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MÍDIAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: CONTRIBUIÇÕES E DESAFIOS PARA A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO.

Pedagogia

Análise e compreensão da realidade que envolve as contribuições e desafios das mídias e dos recursos tecnológicos na Educação Infantil, com foco nos profissionais e alunos dessa etapa de ensino.

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1.  RESUMO

O mundo midiático e o avanço tecnológico crescentes têm se tornado protagonistas permanentes na vida das novas gerações, socializando as crianças numa espécie de “escola simultânea” às instituições de ensino, levando-as ao desenvolvimento de novas habilidades por meio das suas múltiplas linguagens. A Educação tem se tornado alvo dos mais variados questionamentos quanto às suas estratégias pedagógicas de ensino para atender a essa nova geração de crianças cibernéticas que chegam às escolas de Educação Infantil atualmente. Nesse sentido, o presente estudo foi realizado com o objetivo geral de analisar e compreender a realidade que envolve os principais aspectos relativos às contribuições e desafios das mídias e dos recursos tecnológicos na Educação Infantil, tendo como público alvo os profissionais e alunos dessa etapa de ensino. A abordagem de pesquisa é qualitativa, do tipo bibliográfica. A análise dos dados se deu através da interpretação à luz de referenciais teóricos que abordam temáticas relevantes sobre as Mídias e a Educação Infantil e apontou que apesar de ainda existirem muitos professores com dificuldades de manuseio dos recursos tecnológicos, existem, também, professores que estão compromissados em incorporar as novas linguagens às suas práxis pedagógicas. A interação e a socialização foram compreendidas como contribuições responsáveis para o desenvolvimento de múltiplas linguagens nas crianças; enquanto que a desigualdade social, o tradicionalismo e a dificuldade do docente no manuseio das máquinas foram compreendidos como os principais desafios.

Palavras-chave: Educação infantil. Mídias. Práxis pedagógica. Recursos tecnológicos.

2. INTRODUÇÃO

Compreendemos que mídia na educação é parte essencial dos processos de socialização das novas gerações, e a integração da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) na escola, em todos os seus níveis, se torna fundamental, afinal, essas técnicas já estão presentes no cotidiano das crianças e no ambiente escolar.

Nos dias atuais, as mídias constituem uma fonte quase inesgotável de informação e de entretenimento, em que a internet, que é uma rede técnica, permite interações sociais virtuais inéditas na história da humanidade. A disseminação dessa rede vem avançando com grande velocidade, tecendo desafios e contribuições para as instituições responsáveis pelos processos de socialização, representadas pelas famílias, a escola e o Estado. Contudo, apesar das contínuas mudanças sofridas pela sociedade por influência do avanço midiático e tecnológico desenfreado, a Educação formal, em grande parte, continua organizada de maneira tradicionalista, previsível e burocrática, ficando explícita a necessidade de seus atores reverem seus papéis como educadores e de aprenderem as novas leituras propostas pelas linguagens midiáticas. Acerca dessa questão, Moram (2013, p. 12), tece o seguinte comentário:

[...] enquanto a sociedade muda e experimenta desafios mais complexos, a educação formal continua, de maneira geral, organizada de modo previsível, repetitivo, burocrático, pouco atraente. Apesar das teorias avançadas, predomina, na prática, uma visão conservadora, repetindo o que está consolidado, o que não oferece risco nem grandes tensões.

Dentro desse contexto, surge a reflexão sobre o uso dos recursos midiáticos e tecnológicos como geradores de novas aprendizagens através das suas múltiplas linguagens, e concomitantemente a isso, a preocupação de como essas aprendizagens têm sido reproduzidas e compartilhadas pelos sujeitos da escola.

As mídias e os recursos tecnológicos desempenham papéis cada vez mais importantes na vida da sociedade. Nesse sentido, podemos concebê-los como elementos essenciais dos processos de produção, reprodução e transmissão de cultura contemporânea. Ao interagir nesse mundo de diversidade cibernética, a criança tem acesso a um sem número de possibilidades e novos modos de perceber a realidade, de aprender, de produzir e difundir conhecimentos e informações. O mundo midiático tem atuado de forma permanente e cotidiana na vida das crianças que compõem o cenário da Educação Infantil, socializando-as paralelamente às instituições de ensino, podendo, assim, ampliar as suas habilidades e visão de mundo. Nesse sentido, muitos são os questionamentos quanto à práxis pedagógica para atender a essa nova geração.

E foi refletindo sobre essas demandas que envolvem o mundo virtual e o processo de ensino e aprendizagem nos âmbitos da Educação Infantil, que surgiram as problemáticas acerca de se o docente tem utilizado as mídias e os recursos tecnológicos em suas práticas pedagógicas em sala de aula, e, em caso afirmativo, como ele tem trabalhado com as novas aprendizagens adquiridas por seus alunos no mundo midiático.

Sendo assim, o tema desse trabalho de pesquisa, Mídias na Educação Infantil: contribuições e desafios para a organização do trabalho pedagógico, foi elencado a partir dessa reflexão e inquietação, e tem como objetivo geral oportunizar o aprofundamento de questões importantes sobre as contribuições e os desafios das mídias no cenário da Educação Infantil, visando contribuir para uma maior análise e compreensão dessa realidade.

Como objetivos específicos, visando o alcance do objetivo geral, este trabalho de pesquisa busca: a) conhecer a realidade do profissional de educação infantil quanto ao uso das mídias e dos recursos tecnológicos em suas práticas pedagógicas; e, b) levantar indicadores que apontem os desafios e as contribuições das mídias e dos recursos tecnológicos na Educação Infantil.

Quanto à metodologia científica adotada para alcançar os objetivos desse estudo, caracteriza-se pela natureza qualitativa quanto à abordagem, é do tipo bibliográfica.

Nessa perspectiva, os resultados encontrados partiram da análise dos dados obtidos interpretados à luz de referenciais teóricos adotados para fundamentar esse estudo, a saber: Infância, Mídias e Aprendizagem: autodidaxia e colaboração (BELLONI e GOMES, 2008); Mídias e Educação Infantil: desafios na prática pedagógica (COUTO JUNIOR, 2013); Mídia-Educação: conceitos, história e perspectivas (BEVORT e BELLONI, 2009); Novas Tecnologias e mediação pedagógica (MORAN, MASETTO, BEHRENS, 2013).

Esperamos que esse trabalho de pesquisa possa contribuir para a conscientização e compreensão da realidade midiática nos âmbitos educacionais infantis e incentivar, ações inovadoras e novas perspectivas de novas práticas pedagógicas no uso dos recursos midiáticos e tecnológicos, contribuindo assim para expandir o conhecimento sobre a temática da pesquisa.

No que tange à organização de nosso trabalho, na seção seguinte, dialogamos com algumas pesquisas que tematizaram sobre o assunto pesquisado ou se aproximaram da temática pretendida; em seção posterior, melhor explanamos nosso referencial teórico com vistas a potencializar teórica e metodologicamente nosso estudo; e, finalmente, após a análise dos dados para a compreensão da realidade pesquisada, tecemos algumas considerações finais.

3. REVISÃO DE LITERATURA

Neste capítulo, buscamos contextualizar os aspectos relevantes e significativos de trabalhos já publicados com abordagens semelhantes à temática deste estudo. Os assuntos abordados nesta revisão de literatura visam contribuir para um maior aprofundamento dos aspectos que envolvem a organização dos trabalhos pedagógicos com o uso das mídias nos espaçostempos da Educação Infantil, colaborando para alcançar os objetivos propostos por este trabalho de pesquisa.

3.1 AS MÍDIAS NO COTIDIANO INFANTIL

O avanço tecnológico em ascensão e o processo instantâneo de propagação dos mais variados tipos de informações em trânsito global é uma constante na vida dos sujeitos contemporâneos. Atualmente, o uso das mídias e dos recursos tecnológicos configuram-se em importantes canais de integração cultural e social em todos os âmbitos políticos, econômicos, sociais, étnicos e culturais.

