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O ENSINO DE LEITURA EM LÍNGUA ESPANHOLA NAS ESCOLAS DE ENSINO MÉDIO DE APODI: A CURTA – METRAGEM COMO RECURSO DIDÁTICO

Educação

O ponto de vista de alguns teóricos acerca da importância de compreender o que se lê, não somente na língua estrangeira, mas também na língua materna, a importância da leitura na formação do discente, o uso de estratégias que chame a atenção do aluno para o conteúdo ministrado e a proposta de atividade com o uso da curta-metragem.

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1. RESUMO

A curta metragem como recurso didático, nas aulas de língua espanhola nas escolas Públicas de Apodi, é uma ferramenta já conhecida, mas pouco usada no processo de ensino e aprendizagem. Aparece como uma nova forma de se trabalhar, a abordagem prática junto com a leitura em sala de aula, com recursos motivadores que proporcionam o estímulo e interesse pelas aulas permitindo que se trabalhe diferentes temáticas. O nosso trabalho tem como objetivo principal refletir sobre o ensino da compreensão leitora. E traz a curta metragem como um recurso didático inovador e facilitador desse processo de aprendizagem. Para sua elaboração teve como base os fundamentamos em estudos teóricos, pesquisando em trabalhos já elaborados sobre o tema e trouxemos ideias de autores que tanto falam da importância da compreensão leitora como Neune (1994). Esch (2010) fala que a compreensão leitora se faz fundamental tanto na língua materna como no ensino de uma segunda língua. Kleiman (1997) que vem a afirmar que o ensino da compreensão leitora, se não estiver bem fundamenta é um fator de risco no processo de desenvolvimento do aluno. E autores que abordam a curta metragem em sala de aula como Munhoz (2008) entre outros. Nosso trabalho está dividido em dois capítulos, o primeiro refere-se à importância da compreensão leitora em sala de aula de língua espanhola. No segundo, classificamos a pesquisa, descrevemos aspectos metodológicos e elaboramos atividades em que se usa a curta-metragem.

Palavras-chaves: curta-metragem, compreensão leitora, aprendizagem

RESUMEN

El cortometraje como recurso didáctico, en las clases de lengua española, en las escuelas públicas de Apodi, surge como una herramienta ya conocida, pero poco utilizada en el proceso de enseñanza y aprendizaje. Aparece como una nueva forma de si trabajar a abordaje practica y la lectura en las clases. Con recursos motivadores que proporciona el estímulo e interés por las aulas permitiendo que se trabajen diferentes temáticas. Nuestro trabajo tiene como objetivo principal reflexionar sobre la enseñanza de la comprensión lector. Y trae el cortometraje como un recurso didáctico innovador y facilitador de ese proceso de aprendizaje. Para su elaboración nos basamos en estudios teóricos, investigando en trabajos ya elaborados sobre el tema y trajimos ideas de autores que tanto hablan de la importancia de la comprensión lectora como Neune (1994). Esch (2010) habla que en la lengua materna y en una segunda lengua la comprensión lectora es fundamental. Kleiman (1997) que viene a decir, que el proceso de enseñanza de la comprensión lectora se no está bien fundamentado es un factor de risco en el proceso del desenvolvimiento del aluno. Y autores que abordan el cortometraje en el aula, como Munhoz (2008) entre otros. Nuestro trabajo está dividido en dos capítulos el primero se refiere a la importancia de la comprensión lectora en el aula de lengua española. El segundo clasificamos la investigación, describimos aspectos metodológicos. Y elaboramos actividad en que se usa el corto-metraje.

Palabras-claves: corto-metraje, comprensión lectora, aprendizaje

2. INTRODUÇÃO

Nos indagamos, inicialmente, ao começarmos nosso estudo monográfico, sobre qual a importância dada ao ensino da compreensão leitora nas aulas de língua espanhola no ensino médio, no município de Apodi. Abordar a curta-metragem como recurso didático nas aulas de língua espanhola permite uma maior aproximação da língua estudada, e possibilita o aluno desenvolver com mais precisão as suas habilidades. Não só de compreensão leitora, como também a expressão escrita, auditiva e oral.

Dessa forma, iniciamos nossa pesquisa enfatizando alguns pontos importantes que nos ajudaram a desenvolvê-la. Abordando a curta-metragem como recurso didático. Salientando, que quando se tem recursos visuais torna-se mais fácil a compreensão leitora do aluno. O fato de ver motiva o aluno, despertando o interesse pelo acontecimento que vem depois, no seguir da história ou até mesmo, no que vem acontecer em um filme.

Nosso objetivo principal foi a elaboração de uma proposta de atividade para auxiliar no desenvolvimento da habilidade de compreensão leitora dos discentes nas aulas de espanhol, utilizando a curta-metragem como recurso didático.

Para tal, é necessário analisar quais estratégias dispõe o docente para ensinar e praticar a habilidade de compreensão leitora nas aulas de língua espanhola, e, assim, elaborarmos estratégias que possam ajudar aos discentes em sua compreensão auditiva utilizando-se da curta-metragem como recurso didático.

Além disso, foi necessário observar, inloco, que atividades utilizam os docentes nas aulas de língua espanhola para desenvolver a prática de compreensão leitora, no município de Apodi. Analisar, também, se há recursos para que a curta metragem venha a ser introduzida como recurso didático em sala de aula. Posteriormente, elaboramos atividades, tendo a curta-metragem como recurso didático.

Nossa pesquisa é de cunho qualitativo-descritivo, pois não trabalhamos com quantidade em seu desenvolver, e sim com a descrição de fatos avaliados precisamente através de observação de aulas de língua espanhola, no município de Apodi. É também uma pesquisa de cunho bibliográfico, pois para fundamentarmos nossa teoria, pesquisamos em livros e artigos científicos. Por último, classificamos nossa pesquisa como pesquisa de campo, por termos ido às escolas ver e analisar como as aulas são ministradas.

