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ECOSSOCIONOMIA A INTRODUÇÃO DE CONCEITOS SOCIOAMBIENTAIS NAS MATÉRIAS EDUCACIONAIS ECONÔMICAS

Educação

Necessidade de mudanças nos paradigmas econômicos lecionados até então, com a ambição de contribuir para a evolução do ser humano quando se pensa em seu modo de ver a vida.

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1. RESUMO

Este trabalho de conclusão de curso foi fundamentado no fato de que temas socioambientais não são inseridos de maneira definitiva nas disciplinas educacionais, principalmente nas econômicas. Os problemas ambientais hora vividos pela humanidade justifica seu desenvolvimento, objetivando mudanças no conjunto das relações entre os elementos do sistema econômico, e consequentemente, no comportamento do homem. Com o necessário envolvimento estatal neste sistema, políticas públicas específicas estão sempre em evidência, como exemplo podem ser citadas campanhas para redução no consumo de água ou de emissão de poluentes, porém, a sistemática econômica tem todo seu complexo limitado a apenas dois tópicos: a produção e o consumo. Esta limitação no pensamento empresarial é o grande vilão socioambiental quando se leva em conta o conceito de desenvolvimento sustentável, evidenciando a necessidade da inserção deste conceito entre suas diretrizes. Concluindo, metodologicamente o trabalho foi baseado em pesquisas que ressaltam a inadiável necessidade de mudanças nos paradigmas econômicos lecionados até então, com a ambição de contribuir para a evolução do ser humano quando se pensa em seu modo de ver a vida.

Palavras Chave: ecologia, economia, educação, sistema financeiro, socioambiental.

ABSTRACT

This course conclusion work was based on the fact that environmental issues are not inserted definitively in educational disciplines, mainly in the economy ones. The environmental problems currently faced by humanity justify its development, aiming to changes in the set of relationships between elements of the economic system, and consequently in man's behavior. With the necessary state involvement in this system, specific policies are always in evidence, as an example campaigns to reduce water consumption or emissions, can be cited, however, all of economy’s complexity is systematically limited to just two topics: production and consumption. This limitation on business thinking is the greatest environmental villain when one takes into account the concept of sustainable development, emphasizing the need to insert this concept among its guidelines. In conclusion, methodological work was based on research that highlight the urgent need for changes in economic paradigms taught until now, with the ambition to contribute to the evolution of the human being when thinking about their way of seeing life.

Keywords: ecology, economy, education, financial system, social and environmental.

2. INTRODUÇÃO:

Os contextos e as metodologias de ensino das matérias educacionais foram evoluindo ao longo do tempo. Matérias como História e Geografia, disciplinas Políticas e Cívicas, por exemplo, sofreram grandes alterações se comparadas com o que e com o modo como eram ensinadas há aproximadamente três décadas.

Durante esse período, disciplinas também foram extintas ou criadas, acompanhando o desenvolvimento humano, adaptando-se às novas realidades tecnológicas, demográficas e geográficas. Nestas circunstancias outras disciplinas estão claramente atrasadas com relação ao modo de se ver a vida no planeta hoje, a mais importante delas é a Economia.

Toda cultura do homem é fundamentada no sistema econômico, porém, o caos socioambiental que a humanidade vem sofrendo em todo o mundo nos mostra que estamos no caminho errado.

A matéria Economia evolui dentro dela mesma não fazendo parte da multidisciplinaridade exigida contemporaneamente, ela resolve problemas por ela mesma criados, tornando-se uma disciplina cheia de paradigmas.

Para mudarmos estes paradigmas precisamos pensar em termos de Educação Socioambiental, pois, este pensamento incorpora dimensões políticas, culturais, ecológicas, éticas e também econômicas. Segundo PELICIONI (1998, p. 10).

Os modelos econômicos adotados no Brasil ao longo da história têm provocado fortes concentrações de renda e riqueza com exclusão de expressivos segmentos sociais resultando, em grande parte, nos problemas que o país enfrenta. Ao mesmo tempo em que degradam o homem, sua qualidade de vida e seu estado de saúde, esses padrões de desenvolvimento vêm favorecendo a degradação ambiental por meio da exploração predatória de recursos naturais e poluição, às quais por sua vez, têm gerado impactos nas condições de saúde e qualidade de vida da população.

