ESTATÍSTICA APLICADA COMO FERRAMENTA DE CONTROLE NO PROCESSO DE GESTÃO DA SALA DE AULA NAS SÉRIES FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Educação

Análise acerca da utilização prática da Estatística Aplicada a educação nas séries finais do ensino fundamental.

índice

1. RESUMO

Este estudo é voltado para a utilização prática da Estatística Aplicada a educação nas séries finais do ensino fundamental, a pesquisa direciona o docente a reflexões pedagógicas a respeito de fatores presentes no ambiente interno e externos a sala de aula via análise quantitativa e qualitativa destes fatores e suas influências no desempenho escolar. A identificação destas variáveis deu-se por procedimentos estatístico de coletar de dados, organizar, descrever, analisar e interpretar os dados para fundamentar a tomada de decisão sobre ações educativas e combater os fatores que dificultam a aprendizagem. O objetivo do estudo foi demonstrar a utilidade da Estatística Aplicada como ferreamente de apoio ao professor no gerenciamento da sala de aula, apresentar parâmetros e critérios matemáticos básicos que auxiliam no processo de tomada de decisão para direcionamento das ações educativas. A metodologia de pesquisa bibliográfica foi empregada para direcionar o curso deste trabalho de aplicação da estatística no dia a dia do professor “gestor da sala de aula”. A abordagem possibilitou o docente entender a realidade escolar, fatores antes desprezados passaram a ser percebidos e tratados, auxiliando os professores no combate de problemas relacionados ao processo de ensino aprendizagem através do redirecionamento de ações para mitigação das barreiras “problemáticas” percebidas em sala de aula.

Palavras-Chave: Estatística Aplicada. Influência do Cenário. Intervenção Pedagógica.

2. INTRODUÇÃO

A Estatística Aplicada empregada como ferramenta de controle no processo de gestão da sala de aula nas séries finais do ensino fundamental, é uma forma simples e efetiva para o professor levantar dados diversos relacionados ao desempenho e comportamento perceptivos durante a atividade de docência, observações inerentes atividade docente e levantamento de dados para entender os desvios de aprendizagem podem ser feitas com auxilio Matemática “Estatística Aplicada”, assim o professor deve dar ênfase na utilização da Estatística Aplicada no monitoramento evolutivo dos discentes, considerando fatores sociais, econômicos e ambientais que afetam o desenvolvimento dos alunos das series finais do ensino fundamental.

A escolha da corrente temática deu-se devido as necessidades percebidas nos estágios supervisionados realizados em escolas da rede pública de ensino “especificamente nas séries finais do Ensino Fundamental”, nestas escolas alguns dos professores observados não possuíam um controle estatístico de desempenho capaz de lhe fornecer os dados necessários para a tomada decisões educativas, ou orientativas em tempo hábil, decisões estas que necessitam ser amparada por dados objetivos e claros para garantir uma melhor fundamentação de intervenções em sala de aula.

Por isso, este estudo teve como objetivo fundamental a demonstração e a utilização da Estatística Aplicada como ferreamente de apoio ao professor no gerenciamento de sua rotina de educador contemporâneo, buscou potencializar as habilidades cognitivas dos professores na identificação de barreiras enfrentadas pelo alunos por meio da combinação de elementos qualitativos e quantitativos no processo de identificação e tratativa de informações inerente ao cenário escolar “conhecer a rotina que envolve os alunos e a escola”.

Visou estabelecer e apresentar parâmetros básicos para auxiliar o professor no processo de tomada de decisão inerentes ao direcionamento das ações educativas, além de determinar critérios matemáticos para intervenção educativa no âmbito escolar no intuito de aumentar a assertividade das ações corretivas praticadas em sala de aula.

