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SUICÍDIO: PRINCIPAIS FATORES DE RISCO

Enfermagem

As principais causas de tentativas de suicídio, o suicídio no Brasil; conhecer as políticas de prevenção de suicídio, discutir o papel da família na prevenção do suicídio por meio da pesquisa bibliográfica em Sciello, Lillas, Medline, Pepsic, Google acadêmico, Livros atuais, Manuais do M.S.

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1. RESUMO

No Brasil números relacionados ao suicídio são considerados abaixo em relação aos países da Europa, discutidos entre pesquisadores se, o número seria fidedigno, pois subnotificações de óbitos relacionados a este assunto poderiam estar ocorrendo. Causas nomeadas e identificadas agressoras como distúrbios, dependências, causas metabólicas associadas a fatores estressores, emocionais e mentais que se enlaçam abordando o indivíduo em eventos que expõe a capacidade física e profissional, podendo direcionar ao caminho da fatalidade devido ao pensamento de inutilidade e fracasso. Profissões com alto risco de desenvolver este problema devido à exposição aos fatores estressantes, desigualdades sociais e econômicas configuram entre as mais suscetíveis ao desenvolvimento deste mal. O objetivo do estudo foi conhecer as principais causas de tentativas de suicídio e suicídio no Brasil; e os objetivos específicos foram conhecer as políticas de prevenção de suicídio e tentativas de suicídios idealizadas no Brasil e discutir o papel da família na prevenção do suicídio. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, sobre a temática suicídio realizada em bases: Sciello, Lillas, Medline, Pepsic, Google acadêmico, Livros atuais, Manuais do M.S. Os critérios de inclusão serão: estudos do período de 2000 a 2017, livros e artigos científicos em língua portuguesa, sites, textos completos. Objetivando buscar na literatura o conhecimento sobre este assunto para melhor entendimento sobre as causas que levam uma pessoa a cometer o suicídio, direcionando a metodologia em pesquisas bibliográficas, na intenção de obter resultados esperados em que o conhecimento de seus fatores e o autoconhecimento de si mesmo pode vir a ajudar no entendimento de o porquê da automutilação sendo a única saída para resolver um problema com fatores considerados tão subjetivo.

Palavras Chave: Suicídio. Fatores Estressores. Profissionais de saúde.

ABSTRACT

In Brazil numbers related to suicide are considered below in relation to the countries of Europe, discussed among researchers if, the number would be reliable, as underreporting of deaths related to this subject could be occurring. Names named and identified aggressors as disorders, dependencies, metabolic causes associated with stressors, emotional and mental factors that are related to the individual in events that expose the physical and professional capacity, and can lead to the path of fatality due to the thought of uselessness and failure. Professions at high risk of developing this problem due to exposure to stressors, social and economic inequalities are among the most susceptible to the development of this evil. The objective of the study was to know the main causes of suicide and suicide attempts in Brazil; and the specific objectives were to know the suicide prevention policies and idealized suicide attempts in Brazil and to discuss the role of the family in the prevention of suicide. It is a bibliographical research on the subject of suicide carried out in bases: Sciello, Lillas, Medline, Pepsic, Academic Google, Current Books, MS Manuals The inclusion criteria will be: studies from the period 2000 to 2017, scientific books and articles in Portuguese language, websites, full texts. Aiming to search the literature for knowledge about this subject to better understand the causes that lead a person to commit suicide, directing the methodology in bibliographic research, with the intention of obtaining expected results in which knowledge of their factors and self-knowledge of oneself may come to help in understanding why self-mutilation is the only way out of solving a problem with factors considered so subjective.

Keywords: Suicide. Stressors.Health professionals.

2. INTRODUÇÃO

O Brasil está entre os dez países que registraram elevados números de suicídios, este número poderia ser maior se as tentativas de cometê-los se concretizassem, elevando entre 10 a 20 vezes o índice. Atinge uma faixa etária entre 15 a 44 anos configurando entre as três mais lembradas causas de morte (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2014 apud BOTEGA, 2014).

O suicídio configura na terceira causa de morte no Brasil, perdendo para homicídios e acidentes de trânsito, números que atribuem 8.688 mortes de jovens segundo a publicação do Anuário 2016 de Segurança Pública. Com uma taxa 4,2 por cem mil habitantes, o suicídio no Espírito Santo obteve um índice maior que a observada na média nacional (COUTINHO, 2016).

Meios diversos são utilizados para o desfecho de uma tentativa contra a própria vida e com espaços físicos inapropriados presenciamos o despreparo em abordar esta situação (MARTINELLI, AWAD e HARDY, 2010 apud BOTEGA, 2014).

Políticas de prevenção foram discutidas ao longo da história, cada uma com sua particularidade e com seu interesse em proteger um pensamento uma cultura que, ao longo do tempo vai se moldando ora identificando o suicida como sendo corajoso, envolvido em atos heróicos, ora julgando seu ato como sendo de extrema covardia, imputando-lhe a culpa de estarem infringindo um dom divino que lhe foi confiado, outorgando aos seus familiares o ônus do prejuízo causado devido ao seu auto-extermínio (RIBEIRO, 2003).

Com variadas causas para o ato final de sua existência o suicida experimenta sensações divergentes nomeadas e discutidas por alguns estudiosos, que buscam na formação infantil a causa que poderia levar o indivíduo ao desequilíbrio de suas funções, promovendo sofrimento próprio e se estendendo aos seus familiares.

O aumento a nível mundial de casos relacionados ao suicídio provocou reação de entidades envolvidas nas causas que objetivam a manutenção da vida, promovendo discussões sobre a necessidade em obter o conhecimento de um fenômeno que acomete jovens, idosos e tem seu número aumentado consideravelmente entre as mulheres. (CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA, 2014).

Kishi (2015) alerta que o tabu que envolve o autoextermínio pode influenciar na prevenção ao suicídio, uma vez que familiares dos que atentam contra a própria vida pedem o anonimato para este ato, ficando um intervalo a ser preenchido entre as medidas utilizadas para a prevenção e o ato propriamente dito.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a imprensa televisiva e jornalística pode exercer de maneira positiva e atuante o papel preventivo do suicídio, disponibilizando informações sobre entidades de apoio e prevenção, demonstrando solidariedade aos envolvidos no acontecimento mórbido (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2000).

Este é um trabalho sobre o suicídio, o qual busca mostrar a importância em conhecer os fatores de risco e sua influência na família, bem como em profissionais expostos a condições estressantes que podem levar o indivíduo a cometer o autoextermínio. Este tema foi escolhido por provocar inquietudes sobre a formação do aparelho psíquico e sua influência sobre a personalidade, bem como a sua importância enquanto fenômeno capaz de provocar sofrimento e alterações, levando este indivíduo ao desenvolvimento de distúrbios socioculturais. Este assunto é de grande importância, pois traz a discussão sobre um tema cercado de tabus e preconceitos, historicamente incômodo para a sociedade e governantes de todo o mundo. Políticas públicas voltadas para a prevenção promovem a conscientização através do conhecimento de que o problema existe e devemos compartilhar como forma de aliviar o sofrimento que poderá ter um desfecho terrível.

O objetivo do estudo foi conhecer as principais causas de tentativas de suicídio e suicídio no Brasil; e os objetivos específicos foram conhecer as políticas de prevenção de suicídio e tentativas de suicídios idealizadas no Brasil e discutir o papel da família na prevenção do suicídio.

Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, sobre a temática suicídio realizada em bases: Sciello, Lillas, Medline, Pepsic, Google acadêmico, Livros atuais, Manuais do M.S. Os critérios de inclusão serão: estudos do período de 2000 a 2017, livros e artigos científicos em língua portuguesa, sites, textos completos. Os critérios de exclusão serão: estudos fora do período delimitado, artigos em língua espanhola, monografias, dissertações, teses, estudos que não compete à temática.

3. REFERENCIAL TEÓRICO

3.1 CONCEITO DO SUICIDIO

O Dicionário Português define suicídio como “Ato ou efeito de suicidar-se” (DICIONÁRIO PORTUGUÊS, 2016. Acesso em 10 maio 2017). Ainda define este assunto bem como aborda algumas considerações que se tornaram temas para estudos relacionados:

Suicídio é o ato intencional de matar a si mesmo. Sua causa mais comum é um transtorno mental e/ou psicológico que pode incluir depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, alcoolismo e abuso de drogas. Dificuldades financeiras e/ou emocionais também desempenham um fator significativo. Albert Camus escreveu certa vez: "O suicídio é a grande questão filosófica de nosso tempo, decidir se a vida merece ou não ser vivida é responder a uma pergunta fundamental da filosofia (DICIONÁRIO PORTUGUÊS, 2017. Acesso em 10 maio 2017).

De acordo com o Código Penal:

Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.
Parágrafo único - A pena é duplicada:
Aumento de pena
I - se o crime é praticado por motivo egoístico;
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência (BRASIL, 1940, art.122. Acesso em 10 out. 2016).

Um evento de circunstâncias discutidas pela sua complexidade de conduta pessoal como esclarece a psiquiatria ou reação advinda do coletivo como as ciências sociais afirmam. Segundo Kalina (1981) citado por Souza (2011) tem uma conotação do latim occidere, extirpar, triturar, lacerar, mortalmente machucar. Na visão de Kaplan e Cols (1997) citado por Souza (2011) trata-se de ato pensado com um propósito consciente de extermínio de si próprio sendo a única saída.

Segundo Netto (2013) o suicídio não identifica a morte como algo qualquer, mas sim algo propriamente dito, uma identificação do ato determinante e como podemos compreender este ato. Ele cita um autor americano que faz críticas ao assunto de forma aberta abordando o tema com o seguinte pensamento:

[...] usamos a palavra ‘suicídio’ para expressar duas idéias bastante diferentes: por um lado, com ela descrevemos uma maneira de morrer; ou seja; tirar a própria vida, voluntária e deliberadamente; por outro lado, no lugar de utilizamos para condenar a ação, ou seja, para qualificar o suicídio de pecaminoso, criminoso, irracional, injustificado... em uma palavra, mal (SZASZ, 2002, apud NETTO, 2013, p. 21 – grifos no original).

Supostamente a palavra suicídio viria do latim, mas classicamente falando sui não significaria de si e sim suíno, então na Roma antiga o termo significaria porco no cardápio (NETTO, 2013).

Kalina e Kovadloff (1997) citado por Ribeiro (2003) têm uma definição do suicídio sendo fruto de um evento psicótico, no qual seria induzido por um fator, e não apenas resultante de uma escolha individual. Acredita que ocorra um pensamento cultural sobre o suicídio ocasionada pelas condições vivenciadas na atualidade.

Vejamos a clássica definição do conceito de Durkheim (1982) citado por RIBEIRO (2003), em que, define como suicídio todo ato praticado por um indivíduo com a intenção de produzir dano direto ou indireto contra si próprio, resultando em morte, e que poderá ser nomeada de tentativa caso não seja consumada.

Shneidman (2000) apud Ribeiro (2003) traz uma conotação sobre o tema, uma complementação que nos parece assemelhar ao conceito de Durkheim, sem agravo para sua interpretação de que, o suicídio se trata de eventos multifatoriais que o indivíduo está vivenciando e que a morte seria para ele a única saída para o seu problema.

Netto (2013) faz uma comparação com o sociologismo de Émile Durkheim, quando aborda o suicídio como sendo uma parte integrante pré-disposta na sociedade que induz tal evento, algo definido voluntariamente em uma parcela de indivíduos que a compõe.

Autor liberalista como Thomaz Szasz (2002 apud NETTO, 2013) tinha um entendimento que este evento era de cunho pessoal e sua responsabilidade caberia somente a pessoa, ou seja, se a morte era a solução para seus problemas, não seria da conta de ninguém este evento e sua permissão seria livre. Ambos os autores eximem a responsabilidade da sociedade sobre este assunto, uma tradicional condição expressa sobre este evento que perdura em tempos.

Ribeiro (2003) citando Durkheim (1982), fala da trilogia do suicídio, o egoísta, o altruísta e o anômico.

Coutinho (2010) contribui sobre este assunto citando a visão de David Émile Durkheim, em que Forças de integração associada a eventos sociais descrevem quatro tipos de suicídios: egoísta, altruísta, anônimo e o fatalista.

Egoísta, um tipo que talvez seja o mais comum abordado em discussões sobre este assunto, descreve ausência familiar ou a sua precariedade, influenciando no convívio social do indivíduo, fazendo que este indivíduo se torne introvertido. O altruísta, a presença social está em excesso e o indivíduo subordinado a este excesso, toma para si atos historicamente rotulados e o seu próprio extermínio seria nobre e indispensável para a sociedade. O tipo anônimo está relacionado ao não, enquadramento do indivíduo a um novo contexto social, mesmo este sendo transitório geralmente relacionado às crises econômicas, onde este indivíduo não consegue enxergar outra saída para tal dilema. No fatalista também é observado o excesso social, agora de forma maciça onde o indivíduo é oprimido pelo sistema e sua forma de pensamento se torna algo ignorado e este não consegue ver uma saída lógica, e o desfecho geralmente é fatal (COUTINHO, 2010).

O Ministério da Saúde, em sua cartilha formulada para a prevenção ao suicídio, aborda a existência de características que antecedem o pensamento ou o planejamento de cometer suicídio, características estas como a Ambivalência, Impulsividade e rigidez/constrição. Sabe-se que o ato de auto-extermínio começa com o imaginário, idealizando a idéia suicida culminando em tentativas de autodestruição objetivando o ato a ser consumado. A ambivalência induz que o indivíduo idealiza a morte, mas cultue a vida, vive em um conflito interno equilibrado entre valores e o sofrimento psíquico, esta estabilidade permite que o indivíduo tenha apoio emocional e permaneça distante dos pensamentos mórbidos. Na impulsividade a intenção de cometer suicídio é transitória, gerado por fatores estressores da vida diária do indivíduo, a indução a calmaria ajuda na prevenção de um ato mais agressivo a si mesmo. Vejamos a rigidez que transporta a pressão do comportamento para o estado cognitivo envolvendo diversos fatores emocionais em que o pensamento de auto-extermínio seria a única opção para a resolução de um sentimento que não há mais nada a ser feito a não ser morrer (CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA, 2016).

3.2 HISTÓRICO SOBRE SUICÍDIO

O suicídio ao longo dos tempos se tornou fonte de discussões com variados temas e pensamentos, mas com um resultado em que a tentativa ou o desfecho fatal, se fundem em um enorme impacto para a sociedade, Ribeiro (2003) descreve que a história analisa três vertentes doutrinárias que utiliza este tema como objeto a ser analisado:

  1. Doutrina psiquiátrica: aborda em sua linha de raciocínio que, quando uma pessoa sofre alguma enfermidade mental tem como estigma um desfecho fatal, podendo cometer suicídio e que, em uma mente sã, tal ato desprende de tal atitude. O pai da Medicina já fazia uma comparação entre o suicida e as doenças psiquiátricas, relacionando-o com a depressão.

