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Os desafios do ensino de Geografia: trabalhando o conceito de Lugar e buscando novas abordagens através do bairro Vila Isabel, Três Rios - RJ

Geografia

A importância do estudo do conceito de Lugar e de sua primazia na vida dos moradores e dos educandos, além de ser dado destaque à prioridade do ensino de Geografia e de suas abordagens no sentido da formação de cidadãos melhores.

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1. RESUMO

Despertar o interesse do aluno no processo de ensino aprendizagem nos dias atuais é uma tarefa trabalhosa que deve dialogar com a introdução de novas tecnologias e diversas fontes de conhecimento, além do cotidiano do aluno e os agentes envolvidos através de uma leitura geográfica sobre o bairro, associando-o ao conceito de lugar. Ao estudar o bairro - porção do espaço vivido - e sua relação com os moradores, será possível contruir ao longo do tempo, a identidade local e novas formas de aprendizagem. O ensino dos conceitos básicos não deve ser visto como algo tão simples e com maior destaque apenas nas séries iniciais, o educando deve estar sempre relembrando e redescobrindo conhecimentos, em diferentes perspectivas. O presente trabalho constitui-se em apresentar o conceito de Lugar na escala do bairro e para tal, foi escolhido o bairro Vila Isabel, que ganha destaque pelo seu tamanho no município de Três Rios. Para sua efetivação foram necessárias entrevistas com moradores, que buscou conhecer melhor o bairro e sua história, e com os alunos do Colégio Estadual Dr. Walmir Peçanha, com a finalidade de definir qual o significado de Lugar para eles baseado nos autores Santos (1997) e Tuan (1979). O Lugar para a maioria dos alunos apresenta alguma função. Em relação aos moradores buscou-se identificar a identidade dos mesmos com o Lugar. Desta forma, procurou-se destacar não apenas o conceito de Lugar em sala, mas sua contextualização nas aulas de Geografia, visto que o Lugar refere-se à parcela do espaço mais próxima do sujeito. Portanto, cabe à Geografia mostrar o contato que o aluno terá com o espaço, em seu próprio bairro.

Palavras-chave: Lugar. Bairro Vila Isabel. Geografia. Ensino. Espaço vivido.

ABSTRACT

Arousing the students’ interest in the process of teaching-learning nowadays is a tough task which must converse/dialogue with the introduction of new technologies and various forms of knowledge, besides the students’ routine and the agents involved, through a geographic analysis of the neighborhood, linking it to the concept of “place”. While studying the neighborhood – part of the lived space – and its relationship with the residents, it will become possible to eventually build the local identity and new forms of learning. The teaching of basic concepts should not be seen as a simple issue that is emphasized merely in the first school grades; the teacher must always remember and rediscover information in distinct perspectives. The current work aims to present the concept of “place” in the neighborhood level and, to do so, Vila Isabel was the chosen neighborhood, being highlighted due to its size within the town of Três Rios. In order to promote its effectuation, a series of interviews with residents was required, which sought to understand the neighborhood and its history more deeply, and with the students of the State School Dr. Walmir Peçanha, aiming to define their understanding of “place” based on the authors Santos (1997) and Tuan (1979). The concept of “place”, for most of the students, presents some function. Regarding the residents, we intended to identify their identity concerning the place. Thus, we intended to emphasize not only the concep of “place” in the classroom, but its contextualization in addition in Geography classes, once “place” refers to the closest part of the space to the individual that. In such case, leave to Geography the commitment of showing the students the contact they will have with the space, in their own neighborhood.

Keywords: Place. Vila Isabel neighborhood. Geography. Teaching. Lived space.

2. INTRODUÇÃO

Trabalhar o conceito de Lugar é importante principalmente no contexto do bairro, espaço de referência do aluno, onde ele realiza as suas práticas cotidianas. Logo, a questão que deu origem a este trabalho foi o destaque que o bairro de Vila Isabel possui no município de Três Rios, por sua imensa área, a maior entre todos os bairros do município, porém não há documentos na prefeitura contendo o tamanho real do bairro. Para isso, trabalhos da lavra de renomados autores, referentes ao conceito de Lugar, no contexto do bairro, foram estudados e pesquisados com o objetivo de identificar e aproximar o bairro de Vila Isabel desta temática. Autores como Duarte (2011), Nascimento (2014) e Banhara (2008) mostraram como os trabalhos podem ser realizados no contexto do bairro e aplicados em diferentes contextos, além de adaptados a determinadas realidades. Já em relação ao conceito de Lugar, autores como Tuan (1959), Santos (1996) e Carlos (2007) tentaram identificar sua essência através do cotidiano e das particularidades vivenciadas pelos seres humanos.

A escolha dessa temática originou-se devido ao destaque que o bairro de Vila Isabel tem no município de Três Rios. O presente trabalho não é caracterizado como um estudo de caso, mas como um exemplo inserto na questão do ensino, além da importância da prática do ensino de Geografia e da sua contribuição para a formação de cidadãos críticos e ativos.

Atualmente, com o avanço da tecnologia, os estudantes têm se deparado com muitas informações de fontes não confiáveis, que acabam dificultando o trabalho do professor, pois o mesmo precisa filtrar as informações que os alunos apresentam com o objetivo de ensiná-los da maneira correta. Logo, aliar-se ao avanço das técnicas, selecionando de forma coerente as informações, ampliará ainda mais a bagagem intelectual que o aluno traz consigo. Desenvolver práticas que despertem o interesse do aluno, mesmo não sendo, em muitas ocasiões, uma tarefa fácil, irá levá-lo a ser um cidadão mais participativo e crítico.

Entretanto, os sujeitos envolvidos nas atividades práticas, trazem diversas histórias pessoais e relações afetivas que dialogam com a dinâmica do lugar, ocorrendo uma (re)produção do espaço onde vivem. Lugar, objeto da Geografia, que, por ser matéria de ensino, tem como função preparar o aluno para compreender esse conjunto de relações, identificando os elementos do espaço vivido e suas influências.

3. OBJETIVOS

Despertar o interesse do aluno no processo de ensino aprendizagem nos dias atuais é uma tarefa trabalhosa que deve dialogar com a introdução de novas tecnologias e diversas fontes de conhecimento. Desse modo, buscou-se responder qual o significado de Lugar para os alunos do Colégio Estadual Dr Walmir Peçanha e como aplicar este mesmo conceito utilizando as experiências dos próprios alunos através de seus cotidianos, além de buscar entender a relação entre os moradores e o bairro Vila Isabel.

