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O Autismo e a intervenção psicopedagógica na escola

Educação

Analise a cerca do Autismo e a intervenção psicopedagógica na escola. Aspectos cognitivo, social e afetivo.

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1. Resumo

Autismo é considerado uma alteração cerebral que prejudica a capacidade da pessoa se comunicar, estabelecer relacionamentos afetivos e responder apropriadamente ao ambiente em que está inserido. Algumas crianças apesar de autistas apresentam inteligência e a fala preservada, outras apresentam também retardo mental, mutismo ou importantes retardos no desenvolvimento da linguagem. Alguns parecem fechados e distantes outros presos a comportamentos restritos, e rígidos padrões de comportamentos. Na maioria dos casos algumas características são mais comuns, como a falta de estabelecimento visual, são alheios a estímulos parecendo ser surdos, agem como se não tomassem conhecimento do que acontece com os outros, são sensíveis a barulhos, atacam e ferem as pessoas, mesmo que não existam motivos para isso. A dificuldade de perceber os sintomas na primeira infância leva aos pais procurar ajuda muito tarde o que pode comprometer o desenvolvimento da criança autista.

Palavras-Chaves: Autista; capacidade; comunicação.

2. Introdução

Durante muitos anos o autismo foi considerado um enigma para medicina, embora até os dias de hoje não se consegue descobrir as causas e os motivos para tal patologia. O autismo é considerado uma desordem na qual uma criança jovem não pode desenvolver relações sociais normais, se comporta de modo compulsivo e ritualista, e geralmente não desenvolve inteligência normal, porém isso não é uma regra, de acordo com pesquisas realizadas por especialistas, nos últimos anos, chegou-se a conclusão que nem todas as crianças acometidas pelo autismo são consideradas totalmente desprovidas de inteligência, no entanto comprovam que em algumas crianças onde o autismo é considerado leve pode sim, ter sua inteligência preservada sem prejudicar seu desenvolvimento psicomotor ou afetivo, embora já se sabe a dificuldade que muitos têm em se relacionar sendo isso uma das características do autista.

“[...] O autista é uma síndrome definida por alterações presentes desde idades muito precoces e que se caracteriza, sempre, pela presença de desvios nas relações interpessoais, linguagem, comunicação, jogos e comportamento. (SCHWARTZMAN apud RODRIGUES, 2012,P.10) .

O autismo é uma patologia diferente do retardo mental ou da lesão cerebral, embora algumas crianças também tenham essas doenças. Os sinais do autismo normalmente aparecem no primeiro ano de vida e sempre antes dos três anos de idade. A desordem é duas vezes mais comuns em meninos do que em meninas. No decorrer deste estudo faremos uma abordagem geral sobre o aprendente em todos os aspectos cognitivo, social e afetivo, em uma dinâmica na busca de fatores que interferem no processo de aprendizagem durante a vida escolar e social do aluno.

3. Metodologia

Esta pesquisa, de caráter bibliográfico e descritivo, que buscou analisar o tema a cerca do Autismo e a intervenção psicopedagógica na escola, possui uma análise das pesquisas feita anteriormente por estes autores que serviram de suporte e base para este artigo, como objeto de análise a pesquisa privilegiou e pautou na ótica de Freud, Bossa, Pain, Kanner, Chamat e Belizário. Como objeto, foram analisados todos os livros e artigos que abordavam a relação com o tema.

4. Autismo e sua conceituação

De acordo com pesquisas realizadas nos últimos anos, especialistas descobriram que nem todas as crianças acometidas pelo autismo são consideradas desprovidas totalmente de inteligência. Exames recentes comprovam que em determinadas crianças portadoras do autismo leve, é possível constatar a inteligência preservada sem prejudicar o desenvolvimento psicomotor e/ou afetivo, mesmo ocorrendo para os portadores com dificuldade de se relacionarem, sendo essa uma das características peculiar do autismo.

A ASA também afirma que, o autismo é uma patologia diferente do retardo mental ou da lesão cerebral, embora algumas crianças também tenham essas doenças. Os sinais do autismo normalmente aparecem no primeiro ano de vida e sempre antes dos três anos de idade, a desordem é duas a quatro vezes mais comum em meninos do que em meninas.

Por muitos anos cientistas tem se esforçado para descobrir a causa do autismo, e, embora não haja a cura, houve relevante evolução a esse respeito. A princípio, essa patologia era vista como uma deficiência biológica no contato afetivo. Na concepção de Hans Asperger (1906-1980), a síndrome se referia a um erro inato, congênito, semelhante a um defeito físico ou mental.