Nossa pesquisa está dividida em dois capítulos: no primeiro, trazemos o ponto de vista de alguns teóricos, como por exemplo: Esch (2010), que defende a importância de compreender o que se lê, não somente na língua estrangeira, mas também na língua materna. Os próprios Parâmetros Curriculares (PCN’s, 1999), que ressaltam a importância da habilidade leitora. Kleiman (1997), que menciona a importância da leitura na formação do discente e o risco que se tem caso essa habilidade não seja bem desenvolvida em sala de aula. Ontoria (2007) defende o uso de estratégias que chame a atenção do aluno para o conteúdo ministrado, como por exemplo, trabalhar com o uso de recursos audiovisuais, imagens ou filmes.

No segundo capítulo, mostramos os aspectos metodológicos da pesquisa: fazemos a sua descrição e a classificamos. Por último, apresentamos a proposta de atividade com o uso da curta-metragem.

Esperamos que nossa pesquisa venha a servir de suporte teórico para outros trabalhos monográficos e que contribua, de forma positiva, com o ensino da compreensão leitora nas escolas públicas do município de Apodi.

3. IMPORTÂNCIA DA COMPREENSÃO LEITORA NO ENSINO DE LÍNGUAS

Atualmente, muito se discute sobre o trabalho com o ensino de leitura nas aulas de língua estrangeira e sobre a importância da compreensão leitora. Pode-se afirmar que desde a decisão de estudar uma língua estrangeira, já é necessário que se tenha algum conhecimento prévio sobre a mesma.

Segundo Esch (2010), outro fator indispensável na compreensão leitora é o fato de se saber interpretar o que se ler, tendo em vista que quando o faz já se está buscando um tipo de informação, seja ela utilizada como forma de entretenimento ou simplesmente para adquirir conhecimentos.

Em seu artigo “La comprensión lectora y el enfoque comunicativo”, Esch (2010), chega à conclusão que tanto no aprendizado de uma língua estrangeira como de uma língua materna a compreensão leitora se faz de fundamental importância. Já para os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s1999), “Isso não quer dizer que as outras habilidades não sejam importantes, porém que é necessário compreender que a prática de leitura além de aprofundar temas, que possibilita construir cidadãos reflexivos e preparados para interagir no mundo social”.

De acordo com Kleiman (1997, p.9), o ensino da leitura é um fator de risco se não estiver fundamentado numa concepção teórica firme sobre os aspectos cognitivos envolvidos na compreensão do texto. É necessário que se faça uso de um método já testado e comprovado, mas se utilizando de uma metodologia que leva em consideração as necessidades do aprendiz que está estudando a língua. Deve-se ter em mente que é preciso melhorar a própria habilidade de leitura do aluno, isso significa estabelecer as bases para uma reflexão do seu próprio saber, tornando-se dessa forma, apto a formular sua própria ideia, e contestar no caso de não concordar, tornar-se mais acessível a mudanças na sociedade.

Com base na pesquisadora Celani (2003), é possível afirmar que não houve uma grande evolução na questão do ensino de línguas estrangeiras, mesmo após a aprovação da nova Lei de Diretrizes e Base da educação nacional (LDB, 1996),

Que diz ‟Na parte diversificada do currículo será incluído, obrigatoriamente, a parti da quinta série, o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna, cuja escolha ficará a cargo da comunidade escolar, dentro das possibilidades da instituição’’ (Art. 26§ 5º).

Para Celani (2003), a compreensão leitora de uma língua espanhola nem sempre vem tendo o devido valor, pois muito se foca no livro de didático que em sua maioria está focado em regras gramaticais, muito embora a sua função é desde sempre trazer o conhecimento de mundo para dentro da sala de aula, além de que, deve-se ver a compreensão leitora nas aulas de espanhol como uma nova proposta didática, que está em desenvolvimento.

A compreensão leitora é orientada a fazer com que o aluno domine as habilidades linguísticas necessárias para que se possa ler, compreender e interpretar todos os tipos de textos e mensagens escritas capazes de despertar a curiosidade e interesse pela leitura, como também extrair as informações necessárias dadas as circunstancias.

Assim, acreditamos que aprofundar estudos sobre a intertextualidade é pensar em soluções, que levam em consideração a dificuldade e a importância da compreensão leitora por parte dos alunos de espanhol como língua estrangeira. Bakthin (1981), defende a ideia que ‟para compreender o papel da sala de aula na definição dos significados construídos pelos alunos, em primeiro lugar, é fundamental a compreensão teórica’’.

Vale salientar que, de acordo com as Orientações Curriculares para o Ensino Médio (OCNs, 2006, p.131) além do papel educativo, trabalhar com a compreensão leitora é também, ‟trabalhar as linguagens não apenas como formas de expressão e comunicação, mas também como constituintes de significados, conhecimentos e valores’’.

3.1 AS CONTRIBUIÇÕES DAS ESTRATÉGIAS DE COMPREENSÃO LEITORA NO ENSINO E APRENDIZAGEM DE LÍNGUAS

De acordo com Freire, a leitura é um processo que envolve uma reflexão crítica do ato de ler. Por não se resumir à decodificação das palavras, atinge um alcance maior. “Em toda e qualquer língua a leitura se faz um fato de fundamental importância e hoje é necessário se fazer nascer o desejo de ler nos indivíduos” Freire (1989).

Ler é uma tarefa complexa, a forma que nos induzem a praticar “estratégias” de leitura é o que faz a total diferença. Muito se estuda sobre essas estratégias, sendo elas cognitiva e metacognitiva de leitura. Quando se usa o cognitivo de imediato pode se ver de acordo com Kato (1990, p.102), onde diz “regem o comportamento do inconsciente”, ou seja, a internalização da língua materna.

No entanto, Solé (1999, p.69), defende que a melhor estratégia é a metacognitiva, onde o leitor tem a capacidade de refletir, organizar, planejar sua atuação. Cada autor defende de sua forma estratégica que eles acreditam ser a melhor para a compreensão leitora. Para Solé (1998), ao se desenvolver atividades de leitura com os alunos é preciso que eles tenham em mente que a leitura precisa ser desenvolvida em três momentos: o antes, durante e depois da leitura. Isso, quando o que se pretende é formar leitores capazes de desvelar e compreender um texto.

