CUIDADOS DE ENFERMAGEM NA REABILITAÇÃO DE PACIENTES COM LESÃO MEDULAR: revisão integrativa da literatura brasileira

Enfermagem

Análise o conhecimento sobre os cuidados de enfermagem aos pacientes com lesão medular em processo de reabilitação.

índice

1. RESUMO

A Lesão da Medula Espinhal (LME) e suas sequelas constituem eventos graves, acarretando impacto negativo na capacidade funcional das vítimas. Portanto, sua reabilitação deve começar tão logo seja possível. O cuidado de enfermagem em pacientes com lesão medular é de fundamental importância na reabilitação do paciente, o profissional de enfermagem exerce uma assistência individualizada atuando em diferentes níveis de complexidade, prevenido e tratando das principais complicações estabelecidas pelo traumatismo raquimedular. O presente estudo tem como objetivo analisar o conhecimento sobre os cuidados de enfermagem aos pacientes com lesão medular em processo de reabilitação. O estudo caracteriza-se como descritivo a partir de uma revisão integrativa da literatura brasileira. O estudo foi desenvolvido através das bases de dados virtuais presentes no Portal de Pesquisa da Biblioteca de Saúde (BVS): Literatura Latino – Americana e do Caribe em Ciências de Saúde (LILACS), Scientific Eletronic Library Online (SciELO), Banco de Dados em Enfermagem (BDENF). A análise foi fundamentada na literatura pertinente ao tema, desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído por 10 artigos científicos. O profissional de enfermagem possui metodologias e conhecimentos científicos assistenciais para cuidar do paciente com lesão medular, sua habilitação profissional oferece uma maior capacidade técnica em relação às atividades desenvolvidas com o lesionado, auxiliando no avanço do quadro de evolução da decorrência do trauma.

Descritores: Cuidados de enfermagem. Traumatismos da medula espinal. Reabilitação

2. INTRODUÇÃO/ JUSTIFICATIVA

A lesão da medula espinhal (LME) é caracterizada por um dano grave na medula, que é a parte principal do sistema nervoso central, podendo ser de origem traumática e não traumática, sendo as de origem traumática as mais frequentes, incluindo ferimentos por arma de fogo (FAF), ferimentos por arma branca (FAB), acidentes automobilísticos, quedas e mergulho em águas rasas (RABEH; CALIRI, 2010).

A LME de acordo com o grau de comprometimento e o nível afetado vem acompanhada de déficit de locomoção, sensibilidade, sexualidade, alterações vesico intestinais e alterações no sistema nervoso autonômico que torna mais grave estas alterações, pois danifica a rede neural, afetando a parte sensorial e motora (RABEH, NOGUEIRA, CALIRI, 2013).

Podemos avaliar a lesão medular quanto ao nível de comprometimento, podendo resultar em tetraplegia, onde há o comprometimento de membros inferiores e superiores, consequência de uma lesão a nível cervical, sendo ainda considerado tetraplegia até a vértebra T1, onde há fraqueza nos movimentos dos quirodáctilos; ou paraplegia, quando há o comprometimento de membros inferiores, na qual resulta de uma lesão a nível torácico a partir da vértebra T2 até as vértebras lombares (SILVA et al., 2012).

Outro método de avaliação é através da escala de classificação da American Spinal Injury Association (ASIA), criada em 1984, baseada na escala de Frankel, onde classifica a lesão entre A e E, avaliando 10 pares de músculos, permitindo a criação do escore motor. Após esses anos a escala passou por algumas revisões nos anos de 1992 a 2000, onde inseriram o escore sensitivo, que através de um escore numérico reflete o grau de deficiência neurológica associada a lesão medular. Entre os limiares de A a E temos: ASIA A (lesão medular completa); ASIA B (lesão motora completa e sensitiva incompleta); ASIA C (lesão motora e sensitiva incompletas); e ASIA D (lesão incompleta com função motora preservada abaixo do nível da lesão) (SILVA et al, 2012).