Leo Kanner (1894-1981) inicialmente defendeu a idéia de que os autistas eram o resultado de "maus pais", conhecida como as famosas "mães-geladeira", sempre distantes e frias, causando o sofrimento de muitas mães como as culpadas e diretamente responsáveis pela condição de seus filhos. Para o médico (1966) somente na década de 60 que a doença passou a ser vista como orgânica, inclusive para a maioria dos médicos.

Até os dias atuais não se encontra uma causa específica sobre a questão, mas sabe-se que embora desconhecida, existe um consenso entre os pesquisadores da existência de um componente genético na origem do autismo, além da influência ambiental. Neste contexto, existem duas teorias que explicam esse caso: anatômico e psicológico. Quanto aos sintomas, os principais são: prejuízo grave do desenvolvimento de interações sociais recíprocas; e prejuízo grave do desenvolvimento da comunicação, não apenas da linguagem falada, mas também expressões faciais e gestos e postura corporal.

Quando se fala dos tratamentos para essa patologia, é importante compreender que as pessoas são diferentes uma das outras, ou seja, apresentam sintomas e deficiências diferentes e com isso também necessitam de tratamentos diferentes e específicos.

5. Autismo na Infância: "Um desafio para pais e escolas"

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), atualmente, o autismo é classificado como um transtorno invasivo do desenvolvimento que envolve graves dificuldades nas habilidades sociais e comunicativas. A intervenção precoce é o melhor procedimento para propiciar o desenvolvimento da criança. Porém, é muito raro ocorrer o diagnóstico durante os anos pré-escolares. Isso se deve, em parte, à falta de conhecimento do desenvolvimento psíquico, físico-motor e afetivo-social da criança. Pais, professores e outros profissionais focam sua preocupação muito mais no atraso da fala do que nos aspectos sociais do comportamento da criança. Se, por um lado, há controvérsias sobre qual intervenção seria a mais apropriada, por outro lado, existe também um ponto de consenso na literatura que é a importância da identificação e intervenção precoce do autismo e seu relacionamento com desenvolvimento subsequente.

A Síndrome do Autismo foi conceituada pela primeira vez por Leo Kanner, em 1943, especialista em psiquiatria pediátrica nos Estados Unidos, a partir da observação de um grupo de crianças com comportamento peculiar caracterizado por uma incapacidade inata de estabelecer contato afetivo e interpessoal. Kanner considerou a síndrome autista como pertencente à categoria das psicoses.

Nilsson (2004, p.52-53) diferencia o aprendizado de uma criança autista e a não autista em uma visão cognitiva. O autismo apresenta um pensamento literal concreto, visual, fragmentado. Ocorre um tipo de estímulo sensorial por vez, enquanto que em uma criança não autista ocorre a coordenação de todas as modalidades sensoriais.

Portanto, é sempre um grande desafio para a escola trabalhar com esse tipo de transtorno, pois se torna difícil para o professor adequar o conteúdo para a alfabetização destes alunos, mesmo por que a falta de conhecimento e o despreparo por parte dos docentes acaba levando a frustração por não conseguirem os objetivos proposto. Para isso seria necessário que tanto a família quanto a escola considerasse as diferenças entre os educandos e suas particularidades podendo estar sendo feita adaptações de acordo com a realidade diagnóstica de cada criança e suas especificações. Nilsson defende que:

“[...] ao usar a idéia de um programa diário visual individual, é fazê-la conter somente atividades enfadonhas que os alunos já conhecem, sempre apresentadas na mesma ordem. Assim a idéia perde sua função para a pessoa envolvida. Temos de pensar no que poderia ser interessante para ele, de forma que os conteúdos do dia sejam um acordo entre as coisas que julgamos que ele precisa fazer e as coisas que ele prefere fazer. (NILSSON,2004,P.57).

Essa confusão na tentativa de conceituar o autismo deixou na história "uma grande controvérsia com relação à distinção entre autismo, psicose e esquizofrenia" (BOSSA, 2002 p.28). Atualmente, o autismo está enquadrado nos Transtornos Globais do Desenvolvimento e é utilizado para o seu diagnóstico o agrupamento de alguns critérios estabelecidos pelo Manual Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais (DSM-IV) 2 e a CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) que revelem comprometimento em três áreas principais: alterações qualitativas das interações sociais recíprocas; modalidades de comunicação; interesses e atividades restritos, estereotipados e repetitivos. Segundo Orrú (2009, p.27) "[...] é importante ressaltar a necessidade de uma anamnese específica e uma observação comportamental para mais eficiência e confiabilidade diagnóstica".

