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ANÁLISE DA VIABILIDADE DO TIJOLO ECOLÓGICO DE SOLO-CIMENTO NA CONSTRUÇÃO CIVIL: UMA REVISÃO DE LITERATURA

Engenharia

Analisar a viabilidade e aplicabilidade econômica do uso do tijolo ecológico, identificar os aspectos ambientais negativos e positivos gerados, propor solução para uma construção mais sustentável, mostrar as barreiras que podem dificultar a utilização do tijolo solo-cimento, propor medidas quanto ao uso do tijolo nas construções e comparar o tijolo solo-cimento e o convencional.

índice

1. RESUMO

O tijolo de solo-cimento (ou tijolo ecológico) é assim chamado, pois, promove um impacto ambiental positivo, reduzindo o custo de diversos materiais na construção civil, sendo aplicado o conceito de sustentabilidade em seu processo de fabricação e execução de obras. A história da construção civil tem início da necessidade do ser humano em ter um abrigo. Desde então, foi inventado técnicas construtivas objetivando a melhor necessidade humana e também criada e aprimorada a utilização dessas técnicas. Logo, diante dessa temática é percebido a importância do tijolo de solo-cimento como uma alternativa sustentável para o meio ambiente, já que é considerado um material ecologicamente correto. Assim, esse estudo analisa a partir de uma revisão da literatura a viabilidade de se utilizar tijolos solo-cimento (tijolos ecológicos) para a redução dos impactos ambientais. Na metodologia desse trabalho foram coletadas informações através da bibliografia de diferentes autores utilizando como base para a descrição a nomenclatura Tijolo Ecológico. Foram utilizadas teses, artigos, revistas e livros para a produção desse trabalho utilizando a base de dados do Google Acadêmico. Com os resultados encontrados pode-se perceber que o tijolo ecológico apresenta superioridade em relação aos tijolos convencionais, não emitindo gases em sua fabricação, possui matéria prima abundante na Terra, dispensa o uso de formas de madeiras e produz a menor quantidade de resíduos. Além disso, foram destacados suas vantagens e desvantagens, viabilidade técnica, viabilidade ecológica e viabilidade econômica, também, as diferenças entre os tipos de tijolos, processo produtivo e seus impactos ambientais. Esse estudo apresentou uma importante fonte de caracteres para estudos sustentáveis, todavia são necessários mais estudos do tijolo ecológico, a fim de identificar mais caracteres para contribuir na sustentabilidade de construções.

Palavras-chaves: Materiais alternativos. Solo-cimento. Construção Sustentável. Engenharia sustentável.

ABSTRACT

The brick of soil-cement (or ecological brick) is so called, because it promotes a positive environmental impact, reducing the cost of various materials in civil construction, being applied the concept of sustainability in its process of manufacture and execution of works. The history of civil construction begins with the need for human beings to have a shelter. Since then, constructive techniques have been invented aiming at the best human need and also created and improved the use of these techniques. Therefore, in view of this theme, the importance of soil- cement brick sustainable alternative for the environment is perceived, since it is considered an ecologically correct material. Thus, this study analyzes from a literature review the feasibility of and whether to use soil-cement bricks (ecological bricks) to reduce environmental impacts. In the methodology of this work, information was collected through the bibliography of different to authors using as a basis for the description the nomenclature Ecological Brick. Theses, articles, magazines and books were used to produce this work using the Google Scholar database. With the results found, it can be seen that the ecological brick presents superiority over conventional bricks, not emitting gases in its manufacture, has abundant raw material on Earth, dispenses with the use of wood forms and produces the least amount of waste. In addition, its advantages and disadvantages, technical feasibility, ecological feasibility and economic viability were highlighted, also the differences between the types of bricks, the production process and their environmental impacts. This study presented an important source of characters for sustainable studies, however more studies of the ecological brick are needed in order to identify more characters to contribute to the sustainability of buildings.

Keywords: Alternative materials. Soil-cement. Sustainable Construction. Sustainable engineering.

2. INTRODUÇÃO

A construção civil é um dos principais setores da economia no nosso país e também um grande gerador de empregos. Com seu crescimento exponencial e a busca por melhores moradias, as pessoas acreditam que o uso indevido de materiais de construção vai gerar resíduos sólidos inúteis, que podem causar danos ao meio ambiente. De acordo com John (2004), a construção civil utiliza de 20% a 50% dos recursos naturais consumidos pela sociedade. Consome cerca de 2/3 da madeira natural extraída e a maioria das florestas é manejada de forma inadequada (JOHN, 2004).

Segundo SJÖSTRÖM (1996), em um metro quadrado de construção são gastos em torno de uma tonelada de materiais. Já não bastando o uso descontrolado de todo recursos naturais na construção civil, é também o principal setor da economia geradora de resíduos sólidos de toda sociedade. Isso irá gerar impacto diretamente no meio ambiente, pois é sabido que todo esses resíduos (lixo) não terá mais serventia para uma construção, sendo descartados em locais inapropriados, por exemplos: lixões, entulhos, matas/florestas, rios, etc. Diante desses aspectos, há necessidade de métodos alternativos de reciclagem de resíduos, minimizando o desperdício e utilizando-os como insumo para novos produtos, com o objetivo de economizar matérias- primas não renováveis e reduzir a geração de resíduos. Neste contexto este estudo analisou a viabilidade de utilizar o tijolo de solo-cimento como substituto do então tijolo convencional em construção civil, com enfoque na sua viabilidade econômica, ecológica e técnica, também destacando seus pontos positivos e negativos.