A reabilitação corresponde a um processo complexo, que vai muito além da recuperação das funções perdidas ou até mesmo alterada, ela contempla múltiplas dimensões, que contribuirão para o processo de desenvolvimento dos conhecimentos, habilidades e atitudes as quais permitam o paciente viver com mínima dependência e sintam-se como seres produtivos e capazes, possibilitando sua reinserção social e melhor qualidade de vida (FARO,2006).

O enfermeiro como membro da equipe multidisciplinar em reabilitação possui um papel integral nos cuidados buscando de forma ativa atender as necessidades dos pacientes, sendo elas: funcionais, psicossociais, motoras e espirituais, promovendo bem-estar físico ao cliente. Por serem os únicos a manter cuidados contínuos ao paciente, colaboram para potencialização das ações profissionais, compartilhando informações com os demais membros da equipe multidisciplinar. Os enfermeiros têm usado como guia para direcionar os cuidados de enfermagem, a identificação dos diagnósticos e intervenções de enfermagem para que se tenha qualidade no processo de reabilitação do paciente (ANDRADE et al, 2010).

A sistematização da assistência de enfermagem (SAE), hoje considerada como uma atividade privativa do enfermeiro que norteia as atividades de toda a equipe de enfermagem, instrumento que proporciona ao enfermeiro justificativas para tomar decisões, prevê e avaliar possíveis consequências durante o período em que o paciente se encontra sobre a assistência de enfermagem em uma unidade de internação hospitalar (NEVES, SHIMIZU, 2010).

A SAE subsidia ações de assistência de enfermagem, que contribuem para promoção, proteção, prevenção, recuperação e reabilitação em saúde do indivíduo, da família e da comunidade (NEVES, SHIMIZU, 2010).

O interesse pela temática do processo de reabilitação, de um modo especial, surgiu ao longo da minha experiência profissional e maior aproximação com a Reabilitação em Lesão Medular, estimulando-me ao aprofundamento nos estudos sobre pacientes paraplégicos e/ou tetraplégicos em diferentes contextos, na tentativa de conhecer e compreender suas peculiaridades, especialmente, aqueles que vivem em total dependência de seus familiares para a realização de suas atividades de vida diárias (AVD’s). Durante todo o tempo busquei compreender esse processo de cuidado, que exige dos enfermeiros um buscar de conhecimentos sobre o processo de reabilitação, vislumbrando a complexidade e o cuidado individualizado.

Objetivou analisar o conhecimento sobre os cuidados de enfermagem aos pacientes com lesão medular em processo de reabilitação.

3. METODOLOGIA

O estudo caracteriza-se como descritivo a partir de uma revisão integrativa da literatura brasileira. Este método possibilitou sintetizar as pesquisas publicadas e obter resultados a partir da pergunta norteadora. Esse tipo de pesquisa exige os mesmos padrões de rigor, clareza e replicação utilizada em estudos primários (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008).

O estudo foi desenvolvido através das bases de dados virtuais presentes no Portal de Pesquisa da Biblioteca de Saúde (BVS): Literatura Latino – Americana e do Caribe em Ciências de Saúde (LILACS), Scientific Eletronic Library Online (SciELO), Banco de Dados em Enfermagem (BDENF), através dos descritores extraídos no DeCs (Descritores em Saúde da Bireme): Cuidados de enfermagem, Traumatismos da medula espinal e Reabilitação, os quais forneceram as respostas adequadas para solução do problema proposto.

A trajetória metodológica a revisão integrativa da literatura em seis etapas: a) identificação da questão de pesquisa, tema e objetivo do estudo; b) busca da literatura; c) avaliação dos dados encontrados; d) análise dos dados; e) discussão dos resultados; f) síntese do conhecimento.

A coleta de dados foi realizada após as seguintes etapas: leitura exploratória, leitura seletiva e registro das informações extraídas das fontes. Foi garantido a legitimidade, privacidade e sigilo das informações.