  2. Doutrina sociológica: Um pensamento de que o suicídio está associado a fatores sociais que podem interferir no comportamento da humanidade. Conceituadas como causas externas mantêm em níveis de aceitação, tendo alternância em tempos de difícil compreensão social, fatores estes identificados com crises econômicas, guerras e as mudanças que estes estressores desencadeiam.

  3. Doutrina psicológica: Esta teoria argumenta que enfermidades mentais e fatores sociais não formam pontos de ligação para que uma pessoa elimine a si próprio. Com base em que, indivíduo exposto aos mesmos fatores não chegam às vias de fato, direcionando as causas do suicídio a problemas pessoais, uma teoria Freudiana.

Segundo Shneidman (2000) citado por Ribeiro (2003) aponta ser um fenômeno de exclusividade humana em várias culturas, tendo uma variação no valor dado a este assunto. Uma variação que transcende os tempos alternando a interpretação entre um ato heróico e nobre de se suicidar, honrando seu povo corajosamente.

Tota e Cols (1994) citado por Souza (2011) descrevem que na Grécia antiga, reconhecida como berço da civilização, o suicida era considerado um transgressor da justiça e da política, uma violação contra a sociedade. Contra esta transgressão o direito ao sepultamento adequado lhe era negado, incluindo o enterro de parte do corpo separadamente no caso de mutilações, quando as mãos do cadáver eram cortadas fora por ordem do Estado que era detentor deste direito impedindo bem como autorizando tal ato.

A de se falar em falta de domínio sobre a própria vida, não sendo permitido eliminar a si mesmo, e por que não citar Sócrates que julgado por não se moldar aos padrões da época foi apontado por corromper pessoas e pensamentos sendo obrigado a cometer suicídio ingerindo cicuta. Platão e Aristóteles repugnavam o suicídio, que era inclusive negado aos que cometiam o direito de serem enterrados em lugares considerados sagrados. Historicamente pensamentos e regras em torno deste assunto foram se moldando com o passar do tempo, onde a reprovação era avaliada, e o candidato ao suicídio deveria justificar o ato de fraqueza social. No período escravocrata a proibição relacionava a questões econômicas, sendo prejuízo ao Senhor de escravos a morte. A deserção em tempos de guerra era penalizada com a morte, sendo o que hoje consideramos de tentativa, uma ação proibida por enfraquecer o quantitativo da tropa, então esta tentativa era sentenciada com a morte deste soldado. Teólogos tratavam o suicídio como algo terrível, uma fraqueza do espírito, a vida era uma dádiva de DEUS e quando o suicida chegava ao ato final, este não seria merecedor de homenagens póstumas por ser considerado sacrilégio tal ato (RIBEIRO, 2003).

O castigo público ao suicida era a humilhação do cadáver e sua exposição nu ou sua cremação, um tratamento que o assemelhava a transgressores como assassinos e ladrões. Os familiares não tinham mais o direito aos bens (TOTA e COLS, 1994 apud SOUZA, 2011).

Agostinho de Hipona conhecido posteriormente como Santo Agostinho dá um significado pecaminoso para quem tira sua própria vida. Este ato também era nomeado como ato criminoso, pois lesava os interesses dos governantes da época, que penalizavam o cadáver e sua família confiscando seus bens em nome da coroa (NETTO, 2013).

Segundo Ribeiro (2003), no decorrer da história, mas propriamente na idade média, punições para quem comete suicídio eram frequentes, chegando a ser feitos mutilações, neste período também surge retaliações ao suicida e sua família, ministrado por conselhos eclesiásticos que somente absorviam os casos de melancolia ou agressividade, casos este de difícil comprovação. Em algumas religiões Islâmicas a família era desonrada e excluída.

Veneu (1994) citado por Ribeiro (2003) informa ainda que o suicídio com o passar dos tempos vai se moldando aos movimentos sociais, como por exemplo, no romantismo que impulsionado anteriormente pelo Iluminismo e liberalismo tornou este ato como heróico que retratado em uma obra que aumentou em muito o número de suicídio na Europa. Com o enredo que conta a história de um jovem advogado se envolvendo em um triângulo amoroso, narra a história de Werther que tira a própria vida por uma paixão que não corresponde aos seus anseios.

Tete (2017) expõe que se trata de uma obra do escritor alemão Johan Goethe, autor do livro publicado em 1774 com o título de Os sofrimentos do jovem Werther, que originou um termo o Efeito Werther, muito utilizado pela classe médica para designar um indivíduo cujo ato imita o personagem do livro.

No positivismo, o suicídio era encarado como um ato vergonhoso, como indício de doença mental, surge COMTE e suas considerações era que, o conhecimento condicionava a história com suas regras e proibições. DURKHEIN fez sua contribuição com o pensamento de, o suicídio ser condicionado a um evento social e não meramente pessoal, influenciando a escola de Esquirol (1938) que promoveu estudo estatístico dessa contribuição (RIBEIRO, 2003).

Século XX, marcado por crises e catástrofes, foi quando o suicídio passou a ser instrumento de estudo da psiquiatria, contribuindo para uma nova linha de raciocínio da Igreja Católica considerando que o indivíduo que extermina a si, estaria sofrendo por questões psicológica sendo a causalidade moral retirada do suicida (RIBEIRO 2003).

Netto (2013) contrapõe esta informação uma vez que, tendo a coroa se distanciado da igreja, a medicina passa ocupar lugar de destaque nesta questão, separando o ato de exterminar a si próprio do ato pecaminoso dando uma nova conotação e nomeando como loucura.

Com uma frase emblemática “O objetivo de toda a vida é a morte” (SIGMUND FREUD. BEYOND THE PLEASURE PRINCIPLE, 1920), FREUD com o pensamento que a mente teria um tríplice desenvolvimento, o Id, o Ego e o Superego, acreditava que esta seria a forma de interação da humanidade com o inconsciente e seus desejos primários (ADNET, 2016).

FREUD argumentava que às vezes, o autoextermínio tem ponderações patológicas, um modo agressivo do inconsciente:

FREUD (...), então, procurando explicar o suicídio, foi elaborando uma idéia de agência psíquica que poderia justificar a culpa e a auto-acusação como conceitos importantes para o entendimento da depressão e da melancolia. Deste modo, em 1923, na sua obra O ego e o id, formulou o conceito de superego, com funcionamento inconsciente, bem como as suas relações com o ego, que possibilitaram uma melhor compreensão da dinâmica do suicídio. Para o ego viver, precisa de certa dose de auto-estima e apoio das forças protetoras do superego e, assim, o medo da morte, na melancolia, acontece quando o ego se desespera, porque se sente odiado e perseguido pelo superego. O suicídio é uma expressão do fato de que terrível tensão, produzida pelo superego, ficou insuportável. A perda de auto-estima é tão completa que toda esperança de recuperá-la é abandonada. O ego se percebe desamparado pelo superego e se deixa morrer (WERLANG, 2000 apud RIBEIRO 2003, p.98).

Em 1939 o pai da psicanálise comete suicídio assistido utilizando uma dose letal de Morfina que havia pedido ao seu médico. Sigmund Freud faleceu em 23 de setembro de 1939 em Londres, ele tinha 83 anos (ADNET, 2016).

Em 1961 a Inglaterra aboliu o suicídio como um fato crimina tório, deixando de ser delito e passando o ato de tirar a própria vida intitulada de “direito de morrer” (RIBEIRO 2003).

RIGO (2013) expõem que o suicídio sempre fez parte de um contexto na existência da humanidade, tendo se moldado aos diferentes valores e interpretações diversas, uma expressão humana se moldando para enfrentar a dor da própria existência, uma ferramenta útil quando tudo parecer insuportável.

3.3 POLÍTICAS SOBRE O SUICIDIO NO BRASIL

Os números alarmantes relatados nos estudos em todo o mundo e seus agravos, relacionando ao suicídio, trouxeram diversos elementos para a formulação de políticas voltadas para este assunto. No Brasil foram criados mecanismos jurídicos para facilitar o entendimento através de ferramentas a fim de promover estratégias de enfrentamento, sendo prelúdio importante a Portaria nº 1.876 de 14 de Agosto de 2006 em anexos (BRASIL, 2006a).

O Conselho Federal de Medicina (CFM) esclarece que, a iniciativa do Ministério da Saúde em promover as Diretrizes de prevenção ao suicídio em 2006, deveria buscar meios de informar a população quanto à necessidade em prevenir este evento que se tornou o flagelo da sociedade, informa que esta iniciativa ainda não saiu do papel e adverte o fechamento de aproximadamente 7.500 leitos de psiquiatria no Brasil no período de Janeiro de 2010 até Julho do ano que passou (CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA, 2017).

Humberto, presidente da recém criada Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio (ABEPS), informa que no Brasil, iniciativas de discussão sobre o suicídio aumentou muito nas últimas décadas, disse que notícias veiculada sobre este assunto eram raras e não tinham devida importância. No ano de 2000 foi realizado na cidade de Montevidéu, Uruguai a terceira jornada de suicidologia onde foi criado a ASULAC (Asociación de Suicidologia de Latinoamérica y el Caribe). Humberto ressalta que a maioria dos países trata este tema com preocupação e com isso criou entidades para tratar este assunto (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESTUDOS E PREVENÇÃO DO SUICÍDIO, 2016).

Em 2015 a ABEPS teve sua origem discutida no Encontro Latino americano de Prevenção do Suicídio ministrado pela ASULAC realizado em Belo Horizonte, que obteve sua aprovação por unanimidade, sendo constituída neste momento uma diretoria provisória para iniciar os trabalhos. Com os pensamentos voltados para a prevenção defende a criação do “Plano Nacional de Prevenção do Suicídio”, bem como formalizar o interesse junto às pessoas que atentam contra a própria vida (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESTUDOS E PREVENÇÃO DO SUICÍDIO, 2016).

O Primeiro Congresso Brasileiro de Prevenção do Suicídio foi realizado na cidade de origem da ABEPS nos dias 15 e 17 de junho de 2016, com as presenças de diversas entidades de apoio como: Associação Mineira de Psiquiatria (AMP), Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), Centro de Valorização de Vida (CVV), Associação de Terapia Familiar do Espírito Santo (ATEFES), Associação Brasileira de Terapia Familiar (ABRATEF), Associação Latino americana e do Caribe de Prevenção do Suicídio (ASULAC) e da IASP (International Association for Suicide Prevention, onde a discussão do tema incluía fatores que levam ao suicídio, sua efetividade em grupos, profissionais de saúde e os desafios frente ao suicídio, e outros temas relevantes ao assunto. Em mensagem redigida no site da ABEPS, Humberto, descreve sobre a seriedade em falar do suicídio a nível nacional, envolvendo diversos profissionais (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESTUDOS E PREVENÇÃO DO SUICÍDIO, 2016).

O coordenador da Câmara Técnica de Psiquiatria do CFM, Emmanuel Fortes, contribui dizendo que, os profissionais em todas as esferas responsáveis em promover a saúde deveriam ter treinamentos para o reconhecimento dos fatores de risco que envolve o suicídio e que, cada gestor público deveria estar ciente da sua parcela de responsabilidade neste assunto (CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA, 2017).

O Centro de Valorização da Vida (CVV) em 2015 no mês de Setembro deu início ao trabalho de atendimento via telefone para prevenir o suicídio, que funcionará inicialmente na região Sul do país com abrangência programada para todo o Brasil. Vale lembrar que o CVV atua de forma filantrópica, com início dos seus trabalhos em 1962 na cidade de São Paulo e prestando um serviço de utilidade pública foi federalizada em 1973 (CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA, 2015).

Segundo Botega (2014 apud Kishi 2015), em pesquisa realizada envolvendo dois grupos utilizando métodos de prevenção institucionalizada e métodos de abordagem psicossocial envolvendo dinâmicas de motivação a vida e contatos telefônicos constantes ao indivíduo em grupo de risco mostraram resultado favorável ao método de abordagem psicossocial diminuindo em até 10 vezes o evento em relação ao método institucional utilizado usualmente.

O CVV na fala do seu atual presidente Sr. Roberto Paris contribui com a informação de que, em um ano estará funcionando o atendimento telefônico em todo o país, substituindo o número 141 pelo número 188 em convênio com o Ministério da Saúde. O CVV fornece um canal possibilitando alívio para aqueles em estado de insegurança, mas este deverá ter um acompanhamento com profissionais especializados (CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA, 2016).

Lorenzetti (2016, apud CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA, 2016) contribuiu informando que o CVV, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), idealizaram o Setembro Amarelo em 2014 como sendo a forma de discutir o assunto com a participação da população, tendo como principal pensamento a conscientização como forma de prevenir o suicídio. Este mês foi lembrado por fazer parte do calendário anual do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio que é lembrado em todos os países no dia 10 de setembro de cada ano.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES) em 2017 a campanha teve como seu tema “Doe um minuto do seu tempo. Mude uma vida” (MINAS GERAIS, 2017).

Coutinho informa que o CVV está atuante no Espírito Santo, sendo lembrado de sua importância na prevenção de mortes por suicídio no Estado, tendo efetuado em torno de mil suportes telefônicos por mês. O CVV através de seu voluntário esclarece, que a procura é de quem ainda não decidiu sobre o ato de suicidar-se, existe o pensamento suicida, mas há sempre uma esperança em evitar que o evento seja consumado, informa ainda que o número para atendimento seja o 141, podendo ser o contato por via carta ou internet (COUTINHO, 2016).

Aproveitando para lembrar uma data de estimado valor para a prevenção do suicídio, o Conselho Federal de Medicina em parceria com a Associação Brasileira de Psiquiatria, lançou através das páginas sociais, a Campanha Nacional nomeada de Acredito Na Vida, promovendo a projeção da cor amarela em instituições e monumentos públicos, chamando atenção para o tema e simbolizando o valoroso significado da vida (CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA, 2017).

Em reportagem sobre a temática do suicídio argumenta que este assunto está sendo considerado nos dias atuais como epidemia, o suicídio extirpa mais de dez mil cidadãos brasileiros ao ano, informações da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre este assunto é que aproximadamente doze mil mortes contabilizadas no BRASIL e um aumento de 40% na última década, mortes que tem aumentado de forma preocupante na faixa etária dos 15 aos 29 anos de idade. Números este abordado em audiência pública que contou com a presença de profissionais envolvidos no assunto e governantes para discutir políticas públicas voltadas para a discussão de estratégias de enfrentamento. O senador da República Sr. Hélio José do Distrito Federal pontuou que o suicídio estigmatiza o preconceito: “Muitos já falaram, mas é preciso reprisar. Vivemos uma epidemia silenciosa. De fato é uma epidemia que está afetando muita gente perto da gente. Por isso é importante estarmos aqui discutindo este tema”. (BRASÍLIA, 2015). Campanhas de conscientização, programas destinado ao assunto que deverá ser abordado como sendo de ordem pública, foram lembradas por médicos e psicólogos que participaram do evento e expressaram a existência de várias chances de sobreviver para aqueles que tentam matar a si próprio, desafios de grandes proporções, mas que tenham enfrentamento imediato entre jovens, idosos, profissionais e pessoas exposto aos fatores de risco que podem levar ao suicídio (BRASÍLIA, 2015).