Pesquisando teorias de importantes personagens da história mundial, descobrimos que desde a idade média já haviam cientistas, filósofos, teólogos e políticos preocupados com a degradação socioambiental, nos dias atuais, podemos afirmar que estas preocupações tinham razão de ser.

Para exemplificar esta verdade, se podem citar algumas constatações históricas, a se iniciar por fatos ocorridos no início da era da industrialização, onde, somente para mencionar um dos vários problemas socioambientais, não haviam ainda leis trabalhistas justas. Aproximadamente três décadas depois, em meados dos anos 1940, no final da segunda guerra mundial, bombas atômicas foram utilizadas pelo homem, a partir desde momento a humanidade se deu conta de sua capacidade de destruir o planeta. Logo após este triste capítulo da história foi criada a ONU – Organização das Nações Unidas. Segundo a ONUBR – Organização das Nações Unidas Brasil¹ seus propósitos e princípios são:

Manter a paz e a segurança internacionais; Desenvolver relações amistosas entre as nações; Realizar a cooperação internacional para resolver os problemas mundiais de caráter econômico, social, cultural e humanitário, promovendo o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais; Ser um centro destinado a harmonizar a ação dos povos para a consecução desses objetivos comuns.

Com o passar do tempo os fatos que comprovam que o planeta não suporta mais nosso modo de vida foram sendo deixados de lado e a humanidade, sempre com seus conceitos alicerçados exclusivamente no sistema econômico, foram diminuindo suas apreensões com relação ao meio ambiente, e assim, novas mostras de degradação ambiental surgiram.

Em meados dos anos 1960, as mudanças climáticas e a crise do petróleo novamente suscitaram debates. A ONU então resolveu criar a primeira Assembleia Geral Mundial, em 1969, na Suécia. Naquela época, várias correntes ambientalistas reacenderam suas teorias de mudanças comportamentais, ao mesmo tempo, movimentos ecológicos foram surgindo, o movimento Hippie é um exemplo desses movimentos.

Assembleias e Conferências foram sendo organizadas pelo mundo todo ao longo deste período até culminar na mais importante delas, a Conferência Internacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1992, a ECO∕92, onde o conceito de Desenvolvimento Sustentável   passou a ser uma importante ferramenta rumo às mudanças nos velhos paradigmas educacionais, mas que vem sendo adulterado pelos interessados em manter as sistemáticas atuais, entenda-se nesta afirmação, governantes e grandes corporações industriais.

1 – Organização das Nações Unidas Brasil. Propósitos e princípios da ONU. http://nacoesunidas.org/conheca/principios/.  Acesso em: 13 ago. 2015.

Sob o foco ambientalista, esta afirmação se confirma ao pesquisarmos o assunto. Segundo HERCULANO (1992, p. 3), o conceito de Desenvolvimento Sustentável vem sofrendo esta adulteração.

Esta concepção ambientalista de desenvolvimento sustentável estaria sendo adulterada na medida em que é interpretada por diferentes atores sociais, passando a ser percebida ora como porta de entrada, no país, de mecanismos internacionais de controle sobre o nosso patrimônio natural, ora como uma estratégia de expansão de mercado e do lucro.

A interpretação correta do conceito tornou-se um temeroso passo para os que insistem em não haver as necessárias mudanças comportamentais, segundo BARONI (1992, p.2): “[...] foi retirado o requisito estabelecido originalmente em 1986 na Conferência de Otawa, a respeito da necessidade de equidade e justiça social para o desenvolvimento sustentável.[...]”

A progressão das preocupações socioambientais nos mostra que hoje temos diversas ideologias a serem consideradas: os Neumalthusianos com suas teorias demográficas, os Zeristas com relação ao crescimento econômico “zero”, os Marxistas com conceitos anticapitalistas, os ecos-tecnicistas com a tese de que a crise ambiental será superada por meio do desenvolvimento da ciência, entre outras.

Dados os avanços dos problemas socioambientais e a comprovada falência do sistema econômico hoje vivido, a humanidade dispõe de um importante momento para que grandes mudanças educacionais sejam realmente efetivadas.

Este trabalho procura mostrar que existe erroneamente uma independência, um verdadeiro abismo entre as matérias que tratam de assuntos socioambientais com relação à educação econômica.

