OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO CENÁRIO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – EAD

Educação

Reflexão acerca do modelo de ensino voltado a Educação à distância – EAD face ao novo cenário mundial provocado pela Pandemia ocasionada pela Covid – 19.

índice

1. RESUMO

O presente estudo objetiva trazer a tona uma reflexão acerca do modelo de ensino voltado a Educação à distância – EAD face ao novo cenário mundial provocado pela Pandemia ocasionada pela Covid – 19, com isso, mostrar os desafios e perspectivas enfrentadas por docentes, alunos e seus genitores diante dessa situação. Para a elaboração deste estudo, utilizou-se a pesquisa de base qualitativa e de caráter bibliográfico. Esse novo modelo educacional trará ou não uma evolução significativa para o cenário educacional? Sim ou não, isso dependerá das estratégias criadas no sentido de planejar para saber lidar com essa nova realidade.

2. INTRODUÇÃO

Ao longo dos anos a educação precisou passar por inúmeras mudanças e isso acontecia de forma gradativa. Momentos marcantes como a Reforma Ortográfica e a inserção da Educação à distância, inicialmente aplicada ao nível superior, expandindo-se para o nível técnico agora chega à educação infantil e de forma inusitada, urgente. Se por um lado, parece um grande avanço por parecer facilitar o acesso para os estudantes, por outro, causa medo, incertezas e estranhamentos.

O surgimento da Pandemia do Corona vírus, o Covid19, um vírus mutável e que se propaga ocasionando diversos problemas no sistema respiratórios, levando inclusive à morte, fez com que autoridades governamentais, mediante recomendação da Organização Mundial de Saúde – OMS, decretasse estado de emergência e calamidade pública, através de Portaria do Ministério da Saúde – MS, devido aos crescentes casos de pessoas infectadas pelo Coronavírus em todo território nacional (DECRETO,2020).

Diante do exposto, uma das medidas de enfrentamento da Pandemia ocasionada pela COVID -19 foi a suspensão das aulas nas redes de ensino pública e privada. Com a suspensão das aulas, sem previsão de retorno, as instituições de ensino precisaram adequar e, portanto, aderir ao sistema de ensino remoto e a distância. Essa rápida transformação que gerou muitas dúvidas entre os docentes e gestores de ensino: como seria implementado e qual a reação e adaptação dos alunos, das crianças em processo de alfabetização ou nas series iniciais, e seus pais? Tais indagações são pertinentes haja vista que o ensino infantil é complexo e requer uma forma especifica e já requer uma metodologia específica, por se tratar da base do universo do saber. Assim, já dizia Paulo Freire, (2004, p. 98), quando diz que “[...] a educação é uma forma de intervenção no mundo”.

Se por um lado, parece um avanço, se levado em conta com a realidade de outras pandemias, a adesão a essa nova perspectiva de ensino pode vir a causar uma série de fatores, dentre eles, podemos destacar a questão socioeconômica, e isto, não somente para os discentes, pais, mas também para professores e gestores. Quem disse que os professores e gestores estão reparados para essa nova forma de ensinar? Outra importante indagação, todos esses profissionais, dispõe de equipamentos, internet adequada e manejo com os recursos tecnológicos para o enfrentamento de mais esse desafio?

3. Reflexos da pandemia do coronavírus, consequências e mudanças no âmbito educacional

O Ministério da Educação - MEC prorrogou a autorização de ensino a distância até 31 de dezembro do corrente ano e autorizou em caráter excepcional, a substituição das disciplinas presenciais, em cursos regularmente autorizados, por atividades letivas que utilizem recursos educacionais digitais, tecnologias de informação e comunicação ou outros meios convencionais (BRASIL, 2020).

A partir de então, os professores estão utilizando essa nova forma de ensinar através da gravação de vídeo aulas e envio de atividades via plataforma escolhida a critério de cada instituição de ensino e com base nos recursos financeiros de cada uma, aliás, cabe destacar que em todo o mundo, ocorreu esta adesão ao sistema EaD para aulas, reuniões, trabalho por meios virtuais, todos fundamentados pela ocorrência do estado de calamidade, conforme explicitado no art. 65 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, a ocorrência do estado de calamidade pública no país (BRASIL, 2020).

4. A redefinição com a EAD mediado no contexto tecnológico

A tecnologia está emersa em todo o cotidiano da sociedade vigente e se faz, atualmente, necessário e essencial para o paradigma da educação, uma vez que se apresenta um problema global, a pandemia, a qual estar-se a vivenciar. Essa situação ressignificou o processo de ensino.