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Os primeiros estudos que definiram as características desses alunos são os de Kanner (1943) e Asperger (1946). Léo Kanner observou 11 crianças em idades escolares (8 meninos e 3 meninas) e descreveu seus comportamentos da seguinte forma:

“[...] El denominador comum de estos pacientes Es su imposibilidad de estabelecer dede El mismo comienzo de La vida conexiones ordinárias con las personas y las situaciones. [...] que están contentos cuando los dejan solos, que actúan como si las personas que los roden no estuvieran [...] Casi todas las madres recuerdan El asombro que lês producia El hecho de que SUS hijos no adotaran La posición própria de los ninõs que quieren que los tomen em brazos [...]. (KANNER, Apud ROCHA,1966,P.720).

O trabalho de Asperger só veio a ser tornar conhecido nos anos de 1970, quando a médica inglesa Lorna Wing traduziu seu trabalho para o inglês. Foi a partir daí que um tipo de autismo de alto desempenho passou a ser denominado sídrome de Asperger. Nos anos de 1950 e 1960, o psicólogo Bruno Bettelheim afirmou que a causa do autismo seria a diferença da mãe, que denominou de "mãe geladeira". De acordo com Belisário Júnior (2010).

“[...] a formulação dessa hipótese se baseava apenas na descrição de casos e não havia comprovação empírica. Posteriormente, essa correlação se mostrou falsa, pois estudos mostraram que não havia diferença significativa entre os laços afetivos de pais de crianças autistas e de outras crianças. Além disso, novos estudos evidenciavam a presença de distúrbios neurobiológico [...].

Entretanto, o fracasso escolar vivido por estudantes com autismo revela que o olhar dos educadores, mesmo diante de discussões frequentes sobre inclusão, ainda direciona-se para a dificuldade o que falta; o que não se consegue fazer ou responder. Percebe-se que tal olhar é influenciado pelos efeitos do preconceito social, ou seja, a forma que a sociedade enxerga este indivíduo.

No entanto, é necessário entender a importância e a urgência do olhar pedagógico direcionado ao sujeito e sua singularidade. Independente do rótulo social que o diagnóstico lhe impõe.

5.1 A Inclusão e o Contexto Escolar

Os princípios, políticas e práticas educativas, visam à promoção da Escola para todos e a reestruturação das escolas no sentido de responderem aos princípios da Filosofia da Inclusão. A filosofia adjacente a uma Escola Inclusiva prende-se com um sentido de pertença, onde toda criança é aceita e apoiada pelos seus pais e pelos adultos que a rodeiam. A diversidade é valorizada, tendo como pilares sentimentos de partilha, participação e amizade.

As convicções e os valores estabelecidos nesta filosofia assentam em aspectos relacionados com o sentimento comunitário, com a participação de todos os alunos e com o sentimento comunitário, com a participação de todos os alunos e com o respeito pela diversidade, incentivando as escolas a esforçarem-se por encarar o aluno como um todo, dando relevância não só aos aspectos acadêmicos, mas também aos aspectos sócio emocionais e de cidadania. (Schaffner e Buswell,1996).

Na Declaração de Salamanca de 7 de Junho de 1994, os quais evidenciam os pressupostos que fundamentam as novas diretrizes para a intervenção, apelando para a necessidade de terem como política o princípio de Educação Inclusiva. Os princípios da atuação neste âmbito podem ser resumidos sob a forma de três direitos fundamentai:

→ O direito à educação - Contemplado na Declaração dos Direitos do homem e na Declaração dos Direitos da Criança implica e garante que todas as crianças portadoras de deficiência tenham acesso ao ensino;

→ O direito à igualdade de oportunidades - Este implica que a cada criança seja proporcionado um atendimento individualizado que corresponda às suas características e necessidades educativas;

→ O direito de participar na sociedade - Este deve ser garantido desde as primeiras idades, traduzindo-se no direito da criança deficiente viver no seu meio ambiente familiar na comunidade em que a família reside, usufruindo das respostas educativas de que necessita. Os professores têm como missão programar na escola os princípios da inclusão, tendo como objetivo principal Planejar, dinamizar e avaliar o projeto da escola conducente a esta filosofia. Ainda de acordo com a Declaração de Salamanca (1994), é importante referir que o foro de ação, por parte da comunidade educativa, se estende:

  • Ao desenvolvimento de uma cultura de escola e de sala de aula, incentivando e apoiando as dinâmicas da inclusão;

  • Á sensibilização da comunidade educativa para o processo da inclusão;

  • À disponibilização do atendimento escolar para toda e qualquer criança residente na sua área de residência;

  • À identificação dos constrangimentos e problemas inibidores da inclusão;

  • À estimulação da emergência de um relacional seguro e de entre ajuda ao nível da comunidade escolar;

  • À promoção de resolução de problemas educacionais de alunos com problemáticas complexas mediante a criação de equipes de colaboração.