As teorias econômicas tratam exclusivamente de processos financeiros e produtivos, desconsiderando as consequências socioecológicas de suas ações. O crescimento dos níveis de pobreza e a degradação de sistemas ecológicos são notórios, provocando um desequilíbrio socioambiental em todo o planeta.

As práticas políticas e financeiras hoje, não levam em conta um elemento básico em toda a cadeia produtiva: os finitos recursos naturais, submetendo a própria humanidade a sobrevivência e não a uma vida equilibrada. Esta situação contraria o suprassumo do conceito de sustentabilidade, ou seja, o desenvolvimento e o progresso humanos trabalhados simultaneamente com o respeito pelos recursos naturais. Segundo SACHS (2004, p. 11):

O Estado nacional tem entre suas funções principais: A harmonização de metas sociais, ambientais e econômicas, por meio do planejamento estratégico e do gerenciamento cotidiano da economia e da sociedade, buscando equilíbrio entre as diferentes sustentabilidades (social, cultural, ecológica, ambiental, territorial, econômica e política) e as cinco eficiências (de alocação, de inovação, a Keynesiana, a social e a ecoeficiência).

Neste contexto, deveríamos modernizar as teorias econômicas e criarmos uma nova base teórica para as matérias sociais, políticas e financeiras.

3. OBJETIVOS:

3.1 OBJETIVO GERAL:

Este trabalho de conclusão de curso vem proferir a necessidade da inclusão de ideologias socioambientais na grade educacional das disciplinas econômicas, desde que estas disciplinas ainda não evoluíram para o contemporâneo conceito pedagógico da interdisciplinaridade.

3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

Fazer considerar o valor agregado dos recursos naturais sob a ótica socioambiental é um dos principais objetivos específicos deste trabalho, assim como reivindicar a inclusão de valores sociais e ambientais antes do processo de utilização de matérias primas naturais. Também visa a quebra de paradigmas econômicos por intermédio de uma nova ferramenta educacional, a transdisciplinaridade, propondo inclusive, a criação da disciplina Ecossocionomia em lugar da tradicional: Economia.

4. METODOLOGIA:

Trabalho elaborado por meio de levantamento bibliográfico. Pesquisas em artigos, livros e sítios eletrônicos de comprovada credibilidade e publicadas por cientistas renomados foi a metodologia empregada. Com o advento da informática pesquisas científicas que outrora ficariam esquecidas em alguma prateleira, engavetadas ou divulgadas apenas entre os próprios pesquisadores, ganharam uma ferramenta de difusão. A Internet permitiu o rápido e fácil acesso aos interessados. Existem verdadeiras bibliotecas eletrônicas disponíveis neste poderoso veículo de comunicação. Com a cautela de se buscar por fontes confiáveis, avaliando-se eventuais parceiros e∕ou promotores culturais dessas fontes. Livros tradicionais e digitalizados também foram usados como fontes de pesquisas.

5. RESULTADOS DA DISCUSSÃO:

O termo Economia vem do Grego e significa: Oikos (casa) + Nomos (costume), ou seja, costume da casa e é uma ciência que estuda basicamente a produção, a acumulação e o consumo de bens materiais. Já Ecologia significa: Oikos (casa) + Logia (estudo), ou seja, estudo da casa, e trata-se de um ramo da Biologia que estuda as relações entre os seres vivos e o meio ambiente onde vivem, bem como a influência que um exerce sobre o outro. Comparando-se os dois conceitos, percebe-se claramente a existência de uma lacuna entre o termo Economia com o termo Ecologia. Segundo MOURA (2008 p. 57):

A empresa deve, antes de tudo, atender às necessidades de seus consumidores. Esta deve ser sempre seu objetivo principal, sendo vital para que ela possa sobreviver, mantendo ativos os três pilares da sustentabilidade, que asseguram a própria existência da empresa, em longo prazo: a) resultado econômico[...] b) qualidade ambiental [...] c) responsabilidade social[...].

Para que fosse possível a discussão sobre os objetivos deste trabalho, quatro parâmetros foram levados em consideração. O primeiro trata sucintamente da evolução dos conceitos econômicos através dos tempos e sua influência na formação das diretrizes comportamentais humanas.

O segundo parâmetro procura mostrar as consequências atuais dessas diretrizes, busca comprovar que as disciplinas econômicas estão presas em seu próprio mundo, indiferente aos resultados finais de sua doutrina.

