Contracultura: História de subversão e underground

História

Levantamento sobre movimentos contraculturais brasileiros, pesquisa sobre as consequências da difusão cultural na sociedade, discussão sobre a importância do movimento para o jornalismo

índice

1. Resumo

A Contracultura é um movimento de contestação social e cultural que encontra-se presente nas cenas undergrounds musicais do mundo inteiro, mesmo depois de mais de meio século do seu surgimento. E na cena musical de Recife não é diferente. Na cena local existe um engajamento social e mobilização de alguns protagonistas que trazem suas contribuições voluntárias em prol da melhoria, expansão e evidência da cena cultural underground pernambucana. Este Rádio documentário traz entrevistas com músicos, produtores, artistas e público da cena musical recifense engajados nas causas sociais da Contracultura como produção de conteúdo underground, mesclando com ações sociais e conscientização sobre os males vividos na sociedade como discriminação racial, social, de gênero, cultural e de classe, abordando a função de cada membro em fazer uma cena melhor e mais contestadora, quebrando os paradigmas do modelo social tradicional e trazendo à tona um modelo inclusivo de grupos sociais para comunidades, casas de shows, bares, festivais entre outras modalidades.

A pesquisa é baseada em relatos de fontes que contribuem de alguma forma para a cena com projetos como festivais, meios de comunicação pautados na música underground, além também da conscientização alimentar trazendo a tona o debate sobre o boicote a indústria alimentar e a importância do consumo de alimentação vegetariana que constitui uma forma de contestação a exploração animal, além de caracterizar-se uma forma de defesa do meio ambiente e dos animais.

Palavras-chave: Contracultura, Underground, Indústria Musical, Radiodocumentário  

ABSTRACT

The Counterculture is a movement of social and cultural contestation that is present in the underground musical scenes of the whole world, even after more than half a century of its emergence. And the music scene in Recife is no different. In the local scene there is a social engagement and mobilization of some protagonists who bring their voluntary contributions for the improvement, expansion and evidence of the Pernambuco underground cultural scene. This documentary Radio brings interviews with musicians, producers, artists and public of the recifense musical scene engaged in the social causes of the Counterculture as production of underground content, mixing with social actions and awareness about the evils lived in society as racial, social, gender, cultural, and class contexts, addressing the role of each member in making a better and more contentious scene, breaking the paradigms of the traditional social model and bringing to the fore an inclusive model of social groups for communities, concert halls, bars, festivals among other modalities .

The research is based on reports from sources that contribute in some way to the scene with projects such as festivals, media based on underground music, as well as food awareness raising the debate on the boycott of the food industry and the importance of consumption of vegetarian feeding that constitutes a form of contestation to the animal exploitation, besides characterizing itself a form of defense of the environment and the animals.

Keywords: Counterculture, Underground, Music Industry, Radio Documentary

2. INTRODUÇÃO

Nos anos 1960 ocorreu a revolução contracultural, o manifesto contra os costumes vigentes das sociedades tradicionais. O movimento surgido nos Estados Unidos que deu voz a contestação social e a quebra de paradigmas. O underground e o unusual ganharam sua notoriedade. Movimento este que mobilizou jovens de todo o mundo e que transformou definitivamente as sociedades contemporâneas no modo de abordar pautas de interesse público. Fôra o grito dos excluídos contra os transeuntes métodos e regras da sociedade conservadora.

O Brasil vivia um período conturbado com a ascensão da ditadura e com a implementação dos atos institucionais. Com a implementação do AI-5 em 1968, a censura reprimiu de forma violenta toda e qualquer expressão artística, ideológica e política que fosse manifestada. O ato durou dez anos e essa época ficou conhecida como os anos de chumbo, por conta da repressão cada vez mais violenta da polícia aos “inimigos do regime”. (MUNDO EDUCAÇÃO, 2019)

Contextualizando o período ditatorial (1964-1985) ao estopim da contracultura no Brasil, vemos que aliado às repressões e a censura imposta pelo regime, ao mesmo tempo a arte teve seus levantes em movimentos musicais como o movimento hippie imortalizado em artistas como Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jim Morrison e a banda The Doors, Pink Floyd entre outros que influenciaram posteriormente os levantes culturais brasileiros como o Tropicalismo, (formado por músicos como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal costa, Os mutantes que tinha Rita Lee como vocalista entre outros) que foi um movimento que durou pouco mais de um ano e acabou reprimido pelo Governo Militar após a decretação do Ato Institucional n° 5 (AI-5), em dezembro de 1968, quando ocorreu a prisão de Gil e Caetano. A cultura do país, porém, já estava marcada para sempre. 

Surgido nos anos 1960 o Punk Rock (que teve seu rótulo inicial como Proto Punk) teve seu estopim no ano de 1977 com o lançamento do álbum Nevermind the Bollocks da banda inglesa Sex Pistols também foi um grande movimento trazido da Europa e que teve peso na criação dos movimentos no Brasil, assim como  o Heavy Metal que surgiu na Inglaterra da fusão pesada das bandas de rock psicodélico e possuíam representantes como Black Sabbath, Led Zeppelin, Deep Purple entre outras que tiveram papel preponderante para influenciar o nascimento dos  movimentos contraculturais brasileiros e trazer os nossos representantes para o front.

As origens do punk no Brasil construíram uma banda inspirada em bandas como MC5, The Stooges e Sex Pistols: A Restos de Nada. Assim, a banda surgida em meados de 1978 foi adquirindo sua forma punk. A partir daí, muitos outros grupos foram se formando, criando bandas no mesmo modelo e então formaram o movimento punk. As bandas faziam músicas em formato de discurso, que faziam críticas ao governo e a sociedade. Apesar da Restos de Nada ter sido a precursora do punk brasileiro, só foi gravar seu primeiro álbum em 1987. Assim como aconteceu no exterior, várias bandas eram divulgadas em fanzines. (MAGALHÃES, HENRIQUE 2013).

Neste trabalho mostraremos a história da contracultura no Brasil, como movimento social, político e suas contribuições nos mais diversos campos de atuação na sociedade, principalmente mostrando sua importância pelo viés jornalístico e porque é um assunto de grande relevância para ser estudado e pesquisado.

Este trabalho tem o intuito de mostrar a subversão como método de afronta às normas vigentes impostas pela sociedade tradicional. Trazendo entrevistas com personagens da cena underground de Pernambuco que de forma autônoma e independente constroem uma cena contemporânea com as heranças ideológicas dos movimentos contraculturais da década de 1960, tornando o tema contextualizado com a cena do estado, porém abrangendo em esferas mundiais o peso e importância que o movimento possui até hoje.

Tem como idéia básica e principal de esclarecer, informar e conscientizar o leitor sobre o que a sociedade marginal pode simbolizar para a evolução cultural de uma nação. Convidar o leitor a pensar “fora da caixa” e longe da sua zona de conforto ideológica e de herança cultural, minando os preconceitos enraizados no trato da cultura purista abrangendo um estudo antropológico sobre um movimento que deu voz aos que sempre foram subjugados a ficarem no mais obscuro e voraz porão da sociedade.

As motivações deste trabalho ao abordar este tema, vai além de seu viés de relevância para a sociedade que já se denomina por isso uma pauta de interesse jornalístico, é também mostrar o outro lado da história de quem reivindica uma sociedade mais justa e menos desigual. A aqueles que lutaram e lutam contra o poder em busca de melhores condições de vida, as minorias que vivem rechaçadas em seus cubículos construídos por quem rege a pauta social e controlam os meios de comunicação e a máquina pública.

O estudo é embasado no objeto de análise principal. A Contracultura, a subversão e o underground em suas mais repletas esferas. Mostrando veículos de comunicação, artistas, obras, movimentos musicais, e inúmeros acontecimentos que fazem parte desse vasto nicho de revolução cultural e social, como a tropicália, os jornais como Pasquim, Flor do Mal, Presença, Rolling Stone, Bondinho e tantos outros. Os movimentos musicais tais quais o nascimento do punk, do heavy metal, dos Beatniks, hippies e suas músicas psicodélicas e os icônicos festivais de Monterey Pop (1967) e Woodstock (1969) festivais símbolos da geração contracultural.

3. OBJETIVOS

3.1. Objetivo geral

Fazer um Rádio documentário com ênfase no movimento contracultural direcionada para público de todas as idades visando expandir conhecimento sobre o assunto. O documentário contará com relatos e entrevistas de integrantes do movimento underground de Pernambuco, que seguindo na base de um dos princípios do movimento, o “faça você mesmo” contribuem de forma autogestionária em trazer música, arte, entretenimento e cultura além de conscientização social para quem consome o que é produzido.

3.2. Objetivos específicos 

1 - Fazer um levantamento sobre os movimentos contraculturais existentes no Brasil;

2 - Pesquisar as consequências dessa difusão cultural na sociedade

Buscar informações atuais sobre o movimento contracultural e como se organizam no âmbito da cena de Recife e também do interior de Pernambuco.

3 - Trazer discussão sobre a importância do movimento para o jornalismo

4 - Trazer conhecimento sobre o que o movimento simboliza no combate ao preconceito e a violência.

4. DESENVOLVIMENTO METODOLÓGICO

A metodologia deste trabalho visa abordar uma pesquisa descritiva sobre o movimento contracultural. Trazendo à tona, acontecimentos que se deram e que impactaram e impactam na sociedade. Trazendo uma nova visão de mundo ao leitor.

Em termos científicos de teoria e prática, o estudo da contracultura nos traz o bônus de almejar uma sociedade mais justa e igualitária, agregando no conteúdo diferenças de raças, crenças, raízes culturais etc. A pluralidade e o humanismo são a força motriz deste trabalho acadêmico onde a pesquisa antropológica nos reafirma como seres humanos e a busca por esses valores e riquezas culturais externam o enlace com o fazer jornalismo. Pesquisar aprofundadamente sobre o movimento contracultural nos reafirma como humanos em constante evolução e busca por resgate da nossa história. E escrever a  história é o fazer jornalismo.

A importância jornalística desse trabalho se dá pela quantidade de informações sobre os movimentos citados (Tropicalismo, Punk Rock, Heavy metal, Rock Psicodélico, Movimento Hippie, Geração beat com os beatniks como os precursores que ajudaram a inventar uma nova forma de fazer jornalismo (literário) além dos jornais e periódicos da época como Pasquim, Flor do Mal, Presença, Rolling Stone que ajudaram a proliferar (apesar da censura) o período contracultural no Brasil trazendo conteúdo histórico e antropológico.

