AFETIVIDADE NO APRENDIZADO DO PROFESSOR E ALUNO

Pedagogia

Relação entre professor e aluno, diagnóstico da educação brasileira atual e estudo sobre a baixa qualidade das relações nas escolas públicas brasileiras.

índice

1. Resumo

Este trabalho fundamenta-se em apresentar as contribuições da relação afetiva para o processo de aprendizagem, compreendendo como acontece a relação afetiva entre professor e aluno nos anos iniciais e do ensino fundamental. Objetiva-se em buscar nas principais obras educacionais e pedagógicas referência sobre a afetividade no processo de aprendizagem, elencando pesquisas contemporâneas que refletem sobre as contribuições da relação entre professor e aluno para o processo de aprendizagem escolar. Para esse estudo, além da realização de uma pesquisa bibliográfica, houve também a realização de uma pesquisa de campo de caráter investigativo exploratório, por meio da aplicação de um questionário com questões objetivas e subjetivas, que continham questões sociais, econômicas e culturais. Durante a escolarização da criança pressupõe-se que haverá várias interações, nas quais a afetividade está presente. A escola deve proporcionar um espaço de reflexões sobre a vida do aluno como um todo, contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência crítica e transformadora, na qual esse processo não deveria dissociar-se da afetividade. Sendo que o professor é fundamental para a aprendizagem dos alunos, tornando a afetividade um dos elementos que influenciam esse processo. Por meio da pesquisa realizada em um colégio particular na cidade do Rio de janeiro – RJ. Pode-se constatar que a afetividade é imprescindível para o desempenho educacional, uma vez que as palavras das crianças deixam bem claro que a afetividade representa um aspecto importante no processo de aprendizagem, que tem como base o respeito mútuo, o diálogo e, principalmente o carinho recíproco.

Palavras-chave: Relação afetiva. O processo ensino aprendizagem. Diálogo.

2. INTRODUÇÃO

Essa pesquisa possui discussão fundamental referencial metodológico teórico e empírico, considerando que a escola é um campo de vivência e cidadania é preciso que ela possa trazer no seu alicerce o ideal de proporcionar aos educandos momentos prazerosos de aprendizagem, por esta razão a grande importância do bom relacionamento afetivo entre docentes e discentes dentro da escola. Portanto, o mundo tem atravessado grandes transformações que afastam o homem de sua essência interferindo nas relações interpessoais no contexto ensino-aprendizagem- afetividade: relação professor-aluno.

Uma melhor compreensão da importância dessa relação, assim como de suas próprias relações interpessoais que envolvem a escola com suas diretrizes é estudar as conexões entre o desenvolvimento da afetividade do aluno e o sentimento de responsabilidade social do sujeito. O objetivo deste estudo é refletir sobre a importância do relacionamento afetivo entre professor e aluno dentro das Instituições de Ensino, buscando fundamentação teórica / metodológica que possibilite ao professor uma reflexão crítica.

A afetividade é uma condição indispensável de relacionamento do homem com o mundo, as relações humanas ainda que complexa é elemento fundamental na concretização comportamental de um indivíduo. Desta forma, ao efetuarmos uma análise dos relacionamentos entre professor/aluno devemos nos atentar aos itens fazem essa relação uma relação tão significativa na construção do ser humano como ser social-afetivo. Apesar de não se tratar da única mediação relacional onde ocorre ensino e aprendizagem, a relação entre docente/discente é ou pelo menos deveria ser a que melhor revelasse a essência do que é educação.

Desta maneira, o aprender se torna mais interessante quando o aluno se sente competente o bastante para participar de maneira ativa nas aulas. O gosto pelo aprender não é uma atividade que surge espontaneamente nos alunos, pois o conceito de aprender geralmente não é entendido como uma satisfação, sendo em algumas vezes entendido por obrigação.

Sendo assim a relação entre professor-aluno depende fundamentalmente do ambiente estabelecido pelo professor, da relação de empática dele com seus alunos, da capacidade de se interessar por eles, dando carinho e atenção fazendo dessa relação pontes entre o seu conhecimento e o deles.

Afetividade como capacidade a disposição do ser humano de ser afetado pelo mundo externo e interno por meio de sensações ligadas a tonalidades agradáveis ou desagradáveis. A teoria apresenta três momentos marcantes, sucessivos, na evolução da afetividade: emoção, sentimentos e paixão. Os três resultam de fatores orgânicos e sociais e correspondes a configuração diferentes resultados de sua integração: nas emoções, há o predomínio da ativação fisiológica no momento da ativação representacional na paixão da ativação do autocontrole. Outros resultados da pesquisa nos mostram que: podemos ter o bom resultado na educação a partir de respeito mútuo com educando e atitudes profissional.

3. APRESENTAÇÃO DO TEMA

O objetivo é analisar o relacionamento afetivo professor & aluno nas salas de aula, chamando a atenção para essa relação intrinsecamente ligada a atitudes do professor. Manter-se indiferente ou expressar raiva em relação aos alunos; são atitudes que podem causar reações recíprocas, gerando um ambiente conflituoso que dificultará a aquisição do conhecimento. Contudo, se o professor agir de forma que expresse interesse pelo seu desenvolvimento, criará um ambiente mais agradável e propício para a aprendizagem, aluno e professor.

A escola é um ambiente facilitador de bons relacionamentos e consequentemente promotora do sucesso de aprendizagem. Para Delval (2001), a escola possibilita que a criança interaja com outra criança, “essa interação é muito importante para o desenvolvimento infantil, pois promove a cooperação, a possibilidade de colocar-se no ponto de vista do outro”, a criança aprende muito com a interação com outras crianças e com os adultos (os professores). Para haver uma boa interação, é necessária a união de dois polos (professor e aluno), e são justamente estes dois componentes que definirão o ambiente deste relacionamento.

O processo de aprendizagem pode ser beneficiado quando professor e aluno buscam conhecimentos mútuos de suas necessidades, tendo consciência de sua forma de relacionar-se, respeitando as diferenças. O professor em sala de aula deverá contribuir para desenvolver em seus alunos a autoestima, a estabilidade, tranquilidade, capacidade de contemplação do belo, de perdoar, de fazer amigos e de socializar-se. Assim sendo, as instituições escolares não podem dispensar tais conceitos de seu currículo, devendo estimular uma rede mais generalizada de afetividade nas relações interpessoais, no âmbito escolar, e trabalhando intensivamente para gerar oportunidades de integrar o homem na sociedade.