O terceiro parâmetro vem propor a utilização de uma ferramenta educacional que permitiria a inserção e a mudança em forma de evolução nos preceitos fundamentais das disciplinas econômicas.

Por fim o quarto parâmetro, onde foram somadas as informações sobre a evolução das teorias econômicas, suas consequências e a hipótese de utilização da transdisciplinaridade em sua metodologia de ensino, resultando em uma extrapolação que orienta a mudança na denominação da disciplina: Economia.

5.1 A EVOLUÇÃO DOS CONCEITOS ECONÔMICOS:

É difícil estudar a evolução dos conceitos econômicos através dos tempos sem considerar seus envolvimentos políticos e vive-versa. Estas duas matérias são intrínsecas entre si formando a base cultural de vários povos. Segundo BACKHOUSE (2002, p. 16):

A história política também é importante, pois os acontecimentos políticos e econômicos estão inextricavelmente ligados e os economistas têm-se envolvido ou não, com igual frequência, direta ou indiretamente, na política. Eles tentaram influenciar a política, e as preocupações políticas os influenciaram.

Assim como a política, tratada neste momento de modo especial graças às suas influências sociais diretas, outros segmentos acadêmicos foram enriquecendo as teses econômicas indiretamente.

Ao estudarmos homens influentes da história remota e que tiveram participação no que hoje é lecionado em universidades de economia em todo o mundo encontramos profissionais de reconhecida competência, porém com formações diversas, tais como: filósofos, advogados, teólogos, e etc.; Adam Smith, por exemplo, era um filósofo escocês e é considerado até hoje como o fundador da economia moderna depois de escrever o livro: A Riqueza das Nações, publicado em 1776.

Antes de se chegar às teorias modernas inseridas na cultura mundial por Adam Smith, pode-se citar que os primeiros estudiosos do assunto foram os filósofos gregos Aristóteles (aproximadamente 380 a. C.) e Platão (aproximadamente 430 a. C.).

Depois e durante séculos, a economia passou a evoluir para atender aos interesses peculiares de políticos e religiosos, gerando uma relação entre o poder e os interesses do povo, em uma época em que o trabalho artesanal e a agricultura ainda eram as principais atividades profissionais humanas.

Chega-se então ao final do século XIX, quando se deu início a um período em que a evolução nas relações econômicas e trabalhistas instituiu, por exemplo, salários aos trabalhadores e a invenção de máquinas para fabricação de bens.

Este período da historia foi denominado Revolução Industrial. Segundo o Portal Educação²:

O pensamento econômico nasceu na Antiga Grécia com os pensadores Platão e Aristóteles que descreveram problemas do comercio e a riqueza da época, já na idade média onde as ideias predominavam em torno da igreja católica que gerencia o comercio, entre os anos XV e XVIII surgiu a ideia do mercantilismo alguns fisiocratas franceses começaram a formular a ideia de um modelo econômico. Mas segundo os registros a economia mundial nasceu no ano de 1776 quando o filosofo e economista Adam Smith publicou em sua obra chamada ”Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações”, parte dos escritos de Smith foram desenvolvidos depois por outros economistas do século XIX, como David Ricardo e Thomas Robert Malthus, se destacando mais com o Jonh Stuart.

Hoje, com o advento da informatização a da tecnologia digital estamos vivenciando uma nova revolução na maneira de viver do ser humano, a Revolução Tecnológica. Durante o estudo das evoluções econômicas o que se percebe é que ela nunca cumpriu com seu papel social, enquanto ela deveria ser o principal ator no equilíbrio entre as forças produtoras e distribuidoras com relação às carências do homem, porém, os efeitos reais de suas aplicações mostram miséria e pobreza desmedidas e o abastamento de raros. As ferramentas econômicas criadas ao longo do tempo e que fazem parte do sistema financeiro, não é de fácil acesso para os menos privilegiados. Países ou povos que não tem nada a oferecer para o sistema, seja por escassez de matéria prima ou por falta de oportunidades para seu desenvolvimento intelectual, são simplesmente excluídos do próprio sistema. Segundo BACKHOUSE (2002, p. 19):

Fenômenos como empresas, bolsa de valores, dinheiro, etc. são mais bem apreciados como instituições que surgiram para solucionar problemas econômicos mais fundamentais, comuns a todas as sociedades. É preferível definir a economia, portanto, em relação a esses problemas mais fundamentais do que em relação a instituições que existem em algumas sociedades, mas não em outras.

