A ABORDAGEM DO PROCESSO DE GLOBALIZAÇÃO NA GEOGRAFIA ESCOLAR: PERCEPÇÕES DE PROFESSORES E ALUNOS DO ENSINO MÉDIO

Geografia

Abordagem deste conteúdo em sala de aula, considerando o papel da Geografia na formação do cidadão, a inserção dos jovens no processo de globalização, suas vivências.

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1. RESUMO

Este trabalho trata do ensino de globalização no Ensino Médio por meio da Geografia Escolar. Seu principal objetivo é contribuir para a abordagem deste conteúdo em sala de aula, considerando o papel da Geografia na formação do cidadão, a inserção dos jovens no processo de globalização, suas vivências. A contextualização é fundamental no ensino de qualquer conteúdo de Geografia, pois proporciona a compreensão das relações que ocorrem em todas as escalas. O espaço vivido é algo a se considerar sempre, principalmente na abordagem de um tema que envolve, direta e indiretamente, todas as pessoas e países. O trabalho apresenta procedimentos teórico-metodológicos no ensino de Geografia, em especial no ensino de globalização e a influência deste processo na vida dos jovens. A partir da análise sobre o ensino de globalização em Geografia no Ensino Médio, fica evidente a necessidade de se repensar as práticas pedagógicas, considerando que o estudo deste conteúdo continua distante da realidade dos alunos, além de problemas que já deveriam ter sido superados, como a relação entre a dificuldade de aprendizagem do aluno com o seu lugar de vivência. Assim, este trabalho apresenta sugestões de estratégias de ensino com a utilização de diferentes linguagens na mediação pedagógica, no âmbito do ensino de Geografia no Ensino Médio.

Palavras-chave: Globalização; Contextualização; Cidadania; Espaço; Geografia Escolar; Escala; Práticas pedagógicas;

ABSTRACT

This work deals with the teaching of globalization in high school through the School Geography. Its main objective is to contribute to the content of this approach in the classroom, considering the role of geography in shaping the citizen, the inclusion of youth in the globalization process, their experiences. The contextualization is essential in teaching any content of geography, it provides an understanding of the relationships that occur on all scales. The living space is always something to consider, especially on a topic approach that involves, directly and indirectly, all people and countries. The paper presents theoretical and methodological procedures in Geography teaching, especially in teaching globalization and the influence of this process on the lives of young people. From the analysis of globalization on education in Geography in high school, it is evident the need to rethink teaching practices, whereas the study of this content remains distant from the reality of the students, as well as problems that should have been overcome, as the relationship between learning difficulties of students with their place of living. Thus, this paper presents suggestions for teaching strategies with the use of different languages ​​in the pedagogical mediation, under the teaching of Geography in High School.

Keywords: Globalization; contextualization; citizenship; space; School geography; scale; Pedagogical practices.

2. INTRODUÇÃO       

As discussões acerca do ensino de Geografia no Brasil foram se intensificando ao longo do tempo. Questões como o que ensinar em Geografia, como ensinar, por que ensinar, que instrumentos utilizar no processo de ensino e aprendizagem e outras, têm sido pauta de reflexões de professores deste campo do conhecimento, principalmente a partir da década de 1970, com a consolidação do Movimento de Renovação desta disciplina nos meios acadêmicos brasileiros, com o surgimento da Geografia Crítica. Apesar disto, nos deparamos, ainda hoje, com muitos problemas no ensino da Geografia.

Na atualidade, vivenciamos situações na escola que já deveriam ter sido abolidas. Problemas que não mais se justificam no ensino de Geografia e também de outros componentes curriculares, como a carência, por parte de alguns professores, em realização de aula de campo, a limitação dos professores ao livro didático, a fragilidade no planejamento do professor, a reduzida carga horária de Geografia, a sobrecarga de trabalho do professor, enfim, aulas de Geografia desinteressantes para muitos alunos, muitas vezes reduzidas ao livro didático.

A sociedade vivencia uma aceleração contemporânea, onde a velocidade das informações é cada vez maior. Assim, acredito ser fundamental, no estudo de qualquer conteúdo da Geografia, conduzir à contextualização, ao estabelecimento de relações em todas as escalas, enfim, à concepção do espaço enquanto totalidade, considerando que qualquer fato ou fenômeno geográfico ocorre num determinado lugar, e que as diversas influências que outros espaços sofrem têm relação com a dinâmica de cada escala geográfica.

O Ensino Médio é a etapa da formação escolar onde se espera que o aluno desenvolva habilidades que não tenha atingido na sua plenitude no Ensino Fundamental, como, saber conhecer, saber fazer, saber conviver, saber ser, num mundo altamente complexo, dominado pela revolução técnico-científica, pela velocidade da informação e pela intensificação dos problemas em todas as dimensões e escalas. Assim, busquei analisar como está sendo conduzido o ensino do conteúdo de globalização em Geografia no Ensino Médio no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães no município de Guanambi-Bahia e no Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães, pois trata-se de um processo que exerce grande influência na vida dos jovens, o que é facilmente percebido no comportamento destes. Por isto, os mesmos precisam compreender os diversos aspectos que caracterizam esta realidade. Estabelecendo relações, contextualizando os fatos, é que poderão se posicionar de forma coerente na sociedade.

Ao longo da minha experiência como professora de Geografia, tenho observado que os professores deste componente curricular, ao planejar e realizar atividades na sala de aula, ainda limitam-se bastante ao livro didático e deixam de orientar o aluno para a reflexão acerca do seu espaço de vivência, o que possibilitaria associar elementos do lugar ao processo de globalização.

Verifico que os jovens, ao mesmo tempo em que revela grande potencial para transformar a realidade, devido à capacidade de mudança que demonstram, contribuem para a permanência do modelo de sociedade vigente, com a reprodução do capital através do consumismo, influenciados pela mídia, também pela passividade de deixar que o outro faça diferente, pela família que muitas vezes o reprime por agir de forma diferente e pelas pessoas que o cercam.

Neste sentido, corroboro com Cavalcanti ao afirmar que:

A participação de crianças e jovens na vida adulta, seja no trabalho, no bairro em que moram, no lazer, nos espaços de prática política explícita, certamente será de melhor qualidade se estes conseguirem pensar sobre seu espaço de forma mais abrangente e crítica (CAVALCANTI, 1998, p. 24).

Assim, ressalto que a Geografia Escolar tem papel importante na formação do sujeito para o exercício da cidadania, com seu poder de libertar e minimizar a alienação.

Esta pesquisa ocorreu em duas escolas de Ensino Médio da rede pública do Estado da Bahia no município de Guanambi. No Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, que atende estudantes da sede e da zona rural do município de Guanambi-Bahia e de municípios vizinhos e no Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães, no distrito de Mutans – Guanambi-Bahia, cujos alunos moram no referido distrito.

A opção por estas escolas deveu-se à modalidade de ensino (apenas Ensino Médio) e à localização, ou seja, uma na sede de Guanambi e outra no espaço rural. Desta forma, a análise estender-se-ia a jovens da zona urbana e da zona rural, incluindo municípios vizinhos a Guanambi-Bahia.

Meu interesse em analisar o ensino e aprendizagem do conteúdo globalização no Ensino Médio, parte da observação dos anseios dos jovens, seus comportamentos, suas ideias acerca do mundo moderno, suas perspectivas em relação à escola e, ainda, a articulação entre o que vivenciam, seja a nível local, regional ou global, e o que são conduzidos a apreender na escola.

Assim, surgem inquietações como: Qual é o papel desempenhado pela Geografia? O que pensam os jovens que estudam no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães-Guanambi-Bahia e no Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães de Mutans - Guanambi-Bahia sobre globalização? Que conceitos são atribuídos ao processo de globalização? Que influência o processo de globalização exerce na vida destes jovens? Que procedimentos teórico-metodológicos os professores de Geografia do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães-Guanambi-Bahia e do Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães – Mutans - Guanambi-Bahia utilizam no ensino de globalização?

Considero, também, que são os jovens os que mais sofrem influência dos aspectos da globalização, principalmente na dimensão cultural.

Em relação à abordagem do conteúdo globalização na sala de aula, faz-se necessário promover a reflexão sobre o momento que estamos vivenciando e o mundo que realmente precisamos ter, principalmente porque os jovens encontram-se em formação, sendo importante, neste processo, que se adquira condições para intervir e transformar a realidade.

Estas questões que nortearam a pesquisa que ora se apresenta, surgiram a partir da temática “o ensino de globalização no ensino médio por meio da Geografia Escolar”, cuja análise foi possibilitada pela colaboração de quatro professores de Geografia e de sessenta e dois alunos do 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães de Guanambi-Bahia e do Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães – Mutans – Guanambi-Bahia.

Dentre os professores colaboradores, dois lecionam Geografia no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, com formação em Licenciatura em Geografia e pós-graduação no nível de especialização e são efetivos, com carga horária de 40 (quarenta) horas semanais. No Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães – distrito de Mutans – Guanambi-Bahia, também há dois professores de Geografia, sendo uma efetiva com formação em Licenciatura em Geografia e pós-graduação no nível de especialização, com carga horária de 40 (quarenta horas semanais) e outra contratada pelo regime de Prestação de Serviço Temporário – PST[1] – com formação em Pedagogia e carga horária de 20 (vinte) horas semanais.

Para esta pesquisa, buscando contemplar o objeto e o problema definidos, realizei entrevista semi-estruturada com quatro professores e aplicação de questionários semi-estruturados aplicados a 62 alunos das referidas escolas, quais sejam, o Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães – Guanambi-Bahia e o Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães – Mutans – Guanambi-Bahia.

Inicialmente, analisei o plano de curso dos professores de Geografia, com a colaboração do coordenador pedagógico, no caso do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães-Guanambi-Bahia, e de uma professora efetiva, no caso do Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães-distrito de Mutans-Guanambi-Bahia. Pude constatar que a cada unidade didática[2] determinada pelo Calendário Escolar os conteúdos são definidos de acordo a sequência dos capítulos do livro didático, alternando-se alguns temas que, segundo os professores de Geografia das duas escolas, não há tempo suficiente para estudar todos os temas que o livro didático reproduz. A quantidade de capítulos para cada unidade depende da extensão desta e da abordagem de cada tema que o livro apresenta.

Em relação ao ensino de globalização, os professores de Geografia destas escolas utilizam charges, músicas e outras estratégias que fazem parte das orientações do livro adotado, não havendo trabalho de campo, cuja carência é justificada pela falta de recurso financeiro.

Com o objetivo de saber o que pensam os jovens sobre globalização, busquei informações por meio de questionários aplicados aos mesmos, nas duas escolas, com 62 (sessenta e dois) estudantes do 1º, 2º e 3º anos, os quais apresentam idade de catorze a vinte e dois anos.

Foi possível comparar o que pensam os jovens estudantes do Ensino Médio sobre o conteúdo de globalização nas aulas de Geografia ministradas pelos professores das duas escolas mencionadas. Os relatos dos estudantes confirmam a relação local-regional-nacional-global nos acontecimentos da sociedade que os alunos vivenciam. Entre estes não há diferença em relação ao acesso a alguns produtos e serviços, mas como se comportam no lazer, na valorização da cultura musical e no que desejam adquirir. Tais diferenças ocorrem de acordo o lugar onde moram. Os alunos da cidade se comportam diferente dos alunos da zona rural. A aproximação com a família e consequentemente a preservação dos valores desta, é mais evidente na zona rural.

Visando acrescentar aos professores, principalmente de Geografia, sugestões de metodologia no ensino do conteúdo curricular de globalização, apresento, ao final deste trabalho, sugestões de estratégias de ensino com a utilização de diferentes linguagens na mediação pedagógica como artefatos didático-pedagógicos para ensinar e aprender conceitos e temas geográficos.

3. JUSTIFICATIVA

No ano de 1993 ingressei no curso de Licenciatura em Geografia da Universidade do Estado da Bahia – UNEB – Campus VI[3] – Caetité-Bahia. Antes mesmo de concluir este curso, comecei a ministrar aulas de Geografia no Ensino Fundamental II na escola denominada “Escola de 1º grau Professora Nunila Ivo Frota” Ensino Fundamental II no distrito de Maniaçu - município de Caetité-Bahia.

Esta escola era a primeira de 5ª a 8ª série a ser inaugurada pelo município de Caetité-Bahia, em toda a rede municipal de ensino. Foi um momento em que alunos que haviam concluído o Ensino Fundamental I, há muito tempo, encontraram a oportunidade de retomar os estudos. Todos estes estudantes pertenciam à região do distrito de Maniaçu – Caetité-Bahia.