4. JUSTIFICATIVA

No processo de aprendizagem na atualidade temos realidades diferentes segmentos educacionais, sejam eles: nas escolas particulares ou escolas públicas. Nas escolas públicas que deveria ser um ensino de exemplo em todo nosso Brasil, tem muito controversa; numas regiões o ensino é de qualidade, já em outra o ensino é ruim segundo o que é divulgado nas mídias e telejornais. Onde no processo de aprendizagem na concepção Vygotskyana de que o pensamento verbal, não é uma forma de comportamento natural e inata, mas é determinado por um processo histórico cultural.  Já no estudo de Piaget a teoria do equilíbrio de uma maneira geral trata de um ponto de equilíbrio entre a assimilação e a acomodação, e assim, é considerado com um mecanismo autorregulado, necessária para assegurar a criança uma interação eficiente dela com o meio ambiente (Piaget. 1975 p.14).

Afetividade é o estado psicológico que permite ao ser humano demostrar os seus sentimentos e emoção a outro ser ou objetivos. Contudo podemos unir esses dois conceitos numa sala de aula, a fim de transparecer os objetivos que é de uma convivência entre professor e aluno dentro de uma sala de aula ou nos ambientes não escolares.

A holística desta pesquisa está voltada para a relação cotidiana entre professor e aluno, na qual se observa a afetividade como um dos requisitos formadores mais importantes para o desenvolvimento do aluno sujeito.

Torna-se perceptível que não somente e/ou apenas a troca de carinhos, gentilezas, o bem tratar, mas sobressaltando as relações de cuidados, trocas de experiências e estimulações dos sentimentos são favoráveis ao convívio satisfatório. O processo de ensino de saberes e valores favoráveis ao desenvolvimento também consiste em diversos conflitos ligados ao amor e ao ódio. Nesse sentido, é preciso destacar que o professor não é o único responsável pela promoção da estimulação dos fatores afetivos, mas que se trata de um trabalho contínuo e de competência de todos, isto é, da família, sobretudo da escola e do meio social.

De acordo com Wallon (1975), o desenvolvimento da afetividade varia entre os movimentos afetivos e cognitivos, e a emoção é uma forma de exteriorização da afetividade que evolui como as demais manifestações, sob o impacto das condições sociais. A afetividade constitui um domínio funcional tão importante quanto à inteligência, são interdependentes para o desenvolvimento da criança, ou seja, a afetividade e a inteligência se desenvolvem juntas, uma complementa a outra. O educador precisa ter claro isso para elaborar e desenvolver atividades estimulantes, que tenha como objetivo o desenvolvimento da criança nos dois aspectos.

5. PROBLEMA

Na atualidade! E com a nossa realidade Brasileira temos que nós perguntarmos?  O que se pretende ensinar para a nossa criança?

O problema e que as maiorias delas quando termina o ensino médio não consegue ser inseridas no mercado de trabalho. 

Outra questão é a evasão escolar! Será que estamos ensinados com carinho e o afeto necessário para as nossas crianças e os adolescentes para não abandonar a escola. De fato, o analfabetismo funcional, está relacionado com agressividade que acontece dentro do estabelecimento escolar.

6. OBJETIVO GERAL

Compreender a relação afetiva entre professor e aluno no processo de aprendizagem de crianças no final dos anos iniciais do ensino fundamental. Ou seja! Uma educação afetiva pode-se desenvolver sujeitos pensantes, que: no gozo dos direitos civis e políticos, também desempenha deveres. Sujeitos críticos, que têm opinião própria. Honestos, com verdade em seus atos e declarações, não propensa a enganar, mentir ou fraudar, e responsáveis que respondem pelos próprios atos. Assim, o desenvolvimento da afetividade é fundamental para qualquer indivíduo.

Há tempo que a educação vem apresentando índice de baixa qualidade em determinado logradouro, seja pelo o poder aquisitivo ou pelos fatos acasos dos gestores ou pela a própria comunidade que sabe do problema, mas relevam esses fatos e não tentam resolver o problema que é também de responsabilidade social a educação, e não somente das escolas. Já em outros casos o problema apresenta de forma mais enraizada no descuido do poder público.

Quando nos preocupamos com o fator afetivo, especialmente na educação infantil, período em que acriança se encontra em processo de formação, estamos trabalhando na constituição do próprio sujeito, envolvendo valores e o próprio caráter necessário para o seu desenvolvimento integral. Numa relação de afeto podemos descobrir as formas adequadas de lidar com o outro no processo de comunicação.

7. OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Entender a relação professor aluno refletindo nas principais obras literárias.
  • Diagnosticar a educação dada na atualidade brasileira e qual as suas contribuições para a nossa realidade.
  • Entender os motivos das escolas pública brasileira ter baixa qualidade em relações às escolas particulares.

8. METODOLOGIA                                             

Para este estudo, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, a qual valeu de teóricos clássicos e contemporâneos que trabalham com a questão da afetividade no processo de aprendizagem, buscando obter o máximo de informações e esclarecimentos que contribuíssem para a resolução dos problemas aqui apresentado.  Realizou-se uma pesquisa de campo de caráter investigativo exploratório, através de questionamento objetivas e subjetivas, com questões norteadoras que envolvem alunos das séries iniciais e do ensino fundamental.

As informações continham questões sociais, econômicas e culturais, que ajudam a compreender melhor o ambiente cognitivo e afetivo dos alunos.

Sobre a ótica do vem acontecendo com frequência dentro das salas de aulas atualmente. A sociedade civil, e os governos em geral não querem ver ou relegam os acontecimentos da violência dentro das salas de aulas envolvendo professor e alunos, que atualmente está se tornando caso de polícia e processos judiciais. Devido à falta de estrutura física e psicológica e recurso humano no início dos anos iniciais, dentro das salas de aulas, que quando esse mesmo alunos chegam na adolescência, geram toda violência dentro das salas de aulas.

As questões respondidas foram tabuladas conforme o que está acontecendo e descrito nas mídias e jornais, relato de alguns profissionais da educação e alunos, bem como interpretadas, subsidiando uma relação com os teóricos abordados durante o trabalho.

