LEVANTAMENTO DE CONCEPÇÕES, SOBRE CIÊNCIA E SUA IMPORTÂNCIA SOCIAL, ENTRE ALUNOS DE 3° ANO DO ENSINO MÉDIO DO COLÉGIO ESTADUAL MATIAS NETO, MACAÉ - RJ

Educação

Necessidade educacional na produção mecanismos que estimulem a alfabetização científica de forma efetiva, para que o aluno possa agir de forma coerente com a realidade.

índice

1. RESUMO

A Ciência moderna surgiu na Europa, tendo como “pai” o italiano Galileu Galilei (1564-1642). Busca, por meio da aplicação do método científico, compreender, explicar ou modificar a realidade existente ou observada. Entretanto, ao longo do tempo, a Ciência se popularizou e passou a fazer parte da rotina das pessoas, por meio do seu conhecimento, produtos e serviços. De uma forma geral, a Ciência tornou a vida humana mais confortável, porém, mas complexa. Desta forma, surgiu a necessidade de se alfabetizar cientificamente o cidadão, por meio do ensino de ciências naturais. Alfabetizar cientificamente é tornar o aluno capaz de compreender o mundo de forma adequada, desenvolver o senso crítico e reflexivo, tendo a capacidade de solucionar problemas na sociedade e melhorar a qualidade de vida. Assim, considerando a realidade da escola publica nacional, faz-se necessário questionar se a escola efetivamente alfabetiza cientificamente os seus alunos. Este questionamento é importante, pois um cidadão que não é alfabetizado cientificamente tornar-se pouco capaz de compreender e interagir de forma coerente com a realidade da sociedade moderna. Para identificar quais as concepções dos alunos de educação básica em relação a ciências, este trabalho entrevistou 84 alunos do 3º ano do ensino médio, do turno matutino, do Colégio Estadual Matias Neto, Macaé – RJ. As entrevistas foram realizadas no período de 07 de Maio a 13 de Julho de 2012, por meio de um questionário fechado contendo 17 questões. Os resultados obtidos demonstraram que os alunos possuem um bom conhecimento sobre ciências, considerando a importância que esta tem para a sociedade e sua necessidade para uma melhor compreensão da realidade.

No entanto, estes alunos afirmaram que possuem pouco conhecimento sobre o tema, levando a acreditar que eles podem estar compreendendo a realidade de forma inadequada. Portanto é necessário que a escola proporcione mecanismos que estimule a alfabetização científica de forma efetiva, para que o aluno possa agir de forma coerente com a realidade. Novas metodologias em sala, investimentos na infraestrutura da escola, cursos de formação e capacitação para professores são alternativas que podem ser inseridas na realidade escolar auxiliando para que os alunos sejam alfabetizados cientificamente.

Palavras-chave: Alfabetização Científica; Ciências; Educação; Aluno; Ensino Médio, Pesquisa.

2. Introdução

2.1. Ciência, uma construção humana

Em um sentido amplo, e a partir da origem do termo em latim (scientia), a Ciência pode ser definida como conhecimento ou sabedoria. Em um sentido restrito e moderno, Ciência é uma atividade que, por meio da aplicação do método cientifico, busca compreender, explicar ou modificar a realidade existente ou observada, gerando desta forma o conhecimento científico (Krasilchik, 2000).

O método científico é um conjunto de técnicas estabelecidas, que quando aplicado garante a possibilidade de reprodução, em experimentos futuros, dos resultados obtidos em uma pesquisa, aumentando assim a confiabilidade do conhecimento produzido pela ciência. Tem seu inicio na Idade Média, quando surgiu a Ciência Moderna, proporcionou a atual revolução científica na sociedade moderna (Carvalho, 2000).

O método cientifico, e a ciência moderna propriamente dita, surgiu, inicialmente, na Europa, havendo aproximadamente 8 mil cientistas no mundo em 1810. Entretanto, ao longo do tempo a Ciência se popularizou e passo a fazer parte da rotina muitas nações ao redor do mundo, sendo que em 1980 já havia mais de 5 milhões de pesquisadores ao redor do mundo (Carvalho, 2000).

Ao longo do surgimento da modernidade, foi se constituindo um campo de certezas e formas específicas para se instituir no mundo. Toda a tecnologia existente hoje é resultado da observação da natureza, da descoberta de suas leis e da forma como é utilizada, isto é, do estudo das Ciências Naturais, que a partir do século XVII passaram a ser divididas na forma conhecida hoje como: Biologia, que estuda os seres vivos; Química, que se ocupa dos fenômenos em que há transformação na composição da matéria; Física, que estuda os fenômenos naturais que admitem modelo matemático (Paraná, 2008).

Assim, a educação científica permite que o cidadão acompanhe o progresso científico e obtenha informações para tomada de decisões, como cuidar melhor da saúde ou simplesmente sanar uma dúvida e fazer novas descobertas. Com isso, o povo brasileiro tem se tornado aberto à evolução da ciência em seu cotidiano, se adaptando facilmente a novas tecnologias, como por exemplo, na utilização de urnas eletrônicas durante as eleições (Persenchini e Cavalcanti, 2004).

2.2. Alfabetização Científica

Na atual realidade, é importante que haja uma proposta educacional valorizando a qualidade da formação oferecida aos alunos. Esta qualidade na educação é necessária para que as práticas educativas atendam as carências sociais, políticas, econômicas e culturais da realidade brasileira, atentando para a formação de cidadãos livres, críticos e ativos em sua sociedade (Brasil, 1998).

