O MANIFESTO MANGUE DE ZERO QUATRO: A INTERLOCUÇÃO HISTÓRICA-TEÓRICA DE JOSUÉ DE CASTRO NOS ANOS 1990

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1. O manifesto Mangue de Zero Quatro: A interlocução histórica-teórica de Josué de Castro nos anos 1990

  A relação com o Manguebit vem desde criança. Cresci vendo homens sujos de lama cantando na TV assim que adulto ouvia o Nação Zumbi, entretanto não tinha conhecimento da importância daqueles jovens se sujarem para cantar, afinal os únicos sujos de lama que eu conhecia foram os trabalhadores autônomos que viviam da venda dos caranguejos e acreditava que era apenas mais uma banda qualquer, mas percebi com um tempo que a arte daquela banda era diferente, as letras, ritmos e ideias passavam algo não muito comum as artes de massa, logo me interessei em pesquisar sobre o tema.

Ir á procura da influencia de Josué de Castro sobre o manguebit se deu mais pela indicação do que propriamente pela minha curiosidade, assim como Chico Science cheguei a conhecer Josué de Castro depois de adulto e ainda mais na universidade. A princípio por uma palestra de uma doutoranda em geografia pela USP e depois como membro do grupo de estudos da UNIMESP sobre Marx, pedi auxilio ao professor Henri de Carvalho para um artigo, tendo em vista que meu antigo projeto tinha falhado, mas coloquei que gostaria de falar sobre o nordeste afinal como ele mesmo dizia “nós pesquisamos aquilo que nos interessa” e eu que tinha migrado para São Paulo aos Treze anos tinha vontade de estudar algo relacionado ao meu local de origem e lhe disse que gostaria de falar sobre o Manguebit, logo ele colocou “você poderia falar da influencia de Josué de Castro” fui à procura desse homem até então desconhecido, logo descobrir sua importância enquanto pensador.

Esse regionalismo mesclado com o internacional, mostrando aspectos regionais e globais e essa abertura para o novo e ao mesmo tempo demonstrando ciência de sua identidade, o que levava esse pessoal a se autoafirmar enquanto indivíduos no cenário musical.

O que me levou a pensar também a forma como se deu a globalização nos anos 80 do séc.XX e para quê ela se deu atendendo interesses exclusivamente econômicos e como atos regionais de pensadores tal como Josué de Castro foi útil na construção de uma reação rítmica que apesar de ser abrasileirado, ainda continha forte influência internacional muito semelhante à tropicália, porém com contextos diferentes, mostrando na arte como deveria ser de fato o processo de globalização que ao invés de solapar culturas menores com culturas dominantes deveria ter sido uma troca cultural e um aprendizado mútuo entre os povos.

Diante disso me dispus a pesquisar o movimento cultural e a influência teórica do médico e geógrafo Josué de Castro, ambos cidadãos do mundo, Porém crentes de que seu lugar era tão importante quanto o mundo que eles conquistaram, por isso, cantam com mazelas regionais que os rodeiam.

A preocupação dessa análise está relacionada à forma como os precursores do movimento musical conhecido como manguebit tem suas produções influenciadas pelo médico e geógrafo Josué de castro, pois ambos adentram no cenário do mangue e identificaram uma gente que vivia aquém do mundo oficial que ficou conhecida como “sociedade do mangue”, e assim demonstrar porque o mangue chamou a atenção de um intelectual há décadas atrás e passados mais de trinta anos, desde seu exílio ao inicio do movimento manguebit, novamente chama a atenção desse movimento cultural recifense, e hoje 20 anos após o movimento ter se erguido na cidade do Recife percebe-se ainda a atualidade das criticas de J. De Castro e como o movimento soube fazer essa interlocução temporal entre ciência e arte.

Mediante a isso, tive como base o “Manifesto Mangue” datado de 1992 elaborado por Fred Zero Quatro, Jornalista e um dos fundadores do movimento Manguebit, manifesto esse que expressa à preocupação da arte que esses jovens gostariam de fazer e qual a intenção dessa produção cultural na cidade do Recife, e como ainda hoje, vinte anos após a formação desse gênero musical que sacudiu a indústria cultural que ainda se faz presente à realidade da sociedade recifense que ainda faz uso do mangue para sobreviver, certamente que existem muitas outras particularidades na composição da arte manguebit, entretanto vamos nos deter na interlocução teórica de Josué de Castro sobre os Mangueboys.