Nesse contexto, o cotidiano da criança contemporânea é mediado por diversas informações transmitidas pelos mais variados tipos de mídias, a saber: TV, jornais, rádios, revistas, placas e outdoors nas ruas, sites, web, rede sociais, aplicativos online, escadas rolantes, elevadores, dentre outros agentes alternativos de comunicação, podendo propiciar na criança o desenvolvimento de habilidades múltiplas que não podem ser ignoradas nos âmbitos escolares. O diálogo que é estabelecido por meio das interações sociais entre a criança e, a família, o professor, as outras crianças, e também a mídia, é fundamental para o seu desenvolvimento e a sua formação integral. Sobre esse aspecto, Barbosa (2009, p.31) afirma que:

Os avanços científicos nos mostram a importância das interações sociais para o desenvolvimento das crianças, desde a mais tenra idade, como também evidenciam a relevância da interlocução com as linguagens simbólicas da família, do professor e das demais crianças. A formação das crianças acontece em processos de interação, negociação com os outros ou por oposição a eles.

As mídias e os recursos tecnológicos têm disponibilizado no cotidiano infantil os mais diversos modos de aprender e descobrir, e isso reflete nos aspectos educacionais. Nesse sentido, o estudo de Bourscheid e Noal, (2011, p.15), afirma que:

[...] a mídia de maior acesso entre as crianças pesquisadas é a televisão. As demais tecnologias e mídias como: telefone celular, computador, rádios e os livros tem sua importância e sua utilização repercute no processo educacional.

Mediante o explicitado, compreendemos que os conteúdos infantis transmitidos pelas mídias eletrônicas são os mais variados e atuam diretamente no processo de construção e formação da criança, conferindo a ela autonomia frente as tecnologias. Atualmente existem aplicativos educativos online que disponibilizam programas apropriados para a utilização em smartphones, tablets e smarts tvs, e que ensinam as crianças a falar e a escrever em Português e Inglês; além disso, já existem Jogos educativos de alfabetização; jogos com enunciados em inglês e um certo grau de complexidade na sua execução; programas infantis e educativos de televisão que desvelam cenários culturais politicamente organizados, e seriados infantis com episódios sequenciais que apresentam polêmicas da atualidade, como por exemplo, a ideologia de gêneros, que tornam as novas gerações de alunos da Educação Infantil sujeitos altamente desafiadores para o corpo pedagógico na escola, quanto à socialização e ao processo de ensino e aprendizagem.

Contudo, consideramos que, para que o uso das mídias e tecnologias venham contribuir de forma benéfica na aprendizagem da criança é necessário o acompanhamento de um adulto que a direcione de forma construtiva e funcione como um filtro para as informações. Sobre esse aspecto, Bourscheid e Noal (2011, p.12) afirmam que:

Para que os programas televisivos e o uso das diferentes tecnologias contribuam para a construção da aprendizagem é importante que os pais, além de acompanhar estimule o senso crítico dos programas e propagandas para que a criança não assista passivamente, mas que ao assistir aos programas com os filhos, aproveite a ocasião para discutir o conteúdo do que é visto, bem como daquilo que é veiculado em comerciais.

Nesse sentido, a convivência das crianças com as mídias pode ser bastante benéfica ou prejudicial, isso vai depender da maneira como é estabelecida essa relação e qual conteúdo está sendo absorvido e processado pela criança. A observação dos conteúdos pelos pais e responsáveis pode funcionar como um filtro das informações midiáticas veiculadas no cotidiano da criança.

3.2 O USO DAS MÍDIAS NO PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

As mídias, nos dias atuais são fontes imprescindíveis de socialização. Nos ambientes educacionais, em especial, onde a socialização faz parte do processo de ensino e aprendizagem, consideramos que as mídias e os recursos tecnológicos podem desempenhar papéis importantes, uma vez que propiciam a interatividade entre os sujeitos que ali se encontram. A socialização é o processo de integração entre as pessoas e permite a troca de conhecimentos, de valores culturais e sociais, e favorece a aprendizagem, a construção de saberes, e o desenvolvimento através da interação.

De acordo com estudos realizados, Gheller (2012, p. 23), afirma que “antes das crianças chegarem à escola já passaram por processos de educação importantes: elo familiar e pela mídia eletrônica”.

Desse modo, em geral, a criança que compõem a Educação Infantil espera que a Escola dê continuidade ao seu processo de socialização que começou em casa, e por meio do uso das mídias e tecnologias que já fazem parte do seu cotidiano. Sobre esse aspecto, Moraes e Teruya (2010, p.5) afirmam que “ao assumir uma metodologia colaborativa, o professor deve incorporar o uso da internet como ferramenta auxiliar no processo de ensino e aprendizagem”.

Dentre as mídias e recursos tecnológicos que podem ser utilizados nos trabalhos pedagógicos na Educação Infantil destacam-se a televisão, o vídeo, o rádio, a filmadora, o gravador, a câmera fotográfica, o computador, e a internet. Diante dessas muitas possibilidades, o acesso da criança às mídias no ambiente escolar pode ser bastante enriquecedor, uma vez que essa alternativa permite a interação do aluno com um mundo vasto de situações de aprendizagens.

Logo, o professor da Educação Infantil deve propiciar aos alunos experiências que os conduzam às várias formas de expressão e produção. Além disso, como veículo cultural e social, as mídias favorecem experiências aos alunos que os ajudam a se apropriarem de sua sociedade e identidade. Ao encontro do explicitado, Barbosa (2009, p.48) destaca que:

O objetivo da Educação Infantil, do ponto de vista do conhecimento e da aprendizagem, é o de favorecer experiências que permitam às crianças a apropriação e a imersão em sua sociedade, através das práticas sociais de sua cultura, das linguagens que essa cultura produz, e produziu, para construir, expressar e comunicar significados e sentidos. É evidente que se torna imprescindível oferecer às crianças situações práticas e vivências que possam ser processadas e sistematizadas por um corpo que sente e pensa, desde o nascimento. Por esse motivo, é preciso escolher outras formas de priorizar, selecionar, classificar e organizar conhecimentos, mais próximos das experiências dinâmicas das crianças e não da visão fragmentada da especialização disciplinar, problematizada pela própria ciência.

Sendo assim, o uso das mídias no processo de socialização na Educação Infantil pode tornar-se bastante relevante nos dias atuais, pois como agentes poderosos de difusão cultural, social, econômica e política, as mídias podem oportunizar aos alunos socialização, criticidade e a construção de conhecimentos globais que o ajudarão na sua formação enquanto cidadão crítico.

3.3 O USO DAS MÍDIAS NA ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO DA EDUCAÇÃO INFANTIL

Diante da nova configuração dos padrões culturais, políticos e sociais, em resposta ao avanço tecnológico globalizado e integrado a toda a sociedade, a Educação e seus sujeitos precisam estar atualizados sobre as questões midiáticas e tecnológicas, a fim de introduzi-las em seus cotidianos educacionais. Sendo assim, no caso específico da atuação docente, fica claro que, em tempos cibernéticos é fundamental que o professor dispense uma atenção especial ao seu preparo e formação quanto ao uso das tecnologias.

Para atender à demanda tecnológica que tem adentrado às escolas de Educação Infantil através dos alunos, os profissionais docentes necessitam estar devidamente capacitados para manusearem e acessarem conteúdos propícios à aprendizagem de seus alunos através de computadores e outros aparelhos eletrônicos. Sobre esse aspecto, Bülow (2006, p.5) revela em seus estudos que:

O computador deve ser entendido como meio de apoio e de interação entre os elementos do processo educativo e do contexto social, trazendo benefícios no processo de ensino-aprendizagem desde que a formação docente também contemple o uso da tecnologia em seus currículos, preparando o professor para o trabalho com a Informática Educativa.

Nesse sentido, a organização do trabalho pedagógico docente precisa estar interligada à realidade social de seus alunos de maneira a contribuir no seu processo de ensino e aprendizagem. Essa reflexão revela-se no fato de que o momento histórico precisa ser respeitado na relação professor/aluno.

Tendo em vista que a Escola visa contribuir para o processo de transformação da sociedade, as transformações ocorridas através dos tempos precisam ser configuradas pelos profissionais docentes no sentido de buscar atualizações para a sua formação que os conduzam a uma organização pedagógica mais eficiente.

