Prática Docente e Desenvolvimento Humano

Educação

Sistematização da forma crítica e reflexiva o conhecimento construído ao longo da formação articulando teoria e prática a partir dos aspectos cotidianos escolares vivenciados no cumprimento do Estágio Curricular Supervisionado.

índice

1. Introdução

O presente Trabalho de Conclusão de Curso composto por um Ensaio Científico e o Memorial de Formação é requisito mínimo para aprovação no curso de Pedagogia da Universidade de Mogi das Cruzes e tem como objetivo sistematizar de forma crítica e reflexiva o conhecimento construído ao longo da formação articulando teoria e prática a partir dos aspectos cotidianos escolares vivenciados no cumprimento do Estágio Curricular Supervisionado.

Foi desenvolvido ao longo de 120 horas entre o 5º e o 6º períodos do curso e elaborado individualmente pelas discentes. Este trabalho segue aos princípios de uma pesquisa etnográfica, que envolve o contato direto entre o pesquisador e a situação pesquisada, orientando e possibilitando a constituição de processos e relações que configuram a experiência diária do contexto escolar.

Ao conhecer a realidade escolar e ter possiblidades de observar e interferir em seu meio, subsidiando-se pela Pedagogia Histórico-Crítica tanto o Ensaio Científico quanto o Memorial de Formação trouxeram relevantes conhecimentos a cerca do eixo estruturador do curso, a prática docente. Possibilitando dessa maneira maior compreensão e aprendizado para as discentes.

Sendo o Ensaio Científico composto de uma cena significativa escrita de forma descritiva sobre um momento de aula relacionado à alfabetização, o referencial teórico formado por autores que se relacionam com o tema da pesquisa e seu marco teórico, a Pedagogia Histórico-crítica, e a análise da cena que foi dividida em dois eixos, o eixo 1 sobre Função da Educação, da escola e do professor e eixo 2 sobre Uma Didática para a Pedagogia Histórico-Crítica: transmissão do conhecimento na escola.

E o Memorial de Formação sendo uma escrita narrativa, descritiva e argumentativa dividida em três partes primeiro falando sobre a Chegada ao curso de Pedagogia, depois falando sobre A Trajetória no Curso e por último falando sobre O Sonho a ser cuidado, ou seja, quais nossas expectativas da formação inicial em diante. Esses dois momentos nos fizeram refletir sob diferentes perspectivas acerca da prática docente e a importância do professor nas relações escolares que promovem o conhecimento e a integração com sociedade.

2. Ensaio Científico

Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade,

tão pouco sem ela a sociedade muda.”

Paulo Freire

3. Cena Significativa

A cena foi escolhida, pois se trata de um momento de escrita e leitura proporcionado pela professora, fazendo os alunos pensarem sobre as letras do alfabeto e sobre o que escrever com ela. Aconteceu no dia 22 de Março em uma escola municipal de Mogi das Cruzes, no período da manhã na turma do 1º ano B que tem 20 alunos, dos quais cinco são meninas e quinze são meninos.

Na escola, existem quatro salas de aula, pátio, refeitório, quadra, parquinho e banheiros. No pátio tem um palco com vários instrumentos musicais e materiais para teatro, práticas de leitura, além de bons espaços para a aprendizagem na parte externa que mantém contato com a natureza e com o bairro.

Está localizada próxima ao centro da cidade, porém é um local bastante arborizado e amplo com espaços para os alunos soltarem a sua imaginação, brincar e aprender com qualidade. As salas de aula são do mesmo tamanho e possuem estantes com livros, calendário pendurado na parede, alguns trabalhos feitos pelos alunos e alfabeto.

Após o café da manhã, é feita a contagem dos alunos para saber quantas meninas e meninos estão presentes no dia e em seguida é feita a leitura do alfabeto. Diariamente, os alunos são colocados em duplas produtivas escolhidas pela professora conforme o nível de escrita e leitura. Também é escolhido um aluno que será o responsável por ajudar a professora e os demais colegas incluindo o aluno de inclusão que tem nessa turma.