2. Mangue o início

Nos anos 80 dois amigos de classe média circulam pela cidade do Recife, todos de coturnos e outros apetrechos típicos de jovens que curtiam “Punk, ambos estudantes de jornalismo, Fred Montenegro, sobrenome esse que seria alterado para “Zero Quatro” (Últimos números de seu registro Geral) e Renato Lins (conhecido como Renato.L), seriam os primeiros moldadores desse movimento que despontaria nos anos 1990, os pais daquilo que seria o manguebit, diga-se de passagem que outro nome foi dado ao movimento pelos veículo de imprensa os deixando conhecido como: Manguebeat, porém como no inicio se chamava manguebit, optei por chamar como os percussores desse movimento cultural o chamaram no inicio.

Influenciados pelo movimento Punk, “O punk chegou aos espaços periféricos do País, como a região do ABCD paulista, por meio de shows e festivais que influenciaram uma parte da juventude brasileira com seu discurso de rebeldia.”, esses dois jovens fundam já em 1984 a banda “Mundo Livre SA” vinculadas a um programa da universidade federal de Pernambuco conhecido como “Décadas” já mostravam uma sonoridade singular, oriunda de duas bandas punk, “Trapaça, serviço sujo e 101 A banda também continha em si a iniciativa rebelde do movimento punk. (PICCHI, 2008, p. 10),

Francisco de Assis França, conhecido como “Chico Science” cresceu num bairro pobre da periferia de Olinda, e desde cedo já frequentava os bailes “Funk da cidade que tocavam além do Funk, “Soul e Rip Hop em 1984 juntou-se a uma banda de Break chamada “legião Rip Hop” já em 1989 ele deixa de dançar para ser cantor e compositor com amigos de influencias do Rock e Lúcio Maia e Alexandre Dengue levam-no a Banda “Loustal” absorvendo também influência dos ritmos afro-americanos dos anos 60.

Nos anos 1990 esses jovens, Fred Montenegro, Renato Lins e Francisco França, se reúnem e montam um festival conhecido como “Viagem ao centro do mangue” o festival tinha por intenção mesclar esses ritmos com os ritmos regionais e desse festival nasce o que ficou conhecido como “Manguebit” que seria batizado mais tarde de pela mídia como “manguebeat”.

Da fusão de ritmos regionais (maracatu, samba, coco, ciranda) com o pop (funk, rock, soul, black, hip hop, punk), desenvolve-se essa síntese musical que expõem um tipo de sincretismo de ritmos e a interação deles com as diversas culturas do globo. O tambor tribal se junta à guitarra e aos amplificadores norte-americanos. A releitura de ritmos regionais, conceitos e idéias pop não se manifesta de forma passiva. A tentativa de universalizar esses elementos nacionais, com o intuito de mostrar e criar uma nova cena para o mundo, conectando o Brasil com o cenário pop mundial, estabelece um diálogo com as manifestações artísticas que trouxeram à tona um Brasil cosmopolita como o Movimento Antropofágico e a Tropicália. ( LEÃO, Apud PICCHI, 2008, p. 2).

Em 1992 Zero Quatro e Renato L. redigem um comunicado à imprensa que se torna por critica de jornais entre eles o Jornal do Comercio (JC) em manifesto, por mais que não houvesse a intenção para tal pretensão a imprensa deu voz e aclamou esse ato como um movimento cultural.

Foi à mídia que começou a usar o termo, principalmente a partir da chegada às redações, em 92, daquilo que era apenas um release escrito por Zero Quatro – de forma brilhante, diga-se de passagem - mas que acabou encarado como um manifesto tipo ‘semana de 22’. Movimento ou não, o fato é que o som e as idéias do Mangue rapidamente conquistaram os formadores de opinião, com exceção dos armoriais e de um Alceu Valença morto de ciúmes e inveja” (LINS, Apud PICCHI, 2008, p.3).

Mas o que poucos sabem é da importância do “Cidadão do Mundo” Josué de Castro sobre a obra desse movimento, o médico nascido no Recife no dia 05 de Setembro de 1908, e faleceu em Paris exilado pelo regime militar, em 1973, fez Medicina em Salvador e no Rio de Janeiro local onde colou grau aos 21 anos, mas exercera sua função na cidade do Recife, em 1935 transferira-se para a então capital da federação, o Rio de Janeiro para compor a cátedra da então Universidade do distrito Federal como professor de antropologia física, no ano de 1938 seus estudos o levam para o Instituto bioquímico de Roma e a cursos na Universidade de Roma, Nápoles e Gênova, o resultado da experiência foi a publicação, em 1939, o estudo “Alimentazione e Acclimatazione Umana neitropici”.