O fazer notícia é adentrar de cabeça na realidade de outros mundos fora da nossa bolha. É adentrar ao desconhecido e reportar cada detalhe pesquisado como se fossemos parte deles. É pensar nas consequências da omissão diante de fatos reais que chocam e nos impressionam a cada segundo vivido. Este trabalho traz uma outra gama de informações essenciais como os levantes atuais que restaram de herança do período contracultural como Movimento Antifascista, Feminista, LGBT que englobam-se com a contracultura pois sempre teve em sua essência a melhoria do convívio em sociedade, um convite para ouvir o outro lado da história, ouvir as vítimas da violência, do racismo, do preconceito, do classicismo e do fundamentalismo.

A importância acadêmica nos remete a um trabalho de conhecimento não vivenciado por muitos que compõem o ambiente universitário. O tema instiga novas pesquisas no campo jornalístico, filosófico, sociológico e antropológico. É um tema que deve ser pautado em prol de melhorias em nossos sistemas educacionais. Focado em adequar o ambiente acadêmico para os alunos desses grupos sociais menos favorecidos, promovendo inclusão social como prioridade nas universidades. Por uma sociedade menos segregada e mais alfabetizada.

Este trabalho visa melhorar as condições sociais e educacionais entre alunos e professores e promover uma amplitude de um método pedagogo futuro que possa atenuar as desigualdades no ambiente acadêmico.

Objetivo do Rádio documentário: Mostrar como protagonistas (Músicos, produtores de eventos, donos de veículos de comunicação undergrounds, entre outros) se organizam e o que trazem de contribuição para a cena musical e cultural underground de Recife e como o movimento contracultural se desenha nos moldes atuais da cena.

A cena pernambucana com bandas já consagradas dentro do Movimento Contracultural como Alceu Valença, Ave Sangria, entre outros, vive hoje um novo momento onde a arte contra cultural surge das mãos de personagens que movimentam os subúrbios e algumas poucas casas de shows que ainda existem (e resistem) no centro do Recife. Profissionais engajados em comunicação e imprensa, Produção de eventos, além de música e gastronomia engajada em contestação.

O interior do estado também entra na pauta do documentário dando ênfase a cidade de Surubim, localizada no Agreste do estado e que é a cidade berço da banda Hanagorik, banda que desde os anos 1990 representa o estado em shows e turnês pelo país e também no exterior. O vocalista da banda André Arcelino conta sobre a contribuição dele e da Hanagorik para a cena pernambucana.

O documentário encerra com conscientização alimentar mencionando o Veganismo como instrumento de contestação aos hábitos alimentares tradicionais que violam o respeito aos animais e seu boicote a indústria da carne.

5. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O preconceito que paira na sociedade tradicional ao se deparar com o diferente. Paradigmas indestrutíveis. É um desafio sem proporções trilhar o caminho oposto ao da maioria. A abstratividade da arte em seu conceito mais radical choca para alguns e constrói para outros. A complexidade da vida em sociedade pelo viés da multiculturalidade e dos mais variados credos, cores. raças e ideologias e o que a configuração da pirâmide social têm de responsabilidade na eclosão dos movimentos de resistência.

Desse modo, a pergunta de pesquisa e a grande problemática deste trabalho acadêmico é “Como se construir uma sociedade mais justa pelo viés da desobediência civil e da contestação social”? E como isso pode ser absorvido pela sociedade como algo benéfico.

O Rádio Documentário tem como propósito trazer ao conhecimento do leitor, informações sobre a contracultura mostrando uma visão de mundo pelo viés da contestação social e o conteúdo jornalístico dela tem a função de desconstruir os padrões já inseridos na sociedade trazendo amplitude e diversidade ao leitor.

A hipótese levantada nesta pesquisa nos trás a realidade de que a contestação social e os levantes populares são a mola mestra para evoluções de uma sociedade menos desigual e injusta. Que não há outra forma de combater as heranças coloniais que ainda estão entranhadas na sociedade brasileira sem a imposição dos movimentos de grupos sociais ainda considerados minorias.

Levando-se em consideração toda a repressão governamental sobre esses grupos que se levantam contra privilégios e regalias dados para uma pequena camada da sociedade de forma totalmente assimétrica, estruturamos uma sociedade que não aceita ser conivente com esse tipo de prática e pelos meios democráticos, movimentos contraculturais e cerceado na liberdade de expressão reivindicam melhores condições para as classes menos favorecidas tornando o âmbito social um lugar mais humanitário para se viver. A prática jornalística contida nas informações da revista tem objetivo de destrinchar os padrões vigentes e incentivar criação políticas de inclusão social na sociedade.

5.1. Contracultura e os meios de comunicação 

A partir de 1964, ano do Golpe Militar no Brasil, os profissionais de imprensa tinham apenas dois caminhos; seguir as diretrizes da grande mídia (apoiadora do governo militar) ou contestar e se posicionar contra o regime.

Nesse cenário surge a mídia alternativa que enlaçada pelo movimento contracultural que já emergia nos Estados Unidos e chegava ao Brasil enfatizou o surgimento desse movimento contracultural na imprensa, que consistia em uma organização de  jornalistas que não queriam trabalhar para os grandes jornais por não abrirem mão da sua liberdade de opinião e convicções políticas. Surgindo nesse período a figura de Millör Fernandes, um dos pioneiros da imprensa alternativa no país que liderou um grupo de jornalistas, ilustradores e chargistas lançando em maio de 1964 a revista “Pif Paf”, uma publicação de humor crítico, que circulou por oito edições antes de ser apreendida pelo governo militar.

Dois anos depois podemos destacar o surgimento da revista Realidade, o jornal carioca o Sol e a revista de temas culturais Civilização Brasileira com forte teor de contestação ao conservadorismo vigente, além dos veículos considerados clandestinos como o Voz operária, Classe operária, Política Operária, Ação Popular, Libertação, O Guerrilheiro e o Bandeira vermelha, que foram jornais mantidos por partidos de esquerda e organizações de cunho libertário e comunistas como o Partido Comunista do Brasil (PC do B), Organização Revolucionária Marxista Política Operária (Polop), Ação Libertadora Nacional (ALN) e o Movimento Comunista Internacionalista (MCI) além do jornal O Amanhã, fundado por membros do Grêmio da Faculdade de Filosofia da USP, no movimento estudantil de 1968, que sofreu dura repressão pela promulgação do AI-5 (Ato institucional Nº 5) O movimento estudantil aliado aos ideais contraculturais que já bradavam forte no país, tiveram sua ação reivindicatória e seu posicionamento político perante o Estado durante a ditadura militar neste país foram cristalizados no imaginário social como o seu grande momento, sendo eleito 1968, o ano que retrata mais expressivamente sua importância (MESQUITA, 2003).

Em Junho de 1969, surge talvez o veículo alternativo mais conhecido do período da ditadura militar, o Jornal O Pasquim. O Pasquim era um tablóide semanal, moldado no formato das publicações estrangeiras underground voltadas para jovens dos anos 60 e que articulavam as aspirações de uma geração rebelde. (GREEN 2003).

A publicação era feita por uma equipe de renomados ilustradores, chargistas e jornalistas, como Jaguar, Ziraldo, Millôr Fernandes, Fortuna, Tarso de Castro.

Vendido em bancas de jornal, fortemente crítico ao regime, tornou-se desde o início um grande sucesso de vendas.

O Pasquim teve o mérito de fazer o povo rir da ditadura. Sofreu bastante com a censura e, em mais de uma ocasião, seus realizadores foram presos. Em determinado momento, toda a redação foi presa. Chegou a vender 200 mil exemplares em meados dos anos 1970. O Pasquim sobreviveu à ditadura, parando de circular só em 1991, já bastante descaracterizado (IMPRENSA ALTERNATIVA, 2012).

Em 1971, surgiu o Bondinho que era uma revista nos moldes de O Pasquim, surgiu na mesma época a Grilo e a Jornalivro que acabaram sendo amalgamados na grande revista Ex, após extinguirem-se por conta da censura e da falta de apoio financeiro. A revista Ex teve grande repercussão ao denunciar a morte do Jornalista, Professor e  Diretor do Departamento de Jornalismo da TV Cultura, Vladimir Herzog que foi torturado e assassinado nos porões do DOI-CODI em São Paulo em 1975, tornando se um mártir na luta pela redemocratização no país.

Em 1972 surge o Opinião, jornal político de oposição liderado por Raimundo Rodrigues Pereira, editor chefe em parceria com o empresário Fernando Gasparian. Chegou a vender quase 40 mil exemplares em bancas de revista e foi duramente censurado culminando com a saída de Raimundo em 1975 e o fechamento do jornal em 1977. Raimundo continuou na luta com a imprensa alternativa criando junto com uma nova equipe, o jornal Movimento ainda em 1975.

As bancas que vendiam jornais alternativos eram constantemente atacadas com bombas pelas forças do governo militar na iniciativa de minar e acabar com toda a imprensa alternativa e seus tablóides. Surgiram outros veículos neste período da década de 70 como o São Paulo, Em Tempo, Amanhã, Hora do Povo, Polítika e os nacionalistas, Versus, Caderno do Terceiro Mundo, A flor do Mal, Rolling Stone, Presença e muitos outros, e todos com caráter underground e feito da forma em que se podia alcançar a população driblando a censura que era implacável.

Alguns jornalistas (muitos deles) possuíam vínculos tanto ideológicos quanto pessoais com vários artistas que compunham o movimento da Contracultura no Brasil. Podemos citar o exemplo do artigo escrito pelo jornalista Luiz Carlos Maciel para a coluna Underground do jornal O Pasquim. Nela Luiz saudava a volta de Caetano Veloso ao país que ocorria naquele mês (MACIEL, 1971) ou o artigo de Telmo Martino na mesma coluna em abril de 1972, utilizando o título Caetano e Gil, uma noite na ópera, demonstram de forma sucinta como a mídia alternativa e o movimento contracultural musical brasileiro estavam em sintonia e em busca da revolução cultural tão almejada (MARTINO, 1972)

[1] O mal da Flor é ser um jornal, por isso existe sua mistificação, assumindo e queimando no próprio fogo que apaga a última pala travada nos dentes da máquina, que bate, bate e está presente sem natal, pois todo dia é natal, e nem todo dia tem panela na sopa. Quem diria que o pato é macho? Se tem barata embaixo do tapete? É mato, batalhões na dispensa, milhares nas bocas de lobo, centenas nas varandas tomando sol de lombra, procurando uma psidelinha. Ainda assim voam pra cascalho. Mas voltando ao assunto anterior, alguém bate na porta, eu não quis abrir e me distraí novamente no barato da barata que está aqui mentalmente, enormemente, fatalmente, despudoradamente anunciando a flor do mal. Chega de falar mal da Flor, mas era indispensável, no esclarecimento do assunto, proposto, cordialmente, pela casualidade do personagem tão mal compreendido pelo vulgo verdadeiro, o diabo.