Dentro do cognitivo e do metacognitivo se desenvolveu formas de atrair o leitor. Ou seja, de se trabalhar a leitura em diferentes línguas com o propósito de incentivar os leitores, utilizando-se de formas animadas para se trabalhar leitura, como por exemplo as fábulas que na opinião de Nobile (1992), esse tipo de leitura é bastante apropriada para o público infantil. Outra forma também dentro das estratégia de ensino de leitura, é trabalho com textos que falem de ficção cientifica, que tratam em sua maioria de viagens espaciais, lugares desconhecidos, descobrimento, mundos novos.

Há também o teatro, gênero literário considerado de grande importância para muitos estudiosos, por ter um valor educativo e formativo. Ao teatro se dar a capacidade de formar a linguagem expressiva, a linguagem gestual, o diálogo entre pessoas, e a interpretação, fazendo com que se desenvolvam as habilidades de uma língua de maneira mais sucinta.

É mais difícil negar a existência de uma atividade na qual a criança é criador e protagonista. É que a criança fala e participa ao mesmo tempo. É como se tivesse no teatro por que ensaia papeis, e o fato que mais define é o jogo. E em sua opinião o jogo é a raiz do teatro (TAMES,1990, p.221)

A poesia também se faz presente como objeto estratégico para o ensino de leitura. Com seu alto poder de sensibilizar, a poesia com seu sentido de ritmo e musicalidade pode desenvolver o gosto pela leitura nas crianças. Porém, Garcia (2011), mostra reflexões sobre o fato que a poesia encanta, mas não as crianças e sim os mais adultos. A poesia sem dúvida é uma das mais belas formas de se trabalhar a leitura, quando se leva em conta com quem e onde vai se trabalhar.

Nobile (1992, p. 74) ‟diz que “em ponto de vista pedagógico, as técnicas citadas serve para criar elementos mágicos e um certo estado de angustia, com uma tenção narrativa e potencializa à agressividade”. Porém a também outros estudiosos que veem de outra forma as estratégias de leitura.

De acordo com Oxfoford e Crookall (apud PHAN, 2006), ‟as estratégias podem ser operacionalizadas como técnicas de aprendizagem, comportamentos resoluções de problemas ou estudo de habilidades para tornar a aprendizagem satisfatoriamente compensatória’’

Conclui-se, que o ensino de leitura com o uso de técnicas deve desenvolver, no ensino continuo e efetivo, para que assim possa desenvolver hábitos leitores capazes de fazer com que o leitor leia e entenda o real sentido do texto, cabendo ao professor o papel de mediador e de incentivador. Toda estratégia de leitura, usada na sala de aula deve sempre ter como objetivo principal envolver os alunos fazendo com que eles se sintam motivados a ler.

3.2 A COMPREENÇÃO LEITORA E A EXPRESSÃO ESCRITA

Para Field (1997), a capacidade de compreender um texto escrito depende de vários fatores, dentre ao quais podemos citar: o reconhecimento do código escrito, a habilidade de decodificação rápida das palavras, a capacidade de memória de trabalho, os conhecimentos prévios, o uso das próprias características do texto, a geração de inferências, a análise de palavras não conhecidas, a identificação das funções gramaticais das palavras, a busca por significado do texto, a conservação do objeto e ajuste nas estratégias de abordagem do texto, a identificação e a distinção de ideias principais das secundarias. O entendimento da relação entre as partes que compõe o texto, o uso do contexto para construir o significado e a compreensão, bem como a persistência no texto mesmo quando não há êxito na compreensão.

Pode se observar mais uma vez que a necessidade de compreender textos não é importante só na hora de ler, mas também no momento de registrar o que se leu, a compreensão leitora deve estar sempre vinculada a expressão escrita, que é considerada a mais completa das habilidades. Para desenvolver ambas atividades comunicativas da língua em particular em um processo de aprendizagem de uma l2, deve se ter conhecimento e dominar as habilidades onde uma sempre vai depender da outra, não é possível o sujeito escrever bem se não conhece a forma de se escrever corretamente.

Poder ler e escrever corretamente em uma l2 é necessário de mais nada, alcançar um determinado nível de competência na língua estudada, já que se não dominar não é possível, uma compreensão eficaz. É necessário que o sujeito abandone, hábitos da sua língua materna (ACQUARIONI, 2004, p. 951-952)

Conforme Madruga (2006), a leitura, por algum tempo foi confundida com o ato de decodificar o texto escrito. Contudo, nos últimos anos, as investigações na área da leitura têm dado ênfase as habilidades de construção de significado nos textos escritos, mas sem abandonar ou desconsiderar o processo de decodificação. Sem a decodificação não existiria leitura, já que ela possibilita a acesso ao código escrito por parte do leitor.

A automatização das habilidades de reconhecimento de palavras e acesso lexical permite a liberação de recursos cognitivos (memoria de trabalho por exemplo) que podem ser empregados na compreensão e na construção de significado de textos complexos. Essa automatização vai sendo construída com a exposição do leitor a diferentes tipos de leitura. Um leitor experiente apresenta uma velocidade leitora relativamente alta, aliada à uma boa compreensão do que lê. Muito se vem estudando sobre essas duas habilidades linguísticas e muito deve ser o cuidado que se deve ter, pois são dois fatores que estão ligados e que fazem a total diferença na competência que vai desenvolver o aluno.

Assim, de acordo com o que diz Carpenter (1980), pode-se concluir que um leitor eficiente em l1 e l2 possui uma memória que se sobre sai das demais. Leitores eficiente em l1 e l2, apresentam uma maior capacidade de memória de trabalho ao abordar um texto, demonstrando menos esforço e mais eficiência para compreender o texto, pois seus recursos cognitivos centram-se em processo de construção de significado.

Para uma boa compreensão leitora e escrita também não se pode esquecer os mediadores, que vão ensinar, e do material que eles vão a usar em sala de aula que deve levar em conta a necessidade do aluno, pois a compreensão é um apoio indispensável para se aprender a escrita.

3.3 COMPREENSÃO LEITORA NO ENSINO DA LÍNGUA ESPANHOLA

A leitura é o ponto de partida para chegar a compreensão de outras habilidades.

