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UTILIZAÇÃO E IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DO TALCO COMO AGREGADO IMPERMEABILIZANTE NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Geografia

Analisar a utilização do minério talco como impermeabilizante na construção civil bem como seu valor no mercado interno de produção.

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1. RESUMO

O presente trabalho de pesquisa tende a abordar o uso do talco que é um filossilicato de magnésio hidratado de grande aplicação na construção civil e com diversidade de usos na indústria moderna. Sabendo que o talco é um mineral de origem secundária, o esperado é de que os depósitos advenham em uma granulometria fina, em rochas com uma textura pulverulenta que o mesmo esteja associado a algumas impurezas. O objetivo desta pesquisa será analisar a utilização do minério talco como impermeabilizante na construção civil bem como seu valor no mercado interno de produção. A pesquisa está fundamentada a partir das contribuições de pesquisadores como Dana (1960); Irving (1960); Moraes e Pinheiro (1956); Hurbult (1984).

Palavras-chaves: Talco. Impermeabilizante. Construção Civil.

ABSTRACT

The present research work tends to address the use of talc which is a hydrated magnesium filosilicate of great application in construction and with a diversity of uses in modern industry. Knowing that the talc is a mineral of secondary origin, it is expected that the deposits will come in a fine granulometry, in rocks with a powdery texture that it is associated with some impurities. The objective of this research will be to analyze the use of talc ore as a waterproofing agent in construction as well as its value in the domestic production market. The research is based on the contributions of researchers such as Dana (1960), Irving (1960), Moraes and Pinheiro (1956); Hurbult (1984).

Keywords: Baby powder. Waterproofing. Construction.

2. INTRODUÇÃO

Segundo o Centro de Tecnologia Mineral- CETEM (2008), o minério talco é um dos principais constituintes utilizados na indústria moderna, já que suas estruturas cristalinas, composição química e textura lhe conferem um largo espectro de utilidade na fabricação de cosméticos e contribui consideravelmente na indústria cerâmica.

No Brasil encontra-se uma das maiores produções mundiais do talco, possuindo quantitativamente condições de autossuficiência, já em termos de qualidade, o talco brasileiro recebe somente operações primárias do beneficiamento, tais como britagem e moagem, sendo esta a maior parte na produção da indústria cerâmica.

Desta forma, dispõem-se da pedra-sabão (Talco) na construção civil como reforço na impermeabilização de rodapés de casas, edifícios e em piscinas.

A outra pequena parte que não é usada na produção de cerâmicas, passa por um processo de secagem e moagem, antes de ser comercializada, e por fim destina-se para indústria farmacêutica, alimentícia e cosmética.

Por outro lado, em nível mundial, tem-se observado uma crescente diversificação das aplicações industriais de talcos nobres, pois esta tendência pode estimular empresas brasileiras a fornecer diferentes produtos para a exportação.

A proposta desta pesquisa será fornecer informações sobre as diversas especificações de mercado para usos do minério talco, assim como um perfil econômico resumido deste bem mineral.

3. REFERENCIAL TEÓRICO

3.1 COMPOSIÇÃO MINERALÓGICA

Segundo Dana (1960), o talco é um filossilicato de magnésio hidratado, com brilho perláceo e hábito micáceo, que apresenta em sua composição química Mg3(Si4O10) (OH)2 no qual seus constituintes (Mg, Si, O, OH) são responsáveis pelo formato do arranjo espacial do tipo “t-o-t”, de outro modo, em forma de sanduiche exibindo duas folhas tetraédricas formadas por átomos de oxigênio e silício o qual envolve uma folha octaédrica constituída pelos átomos de hidroxila e magnésio.

Figura 1 - Arranjo Espacial do tipo “t-o-t”

Fonte: Google Imagens

O mineral pode admitir o hábito placóide ou lamelar, o mesmo que vai de granular a fibroso.

O largo uso do talco na indústria se dar por suas propriedades primordiais: untuoso ao tato, inércia química, dureza baixa, assume o valor 1 na escala de Mohs e hidrofobicidade natural.

Figura 2 - Cristais de talco

Fonte: Google imagens

3.2 ASPECTOS GEOLÓGICOS

O talco é formado por alterações dos silicatos de magnésio em: olivina [forsterita Mg2(SiO4), fayalita Fe2(SiO4)] e anfibólio (antofilita e hornblenda).

Desta forma, o talco é associado à clorita, calcita, quartzo, dolomita, hematita, e Magnesita, além de ser encontrado em rochas ígneas ou metamórficas.