Segundo Bülow (2006, p.13), “o processo acelerado das mudanças tecnológicas constituiu um desafio constante e crescente na formação dos professores”. Nesse sentido, em parte, as entidades educacionais já têm disponibilizado aos professores o acesso aos vários cursos formativos que envolvem a área tecnológica no intuito de capacitá-los no manuseio das ferramentas tecnológicas. Entretanto, consideramos que a relação professor/tecnologia/aluno exige muito mais do professor do que apenas saber utilizar os recursos, exige também que o docente desempenhe um papel reflexivo e crítico sobre as formas de aprender e ensinar, e a sua organização diante desse processo educativo. Nesse aspecto, Moraes e Teruya (2010, p.2), em seus estudos afirmam que:

A competência para utilizar as novas tecnologias pressupõem novas formas de se relacionar com o conhecimento, com os outros e com o mundo, em uma perspectiva colaborativa. Essas alternativas propõem ir além dos cursos de formação que contemplam apenas aspectos técnicos e operacionais. Isso exigirá do professor para alcançar uma concepção teórica da aplicação das tecnologias na educação escolar. Para utilizar os computadores, os professores precisam criar situações em que o conteúdo da aula faça sentido para o aluno, para que as produções escolares sejam significativas.

A integralização das mídias na organização do trabalho pedagógico na Educação Infantil exige do professor atual uma maior flexibilidade e reflexão sobre suas práticas pedagógicas em contraposição à visão tradicionalista que enxerga a Educação Infantil como lugar apenas de acolhimento infantil em suas necessidades básicas. A conscientização do profissional quanto a sua função como educador e aos objetivos a serem alcançados precisam estar patentes nas suas práticas pedagógicas com o auxílio das mídias e recursos tecnológicos.

Dentro do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (2012), divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), encontramos registrados os diversos benefícios das mídias para o desenvolvimento integral da criança:

Maior integração entre os alunos e professores, pelo acréscimo dos elementos sócio afetivos, e desenvolvimento de muita interação positiva com a escola e com a aprendizagem; redimensionamento do conceito de conteúdos escolares para além do que é tradicionalmente considerado e inclusão do desenvolvimento de habilidades, atitudes e a incorporação de valores; interação ativa das crianças com as atividades estimulando a habilidade de formar e emitir opiniões; preparação dos alunos ao uso inteligente desses recursos, destacando a importância de trabalhar a relação escola/criança/Tv/vídeo/computador numa perspectiva crítica, reflexiva, lúdica e harmonizadora, desde que se considerem concepções emancipatórias de educação e estratégias metodológicas coerentes com os objetivos de aprendizagens direcionados ao desenvolvimento da cidadania conscientes. (BRASIL,2012, s/p online)

Tendo em vista as pesquisas apresentadas, compreendemos que, para atender as expectativas da educação utilizando o auxílio midiático dentro de sala de aula, o professor precisa criar muitos ambientes de aprendizagem que estimulem os alunos. Para tanto, o professor precisa ser criativo, criar métodos lúdicos que remetam seus alunos à colaboração, lançar desafios, e criar meios pelos quais a mídia possa ser canal cultural e identitário para que seus alunos se reconheçam numa sociedade enquanto cidadão críticos. Sobre esse aspecto, como é bem definido por Moraes e Teruya (2010, p.7) em seu estudo, “substituindo a pedagogia rígida tradicional por uma pedagogia virtual colaborativa.”

4. REFERENCIAL TEÓRICO

Neste capítulo, buscamos fundamentar o estudo à luz da teoria, referenciando alguns autores e aspectos relevantes para o embasamento temático, no sentido de subsidiar as análises.

4.1 AS MÍDIAS NA EDUCAÇÃO

O universo midiático possui variados meios que atuam na transmissão dos mais diversos tipos de informação e linguagem. Conforme explicitado em capítulo anterior, como exemplo de recursos midiáticos encontramos a televisão, o rádio, os jornais, a internet, revistas, vídeos, dentre outros, que funcionam como veículos de informação e conhecimento. As mídias interligam-se e complementam-se, cada uma com sua particularidade e, nessa perspectiva, cada mídia tem uma linguagem e um objetivo na disseminação das informações.

Podemos afirmar que as mídias e as tecnologias de informação e comunicação vêm promovendo uma forte integração e socialização entre as pessoas em geral, de forma que esse processo midiático também tem impactado, ou causado mudanças na educação. Nesse sentido, depreendemos que as mídias conseguem atuar expressamente no cotidiano da vida social e cultural do indivíduo, transformando conhecimento, oportunizando novas aprendizagens, capacitando-o para se tornar um cidadão crítico. Logo, esse processo midiático pode expressar-se também como cultural, social e educativo, e de suma importância para as crianças que estão em formação e ao mesmo tempo absorvendo e aprendendo nessa escola midiática que a globalização oferece. Sobre esse aspecto, Belloni (2009, p.1083) afirma que, a mídia-educação é parte essencial dos processos de socialização das novas gerações, mas não apenas, pois deve incluir também populações adultas, numa concepção de educação ao longo da vida.

Nesse contexto, o uso das mídias na educação pode oportunizar aos docentes práticas pedagógicas inovadoras, permitindo que a criatividade seja uma forte aliada nesse processo de interatividade. As novas tecnologias podem ampliar em muito o acesso da criança a sua própria autonomia de aprendizagem. Sobre essa perspectiva, Belloni e Gomes (2008, p.717) afirmam que

A interação entre pares e com adultos, em situações favoráveis e inovadoras de aprendizagem e com uso pedagógico apropriado das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), pode levar as crianças a desenvolverem comportamentos colaborativos e autônomos de aprendizagem, benéficos para o seu desenvolvimento intelectual e sócio afetivo.

Sendo assim, fica reconhecida a importância das mídias e dos recursos tecnológicos na educação, tendo em vista os benefícios que podem proporcionar e contribuir para o desenvolvimento da criança integralmente.

4.2 A EDUCAÇÃO INFANTIL NO CONTEXTO MIDIÁTICO

No contexto educacional infantil, a integração das mídias às práticas pedagógicas tem sido fomentada pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, que compõem em sua proposta pedagógica curricular para a Educação Infantil eixos norteadores como brincadeiras e interações que garantem experiências que “[...] possibilitem a utilização de gravadores, projetores, computadores, máquinas fotográficas, e outros recursos tecnológicos e midiáticos.” (BRASIL, 2010, p.27).

Essa visibilidade dada pela Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC) ao cenário da Educação Infantil quanto à necessidade da abordagem das mídias e as tecnologias torna-se importante, tendo em vista que atualmente o público infantil já se encontra manipulando os aparelhos digitais já desde muito cedo. Essa iniciativa da SEB/MEC sugere o reconhecimento da apropriação e interação já existentes, em grande parte, no universo infantil quanto ao uso dos recursos midiáticos e tecnológicos, como televisão, celular, rádio, e etc. Pois, como ser social e integrado com o meio em que vivem, as crianças absorvem e apropriam-se dos mais variados conteúdos através desses recursos.

Destarte, o uso da internet, televisão e vídeo na educação infantil também pode proporcionar momentos de lazer e aprendizagem. As cores dos desenhos animados e as músicas igualmente infantis, remetem a criança para o seu imaginário e a ensina a refletir. Nessa possibilidade, a sala de aula ganha rumores tecnológicos e as crianças ganham asas imaginárias.

Contudo, o público infantil necessita de atenção pedagógica especial quanto ao uso das tecnologias em sala de aula. Todos os sujeitos da escola devem se envolver nessa tarefa de conhecer melhor as novas linguagens oriundas dos recursos midiáticos para atuarem de forma adequada e enriquecedora para o processo de ensino e aprendizagem do aluno. Em geral, os alunos da Educação Infantil, apesar de compreenderem uma faixa-etária bastante tenra e inicial da vida, já manuseiam com muita destreza os aparelhos tecnológicos, demonstrando habilidades digitais diversas, e adentram aos âmbitos escolares já trazendo consigo as suas experiências vividas nos seus ambientes sociais de convívio. Nesse sentido, para melhor atender a esses alunos midiatizados da Educação Infantil, os sujeitos escolares e mediadores precisam estar atentos em buscar aprender, se atualizar e se preparar para atuarem de forma mais adequada junto ao público infantil.

