DINAMICA DO CRESCIMENTO URBANO DO BAIRRO VIANA E MOURA NO MUNICÍPIO DE GARANHUNS/PE

Educação

Crescimento Urbano do Bairro Viana e Moura, e tem como objetivo compreender a dinâmica espacial do crescimento urbano neste bairro a partir de 2014.

índice

1. RESUMO

O trabalho de TCC apresentado traz como temática a dinâmica do Crescimento Urbano do Bairro Viana e Moura, e tem como objetivo compreender a dinâmica espacial do crescimento urbano neste bairro a partir de 2014. A metodologia adotada neste trabalho foi a seguinte: ampla pesquisa bibliográfica sobre o tema, aplicação de questionário socioeconômico na área de pesquisa, tratamento e discussão dos dados em softwares de geoprocessamento e planilhas eletrônicas. Como resultados foi possível observar que o bairro estudado passou por um intenso processo de urbanização a partir de 2014, tendo os anos de 2016, 2017 e 2018 concentrados os maiores percentuais de crescimento populacional. Este crescimento influenciou a criação de outros bairros ao entorno do referido bairro estudado. Entre os entrevistados 67% eram solteiros e 47% tinham o ensino médio. O bairro possui 1486 casas e a média salarial observada era de 1,5 salários mínimos. Cerca de 66% dos moradores são naturais de Garanhuns e 34% são naturais de outras cidades. Conclui-se que o Bairro Viana e Moura é composto por uma relevante população economicamente ativa contribuindo de forma significativa para o crescimento urbano e econômico de Garanhuns. Os agentes públicos e privados tiveram papel importante no planejamento e construção do bairro, isso pode ser constatado no traçado organizado das ruas e na semelhança arquitetônica das casas.

Palavras-chave: Planejamento Urbano, Geografia Urbana, Desenvolvimento Urbano.

ABSTRACT

The CBT paper presented has as theme the dynamics of the Urban Growth of Bairro Viana and Moura, and aims to understand the spatial dynamics of urban growth in this neighborhood from 2014. The methodology adopted in this paper was as follows: ample bibliographical research on the theme, application of socioeconomic questionnaire in the area of ​​research, treatment and discussion of data in geoprocessing software and spreadsheets. As a result it was possible to observe that the studied neighborhood underwent an intense process of urbanization from 2014, with the years 2016, 2017 and 2018 concentrated the highest percentages of population growth. This growth influenced the creation of other neighborhoods around the referred neighborhood studied. Among respondents 67% were single and 47% had high school. The neighborhood has 1486 houses and the average salary observed was 1.5 minimum wages. About 66% of residents are from Garanhuns and 34% are from other cities. It is concluded that Bairro Viana e Moura is composed of a relevant economically active population contributing significantly to the urban and economic growth of Garanhuns. Public and private agents played an important role in the planning and construction of the neighborhood. This can be seen in the organized layout of the streets and the architectural similarity of the houses.

Key-Words: Urban Planning, Urban Geography, Urban Development.

2. INTRODUÇÃO

A partir de 1950, houve o início de um intenso processo de urbanização e crescimento urbano no Brasil. Muitas áreas cresceram de forma desordenada e mal planejada, gerando problemas urbanos sérios como: favelas, esgoto a céu aberto, moradias irregulares e ruas mal planejadas.

Este crescimento desordenado aconteceu em todos os estados brasileiros, principalmente em municípios do interior de Pernambuco, tais como Garanhuns, caruaru, Petrolina, dentre outros. A expansão urbana para além do subúrbio de uma cidade, caracterizada como periurbanização, que aconteceu em Garanhuns nos últimos anos, permitiu a criação de novos bairros. Entre estes locais de expansão está o bairro Viana e Moura.

Diante do cenário da inevitável expansão e dispersão da urbanização, a periurbanização tem implicações sociais, ambientais e econômicas significativas pois faz-se necessário planejamento e regulamentação que minimize as desvantagens da expansão urbana. Tal planejamento urbano deve fomentar o desenvolvimento regional para além das relações socioeconômicas, como explica Sanchs (2008), pois planejamento urbano envolve os fatores físicos e histórico-culturais do lugar.