Aquele ambiente me proporcionava muita satisfação, pois tudo era novo e eu começava um trabalho que contribuía para a formação de filhos de conhecidos da minha família, já que passei minha infância numa localidade rural próxima a esta região. Para mim, tudo aquilo caracterizava uma coincidência muito boa, prazerosa, principalmente porque ser professor ou professora, para aquele povo, era sinônimo de inteligência e a docência representava uma atividade nobre. Em toda a região de Maniaçu, muitos pais comentavam: “a filha de Zica é professora do meu (minha) filho(a)”, numa valorização que eu pouco percebo nos dias de hoje. A alegria destes pais, muitas vezes, revelava também a compensação por ter perdido o amigo (meu pai havia falecido há dois anos quando comecei a lecionar).

De qualquer forma, senti, logo no início da minha carreira, que ser professor, independente do lugar, é uma responsabilidade social muito grande.

Cinco anos depois, após a conclusão do curso, passei a lecionar Geografia no Ensino Médio no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães em Guanambi-Bahia, após concurso em 1999. E desde a minha experiência como professora no Ensino Fundamental II, ainda no começo da trajetória, várias inquietações têm me acompanhado. Ministrando aulas de Geografia, sempre observei que os alunos traziam consigo, consequências da formação escolar que não condizem com um processo de ensino e aprendizado que objetiva a formação do cidadão. Dentre estas consequências, destaco: só acompanhar a aula mediante um livro ou um texto contendo o assunto, considerar como avaliações importantes apenas os instrumentos denominados prova e teste, não se interessar por noticiários, debates, não se envolver em trabalhos em grupo na sua totalidade.

Esse comportamento do aluno foi construído mediante a postura do professor, não só de Geografia, mas da escola em si. Como gestora escolar há seis anos, tenho percebido que muitos problemas do ensino tradicional que já deveriam ter sido superados, ainda perduram nas escolas, por diversos fatores.

No contexto das aulas de Geografia na Educação Básica, observo, nas práticas dos professores, um ensino que privilegia o livro didático em detrimento às experiências vivenciadas pelo aluno.

Considerando o papel importante da Geografia na formação do cidadão, acredito ser necessário rever as estratégias de ensino do professor deste componente curricular no intuito de garantir a construção do conhecimento, não produzindo alunos passivos, mas que se percebam como sujeitos da história.

O estudo de qualquer tema e conceitos em Geografia precisa considerar a espacialização e a contextualização dos fatos e fenômenos estudados. Os Parâmetros Curriculares para o Ensino Médio, abordando a importância dos conhecimentos de Geografia, reforçam que:

No Ensino Médio, o aluno deve construir competências que permitam a análise do real, revelando as causas e efeitos, a intensidade, a heterogeneidade e o contexto espacial dos fenômenos que configuram cada sociedade. (BRASIL, 1999, p. 61)

O estudo do conteúdo globalização, na sala de aula, é imprescindível para a apreensão da realidade, pois esta prática coaduna com o que os Parâmetros Curriculares propõem, uma vez que este processo que a humanidade vivencia, atinge a todos, direta ou indiretamente, em todas as escalas geográficas.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio ressaltam também sobre a ciência geográfica:

Diante da revolução na informação e na comunicação, nas relações de trabalho e nas novas tecnologias que se estabeleceram nas últimas décadas, podemos afirmar: o aluno do século XXI terá na ciência geográfica importante fonte para sua formação como cidadão que trabalha com novas ideias e interpretações em escalas onde o local e o global definem-se numa verdadeira rede que comunica pessoas, funções, palavras, ideias. Assim compreendida, a Geografia pode transformar possibilidades em potencialidades (re) construindo o cidadão brasileiro. (BRASIL, 1999,p.62)

Assim, a ciência geográfica deve ir além de um componente curricular e contribuir para o desenvolvimento do aluno como sujeito ativo da história.

Esta pesquisa foi desenvolvida mediante os seguintes objetivos:

- Investigar o ensino de Globalização no Ensino Médio, pela Geografia;

- Reforçar a importância da Geografia como ciência e como disciplina escolar no contexto do mundo contemporâneo;

- Analisar as diferentes abordagens sobre o conceito de globalização;

- Identificar os procedimentos didáticos dos professores de Geografia, especialmente no ensino de globalização, nas escolas que constituem o universo desta pesquisa;

- Apresentar estratégias de ensino e aprendizagem para o estudo de globalização no Ensino Médio.

Este trabalho foi realizado sob a abordagem quantitativa de pesquisa em educação, assumindo a forma de Estudo de Caso. Encontra-se estruturado em quatro capítulos, desenvolvidos no período de 2012 a 2014.

Na busca de informações, optei por entrevistas com os professores, considerando que estes somavam apenas quatro (dois em cada escola) e cada entrevista ocorreria em momentos diferentes, pois os horários disponíveis de cada um não coincidiam. Apenas no Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães-Distrito de Mutans-Guanambi-Bahia, foi possível a presença das duas professoras ao mesmo tempo, mas com envolvimento somente da professora efetiva.

Aos estudantes, apliquei questionários semi-estruturados, devido a elevada quantidade de indivíduos para entrevista, o que demandaria vários momentos para obter as informações.

Vale ressaltar que este olhar para o ensino de Geografia e em especial para o ensino de globalização apresentado nesse trabalho, contribuirá para o meu crescimento profissional como professora de Geografia e dos demais professores, principalmente para os colaboradores da pesquisa, pois todas as reflexões partiram das nossas vivências.

4. METODOLOGIA

A pesquisa em pauta exigiu reflexões diversas, bem como percepções que muitas vezes são subjetivas, pois envolvem observações acerca da postura que caracteriza a tradução do pensamento do ser humano.

Esta pesquisa desenvolveu-se sob o método da abordagem quantitativa de pesquisa em educação, assumindo a forma de Estudo de Caso. Segundo Ventura (2007), estudo de caso

                        ...é apropriado para pesquisadores

Num primeiro momento optei por uma análise do papel da Geografia, considerando sua evolução como ciência e como disciplina escolar. Para isto foi necessário resgatar o conceito de cidadania, considerando que a tarefa de formar cidadão é complexa e requer uma reflexão mais aprofundada sobre o que é ser cidadão no mundo de hoje.

Na busca pela compreensão do termo cidadania, utilizei a contribuição de Karnal (2003) e Ferreira (2004) sobre a história da cidadania, sua origem, para compreendermos seu real significado na atualidade. Foi importante, também, considerar a abordagem de Damiani (2001) sobre a noção de cidadania, bem como a análise de Santos (1998), que chama a atenção para a condição de cidadão num mundo capitalista. O Ministério da Educação, por meio das Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (BRASIL, 2008), também reforça a necessidade de a Geografia no Ensino Médio orientar a formação do cidadão.

Sendo o foco da pesquisa o ensino de globalização no Ensino Médio, procurei discutir, também, o conceito de globalização, que muitas vezes não é compreendido na sua origem. Utilizei Ianni (2001), que associa o fenômeno da globalização ao desenvolvimento do capitalismo, bem como Santos (1998), que atribui a globalização ao processo de internacionalização do mundo capitalista, cujo espaço se caracteriza como um meio técnico-científico-informacional. Este trabalho coaduna com os estudos de Castanho (2001), por considerar que o processo da globalização é um processo intrínseco à internacionalização do capital.

Considerei de grande relevância também observar o Artigo 36 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que se refere ao Ensino Médio como a etapa final da educação básica e as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica – DCNEB (2013), que esclarece:

Quando o estudante chega ao Ensino Médio, os seus hábitos e as suas atitudes crítico-reflexivas e éticas já se acham em fase de conformação. Mesmo assim, a preparação básica para o trabalho e a cidadania, e a prontidão para o exercício da autonomia intelectual são uma conquista paulatina e requerem a atenção de todas as etapas do processo de formação do indivíduo. (BRASIL, 2013, p.39)

Em seguida, a pesquisa foi direcionada à investigação dos procedimentos teórico-metodológicos dos professores de Geografia das escolas parceiras. Para isto, fiz o levantamento das características estruturais das escolas por meio do Projeto Político Pedagógico junto à equipe gestora, observando a localização, quantidade de turmas e de alunos, perfil do corpo docente, especialmente de Geografia, perfil dos alunos, identidade da escola, história de funcionamento da escola.

Para a análise do ensino de Geografia nestas escolas, procedeu-se à entrevista informal com os professores deste componente curricular investigando critérios utilizados pelos mesmos na seleção dos conteúdos, na escolha do livro didático, metodologias utilizadas em sala de aula para o ensino de globalização, a articulação com os demais professores de geografia e com a coordenação pedagógica da escola.

Após estes procedimentos, conduzi à conversação e aplicação de questionários semi-estruturados com alunos do 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio, objetivando analisar como estes compreendem a temática da globalização e de que maneira este processo exerce influência sobre o comportamento dos jovens. Ao final da pesquisa, reforça-se a importância de estratégias já utilizadas pelos professores de Geografia e acrescenta-se a viabilidade de orientar os alunos para produções de documentários.

Visando analisar como os alunos do Ensino Médio Regular absorvem as aulas de Geografia, o que pensam sobre esta matéria e como estudam o conteúdo de globalização, optei pela conversação com alunos do 2º e da 3º anos do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães – Guanambi-Bahia e do Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães – Distrito de Mutans – Guanambi-Bahia. O 1º ano não foi foco desta análise porque, segundo os professores destas escolas, a temática da globalização não é abordada nesta seriação.

Após a conversação com alunos do 2º e 3º anos, foram aplicados questionários semi-estruturados aos mesmos, com o objetivo de atingir maior quantidade de alunos, já que na conversação alguns alunos monopolizavam a fala, faltando tempo para outros se pronunciarem.  A conversação no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, assim como no Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães, foi registrada por escrito, por mim, enquanto eu ouvia os alunos, e ocorreu em 5 (cinco) grupos de 6 (seis) e 4 (quatro) grupos de 8 (oito) alunos, totalizando 62 (sessenta e dois) alunos participantes. Foram momentos de aulas vagas, em diversos espaços, como no pátio, no refeitório, onde todos pudessem ficar à vontade para se expressar.

No Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães-Mutans- a conversa foi promovida na sala de aula em horário cedido pelo professor.

Segundo Lodi (1974,p.27), “uma das funções da conversa é a análise da auto-expressão”. O autor, comparando este procedimento de pesquisa com a estratégia da entrevista, ressalta ainda: “Outra função da conversa é terapêutica, isto é, libera tensões. (...) A conversação tem ainda o fator ritual, uma troca de palavras e saudações fixas sem um sentido objetivo” (LODI, 1974, p. 27).

Em relação ao questionário, o mesmo autor chama atenção e destaca que este instrumento de pesquisa,

(...) apresenta algumas vantagens inestimáveis: 1. A vantagem mais evidente do questionário é sua economia. Ele pode ser respondido ao mesmo tempo por milhares de pessoas residindo em lugares diferentes sem a presença do entrevistador. 2. Em certas condições, o questionário fornece um anonimato que a entrevista não permite (LODI, 1974, p.28).

Quando os alunos do Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães foram questionados, no devir da conversação sobre o que entendem de globalização, numa turma de 35 estudantes, apenas duas alunas se pronunciaram, apesar de ter sido dada oportunidade a todos. Uma aluna se destacou na fala, a qual, segundo a professora, veio de Minas Gerais, justificando o maior “preparo” intelectual da mesma. Esta aluna, bem como os alunos do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, associam o processo da globalização aos meios de comunicação, principalmente à internet e à televisão. Uma aluna do 2º ano do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães relatou: “A globalização de certa forma ajudou o mundo a se desenvolver, mas também prejudicou”. O colega complementou: “Alienou as pessoas através da TV, porque a pessoa vicia, copia, não sai mais de casa por causa da novela”. Outro aluno relatou que “a globalização fez com que todos os países tivessem uma única economia.

Ao analisar o diálogo entre os estudantes, pode-se afirmar que os alunos compreendem alguns aspectos que caracterizam o processo de globalização, mas é preciso chamar a atenção para os diversos problemas, como o da desigualdade social entre os países, problemas ambientais, o tráfico (drogas, mulheres e crianças) em todas as escalas, facilitado pelos meios de comunicação, expansão urbana e conflitos no campo, os quais não foram mencionados.