Para José Gomes Temporão da Secretaria de Atenção à Saúde, lembrar que o Ministério da Saúde lançou em 2006 a Diretriz nacional de prevenção do suicídio e formulou o manual destinado a orientação dos profissionais envolvidos no tratamento principalmente aos que assistem a saúde mental em Centros de Atenção Psicossocial (Caps), está em conformidade com a política da Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio que abrange não só o ato de exterminar a si, mas todo o mecanismo que o envolve e serve como gatilho para este terrível desfecho, dilacerando o grupo social que o suicida pertencia. Prevenir o comportamento de matar a si nas diversas esferas, através de qualificações dos profissionais da saúde com a indicação de investigação e abordagem precoce, e quando ele fala em diversas esferas, relaciona também as doenças mentais, que são associadas ao comportamento suicida, fazendo parte das políticas públicas há algum tempo (BRASIL, 2006b).

Marta Conte et al (2012) completa esta informação dizendo que no cenário brasileiro ação contra a violência e sua prevenção existe, mas destinadas a prevenção do suicídio ainda são indicadores inespecíficos. As campanhas de 2006 do Ministério da Saúde e a inclusão de estratégias de prevenção para redução das mortes e os transtornos ocasionado por este ato foram lembrados. Marta pondera que ações de prevenção que identificam pessoas suscetíveis são desafiadoras e a inclusão da qualidade de vida tem sido bastante discutida como estratégia de prevenção. Classificou termos como universais, quando se preocupa na redução de novos eventos através de estratégias educativas, chamaram de seletivas os grupos apontados como suscetíveis ao evento, e nomeou de específicos aqueles cujo desejo se manifesta pontualmente. Vida Sim, programa de 2009 idealizado pela Secretaria Municipal de Saúde em conjunto com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) tem em sua formulação o preocupante e elevado índice de incidência por suicídio na região Sul do país. Marta fala a importância do Programa de Promoção à Vida e Prevenção ao Suicídio (PPS) em Candelária (RS), que buscou manifestar a quebra do tabu sobre o assunto falando abertamente sobre o suicídio em pesquisa realizada com profissionais envolvidos na saúde básica e mental neste município.

Programas e pesquisas como os desenvolvidos em Candelária (RS) têm vital importância para o entendimento e prevenção do suicídio. Uma frase proferida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) “Por que prevenir” alerta para uma projeção de 1,5 milhões de suicídios para o ano de 2020, No momento o Brasil ocupa o 8º lugar, são 11, 821 mortes por suicídio em 2012, aumentando em 10,4% este evento, sendo o país que mais contribuiu para o crescimento entre os países latino-americano segundo a Organização Mundial da Saúde (CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA, 2017).

Nogueira e Moreira (2012) dizem que a prevenção ao suicídio requer atenção especial identificando atos que influenciam este fator envolvendo não somente o suicida, mas também a família que sofre com julgamentos socioculturais deste ato cometido.

Deputado Federal Vitor Lipp do estado de São Paulo, Membro da comissão de Seguridade Social e Família, defende em audiência pública realizada em 08 de Dezembro de 2016, a criação de um GT (Grupo de Trabalho) para abordar a prevenção do suicídio através de políticas públicas, com a capacitação de agentes de saúde nas comunidades atuando estrategicamente na prevenção. Os números fornecidos pela OMS (Organização Mundial da Saúde) relatam que no ano de 2012 os casos de suicídio chegaram a 11.821 somente no Brasil, são 800mil ocorrências em todo mundo registrados neste ano (BRASIL, 2016).

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) a prevenção ao suicídio deveria ser tratada com mais clareza, lembra que pensamentos socioculturais influenciam de forma negativa para as discussões sobre o tema e que a conscientização dos países em tratar este assunto como um grande desafio para a saúde pública possibilitaria maiores avanços para a prevenção ao suicídio, sendo que somente 28 países abordam esse assunto como estratégia preventiva (BRASIL, 2016).

Em 2017 o Ministério da Saúde lança uma cartilha de informações sobre as metas a serem implementadas para a redução de suicídios e tentativas de suicídios em aproximadamente 10% nos números, uma projeção para até 2020, cumprindo assim o acordo formalizado com organização Mundial da Saúde (OMS). Ocupando uma triste estatística, o Brasil registra um considerável aumento de mortes por suicídio entre 2011 a 2015. As notificações passaram a ser obrigatória em 2011, e ganhou reforço com a Portaria ministerial de número 204/2016 e através de políticas que abrangem estratégias de prevenção em todas as esferas de envolvimento este objetivo poderá ser alcançado (BRASIL, 2017a).

Nabuco (2017) Preocupado com números cada vez maiores, envolvendo o suicídio entre os povos indígenas, argumenta que foi elaborada uma agenda abrangendo estratégias que tem como finalidade buscar para as equipes que atendem esta população, ferramentas capazes de trabalhar em conjunto com entidades responsáveis pela saúde indígena. Estratégias que abrangem não só o treinamento direcionado para a prevenção, mas a investigação eficiente das mortes relacionadas ao suicídio, que podem estar sendo subnotificadas. Nabuco cita Albuquerque (2017) que aponta o suicídio de forma impactante na população indígena, interferindo na longevidade e na capacidade sócio-econômica das tribos, por estarem tirando cada vez mais cedo, jovens que variam entre 10 a 19 anos de idade. Albuquerque manifesta a importância em conhecer as necessidades de cada indivíduo investigando a vida familiar e social com a finalidade de prevenção de possíveis fatores de risco para o suicídio. Argumenta que desde 2010, esta sendo adotada estratégias para a prevenção do suicídio, coletando dados através da vigilância epidemiológica, bem como promovendo a discussões do assunto em redes de apoio social, tendo em 2015 e 2016 avançado, direcionando ao profissional atuante nas comunidades indígenas informações relacionadas ao assunto suicídio (BRASIL, 2017b).

Maciel (2017) esclarece que, pesquisa realizada no período de 2011 a 2016 aponta um percentual de mortes entre índios de 15,2% para cada cem mil habitantes, um número expressivo relacionado a 5,9% entre os brancos e de 4,7% entre os negros, sendo o mais alto índice no estudo relacionado à cor e raça. Maciel informa que o Governo tem um custo anual de R$ 69,5 milhões de reais destinados aos Centros de Apoio Psicossocial (CAPS), que no Brasil somam 2.463 unidades, contribuindo com a redução em até 14% o números de suicídios (BRSIL, 2017c).

3.4 CENÁRIOS DO SUICÍDIO/TENTATIVAS DO SUICÍDIO NO ESPÍRITO SANTO

Coutinho (2016) avalia o suicídio e o tabu que historicamente tem cercado este contexto, a divulgação na mídia entra em discussão por acreditar que poderia promover o suicídio, mas profissionais de saúde discordam alegando que campanhas de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis têm obtido êxito quando expostas na imprensa. Dados da Organização Mundial da Saúde afirmam que 90% do suicídio tentado poderiam com ajuda de profissionais ser prevenido. Lembrando que passou a ser a segunda causa de morte na faixa etária dos 15 aos 29 anos em todo mundo, sendo em torno de um milhão de mortes. A taxa de suicídios no Espírito Santo teve em 2015 um aumento de 4.2 mortes, ultrapassando a média nacional que está em torno de quatro mortes por suicídio para cada 100 mil habitantes. Tendo um acréscimo de 15 casos notificados a mais comparada a 2014, chegando a ser o maior desde quando as notificações passaram a ser validadas. No Espírito Santo, casos de suicídio têm a sua prevalência nas regiões do interior do estado segundo a Secretaria de Estado da Saúde, números estes que a região metropolitana por ter maior quantidade de bairros aparece em evidência. Em 2014 o Núcleo de Prevenção da Violência e Promoção da Saúde (NUPREV) computou 21 mortes em Vitória-ES.

A Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo - SESA faz sua contribuição informando que, instituído pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, o dia 10 de setembro tem como objetivo buscar estratégias de prevenção através de pesquisas a serem realizadas em diversos países abordando este problema, tornando-se uma questão de saúde pública a Prefeitura de Vitória no estado do Espírito Santo por meio de profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (SEMUS) e através de seu Núcleo de Prevenção da Violência e Promoção da Saúde (Nuprevi), aborda este assunto em debates e palestras objetivando a construção de uma rede promovendo cuidados integrais para a prevenção do suicídio bem como o lançamento do grupo de trabalho de Prevenção do suicídio no Espírito Santo (ESPÍRITO SANTO, 2015)

Quadro 1 Número de suicídios ocorridos no estado do Espírito Santo, na região metropolitana da Grande Vitória e na Terceira Ponte de 2005 a 2014.


Fonte: White (2016).

White (2016) faz a sua contribuição informando os números levantados na região metropolitana divulgados pela concessionária Rodosol, que administra a Terceira Ponte, local de várias tentativas consumadas, na região metropolitana da Grande Vitória, conforme demonstrados no Quadro 1.

A Rodosol se manifesta sobre o suicídio, como sendo de saúde pública, relacionando a terceira ponte como o início de uma discussão para prevenir novos casos. Afirma que no ano de 2015 baseados em dados extraídos da Secretaria Estadual de Segurança Pública, foram contabilizados seis casos de suicídios consumados, tendo a terceira ponte como ferramenta para a triste estatística. Em todo o Espírito Santo foram 192, e somente na grande Vitória foram registrados 81 casos de suicídios. Referindo ao período de janeiro a julho como sendo o período em que as seis mortes por suicídios foram noticiadas, a Rodosol desmente a opinião popular de que todos os dias ocorrem o triste episódio de morte por suicídio na terceira ponte, embora se entristeça por tantas vidas desperdiçadas sob a sua concessão, lembra que sua atividade fim é a manutenção e administração da via e que todas as ações pertinentes a prevenção ao suicídio estará sendo tratada com merecida atenção (RODOL, 2016)

O Conselho Regional de Psicologia – 16ª Região (CRP – 16) substabelecido no Espírito Santo, publicou uma carta endereçada a Rodosol, concessionária administradora da Terceira Ponte e para a Agência Reguladora de Saneamento Básico e Infraestrutura Viária do Espírito Santo (Arsi) solicitando proteção a fim de evitar tentativas de suicídio, instalando um gradil que pela eficiência comprovada em outros países reduz substancialmente os números de suicídios. O CRP-16 publicou petição pública para que órgãos de representação pública e sociedade façam a sua manifestação favorável a instalação (GAZETA ONLINE, 2016).

Coutinho (2016) informa que em 2014 casos de suicídios localizados na Terceira Ponte chegaram a 12 mortes, segundo dados fornecidos pela Secretaria Estadual de Saúde. A autora expõe que a Terceira Ponte seria a forma de suicídio, mas teria que prevenir o meio, através de estratégias, cita que 15% dos suicidados foram transportados por profissionais de transporte como os taxistas. Mariana Moulin do Conselho Regional de Psiquiatria, informa a existência do Grupo de Trabalho composto por colaboradores do próprio conselho e de entidades voltadas a segurança pública e valorização da vida com a finalidade de promover seminários voltados para a prevenção do suicídio.

White (2016) mostra-se preocupado com o rumo que tomou o projeto de lei que dispõe sobre a instalação do gradil de proteção na Terceira Ponte que entrou em pauta para votação no dia 22/11/2015, tendo seu resultado desfavorável a instalação por nove votos contra e oito a favor, tendo assim seu destino, o arquivamento. Em nota a Rodosol informa não ter autonomia para a realização de obras na via sob sua administração sem autorização do contratante que é o Governo, mas qualquer evento que possibilite a promoção da vida, terá a sua colaboração.

Guerrieri (2016) psicóloga e gestora de Recursos Humanos da Rodosol expõe que, problemas relatados de suicídio na Terceira Ponte, seriam somente o início de algo muito maior, acredita que o tema é de conotação pública e deveria pela sua grandiosidade ser tratado como Saúde Pública a ser discutido em amplo aspecto. Analisando os instrumentos utilizados para que o suicídio ocorra informa que, a queda ocorrida em lugares de grandes alturas ocupa a quarta colocação em 2015, lembra que no estado soma-se 192 mortes por suicídio, destes números 81 estariam distribuídos na grande Vitória e seis convergiam para a Terceira Ponte. De janeiro a julho de 2016 registrou cinco casos de suicídios segundo dados extraídos da Secretaria de Segurança Pública e da Secretaria Estadual de Saúde. Argumenta que os números divulgados pelos meios de comunicação são superiores aos evidenciados, mas as preocupações com o evento têm suma importância e deve ser discutidas em regime tripartite, Governo, Empresa e Famílias. A preocupação com este evento é constante e mesmo sendo administradora tendo a manutenção da via como sua função primária, estará sempre disposta a preservação da vida em todo seu contexto. Ações como monitoramento, pessoas disposta estrategicamente em pontos da ponte e equipes especializadas em promover amparo em situações de emergências. Guerrieri completa informando que a concessionária Rodosol, realiza de Seminários com temas voltados para a prevenção do suicídio e preservação da vida.

A Secretaria de Saúde do Espírito Santo (SESA), em parceria com profissionais envolvidos na área destinada ao estudo da mente, lançou em 2015 um livro com o título Vidas Interrompidas que aborda o suicídio, bem como a prevenção. Um dos colaboradores lembrou que se trata de um assunto que, sua discussão ainda é modesta e o estado, não tem políticas que aborde este assunto com mais exatidão (ESPÍRITO SANTO, 2015).

Segundo Tete (2017), a arquitetura empregada para a prevenção ao suicídio tem sido destaque entre os profissionais envolvidos neste assunto, com o objetivo de criar obstáculos que dificultem o acesso aos locais utilizados para o auto-extermínio, ela faz alusão à discussão iniciada em assembléia no início de 2017 (PL 2/2017), sobre a instalação de dispositivos de segurança ao entorno da Terceira Ponte, que liga a capital do Espírito Santo Vitória a Vila Velha.

Reis e Silva (2017) citado por Tete (2017) lembra que a arquitetura empregada para a redução das tentativas e do suicídio propriamente consumado será uma ferramenta de grande ajuda, mas alerta sobre o pensamento de que a implementação de dispositivos de segurança em locais com amplo índice de suicídios não seria uma solução para o problema.

A Organização das Nações Unidas (ONU) faz uma contribuição neste assunto, discursando que ao ter conhecimentos de quais seriam os métodos mais utilizados para o suicídio, as estratégias elaboradas para a prevenção seriam mais eficazes restringindo o acesso aos meios utilizados para o suicídio (MINAS GERAIS, 2017).

De acordo com o diretor geral da Agência de Regulação de Serviços Públicos (Arsp), Julio Castiglioni, em Setembro de 2017, foi apresentado um projeto da Rodosol, destinado a Arsp que poderá atuar de forma preventiva, com o objetivo de diminuir a incidência de mortes por suicídio na ponte Deputado Darcy Castello de Mendonça, mais conhecida como Terceira Ponte. Segundo Castiglioni que, o projeto foi aprovado e prevê a colocação no entorno da ponte de um gradil de vidro, aumentando assim de 1,20 para 2,10 metros o guarda corpo já instalado no local. O custo da obra está orçado em 16 milhões de reais, sendo discutido também, como seria o pagamento desta obra, se deveria ser com o aumento do pedágio ou dilatação da concessão administrativa da ponte. Moura lembrou que está tramitando desde 1997 uma pendência judicial entre a concessionária que administra a Terceira Ponte e o Estado e poderia ser usada esta pendência para custear a obra. São possibilidades que poderiam viabilizar o projeto, tornando possível a construção deste gradil. Destacou também a escolha do vidro para compor o gradil, como sendo seguro e pela sua transparência não atrapalharia a visualização da paisagem de um dos monumentos que compõe a paisagem local (MOURA, 2017).