LUIZ, André. A Flor do Mal. A Flor do Mal, no. 03, O Pasquim Empresa Jornalística, Rio de Janeiro, 1971, p.05

1. A Flor do mal, jornal contracultural fundado em 1971 por Luiz Carlos Maciel e pelos poetas Tite de Lemos, Torquato Mendonça e Rogério Duarte, artigo publicado no Jornal O Pasquim contendo críticas ao regime militar no auge do AI-5.

5.2. Os movimentos artísticos da contracultura

Na década de 1950, surgia nos Estados Unidos, um grupo de jovens formados por poetas, escritores, músicos e artistas em geral que viviam de forma nômade e movidos pela inquietude de desmistificar a tradicional sociedade americana  fundaram comunidades de jovens que utilizavam suas literaturas como protesto ao conservadorismo americano e também ao período introspectivo que a sociedade americana vivia no pós guerra. Essa geração foi chamada de Geração Beat.

Entre os estudiosos da chamada Geração Beat, Claudio Willer, é sem dúvida, um destaque. Em seu livro, Geração beat, Willer explica que o termo Beat originou-se a partir de uma conversa entre Jack Kerouac e John Clellon Holmes no final da década de 1940, em que Kerouac definia a sua geração e seus companheiros como The Beat Generation, em oposição a Lost Generation (Perdidos na Geração). No entanto, o termo é de origem controversa, tanto que segundo Willer, “beat” também é a batida rítmica do jazz ou pode ser associada à beatitude. Kerouac disse (MEDEIROS 2015)

“Ah, isso não passa de uma geração beat”. Falavam sobre ser ou não uma “geração encontrada” (como Kerouac às vezes a denominava), uma “geração angélica”, ou qualquer outro epíteto. Mas Kerouac descartou a questão e disse “geração beat” – não para nomear a geração, mas para desnomeá-la ( WILLER, 2009, p. 07)

A Geração Beat é considerada o embrião da geração Hippie que teve papel preponderante no movimento da Contracultura. Pregavam como o poeta francês Rimbaud, acreditaram que poderiam alcançar um "grau maior de elevação da consciência" através do desregramento dos sentidos.

 Ecos da Geração beat podem ser vistas em muitas outras subculturas além da cultura hippie, como na dos punks etc. As obras mais conhecidas da Geração beat na literatura são Howl (1956) de Allen Ginsberg, Naked Lunch (1959) de William S Burroughs  e On the Road (1957) de Jack Kerouac que foi um dos grandes líderes da geração Beat escrevendo literaturas de protesto influenciando os movimentos contraculturais. A geração Beat influenciou também a forma de se fazer jornalismo literário nas universidades americanas utilizando o manifesto como forma de expressão. A resistência é obrigada a ocorrer na incorporação da academia como escritores anti-acadêmicos como os Beats (NANCY MCCAMPBELL GRACE, 2004).

Após o legado deixado pelos beatniks. Em 1963, segundo Maffi cria-se o termo underground para as formas de cultura e para jornais e revistas que identificavam uma nova sensibilidade e seus produtos culturais e sociais nascida nos anos cinquenta e convertida na década seguinte. (1975, apud FERREIRA, 2003, p.17 )

Nos anos 1960 o terreno estava fértil para a proliferação da cultura hippie que seria a continuidade da geração beat, porém com um teor subversivo mais apurado, visto a militância dos Hippies em maior visibilidade na década da explosão contracultural. A geração conhecida como paz e amor, não apenas limitou-se a usar drogas e reclamar da vida. Houveram grandes levantes de protestos sociais como a união com o movimento negro, várias passeatas foram organizadas pelos Hippies em prol do fim das guerras (especialmente a do Vietnã de 1959 a 1975 mas que contou com a participação dos EUA a partir de 1965) e da ampliação dos direitos civis (SILVA, 2018) A repressão policial foi constante, mas a imposição dos hippies contra as desigualdades sociais já transformava os anos 1960 nos anos da quebra dos paradigmas e a subversão aos costumes tradicionais.

Os grandes artistas que moldaram a contracultura dos anos 60 foram Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison e The doors, o guitarrista Santana, Pink Floyd, entre outras que ajudaram a expandir o movimento de forma gigantesca e mundial.

No Brasil não foi diferente. Influenciados pela geração Beat e os Hippies, o Tropicalismo surgiu como um movimento artístico e membros como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Os Mutantes entre outros. A tropicália como também é chamada foi fundada sob influência da obra cinematográfica de Glauber rocha, Terra em Transe, Caetano Veloso com a música Tropicália e José Celso Martinez Corrêa com a peça de teatro “O Rei da Vela” baseada na obra de Oswald de Andrade de 1933, foram a chamada “santíssima trindade” do Tropicalismo nascido em 1967 e que durou apenas um ano onde foi reprimido pelo AI-5, mas deixou registros magistrais na música e na arte brasileira, imortalizadas no Festival da Canção de 1967, como grandes hinos

de subversão contra a ditadura, cenário vivido pelo Brasil no período contracultural.

Mesmo com curtíssima duração - os anos 1967 e 1968 - a história de ascensão e queda do movimento é conhecida por todos nós: Festival da Canção, polêmicas com as esquerdas da época, prisões após o AI-5, exílios para Londres - e as principais características do movimento -, a carnavalização, a busca do excesso estético, o uso estratégico da cultura de massa e a inovação formal na música popular (COELHO, FREDERICO 2002).

5.3. Movimentos Pós contracultura

A Herança dos movimentos contraculturais inseriram a criação do Punk Rock no fim da década de 60, com um nome ainda embrionário chamado de proto punk, Mas se recriou precisamente em 1974 .

O Punk é um gênero de rock mais pesado com músicas curtas e letras ácidas com refrões expressivos com fortes letras de protesto. A estética do movimento também lhe dá uma identidade única, com uma roupagem mais pesada que as roupas de cetim dos Hippies. Os punks incluem além de trajes rasgados, jaquetas de couro e jeans em sua estética visual com adereços, correntes e cabelos moicanos além da produção de patches (pedaço de pano bordado com artes e capas de discos ou logos de bandas quase sempre costurados em calças, bermudas ou coletes) como parte de sua identidade no cenário contracultural. Pregava a individualidade e a independência, criando-se assim o lema DIY (Do it yourself) que traduzindo significa “faça você mesmo” trazendo grande mobilidade cultural no estilo inclusive na produção de fanzines, prática que influencia no jornalismo cultural underground contemporâneo.

Também fomentou  a indústria underground com a criação de gravadoras independentes muitas vezes criadas por músicos que lançam sua própria banda como forma de desbancar o mainstream (mercado da cultura de massa) e também mostrar boa produção autoral de conteúdo sem necessariamente depender das finanças do estado. Foi um movimento de cunho anarquista e que levou a Contracultura a um patamar mais expansivo. Os representantes mais expressivos desse estilo são Sex Pistols, The Ramones, The Clash, MC5 entre outros.

No Brasil, no brasil o punk teve seu estopim no mesmo ano do seu estouro mundial. 1977. Houveram duas cenas bastante expressivas e pioneiras. Brasília com um punk mais pop que viria a dar origem a cena pop rock do país, com representantes como Aborto Elétrico que viria a se tornar o Legião Urbana e o Capital Inicial posteriormente, além da cena de São Paulo que revelaram as bandas Olho Seco, Cólera e posteriormente Ratos de Porão que seria a primeira banda da América Latina a gravar um disco do mais recente estilo que chegava no mundo no começo da década de 80. O Hardcore.

Por fim o Heavy Metal que surgiu por influência dos artistas contraculturais como Jimi Hendrix, enraizados pelo Blues-rock e pelo rock progressivo (também chamado de psicodélico). Tiveram bandas como Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath onde foram as primeiras a receber o título de Heavy Metal em meados de 1968, mas que na verdade faziam uma espécie de Hard Rock que acabou culminando na criação de um novo estilo. O Heavy metal é considerado a música mais extrema do planeta e sua raiz contracultural trás a desmistificação das crenças religiosas e o protesto as desigualdades sociais. Seus seguidores conhecidos por metalheads ou headbangers utilizam longos cabelos e calças de couro apertadas em seu primórdio e tradicional perfil estético, porém com o surgimento de novos subgêneros como o Thrash Metal (um tipo de metal mais veloz surgido em 1981 nos Estados Unidos que mesclava o Heavy metal com o punk) e o Death Metal (uma continuidade do Thrash Metal porém com uma linhagem mais obscura) essa estética foi se renovando porém mantendo as raízes tradicionais em alguns aspectos.

O Heavy Metal diante desse olhar não é uma música barulhenta e repetitiva, e sim uma sonoridade produzida em meio a turbulência do dia a dia (JANOTTI JR, 1994) 

No Brasil a primeira banda de Heavy Metal a gravar um disco foi a Stress, banda de Belém do Pará que lançou seu primeiro LP em 1982. Porém após o Rock in Rio I em 1985, o Heavy metal assim como o rock em geral teve mais espaço na mídia o que o ajudou a se popularizar como movimento contracultural no país, inclusive tendo cobertura completa da Rede Globo na ocasião. Estiveram no palco do Rock in Rio I, grandes nomes do estilo e do rock em geral como Scorpions, Iron Maiden, Queen entre outros, entre as atrações brasileiras estiveram o Barão Vermelho, Os Paralamas do Sucesso e inclusive o grande ídolo da Tropicália, Gilberto Gil.