Os questionários aplicados contemplam aspectos sobre o ensino de Geografia em geral e sobre o estudo da temática “globalização”. Foram aplicados 56 questionários ao 2º ano nas duas escolas, sendo 4 em cada turma e 60 questionários ao 3º ano. Este questionário é composto de 05 (cinco) questões, destacadas a seguir:

Questão 01) Qual a contribuição da Geografia na sua vida?;

Questão 02) Sobre as aulas de Geografia no Ensino Médio:

( )gosta ( )  não gosta   Por quê?;

Questão 03) O que você entende por globalização?;

Questão 04) Estudou sobre globalização por meio da disciplina Geografia? Como?;

Questão 05) Como a globalização aparece na sua vida? Ou você não percebe?

Em resposta à questão 01, 84% dos alunos atribuem à Geografia a possibilidade de compreender melhor o mundo, sendo este o motivo também de gostarem da disciplina, em resposta à questão 02. Entre os que não gostam, a justificativa principal é atribuída a aulas cansativas, ou seja, ao modo como o professor realiza as aulas, também ligadas às estratégias metodológicas.

Verifiquei também que, embora nas respostas dos alunos surja alguma definição de globalização, os mesmos respondem que não percebem como este processo se materializa na sua vida.

Considerando que os jovens hoje encontram-se cercados de produtos importados de outras áreas do planeta, absorvendo culturas externas, seja no modo de se vestir, de se alimentar, de cantar e dançar, é importante, também, orientá-los a preservar sua cultura, suas tradições, seus valores, enfim, sua identidade.

Para isto, não basta falar em globalização como um fenômeno da atualidade (apenas a discussão é recente), mas compreender o processo que resultou nesta aceleração contemporânea e a sua materialização no cotidiano dos estudantes.

5. A GEOGRAFIA ESCOLAR E O ENSINO DE GLOBALIZAÇÃO

5.1. O PAPEL DA GEOGRAFIA NA FORMAÇÃO DO CIDADÃO

Considerando o importante papel da ciência geográfica na formação do indivíduo, faz-se necessário refletir sobre o exercício da cidadania, o que significa ser cidadão no mundo contemporâneo, enfim, como a Geografia e o professor deste componente curricular podem contribuir para a formação dos jovens.

Quando se discute sobre o ensino de Geografia, sempre há preocupação por parte dos profissionais da escola, dos geógrafos-educadores e dos profissionais que elaboram os documentos oficiais que direcionam o currículo, com a preparação do indivíduo para o exercício da cidadania.

Para tanto, compreender a importância da Geografia como ciência ou como disciplina escolar implica compreender o que é ser cidadão no mundo de hoje.

Atualmente, surgem diversos debates acerca do conceito de cidadania. No entanto, este termo não é recente. Nasce associado à participação política, desde as polis gregas, cidades-estado da Grécia Antiga (século VIII a. C), que, como um sistema de vida, era também um modo de formar e moldar os cidadãos gregos que delas faziam parte. Entretanto, só era considerado cidadão, apenas, aquele que possuía riquezas materiais e propriedades de terra.

No feudalismo, considerando o poder hierárquico e arbitrário da igreja católica, a cidadania era praticamente inexistente, uma vez que a organização da sociedade, dividida em clero, nobreza e servo, devia ser seguida por todos os cristãos, pois esta estrutura, na Idade Média, representava a vontade de Deus.

Na transição do feudalismo para o capitalismo, entre o século XIV e XVI, a ideia de cidadania reaparece, mas continua como privilégio da elite dominante.

Assim, no passado, a prática da cidadania sempre caracterizou exclusão. Ser cidadão era privilégio de alguns.

Karnal, retomando os estudos sobre a história da cidadania, destaca que

O termo cidadania foi criado em meio a um processo de exclusão. Dizer quem era cidadão, ao contrário de hoje, em que supomos se tratar da maioria, era uma maneira de eliminar a possibilidade de a maioria participar e garantir os privilégios de uma minoria. Inclusão total é uma leitura contemporânea (KARNAL, 2003, p.144).

Portanto, podemos afirmar que a concepção de cidadania foi sendo alterada conforme as mudanças em relação às lutas por direitos ocorreram na sociedade. A história de evolução, no que se refere à compreensão, da cidadania, revela que esta sempre se associou à conquista de direitos. Na atualidade, o exercício pleno da cidadania compreende direitos e deveres.

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, promulgada na França em 1789, expandiu para outras nações, contribuindo para os avanços no conceito de cidadão. Mas foi com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, após a criação da ONU, no fim da 2ª Guerra Mundial, que se universalizou o conceito de direitos humanos.

No Brasil, muitos direitos se fizeram valer a partir dos movimentos sociais. Ferreira (2003,p. 8), sobre a evolução histórica da cidadania, esclarece que:

No Brasil, a afirmação de tais direitos ocorreu tardiamente (a partir do século XIX) e de modo diverso, ou seja, estabeleceram-se direitos políticos, alguns direitos sociais (principalmente na era Vargas) e os direitos civis, com dificuldades naturais, por motivo da mutação da forma de governo e das políticas desenvolvidas. Esta situação demonstra uma evolução na questão da cidadania do povo brasileiro, marcada por fatos históricos e pela exclusão de parcela da comunidade (mulheres, escravos, negros, crianças e adolescentes, portadores de deficiência) de seus direitos fundamentais.

De acordo a Cartilha Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal (2011, v.II-p.10), “Ser cidadão é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei: ter direitos civis. É também participar no destino da sociedade, votar, ser votado, ter direitos políticos”.

Segundo o Dicionário Aurélio Ferreira (1988), cidadão é o “indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado, ou no desempenho de seus deveres para com este”.

As discussões sobre cidadania envolvem, então, diversas áreas do conhecimento. Em relação à Geografia, é importante considerar algumas abordagens. Damiani (2001, p. 50), chama a atenção para a cidadania como um caminho para superar a alienação, afirmando que:

A noção de cidadania envolve o sentido que se tem do lugar e do espaço, já que se trata da materialização das relações de todas as ordens, próximas ou distantes. Conhecer o espaço é conhecer a rede de relações a que se está sujeito, da qual se é sujeito. Alienação do espaço e cidadania configuram um antagonismo a considerar.

Considerando o avanço das técnicas em todos os setores da sociedade, nos deparamos com problemas que não mais se justificam, como a dificuldade de acesso, para muitas pessoas, a serviços básicos e consequentemente, a acentuação das disparidades sociais. Assim, ao refletir sobre a cidadania plena, é necessário pensar, também, sobre que cidadão queremos formar.

Neste sentido, vale ressaltar que Santos analisa os desafios da cidadania diante da organização e produção do espaço brasileiro nos moldes capitalistas, ao afirmar que “em lugar do cidadão formou-se um consumidor, que aceita ser chamado de usuário”(SANTOS, 1998, p.13).

Segundo Cavalcanti,

Formar cidadão (...) na diversidade de estilos e desigualdade de condições de vida humana presentes na contemporaneidade, sobretudo em determinados países, como o Brasil, é algo extremamente complexo e exige do professor atenção ao mundo do aluno em seu cotidiano de sala de aula (CAVALCANTI, 2010, p.12).

Assim, é papel da escola e do professor de Geografia, estabelecer práticas que visem situar o indivíduo historicamente, propiciando a apropriação dos conhecimentos básicos para sua formação como cidadão.

É necessário proporcionar ao jovem a reflexão sobre sua condição de cidadão, conduzindo-o a se perceber como sujeito da história.

As Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio, sobre os objetivos da Geografia, orientam que:

A importância da Geografia no Ensino Médio está relacionada com as múltiplas possibilidades de ampliação dos conceitos da ciência geográfica, além de orientar a formação de um cidadão no sentido de aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser, reconhecendo as contradições e os conflitos existentes no mundo (BRASIL, 2008, p.44).

A Geografia proporciona a leitura crítica do mundo. Para tanto, o professor deste campo do conhecimento deve torná-lo um instrumento de espacialização dos fatos e fenômenos, de modo a revelar as repercussões espaciais. Corroborando com Milton Santos, o espaço geográfico deve ser entendido como o conjunto indissociável de sistemas de objetos e de ações. A compreensão do espaço ocorre a partir da articulação das escalas geográficas. Este pensamento deve acompanhar todo planejamento do professor de Geografia. De acordo com Pontuschka,

Compreendendo a espacialidade das práticas sociais, podemos ajudar nossos alunos (e a nós próprios) a entender melhor o local, o nacional e o global e, melhor ainda, compreender as relações entre essas escalas (PONTUSCHKA, 2006, p. 225).

O ensino de Geografia deve ter como foco a percepção do indivíduo como sujeito histórico na organização do espaço geográfico. Nesta perspectiva, é possível orientar o educando saber pensar o espaço, desenvolvendo o pensamento crítico e atuando de forma consciente. Segundo Alflen e Borsato, (2009, p. 38),

Trabalhar com o espaço de vivência do educando pode contribuir para o ensino-aprendizagem de geografia de forma mais eficiente, ampliando o desenvolvimento da consciência espacial e do raciocínio geográfico, formando cidadãos críticos e atuantes na transformação da sociedade.

A escola pública apresenta problemas que poderiam ter sido superados ao longo do tempo. Mantém, ainda, um currículo organizado que privilegia o conhecimento fragmentado, onde o professor de Geografia (e de outras matérias) continua conduzindo as aulas com base na memorização de conceitos, abordados no livro didático, e em outros procedimentos que não garantem a contextualização dos conteúdos, mascarando assim o processo de ensino e aprendizagem. O planejamento das atividades na escola, elemento fundamental neste processo, também fica suprimido, pois não acontece coletivamente, afastando a ideia da multidisciplinaridade quiçá a interdisciplinaridade, que não representam algo inatingível como muitos absorvem, mas uma necessidade, considerando a complexidade da sociedade moderna. Segundo Costella (2007, p. 54),

As escolas, apesar de mudarem fachadas ou ampliarem áreas de circulação, ainda apresentam um saber compartimentado, com períodos cartesianamente divididos, com quadros-verdes cheios de informações que se tornam estranhas quando a outra aula começa. Os profissionais desconhecem a história das ciências, que apresentam, em seu potencial epistêmico, uma interdisciplinaridade natural. Assim, destoam as realidades e os alunos não conseguem compreender essa diferença.

A Geografia, desde a sua institucionalização como ciência e como disciplina escolar, torna-se um conhecimento essencial ao ensino básico. O papel do geógrafo, segundo Lacoste (1997, p.217), é promover “raciocínios geográficos”. Porém, a cidadania plena, ainda, está distante de muitas sociedades, pois a função social do ensino da Geografia, ao longo de sua trajetória disciplinar, não tem sido exaltada no processo didático-pedagógico.

Sendo o espaço produzido socialmente o objeto de estudo da Geografia, este componente curricular na escola de educação básica tem grande importância na formação do indivíduo, pois ele é múltiplo, abarca todas as dimensões da sociedade e em todas as escalas, do local ao global. Compreendê-lo, consiste em vivenciar suas dinâmicas de produção e organização a partir do lugar. Assim, Oliveira (2006, p.16), chama a atenção para a importância de se considerar o espaço vivido do aluno nas trajetórias escolares, pois,

É interessante reconhecer que o estudo da geografia deve ser consequente para os alunos, suas experiências concretas deverão ter interligamento e coerência dentro do que é ensinado, pois o vivido pelo aluno é expresso no espaço cotidiano, e a interligação deste com as demais instâncias é fundamental para a aprendizagem.

Sabemos que este é o papel não só da geografia. A educação é o principal instrumento de transformação da sociedade.  A função social da escola é viabilizar o acesso da população ao conhecimento socialmente produzido e historicamente acumulado, independentemente da sua condição social. Corroborando com Callai (2001, p. 134), é necessário considerar o ser humano “como indivíduo social capaz de construir a sua história, a sua sociedade, o seu espaço”.

Na história da educação brasileira, as lutas sociais têm ocorrido pela quebra do monopólio do conhecimento, o que é fundamental para o exercício da cidadania em toda a sua plenitude. Segundo Gentili (1994, p.137): “o monopólio do conhecimento, no capitalismo histórico, supôs e supõe a crescente e progressiva distribuição, produção e reprodução da ignorância para as maiorias excluídas”.

A política educacional brasileira objetivou, durante muito tempo, o treinamento de mão-de-obra (hoje ainda presente).  Mesmo com a reforma nos anos 70 (Lei Federal n.5692, de 11/8/71), a escola continuou exercendo o papel reprodutor do sistema de organização da sociedade, quando deveria priorizar o caráter transformador. A Lei 9.394/96 determina que “A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhes meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores” (LEI FEDERAL Nº 9394/96, ART.22).