"[...] As escolas inclusivas têm como princípio fundamental que todos os alunos aprendem juntos, sempre que possível, independentemente das dificuldades e das diferenças que manifestem. As escolas devem identificar e satisfazer as diferentes necessidades dos alunos, adaptando-se aos vários estilos e ritmos de aprendizagem, de modo a garantir um bom nível de educação para todos, através de círculos adequados, de uma boa organização escolar, de estratégias pedagógicas, de utilização de recursos e de uma cooperação com as respectivas comunidades [...]" Declaração de Salamanca, (1994;11-12).

6. Considerações Finais

Pode se concluir que para uma intervenção psicopedagógico dentro da escola é necessário que a criança já tenha um diagnóstico fechado por uma equipe multidisciplinar, composta por psicólogo, fonoaudiólogo, neurologista e um psicopedagogo.   
A partir daí é necessário a elaboração de um planejamento pedagógico específico que servirá como suporte para que o professor possa trabalhar às atividades escolares, onde levará o aluno a construção do próprio conhecimento e inseri-lo na rotina da escola; assim possibilitando que o aprendente crie vínculo com o espaço escolar, este processo é lento é os resultados é em longo prazo. 
Apesar de existir política pública voltada para a questão da inclusão escolar, sabemos que ainda ha muito o que fazer. Não basta que elas existam; é necessário que funcionem na prática viabilizando um trabalho de qualidade pra todos.
Se sabemos que a Lei determina que "toda" criança tem o direito fundamental 'a educação e deve ser dada à oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizado, que faça necessário a aplicação contínua desta Lei, garantindo educação para todos sem exceção.

Contudo, uma intervenção psicopedagógico só terá resultados se o sujeito for devidamente acompanhado pela comunidade escolar, pela família e por toda equipe multidisciplinar como foi citado à cima, dando aos mesmos recursos para seu pleno desenvolvimento,  seja cognitivo,  afetivo e social.

7. Referências

Belisário, Júnior, J.F. , A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escobar: transtornos globais do desenvolvimento. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial; Fortaleza: Universidade Federal do Ceará,2010.

Bossa, N. A. Fracasso escolar: um olhar psicopedagógico.Porto Alegre: Artes Médicas, 2002. (p. 28).

BRASIL. Secretaria de Educação Especial. Decreto 6.571 de 17 de setembro de 2008. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/civil-03/-Ato2007-2010/2008/Decreto/D6571.htm. Acesso em 20/07/2016

CHAMAT, Leila Sara José. Técnicas de Intervenção psicopedagógica. São Paulo, Vetor,2008.

DSM - IV Diagnostic and statistical manual of mental disorders. American Psychiatric Association.

Freud, S. (1915). As pulsões e suas vicissitudes, v.XIV ESB. RJ: Imago, 1990-(1911) Formulações sobre dois princípios do funcionamento psíquico, v.XII. Rio de Janeiro: Imago,1969.

Kanner,L. Os distúbios autisticos do contato afetivo.In Rocha, P.S. (Org.) Autismos.S.Paulo: Editora Escuta 1966,p720.

Nilsson, Introdução a educação especial para pessoas com transtornos de aspectro autístico e dificuldades semelhantes de aprendizagem. Em PDF. Congresso Nacional sobre a Síndrome de Autismo 2004. Disponível em < http://www.ama.org.br/download/Autismo-IntroEducEspecial.pdf > Acesso em: 31 jul. 2016.

Pain, Sara, Diagnóstico e Tratamento dos Problemas de Aprendizagem. Porto Alegre, Artmed, 1985.

Portugal, DGEBS (1992) . Educação Especial Guia de Leitura do Decreto -nº319/91.

Portugal, M.E. (1990). Decreto-Lei nº 35/90, de 25 de Janeiro- Promoção do Sucesso Escolar.

0rrú, S.E. (2009a). Autismo: o que os pais devem saber? Rio de Janeiro:Wak.

Orrú,S. E. (2009b). Autismo, Linguagem e Educação: Interação social no cotidiano escolar. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Wak Ed.

Schaffner, C.B. e Buswell, B.E. (1996).Ten critical elements for creating inclusive and effetive school communities. In w. Stainback e S.Stainback (Eds.), Inclusion: a guide for educators (pp49-65). Baltimore: Paul Brooks.

UNESCO (1994). Declaração de Salamanca. (Conferência mundial sobre necessidade educativas especiais: Acesso e qualidade) Unesco.


Publicado por: Ezequiel Pereira da Silva

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