3. O CENÁRIO ESCOLAR E SUAS VARIÁVEIS MATEMATIZÁVEIS

3.1. ENTENDENDO O ALUNO E O CENÁRIO DA INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA

Um grande desafio para os docentes contemporâneos é a identificação dos gargalos, ou barreiras que afetam o processo de ensino aprendizagem, fatores estes que podem ser afetados pelo ambiente interno e externo a escola, podem estar relacionados a didática em questão, a desvios cognitivos, erros de seleção de conteúdo, déficit de aprendizagem nas series iniciais do ensino fundamental, assim como pela rotina diária de cada aluno e do meio.

Pensando nisso, o educador não deve aplicar todos os seus esforços na etapa de execução do cronograma escolar e se abster da responsabilidade de trabalhar os desvios de aprendizagem vivenciados com a pratica docente. Conforme Forquin (1993, p.16):

[...] a educação escolar não se limita a fazer uma seleção entre os saberes e os materiais culturais disponíveis num dado momento, ela deve também, para torná-los efetivamente transmissíveis, assimiláveis às jovens gerações, entregar-se a um imenso trabalho de reorganização, de reestruturação ou de “transposição didática”.

Desta forma, temos que os esforços devem ser direcionados ao entendimento do cenário onde o ensino ocorre, como a da realidade das pessoas “comunidade ou sociedade”, considerando as diferenças socioeconômicas e culturais existente no ambiente. Portanto, o docente necessita entender o comportamento de seus discentes dentro de sua realidade individual e coletiva para uma melhor tomada de decisão, conforme Crespo (1995, p. 13) a Estatística é uma parte da Matemática Aplicada que fornece métodos para a coleta, organização, descrição, análise e interpretação de dados e para a utilização dos mesmos na tomada de decisões.

Os professores deveram buscar entender o comportamento da turma por meio de variáveis perceptivas no cenário, compreender tais fatores, suas origens, e até sua manifestação inicial “um parâmetro e o conhecer a turma” o professor necessita de informações inerentes a turma, necessita conhecer o ambiente e suas influencias sobre os alunos, e através da decodificação matemática destas informações possa implementar ações de intervenção educacionais direcionadas a realidade dos alunos. Um caminho possível é a aplicação do método estatístico de coleta e análise das informações geradas no ambiente escolar, todavia o professor em posse de diversos dados se depara com uma complexa situação problema: Como estabelecer parâmetros norteadores de ações educativas corretivas no processo de ensino aprendizagem nas séries finais do ensino fundamental por meio da Estatística Aplicada?

Temos que a intervenção pedagógica “educativa” deverá ser embasada em dados estatísticos e parâmetros significativos, capazes de demonstrarem a realidade em questão. Logo o processo de coleta de dados inerente a turma deverá ocorrer de forma natural, Coll (1994, p. 137) nos mostra que: “... a finalidade última da intervenção pedagógica é contribuir para que o aluno desenvolva a capacidade de realizar aprendizagens significativas por si mesmo numa ampla gama de situações e circunstâncias, ...”. A intervenção pedagógica em questão pode ser norteada através de quantificações e qualificações de desvios percebidos pelo professor, ambas relacionadas a prática de docência, ao comportamento e o desempenho dos alunos, como também a influências do meio físico neste contexto.

3.2. IDENTIFICAÇÃO DE ALGUNS FATORES QUE AFETAM A APRENDIZAGEM

Os fatores que afetam a capacidade de apreender nas séries finais do ensino fundamental devem ser identificados pelo docente, sejam estes de caráter intelectual ou ambiental “estrutura física e meio social”. De acordo com Afonso e Sousa (2018, p. 11, apud BELTRAME; MOURA, 2009, p. 14):

É importante pensar no conforto do ambiente em relação ao espaço físico de cada escola. Elementos como acústica, temperatura, distribuição da mobília em sala de aula, pátio escolar, biblioteca, quadra e outros são relevantes para formação do aluno. Os fatores externos podem contribuir ou retardar o processo de ensino-aprendizagem dependendo da natureza de cada elemento.

