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ENFERMAGEM NA HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA AO PARTO NATURAL

Enfermagem

Humanização na assistência durante o parto, como a enfermagem pode contribuir para a melhoria da assistência já que o alicerce da profissão é a humanização.

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1. RESUMO

Este trabalho aborda sobre a humanização na assistência durante o parto, com isso surgiu à questão, como a ausência da humanização pode afetar a gestante, fazendo com que o parto torne-se um processo doloroso para a mesma e como a enfermagem pode contribuir para a melhoria da assistência já que o alicerce da profissão é a humanização. A partir da observação do aumento do numero de partos cirúrgicos no Brasil e a preferência dos profissionais em aderir partos cesarianos ao invés de partos fisiológicos, tornou-se necessário à publicação desta pesquisa. O estudo teve como método o formato de revisão literária onde foram observados diversos artigos de sites acadêmicos. Com esta analise literária, espera-se que os profissionais da saúde compreendam que a mãe deve ser a principal no processo do parto e o que a mesma solicita deve ser respeitado, com isso as gestantes consequentemente podem realizar a melhor escolha para elas e seus filhos.

Palavras-chave: Gestante; Humanização; Enfermagem; Parto; Assistência.

ABSTRACT

This work deals with the humanization of care during childbirth. This has led to the question of how the absence of humanization can affect pregnant women, making childbirth a painful process, and how nursing can contribute to childbirth. improvement of care since the foundation of the profession is humanization. From the observation of the increase in the number of surgical deliveries in Brazil and the preference of professionals to join cesarean deliveries instead of physiological deliveries, it became necessary to publish this research. The study had as method the literary revision format where several articles of academic sites were observed. With this literary analysis, health professionals are expected to understand that the mother should be the main one in the birthing process, and what she requests should be respected, so that the pregnant women can consequently make the best choice for them and their children.

Key-words: Pregnant; Humanization; Nursing; Childbirth; Assistance.

2. INTRODUÇÃO

A enfermagem vem conquistando cada vez mais espaço no mercado de trabalho, com isso a presença da enfermagem tornou-se essencial para o desenvolvimento da área da saúde. Observou-se no decorrer dos anos, o crescimento do termo “humanização na assistência” principalmente quando se trata da saúde da mulher, assim sendo a arte de praticar a humanização no parto tornou-se indispensável.

Entende-se que o cuidar na gestação não envolve somente a “hora do parto”, mas sim todo o processo que antecede a essa hora tão esperada pela gestante, ou seja, a mulher necessita vivenciar a sua gestação, com isso passa a ser primordial ouvir e compreender o que as gestantes sentem, suas angustias e dúvidas com o objetivo de que a parturiente se sinta confortável para que flua para um parto natural sem intervenções externas desnecessárias.

A violência obstétrica ganhou mais destaque na imprensa e nas redes sociais nos últimos anos, através de relatos de inúmeras mães que sofreram abusos, tanto no setor público quanto no particular. Com essa pesquisa surge o seguinte pergunta como a ausência da humanização no processo do parto pode tornar algo traumatizante para a mãe?

Diante da atual situação dos partos naturais e das altas taxas de cirurgias cesarianas é de extrema importância discutir como a presença da Enfermagem facilita o processo do parto fazendo com que a gestante sinta-se confortável com o objetivo de que o parto não se torne um evento doloroso, para o melhor entendimento é necessário discutir sobre as Diretrizes Nacionais da atenção ao parto natural. Com isso, é primordial demonstrar quais as principais barreiras que a Enfermagem enfrenta no processo de humanização no parto normal, e por fim, elencar de que forma a atuação da Enfermagem pode contribuir com a humanização no parto.

A relevância desta pesquisa contribui para o entendimento de como a humanização é fundamental no momento do parto e a importância da equipe de Enfermagem diante esse caso. A pesquisa foi desenvolvida em formato de revisão literária, onde foi realizado uma busca nos últimos 10 anos, nas bases de dados

SciELO (Scientific Eletronic Library Online), Revista Brasileira de Enfermagem (REBEn), Lilacs ( Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e SIBI (Sistema Integrado de Bibliotecas Universidade de São Paulo).