Voltando ao Brasil ele é, em 1942, eleito presidente da Sociedade Brasileira de Nutrição; criou o Serviço de Alimentação da previdência Social (Saps); foi chefe do departamento técnico de Alimentação da Coordenação da Mobilização Econômica e membro, entre sua formação e o fim da II grande Guerra, emergem obras tais como: O Problema da Alimentação no Brasil, Alimentação e Raça, Documentário do Nordeste, A Alimentação Brasileira à Luz da Geografia Humana “sendo esta publicação a primeira na qual Josué de Castro se posiciona claramente em favor do ‘método geográfico’ Em 1946”, Fisiologia dos Tabus e obras que serviram de base e que laçaria o autor no cenário internacional com suas principais obras, Geografia da Fome (1946) e a Geopolítica da Fome (1951) livros que teve forte impacto no cenário internacional, sendo traduzido em 24 idiomas (MARCCHI, Apud PICCHI, 2011, p. 45).

Em 1955 a 1963 foi eleito deputado federal pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) por Pernambuco, Ao qual renunciou, para ocupar a posição de embaixador brasileiro, “Junto aos organismos internacionais das Nações Unidas em Genebra (1936-1964)”, porém se demitiu em consequência do golpe de 31 de março 1964 que ocorreu no Brasil, os golpistas no mesmo ano lhe cassou os direitos políticos no dia 09 de Abril, porém esses percalços na vida política e nacional não o impediu na sua militância contra a fome, (LINHARES, 2007, p. 23).

A atuação de Castro na luta contra o fenômeno da fome criou a “Associação de Luta contra a Fome”, ao lado de Abbé Pierre e do Padre Joseph Lebret e ainda coordenou, até sua morte, a Associação Internacional das Condições de Vida e Saúde. Além de ser membro de associações científicas da Europa, EUA e na antiga União Soviética. Foi premiado por onde passou tanto prêmios científicos quanto prêmios de ordem acadêmica e atuando em favor dos povos do terceiro mundo, realizando conferencias por países do mundo inteiro, foi professeur associé a cadeira de Geografia Humana na Universidade de Paris-Vincennes.

Os últimos anos de Castro, 1964 a 1973, foram ativos mostrando que sua militância não dependia de cargos políticos, este ser social publicou muitas obras em formas de artigos e livros e entre essas obras está um romance chamado de “Homens e Caranguejos”, que é fruto de sua saudade, afinal ele estava exilado, e relembra sua infância no Recife, entre as muitas obras podemos destacar também O drama do terceiro Mundo (Publicado pela Dom Quixote,1970), A China e o Ocidente (Cadernos do Século XXI,1971), América Latina y lós problemas Del Desarrolho (Monte Avila Editores,1974).

Castro faleceu de infarto no dia 24 de Setembro de 1973, mas como ele disse “Não se morre apenas de infarto ou doença crônica morre-se de saudade”, uma semana antes ele tinha solicitado seu retorno ao Brasil, foi negado, mas quis o destino que ele voltasse a sua terra morto, Sendo enterrado no cemitério são João Batista no Rio de Janeiro, nunca um morto foi tão vigiado ou tão censurado no Brasil, os jornais em pequenas notas publicavam sua morte, porém sem fotos, Tendler ainda diz que Castro morreu de Exílio, morreu de saudade, Darcy Ribeiro e Betinho também observam que isso foi um dos maiores crimes do regime militar foi permitir a morte daquele, segundo Ribeiro ”Era o mais proeminente intelectual brasileiro fora do pais”, morrer fora de sua terra, morrer no exílio, parece que o embaixador, o General Aurélio Lima Tavares, permitiu que um velho conterrâneo não revisse sua terra (TENDLER,1995).

Darcy Ribeiro fala que ao voltar do exílio, percebeu que as Universidades não liam os intelectuais nacionais, mostrando como os militares assassinaram a intelectualidade brasileira, e apagaram da memória sobre Josué de Castro e sua luta ao mostrar a fome como consequência de uma elite política e econômica, por isso, o movimento manguebit merece a devida atenção por perceber a importância teórica de Castro para Pernambuco e para o Brasil, levando ele na sua arte e no seu protesto (TENDLER,1995).

3. Caranguejos com cérebro (1992)

É o nome do manifesto cultural datado de 1991 elaborado pelo jornalista, músico e também um dos pioneiros no movimento manguebit, Fred Zero Quatro e é composto de três subtítulos, Mangue, o conceito; Manguetown, a cidade e Mangue, a cena, sendo assim a análise segue a ordem documental.

O manifesto inicia conceituando cientificamente o Mangue com o Subtítulo “Mangue o conceito”, Fred Zero Quatro descreve os aspectos geográficos onde o mangue se desenvolve e começa dizendo, “Estuário” que significa uma região de transição entre o rio sofrendo influencia da maré, prossegue mostrando que essa região é “parte terminal de um rio ou lagoa com água salobra”, em seguida ele afirmar que “em suas margens se encontram os manguezais”, e começa a explicar o que é um mangue: “Comunidade de plantas tropicais ou subtropicais inundadas pelo movimento das marés”. Ainda no mesmo parágrafo ele explica que o mangue em consequência das “matérias orgânicas entre a água doce e a água salgada, os mangues estão entre os ecossistemas mais produtivos do mundo”. (ZERO QUATRO, 14/03/2012).