A educação escolar precisa compreender e incorporar mais as novas linguagens, desvendar os seus códigos, dominar as possibilidades de expressão e as possíveis manipulações. É importante educar para usos democráticos, mais progressivos e participativos das tecnologias, que facilitem a evolução dos indivíduos. (MORAN, 2013, p.53)

Entendemos, entretanto, que a Educação Infantil no contexto midiático ainda está caminhando de forma tímida, afinal, acompanhar o crescimento e o avanço tecnológico e a diversidade midiática na fluência de informações, necessita muito mais do que equipamentos disponíveis, mas também de profissionais qualificados para atuarem com esses equipamentos de forma a atenderem as expectativas da Educação Infantil para os seus alunos.

4.3 AS NOVAS APRENDIZAGENS NO CENÁRIO PEDAGÓGICO

O ambiente escolar interpretado virtualmente por seus alunos possibilita trazer para a sala de aula a realidade deles, promove uma maior integridade e intensidade na relação aluno/docente/escola, além de proporcionar um desenvolvimento significativo no processo de ensino e aprendizagem. Sobre esse aspecto, Moran (2013, p.31) afirma que

Com as tecnologias atuais, a escola pode transformar-se em um conjunto de espaços ricos de aprendizagem significativas, presenciais e digitais, que motivem os alunos a aprender ativamente, a pesquisar o tempo todo, a serem proativos, a saber tomar iniciativas e interagir. (MORAN, 2013, p.31)

As novas aprendizagens adquiridas pelo público infantil atual através das diversas interações com o mundo midiático no seu cotidiano, diferencia-o das crianças de outrora, quando o ensino tradicional era protagonizado mais pelo docente do que pelo aluno. Há alguns anos, as ferramentas de aprendizagem utilizadas pelos docentes na Educação Infantil eram apenas massas, lápis coloridos, brinquedos e brincadeiras, atualmente, entretanto, somados a essas ferramentas estão os recursos tecnológicos e midiáticos, que podem propiciar um ambiente de aprendizagem mais virtual e conectado à realidade das crianças atuais.

No âmbito pedagógico, as mídias podem contribuir massivamente para a Educação, afinal, como principais veiculadoras dos mais diversos tipos de informações, integram um vasto universo de conteúdos multidisciplinares a serem trabalhados nas salas de aulas. Nas suas múltiplas linguagens, as mídias trabalham também como agentes transformadores, tendo em vista que, como mediadores de informações num âmbito globalizado, trabalham com as emoções, valores e opiniões de seus receptores, e isso é ainda mais processado nas crianças por sua rápida e instantânea absorção do que está ao seu redor e agindo nele.

As especificidades pedagógicas dos recursos midiáticos e tecnológicos impactam diretamente nos resultados de aprendizagem dos alunos da Educação Infantil. Numa transmissão enriquecedora, estimulante e colorida, as mídias são utilizadas para ensinar através das mais diversas formas: por imagens, sons, filmes, e falas educativas. Nessa possibilidade, é relevante dizer que, esse processo acontece na sala de aula como numa grande brincadeira. Enquanto as crianças olham atentas para o seu interlocutor colorido, um mundo novo se abre e descortina na sua imaginação. Essa sincronia proporciona ao público da Educação Infantil momentos únicos de aprendizagem, em que a sua autonomia poderá se fortalecer e o cidadão crítico e consciente começa a ser gerado dentro dele.

Logo, essa relação das mídias nas escolas deve acontecer de forma a propiciar e fomentar a construção de novas ideias aos alunos. Contudo, não se deve esquecer os mediadores, os docentes, que nesse processo, tanto ensinam quanto aprendem, e ousamos dizer que aprendem mais do que ensinam. Sendo assim:

[..] as mídias apresentam-se, pedagogicamente, sob três formas: como conteúdo escolar integrante das várias disciplinas do currículo, portanto, portadoras de informação, ideias, emoções, valores; como competências e atitudes profissionais; e como meios tecnológicos de comunicação humana (visuais, cênicos, verbais, sonoros, audiovisuais) dirigidos para ensinar a pensar, ensinar a aprender a aprender, implicando, portanto, efeitos didáticos como: desenvolvimento de pensamento autônomo, estratégias cognitivas, autonomia para organizar e dirigir seu próprio processo de aprendizagem, facilidade de análise e resolução de problemas, etc. (LIBÂNEO, 2011, p.70)

Nesse contexto, os docentes da Educação infantil precisam começar a compreender mais amplamente o seu papel como mediador da educação e da formação de seus alunos nos dias atuais.

As novas aprendizagens trazidas nos históricos de vida dos alunos contemporâneos requerem ainda mais preparo e disponibilidade do docente para o acesso ao mundo da aprendizagem virtual. Entretanto, esse apelo tem sido inegável e cotidiano no mundo da Educação Infantil. O docente atual deve, portanto, preocupar-se quanto ao seu preparo e a sua formação, pois as crianças contemporâneas tendem a absorver um sem número de informações e acabam por dominarem mais as máquinas do que os próprios mestres e professores. Nesse sentido,

Muitos professores já sentiram que precisam mudar sua maneira de ensinar – querem se adaptar ao ritmo e às exigências educacionais dos novos tempos e anseiam por oferecer um ensino de qualidade, adequado às novas exigências sociais e profissionais. Colocam-se como mestres e aprendizes, com expectativas de que por meio da interação didática com os alunos, a aprendizagem aconteça para ambos. (BOELTER, 2006, p. 19)

Todavia, apesar da perspectiva do docente na aprendizagem por meio da interação didática com seus alunos em sala de aula, essa interação só se tornará possível se a linguagem aluno/professor for semelhante. Sendo assim, importa acrescentar que o docente atual precisa aprender a trabalhar com as diferentes linguagens geradas pelas mídias, de forma a criar práticas pedagógicas e metodologias midiatizadas que permitam a geração de novos saberes atrelados à realidade de seus alunos. Nesse aspecto, vale ressaltar a importância da criatividade docente na utilização das novas tecnologias para a obtenção de resultados satisfatórios junto ao corpo discente.

4.4 AS CONTRIBUIÇÕES E DESAFIOS DAS MÍDIAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Depreendemos que o universo midiático, tão abrangente, pode contribuir de forma bastante intensa para a Educação Infantil, oportunizando um mundo novo de interação, colaboração, democracia e autonomia para o público infantil, disponibilizando múltiplas frentes de aprendizagens nas mais diversas linguagens. A influência das mídias na socialização e na projeção das mais diversas culturas têm contribuído num âmbito global para a integração mundial e para um compartilhamento gigante de informações em tempo real. O público infantil representa uma parte desse todo global, e é igualmente influenciada. Nessa perspectiva, “muitos estudos têm mostrado a importância crescente das mídias na criação dos mundos sociais e culturais das crianças, onde ocorrem os processos de socialização”. (BELLONI &GOMES, 2008, p. 722).

Entretanto, apesar da grande relevância e importância das mídias já ser reconhecida em todos os setores e âmbitos sociais, culturais, econômicos e políticos, no âmbito educacional infantil, um dos grandes desafios está na desigualdade que esses setores emergem e que afetam a realidade das crianças brasileiras.

O uso das TIC’s nas unidades escolares de Educação Infantil tem sido adotado de maneira ainda tímida, contudo, parte significativa das Escolas tem oportunizado esse acesso aos seus alunos em sala de aula. Em contrapartida, existem ainda alunos que, por suas condições socioeconômicas, não têm acesso a esses recursos, gerando um quadro desigual em todos os sentidos nos âmbitos escolares. Com essa perspectiva, Belloni (2005, p.10) destaca que

A escola deve integrar as tecnologias de informação e comunicação porque elas já estão presentes e influentes em todas as esferas da vida social, cabendo a escola, especialmente a escola pública, atuar no sentido de compensar as terríveis desigualdades sociais e regionais que o acesso desigual a essas máquinas está gerando.

Mediante os estudos dos autores referenciados, acreditamos que as crianças são constantemente confrontadas com o quadro cultural escolar e as suas práticas culturais midiáticas, sendo lidas como desvinculadas do contexto sociocultural e, portanto, marginalizadas. Os docentes fazem, em muitos casos, uma leitura adulta do alto de suas concepções e se esquecem da necessidade que essas crianças possuem de um intermediador que o aproxime e o insira na cultura escolar de forma igualitária. Logo, ao encontro do explicitado, corroboramos a importância dos estudos e autores aludidos, bem como a relevância da presente pesquisa.