3. DIRETRIZES NACIONAIS DA ATENÇÃO AO PARTO NATURAL: CONCEITO E HISTÓRIA

Na década de 90, era evidente na sociedade a falta de humanização no modelo de Nascimento e Parto (NeP), pois eram decorrentes excesso de intervenções médicas e desrespeito dos direitos das gestantes (Rattner, 2009, pg. 01). Entende-se que o nascimento no âmbito hospitalar se caracteriza pelo uso de diversas tecnologias e procedimentos com o propósito de tornar o ambiente mais seguro para a mãe e o recém-nascido. Com o avanço da tecnologia a arte de partejar passou a ser considerado um processo de doença onde era necessário o uso de intervenções cirúrgicas e medicamentosas (Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Natural, 2016).

Em 1998, o Ministério da Saúde desempenha normas com objetivo de mudanças: aumenta em 160% o valor do rendimento do parto vaginal; estabelece pagamento de analgesia de parto; para diminuir o abuso nas cesarianas no SUS. A portaria n° 2.816 de 29 de maio de 1998, aponta criticas, para as altas taxas de morbimortalidade materna e perinatal (BRASIL, 1999, p. 01).

Considerando as altas taxas de Cesária no Brasil, fatores determinantes da morbimortalidade materna e perinatal; e com o propósito de melhorar a qualidade da assistência obstétrica, resolve:

I- Determinar que no programa de digitações de autorizações de internação hospitalar, SISAIH01, seja implantada critica visando o pagamento de percentual máximo de cesáreas, em relação ao total de partos por hospital, na seguinte conformidade:

Limite de 40% - para p 2° semestre de 1996

Limite de 37% - para o 1° semestre de 1999

Limite de 35% - para o 2° semestre de 1999

Limite de 30% - para o 1° semestre de 2000.” (BRASIL, 1999 p. 01)

Essa portaria foi revogada pela portaria n° 466, de 14 de junho de 2000 que estabelece o Pacto Nacional pela redução das taxas de cesáreas, distribuindo com as gestões estaduais o dever pela monitorização dos hospitais. (BRASIL, 2000).

Segundo Ministério da Saúde (Portaria n° 569, de 1° de junho de 2000), a partir dos anos 2000, o processo de humanização começa a engajar na sociedade com o Programa de Humanização do Pré-natal e Nascimento- PHPN, onde visam melhorar a assistência a gestante e puérpera, e preconizam o mínimo de seis consultas e o puerpério, vacina e garantia de vaga para o parto. (BRASIL, 2000, p. 1)

A alta taxa de mortalidade materna e neonatal vem sendo um grande desafio para a sociedade, pois esses números altos sugerem a violação dos direitos humanos. Em 2004, foi publicado o Pacto Nacional pela redução da mortalidade materna e neonatal. Pode-se observar no quadro a seguir a taxa de mortalidade materna e neonatal entre os anos 1980 e 2001:

Figura 1- Mortalidade Materna

Fonte: Pacto Nacional pela redução da Mortalidade Materna e Neonatal (2004, pg. 4).

No quadro abaixo é evidente a diminuição das taxas de mortalidade com a implementação do pacto nacional pela redução da mortalidade materna e neonatal:

Figura 2- Óbitos de mulheres em idade fértil e óbitos maternos no Brasil

Com esses altos índices de partos cirúrgicos no Brasil e com estudos científicos, a área obstétrica sofreu diversas modificações na última década, onde tinha por objetivo proporcionar mais destaque na promoção e resgatar os hábitos naturais e fisiológicos do parto e nascimento. Mesmo com as recomendações da OMS para diminuir o número de partos cirúrgicos o índice continua elevado, de acordo com Leão et al.,(2013) em 2008 a taxa de cesarianas chegou a 84,5% no Brasil.

Em 2006, 44% dos partos, no Brasil, foram cirúrgicos, sendo essa taxa maior nas regiões Sudeste (52%) e Sul (51%), entre as mulheres com mais de 35 anos (61%), brancas (49%) e com 12 ou mais anos de estudo (83%); no sistema de saúde suplementar foi de 81%. Em 2008 a taxa chegou a 84,5%.