No caso da edição de 1985 o veículo responsável foi a Rede Globo. Boni, então vice-presidente de operações da emissora, relatou ao site GQ Brasil (2013) que “De início, não foi lucrativo para ninguém, mas, para a Globo, foi importante para se aproximar do público jovem.” A parceria entre a marca Rock in Rio e a Rede Globo se estende até hoje. Ela teve extrema importância na construção e valorização da marca Rock in Rio, ao considerarmos que de acordo com Gracioso (2008), o espetáculo sempre fez parte de nossas vidas, mas atualmente a grande diferença é que a mídia amplifica tudo e atinge instantaneamente milhões de pessoas. Um espetáculo como o Rock in Rio que é assistido por 75 mil pessoas por dia, atinge na verdade muitos milhões em todo país (CARDOSO E MARTINS, 2016)

O Hip hop e o Reggae foram movimentos de origem negra que absorveram a contestação social e as letras de protesto e apesar de não terem nascido no mesmo contexto social ao da Contracultura, estão totalmente interligados. O

Reggae surgiu na Jamaica na década de 60 oriundo do movimento Rastafari. Movimento religioso que proclama Hailê Selassiê I, imperador da Etiópia, como a representação terrena de Jah (Deus). Este termo advém de uma forma contraída de Jeová encontrada no salmo 68:4 na versão da Bíblia do Rei James, e faz parte da trindade sagrada o messias prometido. O termo rastafári tem sua origem em Ras ("príncipe" ou "cabeça") Tafari ("da paz") Makonnen, o nome de Hailê Selassiê antes de sua coroação. (OS GRUPOS, 2011). O reggae teve sua proliferação massiva na indústria cultural através de seu maior ídolo, Bob Marley, que pregava a paz, a luta contra o preconceito e a quebra dos padrões tradicionais, assemelhando-se com o movimento contracultural em vários aspectos, inclusive a de engajamento político como expressão artística.

Já O Hip-Hop é uma cultura artística que se iniciou durante a década de 1970 nas áreas centrais de comunidades jamaicanas, latinas e afro-americanas da cidade de Nova Iorque. Afrika Bambaataa, reconhecido como o criador oficial do movimento, estabeleceu quatro pilares essenciais na cultura hip hop: o rap, o DJing, a breakdance e a escrita do graffitti. Outros elementos incluem a moda hip hop e as gírias (OS GRUPOS, 2011). Como afirmou (SANTOS, pág 17) “Todavia, para além da literalidade do conceito, essa manifestação foi utilizada como instrumento de resistência, alternativa de lazer e transformou-se num movimento político-cultural de uma parte considerável da juventude negra e pobre americana e, a partir dos anos 1980, em muitos outros países. O hip hop consubstanciou-se como forma de resistência e organização contra as mazelas sociais, ampliadas pelo advento da reestruturação produtiva e urbana, vividas pelas grandes cidades”.

5.4. Os movimentos de resistência que se aliaram a contracultura

Os anos 60 foram marcados pelas guerras ocorridas pelo mundo, principalmente pela guerra do Vietnã onde os levantes sociais tomaram proporções gigantescas em pedido de paz e do fim da guerra. Nesse contexto de barril de pólvora o mundo se via prestes a cair em uma terceira guerra mundial e esse cenário foi fator preponderante para o agigantamento dos movimentos de resistência já existentes até ali, como o Movimento negro, Feminismo, Antifascismo, LGBT e Estudantil que agregaram-se com a Contracultura.

O movimento negro dentro do período contracultural teve seu líder maior na figura de Martin Luther King, ativista político e pastor que lutou pelos direitos civis dos negros pregando o amor ao próximo e a não violência, como afirma (KING, 2008) “Em outubro de 1964, soubemos que Martin havia sido agraciado com o prêmio Nobel da Paz. Fomos tomados por orgulho, alegria e um enorme sentimento de responsabilidade. Aquele não era apenas um prêmio que reconhecia a luta pelos direitos civis, mas a contribuição para a paz mundial”

Martin foi assassinado em 1968 e segundo (PURDY, 2010) Ativistas negros ampliaram seu discurso político, criticando não somente a discriminação racial, mas também a exploração econômica e a política internacional norte-americana.

Grupos radicais de nacionalistas negros tais como os de Malcolm X e os Panteras Negras gozaram de bastante popularidade com seu cultivo da valorização da cultura afro-americana e a necessidade de estratégias e táticas radicais. Nos seus três últimos anos da vida até Luther King radicalizou, definindo transformação social em termos econômicos, combatendo a pobreza e a falta de poder inclusive entre muitos brancos, e fazendo oposição cáustica à Guerra do Vietnã (1965-1975 onde 57 mil norte americanos e 2 milhões de vietnamitas morreram). Não é surpresa ter sido assassinado em Memphis em 1968, durante uma visita de apoio a uma greve de trabalhadores negros.

O movimento feminista bradava desde os tempos da revolução industrial no século XIX, quando operárias exploradas pelas abusivas jornadas de trabalho de 14 horas diárias reivindicavam a diminuição da carga horária.

Quando alcançamos a década de 1960, o advento da pílula anticoncepcional permitiu uma libertação dos comportamentos sexuais antes restritos à monogamia e às relações matrimoniais. Paralelamente, o meio intelectual também passou a se voltar para a essa questão com a difusão de livros de autoras que se interessavam em desconstruir o papel da mulher na sociedade. Entre outras obras, podemos destacar “O Segundo Sexo” de Simone Beauvoir e “A mística do feminino” de Betty Friedan. (SOUSA, 2018) A partir de então, muitas mulheres saíram às ruas com o intuito de reivindicar os mesmos direitos assegurados pela constituição liberal de seus países. Entre outras questões, lutavam para que as faixas salariais de homens e mulheres fossem devidamente equiparadas. Nesse aspecto, percebemos que entre as décadas de 1960 e 1970 o feminismo havia se consolidado enquanto movimento político integrado a muitas outras bandeiras de lutas civis e minoritárias.(SOUSA, 2018).

A integralização do feminismo com a Contracultura deu-se através do movimentos estudantis como o Free Speech Movement (Movimento pela liberdade de expressão) e o Student Nonviolent Coordinating Commitee (Comitê Estudantil de Coordenação Não-violenta – SNCC). Este, sendo uma ala jovem do Movimento pelos Direitos Civis, foi organizado pelos jovens e negros sulistas, para reivindicarem seus direitos civis, mesmo aqueles considerados básicos, pois ainda nem tinham o direito de votar. “O movimento estudantil SNCC, acima citado, foi um dos primeiros a ter manifestação das mulheres, questionando seus papéis no movimento e como eram tratadas. Neste sentido, algumas mulheres, participantes do SNCC lançaram um manifesto, intitulado “On the Position of Women in SNCC”, o qual trazia à tona o papel secundário da mulher na sociedade e também 4 no movimento esquerdista.

O problema enfrentado pelas mulheres e o caminho ainda árduo que teriam que seguir para encontrarem respaldo nos grupos estudantis e, mais ainda, na sociedade como um todo, ficou claro quando o supracitado manifesto foi entregue ao líder da SNCC, Stokeley Carmichael. Este zombou da reivindicação feita e afirmou que a única posição para as mulheres era a de bruços (RODNITZKY, p. 26, 1999). A partir daí, e não somente por isso, as mulheres começaram a tomar ciência de que tinham que lutar para buscar seus espaços e para validarem seus direitos” (MILANI, 2018). Surgido na Alemanha durante a segunda guerra mundial, o Antifascismo uniu socialistas, comunistas e sociais-democratas com objetivo de derrotar o nazifascismo, ideologias totalitárias inseridas por Benito Mussolini na Itália (Fascismo) e Hitler na Alemanha (Nazismo). Após a guerra, em 1945 a organização teve seu fim e veio a se reestruturar na década de 60 de forma dispersa e um pouco distante de suas raízes comunistas e de esquerda. De certa forma, esses grupos eram o inverso de seus progenitores: em vez de uma ampla aliança de socialistas e progressistas de correntes ideologicamente distintas, eles eram grupos específicos, expressamente radicais, mais vagos e profundamente heterogêneos em suas especificidades. Ao invés de um ponto de partida para jovens ativistas em uma esquerda política e socialista mais ampla, os antifas fora das grandes cidades são frequentemente a única força política suburbana e funcionam em espaços contraculturais, com seus próprios estilos, cenas musicais e gírias, ao invés de serem componente de um movimento de massas enraizado dentro de uma sociedade mais ampla (BALHORN, 2017)

O movimento LGBT teve enorme repercussão no anos 60. Em terras estadunidenses, em 1969, ocorreu um evento chamado de A Revolta de Stonewall, que se transformou em um catalisador e impulsionador dos movimentos LGBT, repercutindo até mesmo em terras brasileiras. Após o velório da cantora Judy Garland, cerca de 400 pessoas reuniram-se num bar para beber — estabelecimento este muito frequentado por lésbicas, travestis e gays. Contudo, naquele dia, o bar foi alvo da intimidação policial. Diferente do que se esperava, um grupo de travestis não reagiu pacificamente: os policiais foram recebidos com pontapés e socos, além de ataques com pedras, garrafas e moedas. A adesão foi geral, durando cerca de quatro dias. Tal acontecimento teve grande cobertura da imprensa norte-americana, até mesmo a internacional (RUAN, 2018). A Contracultura e o movimento LGBT anexaram-se como forma de promover a  inclusão e  aceitação social apoiando-se na luta contra a homofobia e os preconceitos da sociedade conservadora.

Por fim os motins realizavam-se em sua grande maioria nos ambientes acadêmicos, os movimentos estudantis como o de 1968 que segundo (CHARLEAUX, 2018) “As barricadas do Maio de 1968, em Paris, representavam a

separação irreconciliável de duas gerações, de pais e filhos, a separação moral da sociedade e dos costumes, entre conservadores e liberais, e, por fim, a separação política e econômica de boa parte do mundo, entre comunistas e capitalistas, no auge do enfrentamento ideológico entre esses dois blocos, personificados pelos Estados Unidos, de um lado, e pela URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), de outro, com dezenas de outros países, movimentos e personalidades orbitando ao redor”.

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O Maio de 1968, influenciou mundialmente e transformou os levantes estudantis a partir dali. O movimento Brasileiro também de 1968 que influenciou-se pelo ocorrido na França recebeu forte opressão da ditadura e externa as ligações do movimento com a Contracultura que já fervilhava também no continente europeu.

Em, 2008, 40 anos após os movimentos estudantis terem mostrado ao mundo sua capacidade de questionamento e organização, a trajetória desses movimentos na América Latina ainda é pouco conhecida, não apenas nesse período. Nossa intenção é contribuir para a compreensão da história do Movimento estudantil no Brasil com base no entendimento do significado de suas lutas passadas, e dos desafios presentes (FREIRE, 2008).