No segundo parágrafo ficam expostos os dados numéricos da importância biológica no mangue no qual segundo o manifesto cerca de “duas mil espécies” entre “microorganismo e animais vertebrados e invertebrados estejam associados à vegetação do mangue”, no prosseguir ele afirma que “os estuários fornecem áreas de desova e criação de 2/3 da produção anual de pescado do mundo inteiro” e ainda mostrando a importância e a riqueza do mangue o texto nos mostra que “Pelo menos oitenta espécies comercialmente importantes dependem do alagadiço costeiro”. (ZERO QUATRO, 14/03/2012).

O autor conclui esse subtítulo afirmando a importância do bioma para a vida marinha ao dizer que: “Não é por acaso que os mangues são considerados elos básicos da cadeia alimentar marinha” e que apesar “das muriçocas, mosquitos e mutucas, inimigos das donas-de-casa, para os cientistas são tidos como símbolos de fertilidade, diversidade e riqueza.” (ZERO QUATRO, 14/03/212).

O subtítulo se apresenta como “Manguetown, a cidade”, ou seja, cidade do mangue, em seguida é posto a tipologia física do solo onde está localizada a cidade assim como seus afluentes “a planície costeira onde a cidade do Recife foi fundada é cortada por seis rios”, o texto traz um dado histórico ao indicar que: “Após a expulsão dos holandeses, no século XVII, a (ex) cidade *maurícia* passou desordenadamente às custas do aterramento indiscriminado e da destruição de seus manguezais.” (ZERO QUATRO, 14/03/2012).

O manifesto se coloca de maneira critica quando salienta que: “O desvario irresistível de uma cínica noção de ‘progresso’, que elevou a cidade ao posto de ‘metrópole’ do Nordeste, não tardou a revelar sua fragilidade”. (ZERO QUATRO, 14/03/2012).

Para finalizar o ultimo parágrafo do subtítulo de “Manguetwon, a cidade” se evidencia que os movimentos da história mostraram a desigualdade na forma de “esclerose econômica” e isso se acentua na década de setenta do século XX, os anos que se deram foram de “estagnação” e a ilusória ideia de “metrólope” só tem levado ao aumento substancial das desigualdades sociais na ocupação urbana, conforme demonstra o texto:

Bastaram pequenas mudanças nos ventos da história, para que os primeiros sinais de esclerose econômica se manifestassem, no início dos anos setenta. Nos últimos trinta anos, a síndrome da estagnação, aliada a permanência do mito da *metrópole* só tem levado ao agravamento acelerado do quadro de miséria e caos urbano. (ZERO QUATRO, 14/03/2012).

Após expor o conceito do mangue e a cidade do mangue ele Trás o cenário do mangue no subtítulo “Mangue, a cena”, no qual ele chama atenção para a morte da cidade e diz: “Emergência! Um choque rápido ou o Recife morre de infarto!” e explicando que alguém morre quando têm suas veias obstruídas e para perceber isso não precisar ser especialista no assunto ele coloca “Não é preciso ser médico para saber que a maneira mais simples de parar o coração de um sujeito é obstruindo as suas veias”. Em seguida ele trás essa analogia de veias entupidas que leva ao infarto para com a cidade e seus rios dizendo: “O modo mais rápido de infartar e esvaziar a alma de uma cidade como o Recife é Matar os seus rios e aterrar seus estuários” no prosseguir ele questiona “O que fazer para não afundar na depressão crônica que paralisa os cidadãos?” E repetindo a indagação ele diz “Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade?” as indagações acerca da paralisia social são acompanhadas de uma solução no qual ele diz: “Simples! Simples! Basta injetar um pouco de energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife.” (ZERO QUATRO, 14/03/2012).

No que se segue o segundo parágrafo do ultimo subtítulo do manifesto ele afirma que em “Em meados de 91, começou a ser gerado e articulado em vários pontos da cidade um núcleo de pesquisa e produção de ideias pop.” que tinha “O objetivo era engendrar um *circuito energético*, capaz de conectar as boas vibrações dos mangues com a rede mundial de circulação de conceitos pop” e seu símbolo seria uma: “Antena parabólica enfiada na lama”. (ZERO QUATRO, 14/03/2012).