Após diversas leis para a melhoria da saúde da mulher o Ministério da Saúde, por meio da Coordenação Geral de Saúde da mulher (CGSM), do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas (DAPE), da Secretaria de Atenção a Saúde do Ministério (SAS/MS), deram início as Diretrizes Nacionais da Assistência ao Parto Normal, um documento com 381 páginas que estabelece os cuidados com as gestantes e recomendações para os profissionais da saúde (Diretrizes Nacionais da Assistência ao Parto Normal, 2017). Além os órgãos citadas, as diretrizes tiveram apoio de uma equipe multidisciplinar, o grupo elaborador das diretrizes (GED) constituído por médicos obstetras, médicos da família, médicos neonatologistas, clínicos gerais, médicos anestesistas e enfermeiros obstétricos (CONATEC-Diretrizes Nacionais da Assistência ao Parto Normal, 2016). No dia 14 de fevereiro de 2017 foi aprovado e publicado a Portaria 353, que aprova as Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, que tem como objetivo:

Sintetizar e avaliar sistematicamente a informação cientifica disponível em relação às práticas mais comuns na assistência ao parto e ao nascimento fornecendo subsídios e orientação a todos os envolvidos no cuidado, no intuito de promover, proteger e incentivar o parto normal. (Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal. Brasil, 2017).

Ou seja, as diretrizes informam como devem ocorrer os cuidados com a gestante de baixo risco, informando-a sobre complicações que o parto normal pode oferecer, e que o parto natural normalmente é a via mais segura para o bebê e a mãe.

De acordo com as Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Natural (2017), o processo de humanização deve ser realizado por toda a equipe que auxilia o parto, deve sempre existir comunicação entre a equipe e a mãe, os profissionais devem passar segurança a parturiente para que a mesma se sinta confortável, os envolvidos no parto devem respeitar o espaço a mulher fornecendo privacidade, a equipe deve discutir com a gestante como será o parto.

Por tanto, a enfermagem tem como responsabilidade promover cuidados, prestar assistência a gestante, estabelecer cuidados no pré-natal e proporcionar segurança a parturiente para não ocorrer futuras complicações durante o trabalho de parto.

4. BARREIRAS NO PROCESSO DE HUMANIZAÇÃO NO PARTO NATURAL

A humanização entende pelo menos dois fatores para ser realizados: Primeiro, é o dever das unidades de saúde proporcionar atendimento adequado e digno as mulheres, seus familiares e os recém-nascidos, por tanto é extremamente necessário que o profissional da saúde e a organização da instituição possuam uma postura ética e solidária, realizando isso proporciona as pessoas envolvidas um ambiente acolhedor. Segundo, é essencial abordar medidas e procedimentos benéficos para a assistência do parto e do nascimento, impossibilitando práticas desnecessárias que geralmente são usadas nas gestantes, porém, são extremamente prejudiciais. (Serruya, 2003).

Toda gestante deve ser orientada pelo profissional que prestará a assistência ao parto, informando-a sobre seus direitos, realizando ações para o alivio da dor e proporcionando conforto a mesma. No entanto, não é a situação que observa-se no ambiente hospitalar.

Segundo estudo realizado por Oliveira et al., (2011) é possível perceber um exemplo claro da falta de humanização nos partos:

As mulheres não puderam desfrutar da presença de um acompanhante durante o pré-parto e parto como é previsto em lei. Em contra partida percebeu-se que a maioria das parturientes não tinham o conhecimento sobre o que é o Parto Humanizado bem como não tinham ciência de leis ou portarias que regem o Parto Humanizado, pois estas não receberam nenhuma orientação enquanto gestantes.

Diversas gestantes que utilizam o serviço público de saúde iniciam sua batalha do trabalho de parto no momento que buscam uma vaga no hospital, após conseguirem, as mesmas são separadas dos seus entes queridos no momento da internação e são realocadas em um ambiente coletivo com a presença de outras gestantes em processo de parto ou com intercorrências obstétricas, privando a parturiente da privacidade e dos cuidados pessoais. (DIAS; DOMINGUES, 2005)

Compreende-se que a humanização da assistência no parto não é apenas quando não se utiliza práticas desnecessárias, para que a humanização verdadeiramente ocorra é necessário respeitar os direitos e as vontades da mulher, a mesma deve participar ativamente das decisões que envolvem os procedimentos, se isso não ocorrer, o conceito da palavra “humanização” perde seu valor.

