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EDUCAÇÃO INCLUSIVA: OS DESAFIOS DAS CRIANÇAS SURDAS NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO

Educação

Educação do surdo, a inclusão dos alunos surdos no processo de ensino aprendizagem, desafios das crianças surdas no processo de alfabetização e desafio dos professores e do contexto do sistema escolar frente a aprendizagem de alunos surdos.

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1. RESUMO

Na primeira etapa da educação básica encontramos crianças surdas com dificuldades principalmente no processo de alfabetização. O presente trabalho pretende discorrer sobre educação inclusiva voltada para crianças surdas no processo de alfabetização. Dessa forma com o intuito de destacar a importância da temática proposta o estudo pretende contextualizar a inclusão dos alunos surdos no processo de ensino aprendizagem, apresentar quais são os desafios das crianças surdas no processo de alfabetização como também averiguar o preparo dos professores. Tendo em vista as informações levantadas e a discussão proposta a relevância científica deste estudo está pautadas na ideia de servir como mais um instrumento que permite a divulgação de informações a respeito do tema, servindo como base para profissionais da área, como professores e pedagogos.

Palavras-chave: Crianças Surdas, Aprendizagem, Alfabetização, Inclusão.

ABSTRACT

In the first step of basic education, we find deaf children with the main difficulties in the literacy process. This project intends to speak about inclusive education targeted on deaf children in the literacy process. Therefore, with the interest of emphasizing the importance of the proposed topic, the study intends to contextualize the deaf schoolchildren's inclusion in the process of teaching and learning. It also indents to present what are the deaf children's challenges in the process of literacy, as well as check the preparation of the teachers. Taking into consideration the information raised and the discussion tabled, this study's scientific relevance is based on the idea of serving as one more tool which allows the disclosure of information about this theme, also serving as a foundation for teachers and education professionals.

Keywords: deaf children; learning; literacy; inclusion.

2. INTRODUÇÃO

Na primeira etapa da educação básica encontram-se crianças surdas com dificuldades, principalmente no processo de alfabetização. De acordo com o censo de 2010, realizado pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 1 milhão de crianças e jovens até 19 anos possuem deficiência auditiva. Acredita-se que hoje, 9 anos depois, esse número tenha aumentado, o que se leva a repensar sobre o aspecto inclusivo dessas pessoas no âmbito social, principalmente no escolar. A inclusão de crianças surdas na sala de aula é de suma importância para uma aprendizagem eficaz. Analisa-se que, atualmente, muitos alunos surdos enfrentam dificuldades ao ingressarem numa instituição de ensino, devido à falta de infraestrutura e preparação dos profissionais do local. Quando se trata da questão da alfabetização para o grupo citado, encontra-se uma defasagem ainda maior, visto que é a partir dessa etapa que se desenvolvem as habilidades fundamentais de escrita e leitura, as quais são levadas por toda vida.

A alfabetização é uma das etapas mais importantes na vida das crianças cujo processo consiste no ingresso em uma nova etapa da vida. Nessa fase, faz-se necessário uma atenção redobrada aos estudantes para que o aprendizado seja eficaz. Contudo, por muitas escolas não possuírem projetos de inclusão para surdos, estes acabam por recebendo um ensino “superficial”, já que suas dificuldades muitas vezes passam por despercebido. Com o intuito de atrair atenção para o tema, o trabalho trouxe à tona os principais desafios enfrentados no processo de alfabetização das crianças surdas e as possíveis soluções para tais. Tendo em vista as informações levantadas e a discussão proposta, a relevância científica deste estudo foi pautada na ideia de servir como mais um instrumento que permite a divulgação de informações a respeito do tema, servindo como base para profissionais da área, como professores e pedagogos.

Atualmente percebe-se um grande impasse por parte da criança surda ao ingressar na escola, principalmente no processo inicial decorrente de diversos fatores como: limitações pessoais, o conhecimento parcial da língua pela qual se comunica (LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais), o preparo não adequado dos professores e profissionais envolvidos, defasagem na infraestrutura escolar, entre outros. É de extrema importância a reflexão acerca da situação da alfabetização dos surdos no Brasil, visto os desafios enfrentados por esses em relação ao aprendizado. O presente trabalho pretende discorrer sobre educação inclusiva voltada para crianças surdas no processo de alfabetização. Dessa forma, com o intuito de destacar a importância da temática proposta, este estudo trouxe como problemática: Quais são os desafios das crianças surdas no processo de alfabetização?