5. METODOLOGIA

Segundo Minayo (2002, p.16), metodologia é o “caminho percorrido pelo pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade”. Esse processo se constitui na integração concomitante entre o método abordado, as técnicas utilizadas, que são os instrumentos utilizados para operacionalizar o conhecimento, e a capacidade/sensibilidade do pesquisador em articular estas ações.

A metodologia científica eleita para a consecução desta pesquisa tem a finalidade de alcançar o objetivo geral estabelecido na/para a mesma, que é retratar e analisar a realidade que envolve os principais aspectos relativos às contribuições e desafios da utilização das mídias e dos recursos tecnológicos na Educação Infantil.

A realização desta pesquisa se desenvolveu de forma subjetiva e intersubjetiva, numa abordagem qualitativa quanto à natureza, e por meio de investigação e análise dos dados produzidos em suas relações e aspectos. Sobre a pesquisa qualitativa, Minayo (2002, págs. 21 e 22) afirma que

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A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis.

Quanto aos procedimentos metodológicos adotados, a pesquisa é do tipo bibliográfica. De acordo com Gil (2010, p.50), esse tipo de pesquisa “é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”. Sendo assim, esta escolha justifica-se pelos objetivos deste tipo de pesquisa, que, segundo Köche (1997, p.122), é “[...] conhecer e analisar as principais contribuições teóricas existentes sobre um determinado tema ou problema [...]”. Nesse sentido, os processos de estudos utilizados neste trabalho, permearam por levantamento e investigações de fontes teóricas de artigos de revistas e livros sobre a temática da pesquisa.

Segundo Marconi & Lakatos (2003, p.44), “a pesquisa bibliográfica compreende oito fases distintas: a) escolha do tema; b) elaboração do plano de trabalho; c) identificação; d) localização; e) compilação; f) fichamento; g) análise e interpretação; e h) redação”. Sendo assim, organizamos o nosso trabalho de pesquisa orientando-nos nas seguintes etapas:

5.1 ESCOLHA DO TEMA

Numa pesquisa científica, o tema é o assunto que se quer estudar, e para que seja elaborado, é preciso que o pesquisador delimite um problema para possível resolução. Segundo Gil (2002, p. 27), “o problema deve ser formulado como pergunta. Esta é a maneira mais fácil e direta de formular um problema. Além disso, facilita sua identificação por parte de quem consulta o projeto ou o relatório da pesquisa”.

Foi refletindo sobre as demandas que envolvem o mundo virtual e o processo de ensino e aprendizagem nos âmbitos da Educação Infantil, que surgiram as problemáticas acerca de se o docente tem utilizado as mídias e os recursos tecnológicos em suas práticas pedagógicas em sala de aula, e, em caso afirmativo, como ele tem trabalhado com as novas aprendizagens adquiridas por seus alunos no mundo midiático. Nesse sentido, o tema desse trabalho de pesquisa, Mídias na Educação Infantil: contribuições e desafios para a organização do trabalho pedagógico, foi elencado a partir dessa reflexão e inquietação, e tem como objetivo geral oportunizar o aprofundamento de questões importantes sobre as contribuições e os desafios das mídias no cenário da Educação Infantil, visando contribuir para uma maior análise e compreensão dessa realidade.

5.2 ELABORAÇÃO DO PLANO DE TRABALHO

Nessa fase da pesquisa foi traçado um plano de execução onde a estrutura foi delineada e composta de introdução, desenvolvimento e conclusão. Para desenvolver o tema, foi necessário dividi-lo em tópicos que se vinculassem de maneira lógica, com o objetivo de delinear o assunto de forma mais compreensível.

De acordo com Gil (2002, p.63), “esse plano de trabalho geralmente apresenta a forma de itens e subitens ordenados em seções correspondentes ao desenvolvimento que se pretende dar à pesquisa”.

5.3 IDENTIFICAÇÃO DAS FONTES

Segundo Marconi & Lakatos (2003, p.47), a identificação “é a fase de reconhecimento do assunto pertinente ao tema em estudo”.

Nesse sentido, foram realizadas buscas para levantamento dos materiais bibliográficos publicados em âmbito nacional, tais como: artigos científicos, periódicos científicos, monografias, teses, dissertações, Anais de encontros científicos e livros, com temática semelhante ao da nossa pesquisa.

Tendo em vista a importância da credibilidade das informações contidas no material bibliográfico a ser utilizado, executamos o seguinte critério de seleção deste material, que se deu pela escolha de publicações com data de ano mais recente, e além disso, foram verificadas as bibliografias/currículos dos autores, e os temas dos estudos semelhantes ao constituído para a nossa pesquisa.

5.4 LOCALIZAÇÃO DAS FONTES

Com relação à localização das fontes bibliográficas, Gil (2002, p.68) afirma que

Tradicionalmente, o local privilegiado para a localização das fontes bibliográficas tem sido a biblioteca. No entanto, em virtude da ampla disseminação de materiais bibliográficos em formato eletrônico, assume grande importância a pesquisa feita por meio de base de dados e sistemas de buscas, [...].

Nesta perspectiva, a localização das fontes bibliográficas se deu por meio de buscas seguindo a relação autores/temas/obras, realizadas em sistemas virtuais de pesquisas, tais como: Google pesquisa, Scientific Eletronic Library OnLine (Scielo), Escavador, Repositórios Universitários, e em bases de dados disponibilizadas em websites para acesso online a acervos bibliográficos de universidades. Ademais, foi localizada igualmente, fonte bibliográfica na biblioteca convencional do Polo da Universidade Aberta do Brasil (UAB) em Aracruz, ES.

5.5 COMPILAÇÃO DOS DADOS

Nessa fase foi realizada a compilação sistemática do material a ser utilizado na produção textual da pesquisa. Esse processo compreendeu a leitura seletiva do material bibliográfico levantado, de onde foram selecionadas citações e referências relevantes sobre a temática a ser abordada, atendendo aos objetivos da pesquisa bibliográfica que, segundo Gil (2002, p.77), são: “[...] identificar as informações e os dados constantes do material impresso; estabelecer relações entre as informações e os dados obtidos com o problema proposto; analisar a consistência das informações e dados apresentados pelos autores”.

5.6 FICHAMENTO

Com o objetivo de organizar o material bibliográfico coletado para o trabalho de pesquisa, foram transcritos para a ficha abaixo, dados resumidos dos conteúdos relativos aos referenciais teóricos bibliográficos:

FICHAMENTO DE CONTEÚDO

COUTO JUNIOR, Dilton Ribeiro. Mídias e Educação infantil: desafios na prática pedagógica. Revista Informática na Educação: teoria e prática, Porto Alegre, v.16, n. 2, p. 131-146, jul. / dez. 2013.
Com o objetivo conhecer o trabalho que as professoras da educação infantil vêm realizando com as mídias massivas e digitais na sala de aula. Numa perspectiva teórica dos Estudos Culturais latino-americanos, além das contribuições de autores como André Lemos e Lúcia Santaella, realizou estudo de caso com sete professores que atuam na educação infantil. Os resultados da pesquisa apontaram que as práticas pedagógicas mediadas pelos artefatos tecnológicos atraem mais a atenção das crianças, e um cos desafios levantados a serem enfrentados é a maior promoção entre a cultura escolar e as práticas culturais das crianças com as mídias.
Local: Disponível em: file:///C:/Users/annec/OneDrive/Documentos/UFES/M%C3 %93DULO%208/TCC%20II/TCC's%20revisados%20em%2027-06/16644-178863-3 PB.pdf