 A educação é condição necessária para a concretização da cidadania. Mas a democratização da qualidade da educação para se tornar realidade, precisa que este segmento não seja excludente e que torne as pessoas atuantes na sociedade com consciência e senso crítico, não apenas para atuar no mercado de trabalho. Portanto, uma transformação no âmbito educacional é urgente em todos os níveis de ensino, uma vez que:

A educação, dever do Estado, numa sociedade globalizada, deve ensinar o cidadão a viver em uma aldeia planetária; a se transformar em cidadão do mundo; a aceitar a mundialização da cultura, sem, entretanto, perder e renunciar às suas raízes culturais. Portanto, na pós-modernidade, a educação deve ser um ato de ousadia e um eterno desafio. Devemos assumir com humildade os erros históricos e ter a predisposição de superá-los para que possamos contribuir na construção de um mundo melhor (LAMPERT, 2006, p. 22).

Em relação à Geografia, é preciso que este componente curricular seja visto como um saber que faz diferença, pois com ela podemos entender melhor o mundo em que vivemos, como afirmam os Parâmetros Curriculares Nacionais:

Ao buscar compreender as relações econômicas, políticas, sociais e suas práticas nas escalas local, regional, nacional e global, a Geografia se concentra e contribui, na realidade, para pensar o espaço enquanto uma totalidade na qual se passam todas as relações cotidianas e se estabelecem as redes sociais nas referidas escalas (BRASIL, 1999, p. 59-60).

Portanto, a prática da cidadania ocorrerá a partir da consciência espacial. Para isto, é fundamental estabelecer relações entre os conteúdos trabalhados na escola e o espaço vivido, percebido e concebido do aluno, construindo, também, os conceitos de território, região, lugar e paisagem. Lopes (2010, p. 176), relata:

(...) para entender o mundo globalizado faz-se necessário a construção de uma “pedagogia da realidade” a partir da vida cotidiana, da dimensão do lugar globalizado, mas para tanto o professor precisa fazer uma releitura de como se ensina, dos conteúdos, e dos seus instrumentos pedagógicos para colaborar na formação de alunos que compreendam o mundo real a partir de sua condição de existência.

Assim, é preciso que o professor acredite que ele possa fazer a diferença, por meio do seu compromisso e conscientização do seu papel como educador. Para tal faz-se necessário a formação continuada, essencial num mundo de contínuas inovações.

A sociedade atual vivencia o fenômeno da aceleração contemporânea, como afirma Santos (1993). Assim, em meio à tecnologia cada vez mais sofisticada, as crianças e jovens, principalmente, absorvem as informações também numa velocidade significativa. Mas, neste mundo moderno, a educação escolar, que é anterior à escola, é sistematizada e sua institucionalização ocorre no âmbito escolar. A escola, então, torna-se um espaço privilegiado de construção do conhecimento, apesar da distância, ainda, em relação ao que a sociedade almeja.

Neste contexto, reconhece-se a escolarização como um processo fundamental para a transformação da realidade. E podemos afirmar que a essência deste espaço de interações está na figura do professor. Feldmann (2009, p. 76), chama a atenção para o trabalho do professor, na medida em que ele:

se mostra um espaço privilegiado para a compreensão das transformações atuais do mundo do trabalho, por se constituir em uma profissão de interações humanas que objetiva mudar ou melhorar a situação humana das pessoas, qual seja, um trabalho interativo e reflexivo com as pessoas, sobre as pessoas e para as pessoas.

Portanto, a escola e o professor são indispensáveis na formação do cidadão, na apropriação crítica do conhecimento, garantindo ações emancipadoras do mundo e das pessoas.

Cavalcanti (2010, p. 3), quando questionada sobre como a disciplina Geografia pode ajudar a entender o mundo globalizado, ela afirma que:

Não há enfoques específicos para a abordagem de temas geográficos. Indicações recorrentes nas pesquisas sobre o ensino de Geografia, no entanto, apontam para a necessidade de ter o lugar em que se vive como uma referência constante na aprendizagem. Há vários temas geográficos que são mundiais, têm interligações e ressonância globais, mas apresentam ocorrências específicas em certos lugares. Ao trabalhar determinado tema - um conflito territorial que ocorre em outro continente, por exemplo -, recomenda-se buscar a ligação desse fenômeno com a experiência cotidiana dos alunos, destacando elementos correlatos em outros conflitos, que sejam mais próximos da sua vivência. Nessa abordagem, há uma articulação dialética entre escalas locais e globais na construção de raciocínios espaciais complexos.

No entanto, esta articulação entre os fenômenos estudados e o cotidiano dos alunos nem sempre ocorre no ensino de Geografia, fato que contribui para o desinteresse dos alunos pelas aulas deste componente curricular.

5.2. O ENSINO DA GEOGRAFIA NO SÉCULO XXI

(...) Deixa estar que o que for pra ser vigora (...) vamos dividir os sonhos que podem transformar o rumo da história.

Encontro – Maria Gadú

As sociedades, ao longo do tempo, têm vivenciado profundas transformações. No século XXI, nos deparamos com um mundo cada vez mais dinâmico e complexo, onde as tecnologias de informação e de comunicação se renovam rapidamente. O espaço geográfico, sendo a essência das relações sociais, sofreu alterações significativas. Surgem novas culturas, novos comportamentos, e a importância da educação escolar deve ser destaque diante deste contexto.

A escola enfrenta o desafio de rever seu currículo, pois há outros espaços de aprendizagem que dispensam a mediação do professor e que influenciam fortemente crianças e jovens. Assim, é imprescindível que as atividades educacionais estejam próximas à sociedade, considerando que o papel da escola e do professor, sobretudo de Geografia, é fundamental na formação do cidadão.

O Movimento de Renovação da Geografia, na década de 1970, contribuiu para grandes reflexões acerca dos aspectos teórico-metodológicos da Geografia Escolar, tendo em vista as fragilidades do ensino baseado na Geografia Tradicional, como a dicotomia entre a Geografia Física e a Geografia Humana, a fragmentação dos fatos, o enciclopedismo, a memorização e outras questões.  Muitas discussões têm ocorrido no campo do ensino de Geografia, com o objetivo de se colocar em prática novas propostas pedagógicas. Mas, ainda hoje, encontramos muitas práticas da Geografia Tradicional no cotidiano da escola. Como aponta Oliveira (2006, p. 13),

[...] o processo didático-pedagógico na geografia escolar, limita-se, meramente, à utilização de um determinado livro didático e este é escolhido pelo possível “conhecimento” do conjunto de conteúdos nele contido; por que dispõe de caderno do professor e sugestões de atividades e, ao uso dos programas e provas do vestibular para listar o conteúdo programático a ser desenvolvido no decorrer do ano letivo.

O professor de Geografia precisa estar em constante reflexão sobre o seu fazer pedagógico, pois sua formação será sempre aperfeiçoada com a práxis, pois é onde se estabelecem os elementos essenciais de um planejamento de aula, como afirma Cavalcanti (2003, p. 25):

o ensino é um processo de conhecimento pelo aluno, mediado pelo professor e pela matéria de ensino, no qual devem estar articulados seus componentes fundamentais: objetivos, conteúdos e métodos de ensino.

Portanto, diversos fatores devem ser considerados no processo de ensino e aprendizagem para que os alunos tenham condições para o desenvolvimento da criatividade e de formação de conceitos.

Do século XX para o XXI, o ensino de Geografia pouco avançou.  Apesar de ter vivenciado um processo de renovação e reestruturação, resultado de muitos debates e questionamentos entre os profissionais da Geografia e da educação em geral, o ensino de Geografia na Educação Básica, continua com caráter informativo e com práticas tradicionais, dificultando, assim, o desenvolvimento da consciência do indivíduo como agente da história, do processo de transformação da realidade.

Com o advento da Geografia Crítica muitos professores encorajaram-se diante de um caminho a trilhar para fugir das práticas tradicionais e atingir os objetivos propostos pela Geografia, voltados para a compreensão espacial.

Vesentini, em seu texto “Geografia Crítica e Ensino”, caracteriza a Geografia Crítica aquela que:

concebe o espaço geográfico como espaço social, construído, pleno de lutas e conflitos sociais [...] Essa geografia radical ou crítica coloca-se como ciência social, mas estuda também a natureza como recurso apropriado pelos homens e como uma dimensão da história, da política. No ensino, ela se preocupa com a criticidade do educando e não com “arrolar fatos” para que ele memorize.(VESENTINI, 2009, p. 14)

Apesar desta contribuição do ensino da Geografia, vivenciamos, ainda hoje, a aplicação de metodologias mnemônicas, onde o livro didático funciona como único dispositivo didático para as atividades da sala de aula. O livro didático é fundamental no processo de ensino-aprendizagem, porém, não deve ser objeto de transcrição das informações. Da mesma forma, é necessário ter cuidado ao selecionar os conteúdos a serem abordados para não privilegiar a realidade social em detrimento dos fenômenos naturais ao compreendermos que é a sociedade humana que interessa ao estudo de Geografia. É fundamental considerar a interligação entre natureza e sociedade.

Considerando que neste período de globalização, os processos, fenômenos ou fatos não são apenas locais, mas têm importância em escala mundial, é relevante observar os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (BRASIL, 1999), o qual afirmam que uma das competências e habilidades a serem desenvolvidas em Geografia, é

Analisar e comparar, interdisciplinarmente, as relações entre preservação e degradação da vida no planeta, tendo em vista o conhecimento da sua dinâmica e a mundialização dos fenômenos culturais, econômicos, tecnológicos e políticos que incidem sobre a natureza, nas diferentes escalas – local, regional, nacional e global (BRASIL, 1999, p.69).

Mas é ainda um desafio a ser superado pela escola e pelo professor de Geografia, romper com práticas tradicionais que esbarram na reprodução de conceitos prontos, na adoção do livro didático como único instrumento, na memorização de conteúdos, no distanciamento entre o que se ensina e o que é vivido pelo aluno. Tudo que se refere à Geografia faz-se presente nos níveis local, regional, global. Portanto, falta a contextualização dos conteúdos para que o aluno compreenda as relações que se estabelecem, entre os fatos e fenômenos e suas espacializações.

Bomfim (2006, p. 123), ao abordar questões sobre a prática de ensino em Geografia, destaca que:

Ela (a prática) implica em consequências desastrosas para os alunos, pois, eles não conseguem compreender de maneira autônoma e criativa as bases da ciência geográfica que poderiam lhes permitir pensar e agir numa prática sócio-espacial, ou seja, refletir, pensar, experimentar e agir como ator sócio-geográfico.

O ensino de Geografia na Educação Básica tem revelado uma condição do educando que nos faz questionar: O que devemos fazer para mudar? Encontramos muitos alunos no Ensino Médio desprovidos de alfabetização cartográfica. Como promover o desenvolvimento do senso crítico-reflexivo no aluno diante desta realidade?

Reflexões sobre o que Vesentini aborda em relação ao papel da escola e da Geografia, podem auxiliar na busca por caminhos que minimizem as dificuldades encontradas no processo de ensino e aprendizagem:

É mais do que óbvio, portanto, que os avanços na revolução técnico-científica e na globalização, somados às radicais mudanças no mercado de trabalho, exigem uma escola voltada não somente para desenvolver a inteligência dos educando, o senso crítico (pelo menos até um certo ponto), a criatividade e a iniciativa individual, mas também voltada para discutir os grandes problemas do mundo (VESENTINI, 2001, p. 22).

Assim, o professor de Geografia tem grande responsabilidade no processo de ensino e aprendizado, considerando que não há mais sentido manter a postura de transmissor de conhecimentos, mas proporcionar ao educando sua construção como agente da história, um sujeito autônomo.

 Oliva (2001, p. 48), ressalta a visão da educação como valor, considerando que esta “atua na formação ampla do indivíduo, na formação de atitudes, como elemento de inserção do indivíduo no universo cultural e de conhecimento humano”.

No momento em que vivemos, em que a globalização suscita o individualismo, em que as pessoas se dobram diante do consumismo, em que disputam entre si o mundo da moda, é relevante refletir sobre o que defende Oliva quando argumenta que:

A educação como valor, por fim, no faz acreditar que somos os sujeitos da história e que não podemos ser objetos de uma globalização, tida como força natural e divina, sob a qual temos que nos curvar, sem nada poder fazer ou dizer (OLIVA, 2001, p. 49).

Portanto, no contexto em que vive a sociedade, é papel da escola e do professor de Geografia visar à formação do sujeito histórico-espacial, crítico-reflexivo, para não permanecermos na prática que só contribui para a perpetuação dos problemas que ocorrem no mundo.

5.3. PROCESSO DE GLOBALIZAÇÃO E ENSINO DE GEOGRAFIA

“O espaço se globaliza, mas não é mundial como um todo senão como metáfora. Todos os lugares são mundiais mas não há um espaço mundial. Quem se globaliza mesmo são as pessoas” (SANTOS, 1993).