A Secretaria de Estado de Saúde do Espírito Santo deu números oficiais para as tentativas de suicídios no Estado, foram 1.216 somente no ano de 2015. Já no ano de 2016, os números em Agosto deste mesmo ano estavam em 878 tentativas. Coutinho aborda também o suicídio provocado por meio de agrotóxicos que contribuem para o aumento do evento no interior do Estado. No ano de 2014, 51% das mortes teve o enforcamento como ato final, mas suspeita-se que produtos como pesticidas podem ter influenciado na decisão mórbida. Números contabilizados em 2015 chegaram a 352 casos de tentativas de suicídios identificadas em trabalhadores que utilizavam agrotóxicos (COUTINHO 2016).

Cupertino (2017) citado por Tete, representante da Vigilância Epidemiológica do Espírito Santo, em 2016 ocorreram 146 mortes por suicídio no Espírito Santo, uma relação de 3,72 mortes por 100 mil habitantes. Dados contabilizados mostram que na região Metropolitana foi 78, na região Sul 34, região Central 18 e na região Norte 16 notificações.

A psicóloga Laila Magesk comenta que o imaginário popular em relação aos casos de tentativas de suicídio na Terceira Ponte são de que, os números são mais elevados do que aqueles que são apresentados. Citando Reis e Silva (2017), coordenadora do Grupo de Trabalho de Prevenção do Suicídio no Espírito Santo, que aponta que os números são menores, em comparação ao percentual registrado em todo Estado, lamentando as perdas de tantas vidas. Reis e Silva, que é psicóloga explica que neste ano de janeiro a agosto, foram 4 casos de suicídios e 28 tentativas, afirma que é necessário falar do assunto, mas com palavras de auto-ajuda e não com palavras de uso popular que tendem ao agravamento do problema. Encaminhar o indivíduo que atenta contra a própria vida ao acompanhamento profissional se faz necessário para um tratamento mais específico com uma equipe multidisciplinar, envolvendo não somente profissionais de saúde, mas pais e educadores promovendo a saúde mental e não somente a prevenção ao suicídio. Alerta para o fato do adoecimento mental provocado por traumas físicos e mental além do suicídio em menores com 5 anos de idade, que muitas vezes são confundidos com acidentes domésticos (GAZETA ONLINE, 2017).

Quadro 2 Estatísticas de suicídios no Espírito Santo no período de 1999 a 2017.


Fonte: Gazeta Online (2017).

Magesk traz outros números, extraídos em 2016 da Secretaria de Saúde e da Secretaria de Estado da Segurança Pública, relatando 151 mortes por suicídio, sendo que na Grande Vitória este número representou 65 mortes tendo 10 mortes atribuídas à Terceira Ponte (GAZETA ONLINE, 2017).

3.5 DESENVOLVIMENTO DA SAUDE MENTAL DO SER HUMANO

O entendimento de Saúde Mental segundo Abreu, não se trata de uma mente livre de danos psicopatológicos, mas de uma estabilidade sócio-econômica, que permitirá a manutenção de suas necessidades (ABREU et al, 2010).

A saúde mental, na visão da psicanálise tem formação no início do relacionamento mãe e filho e as interações com o meio. As transformações vivenciadas na atualidade, onde a convivência parental está se tornando cada vez mais escassa impossibilita a qualidade em relacionar-se provocando instabilidades emocionais, levando ao sofrimento da saúde mental precocemente. Citando Zornig (2000) e a importância da proximidade saudável mãe-bebê contribuindo para a construção mental do indivíduo (CAMBUÍ; NEME; ABRÃO, 2016).

De acordo com a Federação Brasileira de Psicanálise, a teoria winnicotiana é a interação positiva mãe- bebê, em que as necessidades do bebê são atendidas com qualidade gerando um resultado satisfatório, um ambiente seguro de fortalecimento do indivíduo, preparando mentalmente para as variações da vida. Denise Aizemberg Steinwurz, membro filiado do Instituto da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo o chamou de Verdadeiro Self. Por outro lado quando as necessidades do bebê lhe são negligenciadas as dificuldades em adaptarem-se as variações que a vida apresenta reflete na formação da personalidade desajustando o indivíduo, promovendo o Falso Self, para este estudioso o transtorno mental se desenvolve em um ambiente de irregularidades antissociais proporcionando o aparecimento de psicopatias (FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE PSICANÁLISE, 2017).

Da Silva (2009) argumenta que a formação mental está ligada a construção organizada e o direcionamento da energia pulsional para determinado fim satisfatório, lógica esta que tem fundamento na Psicanálise. FREUD considerou a satisfação organizada e a organização de outrem como “sintoma”, portanto o desenvolvimento organizado da energia pulsional removeria o sintoma, mas FREUD submergiu em dúvidas ao considerar que o subconsciente seria inconstante e a definição do indivíduo saudável do indivíduo doente seria de grandes dificuldades.

Segundo Heloani e Capitão (2003) a descrição de FREUD para que o crescimento psíquico aconteça, o recém nato experimenta diversas sensações que não consegue distinguir se provém do eu interior ou se advém do mundo externo. No seu eu interior a predominância do prazer nomeada por Ego faz que a criança se distancie de situações desconfortáveis para ela causando sofrimento, e somente serão assimiladas quando ela conseguir estabelecer através de ações fisiológicas do corpo, sentimentos que possam diferenciar o eu interno do meio externo e do relacionamento com outras pessoas.

3.5.1 Aparelho psiquico

A utilização do termo empregada pelo pai da psicanálise descrevia que a mente era subdivididas, cada uma com funções a serem executadas, mas interligadas entre si. Lima (2010) descreve o modelo Topográfico como sendo a composição de sistemas compreendidos por inconsciente, pré-consciente e consciente. O consciente seria uma ponte de ligação do mundo exterior para o interior, uma realidade expressada do que estamos vivendo no momento atual. No pré-consciente o acesso ao inconsciente seria possivelmente alcançado com relativa facilidade trazendo conteúdo interior para o consciente. Vejamos agora o inconsciente que segundo FREUD ocupa espaço maior no aparelho psíquico, ele expõe como sendo um local para descarte de elementos que o consciente exclui por imposições sociais e culturais, um local de difícil acesso que traz geneticamente fatores que influenciam na formação da personalidade. É nesta parte profunda do aparelho psíquico que forças opostas trabalham de forma equilibrada, que FREUD descreve como sexual e a destrutiva nomeada também como agressiva, forças presentes em nossas ações e pensamentos, uma nos satisfazendo de forma positiva e a outra procurando uma forma de autodestruição.

Wikisource (2017) explica que FREUD distinguiu três camadas estruturais que compõe nossa mente como sendo primitivamente vontades escondidas no consciente, acessadas por intermédio dos sonhos ou terapias, e que atuam na formação da personalidade: O Id, o Ego e o Superego. O primeiro está sob o consciente e identifica a impulsividade humana na busca do prazer, o seu instinto de sobrevivência, personificado quando o indivíduo está sob efeito de substâncias psicoativas ou através dos sonhos. O segundo age no consciente é o que nos estabiliza, o que nos torna racionais, reprimindo o superego e ao mesmo tempo nos permitindo a sucumbir aos desejos do Id. No terceiro a interação com os padrões sociais leva o superego a confrontar o Id, sendo ele formado por paradigmas culturais originados do ambiente em que o indivíduo está inserido. A junção destes personaliza o indivíduo que está em constante sofrimento, um conflito entre o prazer e as regras que a sociedade nos impõe e a alternância para menos ou para mais de uma dessas três camadas em indivíduos com o Ego fortalecido não traz repercussões de instabilidade, mas em indivíduos que sofrem de alguma dissociação mental o Id e o Superego podem prevalecer provocando distúrbios no comportamento deste indivíduo.

Lima (2010) contribui sobre este assunto, informando que a insatisfação de FREUD em relação ao Modelo Topográfico o fez buscar um segundo modelo para melhor compreensão dos eventos psíquicos, nascendo então o Modelo Estrutural ou Dinâmico que abordava sobre a existência de elementos com funções especificas interagindo entre si, uma influenciando a outra, ele os caracterizou de Id, Ego e o Superego.

3.6 COMPLEXO DE EDIPO

Menezes (2014) expõe que, segundo FREUD o indivíduo desenvolve quatro fases distintas em relação ao da libido: Oral, anal, fálica e genital. É na fase fálica que se desenvolve o que este estudioso denominou de Complexo de Édipo, sendo caracterizado no seu estudo o desejo da criança ao seu progenitor e a fantasia desta criança em ser o centro de sua atenção e do amor do pai no caso da menina e da mãe no caso do menino. É valido lembrar que durante este processo surge o Complexo de Castração e o contato da criança com o medo e a perda, reprimindo este desejo.

O complexo de Édipo aborda a castração como uma coexistência entre o narcisista e a diversidade humana, estabilizando e o mantendo sociável ao convívio, faz uma alusão ao imaginário infantil, diferenciando menino, menina em relação as suas diferenças físicas e emocionais, tendo a mãe e o pai respectivamente como objeto de desejo atribuído as proibições imposta pela sociedade (MENEZES, 2014).

Rojas (2004 apud FERNANDES, 2009) aborda o narcisista como uma coexistência entre a castração e a diversidade humana, estabilizando e o mantendo sociável ao convívio, Rojas informa que o imediatismo do indivíduo e objetividade desmedida associado a natureza da pessoa o impede de alcançar seus projetos.

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) o narcisista experimenta sensações grandiosas, seu relacionamento social se torna insustentável devido a ser, o seu próprio centro das atenções, caracterizando distúrbios (CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA, 2016).

Lisondo (2013) em Mitos Re-visados contribui em citar o complexo de Édipo e o narcisismo analisando como carga excessiva de sofrimento psíquico, a relação filhos e pais, e os sentimentos impróprios socialmente entre pais e filhos.

Rocha (2008) cita FREUD em pensamento que, expõe a necessidade do ser humano em transpor o complexo de Édipo, e o fracasso levaria o indivíduo a experimentar transtornos neuróticos, podendo ser o de castração que possui paralelamente afinidades com o complexo de Édipo.

3.7 DESENVOLVIMENTO DOS TRANSTORNOS MENTAIS (ADOECIMENTO MENTAL/SOFRIMENTO MENTAL)

Relatório da Organização Mundial da Saúde aponta para a importância de pesquisar a interação entre fatores genéticos e ambientais, fatos estes, indicam relação entre estes fatores e o aparecimento de transtornos mentais. Fatores estressores que o indivíduo está exposto no início de sua formação inicial, como provável formador de transtornos depressivos em algum ponto da sua vida. Relações parental de baixa qualidade têm sua contribuição, assim como fatores demográficos e sociais, que são observados em quantidade elevada nas populações de baixa renda, agravada pelo consumo excessivo de substâncias tóxicas que tem maior prevalência no aparecimento de transtornos da mente (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2001).

Os distúrbios da mente não são de cunho pessoal, é preciso buscar abordar este assunto com mais freqüência, buscar a inclusão daqueles que sofre de algum transtorno, combinar a ciência com a sensibilização para quebrar tabu e barreiras, compreendendo os fatores socioculturais e ambientais que levam o adoecimento da mente. O desenvolvimento do distúrbio mental advém de fatores externos e internos. Estima-se que a cada quatro pessoas, uma terá transtorno mental, o crescimento deste evento estará proporcionando um entendimento que poderá induzir um tratamento mais adequado para cada transtorno identificado. Na gestante, a formação da mente do feto é determinada pelos genes, podendo ter influências externas sendo fatores ambientais como o alimento que é consumido pela mãe, assim como sustâncias psicoativas ou de origem ionizantes. É discutido que a mente em estado deprimido libera uma série de eventos fisiológicos interagindo com sistemas endócrinos alterando a imunidade deixando o indivíduo mais suscetível a aquisição de doenças que comprometem fisicamente a pessoa. De fato doenças da mente ou fatores estressantes, interferem em uma vida saudável alterando o comportamento sexual, deixando a pessoa com transtornos da mente vulnerável as doenças sexualmente transmissíveis (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2001).

Segundo Leontiev (2004) citado por Da Silva (2009) a personalidade não é concebida, ela se forma de acordo com as interações do eu interior com o mundo exterior, fonte de individualidade em que a socialização do indivíduo se faz necessário.

Associação Brasileira de Psiquiatria contribui com a informação de que no Brasil, cerca de 24 casos de suicídio são oficializados, e destes 90% estão correlacionado aos transtornos da mente sendo tratados inadequadamente, trazendo para discussão a possibilidade de prevenir através de tratamentos diagnosticados corretamente (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA, 2009).

A Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA) adverte que fatores genéticos podem influenciar o aparecimento de transtornos bipolar do humor. Existe uma alternância de quadro depressivo e de euforia, intercalando com a normalidade do indivíduo, muitas às vezes não perceptíveis para este, podendo ser de um episódio durante sua vida (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FAMILIARES, AMIGOS E PORTADORES DE TRANSTORNOS AFETIVOS, 2012).

Schultz & Shultz (2002, apud MATIOLI; ROVANI; NOCE, 2014) a personalidade apodera-se dos instintos conduzindo seu rumo buscando satisfazer as necessidades da mente, através do corpo, gerando tensão pressionado o instinto a satisfazer essas necessidades.

Anormalidades como conflitos familiares, depressão ou estresse, são observadas em indivíduos que atentam contra si, caracterizado de distúrbios psiquiátrico, podendo ocorrer em pessoas sem anormalidades aparente, mas que estão sob fatores estressores agudo. Tentativas de cometer suicídio ocorrem usualmente em mulheres, destas 2/3 estão na faixa etária abaixo de 35 anos nas classes sociais mais humildes com saneamento mínimo utilizando de uso de organofosforados como meios de autocídio. Geralmente as tentativas de suicídio não chegam a ser consumada, por esta não ser a real vontade da pessoa (RIBEIRO, 2003).

3.8 PRINCIPAIS CAUSAS DO SUICIDIO/ TENTATIVAS

Teóricos no decorrer da história buscavam explicações em gêneros e idades para tal ato contra a própria vida. O porquê de se auto-infringir seria a única saída para fugir de um determinado problema? A resposta ao questionamento é complexa e as causas são amplamente discutidas por pesquisadores que extraem números não exatos devido à subnotificações a respeito desse assunto (RIBEIRO, 2003).