Essa interpretação dos dados teve como objetivo contribuir com as discussões em torno da afetividade, buscando na conversa com os alunos o quanto ela é importante no processo de aprendizagem dos alunos no final dos anos iniciais do ensino fundamental para o ensino médio.

Mudanças profundas só acontecerão quando a formação dos professores deixar de ser um processo de atualização, feita de cima para baixo, e se converter em um verdadeiro processo de aprendizagem como um ganho individual e coletivo, e não como uma agressão.

Certamente os professores não podem ser tomados como atores únicos nesse cenário, pode-se concordar que tal situação também é resultado de pouco engajamento e pressão por parte da população e governos como um todo, que contribui para lentidão da educação.

De acordo com Piaget (1976), não há interesse, necessidade e motivação pela aprendizagem, não há também questionamentos, e sem eles, não há desenvolvimento mental. Afetividade e cognição se complementam e uma dá suporte ao desenvolvimento da outra. Para Piaget (1976), o afeto pode acelerar ou retardar o desenvolvimento das estruturas cognitivas. O afeto acelera o desenvolvimento das estruturas, no caso de interesse e necessidade, e retarda quando a situação afetiva é obstáculo para o desenvolvimento intelectual. A afetividade não explica a construção da inteligência, mas as construções mentais são permeadas pelo aspecto afetivo. Toda conduta tem um aspecto cognitivo e um afetivo e um não funciona sem o outro.

Desenvolvimento da afetividade varia entre os movimentos afetivos e cognitivos, e a emoção é uma forma de exteriorização da afetividade que evolui como as demais manifestações, sob o impacto das condições sociais. A afetividade constitui um domínio funcional tão importante quanto à inteligência, são interdependentes para o desenvolvimento da criança, ou seja, a afetividade e a inteligência se desenvolvem juntas, uma complementa a outra.

8.1. ORGANIZAÇÃO DO ESTUDO   

O presente trabalho está divido em quatro etapas conforme descrito abaixo:

CAPÍTULO 1 – Introdução do estudo abordado, com suas delimitações e objetivos, bem como sua organização e metodologia utilizada.

CAPÍTULO 2 – É apresentada toda a teoria utilizada dos principais teóricos e do levantamento bibliográfico.

CAPÍTULO 3 – Fundamentação teórica.

CAPÍTULO 4 – Apresentação e análise dos resultados.  Conclusão de que essa pesquisa poderá ser mais uma ferramenta, para auxiliar os profissionais da educação evidenciando desvios e mantendo o foco no objetivo que é uma educação de emancipadora.

9. EDUCAÇÃO BRASILEIRA NA ATUALIDADE

Na atualidade e sabido que temos muitas crianças matriculadas nas escolas, o governo tem se empenhado para colocar todas as crianças nas escolas, mas temos um paradigma. Os alunos que está no ensino fundamental sabem mais de os que terminam o ensino médio das escolas pública.  Será se as escolas particulares dão mais afeto os seus alunos? 

Temos uma realidade diante dos nossos olhos! E acaba sendo um problema social. Muitas crianças quando termina seus estudos não consegue ter o direcionamento do que lhe foi dado nas escolas. Ou que alguns autores dizer, que temos que educar para a cidadania e para autonomia.

O que será que as escolas particulares estão fazendo para ter um ensino melhor do que as escolas públicas? Elas têm mais profissional habilitados e bem preparados em relação os das escolas públicas, seus professores são mais carismático com relação  das escolas públicas?

Atualmente, o analfabetismo funcional alcança um número considerável de brasileiros, cerca de 13 milhões. Refletir sobre esse preocupante índice é uma forma de estabelecer uma engrenagem para erradicar com o analfabetismo e todos os aspectos que o sustentam: discriminação, exclusão e dificuldade em comunicação.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), publicada em 2014 pelo IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o analfabetismo tem caído no país, mas ainda alcança 13 milhões de brasileiros acima de 15 anos, o que corresponde a 8,3% da população. Podemos concluir que: a educação precisa de afetividade e toda atenção dos profissionais da educação, evitando assim uma evasão escolar e consequentemente o analfabetismo funcional.  

9.1.  AS CRIANÇAS NOS ANOS INICIAIS DO FUNDAMENTAL

Para que os professores tenham uma maior compreensão da afetividade e da sua influência sobre o processo de aprendizagem no final dos anos iniciais do ensino fundamental, devem-se discutir algumas características do desenvolvimento e comportamento das crianças na faixa etária dos oito e nove anos, as quais lhes fornecerão elementos sobre a motivação de seus alunos para aprender.  Quanto a isso, Souza (1970) entende que a escola é a continuação do lar, portanto, a escola não pode limitar-se apenas a fornecer conhecimentos conceituais, mas deve contribuir para o desenvolvimento da personalidade de seus alunos. A influência mais importante no processo escolar é exercida pelo professor; então é preciso que ele compreenda a origem do desenvolvimento emocional e o comportamento da criança em todas as suas manifestações. De modo que:

Para que haja um desenvolvimento harmonioso é importante satisfazer a necessidade fundamental da criança que é o amor. (...) O professor, na sua responsabilidade e no seu conhecimento da importância de sua atuação, pode produzir modificações no comportamento infantil, transformando as condições negativas através das experiências positivas que pode proporcionar. Estabelecerá, assim, de forma correta, o seu relacionamento com a criança, levando-a a vencer suas dificuldades. (SOUZA, p. 10-11)

Essa mesma autora refere que a criança, aos oito anos, tende a um contato mais real com o meio, compreendendo melhor as reações dos outros, porque ela tem uma curiosidade ativa. Gosta de escutar conversas de adultos e observar suas expressões, exprime sua afeição em atos e palavras, começa a formar sua disciplina e a controlar as próprias atividades. Afetivamente sente-se mais próxima do adulto, ao qual se dirige com mais liberdade. A criança de nove anos controla melhor o meio e adquire novas formas de independência que modificam suas relações com a família, a escola e seus colegas de classe. De maneira semelhante, Palácios e Hidalgo (2004) expõem:

Durante esses primeiros anos da infância, o principal contexto no qual a grande maioria das crianças cresce e se desenvolve é a família. A medida que avançam no desenvolvimento, as crianças vão tendo acesso e participando de novos contextos e, como consequência, vão aparecendo novas fontes de influência no desenvolvimento da personalidade. A escola e a família se transformam, então, nos dois contextos mais influentes voltados para a configuração da personalidade infantil; os pais, os professores o grupo de iguais irão transformar-se nos agentes sociais mais importantes e decisivos durante esses anos (HIDALGO p. 252).