A criação de novos bairros no entorno de Garanhuns tornou-se evidente nos últimos anos, no entanto, não se sabe qual a real contribuição destes bairros para o crescimento econômico da região, por isso, busca-se saber de que forma o crescimento urbana do bairro Viana e Moura vem contribuindo para o desenvolvimento da cidade de Garanhuns.

A realização deste trabalho torna-se importante para a compreensão do papel dos atores sociais e políticos que agem no bairro e que contribuem para a dinâmica urbana e sua influência na região. Investigar e entender a dinâmica do crescimento urbano no bairro Viana e Moura é primordial para a compreensão da realidade local e do processo urbano em Garanhuns.

O presente trabalho teve como objetivo compreender a dinâmica urbana presente no bairro Viana e Moura entre os anos de 2014 e 2018, afim de entender se a dinâmica urbana neste contribui para o crescimento urbano de Garanhuns, para isso, foram feitas pesquisas de caráter bibliográfico, aplicação de questionários em campo e tratamento de dados em softwares de geoprocessamento para a elaboração de mapas.

2.1. DISCUTINDO COM O REFERENCIAL TEÓRICO

Para Milton Santos (1994), o espaço geográfico é um acúmulo de tempos desiguais, de modo que se pode entender o fenômeno das ações urbanas como um modo histórico e particular de se reproduzir o espaço. Ainda, afirma que:

O espaço urbano circunscrito em uma materialidade pré-existente é reproduzido de maneira diversa em cada momento histórico de uma cidade, envolvendo o lugar da vida movimentado pela prática humana a partir do modo pelo qual o ser humano desenvolve sua relação com as pessoas e com o espaço concreto. É o lugar no qual a vida social encontra-se em constante troca e conflito com as construções, vias de circulação, meios de transporte, telecomunicação entre outros. Nele se podem desenvolver diferentes modos de vida, de ideias, de conceitos e preconceitos, de usos, de apropriação e poder, tanto na relação entre pessoas/pessoas como na relação entre pessoas e o espaço (SANTOS, 1994).

Na concepção de Cavalcanti (1997), para o entendimento do espaço urbano é preciso considerar que ele é uma produção paradoxal com fundamentos racionais que resultam na segregação socioespacial. Existem também produções do espaço urbano que arriscam superar o uso da razão pela necessidade de sobrevivência da vida.

Dessa maneira, Carlos (2001) compreende o espaço urbano como um processo que envolve relações de troca materiais e imateriais entre homens com um único objetivo: a sobrevivência natural.

Os planejadores urbanos, juntamente com os cidadãos, através da gestão política e organização social, interferem na cidade produzindo um modo de vida urbana eficiente, seja pela organização física e pelo arranjo espacial dos objetos, seja pelo arranjo das ações no cotidiano.

O transporte coletivo, o sistema de mobilidade individual, as escolas, os hospitais e o comercio varejista, por exemplo, são arranjos do conteúdo urbano pois agregam, de forma contraditória e complementar, outros sistemas de objetos e ações, e outros arranjos, que irão formar e interferir o espaço geral, e diferir em aspectos o ambiente rural e o ambiente urbano.

A esse respeito, Santos (2007) afirma que os sistemas de objetos e sistemas de ações interagem: de um lado, os sistemas de objetos condicionam a forma como se dão as ações e, de outro lado, o sistema de ações leva à criação de objetos novos ou se realiza sobre objetos preexistentes.

O crescimento urbano resulta da junção de diferentes tipos de pressões sobre a expansão territorial que podem ser classificadas em dois grupos: a suburbanização e a peri-urbanização residenciais.

A suburbanização brasileira é complexa de ser estudada e analisada devido à grande pobreza e desigualdade, a cultura dos meios de transportes, como motos e carros, de forma assustadora mesmo com ausência de estrutura física nos municípios, e à violência.

Os grandes centros urbanos cresceram verticalmente durante seu período de crescimento urbano mais acelerado (REIS e TANAKA, 2007) e parte destes cidadãos que chegam à cidade começam a se distribuir nos locais ora ermos, em condições miseráveis e abandono do Estado, ora invadindo propriedades alheias. Isto deu lugar aos chamados bidonvilles das cidades francesas, as chabolas (barracas de madeira) na Espanha e as famosas favelas brasileiras, berço de grandes bairros ao redor dos centros das cidades, como se constata nas cidades de Garanhuns e Caruaru, em Pernambuco, com maior visibilidade. Não há cidade em processo de crescimento agressivo que não sofra destas manifestações patológicas (GOITIA, 1992).