Na hora da leitura do alfabeto, a professora usa uma régua e com ela vai apontando as letras que os alunos deverão ler. Ao final da leitura coletiva a professora solicita que os alunos que ela escolher terão que ler uma letra do alfabeto e lhe dizer uma palavra possível de se escrever com ela.

A professora faz intervenções conforme as respostas dos alunos, como no momento em que um dos alunos escolhidos tem que responder sobre a letra G e escolhe a palavra Jacaré como uma possível palavra a ser escrita com essa letra e a professora então pergunta a todos se eles concordam que com essa letra se escreve essa palavra e os alunos mais atentos prontamente apontam que não pois o desenho do Jacaré está na letra J. Nesse momento a professora chama atenção deles dizendo que apesar da semelhança nos nomes das letras e as vezes em algumas palavras o som ser o mesmo essas duas letras são diferentes por exemplo o G pode ter som de J como em Girafa, mas geralmente tem outro som como em Galinha, Guarda-chuva, Guarda-roupa etc.

Em outro momento, um aluno é perguntado sobre a letra H e apesar de acertar o nome da letra escolhe como palavra possível de ser escrita com ela a palavra Gato e então, novamente a professora interfere chamando a atenção da classe lembrando a todos sobre a letra H ser muda em nosso vocabulário possuindo apenas som graças as vogais que os acompanham, como por exemplo, Herói e Horta. E também ela fala sobre o som de X que essa letra tem quando aparece junto a letra C como em Chuva e Chave. Após essa intervenção os alunos começam a dar outros exemplos semelhantes mostrando que eles entenderam a explicação.

Em relação às intervenções, isso nos mostra que é mais produtivo quando há a participação de todos e do professor de maneira significativa e o quanto esse momento é necessário para quebrar algumas hipóteses que os alunos têm e que apesar de terem, quase sempre, um raciocínio logico sobre a escrita, geralmente, as suas hipóteses não estão de acordo às regras da nossa língua e também serve para quando os alunos tiverem que escrever sozinhos.

Ao final dessa atividade foi destacado pela professora a evolução do aluno de inclusão que participou de todos os momentos mostrando um entendimento muito bom sobre a escrita e que em vários momentos ajudou os colegas com as perguntas que a professora ia fazendo ao longo da atividade.

4. Referencial Teórico

A partir da linha de pesquisa “Prática Pedagógica e Desenvolvimento Humano” e diante dos textos trabalhados na disciplina de Conhecimento Científico, iremos elucidar a temática “Prática Docente e Função do Professor”, partindo do princípio de que a educação humaniza os indivíduos e, nesse processo, o papel do professor é decisivo (SAVIANI, 1995).

A escola é hoje, em todos os lugares em que existe, o meio formal onde informações são armazenadas de forma sistemática para serem ensinadas a todas as gerações. Devemos analisa-la então, por um lado, como lugar de transmissão dos conhecimentos acumulados pelo homem ao longo da historia, e por outro, em seu papel de ensinar os indivíduos a serem ativos e transformadores na sociedade em que vivem. É importante manter na escola a relação entre os conteúdos a serem ensinados e o cotidiano dos alunos, para que eles entendam os reais motivos de aprenderem as disciplinas conforme consta nos currículos escolares.

Da mesma forma, uma educação e um ensino de qualidade estão ligados também a formação inicial e continuada dos professores de acordo com o perfil de cidadão que desejam formar para a sociedade. O professor deve saber que tem uma posição importante nesse processo de desenvolvimento dos seus alunos no que tange ao cognitivo e também no social, por esse motivo o professor deve estar sempre atento ao indivíduo que ele irá formar a partir de sua prática. (SAVIANI, 1997).