No que se segue eles colocam que os “Manguegrils” e os “mangueboys” São “Indivíduos” ligados a vários ritmos, ideias, pensadores, séries de TV, assim como os métodos científicos que trabalhem com desenvolvimento da mente no que concerne a “Expansão” da consciência, como o texto evidencia:

Hoje, Os mangueboys e manguegirls são indivíduos interessados em hip-hop, colapso da modernidade, Caos, ataques de predadores marítimos (principalmente tubarões), moda, Jackson do Pandeiro, Josué de Castro, rádio, sexo não-virtual, sabotagem, música de rua, conflitos étnicos, midiotia, Malcom Maclaren, Os Simpsons e todos os avanços da química aplicados no terreno da alteração e expansão da consciência.”( ZERO QUATRO, 14/03/2012).

Para finalizar o manifesto, o ultimo parágrafo afirma que “Bastaram poucos anos para os produtos da fábrica mangue invadirem o Recife e começarem a se espalhar pelos quatro cantos do mundo.” O autor ainda coloca que as ações de “descarga inicial de energia gerou uma cena musical com mais de cem bandas.” seguindo a tendência cultural “surgiram programas de rádio, desfiles de moda, vídeo clipes, filmes e muito mais”, e com isso as veias da cidade foram “Desbloqueadas, as artérias vão sendo desbloqueadas e o sangue volta a circular pelas veias da Manguetown.” (QUATRO, Fred Zero,14/03/2012).

Conforme a análise documental do manifesto de 1992 percebe-se que mesmo em fins do séc. XX a situação econômica da cidade do Recife expõe uma realidade de quase inexistência de mobilidade social, isso se explica pela maneira como o Brasil sempre colocou no mundo.

Diante disso, compreende-se muito de nossa estrutura social. Tal como somos, e os fenômenos que essa maneira de ser produz na sociedade brasileira, pois nota-se que o que falta ao Brasil é rompimentos sociais, mediante que até nossa estrutura econômica ainda hoje, parafraseando o Chasin, paga tributo ao velho, Haja vista o agronegócio. J. De Castro Percebeu esse tributo ao estudar a questão da fome o geógrafo possibilista, descreve “que a sociedade dos mangues é uma sociedade imprensada entre estas duas estruturas esmagantes.” Note-se a observação onde ele coloca duas estruturas, essa observação entra em acordo com a observação de Chasin, “É uma sociedade” quando ele fala dessa sociedade se refere aos habitantes do mangue ou sociedade do caranguejo, “que, comprimida pelas duas outras, escorre como uma lama social na cuba dos alagados do Recife, misturando-se com o caldo grosso da lama dos mangues” (CASTRO, 2007, p.14).

Houve varias formas dos países se introduzirem no sistema capitalista, tendo em vista suas particularidades, um pelo meio revolucionário com a destruição do latifúndio dos grandes proprietários e outro pela via conciliatória sem nenhum rompimento social, onde as grandes propriedades se aburguesam substituindo os antigos métodos de produção, pelos métodos burgueses, e entrando no sistema capitalista “Pelo alto”. Lenin chamou esses caminhos de “caminhos do tipo prussiano” e “caminho do tipo norte-americano” (CHASIN, 2000, P. 41).

O Brasil oriundo de uma colônia portuguesa se introduz no capitalismo pela Via Colonial de maneira hipertardia, até os anos trinta do século XX nossa economia teve como prioridade, econômica e produtiva, a manutenção de um sistema oriundo ainda da colonização, que era a monocultura de produtos primários para atender as necessidades do mercado exterior, sobre isso Caio Prado Junior coloca:

Se vamos à essência da nossa formação, veremos que na realidade nos constituímos para fornecer açúcar, tabaco, alguns outros gêneros; mais tarde, ouro e diamante; depois algodão, e em seguida café, para o comércio europeu. Nada mais que isto. É com tal objetivo, objetivo exterior, voltado para fora do país e sem atenção a considerações que não fossem o interesse daquele comércio, que se organizarão a sociedade e a economia brasileira. Tudo se disporá naquele sentido: a estrutura social, bem como as atividades do país. Virá o branco europeu para especular, realizar um negócio; inverterá seus cabedais e recrutará a mão-de-obra de que precisa: indígenas ou negros importados. Com tais elementos, articulados numa organização puramente produtora, mercantil, constituir-se-á a colônia brasileira.
Este início, cujo caráter manter-se-á dominante através dos séculos da formação brasileira, gravar-se-á profunda e totalmente nas feições e na vida do país. Particularmente na sua estrutura econômica. E prolongar-se-á até nossos dias, em que apenas começamos a livrar-nos deste longo passado colonial. Tê-lo em vista é compreender o essencial da evolução econômica do Brasil, que passo agora a analisar. (PRADO JUNIOR, 1977, p. 23)

Chasin, também irá demonstrar corroborando com Caio Prado Junior que o Brasil por ter tido traços coloniais nas estruturas econômicas de sua produção traria características semelhantes ao Caminho Prussiano de introdução no capitalismo:

Assim irrecusavelmente, tanto no Brasil quanto na Alemanha a grande propriedade rural é presença decisiva; de igual modo, o reformismo pelo “alto” caracterizou os processos de Modernização de ambos, impondo-se, desde logo, uma solução conciliadora no plano político imediato, que exclui as rupturas superadoras, nas quais as classes subordinadas influiriam, fazendo valer seu peso especifico, o que abriria a possibilidade de alterações mais harmônicas entre as distintas partes do social. Também nos dois casos o desenvolvimento das forças produtivas é mais lento, e a implantação e a progressão da indústria, isto é, do “verdadeiro capitalismo”, do modo de produção especificamente capitalista, é retardatária, tardia, sofrendo obstaculizações e refreamentos decorrentes da resistência de forças contrária e adversas. Em síntese, num e noutro casos, verifica-se, para usar novamente uma fórmula muito feliz, nesta sumaríssima indicação do problema, que o novo para alto tributo ao velho. (CHASIN, 2000, P. 43-44).

Entendido o cenário econômico brasileiro no sistema mundo, e como Recife, fazendo parte do Brasil, sente socialmente as consequências dessas conciliações entre as elites, Josué de Castro cresce no meio dessa sociedade que segundo ele “Vegeta nas margens ou bordas de duas estruturas econômicas” o teórico percebeu que esses homens fugiam para a cidade do Recife como maneira de obter oportunidades, mas ao chegar aqui eram engolidos pelo mangue, vivendo do mangue e morrendo no mangue surgia aí à sociedade do mangue, fruto de uma ocupação desordenada (CASTRO, 2007, p. 11).

O Recife, a cidade dos rios, das pontes e das antigas residências palacianas é também a cidade dos mocambos: das Choças, dos casebres de barro batido a sopapo, cobertos de capim, de palha de coqueiro e de folha-de-flandres. (CASTRO, 2007, P. 25)

Mediante este fato, onde destorcia a bela visão da cidade do recife como a Veneza brasileira, Josué desnuda o Recife, o possibilista acreditava que:

Só a Geografia, que considera a Terra como um todo, e que ensina a saber ver os fenômenos que se passam em sua superfície, a observa-los, agrupa-los e classifica-los, tendo em vista a sua localização, extensão, coordenação e causalidade, - pode orientar o espírito humano na analise do vasto problema da alimentação, como um fenômeno ligado, através de influências recíprocas, à ação do 47 homem, do solo, do clima, da vegetação e do horizonte de trabalho (CASTRO, Apud PICCHI, 2011, p. 46-47).

Por isso, compreender o problema da fome, da ocupação desordenada nas grandes metrópoles, seria necessário introduzir-se adentro dos problemas sociais da sociedade brasileira e não atacar o problema de maneira leviana ao ponto de colocar quando lida com o assunto das ações governamentais que “sem este conhecimento integral, que só através de pesquisas sociais se pode adquirir, é ingênuo falar em solucionar o problema.” mostrando que apesar de estudar fenômenos, ele sabia que havia razões sociais para o surgimento desses fenômenos. (CASTRO, 1957, p. 70)

Mas mesmo diante dessas obras reveladoras da realidade Pernambucana e brasileira, como Darcy Ribeiro atesta no documentário “Cidadão do mundo” de Silvio Tendler, mediante o golpe de 1964, a obra de Josué foi extirpada da Universidade ao ponto que quando Ribeiro volta do exílio os universitários não liam J. De Castro, ainda nesse documentário Science afirma que ele nunca ouviu falar de Josué de Castro na escola, mostrando algo que ao longo desse estudo me fez refletir a ditadura militar conseguiu retardar a já atrasada formação do povo brasileiro.

Porém passados alguns anos jovens incomodados a com situação da cidade do Recife, que nos anos 90 chegou a ser considerada a quarta pior metrópole do mundo para se viver, estavam decididos a mudar isso, cansados da monotonia cultural da cidade, começaram a organizar encontros no cais do porto aos domingos a fim de gerar algo novo que movimentasse o cenário da Capital Pernambucana.

Um mescla de ritmos englobados, um hibridismo não só musical, mas social, levou Fred Zero Quatro e Chico Science, além de uma serie de músicos a colocar a Veneza esclerosada sob um movimento cultural, que abalou as estruturas da cidade, o Geografo Bruno Picchi os define assim:

Sob a alcunha de Fred Zero Quatro e ao lado de Francisco de Assis França - o Chico Science -, articula um núcleo pessoas (na maioria músicos, jornalistas e desempregados) que objetivam fazer das Artes sua expressão de cidadania. Contemporânea, urbana, regional e local, criou-se uma nova leitura de Recife a partir da visão de uma classe média que vive numa cidade grande junto aos caranguejos; onde seus escritórios estão alicerçados sob depósitos quaternários, instáveis, mal cheirosos, porém férteis. Lá vivem em coexistência aratus, guaiamuns e outros artrópodes junto aos homo sapiens sapiens - assim como o Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo do Estado de Pernambuco (PICCHI, 2011, P. 25)

A Recife de Josué de castro se estendeu até os anos 90, mas esses jovens trouxeram o Geógrafo de novo à briga para “deslobotomizar” a cidade do Recife, Josué coloca que a história dos “homens do Nordeste me entrou muito mais pelos olhos do que pelos ouvidos” esses jovens que começaram na intenção de fazer uma nova arte, acabaram tropeçando na cidade encravada na Lama.

