O USO DAS TICS NA SALA DE AULA: UMA PROPOSTA PARA INCLUSÃO DOS ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS

Educação

Estudo a respeito da inclusão dos alunos com necessidades especiais com ajuda das novas ferramentas oferecidas pelas tecnologias digitais- as TICs.

índice

1.  Introdução

Os recursos de informática são fundamentais para o estudo, lazer, pesquisa e trabalho, favorecendo a independência e autonomia das pessoas com deficiência visual. O acesso aos softwares ampliados, sonoros e à internet promove a pessoa com deficiência visual, incluindo-o na era digital, favorecendo as relações interpessoais, a comunicação independente nas atividades deleitura e escrita além das atividades escolarese profissionais (Gasparetto, 2010).

1.1. Listas de falhas cometidas pelo centro

As falhas cometidas pelo centro são enormes, pois ao matricular os alunos, os responsáveis da escola não se preocupam em saber sobre os alunos com deficiências visuais os seguintes aspetos: Acuidade visual, o campo visual, a visão de cores e a adaptação à luminação.

1.2. Atribuição de necessidades educativas especiais aos alunos com base às TICs

1.3. Deficientes visuais

Adota-se como deficiência visual a presença de cegueira ou baixa visão. De acordo com a décima (10ª ) revisão da Classificação Internacional das doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10) da Organização Mundial de Saúde (OMS, 1993 ).

2. Quadro contextual

Escola do I Ciclo do Ensino Secundário BG nº 7002 Rei Mandume do Município do Bocoio. A referida escola, a Norte está limitada pela Repartição Municipal da Educação, a Sul está limitada pela Escola do Ensino Especial, a Este pela Escola Técnica de Saúde, a Oeste pelo bairro Lomanga. A Escola foi fundada em 1983 pelo Senhor Belino Bastos com a robustez do decreto presidencial nº 27/83, todavia, a instituição comporta 10 salas de aulas, 1 sala de professores, 1 cantina, 1 biblioteca e 1 bloco administrativo. A mesma alberga cerca de 148 trabalhadores, dos quais 138 são professores e, destes, 49 são do género feminino e 8 dos trabalhadores são administrativos. A referida escola não usufrui dum laboratório. No entanto, no tange o nível académico, importa salientar que, cerca de 70% de professores desta escola são técnicos médios, 22% são licenciados e 8% são bacharéis. Dos 138 professores, apenas 31 têm formação de professor. A escola ministra 3 classes (7ª, 8ª e 9ª) em três (3) turnos respetivamente, matutino, vespertino e noturno. Referente ao presente ano (2020) foram matriculados cerca de 2.627 alunos dos quais 1094 são do género feminino. Sendo assim, de forma específica na 9ª classe foram matriculados 732 alunos, destes 271 são do género feminino. Em relação aos alunos com as necessidades especiais, a escola regista nove (9) alunos com esses aspetos. Grande parte das famílias de origem dos alunos são famílias nucleares (pai e mãe) com uma percentagem abaixo de 30% de famílias monoparentais femininas (tuteladas só pela mãe). De um modo geral, as famílias de origem dos alunos são camponesas e criadoras de gados, a escola não possui um corpo de segurança física e, não obstante a isso, pois não regista atos de vandalismo.

3. Justificativa

Em um mundo globalizado com os avanços da ciência e da tecnologia, o campo educacional tem se preocupado para responder os desafios do século XXI bem como na resolução de certos problemas que afligem a área, e para isso, a mudança de paradigma é fundamental rumo para uma educação abragente e diversifica onde as TICs podem servir como ferramentas alternativas que possam auxiliar o professor, tanto os alunos como o próprio processo de ensino- aprendizagem, desde modo, a educação será garantida para todos sem descriminação dos alunos com deficiências. A escola para todos se sustenta em dois elementos fundamentais e inter- relacionados: A atenção à diversificação e a resposta aos alunos com necessidades educativas especiais, para Gine, et al., (1996), a resposta aos alunos com necessidades educativas especiais somente tem sentido quando formulada dentro do contexto de atenção à diversidade das necessidades dos alunos de deteminado centro educativo.