Este trabalho teve como objetivo geral entender “a importância da educação inclusiva voltada para os desafios das crianças surdas no processo de alfabetização”, pautado nesse propósito dividiu-se em três capítulos os objetivos específicos. No primeiro capítulo, realizou-se uma análise histórica sobre a educação do surdo, a relevância da Declaração de Salamanca e contextualizou-se a inclusão dos alunos surdos no processo de ensino aprendizagem. No segundo capítulo, objetivou-se apresentar desafios das crianças surdas no processo de alfabetização. No terceiro capítulo, objetivou- se refletir sobre o desafio dos professores e do contexto do sistema escolar frente a aprendizagem de alunos surdos.

O estudo foi desenvolvido de acordo com o delineamento de uma pesquisa bibliográfica com abordagem qualitativa. Segundo Gil (2002), a pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros, artigos científicos, teses e dissertações. Foram utilizados como fontes livros, periódicos, artigos científicos e bases de dados (Medline; Scielo; Lilacs; Bdenf, Constituição Federal), considerando como base os autores como Capovilla & Raphael (2008), Araújo (2015), Fernandes (1998), entre outros que contemplaram o tema.

HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO DO SURDO

A concepção histórico-cultural da educação, na premissa de Vygostsky, as crianças mesmas que são produtos das condições específicas do desenvolvimento social, conforme o autor apresenta: “Uso de signos conduz os seres humanos a uma estrutura específica de comportamento, que se destaca do desenvolvimento biológico e cria novas formas de processos psicológicos enraizados na cultura” (VYGOTSKY, 1984, p. 97) A história os surdos desde de a antiguidade é marcada por superação pois estes foram considerados sujeitos miserável, imbecis, anormais, incompetentes, de acordo com Capovilla e Raphael (2008). Havia o pensamento de que a linguagem falada seria a única maneira possível para o desenvolvimento da aprendizagem, portanto necessário a audição. Nesta época as pessoas surdas foram discriminadas e segregadas sob várias formas, vistas como pessoas de segunda classe, mesmo assim elas sobreviveram com sua língua, sua cultura e identidade, mostrando sua competência e capacidade para decidir a maneira melhor de educação que atendesse suas necessidades.

Aprofundando-se na história da educação de Surdos, destaca-se o L’Epée, francês que criou a primeira escola para Surdos na cidade de Paris, no ano de 1760, a qual se tornou modelo que impulsionou a criação de várias escolas também em outros países, conforme Barros (2011). O ano de 1857 pode ser considerado como divisor de águas na Educação de Surdos com métodos de comunicação para e diversas tentativas subsequentes, principalmente por meio dos sinais, Conforme Nerly & Ricardo (2005). No Brasil, o professor Surdo francês Hernest Huet, fundou a primeira Escola para Surdos, a convite de D. Pedro II, o Imperial Instituto dos Surdos-Mudos, baseado no método combinado. Outro fato marcante, agora de forma negativa, foi por meio do Congresso de Milão - realizado no ano de 1880, no qual havia somente a presença de 3 professores surdos, onde determinaram que a Língua de Sinais seria retirada da Educação de Surdos, persistindo o uso da Língua Oral, segundo as autoras, Perlin e Strobel (2006). Com este veredito podemos considerar um atraso significativo para a inclusão dos alunos surdos no processo de ensino aprendizagem, pois os mesmos foram proibidos de praticarem sua Língua e se viram afastados de sua própria cultura em torno de um século.

Considera-se tais fatos de grande significância dentro da análise do contexto histórico da inclusão dos alunos surdos no processo de ensino aprendizagem, conforme destaca Duboc:

“[...] que tais sujeitos fazem parte de uma população que, por muitos anos, permaneceu à parte do convívio social, ou quando muito, limitado no âmbito do assistencialismo ou da filantropia quase sempre amparada pelo olhar médico. ” (DUBOC, 2004, p. 123).

Desta forma, verifica-se que os Surdos eram ainda considerados pela maioria da sociedade uma deficiência de maior cuidado clínico. A autora declara que apenas nas últimas décadas este cenário está sendo mudado pelo crescimento da ciência e por visões mais progressistas, como também projetos políticos e educacionais que deram rumo a novas trajetórias da história da inclusão dos alunos surdos.