2.1.1. Padrões de assentamentos urbanos

O padrão de assentamento em áreas distantes das cidades tem sido observado recentemente pelo crescimento de subúrbios cada vez mais ricos, como é o caso da cidade de Garanhuns. Para Martins (2000), a partir do desenvolvimento da cidade e de suas atividades, o campo passa a fazer parte do meio urbano através da ligação ao subúrbio, dos bairros afastados, porém conectados ao centro.

Assim, o bairro está na transição campo/cidade, e nele se configuram traços tanto do meio rural como da modernidade dos centros. Porém, por si só a suburbanização é insuficiente para explicar a tendência crescente à dispersão urbana, à formação da periferia, de bairros altamente povoados e com grande comércio e ofertas de serviços que antes só se encontrava nos centros.

O crescimento das cidades nos países em desenvolvimento é dinâmico, diverso e desordenado, e se caracteriza por ser registrado em zonas de transição entre o campo e a cidade, o que se chama de “Peri-urbanização”.

Conceituando a partir dos estudos de Maricato (2003), a inércia do Estado em relação às ocupações ilegais, pobres e predatórias, muitas vezes em áreas de proteção ambiental, além das demais áreas públicas por parte das camadas populares, demonstra, na grande maioria das cidades, a incapacidade de respeitar políticas constitucionais de moradias e de respeito aos direitos humanos.

Os cidadãos, na maioria das vezes, principalmente em pequenas comunidades, se instalam sem contar com qualquer serviço público ou obras de infraestrutura urbana. Neste sentido, Sanchs, destaca:

O território e as suas peculiaridades têm um papel relevante nas possibilidades do desenvolvimento de uma região. Trata-se de um aspeto importante para se compreender o fenómeno do desenvolvimento como algo não linear, nem igual para distintas regiões e países (SANCHS, 2008)

A periferia que Torres (2000) classifica como ‘fronteira urbana’ refere-se a um tipo particular de periferia, com altíssima taxa de crescimento demográfico, substancial migração e precariedade no acesso a serviços públicos, particularmente saneamento. A favelização ou fronteiras urbanas são regiões que apresentam infraestrutura precária ou em construção, territórios com alto índice de violência e conflitos por posse da terra.

Portanto, a ausência de um planeamento na formação dos bairros acarreta, para Oliveira (2011), dificuldades com “(...) o planeamento do uso do solo, com o desenho urbano, com o ordenamento da paisagem, com a renovação urbana, com o planeamento dos transportes e com o desenvolvimento de equipamentos”.

No Nordeste, desde a década de 1970 tem havido um forte processo de periferização com o crescimento desordenado das regiões periféricas dos centros urbanos por se tratar de terras sem proprietário aparente ou de valor muito baixo. Para Santos (1985),

As interações sistêmicas com os elementos formadores do espaço – “os homens, as firmas, as instituições, o chamado meio ecológico e as infra-estruturas” garantem a coerência interna para a explicação desse fenômeno que é a urbanização.

Buscando entender a equação da concentração populacional nas cidades e o fator crescimento urbano, o autor de literaturas de Geografia da População, Glaeser (1995), afirma que as externalidades positivas geradas pela aglomeração de trabalhadores e firmas em uma determinada cidade elevam a produtividade das economias locais e influenciam, com isso, as taxas de crescimento do emprego, da periferia e dos próprios centros urbanos.

Em conformidade com o trabalho de Glaeser, o crescimento populacional nos bairros circunvizinhos ao centro de Garanhuns se dá pelos altos números de empresas instaladas nestes bairros, principalmente no bairro estudado Viana e Moura. Assim, “(...) considera-se que o crescimento populacional funciona como uma proxy para a variável crescimento do emprego. Em relação ao crescimento econômico municipal, Glaeser (1995) também afirma que:

Entre cidades, o crescimento populacional captura a extensão pela qual estas estão se tornando habitats e mercados de trabalho crescentemente atrativos. O crescimento da renda é uma medida natural do crescimento da produtividade entre os países porque o trabalho é imóvel.

