Whatsapp

PAVIMENTOS EM BLOCOS DE CONCRETO PRÉ-MOLDADOS INTERTRAVADOS

Engenharia

Análise da eficácia dos pavimentos em bloco de concreto pré-moldados intertravados em relação a sua sustentabilidade, resistência, segurança, durabilidade e seu custo benefício.

índice

1. Resumo

O objetivo deste trabalho é apresentar a evolução tecnológica do pavimento intertravado em blocos de concreto. Através da pesquisa em livros, artigos científicos e material de fabricantes, foi realizado um levantamento bibliográfico abordando os principais benefícios, características, e aplicações do pavimento em blocos de concreto pré-moldados na pavimentação urbana. O trabalho apresenta a viabilidade técnica e econômica desse tipo de pavimento em relação ao tráfego, manutenção e índice de permeabilidade. Conclui-se que o pavimento em blocos intertravados pode ser uma ótima opção para alguns projetos, desde que sejam realizados estudos sobre a frequência do tráfego e da carga que vai ser aplicada sobre o pavimento.

Palavras-chave: Pavimento, bloco intertravado, concreto, tráfego.

Abstract

The objective of this work is to present the technological evolution of the pavement interlocked in concrete blocks. Through research in books, scientific articles and material from manufacturers, a bibliographical survey was carried out addressing the main benefits, characteristics, and applications of the pavement in precast concrete blocks in urban paving. The work presents the technical and economic feasibility of this type of pavement in relation to traffic, maintenance and permeability index. It is concluded that the interlocking block pavement can be a great option for some projects, as long as studies are done on the frequency of traffic and the load to be applied on the pavement.

Keywords: Pavement, interlocking block, concrete, traffic.

2. INTRODUÇÃO

Com o passar dos anos a engenharia civil vem buscando formas de alcançar novos avanços tecnológicos que possam caminhar junto com a sustentabilidade e apresentar custo benefícios adequados aos projetos. Desta forma, pode-se afirmar que um desses avanços é o bloco de concreto intertravado que, no Brasil, tem apresentado crescimento na demanda em função do aumento populacional e das diversas vantagens que apresenta.

A utilização desta técnica é comum em outros países desde 1970, tendo sua aplicação desenvolvida e ampliada em obras brasileiras a partir dos anos 2000. Esse tipo de estrutura se caracteriza por blocos de concretos encaixados entre si na pavimentação, distribuindo as tensões e os carregamentos entre as peças, em um comportamento solidário.

Existem vários tipos de bloco de concreto, que são fabricados de acordo com as necessidades a que são destinados. Os mais utilizados são os blocos construídos por formas retangulares ou segmentados, os que são em formatos de “I”, e os em formatos geométricos (PORTLAND, 2010)

O pavimento intertravado é bastante utilizado em praças, estacionamentos, calçadas, ruas, áreas de passeios, pátios, acessos de veículos e alamedas com trânsito de pessoas e bicicletas. Possuem certas características vantajosas, tais como: melhores condições estéticas – visto que podem ser fabricados em diversas cores, texturas, formas e dimensões – que trazem beleza ao pavimento.

Caso seja necessário o uso imediato, o pavimento intertravado pode representar uma boa opção, pois, em comparação ao pavimento tradicional, sua instalação é mais rápida. É recomendado um acompanhamento técnico para evitar uma instalação defeituosa, que pode acarretar em futuras manutenções. Contudo, também a sua manutenção não exija muito trabalho, pois as peças desse piso são removíveis e podem ser retiradas com facilidade, dispensando ferramentas diferenciadas ou algum tipo de máquina.

O material tem uma durabilidade ilimitada e pode ser reaproveitado; isto faz com que se evite o desperdício e a geração de entulhos que prejudicam cada vez mais o meio ambiente.

Dentro de suas características, a que mais se destaca em relação aos pavimentos convencionais é o seu sistema de drenagem, já que o espaçamento entre as juntas dos blocos permite a maior facilidade de escoamento da agua pluvial para os lençóis freáticos, diminuindo o risco de enchentes e alagamentos e aumentando a resistência mecânica do mesmo.

