ocorrência de acidentes em crianças de 0 a 5 anos de idade atendidas em grupos de puericultura de uma unidade da ESF (Estratégia de Saúde da Família) do município de Taubaté.

5.2. Objetivos Específicos

  • Caracterizar a população infantil de 0 a 5 anos quanto ao sexo e a idade;

  • Identificar os locais de ocorrência dos acidentes: domicílio, unidades escolares, vias públicas;

  • Identificar a pessoa responsável pela criança no momento da ocorrência do acidente;

  • Identificar os tipos de acidentes mais comuns na faixa etária de 0 a 5 anos de idade, assim como os respectivos agentes causadores.

6. MATERIAL E MÉTODO

6.1. Tipo de Estudo

O presente estudo trata de uma pesquisa quantitativa descritiva. Optou-se pelo estudo quantitativo, porque focaliza em termos de grandeza ou quantidade do fator presente em uma situação. Os caracteres possuem valores numéricos, isto é, são expressos em números (Marconi,Lakatos, 2001).

Segundo Gil (2010), a pesquisa descritiva tem como objetivo a descrição das características de determinada população. Podem ser elaboradas também com a finalidade de identificar possíveis relações entre variáveis. E uma das características da pesquisa descritiva é a utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados.

Para a coleta de dados, foi utilizado formulário, preenchido pelas pesquisadoras, de acordo com as respostas do responsável.

Segundo Ruiz (1996), esse tipo de instrumento tem a vantagem de permitir esclarecimentos verbais às questões de entendimento mais difícil.                          

6.2. Campo de Pesquisa

O estudo foi realizado em uma Unidade de Estratégia de Saúde da Família, localizada no bairro Santa Tereza da cidade de Taubaté/SP, durante período de 30

dias, com a participação dos responsáveis pelas crianças, de 0 a 5 anos de idade que aguardavam para a consulta de puericultura nesta unidade.

6.3. População

Neste estudo, a equipe da unidade de ESF Santa Tereza atende as crianças por meio da consulta de puericultura em dois dias da semana, as segundas no período matutino com previsão de 13 atendimentos e as quartas-feiras em período integral com previsão 27 atendimentos; 13 no período matutino e 14 no período vespertino.

Na unidade são previstas a média de 160 consultas de puericultura por mês e, a equipe é composta de acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde: 1 médico clínico, uma enfermeira, uma odontóloga, um auxiliar odontológico, técnicos de enfermagem, agentes comunitários e, especialmente por decisão administrativa devido ao contingente de crianças residentes na área de abrangência, a coordenadoria da Atenção Básica destinou 1 médico pediatra para o atendimento.

Entretanto na coleta de dados, dois acontecimentos limitou a frequência ou a participação efetiva do binômio responsável/crianças nos grupos de puericultura, o primeiro foi à ausência do profissional enfermeiro; pois encontrava-se no período de licença maternidade, e essa vaga não foi preenchida pelo setor de recursos humanos do município.

O outro profissional responsável pelas consultas de puericultura, o pediatra, também se encontrava em férias e por isso nesse período foram reduzidos os agendamentos para os grupos de puericultura.

Diante das circunstâncias de caráter administrativo participaram do estudo 22 responsáveis.

6.4. Questões Éticas

Antes do início da coleta de dados, o projeto foi submetido à apreciação do responsável pela Secretaria de Saúde do Município de Taubaté (APÊNDICE A) e, após parecer favorável, foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Taubaté para análise e aprovação (ANEXO A), após isto foi emitido o parecer consubstanciado do Comitê de Ética e Pesquisa nº 709.805 (ANEXO B).

Após o atendimento as exigências legais, as pesquisadoras mobilizaram-se para realizar contato com o profissional responsável pela unidade para o agendamento das entrevistas.

6.5. Instrumento de Coleta de Dados

Os dados foram obtidos por meio de entrevistas com os responsáveis que acompanhavam as crianças às consultas de puericultura utilizando um formulário específico composto de duas partes:

Parte A: refere-se ao Rapport (APÊNDICE B) cujo objetivo é esclarecer o objetivo da pesquisa e solicitar a participação do responsável pela criança.

Parte B: refere-se ao formulário (APÊNDICE C) que contempla informações agrupadas em três grupos de variáveis: o primeiro grupo refere-se as características sócio demográficas dos responsáveis pelas crianças; o segundo refere-se as características sócio demográficas das crianças de 0 a 5 anos atendidas em consultas de puericultura; e o terceiro grupo refere-se aos acidentes ocorridos com as crianças.