Para eles, nessa faixa etária, as crianças continuam avançando na construção do conhecimento do próprio eu e, paralelamente, são produzidas mudanças na valorização que fazem de si mesmas. Tendem a melhorar a compreensão emocional durante a infância, de maneira a avançar no controle e na regulação das próprias emoções, transformando as emoções em um processo de autocontrole, mediante o qual elas aprendem a avaliar, a regular e a modificar seus próprios estados emocionais. Gessel (1998, p.146) diz que, aos oito e aos nove anos, as crianças estão interessadas no grupo da escola e lhes agrada a ideia de a professora fazer parte desse grupo, gostam de corrigir os erros que ela venha a cometer durante as aulas. Durante as atividades necessitam e gostam de elogios, gostam também que a professora se sente a mesa com elas. “As crianças estão ansiosas por falar e querem responder a todas as perguntas”.  Diz ainda esse autor:

As professoras afirmam que o quarto ano é o mais difícil de ensinar, mas a professora tem que se convencer de que a criança de nove anos é um individualista, e sabe muito bem o que lhe agrada e o que lhe desagrada (...). A criança está mais pressa as matérias de estudo do que propriamente professora. A repulsa da criança a uma professora pode estar ligada a repulsa por uma disciplina, sobretudo quando ela tem mais de uma professora.  (GESSEL, 1998 p. 193).

Diante das discussões apresentadas, percebe-se o quanto o professor é importante no processo de aprendizagem dos alunos. A escola deve participar da construção da personalidade, e o professor deve conhecer cada um de seus alunos, tratando-os como seres humanos com limitações e dificuldades. A criança deve ter um espaço para se expressar e dialogar com a professora e seus colegas. Nessa faixa etária ela deve se preparar para as mudanças que acontecerão posteriormente em sua vida escolar, principalmente no que se refere à passagem do quinto para sexto ano. Deus é alegria. Uma criança é alegria. Deus e uma criança têm isso em comum: ambos sabem que o universo é uma caixa de brinquedos. Deus vê o mundo com os olhos de uma criança. Está sempre à procura de companheiros para brincar.

9.2. A AFETIVIDADE E A APRENDIZAGEM

As crianças no final dos anos iniciais do ensino fundamental, como discutido anteriormente, necessitam de uma aproximação com o adulto. Diante dessa perspectiva, o professor se torna fundamental para a aprendizagem dos alunos, sendo a afetividade um dos elementos que influenciam esse processo. A afetividade, de acordo com Antunes é:

Um conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções que provocam sentimentos. A afetividade se encontra “escrita” na história genética da pessoa humana e deve-se a evolução biológica da espécie. Como o ser humano nasce extremamente imaturo, sua sobrevivência requer a necessidade do outro, e essa necessidade se traduz em amor. (ANTUNES, 2006, p.5)

Para esse mesmo autor, a aprendizagem é uma mudança comportamental que resulta da experiência, é, portanto, uma forma de adaptação ao ambiente. Do mesmo modo que Antunes reflete sobre a necessidade do amor, Maldonado (1994, p.39) aborda o medo e a desconfiança como fatores que dificultam o relacionamento interpessoal, assinalando que o amor pode estar escondido sob camadas de mágoa, medo, tristeza, ressentimento, decepção, vergonha e raiva. Em que:

Atitudes ríspidas, grosseiras e agressivas expressam, com frequência, a necessidade de formar uma carapuça protetora contra o medo de ser rejeitado, contra sentimentos de inadequação (já que sou mesmo incompetente para tantas coisas, por aí eu me destaco) e contra a dor do desamor (ninguém gosta de mim mesmo, quero mais é explodir o mundo).  (MALDONADO, 1994, p.39)

O professor precisa estar atento às reações de seus alunos, pois as situações assinaladas anteriormente podem acontecer nas relações interpessoais em sala de aula. Normalmente atitudes inadequadas como gritos, atitudes ríspidas, grosserias, palavrões, empurrões, podem revelar problemas com a autoestima. Assim, se o professor não tiver sensibilidade para perceber esse problema e disponibilidade para ajudar esse aluno com tais problemas, ele pode sentir-se não merecedor de estima e de consideração.

Para Maldonado (1994, p.42), o professor pode reconhecer quando um processo de construção do conhecimento está sendo efetivo, quando o mesmo se permite sentir o processo. Assim como sente quando está havendo aprendizagem, se o clima em sala de aula é desagradável ou rico e construtivo. Nesse sentido, Woolfolk (2000, p.46) acrescenta que o fato do professor ser, muitas vezes, incapaz de conhecer a dinâmica do comportamento humano, faz com que tenha interpretações equivocadas quanto a seus alunos.

Esses comportamentos internos (emoções, sentimentos, valores, pensamentos) e de movimento acabam sendo observados e confundidos como indisciplina. Essas situações provocam nos alunos as emoções de medo, de tristeza, de mágoa, de raiva e de insegurança. Desse modo:

Os professores são a melhor fonte de ajuda para os alunos que enfrentam problemas emocionais ou interpessoais. Quando os alunos têm uma vida familiar caótica e imprevisível, eles precisam de uma estrutura firme e atenta na escola. Eles precisam de professores que estabeleçam limites claros, sejam consistentes, apliquem as regras firme, mas não punitivamente, respeitem os alunos e mostrem uma preocupação genuína com o seu bem-estar como professor, você pode estar disponível para conversar sobre problemas pessoais sem exigir que seus alunos o façam. (WOOLFOLK, 2000, p.47).

Ainda sobre a mesma abordagem, segundo Rodrigues 1976, (p.173), os motivos humanos para aprender qualquer coisa são profundamente interiores. A criança deseja aprender quando há em si motivos profundamente humanos que desencadeiem tais aprendizagens. Sendo que:

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A aprendizagem escolar depende, basicamente, dos motivos intrínsecos: uma criança aprende melhor e mais depressa quando se sente querida, está segura de si e é tratada como um ser singular (...). Se a tarefa escolar atender aos seus impulsos para a exploração e a descoberta, se o tédio e a monotonia forem banidos da escola, se o professor, além de falar, souber ouvir e se propiciar experiências diversas, a aprendizagem infantil será melhor, mais rápida e mais persistente. Os motivos da criança para aprender são os mesmos motivos que ela tem para viver. Eles não se dissociam de suas características físicas, motoras, afetivas e psicológicas do desenvolvimento (RODRIGUES, 1976, p.174).