De acordo com estudiosos, nas rochas ígneas, especialmente peridotitos e piroxenitos, esses minérios são oriundos da alteração de olivina e piroxênios, já nas rochas metamórficas ocorre de forma granular e/ou criptocristalina, denominada pedra sabão, formando quase toda a massa da rocha. (Moraes e Pinheiro, 1956; Dana e Hurlbult, 1984, Souza, 1988).

Figura 3 - Associação metamórfica na forma criptocristalina

Fonte: O autor (2016)

Conforme Irving (1960), as ocorrências das rochas de talco no estado do Paraná, é formado por bolsões, onde as concentrações das minas de talco concentram-se nas faixas calcárias de Itaiacoca, a qual se estende de Ponta Grossa (PR) até Itapeva (SP) que se encontram associados à dolomitos, poderiam originar o talco através de alterações hidrotermal ou metamorfismo de contato.

Como o talco é um mineral de origem secundária, habitualmente o esperado é de que os depósitos advenham em uma granulometria finíssima, em rochas com uma textura pulverulenta que o mesmo está associado a algumas impurezas, seja ela na forma dos minerais de ganga como também em substituições isomórficas na estrutura cristalina (magnésio sendo substituído por ferro, titânio, magnésio etc.).

Assim, em uma mesma jazida do minério, as impurezas influenciam na diferença de diferentes tipos de outros minérios com textura, alvura, granulometria e hidrofobicidade diferentes.

Para que esses corpos impuros sejam purificados não há demanda intensiva das operações de beneficiamento, todavia, aplicam-se as propriedades físicas e químicas que visam colocar o talco nas exigências do mercado.

4. LAVRA E TRATAMENTO DO TALCO

4.1 Extração do minério

A lavra do talco é conduzida a céu aberto e em quantidade pequena de explosivos a fim de evitar a desagregação excessiva do minério.

A manipulação das pás carregadeiras tem com intuito de manusear os blocos de talco das frentes de lavra até os caminhões Foras de estradas.

Devido esse minério ser facilmente quebradiço, pode adotar o sistema pá escavadeira e caminhão.

No momento em que é feito a extração da rocha do minério talco, é feito uma seleção manual na usina de beneficiamento conforme os minérios apresentem seus teores de impurezas, cor, brilho etc., em que na maioria das vezes dentro da própria mina é feito a catação manual e transportadas para a limpeza primária, que passa pelo procedimento de lavagem e secagem para retirada dos contaminantes. (Figura 1 e 2)

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Figura 4 - Rocha Pura

Fonte: Google Imagens

Figura 5 - Rocha com Contaminantes

Fonte: Google Imagens

4.2 Processamento do talco

O ROM (Run of Mine) do minério talco, em seu estado bruto, chega à usina de tratamento com alguns corpos metálicos que fazem parte da composição química dos minerais de ferro da fayalita ou anfiobólios.

Figura 6 - Talco em estado bruto

Fonte: Google Imagens

Além da catação manual do talco que é um dos processos essenciais para uma melhor qualificação, no beneficiamento deste minério, aplicam-se outros processos que são seguidos da secagem e moagem para atingir a granulometria de interesse que o mercado exige.

Para realizar a cominuição do minério talco, a fim do mesmo ser utilizado na impermeabilização em construções civis, a rocha passa pelo britador de mandíbulas com objetivo de reduzir os blocos provenientes das frentes de lavra, que estão em elevadas dimensões para que possam ir ao moinho de bolas sem danificá-lo.

Figura 7 - Britador de Mandíbulas

Fonte: Google Imagens

Figura 8 - Moinho de Bolas

Fonte: Google Imagens

Segundo o Word of Minerals (1994), a separação magnética deste minério feita em alto campo é empregada no momento em que os materiais metálicos estejam em forma de grão bem finos e não na rede de substituição cristalina.

Para a realização deste processo, utiliza-se um tambor magnético, que irá retirar todos os constituintes que possuam metal em sua composição, para que as mesmas não venham a ocorrer os processos de oxidação nas construções em que estão sendo utilizado o minério talco na impermeabilização.

Figura 9 - Separador Magnético de Tambor

Fonte: Google Imagens

5. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA E MERCADO CONSUMIDOR

Há alguns anos vem ocorrendo poucas oscilações na produção de talco. Dentre os estados brasileiros, o Paraná destaca-se como o maior produtor, com cerca de 41% da produção (Ponta Grossa, Castro e Bocaiúva do Sul), seguido da Bahia, que produziu cerca de 40% do talco em 2003, devido ao aumento da produção da Magnesita S.A. (Brumado), detentora de reservas de talco de excelente qualidade, com maior alvura e pureza.

Outras regiões produtoras são: São Paulo (14%) e Rio Grande do Sul (6%), Minas Gerais (2%), favorecidas pela proximidade do centro consumidor. As produções estimadas de talco e pirofilita são da ordem de 369 mil toneladas, em 2003, colocando o Brasil em destaque, contribuindo com cerca de 4,2% da produção mundial. (Mineral Commodity Summaries, 2001; Martini, 2004).