Admite-se o crescimento populacional como consequência da prosperidade dos municípios, sobretudo quando se trata de municípios que fazem parte do mesmo estado e que possuam índices econômicos em ascendência como Garanhuns. É sabido, ainda, que na mesma medida que o crescimento da renda traz qualidade de vida, revela muita desigualdade social, a iniciar na constituição do terreno adquirido pelo cidadão. (DINIZ, 2002).

Segundo Aulete (1948), o bairro é uma das regiões principais em que se divide uma cidade, ou simplesmente uma porção do território nas proximidades de um núcleo urbano. Já o Ximenes (2000) conceitua bairro como as grandes divisões de uma cidade e o

(...) compara com um arraial, acampamento, aldeota, lugarejo. Um lugar de realização de festas no interior do país. Sua definição se aproxima do que entendemos por um ambiente de vizinhança cujas pessoas ou familiares ajudam-se umas às outras, conforme as necessidades básicas de sobrevivência.

Em relação à sua importância no contexto da geografia urbana, o conceito de bairro para Ferreira (2004) leva em consideração a espacialidade e a territorialidade do lugar, além de sua relação com o propósito das pessoas em relação ao controle administrativo no que se refere aos direitos e deveres atrelados aos serviços públicos. Em um de seus relatos, Souza (1987) coloca que o Bairro existe no sentido afetivo de lugar, existente entre os seus moradores e, cuja formação, depende não apenas da posição geográfica, como também da troca entre as famílias e as pessoas, vestindo o interesse mutuo pela convivência.

2.1.2. A urbanização no Brasil

A fim de compreender o crescimento urbano de grandes bairros como Viana e Moura, integrante de cidades em crescimento como Garanhuns, é necessário entender o contexto nacional com relação à urbanização. Santos (2005) considera que se estendeu praticamente até a primeira metade do século XX e foi caracterizada por vários núcleos urbanos independentes um do outro, embora mantendo relações econômicas, principalmente, entre si. Logo após, iniciou-se a economia baseada em importações (globalização) e houve o grande desenvolvimento industrial que modificau a estrutura das cidades.

A descentralização urbana espacial emerge em um contexto cuja excessiva centralidade da área central torna-se causadora de economias de aglomeração, com elevado preço da terra, congestionamentos, falta de estrutura básica, de expansão, entre outras (CORRÊA, 1989).

Assim, para efetivação da descentralização sobre o espaço urbano, é preciso que os bairros e regiões afastadas do tecido urbano exerçam atração no que tange às atividades terciárias, aos serviços. Nesse sentido, algumas condições são essenciais, conforme (SERRA, 1987): terras desocupadas, baixo preço de impostos, infraestrutura básica, transportes acessíveis, topografia e drenagem adequadas, e mercado consumidor mínimo capaz de suportar a localização de uma atividade descentralizada.

Conforme Correia (1989), assegura que: “A descentralização implica em uma diminuição relativa da acessibilidade da Área Central, e aumento relativo da acessibilidade de outros locais [...]”. Tanto para Corrêa (1989) como para Spósito (1998), a descentralização e a acessibilidade no espaço urbano periférico (bairros) relacionam-se diretamente à difusão de meios de transportes por serem populares.

Por conveniência, as condições de deslocamento das pessoas na cidade constituem-se na principal condicionante em relação ao processo de produção dos bairros, e assim:

“A estruturação do espaço regional é dominada pelo deslocamento das informações, da energia, do capital constante e das mercadorias em geral – eventualmente até a mercadoria força de trabalho. O espaço intraurbano, ao contrário, é estruturado fundamentalmente pelas condições de deslocamento do ser humano, seja enquanto portador da mercadoria força de trabalho – como no deslocamento casa/trabalho-, seja enquanto consumidor - reprodução da força de trabalho, deslocamento casa-compras, casa-lazer, escola, etc”. (VILLAÇA, 2001)

Para Villaça (2001), planejamento urbano pode ser considerado como “(...) discurso ou fachada ideológica”, não legitimando ação concreta do Estado, ou seja, idealizando comportamentos não planejados. O plano Diretor, por exemplo, precisa sair da teoria, das discussões, dos seminários, para as ruas das periferias.

Como resposta imediata aos problemas urbanos advindos do rápido crescimento, Medeiros (2013) observa ações higienistas direcionadas às cidades do País, com o objetivo principal de arejar, ventilar e iluminar as edificações, construção de parques e praças, criação de linhas de transporte público acessíveis e com rotas alternativas, incentivo aos Shoppings Centers.