Durante muito tempo criou-se uma imagem errada a respeito das crianças portadoras de deficiência visual, criando-se mesmo escolas próprias com um ensino específico ou seja direcionado, isto é segregação dos alunos com alguma deficiência, no entanto é importante que a sociedade e a comunidade escolar em especial entendam que uma criança com deficiência visual não é muito diferente das demais, também têm necessidades afetivas, físicas, intelectuais, sociais e culturais. Pensando nos 9 alunos inscritos na escola em estudo que possuem deficiência visual, a direcção da escolar decidiu desenvolver um plano de inclusão destes mesmos alunos, sem necessidade de envia-los para uma escola especializada, deste modo primeiro fez-se uma reflexão em torno dos recursos tecnológicos a serem aplicados no atendimento educacional especializado com portadores de deficiência visual e para a seguir elaborar-se um plano de aula hipotético para o atendimento de uma criança portadora de baixa visão, demonstrando as possibilidades do uso de recursos no ensino-aprendizagem, bem como a adaptação de métodos e recursos a nossa realidade.

Neste sentido os problemas e desafios da escola podem ser diagnosticados pela análise das dimensões as quais apontam para questões como o uso das TICs na sala de aula a fim de mitigar e auxiliar as escolas e professores que atendem os alunos com necessidades especiais para serem elencadas como prioritárias pela escola. O uso de tecnologias assistivas no processo de ensino-aprendizagem de portadores de baixa visão vem ganhando atenção de pesquisadores e educadores, no entanto ainda encontramos algumas barreiras relacionadas com a falta de material, infraestruturas e condições sócio-econômicas favoraveis para que haja eficiência no processo de ensino e aprendizagem dos alunos. No contexto Angolano, a educação especial é legislada segundo a lei sobre a proteção e desenvolvimento integral da criança (LPDIC ), referente aos direitos especiais da criança ( Art 27º), o estado deve garantir a sua inserção escolar e social (Art 67º da LPDIC e art 80º, nº 03, da constituição da república de Angola).

4. Objetivos

4.1. Objetivo geral

  • Promover a inclusão dos alunos com necessidades especiais com ajuda das novas ferramentas oferecidas pelas tecnologias digitais- as TICs.

4.2. Objetivos específicos

  • Apoiar a inserção escolar de crianças e jovens com deficiência visual ajudando- os na aquisição de estabilidade emocional com o uso das TICs;

  • Desenvolver as potencialidades oferecidas pelas TICs para reduzir as limitações aos alunos com necessidades especiais provocadas pela deficiência visual;

  • Desenvolver as possibilidades de comunicação aos alunos com deficiência visual com ajuda as TICs.

5. Metodologia e atividades

5.1. Metodologia

Mercado (2016), cita Fiorentini (2002). No Método ativo, o aluno assume o papel ativo no aprender, a influência de suas experiências atuais e prévias, o papel da colaboração na construção do conhecimento e sua contextualização, a partir das experiências dos que aprendem, seja um nível consciente seja um nível inconsciente Os métodos ativos permitem que os alunos descubram e se apropriem dos conhecimentos de que precisam para a solução dos problemas teóricos e práticos. Ao usar esses métodos, o professor orienta um conjunto de atividades e tarefas que deverão ser executadas pelos alunos.

5.2. Atividades

5.2.1. Atividade 1

Título: Ensinar a escrever e ler as letras alfabéticas aos alunos com deficiência visual.

Objetivo: Ensinar os alunos com deficiência visual a escrever e ler as letras alfabéticas através dos instrumentos das novas tecnologías digitais.

Método: Geralmente durante esse processo de alfabetização em específico, o método sintético, também chamado de fonético, é o mais aplicado. Isto porque ele possibilita uma íntima relação entre o símbolo da escrita e a sua representação oral (Mosquera, 2010).

Desenvolvimento: segundo Lima, et al., (2013). A leitura do braille é feita com os dedos das duas mãos, percorrendo os pontos da esquerda para a direita. Já a escrita pode ser desempenhada por meio de uma reglete e punção, ou da máquina de escrever braille. Na cela braille a coluna da esquerda possui os pontos 1, 2 e 3, e a da direita os pontos 4, 5 e 6. Na escrita com a reglete a cela é invertida, para produzir os pontos em relevo na ordem da leitura. Mosquera, (2010), citados pelos ibdem, (2013), enfatiza que, já na máquina de escrever braille a escrita é feita na mesma direção da leitura proporcionando mais agilidade e facilidade na compressão dos símbolos.