6.6. Coleta de Dados

Os dados foram obtidos por meio de entrevistas nos meses de julho e agosto de 2014, realizadas junto aos responsáveis que acompanhavam as crianças nas consultas de puericultura.

Os responsáveis pelas crianças assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE D), elaborado de acordo com a Resolução n.º 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, que regulamenta os protocolos de pesquisa com seres humanos (Brasil, 2012).

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6.7. Apresentação e análise dos dados

Após aprovação do projeto pelo Comitê de Ética e Pesquisa, iniciamos a coleta de dados na ESF. Após isto os dados foram analisados seguindo a ordem das variáveis listadas no item 4.5, após isto utilizamos tabelas e figuras para a apresentação dos dados e discussão.

7. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os dados foram analisados quantitativamente em três categorias:

1. Características sócio demográficas dos responsáveis pelas crianças;

  • Características sócio demográficas das crianças de 0 a 5 anos atendidas em consultas de puericultura;

  • Acidentes ocorridos com as crianças.

Essas categorias foram divididas por meio do questionário aplicado aos responsáveis que acompanhavam as crianças para a consulta de puericultura. Observamos que em 9 casos (40,90%) o responsável pelo acompanhamento das crianças era a Avó; em segundo lugar, com 8 casos, o responsável era a Mãe (36,36%), seguido do Pai com 2 casos (9,09%), Cuidadora com 2 casos (9,09%) e Tia com 1 caso (4,54%). Podemos verificar que a presença da avó se mostra bastante significativa, o que se deve ao fato de a mãe estar inserida no mercado de trabalho e a criança depender dos cuidados de alguém (avó, na maioria dos casos).

7.1. Características sócio demográficas dos responsáveis pelas crianças

Tabela 1 – Escolaridade dos responsáveis pelas crianças no momento da consulta em uma Unidade da ESF. Taubaté 2014

Escolaridade do Responsável

Quantidade

Ensino Fundamental Completo

2

Ensino Fundamental Incompleto

5

Ensino Médio Completo

7

Ensino Médio Incompleto

4

Não alfabetizada

4

Total

22

Observa-se na Tabela 1 que em 13 (59%) dos casos os responsáveis pelas crianças no momento da consulta não possuíam a escolaridade completa, sendo que em 4 casos os responsáveis não eram alfabetizados. Em 9 (41%) casos verificamos que os responsáveis completaram a escolarização, sendo que em 2 casos foi concluído o ensino fundamental. Fato este que dificulta o preparo dos adultos para o processo de ensino para as crianças, no que se refere à prevenção de acidentes e fatores de risco que a mesma está exposta.

7.2. Características sócio demográficas das crianças de 0 a 5 anos atendidas em consultas de puericultura

Figura 1 – Gênero das crianças atendidas nas consultas de puericultura em uma Unidade da ESF. Taubaté – SP, 2014     

A figura 1 demonstra que das 22 crianças atendidas nas consultas de puericultura, 8 (36%) pertencem ao gênero feminino e 14 (64%) pertencem ao gênero masculino.

Os dados da pesquisa são similares aos de um estudo retrospectivo realizado com 890 crianças atendidas em um Pronto Socorro Pediátrico no Estado de São Paulo, em que se obteve, também, mais de 50 % da população pertencente ao gênero masculino (Filócomo et al, 2002).

Em um outro trabalho, realizado, durante os meses de setembro e novembro dos anos de 2006 e 2007, em serviços de emergência credenciados ao SUS foram obtidas no primeiro ano: 8.039 (oito mil e trinta e nove) entrevistas realizadas, sendo que 61,1% eram do gênero masculino e 38,9% do gênero feminino; no segundo ano: 10.687 (dez mil seiscentos e oitenta e sete) entrevistas realizadas, sendo que 60,7% representava o sexo masculino e 39,3% o sexo feminino. Mais uma vez, constatou-se a prevalência do sexo masculino (Malta et al, 2009).

Este predomínio do sexo masculino, no que está relacionado aos acidentes na infância, pode ser explicado pelas diferenças de atividades relacionadas entre os dois gêneros, nos quais os meninos estão mais expostos às brincadeiras na rua, atividades mais agitadas; enquanto que as atividades inerentes ao sexo feminino tendem a ser mais brandas, sendo a maioria realizada no próprio domicílio (Filócomo et al, 2002).