Visto que a humanização tem como objetivo colocar a gestante no papel principal, verificam-se barreiras neste processo como, por exemplo, a presença de uma hierarquia entre os medidores de saúde e a parturiente, atualmente na sociedade os profissionais são vistos como principais no parto, pois, possuem o saber e as técnicas, fazendo com que as gestantes não tenham participação no processo que o seu corpo está passando. (BARROS et al., 2015)

No passar dos anos, tornou-se evidente o avanço da tecnologia na área obstétrica, com isso o parto que antes era realizado em ambientes agradáveis para as gestantes, agora passou a ser inteiramente hospitalar, dessa forma a humanização no parto perdeu seu sentido. Pode-se destacar como principal barreira para a humanização no parto o fato do uso excessivo de tecnologias, atualmente o parto começou a ser tratado como patologia, e não como um processo fisiológico. (CASTRO; CLAPIS, 2005).

Segundo o artigo Violência obstétrica na visão de enfermeiras obstetras

Toda mulher tem o direito legal a: receber tratamento livre de danos e maus tratos, obter informação consentimento esclarecido com possibilidade de recusa e garantia de respeito as suas escolhas e preferências, incluindo acompanhante durante toda a internação na unidade obstétrica, privacidade e sigilo, ser tratada com dignidade e respeito, receber tratamento igual, livre de discriminação e atenção equitativa, receber cuidados profissionais e ter acesso ao mais alto nível possível de saúde com liberdade, autonomia, autodeterminação e não coerção. (SILVA et al., 2014).

Partindo desse principio, a enfermagem atualmente enfrenta um grande obstáculo, pois com o avanço da tecnologia e a preferência dos profissionais da saúde em realizar partos hospitalares, a violência obstétrica tornou-se “comum” no momento do parto, fazendo com que a parturiente não receba um tratamento humanizado. (SILVA et al., 2014)

No quadro abaixo observar-se como exemplo a forma como as gestantes são abordadas no trabalho de parto.

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Figura 3: Verbalizações violentas dos diferentes profissionais de saúde que assistiram as pacientes

Fonte: Silva et al, (2014, pg. 721)

Para que ocorra humanização na assistência ao parto é necessário modificar o modo como à mulher é recebida na sala de parto, pois frases de insultos prejudicam a assistência onde a gestante se sentirá desconfortável e ofendida. Pode-se destacar a verbalizações violentas como barreira para o parto humanizado, de extrema importância que os profissionais da saúde alterem o método como abordam as gestantes tratando a mesma de forma humana e digna.

5. ATUAÇÃO DE ENFERMAGEM NO CAMPO OBSTÉTRICO

A área da enfermagem vem ganhando cada vez mais espaço no decorrer dos anos, principalmente a obstétrica, a mesma vem sendo cada vez mais reconhecida pelo aprimoramento dos seus conhecimentos e práticas, porém alguns profissionais da área da saúde ainda expressam preconceito com a área da obstetrícia.

Com o objetivo de aumentar a qualificação e competência dos Enfermeiros obstetras a Confederação Internacional de Obstetrizes (ICM), em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), e Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), designaram qualificações primordiais para a melhoria da área obstétrica, isto é, quais habilidades e conhecimentos práticos e teóricos que os profissionais obstétricos necessitam ter para a melhoria da assistência com base nos conteúdos atualizados e com fundamentos científicos, com isso, o Enfermeiro pode realizar partos de baixo risco, fornecer assistência adequada ao recém-nascido e a mulher, com foco em intercorrências quem possam ocorrer e autonomia para prestar auxilio na ausência da equipe médica. (NARCHI, 2009).

Em 25 de junho de 1986, o Congresso Nacional implementou a Lei n° 7.498/86 que estabelece o enfermeiro (a) obstétrico (a) e suas competências a assistência a gestante, dentre elas, observar o parto e a parturiente. Afim, de valorizar a enfermagem e melhorar a assistência a parturiente foi criada as casas de parto normal (CPN), em 1999, onde forneciam atendimento humanizado às parturientes de baixo risco, tendo enfermeiros qualificados para assistência como responsável pela unidade. (ALMEIDA; GAMA; BAHIANA, 2015).