Para isto, é essencial que os alunos sejam capacitados para aquisição de novos conhecimentos e habilidades, com o objetivo de capacitá-los a lidar com novas tecnologias e linguagens. Através destes novos aprendizados, a escola é desafiada a trazer ao estudante a capacidade de tomar iniciativas relacionadas ao trabalho e obtenção de conhecimentos. Assim, a educação básica possui a função de prepará-los para um processo de educação que seja útil por toda a vida (Brasil, 1998).

Neste contexto, o ensino de Ciências deve favorecer uma aprendizagem que dê enfoque a uma reflexão mais crítica relacionada ao processo de produção do conhecimento científico-tecnológico e de suas implicações na sociedade e na vida do cidadão, pois é por meio deste ensino que os cidadãos se tornarão capazes de tomar suas próprias decisões baseadas no conhecimento científico adquirido na escola (Santos, 2006).

Portanto, a educação deve ser privilegiada com diversas formas que potencialize um maior dinamismo e comprometimento, incluindo temas como vida, matéria, energia e movimento, evolução, formas de raciocínio, mudanças sociais, entre outros (Lacerda, 1997). Aliado a isso, o ensino de ciências deve abordar conhecimentos sobre cotidianos da ciência e da linguagem científica através do tema alfabetização científica (Chassot, 2003).

Define-se como alfabetizado aquele que lê e escreve sua língua materna (Chassot, 2011). No entanto, além de apenas ler e escrever, durante o processo de alfabetização é essencial que seja desenvolvida a curiosidade no aluno, para que assim, nele seja incentivado a obter uma postura crítica, sendo desafiado pelo desconhecido (Pádua e Tabanez, 1997). Por outro lado, o saber por si só não é suficiente. É necessário um aprendizado que estimule a criatividade do alfabetizando, para que dessa forma o ensino possa fazer parte do cotidiano humano e social e o indivíduo seja inserido no processo de transformação do mundo, pois é um ser inacabado em busca de novos aprendizados (Freire, 2001).

E nesse contexto, é indispensável ressaltar o papel social de uma educação científica, para que assim, os alunos possam se tornar agentes das transformações, entendendo um pouco sobre o mundo com ajuda do conhecimento sobre ciência (Chassot, 2001).

Atualmente, a sociedade vive em meio à industrialização intensa, cercada por conhecimentos científicos e tecnológicos, onde as mudanças são constantes e os cidadãos estão sempre atualizados com esse meio (Santos, 2002). Assim, é importante compreender que todos esses aparelhos digitais necessitam de um mínimo de conhecimento científico para que seja possível obter um melhor entendimento das questões científicas e tecnológicas, pois em contrapartida com esses avanços, convive-se com degradações ambientais, fome, violência, doenças endêmicas entre outros problemas que podem estar relacionados a este progresso (Brasil, 1998)

Diversos estudos vêm demonstrando a necessidade de alfabetizar em ciência e tecnologia, disponibilizando aprendizados que permitam tomar decisões a respeito de temas práticos de importância social (Santos, 2002). Por exemplo, Dal Pian (1993) demonstra a necessidade dos cidadãos desta nova sociedade de conhecerem os princípios básicos do funcionamento das coisas, para raciocinar de acordo com o desenvolvimento científico e tecnológico. Krasilchik (2000) indica a necessidade cada vez maior de uma nova cidadania em que os indivíduos poderão identificar a intersecção entre ciência, tecnologia e sociedade. Apple (1995) aponta a importância de que a tecnologia não seja vista apenas como um processo independente, sem a interação da sociedade, ele destaca o termo alfabetização social que permitirá que as pessoas compreendam impacto da ciência e da tecnologia e dos seus efeitos sociais mais amplos (Lacerda, 1997). Assim, é possível definir o termo “Alfabetização Científica” a partir da ideia de alfabetização concebida por Paulo Freire, onde:

...a alfabetização é mais que o simples domínio psicológico e mecânico de técnicas de escrever e de ler. É o domínio destas técnicas em termos conscientes. (...).Implica numa auto-formação de que possa resultar uma postura interferente do homem sobre seu contexto.”

(Freire, 1980, p.111).

Portanto, a alfabetização deve proporcionar ao alfabetizando uma visão mais ampla e crítica do mundo em que vive.

O alfabetizado cientificamente dispõe de conhecimentos científicos e tecnológicos suficientes para que possa compreender as complexas relações entre ciência e tecnologia, tendo a capacidade de resolver problemas e necessidades de saúde e sobrevivência. O cidadão consegue se relacionar com o ambiente em que vive e compreender os avanços tecnológicos com suas implicações na sociedade (Chassot, 2002).

Dessa forma, alfabetizar cientificamente significa oferecer um ensino atualizado, incorporado nas mais recentes contribuições científicas e tecnológicas, para que o aluno possa desenvolver sua inteligência, criatividade e ser capaz de tomar decisões com autonomia e independência. Além disso, é importante que os alunos tenham condições de entender e interpretar o fenômeno tecnológico e, através destes, produzir novos conhecimentos (Mercado, 1999).