Para a utilização deste pavimento é necessário um estudo do projeto, para determinar o tamanho e espessura das peças que serão utilizadas, para evitar que o pavimento se afunde ou quebre devido a carga que vai atuar sobre ele.

O presente trabalho apresenta um estudo comparativo entre os pavimentos convencionais e o pavimento intertravado, com o objetivo de ser referência para escolha do melhor pavimento para determinados locais, através da avaliação custo x benefício do mesmo.

3. Justificativa

A ciência busca constantemente através de suas pesquisas, meios para facilitar o cotidiano das pessoas, assim como diferentes soluções para atender as suas necessidades.

Portanto, é necessário desenvolver novos olhares e alternativas que possam trazer benefícios à realidade e de forma sustentável. A partir da produção desse conhecimento, é possível estabelecer as vantagens e desvantagens de determinadas técnicas, como no caso do bloco intertravado.

Neste sentido, torna-se importante que se realizem estudos em que busquem investigar materiais que respeitem ao meio ambiente e proporcione conforto dos cidadãos.

O objetivo deste trabalho é apresentar a utilização do pavimento intertravado que, apesar do elevado custo e benefício, apresenta vantagens em relação aos pavimentos convencionais, principalmente porque alguns profissionais ainda acreditam que este tipo de pavimento é vantajoso apenas para as questões de drenagem.

O pavimento intertravado, por exemplo, pode promover maior segurança na mobilidade de deficientes físicos, tanto por ser um material antiderrapante, quanto por facilitar a sinalização. Também pode apresentar custos reduzidos de manutenção, sendo que não requer mão de obra e equipamentos especializados para sua conservação. As questões precisam observar que  este tipo de pavimento possui certo limite de resistência, portanto é necessário saber o nível do tráfego que irá atuar sobre o pavimento. Para o tráfego de veículos mais pesados o pavimento intertravado é recomendado apenas para locais de manobra.

4. Objetivos

4.1. Objetivo Geral

Analisar a eficácia dos pavimentos em bloco de concreto pré-moldados intertravados em relação a sua sustentabilidade, resistência, segurança, durabilidade e seu custo benefício.

4.2. Objetivos Específicos

  • Apresentar a capacidade de resistência ao tráfego e a drenagem dos blocos de concreto intertravados;
  • Explorar fatores de sustentabilidade;
  • Investigar a manutenção deste tipo de pavimento;
  • Analisar os custos da utilização do pavimento intertravado.

5. REFERENCIAL TEÓRICO

6. História da pavimentação

A história da pavimentação de áreas privadas e vias públicas, procurando viabilizar um melhor deslocamento de pessoas, animais e veículos, vêm de longa data. No império Romano a famosa Via Ápia já era pavimentada, e muito antes dela, no antigo Egito já existiam estradas pavimentadas que ajudaram no deslocamento de materiais para a construção de pirâmides. Diversas técnicas eram utilizadas para a construção desses pavimentos, e com o tempo através do conhecimento que foi sendo adquirido sobre esse tipo de estrutura o avanço tecnológico foi permitindo facilitar cada vez mais a utilização de pavimentos mais funcionais e menos trabalhosos de se construir (SAUNIER, 1936).

“Uma das mais antigas estradas pavimentadas implantadas não se destinou a veículos com rodas, mas a trenós para o transporte de cargas. Para a construção das pirâmides no Egito (2600-2400 a.C.), foram construídas vias com lajões justapostos em base com boa capacidade de suporte. O atrito era amenizado com umedecimento constante por meio de água, azeite ou musgo molhado.” (SAUNIER, 1936, p.12)

6.1. Pavimento intertravado

O pavimento de blocos de concreto intertravados consiste em um pavimento flexível, no qual os blocos são usados como revestimento sobre a base corretamente compactada e que as peças são colocadas como se fossem um quebra cabeça. Esse sistema permite que as peças travem uma a outra, portanto é necessário que todos os blocos estejam bem colocados, sem danos e que suas juntas sejam preenchidas com rejunte (ABNT, 2013).

A NBR 9781/2013 define pavimento intertravado sendo:

“Pavimento flexível cuja estrutura é composta por uma camada de base (ou base e sub-base), seguida por camada de revestimento constituída por peças de concreto justaposta sem uma camada de assentamento e cujas juntas entre as peças são preenchidas por material de rejuntamento e o intertravamento do sistema é proporcionado pela contenção.”