Outro fato importante a se considerar é relativo à liberdade antecipada aos meninos em nossa cultura, sendo direcionados e incentivados a brincarem nas ruas e a realizarem atividades mais dinâmicas, como correr, jogar bola, andar de bicicleta entre outras, ficando assim mais expostos aos riscos de acidentes.

Figura 2 – Idade das crianças atendidas em consultas de puericultura em uma Unidade da ESF. Taubaté – SP, 2014

Quanto à idade das crianças atendidas em consultas de puericultura e que sofreram acidentes, constata-se na figura 2 que as faixas etárias prevalentes foram as de 5 e 1 ano de idade, com os valores de 50% e 14% respectivamente.

Dados semelhantes foram encontrados em estudo (Malta et al, 2009) realizado nos anos de 2006 e 2007. No ano de 2006 evidenciou-se que 43% dos acidentes acometem a faixa etária de 2 a 5 anos; 41,2% de 6 a 9 anos; e 15,7% em menores de um ano. No ano de 2007, 43,2% na faixa etária de 2 a 5 anos; 40,7% de 6 a 9 anos; e 16,1% em menores de um ano.

Pode-se verificar uma incidência maior em crianças de 5 anos ou mais, pelo fato de serem autossuficientes; conseguem correr, pular e desenvolver mais atividades. Ou seja, têm autonomia para realizar atividades, porém, ainda não têm capacidade de discernir o que é arriscado.

7.3. Acidentes ocorridos com as crianças atendidas em consulta de puericultura na unidade de ESF Santa Tereza

Figura 3 – Locais de ocorrências de acidentes. Taubaté – SP, 2014

Quanto aos locais de ocorrências de acidentes, observa-se que 13 (59%) ocorrências aconteceram em ruas do bairro Santa Tereza, 7 (32%) aconteceram em casas, e 2 (9%) casos aconteceram na escola.

A maioria dos acidentes ocorreu na rua, local destinado as brincadeiras coletivas das crianças, uma vez que os domicílios têm pequena área física e a comunidade não dispõe de espaços públicos destinados ao lazer e recreação, como quadras poliesportivas e parques infantis.

Em segundo lugar de ocorrência dos acidentes está a moradia da família, é um dado relevante, pelo fato da escola ter sido o local de menor prevalência dos casos, mesmo as crianças permanecendo a média de 8 horas diárias. Esse fato pode ser devido ao planejamento do espaço físico da escola adequado as necessidades infantis e a supervisão constante das educadoras que conhecem as características do desenvolvimento infantil e suas necessidades de estímulos, mas com a devida supervisão de um adulto responsável.

Estudo evidencia que 60% dos acidentes ocorrem nas áreas externas aos domicílios e, especialmente em vias públicas. Em relação ao gênero o mais acometido é o masculino. Quanto aos acidentes domiciliares tem maior incidência em crianças menores de 5 anos de idade (UnglertI et al, 1987).

Figura 4 – Responsáveis pelas crianças no momento do acidente. Taubaté – SP, 2014

A Figura 4 apresenta que em 8 (36%) dos casos a mãe estava com a criança no momento do acidente e em 5 (23%) dos casos o responsável era o pai. O resultado demonstra relação direta com o tempo de convivência com a criança, pois mesmo com a entrada da mulher no mercado de trabalho, na comunidade estudada muitas mulheres não têm emprego e exercem a função de cuidar da família.

Ressalta-se que a presença de um responsável não impediu a ocorrência dos acidentes, fato que denota o despreparo dos adultos em reconhecer os possíveis riscos de acidentes baseados nas limitações do crescimento e desenvolvimento infantil. Diante dos acontecimentos verifica-se a relevância de conscientizar os pais ou a pessoa cuidadora quanto à importância da supervisão direta e atenciosa das crianças.

Tabela 2 – Acidentes relatados pelos responsáveis das crianças atendidas em consultas de puericultura de uma ESF. Taubaté 2014

TIPOS DE ACIDENTES

NÚMEROS DE INTERORRÊNCIAS

PORCENTAGEM

Enrosco do pé na bicicleta

1

4,55%

Mordida de cachorro no olho

1

4,55%

Queimadura

1

4,55%

Atropelamento

2

9,09%

Ferimento perfurante

3

13,63%

Queda

14

63,63%

TOTAL

22

100%

Com relação aos tipos de acidentes, a Tabela 2 evidencia que 14 (64%) dos casos foram referentes às quedas, e em segundo o ferimento perfurante em 3 (13,63%) casos.