Para extração das informações foi realizada uma pesquisa bibliográfica, desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído por 10 artigos científicos. E assim, elaborado dois quadros para preenchimento de autor, ano de publicação, objetivos, resultados e conclusão

Foram adotados os seguintes critérios elegíveis de inclusão: Artigos completos disponíveis eletronicamente, artigos disponíveis no idioma português, artigos completos de pesquisas que abordam os cuidados de enfermagem na reabilitação de pacientes com lesão medular, que responderam à questão norteadora deste estudo.

Fonte: Autora (2018)

Foram considerados critérios de exclusão: 45 artigos sem relevância ao tema, artigos que não estavam disponíveis na íntegra eletronicamente e artigos incompletos.

A análise foi fundamentada na literatura pertinente ao tema, desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído por 10 artigos científicos.

Os resultados foram agrupados e dispostos em dois quadros, para comparação dos dados obtidos que correspondiam à questão norteadora do estudo

Para a definição do tamanho da amostra foi realizado uma busca online, no mês de agosto de 2017, onde foram analisados no total 10 artigos para a amostra final desta revisão integrativa.

A presente pesquisa por se tratar de uma revisão não foi encaminhado para apreciação pelo Comitê de Ética em Pesquisa.

No seu desenvolvimento, foram respeitados os preceitos éticos e legais pelo segmento rigoroso da metodologia proposta, no que se referiu a zelar pela legitimidade das informações.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

De acordo com a pesquisa em 10 artigos, abaixo demonstra-se através do Quadro 1 e Quadro 2 os resultados da pesquisa.

Quadro 1 - Descrição dos artigos incluídos na Revisão Integrativa

Autor(es)

Título

Bases de dados

Periódico

Ano de Publicação

1.

CAMPOY, L.T.; et al.

Práticas de autocuidado para funcionamento intestinal em um grupo de pacientes com trauma raquimedular

LILACS

Acta Fisiatr.

2012

2.

PAES, D. T.; et al.

Assistência de enfermagem em paciente vítima de traumatismo raquimedular.

LILACS

Rev. Eletr. Enf.

2012

3.

ROCHA, R.G.; et al.

O perfil do paciente com lesão medular e a importância do conhecimento de enfermagem na assistência

ScIELO

Rev Esc Enferm.,

2012

4.

SCHOELLER, S.D.; et al.

Mudanças na vida das pessoas com lesão medular adquirida.

LILACS

Rev. Eletr. Enf.

2012

5.

SILVA, E.C. et al.

Expectativa de vida: após lesão medular: como recomeçar, lidar com limitações e incertezas.

ScIELO

REENVAP,

2012

6.

ANDRADE, L.T. de; CHIANCAL, T.C.M

Validação de intervenções de enfermagem para pacientes com lesão medular e mobilidade física prejudicada

ScIELO

Rev Bras Enferm

2013

7.

ANDRADE, L.T. de, et al.

Disreflexia e intervenções e intervenções de enfermagem para pacientes com lesão medular.

ScIELO

Rev Esc Enferm.,

2013

8.

CREÔNCIO, S. C. E. et al.

Perfil dos enfermeiros atuantes em um Hospital, quanto à abordagem traumatismo raquimedular

BIREME

J. res.: fundam. care.

2013

9.

VASCONCELOS, A.S. et al.

Diagnósticos de enfermagem identificados no sujeito com lesão medular.

BVS

Rev enferm UFPE

2013

10.

LIMA, J.P.S. et al.

Significado da vivência de internação dos pacientes com trauma raquimedular.

BVS

Rev enferm UFPE

2017

Quando a pessoa tem a sua mobilidade afetada, ela é vista dentro de uma expectativa funcional, pois está incapacitada de mover-se livremente. Essa incapacidade pode mudar entre indivíduos em condições semelhantes. Eles apresentam limitações físicas, que determinam uma série de problemas de saúde, afetando assim a sua qualidade de vida, o seu bem-estar físico e emocional. Portanto, a intervenção Cuidado com o repouso no leito foi considerada por todos os enfermeiros como muito executada e essencial (ANDRADE; CHIANCAL, 2013).