Diante da dinamicidade do cenário escolar, onde diversos fatores internos e externos se correlacionam muitas vezes de forma negativa ao processo de difusão de conhecimento, o docente necessita confrontar constantemente as barreiras de aprendizagem percebidas.

A busca por parâmetros e conhecimento de causa leva o professor refletir, observar e questionar as relações de influenciam o processo de ensino aprendizagem, com isso ainda na etapa de coleta de informações para composição do banco de dados o docente poderá coletar informações das mais variadas a respeito dos alunos e do ambiente escolar como: informações de desempenho escolar “baseada na solução de exercícios”, informações de pontualidade, concentração dos alunos nas aulas ministradas, participação, relacionamento com a comunidade, com outros alunos da escolar e outras variáveis que exercem influencias no processo ensino aprendizagem, conforme ressalta Damasio e Silva (2008, p. 10):

“... as condições materiais (instalações, material didático, espaço físico) interferem de modo significativo nos trabalhos pedagógicos. Os esforços dos professores, por mais criativo que sejam e diante dos mais belos ideais educativos, podem fracassar, caso não encontrem espaços e condições materiais para concretização de seus planos de trabalho.”.

Conhecer a influência do cenário “ ambiente” sobre o ser humano torna-se, portanto, um dos fatores fundamentais no processo de estabelecimento da estratégia de ensino, pois anotações e observações relacionadas as condições ambientais são relevantes para entender o presente, e necessárias para fundamentar ou direcionar as ações futuras, além de implementar a composição dos dados amostrais, ou seja, os objetos de estudo da Análise Estatística, que de maneira genérica têm suas etapas representada na adaptação da Pirâmide das Definições.

O método de análise estatística na gestão da sala de aula envolve as etapas de: coleta, organização, descrição, analise e interpretação dos dados, que devem ocorrer ao longo do dia a dia da atividade docente e discente “do professor, que estará sempre aprendendo com o método de utilização da Estática Aplicada no cotidiano escolar”.

Ao adaptamos a Pirâmide das Definições posicionamos as etapas de aplicação da metodologia estatística a esquerda e a direita descrevemos as abstrações sugestivas a serem executadas em cada etapa da pirâmide de forma correlacionada, tornando-a a metodologia mais tangível ao público menos provido de conhecimentos avançados dos métodos estatísticos e suas etapas. Essa adaptação didática pode ser visualizada de forma didática na ilustração da figura 01.

Figura 01. Adaptação da Pirâmide da Definição

Fonte: adaptado de MEDEIROS (2007, p. 18)

O professor passa a entender não somente sobre controle e gestão, mas sobre comportamentos psicológicos diversos, como a influência do ambiente e outros problemas afetam o desempenho na aprendizagem. Isso leva ao mundo da abstração matemática dos dados estudados e durante e após a aplicação a manipulação estatística necessária pelo docente, ou melhor, pelo analista de dados “professor, pedagogo, diretor etc.”.

3.3. APLICAÇÃO DA ESTATÍSTICA EM SALA DE AULA

Em algumas escolas da rede pública de ensino fundamental muitos profissionais desprezam a necessidade de controle e analise de variáveis que exercem influência direta no processo de ensino aprendizagem. Isso ocorre pelo simples fato dos mesmo considerarem que seus níveis de conhecimento e transmissão didática é suficiente para atender a demanda da classe, esses profissionais deixam de lado a abstração que envolvem as variáveis matemáticas, e quando estes profissionais geram bancos de dados não os julgam relevantes para serem analisa-los de forma inferencial, pois não passam de números e anotações somente aos olhos destes profissionais da redução fundamental.