BELLONI, Maria Luiza; GOMES, Nilza Godoy. Infância, Mídias e Aprendizagem: Autodidaxia e Colaboração. Revista Educação & Sociedade, Campinas, vol. 29, n. 104-Especial, p. 717-746, out. 2008.
O principal objetivo da pesquisa é compreender como ocorrem estes “novos modos de aprender” que já vem se desenvolvendo, à revelia da escola e, de modo geral, ignorados por professores e especialistas, desde que as crianças começaram a aceder à televisão e aos videogames e se amplificaram e complexificaram com o acesso lúdico do computador e da internet. Os resultados obtidos pelas autoras indicam que a interação entre pares e com adultos, em situações favoráveis e inovadoras de aprendizagem e com uso pedagógico apropriado das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), pode levar as crianças a desenvolverem comportamentos colaborativos e autônomos de aprendizagem, benéficos para o seu desenvolvimento intelectual, sócio afetivo e das capacidades de autodidaxia. Entretanto, as autoras entendem que a atuação do professor é fundamental e não pode ser substituído pelas máquinas. Elas afirmam que é indispensável que esses profissionais aprendam a lidar com essa autonomia das crianças, e se capacitem no uso das TIC em suas práticas pedagógicas. Local: Disponível em: <http://www.cedes.unicamp.br>

BELLONI, Maria Luiza; BÉVORT, Evelyne. Mídia-Educação: Conceitos, História e Perspectivas. Revista Educação & Sociedade, Campinas, vol. 30, n. 109, p. 1081-1102, set. / dez. 2009.
Diante da convicção de que a sociedade midiática precisa ser mais abrangente, inclusiva e participativa e ao alcance de todos os cidadãos, as autoras se inspiraram em realizar estudos sobre os desafios que envolvem a temática mídia-educação. Em termos históricos, o artigo revela a evolução da mídia-educação no mundo. Segundo as autoras, as tendências atuais de integração dos dispositivos midiáticos aos processos educacionais e comunicacionais nas sociedades contemporâneas é, no mínimo, imprescindível e irrefutável, uma vez que o uso das tecnologias faz parte do cotidiano tanto das crianças (desde a tenra idade) quanto de adultos. As autoras defendem que a grande importância de se promover a Mídia-educação nos dias atuais, se deve ao fato de que o mundo e o cotidiano das pessoas estão completamente absorvidos pelas questões tecnológicas, e também por causa da distância que separa os Sistemas Educacionais do mundo tecnológico que os rodeiam e que prejudicam as futuras gerações. A mídia-educação é hoje responsável por grande parte da socialização dos indivíduos. Local: Disponível em: <http://www.cedes.unicamp.br>

MORAN, J.M.; MASETTO, M.T.; BEHRENS, M.A. Novas Tecnologias e mediação pedagógica. 21ª edição revisada e atualizada. Págs.12, 31 e 53 Campinas, SP: Papirus, 2013.
A introdução da informática e da telemática (ideias) na Educação sob diversos ângulos: tece sobre a tecnologia atual, que não pode estar ausente da escola. Aborda o ensino e aprendizagem inovadores com apoio de tecnologias, sobre os desafios que a internet e as tecnologias móveis trazem para a educação; e a mediação pedagógica como característica fundamental para o uso, em educação, tanto da tecnologia convencional como das assim chamadas novas tecnologias, visando à melhoria do processo de ensino e aprendizagem.
Local: Biblioteca convencional do Polo da Universidade Aberta do Brasil (UAB) em Aracruz, ES.

5.7 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO

De acordo com Minayo (2002, p.75, 76), “cronologicamente, a análise de conteúdos pode abranger as seguintes fases: pré-análise, exploração do material, tratamento dos resultados obtidos e interpretação”.

Nesse sentido, foi utilizado o método hermenêutico-dialético. O processo de análise crítica e interpretativa dos conteúdos compilados para encontrar os resultados do estudo desta pesquisa se deu em três fases, à saber:

1ª fase - Organização dos materiais a serem analisados, conhecendo a sua estrutura e extraindo trechos significativos e relevantes para o estudo.

2ª fase – Exploração dos materiais selecionados, análise, interpretação e registro das impressões obtidas após releitura.

3ª fase – Produção de texto a partir dos resultados obtidos.

5.8 REDAÇÃO

Segundo Marconi & Lakatos (2003, p.49), “a redação da pesquisa bibliográfica varia de acordo com o tipo de trabalho científico que se deseja apresentar.”

Sendo assim, numa proposta dialética para a análise dos dados, elaboramos um texto dissertativo, argumentativo e analítico, dialogando com os resultados obtidos. Após isso, foram tecidas algumas considerações finais.

6. ANÁLISE DOS DADOS

A análise e interpretação dos dados deram-se por meio da análise descritiva da relação entre os dados à luz do referencial teórico. Segundo Gil (1999, p.168), “a interpretação dos dados tem por objetivo a procura do sentido mais amplo da resposta, o que é feito mediante a ligação com outros conhecimentos já assimilados”.

Para estabelecer uma melhor compreensão dos dados coletados, a fim de atender aos objetivos específicos dessa pesquisa, os dados foram organizados e analisados de forma descritiva e interpretativa, por meio de confronto com os referenciais teóricos adotados e a análise das autoras desta pesquisa.

Desse modo, intencionou-se neste trabalho de pesquisa, conhecer a realidade do profissional da Educação Infantil quanto ao uso das mídias e dos recursos tecnológicos em suas práxis pedagógicas, bem como, levantar indicadores que apontem os desafios e as contribuições das mídias e dos recursos tecnológicos na educação infantil.

6.1 1ª) Análise – O uso das mídias e dos recursos tecnológicos pelos docentes da Educação Infantil.

Nessa perspectiva, iniciamos a nossa análise buscando conhecer o cenário da educação infantil no contexto midiático. O cotidiano das crianças contemporâneas é mediado por um crescente e vasto universo de informações e influências midiáticas, oriundas de diversos tipos de mídias, a saber: tv, jornais, revistas, placas, outdoors nas ruas, aplicativos online, sites, webs, escadas rolantes, elevadores, redes sociais, e outros agentes alternativos de comunicação. Essa interação midiática estabelecida pode propiciar o desenvolvimento de múltiplas habilidades nas crianças, e pela importância disso, não podem ser ignoradas nos âmbitos escolares.

Para uma melhor compreensão, ressaltamos a importância da relação entre alunos e professores, principalmente no que concerne a integralização das mídias na organização do trabalho pedagógico na Educação infantil, tendo em vista a necessidade de flexibilidade e reflexão do professor sobre as suas práxis pedagógicas, em contraposição ao tradicionalismo que visa somente o acolhimento e o atendimento das necessidades básicas das crianças. Nesse sentido, amparadas

pelo Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil divulgado pelo Ministério da Educação e Cultura – MEC (2012), queremos destacar os registros estabelecidos sobre os benefícios das mídias para o desenvolvimento integral da criança: “Maior integração entre os alunos e professores, pelo acréscimo dos elementos sócio afetivos, e desenvolvimento de muita interação positiva com a escola e com a aprendizagem; redimensionamento do conceito de conteúdos escolares para além do que é tradicionalmente considerado e inclusão do desenvolvimento de habilidades, atitudes e a incorporação de valores; interação ativa das crianças com as atividades estimulando a habilidade de formar e emitir opiniões; preparação dos alunos ao uso inteligente desses recursos, destacando a importância de trabalhar a relação escola/criança/Tv/vídeo/computador numa perspectiva crítica, reflexiva, lúdica e harmonizadora, desde que se considerem concepções emancipatórias de educação e estratégias metodológicas coerentes com os objetivos de aprendizagens direcionados ao desenvolvimento da cidadania conscientes”. (BRASIL,2012, s/p online)

A integralização das mídias no contexto da educação infantil também tem obtido visibilidade pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, que compõem eixos norteadores como brincadeiras e interações que estabelecem que “possibilitem a utilização de gravadores, projetores, computadores, máquinas fotográficas, e outros recursos tecnológicos e midiáticos”. (BRASIL,2010, s/p online).

Sendo assim, compreendemos que o auxílio midiático dentro da sala de aula pode em muito alavancar os processos de ensino e aprendizagem, porém, a atuação do professor pode ser decisiva nesse processo.

Entendemos que, apesar da importância da integração das mídias e dos recursos tecnológicos à educação infantil, as brincadeiras, o dançar, o movimentar-se, o pintar, não podem ser descartados ou substituídos, o professor tem um papel fundamental e indispensável na mesclagem dessas atividades na escola.