Junto ao processo de industrialização e urbanização brasileiras, com foco na cidade de Garanhuns, o pensamento moderno foi instalado com o intuito de ordenar a cidade e a sociedade, construir uma identidade regional e moderna, fomentando grandes e emblemáticos projetos como os conjuntos habitacionais, as edificações públicas, as praças temáticas, o turismo rural e urbano, entre outros ativos.

O desenvolvimento de planos urbanos, visando o controle do crescimento e o urbanismo, promoveu significativos avanços teóricos e metodológicos no campo do planejamento como a Lei Federal nº 6.766 de 1979, que regulamenta e define parâmetros mínimos para o parcelamento do solo urbano, contribuindo para a qualidade de vida nas cidades.

As transformações políticas do país, como a passagem pelo regime militar (1964-1985), econômicas e sociais, desde então, promoveram reflexões e fomentos aos princípios modernos do crescimento e organização das cidades do Brasil. Del Rio (1990), afirma que “Sem dúvida, o retorno do Brasil a plena democracia permitiu pavimentar novos caminhos na direção de cidades mais justas e de uma melhor qualidade de vida”.

A Constituição Federal de 1988 faz importantes considerações relativas à função da cidade, do solo e da propriedade, inclusive após a proposição do Estatuto das Cidades. Sobre a Constituição Federal, Lima (2014) discorre que:

Com a constituição de 1988, é inserido o princípio da função social da propriedade (artigos 182º e 183º) e o Plano Diretor é definido como instrumento básico da política urbana, passando a ser obrigatório para cidades com mais de 20 mil habitantes. Finalmente, em 1990, é regulamentado o capítulo da política urbana da Constituição Federal, que foi aprovado em 2001 e ficou conhecido como Estatuto da Cidade. (LIMA, 2014, p. 153)

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As condições urbanas dos bairros mais pobres tornam-se ainda mais graves frente às ocupações irregulares e ao uso do solo de forma inapropriada. A falta de moradia se torna o entrave central para a expansão das cidades, à sua margem, em virtude do baixo rendimento financeiro da maioria da população.

Segundo, Benevolo (2012) relata que o problema da cidade irregular, ou informal, é um problema a ser resolvido não somente em Pernambuco, mas no mundo todo. Esta problemática, segundo o autor, amplia-se nos países em desenvolvimento em que as disparidades sociais são mais evidentes e onde se criam lugares inadequados e indignos diante de outros estruturados e diferenciados.

No município de Garanhuns, segundo Melo et al. (2013), as mudanças urbanísticas ocorrem a partir do ano de 1982 quando a cidade possuía 76.430 km de perímetro urbano. Em 2010 a cidade alcançou 192.200 km, perfazendo um aumento de 161.63%.

Para Cavalcanti (1997) e Sette (1956), o crescimento urbano de Garanhuns se deu muito lentamente em contradição ao seu aporte nas ideias políticas, à parte administrativa e eclesiástica, onde foi sede do vicariato em 1796. O quantitativo populacional era distribuído num território muito vasto e predominantemente rural, em vilarejos que hoje são municípios emancipados de Garanhuns.

A chegada da ferrovia permitiu o aumento da produção e o escoamento de diversos produtos com grande destaque para o algodão, atendendo a demanda da Inglaterra, e café, cuja produção era uma das maiores da região Nordeste. Tal estrada de ferro foi de extrema importância para a expansão do centro urbano e consolidação do município.

Segundo Sette (1956), o número de habitações rurais e com características urbanas evoluiu muito, e a cidade tornou-se atração de comércio e serviços para toda a região, inclusive de outros estados. Há a abertura de empresas comerciais, armazéns, pequenas indústrias de beneficiamento, muitas inclusive provindas de Recife.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e estatística IBGE, a taxa de crescimento populacional dobrou desde a década de setenta, o que fomenta a formação urbana da cidade e da identificação de bairros como Viana e Moura, sobre vales e vertentes.