Logo, o alfabetizado cientificamente possui maior disposição em aprender e ampliar a compreensão do mundo por vontade própria. Ele se torna independente e pesquisador, aplicando os conhecimentos adquiridos em sua vida pessoal e em seus próprios interesses. Passa a ter capacidade de discursar sobre Ciências e áreas afins, solucionando problemas, demonstrando autoconfiança e segurança (Penick, 1998).

2.3. O Ensino de Ciências Naturais

O ensino de ciências tem como objetivo desafiar os alunos de forma que estes possam aprender conceitos científicos através de reflexão e investigação (Zômpero, 2012). O aprendizado obtido nesta área auxilia na compreensão sobre os fenômenos da natureza e no questionamento a respeito dos diferentes modos na utilização de seus recursos (Brasil, 1998).

No século passado, o ensino era centrado na aquisição de conhecimentos científicos. O bom professor era aquele que priorizava a quantidade de assunto abordado e não necessariamente a qualidade desse aprendizado. O aluno era visto como depósito de conhecimentos e a principal necessidade era memorizar teorias e conceitos dos processos científicos (Chassot, 2002).

Durante muitos anos, o ser humano era considerado o centro do Universo, utilizando os recursos naturais de forma descontrolada e irracional, apropriando de seus processos, alterando ciclos e redefinindo espaços. Hoje, o ser humano se depara com uma crise ambiental que coloca em risco a vida do planeta. O ensino de Ciências Naturais pode reconstruir a relação homem-natureza (Brasil, 1998). Para isso, é importante conhecer o histórico do ensino de Ciências Naturais.

Até a década de 50, o ensino de Ciências Naturais era marcado por um ensino utilizando o método de memorização, onde o conhecimento era centralizado no professor, sem muita ligação com a realidade do aluno (Dal Pian, 1982). Já na década de 60, os aspectos lógicos da aprendizagem passaram a ser valorizados, onde a qualidade era justificada através da quantidade dos conteúdos conceituais abordados (Santos, 2006).

Durante o período que marca o pós-64, a educação brasileira sofreu grande influência da educação americana, utilizando uma pedagogia tecnicista na aplicação de princípios científicos para a resolução de problemas educacionais (Borges, 2007). Até a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases n. 4.024/61, as aulas de Ciências Naturais eram ministradas somente nas duas últimas séries do antigo curso ginasial. A partir de 1971, com a Lei 5.692, Ciências Naturais passou a ter caráter obrigatório em todas as séries do antigo primeiro grau (Brasil, 1998).

Nos anos 70, devido à crise econômica e diversos problemas que podem ser relacionados com o crescimento tecnológico, começou a surgir o movimento pedagógico chamado CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) (Santos, 2006). Esta metodologia visava o ensino de Ciências no contexto tecnológico e social, integrando conhecimento científico com a tecnologia e o mundo social (Santos, 2002).

Nos anos 80 inicia-se o processo de ensino através da construção do conhecimento científico pelo aluno. O professor passa a perceber que a experimentação sem uma iniciativa de investigação ampla não abrange uma aprendizagem significativa de conhecimento científico (Brasil, 1998; Santos, 2006).

Em 1998, o governo brasileiro, através do Ministério da Educação, propõe o documento intitulado Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) com o objetivo de reorganizar o currículo educacional de acordo com o ideário presente na Lei nº 9.394/96 (Brasil, 1998). Podendo assim definir que a construção do conhecimento está relacionada com a realidade histórica, tendo em vista que os indivíduos se desenvolvem de acordo com as relações estabelecidas entre o sujeito e o objeto do conhecimento (Abrantes, 2007).

O estudo das Ciências Naturais busca compreender a natureza (conhecimentos sobre o universo, o espaço, o tempo, a matéria, o ser humano e a vida), explicar novos fenômenos naturais e organizar o conhecimento em teorias discutidas pela comunidade científica (Brasil, 1998).

Por isso é importante destacar que no aprendizado de Ciências ocorra a ampliação do entendimento sobre o mundo, de forma que o cidadão, perceba sua função e capacidade de intervenção no meio, desenvolvendo o modo de pensar e agir de modo consciente (Brasil, 1998). O conhecimento em Ciências, mesmo que mínimo, permite que o indivíduo possa entender melhor os fatos que ocorrem em seu cotidiano (Chassot, 2011).

Para isso, foi criada a Lei de Diretrizes e Bases (Lei 9394/96), lei orgânica e geral da educação brasileira. A primeira Lei de Diretrizes e Bases foi criada em 1961. Uma nova versão foi aprovada em 1971 e a terceira, ainda vigente no Brasil, foi sancionada em 1996. (Brasil, 1996)

Em 1986, ainda sobre lembranças do regime militar, iniciou o planejamento no Brasil de uma nova Constituição, para que fosse criada uma redemocratização do país. E dentro desta nova Constituição, a educação era pauta onde seriam determinados os direitos e deveres dos brasileiros. Naquela época, já havia a preocupação de muitos educadores a respeito do desenvolvimento de um Estado-Educador, que tornasse maior o acesso à escola, principalmente para o publico mais humilde (Brasil, 1996).