A Organização Mundial da Saúde (2000), alerta para o fato, de que os números sobre o suicídio não devem ser ignorados, pois variáveis podem influenciar para baixo os números analisados. Devem ser levadas em consideração as notificações relativas a cada país, que por motivos socioculturais econômicas e políticas, podem notificar a causa de mortes como, causas não sabida. Estima-se que os números de tentativas seja maiores que os fornecidos, pois as existências de registros referentes às tentativas deixam dúvidas quanto a sua credibilidade, permanecendo a sua maioria no anonimato.

Em 2016 a Organização das Nações Unidas (ONU), utilizando dados fornecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), expõe que, um percentual entre 75% dos suicídios ocorre em países de baixa renda. As tentativas de suicídio configuram em torno de cinco para um suicídio consumado, um relevante fator de risco a ser notificado. Meios comuns como a ingestão de remédios utilizados em lavouras, esganaduras e até mesmo o uso armas de fogo são evidenciados. Conflitos sociais que abrange desde guerras e discriminações de todas as formas e gêneros têm sua contribuição aumentando substancialmente as tentativas de suicídio bem como o suicídio evidenciado. Foi notado também que distúrbios da mente, relacionado com fatores suicidas como a depressão e a ingestão abusiva de álcool têm presença marcante em países de renda mais elevada e os índices de suicídios consumados é observados nestes países em momentos de crises que afetam o poderio econômico, um pensamento que o indivíduo adquire por não conseguir absorver muito bem os fatores estressantes (BRASIL, 2016).

Pesquisas que atribuem causas metabólicas associadas a fatores estressantes que convergem em resultado fatal contra si próprio, sendo outros fatores que se enlaçam tendo o destino a fatalidade, mas inexplicavelmente são diversos e amplos os eventos que aborda o indivíduo e que expõe a capacidade física, emocional, profissional ou mental de superar os desafios. A Associação Médica de Brasília (AMBr), explora este assunto em diversos pontos de discussão, em que o conhecimento das causas poderá promover um entendimento menos preconceituoso em relação a este assunto. Hoje vivemos em uma sociedade de imediatismo e com a rapidez tecnológica em que a condição humana não acompanha tamanha evolução, e que o estresse e a cobrança excessiva em atingir metas, pode ser um ponto de desequilíbrio entre a aceitação do fracasso em não conseguir êxito na tarefa pretendida. Outras idealizações decorrem de fatores genéticos influenciando a tomada de decisão associada a fatores de risco, como alcoolismo, idade, sexo, drogas, esquizofrenia, transtorno bipolar e humor, abuso sexual, depressão cada um com sua particularidade em desenvolver comportamento suicida, sendo 90% dos suicídios relatados estarem ligados a transtorno psiquiátrico e destes 60% atribuídos a transtornos humorais (ASSOCIAÇÃO MÉDICA DE BRASÍLIA, 2014).

A busca do entendimento começa pelo esclarecimento em que o problema existe e tem que ser enfrentado. É necessário saber um pouco das causas, um breve entendimento para uma compreensão e abordagem posterior (ASSOCIAÇÃO MÉDICA DE BRASÍLIA, 2014).

Figura 1: Diagnósticos psiquiátricos e suicídio


Fonte: CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (2014).

O Centro de Valorização da Vida (2016) nomeia em sua cartilha de ajuda a prevenção ao suicídio, dois fatores de risco como sendo os principias, a “Tentativa prévia de suicídio e a Doença mental” (CVV, p. 16). O primeiro fator é de extrema importância por se tratar de que na maioria das vezes, 50% dos suicidados já haviam tentado contra própria vida antes. O segundo fator está ligado aos transtornos da mente, com diagnósticos tardios, tratamentos equivocados ou sem a intervenção do profissional especializado. Alguns transtornos como abuso do álcool e dependência as substâncias químicas, esquizofrenia e transtornos humorais são os mais lembrados. O CVV aponta que transtornos múltiplos observados em pacientes aumentam o risco para o suicídio conforme exposto na (Figura 1).

Fatores pré-dispõe a formação de comportamentos suicidas sendo uns deles específico, uma influência de transtornos da mente agindo sobre o pensamento suicida. Fatores nomeados e alguns rotulados ao suicídio têm seu destaque em estudos para o entendimento que acomete este evento podendo chegar a um desfecho fatal (CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA, 2014).

Vejamos alguns fatores:

3.8.1 Alcoolismo

Estudo recente mostra que o alcoolismo está presente em 85% das mortes por suicídio para cada 100 notificações, e associada com a depressão forma uma combinação fatal. A dependência do álcool tornou-se ponto de discussão, sendo citado entre as maiores causas de tentativas de suicídio, um combustível para tornar realidade à ideia de fazê-lo (CENTRO DE INFORMAÇÕES SOBRE SAÚDE E ÁLCOOL, 2016).

King, Nardi e Cruz (2006) esclarecem que o álcool enfraquece mecanismos de controle da mente, deprimindo o indivíduo deixando mais suscetível a cometer suicídio, interagindo com a auto estima rebaixando a confiança em si mesmo, levando este indivíduo a ter incertezas do futuro, tornando mais irritado, e em alguns casos acomete automutilação e o extermínio de si próprio. Ainda discutindo sobre este assunto, o alcoolista adquire um quadro depressivo em 70% dos casos e 15% daqueles que estão inseridos em hospitais atentam contra a própria vida.

3.8.2 Idade

O CVV (2014 apud CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA, 2017) alerta que as taxas de suicídio entre os jovens têm seus números acrescidos no mundo. No Brasil ocupa terceiro lugar de fatores de risco para causa de morte, tendo na impulsividade o aliado aos eventos socioculturais que expõe os jovens aos transtornos adquiridos durante os processos de crescimento como pessoa.

A automutilação em jovens por não se sentir parte de algum grupo social é um fator preocupante, pensando que ao passar dos anos este jovem adquire formas mais eficientes para se tornar um potencial suicida, concentrando maior índice aos 40 anos de idade e que devido a fatores estressantes ou ambientais se torna ao seu entendimento a única solução para uma dúvida adolescente. A morte precoce desejada por alguns idosos pode se confundir com a intenção de suicídio, mas, são seguimentos de apesar parecer sinônimos tem conotações diferentes podendo ter diagnósticos equivocados (CONWELL, 2015).

No estado do Rio Grande do Sul, as taxas de suicídio lideram entre outros estados da federação. São 25 anos sustentando este incômodo primeiro lugar, chegando a quase mil óbitos por ano tendo os idosos como maioria, mas os números entre os adolescentes estão em crescimento e com uma particularidade de, o acontecimento fatal ser evidenciado aos domingos no período da tarde (BRASIL, 2016).

Kishi (2015) contribui citando Evelyn Kucznski, pediatra e psiquiatra aborda em seu artigo nomeado Suicídio de idosos e mídia: o que dizem as notícias?, que as causas econômicas como fator motivador de morte entre idosos entre 2010 a 2013 e sua notificação na mídia como sendo de suma importância a forma de expor tal notícia, para que, este evento não se torne um exemplo para a resolução do problema. Assunto que Kucznski discutiu também em Suicídio na infância e adolescência como forma de denúncia de um fato de relevância na sociedade, por extraírem a vida de aproximadamente 730 jovens e adolescente no Brasil por bullying ou por influência da mídia.

Escóssia (2017) traz uma temática em relação ao suicídio, onde este assunto preocupa personagens envolvidos na educação dos jovens e adolescentes como os pais, educadores escolares e até profissionais de saúde, onde uma fase da vida envolta em novas descobertas e desafios se torna uma fase mórbida e cheia de angústias. Citando Carlos Estelita (2017, apud de Escóssia) da Fundação Oswaldo Cruz, informa que o bullying, que jovens e adolescentes sofrem durante a vida escolar, torna-se uma das principais causas de suicídios provocando sofrimento mental, por não estarem inseridos nos padrões estabelecidos neste ambiente, ou até mesmo por preconceito.

O comportamento suicida na faixa etária dos 12 anos é menos provável, mas pensamentos mórbidos podem ocorrer com freqüência. O índice em alta entre jovens e adolescentes é evidente podendo co-existir dois segmentos, sendo o primeiro acompanhado de impulsividades comportamentais de autodestruição. Ao observarmos o segundo identificamos problemas situacionais não tendo maior relevância para cometer o suicídio. Ribeiro discursa que no adulto o risco aumenta com a idade (RIBEIRO, 2003).

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O número de suicídio na idade mais avançada tem como fatores a perda de entes queridos levando o idoso à solidão, a convivência com doenças agravadas pela degeneração e dores promove o pensamento de ser um obstáculo social e econômico para seus familiares contribui para o pensamento suicida (CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA, 2016)

O suicídio não tem seu número expressivo entre os idosos, segundo a observação do DATASUS, mas seu crescimento foi observado na faixa etária dos 80 anos, um crescimento de 154% notificado em três décadas (DEPARTAMENTO DE INFORMÁTICA DO SUS, 2012).

3.8.3 Sexo

A prevalência de suicídio masculino é maior, tendo causas multifatoriais que são identificadas pela masculinidade inserida na sua mente em ser o pilar da sociedade e que a competição empregatícia eleva o sentimento de impotência frente à exaltação do sexo oposto. Causas que a percepção feminina tem uma maior sensibilidade em compreender e buscar auxílio, enquanto os homens se introvertem e ficam suscetíveis a alguns fatores como alcoolismo, depressão e até acesso fácil ao armamento de fogo (GONÇALVEZ; JUNIOR, 2011).

Estudo realizado entre 1980 a 2000 em território brasileiro, apontava o crescimento das taxas de suicídios comparados a nível global, se destacando o sexo masculino, que comete suicídio 4 vezes mais em comparação ao sexo feminino. Este mesmo estudo evidenciou que as tentativas de suicídio entre o sexo feminino seriam em maior número, com métodos menos contundentes, enquanto no sexo masculino o suicídio consumado está em maior número com métodos mais invasivos e intencionais que promovem a sua masculinidade (PARENTE et al., 2007 Apud ABREU et al., 2010).

Macente e Zandonade expõem que a menor incidência de suicídio relacionada ao sexo feminino, está associada com a ingestão menor do álcool e sua dependência, bem como seu maior envolvimento em questões familiares, social e religiosa, além de sua sensibilidade em identificar fatores que induzem as tentativas de suicídio. Lembra que elas buscam mais apoio em momentos de dificuldade emocionais (MENEGHEL et al., 2004 apud MACENTE; ZANDONADE, 2011).

Autoridades políticas e representantes de entidades públicas apresentaram dados referentes ao suicídio coletados no ano de 2002 a 2012 indicando um aumento de 77,7% em sua maioria envolvendo homens, mas advertem que esses casos têm obtido maiores avanços entre as mulheres (BRASIL, 2016).

3.8.4 Drogas

O consumo de substâncias ilícitas impulsiona o mercado da interação social, onde a dependência química e o consumo de bebida alcoólica produzem vítimas que tem inúmeras dificuldades em conseguir uma próxima dose, tendo reflexo negativo, onde a convivência se torna insustentável para o vício e para o vínculo familiar deixando o usuário pré disposto a um ato de inexistir, um sentimento de alívio para os seus problemas e para sua família (RIBEIRO et al., 2016).

Rocha e outros (2015) expõem que a insegurança de não satisfazer as expectativas dos pais, usuários de substâncias químicas atentam contra a própria vida como forma de não mais preocupar seus entes familiares sobre o uso das drogas. Parker e outros (2014 apud Rocha et al., 2015) dispõem sobre fatores de origem biológica e socioculturais estimulando o sexo feminino a depressão e ao consumo de álcool e drogas culminado a diversas tentativas de suicídio sem ao menos externar sua pretensão de cometê-los.

A complexidade que este assunto transcreve, teria no seu tratamento igual teor de complexidade. A negligência tem feito aumentar a dependência do consumo de substâncias entorpecentes. Problemas de ordem pública têm dificuldades em fazer acompanhamento do tratamento corretamente (MARQUES, 2010).

3.8.5 Esquizofrenia

Segundo o dicionário, Esquizofrenia é definida como:

Doença que se caracteriza pela perda do contato com a realidade. Designação comum a várias psicoses endógenas definidas por uma separação entre a ação e o pensamento, ocasionando a perda do contato com a realidade (DICIONÁRIO ONLINE DE PORTUGUÊS, 2017. Acesso em: 10 maio 2017).

Estima-se que 10% entre 40 pessoas diagnosticadas com esquizofrenia cometem suicídio, sendo que transtornos mentais historicamente estão ligados a violências contra a pessoa, um entendimento que para pesquisadores são preconceituosos, mas que relatos mostram violência por ter um mundo onde exista uma história fictícia que às vezes terminam em morte seguido de suicídio (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FAMILIARES, AMIGOS E PORTADORES DE ESQUIZOFRENIA, 2014).

O CVV cita o manual de prevenção ao suicídio do Ministério da Saúde que, a esquizofrenia atingiu a média de 1% do índice populacional em todo o planeta e alerta para o tratamento correto nestes casos serem de suma importância (CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA, 2016).

Marchetti (2010) discursa sobre a gravidade da esquizofrenia, reconhecendo-a como uma doença mental, que em 80% dos indivíduos que apresentam a doença recaem após o primeiro episódio. Por sua cronicidade, gera impactos sobre a vida da pessoa, levando ao desemprego com uma taxa de 80% e ao suicídio, com uma taxa estimulada de 10%. O tratamento é prolongado e medicamentoso, pois assim a será cinco vezes menor o risco de ocorrer um outro episódio.

Matioli, Rovani e Noce (2014) discursam que no final da década de trinta, o aparecimento referente aos pacientes que não se caracterizavam com a esquizofrenia começaram a ser abordados. Caracterizando como psiconeuróticos estudiosos como Hock e Polatin (1949, apud MATIOLI; ROVANI; NOCE, 2014) verificaram que estes não esquizofrênicos desenvolviam indicativos de ansiedade difusa, neuroses polimórficas e pansexualidade.

3.8.6 Depressão

Segundo Dicionário do Aurélio (2016), depressão significa para o indivíduo, uma forma de estar em baixa com a vida, ele sente que está esgotado, seu corpo demonstra cansaço que interfere tanto na capacidade física quanto mental, deixando em um estado melancólico e depressivo, tomando para si um sentimento de desvalorização pessoal colocando em dúvida a sua própria existência.

Considerado um distúrbio psiquiátrico que atinge cada vez mais um maior número de pessoas e ocupando a terceira posição em prevalência (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FAMILIARES, AMIGOS E PORTADORES DE TRANSTORNOS AFETIVOS, 2012).

No ano de 1953, foi apresentada uma tese no Congresso de Psicanálise em Roma, mostrando que sem carinho e atenção, um grupo de 165 meninos em uma experiência foi afastado de suas mães após seis meses estando juntos, alguns tiveram aumento em relação ao choro no primeiro mês, se tornando mais tristes e mantendo-se distantes das pessoas. O ganho de peso e altura ficou prejudicado no segundo mês e no terceiro mês estavam suscetíveis às infecções com facilidades tendo falecimento em alguns casos. Algumas mães retornaram aos seus meninos e a depressão se foi, mostrando que o amor é uma ferramenta valiosa para o problema. Tem observado que na adolescência a irritabilidade, o consumo exagerado de álcool e drogas tem aumentado a depressão entre jovens cabendo ao álcool a responsabilidade maior, mexendo com o humor alternando o comportamento e a desinibição (INSTITUTO DE PESQUISAS PROJECIOLÓGICAS E BIOENERGÉTICAS , 2015).