Vale ressaltar que, mesmo com dificuldades em obtenção de água e no escoamento de esgotos, os bairros de Garanhuns cresceram em torno de dez km de perímetro em dezessete anos. Problemas ambientais como ampliação de voçorocas, lançamento de esgotos em nascentes, aterramento destas, despejo de lixo em locais inapropriados, ainda são comuns e fazem parte do tecido urbano, como cita Santos (2005).

Ainda, seguindo a linha de pensamento do Autor, se observa que outro momento de grande atração populacional e consequente urbanização (ou reurbanização) dos bairros de Garanhuns como Viana e Moura, foi a construção de uma Universidade Pública. Após ela, muitas outras se instalaram no centro e também em bairros. Assim,

A urbanização da sociedade e, conjuntamente, a percepção da sincronia dos processos, são acontecimentos que aumentam a complexidade da organização espacial. Com a simultaneidade dos eventos, os lugares não podem ser compreendidos satisfatoriamente sem levar em conta as inter-relações indissociáveis que mantêm com todas as outras dimensões espaciais do planeta (SANTOS, 2005)

3. PASSOS METODOLÓGICOS

Com base em estudos, a pesquisa realizada seguiu um raciocínio lógico caracterizado como hipoteco dedutivo, uma vez que se buscou analisar o crescimento urbano do bairro Viana e Moura no município de Garanhuns/PE, buscando compreender de que forma o crescimento espacial urbano do referido bairro vem contribuindo para o desenvolvimento do município .

3.1. Etapas da pesquisa

Foi adotado procedimentos para buscar literaturas bibliográficas e documental de diversos autores para fundamentar o estudo em questão. Fez parte deste referencial diversas fontes distintas como livros, artigos científicos e leis, bem como outras fontes cientificas que deram consistência ao estudo.

Também foi realizado pesquisas de campo quali-quantitativo, onde foi aplicado um questionário “por amostragem” junto aos moradores para observar de forma sucinta a satisfação dos mesmo em relação a moradia na localidade e outro questionário junto a empresa construtora visando obter o número de casas a ser construído no novo empreendimento bem como a possível quantidade de famílias a ser beneficiadas por estas moradias. Ainda na abordagem de campo ocorreu um levantamento fotográfico de diversos pontos do bairro Viana e Moura visando ter um registro fotográfico para o referido trabalho, bem como a construção de gráficos que demostrem a evolução da população de Garanhuns, segundo os censos demográficos das últimas décadas feitos pelo (IBGE). Sendo assim a atividade de campo também proporcionou a construção de gráficos demostrando a análise das respostas pelos entrevistados.

Após todos os procedimentos relacionados a estudos bibliográficos, coleta de informações em campo, levantamentos fotográficos e construção de mapas para o referido trabalho, foi possível realizar uma avaliação reflexiva referente aos dados coletados para a constatar ou refutar as hipóteses levantadas neste estudo.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

O Bairro Viana e Moura está localizado no município de Garanhuns – Pernambuco. Encontra-se distante a cerca de 5,4 km do centro da cidade. Na figura 1 é possível observar a área de delimitação do bairro sobreposta a uma imagem de satélite Geoeye com resolução espacial de 41 centímetros do ano de 2018 disponibilizada no ambiente digital Google Maps e tratada no software de geoprocessamento QGIS 2.18.1. Nesta imagem é possível afirmar que ¾ de toda a área do bairro já está ocupado por edificações.

Figura 1- Localização do bairro Viana e Moura - 2019.

Fonte – Base de dados do IBGE/BING. Elaborado por Pereira e Rodrigues, apartir do software QGIS 2.18.

O município de Garanhuns, por sua vez, está a cerca de 224 km da grande Recife. A localização estratégica aliado a um clima ameno e recursos hídricos em abundância foi primordial para o surgimento e ocupação inicial do município.

De acordo com SOARES & TROLEIS (2018), a chegada da linha férrea em 1887 desencadeou um vigoroso crescimento urbano fortalecido na década de 1950 pela construção de rodovias que propiciaram a transformação de Garanhuns em polo regional. Na figura 2 é possível observar o crescimento populacional de Garanhuns a partir da década de 1970 impulsionado pelas características citadas acima.

Gráfico 2 – Crescimento populacional de Garanhuns de 1970 a 2017.

Fonte: IBGE – Censo Demográfico, 2019 e Datapedia, 2019.