Portanto, como detentor dos saberes necessários para que os discentes assumam uma posição autônoma e critica futuramente o docente deve dar as possibilidades necessárias de aprendizagem dentro das capacidades de todos, mas sabendo o que será desafiador e ao mesmo tempo possível para o aluno realizar de forma que assim trabalhe de acordo com o que Vygotsky chama de Zona de Desenvolvimento Proximal do aluno a fim de desenvolver suas funções psíquicas superiores.

Não obstante, é importante destacar também que a corrente pedagógica adotada pelo professor norteando sua prática em sala de aula diz muito sobre o desenvolvimento ou não de seus alunos. Martins(2013) elucida em seu texto as diferenciações e aproximações entre as teorias pedagógicas existentes que podem influenciar a prática do professor:

A o longo dessa exposição procuramos evidenciar princípios da pedagogia histórico-crítica e da psicologia histórico-cultural tomando como eixo organizativo as premissas que balizam as cinco teses aqui defendidas, quais sejam: ao ensino escolar cumpre a tarefa de humanização dos indivíduos, a atividade de ensino conquista natureza especifica na forma de educação escolar, a formação de conceitos é a base sobre a qual o psiquismo se desenvolve, conceitos cotidianos e de senso comum não incidem sobre o desenvolvimento do psíquico da mesma maneira que os conceitos científicos. (MARTINS,2013, p. 14).

Consubstancia-se então, que a Psicologia Histórico-Cultural norteia os aspectos existentes na Pedagogia Histórico-crítica(PHC) em seus cinco passos, ou seja, a PHC é um método ou conceito que possa ser utilizado na prática do docente em busca de resultados acerca do desenvolvimento psíquico dos discentes. (MARTINS, 2013).

O método conforme citado da Pedagogia Histórico-crítica é dividido em cinco momentos que devem ser seguidos com rigor para que seja possível alcançar o desenvolvimento das funções psíquicas superiores dos alunos, partindo de seus conhecimentos prévios até chegar aos conhecimentos sistematizados e apropriados que estejam de acordo com o currículo comum exigido, passando a fazer parte do cotidiano dos indivíduos em sociedade.

Começando pela prática social inicial que é como uma coleta de dados sobre o que os alunos já sabem sobre determinado conteúdo que será ensinado, em seguida é feita a problematização dos conhecimentos coletados e o que o professor deseja que os alunos aprendam por meio de perguntas que façam os alunos refletirem sobre o que já sabem percebendo que podem avançar.

Dessa maneira o professor passa para o momento da instrumentalização que é um momento fundamental da atuação do docente em que ele escolhe o material teórico que será trabalhado com os alunos de forma que seja possível que eles manipulem esse material até que cheguem à catarse, síntese sobre o que o aluno aprendeu sobre determinado conteúdo que passa a ser utilizado em seu cotidiano como uma pratica social final.

Logo, é possível perceber que esse processo não depende somente do conhecimento sobre os saberes didático-curriculares e disciplinares do qual o professor tem propriedade, mas será necessário que o professor saiba fazer uma boa transposição didática das disciplinas para adaptá-las ao conhecimento de seus alunos, para que dessa forma, atinjam o objetivo esperado pelo professor de maneira significativa.

4.1. Análise da Cena

A partir da observação nas escolas em relação à rotina dos alunos, das atividades ensinadas a eles pela professora, diariamente, foi feita uma coleta de dados durante o estágio curricular supervisionado III. Entre os dados coletados, analisaremos segundo a linha de pesquisa “Prática Pedagógica e Desenvolvimento Humano” a cena significativa anteriormente apresentada, que tem relação com os processos de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita.

5. Eixo 1 – Função da Educação, da escola e do professor

5.1. Função da Educação

Conforme artigo 205 da Constituição Federal do Brasil: “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu prepara para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

Seja no âmbito do trabalho ou no âmbito da cidadania, o objetivo da educação é trazer benefícios à sociedade, partindo do individuo. Para melhorar a sociedade em geral precisamos formar cidadãos que em sua subjetividade saibam de sua capacidade transformadora e valorizem a capacidade de seus semelhantes.