No capítulo 2, discutiu-se sobre o conceito de lugar e suas diferentes perspectivas no campo da Geografia através de autores como Santos (1996), Tuan (1979), Carlos (2007) e Relph (1980), sendo também abordadas a importância do Lugar para a área de estudo e as aplicabilidades a serem realizadas em sala de aula, com o objetivo de estimular a percepção e a compreensão dos alunos no mundo contemporâneo, uma vez que eles são influenciados pelo global e as consequências de suas ações são locais. Logo, conhecer o espaço em que vive o discente e as cotidianas influências globais e locais, facilita no processo de ensino-aprendizagem e também na construção de um cidadão mais consciente de suas ações no lugar em que vive.

Por isso, no capítulo 3, buscou-se descrever um breve histórico da formação do município de Três Rios, que, sendo antes uma colônia dependente da fazenda Cantagalo, passou a receber destaque após sua emancipação. Também foi apresentado um contexto de formação do bairro de Vila Isabel e de suas características atuais.

No quarto capítulo, está contida a metodologia, que apresenta os procedimentos utilizados para a realização do presente trabalho, que se inicia no processo de coleta de dados, através de entrevistas com moradores e alunos do bairro em estudo, até os resultados obtidos pela pesquisa.

O capítulo 5 aborda uma análise dos resultados obtidos, procurando compreender como os elementos do trabalho se relacionam, além de visar à identificação do significado do conceito de Lugar para os alunos, baseado nos autores Tuan (1979) e Santos (1997). Quanto aos moradores, deu-se ênfase ao entendimento de sua relação com o bairro de Vila Isabel.

Nas Considerações Finais, abordou-se acerca da importância do estudo do conceito de Lugar e de sua primazia na vida dos moradores e dos educandos, além de ser dado destaque à prioridade do ensino de Geografia e de suas abordagens no sentido da formação de cidadãos melhores.

4. BASE TEÓRICO-CONCEITUAL

Neste capítulo apresenta-se a base teórica, que servirá de embasamento para as questões abordadas no trabalho, onde é possível compreender o conceito de Lugar nas diferentes visões de autores distintos. Também serão apresentadas as aplicabilidades do conceito nas escolas, através de trabalhos dos professores com seus alunos, em sala de aula.

4.1 O Conceito de Lugar e sua Importância

A partir dos anos 80 o conceito de Lugar começou a ganhar destaque, sendo caracterizado mais detalhadamente. Vidal de La Blache e Sauer faziam o uso do conceito de lugar associado ao de região. (FERREIRA, 2000).

As correntes da Geografia tentaram ao longo dos anos identificar o conceito de Lugar com base na existência humana, sua experiência e sua perspectiva regional sobre o global.

Partindo desses pressupostos, vários autores, tanto da corrente humanística quanto da crítica, buscaram decifrar o conceito de Lugar relacionando-o ao mundo contemporâneo. Além disso, tentaram explorar significados distintos sobre o conceito de lugar, com o objetivo de entender as relações sociais no espaço geográfico.

Alguns autores caracterizaram o lugar através da experiência humana e seus significados, como é o caso de Tuan (1979), que afirma que o lugar possui um “espírito”, uma “personalidade”, havendo um “sentido de lugar”, considerando assim, sentimentos espaciais e as ideias de um grupo ou povo sobre o espaço a partir da experiência. “Para o autor, o lugar existe em diferentes escalas, desde a poltrona preferida até a totalidade da terra”. (FERREIRA, 2000, p.4)

Relph (1980, p.41) complementa dizendo que "uma relação profunda com os lugares é tão necessária, e talvez tão inevitável, quanto uma relação próxima com as pessoas; sem tais relações, a existência humana, embora possível, fica desprovida de grande parte de seu significado"

Buttimer (1980) pensa o lugar em termos de dois movimentos e conceitos recíprocos: o lar e os horizontes de alcance relacionados, respectivamente, ao espaço experienciado e às perspectivas fora deste espaço. Segundo o autor "A reciprocidade vivida de descanso e movimento, território e região, segurança e aventura, arrumação e criação, construção de comunidade e organização social - essas experiências podem ser universais entre os habitantes do Planeta Terra”1 (BUTTIMER, 1980, p.170, tradução do autor).

Carlos (2007) afirma que o Lugar guarda em si e não fora dele o seu significado, podendo ser possível de ser apreendido pela memória, através dos sentidos e do corpo.

Johnston (1991) afirmou que os lugares devem ser diferenciados não somente por seu ambiente físico, mas também pelas diferentes respostas humanas às oportunidades e limitações apresentadas pelos ambientes.

Carlos (2007) utilizou o conceito de não-lugar, sendo um novo espaço baseado na não-identidade e no não-reconhecimento. A autora afirma que não se trata de uma antítese de Lugar e não tem sentido de negatividade, mas sim, espaços construídos para determinados fins como transporte, trânsito e comércio mas que não possuem história, nem identidade.

Devido às influências da Globalização Relph (1980) elaborou o conceito de deslugaridade, associando ao mundo moderno a perda da diversidade e do significado destes lugares, que segundo o autor, atualmente está ocorrendo a diminuição de lugares significantes e homogeneização das paisagens e como consequência, estaríamos sendo subjugados pelas forças da deslugaridade e pela perda de nosso sentido de lugar.

Em contrapartida, outros autores buscam caracterizar o Lugar através do processo de globalização e de sua compreensão acerca dos processos sociais e espaciais. Harvey (1996) criticou o trabalho de Relph (1980), afirmando que o Lugar, ao contrário de estar se tornando menos importante, vem adquirindo uma relevância cada vez maior no mundo contemporâneo.

Segundo Harvey (1996) o lugar é uma construção social e deve ser compreendido como uma configuração de "permanências" internamente heterogêneas, sendo processos específicos contidos e expressos dentro do processo global.

Na visão de Carlos (2007) a globalização irá materializar-se no Lugar. A autora afirma que é no lugar que se vive e se realiza o cotidiano, ganhando expressão o mundial. “O mundial que existe no local, redefine seu conteúdo, sem todavia anularem-se as particularidades (CARLOS, 2007, p. 14)

Para Carlos (2007, p.14) “o Lugar se apresentaria como ponto de articulação entre a mundialidade em constituição e o local enquanto especificidade concreta, enquanto momento.”