Para Fioriti, Ino e Akasaki (2007), a pavimentação com blocos intertravados teve uma grande explosão no século XX, após a segunda guerra mundial, e, atualmente, tem um significativo aumento nas obras. Com o avanço tecnológico, diversos materiais e estudos são feitos para maior economia dos materiais e melhor desempenho em relação ao meio ambiente, diminuindo danos causados ao mesmo.

O pavimento intertravado pode ser utilizado em vários ambientes, além da possibilidade dos blocos serem fabricados de acordo com a estética desejada. Em nosso dia a dia, podemos encontrar diversas praças nos grandes centros, estacionamentos, calçadas, dentre outros locais, com blocos intertravados de diferentes formatos e modelos. (FIORITI, INO e AKASAKI, 2007, p. 44)

Podemos encontrar no Manual de Pavimento Intertravado (p. 9, 2010) a definição de intertravamento, sendo:

“É a capacidade que os blocos adquirem de resistir a movimentos de deslocamento individual, seja ele vertical, horizontal ou de rotação em relação a seus vizinhos. O intertravamento é fundamental para o desempenho e a durabilidade do pavimento. Para que se consiga o intertravamento duas condições são necessárias e indispensáveis: contenção lateral e junta preenchida com areia.”

6.2. Blocos de concreto

Segundo a NBR 9781 (2013, p.3), o concreto utilizado para produção dos blocos é o mesmo concreto utilizado em obras na construção civil, sendo utilizado o cimento Portland, agregados e água, até o processo de cura do concreto também é utilizado para os blocos. Após esse processo, são realizados ensaios de laboratório que vão avaliar a resistência e a capacidade de absorção da água. (SENÇO, 2001, p. 645)

“O concreto utilizado nas peças deve ser constituído de cimento Portland, agregados e água, sendo permitido o uso de aditivos e pigmentos.” (ABNT, 2013, p. 3).

A dosagem do concreto vai variar de acordo com o tipo de tráfego e com a frequência que vai ser exercida sobre o concreto. As dimensões dos blocos são definidas de modo que ocorra o intertravamento entre as peças de modo que as juntas entre os blocos sejam pequenas. A espessura da peça também sofre a influencia das cargas e da frequência de tráfego, podendo variar entre 6 cm e 10 cm.

A norma brasileira NBR 9781 (2013) fornece todas as informações necessárias aos fabricantes, projetistas e usuários desse tipo de pavimento, sendo elas: materiais, características das peças, dosagens, ensaios e estocagem as peças.

Sobre o processo de fabricação das peças CARVALHO (1998) entende que:

“Dos processos de fabricação das peças destacam-se aqueles que utilizam

as vibro-prensas para a obtenção do produto final, com consideráveis vantagens sobre outros tipos de equipamentos — mesas vibratórias, por exemplo — uma vez que possuindo dispositivo de compactação hidráulica, além do de vibração, permitem a moldagem de peças com menores teores de cimento, melhor acabamento superficial e maior resistência ao desgaste.”

6.3. Estrutura do pavimento intertravado

A construção do pavimento de blocos de concreto pré-moldado é composta no máximo pelos seguintes elementos: subleito, sub-base, base, camada de assentamento e camada de rolamento (JÚNIOR, 1992), como é representado na Figura 2.1.

Para o dimensionamento do pavimento é preciso conhecer a capacidade de suporte do solo, e para isso é utilizado o método CBR da NBR 9896 – Solo – Índice de Suporte Califórnia. Também é necessário conhecer a magnitude das cargas que atuarão sobre o pavimento, e a frequência das mesmas (CARVALHO 1998).

Um dimensionamento correto é de suma importância, pois ele define as espessuras e os materiais que serão utilizados nas camadas citadas anteriormente.

No pavimento intertravado é indispensável a utilização de contenções laterais, pois elas evitam o deslizamento dos blocos. A figura 2.3 representa os métodos mais utilizados de assentamento dos blocos de concreto pré-moldados.   

Figura 2.1 – Seção típica do pavimento intertravado

Fonte: T & A Blocos e Pisos - Manual técnico de piso intertravado de concreto.