Sua aplicabilidade na construção civil, após as etapas de lavra e beneficiamento, é impermeabilizar as obras a partir de sua mistura com o cimento.

Quanto aos benefícios que esse minério traz como impermeabilizante na construção civil é que tem a opção de ser substituído pelo tradicional verniz, além de ser mais econômico é produzido em alta escala e possui aplicabilidade em diversas áreas.

Uma análise realizada com as empresas produtoras comprova que as principais responsáveis pelo ramo de produção, estão situadas nas regiões Nordeste e Sudeste.

Tabela 1 - Evolução da produção do talco – 2001-2007

Unidade: Toneladas
Fonte: DNPM/AMB

Tabela 2 - Principais empresas produtoras para os minerais do grupo do talco

Fonte: DNPM/AMB

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme as especificações de mercado e perfil econômico do talco, observamos que o minério em seu estado bruto e em depois de seu beneficiamento contribui para o reforço na impermeabilização de rodapés de casas, edifícios e em piscinas.

No que se refere à aplicabilidade na construção civil, após as etapas de lavra e beneficiamento, a função do talco é impermeabilizar as obras a partir de sua mistura com o cimento.

Sendo assim, a associação do minério talco com o material aglomerante – o cimento – faz com que haja o impedimento de infiltração, processo com o qual um fluido penetra em materiais sólidos e prejudique na vida útil das construções.

No que se refere a importância econômica nacional, é válido ressaltar que o mesmo minério também é utilizado na produção de cerâmicas, passando apenas por um simples processo de tratamento, podendo ser destinada às indústrias farmacêutica, alimentícia e ou cosmética.

Por outro lado, em nível mundial, tem-se observado uma crescente diversificação das aplicações industriais de talcos nobres, pois esta tendência pode estimular empresas brasileiras a fornecer diferentes produtos para a exportação.

7. REFERÊNCIAS

GRIFFITHS, J. South Africa’s Minerals: Diversity in adversity. Industrial Minerals. 1989.

HURLBUT, D. Manual de Mineralogía. Tratado moderno para la enseñanza en universidades y escuelas especiales y para guía de ingenieros de minas y geólogos, Editorial Reverté, S.A, 2ª edición. Barcelona-Buenos Aires-México. Talco.

IRVING, D.R. Talc, soapstone and pyrophyllite. Washington: Bureau of Mines. (Bulletin 585) 1960.

MACHADO, F. B.. Talco. Disponível em: <http://www.rc.unesp.br/museudpm/banco/silicatos/filossilicatos/talco.html>. Acesso em: 14/07/2016.

MARTINI, J.M. Talco e Pirofilita. Sumário Mineral. DNPM. Brasília – DF. 2004.

MICHAEL, B. Mc. Industrial Minerals of Eire: Talc - Westport 10 years on. Industrial Minerals, 1990.

MINERAL COMMODITY SUMMARIES. Washington: United States Department of the Interior. Bureau of Mines. 2001.

MORAES, J.M; PINHEIRO, S. 1a Expedição Científica à Serra de Paranapiacaba e Alto da Ribeira - Conselho de defesa do Patrimônio Natural do Paraná. Curitiba-PR, 1956.

PEREIRA, F.W. Expanding the talc pitch-control market in Japan. Industrial Minerals. 1990.

PONTES. I, F; ALMEIDA, S,L,M de. Talco, Rochas e Minerais Industriais-CETEM, 2ª ed. Minas Gerais, 2008. Disponível em: <http://mineralis.cetem.gov.br/bitstream/handle/cetem/1086/29.TALCO%20ok.pdf?sequence= >. Acesso em: 31/08/2016.

RUSSELL, A. Tour D - Three springs talc mine. Industrial Minerals, 1990.

SOUZA, P.E.C. Caracterização das minas de talco do Paraná. In IV Encontro Nacional do Talco, II Simpósio de Cargas Minerais. Ponta Grossa-PR. 1988.

SUMÁRIO Mineral. Disponível em:<http://www.dnpm.gov.br/dnpm/sumarios/sumario-mineral-2014>. Acesso em: 17/08/2016.

SUPRIMINERIOS. Talco. Disponível em: <http://supriminerios.com.br/product/talco/>. Acesso em: 14/07/2016.

TALCO. Disponível em: <https://www.netzsch-grinding.com/pt/minerals-mining/talco/>. Acesso em: 14/07/2016.

WORLD OF MINERALS. Industrial Minerals, 1988.


Publicado por: Ângelo Marcos Xavier Barbosa

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