O resultado dos tipos de acidentes tem relação com os dados referentes às faixas etárias mais acometidas da Figura 2, na qual se evidencia em primeiro lugar a faixa etária de 5 anos, idade que as crianças muitas vezes já possuem bicicleta e tem acesso as vias públicas, já o segundo lugar da faixa etária é ocupado com crianças com 1 ano, que por ainda usar o berço para dormir ou ficar em repouso acabam por sofrerem quedas.

Del Ciampo (1994) e Filócomo (2002), constatam ser a queda o acidente mais frequente na população infantil, seguido dos casos de contusões e por último os ferimentos.

Constata-se ainda que os acidentes relacionados às quedas atingem principalmente a faixa etária de 3 a 5 anos, fase motora mais intensa na qual a criança corre, pula, brinca, mas ainda não tem a capacidade de definir os riscos a que está exposta.

Figura 5 – Agentes causadores de acidentes em crianças atendidas na puericultura de uma ESF. Taubaté – SP, 2014           

A Figura 5 indica os agentes causadores dos acidentes em crianças de 0 a 5 anos e, na comunidade do bairro Santa Tereza, a bicicleta ocupa o primeiro lugar; uma vez que prevalecem as necessidades de estímulos motores das crianças dos 3 aos 5 anos. Ainda referente às quedas, a do berço ocupa a 2ª posição.

Tabela 3 – Procedência das crianças atendidas na ESF. Taubaté, 2014

PROCEDÊNCIA

QUANTIDADE

Santa Tereza – Taubaté

17

Quiririm – Taubaté

1

Bela Vista – Taubaté

1

Cecap – Taubaté

1

Caraguatatuba/SP

1

São Bernardo do Campo/SP

1

TOTAL

22

Na Tabela 3, observa-se que 17 (77%) das ocorrências de acidentes aconteceram no próprio bairro – Santa Tereza e o restante nas imediações que fazem parte da abrangência da unidade da ESF, o que facilita a atuação dos profissionais de saúde na implementação de ações educativas que tenham por objetivo, conscientizar as famílias atendidas.

Nos parágrafos seguintes encontram-se as consequências dos acidentes que acometem crianças no período da primeira infância quanto às necessidades de atendimento em Pronto Atendimento, de internações hospitalares e de intervenções cirúrgicas.

Figura 6 – Número de acidentes encaminhados ao Pronto Atendimento. Taubaté – SP, 2014

Na Figura 6 constata-se que em 11 (50%) dos casos houve a necessidade de assistência específica do Pronto Atendimento (PA), o que demonstra que a família não teve condições de sanar os problemas decorrentes do acidente sem o auxílio de profissionais de saúde.

A necessidade de atendimento especializado gera custos e aumenta a demanda nos serviços de saúde de urgência/emergência e, por isso a importância de implementar medidas preventivas contra os acidentes.

Figura 7 – Necessidade de internações hospitalares decorrentes de acidentes em crianças atendidas em uma unidade de ESF. Taubaté – SP, 2014

A Figura 7 indica que em 19 (86,36%) dos acidentes as crianças não precisaram de internação hospitalar, entretanto em 2 (9,09%) casos houve necessidade de internação e em 1 (4,54%) a criança faleceu. O que reitera a importância de implementar medidas preventivas aos acidentes na população atendida na unidade de saúde.

De acordo com estudo realizado por Ungller e colaboradores (1987) em Postos de Atendimento Médico do Município de São Paulo, 91,0% dos casos de acidentes não precisam de internação hospitalar.

Figura 8 – Número de acidentes com crianças atendidas em uma unidade ESF que necessitaram de Intervenção Cirúrgica. Taubaté – SP, 2014

A Figura 8 indica que somente em 2 (9%) dos casos, houve necessidade de intervenção cirúrgica.

Figura 9 – Número de crianças atendidas em uma ESF com sequelas decorrentes de acidentes. Taubaté – SP, 2014.  

Na Figura 9 podemos observar que em 15 (68%) dos acidentes não causaram consequências ao crescimento e desenvolvimento das crianças; entretanto em 2 (9,09%) das crianças foram submetidas às correções osteomusculares e apresentam limitação nos movimentos. 