Figura 2.2 – Modelos de assentamentos de pavers: (a) fileiras; (b) trama; e (c) espinha de peixe

Fonte: Cruz (2003, p. 19)

6.3.1. Subleito

É necessário regularizar e compactar o subleito de acordo com a cota estabelecida no projeto que vai ser seguido, o não cumprimento desse procedimento vai gerar patologias no pavimento. O subleito é uma camada que não pode sofrer alterações com a presença da água. É de extrema importância que o subleito seja uma plataforma firme, pois ele tem grande importância na capacidade estrutural do pavimento. Para isso é preciso realizar a remoção de qualquer material estranho, como matéria orgânica e raízes, para em seguida realizar a compactação e o preparo para as camadas que virão sobre ele (ABCP PR 01, 2010).

6.3.2. Sub-base

Dependendo do projeto, está camada pode ser dispensada, se o material do subleito possuir capacidade de suporte CBR = 20% não será necessária a sub-base. Segundo Fioriti (2007), o material que constitui esta camada que é complementar à camada de base, é granular, sendo solo-brita ou outro solo que atenda as características necessárias. Para Carvalho (1998) o fator CBR também influencia  no material desta camada e em sua espessura.

6.3.3. Base

A espessura mínima para a base é de 10 cm, dependendo do CBR das camadas anteriores esta camada poderá ser dispensável. É constituída por material granular, e é semelhante com a superfície final do pavimento. A ABCP PR 01 (2010) descreve que “(...) a superfície da camada de base deverá ser a mais fechada possível, ou seja, com o mínimo de vazios, para não haver perda de areia da camada de assentamento dos blocos”.

6.3.4. Assentamento

No Manual de Pavimento Intertravado, PORTLAND – ABCP (2010; pg 15) define a camada de assentamento como:

“Camada composta por material granular, com distribuição granulométrica definida, que tem a função de acomodar as peças de concreto, proporcionando correto nivelamento do pavimento e permitindo variações na espessura das peças de concreto. A areia de assentamento nunca deve ser usada para corrigir falhas na superfície da camada de base.”

6.3.5. Confinamento

É indispensável no pavimento intertravado, pois evita o deslizamento dos blocos, que pode ocorrer na hora da compactação durante a construção, ou pelo tráfego durante sua vida útil. Os confinamentos devem ser construídos antes da aplicação da areia na qual os blocos serão assentados, formando um tipo de “caixa” para ocorrer o travamento de forma correta. O confinamento mais comum é o externo, que rodeia o perímetro do pavimento, e é utilizado em sarjetas e meios-fios, e o confinamento interno, que é muito utilizado em jardins e canaletas (ABCP PR 02, 2010).

6.4. Drenagem nos pavimentos intertravados

A presença da água é o principal motivo das diversas patologias que podem acontecer em um pavimento. Por isso, para diminuir as patologias, projeta-se um sistema de drenagem no pavimento, evitando que a água fique acumulada em seu interior. Um pavimento sem sistema de drenagem vai necessitar de mais manutenções do que um pavimento que possui o sistema de drenagem bem projetado e eficiente. (SENÇO, 2001, p.445) Assim, “(...) todos os elementos que se deterioram, que são destruídos e mesmo subtraídos, devem ser repostos (...)” (SENÇO, 2001, p.445)

Desde a antiguidade já eram planejados sistemas de drenagem dos pavimentos, de modo que não comprometesse a locomoção pelo mesmo. De acordo com Margary (1973, p.13)

Havia uma grande preocupação com aterros e drenagem. Em geral a fundação era formada por pedras grandes dispostas em linha de modo a proporcionar uma boa plataforma e ainda possibilitar a drenagem. A camada intermediária era então colocada sobre a fundação sólida. é comum encontrar-se areia nessa camada intermediária, misturada ou não com pedregulho ou argila, a fim de adicionar resiliência ao pavimento.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Segundo Sinaprocim, ABCP, BlocoBrasil e Soluções para Cidades (2011, p. 1), “pavimento permeável é aquele capaz de suportar cargas e ao mesmo tempo permitir a percolação ou acúmulo temporário de água de chuva, diminuindo o coeficiente de escoamento superficial.”