Logo, é viável a utilização do tijolo modular de solo-cimento, conhecido como tijolo ecológico, que é assim chamado, porque no seu processo de fabricação não é utilizado a queima, evitando desta forma, agentes poluentes do meio ambiente, como solução para construção de alvenarias, no que diz respeito à economia de materiais como a argamassa de assentamento e tempo de execução. Ele também reúne vantagens por causa das suas dimensões e texturas uniformes diminuindo as correções executadas no reboco devido aos desaprumos encontrados no assentamento de blocos cerâmicos comuns (AQUINO, 2004). Além de explorar o seu uso, mostrando o passo a passo da execução de uma alvenaria em tijolos modulares de solo-cimento, bem como fazendo comparativos de custos de uma alvenaria em tijolos modulares de solo- cimento, com o custo de uma alvenaria convencional (blocos cerâmicos), mostrando as suas vantagens e desvantagens.

3. PROBLEMATIZAÇÃO

Segundo Paiva e Ribeiro (2011), para alcançar o desenvolvimento sustentável, as empresas devem tomar medidas para melhorar a eficiência produtiva e fazer melhor uso de todos os recursos dos meios de produção. Na construção civil, são muitos os resíduos, como sobras e materiais quebrados, que podem ser melhor reaproveitados com a adoção de novas tecnologias as quais podem contribuir significativamente no processo de reciclagem desses materiais. Para as empresas que adotam esses programas, podem ser observados como benefícios relacionados à reciclagem, redução de custos e da venda de materiais reciclados. A economia de custos existe quando conseguimos diminuir os gastos com os materiais que compõe a construção de uma obra, a partir do melhor aproveitamento das matérias-primas e da eliminação das perdas (PAIVA, 2011).

O crescimento desenfreado do consumo de recursos naturais está fazendo o homem repensar sua forma atual de produção, pois são perceptíveis os danos ambientais como o efeito estufa, que é o aquecimento global do planeta, inversões térmicas, alterações nos habitats de vários seres vivos e consequentemente a extinção e a diminuição destes, surgindo então o tijolo ecológico como uma forma de diminuir esses impactos (PAIVA, 2011).

A construção civil afeta consideravelmente o meio ambiente pelo consumo de recursos minerais e de produção de resíduos. Ela explora jazida de pedras, areias, calcário, zinco, alumínio, ferro, etc. É consumidora voraz de madeira e água. Tem como fornecedores os principais segmentos poluidores (PAIVA, 2011).

4. OBJETIVOS

4.1. OBJETIVO GERAL

Realizar uma revisão sistemática da literatura, para analisar a viabilidade do uso do tijolo modular solo-cimento ou tijolo ecológico na construção civil.

4.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Com base nas leituras dos artigos científicos encontrados, os objetivos específicos são:

      • Analisar a viabilidade e aplicabilidade econômica do uso do tijolo ecológico;

      • Identificar os aspectos ambientais negativos e positivos gerados;

      • Propor solução para uma construção mais sustentável;

      • Mostrar as barreiras que podem dificultar a utilização do tijolo solo-cimento;

      • Propor medidas quanto ao uso do tijolo nas construções;

      • Comparar o tijolo solo-cimento e o convencional.

5. JUSTIFICATIVA

Na área da construção civil, um dos desafios mais relevantes é minimizar a quantidade de resíduos sólidos, devendo ser adotadas diferentes estratégias de sustentabilidade para tornar a construção de edifícios mais limpa. Segundo Motta et al. (2014), os tijolos de solo-cimento são assim denominados porque evitam o uso de madeira e combustível, evitando o corte de árvores e a emissão de monóxido de carbono para a atmosfera.

O tijolo ecológico é composto basicamente de solo, água e cimento (MOTTA et al., 2014). São encontrados diversos tamanhos e modelos de tijolos ecológicos, sendo esses, escolhidos de acordo com o projeto, mão de obra, materiais e equipamentos locais, além de outras condicionantes específicas. Para trabalhar com tijolos de dimensões diferentes, basta utilizar proporções de dosagens diferentes e prensagem ou moldagem mais cuidadosa, para que as faces externas do elemento de alvenaria possuam textura e resistência superiores. As alvenarias também podem receber pintura de diversas matérias-primas para que fiquem mais protegidas contra as intempéries (PISANI, 2005).

Os tijolos ecológicos podem ser configurados como maciços ou perfurados, com ou sem canaletas. No processo de execução, muitos detalhes devem ser considerados para se obter a qualidade exigida do tijolo. Quanto ao resultado final do processo de produção observa-se que os componentes de alvenaria impactam menos o meio ambiente do que os componentes tradicionais (PISANI, 2005).