Com isso, foi criado em 1987 o Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública (FNDEP), que reuniu diversas entidades ligadas à educação com o objetivo de garantir um projeto de lei na constituição. Com esta atuação, a educação passou a ser direito de todos e dever do Estado. Foi através dos debates organizados pelo FNDEP que nasceu a primeira das duas propostas para a LDB. A primeira, conhecida como Projeto Jorge Hage, tinha a preocupação com os mecanismos de controle social no sistema de ensino, e a segunda proposta foi elaborada pelos senadores Darcy Ribeiro, Marco Maciel e Mauricio Correa em articulação com o poder executivo através do MEC, que previa uma estrutura de poder com maior concentração do governo (Valadares e Rocha, 2006).

Dividida em 92 artigos, a LDB representa um momento novo do ensino brasileiro, refletindo muito dos desafios e esperanças que impulsionam o dever dos educadores que vivem realidades tão diversas. A primeira parte da LDB aborda o currículo dos ensinos fundamental e médio, para que estes possam compreender uma base nacional comum, de acordo com as características regionais (Ramal, 1997).

O Currículo Mínimo do Estado do Rio de Janeiro visa estabelecer coerência entre uma rede de ensino ampla e diversa, buscando fornecer ao educando meios para evolução na vida acadêmica, garantindo formação comum indispensável ao exercício da cidadania (SEE - RJ, 2012).

É importante ressaltar também que na criação do Currículo Mínimo no ensino de Ciências para os anos finais do ensino fundamental e Biologia para as séries do ensino médio, é enfatizado os assuntos considerados indispensáveis para a compreensão das questões científicas, tecnológicas e humanas que permeiam a vida social e profissional. Além disso, há possibilidade para o professor escolher formas de abordagem que possam considerar a diversidade cultural dos alunos à realidade de cada escola (SEE - RJ, 2012).

Entretanto, apesar de toda reforma educacional que ocorreu durante esses anos, é possível observar que a educação ainda não apresenta um resultado positivo, como exemplo é possível citar a situação educacional do estado do Rio de Janeiro que teve em 2011 um baixo desempenho na sua pontuação na Prova Brasil, ficando em penúltimo lugar no ranking nacional.

Há muitos fatores que podem melhorar o sistema educacional brasileiro, uma das primeiras iniciativas a serem tomadas é aumentar os recursos destinados a essa área, pois os professores precisam ter melhores remunerações e as escolas necessitam de melhor infraestrutura. Além da remuneração do corpo docente, estes necessitam de cursos de capacitação para que estejam mais bem preparados para atender as necessidades da atual sociedade.

Com base nesses princípios, é possível afirmar que a ciência e suas aplicações são indispensáveis para o desenvolvimento humano. (Werthein e Cunha, 2009).

3. Alfabetização Científica e o Ensino de Ciências Naturais

A educação abrange desde o processo de formação inicial em família, até os mais diversos tipos de convivência, seja ela no trabalho, na escola ou em movimentos sociais e culturais. A educação básica tem como objetivo desenvolver o educando e garantir que este tenha uma formação necessária para exercer a cidadania, oferecendo estrutura para melhor qualificação no trabalho e em futuros estudos (Brasil, 1996).

Devido aos avanços tecnológicos, observa-se a necessidade de uma educação científica, em especial no ensino de Ciências Naturais, pois a tecnologia, cada dia mais avançada, se faz presente no cotidiano dos alunos (Chassot, 2003).

A sociedade sofre mudanças constantes, pois está sempre cercada de aparatos digitais que se renovam com tamanha rapidez que em pouco tempo de lançamento, acabam se tornando obsoletos (Chassot, 2001). Portanto, é importante que a educação progrida na mesma intensidade que os avanços tecnológicos.

Como fazer uma alfabetização científica? Parece que se fará uma alfabetização científica quando o ensino da ciência, em qualquer nível, contribuir para a compreensão de conhecimentos, procedimentos e valores que permitam aos estudantes tomar decisões e perceber tanto as muitas utilidades da ciência e suas aplicações na melhora da qualidade de vida, quanto as limitações e consequências negativas de seu desenvolvimento.”

(Chassot, 2003, p.99)

O ensino não deve ter necessariamente o intuito de formar cientistas, mas sim de formar cidadãos capazes de utilizar a Ciência para compreender o mundo em que vivem, desenvolvendo o senso crítico e incentivando a busca do valor subjacente às práticas que estão envolvidas (Anconi, 1996). A partir desta formação para a cidadania é possível trabalhar com o discente a fim de trazer os conceitos estudados para a sua realidade, inserindo-os no mundo tecnológico, trazendo informações através do contato com livros, internet e artigos científicos (Brasil, 1998).

Entretanto, para a concretização da alfabetização, é importante que ocorra uma aprendizagem significativa do conteúdo escolar, e para isso é necessário ir além deste conhecimento para contextos mais significativos para o aluno (Pelizzari 2002). Além disso, alfabetizar cientificamente significa, sobretudo, tomar consciência de que as teorias e modelos científicos só serão bem compreendidos se souber o porquê e para que foram inventados (Fourez, 1994). Assim, é importante que os alunos não tenham apenas uma leitura facilitada do mundo em que vivem, mas sim, entendam que eles possuem a capacidade de transformá-lo, tornando-o melhor e fazendo de forma correta o uso da tecnologia (Chassot, 2003).

Para facilitar o processo de ensino e aprendizagem, os professores, que possuem um papel essencial na educação, devem trazer metodologias inovadas para a sala de aula, facilitando o processo de ensino e aprendizagem. Além disso, ele deve direcionar o aluno na construção de seu próprio conhecimento, estimulando-o a pensar cientificamente (Penick, 1998).