3. NOVAS TRAJETÓRIAS NO ENSINO E A DECLARAÇÃO DE SALAMANCA

Na história da inclusão dos alunos surdos no processo de ensino aprendizagem algumas mudanças como quebras de antigos paradigmas ocorreram, onde até a década de 60 no ensino para os alunos surdos vigorou o método chamado “oralismo puro”, que se viu ultrapassado por uma nova estratégia de ensino. Segundo Soares (2010), somente a partir de 1960 e início da década de 70 que apareceu uma nova concepção de educar os surdos em substituição a metodologia citada, denominado pela a autora de “comunicação total”, onde o método oral começa a perder sua magnitude, passando a ser visto como método tradicional de ensino. A comunicação total, para a autora, foi um passo para emergir a partir da década de 1990 a luta pelo Bilinguismo, abrindo um novo horizonte para as mudanças no ensino dos alunos surdos.

De acordo com Araújo (2015), o bilinguismo passa a ser a bandeira de luta dos surdos, como própria de sua cultura, desde a Conferência Mundial de Educação para Todos, realizado no ano 1990 em Jomtien, Tailândia. Nesta declaração os países relembram que “a educação é um direito fundamental de todos, onde a Inclusão e a democratização passaram a ser pautas primordiais.

Dentro deste processo histórico aconteceu um novo marco: o surgimento da Declaração de Salamanca. Em 1994, em Salamanca - na Espanha, constrói-se um documento oficial que legaliza todas as Instituições educacionais a incluírem os alunos surdos nas salas regulares, com acompanhamento especializado e direito de ser respeitado na sua língua – a língua de sinais. Esse documento ficou conhecido mundialmente como “A Declaração de Salamanca”, a qual proclama que:

Cada criança tem o direito fundamental à educação e deve ter a oportunidade de conseguir e manter um nível aceitável de aprendizagem. Cada criança tem características, interesses, capacidades e necessidades de aprendizagem que lhe são próprias. Os sistemas de educação devem ser planeados e os programas educativos implementados tendo em vista a vasta diversidade destas características e necessidades. (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994).

Com o surgimento desta declaração, percebe se que no Brasil houve uma mudança significativa no que diz respeito à inserção e valorização do bilinguismo. No Brasil, além da influência legal da Declaração de Salamanca, foi construído uma seção na Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional‐ LDBEN 9394/96 que destaca normas para o funcionamento da educação especial e para os profissionais que atuarão com essa clientela. Os alunos, antes denominados como “deficientes”, passam a ser tratados como “alunos com necessidades educativas especiais”.

Outro avanço na educação especial que ganhou destaque na educação de surdos ocorreu com a promulgação da Lei Nº10.436 de 24 de abril de 2002 que diz:

Art. 1º. É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais ‐ LIBRAS e outros recursos de expressão a ela associados. Parágrafo único. Entende‐se como Língua Brasileira de Sinais LIBRAS a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual‐motora, com estrutura gramatical própria, constitui um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil. (LEI Nº10. 436 DE 24 DE ABRIL DE 2002).

Esta lei que reconhece a LIBRAS como primeira língua da comunidade de surdos foi também de grande importância na conquista dos direitos dos surdos dentro do contexto social, profissional e educacional. Havendo uma mudança de sua realidade, uma vez que é garantido por lei ser educado em sua própria língua.

Seguindo esta ordem, afirma Araújo (2015), que o fato de ter um decreto que legaliza a LIBRAS como sistema linguístico viso‐motora no Brasil, este documento instaura na educação especial educação bilíngue. Da mesma forma Fernandes (1998), afirma que apesar da supremacia autocentrada dos ouvintes, a população surda continua sua luta, a qual vem promovendo maior organização a nível mundial em defesa de uma língua e cultura própria, no intuito de protagonizar a sua história. Conforme os autores acima citados, pode-se dizer que no Brasil, em relação à introdução da lei de LIBRAS, obteve-se a valorização do bilinguismo. Toda esta transformação vem sendo implementada nas escolas ao longo do tempo por meio de novos métodos de ensino, os quais têm proporcionado ao surdo uma realidade diferente da do passado. Porém, considera-se um progresso educacional para os alunos surdos no processo de ensino aprendizagem em sua língua natural. No próximo capítulo, serão abordadas as questões relativas à inclusão dos alunos surdos dentro contexto escolar no processo de ensino aprendizagem.