Eu fui mandado embora de um emprego que atuava em cobertura jornalística em campo, e recebi três ou quatro meses de fundo de garantia. Nesse mesmo período peguei um trabalho free lancer relacionado com livros didáticos de biologia e foi com esse material que me aprofundei na questão do meio ambiente do mangue. Então escrevi o manifesto com esses termos específicos. O ócio virou o manifesto Caranguejos com Cérebro. (ZERO QAUTRO, Apud PICCHI, 2011, p. 25-26)

E o manifesto que se divide em três partes, o Mangue, a cidade e a cena foi o ponta pé desse grupo, que soube mesclar o moderno com o tradicional, não abrindo mão nem de um nem de outro, rompendo com a visão folclórica, mas mantendo o tradicional, e se introduzindo no novo sem perder o contato com velho, a arte manguebit soube manter duas coisas importantes, manteve o contato social com a questão do mangue, mas ao mesmo tempo foi mágico, como observa Fischer: “A arte é necessária para que o homem se torne capaz de conhecer e mudar o mundo. Mas a arte também é necessária em virtude da magia que lhe é inerente.” (Fischer, 1959, p.20)

É possível ver na arte do Manguebit traços do conceito de Josué de Castro tais como “O ciclo do caranguejo” e “Sociedade da Lama” tanto nas letras quanto no manifesto mangue, um exemplo é o termo mangueboy e manguegirl que além de hibrido por se chamar meninos do mangue alude ainda com o inglês, ainda fica evidente haja vista que esses garotos mesmo sendo de classes econômicas diferente sentiram na obra de Josué talvez a mesma sensação de indignação que o autor de Homens e caranguejos sentiu e, por isso, o clamor de Science ao cantar.

Ô Josué eu nunca vi tamanha desgraça
Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça. (Science. Da lama ao Caos).

Esse clamor emerge do encontro desses jovens na constatação do cientista que retratou a realidade recifense e que em plenos anos 90 ainda conviviam na cidade atolada na lama, mas ao contrário da visão científica de J. de Castro, esses jovens trouxeram esta vitima da lama à força para se antenar com a modernidade, tanto que, como observou Bruno Picchi, o homem caranguejo se torna caranguejo com cérebro.

A evolução deste “novo ser” ao longo do século passado fez com que duas novas leituras, ambas na década de 191990, emergissem diante das mudanças de ordem econômica e social no mundo contemporâneo: na primeira, este homem-caranguejo é expulso de sua moradia, ganha o asfalto e é descoberto pela mídia, causando comoção nacional, pois a pobreza transformou-no em um homem-rato, o homem-gabiru; na segunda, é utilizado o mesmo mangue para se conectar ao mundo, via o símbolo de uma antena parabólica incrustada na lama de seus manguezais capaz de captar as novas influências e ritmos de um mundo globalizado. Denominados caranguejos-com-cérebro, é a referência ao Manguebit. (PICHI, 2011, P. 47)

Essa transformação desse ser que até então dava a sensação de estar atolando como J. De Castro coloca “a impressão que eu tinha era que os habitantes dos mangues - Homens Caranguejos nascidos à beira do Rio -, à medida que iam crescendo, iam cada vez se atolando mais na lama.” mudou, esse Caranguejo sai para captar o mundo ao seu redor, por isso caranguejos com cérebro, como muito bem colocou Zero Quatro (CASTRO, 2007, p.11).

Moises Neto se equivoca ao expressar tal afirmação: “Enquanto Josué opta por uma visão pessimista, e o trabalho de Science, de certa forma, quixotesco.” o que há são perspectivas diferentes sobre o mesmo objeto, neto não percebe que Science e os mangueboys são artistas e tal classe é imbuída da licença poética, enquanto que Josué Castro é um cientista logo atrelado ao método e a realidade tal como ela é, Fisher, ao falar de Brecht coloca assim :

Mesmo um grande artista como didático, como Brecht, não se serve apenas da razão e da argumentação: Serve-se também do sentimento e da sugestão. Não se limita a colocar o seu público em face da obra de arte permite-lhe igualmente “entrar” nela. (FISCHER, 1959, p.18)