Para uma análise estatística coerente voltada a educação escolar a composição do banco de dados dever conter não somente informações a respeito dos alunos e do ambiente escolar, mas também dos docentes das diversas disciplinas, como da metodologia didática aplicada em seus processos de ensino, e das condições ambientais onde ocorre a atividade docente, pois conforme Beltrame e Moura (2009, p. 2):

O ambiente e os elementos que o compõem formam um conjunto inseparável que interfere diretamente nas pessoas que nele estão inseridas. No que se refere ao projeto de escola, este é elaborado prevendo espaços para trabalhos com determinados métodos que não duram para sempre, por isso é necessária a reciclagem, o que nem sempre acontece com a velocidade do espaço construído.

A maior complexidade de controle está na etapa de análise dos dados que o ambiente, o comportamento e o desempenho dos alunos oferecem aos professores em sua rotina de ensinar, esse fator ocorre devido à interação de diversos fatores socioambientais, econômicos e culturais como: mobilidade urbana, infraestrutura de instituição, condições climáticas regionais entre outros, ou simplesmente um ajuste de temperatura de ar-condicionado, ou a incidência de luz do ambiente, e os métodos didáticos utilizados pelos professores por exemplo.

Inferências e conclusão preliminares dos acontecimentos, ou melhor da aplicação dos métodos estatísticos dar-se-á ao término da análise dos possíveis resultados obtidos no processo metodológico “pesquisa do tipo qualitativa ou quantitativa” que compõem o banco de dados e sua organização em rol amostral para refletir a situação problema em estudo pelo docente.

Exemplificando uma coleta de dados quantitativa direta realizada em uma sala de aula com 32 alunos do 8° ano, temos na tabela 01 uma coleta para uma análise que pode ser realizada sem o dispêndio de recursos, ou custos adicionais ao caixa da instituição de ensino. Por meio deste tipo de coleta os professores podem extrair informações úteis para identificar possíveis necessidades de intervenção educativa ainda em seu estágio inicial dos desvios, ou barreiras de aprendizagem.

Tabela 01 Monitoramento de Pontualidade e Desempenho.

Fonte: O autor, 2019.

É necessário realizar as possíveis adaptações para realidade na qual a pesquisa possa ocorrer, é necessário maior grau de abstração, por isso, devemos considerar fatores visíveis e invisíveis a nossa percepção imediatista de ordem física e psicológica, não devemos, portanto, realizar o prejulgamento das informações numéricas percebidas precocemente, tendo que fatores sociais e ambientais estão presentes no ambiente, pois Silva e Junior compartilha a mesma visão de Oliveira e Silva sobre esta abordagem sobre tais fatores, para que possamos melhor entendermos essas variáveis do ambiente escolar, portanto:

Entendemos o espaço da escola não apenas como um lugar que abriga alunos, livros, e professores, mas um ambiente em que se realizam atividades de aprendizagens. Ele próprio é educativo e contêm “conteúdos”. A escola, portanto, é mais do que uma estrutura física/material, é produção de aprendizagem que envolve relações sociais de formação de pessoas. Há uma docência do espaço. (OLIVEIRA; SILVA, 2009, p.4, apud SILVA; JUNIOR, 2015, p.5).

Diante da imensa gama de variáveis presentes no meio escolar uma alternativa que torna as escolhas mais objetivas e logicas é a utilização da Estatística Aplicada para estabelecer parâmetros e critérios de intervenção educacional. Logo um simples questionário direcionado a conhecer a realidade dos alunos e seus costumes pode auxiliar na identificação de fatores de ordem internas e externas ao ambiente escolar, proporcionando ao profissional da educação o conhecimento destes fatores por meio da análise dos dados expressos nas planificações das informações, tabelamento, gráficos, pictogramas lógicos e etc.

3.4. INFERÊNCIAS BÁSICAS SOBRE OS DADOS ESTÁTISTICOS

A Matemática por meio da Estatística Aplicada torna-se uma ferramenta de controle e gestão a favor do professor no desenvolvimento do processo pedagógico, já que fornece dados concretos que fundamentam a intervenção pedagógica de forma direcionada e o auxilia a combater os principais desvios de aprendizagem inerentes a gestão escolar e pode ser implementada em todos os níveis de ensino, indo além das séries finais do ensino fundamental (infantil, básico, médio e superior).