E por isso, torna-se indispensável que os educadores tenham maior autonomia ao administrar suas aulas de Ciências, contribuindo para um ensino mais dinâmico, coerente, integrativo e estimulante. No entanto, para que as aulas sejam proveitosas e atinjam os objetivos propostos é necessário que o ensino seja embasado em concepções históricas, científicas, culturais e filosóficas e para isso, o educador deve aprimorar-se constantemente (Schwancke, 2010). Ampliando olhares, o docente contribui para o desenvolvimento de projetos, utilizando a nova tecnologia e estimulando nos estudantes o prazer em aprender (Jordão, 2009).

E neste contexto da formação dos professores, é importante que sejam desenvolvidos currículos e projetos pedagógicos onde o desenvolvimento tecnológico não seja apenas mais uma ferramenta, mas sim, recursos que possam ser utilizados no aprendizado de forma consistente (Brasil, 1998). Tal fato é imprescindível para melhoria em sua prática cotidiana, trazendo uma postura que estimule o aluno a refletir o significado de comunicar-se em nossa sociedade, embasado no fato de que ele deva aprender a manipular tecnicamente as linguagens e a tecnologia (Gonçalves, 2009).

Além do papel do professor, a escola também tem sua função na formação de cidadãos, não sendo simples transmissora de conhecimentos e memorização de conteúdos. É sabido que as tecnologias de comunicação disputam na transmissão de informações e desafiam a escola na preparação dessa nova geração a interpretar, analisar e julgar todo esse novo conhecimento que vem sendo lançado através de diversos meios a todo o momento (Oliveira, 2004).

Apesar da tecnologia que está presente na escola não seja através de aparelhos sofisticados, ela se faz presente através da cultura dos alunos que nela estão. Por isso, deve-se incorporar essa tecnologia na dimensão sociocultural (Baccega, 1996). E nesta perspectiva, de formar um cidadão que possa entender como a tecnologia tem influenciado a vida, é essencial que haja discussão de valores para que sejam tomadas decisões e assim, sejam identificados da melhor forma as reais necessidades da sociedade (Santos, 2002).

Sendo assim, considerando a importância de uma alfabetização científica que atenda a necessidade dos alunos da educação básica, foi realizada uma investigação científica parcial para analisar o conhecimento deles sobre o tema.

4. Objetivo

Este projeto tem como objetivo analisar a visão dos alunos do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Mathias Neto localizado no município de Macaé, no Estado do Rio de Janeiro, sobre a Ciência e a sua função na sociedade.

5. Metodologia

5.1. Formulário

Para coleta de dados foi utilizado um questionário contendo 17 perguntas de múltipla escolha, apêndice I.

Este questionário foi utilizado em uma entrevista com alunos educação básica.

6. Coleta de dados

Os dados foram coletados com 84 alunos que cursaram o 3° ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Mathias Neto, na cidade de Macaé, RJ, durante o período de 07 de Maio a 13 de Julho de 2012.

As entrevistas foram realizadas em sala de aula, sob autorização da direção da escola, e os alunos responderam ao formulário sem utilizar qualquer meio de consulta.

7. Resultados

O Colégio Estadual Matias Neto, localizado no bairro Centro, município de Macaé RJ, atende alunos do 3º ano do ensino médio, no turno da manhã. Para este trabalho foram entrevistados 84 alunos de 4 turmas do 3º ano, ou seja, 72% dos alunos do 3º ano.

A faixa etária observada dos alunos varia entre 16 a 20 anos, sendo que 96% possui entre 16 a 18 anos (figura 1).

Figura 1: Gráfico representativo da faixa etária dos alunos entrevistados.

Em relação à importância da Ciência para a sociedade, 92% dos alunos concordaram com a afirmação “A Ciência é importante para a sociedade” (figura 2).

Figura 2: Gráfico representativo das respostas dos alunos a questão “A Ciência é importante para a sociedade.” (questão 1).

Quando questionados, 76% dos alunos declararam concordar com a afirmação “O ser humano é o único responsável pela criação e o destino da ciência”, como pode ser observado na figura 3.

Figura 3: Gráfico representativo das respostas dos alunos a questão “O ser humano é o único responsável pela criação e o destino da ciência” (questão 2).

Além disso, 84% dos alunos concordaram com a importância do aprendizado em ciências pelos cidadãos, como pode ser observado na figura 4.

Figura 4: Gráfico representativo das respostas dos alunos a questão “É importante que todo cidadão aprenda um pouco sobre ciências”. (questão 3).

Do total de alunos pesquisados, 78% consideram que a escola é o local onde se deve aprender ciências, pois discordaram da afirmação “A escola não é um lugar onde deva se aprender sobre Ciência” (figura 5).

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Figura 5: Gráfico representativo das respostas dos alunos a questão “A escola não é um lugar onde deva se aprender sobre Ciência”. (questão 4).

Ao serem questionados se a ausência do conhecimento em Ciência impede que a pessoa compreenda de forma adequada a realidade, 58% dos alunos concordam com a afirmação (figura 6).

Figura 6: Gráfico representativo das respostas dos alunos a questão “Mesmo não sabendo nada sobre Ciência, uma pessoa pode compreender de forma adequada a realidade.” (questão 5).

Dentre os alunos pesquisados, 30% concordam que a Ciência se opõe à existência de Deus (figura 7).