Spósito (1996), afirma que a cidade cresce de diferentes formas, tais como: crescimento populacional, horizontal, traçado e crescimento vertical. Estes tipos de crescimento podem ser observados em Garanhuns, porém o crescimento vertical observado no Bairro Viana e Mouro ainda e se apresenta em pequena escala.

Na figura 3 é possível observar o crescimento horizontal do bairro Viana e Moura, que teve a sua fundação em meados de 2014. Não foi possível elaborar mapas com imagens de 2014 e 2015 do bairro, por que na época da pesquisa não existiam imagens de satélites para estas datas.

Figura 3 – Crescimento horizontal do bairro Viana e Moura.

Fonte: Base de dados do IBGE (Censo Demográfico) 2019 e Datapedia, 2019. Elaborado por Pereira, Rodrigues, a partir do software QGIS 2.18.

O bairro teve seu maior crescimento populacional e horizontal entre os anos de 2016, 2017 e 2018, quando toda a área territorial do bairro foi ocupada. O crescimento horizontal foi determinado pelos agentes responsáveis pela criação do mesmo. E estes definiram um padrão similar para todas as casas.

O traçado das ruas é típico de áreas planejadas com ruas retilíneas que se cruzam formando ângulo reto. Somente em algumas áreas do bairro não se vê este tipo de traçado. De acordo com Spósito (1996) os detalhes estéticos das cidades, com ruas retas, surgem a partir do século XVII e XVIII. Somente no século XIX é que irão aparecer as cidades planejadas.

No bairro Viana e Moura foi observado crescimento vertical, de forma lenta pois esta área ainda não apresenta grandes edificações, sendo perceptível o crescimento horizontal. Na figura 4, é possível afirmar que as casas construídas possuem arquitetura semelhante.

Figura 3 – Vista aérea do bairro Viana e Moura – 2019.

Fonte –. https://images.app.goo.gl/ – Acesso em: 01/11/2019.

O traçado urbano observado em Viana e Moura deixa claro que a ocupação nesta área obedeceu a critérios pré-estabelecidos por profissionais da área de construção e planejamento. Com isso, pode-se afirmar que este bairro foi inteiramente planejado desde a sua implantação até a venda dos imóveis por meio de subsídios imobiliários. De acordo com a empresa responsável pela ocupação do bairro atualmente existem cerca de 1486 casas. A renda média das famílias que vivem no bairro está em torno de 1,5 salários mínimos.

Além do estudo dos aspectos geográficos do bairro Viana e Moura foi elaborado uma pesquisa de campo junto aos moradores do bairro e representantes da empresa responsável pela construção das casas e de toda a infraestrutura presente na área de estudo. Este trabalho de campo foi de caráter qualitativo.

Ao todo foram entrevistadas 15 pessoas com idades que variavam de 15 a 60 anos. Do total de entrevistados 9 eram homens e 6 mulheres. O tempo de moradia registrado foi de 1 a 4 anos. Esse curto período de tempo é decorrente da recente criação do bairro.

Cerca de 66% dos moradores são naturais de Garanhuns. Os outros 34% são provenientes de outras cidades de Pernambuco. Este percentual de moradores vindo de outras localidades é resultado do grande crescimento populacional observado em Garanhuns nos últimos anos. Um dado inesperado foi a quantidade de moradores que estão satisfeito em morar no bairro. Mesmo com o desemprego em alta cerca de 86% dos entrevistados se sentem satisfeitos em morar no bairro, enquanto que 14% estão infelizes em residir no bairro.

Para 66% dos entrevistados o bairro apresenta segurança, enquanto 34% não acreditam que o bairro seja seguro. Mesmo o bairro sendo considerado perigoso para cerca de 34% dos entrevistados a grande maioria conhecem pessoas que gostaria ou que teriam vontade de morar no bairro. Por outro lado, cerca de 4 pessoas ou 34% dos entrevistados não conhecem ninguém que queiram morar no bairro Viana e Moura.

Assim, como a grande maioria dos bairros em nosso país, o bairro Viana e Moura também possui associação comunitária de moradores. Mesmo assim, cerca de 6 pessoas ou cerca de 40% dos moradores acreditam que não existe uma Associação de Moradores no bairro. É importante destacar que a organização dos moradores por meio de associações pode trazer relevantes benefícios para toda a comunidade.