4. O DESAFIO DAS CRIANÇAS SURDAS

De acordo com o censo de 2010, realizado pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 3.5 milhões apresentam deficiência auditiva severa, sendo 1 milhão de crianças e jovens até 19 anos, mais precisamente cerca de 592.879 mil são crianças surdas com idade até 14 anos com necessidades educacionais especiais. É no ambiente familiar que a criança encontra suas primeiras dificuldades e desafios pois sua presença faz com que os integrantes principalmente os pais de uma criança surda entram em contato com sentimentos de negação, dor, medo e preocupação em relação a surdez e desdobramentos futuros conforme relata Buscaglia:

Dessa maneira, exercer a função de pais de uma criança com deficiência se apresenta como um papel novo e complexo, sendo imprescindível que se proporcione um diagnóstico médico compreensível; conforto no que se refere a sentimento de culpa, medo e incerteza; alguma ideia de futuro para pais e filhos; e muita esperança e encorajamento (BUSCAGLIA, 2002, p.120).

Nos primeiros meses de vida a surdez praticamente não é percebida e muitas vezes os pais demoram a identifica-la. Conforme Souza (2014), quando nasce um bebê com alguma malformação ou síndrome congênita, as deficiências e deformidades logo são visualizadas, havendo o impacto e o choque inicial por parte dos familiares e da equipe médica, mas no caso da surdez se configura como uma deficiência silenciosa e por essa razão há a demora no diagnóstico precoce. Um outro desafio tem direta implicação na aprendizagem infantil é que notasse que em alguns casos uma deficiência auditiva vem acompanhada de outras disfunções, como deficiência intelectual, TEA, TDAH, lesões neurológicas ou distúrbios de linguagem. Para Capovilla (2005) tais condições podem ser mais excludentes, dificultando o processamento de informações auditivas.

O processo de desenvolvimento da comunicação oral e linguagem entre as pessoas é facilitado por meio da audição, muitas crianças não conseguem utilizar adequadamente este caminho para aprender porque apresentam ou déficits parciais ou déficits totais (surdez) de percepção auditiva, obviamente limitadas as criança surdas não desenvolvem a língua oral-auditiva, conforme Silva (2005), justamente por não estarem em contato com ela naturalmente, por causa da surdez as crianças surdas de deparam com mais um desafio o de criar alguma forma de linguagem e procuram manifestar uma maneira de gesticulação manual , de acordo com Damázio (2007), mesmo quando não tenham contato com a língua de sinais.

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É por meio da linguagem que o homem organiza seu pensamento e se comunica com as pessoas, utiliza-se de verbalização e não verbalização, Brasil (2006). O entendimento da importância da idade para a inclusão em relação ao fator idade Lenneberg afirma que:

“[...] entre dois e três anos de idade, a linguagem emerge por meio da interação entre maturação e aprendizado pré-programado. Entre os três anos de idade e a adolescência, a possibilidade de aquisição primária da linguagem continua a ser boa; o indivíduo parece ser mais sensível a estímulos durante este período e preservar uma certa flexibilidade inata para depois da puberdade, a capacidade de auto-organização e ajuste às habilidades primárias e básicas não adquiridas até então geralmente permanecem deficientes até o fim da vida”. (LENNEBERG, 1987. P 67)                                    

As crianças surdas encontram outro desafio no sistema educacional pois as escolas não possibilitam as mesmas condições pedagógicas de alfabetização para alunos surdos comparadas a alunos ouvintes, visto que não falam a mesma língua. Segundo Araújo (2015) de forma errônea, a língua de sinais é utilizada em termos como meio para ensino da leitura e escrita, não considerando o verdadeiro direito da criança surda de usar sua própria língua. Ainda a autora afirma que a língua visual- espacial é executada como apenas um método adicional e não considerando devidamente eu sua totalidade linguística. Mediante esta situação a exclusão do surdo se agrava ainda mais, podendo ser tratado como desqualificados a compreender a língua portuguesa em sua organização.

Os estudos científicos na prática pedagógica de crianças surdas apontam que o ambiente adequado a suas necessidades proporciona um progresso no processo educacional. Para desenvolver a linguagem oral é necessário que o convívio com ouvinte, mesmo sem problemas fonológicos de outra forma a criança não aprendera a linguagem oral, de acordo com, Honora (2015).