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Esse processo se inicia muito cedo na escola e deve valorizar os conhecimentos que os alunos trazem de casa atrelando-os aos conhecimentos necessários à plena formação do ser humano, para que a aprendizagem dos conteúdos não seja um fim em si mesma, mas que tenha relação com a vida cotidiana de todos e suas relações interpessoais.

Quando é oportunizado nas escolas o trabalho em grupo por parte dos alunos está sendo internalizado pelo aluno o respeito ao próximo e o valor das singularidades de cada um que podem vir a ser necessárias para o grupo trazendo uma visão positiva sobre si mesmos e sobre os demais.

Nesse sentido, a professora observada, quando dispõe seus alunos em duplas diariamente e ainda escolhe um deles para ser o responsável pela sala naquele dia, ela está proporcionando a vivência de trabalhar em grupo e relações interpessoais que modificarão, de forma positiva, a concepção de mundo desses alunos mesmo que eles nem percebam isso. Conforme cena abaixo citada:

A professora dispõe os alunos em duplas, e escala um aluno encarregado de ajudar os colegas, principalmente, o aluno de inclusão. Além disso, durante as atividades cada aluno de sua dupla tem uma responsabilidade acerca da resolução das atividades propostas. (CENA SIGNIFICATIVA).

Na escola todas as atividades devem ter um objetivo pedagógico, mesmo nas horas de lazer, como em atividades externas, sessão de filmes ou brincadeiras, pois nessa instituição, nada deve acontecer espontaneamente, mas sim com planejamento e objetivos que visam ensinar e aprender algo novo todos os dias, seja em relação aos conhecimentos científicos, seja sobre o convívio social.

Cada escola tem seu regimento escolar, documento com características pessoais e regras estipuladas pela comunidade escolar que abarque as necessidades próprias do local em que está inserida e escolha um método que acredita-se adequado aos alunos ali atendidos de acordo com o princípio da oportunidade a todos, com equidade, garantindo a permanência dos alunos da escola e ainda “a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento a arte e o saber” necessários aos desenvolvimento dos alunos. (BRASIL. LEI 9394/96 art 3º).

6. Função do Professor

Consoante às informações supramencionadas, a função da educação e da escola, em suma, é a responsabilidade de formar cidadãos autônomos capazes de transformar o meio em que vivem de maneira crítica e reflexiva por meio dos conhecimentos acumulados pelo homem ao longo da história e por meio do conhecimento de si mesmo diante da sociedade e nas relações aprendidas na escola.

Os conhecimentos científicos ensinados na escola pelo professor serão aprendidos pelo aluno com maior ou menor eficácia conforme a abordagem por ele utilizada como concepção teórica e prática, logo, é necessário manter a maior circulação de informações possíveis nas aulas, para que os alunos tenham diferentes oportunidades de interpretar e se posicionar diante dos assuntos abordados.

Assim sendo, quando a professora analisada faz a leitura do alfabeto em conjunto com a turma, de forma cotidiana, escolhendo um aluno para ler uma letra e escolher palavras que podem ser escritas com ela, a docente está proporcionando a eles a oportunidade de pensarem sobre a escrita, fazendo associação letra/som confrontando com suas hipóteses de escrita. Uma intervenção necessária para o avanço dos alunos.

No momento dessa intervenção surgem algumas duvidas conforme a cena a seguir:

“...no momento em que um dos alunos escolhidos tem que responder sobre a letra G e escolhe a palavra Jacaré como uma possível palavra a ser escrita com essa letra e a professora então pergunta a todos se eles concordam que com essa letra se escreve essa palavra e os alunos mais atentos prontamente apontam que não pois o desenho do Jacaré está na letra J. Nesse momento a professora chama atenção deles dizendo que apesar da semelhança nos nomes das letras e as vezes em algumas palavras o som ser o mesmo essas duas letras são diferentes por exemplo o G pode ter som de J como em Girafa, mas geralmente tem outro som como em Galinha, Guarda-chuva, Guarda-roupa etc.” (CENA SIGNIFICATIVA)

Ao que parece, a professora quis mostrar aos alunos que nem sempre o pensamento deles acerca da escrita está errado, mas é preciso alguns ajustes referente às regras que ainda não aprenderam ou mesmo que ainda não compreenderam, portanto, não estão errados apenas equivocados.