Entretanto, pensando sob a perspectiva da produção de conhecimento pelo uso das mídias e dos recursos tecnológicos nas práticas pedagógicas, é necessário levar em consideração todos os aspectos que envolvem os compartilhamentos dos sujeitos e a coletividade, afinal, cada sujeito tem a sua bagagem cultural, religiosa, de ideal, e etc. Nesse sentido, corroboramos com o pensamento de Couto Junior (2013, p.135), quando afirma que a participação coletiva dos sujeitos em sala de aula faz-se imprescindível para que os processos de ensino-aprendizagem mediados pelas mídias contemporâneas ofereçam a todos a oportunidade de se manifestarem culturalmente e promoverem o intercâmbio de experiências.

Afinal, o docente da educação infantil tem utilizado as mídias e os recursos tecnológicos em suas práxis pedagógicas, e, em caso positivo, como ele tem trabalhado em sala de aula?

Para elucidarmos estas questões, iniciamos nossa análise a partir dos estudos realizados por Belloni & Gomes (2008, p.741), que afirmam que o trabalho dos professores continua sendo fundamental e não pode ser substituído pelas máquinas. Contudo, é imprescindível que eles aprendam a lidar com a maior autonomia das crianças e além de aprender a usar as mídias e os recursos tecnológicos em suas práticas pedagógicas. Em consonância com os pensamentos das autoras, acreditamos que apesar de ainda existirem muitos professores com dificuldades de manuseio dos recursos tecnológicos, existem também professores que estão compromissados em incorporarem novas linguagens às suas práxis pedagógicas em reconhecimento que as crianças são agentes sociais, culturais e produtores de cultura, conforme investigado nos estudos de Couto Junior (2013, p.140):

A professora Juliana apresenta um relato interessante sobre o uso do computador como possibilidade de que seus alunos sejam apresentados ao universo dos signos. De acordo com ela, os processos de leitura e escrita mediados pelas tecnologias digitais são capazes de promover uma ponte com conhecimentos trabalhados na sala. Isso tornou possível que uma de suas alunas de 5 anos, que apresentava dificuldade em ler e escrever no impresso, pudesse estar desempenhando essa prática com maior facilidade no computador: “então eu tinha uma aluna que escrevia, por exemplo, B-O-N-E-C-A faltando letras. Quando eu pedia para ela ler o que estava escrito ela identificava e sorria. Então tive a ideia de tirar o lápis dela e pedir para ela usar o computador”.

Entendemos que este relato revela a preocupação da professora em usar o recurso tecnológico para atender a uma necessidade de aprendizagem de um aluno. A professora utilizou o alfabeto do teclado de um computador para fazer a intervenção em sala de aula, e propiciou a aprendizagem.

Desse modo, compreendemos que o uso das mídias e dos recursos tecnológicos na educação infantil podem oportunizar aos docentes a elaboração de práxis pedagógicas bastante atraentes e significativas para o desenvolvimento de seus alunos no processo de ensino e aprendizagem.

Uma das mídias muito utilizadas pelos professores nos espaçostempos escolares é a televisão. Com relação ao uso da televisão, Couto Junior (2013, p.138) afirma que:

[...] a sua utilização no espaço escolar justifica-se como mais do que necessária. As muitas referências que as crianças fazem ao conteúdo televisivo no cotidiano escolar apontam para a ideia de que este artefato cultural desempenha grande interesse no público infantil, e vêm propiciando que os professores percebam os sentidos produzidos por seus alunos na relação que estabelecem com a referida mídia. Desta forma, as atividades escolares desenvolvidas com o uso da televisão permitem abrir caminhos para a reflexão de como outros meios midiáticos também poderiam ser incorporados nas práticas pedagógicas.

A utilização deste recurso pode ser muito prazerosa para as crianças da educação infantil, afinal, esse recurso midiático está presente no cotidiano da maioria dos âmbitos familiares. Ademais, é um dos principais difusores midiáticos de cultura e informação.

Além da televisão, os professores podem disponibilizar os mais diversos conteúdos interdisciplinar em suas aulas, programas e aplicativos educativos em computadores e data-shows, além de sons musicais por rádios, pen-drivers, Cd’s, e etc. Contudo, o uso do quadro-negro, as brincadeiras com os colegas no pátio da escola, na areia, no pula-pula, com as massinhas, com os lápis de cores, são recursos insubstituíveis e disponíveis nas escolas de Educação de Infantil.

6.2 2ª) Análise - Os desafios e as contribuições das mídias e dos recursos tecnológicos na Educação Infantil.

As mídias e os recursos tecnológicos podem contribuir, especialmente, para proporcionar aos alunos a interação e a socialização. Do ponto de vista de Belloni e Gomes (2008, p.707), os meios midiáticos e os recursos tecnológicos, podem contribuir de maneira acentuada para a Educação Infantil, propiciando um ambiente de interação, colaboração, democracia e autonomia, e promover o desenvolvimento integral por meio da socialização e das mais diversas linguagens.

Em consonância com os estudos realizados por Moran (2013, p.31), analisamos e compreendemos que essa interação e socialização produzidas pela influência do mundo midiático tornam a escola reconhecida como um lugar de aprendizagens presenciais e digitais, e estimula os alunos a aprender mais ativamente a buscar informações, a serem independentes, proativos e a tomar as suas próprias iniciativas. Nesse sentido, entendemos que podem ser bastante relevantes as atuações dos agentes de difusão cultural, social, econômica e política, no sentido de oportunizar na educação Infantil, a criticidade, socialização e a construção de conhecimentos gerais que o ajudarão no seu desenvolvimento enquanto cidadão crítico.

As influências midiáticas na socialização e na projeção das mais diversas culturas têm contribuído grandemente para o seu reconhecimento nas principais instituições sociais, a família, a escola, e a Igreja. Alusivo a este pensamento, muitos estudos, segundo Belloni & Gomes (2008, p.722), têm mostrado a importância crescente das mídias na criação dos mundos sociais na criação dos mundos sociais e culturais das crianças, onde ocorrem os processos de socialização.

Ainda sobre o aspecto do desenvolvimento por meio do diálogo midiático estabelecido por meio das interações sociais entre a criança e a mídia, a família, o professor, e as outras crianças, corroboramos com os estudos de Barbosa (2009, p.31), onde ela afirma que os avanços científicos nos mostram a importância das interações sociais para o desenvolvimento das crianças, desde a tenra idade, como também evidenciam a relevância da interlocução com as linguagens simbólicas da família, do professor e das demais crianças.

Contudo, apesar do reconhecimento da relevância das mídias nos mais diversos setores e âmbitos sociais, cultuais, econômicos e políticos, com relação ao âmbito da Educação Infantil, entretanto, um dos grandes desafios das mídias e dos recursos tecnológicos está justamente nas desigualdades sociais que afetam a realidade das crianças brasileiras. Destarte, as condições socioeconômicas podem fazer a diferença no que concerne ao acesso da criança à esses recursos midiáticos, e gerar um cenário desigual nas instituições de ensino. Nesse sentido, a escola, na visão de Belloni (2005, p.10), deve integrar as tecnologias de informação e comunicação porque elas já estão presentes e influentes em todas as esferas da vida social, sendo de responsabilidade da escola, e em particular a escola pública, atuar no sentido de compensar as terríveis desigualdades sociais e regionais que o acesso desigual a essas máquinas está gerando.

Analisamos que, mediante os estudos dos autores referenciados, as crianças podem ser frequentemente confrontadas nos âmbitos escolares, com as suas realidades sociais e culturais. As crianças destituídas de acesso às práticas midiáticas e aos recursos, portanto, podem se sentirem marginalizadas. Desse modo, o docente exerce papel fundamental como mediadores com a responsabilidade de aproximar e inserir a criança na cultura escolar, de forma igualitária.

O manuseio das mídias e dos recursos tecnológicos também pode ser compreendido como um dos desafios no uso das mídias e dos recursos tecnológicos. No que se refere a isso, Couto Junior (2013, págs.141, 142) tece alguns apontamentos e defende que o uso das mídias na escola é dificultado pelo pouco manejo que os professores têm desses meios, especialmente os digitais. Segundo seus estudos, as professoras reconhecem que há diferenças na forma como elas e seus alunos manuseiam os artefatos culturais; entretanto, isso não pode impedir que as práticas pedagógicas deixem de ser potencializadas e tirem proveito de outros suportes que vêm desempenhando transformações na elação do homem com a cultura e o conhecimento.