Devido o ambiente de trabalho estressante e acelerado, o profissional de enfermagem diversas vezes vedam informações a parturiente e a sua família impossibilitando que os mesmos vivenciem o sentimento do momento do parto. Com isso, a assistência da enfermagem no parto não se deve basear exclusivamente em conteúdos teóricos e conhecimentos técnicos, mas também é primordial que o profissional preze a valorização da particularidade e o contentamento da gestante. Durante o trabalho de parto a mulher vivência diversos sentimentos e emoções onde acomete um estado de tensão emocional, levando isso em consideração o Enfermeiro tem como responsabilidade amenizar esse estado realizando a assistência sem julgamentos e colocando a vontade da gestante em 1° lugar. (LIMA et al., 2012).

de extrema importância realizar métodos não farmacológicos para o alivio da dor, pois o parto em si é um processo fisiológico da mulher onde o corpo sabe o que deve fazer, é fundamental oferecer líquidos, além do suporte emocional, e o profissional deve garantir a liberdade de posicionamento da gestante, então a equipe de enfermagem tem como objetivo principal apoiar e orientar a gestante. (LIMA et al., 2012).

Os profissionais de enfermagem vêm atuando ativamente nos cuidados assistenciais as mulheres, proporcionando conforto e bem-estar com o auxilio da fisiologia do parto, e utilizando como ferramentas as tecnologias para o cuidado. Atualmente entende-se como tecnologias na área da saúde o uso de aparelhos médicos, porém na enfermagem a tecnologia tem outro significado, compreende-se como conhecimento aprimorado que tem como propósito prevenir, diagnosticar e tratar doenças. Com isso, o uso da competência profissional e com o auxilio da tecnologia o cuidado passa a ser mais humano garantindo o dialogo entre os indivíduos e profissionais, possibilitando dignidade, solidariedade e uma perspectiva acolhedora. (SILVA, COSTA e PEREIRA, 2011).

A equipe de enfermagem deve atuar diretamente na assistência a mulher no pré-parto com as consultas de pré-natal, durante o parto, e também após o parto, ou seja, no período puerpério.

Segundo Carvalho e Martins (2007), este período é classificada em 4 fases:

Puerpério imediato: da 1° á 2° hora pós-parto;

Puerpério mediato: da 2° hora ao 10° dia pós-parto;

Puerpério tardio: do 10° ao 42° dia pós-parto;

Puerpério remoto: do 42° ao 60° dia. (CARVALHO; MARTINS, 2007)

Com isso, o profissional é responsável pela saúde da mulher dentro e fora do hospital, o enfermeiro tem como objetivo realizar condutas nas fases de puerpério imediato e puerpério mediato:

No puerpério imediato, deve-se observar e controlar o sangramento vaginal a cada 15 minutos; realizar exame físico verificando a coloração das mucosas; verificar os sinais vitais; realizar massagem uterina para remoção de coágulos; observar estado geral da paciente. (CARVALHO; MARTINS, 2007)

No puerpério mediato, o enfermeiro deverá desempenhar uma avaliação diária na mulher para averiguar suas necessidades pessoais; incentivar a realização do banho, o primeiro banho após o parto deve ser supervisionado; instruir sobre o sono e repouso e como a ausência do mesmo pode evoluir para um estado de ansiedade e preocupação; ofertar dieta hipoglicêmica, hipolípidica e hiperprotéica nos casos de puérperas em estado normal; orientar a paciente sobre os riscos do fumo, álcool e a automedicação, ensinar sobre a técnica e amamentação, explicar sobre a importância dos cuidados com as mamas. (CARVALHO; MARTINS, 2007)

Para ocorrer à humanização efetiva, a mesma não deve começar somente no trabalho de parto, mas também em todo o processo que antecede, o profissional de enfermagem tem o papel fundamental prestar assistência à mulher durante a gravidez, no parto e no pós-parto, com foco na educação e promoção á saúde não somente da mulher, mas também em todas as pessoas que fazem parte do ciclo da vida da gestante.

5.1 ENFERMAGEM E O CUIDADO NO ALOJAMENTO CONJUNTO:

CONTINUAÇÃO DA ASSISTÊNCIA AO PARTO.