A drenagem nos blocos de concreto convencional é feita pelas juntas, que devem ser dimensionadas de acordo com a norma NBR 15953/2011. (ABNT, 2011, p. 4) A velocidade e capacidade de infiltração vão depender da espessura nas quais as juntas foram dimensionadas, e também do tipo do material usado como rejunte.  A drenagem também pode ser feita pelo próprio bloco, que é fabricado por um concreto poroso, que contém vazios (espaços) para água percorrer. (MARCHIONI; SILVA, 2011).

Sinaprocim, ABCP, BlocoBrasil e Soluções para Cidades (2011) destacam os métodos de drenagem nos pavimentos intertravados, que são:

“O pavimento intertravado com revestimento pré-fabricado, oferece três formas distintas de percolação: com juntas alargadas, em que a água percorra entre as juntas das peças de concreto; com áreas vazadas e; através da própria peça, quando essa é de concreto permeável.”

É necessário fazer um estudo do solo para saber o quão permeável ele é, pois, se capacidade de permeabilidade for muito baixa, é necessária a utilização de tubos de drenagem na base do pavimento para impedir que a água fique acumulada na base do pavimento, o que pode causar as patologias. (MARCHIONI; SILVA, 2011, p. 11).

6.4.1. Coeficiente de escoamento

“Pavimentos permeáveis são definidos como aqueles que possuem espaços livres na sua estrutura por onde a água pode atravessar” (FERGUSON, 2005).

No pavimento intertravado esses espaços que a água pode atravessar se encontram nos blocos vazados, nas juntas de dilatação dos blocos ou pelos blocos de concreto poroso. Eles permitem a infiltração total da água.

Realizou-se um experimento pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no qual simula uma chuva em diversas superfícies, representando o nível de escoamento nos pavimentos de concreto, porosos, compactados e blocos vazados, e fará uma comparação entre eles, conforme representado na Figura 1 (ARAÚJO, p.3;1999)

Nos resultados obtidos pode-se concluir que os solos compactados possuem o coeficiente de escoamento maior que os pavimentos impermeáveis, assim contribuindo para o aumento de inundações e enchentes. Os resultados são expostos na tabela 2.1.

Tabela 2.1 - Coeficientes de escoamentos pelas superfícies

Fonte: (ARAÚJO, 1999)

“Os resultados apresentados pelo solo compactado, ressaltam que considerar uma superfície não pavimentada como área permeável pode resultar em erro de projeto. O estudo demonstra que o importante não é apenas o tipo de revestimento adotado, mas as condições de infiltração do terreno.”  (MARCHIONI, MSc. Mariana L.; SILVA, MSc.; p.3; 2011). Na figura 2.3 podemos observar as superfícies avaliadas em relação ao escoamento superficial.

Figura 2.3 – Superfícies avaliadas em relação ao escoamento superficial

(Fonte: ARAÚJO, 1999).

O Coeficiente de escoamento será utilizado para medir a drenagem dos pavimentos. Trata-se de um transporte da água no solo, que ocorre no excesso de precipitações de chuvas, no qual pode ocasionar alagamentos. É representado conforme a fórmula: Q= c.i.a

Onde, “Q” é representado pela vazão, “C” coeficiente de escoamento, e “A” pela área do local do experimento (MARCHIONI, MSc. Mariana L.; SILVA, MSc.; p.2; 2011). O coeficiente de escoamento varia conforme as áreas de edificações representadas, como mostra na tabela 2.2.

Tabela 2.2 - Valores típicos de coeficiente de permeabilidade de solos

 (Fonte: TERZAGUI, PECK, 1967)

A permeabilidade também tem um papel importante no estudo de escoamento dos solos, tendo como objetivo medir a sua velocidade e capacidade de absorção nos pavimentos. Para medir o nível de permeabilidade recomenda-se meio de procedimentos conhecido como “in situ”, que  utiliza-se o uso de um cilindro na superfície no qual será vedado para evitar vazamento da água que será acrescentada. Após fazer o procedimentos obterá o coeficiente de permeabilidade através da Lei de Darcy (MARCHIONI, MSc. Mariana L.; SILVA, MSc.; 2011).

Na tabela 2.3 podemos observar o grau de permeabilidade dos tipos de solo, de acordo com estudos realizados pela Prefeitura Municipal de São Paulo.