Quanto a percepção de contribuição do bairro para a economia do município, 93% dos entrevistados acreditam que o bairro contribui para o desenvolvimento de Garanhuns enquanto que 7% dos entrevistados não acreditam que o Bairro Viana e Moura contribui com a economia local.

O tipo de vínculo empregatício existente entre os moradores de Viana e Moura se resume a 46% celetista, 27% autônomo, 7% aposentado e 20% desempregado (Gráfico 1).

Gráfico 2 – Vínculo empregatício dos moradores do Bairro Viana e Moura em 2019.

Fonte: Pereira e Rodruigues, 2019.

A partir das informações referentes ao vínculo empregatício é possível afirmar que grande parte dos entrevistados são trabalhadores celetistas. Sendo assim, contribuem formalmente para a economia de Garanhuns. A existência de poucos aposentados entre os entrevistados pode ser um sinal de que Viana e Moura é composta por uma população jovem e economicamente ativa.

A formação acadêmica é outra importante informação a ser considerada em entrevistas sócioespaciais, pois além de indicar o grau de instrução dos moradores pode ajudar a compreender questões sobre meio ambiente, saúde e aspectos culturais. Na área de estudo cerca de 47% dos entrevistados possuem ensino médio completo, 33% fizeram a escola básica e 20% possuem nível superior. A representação gráfica destas informações está no gráfico 3.

Gráfico 3– Formação acadêmica no Bairro Viana e Moura.

Fonte: Pereira e Rodrigues, 2019.

Em relação ao estado civil, 67% dos entrevistados estavam na condição de solteiro, 27% casado e 6% divorciado. Nenhum entrevistado era viúvo. O grande percentual de solteiros pode representar uma mudança de mentalidade, principalmente entre os mais jovens, quanto a procura por obtenção de formação acadêmica ao invés da formação de uma família por meio do casamento. Este percentual elevado de solteiros também pode representar uma permanência maior de jovens nas casas dos pais (Gráfico 3).

Gráfico 4– Estado civil dos entrevistados.

Fonte: Pereira e Rodrigues, 2019.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir dos dados coletados e das informações apresentadas no decorrer deste trabalho foi possível constatar que desde 2014 o bairro Viana e Moura passa por um intenso processo de urbanização e crescimento urbano, onde milhares de famílias moram atualmente. A criação deste bairro também influenciou o crescimento urbano em suas proximidades, onde foi possível constatar em campo a criação de novos loteamentos residências.

As hipóteses levantadas inicialmente foram constatadas, pois o bairro Viana e Moura influenciou a criação de bairros em seu entorno e a população que reside hoje neste bairro contribui, seja por meio da economia local ou pela força de trabalho, com a economia e o crescimento urbano de Garanhuns. No entanto, não fica evidente se este bairro foi o principal motivo para que houvesse crescimento urbano e criação de novos bairros em seu entorno, pois outros atores espaciais podem ter agido para a expansão urbana nos arredores do Bairro Viana e Moura.

O local de estudo teve um crescimento planejado por meio de agentes públicos e privados, isso pode ser constatado no traçado das ruas e na semelhança arquitetônica das casas construídas. Além do crescimento ordenado o bairro recebeu, ao longo de sua ocupação, famílias de diversas localidades.

Entre os entrevistados a grande maioria eram solteiros, com ensino médio e emprego formal. Isso demonstra que o bairro é composto por uma relevante população economicamente ativa, contribuindo de forma significativa para o crescimento urbano e econômico do bairro Viana e Moura. Mesmo com um percentual elevado de pessoas empregadas não é possível afirmar num futuro próximo que a área de estudo venha a contribuir de forma significativa com o crescimento econômico e urbano de Garanhuns, pois será necessário a combinação de diversos fatores políticos e econômicos ao longo do tempo.

6. REFERÊNCIAS

BENEVOLO, Leonardo. História da cidade. Tradução de Silvia Mazza. São Paulo: Perspectiva, 2012.

CARLOS, A. F. A. O Consumo do espaço. CARLOS, A.F.A (Org.) Novos caminhos da geografia. São Paulo. Contexto, 2001.

CAVALCANTI, Alfredo Leite. História de Garanhuns. 2ed. Recife: FIAM/Centro de Estudos de História Municipal, 1997

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Publicado por: Juscelino Sobral Pereira

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