Hudson (1988) definiu que os lugares não são entidades fixas, mas temporárias, sendo (re)produzidas através de processos sociais. Lugares seriam, portanto, pontos de encontro de redes de relações sociais, cujas relações tenham sido construídas em escala muito maior do que aquelas definidas para o lugar naquele momento (NASCIMENTO, 2000).

O lugar deve ser compreendido, segundo Graham (1988) a partir de sua vinculação com os processos espaço-temporais, sendo os sistemas de comunicação responsáveis por sua contínua produção devido as interações humanas causadas pelas mesmas.

Na visão de Oakes (1997), lugar expressa a tensão, característica da modernidade, entre o progresso e a perda. Para o autor, o lugar seria, um espaço criativo, embora ambivalente, entre a opressão da nova ordem e o aprisionamento da tradição.

Segundo Ferreia (2000), Marx afirma que aquilo com o qual interagimos não é suficiente para explicar a realidade político-econômica do mundo atual. Já Harvey (1996) afirma que a construção do lugar estaria ligada com o capital e representaria um momento de consolidação de um regime de relações sociais.

Santos (1978 p. 121) define o lugar como uma "porção discreta de espaço total", ou como "uma porção da face da terra identificada por um nome". Santos (1997) também define o Lugar como um local criado para atender determinadas funções. Logo, busca-se compreender o local como expressão do global, que passa a ser chamada de rugosidade.

Chamemos rugosidade ao que fica do passado como forma, espaço construído, paisagem, o que resta do processo de supressão, acumulação, superposição, com que as coisas se substituem e acumulam em todos os lugares. As rugosidades se apresentam como formas isoladas ou como arranjos (SANTOS, 1996, p. 113).

Pode-se definir, portanto, que o Lugar está presente no espaço vivido, além de apresentar uma vinculação ao espaço temporal, devido às interações humanas e à presença de rugosidades, que, ao longo do tempo, estão presentes no cotidiano, porém modificadas em determinados aspectos, mas sempre presentes no espaço. As características do Lugar, além de estarem presentes nessa vinculação espaço-temporal, também representam as relações sociais.

“[...] O que dá a um lugar sua especificade não é uma história longa e internalizada, mas o fato de que ele se constrói a partir de uma constelação particular de relações sociais, que se encontram e se entrelaçam num locus particular” (Massey. 2000, p.184).

Assim, o que dá ao lugar sua especificidade não é algum tipo de história longamente internalizada, mas sua construção a partir de uma constelação particular de relações sociais que se encontram e se enlaçam.

Entrikin (Apud FERREIRA, 2000) buscou sintetizar os conceitos abordados tanto pela Geografia Humanista quanto pela Geografia Crítica:

Ao assumirmos uma abordagem descentrada (através de um ponto de vista objetivo, teórico-científico, ligado à externidade) com relação ao lugar deixamos de compreendê-lo como contexto para vê-lo como locação. A posição contrária, ou seja, abordar o lugar de um ponto de vista centrado (através de enfoque subjetivo, ligado à internidade) é afirmar que não existe nenhuma essência universal do lugar para ser descoberta. Compreender o lugar será, portanto, compreender tanto a realidade subjetiva quanto a objetiva. (FERREIRA. 2000, p.12)

Sendo assim, entender os significados de Lugar é descobrir quais são as relações entre o indivíduo com a sociedade e o que há ao redor. O lugar pode ser entendido desde a sua função, nome, influência em determinada situação, ou no dia a dia. As relações das pessoas com o Lugar acontecem em diversas circunstâncias, contribuindo para a criação da identidade do espaço vivido.

Ao utilizar o espaço vivido como base, é necessário que haja metodologias que venham a facilitar o aprendizado do aluno através do estudo do Lugar, possibilitando relacionar o ensino ao seu cotidiano, mesclando a teoria e sua experiência com o mundo, podendo haver, através dessa interação, uma percepção crítica em seu cotidiano.

4.2 O Conceito de Lugar em Sala de Aula

A escola é concebida como espaço essencialmente social e interativo, porque oportuniza situações que estimulam o processo de aprendizagem. Logo:

O estudo de Geografia possibilita, aos alunos, a compreensão de sua posição no conjunto das relações da sociedade com a natureza; como e por que suas ações, individuais ou coletivas, em relação aos valores humanos ou à natureza, têm consequências — tanto para si como para a sociedade. Permite também que adquiram conhecimentos para compreender as diferentes relações que são estabelecidas na construção do espaço geográfico no qual se encontram inseridos, tanto em nível local como mundial (PCN, 1998, p76).

Ao centrar o estudo na escala do bairro e referenciá-lo como lugar onde se vive, cremos ser possível estabelecer as bases para a compreensão de aspectos significativos no processo de ensino/aprendizagem da geografia escolar. (DUARTE, 2011. p.2)

Assim, para obter melhores resultados e novas formas de aprendizagem é preciso considerar o cotidiano e os agentes envolvidos, estabelecendo um sentido na vida dos alunos, pois eles, através de suas maneiras, irão dar sentido ao local através de suas histórias e estilos de vida.

Notadamente é necessário que haja metodologias e teorias que venham facilitar esse aluno a compreender o seu contexto, através do estudo do lugar, refletindo sobre o ensino de Geografia em sala de aula correlacionando com o seu cotidiano, ligando o que cada aluno absorve da teoria geográfica com a sua experiência de mundo – é a possibilidade de interpretação do seu bairro. (NASCIMENTO, 2011 p.2)

Em sala de aula, o aluno irá compreender que o Lugar é produto de suas atividades entre si e o meio, compreendendo as relações existentes necessárias à construção dos conhecimentos geográficos.

Freinet criou várias técnicas pedagógicas, uma delas a aula-passeio, pois acreditava que o interesse da criança não estava na escola e sim no que acontecia fora dela. Planejava a atividade com a intenção de motivar os alunos a romper com o imobilismo na escola, misturando vida com o ensino e ensino com a vida (SILVA, PRESTES e PENA. 2011. p.3).

Para trabalhar na escala local, antes é necessário entender a escala global e sua história em determinada dimensão espacial. Assim, uma das atividades a serem desenvolvidas com os alunos a partir do 6º ano é a caminhada orientada pelo bairro. Cunha, Machado e Silva (2013) aplicaram essa atividade e nela os alunos foram orientados a como ler o mapa, orientá-lo e como reconhecer alguns pontos. Como resultado, os próprios alunos perceberam a falta de cuidados com o ambiente, e admitiram como sendo eles parte causadora desses problemas.