Assim, de acordo com Rocha et al., (2012) o enfermeiro precisa fornecer ações que direcionem em uma assistência de enfermagem extensa e humanizada, baseada no conhecimento científico, usando a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), como ferramenta essencial para tratar o paciente como um todo, impedindo lesões secundárias e oferecendo conforto e dando a propriedade de o cliente e a família viverem com mudanças que possam acontecer ao longo das atividades da vida diária (AVD´s), de maneira correta e com qualidade de vida.

Fiquei meio zonzo, sem saber o que tinha acontecido, e os outros carros que passaram por ali, chegaram e desviraram o carro com a gente tudo dentro, né, pior ainda que daí deu outra batida. Na hora que desviraram o carro, eu voltei a mim e os caras começaram a sair de dentro do carro, e eu fui pra sair também, mas não consegui, daí já coloquei a mão na perna não sentia mais a perna e logo em seguida já começou a doer o local ali da lesão. (P2)

Estes problemas citados fizeram parte da pesquisa realizada por Schoeller et al., (2012), onde podem ser analisados em parte responsabilidade do enfermeiro, pois entre os profissionais da equipe de saúde ele é comparte fundamental no cuidado em saúde, seja urgência ou reabilitação, e deve impedir ou tornar mínima as implicações que possam impedir a adequação do indivíduo na nova vida após o trauma.

Em uma situação ao qual o paciente se encontra, um programa de educação no período da reabilitação deve ser oferecido aos pacientes, cuidadores e familiares, ensinando sobre os cuidados com a bexiga, intestino e pele, bem como os procedimentos de manejo, para que o paciente tenha os benefícios do cuidado com a saúde, assim, as intervenções sobre ensino surgem nos registros de enfermagem (ANDRADE, et al. 2013).

O cuidado de uma pessoa com lesão medular é analisado como exaustivo, porque é uma tarefa pesada determinando ao cuidador acompanhante aptidão e força física, precisando muitas vezes de mais de uma pessoa para conseguir os cuidados de higiene e mobilidade no leito, assim, de acordo com Paes et al., (2012) o conhecimento de ensinar cuidados de enfermagem a familiares acompanhantes é idealizada como um espaço integrador da educação em saúde à assistência de enfermagem.

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No estudo de Creôncio, et al. (2013) são mencionados alguns relatos dos enfermeiros sobre a presença ou não de dificuldade em acolher pacientes com TRM nos auxilia a entender a condição vivenciada no dia a dia por cada um a depender do seu setor de trabalho, de acordo com que expomos abaixo na fala de profissionais de setores diversos:

Eu me sinto despreparada, pelo fato de não trabalhar diretamente com pacientes com este diagnóstico. (Enf. 2- Clínica Médica)

Não tenho experiência para dar uma assistência de qualidade a este tipo de paciente. (Enf. 3- Clínica Cirúrgica)

Não, com o passar do tempo me habituei e me identifiquei como o tipo de abordagem que deve ser feita ao paciente com TRM, mas, no início fiquei bastante insegura. (Enf. 4- Clínica Cirúrgica)

Para Silva, et al. (2012) no seu estudo a avaliação dos participantes sobre a influência mútua deve ser percebida no contexto de uma convivência delongada entre os envolvidos, tais como profissionais, pacientes/clientes e os cuidadores familiares ou não. Na fala dos entrevistados, na maioria das vezes, deparamos com termos gerais, julgamentos negativos sobre os aspectos pertinentes às informações ministradas pelos profissionais de enfermagem que podem ser confirmadas nas falas descritas a seguir:

Entrevistado 2: ‘’Nada, a única coisa que falaram foi sobre a fisioterapia, o médico que falou’’.

Entrevistado 4: ‘’Não me lembro de ter recebido orientação nenhuma...’’.

Entrevistado 6: ‘’Não, não, não cheguei a receber nenhuma orientação, não...’’.

Entrevistado 7: ‘’Não aconselharam nada, só o médico mesmo que mandou fazer fisioterapia...’’.