A reflexão crescente analisada em estatísticas atuais foi alertada pelos autores Conrad, Horwitz e Wakefield (2007, apud SOARES; CAPONI, 2011) em dúvida o aumento de transtornos sobre a depressão ou se está tendo início um novo processo médico de condições que hora antes era considerado como normal da humanidade, sendo apresentado como prioridade o tratamento medicamentoso por entender ser de origem biológica elevando o risco de depressão dando origem a medicalização deste.

Segundo Sílvia Ivancko, psicoterapeuta e psicóloga do Instituto de Cancerologia de São Paulo, a depressão é ocasionada por neurotransmissores defeituosos responsáveis por produzir hormônios que dão a sensação de prazer, conforto, bem estar que são a serotonina e a endorfina, neurotransmissores que agem quimicamente e com sua ineficiência a pessoa tornam-se desanimado, triste, perde interesse pela sexualidade, falta de energia para atividades se autoflagelando. Ela afirma ainda em se tratar de um distúrbio químico, mas informa que a depressão traz algum episódio psicológico e seu tratamento medicamentoso ajuda, mas ao ser retirado ele voltará, indica um tratamento com psicoterapeuta uma vez que um em cada cinco indivíduos no decorrer de sua vida terá um episódio depressivo (apud ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA, 2006).

A tristeza e a depressão têm uma similaridade sendo facilmente confundida uma com a outra. Sua distinção é baseada no exemplo de um óbito na família, após o luto a tristeza se abranda e há o recomeço, na depressão a tristeza aparece sem motivo aparente e persiste, a pessoa não consegue vencê-la. Alguns sintomas mais comuns ás pessoas que acometem deste mal são; Distúrbios do sono caracterizado pela insônia ligada a pessoas deprimida. Distúrbios alimentares pessoas anoréxicas e que sofrem de bulimia com inapetência ou que tem apetite em excesso podem ser deprimidas. A melancolia chamada de maníaco depressivo por intercalarem euforia e tristeza, estes indivíduos sofrem por estarem sempre triste. Na autoflagelação o indivíduo poderá ter seu sistema imunológico alterado por infligir sofrimento a si próprio. Pensamentos mórbidos a depressão é uma alternativa obrigatória, pois o pensamento em morte é evidenciado, mas não o suicídio. A psicoterapeuta Ivancko observa dois tipos depressivos, o reativo provocado por trauma e o sistêmico ou crônico que surge sem motivo aparente, um limiar entre o físico e o mental (apud ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA, 2006).

“Na terapia, acaba-se identificando a causa e encontrando o caminho da cura, acredito que a compreensão passe pela aceitação do fato de que não há como separar o corpo da mente” (IVANCKO apud ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA, 2006. Acesso em: 18 nov. 2016).

Prevenção verdadeira está em se alto conhecer amando a si e ao próximo, a consciência de que somos seres humanos e não somos da forma que gostaríamos de ser (INSTITUTO DE PESQUISAS PROJECIOLÓGICAS E BIOENERGÉTICAS , 2015).

A associação de medicamentos antidepressivos e psicoterapia atualmente é o mais indicado, sendo relatado entre portadores de depressão que o apoio familiar é muito importante para o deprimido, um amparo para conscientização de que o tratamento é demorado e os riscos como perda do emprego, doenças cardiovasculares, problemas de relacionamento familiar e conjugal podem ser administrados com incentivos, aumentando a esperança afastando a negatividade e o pensamento suicida (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FAMILIARES, AMIGOS E PORTADORES DE TRANSTORNOS AFETIVOS, 2012).

A Organização Mundial da Saúde (2001) adverte que a depressão em 20 anos poderá se tornar a segunda causa de doenças no mundo. Ocupando atualmente o quarto lugar entre causas de transtorno mental. Figura entre causas como dependência do álcool que são 70 milhões, epilepsia que número expressivo de 50 milhões, esquizofrenia tendo 24 milhões de indivíduo sofrendo desses males. O suicídio tem um milhão de casos segundo a OMS, sendo 10 a 20 milhões de tentativas não consumadas.

Beck e outros (1997) citado por Gomide e outros (2005) descrevem características relacionadas ao indivíduo depressivo: visão negativa em relação a si, ao mundo e ao futuro, que promovem instabilidades no comportamento do indivíduo.

Na área da enfermagem, a incidência de transtornos relacionados à mente, fica mais evidente, por estarem diretamente ligadas ao sofrimento vivenciado por pacientes aos seus cuidados, se tornando mais vulnerável a desenvolver depressão (SILVA et al., 2015).

Segundo o DATASUS mortes relacionadas ao suicídio, tendo como impulsão a Depressão, tiveram um aumento de 705% em território brasileiro observados em 16 anos. Uma comparação entre 1996 a 2012, números este que pularam de 58 para 467 mortes notificadas (DEPARTAMENTO DE INFORMÁTICA DO SUS, 2012).

Com números expressivos a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam 300 milhões de casos depressivos no mundo, alertam que a depressão pode estar associada ao consumo de substâncias que influenciam o comportamento observado em pessoas cada vez mais jovens e que se estendem ao longo da vida. A incidência de casos depressivos é mais evidente entre o sexo feminino, podendo estar relacionado às subnotificações ocasionadas pela baixa procura do sexo masculino para o tratamento. Foi mencionado a intolerância e preconceito que se torna um fator de risco para o suicídio em pessoas de todas as classes e cultura, inclusive a população indígena (NAÇÕES UNIDAS NO BRASIL, 2016).

3.8.7 Síndrome de Burnout

Do inglês to burn out, significando combustão completa, tendo como característica a exaustão, depressão, pensamento negativo de si próprio, falta de interesse afetivo de todos e de tudo que o rodeia (OLIVEIRA, 2016).

Fatores estressores psicossociais relacionados às funções exercidas têm como destino a Síndrome de Burnout. Harrison (1999) caracterizou como situações de trabalho que tem caráter persistente, repetitivo, emocional e duradouro com longo espaço de tempo (CARLOTTO, 2002).

Na psicologia o pensamento mais utilizado está sendo o de Maslach e Jackson de que se trata de “uma síndrome multidimensional constituída por exaustão emocional, despersonalização e reduzida realização pessoal no trabalho”. Uma situação vivenciada por vários profissionais onde suas atribuições estão voltadas para um grau de compartilhamento com outras pessoas por extenso envolvimento devido as suas necessidades, haja vista as atribuições dispensadas por profissionais de saúde (apud ZANATTA; LUCCA, 2015, p. 254).

Conhecida como síndrome da estafa profissional, descreve um pensamento de fracasso diante de determinada tarefa, sendo exposta pelo psicólogo Herbert J. Freudenberger (1974) que abordou o desgaste acentuado de energia e recursos físicos envolvendo profissionais no exercício de suas funções, afetando o relacionamento interpessoal, através da alteração emocional e a forma de se dirigir a outros profissionais, sendo inclusive um modo de identificar esta síndrome diante da semelhança entre outros sintomas de depressão, fatores estes, que estende para amigos e familiares, desenvolvendo um descontentamento com si mesmo, podendo ir de encontro à depressão e até mesmo ao uso de drogas (apud SOARES; CUNHA, 2007).

A síndrome de Burnout está presente em várias profissões, ficando evidente naquelas que demandam mais estresses. Profissionais de saúde que tem proximidade com fatores estressantes e emocionais estão suscetíveis a este malefício. Tomamos por exemplo os profissionais de enfermagem, que diariamente estão expostos às situações de estresse em seu ambiente de trabalho. Conflito interpessoal e institucional, sobre carga laboral em turnos extensos e mal remunerados, falta de reconhecimento em suas funções que são desrespeitadas e não compreendidas, a proximidade com a morte, os riscos acentuados por contaminantes e a exposição à violência em seu ambiente de trabalho, toma deste profissional a felicidade, deixando um sentimento de incapacidade diante de tantos fatores negativos e com a impressão de estar fracassando em tudo que executa (GALINDO et al., 2012).

Despersonalização do indivíduo diante de tamanha incapacidade profissional leva a autoflagelação e ao suicídio. Alarmante desfecho para uma patologia que mostrou ter baixa incidência comparada a outros fatores destinados à compreensão deste assunto mórbido (SILVA et al., 2015).

Entre profissionais da saúde a Síndrome de Burnout fica mais evidente no sexo feminino na faixa etária entre 35 a 40anos, casadas e sem filhos tendo seu foco no enfermeiro que apresenta maior índice em relação a outros profissionais da saúde (ZANATTA; LUCCA, 2015).

3.8.8 Estresse e ansiedade

Margis e outros (2003) abordam este assunto como sendo pouco discutido, apesar da relação entre estes fatores serem admissíveis. Os autores informam que estudos relacionando a fatores estressores e transtornos de ansiedade ainda são tímidos, mas que sinais relacionados à ansiedade podem ter sua origem anos anteriores ao evento estressor que leva ao transtorno de ansiedade. O aprofundamento dos estudos destes fatores estressores é de grande validação não só para o tratamento como a prevenção.

Oliveira (2009) informa que, estudos direcionam o estresse não só para conceitos psicossociais ou de condições ambientais, mas o conceitua como ansiedade, influenciando em sentimentos e comportamentos, contribuindo para o surgimento de fatores de risco e evolução de doenças e transtornos.

Gomide e outros (2005) falam da influência do estresse na vida atual como fator negativo para a população, cita estudos que demonstram que o estresse advém de situações resultantes de fatores internos que o indivíduo adquire durante o processo de formação psicossocial e de fatores externos vivenciados na atualidade em que este indivíduo está inserido.

3.9 MÉTODOS DE SUICÍDIO E TENTATIVAS DE SUICÍDIO

A Organização das Nações Unidas no Brasil lembra que os métodos empregados em tentativas de suicídios, devem ser discutidos por personagens comprometidos na elaboração de políticas que ajudem a diminuir os altos índices de suicídios no Brasil. O conhecimento dos métodos é de grande importância para traçar mecanismos de prevenção ao suicídio, sendo o envenenamento o mais utilizado, acompanhado pelo enforcamento e armas de fogo. Explica que restringindo a informação dos meios conhecidos a população poderá ser uma importante ferramenta para a prevenção do suicídio (NAÇÕES UNIDAS NO BRASIL, 2016, 2017).

O Ministério da Saúde, (2017) através de cartilha destinada a prevenção ao suicídio elaborou para os jornalistas, dicas para melhor abordar o assunto sobre o suicídio, com a finalidade de não promover de forma equivocada fatos ocorridos durante o processo. Notícias sensacionalista tendem aumentar os casos. Dados obtidos no (SINAN) coletados entre 2011 a 2016 apontam que o Envenenamento junto com a intoxicação por organofosforados são os meios de mais utilização para o suicídio somando 57,6% (BRASIL, 2017a).

3.10 CONSEQUÊNCIAS DO SUICÍDIO

Uma missão. Religiosos afirmam que nos foi confiado uma missão, que ao longo de nossa existência nos programamos para executá-la em nome do divino. Deus dá a vida e somente ele tomará. Com palavras fortes em nome do sagrado, líderes religiosos discursam a negatividade relacionada ao suicídio e os agravantes para quem o comete. Afinal acreditam que a continuação da existência humana não termina com a morte. A transferência das preocupações e dores que o indivíduo esta presenciando em sua vida, não termina com a própria morte, somente é transferida para os que o rodeiam, para seus familiares. “[...] O suicídio não resolve as angústias de ninguém” (Zarur Alziro apud NETTO, 2013. Acesso em: 10 maio 2017).

Na esfera jurídica as discussões sobre este assunto, são acompanhadas de dúvidas que decorre deste a entrevista com familiares a entendimentos com profissionais orientadores da saúde mental, “[...] Em caso de dúvida, recomenda-se uma tentativa de autópsia psicológica, requerendo-se a oitiva de parentes, vizinhos, bem ainda a requisição de perícias pertinentes” (RIBEIRO, 2003. Acesso em: 10 mai. 2017).

O crime propriamente dito é imputado ao que, auxilia o ato e não a quem o comete. Este auxílio pode ser uma simples frase de incentivo a tomada de decisão que, às vezes seriam de superação para muitos e no entendimento de uma mente perturbada se torna o gatilho para o extermínio próprio. Ações instauradas a respeito deste tema têm decisões divergentes em entendimentos, que criam jurisprudências que condena e arquiva ações que deixam os envolvidos no processo sem saber se ao certo são réus ou acusados de um ato historicamente insano, inexplicável e com, entendimentos muitas vezes baseados em empirismo (BRASIL, 2006).

Mirabete (1999 apud RIBEIRO, 2003) esclarece condutas jurídicas a serem empregadas no caso de suicídio tentado, em que o ato, não seria nomeado como responsabilidade de quem o pratica, mas sim de quem de algum modo promove ações que induzem ao triste fim instigando ou até auxiliando a cometer suicídio dando causalidade ao ato, lembrando que se esta ação não incidir em suicídio ou lesão corporal grave, pode esta ação ser considerada como sendo uma ação excepcional.

É de relevância que um ato consumado ou não consumado tem seu impacto estendido aos familiares do suicidado. Este impacto influi na vida dos sobreviventes familiares, que tem que conviver com os dramas deixados pelo suicida e as satisfações decorrentes do ato, Difícil mais ainda com o pensamento de convívio com o suicidado e procurar formas de entender o porquê deste caminho mórbido (TAVARES; SILVA; COLOMA, 2013).

Faz-se necessária urgência em obter programas efetivos de prevenção ao suicídio, pois criaram políticas públicas para combate a dengue que em um ano resultou em 235 óbitos enquanto o suicídio chegou a números expressivos de 12 mil casos de mortes (BRASIL, 2016).

Os números de tentativas de suicídio podem ser em maior percentual do que aqueles demonstrados. Alguns elementos que poderiam quantificar com mais exatidão os casos não são confiáveis, pois podem estar gerando subnotificações por motivos econômicos no tocante de que, planos de saúde não remuneram diagnósticos de tentativas de suicídio tratadas por alguns profissionais ligados a saúde que por tabu culturais vêem o suicida com desrespeito ao seu sofrimento (SOUZA, 2011).

3.11 FAMÍLIA E SUICÍDIO

A OMS tem em sua cartilha de prevenção ao suicídio destinado a profissionais envolvidos na causa, em seu primeiro parágrafo no texto denominado como Fatores de Proteção, o amparo familiar bem como as relações significantes que ajudam a promover a redução nas causas de suicídios (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2006).

Em debate realizado na câmara de deputados em Maio de 2017, contando com a presença de entidades sociais e representantes da mídia com a pauta direcionada para a prevenção ao suicídio, a família teve seu papel discutido como ferramenta a ser valorizada para combater o suicídio entre jovens e adolescentes (BRASÍLIA, 2017).