Duarte (2011), em seu trabalho, utilizou imagens do bairro no ano de 1997 e fez a sua análise em comparação com as fotografias dos mesmos locais no ano de 2010 com o objetivo de chamar a atenção dos alunos para a presença da geografia nas ações cotidianas do homem através das transformações no meio social e no espaço vivido. Enquanto olhavam as imagens, os alunos teciam comentários sobre o reconhecimento ou não desse ou daquele local, e faziam ainda observação sobre as mudanças ocorridas.

Logo, uma das formas mais eficientes para se entender as mudanças na paisagem de um lugar e sua compreensão como um todo, é a utilização de imagens. A fotografia é importante no ensino da Geografia, pois é através dela que muitos alunos começam a despertar o interesse pela disciplina/conteúdo e possuir uma pré-disposição para aprender (GEJÃO, 2008). Com a ação do professor – que é um mediador – poderá haver a produção do conhecimento através das linguagens imagéticas que ajudam o aluno a ter uma melhor percepção do mundo.

As fontes fotográficas são uma possibilidade de investigação e descoberta que promete frutos na medida em que se tenta sistematizar suas informações, estabelecer metodologias adequadas de pesquisa e análise para decifração de seus conteúdos, e por consequência, da realidade que os originou. (KOSSOY 2001, p.32, apud GEJÃO, 2008, p.2).

Nascimento (2014), ao desenvolver atividades junto aos seus alunos, promoveu a elaboração de mapas do percurso da casa à escola e, em seguida, uma visualização do bairro através de imagens de satélite interativas, mediadas pelo Google Maps. Em outro momento, foi realizada uma análise de fotografias de alguns locais do bairro. Os dois trabalhos foram extremamente importantes, pois auxiliaram na compreensão e na percepção da delimitação espacial do entorno escolar e do lugar de vivência dos alunos.

Segundo Gejão (2008), as fotografias trabalhadas em sala de aula representam um fragmento da realidade e possibilitam que o aluno interaja com o seu conhecimento, sendo o professor o mediador nesse processo de elaboração. Além da fotografia, existem outras formas de envolver o aluno no processo de ensino-aprendizagem, como por exemplo, a utilização de recursos audiovisuais – que expande a capacidade de compreender e integrar os conteúdos.

A contextualização dos conteúdos geográficos com as mensagens, fenômenos e relações expostas pelos meios audiovisuais auxiliam na capacidade de crítica e de identificação dos fenômenos expostos, fazendo com que haja uma interligação da Geografia com o dia-a-dia, de forma mais aprofundada, levando o aluno a identificar e analisar os conceitos e fenômenos da ciência geográfica, não mais em nível do senso comum, mas na perspectiva da construção do conhecimento geográfico. (BANHARA, 2008 p.5)

Banhara (2008) também acrescenta que os recursos computacionais, tais como, planilhas, gráfico, Movie Maker, aplicativos de programas para produção de textos e apresentação de trabalhos (Word, Excel e PowerPoint) auxiliam no ensino e na aprendizagem. Além disso, ele destaca que os jogos educativos e a internet permitem várias possibilidades de pesquisas, chats, correio eletrônico, hipertextos e teleconferências. E complementa dizendo que para “(...) uma ação docente inovadora precisa contemplar a instrumentalização desses recursos disponíveis” (BANHARA, 2008, p.7).

Em seu trabalho, Duarte (2011) desenvolveu a atividade em duas partes: na primeira, houve a observação do bairro a partir das imagens de satélite. Os alunos observaram a escola em que estudam, assim como outros pontos do bairro, como igrejas, comércio, suas residências e outras escolas. Na segunda parte da atividade, os alunos saíram a campo, no entorno da escola com as imagens de satélite coloridas e impressas na escola para identificar os locais retratados, com o objetivo de conhecer melhor o bairro. Neste trabalho a autora buscou fazer com que os alunos compreendessem os processos que resultam nas situações de desigualdade social, além de produzir reflexões sobre como a geografia oportuniza a compreensão das ações e da transformação do espaço geográfico através da análise do lugar.

Sendo assim, pode-se dizer que na Geografia, o diálogo entre professor, aluno, os conceitos cotidianos e os científicos possibilitam o desenvolvimento da espacialidade dos alunos. O conhecimento do cotidiano tem que ser levado em conta pelo professor, pois expressa as experiências que o indivíduo tem no seu espaço.

Cabe, portanto, à Geografia não somente levar o aluno a um entendimento da dimensão espacial da sociedade como um todo, mas a encontrar meios de contextualizar esse ensino, considerando também o espaço em que vive o aluno, uma vez que é relevante que ele entenda sua própria realidade e os fatores que influenciam diariamente a sua vida. Por isso é extremamente importante que os alunos conheçam a história da sua cidade e do seu bairro.

5. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

O município de Três Rios limita-se a noroeste com o município Comendador de Levy Gasparian/RJ; a Nordeste com o Estado de Minas Gerais, sendo o Rio Paraibuna o limite natural; ao Sul com o município de Areal/RJ; a Sudeste com o município de São José do Vale do Rio Preto/RJ; a leste com o município de Sapucaia /RJ; e a oeste com o município de Paraíba do Sul/RJ (FIGURA 1).

Sua população é de aproximadamente 79.264 habitantes, o clima da região é caracterizado como tropical, tendo a temperatura máxima de 40° (RIBEIRO, 2009). Três Rios reduziu a sua área territorial após a constituição de 1988, devido às inúmeras emancipações territoriais. Assim, foram criados os municípios de Comendador Levy Gasparian, junto com o distrito de Afonso Arinos, e o município de Areal, juntamente com a localidade de Alberto Torres (RIBEIRO, 2009).

Até aproximadamente 1858, o território do município de Três Rios, anteriormente chamado Entre Rios, era constituído apenas por uma colônia dependente da Fazenda de Cantagalo, cujo dono da propriedade era Antônio Barroso Pereira, 1.º Barão de Entre Rios. Com a inauguração da estação ferroviária Entre Rios e após o recebimento da comitiva imperial – conhecida como União e Indústria –, o território ganhou destaque e começou a receber melhorias. Em 1890, Entre Rios é elevado a Distrito. Sua emancipação ocorreu em 14 de Dezembro 1938 e em 1943 seu nome foi modificado para Três Rios (INNOCENCIO, 2002).