Portanto a Estatística Aplicada pode ser empregada para composição de bancos de dados, tratativa dos dados, interpretação destes considerando a realidade contextual na qual os referidos dados foram gerados, ou seja, coletados e por meio desta o docente adquire os subsídios necessários para realização de inferências logicas e factíveis sobre o cenários e elementos que o compõem “pessoas, meio ambiente, estruturas físicas, comunidade escolar”.

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A partir da amostra do banco de dados determinamos as variáveis DESEMPENHO e PONTUALIDADE para serem trabalhadas na sala de aula, na análise dispormos essas variáveis extraídas da Tabela 01 em forma de rol expressos na Tabela 02 abaixo.

Tabela 02 Variáveis da Amostra em forma de ROL em Ordem Crescente.

Fonte: O autor, 2019.

Em seguida as convertemos em gráfico tipo histogramas para facilitar a análise numérica da amostra e por meio destas ações de coleta, organização e descrição dos dados realizamos as seguintes inferências a respeito do conjunto amostral: O aluno A1 é pontual e possuí nota muito boa; O aluno A2 é pontual e possuí nota excelente; O aluno A3 não é pontual e possuí nota boa; O aluno A4 é pontual e possuí nota abaixo da média, conforme demonstram os histogramas abaixo “Gráficos 01 e 02”.

Gráficos 01 e 02 - Histograma de Desempenho e Pontualidade nos dias de teste.

Fonte: O autor, 2019.

Contudo, os fatores que estão relacionados ao baixo desempenho do aluno A4 ainda não podem ser visualizados com clareza, todavia é perceptível que o aluno passa por dificuldades não conhecidas pelo docente. Já o desvio de pontualidade do Aluno A3 pode ser desprezado em vista seu desempenho alcançado nos exercícios realizados durante os testes “deveres em classe e tarefas para casa”, logicamente que as manipulações das informações devem ocorrer objetivando a problemática a ser estudas pelos docentes.

3.5. CONHECENDO AS CAUSAS QUE AFETAM A APRENDIZAGEM

Em prol de um maior aprofundamento e garantir de maior assertividade na decisão a ser tomada o professor deverá conhecer fatores externos aos números que a pesquisa quantitativa o proporcionou, pois, o sucesso de sua ação de intervenção educativa junto a turma dependerá também de abstração e entendimento do cenário global no qual ocorre a pesquisa “levantamento dos dados”. Portanto a incrementarão com a pesquisa qualitativa é necessária, sobre a funcionalidade deste tipo de pesquisa Teixeira (2005, p. 137) enfatiza que:

Na pesquisa qualitativa o pesquisador procura reduzir a distância entre a teoria e os dados, entre o contexto e a ação, usando a lógica da análise fenomenológica, isto é, da compreensão dos fenômenos pela sua descrição e interpretação. As experiências pessoas do pesquisador são elementos importantes na análise e compreensão dos fenômenos estudados.

A análise de uma pesquisa estatística de ordem qualitativa envolve os mesmo critérios e cuidados da qualitativa, já que ambas estão propícias ao cometimento de erros, seja este um dado anotado erradamente, ou uma pergunta mal interpretada pelo interlocutor ou pesquisado que origina a uma resposta errada, que poderá comprometer a integridade do banco de dados; dependo é claro do número de amostras que compõem cada banco de dados, ou até mesmo o rol amostral.

Na busca e entendimento dos fatores que afetam a aprendizagem, leva o professor ao processo de formulação e aplicação de questionários diversos no intuito de conhecer o aluno, sua cultura, modo de vida, convicções, seu ser social. Visando torna as escolhas mais objetivas e logicas é a utilização da Estatística Aplicada para estabelecer parâmetros e critérios de intervenção educacional, na visão de Medeiros (2007, p. 19) inspirado em CRESPO (1995, p. 13) nos traz que:

É por meio da análise e interpretação dos dados estatísticos que é possível o conhecimento de uma realidade, de seus problemas, bem como, a formulação de soluções apropriadas por meio de um planejamento objetivo da ação, para além dos “achismos” e “casuismos” comuns.