O tema globalização se faz presente em todas as esferas no mundo contemporâneo, exercendo grande influência sobre a sociedade humana em todas as escalas geográficas. Apesar disso, muitas pessoas não percebem o quanto vivenciam os vários aspectos proporcionados por este processo, cujo termo é recente, mas trata-se de um fenômeno que tem início com as grandes navegações, pois neste período, já se tem o início da internacionalização do capital e da produção.

Com o avanço dos meios de transporte e de comunicação, intensificam-se as relações comerciais entre países. Difundiu-se, também, os padrões e valores socioculturais predominantes na Europa Ocidental e nos Estados Unidos. Como relata Ianni (2001, p. 102),

Na época da globalização, mundializam-se as  instituições mais típicas e sedimentadas das sociedades capitalistas dominantes. Os princípios envolvidos no mercado e no contrato generalizam-se, tornando-se padrões para os mais diversos povos, as mais diversas formas de organização social da vida e do trabalho, independentemente das culturas e civilizações.

Assim, a globalização revela-se como uma consequência da expansão do capitalismo, ao mesmo tempo em que promove sua impregnação, pois este sistema sempre se sobrepõe às mais diversas formas de organização da vida social, expandindo-se como processo civilizatório.

Vista em perspectiva histórica ampla, a globalização vem de longe e envolve diversas formas de organização e dinamização das forças produtivas e das relações de produção: acumulação originária, mercantilismo, colonialismo, imperialismo e globalismo. São várias, diferentes e inter-relacionadas as formas pelas quais o capitalismo se desenvolve, transforma e generaliza, ao longo da história e da geografia (IANNI, 2001, p. 183).

A integração econômica e cultural, ou mundialização, passou por diferentes momentos, de acordo com a intensidade das relações. No período das grandes navegações (do século XV ao XVIII), tem-se a metrópole (o país colonizador) enviando seus manufaturados à colônia e desta retirando suas matérias-primas para o mercado externo. Com a “independência política formal das colônias (do século XIX ao XX), momento em que as “metrópoles” já haviam se industrializado, novas áreas na Ásia e África passam a ser colonizadas, pois a indústria “necessitava” das matérias-primas para sua produção. As relações vão se intensificando cada vez mais, e, a partir do século XX, principalmente, após o fim da Guerra Fria (1989), o mundo vivencia a aceleração contemporânea.

Portanto, podemos afirmar que o processo de globalização nunca sofreu interrupção, mas momentos de menor e maior dinamismo. Trata-se de um processo que vai ganhando nova configuração e alterando o espaço geográfico em todos os aspectos de acordo o ritmo do capital e da produção. “A globalização é, de certa forma, o ápice do processo de  internacionalização do mundo capitalista”. (SANTOS, 2001, p. 23)

Na atualidade, tem-se relações mais complexas do ponto de vista econômico, político, cultural, social e tecnológico, onde o conhecimento e a tecnologia assumem papel importante. Santos discorre sobre o meio técnico-científico-informacional, o qual, ainda segundo esse autor, trata-se

O meio técnico-científico-informacional é a nova cara do espaço e do tempo. É aí que se instalam as atividades hegemônicas, aquelas que têm relações mais longínquas e participam do comércio internacional, fazendo com que determinados lugares se tornem mundiais (SANTOS, 1998, p. 45).

A tecnologia cada vez mais sofisticada tem sido algo altamente positivo para a sociedade humana, considerando os avanços na saúde, educação e da informação. Porém, não tem sido utilizada para uma sociedade mais humana. O meio técnico-científico-informacional, juntamente com os benefícios, trouxeram graves problemas, como a acentuação da desigualdade entre países e entre as pessoas, agravamento dos problemas ambientais e outros.  “As tentativas de construção de um mundo sempre conduziram a conflitos porque se tem buscado unificar e não unir”. (SANTOS, 1993, p. 21)

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Castanho (2001, p. 21), retrata “maré de globalização contemporânea”, considerando o fenômeno descrito globalização como “um capítulo do movimento geral de internacionalização, ínsito ao capitalismo”. O autor destaca como uma das várias características deste fenômeno,

o deslocamento do centro dinâmico do sistema da indústria para os serviços, especialmente os que têm relação com as tecnologias derivadas da microeletrônica e muito particularmente a informática (...) e a hegemonia, dentre os serviços, do setor financeiro, autonomizado em relação às atividades primárias e secundárias da economia, acentuando a tendência à financeirização existente desde os primórdios da monopolização capitalista no último quartel do século XIX (CASTANHO, 2001, p. 21).

Na realidade, a dinâmica do capital reproduz o desenvolvimento desigual, abala as identidades, articula os lugares ao mesmo tempo em que fragmenta-os, revelando uma totalidade contraditória. Hattner retrata esta realidade, ao afirmar que:

O avanço tecnológico-industrial, com a integração seletiva de certos contingentes da população é acompanhado por um retrocesso nas regiões periféricas e a exclusão de amplos grupos sociais, aos quais é vedado o acesso a emprego, educação e renda estáveis (HATTNER, 2002, p. 105).

Alguns autores utilizam o termo mundialização. Ortiz, distingue globalização de mundialização:

O conceito [de globalização] se aplica à produção, distribuição e consumo de bens e serviços, organizada a partir de uma estratégia mundial, e voltada para um mercado mundial. Uma cultura mundializada corresponde a uma civilização cuja territorialidade se globalizou (ORTIZ, 1994,p.16 e 31).

Independente do termo, a realidade é que hoje a sociedade está cada vez mais conectada, onde as relações de todas as dimensões se intensificam.

Neste contexto, faz-se necessário repensar o papel da educação e do ensino de Geografia, considerando a importância da inserção social, da valorização do espaço local, enfim, a necessidade de se adaptar às exigências do mundo pós-industrial, apesar deste mundo continuar sendo movido pelo capital.

A educação, ao longo de sua história, sofreu inúmeras alterações, mas toda e qualquer reforma deveu-se às regras impostas, direta ou indiretamente, pelo sistema capitalista de produção, de acordo com as alterações na divisão do trabalho, social e internacional.

Na atualidade, considerando a fragmentação das relações sociais, cabe à educação contribuir para a concepção de homem como sujeito da história, conduzindo à consciência crítica para o efetivo exercício da cidadania.

A educação pública em geral, (focando neste trabalho o Ensino Médio regular no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães – Guanambi-Bahia e no Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães no distrito de Mutans em Guanambi-Bahia, ambas da rede estadual de ensino da Bahia), na forma em que se encontra hoje, num sistema no qual professores e alunos não se interagem como deveriam (conforme iremos abordar nos capítulos que virão) para que o professor, principalmente o de Geografia, conheça seu aluno integralmente, de onde ele vem, onde mora, qual seu espaço de vivência, como se envolve com a tecnologia, qual sua visão de consumo,  enfim, que jovem é este, que concepção de globalização ele traz. Brinhosa (2001, p. 39), fala da função social da educação pública:

O sistema educacional contribui, entre outros aspectos, para reproduzir a ordem social hegemônica, não tanto pelos pontos de vista que fomenta, mas por distribuir de forma regulada o capital cultural. Desta forma, a violência simbólica atua em todo o campo da educação e da cultura, na qual aqueles a quem falta o gosto “correto” são discretamente excluídos, relegados à vergonha e ao silêncio.

A educação deve ser comprometida com a transformação social. O processo de globalização revela uma sociedade produzida e reproduzida pela lógica do capital, onde predomina o sujeito desarticulado e individualizado. A educação, estando comprometida com a transformação social, pode contribuir para a mudança de concepção de cidadão, construindo o indivíduo que não se fragmenta, mas que preserva sua identidade num pensamento articulador, coletivo, garantindo as particularidades. Neste sentido, vale lembrar a abordagem de Peixoto (2009, p. 46):

Na atualidade, é o mercado mundial e a globalização capitalista que promovem a dissolução das identidades e das diferenças e produzem sem cessar a hegemonização cultural e todos os tipos de exclusão e discriminação, das mais “tradicionais” às mais novas.

É importante que o jovem compreenda que a globalização é um processo do modelo econômico capitalista e se encontra no estágio supremo da internacionalização do espaço por meio da interligação econômica, política, social e cultural em âmbito planetário.

6. A GLOBALIZAÇÃO NO ENSINO DE GEOGRAFIA EM GUANAMBI-BAHIA

6.1. PROCEDIMENTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS UTILIZADOS PELOS PROFESSORES DE GEOGRAFIA NO ENSINO DE GLOBALIZAÇÃO NO ENSINO MÉDIO

Este capítulo traz uma análise sobre os procedimentos didáticos estabelecidos no ensino do tema “globalização” em Geografia no Ensino Médio em duas escolas da Rede Estadual no município de Guanambi-Bahia, conforme demonstra a figura 1. Trata-se do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, situado à Avenida Barão do Rio Branco no Bairro São Francisco na sede do município de Guanambi-Bahia e o Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães, localizado no distrito de Mutans – Guanambi-Bahia, a 40 Km da cidade.                                                                                     

Figura 1. Município de Guanambi na Bahia[4]

Fonte: SEI, 1994

O município de Guanambi-Bahia conta hoje com aproximadamente 85 mil habitantes e caracteriza-se como polo regional, com forte influência do comércio, sua principal atividade econômica, que se intensificou a partir da produção do algodão na década de 1970, época de auge, no vale do Iuiu. Guanambi, a aproximadamente 60 km de distância do lócus de produção, possuía a infraestrutura necessária ao beneficiamento do produto.

Em relação à educação, a maior influência, na rede estadual, é exercida pela cidade de Caetité-Bahia, a 40 km de distância de Guanambi, devido aos cursos de Licenciatura em Geografia, História, Língua Portuguesa, Inglês, Matemática e Biologia na Universidade do Estado da Bahia – Uneb – Campus VI, em Caetité. O Campus da Uneb em Guanambi (campus XII), possui cursos de graduação em Pedagogia (muitos pedagogos trabalham em Caetité, que é carente destes profissionais), Educação Física (para este componente curricular, Caetité conta, também, na sua maioria, com professores de Guanambi) e Administração de Empresas.

6.2. O ENSINO DE GLOBALIZAÇÃO NO COLÉGIO MODELO LUÍS EDUARDO MAGALHÃES – GUANAMBI-BAHIA

O Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães de Guanambi (BA), de acordo com informações do gestor da escola, possui vinte e cinco turmas, sendo catorze no turno matutino (seis de 1º ano, quatro de 2º ano e quatro de 3º ano), nove no vespertino (quatro de 1º ano, três de 2º ano e duas de 3º ano) e três no noturno (uma de 1º ano, uma de 2º ano e uma de 3º ano). Possui um laboratório de informática, que é utilizado apenas quando algum aluno solicita para organizar ou elaborar um trabalho e para a realização de oficina de informática do Programa Ensino Médio Inovador – PROEMI.

A escola conta também com uma biblioteca, que ainda não está totalmente informatizada e um laboratório de Química e Biologia. Possui também um refeitório, uma quadra poliesportiva (sem cobertura) e uma sala de videoconferência, que recebe professores de todas as outras escolas e de outros órgãos estaduais no município de Guanambi-Bahia.  Um espaço do Colégio Modelo bastante cogitado pelas instituições de Guanambi é o auditório, com capacidade para 175 pessoas e um palco satisfatório, que, na falta de disponibilidade do espaço da Câmara de Vereadores e/ou do Centro de Cultura, atende às necessidades dos eventos em geral.

Com relação ao quadro docente do Colégio Modelo, este possui trinta e nove professores efetivos e um coordenador pedagógico. Constituindo a gestão da escola, há um diretor e três vice-diretores (um em cada turno de funcionamento), eleitos[5] pela comunidade escolar. Dentre os trinta e nove professores, três são de Geografia, concursados, com 40 horas semanais cada um e com especialização nesta área.   O primeiro professor trabalha com a 1ª e 2ª séries do Ensino Médio; o segundo docente com 2ª e 3ª séries do Ensino Médio e um terceiro encontra-se na gestão, ocupando o cargo de diretora da escola. As vinte e cinco turmas são constituídas de alunos da sede, de municípios vizinhos e da zona rural. São aproximadamente 1.160 alunos, na faixa etária de 14 a 22 anos. No diurno a maioria dos estudantes encontra-se na faixa etária de 14 a 18 anos. No turno matutino a escola recebe alunos da sede do município e de outros municípios vizinhos como Matina, Urandi, Pindaí, Candiba e Monte Alto, pois o transporte escolar só é acessível neste turno. Alunos dos distritos de Morrinhos, Ceraíma, Mutans e de outras áreas rurais só têm acesso ao transporte escolar no turno vespertino. Os alunos do noturno são todos da sede do município e trabalham durante o dia, ou estão à procura de emprego. No diurno encontramos alunos de todas as classes sociais. Muitos deles estudaram o Ensino Fundamental na rede particular e procuraram a escola pública no Ensino Médio. Assim, inserem-se no Programa Universidade para Todos – PROUNI. De modo geral, os alunos desta escola objetivam o ingresso na universidade, não se interessando pelo Ensino Técnico.

O Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães de Guanambi-Bahia – página 45 - foi inaugurado em maio de 1999 e faz parte da Rede Pública do Estado da Bahia. Neste momento, absorveu um grupo de professores que, na sua maioria, eram recém-formados e muitos vislumbravam adentrar na pós-graduação em nível de especialização.

O Colégio Modelo tornou-se referência na região, atraindo não só alunos da sede municipal, mas também de cidades vizinhas - Matina, Candiba, Pindaí, Palmas de Monte Alto, Iuiu e Carinhanha  - e da Zona Rural do próprio município de Guanambi-Bahia.

Figura 2. Mapa de Localização do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães – Guanambi-Bahia

Fonte: Rocha (2013)

Dentre os fatores que contribuíram para esta posição do Colégio residem em vários aspectos, dentre eles, a organização em uma modalidade de ensino, a presença de vigilante 24h por dia, o que auxilia no controle de entrada e saída dos estudantes, e uma equipe de professores que, apesar de estarem iniciando a carreira docente lecionando para classes de Ensino Médio, buscavam se atualizar por meio de cursos de aprimoramento ligados à educação.

Assim, o Colégio sempre alcançou, a partir do ano de 2000, um IDEB[6] (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica - avaliação externa que mede o desempenho dos alunos nas diversas áreas do conhecimento) acima dos outros colégios de Guanambi e da Bahia, perdendo apenas para os Colégios Militares da Bahia.

A aprovação de alunos em vestibulares também tem sido, ao longo desses quinze anos de serviços prestados à Comunidade, um fator que o diferencia das outras unidades escolares da rede. Um número significativo de alunos tem ingressado em Universidades públicas, como por exemplo, Universidade do Estado da Bahia – Uneb –, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – Uesb - , Universidade Federal da Bahia – Ufba -, Universidade de Montes Claros – Unimontes - (Minas Gerais) e outras instituições particulares, principalmente na Faculdade de Guanambi – FG – em Guanambi-Bahia. O ingresso nas diversas universidades é proporcionado, também, pela nota que os alunos conseguem no Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM, ao final do 3ª ano do Ensino Médio.

Portanto, o Colégio Modelo construiu uma identidade que, mesmo com a mudança da equipe gestora (após eleição) e da alteração do quadro docente devido à remoção e exoneração de alguns professores, manteve seu “status” de melhor escola da região.

Esta posição do Colégio não exclui problemas que são inerentes à escola pública, como podemos citar: a carência de professor em algumas disciplinas e de coordenador pedagógico, insuficiência de livros didáticos, tendo que distribuir um livro para dois ou três alunos, professores que não demonstram compromisso, a resistência destes em planejar, e somado a isso, a concepção equivocada das Atividades Complementares – AC’s[7] – que o professor tem que cumprir na escola, mas que ele não percebe a necessidade e importância desses momentos que deveriam ocorrer coletivamente, continuando assim, com o processo de ensino e aprendizagem fragmentado, individualizado, sem articulação entre as áreas do conhecimento, e muito menos entre os professores.

O Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães de Guanambi-Bahia tem vivenciado, também, em todos os anos letivos, a falta de professor efetivo para alguns componentes curriculares.

As remoções e exonerações, aliadas à falta de concurso público regular têm possibilitado a contratação temporária de professores, prática comum realizada pelo Governo da Bahia.

No Estado da Bahia, o professor contratado pelo Regime Especial de Direito Administrativo – REDA – ou por Prestação de Serviço Temporário – PST – nem sempre possui a habilitação para ministrar a disciplina, pois depende da necessidade da escola e disponibilidade do profissional.

Os professores do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães-Guanambi/Bahia adotam a coleção de Lúcia Marina A. de Almeida e Tércio B. Rigolin – “Fronteiras da Globalização”. Segundo os professores, o principal fator que contribuiu para a escolha da referida coleção de livro didático é a linguagem que é acessível aos alunos. Ainda de acordo com os relatos dos professores, nesta escola, a escolha do livro didático a ser adotado, ocorre de forma conturbada, fragmentada, não havendo uma discussão aprofundada entre os mesmos, devido ao curto espaço de tempo para este planejamento e seleção.

Ao pensarmos o livro didático de Geografia no Ensino Médio como dispositivo didático-pedagógico, é importante observarmos a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN Nº 9394/96) sobre as principais finalidades do Ensino Médio considerado como a “etapa final da educação básica” (Art. 36):

  • A consolidação e aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no Ensino Fundamental;
  • Preparação básica para o trabalho;
  • Aprimoramento do educando como pessoa humana;
  • Compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática.

A escola, considerando seu currículo e sua proposta pedagógica, deve guiar-se por estes objetivos na escolha do livro didático a ser adotado e na organização e planejamento dos conteúdos e das aulas. Em relação ao livro didático, ressalta-se que sua utilização depende da formação, do planejamento das atividades e escolhas de estratégias metodológicas do professor.

O livro didático é um instrumento didático-pedagógico valioso no processo de ensino e aprendizagem, por nortear os estudos dos alunos, direcionando as aulas. Porém, não deve ser o único. Há mecanismos diversos que podem ser adotados pelos professores para favorecerem a apreensão dos conteúdos pelos alunos. Antes de utilizar qualquer recurso em sala de aula, é imprescindível ao professor considerar a realidade vivenciada pelo aluno, no planejamento e realização das atividades.

O livro didático traz uma quantidade de conteúdos que o professor tem dificuldade de vencer, precisando ser analisado pelo docente do ponto de vista, principalmente, ideológico e organizacional, pois cada autor expressa em sua obra, uma concepção de sociedade e de educação, cabendo ao professor, promover as reflexões, articulando os conteúdos e os aproximando da vivência do aluno, para que os temas não sejam abordados de modo superficial.

Sendo o Ensino Médio a etapa onde ocorre a sistematização dos conhecimentos adquiridos no Ensino Fundamental, o livro didático é um importante recurso para o desenvolvimento do raciocínio geográfico e também para a realização do trabalho docente. Seu uso deve ser articulado com outras estratégias metodológicas, despertando o aluno para outras leituras e para outros meios de informação.

O conteúdo globalização é bastante amplo, pois se insere em todos os outros estudos de Geografia. Assim, é necessário que a abordagem do livro didático possibilite ao aluno as reflexões sobre os diversos aspectos deste processo, viabilizando a articulação com outros temas deste componente curricular (considerando que a globalização se faz presente em todos os fatos e fenômenos da atualidade) e com todas as escalas geográficas.

No Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, o conteúdo globalização é abordado na 2ª série do Ensino Médio. Segundo relatos dos professores de Geografia desta escola através, este estudo direciona-se para a influência da globalização no cotidiano, considerando o conceito de “aldeia global”. São utilizados o poema “Eu Etiqueta” (Carlos Drumond de Andrade) e as músicas “Terceiro do Plural” (Engenheiros do Havaí) e “Parabolicamará” (Gilberto Gil), com o objetivo de retratar o consumismo e a aceleração contemporânea do desenvolvimento das técnicas. São propostos também aos alunos a confecção de cartazes, apresentação de peças teatrais e realização de entrevistas com moradores do bairro onde moram, tendo em vista conhecer o ritmo de vida dos mesmos. Estas entrevistas discorrem sobre a vida moderna.

Estes artefatos didático-pedagógicos constituem estratégias relevantes no processo de ensino e aprendizagem de Geografia, pois promovem a percepção de elementos que caracterizam a globalização. Porém, continua sendo um desafio para a escola e para o professor de Geografia envolver todos os alunos na apreensão da realidade, uma vez que quando os estudantes são questionados sobre o que compreendem em relação à globalização, muitos têm dificuldade em externar sua compreensão sobre este conteúdo, seja verbalmente ou por escrito.

6.3. O ENSINO DE GLOBALIZAÇÃO NO COLÉGIO ESTADUAL ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES- DISTRITO DE MUTANS – GUANAMBI-BAHIA

O Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães, destacado na figura 3 – foi fundado em 2005, no distrito de Mutans – Guanambi-Bahia. Possui sete salas de aula, não possui biblioteca e nem laboratório. Conta com uma quadra poliesportiva, sem cobertura. São aproximadamente 480 alunos, distribuídos entre sete turmas no turno vespertino e cinco no noturno, sendo a maioria dos alunos moradores na zona rural. A escola não possui coordenador pedagógico, ficando sob responsabilidade da equipe gestora, o acompanhamento do planejamento dos professores. Segundo informação da diretora desta escola, muitos alunos, após concluírem o Ensino Médio, vão trabalhar em Florianópolis, no Estado de Santa Catarina, principalmente em padarias, convidados por parentes e amigos que lá residem. Alguns deles migram antes de concluir o Ensino Médio. Os demais ingressam, em sua maioria, na Universidade do Estado da Bahia – UNEB, nos campi de Caetité (a 40 km de Guanambi), nos cursos de Licenciatura em Biologia, Geografia, História, Letras, Inglês e Matemática e de Guanambi, nos cursos de Pedagogia, Técnico em Enfermagem, Administração de Empresas e Licenciatura em Educação Física.

Há duas professoras de Geografia, sendo a primeira concursada com Licenciatura em Geografia e Especialização em Ensino de Geografia e a segunda contratada pelo regime de Prestação de Serviço Temporário – PST --, com formação em Pedagogia.

A coleção de livro didático adotada nessa escola é a de Elian Alabi Lucci, Anselmo Lazaro Branco e Cláudio Mendonça – “Território e sociedade no mundo globalizado”. Nesta coleção, o estudo sobre globalização é abordado no volume 2, que corresponde à 2ª série, não deixando de considerar este tema nos demais volumes.

Figura 3. Localização do Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães – Distrito de Mutans – Guanambi-Bahia

Fonte: Rocha, 2013.

As professoras de Geografia nesta escola também trabalham com o poema “Eu Etiqueta” (Carlos Drumond de Andrade) associando ao consumismo, e com a música “Parabolicamará” (Gilberto Gil), relacionando à ideia de “encolhimento do mundo”, da obra “A condição pós-moderna” de David Harvey. As atividades propostas aos alunos são questionários a serem respondidos em sala de aula que são posteriormente corrigidos, oralmente, pela professora.

No relato da professora efetiva desta escola, os alunos, em geral, apresentam muita dificuldade de aprendizagem. Assim, não são propostos trabalhos extra-classe.

Em todo meio escolar encontramos, no discurso de muitos docentes, que os alunos que moram na zona rural e, portanto, de baixa renda, apresentam maior dificuldade de aprendizagem. Estas localidades no Brasil, com algumas exceções, abarcam populações menos favorecidas, mas os problemas psicossociais de qualquer ser humano não se associam sempre a esta característica, ao lugar de origem do educando. Ao rotular as pessoas de acordo sua origem e vivência, estamos discriminando e impedindo-as de prosseguir nos estudos. Neste sentido, concordo com Oliveira, quando ressalta que:                                                           

É interessante reconhecer que o estudo da geografia deve ser consequente para os alunos, suas experiências concretas deverão ter interligamento e coerência dentro do que é ensinado, pois o vivido pelo aluno é expresso no espaço cotidiano, e  a interligação deste com as demais instâncias é fundamental para a aprendizagem. (OLIVEIRA, 2006, p. 16)

Portanto, é importante conduzir o aluno à reflexão sobre o seu lugar, sobre elementos ali impregnados e que caracterizam parte da história em determinado tempo e espaço, onde ele, o indivíduo, é sujeito ativo.

7. GLOBALIZAÇÃO E ESPAÇO DE VIVÊNCIA: CONTEXTUALIZAÇÃO NECESSÁRIA

7.1. A INFLUÊNCIA DA GLOBALIZAÇÃO NAS VIVÊNCIAS COTIDIANAS DOS JOVENS

A sociedade contemporânea, marcada pela velocidade da informação e pelos sofisticados meios de comunicação, abarca uma juventude cada vez mais inserida no processo de reprodução do capital, principalmente no que se refere ao aparato tecnológico.

No Brasil, os jovens ainda têm representatividade marcante em todos os setores, exercendo grande influência no mercado consumidor, tendo em vista as constantes mudanças nos hábitos relacionados à vestimenta, à cultura, aos meios de informação e comunicação, à alienação etc.