8. CONCLUSÕES

O estudo apresenta dados relevantes que ajudam a entender o fenômeno dos acidentes no período infantil. Auxilia, também, a propor medidas preventivas adequadas ao desenvolvimento infantil e que devem ser transmitidas às famílias responsáveis pelo cuidado às crianças.

Na comunidade atendida pela ESF no município de Taubaté, os acidentes acometeram mais crianças do gênero masculino e que compreendem a faixa etária dos 3 aos 5 anos. Referido período corresponde à fase pré-escolar ou pré-operacional, em que a criança possui pensamento mágico e comportamento imitativo, todavia, plenamente passível de aprendizado de medidas de segurança.

A maioria dos acidentes ocorreu em vias públicas (rua) com a presença de adulto responsável – preponderância das mães –, fato que denota despreparo dos adultos no processo de ensino às crianças.

Como acidente mais frequente se tem a queda de bicicleta, seguido da queda de berço e de acidente com objeto perfuro-cortante (faca); três tipos de acidentes que podem causar transtornos à criança e sua família, a depender da forma como ocorra.

Em 50% dos acidentes as crianças foram levadas a atendimento em estabelecimento de saúde no caso, o Pronto Atendimento, porém, as consequências não foram graves a ponto de ensejar a necessidade de internação hospitalar ou até mesmo de intervenção cirúrgica.

Diante de um grave problema de saúde pública envolvendo as crianças em acidentes (seja no domicílio, na escola ou em vias públicas), sugere-se a realização de novos estudos, objetivando complementar o conhecimento e contribuir para a promoção de ações que melhorem a qualidade de vida das crianças.

Acredita-se, ainda, que a redução da incidência de acidentes possa ocorrer a partir do momento em que o Poder Público proporcione meios e programas de prevenções específicos, norteando, assim, as ações das instituições de educação e de saúde em nosso país.

9. REFERÊNCIAS

Minayo MC de S, Souza ER. Violência e saúde como um campo de interdisciplinar de ação coletiva. História, Ciências e Saúde – Manguinhos. 1997;4(3):513-531.

Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de Redução da Morbi-mortalidade por Acidentes e Violências: Portaria MS/GM nº 737 de 16/05/2001 publicada no DOU nº 96, seção 1E, de 18/05/2001 / Ministério da Saúde. Brasília; 2001.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento. Brasília: 2012.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vigilância de violências e acidentes em serviços sentinelas de urgência e emergência. Capitais e Distrito Federal, Brasil; 2011.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação de Saúde. Viva: instrutivo de notificação de violência doméstica, sexual e outras violências. Brasília; 2011.

Vieira, S de C. Prevenção de Acidentes com Crianças. [Apresentando no I Fórum de Prevenção de Acidentes com Crianças; 2004; São Paulo].

Crianças e Adolescentes Seguros. Guia Completo para Prevenção de Acidentes e Violências. Sociedade Brasileira de Pediatria. Coordenadores: Renata D. Waksman, Regina M. C. Gikas e Wilson Maciel. Editora: PubliFolha,2005.

Campos RMC, Ribeiro CA, Silva CV da, Saparolli ECL. Consulta de enfermagem em puericultura: a vivência do enfermeiro na Estratégia de Saúde da Família. Rev. Esc. Enferm USP. 2011;45(3):566-574.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Linha de cuidado para a atenção integral à saúde de crianças, adolescentes e suas famílias em situação de violências: orientação para gestores e profissionais de saúde. Brasília: 2010.

Martins CB de G. Acidentes na infância e adolescência: uma revisão bibliográfica. Rev. Bras. Enferm. 2006;59(3):344-348.

Blank D. Prevenção e controle de injúrias físicas: saímos ou não do século 20?. J. Pediatr. (Rio J.) 2002;78(2):84-86.

 Brasil. Convenção sobre os Direitos da criança e adolescente de 1990, Decreto Nº 99.710. Diário Oficial da União, Brasília. 22 nov. 1990.

Maciel W. Campanha Nacional de Prevenção de acidentes na infância e adolescência. Bol. Soc. Bras. Pediatria. 1998;73:4-5.

Basso, M. R. Acidentes de transporte terrestre em Londrina: análise das vítimas menores de 15 anos [dissertação]. Londrina (PR): Universidade Estadual de Londrina; 2000.

Vanzin AS, Nery M. Atenção integral à saúde da criança: um enfoque epidemiológico. Porto Alegre (RS): 1998.