O professor ao coletar informações na abordagem qualitativa poderá aplicar formulários e questionários com opções de respostas rápidas e intuitivas direcionadas a realidade dos alunos e com os recursos disponíveis na instituição de ensino, conforme o exemplo do Formulário 01, onde para entendimento do contexto no qual a coleta qualitativa foi realizada utilizando questões objetivas e discursivas.

Formulário 01- Coleta de informações qualitativas “Aluno A4”.

Fonte: O autor, 2019.

A utilização do formulário na identificação dos problemas de aprendizagem enfrentado pelo aluno amplia de modo significativo a visão do professor sobre o processo de ensino aprendizagem no ensino fundamental. Ao tratar as informações obtidas no formulário qualitativo novas inferências tornaram relevantes para entender o caso concreto, pois constatamos nos cincos primeiros questionamentos do primeiro bloco que o aluno A4 estava disposto, apesar de ter dormido menos de oito horas na noite anterior, o aluno possuía um trabalho e morava com os pais “pai ou mãe”.

No segundo bloco de questões dissertativas foram possíveis a obtenção das seguintes informações: o aluno possui uma religião, seu meio de transporte é a bicicleta, sua cor favorita é verde, sua residência é localizada no bairro JK e ele já passou por duas reprovações associada ao baixo desempenho escolar.

De posse destas informações novas inferências foram possíveis de serem feitas: O aluno trabalhava; não possuía o tempo de repouso recomentado pelos especialistas do sono; morava em um bairro afastado da cidade; não tinha o recurso financeiro para pagar a van escolar "pois seu transporte era uma bicicleta “sucateada” e o mais importante não se adaptava ao clima frio da sala de aula proporcionado pelas centrais de ar-condicionado que normalmente operavam a 18°C.

3.6. INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA COM BASE NA ANALISE ESTATÍSTICA

Ao término da análise qualitativa o professor pode forma novas convicções a respeito dos fatores que estavam influenciando negativamente o desempenho indivíduo A4 da amostra, e dentre estes o fatores ambiental e sociais, pois as sala de aula da escola por ser climatizada os alunos com melhor condição financeira utilizavam jaquetas para frio, estes ajustavam o ar condicionado para baixa temperatura < 20°C. A solução encontrada para este fator foi a conscientização dos demais alunos sobre o gasto energético para esfriar ao extremo a sala e em consenso com eles ajustar a temperatura para 26°C e não fazer mais uso das jaquetas em sala de aula “somente uniformes da escola na sala”.

Outra intervenção feita pelo professor foi acionar a secretária da escola para reportar a situação precária de transporte do aluno, a secretária ao tomar ciência da situação acionou a secretária de educação do município que por vez providenciou um vale de transporte fixo de ida e volta para o aluno junto a uma cooperativa de transporte de passageiros que fazia a rota do referido bairro (JK) até a escola. Com isso uma semana após as intervenções feitas a nota do aluno A4 na resolução de exercícios do dia a dia da sala de aula apresentou significativa melhora de desempenho situando o mesmo entre os alunos A3 e A1 em média de assertivas nos exercícios propostos pelo professor conforme mostra a Tabela 03.

Tabela 03 Monitoramento de Pontualidade e Desempenho.

Fonte: O autor, 2019.

Exercícios foram realizadas e a partir destas simulações registros qualitativos e quantitativos foram tomados como parte do objeto de estudo, durante seu desenvolvimento houve a necessidade de buscar conhecimentos em outras bibliografias das ciências humanas “Geografia, Psicologia e Sociologia”. Para ordenar os questionamentos da pesquisa mista aplicada na coleta de dados “ estilo senso”, proporcionando aos professores maior capacidade de gerenciamento da sala de aula, melhor direcionamento das ações educativas de intervenção. Em seguida a informações colhidas da turma foram apresentadas no ROL da Tabela 04.