(...) a aprendizagem de leitura em língua estrangeira pode ajudar o desenvolvimento integral do letramento do aluno. A leitura tem função primordial na escola e aprender a ler em outra língua pode colaborar no desempenho do aluno como leitor em sua língua materna (PCN, 1998. P,20)

Diante disso, entende-se a importância do mediador, nesse caso podemos falar do professor de espanhol tem o papel de tornar a prática da leitura algo prazeroso e não mecânico e ao mesmo tempo com um propósito educacional, pois precisa criar nos alunos o gosto pela leitura, usando atividades significativas em outra língua. “Não se deve esquecer que interesse também se cria, se suscita e se educa e que em diversas ocasiões ele depende do entusiasmo e da apresentação que o professor faz de uma determinada leitura e das possibilidades que seja capaz de explorar” SOLÉ (1998, p. 43).

O artigo 27 da Lei de Diretrizes e Bases (LDB1996), faz referência à educação em valores, e determina, ainda, as seguintes diretrizes: “a difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e deveres dos cidadãos, de respeito ao bem comum e ordem democrática” (inciso i). Nesse contexto, ao especificar a aula de espanhol como língua estrangeira percebe-se que a função do ensino não é diferente daquela assumida pela escola visto que está inserida no contexto educacional, ou seja as aulas de língua espanhola devem assumir um papel social ao aprofundar paradigmas presentes na língua/cultura do outro e relacioná-los à realidade dos alunos.

Nas aulas de compreensão leitora em língua espanhola, vem se trabalhando muito a questão do intercultural. Esse trabalho visa um entendimento crítico em prol de uma real atuação na sociedade que pode se dar através do texto com diferentes fontes que ampliam a visão do aluno no que se refere ao seu conhecimento de mundo plural e a sua compreensão textual através do uso de textos com temáticas interculturais.

No desenvolvimento da habilidade leitora em aulas de espanhol como língua estrangeira que tem a intenção de promover o reconhecimento da pluralidade cultural. Com isto a língua estudada assume um papel na sociedade que vai além da sua estrutura, e que traz para sala de aula um encontro de culturas.

O encontro supõe sempre um mínimo de generosidade para que se possa acolher o outro sem exigir que ele seja como gostaríamos que fosse sem reprovar suas diferenças. Assim também deve ser com os povos e suas culturas: um encontro de gênero. (COSTA,2005, p.70)

Assim, percebe-se a importância de tal proposta que prepõe um ensino de uma língua estrangeira baseado na ênfase do trabalho com a pratica de leitura onde se considera as diversidades culturais, que se inserem no processo educacional, promovendo assim o enriquecimento da habilidade leitora. Assim o importante é conseguir cidadãos capazes de compreender o que se lê e isso só será possível com indivíduos participantes que sejam capazes de dar seu ponto de vista crítico, sobre o texto.

3.4 A COMPREENSÃO LEITORA NOS MANUAIS DE ESPANHOL COMO LÍNGUA ESTRAGEIRA

O livro didático sempre aponta as regras gramaticais como as mais importantes, baseando-se na memorização de regras de gramática e não possui a leitura como centro de ensino. De acordo com Giglio (2006), ‟Nos anos de 60 e 70 surge uma nova abordagem de modelo estruturalista, o foco passa a estar em estruturas e vocabulário, ambos apresentados de forma gradual e a literatura então desaparece por completo dos manuais didáticos’’.

De acordo com Esch (2010), ‟só por volta dos anos 80, com a abordagem comunicativa, temas como as necessidades dos alunos, a interação e a motivação alcançam maior relevância. Foi ai que a aquisição da chamada competência comunicativa abriu espaço para textos, somente naquilo que era considerado útil e prático’’. A partir dos anos 90 percebemos uma tentativa de valorizar a literatura como mais um instrumento para o ensino de línguas estrangeiras, por se acreditar que qualquer texto, é capaz de desenvolver as quatro destrezas linguísticas que são fundamentais no ensino/aprendizagem de uma língua estrangeira (compreensão e expressão escrita e oral).

Esch (2010) diz que ‟a leitura em si tem vantagem de poder motivar e gerar interesse nos estudantes por que, apesar de estar em idioma estrangeiro, os temas são universais: as relações humanas, os sentimentos primários entre as pessoas, o amor, o ódio, o ciúme, a dor, são todos temas comuns a qualquer ser humano, de qualquer cultura”.

Além desse valor universal esse texto literário que a partir dos anos 90 passa ser trabalhado, e tem a vantagem de ser um material autentico já que não foi produzido para fim didático, por isso possibilita o conhecimento da variação linguística, discursiva e cultural, por que diferentes enunciados são apresentados aos alunos, sejam por que são autores, personagens de contos e romances. São autores com temas diferentes que devem ser trabalhados com um mesmo propósito, que é desenvolver a leitura.

Outro ponto muito positivo do texto literário é o fato, de representar um período histórico, no qual o aprendiz pode conhecer questões relacionadas aos sentimentos, pensamentos, comportamentos, crenças da sociedade do país da língua que ele está aprendendo. De acordo com Paraquet (1998, p.118), os professores devem utilizar todo e qualquer material que seja possível para trabalhar a leitura em suas aulas. Afirma que;

Um bom curso é aquele que trabalha com notícias de jornal, com diálogos autênticos (formais e coloquiais). Com textos literários (contemporâneos e clássicos), com histórias infantis, com crítica literária, com cancioneiro popular e folclórico, com provérbios, com teatro, com cinema, com pintura, enfim, com todo e qualquer tipo de manifestação discursiva daquele povo (PARAQUETT, 1998, p.119)

No entanto, durante a análise dos manuais realizada por Giglio (2006), constatou-se que os livros não só apresentavam essa variedade de documentos como tampouco possuem estratégias com um objetivo real de leitura capazes de motivar o aprendiz a ler. Normalmente os textos aparecem seguidos somente de perguntas para responder, e em alguns casos, de uma redação sobre o tema.

O que está no livro didático, ainda são um conjunto de normas que em teoria é o que se deve aprender. Portanto, com base em Giglio, não é o método ser bom ou ruim que determina o maior ou menor poder pedagógico, o que realmente determina é se ele é criativo o suficiente capaz de envolver os aprendizes com os professores numa mesma sintonia.