A chamada “Geração Y”[8] nasceu em meio a tecnologias modernas (entre os anos 80 e 90), mergulhada no mundo virtual.  É importante que o currículo e a Proposta Pedagógica de Geografia e de outras disciplinas, considerem esta condição em que vivem os jovens de hoje, para não correrem o risco de apresentar um processo de ensino e aprendizagem desatualizado ou descontextualizado.

A psicóloga Justo, abordando sobre o comportamento dos jovens na atualidade, relata:

Há quem ache que esta é uma geração perdida, mas a questão deveria ser colocada de outra forma: perdidos estarão os adultos se não compreenderem que, apesar do descartável e da correria, os jovens precisam da solidez dos valores e da experiência dos mais velhos, de uma boa estrutura familiar, mesmo que eles, com toda onipotência da juventude, achem isso tudo muito ultrapassado. Sem isso, a construção da identidade e personalidade do jovem estará irremediavelmente prejudicada (JUSTO, 2011, p.1).

Apesar da tecnologia moderna facilitar a vida das pessoas em geral, o ser humano hoje vê-se cada vez mais atarefado, tendo maior dificuldade em garantir atenção à família. A consequência disso são os meios de comunicação fazendo o papel de educadores. Assim, os jovens acabam sendo vítimas da globalização, pois este fenômeno provoca profundas mudanças no comportamento das pessoas.

Segundo Fermiano (2010, p.2),

As mudanças provocadas pela globalização são observadas nas relações sociais e nas novas necessidades humanas, estas são mediadas por simbolismos que podem provocar desejos e consumo manipulados pelas estratégias de marketing. Os novos símbolos criados passam a ser constituidores da identidade dos “tweens”. Não se sabe ainda as consequências deste perfil para as próximas gerações.

Considerando o imediatismo que a sociedade atual vivencia, vale lembrar, também, o que Ana Justo ressalta sobre algumas características do mundo moderno:

Vivemos uma época em que tudo se entrega, desde pizzas, vídeos, flores, livros, remédios, eletrodomésticos, até maconha. Nossos jovens vão formando suas personalidades num mundo de entregas rápidas, de soluções imediatas, de falta de espaço para a espera e o amadurecimento. Por isto reúnem características diversas e por vezes conflitantes: individualidade, hedonismo, consumismo, má-educação, agressividade, capacidade multitarefas, irreverência, radicalidade, tendências grupais, insegurança, rebeldia, consciência, espontaneidade, imprevisibilidade. (JUSTO, 2011, p.1)

Na sala de aula, o professor explana o conteúdo a quarenta alunos aproximadamente, e ao mesmo tempo. Porém, a diversidade de valores, princípios, identidades e outras, está presente e, devido a vários fatores, a escola e o professor, conduzem o processo de ensino e aprendizagem sob a percepção de uma situação de homogeneidade.

Para refletirmos sobre a importância de os professores observarem os diferentes estilos de vida presentes na sala de aula, uma vez que esta postura promove um maior envolvimento dos alunos nos conteúdos e em especial, no conteúdo de globalização, procurei analisar de que maneira os estudantes do Ensino Médio do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães-Guanambi-Bahia e do Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães – Mutans – distrito de Guanambi-Bahia encontram-se inseridos no processo de globalização, foi aplicado um questionário a quarenta estudantes em cada uma das escolas supracitadas, entre alunos da 1ª, 2ª e 3ª série do Ensino Médio e que moram na zona urbana e na zona rural. Os jovens responderam a seis questões a seguir:

  1. o que você faz nas horas de lazer?
  2. o que você não tem que gostaria de adquirir?
  3. você tem acesso à internet em casa? se não, onde acessa?
  4. que instrumentos você utiliza para realizar pesquisas solicitadas pelos professores?
  5. que instrumentos você utiliza como meio de informação e comunicação?

Observei, entre os alunos, que a maioria dos jovens que moram na cidade de Guanambi-Bahia ou municípios vizinhos e nos distritos, sendo 90% e 67% do total dos entrevistados, respectivamente, responderam, a questão 1,  que navegam na internet nas horas de lazer, entre outras atividades, como namorar, passear com os amigos e outras. Entre os que moram na zona rural ninguém respondeu que utiliza a internet nesses momentos, apesar de 40%  afirmar que possui este serviço em casa (questão 4). Os mesmos incluem a atividade de assistir TV nas horas de lazer. A maioria declara, também, curtir a família, resposta que não aparece em nenhum questionário aplicado aos jovens da zona urbana.

As respostas de vinte e dois (22) alunos do turno noturno do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães-Guanambi-Bahia e de trinta e quatro (34) do turno noturno do Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães-distrito de Mutans-Guanambi-Bahia também se distinguem bastante das dos alunos do diurno. A maior parte desses alunos trabalham durante o dia, nos diversos setores da sociedade que absorvem essa mão-de-obra. A atividade de navegar na internet nas horas de lazer não aparece nas respostas destes alunos, mas, dormir, namorar, organizar a casa, sair com amigos e assistir TV. Em 50% das respostas, devido à responsabilidade que já assumem com a família, responderam a questão 2, que desejam adquirir uma casa, enquanto que os alunos do diurno desejam carro, moto, tablet, computador mais moderno. Apenas 2% citam que querem fazer um curso superior.

Em relação às questões 4, 5 e 6 não há divergências significativas. A maioria, tanto na cidade quanto na zona rural tem internet em casa e utilizam, como principais instrumentos de pesquisa, livros e internet. Como meio de informação, os principais instrumentos são rádio, TV, internet e telefone celular.

A globalização impõe uma ideia de homogeneização do mundo, como se todos os sujeitos mantivessem o mesmo ritmo de vida, o mesmo pensamento, as mesmas atitudes, a mesma forma de consumo. Porém, as diversidades e diferenças continuam fazendo parte da sociedade humana, e precisam ser consideradas para que esses jovens sintam-se atores sociais capazes de intervir na realidade e transformá-la.

Silveira, sobre os efeitos da globalização e da sociedade em rede via internet na formação de identidades contemporâneas, relata que:

Como resultado da globalização econômica e cultural, as pessoas mais jovens encontram-se, cada vez mais, frente a questões de escolhas entre identidades culturais diferentes e, às vezes, conflitantes com os valores sociais tradicionais (SILVEIRA, 2004, p. 49).

Então, sendo os jovens os principais agentes sociais a intervirem na realidade, não se pode deixar escapar a oportunidade de orientá-los a agir de forma coerente. A Geografia e a escola podem exercer este papel.

7.2. OS EFEITOS DA GLOBALIZAÇÃO NO LUGAR: PERCEPÇÃO DOS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO

A chamada aceleração contemporânea, que caracteriza o processo de globalização, tem gerado discursos empolgantes e ilusórios no mundo, induzindo as pessoas a sentirem este processo apenas como algo que encanta, que envolve e que satisfaz a necessidade de todos.

Mas a globalização movimenta-se para a padronização de uma cultura de consumo e de comportamento, ao tempo em que promove desigualdades sociais e entre países.

Com o objetivo de conferir qual a percepção dos jovens em relação ao “mundo global”, foi lançado aos mesmos, na conversação, o seguinte questionamento: “Que aspectos representam o processo de globalização no lugar onde você mora”? Entre as respostas, temos:

- “o comércio”

- “internet”

- “a energia eólica”

- “os meios de comunicação”

- “os meios de lazer” (sorveterias, praças, boates etc)

- “o crescimento de algumas empresas e a vinda de alguns estrangeiros para a implantação do sistema de energia eólica”

- “todos os aspectos, pois a globalização está se evoluindo a cada dia que passa”

- “o crescimento da cidade e o aumento da área comercial”

- “a busca pela especialização, melhores condições de emprego, gerando o progresso para a cidade”

- “celular que todo mundo tem”

- “música, moda”

- “novas tecnologias”

- “todos têm TV, antenas, celulares, internet. Ninguém vive sem essas coisas”

- “as novas construções de praças, quadras e o crescimento do número de moradias”

- “tem uma Lan House que cobra preços muito altos. A maioria das residências possui internet até mesmo na zona rural”

- “muito péssima, sem estrutura adequada” (a globalização)

Alguns alunos do turno noturno não responderam. Percebi que, embora a maioria dos jovens compreenda alguns aspectos da globalização presentes no seu cotidiano, várias respostas se divergem, porém, todos associam a este processo, a ideia de evolução, de algo apenas positivo. Na visão dos jovens, não há pontos negativos gerados pela globalização.

O professor mediador no lugar do transmissor de conhecimento ainda não é realidade. O docente ainda deixa de articular experiências em que o aluno reflita sobre suas relações com o mundo e com o conhecimento, desenvolvendo o indivíduo na sua totalidade.

No ensino do tema “globalização”, é importante que o professor desperte o aluno para a observação dos elementos que representem este processo no lugar onde esse jovem mora, destacando aspectos da dimensão cultural, econômica e política. Assim, o aluno poderá perceber as múltiplas relações que envolvem a globalização e como ele se encontra inserido no processo.

8. O ENSINO DE GLOBALIZAÇÃO NO ENSINO MÉDIO: CONTRIBUIÇÕES

8.1. DESAFIOS PARA A EDUCAÇÃO EM GERAL E EM PARTICULAR PARA O ENSINO DE GEOGRAFIA

“Cada lugar é, à sua maneira, o mundo”

(SANTOS, 1996, p. 256)

 

A globalização, aparentemente, está distante de muitas pessoas. Porém, seus diversos aspectos têm influenciado, direta ou indiretamente, a vida de todos, não importando sua condição social, profissão, sexo, religião e etnia.

Outros temas da Geografia também aparecem, para o aluno, na escola, mas de forma abstrata. Acredito ser um desafio para o professor promover a compreensão dos diversos conteúdos partindo das vivências do aluno.

Na Geografia Tradicional tem-se uma concepção de espaço fragmentado, onde se valoriza a descrição das formas. Assim, não há preocupação em estabelecer relação com a realidade.

Seabra, sobre a Geografia Tradicional, relata que:

A Geografia Tradicional fala da população, mas não da sociedade, de estabelecimentos humanos, mas não aborda as relações sociais; das técnicas e dos instrumentos de trabalho, mas não do processo de produção. Discute-se a relação do homem com a natureza, mas não as relações sociais, abstraindo assim, do homem o seu caráter social. (1984, p.08)

É urgente a necessidade de superar estes problemas da Geografia Tradicional e promover um processo de ensino e aprendizado que forme o indivíduo para se posicionar corretamente no mundo e, consequentemente, transformar a realidade. Mas esta tarefa não é tão fácil como se apresenta. Envolvem muitos fatores, um deles está na formação do professor, o que é fundamental. Mas, além da graduação ou pós-graduação, a formação continuada é imprescindível, pois é através dela que o professor vai se atualizando, se aperfeiçoando.

Outro fator importante é a articulação entre as diferentes áreas do conhecimento. A interdisciplinaridade, apesar de muitas discussões ao longo do século XXI, ainda não acontece de forma satisfatória nas escolas da Educação Básica no nosso país.

Sobre a interdisciplinaridade, Fazenda (2001), ressalta que:

O pressuposto básico para o desenvolvimento da interdisciplinaridade é a comunicação, e a comunicação envolve sobretudo participação. A participação individual (do professor) só será garantida na medida em que a instituição (escola) compreender que o espaço para a “troca” é fundamental (FAZENDA, 2001, p. 94-95).    

Além de tudo isto, é imprescindível o planejamento, considerando a necessidade de seleção do material e do conteúdo. Ao planejar, ocorre a reflexão sobre o que se vai ensinar, como ensinar, para que ensinar determinado conteúdo.

Sobre o planejamento da aula, Castro (2008), enfatiza:

Infelizmente, apesar do planejamento da ação educativa ser de suma importância, existem professores que são negligentes na sua prática educativa, improvisando suas atividades. Em consequência, não conseguem alcançar os objetivos quanto à formação do cidadão (CASTRO, 2008, p.55).

Ainda hoje vivenciamos a resistência de muitos professores em cumprir horários estabelecidos pelas Secretarias de Educação para o planejamento, que são os momentos correspondentes às Atividades Complementares - ACs -, apesar de enfrentarmos tantos outros problemas nas escolas.

A análise referente ao trabalho dos professores de Geografia do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães de Guanambi-Bahia e do Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães de Mutans - distrito de Guanambi-Bahia, revela que o ensino de Geografia na atualidade e, em especial, a abordagem do conteúdo globalização no Ensino Médio nas aulas de Geografia, ainda tem muito o que avançar.