6. REVISÃO TEÓRICA

6.1. HISTÓRICO (TIJOLO ECOLÓGICO)

Há muita controvérsia sobre o início do uso de solo-cimento na engenharia civil. Um dos relatos mais antigos sobre o uso de solo estabilizado para construção data do século III, a Muralha da China, que utilizava uma mistura de argila e cal na proporção de 3:7. Atualmente, essa tecnologia tem sido utilizada em outros tipos de trabalho. Segundo a Escola de Pós- Graduação Alberto Luís de Coimbra (BAUER, 1995, p. 695):

O solo como material de construção tem sido utilizado há pelo menos dez mil anos, sendo registrado em culturas antigas como a grega e a romana. Algumas destas obras resistem ao tempo, conservando sua qualidade estética e principalmente, sua qualidade estrutural. O uso de aglomerantes hidráulicos como estabilizador de solo, para construções, só ocorre mais tarde, uma vez que esse tipo de aglomerante só foi descoberto por volta de 1800.

De acordo com a Cemente and Concrete Association, o solo-cimento foi descoberto pelo engenheiro britânico H.E. Brook-Bradley, ele utilizou o produto para o tratamento do leito da estrada e dos trilhos de uma carruagem no sul da Inglaterra. Para os americanos, o uso do solo- cimento remonta a 1917, pois o engenheiro T.H. Amies utilizava esse material na época, que recebeu o nome soloamies (BAUER, 1995).

Os primeiros estudos do solo-cimento em grande escala foram feitos por Moore-Fields e Mill, nos Estados Unidos em 1932. Em 1944 a American Society fot Test ing Marerials (ASTM) normalizava os ensaios, sendo seguida por outras entidades tais como a American Association of State Highway Officials (AASHO) e a Portland Cement Association (PCA). No Brasil, em 1945, foi construída a primeira obra em solo-cimento que se tem notícia, uma casa de bombas para abastecer as obras do aeroporto de Santarém, Pará, com 42 m² (BAUER, 1995). No Brasil, cidades como Ouro Preto, Diamantina e Paraty têm uma história de quatro séculos, comprovando o uso extensivo de taipa-de-pilão, adobe e taipa-de-sopapo ou pau-a- pique. Portanto, o solo sempre fez parte do patrimônio cultural construtivo do Brasil (BAUER,

1995).

6.2. COMPOSIÇÃO DO TIJOLO SOLO-CIMENTO

O solo-cimento é uma mistura bem balanceada de solo e um aglomerante hidráulico artificial denominado cimento Portland. O método consiste em estabilizar o solo através do cimento, melhorando assim o desempenho da mistura como mostra a Figura 1.

Figura 1: Componentes da mistura de solo-cimento

Fonte: Brick – Sahara, 2001.

Vários são os fatores que afetam as características do produto final, entre eles a quantidade de cimento, as propriedades do solo, o teor de umidade e a compactação ou prensagem. A coesão do solo-cimento é determinada pela composição do cimento, sua finura, quantidade de água e temperatura ambiente (PIRES, 2004).

As impurezas que podem aparecer na água de mistura podem ser agressivas ao cimento (como por exemplo, sulfatos e matéria orgânica). As quantidades mais adequadas dos componentes são determinadas através dos ensaios de laboratórios ou ensaios solicitados de acordo com os tipos de solo e cimento a serem usados. Os ensaios de resistência à compressão podem ser executados em corpos de prova cilíndricos, ou ainda diretamente sobre tijolos (ou blocos) de solo-cimento (PIRES, 2004).

6.3. SOLO

A proporção de solo na mistura é alta e o solo deve ser selecionado de forma que a menor quantidade possível de cimento possa ser usada. Geralmente, o solo mais adequado para a fabricação de tijolos e blocos de solo-cimento é o solo com as características apresentadas na Tabela 1 como segue:

Tabela 1: Solos e suas características.

Passando na peneira 4,8 mm (nº 4)

100%

Passando na peneira 0,075 mm (nº 200)

10% a 50%

Limite de liquidez

≤ 45%

Índice de plasticidade

≤ 18%

Fonte: Adaptado de ANITECO, 2014.

De acordo com a consistência e a plasticidade da amostra, o solo pode ser selecionado no canteiro de obras por meio de testes simples e reais. Solos arenosos quase sempre requerem menos cimento do que solos argilosos e siltosos. Solos contendo matéria orgânica devem ser evitados, pois isso afetará a hidratação do cimento e consequentemente a estabilidade das matérias-primas. Embora existam solos que não podem ser utilizados isoladamente para a fabricação, é possível misturar dois ou mais deles para encontrar nas especificações solos com características adequadas. Os testes necessários para selecionar o solo são:

      • Preparação da amostra de Solo para Ensaio de compactação e Ensaio de Caracterização (NBR 6457);

      • Determinação da Massa Especifica dos Grãos de Solo (NBR 6508);

      • Solo – Determinação do Limite de Liquidez (NBR 6459);

      • Solo – Determinação do Limite de plasticidade (NBR 7180);

      • Solo – Analise Granulométrica (NBR 7181).

