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EDUCADOR E INSTITUIÇÃO ESCOLAR INTERLIGADOS NA SUPERAÇÃO DO TRANSTORNO OPOSITIVO DESAFIADOR - TOD NO ENSINO DE CRIANÇAS DA PRÉ-ESCOLA

Educação

Análise sobre como o educador e a instituição escolar devem intervir interligados no incentivo à evolução educacional de crianças com Transtorno Opositivo Desafiador - TOD, na Pré-escola.

índice

1. RESUMO

O presente estudo reflete sobre como o educador e a instituição escolar devem intervir interligados no incentivo à evolução educacional de crianças com Transtorno Opositivo Desafiador - TOD, na Pré-escola. Identifica qual trabalho é considerado eficaz na vida acadêmica dos alunos que apresentam este transtorno de modo que alcancem uma aprendizagem satisfatória e de qualidade. Contribui para apontar as relações mais harmoniosas e menos árduas no ambiente escolar, para vencer os comportamentos difíceis dessas crianças. Para a elaboração da pesquisa utilizou-se o método hipotético-dedutivo, embasado em pesquisas bibliográficas que evidenciam maiores informações referentes ao distúrbio comportamental. Possibilitou maior compreensão do quão relevante se faz o empenho desses profissionais no avanço educativo dos alunos que possuem o TOD e ainda, fazer com que a sociedade reconheça o devido assunto, descartando as rotulações como indisciplina e falta de limites. Constata-se que as crianças que possuem o Transtorno Opositivo Desafiador, precisam ser compreendidas e ajudadas, sendo inclusas de fato no âmbito escolar e sendo eliminadas atitudes apenas integrativas. O professor e a instituição escolar precisam estar dispostos e batalhar sempre, para que haja uma contribuição positiva na superação do transtorno, auxiliando as crianças no alcance da aprendizagem almejada por meio de metodologias inovadoras, agradáveis e adequadas, preservando a igualdade e o respeito, jamais excluindo-as por suas limitações, mas sim, colaborando gradativamente em seu sucesso educacional.

PALAVRAS-CHAVE: Transtorno Opositivo Desafiador. Evolução Educacional. Sociedade. Professor. Instituição Escolar.

2. INTRODUÇÃO

Muito se tem discutido acerca de alguns transtornos do neurodesenvolvimento, que muitas vezes afetam a aprendizagem, diversos ainda desconhecidos pela sociedade, sendo um deles o Transtorno Opositivo Desafiador, em que a criança apresenta comportamentos agressivos, desafiadores e opositores, o qual é confundido constantemente com indisciplina.

Frente a isso, a razão da origem do tema Educador e Instituição Escolar unidos no incentivo à evolução educacional de crianças com Transtorno Opositivo Desafiador - TOD na Pré-escola, é a conscientização de como ambos devem agir perante a esse transtorno, para que haja uma aprendizagem sólida, através de meios de ensino considerados por elas atraentes e divertidos.

O problema arguido trata-se de como é possível o educador e a instituição escolar enfrentarem juntos este transtorno, contribuindo no incentivo à evolução educacional dessas crianças com 4 e 5 anos de idade, fazendo ainda com que as mesmas sejam inclusas de fato no ambiente educacional e como devem agir para amenizar estes conflitos existentes, decorrentes à sua postura negativista e hostil.

Com isso, acredita-se que tanto para o professor quanto para os colegas de turma das crianças que possuem o TOD, são encontrados desafios tal como lidar com elas diante de seus comportamentos implicantes, resistentes à aceitação de regras e muitas vezes violentos, o que torna a convivência bastante incômoda. Assim, supõe-se que o ensino dessas crianças só será possível a partir do momento em que o professor e a instituição escolar estejam dispostos a trabalhar de modo que facilite o seu convívio com todos que estão à sua volta, buscando uma maior aproximação a esses educandos e tratando-lhes com mais paciência e compreensão, podendo construir desta forma, laços de confiança e afetividade, transmitindo ainda a sensação de segurança e carinho, possibilitando-lhes trilhar os caminhos da educação tendo suas limitações aceitas e respeitadas.