Para ele, a criança, aos oito e nove anos, precisa de aprovação, liberdade e valorização. O ensino não deve ser triste, restrito, autoritário e vulgar, mas sim objetivo e dinâmico, e o professor deve ser sensível, conhecer a criança, corresponder a sua confiança. Assim, a motivação escolar depende da intenção que o aluno tem para aprender e, do conceito sobre si, o professor e o ensino. O autor destaca:

As situações de ensino agradáveis suscitam no aluno um desejo de repetir e renovar a aprendizagem. Quando, por infelicidade, o contrário acontece, o aluno tende a rejeitar não só a disciplina que não consegue aprender, mas também tudo quanto a ela se refira, inclusive o mestre e até a própria escola. Se a situação de aprendizagem é gratificante e agradável, o aprendizado tende a se dinamizar, a extrapolar-se para situações novas e similares e, por fim, a inspirar novas aprendizagens (RODRIGUES, 1976, p.179).

Como apontado anteriormente por outros pesquisadores, também Fernández 1991, (p. 47) entende que toda aprendizagem está impregnada de afetividade, já que ocorre a partir das interações sociais, num processo vinculador.  Na aprendizagem escolar, a relação entre alunos, professores, conteúdo escolar, livros e escrita, não se dá puramente no campo cognitivo, existe uma base afetiva permeando essas relações, visto que, para aprender é necessário um vínculo de confiança entre quem ensina e quem aprende. Corroborando esta afirmação, Vygotsky (1994, p.54) destaca a importância das interações sociais, ressaltando a ideia da mediação e da internalização como aspectos fundamentais para a aprendizagem e, defendendo que a construção do conhecimento ocorre a partir de um intenso processo de interação entre as pessoas. Portanto, é a partir de sua inserção na cultura que a criança, através da interação social com as pessoas que a rodeiam, vai se desenvolvendo na constituição do seu eu. Apropriando-se das práticas culturalmente estabelecidas, ela vai evoluindo das formas elementares de pensamento para formas mais abstratas, que a ajudarão a conhecer e controlar a realidade. Nesse sentido, Vygotsky (1994, p. 55) destaca a importância do outro no processo não só de construção do conhecimento, mas também de constituição do próprio sujeito e de suas formas de agir. Cabe mencionar que, para Vygotsky (apud Rego, 1995, p. 102), a escola desempenha um importante papel no desenvolvimento intelectual e conceitual das crianças, pois é ela que se apropria da experiência culturalmente acumulada, desenvolvendo o pensamento conceitual e a construção dos novos conhecimentos. Isso faz com que a escola deva partir do que a criança já sabe para, então, ampliar os seus conhecimentos. Nessa perspectiva, construir conhecimentos implica uma ação partilhada, em que:

As interações sociais (entre alunos e professores) no contexto escolar passam a ser entendidas como condição necessária para a produção de conhecimentos por parte dos alunos, particularmente aquelas que permitem o diálogo, a cooperação e troca de informações mútuas, o confronto de pontos de vista divergentes e que implicam na divisão de tarefas onde cada um tem uma responsabilidade que, somadas, resultarão no alcance de um objeto comum. Cabe, portanto, ao professor não somente permitir que elas ocorram, como também promovê-las no cotidiano das salas de aula. (VYGOTSKY apud REGO, 1995, p.110)

Considerando a importância das interações sociais no contexto da educação, Oliveira (1999, p.11), baseando-se em uma perspectiva vygostskiana, diz que o indivíduo internaliza o conhecimento através da interação com outros indivíduos e objetos existentes no seu ambiente sócio histórico. Ressalta a importância da mediação como condição necessária no processo de ensino e aprendizagem. A criança adquire as habilidades essenciais para sua sobrevivência na interação afetiva com as pessoas de seu contexto sociocultural, demonstrando assim, a importância da afetividade na aprendizagem geral. Este mesmo autor entende que o professor deve ter empatia, sensibilidade para perceber qual é a atividade mais adequada àquele momento e à realidade do aluno. Além disso, o sucesso do encontro exige motivação das partes envolvidas, requer momento e local favoráveis e que o assunto a ser abordado seja condizente com pelo ritmo individual de cada aluno. Seguindo a mesma perspectiva, Dantas (1994, p.79) enfatiza que é preciso haver empatia entre professor e aluno, pois isso favorece o aparecimento de uma simpatia mútua entre ambos. O professor deve ter claro que o processo de ensino e aprendizagem é uma via de mão dupla, um vai-e-vem dele para o aluno e do aluno para ele. Ele ensina, porém, seu aluno também possui saberes que o professor nem sempre possui. Fica assim caracterizado o movimento da troca.

Buscar, portanto, uma maior aproximação afetiva com o aluno, também através do diálogo e até mesmo, citando seu nome algumas vezes e fazendo perguntas, entre outras manifestações de interesse, mostra uma atitude afetiva para com ele, o que, de certa forma, faz o aluno se sentir motivado para realizar as atividades escolares. Dantas (1994, p.65) também ressalta que a afetividade influencia na construção do conhecimento, pois o tempo, no qual a aprendizagem de conteúdos se processa, depende do clima afetivo na sala de aula. O professor deve se relacionar afetivamente com seus alunos para que não se sintam desmotivados, dificultando assim a aprendizagem do mesmo. Dando ênfase ao importante papel desempenhado pela escola no desenvolvimento das crianças, Wadsworth (1997, p.65) assinala que Piaget refere-se ao importante papel do afeto no desenvolvimento intelectual, uma vez que, paralelamente ao desenvolvimento cognitivo, acontece o desenvolvimento afetivo. É impossível encontrar aspectos do desenvolvimento que sejam apenas cognitivos ou apenas afetivos, pois todo comportamento apresenta os dois elementos. Diante disso, as crianças assimilam as experiências aos esquemas afetivos, do mesmo modo que assimilam as experiências às estruturas cognitivas. Piaget apud Wadsworth (1997) ressalta:

Ninguém é movido a fazer algo se não houver um pouco de motivação que origina esforço para desenvolver determinada atividade intelectual. O interesse é um exemplo de como são selecionadas as atividades intelectuais. Esta seleção é provocada pela afetividade e não pelas atividades cognitivas. Portanto, faz-se necessário pensar em afeto como sentimentos, desejos, interesses, valores e todo tipo de emoção. (PIAGET apud WADSWORTH, p.70).