Já no estudo de Lima et al., (2017) foi possível notar, por meio dos relatos dos pacientes, o quanto é importante a presença do enfermeiro para seu restabelecimento. Sendo estes os que estavam todo no dia a dia ao lado deles prestando os cuidados indispensáveis, sendo suas mãos, quando preciso. A eles foi conferido a definição de fundamentais naquele momento tão importante:

[...] Aí que eu fui olhar. Todo dia era enfermeira lá comigo, me olhando, passando medicamento depois da cirurgia, então, no outro hospital, foi o que me salvou

[...] Esses cuidados significou para mim muita coisa. Foi o que salvou praticamente a minha vida (Miguel).

[...] Foi ótimo, né, porque eles me davam medicamento pra reação do meu corpo, fiquei tomando antibiótico, essas coisas lá, e remédio pra cicatrizar mais rápido a minha escara, e aquele aerossol pra limpar as coisas do pulmão, a traqueia, essas coisas

[...] Foram importantes pra minha recuperação. (Samuel)

[...] Nem todos foram bem, mas a maioria, a maioria, assim, pra mim, foram como se fossem minha mão, meus braços, né?

(...) Tavam me ajudando assim... Me apoiando, me dando... Cuidando de mim, literalmente, né? Eles eram como se fossem meus braços pra mim, o que eu precisava, eles estavam ali. (Abel)

[...] mas... Eles foram, fora o médico, né? Fundamentais. O papel deles foi de fundamental importância [...]. (Manoel)

Na pesquisa de Campoy, et al. (2012) a assistência apropriada ao paciente com TRM solicitou equipe de saúde interdisciplinar, na qual o enfermeiro desenvolveu diferentes atividades, dentro do contexto de sua atuação. As ações deste profissional podem ser de natureza colaborativa e/ou autônoma e procura beneficiar a recuperação e adequação aos limites atribuídos pela deficiência, de modo a acolher às necessidades de cada paciente e família.

De acordo com Vaconcelos et al., (2013), se faz imprescindível que aconteça um investimento na interiorização das ações e do conhecimento em torno de reabilitação multiprofissional às pessoas com LME, e individualmente em torno do conhecimento e cuidado de enfermeiros para o aproveitamento do procedimento de enfermagem aos pacientes.

Quadro 2 - Resumo dos resultados em relação a questão de pesquisa da revisão integrativa

Objetivos

Tipo de estudo

Resumo dos principais resultados

1.

Caracterizar os indivíduos com trauma raquimedular (TRM) atendidos em um centro de reabilitação de um hospital terciário do interior do estado de São Paulo e identificar as suas práticas de autocuidado intestinal

Descritivo exploratório, com abordagem de análise quantitativa

O enfermeiro participa do processo de reabilitação para o funcionamento intestinal dos pacientes com TRM, que inclui o planejamento e preparo da díade paciente-cuidador desde sua primeira internação, visando à continuidade do cuidado em domicílio, por meio de estratégias educativas, que contemplem as possíveis alterações no padrão funcional, as complicações intestinais e as práticas de autocuidado.

2.

Descrever a assistência de enfermagem em paciente vítima de traumatismo raquimedular.

 

Identificou-se que a enfermagem é um instrumento importante e essencial no ensino aprendizagem do lesado medular e da sua família no ambiente domiciliar e que o processo de assistência de enfermagem e reconhecimento dos diagnostico de enfermagem mais frequentes é essencial para o planejamento da assistência para os clientes com trauma raquimedular.

3.

Analisar o perfil das vítimas de traumatismo raquimedular e os cuidados de enfermagem

Tipo qualitativa

Torna-se importante o enfermeiro compreender dados epidemiológicos, as respostas do indivíduo ao acometimento da doença, e assim, concentrar recursos técnicos e humanos aliados a enfermagem baseada em evidências, associando os sintomas e sinais clínicos comumente conhecidos na prática clínica em fenômenos, ações e resultados de enfermagem ao tratamento desses pacientes, direcionando ações voltadas para reduzir a incidência de lesões secundárias e outras complicações

4.

Compreender quais são os impactos da lesão medular na vida da pessoa por ela acometida.