6.4. VIABILIDADE ECONÔMICA

Combinar praticidade com economia de custos em edifícios é muito importante, porque o grande impacto na escolha de materiais e métodos de uso de um determinado edifício vem da economia de custos esperada ao usar este método ou material. De acordo com essa inferência, os tijolos de solo-cimento tornam-se um substituto potencial. Vale ressaltar que, segundo Teixeira et al. (2012) essa economia de energia advém em grande parte do não uso da combustão na produção de eco tijolos, principalmente quando se utiliza prensas manuais.

Segundo Dos Santos et al. (2014), esse tipo de tijolo ecológico além de contribuir com o meio ambiente evitando a emissão de gases de efeito estufa, considerando o reaproveitamento de materiais vegetais descartáveis, terá grande contribuição para a economia do país, pois o produto é durável e resistente a altas temperaturas. Além de baixo custo e alta aplicabilidade na construção civil, também é resistente. De acordo com Santana et al. (2013), é importante destacar que a cada 1.000 tijolos ecológicos produzidos, o equivalente a 2,5 m³ de entulho da construção civil, acabará sendo incorporado ao processo de produção do tijolo, o que equivale à retirada de 150 m³ de entulho por mês.

Outro ponto a se acrescentar, é o do crescente incentivo a utilização de métodos de reciclagem em diversos setores da sociedade. E, seguindo essa vertente, uma ótima alternativa para a composição do tijolo ecológico é a reciclagem utilizando-se de resíduos que, até então, seriam descartados como entulho em locais muitas vezes inapropriados. Segundo Paiva (2011), os benefícios de se utilizar produtos reciclados na composição do tijolo ecológico são os retornos referentes à aplicação na reciclagem, que podem ser economia de custos e o produto da venda de materiais reciclados. A economia de custos existe quando conseguimos diminuir os gastos com os materiais que compõe a construção de uma obra, a partir do melhor aproveitamento das matérias-primas e da eliminação das perdas (PAIVA, 2011).

6.5. VIABILIDADE ECOLÓGICA

Levando-se em consideração que a Construção Civil tem gerado uma grande quantidade de resíduos sólidos em seus processos produtivos, a busca de novas soluções construtivas, o emprego viável de novas ferramentas, a reciclagem de resíduos, o déficit habitacional, o desenvolvimento sustentável e a eliminação do desperdício no canteiro de obras por meio da racionalização de materiais e mão de obra são desafios a serem encarados por pesquisadores, engenheiros, arquitetos e pela própria sociedade (GONÇALVES et. al., 2006). Buscando solucionar os problemas gerados por tais resíduos, estão sendo feitas pesquisas de melhor reaproveitamento dos mesmos (DIAS et al., 2011).

A maior vantagem do uso de tijolos ecológicos é a capacidade de reaproveitar recursos. Antes, esses recursos eram considerados simples entulho, mas, com o reaproveitamento de recursos, passaram a ser uma parte importante dos componentes básicos dos tijolos ecológicos. Seguindo esse raciocínio de se reutilizar esses recursos que seriam descartados, de acordo com Carvalho et al. (2014), o compósito empregado na fibra de bananeira, que seria uma das inúmeras alternativas de reutilização de recursos que seriam dispensados até então, é uma grande solução na área da construção civil com a fabricação de um novo tipo de tijolo, com total aproveitamento do pseudocaule, que normalmente é descartado por não possuir utilidade. É importante salientar que o tijolo ecológico não utiliza a queima de biomassa para o processo de cura, grandes quantidades de madeira o que pode se sugerir que há a possibilidade de preservação dessas áreas, bem como a economia desse recurso renovável, e que de forma indireta estaria relacionada com a economia dos solos e recursos naturais (SANTANA et al., 2013).

6.6. VIABILIDADE TÉCNICA

Como qualquer componente utilizado em edificações civis, os tijolos ecológicos devem proporcionar segurança e praticidade à obra, sempre visando atender às suas necessidades. Por isso, antes de se utilizar tal produto, deve-se atentar para o atendimento aos requisitos prescritos nos ensaios de resistência e absorção do tijolo ecológico, obedecendo-se as prescrições da norma da ABNT NBR-8492 (ABNT, 1982) denominada Tijolo maciço de solo-cimento: determinação da resistência à compressão e da absorção de água: método de ensaio e da norma NBR-8491 (ABNT, 1984) denominada tijolo maciço de solo-cimento.

Através de tais ensaios, pode-se perceber que o tijolo de solo-cimento é mais resistente que a alvenaria convencional (cuja resistência é de 20 kgf/cm²). Já o resultado do ensaio da absorção é 15,32%, menor que a de um tijolo convencional, que é de 45,388% (MOTTA et al., 2014). Outro aspecto importante a salientar é que o fator determinante para uma melhor qualidade do solo-cimento depende do tipo de solo, umidade de moldagem, tipo de prensa, proporção de solo/cimento, tipo de estabilizante e o processo de cura. Para uma maior resistência à compressão, absorção e durabilidade do solo-cimento, deve-se utilizar um percentual maior de cimento na mistura (MOTTA et al., 2014). Na Figura 2 pode ser vista algumas formas de tijolo ecológico.