Três Rios recebe este nome, pois é banhado pelos rios Paraíba do Sul e seus afluentes, Piabanha e Paraibuna (ALMEIDA, 2012). Segundo o censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)2, o município possui uma densidade populacional de 237,42 hab/km², em uma área territorial de 326,757 km². A população, estimada em 2015, é de 79.264 habitantes. Possui 49 (quarenta e nove) bairros, entre os quais se destaca, sobretudo por sua imensa área, o de Vila Isabel.


Figura 1: Localização do município de Três Rios.
Fonte: IBGE, 2016.

Segundo Guimarães (1994), o bairro de Vila Isabel (FIGURA 2) é o maior e o mais populoso da cidade. Recebeu esse nome em homenagem à Princesa Isabel – filha de D.Pedro II –, que aboliu a escravidão. Na época o bairro era formado por escravos que foram alforriados após a morte da Condessa do Rio Novo, a qual deixou suas terras aos escravos, em seu testamento no ano de 1882, influenciada pelas ideias positivistas e abolicionistas.

Os libertos formaram nesta fazenda uma Colônia Agrícola sob dominação e administração da Irmandade de Nossa Senhora da Piedade, que devido a má administração, foi responsável pela desagregação da Colônia Agrícola ocorrida em1932.

Em 1940 a Colônia Agrícola começou a receber atenção especial da cidade. O prefeito da época, Dr. Walter Gomes Francklin, investiu na iluminação pública e na expansão da rede elétrica. A colônia começou a crescer a partir de 1949.

Em 1951 a então Colônia Agrícola tem seu nome mudado para bairro Vila Isabel.

Após a abolição, inúmeras tentativas foram feitas para esquecer, apagar ou transformar a herança africana em nosso país, em todos os aspectos, até mesmo no aspecto biológico. Seguindo então a “onda” embranquecedora, o nome do bairro Colônia foi trocado para Vila Isabel. Uma homenagem à “princesa redentora”. Tal troca sofreu algumas críticas por não terem pensado no nome da Condessa do Rio Novo. Afinal, a cidade de Três Rios surgira a partir do seu testamento e a libertação dos escravos da fazenda de Cantagalo através do mesmo documento. (INNOCENCIO, 2015, p.193)

Devido ao seu crescimento, foram construídos conjuntos habitacionais, sendo o primeiro chamado Conjunto Habitacional Amaral, inaugurado em 1954 (GUIMARÃES, 1994).

No decorrer dos anos ocorreram várias transformações na paisagem do bairro de Vila Isabel, como a construção de novos prédios, escolas, entre outras, que, mesmo após muito tempo, rompem com a emoção e as lembranças do lugar vivido por seus moradores.

Um morador do bairro, Sr. Rui, de 81 anos, em entrevista, afirmou que naquela época houve a oportunidade de comprar um terreno para construir a sua casa, e no bairro havia estradas de terra, a maior parte da população se locomovia através de carroça, havia poucos vizinhos – na rua onde ele morava havia apenas a casa dele e mais duas – e, ao redor, havia bosques com muitas árvores frutíferas.

“Devido aos investimentos no bairro, grandes áreas começaram a ser ocupadas e a vegetação começou a dar lugar a muitas edificações” (Elder, 54 anos). Boa parte dos moradores, em entrevista, afirmou que sente falta da praça Arsonval Macedo, pois ela era o local de encontro dos moradores e utilizada para o lazer. Atualmente a praça está em obras, nela foi construído um posto de saúde e estão, ainda, sendo contruídos playgrounds, bancos, mesas e pistas de skate.

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Antes da criação da praça Arsonval Macedo, o local era utilizado como ponto de encontro dos habitantes, e, mesmo após a sua criação, continuou sendo o mesmo local de encontro e de reuniões de seus moradores. Segundo Marineia, uma moradora de 52 anos, o bairro de Vila Isabel possui poucos lugares onde as pessoas podem se reunir e esse local é onde elas ainda o fazem. Com o passar dos anos, o bairro foi crescendo, e, hoje, o local de maior movimentação do bairro está em torno da praça, pois, próximo dali, há lojas comerciais, casas e a igreja.


Figura 2: Localização do bairro Vila Isabel, Três Rios – RJ.
Fonte: Google Maps e IBGE, 2016.

Na fotografia (FIGURA 3), do ano de 1992, é possível perceber que o bairro estava em processo de crescimento, devido à construção de prédios presentes no fundo da imagem. E observa-se, também, a não pavimentação do chão da praça e a presença de um chafariz, o qual não existe mais.


Figura 3: Praça Arsonval Macedo em 1992.
Fonte: Marineia Costa dos Santos, moradora do bairro Vila Isabel.

Com o passar dos anos, a praça foi modificada, e, no ano de 2011 (FIGURA 4), havia uma rua em torno da praça, com amplo espaço, que era utilizado para realizar alguns eventos esporadicamente.

Em 2014 a praça encontrava-se em obras, como observado na figura 5. O objetivo da obra era levar melhorias para a população local, sendo, por isso, construído um posto de saúde (FIGURA 6), inaugurado em 2 de Fevereiro de 2015, porém as benfeitorias e a praça ainda não foram entregues à comunidade, estando, ainda, em construção.


Figura 4: Praça Arsonval Macedo em 2011.
Fonte: Google Street View.


Figura 5: Praça Arsonval Macedo em 2014.
Fonte: Google Street View.


Figura 6: Praça Arsonval Macedo em 2016.
Fonte: O autor.

Logo, foi possível perceber as mudanças ocorridas no bairro através desta praça. Também deve-se levar em conta que os moradores sentem falta desta parte do bairro, devido à impossibilidade do seu uso, uma vez que as obras estão inacabadas.

O bairro de Vila Isabel, atualmente divide-se em dez sub-bairros, possui cerca de 35 mil habitantes, e atrai empresas de diversos setores, com destaque para o comércio e a prestação de serviços. (TV Rio Sul, 2014).

Os moradores entrevistados afirmaram que o comércio foi o que mais cresceu, e possui grande influencia na vida da população, pois, além da oferta de emprego, facilita a aquisição de produtos, o que se deu com a instalação do supermercado Bramil, do Celefruta Supermercado, da Caixa Econômica Federal, do Serviço Autônomo de Água Esgoto de Três Rios (SAAETRI), do Hospital Sasi, entre outros estabelecimentos.