10. O PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM

Poderá ser analisado como uma unidade em relação professor/aluno se de fato for determinante para aprendizagem do aluno. Para tornar esse processo mais produtivo e prazeroso o professor deverá orientar, propiciar e testar atividades adequadas aos alunos inseridos em sala de aula. O professor deverá planejar atividades que promovam entrosamentos mais produtivos entre as atividades aplicadas.

Partindo da teoria de Wallon (2003), o desenvolvimento do sujeito se faz a partir da interação com grandes variedades de fatores ambientais. O foco da teoria é uma relação complementar entre os fatores orgânico se socioculturais.

A aprendizagem é o processo através do qual a criança se apropria ativamente do conteúdo da experiência humana, daquilo que o seu grupo social conhece, e para que o sujeito o aprenda necessitará interagir com outros seres humanos, especialmente com os adultos, e com outras crianças mais maduras. Em geral o adulto ou outra criança fornece ajuda direta à criança, orientando-a e mostrando-lhe como proceder através de gestos e instruções verbais em situações interativas. Na interação professor/aluno gradativamente a fala social trazida pelo professor vai sendo internalizada pelo aluno e o seu comportamento passa a ser então, orientado por uma fala interna que planeja sua ação. O papel do professor nesse processo é fundamental, ele procura estruturar condições para ocorrência de interações professor/aluno e objeto de estudo que leve a apropriação do conhecimento. Paralelo a esses fatores, podemos verificar como a criança chega ao adulto/professor), do ponto de vista afetivo:

No primeiro estágio (0 a 1 ano), impulsivo/emocional, a criança expressa sua afetividade através de movimentos desordenados, respondendo as sensibilidades corporais, o processo ensino/aprendizagem exige respostas corporais, contatos físicos, daí a importância de se ligar ao professor.

A responsabilidade e o respeito pelos sentimentos do outro é um dos aspectos mais importantes na relação professor/aluno, pois, futuramente, irá se tornar responsabilidade social para a cidadania. Freire (1993:54), afirma que: "sem intervenção democrática do professor não há educação progressista".

Sabemos que não é fácil essa intervenção, mas tudo isso constitui uma grande luta de transformação profunda da sociedade brasileira. Os educadores progressistas precisam convencer-se de que não são puros educadores, puros especialistas da docência. O autor conclui ainda: "Que o saber tem tudo a ver com o crescer, tem. Mas é preciso, absolutamente, que o saber de minorias dominantes não proíba, não asfixie, não castre o crescer das imensas maiorias dominadas". (1993: 127).

É notório que: a questão fundamental diante de uma educação de qualidade é que devemos estar bastante lúcidos e cada vez mais competentes naquilo em que estivermos dispostos a realizar que é a capacidade de ensinar. Partindo de uma postura de tomada de consciência do progresso educacional podemos observar que a lei 9394/96 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional promulgada em 20 de dezembro de 1996, traz bem explicitas, em seus artigos: 12, 13, 14 e 15 as normas a serem seguidas na legislação de uma escola democrática, que mostrará a importância da autonomia escolar alternativa sem se desligar de seu caráter público(...). Um dos pontos altos da LDB é o reconhecimento da importância dos valores na educação escolar.

Freire afirma que, "a escola democrática de que precisamos não é aquela em que só o professor ensina em que só o aluno aprende e o diretor é o mandante poderoso". (1993, 100).

É nesse sentido que a escola deve organizar-se democraticamente com objetivos transformadores e articulados com os interesses dos grupos.

A Constituição Federal Brasileira de 1988 em seu art. 227 sublima a política de proteção à criança e ao adolescente: É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, crueldade e opressão.

10.1. O PEDAGÓGICO E UMA EDUCAÇÃO AFETIVIDADE SOCIAL

Para que o processo educativo se efetive, são necessários uma teoria e um conjunto de objetivos e meios formativos, encaminhados a formação humana. Conforme a concepção histórico social de educação, as atividades educacionais ocorrem em condições históricas e social determinadas que estabelecem limites as possibilidades objetivas de humanização. Desse modo, a finalidades e o meio da educação subordina-se, a estrutura e a dinâmica da relação entre classes agentes sociais.  A Pedagogia assume, precisamente, essa, tarefa de orientar as pratica educativa de modo: consciente, intencional, sistemático, finalidades sociais e políticas cunhadas a partir de interesses concretos no seio da práxis sociais, ou seja, de acordo com exigências concretas postas a humanização num determinados contextos históricos-social. Junto isso, formula e desenvolve condições metodológicas e organizativas para viabilizar a atividade educativa.  

10.2. MOMENTO DE DIÁLOGO COM A EDUCAÇÃO

Ninguém educa ninguém. Desta maneira, o educador já é o que apenas educa, mas o que enquanto é educando em diálogo com o educando que ou ser educado também educa. FREIRE (2011). Ambos assim se tornam sujeito do processo em que crescem juntos e em que os argumentos de autoridades já não valem. Em que, para ser funcionalmente, autoridade, se necessita de estar sendo com as liberdades e não contra elas.  Com o relacionamento afetivo dentro da escola a educação acontece de forma espontânea e harmoniosa.

Segundo Augusto Cury (2008, p.50) bons professores usam a memória como armazém de informações, professores fascinantes usam a memória com suporte da criatividade. Bons professores cumprem o conteúdo programático das aulas, professores fascinantes cumprem o conteúdo, mas seu objetivo fundamental principal é ensinar seus alunos a seres pensadores e não repartidores de informação.  Desta forma podemos a ensinar sem aquela obrigação de ensinar, todos podem aprender juntos e tornar a sala de aula prazerosa.

O princípio é que os alunos aprendem melhor realizando tarefas associadas aos conteúdos ensinados. Atividades manuais e criativas ganharam destaque no currículo e as crianças passaram a ser estimuladas a experimentar e pensar por si mesmas. Nesse contexto, a democracia ganha peso, por ser a ordem política que permite o maior desenvolvimento dos indivíduos, no papel de decidir em conjunto o destino do grupo a que pertencem. Dewey defendia a democracia não só no campo institucional, mas também no interior das escolas. 