Em outro momento, conforme cena a seguir:

“Em outro momento, um aluno é perguntado sobre a letra H e apesar de acertar o nome da letra escolhe como palavra possível de ser escrita com ela a palavra Gato e então, novamente a professora interfere chamando a atenção da classe lembrando a todos sobre a letra H ser muda em nosso vocabulário possuindo apenas som graças as vogais que os acompanham, como por exemplo, Herói e Horta. E também ela fala sobre o som de X que essa letra tem quando aparece junto a letra C como em Chuva e Chave. Após essa intervenção os alunos começam a dar outros exemplos semelhantes mostrando que eles entenderam a explicação. (CENA SIGNIFICATIVA)

É evidente que essas intervenções devem ocorrer em todas as aulas e momentos diversos até que dado momento o aluno seja capaz de fazer abstrações acerca da escrita, sozinho, nos momentos em que tiver que elaborar um texto. E não basta que o professor apenas faça essas intervenções uma única vez, por mais pontuais que sejam, se elas não forem retomadas sempre que necessário não serão realmente assimiladas pelos educandos.

Na pedagogia histórico-crítica, o professor trabalha inicialmente com a prática social prévia do aluno e depois deve se concentrar na zona de desenvolvimento proximal de aprendizado a fim de desafiar os alunos de maneira produtiva a alcançar o desenvolvimento. “Esta situação real se produz sempre que a instrução é fecunda (...) Ensinar a uma criança o que é capaz de realizar por si mesma.” (DUARTE, 1998, APUD Vigotsky 1993, p 238-246).

Em decorrência disso, conclui-se que em relação ao ensino e aprendizagem, às vistas da pedagogia histórico-crítica acerca da prática do professor e do desenvolvimento humano, uma atuação efetiva deve estar focada nas relações escolares e cotidianas dos alunos de maneira que implique um novo olhar sobre o mundo e sobre si mesmos de forma crítica, reflexiva e transformadora por meio da educação, da escola e do professor.

7. Eixo 2 – Uma Didática para a Pedagogia Histórico-Crítica: transmissão do conhecimento na escola

A partir da análise do referencial teórico trabalhado e da cena significativa, foi possível notar os momentos em que a professora colaborou ou não para o desenvolvimento cognitivo dos alunos no momento das atividades propostas e suas intervenções. Por exemplo, no momento em que os alunos têm que pensar em uma palavra possível de se escrever com uma letra indicada pela professora, nota-se que os alunos fazem o exercício de buscar em suas vivências fazendo relação letra/som a partir da intervenção da professora utilizando palavras que eles já conhecem.

Como afirma Saviani (2011), nas escolas, quase sempre, o foco são os conteúdos que devem ser passados aos alunos para que eles os assimilem sem pensar de fato sobre, ou seja, de forma passiva. Quando na verdade o foco deveria ser no método utilizado para ensinar tais conteúdos que sirvam de apoio ao aprendizado contínuo.

Nesse sentido, a postura do professor faz toda diferença diante de como ele irá transmitir esses conhecimentos para os alunos seguindo o currículo escolar e o articulando com as dificuldades dos alunos. Visto que, transmitir os conhecimentos não significa dar respostas prontas ao aluno, mas fazer com que eles coloquem em jogo tudo o que sabem ao resolver um problema apresentado, para que sejam dessa forma instigados a aprender mais, a perguntar e buscar conhecimento sempre, pois dar respostas prontas pode, ao invés de ajudar, cercear a curiosidade do aluno.