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Recurso: Máquina Braille, punção, Reglete e um computar

5.2.2. Atividade 2

Título: Aprendizagem de cálculos mentais

Objetivo: Ensinar os dificientes visuais com Soroban para o desenvolvimento do cálculo mental e favorecendo a compreensão do conceito de numero, propiciar a concentração individual.

Método: Através da exploração tátil, o aluno cego que o manipula o Soroban é capaz de entender todo o processo matemático envolvido nos cálculos, possibilitando a formação do conceito numérico tanto quanto as propriedades estruturais da adição, subtração, multiplicação e divisão.

Desenvolvimento: O Soroban utiliza como princípio a lógica do sistema decimal, atribuindo a cada haste uma potência de 10 (...,10-1, 100 , 101 , ...) da direita para a esquerda. A cada três hastes, existe um ponto saliente, o qual indica a ordem das unidades de cada classe, ou seja o instrumento é dividido em classes decimais. Dessa forma, possuindo essas atribuições, o Soroban favorece a compreensão do sistema de numeração decimal, visto que utiliza nas representações numéricas o valor posicional dos algarismos e decomposição das ordens como, por exemplo, o número 367 em 300+60+7, de modo a abordar o princípio aditivo do sistema de numeração, Pacheco, et al ( 2014), citados pelo Cordeiro ( 2015 )

Recurso: Soroban, computador com software

5.2.3. Atividade 3

Título: Edição e leitura de textos.

Objetivo: Establecer o primeiro contato a pessoa com deficiência visual com o computador através do DOSVOX.

Método: Para Mizukami (2000) citado pelo Mercado (2016), os métodos com abordagens centradas nos alunos implicam programas, técnicas, horários flexíveis, adaptáveis as condições dos alunos, respeitando o ritmo individual de trabalho, de assimilação do conhecimento, respeitando a atividade grupal, com tarefas e técnicas diversificadas

Desenvolvimento: Através do DOSVOX a pessoa com deficiência visual estabelece o primeiro contato com o computador, considerando que o programa faz leitura oral. Aos poucos a pessoa com deficiência visual se familiariza com o teclado, visto que não usa o mouse. Ela pode executar tarefas como edição de textos (com impressão comum ou Braille) leitura/audição de textos, utilização de ferramentas de produtividade faladas (calculadora, agenda, etc), além de diversos jogos.

Recurso: computador, impressora comum ou Braille

6. Agentes envolvidos

Os agentes que serão envolvidos são: direção da escola, professores, equipe administrtivo, alunos, país e encarregados da educação e toda comunidade educativa, etc…

7. Meios e recursos necessários

7.1. Tecnologias assistiva para dificiêntes visuais

Na perspectiva da Radabaugh (2001), Citada pela Gasparetto, et al, (2009), um dos mecanismos necessários para a remoção de barreiras existentes na vida da pessoa com deficiência é a utilização de recursos de Tecnologia Assistiva em qualquer faixa etária e em qualquer situação do cotidiano, afirmou que a tecnologia facilita a vida das pessoas sem deficiência, no entanto, para as pessoas com deficiência, ela torna as coisas possíveis. No entanto, nesta proposta sugerimos os seguintes meios e recursos para deficientes visuais:

  • Máquina de datilografia Braille, impressora Braille acoplada a computador, sistema de síntese de voz; Reglete; Punção; Livro adaptado e Livro falado;

  • Gravador e fotocopiadora que amplie textos; Scanner acoplado a computador;

  • Fitas de áudio; software de ampliação de tela; Lupas, réguas de leitura;

8. Avaliação

O objetivo primordial da avaliação é proporcionar informações de diversos tipos, que sejam úteis para modificar o processo iniciado em sala de aula. Serão avaliados no princípio ( avaliação inicial ou diagnóstica ), durante o processo ( avaliação formativa) e no final da aprendizagem ou do proceso (avaliação sumativa), para isso, recomendamos que o processo de avaliação seja contínua, coerente, motivadora, abrangente, negociada, integradora, contexualizada, colegiada, qualitativa, crítica e ética para garantir um bom ensino- aprendizagem aos alunos com deficiências visual. No entanto, o âmbito de uma escola abrangente, que atende à diversidade, sem distinções entre educação geral e ordinária, deve ser considerado insistentemente em a avaliação formativa, entendida, nas palavras de Gipps (1994), como "o uso da informação avaliativa para proporcionar feedbacks dentro do processo de ensino-aprendizagem".