Os objetivos para a elaboração desse estudo resumem-se em investigar sobre o Transtorno Opositivo Desafiador e como vencê-lo no dia a dia escolar, visando um trabalho significativo com os discentes que trazem consigo os devidos comportamentos, para que consigam prosseguir no processo de aprendizagem. Demonstrar ainda, a importância do professor e da instituição escolar trabalharem em comunhão na propícia de meios mais agradáveis e prazerosos no ensino de crianças que apresentam o TOD, presentes na pré-escola. E também, verificar as melhores formas de interação para que haja uma boa convivência social e a mediação de conhecimentos com as crianças que possuem o Transtorno Opositivo Desafiador.

Justifica-se a pesquisa, a partir da dificuldade que os alunos com TOD enfrentam ao ingressarem no ambiente escolar, pois, além de sofrerem com seus próprios comportamentos, geralmente se deparam com situações de preconceito. Contudo, professor e instituição escolar atuando juntos, podem proporcionar a essas crianças o alcance de uma aprendizagem satisfatória de modo saudável, pois, através de metodologias inovadoras, atraentes e flexíveis gera uma convivência mais harmoniosa e melhora sua autoestima. Além disso, ao ter suas limitações compreendidas e respeitadas, sendo realizado um processo de ensino e socialização escolar adequado, os sentimentos de frustração que essas crianças possuem vão diminuindo aos poucos, com maior probabilidade de comportamentos bons aparecerem com mais frequência.

Em suma, a pesquisa conta com o método hipotético-dedutivo, o qual trabalha com a obtenção de resultados através do levantamento de hipóteses e com o método auxiliar bibliográfico, caracterizado pela literatura e afins teóricos que abarcam a temática, como Gustavo Teixeira e Clay Brites.

3. TRANSTORNO OPOSITIVO DESAFIADOR

O TOD - Transtorno Opositivo Desafiador é definido como um transtorno do neurodesenvolvimento ou transtorno comportamental, que de acordo com estudos já existe desde a década de 1960. De acordo com Serra-Pinheiro, Schmitz e Mattos (2004, p. 273 apud Meira 2012, p. 140), “trata-se de um transtorno disruptivo que leva os indivíduos a perderem facilmente o controle se as coisas não seguem a forma que eles desejam”.

Segundo Teixeira (2014, p. 21) “estudos americanos atribuem esse diagnóstico em cerca de 10% das crianças em idade escolar, sendo duas vezes mais frequente entre meninos”.

Em conformidade com o DSM-IV (2000), após a puberdade as taxas do transtorno em meninas são praticamente iguais a do sexo masculino. (TEIXEIRA, 2014)

Geralmente o TOD é confundido com o TDAH - Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, por apresentar sintomas semelhantes, como por exemplo, inquietude e desatenção, mas é essencial destacar que, às vezes, a criança pode apresentar o TOD como uma comorbidade do TDAH, ou vice-versa, porém, nem sempre os dois transtornos estão associados. Conforme Teixeira (2014, p. 44)

Essa associação é muito comum, estando presente em até 14% dos casos. Essas crianças apresentam maior agressividade, maior impulsividade, mais conflitos com os outros estudantes, maior dificuldade nos relacionamentos sociais e pior desempenho acadêmico.

Seguindo o raciocínio de Brites (2019), além da associação ao TDAH o TOD também pode associar-se ao Transtorno de Ansiedade, Depressão, Transtorno do Pânico, Transtorno Bipolar, Transtorno do Espectro Autista - TEA e Distúrbios de Aprendizagem, com isso, existem casos em que a criança desenvolve o TOD por apresentar um ou dois destes transtornos e se não for identificado isso, o tratamento fica incompleto.

É muito comum nas escolas e até mesmo em casa, alguns professores e familiares confundirem a existência do transtorno com dificuldade de aprendizagem, sendo assim, torna-se fundamental a conscientização da diferença entre os dois.