Considerando tais apontamentos, entendemos que as dificuldades encontradas por alguns professores podem ser devido ao distanciamento cultural midiático existente entre as gerações dos sujeitos da escola, que compreendem os alunos e os professores. Em contrapartida, acreditamos que o professor pode construir um novo olhar atento aos modos de aprender e conceber o processo de aprendizagem, buscando aprimoramento integrando-se às redes virtuais disponíveis na internet, bem como, sites de pesquisas, onde é possível encontrar uma infinidade de assuntos e plataformas de aprendizagens para o seu preparo no uso das mídias e dos recursos tecnológicos. Essa atualização midiática pode amplificar e qualificar as práxis pedagógicas docentes, e oportunizar meios que permitem o diálogo com as crianças contemporâneas da educação infantil, numa mesma linguagem.

Outro desafio encontrado após análise do cenário da educação infantil no contexto midiático, refere-se à visão do educador escolar, no sentido de buscar compreender e incorporar mais as novas linguagens à rotina das suas práxis pedagógicas, em contraposição ao pensamento tradicionalista pode leva-lo a uma posição estática. Tecemos estas considerações consoante os estudos relevantes de Moran (2013, p.53) que defendem que a educação escolar precisa compreender e incorporar mais as novas linguagens, desvendar os seus códigos, dominar as possibilidades de expressão e manipulação, no exercício de uma educação democrática, com fins democráticos, progressivos, com a participação efetiva das tecnologias, e que visem o crescimento do indivíduo.

Ainda nesta perspectiva, Moran (2013, p.12) afirma que a educação formal continua, de maneira geral, organizada de modo previsível, repetitivo, burocrático pouco atraente, ao mesmo tempo em que a sociedade muda e experimenta desafios mais complexos. Apesar das teorias avançadas e de todo o aparato contemporâneo que defende o uso das mídias e dos recursos tecnológicos como artefatos de educação, predomina, entretanto, a visão conservadora, tradicionalista, onde se repete o que está consolidado, e o que não oferece risco diante destas inquietações.

Sobre este ponto de vista, depreendemos que o desafio maior se encontra embutido na postura docente, uma vez que a realidade da educação atual aponta para a adesão da escola democrática.

Sendo assim, concluímos a análise dos dados visando atender aos objetivos propostos e corroborando com os autores aludidos anteriormente neste trabalho de pesquisa, para uma melhor compreensão da realidade.

7. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

Este trabalho de pesquisa permitiu a compreensão da realidade que envolve o profissional da Educação Infantil quanto ao uso das mídias e dos recursos tecnológicos em suas práxis pedagógicas, bem como, levantar indicadores que apontem os desafios e as contribuições das mídias e dos recursos tecnológicos na educação infantil.

Dentro dessa perspectiva, destacou-se a importância da integralização midiática no contexto da educação infantil. Contudo, apesar da importância da integração das mídias e dos recursos tecnológicos à educação infantil, as brincadeiras, o dançar, o movimentar-se, o pintar, não podem ser descartados ou substituídos, pois, entendemos que possuem igual valor. O professor, porém, tem um papel fundamental e indispensável na mesclagem dessas atividades na escola. Entretanto, sob a perspectiva da produção de conhecimento pelo uso das mídias e dos recursos tecnológicos nas práticas pedagógicas, faz-se necessário levar em consideração todos os aspectos que envolvem os compartilhamentos dos sujeitos e a coletividade, afinal, cada sujeito tem a sua bagagem cultural, religiosa, de ideal, e etc. As atividades pedagógicas elaboradas com o auxílio das mídias e das tecnologias, tais como: a televisão, o retroprojetor, aparelhos de som e máquinas fotográficas, em sala de aula, podem ser muito atraentes e agregar consideravelmente ao processo de ensino e aprendizagem dos alunos da educação infantil.

Com relação a realidade do profissional docente quanto ao uso das mídias e dos recursos tecnológicos, foram encontrados resultados que apontaram que, apesar de ainda existirem muitos professores com dificuldades de manuseio dos recursos tecnológicos, existem, também, professores que estão compromissados em incorporar as novas linguagens às suas práxis pedagógicas em reconhecimento que as crianças são agentes sociais, culturais e produtores de cultura. Neste sentido, compreendemos que o uso das mídias e dos recursos tecnológicos na educação infantil podem oportunizar aos docentes a elaboração de práxis pedagógicas bastante atraentes e significativas para o desenvolvimento de seus alunos no processo de ensino e aprendizagem.

Neste trabalho de pesquisa foram levantados indicadores que apontaram as contribuições e os desafios das mídias e dos recursos tecnológicos na organização do trabalho pedagógico na educação infantil.

Entre as contribuições que os meios midiáticos e os recursos tecnológicos podem oportunizar às crianças da educação infantil, foram encontrados alguns indicadores, a saber: a socialização e a interação. As mídias e os recursos levam para a escola um ambiente de interação, colaboração, democracia e autonomia, onde é possível promover o desenvolvimento integral por meio da socialização e das mais diversas linguagens. Além disso, analisamos e compreendemos que essa interação e socialização produzidas pela influência do mundo midiático nos âmbitos tornam a escola reconhecida como um lugar de aprendizagens presenciais e digitais, que estimula os alunos a aprender mais ativamente, a buscar informações, a serem independentes, proativos, e a tomar as suas próprias iniciativas. Nesse sentido, entendemos que podem ser bastante relevantes as atuações da agentes de difusão cultural, social, econômica e política, no sentido de oportunizar na educação Infantil, a criticidade, socialização e a construção de conhecimentos gerais que ajudarão as crianças no seu desenvolvimento enquanto cidadão crítico.

O uso das mídias e dos recursos tecnológicos nos âmbitos da educação infantil, também podem ser compreendidos como um desafio para a escola. Nesse sentido, foram levantados indicadores que apontaram para as desigualdades sociais, as dificuldades dos docentes na utilização das mídias e dos recursos tecnológicos pelos, e o tradicionalismo ainda existente no cenário educacional.

Sendo assim, apesar da sinalização positiva quanto às ferramentas midiáticas e tecnológicas no contexto da educação infantil, assim como, ao velho quadro-negro, aos lápis de cores, às massinhas coloridas, e às tintas; enfatizamos que a criatividade do professor é fundamental e imprescindível no processo de ensino e aprendizagem. Afinal, o professor propicia o conhecimento na sala de aula, podendo oportunizar aos alunos, ricos meios de aprendizagens oriundos da sua imaginação ou não.

Finalizamos o nosso trabalho de pesquisa, esperando que o mesmo possa contribuir para a construção de novos conhecimentos em outros trabalhos científicos.

8. REFERÊNCIAS

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BELLONI, Maria Luiza; GOMES, Nilza Godoy. Infância, Mídias e Aprendizagem: Autodidaxia e Colaboração. Revista Educação & Sociedade, Campinas, vol. 29, n. 104-Especial, págs. 717, 741, 746, out. 2008. Disponível em http://www.cedes.unicamp.br

BELLONI, Maria Luiza; BÉVORT, Evelyne. Mídia-Educação: Conceitos, História e Perspectivas. Revista Educação & Sociedade, Campinas, vol. 30, n. 109, p. 1081-1102, set. / dez. 2009. Disponível em: <http://www.cedes.unicamp.br>.

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COUTO JUNIOR, Dilton Ribeiro. Mídias e Educação infantil: desafios na prática pedagógica. Revista Informática na Educação: teoria e prática, Porto Alegre, v.16, n. 2, p. 135, 138, 140-142, jul. / dez. 2013.

GIL, A.C. Métodos e técnicas de pesquisa social. Pág. 168. São Paulo: Atlas, 1999.

______. Métodos e técnicas de pesquisa social. Pág. 50. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2010.

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MINAYO, M.C.S. (Org.) Pesquisa Social. Teoria, Método e Criatividade. 21ª ed. Págs. 16, 21, 22, 75, 76. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.

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MORAN, J.M.; MASETTO, M.T.; BEHRENS, M.A. Novas Tecnologias e mediação pedagógica. 21ª edição revisada e atualizada. Págs.12, 31 e 53 Campinas, SP: Papirus, 2013. 

 

Por Glória Gean Silva e Maria Cristina Gonçalves Farias


Publicado por: Maria Cristina Gonçalves Farias

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