Estudo de abordagem qualitativa, exploratória e descritiva

Os resultados da pesquisa mostraram que a pessoa divide sua vida entre antes, durante e depois da lesão, revivendo o momento gerador diversas vezes. A família é essencial na (re)adaptação da pessoa. É necessário que o enfermeiro aprimore os conhecimentos sobre lesão medular e seus cuidados, para fornecer suporte à pessoa, sua família e equipe de saúde.

5.

Identificar as dificuldades enfrentadas, orientações recebidas pelos profissionais da área de saúde, analisar as soluções para resoluções dos problemas e dificuldades.

Estudo exploratório, descritivo e de natureza qualitativa

A falta de orientação dos profissionais envolvidos para com os pacientes discutidos no presente estudo é o principal fator apontado para qualidade na satisfação do serviço na óptica dos pacientes.

6.

Validar as intervenções propostas na Classificação das Intervenções de Enfermagem para o diagnóstico de Mobilidade física prejudicada em adultos com lesão medular, a partir das opiniões de enfermeiros experts em reabilitação

Estudo de abordagem quantitativa, descritivo e exploratório

As intervenções de enfermagem não descritas na classificação e sugeridas por 22 enfermeiros (40,7%) foram: Cuidado com Órteses: Manutenção; e Cuidado com Órteses: Prevenção.

7.

Identificar as intervenções de enfermagem usadas para tratar e prevenir a disreflexia autonômica

Retrospectivo, transversal, qualitativo

As intervenções de enfermagem foram organizadas em dois grupos, um voltado para a prevenção da disreflexia autonômica e outro, para seu tratamento. Desenvolveu-se um guia de intervenções para uso na prática clínica de enfermeiros reabilitadores e para inserção em sistemas de informação

8.

Conhecer o perfil dos enfermeiros atuantes em unidade hospitalar, quanto á abordagem de paciente com TRM.

Pesquisa exploratória descritiva com abordagem quali-quantitativa

A maioria refere não estar preparada para prestar assistência a pacientes com TRM e que as unidades de ensino superior não abordam de maneira satisfatória a atuação destes profissionais ao paciente com lesão medular e é escassa a promoção de capacitações pelas instituições hospitalares

9.

Identificar os diagnósticos de enfermagem, de acordo com a taxonomia North American Nursing Diagnosis Association International (NANDA-I).

Estudo descritivo, exploratório com abordagem qualitativa.

O tratamento reabilitador é complexo e a identificação adequada das necessidades de cuidado auxilia na seleção de intervenções que resultem na promoção da saúde da pessoa com LME. No caso específico da enfermagem, estas intervenções são baseadas nos Diagnósticos de Enfermagem (DE) identificados nessas pessoas.

10.

Compreender o significado da vivência de internação hospitalar após diagnóstico de traumatismo raquimedular.

Estudo descritivo, com abordagem qualitativa

Foi possível compreender o significado de internação para esses pacientes, identificando a importância da Enfermagem e a necessidade de se prestar um cuidado integral a este ser.

5. CONCLUSÃO

A assistência de enfermagem é um processo ativo no atendimento pré e pós-hospitalar tornando mínimo sequelas com a desígnio de prestar uma assistência particularizada ao paciente lesado medular, gerando a recuperação da sua saúde, amparando na reabilitação e precavendo complicações futuras.

O profissional de enfermagem tem metodologias e conhecimentos científicos assistenciais para cuidar do paciente com lesão medular, sua habilitação profissional oferece uma maior capacidade técnica em relação às atividades oferecidas aos lesionados, auxiliando no avanço do quadro de desenvolvimento da decorrência do trauma.

É imprescindível, além disso, a adoção de mecanismos táticos para administrar o profissional de enfermagem conectado com a assistência diferenciada ao lesionado, fazendo com que os mesmos ampliem suas atividades de modo hábil, delineada e consecutiva, por meio de programas constituídos e apropriados as reais precisões do seu cliente.

Cabe aos profissionais de enfermagem, entre outros encargos o conhecimento no acolhimento ao paciente com lesão medular, a sustentação da integridade, sendo indispensável para isto, que se constituam procedimentos que assegurem a ausência ou que tornem mínimo a ação dos fatores que cooperam para a mudança dessa integridade.