No planejamento da professora observada, no início de todas as aulas, a professora faz a contagem da quantidade de alunos presentes. No entanto, das inúmeras possibilidades que existem para se fazer essa atividade com a turma de maneira significativa abarcando conhecimentos que lá na frente no processo de aprendizagem poderão ajuda-los, a professora prefere contar sozinha anotando na lousa as quantidades e pedindo apenas para que os alunos façam a soma para ela anotar.

Isso torna o viés da contagem de alunos totalmente desnecessário e sem sentido para os alunos, visto que, o propósito dessa atividade não é somar apenas, mas sim a busca pela descoberta. A resolução desse problema para a turma é uma relação do cotidiano com a matemática de extrema importância que deve ser praticada.

Logo observa-se que a postura do docente diante das atividades que ele propõe está inteiramente ligada ao desenvolvimento da turma e à teoria adotada pelo professor. Afinal quanto mais desafiadoras e interessantes forem às atividades, mais ativa será a participação dos alunos, mesmo se o processo for mais trabalhoso e no momento as crianças não entendam o porquê de fazer determinados tipos de atividades, mas que no futuro trarão resultados positivos na sua aprendizagem.

Diante dos fatos expostos nessa análise, acredita-se que há uma maneira de transmitir os conhecimentos de forma significativa condizente com cada instituição de ensino levando em conta a historicidade dos indivíduos envolvidos, seus conhecimentos prévios e a transformação deles ao longo do processo educativo.

8. Considerações Finais

O presente Trabalho de Conclusão de Curso formado por um Ensaio Científico tem como objetivo sistematizar de forma reflexiva o conhecimento construído ao longo do curso por meio da articulação entre teoria e prática vivenciadas a partir do Estágio Curricular Supervisionado III, delimitado sob a linha de pesquisa “Prática Docente e Desenvolvimento Humano” focado na temática sobre a prática docente e função do professor.

Quando se fala em teoria e prática, pensamos que uma é diferente da outra, de início, acreditamos não ser possível conciliar as duas coisas. Por meio deste ensaio científico e das questões analisadas ao longo de seu desenvolvimento, foi possível refletir sobre a possibilidade e necessidade de atrelar teoria e prática, desde que haja um estudo com base em referenciais teóricos fidedignos capazes de articularem práticas reais dentro do método proposto, com responsabilidade e compromisso.

Em relação à contribuição desse ensaio para a formação inicial das discentes do curso, acredita-se ser de extrema importância e relevância para início dessa prática ter realizado de forma efetiva observando o dia a dia nas práticas dos professores demonstrando ainda a necessidade de continuar os estudos acerca dos métodos que vimos no decorrer do curso, mais precisamente o método elaborado sob olhar da Pedagogia Histórico-Crítica aplicando-os na nossa prática futura fazendo com que em termos gerais a educação alcance melhorias.

9. Referências

BRASIL, Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996.

DUARTE, N. Concepções afirmativas e negativas sobre o ato de ensinar. Cadernos CEDES 1998, p. 44.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 27 ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987.

GADOTTI, M. Perspectivas atuais da educação. Porto Alegre: Artes Médicas Editora, 2000.

GASPARIN, J.L. Uma Didática Para Pedagogia Histórico Crítica. Edição Revista, 2011.

MARTINS, L. M. Os Fundamentos Psicológicos da Pedagogia Histórico-Crítica e os Fundamentos Pedagógicas da Psicologia Histórico-cultural, 2013, 130-143.

SAVIANI, D. A Pedagogia Histórico-Crítica e a Educação Escolar. Primeiras Aparoximações, 11ª ed. 2011.

SAVIANI, D. A função docente e a prodeção do conhecimento. Educação e Filosofia, 11 (21,22),127-140,1997.

VYGOTSKY. L.S. Formação social da mente. Capítulo 4. Internalização das Funções Psicológicas Superiores. Martins Fontes. São Paulo. 1991.


Publicado por: Maira Peres Assunção Negrizoli

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