Tabela 2.3 - Valores de “c” adotados pela Prefeitura Municipal de São Paulo

(Fonte: WILKEN, 1978)

Manutenções nos pavimentos intertravados

O ICPI (2009, p. 1) destaca que, para o processo de drenagem ser bem sucedido, é necessária uma manutenção dos blocos de concreto, pois, com o passar do tempo, pode aparecer pequenos empecilhos que diminuirão a capacidade de infiltração da água no bloco. Isso pode fazer com que a drenagem demore mais tempo para acontecer e, consequentemente, possibilitar o surgimento de poças de água. É recomendável fazer uma limpeza com uma varredeira mecânica, uma ou duas vezes ao ano, para retirada de sedimentos prejudiciais ao pavimento. Caso os blocos sejam feitos de concreto poroso (com vazios), é necessário uma manutenção com jatos de água, para retirada da borracha dos pneus e de outros componentes que com o tempo podem encher os vazios das peças.

Em algumas manutenções, pode ocorrer a retirada do rejunte junto com a limpeza, e após a manutenção tem que ser colocado um novo rejunte. A retirada dos blocos é feita quando tem necessidade de manutenção na base do pavimento, ou quando existir tubos de drenagem e o problema estiver contido neles. A quebra do bloco resulta em sua substituição. Se, porventura, houver vegetação crescendo entre as juntas dos blocos, a manutenção é mais trabalhosa, pois é feita manualmente com uma tesoura de corte. Não é utilizado produtos químicos para a remoção da vegetação, pois eles podem danificar o solo e consequentemente o meio ambiente.

“Como elas são intertravadas pelo enchimento de areia nas juntas, a sua retirada torna-se difícil, sendo necessário, às vezes, que algumas peças sejam quebradas para que as outras possam ser retiradas sem nenhum dano.” (CARVALHO, 1998, p.17).

SILVA e ABCP (2011) destacam que os blocos de concreto apresentam diversos benefícios em sua manutenção, pois é um procedimento mais econômico do que a manutenção do pavimento convencional. Os materiais podem ser reutilizados, podendo até ocorrer a realização de reparos simples na reutilização.

6.4.2. Resistencia dos blocos de concreto

Além dos esforços verticais e horizontais, o intertravamento das peças permite o pavimento suportar os esforços de rotação, assim os esforços exercidos são distribuídos para as outras peças, conforme é representado na figura 2.4 (PORTLAND, 2010, p.10)

O pavimento deve ser utilizado de acordo com os esforços que ele pode suportar, desta forma é necessário um estudo do tráfego e da força que ele vai exercer sobre o pavimento, podendo ser utilizado para trafego de veículos leves, caminhões, locais de manobra, entre outros, ou apenas para o tráfego de pedestres. A resistência a compressão dos blocos é definida através de ensaios que são realizados em sua fabricação, seguindo os critérios da norma (ABNT, 2013, p.26).

Para a fabricação dos blocos intertravados é necessário atender a normal NBR 9781, que estabelece as seguintes especificações: Resistência a Compressão; Dimensional; Visual.

Figura 2.4 - Esforços exercidos sobre o pavimento.

Fonte: ABCP (2011)

Para a resistência a compressão o aparelho utilizado é o Esclerômetro de Recuo (Schmidt), que funciona da seguinte maneira:

  • Uma massa é suspensa por uma mola que colide contra uma haste que está em contato com o bloco a ser ensaiado, sofrendo assim um recuo. A massa que sofre o impacto gera um índice sobre uma escala, que através do mesmo, possibilita avaliar a intensidade do choque.
  • O Esclerômetro deve ser manuseado na posição horizontal, o mesmo é colocado na área escolhida e após cada leitura deve ser deslocado 3 cm, para que não sofra mais de um impacto no mesmo ponto. Após esse processo são separados 5 no mínimo 5 blocos para constituir o corpo de prova (MANUAL DE TECNICAS DE PAVIMENTAÇÃO, p. 649).

De acordo com a NBR 9781 (2013), a resistência característica à compressão (fpk) aos 28 dias, para tráfego de pedestres, veículos leves e veículos comerciais de linha deve ser superior a 35 fpk. Já para o tráfego de veículos especiais e solicitações capazes de produzir efeitos de abrasão acentuados o fpk deve ser maior que 50.