Denominamos plausibilidade a respeito do ensino, o conceito ou teoria resultante da análise do modo pelo qual o ensino age sobre o aprendizado e de como este ocorre. Apenas quando o professor adquire o senso de plausibilidade, podemos afirmar que o ensino não é mecânico e, sim produtivo. Quanto mais o professor estiver envolvido com o ensino, tanto mais seus alunos estarão. (PRABHU, 1990, p.3)

Apesar de muito se discutir sobre a gramática normativa que traz o livro didático, pode-se ver que depende muito do papel que o professor exerce em sala de aula, torna-la mais prazerosa de se trabalhar, talvez a gramática sempre vai aparecer como regra cabe a cada um que compõem a educação adaptar seus meios de ensino para que seja mais fáceis a compreensão leitora do aluno, para que não se torne algo tão cansativo e desestimulador o ensino de normas tão importantes para a vida acadêmica do aluno.

3.5 A PRESENÇA DA COMPREENSÃO LEITORA NAS AULAS DE ESPANHOL

Em toda sala de aula se faz necessário que esteja presente temas que envolvam os alunos, assuntos que estão em discussão no presente momento, fazendo com que os alunos sintam interesse em entender e saber para que o determinado conteúdo estudado vai ser útil em sua vida.

As ações tomadas em volta do texto ao longo das aulas vão levando os alunos a perceberem o que conta como ações letradas naquele contexto especifico. A parti da perspectiva do letramento como uma realização social de um grupo, em toda sala de aula, professores e alunos constroem modelos particulares sobre como ser letrados. (GREEN,1994 p.124-125)

No texto citado até agora chega-se à conclusão que os alunos compreendem, por já terem um conhecimento dos fatos que vão a ocorrer na aula. Quando falamos de compreensão leitora em aulas de espanhol geralmente vem em nossa mente uma sala de aula e um professor pedindo a seus alunos para decodificar algum texto, ou seja, decifrar códigos de um sistema linguístico.

No entanto a ideia da leitura como construção de sentido traz consigo um conjunto de mecanismos que intervém para o comprimento efetivo de sua ação. Esses mecanismos ou estratégias desempenham um papel importantíssimo para a construção do sentido do texto e ajuda o leitor a compreender possivelmente quaisquer leituras que lhe apresentem.

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Maia (2007), afirma que em grande parte das escolas públicas do nosso país não utilizam dessas estratégias de leitura em sala de aula, a leitura apenas é compreendida para questionar o que se pede que o aluno responda. A compreensão leitora em língua espanhola mostra como se entender a pluralidade cultural presente no meio social e que esse valor e respeito deveriam ser desenvolvidos em todas as disciplinas escolares.

Prabhu (1990), depois de várias décadas tentando melhores formas de ensino de leitura em língua espanhola, no século XX passa a dar valor ao texto literário, levando em conta que com o texto literário como método comunicativo iria se desenvolver e ter o seu reconhecimento didático. São inúmeros estudiosos tentando defender a incorporação do texto literário como forma de facilitar a compreensão em sala de aula.

A literatura constitui material motivador, porquanto expõe os alunos a temas mais complexos e a aquisição linguística, expande a consciência metalinguística, desenvolve as capacidades interpretativas e educa globalmente o indivíduo. Conforme Lazar (1993, p.15 -19), ‟O indivíduo que ler só não decodifica símbolos como também tem em sua mente a capacidade de formular ideias sobres os mais variados temas”. Talvez um fato que tenha sido deixado de lado seja o de trabalhar com textos que tragam para dentro da sala de aula temas da realidade da sociedade em que se vive hoje.

A literatura com seus atributos, muito tem ajudado nas aulas de língua espanhola, pode-se inovar, criar várias maneiras de trabalhar com textos, tanto trazendo a realidade dos fatos como também abordando fatos imaginários, no entanto que envolva os aprendizes. O importante é não deixar cair na rotina de sempre trabalhar só com textos gramaticais. A literatura é um mecanismo relevante para a construção de um significado global e coerente quando usamos ela em conjunto com a leitura.

Facilitar a compreensão leitora nas aulas de espanhol não é tarefa fácil por ser uma língua estrangeira exige uma atenção maior, pois além de decodificar símbolos novos, o entendimento nem sempre é de imediato. Um caminho que tem sido percorrido a passos lentos, porém se cada um desse o devido valor a leitura, e o ato de ler fosse incluído no nosso dia a dia, seria possível chegar a um melhor resultado, porém Brakling (2008), aponta como fator a falta de material nas aula de l2 que coloquem os alunos para realmente se empenhar na prática da leitura, talvez seja pelo formação que os profissionais não estejam adequados ou até mesmo pela sociedade que vive sobre um conjunto de regras.

Ribeiro (2012) chega à conclusão que algo precisa ser mudado para uma melhor eficácia na nossa educação. Deve se atualizar-se para repensar de forma crítica a prática pedagógica, para buscar uma maior interação. Pelo fato de que o mundo necessita de sujeitos capazes de informar, interagir com a sociedade, é que o sujeito deve ser capaz de ler o mundo e suas variáveis linguagens, sejam elas escritas, visuais ou sonoras.

3.6 A CURTA – METRAGEM COMO FERRAMENTA DIDÁTICA PARA O ENSINO DA COMPREENÇÃO LEITORA NAS AULAS DE LÍNGUA ESPANHOLA COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA

Para se ter um melhor entendimento sobre o ensino de línguas desde a perspectiva da didática das línguas, Pedreiro (2013) afirma que há milhares de anos – cerca de cinco mil anos, já existia o ensino profissional, para a aprendizagem de uma segunda língua, onde primeiramente se ensinava dentro de uma determinada civilização e o conhecimento era repassado de geração a geração assim até o surgimento de um dos primeiros métodos.

Um dos primeiros métodos de ensino foi o método gramática e tradução, conhecido também como método formal, que segundo Rosa (2014, p.32), ‟Se expandiu pela Europa no século XIX e tinha o objetivo de aprender uma língua estrangeira através da interiorização da gramática”. Segundo Sánchez, o método gramática e tradução consiste em:

- O desenvolvimento curricular no eixo linguagem de descrição gramatical.