Entende-se por Alojamento Conjunto, sistema que visa o envolvimento materno, onde mantém o recém-nascido, que apresenta boas condições de saúde, junto a mãe durante as 24 horas por dia até a mesma receber alta hospitalar, esse sistema não destina-se somente a interação da mãe e o bebê, mas também o envolvimento do pai no processo. O profissional de enfermagem recebe destaque no alojamento conjunto, mas o mesmo também recebe conhecimento no cuidado, pois diversas vezes alguns profissionais deixam os sentimentos, crenças e valores da mãe de lado, dando destaque somente para as necessidades físicas da mulher. (PILOTTO, VARGENS, PROGLANTI, 2009)

A assistência do Enfermeiro para com a mulher é o primordial no alojamento conjunto, pois mães que recebem cuidados ineficazes sentem-se desprezadas e/ou humilhadas, profissionais que atuam proporcionando atenção a suas necessidades garantem a mãe conforte e bem-estar.

De acordo com Soares, Gaidzinski e Cirico (2009)

Assim, uma assistência desqualificadas é percebida pelas mulheres quando prevalece á falta de carinho, a impaciência, o distanciamento físico, a desconsideração ás queixas, atributos estes encontrados em estudos desenvolvidos por diversos autores. (SOARES, GAIDZINSKI, CIRICO, 2009)

Ou seja, a equipe de enfermagem precisa atuar com conhecimento cientifico e técnica, porém não é somente isso que se constrói um bom profissional, mas também o mesmo precisa se atentar as necessidades emocionais da cliente, realizando isso o enfermeiro proporcionará a humanização na assistência.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O desenvolvimento do presente trabalho possibilitou uma analise sobre o papel da enfermagem junto à saúde da mulher, abordando de que forma a equipe pode melhorar a qualidade do parto, visando o bem estar da mãe e do feto. Além disso, o estudo apresentou como a ausência da humanização pode ser extremamente prejudicial para a gestante e claro, sua família.

A principio foi fundamental discutir sobre as diretrizes nacionais da atenção ao parto natural partindo do seu conceito e história. Anteriormente a sociedade entendia que a humanização na assistência era irrelevante e com isso ocorria o excesso de intervenções médicas e abusos contra as mulheres. O governo tinha como meta diminuir a taxa de partos cirúrgicos e elevar o número de partos normais, com isso, consequentemente o índice de mortalidade materna diminuiria então para aumentarqualidade da assistência a saúde da mulher foram criadas as Diretrizes que tem como função orientar a melhor forma da assistência a mulher.

A humanização vem ganhando cada vez mais destaque principalmente quando trata-se do parto natural mas com isso, as barreiras neste processo ficaram mais evidentes. A humanização no parto para ser realizada é necessário colocar a gestante em destaque, respeitando seus direitos e desejos, porém não é a realidade que presenciamos no ambiente hospitalar, a principal barreira para chegar a humanização que por sinal é a mais preocupante, é a violência obstétrica, a forma como a mulher é tratada nos centros de partos é assustadoramente preocupante, pois a equipe pronunciam palavras rudes para se dirigir as gestantes, com isso as mesmas sentem-se violentadas dificultando o parto.

A enfermagem é o principal mentor da humanização da assistência, pois o mesmo tem como principal função realizar a melhoria da qualidade de vida do ser humano, dessa forma foi necessário apontar qual atuação do profissional no meio obstétrico, mas para realizar a assistência o enfermeiro necessita de competência cientifica aumentando assim, sua qualidade na assistência. Durante o parto o enfermeiro tem como papel informar á gestante sobre os métodos que serão utilizados, e também informar a família sobre a gestante, acalmando ambos, e claro o profissional tem como objetivo realizar métodos não farmacológicos para alivio da dor, realizando essas funções a mulher pode executar um parto sem intercorrências, a assistência não acaba na hora do parto, a enfermagem tem como função realizar os cuidados no pós-parto.

Dada à importância do assunto proposto no trabalho torna-se necessário pesquisas futuras mais aprofundadas com levantamento estatísticos e depoimentos de gestantes que realizaram ou que irão realizar o parto normal, e também depoimentos da equipe de enfermagem que atua no meio obstétrico, com isso a pesquisa terá mais fundamentação teórica e dados atualizados.

Por fim, a equipe de enfermagem é indispensável quando o assunto é humanização, e a ausência da mesma pode dificultar o processo do parto causando estresse para a mãe e a equipe presente, então é primordial realizar uma assistência humana visando o bem estar de todos.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Publicado por: Thais Santos Fernandes

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