Dificuldades de aprendizagem são oscilações no rendimento do aluno, que podem ser devido à má adaptação aos métodos pedagógicos da escola ou problemas emocionais, não tendo nenhum envolvimento neurológico. (BRITES, 2019)

Em contrapartida, os transtornos do neurodesenvolvimento são classificados no manual de psiquiatria - DSM-V e englobam complicações decorrentes de alterações no sistema nervoso central, causando um prejuízo intenso e persistente durante o percurso escolar e social, o que exige variadas estratégias para controlá-los. (BRITES, 2019)

3.1. As Consequências da Comparação Entre o TOD e Indisciplina

Para Barkley (2002, p. 35; grifo do autor)

O transtorno comportamental não é causado por falta de disciplina ou controle parental, assim como não é o sinal de algum tipo de “maldade” da criança. Não se trata apenas de um estado temporário que será superado, de uma fase probatória, porém normal, da infância.

Ao ingressarem na pré-escola, as crianças que têm consigo comportamentos grotescos, passam a ser vistas pelos professores e colegas como pessoas difíceis, desobedientes e implicantes. Em vista disso, torna-se indispensável que a sociedade em geral compreenda a diferença entre indisciplina e transtorno comportamental.

Portanto, o ato indisciplinar é ocasionado de forma consciente e intencional, tendo noção das consequências posteriores, já o transtorno do neurodesevolvimento gera inconsciência nas ações, não sendo propositais tais atitudes, desconhecendo os impactos resultantes dos devidos comportamentos.  (TEIXEIRA, 2014)

Vale ressaltar que um aluno indisciplinado não possui um transtorno de desenvolvimento e, sendo assim, é possível através de estratégias pedagógicas despertar nele o desejo automático pelo bom comportamento, contribuindo em uma melhor convivência no ambiente escolar e no alcance de uma aprendizagem satisfatória. Porém, para o discente que possui o transtorno, são exigidos bem mais recursos do que apenas metodologias didáticas, sendo que o pedagógico unicamente é incapaz de fazer com que a criança avance por completo, pois precisa de apoio para que isso seja possível.

3.2. Características do TOD

Algumas das características mais comuns do TOD são: perda frequente de paciência, desafio e recusa a obedecer regras, perturbação e implicância com outras pessoas, sendo elas adultos ou crianças, negação a pedir e aceitar ajuda, alta irritabilidade, comportamento agressivo, baixa interação social dificultando ao máximo uma proximidade, comportamento vingativo e rancoroso até por coisas mínimas, impulsividade, ansiedade, teimosia constante, impaciência, não sabe lidar com frustrações, hostilidade, ausência de culpa e de responsabilidade, comportamento centralizador, capacidade empática empobrecida, forte descontrole emocional, raiva e choro seguido de gritos. (TEIXEIRA, 2014)

Essas características comportamentais variam de acordo com o ambiente em que a criança está inserida ou com as pessoas de seu convívio.

4. O PRECONCEITO SOFRIDO

Crianças que apresentam o Transtorno Opositivo Desafiador por possuírem comportamentos considerados difíceis, sofrem constantemente com comentários bastante incompreensíveis, ou até mesmo maldosos, sendo rotuladas na maioria das vezes como mal educadas, sem limites e mimadas. Frente a isso, crianças que possuem este transtorno, diversas vezes por presenciarem comportamentos agressivos e sofrerem esses tipos de preconceitos, rótulos e agressões, acabam imitando o que foi por elas vivenciado, ou seja, se os pais castigam, batem, gritam ou xingam, tudo isso será absorvido por ela e transmitido para as outras pessoas, por isso, a importância de saber lidar com este distúrbio, se informando e não o enxergando apenas como simples atos de rebeldia acometidos pela criança. (WINNICOTT, 1987)

Quando a criança sofre algum tipo de preconceito, discriminação ou é exclusa do meio em que vive, especialmente na fase da pré-escola, período em que inicia a interação social e começa a conhecer e conviver com pessoas que antes eram desconhecidas, ela apresentará sérios problemas em seu presente e futuro, ocasionando ainda mais sofrimento por se sentir sozinha, gerando assim, comportamentos imensamente prejudiciais, em nível ainda mais violento e aborrecido, o que afetará diretamente seu desenvolvimento acadêmico, social e afetivo, fazendo com que se feche e se distancie,

Com isso, nota-se o quão importante se faz a equipe pedagógica proporcionar práticas inclusivas para esses alunos. Conforme os pensamentos de Barbosa et al. (2017, p. 167)

Cumpre ressaltar a importância de a equipe pedagógica pensar em estratégias, que possam dinamizar essa fragilidade na escola, pois é essencial a formação que a escola possibilita aos indivíduos e, se esse aluno permanecer com esses comportamentos, irá afetar a sua formação. Por isso, a escola e os professores devem se empenhar em proporcionar práticas que contribuirão para o aluno, incluindo-o, pois muitas vezes ele pode se sentir excluído.