A audição de qualidade é um diferencial significativo para o processo de aprendizagem na aquisição de informação e forma sequencial, conforme conceitua Vygotsky:

Nesse convívio, os surdos autoproduzem significados que lhes permitem entender de que é diferente. Essa diferença, contraditoriamente, só pode ser afirmada e vivida como tal, ao supor igualdade e reciprocidade. Daí a importância de preservar o direito da pessoa surda de se desenvolver, através de sua inserção em experiências condizentes com a heterogeneidade dos processos humanos. (VYGOTSKY 1993, p. 33).

Neste contexto vimos inúmeros desafios e dificuldades para criança surda no processo de alfabetização, que significa a aquisição do sistema convencional de escrita e o letramento possibilita o cidadão a construir, em si próprio, o sentido da escrita para sua vida cotidiana. No próximo capítulo, serão abordados os desafios encontrados pelos professores no contexto escolar para alfabetização de crianças surdas.

5. O DESAFIO DOS PROFESSORES

A inclusão da criança é uma questão delicada para a escola, pois é necessária uma melhor organização da estrutura escolar, todo um aparato pedagógico, e um corpo docente capacitado para atender essa demanda, a fim de cumprir sua função de integração social, conforme: declara Nogueira:

As políticas para a inclusão devem ser concretizadas na forma de programas de capacitação e acompanhamento contínuo, que orientem o trabalho docente na perspectiva da diminuição gradativa 25 da exclusão escolar, o que visa a beneficiar não apenas os alunos com necessidades especiais, mas, de uma forma geral, a educação escolar como um todo. (NOGUEIRA, 2002, p.77)

Trazendo o entendimento que o professor deve servir como meio de ligação entre o indivíduo que participa e se adapta com o mundo. Neste processo de alfabetização pode ser melhorado se a escola por meio da descoberta, e da investigação buscar desenvolver o potencial criativo e inventivo aprimorando o modo da criança aprender, assim Diniz ressalta que

“[...] o princípio fundamental da Educação Inclusiva consiste em que todas as crianças devem aprender juntas, onde quer que isso seja possível, não importando quais dificuldades ou diferenças elas possam ter”. (DINIZ 2012, p. 33)

A escola tem como premissa o desenvolvimento educacional dos alunos, sem acepções e isolamento de minorias, norteando o caminho para a vida e sociedade, incluindo os alunos surdos por meio de métodos que proporcione esta inserção em um mesmo ambiente, Diniz (2012, p. 65) confirma essa questão ao afirmar que “[...] a escola precisa preparar a criança surda para a vida em sociedade, oferecendo-lhe condições para aprender um código de comunicação que permita sua participação na sociedade”, ou seja, a escola deve subsidiar um ambiente mais seguro, constituindo-se a base solida para na qual os alunos se referenciam.

No contexto educacional, são visíveis as dificuldades dos professores na alfabetização de crianças surdas e suas necessidades educativas, isso por vezes mediante a um despreparo em sua formação como docente facilitador da inclusão, este problema encontrado em sala de aula por vezes tendo um potencial para atingir a classe toda e não só o aluno surdo, segundo Guijaro (1997) existe uma urgência em repensar a escola, afim de melhor capacitar o professor a atender a demanda da inclusão. Onde o autor realizou um referente trabalho em Cuba através de pratica diferente métodos de atendimento as necessidades Educativas Especiais. Assim motivando o professor a se apropriar de técnicas especificas para abordagem de crianças surdas, a encarar seu papel como alfabetizador um objetivo que deve ser concluída e medida por resultados na evolução do aluno o surdo em relação aos demais alunos ouvintes, que em tese deve ser equiparado se aplicados todos recursos educativos adequados.

É um desafio para um professor, que traz como método principal de ensino aos alunos a verbalização de conteúdo, alguém que provavelmente não tenha experiência com alunos surdos, trazendo para o ambiente educacional uma insegurança e falta de manejo com as necessidades do aluno surdo, tendo em si limitação de procedimento adequados para alfabetização deste aluno. Este autor argumenta:

Então, como é difícil para o professor do ensino regular, pela forma como tem sido construída a ação educativa na escola, produzir práticas de ensino que atendam a presença de um aluno surdo, é difícil, também, para o professor especializado contribuir com a construção de práticas pedagógicas que atendam alunos surdos e ouvintes (SOARES, 2005, p.39).