Figura 2: Três formas de tijolo ecológico

Fonte: Revista Qual Imóvel, 2015.

Em relação aos tijolos ecológicos, o aspecto importante a ser mencionado é a sua durabilidade e reduzida manutenção das edificações feitas com os mesmos, pois é utilizado para apresentar alta resistência e boa impermeabilidade. A estrutura é muito durável e pode resistir a anos de desgaste e à umidade (TEIXEIRA et al., 2012). De acordo com Souza et al. (2011), testes demonstram que a mistura de solo-cimento é submetida à compactação num teor de umidade ótimo para obtenção de máxima densidade, de modo a formar um material estruturalmente resistente e durável, utilizado na forma de tijolos, blocos e paredes monolíticas (LOPES; FREIRE, 2003 apud ALBUQUERQUE et al., 2008), apresentando boa resistência à compressão, bom índice de impermeabilidade e baixo índice de retração volumétrica (HABITAR, 2004).

6.7. TIPOS DE TIJOLOS

6.8. TIJOLOS ECÓLOGICOS

De acordo com Sala, podemos definir como:

O tijolo ecológico ou de solo-cimento é feito de uma mistura de  solo  e  cimento, que depois  são prensados; seu processo de fabricação não exige queima  em  forno à lenha, o que  evita desmatamentos e não polui o ar, pois não lança resíduos  tóxicos  no  meio  ambiente.  Para   o assentamento, no lugar de argamassa comum  é utilizada uma cola especial (SALA, 2006, p. 39).

Podem apresentar dois furos no seu interior conforme pode ser visto na Figura 3. Eles permitem colocar a rede hidráulica e elétrica, dispensando assim a quebra da parede. O sistema é modular e produz alvenaria uniforme, o que diminui as perdas no reboco.

De acordo com Pisani (2005), os tijolos de solo-cimento possuem matéria-prima abundante na terra por serem solo de origem. A autora destacou ainda que por ter propriedades isolantes, além de proporcionar um ambiente confortável e quase nenhum consumo de energia, também economiza energia sem queimar, de forma que o produto tem bons efeitos de isolamento térmico e acústico, conforme Figura 4, mostra uma casa construída com esse tipo de tijolo.

Figura 3: Tijolo Solo-Cimento.

Fonte: Karla Cunha, 2012.

Figura 4: Casa construída utilizando tijolo Solo-Cimento

Fonte: Dicas de Arquitetura, 2014.

Segundo o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) (p.3), as vantagens do tijolo  de  solo-cimento   vão   além das   ambientais, servindo também   para a economia no processo construtivo e  conforto, estética.  De  acordo  com “estudos  realizados em todo o Brasil, (...) tijolos ecológicos trazem para a obra de 20 até 40% de economia com relação à construção convencional” (SEBRAE, p.3).

Conforme SEBRAE (2007, p.3. apud, OSCAR NETO, 2010, p. 18) “hoje, em uma obra convencional, cerca de 1/3 do material vai para o lixo”. Ainda de acordo com o autor, essa técnica construtiva possui outras vantagens, dentre as quais pode-se citar:

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      • Redução em 30% do tempo de construção em relação à alvenaria convencional;

      • Estrutura – os encaixes e colunas embutidas nos furos distribuem melhor a carga de peso sobre as paredes;

      • Redução do uso de madeira para forma de vigas e pilares quase a zero;

      • Economia de concreto e argamassa em cerca de 70%;

      • Economia de 50% de ferro.

6.9. BLOCO DE CONCRETO

O bloco de concreto, que pode ser visualizado na Figura 5, é um dos componentes da alvenaria estrutural. Sala (2006) fala que, devido à rapidez da execução da alvenaria, esse é o que apresenta o maior rendimento, em comparação aos demais.

“É o bloco mais resistente se comparado com os outros tipos, e o desperdício causado é muito pequeno em relação ao tijolo maciço de barro e o tijolo furado (baiano). Utiliza menos argamassa de assentamento e camadas mais finas de reboco, mas oferece menor conforto térmico em comparação com as outras opções. É aconselhável optar por uma pintura acrílica nas paredes externas para aumentar a proteção contra a umidade” (SALA, 2006, p. 41).

Figura 5: Tijolo Bloco de Concreto

Fonte: Pra Construir, 2019.

Segundo Accetti (1998), a maioria das construções em alvenaria estrutural no Brasil é feita com blocos de concreto. A vantagem dessa opção é que as normas brasileiras de cálculo e execução em alvenaria estrutural são apropriadas para esses blocos.

6.9.1. TIJOLO CERÂMICO

De acordo com Anicer (2008), o tijolo cerâmico pode se destacar pela abundância da matéria-prima: a argila. Esse material é evidenciado devido à sua durabilidade e pode ser visto na Figura 6.

Há indicações de que sua utilização esteja presente na vida do homem desde 4.000 a.C.; entretanto, não se sabe ao certo a época e o local de origem do primeiro tijolo. Presume-se que a alvenaria tenha sido criada há cerca de 15.000 anos em função da necessidade de um refúgio natural para sua proteção contra intempéries e ataques de animais selvagens. Com este objetivo, o homem decidiu empilhar pedras e, depois de algum tempo, passou a substituí-la pelo tijolo seco ao sol, uma vez que ela começou a escassear. Este advento marca o surgimento do bloco cerâmico. O registro mais antigo do tijolo foi encontrado nas escavações arqueológicas em Jericó, Oriente Médio, no período Neolítico inicial. (ANICER, 2008, p. 17).