- A prevalência de regras gramaticais no conjunto de objetivos a alcansar. tudo se materializa em regras de aprendizagem.

- A memorizar listas de vocabulário.

- A presença em cada tópicos da lição de tradução direta e inversa.

- Utilização da língua materna em sala de aula pelo aluno.

(SANCHEZ, 1997, p.133)

Em seguida, surge o método direto, visto como como um método revolucionário, pois tinha como proposta estudar a linguagem propriamente falada, dando enfoque também a comunicação:

O método direto introduzido por Sauveuer em 1874 nos Estados Unidos, foi o primeiro a se estabelecer mundialmente depois da reforma, este método sofreu influências das ideias debatidas pelos ‟reformistas”, e apresentava uma posição para o ensino aprendizagem de línguas totalmente inovadora: o ensino através da associação direta do significado com a língua alvo, sem o recurso da tradução. O método também era revolucionário pois dava ênfase a linguagem falada e a comunicação e deixava a língua em segundo plano (ABADÍA, 2000, p.14 – 20)

Nos anos de1942 a 1943, logo no início da segunda guerra mundial, surge o método de ensino chamado áudio-lingual com o intuito de suprir as necessidades de comunicação ocasionadas pela guerra, em se acreditava que o processo de aprendizagem estava ligado à vertente do estímulo, no qual, segundo Sánchez (1997, p.155) ‟o método áudio-lingual se caracteriza, por metodologias nítidas, como repetição de estruturas, repetição de acordo com o estímulo recebido”, no qual o objeto principal é a competência comunicativa.

Portanto, no contexto desenvolvido, podemos associar o trabalho com a leitura em língua espanhola, tarefa essa bastante difícil para os professores de l2. Porém com o desenvolvimento tecnológico, hoje é possível contar com a ajuda de recursos além do livro didático, como computadores, aparelhos celulares, projetor de multimídia, dentre outros que inovam e chama a atenção dos alunos.

É de fundamental importância que o professor tenha todo um planejamento, para com a realização de suas atividades, contudo o importante é que as aulas se tornem um lugar atrativo e participativo.

Ribeiro (2007) menciona que o ensino de uma segunda língua (L2) exige dedicação tanto do aluno que está adquirindo um novo idioma. Como do professor que tem o papel de transferir um conhecimento de qualidade. Segundo Ribeiro (2007 p.129), ‟E cabe ao professor fazer uso do material adequado, que desperte o interesse do aluno”. Os métodos de ensino de uma l2 vem se aperfeiçoando de acordo com cada época, sempre buscando novas técnicas que venha a melhorar o processo de ensino – aprendizagem.

Partindo do ponto de vista de Ontória (2007), surge a introdução de novas técnicas de se trabalhar em sala de aula abordando diferentes temas, tais como quando se trata de aulas de espanhol atividades através de curtas-metragens, pois se trata de filmes sucintos, que sendo de curta duração podem ser bem aproveitados dentro de um curto espaço de tempo, além de proporcionar várias possibilidades de atividades diferentes:

Isso contribui para motivar o aluno e centrar sua atenção em um único argumento (aos curtas-metragens não se pode permitir, de maneira geral o Desenvolvimento de mais de uma história). Outras vantagens são a simplicidade dos personagens, do espaço e tempo em que se desenvolve a ação. Ocasionalmente encontramos curtas-metragens com pouco diálogo ou sem nenhum, permitindo aos alunos de níveis iniciais realizar pequenas descrições das imagens ou aprender vocabulário novo...(ONTORIA, 2007, p.3)

No entanto, toda importância deve estar focada no despertar o interesse do aluno, o profissional deve estar sempre atento as necessidades e as diversidades a serem supridas, fazendo uso de todos os recursos possíveis.

A curta-metragem, um tipo de filme que surgiu na década de 1910, nos Estados Unidos, e por ser filme de curta duração de tempo, podemos aproveita-los para trabalhar questões culturais, artísticas, educativas, dentre outras que estão próximas da vivência e do cotidiano do estudante. E dentro das aulas de língua espanhola, por termos ciência também que as aulas são de curta duração.

Sendo assim, tendo em vista as constantes mudanças em uma sociedade globalizada e que cada vez mais incorpora a tecnologia em seu cotidiano. É de suma importância, a contribuição para com a formação de sujeitos críticos, capazes de compreender a construção de sentidos inerentes as manifestações de linguagens. Dessa forma os alunos devem assumir o protagonismo que lhes cabe no processo de ensino aprendizagem.

Pensando em nossos alunos como destaque, nesse processo é que elaboramos propostas de atividades baseada em curtas metragens. Pois como diz Munhoz (2008, p.1), “o cinema é uma das produções culturais de maior relevo no século XX do ocidente e apresenta determinadas características que o tornam sedutor como recurso e estímulo na sala de aula”. A produção cinematográfica é m produto cultural, valioso e que pode nos fornece boas possibilidade de se trabalhar em sala de aula.

4. ASPECTOS METODOLÓGICOS E PROPOSTA DE ATIVIDADE

Neste tópico, procuramos abordar a metodologia do nosso trabalho, relatando as experiências observadas nas aulas que presenciamos, e também tomando por base leituras de trabalhos bibliográficos, para que assim pudéssemos chegar, com precisão, às propostas de atividades, trazendo a curta-metragem como recurso didático.

4.1 DESCRIÇÃO E CARACTERIZAÇAO DA PESQUISA

O presente trabalho científico se caracteriza por ser bibliográfica, qualitativa, pesquisa de campo e descritiva, com o objetivo de analisar como se desenvolve a compreensão leitora nas aulas de língua espanhola nas escolas públicas do ensino médio do município de Apodi, e posteriormente, propor atividades, usando a curta – metragem como recurso didático.

Conforme Boccato (2006, p.266), “a pesquisa bibliográfica busca a resolução de um problema (hipótese) por meio de referências teóricos publicados, analisando e discutindo as várias contribuições científicas”. Para a realização da nossa pesquisa, realizamos uma busca por materiais coletados através de livros, artigos, sites e textos retirados da internet, onde foi possível identificar sua fonte.