Tabela 04 Variáveis da Amostra em forma de ROL em Ordem Crescente.

Fonte: O autor ,2019.

Mantendo a premissa inicial, os dados determinados como parâmetros de monitoramento e objeto de intervenção foram decodificados em forma de histogramas para melhor visualização por parte do docente da evolução dos alunos no processo de resolução de exercícios, em especial o indivíduo A4, conforme nos mostra os gráficos 03 e 04 em formato de histogramas.

Gráficos 03 e 04 - Histograma de Desempenho e Pontualidade nos dias de teste.

Fonte: O autor, 2019.

A estatística empregada a variáveis perceptivas possibilitou identificar fatores do meio físico normalmente desprezados pelo docente na abordagem tradicional de ensino, volta ao cumprimento de cronogramas “despejar conteúdo”, por não visar o administrar os fatores de ordem socioambiental presente no ambiente escolar, fatores estes com grande potencial de prejudicar o trabalho de ensinar e as habilidades de aprender, alguns destes relacionados ao cenário físico, outros voltados ao comportamento cultural, ou mesmo improprio para o ambiente, são estes tidos como barreiras visíveis e invisíveis aos olhos do docente.

3.7. METODOLOGIA

O presente estudo ocorreu com embasamento na pesquisa bibliográfica e na prática docente vivenciada no estágio supervisionado realizado na séries finais do Ensino Fundamental em uma escola da rede pública de ensino e teve como ênfase a utilização da Estatística Aplicada no monitoramento de fatores e variáveis que afetam o desempenho dos alunos, a metodologia de pesquisa bibliográfica foi utilizada para fundamentar e nortear na elaboração do estudo que combinou elementos matemáticos de ordem quantitativa e quantitativa na identificação de barreiras que rodeiam a arte do saber matemático nas series finais do ensino fundamental. Como na identificação dos fatores que modificam o comportamento dos alunos em sala no ambiente escolar, sendo estes de ordem interna ou externa ao ambiente formal de ensino através da análise de desempenho e comportamento dos alunos no cenários escolar.

Técnicas de estítica básica foram empregadas no desenvolver da pesquisa de composição de banco de dados, formulação de ROL amostral, interpretação de tabelas, formulários de coleta de dados QUALITATIVOS e histograma de interpretação quantitativos, como também leitura de livros e artigos de renomados escritores e educados que outrora abordaram as barreiras de aprendizagem no ambiente escolar. Leituras essas necessária para o aprimoramento da abstração principalmente no momento de interpretação das informações de ordem qualitativas para identificar os impactos dos diversos problemas no desempenho dos alunos das séries finais do ensino fundamental.

O estabelecimento de parâmetros de estudo comportamental e matemático consideram fatores de ordem avaliativos e os cenários de exposição destes alunos “estrutura física, clima, condições econômicas etc.”, a interpretação de dados estatísticos de ordem qualitativos antes negligenciados por alguns docentes do ensino fundamental foi empregada como maior abstração possível de forma a extrapolar a visão simplista dos resultados numéricos perceptíveis por meio da estatística qualitativa. Combinou se portanto, estática de ordem quantitativa e qualitativa em um mesmo estudo, sobre um mesmo indivíduo “aluno” , em um mesmo universo amostral em questão que envolveu os alunos do 8° ano do Ensino Fundamental de uma dada escola da rede pública de ensino.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A utilização da Estatística Aplicada no processo de gestão escolar auxiliou na identificação de diversos fatores que influenciam na formação dos alunos na fase de aprendizagem nas series finais do ensino fundamental, considerou fatores internos e externos; que favorecem a má formação destes alunos das escolas da rede públicas de ensino, fatores estes de ordem: econômica, social, cultural, psicológica entre outras mais. Logo, monitorar o comportamento dos alunos nas mais diversas situações da rotina escolar de forma matematizada “Estatística Aplicada” mensurando desempenhos em exercícios do dia a dia auxilia o professor e demais profissionais da educação na tomar de decisão, dando lhes maior efetividade e assertividade para implementação das medidas educativas capazes de mitigar os desvios de aprendizagem e ensino ainda em sua faze inicial.