Figura 6: Tijolo Cerâmico

Fonte: Leroy Merlin, 2020.

Isso prova que esse tijolo é o mais antigo dentre os outros blocos. Apesar de ter sido desenvolvido em uma época na qual a tecnologia era bastante simples, perpetua-se no grupo dos tipos de blocos/tijolos usados nas construções civis até hoje. Vale ressaltar que, desde então, esse passou por aprimoramentos tecnológicos, o que garantiu a sua permanência no mercado.

6.9.2. TIJOLO CONVENCIONAL E TIJOLO ECÓLOGICO

No Brasil, a alvenaria convencional é amplamente utilizada e é uma das principais responsáveis pelo desperdício e geração de resíduos de obras, sendo esse um problema ainda sem solução concreta (SOUZA, 2012).

Souza (2012) propõe que a grande preferência e ampla utilização de blocos cerâmicos e de concreto no país é justificada pela cultura brasileira de construção, que leva em consideração a realidade nacional, ou seja, o amplo conhecimento das técnicas construtivas utilizando a alvenaria convencional.

A alvenaria convencional é caracterizá-la como elementos de vedação da estrutura, ou seja, não possuem a função estrutural (LOPES; TIMBÓ, 2014). Para realização da vedação, podem-se utilizar materiais específicos como blocos cerâmicos, blocos de concreto, blocos sílico-calcários, blocos de concreto celular auto clavados, blocos de solo-cimento e tijolos de vidro (MARINOSKI, 2011).

Ainda segundo Souza (2012), apesar do constante uso, esses materiais provocam problemas na construção. Isso ocorre, pois a mão de obra não especializada somada com deficiências na execução gera um aumento de custos, de desperdício e de resíduos. Sendo assim, esses fatores tornam-se evidências da necessidade de mudança nas práticas construtivas, buscando novas alternativas para promover a redução do impacto ambiental provocado por esses materiais.

Justificando a necessidade de um sistema construtivo de baixo custo e que reduza a geração de resíduos, o tijolo solo-cimento surge como uma alternativa para a solução dessa problemática.

Entretanto, em decorrência do crescimento dos ideais da sustentabilidade no país, notou- se o tímido aumento da popularidade dos tijolos solo-cimento, alvo de estudo desta pesquisa, por serem materiais que reduzem os impactos ambientais relacionados ao desperdício, além de reduzir os custos de produção, se comparados à alvenaria convencional, sendo então, uma alternativa ecologicamente correta (GILMAR, 2013).

Ao se associar cimento com solo e pouca água tem-se uma mistura com aparência de farofa. Depois de prensada, umedecida e endurecida, assume a forma de um tijolo que, no final do processo, adquire grande resistência e durabilidade, além de possuir excelente aspecto e formato diferenciado. A esse produto final dá-se o nome de Tijolo solo-cimento (BERALDO; FREIRE, 2003).

7. METODOLOGIA

7.1. CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA

O trabalho é caracterizado como uma pesquisa bibliográfica (SILVA; MENEZES, 2005), onde consiste na coleta de informações já conhecida a partir de textos, livros, artigos e demais materiais de caráter cientifico. Trata-se de um método teórico e que foca em analisar os ângulos distintos que um mesmo problema pode ter.

A pesquisa é classificada como qualitativa, já que a interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicos no processo de pesquisa, sem utilizar de métodos e técnicas estatísticas (SILVA; MENEZES, 2005).

7.2. INSTRUMENTO DE PESQUISA

A metodologia empregada neste trabalho de pesquisa consistiu em uma revisão sistemática da literatura (GIL, 1999, p.42) em periódicos, artigos, teses e revistas online sobre o tijolo ecológico através da busca na base de dados Google Acadêmico usando a frase “tijolo ecológico” como descritor.

Os artigos, teses, revistas online foram analisados tendo enfoque naqueles relacionados a aplicação do tijolo ecológico na Engenharia Civil e os impactos ecológicos, econômicos e técnicos causados e/ou gerados por esta utilização.

Da busca realizada no Google Acadêmico foram utilizados 06 artigos, 18 teses e 05 revistas online dos últimos 20 anos da literatura brasileira.

Tabela 2: Base de dados

BASE DE DADOS

TESES

REVISTAS

LIVROS

ARTIGOS

TOTAL

Google Acadêmico

18

05

0

06

29

Fonte: Próprio Autor, 2020

A partir das pesquisas encontrados no Google Acadêmico foi feito uma triagem, tendo em vista que, no mercado existe inúmeros tipos de tijolos ecológicos, por exemplo: tijolo ecológico feito de resíduos plásticos, de resíduos da castanha do caju entre outros, no qual foi selecionado apenas os trabalhos que abordasse a temática tijolo ecológico de solo-cimento.