Inclusão/exclusão escolar e afetividade. A quem realmente tenta-se incluir? A qualquer pessoa sem distinção, entretanto, o foco são as crianças de classes populares com alto índice de fracasso escolar, que foram estigmatizadas e estereotipadas nos contextos educacionais brasileiros, ao longo do processo educativo.

Ainda vale a pena assinalar que Wadsworth, apoiado na teoria piagetiana, resume as características de uma criança no desenvolvimento das operações concretas (7-11 anos), no âmbito da afetividade, da seguinte maneira:

À medida que as crianças se desenvolvem afetivamente, mudanças paralelas podem ser observadas em seus julgamentos morais. O desenvolvimento do afeto normativo, da vontade e do raciocínio autônomo influencia a moral e a vida afetiva da criança operacional concreta. As crianças desenvolvem a capacidade de perceber o ponto de vista dos outros, de considerar as intenções e de melhor se adaptarem ao mundo social (WADSWORTH, 1997 p.74).

Como mencionado por Wadsworth, à afetividade é pensada como sentimentos, desejos, interesses e emoções, uma vez que tanto os aspectos afetivos quanto os aspectos cognitivos participam no desenvolvimento intelectual da criança.

11. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

Essa pesquisa foi realizada no colégio João Lyra. Que oferece aos seus consumidores, a creche, até ensino médio técnico.  Que fica em dos bairros de classe média, em Quintino na cidade do Rio de Janeiro – RJ. Para que tenhamos uma educação mais humanista se faz necessário que o educador abandone as velhas concepções de ensino e busque uma nova visão que possa construir uma sociedade mais justa, democrática e solidária.  É necessário que o professor invista na formação de vínculos afetivos, acreditando na pessoa e compreendendo seus limites individuais. O educador precisa recuperar a afetividade na escola, não somente o afeto que consola, mas também o afeto que impulsiona, pois aponta caminhos e reconstrói a esperança num mundo melhor. 

O agir pedagógico norteado por ações afetivas facilitam as relações entre ensino e aprendizagem, num processo ao qual nada se impõem nada se obriga, mas que se estabelece numa construção continua na estimulação do desenvolvimento educacional, levando professor e aluno a descobrirem juntos condições e possibilidades de convivência mais harmoniosa, dentro da concepção que a afetividade é fundamental ao ser humano.

A educação um dos setores mais importantes para o desenvolvimento de uma nação. E através da produção de conhecimentos que um país cresce, aumentando sua renda e a qualidade de vida das pessoas. Embora o Brasil tenha avançado neste campo nas últimas décadas, ainda há muito para ser feito. Partindo do entendimento de que o sujeito só se desenvolve como sujeito a partir das relações sociais (professor/aluno, pai/filho entre outros sujeitos sociais) e, portanto, da qualidade dessas relações. Neste sentido, a escola e a toda comunidade escolar deverá encarregar-se da promoção do desenvolvimento do homem como ser predominante de conhecimento e das relações sociais. Para que o professor conheça bem seus alunos, é necessário que não negligenciem os aspectos afetivos. É importante refletir sobre a importância da afetividade em uma sala de aula nos anos iniciais do ensino fundamental, de modo que os alunos possam ser compreendidos, aceitos e respeitados, de modo que os professores possam entender seus sentimentos. É preciso ter sensibilidade para ouvi-los, dialogar com eles e apoiá-los para que busquem superar as suas dificuldades.

Espera-se que essa pesquisa tenha reforçado a necessidade dos professores incluírem a dimensão afetiva em sua prática pedagógica, refletindo sobre a mesma e preocupando-se com um futuro mais "humano" para a sociedade.

11.0.1. Outros Resultados da pesquisa teórica.

Secretaria municipal de educação disponibiliza os gráficos das provinhas brasil/2015.

Thiago Gondim maio 13, 2015.

A Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande/RN (SEMEC) aplicou nas últimas semanas as Provinhas Brasil de Língua Portuguesa e Matemática/2015 – 1ª Fase com todos os alunos das turmas de 2º Ano das Escolas da Rede Municipal de Ensino. As provinhas realizam um diagnóstico de como se encontra alfabetização e aprendizado em matemática destes alunos e em quais pontos apresentam maior dificuldade na aprendizagem. Assim, equipes pedagógicas e professores sabem onde estão as fragilidades e as potencialidades na fase de alfabetização, realizando assim um trabalho para intensificar e melhorar o aprendizado dos alunos.

A Provinha Brasil, é uma avaliação diagnóstica do nível de alfabetização das crianças matriculadas nas escolas públicas brasileiras. Aplicada em duas etapas, uma no início e outra ao final do ano letivo, essa avaliação oferece informações sobre os conhecimentos agregados pelos alunos, no que diz respeito às habilidades de leitura, ao longo do ano letivo. Com base nas informações obtidas por meio da avaliação, os gestores e professores têm condições de intervir de forma mais eficaz no processo de alfabetização dos alunos. A Provinha Brasil, portanto, relaciona-se diretamente ao Plano Nacional de Educação (PNE 2011-2020) que propõe em sua meta 5 "Alfabetizar todas as crianças até, no máximo, oito anos de idade".

11.0.2. Quem participa da Provinha Brasil? 

A Provinha Brasil avalia o processo de alfabetização de crianças matriculadas no 2° ano do Ensino Fundamental.

11.0.3. Qual o objetivo da Provinha Brasil?

O objetivo da Provinha Brasil é fornecer um diagnóstico sobre o processo de alfabetização dos alunos aos professores e gestores das redes públicas de ensino, permitindo intervenções mais precisas ao longo deste processo.

Figuras.

http://sab.educacao.rn.gov.br/bonecos2.png

http://sab.educacao.rn.gov.br/bonaca.png

Esse resultado da provinha Brasil da secretaria de educação do Estado do Rio grande do Norte. Apresentado no gráfico, nós mostrar que temos que utilizar várias ferramentas para educar nossos alunos, é possível educar e ter bons resultado de várias formas, sem qualquer castigo. Porém precisaram ter a vontade política e humanística para vencer a descontentamento da educação brasileira, que eu algumas regiões e sabido através das mídias e telejornais que não tem qualidade, mas em outras regiões temos educação de 1º mundo.