Figura 7: Gráfico representativo das respostas dos alunos a questão “A Ciência se opõe à existência de Deus” (questão 6).

Quando questionados se os conhecimentos adquiridos através da Ciência ajudaram a compreender o cotidiano, 88% dos entrevistados concordaram com a afirmação (figura 8).

Figura 8: Gráfico representativo das respostas dos alunos a questão “Os conhecimentos adquiridos através da Ciência nos ajudam a compreender o cotidiano.” (questão 7).

Ao serem questionados se a Ciência tornou a vida humana mais confortável, apenas 16% dos alunos discordaram da afirmação (figura 9).

Figura 9: Gráfico representativo das respostas dos alunos a questão “A Ciência tornou a vida humana mais confortável” (questão 8).

Quando abordados sobre a relação entre a Ciência e a expectativa de vida atual, 82% dos alunos concordaram com a afirmação “A Ciência faz com que o homem viva mais (anos de vida) atualmente do que no passado” (figura 10).

Figura 10: Gráfico representativo das respostas dos alunos a questão “A Ciência faz com que o homem viva mais (anos de vida) atualmente do que no passado” (questão 9).

Em relação ao consumo de alimentos e a produção destes através do conhecimento científico, 40% dos alunos concordam com a afirmação. (figura 11).

Figura 11: Gráfico representativo das respostas dos alunos a questão “A maioria dos alimentos que consumimos foram produzidos com o conhecimento científico” (questão 10).

Sendo questionados sobre a dependência dos seres humanos da Ciência no futuro, 66% dos alunos concordaram com a afirmação: “No futuro seremos ainda mais dependentes da Ciência” (figura 12).

Figura 12: Gráfico representativo das respostas dos alunos a questão “No futuro seremos ainda mais dependentes da Ciência” (questão 11).

Quando relacionadas a cura de doenças com a Ciência, 78% dos alunos acreditam que a Ciência é a responsável pela cura da maioria das doenças (figura 13).

Figura 13: Gráfico representativo das respostas dos alunos a questão “A cura da maioria das doenças depende da Ciência” (questão 12).

Quando questionados se a Ciência destrói o meio ambiente, 40% dos alunos discordaram da afirmação (figura 14).

Figura 14: Gráfico representativo das respostas dos alunos a questão “A Ciência destrói o meio ambiente” (questão 13).

Entretanto, ao serem questionados se a Ciência pode aumentar a produção de alimento no mundo, apenas 48% concordaram com a afirmação (figura 15).

Figura 15: Gráfico representativo das respostas dos alunos a questão “A Ciência pode aumentar a produção de alimento no mundo” (questão 14).

Além disso, quando questionados se o conhecimento científico é mais importante que os outros tipos de conhecimentos, 82% dos alunos discordaram da afirmação (figura 16).

Figura 16: Gráfico representativo das respostas dos alunos a questão “O conhecimento científico é mais importante do que outros tipos de conhecimentos” (questão 15).

Do total de alunos pesquisados, 24% acreditam que a dependência do ser humano pela Ciência é um caminho sem volta (figura 17).

Figura 17: Gráfico representativo das respostas dos alunos a questão “A dependência do ser humano, em relação à Ciência, é um caminho sem volta” (questão 16).

E finalizando o questionário, 56% dos alunos avaliam seu conhecimento em Ciências como “pouco” (figura 18).

Figura 18: Gráfico representativo das respostas dos alunos a questão “Como você avalia o seu conhecimento sobre Ciência” (questão 17).

8. Discussão

O quantitativo de alunos que responderam o questionário foi relativamente pequeno em relação ao número total de alunos, pois estavam em período de provas e em data próxima ao recesso de Julho de 2012.

Foram escolhidos alunos do 3º ano para participarem da pesquisa, pois estes estão em fase de conclusão do Ensino Básico e assim poderiam ser avaliados por já terem visto todo conteúdo de Ciências Naturais.

A importância desta pesquisa se dá ao fato de compreender como está ocorrendo a formação que a escola pública está oferecendo aos alunos do Ensino Médio. Este conhecimento permite que haja uma reflexão sobre a trajetória da educação pública e se esta vem alcançando o objetivo em formar cidadão críticos e conscientes de seu papel na sociedade.

As competências em Biologia, de acordo com os PCNs, trazem o desafio de que o conhecimento seja organizado através de situações de aprendizagem que tenham sentido para o aluno, permitindo que estas possam agir na sua vida em diferentes contextos. Para isso, a Ciência deve ser um meio de ampliar a compreensão da realidade (Brasil, 1998).

Partindo deste pressuposto, para análise dos dados foi criado um questionário abordando o tema Ciências e sua implicação na sociedade onde os alunos pudessem expressar seus conceitos e opiniões e assim fosse possível avaliar se estão sendo educados de forma correta, de acordo com o conceito de alfabetização científica.

Apesar de a quase totalidade dos alunos questionados reconhecerem a importância da Ciência, ou do conhecimento sobre ela pela sociedade, em algumas abordagens foi possível perceber que a maioria possui conhecimentos equivocados sobre algum tema quando relacionados com a Ciência. Como, por exemplo, na produção de alimentos, onde a maioria não estabelece relações entre esta e o conhecimento científico. Assim, é possível observar que mesmo com todas as atuais descobertas científicas e tecnológicas, que fazem parte do cotidiano das pessoas, a maior parte da população ainda se sente despreparada para discutir ou argumentar alguns temas (Pedrancini, 2008).