Werlang (2000) traz uma discussão impactante quando aborda sobre o número de suicídios que tem aumentado substancialmente na última década, a Organização Mundial da Saúde relata que este aumento impactante atinge crianças de cinco anos de vida. E o que pensar e como explicar que, alguém que estaria começando a formar seus sentimentos e compreensões teriam tal pensamento intencional de matar a si mesmo. Blanca contextualiza sobre a necessidade em abordar este assunto devido à gravidade de suas consequências, a promoção e prevenção devem começar dentro do lar, discutir programas nas escolas organizando eventos psicoeducativos de valores esquecidos equilibrando a relação entre as dificuldades e seu enfrentamento precoce.

Souza e Rasia (2006) informam que a família tem um papel sociológico neste assunto abordado, uma proteção ou contribuição para o suicídio, desenvolvendo complexo como o de desmame, intrusão e Édipo.

Cia (et al 2006) citando Gomide (2003), dispõe sobre a importância na relação entre pais e filhos como sendo de grande contribuição no desenvolvimento psicossocial do indivíduo, esta relação desenvolvida inadequadamente produz um processo de educação equivocado contribuindo para dificuldades no convívio social deste indivíduo (CIA, 2006).

Gomide (2005) relaciona práticas agindo de forma negativa e positiva como reforçadores para a educação parental do indivíduo. Práticas estas como “abuso físico, punição inconsistente, disciplina relaxada, monitoria negativa, negligência, assim como as monitorias positivas e comportamento moral”, elementos que compõe o desenvolvimento antissocial e pró-social do indivíduo respectivamente.

A perda da referência parental em famílias com tendência ao suicídio poderá através de falta de afetividade, rejeições e humilhações gerar crianças suicidas que vêem este ato como um símbolo de afetividade que este, nunca experimentou (RIBEIRO, 2003).

Reações de negação, insegurança e desamparo, são observadas em familiares de suicidas. O envolvimento das famílias antes do ato tentado contra si se baseia em não dar a devida atenção aos alertas ou pedidos de ajuda que o suicida emite ou até mesmo, não conhecer as verdadeiras intenções de extermínio. O reconhecimento do problema é cercado de insegurança quando a família busca respostas para perguntas que muitas vezes tem uma negação dela própria e após a consumação do ato, um sentimento irreparável de perda toma conta dos familiares proporcionando dúvidas e questionamentos sobre o porquê de existir e os motivos que levou ao ato extremo (SOUZA; RASIA, 2006).

Alerta-se para os relacionamentos distantes entre pais e filhos, que dificultam a percepção de possíveis sinais de instabilidade emocional que pode estar associados a transtornos mentais, sendo equiparados com rebeldia juvenil tipificado entre adolescentes. Informa ainda que a internet tenha cada vez mais aproximada as pessoas que tem em comum interesses para o suicídio que, numericamente extrapola mais de sete milhões de acessos buscando a informação de como se matar. A família tem um papel fundamental para o acompanhamento de potenciais suicidas, mas a participação de um profissional de saúde capacitado é imprescindível para acompanhar este assunto (MUNDO DOS PSICOLOGOS, 2016).

O auto-extermínio nem sempre está associado à variação nos relacionamentos familiares, Kruger e Werlang (2010) expõem que, as possibilidades de aparecimento deste fenômeno no seio da família podem ter sua origem em fatores específicos. Este evento restringe as interações e experiências familiares limitando o ambiente em que vive.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (2000) pensamentos suicidas entre jovens são comuns, a construção do ser humano passa por incertezas e questionamentos que pensamentos de matar a si, se tornam uma opção para os problemas enfrentados, mas este pensamento não pode ser tratado como a única saída, neste caso o risco de suicídio está presente. A convivência em harmonia com a família proporciona uma base para o enfrentamento deste problema.

Souza e Rasia (2006) estabelecem em seu estudo intervalos a serem discutidos sobre a temática suicídio, o antes do ocorrido, o durante e o depois. Alguns fatores são usados pelos familiares na intenção de explicar tal ato, fatores religiosos são utilizados até mesmo como forma de atenuar o estigma que pesa sobre o indivíduo suicidado, acontecimentos antecedentes de forma que possa vir a justificar o evento suicídio. A discussão sobre o fator religioso também é visto durante o ato de autocídio. A família já estigmatizou o indivíduo, e o submete aos tratamentos que nem sempre é aceito pelo suicidado, então novamente o fator religioso esta presente buscando a divindade como sendo tratamento psicológico a ser oferecido. Se o fator suicídio ocorrer, familiares tendem a culpar os profissionais envolvidos no tratamento, mas no lado religioso a culpa recai em cima de figuras negativas do imaginário religioso, uma forma de entendimento em que a subjetividade religiosa transcende a realidade científica. O pós evento pode ser observado até dois anos após o suicídio do familiar. A busca de estratégias que familiares utilizam para conviver com o evento e suas conseqüências. As famílias tendem a não aceitar o suicídio como sendo morte que percorre seu curso natural da vida e tendem a se culpar por não evitar que o fato ocorresse. A família custa em dar importância sobre o fato de ocorrer tal evento, se existe uma potencial intenção de suicidar-se, seria uma forma de negar o evento, não observando sinais como prováveis para o ato fatal ou não ter o conhecimento do ato que será praticado. A insegurança é observada em famílias envolvidas em suicídio, não saber o encaminhamento para o enfrentamento do problema ou de como discutir sobre o assunto com o potencial suicida, traz insegurança de qual a conduta a ser tomada. Esbarra-se em condições socioeconômicas para melhor atendimento especializado para que a tentativa ou pensamento não se torne concreta. A de se falar de que às vezes, tentativas reincidentes podem ter cunho de manipulação, em se ganhar algo em troca, podendo levar o indivíduo a outras tentativas e em uma delas acaba tendo êxito referente à intenção mórbida. O desamparo é observado na maioria dos familiares que tiveram perdas de entes queridos por suicídio. Dúvidas em relação de se cometer um ato de extrema gravidade se confundem com os questionamentos de o porquê da existência ser tão complicada. Este deveria ser uma etapa a ser compartilhada pelo familiar que, com dificuldades emocionais busca ajuda que se resume na medicalização para o problema. Fica evidente que Famílias necessitam de orientações para conduzir o problema suicídio bem como apoio para superar tamanha situação trágica.

O suicídio se torna cada vez mais presente entre meninos e meninas na faixa etária de 14 e 17 anos de idade, que tem suas particularidades comportamentais diferenciando cada um. Tendo o sexo como fator de proteção importante para a prevenção de causas relacionadas ao suicídio, Rennó fala sobre a edição do Canadian Journal of Psychiatry que aborda diferenças no enfrentamento de situações de risco vivenciadas em ambos os sexos. Falar sobre a importância de diferenciar as necessidades e dificuldades de meninos e meninas ajuda a família identificar fatores que influenciam no comportamento depressivo e suas causas, possibilitando uma melhor forma de tratamento entre pais e filhos (ESTADÃO, 2015).

Segundo Botega (2017) a família com problemas de relacionamento, tem igual semelhança com a depressão, drogas ou a instabilidade no humor. Entende que, o jovem por não estar totalmente desenvolvido mentalmente, seja mais vulnerável as idealizações suicidas por serem mais impulsivos.

Jogos acessados por jovens que extraem o sentimento de realização, poder, medo e superação através de metas que induzem ao suicídio, estão sendo noticiados constantemente, assim como séries televisivas que aborda o suicídio de maneira romântica e lúdica. Botega alerta que há sadismo e perversidade no jogo Baleia azul, indicando ser um caso de polícia, e que tratar o assunto suicídio somente como capítulos de uma série, pode influenciar jovens a tentativas de suicídio por estarem em sofrimento ou vulneráveis as incitações que induz a matar a si próprio, ele ainda completa: “Todo manual de prevenção ao suicídio diz para não dar detalhes sobre o método, não publicar fotos, não dramatizar, não fazer do suicida um herói, pois tudo isso aumenta o risco de contágio. A série comete todos esses pecados, além de romantizar o ato (BOTEGA, 2017).

Btesh (2017 apud ESCÓSSIA, (2017) alerta para os sinais comportamentais, afirma que os pais devem observar essas mudanças humorais que ficam evidentes em alguns casos familiares, onde jovens variam comportamentos de interação, agressividade e introversão. Informa ainda que os pais devam ficar atentos para a permanência exagerada dos seus filhos nas redes sociais cujo alguns conteúdos, têm conotações duvidosas, é preciso buscar o interesse familiar sempre através do diálogo, tendo o cuidado para o relacionamento não se tornar autoritário. Reitera sobre a importância em se falar cada vez sobre suicídio, mas com a sensibilidade em não abordar abertamente os meios, como indica órgãos ligados a esta temática. Escóssia ainda cita Estelita (2017), referindo as mudanças que ocorreram na chamada família tradicional, e suas implicações na vida dos jovens, bem como estratégias de auto ajuda destinadas aos adultos que estão sendo discutidas por não se adequarem a juventude por condições relativas às suas particularidades.

D’Urso criminalista em uma grande cidade do Brasil, referindo-se ao jogo Baleia Azul (Blue Whale) adverte que esta é mais uma modalidade de crime, e seus executores estão sujeito ao código penal brasileiro Art. 122 por indução ao suicídio, bem como o Art.147 que consiste na ameaça, pois a pessoa que entra no jogo tem 50 tarefas a serem executadas e a desistência é desencorajada através de graves ameaças. Lembra também que o evento se torna criminoso, se o indivíduo que participa cometer o suicídio consumado, ou se deste ato resulte em lesão grave a pessoa (ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL, 2017).

A tecnologia embarcada em vários segmentos do entretenimento promove a interação dinâmica, reduzindo o tempo e as distâncias. Aplicativos de localização que informam a localização de jovens para seus pais ajudam a promover um ambiente de segurança mútua. Em Londres na Inglaterra uma Organização beneficente introduziu no mercado para telefonias móveis um dispositivo que informa se algum usuário lançou uma frase que mostra um evento de depressão. Nomeado como Samaritans busca frases que podem indicar comportamentos suicidas. O aplicativo é gratuito e criado, com denominações para a idade de 18 a 35 anos por serem usuários mais freqüentes das redes sociais (EXAME, 2017).

Barbosa, Ogasawara e Benazzi (2010) esclarecem que o jornalismo tem como objetivo o esclarecimento público dos fatos, entretanto notícias veiculadas pós morte não teria tanta importância pública, podendo ser direcionada para o campo da privacidade. Instituições midiáticas abusam de argumentos utilizados para expor na mídia televisiva suas noticias de interesse público, apoiando em argumentos de que o cidadão tem direito à informação, fundamentada pelo Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros (Fenaj), bem como o direito à informação e a liberdade de imprensa, mas esquecem das responsabilidades contidas neste mesmo código o direito de preservar a privacidade, a imagem e à honra das fontes.

Barbosa, Ogasawara e Benazzi (2010) ainda pontuam que notícias vinculadas à morte que profissionais da mídia tem a obrigação em estar atentos em não fazer deste mórbido assunto, uma audiência para alavancar as vendas de notícias, demonstrando desrespeito a dor que, personagens envolvidos no episódio geralmente preferem o sigilo. O direito as informações pertence aos envolvidos antes de serem de ordem pública.

Em estudo direcionado ao evento suicídio noticiado, a Organização Mundial da Saúde informa que a importância do ato fala por si, cabendo a mídia a sua veiculação, que na maioria das vezes mostram somente aqueles que denotam fatores de relevância popular. Estatisticamente a associação entre o ato mórbido e a mídia, fica evidente em indivíduos mais jovens e a repetição contínua dessa notícia poderá incitar interesse suicida. Informa ainda que estudiosos atribuam ao método de expor a notícia, como fato a ser discutido de incitação ao suicídio e não a notícia do evento suicídio ocorrido (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2000).

Projeto de lei Nº 1600, de 2003, de autoria do Deputado Orlando Fantazzini, tendo na sua relatoria a Deputada Ângela Guadagnin, dispõe sobre o “Código de Ética da programação televisiva e dá outras providências”, constando no seu 5º parágrafo a proibição das notícias constando informações verídicas de suicídio por parte das emissoras. Guadagnin, diz ser incontestável a interferência televisiva no desenvolvimento da mente das crianças e jovens podendo influenciar positivamente ou negativamente de acordo com a qualidade do que é transmitido (BRASIL, 2003).

Maitê Hammoud (apud LINK, 2016), psicóloga defende que noticias sendo exposta de forma educativa, ajuda na conscientização do individuo e seus familiares para que as tentativas e o suicídio consumado se tornem uma ação possível de ser evitado (MUNDO DOS PSICÓLOGOS, 2016).

3.12 PROFISSIONAIS DE SAÚDE/FATORES DE SUICÍDIO

A condição enfrentada por profissionais de enfermagem, tendo que conviver com o sofrimento dos clientes que procuram as unidades de saúde, e a proximidade desenvolvida entre essas relações, colocam este profissional em um campo de visão entre os propensos a desenvolver doenças mentais que poderiam se tornar potenciais suicidas, indo na contramão das atividades desenvolvidas por este profissional que deveria cuidar e zelar pela vida. Fatores que desenvolvem este potencial suicida que tem uma inclinação para o desenvolvimento de transtornos mentais estão em discussão para um melhor entendimento, vejamos alguns: Depressão, ambiente de trabalho, conflitos familiares, conflitos no ambiente de trabalho, estado civil, stress, falta de autonomia profissional, insegurança em desenvolver as atividades, jovens adultos, maior nível educacional, plantão noturno, renda familiar, sobrecarga de trabalho, síndrome de burnout e baixa realização que atrapalham o desenvolvimento laboral deste indivíduo aumentando o risco deste profissional se tornar um potencial suicida (SILVA et al., 2015).

Loureiro (2006) adverte que ao tratar com o indivíduo suicida, o profissional da saúde, experimenta uma sensação desconfortável de repulsa norteado pela carga sociocultural vivenciada ao longo da sua vida.

O suicídio pode ter situações emocionais relevantes não somente para a família do suicidado, mas também para os profissionais que prestam atendimento. É feita uma observação sobre os cuidados a serem dispensados envolvendo os cuidados propriamente e os tipos de atenção técnica esperadas nos locais de tratamentos de transtornos mentais. As ações esperadas destes profissionais devem ser norteadas em favor da prevenção para acolher este indivíduo que pode estar em situação de sofrimento por pensamentos de matar a si ou que idealizou no passado e ainda convive com este sentimento. O amparo aos familiares deve ser de suma importância. Os autores completam que não é só a competência técnica que tem o seu ponto fraco no atendimento ao indivíduo com transtorno da mente, mas a incapacidade do profissional em entender a intenção de tirar a própria vida ser o único caminho para este indivíduo. A profissão que tem no seu preceito o cuidar, fornecer apoio a quem nos procura, se depara com uma pessoa que no seu ponto de vista cultural ou social atenta contra a própria vida, traz sentimentos que como seres humanos nos foram passados ou herdados. O pensamento de se colocar no lugar do outro pode ajudar para que, este profissional seja mais acessível ao sentimento em que a família do suicida está inserida. Construir um relacionamento de convivência com o risco de autocídio e com o próprio provável suicida relevando seus valores adquiridos (TAVARES; SILVA; COLOMA, 2013).