Hoje, devemos ensinar nossos alunos a pensar, a questionar, a interpretar a realidade, para, assim, construir seus conhecimentos, utilizando metodologias que despertem o interesse dos alunos.

No ensino de Geografia, seja qual for o conteúdo, é importante que o professor planeje situações que promovam o saber pensar o espaço, como solicita Lacoste (1997):

É preciso fazer com que aqueles que ensinam a geografia hoje tomem consciência de que o saber-pensar o espaço pode ser uma ferramenta para cada cidadão, não somente um meio de compreender melhor o mundo e seus conflitos, mas também a situação local na qual se encontra cada um de nós (LACOSTE, 1997, p.256).

Portanto, o professor precisa ter a consciência de que a educação deve estar voltada para o exercício pleno da cidadania, conforme determinam as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica.

Para Oliveira (2006),

É mais do que necessário, que o processo didático-pedagógico do ensino da geografia em sua cotidianidade, contemple a emergência de uma realidade mais justa, capaz de alfabetizar o aluno para a leitura que se tem e se pode ter de mundo, bem como ajudá-los para que possam situar-se e apropriar-se dessa realidade de forma consciente, se conhecendo como sujeito social, construtor do seu espaço(...)(OLIVEIRA, 2006, p.18).

Em relação aos conteúdos da Geografia Escolar, sabemos que há mais um problema a superar, que é a carga horária. Com duas aulas semanais, o professor se encontra no dever de “priorizar” os temas a serem trabalhados. Os critérios de seleção, na maioria das vezes, estão relacionados ao domínio do professor. Os conteúdos com os quais o professor não tem afinidade são excluídos do plano de curso.

Outro problema a superar é a falta de interesse dos alunos por determinados conteúdos. Por isto o professor precisa ter a habilidade de trabalhar qualquer conteúdo de forma contextualizada, pois só assim ele terá significado para o aluno.

Segundo Oliveira (2008),

A construção do conhecimento ocorre, efetivamente, no espaço vivido e percebido dos sujeitos, no qual os contextos social, político, econômico e científico se desvelam. É nele em que a comunicabilidade de indivíduos se articula, mantendo relações interculturais. É nesse espaço em que as existências geográficas se manifestam (OLIVEIRA, 2008, p.2).

Considerar o espaço vivido torna-se fundamental, pois o processo de globalização que a sociedade vivencia hoje, tende a sufocar o papel que o lugar exerce, apresentando um mundo externo atraente para muitas pessoas, principalmente para crianças e jovens. Assim, este mundo real, e não ideal, garante a reprodução do capital.

Callai (2005), ressalta que:

Compreender o lugar em que se vive encaminha-nos a conhecer a história do lugar e, assim, a procurar entender o que ali acontece. Nenhum lugar é neutro, pelo contrário, os lugares são repletos de história e situam-se concretamente em um tempo e em um espaço fisicamente delimitado. As pessoas que vivem em um lugar estão historicamente situadas e contextualizadas no mundo (CALLAI, 2005, p.236).

Não se trata de limitar-se ao seu espaço de vivência. A importância de compreender o seu lugar está em pensar melhorias, soluções para o mesmo e ver, em outros espaços, novas possibilidades, outras relações.

Ainda, segundo Oliveira (2008),

Todo lugar é reconhecido segundo valores sociais e espaciais. Esses são reflexos das práticas e das aspirações humanas. Portanto, a identificação e o conhecimento do lugar, enquanto materialidade humana construída, pressupõem um adentramento nessas representações para servir como base para a construção de uma identidade e consciência territorial (OLIVEIRA, 2008,p.74).

Assim, a compreensão dos diversos temas da Geografia e, em especial, da globalização, pode ser facilitada pela observação ao lugar, podendo este ser o bairro ou uma comunidade rural.

8.2. CONTRIBUIÇÕES PARA O TRABALHO NO ENSINO MÉDIO

TEMA: GLOBALIZAÇÃO

Pretendo aqui apresentar sugestões de trabalho para o ensino de globalização por meio da Geografia Escolar.

O mundo atual demonstra uma relação de interdependência e interconexão cada vez mais intensa. Neste contexto, os jovens absorvem conceitos e abordagens da mídia em geral, muitas vezes de forma distorcida, equivocada. Diante disso, a escola tem papel importante, pois o professor como mediador no processo de ensino e aprendizado, irá promover a compreensão da realidade, a partir do senso crítico-reflexivo.

Acreditando que o termo “globalização”, na forma como é propagado, não condiz com a realidade, uma vez que se revela a ideia de integração total entre povos e países e que se resume em difusão da informação, consideramos relevante a utilização da obra de Milton Santos “Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal” (2001).

Esta obra permite a análise das diversas faces da globalização e, consequentemente, a construção do conceito de globalização de forma coerente, significativa.

Há estratégias de ensino que considero relevantes no estudo do tema “globalização”, como a análise de charges, cartuns, além de músicas e documentários. Estes recursos, sendo bem explorados, proporcionam o desenvolvimento do senso crítico-reflexivo, pois representam a realidade, porém numa modalidade artístico-visual, ao mesmo tempo irônica e humorada.

As charges e os quadrinhos constituem ótimos recursos para a provocação de um debate, para a construção de textos ou até mesmo de outras tirinhas e charges, a partir da visão crítica do aluno.

Num momento em que a tecnologia da informação e da comunicação disputa espaço com o professor e com os livros no ambiente escolar e em outros lugares da vida cotidiana dos estudantes, e considerando a importância de despertar o aluno para a percepção das relações sociais que ocorrem no seu espaço de vivência, sugiro também, ao professor de Geografia que, no ensino de globalização, oriente o aluno a produzir um documentário. Este material deverá conter o registro de elementos da globalização materializados no seu bairro, no município ou na zona rural, seguido de explicação sobre as representações registradas. Os documentários deverão ser socializados entre os alunos. Para nortear o raciocínio do aluno, o professor poderá lançar questionamentos ao mesmo, cujas reflexões deverão ser abordadas no vídeo produzido pelo aluno, como: - o que é globalização? – que elementos da globalização você observa no município onde mora? – o que deu origem a este processo? – que impacto teve este processo no Brasil e/ou no município onde você mora? – que aspectos positivos e negativos da globalização você identifica?

Para avaliar, além de observar o envolvimento do aluno nas diversas atividades, o professor poderá solicitar ao aluno a construção, individual, de um texto sobre o tema: “O fenômeno Globalização na minha vida”.

Segundo Nascimento, no contexto atual, o qual é marcado pelas tecnologias de comunicação e informação, ser professor e ser aluno exigem outras práticas de ensino no contexto escolar, uma vez que

[...] a figura do aluno não mais se interessa pelas aulas tradicionais, monólogas, embasadas somente no livro didático. A natureza dos alunos requer aulas mais dinâmicas, interessantes e, sobretudo, bem ilustradas para que os alunos se sintam motivados em participar das mesmas (NASCIMENTO, 2012, p.1).

Neste sentido, além dos diversos artefatos didático-pedagógicos dos quais o professor poderá dispor, acredito que a produção pelo aluno também refletirá positivamente no processo de ensino e aprendizagem, pois tal estratégia permitirá um maior envolvimento deste na busca do entendimento do conteúdo e promoverá sua percepção como sujeito da história.

9. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O exercício do papel de educador perpassa pela educação adquirida tanto no ambiente escolar quanto no ambiente familiar. Assim, o fazer pedagógico do professor envolve valores e princípios que se estabelecem ao longo de sua formação pessoal e profissional. Formar indivíduos capazes de exercer a plena cidadania, constitui uma tarefa complexa, principalmente num mundo onde a tecnologia da informação e da comunicação ocupa espaço entre os jovens, influenciando-os constantemente.

Neste contexto, a Geografia Escolar representa um caminho para o desenvolvimento de habilidades e competências básicas exigidas no mundo atual. E o ensino de globalização também deve servir para isto. A compreensão deste conteúdo é essencial para a transformação da realidade.

Este trabalho revela que o ensino de Geografia no Ensino Médio e a abordagem do conteúdo globalização por meio desta disciplina, ainda encontram-se distantes da realidade dos jovens, considerando seus espaços de vivência e seus comportamentos na atualidade.

Os professores das escolas que constituem o universo desta pesquisa utilizam estratégias interessantes, como o trabalho com músicas, porém, a maioria destas metodologias fazem parte das orientações dos livros didáticos, que são o principal instrumento do processo de ensino e aprendizagem.

Outras leituras, outras atividades, como o trabalho de campo, os debates, a leitura de textos jornalísticos e outras práticas com as diversas linguagens, deixam de ser explorados. O fator tempo é a principal justificativa para a não diversificação de procedimentos didático-pedagógicos. Porém, algumas estratégias de ensino não são adotadas pelos professores de Geografia por não acreditarem no potencial dos alunos. A ideia de que os alunos que moram na zona rural e nos distritos, apresentam maior dificuldade de aprendizagem, é evidenciada nas duas escolas, o que é preocupante, pois, ao “rotular” estes jovens, há o risco de negligência dos profissionais da educação em relação às proposições de atividades que poderiam contribuir para o aprendizado dos alunos e para suas expectativas de vida.

O ensino de Geografia, assim como a educação em geral, apresenta dificuldades na atualidade por diversos fatores. Problemas como a reduzida carga horária da disciplina, a sobrecarga dos professores, a excessiva quantidade de alunos numa sala de aula, entre outros, são questões a se repensar, mas que não justificam a deficiência do processo de ensino e aprendizagem, pois o ato de educar depende em grande parte da concepção que o professor tem sobre a sua responsabilidade neste processo, o qual não depende apenas de recursos sofisticados e de altos salários.

Em relação ao conteúdo de globalização, os professores associam, na abordagem em sala de aula, à revolução nos meios de transporte e de comunicação, explorando a ideia de “aldeia global”. Buscam discussões também acerca do consumismo e alienação, cujos temas se expressam na música “Terceiro do Plural” (Engenheiros do Havaí), utilizada na sala de aula. De acordo com os relatos dos alunos, os mesmos fazem referência a aspectos apenas da atualidade e demonstram compreender elementos da globalização materializados no seu espaço de vivência. De modo geral, os alunos apresentam dificuldades maiores com a habilidade de se expressarem.

Não temos a pretensão de esgotar as discussões acerca desta temática, mas de provocar maiores reflexões sobre o papel da Geografia, com a finalidade de contribuir para as práticas docentes no Ensino Médio, considerando uma sociedade que necessita de ações desafiadoras para sua transformação, onde os jovens constituem atores sociais fundamentais.

Este trabalho visa acrescentar reflexões acerca do ensino de Geografia, tendo como foco o Ensino Médio Regular e o estudo de globalização. Assim, as proposições apresentadas no último capítulo, representam uma provocação para se repensar as estratégias de ensino da Geografia, mas não para se esgotar as discussões, que serão sempre necessárias à educação.

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[1] O Estado da Bahia contrata professor pelo regime de Prestação de Serviço Temporário – PST – para suprir a vacância em caso de afastamento temporário de professor efetivo ou de vaga real, não sendo obrigatória a formação na área em que vai lecionar.

[2] O calendário letivo das escolas do Estado da Bahia é dividido em quatro unidades didáticas, com uma média de cinquenta dias cada unidade, totalizando duzentos dias letivos.

[3] O campus VI da Universidade do Estado da Bahia – Uneb – conta hoje com os cursos de Geografia, História, Biologia, Letras Vernáculas, Inglês e Matemática, absorvendo muitos alunos que saem do Ensino Médio em toda a região do Território de Identidade Sertão Produtivo.

[4] O município de Guanambi está situado no Território de Identidade “Sertão Produtivo”, a 14º de latitude sul e 42º de longitude oeste.

[5] A eleição para gestores das escolas estaduais da Bahia foi uma conquista dos professores. O primeiro processo de eleição no Estado da Bahia aconteceu em 2008.  Ocorre a cada três anos, com a participação de toda a comunidade escolar.

[6] O Colégio Modelo apresenta um IDEB/2012 de 4,6.

[7] As Atividades Complementares – ACs – estão inseridas na carga horária do professor. 20h semanais = 13 horas/aula + 5h de AC + 2h em casa. 40h semanais = 26 horas/aula + 10h de AC + 4h em casa.

[8]Geração Y”, também conhecida por geração do milênio ou geração da Internet, corresponde à geração das pessoas que nasceram após os anos 80, sendo sucedida pela “Geração Z”, que se refere à geração de pessoas nascidas na década de 90 até o ano de 2010.


Publicado por: EDIALA MARTINS DA SILVA OLIVEIRA

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