A economia e seus fenômenos, cada vez mais giram em torno de seus próprios paradigmas, excluindo qualquer outra teoria, tratando-as como insubstanciais.

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2 – Portal Educação-História da economia mundial. http://www.portaleducacao.com.br/administracao/artigos/48912/historia-da-economia-mundial . Acesso em 14 jul. 2015.

5.2 EFEITOS SOCIOAMBIENTAIS DAS PRÁTICAS ECONÔMICAS CONTEMPORÂNEAS:

As evoluções das práticas econômicas sempre tiveram como principal meta o equilíbrio nas relações comerciais humanas, procurando equidade entre benefícios e deveres de vendedores e compradores. O que define a demanda e a procura é a dificuldade ou não em adquirir os bens desejados. Segundo BACKHOUSE (2002, p. 17-18):

Os fenômenos que associamos à economia (preço, dinheiro, história da economia mundial produção, mercado, barganha) podem ser vistos ora como consequências da escassez, ora como maneiras pelas quais as pessoas tentam superar o problema da escassez.

Pode-se entender escassez, nas definições econômicas, pela relação entre a quantidade de matéria prima almejada ou pela complexidade em extrai-la, tornando-a rara ou não, esta relação determina o preço do bem.

Sendo assim, as disciplinas econômicas em sua evolução, sempre gerenciaram o sistema financeiro pela valorização de recursos naturais e nunca consideraram a extinção destes recursos, nunca valoraram sua importância socioambiental, neste cenário, ainda surgem teorias tecnicistas, acreditando que novas tecnologias continuarão a suprir as necessidades do homem, estas teorias, cada vez mais vão extraindo e transformando recursos naturais, ou seja, escasseando a níveis microscópicos.

De um modo geral, a humanidade sempre lutou, literalmente, para ter acesso às suas necessidades, guerras mundiais foram travadas e guerras localizadas nunca cessaram, hoje, a ONU - Organização das Nações Unidas tenta evitar conflitos bélicos de proporções mundiais, mas especulações neste sentido estão constantemente em evidência e os motivos continuamente são ligados às necessidades humanas não atendidas pelo sistema econômico empregado. Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas (PNUD, 2014, p. 19 – 20):

Quase 2,2 mil milhões de pessoas são vulneráveis à pobreza multidimensional, incluindo 1,5 mil milhões que são multidimensionalmente pobres. Três quartos dos pobres do mundo vivem em zonas rurais, onde os trabalhadores agrícolas sofrem a maior incidência de pobreza, presos na armadilha da fraca produtividade, do desemprego sazonal e dos baixos salários. Em termos globais, 1,2 mil milhões de pessoas (22 por cento) vivem com menos de 1,25 dólares por dia. Se elevarmos a linha de pobreza para 2,50 dólares por dia, a taxa de pobreza mundial aumenta para cerca de 50 por cento, ou seja, para 2,7 mil milhões de pessoas. Ao deslocar a linha de pobreza desta forma, passa a estar incluído um grande número de pessoas potencialmente vulneráveis à pobreza e às dificuldades.

Em suma, os preceitos econômicos tem uma conduta própria, alheia aos acontecimentos fora de seu eixo de ensinamentos, não é uma matéria que proporciona aos seus profissionais uma visão holística, impedindo-os de enxergarem as consequências negativas quando o assunto é social e ambiental, eximindo-os desta responsabilidade, causando o desequilíbrio ora vivido pela humanidade.

5.3 PROPOSTA DE TRANSDISCIPLINARIDADE EDUCACIOANAL:

Considerando-se o exposto anteriormente, fica claro que mudanças educacionais se fazem necessárias, principalmente quando se reflete sobre as diretrizes econômicas em seus fundamentos.

Atualmente os ensinamentos são interligados, Historia do Brasil, por exemplo, pode ser interligada com Geografia para que se tenha uma visão contextual das condições locais quando de seu descobrimento e não somente dos fatos em si.