No setor secundário (o industrial), destacam-se empresas como a Indústria de Latícinios Boa Vista, a TTR Vidros e a Vasconcelos Carne Ltda.; não havendo qualquer destaque para o setor primário, que abrange atividades incompatíveis com áreas predominantemente urbanas (agricultura, pecuária e extrativismo).

6. METODOLOGIA

Este trabalho, realizado a partir de uma abordagem qualitativa, por meio de entrevistas e de análise de fatos ocorridos desde um passado distante até os dias atuais, tem por objetivo a transmissão do conhecimento e visa, ainda, à sua utilização prática.

A pesquisa revestiu-se, sobretudo, de um caráter exploratório, a partir das hipóteses construídas, e envolveu também um circunspeto levantamento bibliográfico, ao qual se somaram as criteriosas entrevistas.

Nele, buscou-se compreender de que forma se relaciona o Lugar – bairro de Vila Isabel – com a sua comunidade, por meio da análise do conceito de Lugar por parte dos alunos do Colégio Estadual Dr. Walmir Peçanha e da relação dos moradores com o bairro.

Para a realização desta pesquisa, optou-se pela análise ampla dos sujeitos da pesquisa. Quanto aos procedimentos, o trabalho foi dividido em pesquisa bibliográfica (a partir de referências teóricas), pesquisa documental (a partir de tabelas estatísticas, de fotografias e de um livro escrito por uma moradora) e pesquisa de campo (entrevistas com os moradores).

A pesquisa bibliográfica é feita a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios escritos e eletrônicos, como livros, artigos científicos, páginas de web sites. Neste procedimento o objetivo é recolher informações prévias sobre o tema pesquisado. A pesquisa bibliográfica utiliza fontes constituídas por material já elaborado. Já a pesquisa documental recorre a fontes mais diversificadas e dispersas, sem tratamento analítico, tais como: tabelas estatísticas, jornais, revistas, relatórios, documentos oficiais, cartas, filmes, fotografias, pinturas, tapeçarias, relatórios de empresas, vídeos de programas de televisão, etc. (FONSECA, 2002, p. 32 apud GERHARDT e SILVEIRA, 2009, p.37).

Primeiramente, foi realizada uma pesquisa bibliográfica para definir o conceito de Lugar, visando à sua aplicabilidade ao ensino dentro do bairro.

Após, foram efetuadas pesquisas documentais, com acesso à história da cidade e ao único livro escrito sobre o bairro de Vila Isabel.

Por fim, foram entrevistados alguns moradores, com o objetivo de se conhecer a história do bairro e também as suas características. Entre as perguntas do questionário (Anexo A) estão:

Há quanto tempo reside no bairro? Em que ano mudou-se para ele? O que o levou a escolher este bairro para residir? Qual a principal mudança desde época em que você se mudou para hoje em dia? Quais tipos de serviços são oferecidos no bairro e que antigamente não havia?

No tocante à identidade do bairro de Vila Isabel, optou-se por conversar com os moradores mais antigos, afim de conhecer as modificações ocorridas ao longo do tempo e a sua relação com o mesmo.

Para a fase de entrevistas, foi escolhido o Colégio Estadual Dr Walmir Peçanha, localizado no bairro de Vila Isabel. Foram entrevistados os alunos do primeiro ano do Ensino Médio, que responderam a um questionário sobre o conceito de Lugar. As turmas entrevistadas foram a 1001, com 21 alunos, e 1002, com 22 alunos. No dia em que foi aplicado o questionário apenas um aluno da turma 1001 faltou. Essa escola foi escolhida por encontrar-se próxima do centro do bairro e porque a maioria de seus alunos residem no mesmo.

Para obter melhores resultados, os estudantes não precisaram se identificar e as respostas foram fechadas. Através das respostas fornecidas e das conversas informais, procurou-se entender o conceito de Lugar. A fim de tornar as entrevistas mais objetivas, as questões basearam-se em dois autores: Tuan (1979) e Santos (1997). O conceito de Lugar, contido nas três opções (Anexo B) são: os sentimentos espaciais e as ideias de um grupo ou povo sobre o espaço, a partir da experiência; seria como um local criado para atender a determinadas funções, e; uma porção da face da terra identificada por um nome.

Após aplicar o questionário nas turmas, foi realizada uma conversa informal sobre suas experiências com os lugares. Também foi feita uma conversa com a professora de Geografia, Rosânglea, buscando entender qual o conceito de lugar para ela e como a mesma aborda este conceito em sala de aula.

A análise dos dados foi realizada em duas etapas: a primeira constitui-se na observação da frequência dos dados quantitativos das respostas, que foram tabulados e dispostos em uma tabela, com o objetivo de caracterizar o significado de Lugar para os alunos. Na segunda, foram coletadas as respostas dos moradores, buscando identificar os elementos relevantes da relação de identidade de Lugar com os moradores do bairro de Vila Isabel. Estes moradores foram escolhidos de acordo com a faixa etária, a partir de 45 anos, pois apresentam lembranças mais distantes sobre o bairro, possibilitando relacionar a história do bairro com as histórias de seus cotidianos.

Para a elaboração do mapa de localização do município de Três Rios, foi feito o download do arquivo encontrado no site do IBGE e do CadeGeo em formato shapefile, contendo todos os municípios do estado do Rio de Janeiro. O programa utilizado para a criação e edição dos mapas foi o Sistema de Informação Geográfica Quântica (QGIS). Em relação à localização do bairro de Vila Isabel, além da utilização do arquivo retirado do site do Google Maps, foi utilizado o arquivo shapefile, retirado do site do IBGE.

Durante a confecção do trabalho, surgiram algumas dificuldades, devido à falta de informações sobre o assunto. Assim, as entrevistas com os moradores e alguns funcionários da prefeitura foram cruciais para a sua elaboração.

O Fluxograma abaixo (FIGURA 7) mostra o resumo de todos os procedimentos realizados no trabalho, visando a facilitar a sua compreensão.


Figura 7: Fluxograma da metodologia.
FONTE: DO AUTOR, 2016.

7. RESULTADOS

Ao utilizar o conceito de Lugar, é importante compreender as paisagens e os seus agentes de transformação. Muito se questiona sobre o conhecimento que o aluno traz consigo oriundo de suas vivências cotidianas, que são originadas de sua prática diária, e, quando se trata da Geografia, essa discussão se torna mais pertinente, uma vez que, essa ciência estuda as relações próprias do homem com o espaço.