Botega (2017) informa que alunos de Medicina da Universidade de São Paulo, estão propensos a cometer o suicídio, sob o argumento de estarem em constante pressão acadêmica, tendo seu agravamento nos períodos de contato com os pacientes e suas patologias. Em muitos casos o suicídio não era o desfecho desejado, mas sim o pedido de ajuda que não foi transmitido ou entendido.

Lotufo Neto, profissional e educador em Psiquiatria expõe que, quadros depressivos têm aumentado em proporção entre alunos do ultimo período de Medicina. Este assunto se tornou bastante discutido nas páginas sociais de uma conceituada Faculdade por ter relatos de seis casos de tentativas de suicídios envolvendo alunos. Lotufo Neto lembra que as interações sociais e seus desafios, carregados de fatores estressantes elevam as angustias, que na maioria das vezes não são compartilhadas. Esclarece que atento a este triste momento, a direção da faculdade, criou um canal de contato telefônico emergencial, onde os alunos têm assistência 24 horas e que mudanças ocorreram na forma de condução do curso para auxiliar de forma preventiva esta triste e preocupante situação (FOLHA DE SÃO PAULO, 2017).

Escóssia (2017) faz sua contribuição, informando a preocupação da coordenação do curso de medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) na pessoa da Sra. Dayse Miranda, relatando sofrimentos enfrentados por alunos do curso proveniente de quadros depressivos, tendo na medicalização a ajuda para enfrentar a pressão referente ao curso e sua competitividade, afastando o aluno do convívio social e familiar.

Silva e outros (2015) apontam para a escassez na relação familiar do profissional atribuída pela escala de trabalho que provoca prejuízo na qualidade parental, conduzindo este profissional para um quadro depressivo.

Fernandes e Marcolan (2017) alertam para a falta de tecnologias que protejam a saúde mental do profissional de enfermagem que apresentam alto índice de incidência por serem número elevado de profissionais de saúde, estando ligados diretamente as necessidades de saúde da população.

Cantão e Botti (2016) apontam a importância na participação do profissional da enfermagem em distúrbios ocasionados pelo uso de substâncias entorpecentes como um dos fatores de risco para o suicídio, devido a sua participação intensa em todas as fases de promoção à saúde.

Associação Brasileira de Psiquiatria (2009) expõe que a negligência é fato relatado pela Organização Mundial da Saúde. Causas externas como, homicídios e mortes provocadas em acidentes automobilísticos teriam seus números menores, em relação ao suicídio, que no Brasil tem 24 mortes, somado aos três mil casos no mundo. Ocupando a terceira causa entre jovens, eleva a preocupação dos profissionais de saúde que atendem paciente com transtornos mentais.

Durkheim (1897, apud NOGUEIRA E MOREIRA, 2012) apresentaram em seu estudo as particularidades interferindo no ato suicida no que diz respeito às interações sociais de determinados grupos e suas peculiaridades influenciando no aparecimento de novos casos de suicídios.

Abreu e outros (2010) fazem a sua contribuição informando que a pessoa que tem como tendência o suicídio, demonstra algumas características de pensamentos conflitantes, sendo de difícil aceitação sobre valores de si mesmo tendo a impulsividade como uma de suas características, que podem ser uma forma de profissionais ligados á saúde intervir para que o suicídio não seja consumado.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O assunto suicídio transcende décadas de existência da humanidade e por que não dizer séculos, pois historicamente o termo suicídio tem ocupado mentes de diversos pesquisadores e estudiosos. Tema este que motiva, pela sua complexidade e complica por abordar temáticas socioculturais e políticas. Houve em dado momento da história que a religiosidade transferiu para o suicidado toda ira de DEUS, sendo castigado e punido o seu corpo mutilado e assim promover a injúria contra a família.

Pesquisa sobre doutrinas que abordou o sofrimento como causa do auto-extermínio do indivíduo, que por questões familiares tem o seu crescimento pessoal comprometido mentalmente. Entidades de proteção a saúde da pessoa promovem através do amparo familiar os mecanismos para a proteção do indivíduo para causas que podem levá-lo ao suicídio. Foram abordadas questões econômicas transformando este evento em assunto discutido por líderes, um pensamento que remonta séculos, em que o suicídio teria que ter a permissão dos magistrados, pois promovia prejuízo à sociedade, sendo de difícil aceitação a incoerência de por que, ter um fim trágico.

Assuntos proposto em assembléia pública com a intenção de buscar na arquitetura a dificuldade de acesso aos meios de tentativas de suicídio, bem como o próprio suicídio consumado. Percorrendo a história foi pesquisados períodos vivenciados pela humanidade assim como o sofrimento a ela infligido e como todo sofrimento e a incapacidade de absorvê-lo gerou marcas e novos casos de suicídios, cada um ligado a um segmento, como se a resposta para este ato fosse subjetiva de cada um, abrangendo não só o sofrimento em que o indivíduo está inserido, mas a carga emocional, cultural e social no qual este vivenciou durante seu crescimento como ser humano.

A interação com atos históricos é visível em que pensamentos se moldam e criam hipóteses baseadas em observações e interações, cada uma extraindo na formação da personalidade a resposta para um ato que vai se adaptando ao contexto da humanidade. A instabilidade emocional promovida por relacionamentos parental e sua contribuição positiva e negativa para a formação do ser, vai tendo adeptos cada vez mais freudianos que, relaciona transtornos da mente a não resolução de complexos vivenciados durante o crescimento da pessoa. Mas lembramos novamente que a história e suas metamorfoses estruturais em que, o ato se torna honrado ou de extrema covardia, em fugir de conflitos moral ou social de forma trágica.

Argumentos de que desde cedo afastamos de situações penosas e desconfortáveis e que no desenvolvimento do ser, colocamos estas situações em compartimentos, um em cada nível da mente, representando o id, ego superego que ao acessarmos, devemos estar preparados mentalmente para que estas tais situações, não provoque sofrimento contínuo e se transforme em transtorno da mente, sendo que o relacionamento saudável entre pais e filhos permite que fatores externos sejam assimilados com mais clareza e direcione o indivíduo para um crescimento estável.

Buscando conceituar o suicídio deparamos com pensamentos conservadores, idealizando o evento de forma pré-disponível do ser, uma forma de conferir a responsabilidade do ato em parcelas em que a sociedade e o próprio indivíduo teriam sua responsabilidade. Objetivamente foram pesquisados fatores que possibilite o entendimento de tentativas, em sua maioria consumada para o suicídio e como este evento atinge familiares e profissionais envolvidos em tabus sociais, não atentando para os sinais e sintomas que só se torna evidentes após o ato consumado.

A explicação sobre fatores de risco toma direções que convergem em que, discussões sobre a prevenção é de ordem pública, por se tratar de um evento que atinge diversas classes sociais e tem seu aumento preocupante, tirando precocemente do convívio social, jovens que economicamente estão em plena atividade, fator preocupante das autoridades, que através de políticas voltadas para prevenção e pósvenção, buscando estratégias que possibilitem diminuir os casos de tentativas de suicídio e suicídios, sem distinção de sexo, raça, idade e gênero.

Observando que interesses particulares geralmente de cunho econômico sobre saem o bem maior que é o da preservação da própria vida, o descaso com as necessidades imediatas a serem resolvidas como forma de atenuar o sofrimento que tem continuidade na vida dos que perderam entes queridos ou que se culpam por não ter entendido o porquê de a existência ter sido retirada de própria vontade. Ter um entendimento sobre a própria vontade quando fatores externos contribuem para um desfecho que é a somatória de causas estressoras que leva a um ato de extremo alívio para o que comete.

Pesquisas alertam para uma diferenciação recente no gênero e idade, conferindo aos fatores, uma atenção a ser considerada em novas pesquisas abordadas. Buscando nas autoridades públicas, meios para que programas e pesquisas sejam renovados e atualizados, discutindo mais sobre a temática suicídio no sexo feminino e seu crescimento percentual em relação ao sexo masculino, discutir se este aumento tem origem no fato de algumas profissões de risco, a presença de mulheres sejam mais evidente numericamente em relação aos homens.

Ter o entendimento que discussões sobre políticas públicas comprometidas com a valorização da vida voltadas para a qualidade do ser humano respeitando seus direitos constitucionais, tratando de forma respeitosa a família do suicidado, promovendo amparo social e psicológico para que não se torne um ciclo vicioso, alimentado pela mídia sensacionalista servindo de nexo causal para o suicídio. Abrir novas discussões sobre estresse e ansiedade por servirem de ponte para desencadear o sofrimento humano, sendo sua abordagem modesta neste tema, buscando identificar causas e fatores estressores permanentes que podem vir a corroborar com o adoecimento da mente tornando crônico este sofrimento.

Amparo especializado aos familiares através de profissionais de saúde capacitados, tendo a sensibilidade dos que promovem a prevenção de que, estes profissionais por estarem diretamente assistindo as necessidades alheias e somadas com suas próprias necessidades, o torna um profissional de risco para o evento abordado.

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6. ANEXO

Ministério da Saúde
Gabinete do Ministro

PORTARIA Nº 1.876, DE 14 DE AGOSTO DE 2006

Institui Diretrizes Nacionais para Prevenção do Suicídio,
a ser implantadas em todas as unidades federadas,respeitadas
as competências das três esferas de gestão.

O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, no uso de suas atribuições, e

Considerando a Constituição Federal, no capítulo saúde, em seus artigos 196 a 200 e as Leis Orgânicas da Saúde nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, e nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990;

Considerando que o fenômeno do suicídio é um grave problema de saúde pública, que afeta toda a sociedade e que pode ser prevenido;

Considerando a importância epidemiológica do registro do suicídio e das tentativas de suicídio em todo o território nacional;

Considerando a importância epidemiológica e a relevância do quadro de co-morbidade  e transtornos associados ao suicídio e suas tentativas, em populações vulneráveis, tais como: indivíduos com transtornos psíquicos, especialmente as depressões; indivíduos que já tentaram suicídio; usuários de álcool e outras drogas; populações residentes e internadas em instituições específicas (clínicas, hospitais, presídios e outros); adolescentes moradores de rua, gestantes e/ou vítimas de violência sexual; trabalhadores rurais expostos a determinados agentes tóxicos e/ou a precárias condições de vida; indivíduos portadores de doenças crônico-degenerativas; indivíduos que convivem com o HIV/AIDS e populações de etnias indígenas, entre outras;

Considerando o aumento observado na freqüência do comportamento suicida entre jovens entre 15 e 25 anos, de ambos os sexos, escolaridades diversas e em todas as camadas sociais;

Considerando o impacto e os danos causados pelo suicídio e as tentativas nos indivíduos, nas famílias, nos locais de trabalho, nas escolas e em outras instituições;

Considerando a possibilidade de intervenção nos casos de tentativas de suicídio e que as mortes por suicídio podem ser  evitadas por meio de ações de promoção e prevenção em todos os níveis de atenção à saúde;

Considerando a necessidade de organizar uma rede de atenção à saúde que garanta linha de cuidados integrais no manejo dos casos de tentativas de suicídio, com vistas a reduzir o dano do agravo e melhorar o acesso dos pacientes ao atendimento especializado, quando necessário;

Considerando a importância do suporte oferecido pelas organizações da sociedade civil na área de Prevenção do Suicídio, como os Centros de Crise e outros;

Considerando os custos elevados dos procedimentos necessários às  intervenções após as tentativas de suicídio;

Considerando a necessidade de promover estudos e pesquisas na área de Prevenção do Suicídio;

Considerando o papel importante dos meios de comunicação de massa por intermédio das diversas mídias no apoio à prevenção e no tratamento humanizado dos casos de tentativas;

Considerando os Pactos pela Saúde, em suas três dimensões: Pela Vida, em Defesa do SUS e de Gestão, estabelecidos pela Portaria nº 399/GM/MS, de 2006 e a recomendação da Organização Mundial da Saúde de que os Estados-Membros desenvolvam diretrizes e estratégias nacionais de prevenção do suicídio; e

Considerando a Portaria nº 2.542/GM, de 22 de dezembro de 2005, que instituiu Grupo de Trabalho com o objetivo de elaborar e implantar a Estratégia Nacional de Prevenção ao Suicídio, resolve:

Art. 1°  Instituir as Diretrizes Nacionais para Prevenção do Suicídio, a ser implantadas em todas as unidades federadas, respeitadas as competências das três esferas de gestão.

Art. 2°  Estabelecer que as Diretrizes Nacionais para Prevenção do Suicídio sejam organizadas de forma articulada entre o Ministério da Saúde, as Secretarias de Estado de Saúde, as Secretarias Municipais de Saúde, as instituições acadêmicas, as organizações da sociedade civil, os organismos governamentais e os não-governamentais, nacionais e internacionais, permitindo:

I - desenvolver estratégias de promoção de qualidade de vida, de educação, de proteção e de recuperação da saúde e de prevenção de danos;

II - desenvolver estratégias de informação, de comunicação e de sensibilização da sociedade de que o suicídio é um problema de saúde pública que pode ser prevenido;

III - organizar linha de cuidados integrais (promoção, prevenção, tratamento e recuperação) em todos os níveis de atenção, garantindo o acesso às diferentes modalidades terapêuticas;

IV - identificar a prevalência dos determinantes e condicionantes do suicídio e tentativas, assim como os fatores protetores e o desenvolvimento de ações intersetoriais de responsabilidade pública, sem excluir a responsabilidade de toda a sociedade;

V - fomentar e executar projetos estratégicos fundamentados em estudos de custo-efetividade, eficácia e qualidade, bem como em processos de organização da rede de atenção e intervenções nos casos de tentativas de suicídio;

VI - contribuir para o desenvolvimento de métodos de coleta e análise de dados, permitindo a qualificação da gestão, a disseminação das informações e dos conhecimentos;

VII - promover intercâmbio entre o Sistema de Informações do SUS e outros sistemas de informações setoriais afins, implementando e aperfeiçoando permanentemente a produção de dados e garantindo a democratização das informações; e

VIII - promover a educação permanente dos profissionais de saúde das unidades de atenção básica, inclusive do Programa Saúde da Família, dos serviços de saúde mental, das unidades de urgência e emergência, de acordo com os princípios da integralidade e da humanização.

Art. 3°  Determinar à Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde (SAS/MS), em conjunto com outras áreas e agências do Ministério da Saúde, que adote as providências necessárias para a estruturação das Diretrizes Nacionais para Prevenção do Suicídio instituídas por esta Portaria.

Art. 4° Determinar à Secretaria de Atenção à Saúde que constitua um Grupo de Trabalho, a ser instituído por portaria específica, para propor a regulamentação dessas diretrizes no prazo máximo de 120 (cento e vinte) dias.

Art. 5°  Determinar que a regulamentação dessas diretrizes seja apresentada e pactuada no âmbito da Comissão Intergestores Tripartite - CIT.

Art. 6º  Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

JOSÉ AGENOR ÁLVARES DA SILVA
MINISTRO DE ESTADO DA SAÚD


Publicado por: Romildo Galvão

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