Compreendemos por pesquisa qualitativa, a pesquisa direta, como explicita Godoy, algumas características:

Considera o ambiente como fonte direta dos dados e o pesquisador como instrumento chave; possui caráter descritivo; o processo é o foco principal de abordagem e não o resultado ou produto; a análise dos dados foi realizada de forma intuitiva e indutivamente pelo pesquisador; não requer de uso de técnicas e métodos estatísticos, e por fim tem como preocupação maior a interpretação de fenômenos e a atribuição de resultados. (GODOY,1995, p.58)

Como podemos ver, a nossa pesquisa é de cunho qualitativo, pois não procuramos enumerar dados, o foco é sempre foi obtenção de dados.

Gil (2008) define a pesquisa de campo como a que procura o aprofundamento de uma realidade específica. É basicamente realizada por meio da observação direta das atividades do grupo estudado, e de entrevistas com informantes para captar as explicações e interpretações que ocorrem naquela realidade.

Exatamente o que ocorreu quando visitamos as escolas, na busca por observar o funcionamento das aulas de língua espanhola.

Tomando mais uma vez Gil (2008), por base, o qual cita pesquisa descritiva aquela que busca descrever as características de determinadas populações ou fenômenos. Uma de suas peculiaridades está na utilização de técnicas padronizadas de coletas de dados, tais como o questionário e a observação sistemática, como por exemplo, pesquisa referente a idade, sexo, procedência, eleição e etc.

Portanto, no momento em que delimitamos a pesquisa a ser realizada somente nas escolas públicas, do ensino médio do município de Apodi, e nos propusemos a descrever fatos ali presenciados, nossa pesquisa passou a ser, de fato, uma descrição de dados.

4.2 Observação das aula

Os resultados da presente pesquisa foram obtidos através de observações nas escolas públicas, em turmas do ensino médio do município de Apodi, nas salas de aulas de 1ª a 3ª séries. As escolas analisadas foram a Escola Estadual Professora Maria Zenilda Gama Torres e Escola Estadual Professor Antônio Dantas. Nosso principal objetivo foi observar quais estratégias os discentes utilizavam em sala de aula para desenvolver a compreensão leitora dos alunos e, posteriormente, elaborar novas propostas didáticas utilizando a curta-metragem como recurso didático para o ambiente escolar.

Optamos pelas escolas públicas do ensino médio por ter conhecimento da necessidade de intervenções pedagógicas nesses espaços e da carência de atividades que venham a atrair o aluno para o mundo da leitura dentro do ambiente escolar.

Foram observadas um total de 08 (oito) aulas, sendo 04 (quatro) em cada escola, cada aula de 50 minutos. Pensávamos que seria tarefa fácil, porém, nossa primeira dificuldade foi conseguir a autorização, junto aos professores, para observar suas aulas. Tivemos a autorização, porém percebemos que eles se sentiram coagidos, incomodados com a nossa presença.

A pesquisa foi realizada em duas escolas diferentes, e consequentemente, com professores diferentes. Observamos que, mesmo utilizando o mesmo livro, os professores utilizam métodos e estratégias diferentes. Em uma das escolas, a primeira que analisamos, percebemos que o uso da habilidade leitora foi realizado, porém, de forma bem superficial. Em uma das aulas que observamos, nos deparamos com a seguinte situação: era apresentação de seminário.

O professor ministrava sua aula praticamente em português. Os alunos ao apresentar um determinado trabalho, simplesmente chegavam, faziam a leitura em espanhol somente das frases que se faziam presentes nos cartazes utilizados para a explicação. O que se pedia para fazer, na atividade, eles faziam a leitura em português, falavam do que se tratava o conteúdo, em língua portuguesa. O professor não fez, em momento algum, observação sobre esse fato. Posteriormente, o professor fez seus comentários em português, em que não demostrou o devido interesse em corrigir os alunos.

Já na segunda escola, encontramos, no ensino da habilidade leitora, uma forma mais atrativa. Em uma das aulas, a professora ministrava aula sobre “el uso de los pronombres demonstrativos’’, na qual sua explicação foi em espanhol, e usou de ilustrações para dar suas explicações. A referida aula ocorreu da seguinte forma: seguindo o livro didático, na parte do conteúdo citado, a professora apresentou aos alunos a definição de pronombre demonstrativo. Pediu que um dos alunos lessem a definição de pronome, e, em cada exemplo, seguido de figuras e frases, os alunos faziam a leitura em língua espanhola.

4.3 PROPOSTAS DE ATIVIDADES: A CURTA-METRAGEM COMO RECURSO DIDÁTICO

Nossa intenção, ao propor atividades utilizando a curta-metragem como recurso didático, foi em tornar a aula mais atrativa e dinâmica, e que esses discentes pudessem compreender bem o que se pronuncia durante a curta, para posteriormente auxiliá-los a desenvolver a compreensão da leitura em língua espanhola. Obviamente, é importante que a escola disponha de equipamentos necessários para a execução das atividades. No caso das duas escolas que observamos, essas instituições de ensino dispõem de sala de vídeo.

Posteriormente, selecionamos uma curta de acordo com o nível dos alunos e dos conteúdos ministrados na série em que os alunos estavam matriculados.

Escolhemos por trabalhar o filme tiempos de azúcar, (2001), sob a direção de Juan Luis Iborra e tem como atores: Carlos Fuertes, Maria Adánez, Charo Lopes, Verónica Forque. É um romance e, por estar bem dividido em partes que demarcam o tempo, pode-se encaixar dentro do “gênero” curta-metragem, quando se trabalha por partes individuais.

O filme conta a história de Miguel, que desde criança se dedica a sua profissão. Ainda criança, ajuda a sua mãe a produzir pasteis. Sua mãe morre e ele torna-se um grande pasteleiro. Desde criança, já tem um amor por Ângela, porém não se atreve a confessar.

Nossa primeira atividade proporciona ao aluno, o desenvolvimento da compreensão auditiva. Procuramos, também, avaliar a escrita e a leitura através da atividade elaborada com base na primeira parte do filme tiempos de azúcar.

Para elaborarmos essa atividade, partimos do entendimento de que os alunos, por mais que já tenham contato com a língua espanhola, têm dificuldades em compreender algumas palavras. Salientamos que a atividade é elaborada em espanhol.