8. RESULTADOS E DISCUSSÃO

No presente trabalho foi utilizado a base de dados eletrônico do Google Acadêmico. No processo de pesquisa sistemática foi encontrado vários trabalhos de diversos autores no qual foi utilizado 06 artigos, 18 teses e 05 revistas online dos últimos 20 anos da literatura brasileira. Todos as referências dessa pesquisa encontram-se referenciado no final deste trabalho.

Percebe-se então que, os tijolos ecológicos são assim chamados porque evitam a utilização do processo de queima de madeira e combustível, eliminando assim o corte de árvores e emissão de monóxido de carbono na atmosfera contribuído de forma positivo tanto para o meio ambiente e para quem deseja utilizar esse tipo de tijolo.

Segundo Carvalho e Poroca, apud Carneiro (2001), as paredes construídas com tijolo de solo-cimento prensados têm comportamento térmico e durabilidade equivalentes às construídas com tijolos ou blocos cerâmicos. Além disso, os tijolos de solo-cimento podem ser utilizados em alvenaria de vedação ou estrutural, desde que atendam às resistências estabelecidas nos critérios de projetos, que devem ser os mesmos aplicados aos materiais de alvenaria convencional, bem como devem seguir as indicações de cuidados e manutenção do material. Pode-se confirmar, através de um contato direto com uma construção feita totalmente com esse material, as propriedades afirmadas acima, como: conforto térmico e acústico.

De com acordo com Motta et. al (2014, p. 18) para a fabricação desse tipo de tijolo é observado o processo de escolha do solo ideal ao início do processo de cura do produto. Para esta escolha, analisa o teor de cada componente granulométrico, também é necessário que o solo apresente boa plasticidade e que seu limite de liquidez não seja ultrapassado (menor que 40-45%, conforme tabela 1). Logo, é desejável que o tijolo ecológico apresente as seguintes características:

      • 10% a 20% de argila;

      • 10% a 20% de silte;

      • 50% a 70% de areia.

Segundo a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland, 1999), o solo-cimento é o produto resultante da mistura íntima de solo, cimento Portland e água, compactados na umidade ótima e sob a máxima massa específica seca. Esse material nas proporções preestabelecidas adquire resistência e durabilidade através da hidratação do cimento. Na Figura 7 pode-se visualizar a matéria-prima do tijolo.

Figura 7: Processo de fabricação tijolo solo-cimento.

Fonte: SAHARA, 2018.

Um exemplo de solo ideal a ser usado na fabricação do tijolo de solo-cimento é o saibro Figura 8, já os equipamentos utilizados no processo de fabricação podem ser um simples equipamento de prensagem até unidades de produção compostas de pulverizador de solo, peneirador e prensa ou outros acessórios.

Figura 8: Saibro

Fonte: Junior Minerais, 2018.

Portanto, peneira-se o solo, para que esteja totalmente seco e sem a presença de matéria orgânica. Após esse processo, mistura-se com o cimento - essa fase pode até ser feita de 2 maneiras diferentes: automatizado através de misturador ou manualmente. Feita a mistura do material, o tijolo logo em seguida é prensado e moldado. É interessante que o tijolo seja curado em sombra e umedecido em um período de 07 dias (MOTTA et al., (2014, p. 20).

Avaliando os trabalhos analisados, os impactos que uma construção feita pelo tijolo ecológico gera é muita grande, tanto para o meio ambiente quanto para o seu construtor. Contudo, apesar de todo benefício que esse tijolo pode apresentar, ele também demonstra algumas desvantagens.

8.1. VANTAGENS DO TIJOLO ECOLÓGICO

Segundo Dos Santos et al., 2009:

      • O design especial dos tijolos ecológicos possibilita passar tubulações hidráulicas e elétricas no meio da obra, logo com a parede sendo montada; sendo assim, não existe isso de quebrar parede para fazer mais obra depois;

      • Também podem ser facilmente encaixados uns nos outros, gerando economia com argamassa e outros produtos ligantes. Isso também significa obras mais limpas e com menos sobras e desperdícios;

      • Possuem um design bonito, portanto servem para decorações com tijolos aparentes, necessitando apenas de um acabamento depois com verniz ou resina;

      • Podem receber qualquer tipo de acabamento ou revestimento;

      • Os fabricantes também produzem meio bloco do tijolo, então não se torna necessário perder tempo cortando tijolos para encaixes em cantinhos no meio da obra;

      • Duram até 6 vezes mais do que os tijolos comuns se bem aplicados;

      • Apresentam excelente isolamento térmico;

      • O investimento feito na compra dos tijolos ecológicos representa redução de custos em até 80% com cimento e 100% de madeira.

8.2. DESVANTAGENS DO TIJOLO ECOLÓGICO

      • Exige mão-de-obra qualificada por exigir assentamento especial. Não necessariamente é um ponto negativo, e sim limitador (Kleindienst, 2016);

      • O uso do solo de forma indiscriminada, podendo gerar erosão (MOTTA et al., 2014, p. 20);

      • Erro de dosagem, podendo gerar patologias na construção (MOTTA et al., 2014, p. 20);

      • Absorve muita umidade, portanto exige cuidados com impermeabilização após a aplicação (Kleindienst, 2016);

      • Para quem deseja reparar ou aumentar a sua obra depois, pode ser um pouco limitador (Kleindienst, 2016);

      • São materiais com baixa resistência a impactos em cantos ou esquinas de obras, de modo a comprometer a estrutura (Kleindienst, 2016);

      • São tijolos de maior espessura, então podem comprometer espaços internos de uma casa se não for planejado (Kleindienst, 2016).