5.5. Principais festivais da Contracultura

5.5.1. Monterey Pop (1967)

Entre 16 e 18 de Junho de 1967, aconteceu um dos eventos mais populares do período Contracultural, Os produtores musicais Lou Adler e John Phillips (Mamas and The Papas) 2 , juntamente com Alan Pariser e Derek Taylor 3 resolveram organizar um festival de rock que contasse com importantes músicos da época. Um evento sem fins lucrativos, que beneficiaria causas locais e internacionais. Além deles, nomes importantes da música foram convidados para ajudar na organização do festival, entre eles Paul McCartney, dos Beatles, Brian Jones, dos Rolling Stones e Johnny Rivers (MAGALHÃES, 2003).

Entre grandes atrações como The Who, The Mamas and The Papas, Grateful Dead entre outros, estava o grande fenômeno do Blues Rock, Jimi Hendrix e sua banda Jimi Hendrix Experience. Esse foi o primeiro show do guitarrista nos Estados Unidos.

Os jornalistas o descreveram como sendo "20 mil ciganos brancos, cantando, dançando, cobertos de flores, de colares e pulseiras de contas". 4 Desta maneira, o Festival de Monterey havia começado, na verdade, no Golden Gate Park, onde panfletos, distribuídos na ocasião, indicavam o grande evento que iria reunir vários artistas da música, criando assim, uma grande expectativa em torno do festival (MAGALHÃES, 2003)

O festival simbolizou o início do verão do amor e contou com a presença de 200,000 pessoas. Os artistas se apresentaram de graça e toda a verba foi revertida para instituições de caridade. Monterey Pop foi muito bem aceito e a enorme repercussão lhe deu o status de primeiro grande festival de rock, inclusive virando documentário produzido pelo cineasta D. A, Pennebaker em 1968.

Monterey Pop, serviu de exemplo para grandes festivais que viriam posteriormente, incluindo o maior da história da Contracultura; O festival de Woodstock de 1969.

[2]"Desde a primeira notícia sobre isto - panfletos distribuídos no primeiro Human Be-in em San Francisco próximo ao início da primavera de 1967 - a coisa se espalhou pelo underground como fogo na floresta. O Human Bein tinha sido um acontecimento bem livre; o Monterey Pop Festival seria algo mais organizado , intensificando e dirigindo a energia. Havia a sensação de acontecimento fortes em curso ( .. .) Muito dos jornais underground que havia surgido pelo país como " The Orac/e", em São Francisco, e o " The Oracle" , de Los Angeles, deram endosso total

ao festival como um seguimento lógico do enorme Human Bein".  HENDERSON, David. A Vida de Jimi Hendrix : dá licença que eu vou beijar o céu I David Henderson, tradução Marco António Esteves - Rio de janeiro : Espaço e Tempo, 1993, p. 154

2. David Henderson exalta o sucesso do Festival Human Be- In ocorrido na baía de São Francisco em 14 de Janeiro de 1967, mostrando  que o festival viria a ser uma prévia do aclamado Monterrey Pop.

5.5.2. Woodstock (1969)

Entre os dias 15 e 17 de Agosto aconteceu o maior festival da história do período contracultural e um dos maiores festivais de música da história. O Woodstock representou o ápice dessa era contracultural. O projeto de um grande festival que reunisse os principais representantes do rock daquele período partiu de quatro jovens: John Roberts, Joel Rosenman, Artie Kornfeld e Michael Lag.

Cerca de 400.000 pessoas foram ao Woodstock. A cidade não suportou a demanda por comida e outras formas de mantimentos para tamanha quantidade de pessoas e teve que recorrer à ajuda das cidades vizinhas. Os organizadores tentaram fazer um evento com as principais personalidades do rock da época, mas nem todos puderam selar o compromisso. Nomes como Jim Morrison, Led Zeppelin e Frank Zappa, apesar de cogitados, não foram ao festival. Entretanto, os três dias contaram com artistas da estirpe de Janis Joplin, Santana, Jimi Hendrix, Joe Cocker e The Who (FERNANDES, 2018)

Para o organizador do evento aquilo era mais que um festival, era um marco histórico cravado na sociedade americana. Como citou a (THURAU, 2018) “Max Yasgur não cabia em si de contentamento: "Sou um simples camponês. Não sei como falar para tanta gente. Esta é a maior multidão que já se reuniu num lugar. Mas acho que vocês provaram uma coisa para o mundo: que é possível que meio milhão de pessoas se reúnam para ouvir música e se divertir durante três dias — só música e divertimento".

As pessoas, as atitudes, as circunstâncias, tudo contribuiu para mudar a direção do que fora programado. Os organizadores, os jovens, os músicos, as crianças, vão delineando sua história no decorrer do processo e, assim vão descobrindo o que ''vale a pena" ( "ver a luz ... as pessoas de pé", declara o bilheteiro). Um evento que parece sobrepor aos limites daquela fazenda, ultrapassando fronteiras, quando o ponto de união é a cultura que se fez expressa de várias formas, elaborando hábitos, e aos mesmo tempo, sendo reelaboradas (TELES, 1998)

[3] A idéia de cultura (...) é a de um campo de lutas, de disputas por significados e sentidos. Essa luta, na sociedade de classes, tem termos desiguais, mas é parte da dinâmica da luta de classes. Para Williams, a cultura é um modo de vida, algo que inclui, além das grandes obras, os significados e valores que organizam a vida comum (Cevasco, 2003). (FACINA, 2007, p. 5)

3. Maria Eliza Cevasco em sua tese sobre idéia de cultura na sociedade de classes.

5.5.3. Altamont (1969)

Após o estouro mundial de Woodstock em agosto de 1969, um novo festival foi planejado para 6 de Dezembro do mesmo ano. O Festival de Altamont porém foi marcado pela tragédia e que para muitos simbolizou o fim de uma era.

O assassinato do jovem negro Meredith Hunter por um motoqueiro da Hells Angels ( que era um motoclube americano) que foram contratados para fazer a segurança do evento causaram um tumulto generalizado e algumas brigas durante o festival. O show que foi organizado na Califórnia, costa oeste americana contou a presença de 300 mil pessoas e contou com bandas como Jefferson Airplane, Crosby, o guitarrista Santana, além da Grateful Dead que participou de Woodstock e Monterey Pop (inclusive como organizadores do festival) e uma das atrações principais Rolling Stones, banda que tocava no momento do início do tumulto generalizado. A falta de planejamento do show foi o grande erro da produção do evento que arrumaram um local de última hora e montaram o palco em cima de uma espécie de vale que recebia a pressão de toda a multidão, uma “pequena” massa com mais de 300 mil pessoas!

O palco exposto levou os organizadores a cometer outro erro, que se provaria o maior: chamaram os motoqueiros dos Hells Angels para isolar e proteger o tablado. Os Stones já haviam utilizado os Angels para segurança, como no famoso show do Hyde Park, poucos dias após a morte de Brian Jones, em 3 de julho. Grateful Dead e Jefferson Airplane também se valeram dos serviços dos motoqueiros (EFEMÉRIDES DO ÉFEMELLO, 2014). Alguns Angels promoveram a guerra entre os presentes e transformaram o que seria mais um evento de sucesso mundial em uma catástrofe. O palco foi invadido e o show dos Rolling Stones foi interrompido. A desorganização do evento trouxe grandes consequências negativas para a Contracultura e sua imagem para a sociedade,segundo (GROPPO, 2001). É claro que toda a grande mídia cobriu exageradamente o evento desastrado, criticando veementemente tudo o que se referia à Contracultura e às revoltas juvenis.

[4]O sistema é injusto e cria a infelicidade. Mas o sistema introjeta os seus valores em nós e somos nós quem sofremos a infelicidade que ele cria (...) A contracultura nasceu — como a psicanálise, por exemplo — por uma necessidade de limpeza psíquica, um projeto de felicidade individual e coletiva que, entretanto, cedo esbarrou na oposição do establishment. (MACIEL, 1987, p. 93-94)

4. Luiz Carlos Maciel conceitua sua tese sobre a contracultura, comparando-a a psicanálise como uma espécie de filtro sobre como ser feliz sem submeter-se a infelicidade imposta pela ordem ideológica da sociedade tradicional.

5.6. Repercussão do Movimento Contracultural em Pernambuco

5.6.1. ROCK PSICODÉLICO -  ANOS 1970

A Contracultura dentro do estado de Pernambuco também possui seus personagens e nomes de peso. No início da década de 1970 despontava para o mundo o nome de Alceu Valença considerados para muitos um dos primeiros nomes do movimento de contestação e que passou a ficar bastante conhecido também nos Estados Unidos após ser aprovado em 1965, em um concurso  promovido por uma associação americana que oferecia um curso de três meses na Universidade de Harvard, ponta-de-lança da prestigiada Ivy League, a liga dos principais centros acadêmicos dos EUA. (MOURA, 2009)

Com um faro incorrigível para a rebeldia, aproximou-se dos estudantes de esquerda e chegou a parar numa reunião do grupo ativista Panteras Negras, em Boston. Enquanto o mundo assistia Neil Armstrong pisar à Lua e o movimento flower power saltar de Woodstock para o seio da classe média internacional, Valença ia para as praças cantar seu repertório de xotes, emboladas, baiões , martelos agalopados e acabou adotado pelos hippies locais. O burburinho cresceu até que um jornal local entrevistou o artista. No dia seguinte, a matéria estampava, em inglês: “Alceu Valença, o Bob Dylan brasileiro”, considerando seu repertório absolutamente regional como uma derivação folk dos protest songs que proliferavam na face mais contestadora da América. (MOURA JÚLIO, 2009)

Nomes como Ave Sangria e o guitarrista Ivinho, membro da banda até o seu fim em 1974, e que teve brilhante carreira solo angariada no Rock Psicodélico, lhe rendeu uma histórica apresentação no Festival de Jazz de Montreux, na Suíça em 1978.

Junto de Alceu Valença, Lula Côrtes e Lailson, o grupo foi um dos principais expoentes do movimento psicodélico pernambucano nos anos 1970. Tendo lançado apenas um disco (homônimo, de 1974), a banda foi alvo da censura da ditadura militar brasileira, e teve o álbum recolhido e boicotado das lojas. (ROLLING STONE BRASIL, 2017)

Ivinho seguiu em carreira solo, o que lhe rendeu uma histórica apresentação no 12º Festival de Jazz de Montreux, na Suíça em 1978, tornando-se o primeiro brasileiro a fazer apresentação no Festival. Esse registro pode ser conferido em formato LP, lançado no mesmo ano. Futuramente, ícones da MPB como Gilberto Gil, Pepeu Gomes, o grupo A Cor do Som (formado por músicos que acompanhavam Moraes Moreira quando saiu dos Novos Baianos) viriam a participar de edições posteriores do festival europeu.