4.3.1 Desenvolvimento da atividade

Nessa atividade, apresenta-se a primeira parte do filme, com duração de dez minutos. O objetivo é que os alunos compreendam e explique o modo de preparar uma receita, que aparece na curta. Vai se trabalhar a compreensão auditiva, a leitura e a escrita. É uma atividade destinada aos alunos de nível médio, que dá para ser realizada em duas aulas, levando em conta que as aulas são de cinquenta minutos. Vamos utilizar projetor de imagem, computador, caneta, e papel.

Primeiro vamos fazer a contextualização da aula, explicando o que vai ser abordado. Em seguida, apresentaremos a curta-metragem. Depois, toda a classe deve fazer comentários. O professor fará perguntas e os alunos responderão de acordo com seu entendimento. Em seguida, deverão responder às questões de acordo com a curta-metragem apresentada, sendo que a última atividade é para descrever a receita apresentada na primeira parte do filme.

Vejamos, a seguir, o procedimento da atividade:

ACTVIDAD DEL CORTO-METRAJE

I Pré-visualização

1. Mira las imágenes y describe el tema que crees que trata el corto.

  

2. En esta imagen, ¿qué está preparando el niño?

(  ) Palomitas   (  ) pastel   (  ) tarta

II Visualização

3. Escribe los nombres de los personajes protagonistas del corto.

4. Describe el carácter de cada personaje según has observado en la película.

5. ¿A qué género pertenece tiempos de azúcar?

III Pós-visualização

6. Ahora haga un breve resumen del corto visto.

7. Elaboramos também, uma segunda atividade. Na qual vamos dividir a sala em dois grupos. O primeiro grupo irá trabalhar com a escrita, na qual irão elaborar o roteiro do seu próprio curta-metragem, tomando por base o modelo do curta visto em sala de aula. O roteiro a ser elaborado deve ser uma pequena história, onde deve estar descritas ações e falas dos personagens.

Vejamos, a continuação, o procedimento da atividade:

I. observa el modelo y crea tu proprio guion para su cortometraje.

MADRE: ¿Qué has colocado? Se bate doce claras a punto de nieve. Cuando ya se están bien duritas se les echa las gemas y luego…

MIGUEL: Espera

MADRE: Sí, cariño, se ¿echa las doce? Ya luego se añade medio kilo de azúcar, azúcar con la “zeta” Miguel. Poco a poco, sin dejar de batir hasta que se bien salga. Luego se mezcla cien gramos de harina de almidón con cuatrocientos gramas de almendra molida.

MIGUEL: Pero mama, todavía no está lista.

PERSONAJE: Buenos días, Buenos días

MADRE: Se bate todo bien y se echa la rajadura de un limón y luego una hora de horno fuerte, horno fuerte.

MIGUEL: está muy rápido, como un periódico

MADRE: Sí, cariño no repita, nunca, es una receta muy especial y muy antigua que el abuelo hizo antes de morirse.

MIGUEL: ¿Y de dónde la tienes?

MADRE: Está en me memoria.

MIGUEL: ¿Porque es muy especial?

MADRE: Porque una vez, una esclava árabe consiguió enamorar su abuelo

Preparándole esta tarta de almendra. Aunque todos pensaban que su amor

Era imposible, ella inventó para él esta receta con tanto amor que esta

Esclava se convirtió en su esposa favorita. Esta receta nadie sabe más.

MIGUEL: Claro, por eso todo pueblo tiene un carácter

MADRE: Sí, pero tu ahora tienes. Puedes ayudarme un poco a mí y a tu

Hermanita Emily. El papa ya no está aquí para ayudar

MIGUEL: ¿Está en el cielo para cuidarnos, verdad?

MADRE: Sí, es verdad. No te olvides nunca de él.

AMIGA DE ISABEL: Carmelita está a punto de parto

MADRE: Adiós, mi vida...

II Después de crear, vamos a actuar.

El otro grupo del curso va hacer la incensación del corto que fuera creado por sus colegas. Y con la cámara de un móvil, va a filmar.

5. CONCLUSÃO

Nossa pesquisa bibliográfica resultou na elaboração de um modelo de atividade que proporciona, por meio da curta-metragem, o desenvolvimento da compreensão leitora nas aulas de língua espanhola. Utilizamos a curta-metragem por ser um recurso ainda pouco usado. Essas atividades têm como foco a expressão escrita, e tentamos desenvolver a proposta didática empregando o enfoque comunicativo.

Entendemos que esse tipo de recurso, utilizado de maneira adequada, desperta no aluno sua atenção e curiosidade pelo conteúdo apresentado, o que facilita o desenvolvimento das competências auditivas, escrita, leitora e oral.

O tema proposto surgiu por experiência vivida quando ainda aluna do ensino básico, no qual senti dificuldades em compreender textos e não conseguia desenvolver o gosto pela leitura, provavelmente pelas propostas de atividades pouco motivadoras.

Então, analisamos, através de observação de aulas de língua espanhola, a realidade vivida por estudantes de nível médio de escolas públicas do município de Apodi, e pudemos ver o quanto esses alunos necessitam de incentivo para que possam desenvolver a habilidade e o gosto pela leitura.

Buscamos pesquisas já realizadas nessa área, artigos científicos, trabalhos com essa temática, referências sobre a história dos métodos de ensino, etc. Vimos que até chegar nos recursos que temos hoje, foi uma longa trajetória e que mesmo com uma fundamentação e com recursos tecnológicos avançados, as escolas públicas são carentes de profissionais que estejam abertos a trazer, para sala de aula, recursos diferentes para desenvolver a compreensão leitora de forma efetiva, motivadora e menos cansativa para o aluno.

Ademais, podemos afirmar que, escrever sobre o uso da curta-metragem, como recurso didático, nas aulas de língua espanhola, dando ênfase à compreensão leitora, foi de grande importância para mim, não só como futura professora de espanhol, mas também por ter contribuído com professores, para que eles possam utilizar essas propostas em suas aulas, proporcionando incentivo e motivação para seus alunos.

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Publicado por: Ana Lúcia Gomes Medeiros

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