Os lotes que forem entregues com menos de 28 dias ao cliente, devem apresentar no mínimo 80% Fpk, no ato da instalação e nos seus 28 dias ou mais de idade de cura. O fpk deve ser igual ou maior ao referido na tabela acima.

6.4.3. Custo e benefício

O pavimento intertravado agrega diversos benefícios ao nosso meio, que vão desde a sustentabilidade até segurança no tráfego das vias e dos pedestres. O material mais poroso acaba sendo ante derrapante, diminuindo a chance do pedestre escorregar acidentalmente, e as poças de água são drenadas pelo concreto permeável, deixando o pavimento mais seguro ainda. A porosidade do material também ajuda na hora dos freios inesperados dos veículos, pois a distância da frenagem vai ser menor do que é em um pavimento convencional.

O seu sistema de drenagem permite que a água retorne aos lenções freáticos, dando continuidade ao ciclo natural.  Os pavimentos intertravados têm a vida útil estimada de 20 anos e os custos das manutenções e outros fatores do pavimento intertravado serão menores do que as manutenções do pavimento convencional dentro desses 20 anos. Porém o custo da implantação é pouco superior ao pavimento convencional (ABCP; 2011).

6.4.4. Conforto térmico

Os pavimentos intertravados de concreto proporciona um melhor conforto térmico em relação aos outros tipos de pavimentos. Devido a sua tonalidade ser mais claras, os blocos refletem mais a luz solar e absorvem menos calor.

O calor produzido pelos raios solares  ao refletir nos blocos são rapidamente liberados, podendo apresentar até 30% a mais a capacidade de reflexão da luz em relação a outros pavimentos de cores mais escuras (ARAÚJO, 1999).

6.4.5. Fator estético

Devido à ampla quantidade de cores, texturas e formatos dos blocos, proporciona uma riqueza visual e desenvolvimento de diferentes projetos de paisagismo, e assim obtendo um ambiente mais agradável, podemos observar isso na figura 2.6. Além do ganho estético, as cores também podem ser utilizadas como uma forma de sinalização horizontal, conforme mostra a figura 2.5 (ARAÚJO, 1999).

Figura 2.5 - Aplicação de blocos de concretos intertravados em sinalização

Fonte: MASCHIO (2015)

Figura 2.6 - Paisagismo

Fonte: MASCHIO (2015)

Comparativo

A Tabela 5.1 apresenta um comparativo entre os pavimentos intertravado, asfáltico e paralelepípedo, atribuindo uma pontuação em função do bom desempenho em cada item avaliado.

Tabela 5.1 - Comparativo entre pavimentos

7. CONCLUSÃO

Com base no desenvolvimento deste trabalho, e através de pesquisas cientificas, apresentamos diversos benefícios que os pavimentos em blocos de concreto pré-moldados intertravados podem fornecer, principalmente em relação a sustentabilidade. Abordamos conceitos básicos, características, estrutura do pavimento, aspectos construtivos, execução, manutenção, e os benefícios desse tipo de pavimento. Os pavimentos em blocos de concreto intertravados são sistemas de pavimentação urbana, e são mais utilizados em vias coletoras e locais. Por ser um pavimento permeável, ele pode ser utilizada para a redução de enchentes, desde que seja feito um estudo do solo e um sistema eficiente de drenagem na hora da construção do pavimento, e com essa melhor eficiência na drenagem, a água retorna aos lençóis freáticos. Outro ponto importante é a segurança de quem transita, pode ser pedestre ou veículos, os blocos bem compactados dão uma melhor aderência servindo de antiderrapante.

De acordo com o que foi exposto nesta pesquisa vale ressaltar que é indispensável um estudo de projeto antes da escolha do pavimento em bloco intertravado, pois é necessário identificar se o pavimento escolhido vai atender as exigências à qual será destinado.

8. REFERÊNCIAS

ABCP ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND; 2011. Pavimento Intertravado alia durabilidade e estética; Disponível em: www.abcp.org.br/. Acesso em: 05/04/2018.