Transdisciplinaridade significa isto, uma maneira planejada e regularizada de raciocínio que forma um complexo cruzamento de disciplinas para enfim compila-las. A Ecologia, por exemplo, é uma compilação de várias matérias: biologia, botânica, geografia, química e etc. Segundo OLIVEIRA (2005, p. 335):

Para falarmos de transdisciplinaridade é preciso dizer, antes de tudo, que há inúmeras formas de defini-la, segundo a perspectiva de diferentes autoras e autores, decorrentes da amplitude de sua abrangência (Weill, 1993, p.35). Segundo SOMMERMAN (1999), há pesquisadores que a definem como a “efetivação de uma axiomática comum a um conjunto de disciplinas”, representando um grau mais profundo de comunicação/imbricação entre diferentes disciplinas, que para muitas autoras e autores, refere-se à interdisciplinaridade; para outros, transdisciplinaridade significa o reconhecimento da interdependência de todos os aspectos da realidade.

Sabe-se que a ideia de transdisciplinaridade não é nova, existem referências literárias datadas do início dos anos 1970. Em um rápido histórico pode-se citar documentos como: A Declaração de Veneza (1986), Ciência e Tradição (1991), Carta da Transdisciplinaridade (1997) entre outros.

É com base nas diretrizes econômicas anteriormente tratadas, suas negativas consequências para a humanidade e para meio ambiente e na explicitação da ferramenta transdisciplinaridade, que este trabalho vem propor a mudança na denominação da disciplina Economia para Ecossocionomia.

5.4 ECOSSOCIONOMIA:

Em uma breve definição pode-se afirmar que Ecossocionomia significa: Eco, do Grego Oikos (casa) + Socio, do Latim Sociālis, (aquilo que pertence ou que é relativo à uma comunidade.) + Nomia vem do Grego Nomos (costume), portanto, Ecossocionomia representaria a mudança desejada por este trabalho, pois sugere que os costumes da casa devam ser partilhados em comunidade. Ignacy Sachs (1927), um economista polonês naturalizado francês tem seu nome ligado ao termo e é referido como um Ecossocioeconomista. Segundo a Revista Acadêmica da Faculdade São Marcos³:

[...] é referido como ecossocioeconomista, por sua concepção de desenvolvimento como uma combinação de crescimento econômico, aumento igualitário do bem-estar social e preservação ambiental. Há mais de trinta anos, Ignacy Sachs lançou alguns dos fundamentos do debate contemporâneo sobre a necessidade de um novo paradigma de desenvolvimento, baseado na convergência entre economia, ecologia, antropologia cultural e ciência política. Suas idéias são hoje mais claramente compreendidas no cenário das mudanças climáticas e da crise social e política mundial.

3 – Revista Acadêmica da Faculdade São Marcos. Desenvolvimento: includente, sustentável, sustentado (resenha).http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:7cTLOoAiQm8J:www.saomarcos.br/ojs/index.php/rasm/article/download/5/4+&cd=4&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br. Acesso em 11 ago. 2015.

Este é o foco, considerar a geografia, a historia cultural, os anseios políticos, a geofísica, o ecossistema e tantas outras matérias que interferem na vida das pessoas e dos locais diferentes e peculiares do planeta, para então se implementar um sistema financeiro capaz de ser, no mínimo, mais equitativo quando são referenciadas as distribuições de oportunidades.

A economia, ensinada nos moldes atuais, não leva em consideração elementos fundamentais para a real evolução do ser humano, ética e moral, por exemplo, não fazem parte de seu vocabulário, e pior, quando surgem novos vocábulos em uma tentativa de se alertar as pessoas de que o mundo precisa de mudanças, estes são deturpados para que se mantenham os paradigmas financeiros, é o caso do termo sustentabilidade.

Várias reuniões ambientalistas foram realizadas no século XX, principalmente a partir de meados deste século, o termo Desenvolvimento Sustentável (DS) foi ganhando cada vez mais força para expressar a necessidade imediata de mudanças comportamentais humanas relativas às suas atividades, destaque-se as extrativistas.

Mas foi por intermédio de um relatório da ONU em 1987 que o conceito de DS foi consagrado e ficou conhecido como Relatório de Brundtland (nome da primeira ministra da Noruega). Segundo o Jornal do Senado Federal4:

[...] o documento passou a utilizar a expressão “desenvolvimento sustentável”, com a seguinte definição: forma como as atuais gerações satisfazem as suas necessidades sem, no entanto, comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades. Em essência, o desenvolvimento sustentável é um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações humanas [...].