Ceará. Secretaria do Estado da Saúde. Manual de normas para saúde da criança na atenção primária: módulo I: puericultura. Fortaleza; 2002.

Ribeiro CA, Ohara CVS, Saparolli ECL. Consulta de enfermagem em puericultura. In: Fujimori E, Ohara CVS. Enfermagem e a saúde da criança na atenção básica. Barueri: Manole; 2009. p. 223-47.

Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Resolução COFEN – 159/1993. Dispõe sobre a consulta de Enfermagem. In: Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Disponível em http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-1591993_4241.html

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Agenda de compromissos para a saúde integral da criança e redução da mortalidade infantil. Brasília: 2004.

Marconi MA, Lakatos EM. Técnicas de Pesquisa. 3ª. Ed. São Paulo: Atlas; 2001.

Gil AC. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas; 2010.

Ruiz JA. Metodologia Científica: guia para eficiência nos estudos. 4.ed. São Paulo: Atlas, 1996.p.5.

BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução n.º 466, de 12 de dezembro de 2012. Diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos. Diário oficial da República Federativa do Brasil, Brasília (DF); 1996.

Filócomo FRF, Harada M de JCS, Silva CV, Pedreira M da LG. Estudo dos acidentes na infância em um pronto socorro pediátrico. Rev. Latino-Am. Enfermagem. 2002;10(1):41-47.

Malta DC, Mascarenhas MDM, Silva MMA da, Macário EM. Perfil dos atendimentos de emergência por acidentes envolvendo crianças menores de dez anos: Brasil, 2006 a 2007. Ciênc. Saúde. 2009;14(5):1669-1679.

Unglert CV de S, Siqueira AAF de, Carvalho GA. Características epidemiológicas dos acidentes na infância. Rev. Saúde Pública. 1987;21(3):234-245.

Del Ciampo LA. Estudo dos acidentes na infância na área de Vila Lobato. [tese]. Ribeirão Preto (SP): Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo; 1994.

10. APÊNDICES

10.1. APÊNDICE A - Termo de Autorização da Instituição

10.2. APÊNDICE B - Rapport

Prezado(a) Acompanhante,

Solicitamos sua colaboração no sentido de participar de uma pesquisa no que se refere à identificação da ocorrência de acidentes em crianças de 0 a 5 anos de idade atendidas em grupos de puericultura de uma unidade da ESF (Estratégia de Saúde da Família) do município de Taubaté, como parte do Trabalho de Conclusão do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade de Taubaté.

Pedimos sua colaboração no sentido de responder a um formulário, tendo o(a) Sr.(a), a liberdade de aceitar ou não participar da pesquisa em questão. Esclarecemos que o estudo não tem como objetivo avaliá-lo na função de cuidador desta criança e que a sua identidade será mantida sob sigilo.

Cabe informar que no decorrer da pesquisa será garantido o direito de solicitar o seu desligamento e, para que isso ocorra deverá entrar em contato com as pesquisadoras pelo telefone (12) 98128-9786.

Gratas pela sua colaboração.

____________________

Daniela Marcon Tagima

____________________

Suellen Matias Roque

10.3. APÊNDICE C -Instrumento de Coleta de Dados - Formulário

 

DATA: ____/____/______

 

N.º _____/2014.

 

Preenchido por: ______________________________________________________.

 

  1. Responsável: (   ) Mãe (   ) Pai (   ) Avô (ó) (   ) Outros _______________________.

  2. Escolaridade: _______________________________________________________.

  3. Sexo da criança: 1- M (    )  2- F (    )

  4. Local da ocorrência: __________________________________________________.

  1. Procedência (bairro, cidade): ___________________________________________.

  2. Quem estava presente no momento do acidente:

(    ) Mãe

(    ) Pai

(    ) Babá

(    ) Professora

(    ) Outros __________________________.

  1. Idade da criança:

(    )  < que 1 ano

(    )  1 ano

(    )  2  anos

(    )  3  anos

(    )  4 anos

(    )  5 anos

  1. Tipo de acidente:

    1. Ferimentos – Agente: _________________ Tipo: A – Corto contuso

                                                                                     B – Perfurante

                                                                                     C – Lacerante

                                                                                             D – Outros_______________.

    1. Queimaduras – Agente: _____________________________________________.

    2. Intoxicações – Agente: ______________________________________________.

7.4 Quedas – Agente: __________________Tipo:  A – Berço

                                                                                  B – Colo

                                                                                  C – Própria altura      

                                                                                          D – Andador

                                                                                   E – Bicicleta

                                                                                   F – Patins

                                                                                          G – Outros: ________________.