9. Modo de avaliar

Concordámos com Borges (2009) que diz que: Durante uma avaliação, o aluno pode ler a prova impressa em braille e redigir as respostas das questões utilizando o computador com DOSVOZ. O professor vai poder ler as respostas que o aluno escreveu, pois estarão digitadas na tela do computador e não em braille, as respostas poderão ser impressas em uma impressora comum para o professor e também em braille para o aluno. A folha com as respostas do aluno pode ser impressa e colocada junto com as demais folhas de atividades dos outros alunos para posterior correção. Para o aluno usar o DOSVOX em sala de aula durante uma avaliação possibilita uma vantagem no tempo de escrita, um aluno usuario do DOSVOX tende escrever mais rápido no computator do que no papel com reglete e punção.

Referências bibliográficas

  1. Bonilla, M.H.S., (2018). Tecnologias digitais e deficiência visual: A contribuição das TICs para a prática pedagógica no contexto da lei brasileira de inclusão. Revista pesquisa qualitativa. São Paulo (SP), v.6, n.12, p. 412-425, dez. 2018
  2. Borges, F. W., (2017). Concepções sobre tecnologia assistiva relato de pesquisa de tecnologia assistiva: Concepções de professores e as problematizações
  3. Conteúdo digital da disciplina on-line (2020). Disponível no campus virtual panal- Funiber.
  4. Cordeiro, O.S., (2015). O trabalho com o Soroban na inclusão de alunos deficientes visuais nas aulas de Matemática. Disponível em: https://www.ufjf.br/ebrapem2015/files/2015/10/gd13_silvania_oliveira.pdf
  5. Dos santos, B.J.A., (2009). Do Braille ao DOSVOX – Diferenças nas vidas dos cegos brasileiros – Rio de Janeiro: UFRJ/COPPE, 2009. Disponível em https://institutoitard.com.br/como-utilizar-o-dosvox-em-sala-de-aula-pratica-para-professores/
  6. Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, (2013). Presidente Prudente, 21 a 24 de outubro de 2013, Colloquium Humanarum, vol. 10, n.
  7. Gasparetto, M.E.R.F., (2010). Tecnologias assistivas e práticas pedagógicas inclusivas: deficiência visual. Disponível em https://www.marilia.unesp.br/Home/Publicacoes/as-tecnologias-nas-praticas
  8. Giroto, C.R.M., (2012). As tecnologias nas práticas pedagógicas inclusivas. Universidade estadual paulista, faculdade de filosofia e ciências no atendimento educacional especializado comportadores de baixa visão : Nucleus, v.8, n.2, out.2011. Disponível em: http://books.scielo.org
  9. Homem, A. P. B., (2016). O Direito da Família e dos Menores em Angola. Organização Judiciária – Direito Interno – Instrumentos Internacionais- Formação Inicial. Lisboa, 6 de Janeiro de 2016. Disponível na internet:<URL:http://www.cej.mj.pt/cej/recursos/ebooks/civil/Direito_Bancario.pdf. ISBN 978-972-9122-98-9.
  10. Lima, ÉI., et al., (2013). O processo de alfabetização em braille da criança com deficiência visual. Colloquium humanarum, vol. 10, n. Especial, jul- dez, 2013
  11. Mercado, L.P.L., (2016). Metodologias de ensino com tecnologias da informação e comunicação no ensino jurídico. V. 21, n. 1, p. 263-299, mar. 2016.
  12. Robson, L. P., (2004). Novas tecnologias e pessoas com deficiências: A informática na construção da sociedade inclusiva Ligia Pereira dos Santos Pequeño- http://books.scielo.org/id/6pdyn/pdf/sousa-9788578791247-04.pdf-
  13. Rodrigo, T., (2011). O uso de recursos tecnológicos como facilitadores
  14. Sousa, R. P., Et al., (2011). Tecnologias digitais na educação. Campina Grande: EDUEPB, 2011. 276 p. ISBN 978-85-7879-065-3. Available from SciELO Books .

10. Anexos

  


Publicado por: Pedro Muanda Diwavova

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