Por isso, que para os primeiros mangueboys, os caranguejos têm cérebro, e lutam, mas isso não quer dizer que Josué de Castro era pessimista, muito pelo contrário, se o fosse não teria militado toda sua vida, como assim o fez pela causa do homem, ele só ansiava ver a sociedade do mangue se erguer, ela se ergueu, na matéria sobre os 20 anos do movimento foi posto isso:

Lá se vão, portanto, 20 anos desde que fincaram a primeira antena parabólica no mangue, na imagem símbolo de então, e os jovens descolados e inconformados do Recife se tornavam mangueboys e manguegirls, de uma espécie algo irônica: a chamagnathus granulatus sapiens, o homem-caranguejo de que falava Josué de Castro para denunciar a fome, mas inserido num novo contexto, de revolução digital. (AZEVEDO, 26/06/2012)

O movimento manguebit entra para a história com uma arte consciente, preocupada com as questões do ser social, ao trazer no seu seio problemas do que lhes rodeavam, como a fome, habitação e meio ambiente, mas também, se preocupando as veias culturais da cidade e como ela deveria ser reavivada, por isso uma antena na lama, é um convite a se ligar ao mundo e também para gritar ao mundo nós estamos aqui, esse é o impacto da arte verdadeira, uma estética que se preocupa com seu meio e ao mesmo tempo não perde sua delicadeza artística, cumprindo assim seu papel.

Arte e sociedade não podem se ignorar, já que a própria arte é um fenômeno social. Em primeiro lugar, por que o artista- por mais originária que seja sua experiência vital é um ser social; em segundo, porque sua obra- por mais profunda que seja a marca nela deixada pela experiência originária de seu criador, por singular e irrepetível que seja sua plasmação, sua objetivação nela- é sempre uma ponte, um traço de união, entre o criador outro membros da sociedade; terceiro, dado que a obra afeta aos demais, contribui para elevar ou desvalorizar neles certas finalidades, ideias ou valores; ou seja, é uma força social que, com sua carga emocional ou ideológica, sacode ou comove aos demais. Ninguém continua a ser exatamente como era depois de ter sido abalado por uma verdadeira obra de arte (Vàzquez, 2011, p.107).

Diante disso, podemos afirmar que as obras de Josué de Castro foi o espírito teórico que se fez presente na estrutura do movimento manguebit, não apenas contido no manifesto mangue de 1992, mas também nas letras das músicas, na forma como esses artistas se mostraram ao seu público, ao se transvestirem de lama, nos termos usados para definir os adeptos desse ritmo tais como: Mangueboy e mangeugirls, com isso a produção de Josué serviu para que os primeiros mangueboys inconformados com a situação econômica e cultural da cidade do Recife se colocassem diante do mundo.

A cidade que sempre teve orgulho de suas pontes e de seus casarões coloniais se viu impelida por uma arte que trouxe a tona uma face esquecida pelas classes dominantes, uma cidade feita de mocambos e atolada na lama que sempre foi ignorada pelos cartões postais da cidade maurícia, os mangueboys foram os responsáveis pela guinada cultural que colocou o problema social que solapava a cidade em pauta, problema esse que dantes foi alvo da teoria e critica de Josué de Castro que mesmo tendo suas análises feitas décadas atrás em um período que vai dos anos 1930 até os anos 1970, viu-se resultado por um problema ainda presente na realidade recifense dos anos 1990 do séc.XX.

E vinte anos após a emissão do manifesto a realidade pernambucana por mais modificada que tenha sido ao longo das ultimas décadas ainda é desigual e excludente, mostrando a atualidade dessas criticas tanto científicas quanto artísticas aos problemas da cidade, claro que o cenário cultural da cidade mudou e hoje a região portuária do Recife é um polo cultural e centro de indústrias de softwares e games, porém a arte que vinte anos antes esteve preocupada em enfiar uma parabólica na lama e conectar a cidade com mundo, ainda se preocupa com futuro incerto do mundo caótico da modernidade afinal para esses artistas a vida foi feita para ser vivida e socializada.

Diante disso podemos colocar que Recife acordou há vinte anos para seus problemas sociais através da arte juvenil do Manguebit e com a ajuda teórica de J. De Castro que registrou com preocupação os dilemas de sua cidade, eles puderam fazer uso da licença poética que é próprio da arte para trazer para a cidade a atenção da imprensa e da indústria cultural, sem perder a preocupação com meio no qual eles estavam inseridos, afinal o propósito de sua arte sempre foi deslobotomizar as veias culturais do Recife para que seus habitantes possam se conscientizar e se conectar com mundo, hoje percebe-se que a parabólica enfiada na lama de fato surtiu efeito sobre as veias da cidade.

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Publicado por: Robson Nobre da Costa

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