O show foi registrado em disco e lançado no Brasil, com excelente repercussão junto aos ouvintes de MPB e também à juventude ligada em rock and roll (TELES, JOSÉ 2018)

5.6.2. MANGUE BEAT

Movimento Contracultural surgido em Recife, datado no ano de 1991, mas que já possuía raízes nos anos 1970 com o guitarrista Robertinho de Recife que já fazia som abordando a temática local em suas composições. Porém o Mangue beat foi um passo à frente em relação ao modo de abordagem, trazendo críticas explícitas ao abandono e descaso com ecossistemas incluindo os manguezais (Zona costeira muito predominante em Recife) como pauta principal, com intuito de mostrar como os mangues são importantes para a biodiversidade global e trazendo o caranguejo como símbolo do Movimento.

Os principais idealizadores da cena manguebeat foram Chico Science, Fred Zero Quatro, Renato L, Mabuse e Héder Aragão. Somaram-se a eles Jorge du Peixe, Pupilo, Lúcio Maia, Toca Ogan, Gilmar Bola 8, Gustavo da Lua, Otto, entre outros. O termo “mangue beat” é fruto de uma junção da palavra mangue, que designa um ecossistema típico da costa do Nordeste brasileiro e da cidade de Recife, com a palavra beat, do inglês, que significa batida – mas que também remete à linguagem dos códigos binários utilizados na informática: beat, bits. (FERNANDES, CLÁUDIO 2017)

O Movimento tomou força após o manifesto escrito em 1992, por Fred 04, vocalista da banda Mundo Livre S/A chamado de “Caranguejos com Cérebro”. O manifesto consistia em uma metáfora criada por Fred após trabalhar com vídeos

de ecologia, mostrando a importância dos mangues na biodiversidade global e dando ênfase aos benefícios trazidos para o meio ambiente.

Chico Science (vocalista da banda Chico Science e Nação Zumbi, morto em um acidente de automóvel em Olinda, em 2 de Fevereiro de 1997) porém viria a ser reconhecido como o ícone do Movimento Mangue Beat, possuindo atualmente uma estátua na Rua da Moeda, no bairro do Recife Antigo, feito histórico para o movimento contracultural em esferas locais, nacionais e internacionais. O caranguejo também está imortalizado em forma de obra na Rua da Aurora externando a magnitude da herança deixada pelo Mangue Beat em Pernambuco.

5.6.3. PUNK E HEAVY METAL EM PERNAMBUCO

A cena Punk surgiu em Pernambuco na década de 1980 e 1990 e possui importantes representantes como Câmbio Negro HC, Devotos do Ódio (Hoje Devotos e que trouxe grande relevância para a comunidade do Alto José do Pinho, na zona norte do Recife, junto com a  Faces do Subúrbio, banda integrante do movimento Mangue), Os Cachorros entre outros. As bandas citadas permanecem ativas e lançando materiais atualmente e concentradas em uma cena atual com muitas bandas mais novas como Companhia de Amores Miseráveis, Arquivo Morto, Nação Corrompida entre outras que também engajam-se em produção de eventos pelo subúrbio como forma de trazer amplitude ao movimento que vive uma atual conjuntura de desenvolvimento, com cenas distintas em vários bairros e uma integração ainda em construção entre todas essas cenas num objetivo comum de unificação e fortalecimento.

O Heavy Metal teve repercussão forte em níveis nacionais após a primeira edição do Rock in Rio realizada em 1985. Isso auxiliou a criação de uma cena metálica em Recife que já contava com o guitarrista Robertinho de Recife e sua banda Metal Mania e alguns representantes vindos da cena psicodélica dos anos 1970.

A vinda do Sepultura para Caruaru em 1987, tornou-se o marco central da história do metal em Pernambuco. Nesse período surgiram bandas como Realidade Encoberta, Cruor, Storms de Caruaru em 1988, entre outras que representam os primórdios da cena underground metálica.

Em 1991, surgiu a banda Hanagorik. Oriunda da cidade de Surubim, a banda foi pioneira em levar o som pesado para a cidade e trazer a tona um dos festivais undergrounds mais importantes da região, o Surubim Rock Fest. A banda participou em 2003 do mais conceituado festival underground de Pernambuco, o Abril pro Rock.

Outros representantes surgidos na década de 1990, são Decomposed God, Insurrection Down, Infested Blood, Malkuth entre outras. Posteriormente outros representantes surgidos na década de 2000, também fizeram parte do festival como Terra Prima, Pandemmy, Cangaço, Lepra, Exorcismo, Firetomb, Hate Embrace, Desalma entre outros.

Além do Festival Abril pro Rock, outros festivais de relevância movimentam o cenário como o Visions of Rock, Garage sounds, Quarta cinza Rock além do já citado Surubim Rock Fest.  

6. EXECUÇÃO DO PRODUTO JORNALÍSTICO

O produto jornalístico consiste em um Rádio documentário que possui  reportagens sobre a história da contracultura. Edição baseada no modo de produção underground utilizando como padrão de rádio, contendo além de entrevistas, depoimentos e reportagens sobre o tema.. Contém relatos sobre a história e entrevistas com fontes que vivenciam o movimento. A linguagem abordada no veículo é documental com intuito de entreter e trazer conhecimento ao leitor.

O Rádio documentário trás ênfase na contribuição de cada fonte na melhoria do espaço no underground e de que forma suas ações podem contribuir para uma cena musical e cultural mais inclusiva e conscientizadora.

As fontes foram escolhidas baseadas em suas funções sociais dentro da cena underground Pernambucana (Recife e interior) como produção de conteúdo, shows, entre outras apropriações, todas as entrevistas foram concedidas entre Março e Maio de 2019.

7. RELATÓRIO DE PRODUÇÃO

7.1. PRÉ- PRODUÇÃO

O tema foi escolhido seguindo a diretriz de reverberar o que a produção de conteúdo underground vem fazendo nos dias atuais e mostrar que, mesmo após mais de 50 anos após o estouro do movimento da Contracultura em esfera mundial, os ideais e mobilizações permanecem intactos dentro do cenário.

O tema possui muita importância social para o jornalismo por estar fortemente atrelado com o viés social, político e cultural da sociedade contemporânea. A contestação social moldada em arte, cultura, música, eventos e comportamentos advindos de um movimento histórico e revolucionário.

O início deste trabalho de conclusão foi iniciado desde Agosto de 2018 com a escolha do tema e a posterior pesquisa referente a toda a sua história e que foi prosseguida neste segundo semestre aglutinando as pesquisas e a produção do referencial teórico ao Rádio documentário que teve sua produção inicial a partir de Março de 2019. A idéia inicial foi fazer uma revista com o tema 50 anos de Contracultura, mas que foi substituída pelo Rádio documentário “Contracultura, Subversão e Underground” que exemplifica bem no formato do rádio a proposta do documentário que é moldada em mostrar como o underground e as pessoas que nele vivem podem dar contribuições fundamentais para a melhoria  no âmbito cultural e social do meio em que vivemos, a partir do momento em que se traz à tona a importância de um modo coletivista e inclusivo para a sociedade.

7.1.1. PAUTAS

Reportagem I - A importância da imprensa alternativa no Underground

RETRANCA: CONTRACULTURA / UNDERGROUND / IMPRENSA ALTERNATIVA

16/03/2019 (Sábado)

Entrevista com Eddie Cheever (Músico e fundador do Podcast Tejipior)

Horário: 13:45

Endereço: Entrevista feita por ENVIO ON LINE DE ÁUDIO

  • Como nasceu a idéia do podcast?
  • Qual a iniciativa para montar o projeto?
  • Qual a proposta do programa?
  • Porque a escolha do formato podcast ?
  • Qual tipo de música e (ou) banda o podcast oferece suporte?
  • O que o podcast pode contribuir para tornar a cena de Recife melhor?
  • o que o podcast reivindica em favor dos movimentos

contraculturais?

RETRANCA: CONTRACULTURA / UNDERGROUND / IMPRENSA ALTERNATIVA

01/05/2019 (Quarta feira)

Entrevista com Stefannia Cardoso (Jornalista e fundadora da Revista Inferis)

Horário: 21:47

Endereço: Entrevista feita por ENVIO ON LINE DE ÁUDIO

  • Como surgiu a Revista Inferis?
  • Na sua opinião qual a importância da imprensa na proliferação do underground?
  • De que modo a Revista Inferis pode contribuir para tornar a cena underground um lugar melhor?
  • Como mulher e integrante da cena quais os pontos em relação ao espaço dedicado às mulheres que você apontaria como fatores positivos ou pontos a melhorar?
  • Deixe suas perspectivas futuras sobre a cena underground e a imprensa musical

Reportagem II - A importância dos festivais e eventos para o movimento

RETRANCA: CONTRACULTURA / UNDERGROUND / SHOWS E EVENTOS

27/03/2019 (Quarta Feira)

Entrevista com Breno Poggi (Produtor de eventos e fundador da República do Rock Show)

Horário: 19:04

Endereço: Entrevista feita por ENVIO ON LINE DE ÁUDIO

  • Como surgiu o República do Rock?
  • Fale sobre o embasamento ideológico do República em parceria com o underground
  • Explique como o República do Rock contribui para fazer do underground um lugar melhor
  • Cite a importância da ideologia e da contestação no underground e como o República contribui para manter esses valores

RETRANCA: CONTRACULTURA / UNDERGROUND / SHOWS E EVENTOS

08/05/2019 (Quarta Feira)

Entrevista com André Arcelino (Produtor de eventos, músico da banda Hanagorik e fundador do Festival Surubim Rock Fest)

Horário: 08:30

Endereço: Entrevista feita por ENVIO ON LINE DE ÁUDIO

  • Como surgiu o Surubim Rock Fest?
  • Em sua opinião qual a principal contribuição do festival para a cena underground pernambucana?
  • Como músico e produtor como você enxerga a atual conjuntura política e econômica do país? Cite pontos positivos e negativos
  • Sem dúvidas a Hanagorik contribui muito para a cena desde sua fundação. Fale sobre a importância que os músicos da cena trazem ao se envolverem também em produções no Underground.
  • Deixe suas considerações finais sobre o underground e explique porque o Surubim Rock Fest contribui na edificação de uma cena melhor

Fechamento: Reportagem III - A conscientização alimentar e o veganismo no underground

RETRANCA: CONTRACULTURA / UNDERGROUND / VEGANISMO

21/03/2019 (Quinta Feira)

Entrevista com Harrison Full (Empresário, músico e fundador da empresa de alimentação delivery Rocka Beer Vegan Food)

Horário: 12:27

Endereço:Entrevista feita por ENVIO ON LINE DE ÁUDIO

  • Como surgiu a Rocka Beer?
  • Qual o intuito do serviço oferecido pela empresa?
  • Associe a inserção da alimentação vegana com a cena contracultural
  • Cite movimentos que conscientizam a fomentação da alimentação vegetariana
  • Quais os pontos positivos de uma alimentação 100% vegana?
  • O que a Rocka beer pode contribuir para tornar o underground um lugar melhor?