    1. Colisões por auto – Agente: ____________________________________.

Tipo:  A – C/ cinto de seg. no banco dianteiro

          B – C/ cinto de seg. no banco traseiro

          C – S/ cinto de seg. no banco dianteiro

          D – S/ cinto de seg. no banco traseiro

 

  1. Atropelamentos? (   ) S  (   ) N

(    ) Bicicleta

(    ) Automóvel

(    ) Outros. Qual?____________________________________________________.

  1. Presença de corpo estranho – Onde: ___________________Qual: _____________.

  2. Outro tipo de acidente – Qual: __________________________________________.

  3. Precisou ir ao Pronto Atendimento: (   ) S  (   ) N

  4. Precisou de internação hospitalar: (   ) S  (   ) N – Se sim, quantos dias: _________.

    1. Foi submetido a cirurgia (ou outro procedimento) durante a internação hospitalar – Qual: _________________________________________________.

  5. O acidente deixou sequela na criança: (   ) S  (   ) N   Tipo:____________________.

Obrigada pela colaboração!

10.4. APÊNDICE D -Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

O Senhor (a) está sendo convidado (a) para participar, como voluntário, em uma pesquisa. Após ser esclarecido (a) sobre as informações a seguir, no caso de aceitar fazer parte do estudo, assine ao final deste documento, que está em duas vias. Uma delas é sua e a outra é do pesquisador responsável. Em caso de recusa você não será penalizado (a) de forma alguma.

Título do Projeto: “Prevalência de acidentes em crianças atendidas em grupos de puericultura em unidade de Estratégia de Saúde da Família”

Pesquisador Responsável: Prof.ª Me. Silvia Maira Pereira Cintra

Pesquisador Participante: Daniela Marcon Tagima e telefone para contato: (12) 98128-9786 (podendo ser ligação a cobrar).

A presente pesquisa tem como objetivo identificar a ocorrência de acidentes em crianças de 0 a 5 anos de idade atendidas em grupos de puericultura de uma unidade da ESF (Estratégia de Saúde da Família) do município de Taubaté; Levantar a caracterização da população infantil de 0 a 5 anos quanto ao sexo e a idade; definir os locais de ocorrência dos acidentes: domicílio, unidades escolares, vias públicas; identificar a pessoa responsável pela criança no momento da ocorrência do acidente; identificar os acidentes mais comuns na faixa etária de 0 a 5 anos de idade, assim como os respectivos agentes causadores.

Os resultados desta pesquisa serão utilizados apenas para fins acadêmicos. Seguindo os preceitos éticos, informamos que sua participação será absolutamente sigilosa, não constando seu nome ou qualquer outro dado referente a sua pessoa que possa identificá-lo, em todos os momentos do desenvolvimento e da divulgação da pesquisa. Pela natureza da pesquisa, sua participação não acarretará qualquer dano a sua pessoa.

Você tem total liberdade para recusar a participação, assim como para solicitar a exclusão de seus dados, retirando seu consentimento sem qualquer penalidade ou prejuízo, quando assim o desejar.

Agradecemos sua participação, enfatizando que esta pesquisa contribui para a formação e para a construção de conhecimento atual nesta área.

Taubaté,         de                         de 2014.

 

________________________________

Profa. Ma. Silvia Maira Pereira Cintra – Orientadora da Pesquisa

 

10.5. APÊNDICE E -Consentimento da Participação da Pessoa como Sujeito

 

Eu, __________________________________________________________, RG n.º _________________________, abaixo assinado, autorizo a participação no estudo “Prevalência de acidentes em crianças atendidas em grupos de puericultura em unidade de Estratégia de Saúde da Família”, como sujeito da pesquisa. Fui devidamente informado e esclarecido pelo pesquisador sobre a pesquisa, os procedimentos nela envolvidos, assim como os possíveis riscos e benefícios decorrentes de minha participação. Foi-me garantido que posso retirar meu consentimento a qualquer momento, sem que isto leve a qualquer penalidade.

 

Taubaté, ____ de ______________ de 2014.

 

__________________________________________

 

Assinatura do sujeito ou responsável

11. ANEXOS

11.1. ANEXO A – Carta de Autorização da Instituição

11.2. ANEXO B – Plataforma Brasil: PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP

 


Publicado por: Suellen Matias Roque

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