Desse modo, pode-se observar que a interação com os colegas fazem com que surjam novos lugares em sua vida, através de cursos de reforço, de línguas ou de informática. Essas relações, de certo modo, mostram que a constante movimentação que ocorre no bairro faz com que os alunos se sintam animados a viver em seu espaço, e, nele, (re)produzir.

Muitos dos entrevistados demonstraram afinidade com o bairro onde moram, cabendo destacar que apenas cinco alunos entrevistados não residem no bairro (GRÁFICO 1). De acordo com os alunos, essa afinidade com Vila Isabel ocorre porque nele há praticamente tudo o que se necessita, sem haver a necessidade de ir, com frequência, ao centro da cidade para resolver as questões cotidianas.

Entretanto, há alunos que preferem sair do bairro de Vila Isabel, não morar mais ali, pois acreditam que o bairro é muito caótico no que se refere à saúde e ao trânsito. Os jovens também preferem fazer atividades de lazer preferencialmente no centro da cidade, acreditando que o bairro não possui opções para pessoas com sua idade.

Logo, pode-se perceber que muitos querem sair do bairro, devido às influências de fora, ou seja, do global, como por exemplo, conhecer novos lugares e estudar em Universidades mais distantes para conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Assim, os alunos que acreditam que seria melhor sair do bairro, buscam modificar suas atividades cotidianas, distorcendo a visão que possuem de seu lugar, para que um dia realizem seus sonhos.

Gráfico 1: Número de alunos que residem no bairro


Fonte: DO AUTOR, 2016.

No questionário, foi solicitado que os alunos escolhessem a opção que melhor corresponde ao significado de Lugar (TABELA 1 e GRÁFICO 2). Como já falado na metodologia, as opções foram baseadas nos conceitos estabelecidos pelos autores Tuan (1979) e Milton Santos (1997), citados no primeiro capítulo deste trabalho.

Tabela 1 – Definição de Lugar pra os Alunos do CE Dr Walmir Peçanha

Definição de Lugar para os alunos

Respostas

Sentimentos espaciais e as ideias de um grupo ou povo sobre o espaço a partir da experiência

9

Seria como um local criado para atender determinadas funções

19

Uma porção da face da terra identificada por um nome

14

Fonte: DO AUTOR, 2016.

Gráfico 2 – Definição de Lugar para os Alunos do CE Dr Walmir Peçanha


Fonte: DO AUTOR, 2016.

Diante dos resultados obtidos, pode-se concluir que, para a maior parte dos alunos entrevistados, o Lugar seria como um local criado para atender a determinadas funções. Essa opinião pode ser justificada quando os entrevistados afirmaram os motivos pelos quais gostavam ou não do bairro, como já citado acima. Dessa forma, pode-se observar que sua identidade em relação ao bairro de Vila Isabel – lugar de estudo – são percebidas através das interações que ocorrem em seu cotidiano, quando destacadas determinadas funções do bairro, como a presença de postos de gasolina, supermercados, bancos, escolas, postos de saúde, entre outros; ou seja, para 45% dos entrevistados o bairro de Vila Isabel atende a suas necessidades devido às funções que apresenta, e por isso ganha destaque no município de Três Rios, atraindo investimentos através dos setores secundário e terciário.

Segundo a visão da professora Rosângela, o Lugar pode ser entendido através da especificidade de cada um, onde o indivíduo realiza as atividades cotidianas, tornando o espaço vivido algo simbólico e importante. A educadora também afirmou que trabalha as categorias espaciais com os alunos, explicando suas definições e depois utiliza imagens do bairro em períodos diferentes com objetivo dos alunos identificarem os elementos presentes na disciplina de Geografia.

Após a apresentação das entrevistas, tratou-se de responder à seguinte questão: Qual a relação dos moradores com o bairro, ou seja, qual a sua identidade com o Lugar? A relação com o lugar pode ocorrer em diversas circunstâncias, como os relatos do porquê de terem ido morar no bairro de Vila Isabel e, de um modo geral, qual a afinidade entre eles. Afinidade que, por exemplo, pode ser percebida na falta que sentem da praça Arsonval Macedo.

Os lugares e as paisagens de que os moradores se lembram são uma profunda e imediata experiência do mundo que é ocupado, com significados relevantes, a própria base da existência humana.

Os laços afetivos podem ser evidenciados a partir da declaração de um dos moradores: “Gosto de morar no bairro Vila Isabel porque me identifico com as pessoas; o lugar me trás boas recordações, e foi onde venci na vida.” (Rui, 81 anos).

Assim como o Sr. Rui, os demais entrevistados também se identificam com o bairro, por ser tranquilo, e proporcionar conforto e acesso a serviços que em outros bairros não existem.

A criação de imagens por parte do morador vai se formando no decorrer dos anos, onde vários símbolos vão fazendo parte de sua vida, por meio dessa extraordinária representação mental, dessa impressão marcante, dessas inefáveis reminiscências, marcadas por acontecimentos que ficam em sua memória, como, por exemplo, a construção do hospital Sasi, a instalação da Caixa Econômica Federal e a inauguração de escolas. Todas essas recordações são os fatores que ligam o morador ao bairro de Vila Isabel.

Ao utilizar o conceito de Lugar a partir das experiências dos próprios alunos e do seu cotidiano, constata-se a possibilidade de sua concretização através dos exemplos utilizados no capítulo dois deste trabalho e nos resultados desta pesquisa. Por mais que não sejam feitas atividades muito elaboradas, como passeios ao redor da escola, a busca por imagens de satélites e outros, é possível aproximar os alunos através de acontecimentos da contemporaneidade, contextualizando os conteúdos de jornais com o estudado e a análise em relação ao assunto abordado, possibilitando fazer uma relação deste com o espaço em que vivem.

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A afinidade com o lugar vai se formando, ao longo da vida dos moradores, a partir de acontecimentos vultosos. Os moradores do bairro de Vila Isabel têm uma íntima ligação com o local onde vivem, ocorrendo um envolvimento sentimental, em que se sabe exatamente o que é necessário para a melhoria do lugar, suas características marcantes e os benefícios a serem outorgados aos seus ilustres moradores. A identidade é feita a partir do cotidiano, através dos laços de amizade e de acontecimentos comuns a todos.