7.2. PRODUÇÃO

A produção teve início a partir de Março de 2019 com a elaboração das pautas e a posterior decupagem dos áudios captados pelas fontes feita no programa Samplitude na Rádio Web Uninassau. As fontes foram escolhidas entre os meses de Março e Maio de 2019 e as entrevistas realizadas via aplicativo de mensagens Whatsapp.

As entrevistas foram pautadas na contribuição que cada entrevistado trás para a cena underground, foi feita uma divisão em três reportagens:

I - A importância da imprensa alternativa no Underground

II - A importância dos festivais e eventos para o movimento

III - A conscientização alimentar e o veganismo no underground (Fechamento)

As entrevistas foram realizadas entre Março e Maio de 2019 em sequência com a escolha das fontes e trazem informações sobre veículos de comunicação engajados em promover o que é produzido no underground, entrevistas com produtores de eventos no estado trazendo a tona a importância dos festivais e eventos que movimentam toda a cena e também fechando o documentário, trazemos conscientização alimentar através do Veganismo que também agrega-se ao movimento Contracultural por possuir caráter também ideológico contra a exploração animal e boicote a indústria da carne.

As fontes contidas neste documentário são pessoas fortemente ativas no underground e que contribuem de forma expressiva para que o mesmo esteja sempre trazendo novas produções e assim trazendo cada vez mais relevância e expansão para o movimento.

A primeira entrevista realizada foi em 16 de Março de 2019, com o músico e radialista Eddie Cheever, que fundou o podcast Tejipior, com propósito de divulgar as bandas da cena realizando entrevistas em formato para rádio.

A segunda entrevista foi realizada em 21 de Março de 2019, com o empresário e músico, Harrison Full que possui uma empresa de Delivery chamada Rocka Beer Vegan Food, especializada em alimentação 100% vegana e de caráter ideológico anti exploração animal.

A terceira entrevista foi realizada em 27 de Março de 2019, com o produtor de eventos Breno Poggi, que é o idealizador da República do Rock Recife Show, produtora bastante ativa que realiza festivais semanais com bandas autorais na casa de show, New Drive, localizada no bairro do Derby, em Recife.

A quarta entrevista foi realizada em 01 de Maio de 2019, com a jornalista Stefannia Cardoso, que fundou a revista Inferis, veículo engajado em divulgar as produções do underground em formato também de portal de notícias na internet.

A quinta e última entrevista foi realizada em 08 de Maio de 2019, com o vocalista da banda Hanagorik e produtor de eventos, André Arcelino que também é o idealizador do festival Surubim Rock Fest, importante festival que movimenta também o underground no interior do estado.

As edições e decupagens dos áudios captados foram finalizadas no dia 14 de Maio de 2019.

7.3. PÓS-PRODUÇÃO

As decupagens e edições dos áudios capturados foram feitas entre Março e Maio vindo a serem finalizadas em 14 de Maio de 2019. Cada entrevistado possui entre dois e dois minutos e meio de falas e depoimentos cerceados entre complementos de informações, sobe sons e também perguntas aos entrevistados.

Após a finalização do documentário foram incluídas as transcrições das falas do repórter e dos entrevistados e inseridas no script disponível nos anexos / apêndices deste trabalho, assim como o nome de todos os temas usados como background (BG) ou temas de abertura e encerramento. As trilhas foram selecionadas através da biblioteca de áudio da plataforma Youtube e convertidas para formato MP3 onde foram aglutinadas com os áudios das entrevistas e depoimentos na produção do documentário. Após o processo de finalização o arquivo foi exportado em formato MP3 para o email pessoal do autor do documentário e também salvo na nuvem onedrive pessoal do mesmo.

O processo de pós-produção foi totalmente concluído em 15 de Maio de 2019.

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Uma síntese sobre um dos movimentos culturais que mais abrange setores na história. A cultura ainda é tabu em muitas sociedades e acontecimentos como o da Contracultura no século XX, externam como manifestações artísticas e culturais têm o poder de transformar civilizações por meio das artes em geral.

O jornalismo literário hoje tem raízes pós modernas baseadas nas poesias beatniks, os movimentos sociais ocorridos no Brasil contra a desigualdade social e os levantes dos grupos de minorias têm suas influências homogêneas com o movimento contracultural. Com a mídia alternativa, com os Hippies, Punks, Tropicalistas, Headbangers e toda manifestação cultural dirigida para a subversão aos costumes que privilegiam a uma pequena camada da sociedade. Resistência é o nome dos sobreviventes da Contracultura, a aqueles que usam a indignação contra as injustiças da sociedade.

O esclarecimento sobre o movimento contracultural ajudará  na quebra dos preconceitos, maximizará o respeito às diferenças culturais e ideológicas existentes no país, aglutinara conhecimento sobre uma história que muitos ainda tentam esconder e que são de importância ímpar na busca da raiz dos problemas sociais do Brasil e que principalmente trará esclarecimentos ao ambiente acadêmico, com foco em melhorar o convívio entre alunos e professores visando a inclusão social, a diversidade e o respeito dentro das universidades.

9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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10. GLOSSÁRIO / APÊNDICES / ANEXOS

10.1. APÊNDICES I - ROTEIROS

Roteiro Reportagem I

RETRANCA

REPÓRTER

CONTRACULTURA / UNDERGROUND / IMPRENSA ALTERNATIVA

DENIS ANDRADE

SOBE SOM Work Week [Alternativo e punk | Com raiva] Biblioteca de áudio do YouTube(Brasil)

(0:03 VAI A BG)

LOC: RÁDIO DOCUMENTÁRIO: CONTRACULTURA, SUBVERSÃO E UNDERGROUND

FADE OUT

SOBE SOM March On [Rock | Com raiva] Biblioteca de áudio do YouTube(Brasil)

(0:15 VAI A BG)

LOC: ENGAJADOS NO PROPÓSITO DE CONTRIBUIR EM PROL DA CENA UNDERGROUND DE RECIFE/ PRODUTORES DE EVENTOS, MÚSICOS, ALÉM DO PÚBLICO QUE MOVIMENTA OS SHOWS NO ESTADO/ UNEM-SE E DESENVOLVEM VÁRIAS FUNÇÕES DENTRO DO AMBIENTE MUSICAL/ NO INTUITO DE TRAZER INFORMAÇÃO, CONSCIENTIZAÇÃO E MÚSICA PESADA PARA DENTRO DO CENÁRIO//. A MÚSICA EXTREMA TORNA-SE A PAUTA CENTRAL DE PESSOAS QUE POSSUEM UM VÍNCULO COM O QUE É PRODUZIDO/ E PARTILHAM DE SUAS PRODUÇÕES DE CONTEÚDO, ARTE, CULINÁRIA ENTRE OUTROS/ SEGUINDO ESSE PROPÓSITO O MÚSICO EDDIE CHEEVER CRIOU O PODCAST TEJIPIOR TRAZENDO COMUNICAÇÃO E IMPRENSA PARA A CENA/ MAXIMIZANDO A DIVULGAÇÃO DAS BANDAS LOCAIS EM SEUS PROGRAMAS DE RÁDIO QUE SÃO PRODUZIDOS EM UM ESTÚDIO NO BAIRRO DE TEJIPIÓ, BAIRRO ESSE QUE ORIGINOU O NOME DO PROGRAMA DE RÁDIO

(01:06) SONORA EDDIE CHEEVER DEIXA INICIAL: O PODCAST TEJIPIOR É….

(02:43) SONORA EDDIE CHEEVER DEIXA FINAL: O UNDERGROUND SEMPRE SOBREVIVEU ASSIM E VAI CONTINUAR SOBREVIVENDO ASSIM

(02:47) SOBE SOM Half Pipe [Alternativo e punk | Com raiva] Biblioteca de áudio do YouTube(Brasil)

FADE OUT

(02:53) SONORA 1 STEFANNIA CARDOSO DEIXA INICIAL: A INFERIS/ A REVISTA SURGIU…..

(03:17) SONORA 1 STEFANNIA CARDOSO DEIXA FINAL: UM MEIO, UM VEÍCULO LIGADO A ESSE SEGMENTO, NÉ?

SOBE SOM March On [Rock | Com raiva] Biblioteca de áudio do YouTube(Brasil)

(03:25) VAI A BG

LOC: MOVIDA PELA INICIATIVA DE CONTRIBUIR PARA A CENA UNDERGROUND / A JORNALISTA STEFANNIA CARDOSO CRIOU A REVISTA INFERIS/ VEÍCULO DE COMUNICAÇÃO ENGAJADO EM DIVULGAR BANDAS E NOTÍCIAS EM GERAL REFERENTES AO CENÁRIO UNDERGROUND/ ELA RELATA AS DIFICULDADES VIVIDAS PARA QUEM VIVE NO CENÁRIO E TRÁS A REVISTA COMO ALTERNATIVA NO APOIO A PRODUTORES E BANDAS QUE NÃO POSSUEM VISIBILIDADE NA GRANDE MÍDIA/

FADE OUT

(03:50) SONORA 2 STEFANNIA CARDOSO DEIXA INICIAL: A IMPRENSA, ELA SEMPRE TRATA…..

(05:12) SONORA 2 STEFANNIA CARDOSO DEIXA FINAL: ENTÃO A MÍDIA SEMPRE FICA PAUTADA NAQUILO

SOBE SOM March On [Rock | Com raiva] Biblioteca de áudio do YouTube(Brasil)

(05:19) VAI A BG

LOC: ELA FALA TAMBÉM SOBRE OS AVANÇOS E CONTRIBUIÇÕES FEMININAS NO UNDERGROUND ALÉM DAS DIFICULDADES ENFRENTADAS PELAS MULHERES NO QUE DIZ RESPEITO A DESCONSTRUÇÃO E PARTICIPAÇÃO NO MOVIMENTO.