Com o passar do tempo, o termo DS foi sendo adulterado por uma das ramificações das disciplinas econômicas: o Marketing.

4 – Fonte: página oficial do Senado Federal  http://www.senado.gov.br/noticias/Jornal/emdiscussao/rio20/temas-em-discussao-na-rio20/ecodesenvolvimento-conceito-desenvolvimento-sustentavel-relatorio-brundtland-onu-crescimento-economico-pobreza-consumo-energia-recursos-ambientais-poluicao.aspx. Acesso em 11 ago. 2015.

É fácil perceber propagandas comerciais utilizando o termo de maneira fútil, por exemplo, um restaurante se autodenomina sustentável e propaga este título pelo simples fato de plantar uma árvore em seu estacionamento.

Os princípios que motivam e orientam o comportamento humano devem fazer parte das premissas econômicas, o mundo economista não se aproxima das necessidades das pessoas. Segundo SACHS (2004, p. 13):

O desenvolvimento, distinto do crescimento econômico cumpre esse requisito, na medida em que os objetivos do desenvolvimento vão bem além da mera multiplicação da riqueza material. O crescimento é uma condição necessária, mas de forma alguma suficiente (muito menos é um objetivo em si mesmo), para se alcançar a meta de uma vida melhor, mais feliz e mais completa para todos.

Em suma, o homem precisa se desenvolver, explorar o desconhecido é parte de sua natureza, precisa de crescimento econômico, mas também precisa evoluir, ou seja, fazer com que cada dia seja um dia melhor com relação ao anterior, para todos.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS:

A evolução do ser humano é fatal, cada etapa vencida por ele é marcada por mesclas de sentimentos diferentes.

Ao atingir um objetivo, o primeiro sentimento é o de ter triunfado após uma grande dedicação, mas quase que imediatamente após, vem o inevitável sentimento de ambição, de ir além, de querer mais, e assim vai traçando os caminhos de sua evolução.

O homem, estudando o ambiente e usufruindo dele através dos tempos, alcançou um nível tecnológico inimaginável há aproximadamente meio século.

De um modo geral esta evolução tecnológica promoveu duas situações: a melhoria da qualidade de vida, questionável por atingir uma pequena camada da sociedade, e paralelamente, a imensurável degradação ecológica do planeta.

Acrescente-se neste contexto o fato de que os adventos tecnológicos sustentam um sistema econômico que acelera esta degradação a uma velocidade assustadora, transformando prognósticos ecológicos realizados por ambientalistas em meras “suposições”, pois, os estudos realizados por cientistas ambientais são trabalhados em velocidades naturais para entendê-las, tendo que ser observados e pesquisados respeitando-se os ciclos e a ordem natural das coisas, o sistema econômico por sua vez, trabalha de modo inverso, independentemente das consequências, acelera cada vez mais o processo produtivo. Segundo ZULAUF (2000):

A angústia dos estudiosos desses problemas relaciona-se à lentidão das decisões político-administrativas destinadas a estimular as práticas de mecanismos de reversão da síndrome do colapso ambiental. A velocidade de reação e as decisões desencadeadoras dos processos corretivos e preventivos não acompanham o galope da depredação da base de sustentação da vida provocada por comportamentos coletivos inconsequentes.

Defendendo estes prognósticos, surgem as denominadas instituições do terceiro setor, as organizações não governamentais (ONGs), primeiro para tentar evitar a extinção de animais e ecossistemas, depois ampliando suas atividades passando a confrontar governantes e corporações industriais.

Paradoxalmente, a criação destas organizações foi incentivada pelos próprios governantes e corporações para ocupar o espaço intermediário entre a administração pública constituída e a sociedade, e também para geração de empregos.

Estas organizações fizeram com que as discussões ambientais fossem ganhando força entre a sociedade e passaram a confrontar o modo de vida adotado pelo homem, principalmente a cultura consumista, aquela que faz com que as pessoas adquiram supérfluos mesmo não havendo condições financeiras para tal, deixando necessidades básicas em segundo plano.