O surdo traz consigo uma linguagem própria e maneiras variadas de aprendizagem, proporcionando um desconforto para muitos professores mediante a não saberem se comunicar na primeira língua deles, a língua de sinais. As crianças surdas mesmo com seu nível cognitivo preservado, logo que ingressam na escola apresentam em sua maioria um atraso em relação a outras crianças, isto tem um potencial para afasta-la do convívio por dificuldades de interação com as crianças da mesma idade que em tese outros profissionais psicólogo, fonoaudiólogo e psicopedagogo deveriam assisti-la em suas necessidades. Mas é no papel do professor a responsabilidade como mediador e facilitador principalmente na alfabetização quando aprendera a língua portuguesa, temos como base a teoria de Vygotsky (1993) que enfatiza que o professor deve estar capacitado sustentar o desenvolvimento dos alunos, entender as limitações e cadencia de aprendizagem individuais e ter um bom entendimento de suas responsabilidades como professor. A Libras é um mecanismo ideal para que a aquisição de uma nova língua proceda de maneira eficaz, pois é a língua que proporcionara o alicerce necessário, uma vez que estará usando tua língua materna conforme afirma Michels (2011). No tocante a importância e carência, cabe o incentivo a esta formação qualitativa para que o docente se torne competente ao ponto de transformar a realidade no contexto educacional, transpondo as barreiras do bilinguismo, da simples transmissão de conhecimento e que prima em formar pessoas para a sociedade [...] sua atuação está comprometida com as condições da escola e com a qualidade de sua formação acadêmica. É ele, o professor, a autoridade responsável pelo processo de ensino aprendizagem se seus alunos conforme Pires (2005, p. 15). Dada tamanha relevância da formação adequada do professor ouvintes em LIBRAS este primeiramente se inclui no mundo da criança surda para depois leva-las a um alfabetismo, desenvolvimento educacional e inclusão, conforme declara Motta e Gediel (2016) possui habilidade de construir metodologias apropriadas para o alcance do propósito de ensino e aprendizagem considerando a diferença cultural entre ouvintes e Surdos no espaço educacional. Nessa perspectiva a atuação do professor para a educação de surdos, em relação a uma escola inclusiva, deve levar em consideração uma formação mais eficiente para professores como um curso de LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Educação Inclusiva que envolve o processo de alfabetização de crianças surdas tem como premissa assegurar as mesmas oportunidades a todos alunos. Por meio deste estudo objetivou-se entender “a importância da educação inclusiva voltada para os desafios das crianças surdas no processo de alfabetização”, a partir do qual concluiu-se que historicamente é possível afirmar que houve avanços nesse aspecto, dentre eles o reconhecimento da LIBRAS como língua materna dos surdos e a implantação de diversas leis que valorizam e amparam a educação do surdo. Entretanto, os dias atuais revelam um longo caminho ainda a se trilhar em relação ao processo de alfabetização das crianças surdas, mediantes aos desafios encontrados pelas estas e pelos professores no ambiente escolar.

O desafio das crianças surdas inicia-se no meio familiar pela falha no amparo e na falta de conhecimento sobre a questão. Este amplia-se ao deparar-se com um ambiente escolar carente de recursos que atendam às necessidades educativas especiais do grupo, pois apesar do sistema escolar possuir uma responsabilidade de inclusão instituída por lei, na prática, requer equiparação ao ensino dado aos alunos ouvintes e maior desempenho para reverter este quadro. No tocante ao desfio encontrado pelos professores na alfabetização de crianças surdas é de significativa relevância a falta de preparo e a formação desses profissionais para lidar com a demanda de inclusão, uma vez que cabe ao educador oferecer condições igualitárias a todos alunos. Tratando do processo de alfabetização de um aluno surdo, exige-se uma formação do docente em LIBRAS, bem como a habilidade no uso de recursos pedagógicos específicos, facilitando, dessa forma, a aprendizagem em na língua materna e o desenvolvimento da criança.

Por fim, afirma-se que os objetivos propostos para este estudo foram alcançados, de maneira que com intuito de destacar a importância da temática proposta o estudo pretendeu contextualizar a inclusão dos alunos surdos no processo de ensino aprendizagem, apresentar quais são os desafios das crianças surdas no processo de alfabetização e averiguar o preparo dos professores. Tendo em vista as informações levantadas e a discussão proposta, a relevância científica deste estudo está pautadas na ideia de servir como mais um instrumento que permite a divulgação de informações a respeito do tema, servindo como base para profissionais da área, como professores e pedagogos.

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Publicado por: Lana Lopes

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