Em suma, é extremamente significativo a existência de um ambiente acolhedor, tanto familiar quanto escolar, que proporcione à criança o sentimento de segurança e carinho, sendo possível assim, uma boa convivência entre ambos, amenizando devidas situações conflituosas, contribuindo positivamente em seu pleno desenvolvimento.

4.1. O Diagnóstico

O comportamento considerado perturbador em crianças com TOD é notável em qualquer localidade, mas vale lembrar que nem todas possuem reações iguais, cada caso é um caso, por isso, se faz tão eficaz a realização de um diagnóstico completo e, posteriormente, o tratamento adequado para cada criança que apresenta o transtorno.

Ao ser feito um diagnóstico precoce, torna-se possível a prevenção de quadros mais agravantes e inclusive a presença de outros transtornos na fase adulta. (TEIXEIRA, 2014)

Geralmente, as pessoas que possuem certa convivência com a criança começam a presenciar atitudes mais agressivas, desafiadoras e opositoras em diversificadas situações, com bastante frequência. Com isso, faz-se necessário que os educadores juntamente com a direção da instituição e com o auxílio de um psicopedagogo, solicitem uma reunião com os pais ou responsáveis, para serem feitas explicações sobre os acontecimentos constantes, aconselhando-lhes que procurem um especialista da área da saúde para a realização de um acompanhamento, para que dessa forma se chegue a um diagnóstico final, podendo-se entender o que de fato está acontecendo com a criança.

Frente a isso, o primeiro passo que a família deve seguir após as orientações prescritas é levar a criança a um psicólogo para então ser realizado um acompanhamento minucioso, por meio de anamneses e avaliações.

Segundo Gonçalves (2014, p. 12)

Inicialmente, em qualquer transtorno e para qualquer paciente, o primeiro passo é a realização de uma avaliação minuciosa que possa trazer dados consistentes a fim de se traçar uma linha de bases. Isto é, conhecer quem é a pessoa, qual sua demanda, como foi sua história de aprendizagem e quais são as relações estabelecidas com o contexto. Além disso, a avaliação não ocorre apenas no início do acompanhamento psicoterápico, mas durante todo o processo.

Dessa forma, torna-se possível constatar ou não a ligação com problemas neurológicos ou neuropsicológicos, podendo encaminhar a criança se necessário para o devido especialista na área, o que auxiliará no alcance de um diagnóstico claro relacionado à postura da criança, podendo-se então afirmar um laudo.

Para que haja a obtenção de um diagnóstico inicial, deve-se observar na criança a manifestação de pelo menos quatro dos sintomas, durante o período de seis meses, porém, há pacientes que os sintomas são notáveis em um tempo menor. Ao se comprovar de fato o diagnóstico sobre a presença do TOD na vida da criança, a família precisa buscar os tratamentos mais indicados, específicos e adequados, sendo que há muitos casos diferentes, pois cada indivíduo reage de um jeito, apresentando sintomas diversificados, em nível considerado leve, moderado ou grave.

Em conformidade com as palavras de Teixeira (2014), caso a criança com TOD não receba o tratamento de forma correta e mais rápido possível,

Cerca de 30% das crianças com diagnóstico inicial de transtorno desafiador opositivo irão evoluir para o transtorno de conduta na adolescência, e naquelas em que o início dos sintomas opositivos e desafiadores foi precoce, o risco de evolução para o transtorno de conduta será muito maior. Quando o transtorno desafiador opositivo não é tratado, a evolução para o transtorno de conduta pode ocorrer em até 75% dos casos. (TEIXEIRA, 2014, p. 32-33)

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Sendo assim, quanto mais cedo o distúrbio for identificado maior é a probabilidade deste se transformar no transtorno de conduta, que nos dizeres de Holmes Júnior (1997, s.p) “acarreta um padrão persistente de comportamentos disruptivos e criminosos”. Ocasionando ainda, posteriormente, o Transtorno de Personalidade Antissocial, também conhecido como sociopatia, que de acordo com Skodol (2018) gera consequências bem mais graves, caso não receba o tratamento adequado.