Esta é a cultura imposta pelo sistema econômico e pelas disciplinas econômicas, por meio de uma poderosa ferramenta citada anteriormente, o Marketing. Segundo COSTA Et. Al. (2011, p.134):

[...] Cabe refletir se seria interesse real de órgãos do governo e de empresas trabalhar para uma mudança de padrões de produção e consumo. Teria mais credibilidade a instituição financeira que defende o crédito consciente ou o fornecedor de energia elétrica que investe em ações para o uso racional desse recurso? Ou, ainda, seriam essas apenas jogadas de marketing para transparecer credibilidade e visibilidade?

As consequências negativas deste modo de vida já foram explicitadas neste trabalho e nos remete a constatar que as grandes potências mundiais, os países ditos desenvolvidos, são os maiores degradadores do sistema ecológico e notadamente também os financeiramente mais ricos.

A quantidade de países financeiramente mais avançados é bem menor com relação à quantidade de países existentes no planeta, mas se negam continuamente a participar de qualquer orientação sobre as mudanças culturais ou de atitudes econômicas, pois, enquanto dominantes, submetem os países ditos subdesenvolvidos, em quantidade significantemente maior, ao sistema econômico imposto, deixando-os a mercê da degradação socioambiental.

Com isso, os valores sociais de outrora que nos definem como seres humanos: benevolência, bondade, respeito aos semelhantes e ao meio ambiente, moral, ética, compaixão com relação aos desfavorecidos, foram sendo substituídos por conceitos como: moda, ostentação e materialismo, desprezando a verdadeira essência da evolução humana, ou seja, o desenvolvimento em sua mais literal conceituação que é a evolução com conotação positiva, implicando em um avanço para etapas ou estágios superiores, a vida esta sendo tratada apenas por sua dimensão física, sem nenhum valor imaterial.

Considerando-se apenas os malefícios ambientais diretamente causados pelo sistema econômico atual, tais como: a degradação da camada de ozônio na atmosfera terrestre, a poluição, o aquecimento global, secas em regiões historicamente úmidas e tantos outros, pode-se crer na ideia de que transformações são necessárias.

O que precisa ser feito é conservar, utilizar-se sim dos recursos naturais, mas com a responsabilidade de mantê-los eternamente, esse é o equilíbrio necessário para o desenvolvimento e não somente ter a visão simplista de crescimento econômico, que é particularizado e incompleto, não é sustentável.

Os ensinamentos econômicos e suas diretrizes são globais, desconsideram peculiaridades ou culturas locais, esta verticalização de ordens é imposta de cima para baixo, ou seja, estão sempre atendendo aos interesses dos líderes mundiais em detrimento aos interesses da humanidade como um todo.

Curiosamente, a grande quantidade de recursos naturais ainda restantes no planeta, estão localizados justamente nos territórios mais pobres, pois, nas regiões financeiramente mais ricas, a dos líderes, os recursos naturais já foram escasseados por eles mesmos.

As evoluções tecnológicas da maneira como estão sendo incrementadas nos deixam com muitas incertezas quanto ao futuro da humanidade e do planeta.

Para que possamos ter uma visão futura mais segura devemos acatar e difundir o verdadeiro significado do termo Desenvolvimento Sustentável. As disciplinas econômicas devem acompanhar as transformações realizadas em outras disciplinas, possibilitando que elas tenham uma visão holística, usando para tal a ferramenta da Transdisplinaridade, e se permitindo alterar até sua nomenclatura, adotando o termo Ecossocionomia como sua denominação, pois, além dos problemas socioambientais causados pelo sistema econômico atual, outros que não fazem parte de uma matéria específica poderiam ser administrados pela nova disciplina, por exemplo, o crescimento demográfico ao invés de quantidade de consumidores e a qualidade de vida ao invés de nível de vida.

7. REFERÊNCIAS:

BACKHOUSE R. E.  A História da Economia, São Paulo: Editora Estação Liberdade Ltda. 2002.

BARBIERI J. C. Gestão Ambiental Empresarial – Conceitos, Modelos e Instrumentos, São Paulo: Editora Saraiva. 2008.

BARONI, M. Ambiguidades e Deficiências do Conceito de Desenvolvimento Sustentável. Revista da Administração de Empresas, São Paulo, 32(2): 14-24 Abr./Jun. 1992. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rae/v32n2/a03v32n2.pdf> Acesso em 10 jul. 2015.

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Publicado por: Rui Roque Silva Bizarro

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