FADE OUT

(05:31) SONORA FINAL STEFANNIA CARDOSO DEIXA INICIAL: COMO MULHER NA CENA…

(06:50) SONORA FINAL STEFANNIA CARDOSO DEIXA FINAL: MAS ACONTECE

SOBE SOM Tied Up [Rock | Com raiva] Biblioteca de áudio do YouTube(Brasil)

FADE OUT

Roteiro Reportagem II

RETRANCA

REPÓRTER

CONTRACULTURA / UNDERGROUND / SHOWS E EVENTOS

DENIS ANDRADE

(07:02) SONORA 1 BRENO POGGI DEIXA INICIAL: A REPÚBLICA É UMA PRODUTORA DE EVENTOS…..

(07:30) SONORA 1 BRENO POGGI DEIXA FINAL: A REPÚBLICA FOCOU EM REALIZAR EVENTOS DE ESTILOS UNDERGROUND

SOBE SOM Start Your Engines [Rock | Com raiva] Biblioteca de áudio do YouTube(Brasil)

(07:49) VAI A BG

LOC: OS SHOWS E EVENTOS SÃO A ALMA DO CENÁRIO UNDERGROUND/ A MÚSICA UNE VÁRIAS TRIBOS E É UM ARTIFÍCIO FUNDAMENTAL NA PROLIFERAÇÃO DO MOVIMENTO CONTRACULTURAL/ ENVOLVIDO COM O MOVIMENTO DESDE A DÉCADA DE 80 O PRODUTOR DE EVENTOS BRENO POGGI FUNDOU A PRODUTORA REPÚBLICA DO ROCK/ QUE TEM COMO OBJETIVO ORGANIZAR SHOWS NA REGIÃO METROPOLITANA DANDO ESPAÇO E OPORTUNIDADES AS BANDAS AUTORAIS DE PERNAMBUCO E TAMBÉM DE OUTROS LUGARES DO PAÍS//

FADE OUT

(08:19) SONORA 2 BRENO POGGI DEIXA INICIAL: E EM NOSSA ÉPOCA EXISTIA…..

(08:52) SONORA 2 BRENO POGGI DEIXA FINAL: PORQUE NA ÉPOCA NÃO EXISTIA A INTERNET

(08:55) PERGUNTA LOC: BRENO CONTA PRA GENTE/ COMO É FEITA A CURADORIA DOS FESTIVAIS QUE SÃO ORGANIZADOS PELA REPÚBLICA DO ROCK?

(09:02) SONORA RESPOSTA BRENO POGGI DEIXA INICIAL: NÃO TEM COMO MENSURAR….

(09:37) SONORA RESPOSTA BRENO POGGI DEIXA FINAL: É A FORMA QUE A GENTE CORRE ATRÁS PARA FAZER A CURADORIA

SOBE SOM Drop and Roll [Rock | Com raiva] Biblioteca de áudio do YouTube(Brasil)

(09:52) VAI A BG

LOC: BRENO TAMBÉM MAXIMIZA A IMPORTÂNCIA DA VARIEDADE DE ESTILOS MUSICAIS NOS EVENTOS DA REPÚBLICA DO ROCK/ MOSTRANDO QUE A DIVERSIDADE É UMA MARCA DA PRODUTORA QUE ALÉM DE AJUDAR AS BANDAS A DIVULGAR A SUA MÚSICA PROMOVE INCLUSÃO E UNIÃO ENTRE AS TRIBOS/ ALÉM DE CITAR OUTROS FESTIVAIS TRADICIONAIS DA REGIÃO QUE SEGUEM O MESMO PRECEITO DE VARIEDADES DE ESTILOS//

FADE OUT

(10:17) SONORA 3 BRENO POGGI DEIXA INICIAL: A REPÚBLICA DO ROCK NÃO DEIXA DE SER…

(11:12) SONORA 3 BRENO POGGI DEIXA FINAL: E CADA VEZ MAIS ESTÁ ABRINDO ESPAÇO

SOBE SOM By the Sword [Rock | Com raiva] Biblioteca de áudio do YouTube(Brasil)

FADE OUT

(11:30) SONORA 1 ANDRÉ ARCELINO APRESENTAÇÃO DEIXA INICIAL: AÍ PESSOAL, AQUI É ANDRÉ ARCELINO….

(11:44) SONORA 1 ANDRÉ ARCELINO APRESENTAÇÃO DEIXA FINAL: ATUALMENTE SOU VOCALISTA DA BANDA HANAGORIK

SOBE SOM By the Sword [Rock | Com raiva] Biblioteca de áudio do YouTube(Brasil)

(11:53) VAI A BG

LOC: O MÚSICO E PRODUTOR ANDRÉ ARCELINO É VOCALISTA DA BANDA HANAGORIK, BANDA PRECURSORA E RESPONSÁVEL PELA CRIAÇÃO DO SURUBIM ROCK FEST/ UM DOS EVENTOS DE MÚSICA PESADA MAIS IMPORTANTES DO ESTADO/ DANDO ÊNFASE A TRAZER PRODUÇÕES UNDERGROUNDS PARA A CIDADE DE SURUBIM/ A INICIATIVA DO FESTIVAL OCORREU AINDA NOS ANOS 90/ E TROUXE A TONA A IMPORTÂNCIA DA INCLUSÃO DO INTERIOR DO ESTADO NO CIRCUITO DE SHOWS E FESTIVAIS REALIZADOS EM PERNAMBUCO//

FADE OUT

(12:24) SONORA 2 ANDRÉ ARCELINO DEIXA INICIAL: SURUBIM ROCK FEST NASCEU….

(13:49) SONORA 2 ANDRÉ ARCELINO DEIXA FINAL: CONCRETIZARAM AÍ, O PRIMEIRO SURUBIM ROCK FEST

SOBE SOM By the Sword [Rock | Com raiva] Biblioteca de áudio do YouTube(Brasil)

(13:58) VAI A BG

FADE OUT

PERGUNTA LOC: ANDRÉ, CONTA PRA GENTE. NA TUA OPINIÃO QUAL A PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO DO FESTIVAL PARA A CENA UNDERGROUND PERNAMBUCANA?

(14:06) SONORA 3 RESPOSTA ANDRÉ ARCELINO DEIXA INICIAL: A CONTRIBUIÇÃO….

(15:34) SONORA 3 RESPOSTA ANDRÉ ARCELINO DEIXA FINAL: PRA TÁ FAZENDO ALGO NUMA QUALIDADE MASSA

SOBE SOM By the Sword [Rock | Com raiva] Biblioteca de áudio do YouTube(Brasil)

(15:42) VAI A BG

FADE OUT

PERGUNTA FINAL LOC: PRA FINALIZAR, ANDRÉ/ COMO MÚSICO E PRODUTOR COMO VOCÊ ENXERGA A ATUAL CONJUNTURA POLÍTICA E ECONÔMICA DO PAÍS?

(15:50) SONORA 4 RESPOSTA ANDRÉ ARCELINO DEIXA INICIAL: SOBRE A CONJUNTURA…..

(17:14) SONORA 4 RESPOSTA ANDRÉ ARCELINO DEIXA FINAL: COMO VEM ACONTECENDO EM VÁRIOS OUTROS EVENTOS//

SOBE SOM By the Sword [Rock | Com raiva] Biblioteca de áudio do YouTube(Brasil)

FADE OUT

Roteiro Reportagem III (ENCERRAMENTO)

RETRANCA

REPÓRTER

CONTRACULTURA / UNDERGROUND / VEGANISMO

DENIS ANDRADE

(17:29) SONORA 1 HARRISON FULL DEIXA INICIAL: NOS ANOS 80, NO ABC PAULISTA….

(17:55) SONORA 1 HARRISON FULL DEIXA FINAL: E LIBERTAÇÃO ANIMAL//

SOBE SOM Cut It [Alternativo e punk | Com raiva] Biblioteca de áudio do YouTube(Brasil)

(18:02) VAI A BG

LOC: ENGAJADO NO VEGANISMO/ O MÚSICO E EMPRESÁRIO HARRISON FULL POSSUI UMA EMPRESA DE DELIVERY CHAMADA ROCKA BEER VEGAN FOOD/ EMPRESA ESTA COMPROMETIDA EM OFERECER UMA ALIMENTAÇÃO 100% VEGETARIANA / A INICIATIVA DO EMPREENDIMENTO OCORREU DESDE 2016 E POSSUI UM CARÁTER IDEOLÓGICO DE BOICOTE A EXPLORAÇÃO ANIMAL COMETIDA PELA INDÚSTRIA  ALIMENTÍCIA/ ALÉM DE CUIDADOS COM A QUESTÃO AMBIENTAL NEGLIGENCIADA PELO PODER PÚBLICO GLOBAL/ A GASTRONOMIA VEGANA SEGUNDO ELE REFORÇA  A CONSCIENTIZAÇÃO DO CONSUMIDOR DE SAIR DE SUA ZONA DE CONFORTO E CONFRONTAR AS LEIS DE EXPLORAÇÃO ANIMAL VIGENTES/ E MOSTRAR QUE A CONSCIÊNCIA ALIMENTAR UNINDO FORÇAS AO UNDERGROUND PODE SIM REFORÇAR A UMA MELHORA NA QUALIDADE DE VIDA DE TODA A SOCIEDADE//

(18:54) SONORA 2 HARRISON FULL DEIXA INICIAL: NÓS DO ROCKA ACREDITAMOS…. 

(20:00) SONORA 2 HARRISON FULL DEIXA INICIAL: DESDE OS SEUS PRIMÓRDIOS, NÃO É?//

SOBE SOM (ENCERRAMENTO)

Tied Up [Rock | Com raiva] Biblioteca de áudio do YouTube(Brasil)

(20:12) VAI A BG

CRÉDITOS LOC: CENTRO UNIVERSITÁRIO MAURÍCIO DE NASSAU//

CONTRACULTURA, SUBVERSÃO E UNDERGROUND//

REITOR PROFESSOR ANTÔNIO DOS SANTOS NETO//

COORDENADOR DO DEPARTAMENTO DE HUMANAS PROFESSOR RAFAEL BECKER//

COORDENADOR DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL JORNALISMO/ PROFESSOR ANDRÉ FERREIRA

ORIENTADORA / PROFESSORA LUCÍOLA CORREA

TRABALHOS TÉCNICOS/ GERALDO SANTOS

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO DE DENIS ANDRADE

 ANEXOS


Publicado por: Denis de Andrade Sales

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