9. ASPECTOS AMBIENTAIS

A construção civil é um dos setores onde há maior consumo de matérias-primas naturais e está constantemente em crescimento. Por conta disso, existe em todo planeta uma crescente preocupação com a sustentabilidade nesse ramo para que, a cada dia, os impactos se tornem cada vez menores (CHAGAS et al., 2015).

Em razão desses fatores, já se fala em desenvolvimento sustentável e na responsabilidade socioambiental na construção civil. Segundo pesquisa internacional realizada pela Civil Engineering Research Foundation (CERF), entidade ligada ao American Society Civil Engineers (ASCE) dos Estados Unidos, revela-se que a questão ambiental é uma das maiores preocupações dos líderes do setor. Há uma presente necessidade de se implementar novos métodos mais sustentáveis no âmbito da construção civil, para que a mesma possa diminuir todo esse impacto no meio ambiente causado por ela.

O conceito de construção sustentável baseia-se no desenvolvimento de modelos que permitam à construção civil enfrentar e propor soluções aos principais problemas ambientais de nossa época, sem renunciar à moderna tecnologia e a criação de edificações que atendam às necessidades de seus usuários. Questões ambientais vêm sendo muito discutido, e tornou-se necessário adequar a arquitetura a esta demanda. Diversos países criaram critérios de avaliação para construções sustentáveis (SILVA, 2015).

Contudo, a construção sustentável deve valer-se de todos os recursos naturais disponíveis como a iluminação natural, a captação e o aproveitamento das águas da chuva. Além de reservar espaços apropriados para a coleta seletiva de lixo. Para isso, recomenda-se a utilização de produtos à base de água e dos totalmente sólidos, pois eles são os mais apropriados pelo fato de não emitir gases poluentes quando em contato com o oxigênio (SILVA, 2015).

Por conseguinte, torna-se necessária a implantação de estratégias diferenciadas para proporcionar uma construção mais sustentável, um sistema construtivo que promove alterações conscientes no entorno, de forma a atender as necessidades de edificação, habitação e uso do homem moderno, preservando o meio ambiente e os recursos naturais, garantindo qualidade de vida para as gerações atuais e futuras (ARAÚJO, 2008).

10. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme foi apresentado incialmente nesse trabalho, que teve como objetivo a análise do tijolo solo-cimento com base na bibliografia de outros autores, sua resistência em comparação a tijolo bloco cerâmico e comparativo com a alvenaria convencional, apresentam- se as seguintes considerações:

O tijolo de solo-cimento é um material viável para substituir o tijolo convencional, sendo ele ecologicamente correto e que não prejudica o meio ambiente. Já o principal fator para uma melhor qualidade do tijolo de solo-cimento depende do tipo de solo, tipo de prensa, proporção solo/cimento, umidade de moldagem, o tipo de estabilizante e o processo de cura. Já para se ter uma maior resistência à compressão, durabilidade do solo-cimento e absorção, é necessário utilizar um percentual maior de cimento na mistura.

Outro ponto que tem que ser levado em consideração segundo as bibliografias analisadas é o ensaio de resistência do tijolo de solo-cimento, que é mais resistente do que outros tipos, a exemplo do bloco cerâmico (cuja resistência é 20kgf/cm²) conforme foi mencionado em viabilidade técnica. Também, foi observado na bibliografia que o ensaio de absorção do solo-cimento é de 15,35%, menor que a de um tijolo convencional que é de 45,388%.

Nesse estudo analisou-se a viabilidade econômica, ecológica e técnica como de fundamental importância para quem deseja utilizar o tijolo de solo cimento. Também, é importante saber escolher o solo no processo de fabricação. Observa-se que há sustentabilidade na utilização desse tijolo, pois, como mencionado acima, os próprios resíduos de uma construção convencional serviriam para a fabricação do tijolo-cimento, gerando menos impacto no meio ambiente. Foi mencionado as suas vantagens e desvantagens do tijolo de solo-cimento, assim pode-se concluir que é bastante benéfico financeiramente – tendo em vista, que há redução de gastos com materiais, mão de obra e tempo de construção. Além do mais, por se tratar de um processo construtivo mais simples que os demais, o que proporciona a construção de casas em longa escala o que acabaria favorecendo famílias de baixa renda por programas governamentais, por exemplo, pois casas de solo-cimento demora menos tempo para construir e menos gastos, sendo uma alternativa viável para ambas partes.

11. REFERÊNCIAS

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ABNT. NBR 8492: tijolo maciço de solo-cimento: determinação da resistência à compressão e da absorção de água: método de ensaio. Rio de Janeiro, 1982.

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Publicado por: DIEGO NOGUEIRA DE OLIVEIRA

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