Vale frisar que o TOD como qualquer outro tipo de transtorno do neurodesenvolvimento, não é identificado por meio de simples exames laboratoriais ou de imagem, como exames de sangue rotineiros, radiografias ou ressonâncias. (TEIXEIRA, 2014)

4.2. As Possíveis Causas e Fatores Ocasionais

Apesar de não encontrar pesquisas conclusivas que definam as exatas causas do surgimento do Transtorno Opositivo Desafiador, acredita-se que o mesmo não esteja ligado à genética familiar, mas existem alguns pontos que podem ser responsáveis no auxílio do desenvolvimento do devido transtorno, não podendo-se apontar uma única causa do TOD. Teixeira (2014, p. 36) afirma que

Os estudos científicos evidenciam que múltiplos fatores de risco estão relacionados ao surgimento do transtorno. Esses fatores são eventos, características ou processos que aumentam as chances do desencadeamento do problema comportamental.

Ao serem identificados os motivos que possam estar auxiliando na evolução do quadro do transtorno na criança, facilita-se qualitativamente o processo da terapia, pois os especialistas podem intervir de modo eficaz em seu tratamento.

Estudos realizados por Silva (2017) apostam ainda, na ideia de que o TOD é ocasionado por uma proporção biológica, mesmo não tendo estudos que comprovem a real causa. Em vista disso, Teixeira (2014, p. 38) informa que:

Alguns fatores biológicos relacionados com característi­cas da própria criança como temperamento, negativismo, baixa capacidade de adaptação a mudanças, déficits neu­ropsicológicos, dificuldades de linguagem, memória, pla­nejamento, organização, disciplina, atenção e julgamento, também influenciariam no desenvolvimento do transtorno.

Além dos fatores biológicos, Teixeira (2014) considera mais dois fatores causadores, os psicológicos, que fazem com que a criança demonstre devidas dificuldades de se relacionar socialmente, e os fatores sociais, que estão relacionados ao ambiente em que a mesma está inserida, no qual se faz presente à desestruturação, por meio de acontecimentos frequentes que são por ela vividos, podendo-se destacar,

A violência doméstica, falta de estrutura familiar, moradia em áreas de grandes criminalidades e ambientes familiares em que regras e limites sejam pouco claros, e episódios ocorridos na escola, como, turma com maior número de alunos que o permitido, ambientes com condições precárias, baixo rendimento escolar devido à falta de apoio e dedicação dos professores, dentre outros. [...] (TEIXEIRA, 2014, p. 42)

Nota-se assim, que ambos podem ser extremamente responsáveis na contribuição do desen­cadeamento e evolução das ações comportamentais, mas vale ressaltar que nem todo indivíduo reage à presença dos mesmos acontecimentos de maneira homogênea.

4.3. O Tratamento

Os tratamentos vão desde terapias a medicamentos, com intuito de controlar devidos comportamentos difíceis, então é essencial que após um diagnóstico final seja feito o tratamento ideal de acordo com o especialista, para que o transtorno seja tratado corretamente.

Teixeira (2014) mostra a existência de determinados tratamentos terapêuticos para o Transtorno Opositivo Desafiador realizados através de estratégias medicamentosas, as quais buscam melhorar a qualidade de vida do paciente, agindo no alívio dos sintomas. Em função disso pode-se citar alguns que possuem eficácia no tratamento do TOD, primeiramente os antipsicóticos ou neurolépticos, que controlam os comportamentos impulsivos, violentos e explosivos. Posteriormente, têm-se os estabilizadores de humor e os psicoestimulantes, que são usados em casos que o TOD está associado ao TDAH. E por fim, os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina, sendo utilizados em quadros de depressão ou de ansiedade quando coligados ao Transtorno Opositivo Desafiador.