O Lugar reúne os elementos do espaço, tornando a vida uma realidade concreta por meio das relações do homem em seu cotidiano. O dia a dia do bairro de Vila Isabel demonstra parte essencial do processo de produção do espaço, através da afetividade, da concretização de sonhos, das dificuldades, do convívio dos moradores, entre outros, que são elementos que compõem o ritmo e a harmonia do lugar.

É importante apontar as limitações impostas à concretização deste trabalho, devido à existência de poucas referências bibliográficas ligadas à escala de bairro, ou seja, seu recorte espacial no município de Três Rios, bem como o acesso às informações próprias do bairro, como sua divisão e número de habitantes. Por isso, a pesquisa baseou-se em outros trabalhos com a mesma magnitude escalar – o bairro.

Assim, buscou-se superar tais limitações, focando todo o trabalho no conceito de Lugar, pois, para entendê-lo, é preciso compreender o cotidiano da população, sua história, as características do bairro e a sua importância.

O bairro de Vila Isabel é um importante recorte espacial para os estudos relacionados a diversas áreas, como História, Geografia, Gestão Ambiental, entre outros. Entender a dinâmica do lugar ajuda a compreender a sua articulação entre o mundo e a sua singularização.

Além disso, a relação entre o tempo e o espaço é indispensável para o estudo de uma paisagem urbana, porque essas formas guardam características que contribuem para a compreensão da dinâmica e da construção do bairro. As principais contribuições deste estudo foram afirmar que o conceito de Lugar pode ser trabalhado ao longo dos anos, podendo-se relacioná-lo aos conteúdos ensinados.

Este trabalho é um estudo sobre a Geografia e o seu ensino, de como ele pode ser mais vinculado à realidade dos educandos. Assim, foi discutido como a vivência dos alunos e suas experiências cotidianas no lugar onde moram podem ser utilizadas como ponto de partida para as discussões da disciplina Geografia, como nos trabalhos de Duarte (2011), Banhara (2008) e Nascimento (2014), que relacionaram o conceito de Lugar dentro de seus respectivos bairros e através do uso de novas tecnologias e aulas-passeio orientadas, em que puderam demonstrar como os alunos podem interagir e conhecer melhor os espaços em que vivem. Essa prática pode contribuir para um ensino mais voltado para a realidade dos alunos, despertando mais interesse.

Através da disciplina Geografia é possível discutir temas importantes para a formação da cidadania do sujeito. Ela é uma disciplina que estuda o meio considerando os agentes naturais e também os agentes sociais, possibilitando entender que o espaço não é um produto pronto, mas que vai sendo moldado e (re)configurado através dessas relações.

Desde pequeno estudei em bairro, e apenas uma vez fiz um trabalho referente ao lugar em que morei. Como futuro professor de Geografia, acredito que o ensino dos conceitos básicos não deva ser visto como algo tão simples e com maior destaque apenas nas séries iniciais. O educando, de um modo geral, deve estar sempre relembrando e redescobrindo conhecimentos, em diferentes perspectivas.

Na Geografia é possível aprender como os fenômenos naturais, as tecnologias e outros fatores irão influenciar e transformar o espaço em que vivemos, seja bairro, cidade ou estado. Logo, torna-se importante estudar todos os fenômenos que ocorrem no mundo, mas lembrando sempre da escala local, inserindo o aluno nesses fenômenos, para que eles percebam que fazem parte de tudo isso.

O que deve ser destacado não é apenas o conceito de Lugar em sala, mas sua contextualização em diversos temas da disciplina Geografia, pois muitos conteúdos dessa disciplina podem ser trabalhados com base no lugar, ajudando a mellhorar a percepção dos educandos em relação ao mundo, ao espaço em que vivem, e, também, ao seu crescimento intelectual.

Dessa forma, fazer abordagens diferentes torna as aulas de Geografia mais interessantes, e sair dos métodos tradicionais de ensino ajuda tanto o aluno quanto o professor a terem uma experiência única, além de aproximá-los no processo de ensino-aprendizagem.

Para estabelecer a concretização das relações sociais e motivar os alunos a se tornarem sujeitos sociais conscientes, é fundamental que o professor exerça com eles a prática da escrita e da leitura não só de textos escritos, mas também da leitura do mundo; porque ler o espaço é compreender que as paisagens são resultados da vida em sociedade, cabendo à Geografia possibilitar aos alunos um maior conhecimento do espaço geográfico do seu país, do seu estado, da sua cidade e do seu bairro.

O Lugar refere-se à parcela do espaço mais próxima do sujeito, mas que ao mesmo tempo reflete cenários mais intensos e relevantes; e é a Geografia que mostrará o contato que o aluno terá com o espaço, em seu próprio bairro. Resgatar o lugar em que o aluno mora, suas vivências, suas relações com o espaço e com a sociedade, aproxima-o da disciplina, tornando-a de fácil entendimento, pois ela passa a ser entendida através do convívio social.

9. REFERÊNCIAS

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10. ANEXOS

10.1 Anexo A

Perguntas feitas aos moradores do bairro Vila Isabel, Três Rios - RJ

Nome: _______________________________________________ Idade:____

1. A quanto tempo reside no bairro, em que ano mudou para ele?
2. O que o levou a escolher este bairro para residir?
3. Qual a principal mudança da época em que você se mudou para hoje em dia?
4. Sente saudades de algo do passado que o bairro tinha e não tem mais?
5. O que mais gosta no bairro atualmente?
6. Que tipo de serviços são oferecidos no bairro que antigamente não tinha?
7. O que você gostaria que melhorasse?
8. Como eram as ruas, as casas e as lojas de comércio?
9. Você gosta do bairro agora ou antigamente?

10.2 ANEXO B

Questão de múltipla escolha sobre o conceito de Lugar para os alunos do CE Dr. Walmir Peçanha, localizado no bairro Vila Isabel, município de Três Rios – RJ.
Qual o conceito de Lugar para você?
a) sentimentos espaciais e as ideias de um grupo ou povo sobre o espaço a partir da experiência
b) seria como um local criado para atender determinadas funções
c) uma porção da face da terra identificada por um nome

______________________________
1 O texto em língua estrangeira é: “The lived reciprocity of rest and movement, territory and region, security and adventure, housekeeping and husbandry, community building and social organization – these experiences may be universal among the inhabitants of Planet Earth.”

2 IBGE. Sinopse por Setores. Disponível em: http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopseporsetores/?nivel=st. Acesso em: 25 de Maio de 2016.


Publicado por: Leonam Bonato da Silva

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