Fenômenos sociais e físicos estão presentes no ambiente escolar, podem estes corrobora de forma negativa, ou mesma positiva com o ato de ensinar e aprender. Desta forma, ensinar conteúdos no modelo de sociedade contemporâneo torna-se desafiador, pois os membros desta sociedade necessitam de educadores capazes de os compreender e os direcionar os alunos no caminho do conhecimento. Por isso, o professor deverá fazer uso da estatística como ferramenta de gestão, deverá buscar por capacitação profissional constante no intuito de uma melhor qualidade didática no trabalho de transmissão de conhecimento, como também sua percepção dos fatores comportamentais de ordem individual e coletivo de ordem psicológica e física.

O professor deverá ter em mente que não existe técnica perfeita de identificação de barreiras a aprendizagem, todavia o uso de ferramentas para mensuração dos desvios torna-se de grande valia, e será útil para melhor direciona-los na implementação das ações educativas, além de reconhecer que o professor por si só não conseguirá tratar todos os desvios percebido durante a análise matemática que envolva alunos, sociedade e escola.

Portanto, é necessário compartilhar com os demais professores as barreiras identificadas com utilização da Estática Aplicada no gerenciamento da classe, tendo que em muitos casos será necessário a participação de outros profissionais da educação, ou mesmo, da saúde juntamente com a comunidade escolar e o poder público na ação educativa proposta para mitigação de desvios que afetam o processo de ensino aprendizagem no ambiente escolar e meio social no qual os alunos e professores estão inseridos, como suas condições de conforto térmico e logística de deslocamento, rotina diária entre outros fatores socioambientais.

5. REFERÊNCIAS

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BELTRAME, M. B., MOURA, G. R. S. Edificações escolares: infra-estrutura necessária ao processo de Ensino e aprendizagem escolar. In: Revista eletrônica “Revista Travessias”, v. 3, n. 2, 2009. Disponível em: Acesso em: 10 de Abri. 2019.

COLL, César. Aprendizagem escolar e construção do conhecimento, Porto Alegre: Artes Medicas, 1994.

CRESPO, Antônio Arnot. Estatística fácil. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 1995.

DAMAZIO, Mácia Silva; SILVA, Fatima Paiva. O ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA E O ESPAÇO FÍSICO EM QUESTÃO. Disponível em: Acesso em: 19 de Abri. 2019.

FORQUIN, Jean Claude. Escola e Cultura: as bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar. Porto Alegre: Artes Medicas Sul, 1993.

MEDEIROS, Carlos Augusto de. Estatística aplicada à educação. Brasília: Universidade de Brasília, 2007.

SILVA, Jéssica Luciana, JÚNIOR, Roosevelt Leão. INFRAESTRUTURA PARA EDUCAÇÃO FÍSICA NA REDE ESCOLAR ESTADUAL DE GOIATUBA – GO: UMA DESCRIÇÃO SOBRE A REALIDADE ESCOLAR. In: Revista eletrônica “ENCICLOPÉDIA BIOSFERA”, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11, n.20; p.460 2015. Disponível em < http://www.conhecer.org.br/enciclop/2015a/> Acessado em: 16 de mai. 2019.

TEIXEIRA, Elizabeth. As três metodologias: acadêmica, da ciência e da pesquisa. 3 ed. Petrópolis: Vozes 2005. 


Publicado por: Albertino Ferreira da Costa

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