Além deste tipo de tratamento, se fazem presentes ainda outras formas que auxiliam no alívio dos sintomas segundo Teixeira (2014), como a psicoterapia cognitivo-comportamental, a qual busca diminuir reações negativistas e controlar deficiências cognitivas, a psicoeducação familiar e o treinamento de pais, em que são oferecidos momentos de dicas, conselhos e estratégias para lidar e amenizar os conflitos com as crianças, e a psicoeducação escolar e intervenções educacionais, nas quais toda a equipe atuante da instituição obtém informações fundamentais para um melhor convívio.

Ainda, para ajudar na eficácia do tratamento, Teixeira (2014) fornece dicas valiosas para familiares e profissionais da área da educação sobre como agir com a criança, dispensando qualquer forma de punições rigorosas, como gritos, surras e castigos radicais, pois a criança ao se deparar com situações desse tipo tende a se comportar de modo mais ríspido.

Outro fator bastante positivo no tratamento, é a importância de ouvir a criança e entendê-la, deixando-a falar e expressar-se, fazendo com que se sinta mais segura e se tranquilize com mais facilidade.

Em virtude dos fatos mencionados, torna-se imprescindível esclarecer que estatisticamente o Transtorno Opositivo Desafiador não tem cura, e por isso, é importante a persistência no tratamento, para a suavização dos sintomas, e a proporção de uma melhoria qualitativa em sua vida. (TEIXEIRA, 2014)

Em vista disso, mesmo que a criança apresente uma melhora significativa, não deve-se de forma alguma suspender o tratamento, pois, isso trará problemas bastante prejudiciais à sua saúde, ocasionando um quadro ainda mais agressivo.

5. EDUCADOR E INSTITUIÇÃO ESCOLAR UNIDOS NA SUPERAÇÃO DO TOD NA VIDA ESCOLAR DAS CRIANÇAS DA PRÉ-ESCOLA

O educador e a instituição escolar devem se aliar aos familiares das crianças com Transtorno Opositivo Desafiador, buscando maneiras adequadas de incentivá-las, para que seja possível um melhor convívio entre ambos, devendo aceitar e compreender a diversidade, propondo meios pedagógicos, que auxiliem cada um de seus alunos na construção de sua identidade, incluindo-lhes por completo no âmbito escolar.

Além disso, precisam se atentar a tipos de preconceitos direcionados aos alunos que apresentam o devido transtorno, normalmente gerados entre os colegas de turma, realizando estratégias que combatam o bullying e a discriminação na pré-escola, evitando situações ainda mais insustentáveis e constrangedoras. (FREITAS, 2006)

Torna-se necessário a flexibilidade curricular, atendendo às especificidades dos alunos, para que haja a inclusão de fato. Em vista disso, não só o professor precisa estar apto a atender o educando com TOD, como também toda a equipe presente na escola, pois a instituição de ensino precisa se adequar àquele aluno e não o inverso.

O professor deve observar o modo que o aluno com TOD aprende melhor, apostando sempre em estratégias instigantes, pois ao serem oferecidos recursos divertidos na pré-escola como jogos e brincadeiras, alternando os métodos educativos e dispensando aulas repetitivas, fornece qualitativamente a aprendizagem. Então, ao realizar atividades, o que é visto pela criança como algo totalmente entediante, começa a ser algo que ela provavelmente goste de fazer, por sentir prazer, satisfação e alegria. Em relação a isso, Tubino (2010, p. 15) expressa que

[...] um jogo ou uma brincadeira na sala de aula, não representa apenas um momento de recreação e divertimento. Essas atividades lúdicas possibilitam mais ações mentais diferenciadas, e há nesses momentos uma maior aprendizagem.

Podem ser utilizados ainda, meios que proporcionem a pintura, pois geralmente atividades com tinta é algo interessante para as crianças, e exige certa concentração, desenvolvendo assim, sua interação social e coordenação motora fina de forma divertida e descontraída.