6. REFERÊNCIAS

ANDRADE, L. T. et al. Papel da enfermagem na reabilitação física. Rev. Bras. Enferm. v.63, n.6, p.1056-1060, 2010.

ANDRADE, L.T. de; CHIANCAL, T.C.M. Validação de intervenções de enfermagem para pacientes com lesão medular e mobilidade física prejudicada. Rev Bras Enferm. 2013 set-out; 66(5): 688-93.

ANDRADE, L.T.; ARAÚJO, E.G.; ANDRADE, K.R.P.; SOUZA, D.R.P.; GARCIA, T.R.; CHIANCA, T.C.M. Disreflexia e intervenções e intervenções de enfermagem para pacientes com lesão medular. Rev Esc Enferm., USP, v. 47, n. 1, p. 93-100, fev. 2013.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: informação e documentação: apresentação de citações em documentos. Rio de Janeiro, 2002.

CAMPOY, L.T.; RABEH, S.A.N.; NOGUEIRA, P.C.; VIANNA, P.C.; MIYAZAKI, M.Y. Práticas de autocuidado para funcionamento intestinal em um grupo de pacientes com trauma raquimedular. Acta Fisiatr. 2012;19(4):228-32

CREÔNCIO, S.C.E.; RANGEL, B.L.R.; MOURA, J.C.M.; CARREIRO, M.A.G. et al. Perfil dos enfermeiros atuantes em um Hospital, quanto à abordagem traumatismo raquimedular. J. res.: fundam. care. online 2013. out./dez. 5(4):599-05.

FARO, A. C. M. Enfermagem em Reabilitação: ampliando os horizontes, legitimando o saber. Rev. Esc. Enferm USP. v.40, n.1, p.128-33, 2006.

LIMA, J.P.S.; CARDOSO, F.J.T.; SANTOS, G.N.V. dos; SILVA, A.F. Significado da vivência de internação dos pacientes com trauma raquimedular. Rev enferm UFPE on line., Recife, 11(Supl. 6):2527-32, jun., 2017.

NEVES, R. S., SHIMIZU, H. E. Análise da implementação da Sistematização da Assistência e enfermagem em unidade de Reabilitação. Rev. Bras Enferm. v.63, n.2, p.222-9, 2010.

PAES, D. T.; SILVA, S. T. Al. Da; ESPÍNDULA, B. M. Assistência de enfermagem em paciente vítima de traumatismo raquimedular. Revista Eletrônica de Enfermagem do Centro de Estudos de Enfermagem e Nutrição. serial on-line. 2012.

RABEH, S. A., CALIRI, M. H. L. Capacidade funcional em indivíduos com lesão medular espinhal. Acta Paul Enferm. v.23, n.3, p.321-7, 2010.

RABEH, S. A., NOGUEIRA, P. C., CALIRI, M. H. L. Funcionamento intestinal e a relação com a independência funcional de indivíduos com lesão medular. Coluna/Columna. v.12,n.2, p.153-6, 2013.

ROCHA, R.G.; MAIA, R.F; BRASILEIRO, M.E. O perfil do paciente com lesão medular e a importância do conhecimento de enfermagem na assistência. Revista Eletrônica de Enfermagem do Centro de Estudos de Enfermagem e Nutrição [serial online] 2012 jan-jul 4(4) 1-15.

SCHOELLER, S.D.; BITENCOURT, R.N.; LEOPARDI, M.T.; PIRES, D.P. de;  ZANINI, M.T.B. Mudanças na vida das pessoas com lesão medular adquirida. Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2012 jan/mar;14(1):95-103

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VASCONCELOS, A.S.; FRANÇA, I.S.X. de; SOUSA, F.S. de; COSTA,  M.M.L. Diagnósticos de enfermagem identificados no sujeito com lesão medular. Rev enferm UFPE on line., Recife, 7(5):1326-32, maio., 2013.


Publicado por: janaina passos de andrade

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