Percebe-se nesta nova era um novo perfil de discente e docente, no qual exigirá caminhos não sistemáticos conduzidos a ações reflexíveis, em um ótico sócio histórica do ser em formação. Nessa nova condição, “o professor sai de sua função de mero transmissor de conhecimento, alguém que ensina a aprender, e passa a assumir o papel de aprendiz junto a seus alunos e colegas em situações diversas do cotidiano” (Schmitt (2011)). Urge a necessidade de reconstrução do fazer pedagógico, conforme preconiza Freire (1996) quando se refere à prática como sendo um dos principais momentos na formação do professor: “é pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática”.

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Por outro lado, há de se considerar o que nos diz Lago (2003) que estamos convivendo com ciberalunos, com cibercrianças, ciberadolescentes, conectados em aparelhos e eletronicamente enraizados. É impossível se dar aula hoje como se dava há 10 anos, os jovens e as crianças são outros, e os professores precisam se transformar para seguir essa mudança.

É urgente a necessidade de uma nova forma de abordagem ao educando, não mais cabe o uso dos métodos tradicionais. Essa nova geração aguardam uma aprendizagem utilitária, aquela aprendizagem defendida pelo capitalismo, que exige “criatividade em termos de capacidade de encontrar novas formas de ação que permitam melhor adaptação aos ditames capitalistas (DUARTE, 2001)”. Todavia, mesmo diante do aceite de todo esse aparato tecnológico, é preciso que o docente jamais perdam de vista o objetivo principal que é indubitavelmente, a aprendizagem.

5. Educação infantil à distância: relação professor-família

Nos últimos tempos, o maior desafio da educação infantil é organizar ferramentas capazes de proporcionar e dar suporte pedagógico às famílias e crianças nessa fase de distanciamento social ditado pela necessidade de quarentena. É preciso diálogo para que o contexto da educação infantil não perca terreno, ou seja, sua essência, que é proporcionar um espaço dinâmico e criativo e que esta não se distancie dos passos que o mundo vem compactando. Pois, para a contemporaneidade essa interrelação tornou-se relevante para a atuação do docente e discente.

Ao orientar, por meio de conversas on line, os familiares percebem o impacto devido à falta de acessibilidade estrutural. Esse sistema gera dúvida sobre o rendimento, o desenvolvimento cognitivo das crianças, sua eficácia e ao mesmo tempo, exige que o professor se reinvente para oferecer uma forma de ensinar que atenda as necessidades de aprendizagem de seus educandos.

6. Considerações finais

Buscou-se trazer reflexões acerca do novo cenário e metodologia de ensino inserida nas escolas ocasionado pelo estado de calamidade em que o país se encontra e acerca dos desafios enfrentados por docentes, discentes e seus pais, especialmente na educação infantil.

Além de vivenciar as consequências da Pandemia em si, os problemas derivados da tecnologia, sua eficácia e às vezes escassez, somados a fatores preponderantes com relação ao âmbito familiar, é possível mensurar o quão difícil está sendo a adaptação pelos pais pela emergência da implantação deste sistema. Igualmente, o docente também apresenta dificuldades no uso de suas ferramentas na atividade laboral para dar continuidade as suas atividades docentes fazendo uso dessa ferramenta no âmbito do ensino infantil.

Nessa perspectiva pode-se compreender que este paradigma está intrinsicamente relacionado à única forma de minimizar possíveis prejuízos para a educação, pois se trata da solução mais coerente que o sistema encontra; cabendo aos profissionais e a sociedade se adaptar e através do novo, na expectativa de que tão logo apareçam outras formas de convivência com a pandemia.

7. REFERÊNCIAS

DECRETO Legislativo nº 6 de 2020. Disponível em: . Acessado em: 07 de jun de 2020.

DUARTE, N. As Pedagogias do “Aprender a Aprender” e Algumas Ilusões da Assim Chamada Sociedade do Conhecimento. Rev. Brasileira de Educação, n. 18, p. 35-40, 2001.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Coleção Leitura. 29ª edição. São Paulo: Paz e Terra, 2004.

LAGO, Andrea Ferreira. Sala de Aula: Adolescentes e Mídias Digitais. In: ALVES Lynn; NOVA, Cristiane (org.). Educação e Tecnologia: Trilhado Caminho, Salvador: Uneb, 2003.

LEI COMPLEMENTAR Nº 101, DE 4 DE MAIO DE 2000. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp101.htm. Acessado em: 07 de jun de 2020.

PAINEL do Coronavírus. Disponível em: . Acessado em: 06 de julh de 2020.

SCHIMITT, Miguel Ângelo. Ação-Reflexão-Ação: A Prática Reflexiva como elemento transformador do cotidiano educativo. Protestantismo em Revista. São Leopoldo, RS, v, 25, maio-ago. 2011.
  


Publicado por: Francimeire Maria dos Santos

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