Um aspecto relevante que auxilia bastante neste processo, é o de valorizar os bons comportamentos da criança, fazendo uso de frases ou palavras motivadoras, apelidos carinhosos e até oferecer tipos de premiações simples de maneira equilibrada, pois a criança precisa de estímulos positivos quando reage de modo produtivo, fazendo com que se sinta bem e levante sua autoestima, porque assim, ela verá que não recebe apenas broncas por seus comportamentos negativos. Com isso, os sentimentos de frustração vão diminuindo aos poucos, com maior probabilidade dessas atitudes boas se tornarem automáticas. (TEIXEIRA, 2014)

As crianças com TOD como todas as outras, precisam de regras, mas pelo fato de possuírem comportamentos difíceis, exige um esforço ainda maior para se conseguir impor limites. Assim, o professor de forma motivadora deve estabelecer regras e rotinas, impondo que a turma toda as sigam e não somente a criança com TOD.

A criança com Transtorno Opositivo Desafiador como qualquer outra precisa entender que com seus comportamentos rudes, agressivos e desafiadores serão impostos alguns tipos de punições, para que possa compreender que devidos comportamentos terão resultados desagradáveis para ela.

Segundo Teixeira (2014, p. 107)

Existem diversos tipos de punições, e em nenhum caso serão utilizadas punições físicas, condutas agressivas ou ameaças. Punições físicas apenas ensinam às crianças que todo problema pode ser resolvido com violência [...].

Em virtude dos fatos mencionados, a partir do momento em que as estratégias citadas anteriormente forem colocadas em prática na pré-escola, o ensino desses alunos que possuem o Transtorno Opositivo Desafiador passará então a ser possível, pois no instante em que o professor e a instituição escolar estiverem dispostos a trabalhar utilizando meios que facilitem o convívio dessas crianças com todos que estão à sua volta, buscando uma maior aproximação e as tratando com mais serenidade e compreensão, entendendo-lhes e as apoiando, irão construir deste modo, laços de confiança e afetividade, transmitindo ainda a sensação de segurança e carinho, possibilitando-lhes trilhar os caminhos da educação, sendo enfim aceitas e respeitadas.

6. CONCLUSÃO

O desenvolvimento da presente pesquisa propiciou uma melhor compreensão sobre o real conceito do Transtorno Opositivo Desafiador - TOD, demonstrando os sintomas característicos, como é realizado o diagnóstico, a importância do tratamento com especialistas e ainda, como professor e instituição escolar podem fazer a diferença na vida acadêmica dessas crianças.

Tendo em vista os aspectos observados, verificou-se o pouco conhecimento da sociedade sobre o transtorno, o que gera ainda mais desconforto no cotidiano das crianças com TOD, pois, ao tratar-se de uma temática desconhecida, acarreta atitudes incompreensíveis como, a de rotulá-las, precipitadamente, de forma totalmente errônea.

Dado o exposto, fica evidente a necessidade de um maior conhecimento sobre o TOD, para que posturas equivocadas sejam eliminadas, favorecendo assim a socialização das crianças, visto que, ao se depararem com comentários negativos, se sentem cada vez mais enfurecidas e frustradas, o que interfere diretamente em seu comportamento, piorando progressivamente a convivência entre ambos.

Com isso, reforça-se a eficácia deste estudo, indicando aos profissionais da área da educação, a importância de assumirem o papel de lutar a favor de uma educação de qualidade para essas crianças frequentes na pré-escola, obtendo o sucesso pedagógico.

Com a investigação realizada sobre o Transtorno Opositivo Desafiador comprovou-se a importância do educador e da instituição escolar criarem em comunhão estratégias transformadoras e agradáveis, para que seja possível enfrentar este transtorno no dia a dia escolar dessas crianças, visando um trabalho significativo, por meio de metodologias inovadoras e divertidas, podendo-se assim amenizar os devidos comportamentos manifestados por elas, favorecendo uma convivência mais harmoniosa, sua evolução educacional e seu desenvolvimento integral.

Em virtude do que foi mencionado, confirmaram-se as hipóteses prescritas anteriormente, pelo fato de, tanto para o professor quanto para os colegas de turma das crianças que possuem o TOD, depararem-se constantemente com desafios, tal como lidar com elas, pois, realmente apresentam comportamentos completamente difíceis, sendo implicantes, resistentes à aceitação de regras e na maioria das vezes agressivas, o que torna a relação bastante incômoda. Sendo assim, conclui-se que o ensino dessas crianças somente será possível a partir do momento em que o professor e a instituição escolar se dedicarem a trabalhar de modo que facilite o seu convívio com todos que estão à sua volta, buscando uma maior aproximação a esses educandos e os tratando com mais paciência e compreensão, entendendo-lhes e os ajudando, construindo desta forma, laços de confiança, afetividade e respeito.