No entanto, quando se refere expectativa de vida do homem ou a cura de doenças, os alunos confirmam a dependência destes com a Ciência. Isto demonstra a necessidade de uma educação que envolva uma apropriação de conhecimentos que possibilite aos sujeitos o entendimento da realidade atual e como conseqüência o agir e pensar cientificamente (Pedrancini, 2008).

Deste modo, é importante verificar como o conhecimento está sendo repassado aos alunos, tendo em vista que eles chegam a escola trazendo conhecimentos prévios, baseados em sua experiência de vida e construindo assim, sua própria visão do mundo. É necessário também que o professor repense a sua metodologia de aula, para que esta seja elaborada utilizando assuntos contextualizados com a realidade do aluno (Chassot, 2011).

Além disso, grande parte dos alunos não reconhecem a Ciência como provedora de conforto e avanço tecnológico para a sociedade. Isso ocorre, pois estes não conseguem perceber que as inovações tecnológicas fazem com que a vida humana seja mais confortável, fácil e agradável. É importante que eles percebam que através disso, a tecnologia não proporciona apenas avanço para a sociedade, mas também determina condição para seu desenvolvimento e progresso (Carvalho, 1997).

Entretanto, a maioria dos alunos entrevistados confirmam a importância do conhecimento em ciências na compreensão do cotidiano e que este conhecimento tenha que ser adquirido na escola. Este fato pode ser notado como ponto positivo, pois com as contínuas mudanças que vem ocorrendo na sociedade, caracterizadas pela valorização de sistemas de informação, é função da escola capacitar estes alunos na construção do conhecimento, desenvolvendo novas competências através da criatividade, autonomia e comunicação. E assim, prepará-los para resolver problemas e lidar com essas mudanças (Mercado, 1999).

Por outro lado, pouco mais da metade dos alunos aceitam que é possível compreender a realidade de forma adequada sem nenhum tipo de conhecimento em ciências, demonstrando o quanto eles possuem dúvidas em relação ao aprendizado e sua aplicabilidade em seu cotidiano. Isso pode ser relacionado com o fato de que o conhecimento adquirido na educação básica está sendo insuficiente, não permitindo que os alunos se desenvolvam e utilizem os conceitos estudados como instrumento para situações que possam ser aplicadas fora do contexto escolar (Corazza-Nunes, 2006).

Outro fato que comprova essa deficiência de aprendizado é corroborado quando a maioria dos alunos questionados acreditam que o conhecimento científico tem menos importância do que os outros tipos de conhecimentos. Nesse caso, é possível perceber que o ensino de ciências não está conectado com a realidade em que vivemos. Talvez porque a atividade escolar não esteja sendo trabalhada de forma contextualizada para que ocorra o entendimento básico da Ciência e a compreensão dos seus impactos na vida do ser humano (Lima, 1999).

Porém, grande parte dos alunos concordam que a sociedade tende a cada vez mais ser dependente da Ciência, mas também discordam que essa dependência seja irreversível. Isso confirma que grande parte dos alunos não estão compreendendo corretamente a utilização da Ciência pela sociedade. Eles não estão interpretando uso de atividades simples do seu cotidiano ao fato de estar ligadas a ciência e tecnologia, como o uso da eletricidade, computadores e outros aparelhos eletrônicos (Bazzo, 1998).

Além disso, a maior parte dos alunos aceitam o fato de que o ser humano é o único responsável pela criação e destino da Ciência, afirmando que através das ações humanas foi possível que, no decorrer dos anos, ocorresse o desenvolvimento científico e tecnológico. Desde a antiguidade, existiram pessoas que se dedicavam aos estudos da ciência, desenvolvendo capacidades de análise e reflexão. Com isso, a ciência vem se aprimorando e seu uso está sendo cada vez mais frequente.

Hoje, com a ciência moderna — que gerou uma tecnologia assombrosa e que constantemente se vê frente à responsabilidade de descrever relações entre fenômenos quantificáveis, comprovar a regularidade de suas aparições e, ainda como decorrência de uma nova ordem sociológica, decifrar as repercussões destes fenômenos na dinâmica do meio ambiente e as conseqüências destas criações no desenvolvimento do ser humano — parece que o método, as abordagens e as interpretações precisam mudar. Tanto na forma de fazer a ciência e a tecnologia, quanto na forma de trabalhá-las no processo educacional.”

(Bazzo, 1998. P. 27)

Uma pequena parcela dos alunos acreditam que a destruição do meio ambiente está ligado ao uso da Ciência, que é uma questão que pode causar divergências de opiniões. Ao mesmo tempo em que a produção científica traz ao meio ambiente uma grande degradação ambiental, com o grande acúmulo de resíduos que são descartados de forma incorreta, ou pela poluição gerada pelas indústrias ou meios de transporte, a ciência deve trazer meios alternativos para que o descarte dessa produção em massa seja realizado de forma correta, seja por meio de educação ambiental a sociedade ou por reciclagem e reutilização destes aparelhos eletrônicos. Neste caso, é importante que haja uma pesquisa mais aprofundada sobre como os alunos veem como está ocorrendo essa destruição ambiental e se eles enxergam que é também através da ciência que será possível amenizar esta situação.