Através do ensino aprendizado com respeito mútuo em relação professor aluno podemos concluir que com relacionamento de afetividade, seriedade, profissionalismo, pode igualar o conceito de educação de qualidade no nosso Brasil.

Para corroborar com esta discussão e com as reflexões anteriormente discutidas, faz-se necessário buscar em artigos disponíveis em meio eletrônicos, revista artigo e jornais, atualização do processo ensino e aprendizagem.

12. CONSIDERAÇÕES FINAIS.

O tema abordado neste estudo, acerca da afetividade e aprendizagem: relação professor/aluno é muito importante para que todos educadores reflitam no fazer como educador dentro de uma sala de aula.

É importante que o professor entenda que o lugar que ele ocupa em relação aos seus alunos não é apenas daquele que ensina, mas sim daquele que deixa marcas. Para isso, é de fundamental importância que o professor esteja consciente de sua responsabilidade, tomando decisões de acordo com os valores morais e as relações sociais de sua prática, considerando ainda, as condições de vida familiar e social de seus alunos. 

Reitero ainda, a relação de afetividade professor/aluno enfatizando o respeito unilateral da criança pelo adulto sendo este trabalhado em cooperação da convivência em grupo a partir da experiência histórica de cada uma e de seu próprio nível de desenvolvimento. Enfim, fica evidente a importância de todos nós educadores na vida do aluno acreditando que o professor faz a diferença.

Não podemos deixar de reconhecer que a escola, portanto, deve voltar-se para a qualidade de suas ações e relações, valorizando o desenvolvimento afetivo, social e não apenas o cognitivo, como elementos fundamentais no desenvolvimento do aluno para como um todo.

13. REFERENCIAS

ANTUNES, Celso. A afetividade na escola: educando com firmeza. Londrina: Maxiprint, 2006.194p.

CURY, Augusto. Pais brilhantes, Professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2008.

BRUINI, Eliane Da Costa. "Educação no Brasil"; Brasil Escola. Disponível em <https://brasilescola.uol.com.br/educacao/educacao-no-brasil.htm>. Acesso em 01/10/2015.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2011.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido: 50. Ed. Ver e atual – Rio de janeiro: Paz e Terra, 2011.

LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e pedagogo, para que? 12ª Ed. São Paulo: Cortez 2014.

MALDONADO, Maria Tereza. Aprendizagem e afetividade. Revista de Educação AEC, v.23, n.91, p.37-44, 1994.

PALACIOS, Jesús; HIDALGO, Victoria. Desenvolvimento da personalidade dos seis anos até a adolescência. In: COLL, César; MARCHESI, Álvaro; PALÁCIOS, Jésus. Desenvolvimento psicológico e educação: Psicologia Evolutiva I. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2004, p. 252-267.

RODRIGUES, Marlene. Psicologia educacional: uma crônica do desenvolvimento humano. São Paulo: Mc Graw-Hill do Brasil, 1976. 305p.

ROUSSEAU, Jean Jacques. Projeto para a educação do Senhor de Sainte-Marie. Edição bilíngüe. Paraula, 1994.

SOUZA, Iracy Sá de. Psicologia: a aprendizagem e seus problemas. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio, 1970.

VYGOSTSKY, L. S. A Formação Social da Mente. Martins Fontes - São Paulo. 5ª edição, 1994.

WADSWORTH, Barry J. Inteligência e Afetividade da Criança na Teoria de Piaget. 5ªed. São Paulo: Pioneira, 1997.

WOOLFOLK, Anita E. Psicologia da Educação. 7ª ed. Porto Alegre: ArtMed, 2000.

Portal Scielo.  Psicologia escolar e educação. Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-85572011000100013&script=sci_arttext > acessado em: 04/10/2015.

<https://brasilescola.uol.com.br/educacao/educacao-no-brasil.htm>.  Acessado em: 02/10/2015.

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< http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/leis/L9394.htm>. Acessado em: 29/09/2015.

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acessado em: 28/09/2015.

<http://www.pmcgrn.com.br/secretaria-municipal-de-educacao-disponibiliza-os-graficos-das-provinhas-brasil2015/> acessado em: 16/10/2015.

14. APÊNDICE

Entrevista, com a professora supervisora pedagógica. Do Colégio João Lyra – Quintino - Rio de janeiro. 

Acerca da importância e da afetividade entre professor e aluno.

- O que caberia a escola fazer com a relação ao desenvolvimento afetivo dos alunos?

Resposta: Procurar respeitar a individualidade de cada um.

- Qual a importância das ligações afetivas no desenvolvimento ensino/aprendizagem?

Resposta: Criar meios para que o processo da aprendizagem seja mais fácil, e levantar a autoestima de cada um, a relação-professor aluno é algo que deve ter duas medidas que seja o professor tem de conseguir demonstrar não somente autonomia, mas também o cuidado com o outro.

- Tanto a inteligência como a afetividade são mecanismo de adaptação. Por quê?

Resposta: Porque poderá construir uma visão de mundo emancipadora.

- Como aperfeiçoar a interação professor/aluno?

Resposta: Compreender e ajudar os alunos a elaborar os conceitos de valores, pois muito ainda tem este conceito e o professor é um elo maior para fazer isso.

- Quais as relações entre afetividade e cognição?

Resposta: O afeto pode ser entendido como necessidade para a estrutura cognitiva dos seres humanos, em especial na educação infantil. Outro aspecto e que quando o aluno se sente seguro e gostam do professor ele aprende com mais facilidade. E com o sentimento do afeto a aprendizagem pode fluir da forma mais prazerosa assim, pode propor a cognição.

- Eu fiz um estágio numa escola na rede municipal aqui no Rio de janeiro, porem o diretor deixa o bebedouro trancado a chave, e aqui no Rio é muito quente!!! Qual a sua posição sobre esse fato?

Resposta: Falta de fiscalização por parte das secretarias e por parte da população, falta de ética profissional, descaso com a profissão e estresse.

- A senhora já participou de alguns projetos?

Resposta: Sim, eu já participei de dois projetos, um na minha própria laje da minha casa, que o nome do projeto era tirar o livro da estante, muitos alunos gostavam, tinha muita procura de aluno, e era muito legal. O outro foi em conjunto com Faetec. Eu era a responsável, pois sou coordenadora pedagógica, mas tive que deixar o projeto por motivos pessoais.


Publicado por: Andre luiz

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