Então, é de suma importância educador e escola se empenharem, propiciando um melhor convívio, amenizando as relações conflituosas, por meio de um ensino compreensivo, paciencioso e flexível, desempenhando sempre metodologias inovadoras e prazerosas, para que seja possível um processo ensino-aprendizagem eficaz e agradável.

No mesmo grau de relevância, incluir esses alunos de fato e não somente inseri-los no âmbito escolar. Prezando sempre a união com a família e os médicos especialistas, para que seja possível um trabalho pedagógico competente, contribuindo assim, na superação deste transtorno que a criança traz consigo.

7. REFERÊNCIAS

BARBOSA, Ana Paula; et al. Transtorno Desafiador Opositivo: desafios e possibilidades. Batatais: v.7, n.2, 2017. 21 p. Disponível em: file:///C:/Users/Notebook/Downloads/sumario9%20(2).pdf. Acesso em: 18 dez. 2021.

BARKLEY, Russell. Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Porto Alegre: Artmed, 2002. s.p.

BRITES, Clay. Aluno com Tod: o que fazer. Londrina, Paraná: 2019, s.p. Disponível em: https://neurosaber.com.br/tenho-um-aluno-com-tod-o-que-fazer/. Acesso em: 18 dez. 2021.

DSM-IV. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 4. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000. 880 p.

FREITAS. Soraia Napoleão. Diferentes Contextos de Educação Especial/Inclusão. Santa Maria: Proesp/Capes. 2006. s.p.

GONÇALVES, Amalia Luiz. O Transtorno de Conduta em Crianças e Adolescentes: a atuação profissional para o cuidado da saúde. Florianópolis: 2014. 24 p. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/173642. Acesso em: 18 dez. 2021.

HOLMES JÚNIOR, David. Psicologia dos Transtornos Mentais. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. 564 p.

MEIRA, Marisa Eugênia Melillo. Para uma Crítica da Medicalização na Educação. Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, SP: Volume 16, Número 1, 2012. 8 p. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pee/v16n1/14.pdf. Acesso em: 18 dez. 2021.

SERRA-PINHEIRO, Maria Antonia; SCHMITZ, Marcelo; MATTOS, Paulo. Transtorno Desafiador de Oposição: uma revisão de correlatos neurobiológicos e ambientais, comorbidades, tratamento e prognóstico. Revista Brasileira de Psiquiatria. s.l. vol.26, n.4, 2004. s.p.

SILVA, Tatiane Cristina Gonçalves da. Transtorno Opositor Desafiador : como enfrentar o TOD na escola. Rio de Janeiro: 2017. 48 p. Disponível em: https://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/posdistancia/53309.pdf.  Acesso em: 18 dez. 2021.

SKODOL, Andrew. Transtorno de Personalidade Antissocial (TPAS). Kenilworth, NJ, EUA: 2018, s.p. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/transtornos-psiqui%C3%A1tricos/transtornos-de-personalidade/transtorno-de-personalidade-antissocial-tpas. Acesso em: 18 dez. 2021.

TEIXEIRA, Gustavo. O Reizinho da Casa. E-book. 1. ed. Rio de Janeiro: Best Seller, 2014. 154 p. Disponível em: https://docero.com.br/doc/n8nxce. Acesso em: 18 dez. 2021.

TUBINO, Lidiane Dias. O Lúdico na Sala de Aula: problematizações da prática docente na 4ª série do ensino fundamental. Porto Alegre: 2010. 45 p. Disponível em: https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/71912/000880442.pdf?sequenc. Acesso em: 18 dez. 2021.

WINNICOTT, Donald Woods. Privação e Delinquência. São Paulo: 1987. 289 p. 


Publicado por: Kelly Machado Nunes

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do site por meio do canal colaborativo Monografias. O Brasil Escola não se responsabiliza pelo conteúdo do artigo publicado, que é de total responsabilidade do autor. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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