Quando relacionados ciência e religião, os alunos ficaram divididos ao serem questionados se a ciência se opõe à existência de Deus. O que de fato, não é surpreendente já que há tempos existe um grande debate entre as teorias criacionistas e evolucionistas, levando a crer que essa realidade também é discutida em sala de aula. Essas discussões ocorrem, pois há diferentes interpretações apresentadas pela ciência e por sociedades religiosas (Sepulveda, 2003).

E por fim, pouco mais da metade dos alunos assumem saber um pouco de Ciências, mostrando que eles mesmos acreditam que estão concluindo a educação básica com certas deficiências no conhecimento científico.

De acordo com os PCNs, a Lei de Diretrizes e Bases reformulou o ensino médio para que esse atendesse a necessidade de atualização da educação brasileira, impulsionando uma democratização social e cultural mais efetiva, com o objetivo de responder aos desafios impostos pela globalização. Além disso, a expansão exponencial do ensino médio, é outro motivo pelo qual necessita da transformação na qualidade da educação, para se adequar a promoção humana (Brasil, 1998). Porém o atual modelo da educação brasileira está bem longe do ideal, pois como é possível perceber, os alunos concluem o ensino médio com conceitos equivocados, deixando claro que está ocorrendo uma formação cidadã desprovida de alfabetização científica.

9. Conclusão

De acordo com os resultados obtidos nesta pesquisa, é possível concluir que, os alunos em fase de encerramento do ensino médio, apesar de terem ideia de alguns conceitos a respeito da educação cientifica e suas implicações na sociedade, possuem concepções equivocadas quando abordados em diferentes posicionamentos frente a situações de seu cotidiano.

Desta forma, é possível perceber que o aprendizado adquirido pelo corpo discente em sua formação básica não está sendo suficiente para compreender a realidade de modo que tenham uma visão crítica e reflexiva a respeito do mundo que os cerca. A maioria dos alunos não conseguem aplicar o conhecimento que possuem para solucionar problemas que envolvem tomada de decisões, transparecendo insegurança.

No entanto, é necessário que se faça uma pesquisa mais aprofundada para que seja possível mensurar o nível de alfabetização científica que estes alunos estão recebendo e quais são as falhas cometidas neste processo.

Todavia, é importante que haja uma reforma educacional na busca de novas metodologias em sala de aula. É fundamental que o professor se adapte a essa nova realidade na educação, onde os alunos se encontram envoltos por novas tecnologias, e criem métodos que sejam atrativos para eles. Cursos de formação de professores e investimentos na estrutura da escola deveriam ser contínuos para que esta realidade seja inserida na escola e assim os alunos possam ser, de forma adequada, alfabetizados cientificamente.

10. Referências bibliográficas

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11. Apêndices

Prezado(a) aluno(a), esta pesquisa é parte das exigências para a obtenção do título de Licenciado em Biologia/UENF e tem como objetivo conhecer como você entende a Ciência e sua função na sociedade. Contamos com a sua colaboração!

Escolaridade: ______ Idade: ______ Sexo: M (__) F (__) Bairro:__________________

Para as questões abaixo marque a opção que melhor representa sua opinião.

1. A Ciência é importante para a sociedade.

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Concorda totalmente

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Sem opinião

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Discorda totalmente

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Concorda

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Discorda

 

 

2. O ser humano é o responsável pela criação e o destino da Ciência.

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Concorda totalmente

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Sem opinião

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Concorda

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3. É importante que todo cidadão aprenda um pouco sobre Ciência.

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Concorda totalmente

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Sem opinião

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Discorda totalmente

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Concorda

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4. A escola não é um lugar onde deva se aprender sobre Ciência.

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Concorda totalmente

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Sem opinião

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Concorda

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5. Mesmo não sabendo nada sobre Ciência, uma pessoa pode compreender de forma adequada a realidade.

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Concorda totalmente

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Concorda

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6. A Ciência se opõe à existência de Deus.

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Concorda totalmente

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Concorda

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7. Os conhecimentos adquiridos através da Ciência nos ajudam a compreender o cotidiano.

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Concorda

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8. A Ciência tornou a vida humana mais confortável.

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Concorda totalmente

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Concorda

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9. A Ciência faz com que o homem viva mais (anos de vida) atualmente do que no passado.

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Concorda totalmente

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Sem opinião

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Concorda

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Discorda

 

 

10. A maioria dos alimentos que consumimos foram produzidos com o conhecimento científico.

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Concorda totalmente

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Sem opinião

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Discorda totalmente

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Concorda

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11. No futuro seremos ainda mais dependentes da Ciência.

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Concorda totalmente

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Sem opinião

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Concorda

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12. A cura da maioria das doenças depende da Ciência.

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Sem opinião

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Concorda

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13. A Ciência destrói o meio ambiente.

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Concorda

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14. A Ciência pode aumentar a produção de alimento no mundo.

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Concorda

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15. O conhecimento científico é mais importante do que outros tipos de conhecimentos.

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Sem opinião

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Concorda

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16. A dependência do ser humano, em relação à Ciência, é um caminho sem volta.

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Concorda totalmente

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Sem opinião

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Concorda

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17. Como você avalia o seu conhecimento sobre Ciência?

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Sei muito

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Sei um pouco

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Não sei responder

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Sei

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Não sei nada

 

 

Obrigada pela colaboração!!! 


Publicado por: Stella Marys Meneses de Carvalho

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