ABCP ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND. PR 01: pavimentos intertravados – Preparo da Fundação, 2010.; Disponível em: www.abcp.org.br/. Acesso em: 05/04/2018.

ARAÚJO, P. R., TUCCI, C. E. M., GOLDEFUM J. A. Avaliação da eficiência dos pavimentos permeáveis na redução do escoamento superficial. Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRG. Porto Alegre, 1999.

CARVALHO, Marcos Dutra de. Pavimentação com peças pré-moldadas de

concreto. 4.ed. São Paulo, ABCP, 1998. 32p. (ET-27)

FERGUSON, B. K. Porous Pavements. Integrative Studies in Water Management and Land Development. Florida, 2005.

FIORITI, Cesar F.; INO Akemi; AKASAKI, Jorge L.; Avaliação de blocos de concreto para pavimentação intertravada com adição de resíduos de borracha provenientes da recauchutagem de pneus. Ambiente Construído. Porto Alegre, v. 7, n. 4, out. /dez. 2007

Grupo Ănima Educação; MANUAL PESQUISA QUALITATIVA. Belo Horizonte 2014.

ICPI, PICP – Installer Technician Certificate Course. ICPI. 2009. Manutenção de Pavimentos Intertravados Permeáveis. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND  ABCP, 2011. Disponível em: www.abcp.org.br/. Acesso em: 05/04/2018.

JÚNIOR, Fernando Augusto. Manual de Pavimentação Urbana. São Paulo: Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), 1992.

Manual técnico de piso intertravado de concreto/ T & A Blocos e Pisos. Fortaleza: T & A Blocos e Pisos, 2004.

MARCHIONI, MSc. Mariana L.; SILVA, MSc. Cláudio Oliveira; Conceitos e Requisitos para Pavimentos de Concreto Permeável; São Paulo, Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), 2011.

MARCHIONI, MSc. Mariana L.; SILVA, MSc. Cláudio Oliveira; Pavimento Intertravado Permeável - Melhores Práticas; São Paulo, Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), 2011.

MASCHIO, Alexsander; Pavimento Intertravado, Aplicação em vias urbanas; Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP); Rodada do ConheCIMENTO 26 a 28.08.2015.

NBR 9781/2013; ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9781: Peças de Concreto para Pavimentação – Especificação e métodos de ensaio. Rio de Janeiro, 2013.

NBR 15953/2011; ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15953: Pavimento Intertravado com peças de concreto - Execução. Rio de Janeiro, 2011.

NBR 9895/1987; ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9895: Solo – Índice de suporte Califórnia. 1987.

PEROVANO, D.G. Manual de metodologia científica para a segurança pública e defesa social. Curitiba: Juruá, 2014;

PORTLAND, Associação Brasileira de Cimento. Manual de Pavimento Intertravado: Passeio Público. Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP, São Paulo, 2010. 36p.

SAUNIER, 1936; MARGARY, 1973; Pavimentação asfáltica : formação básica para engenheiros / Liedi Bariani Bernucci... [et al.]. – Rio de Janeiro : PETROBRAS: ABEDA, 2006.

SENÇO, Wlastermiler de.; W. L. Hindermann; Manual de Técnicas de Pavimentação. 1 ed. São Paulo: Editora Pini, 2001, v. II.

Sinaprocim, ABCP, BlocoBrasil e Soluções para Cidades; 2011. 13 passos para executar um pavimento permeável e armazenar água da chuva Disponível em: www.abcp.org.br/. Acesso em: 05/04/2018.

SILVA, MSc. Cláudio Oliveira; Execução e Manutenção de Pavimento Intertravado; Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP); Soluções para Cidades; 2011.

TERZAGHI, K. and PECK, R. B. (1967). Soil Mechanics in Engineering Practice, 2nd edn.. John Wiley, New York, London, Sydney.

WILKEN, P. S. (1978). Engenharia de drenagem superficial. São Paulo: CETESB


Publicado por: Paulo Eduardo

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do site por meio do canal colaborativo Monografias. O Brasil Escola não se responsabiliza pelo conteúdo do artigo publicado, que é de total responsabilidade do autor. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
  • Facebook Brasil Escola
  • Instagram Brasil Escola
  • Twitter Brasil Escola
  • Youtube Brasil Escola
  • RSS Brasil Escola