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COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA E SEU USO NA APRENDIZAGEM

Educação

Análise sobre o que é a Comunicação Alternativa, como ela pode ser usada em sala de aula e apresentar alguns recursos tecnológicos disponíveis.

índice

1. RESUMO

A área da Comunicação Alternativa e Ampliada (CAA) é uma área em crescimento, ganhando destaque recentemente e sendo impulsionada pelas tecnologias da informação e da comunicação, desenvolvendo recursos e formas de auxiliar pessoas com dificuldades de comunicação a conseguir interagir e se expressar. O objetivo do trabalho é apresentar o que é a Comunicação Alternativa, como ela pode ser usada em sala de aula e apresentar alguns recursos tecnológicos disponíveis e que podem contribuir para ajudar a essas pessoas a melhorar sua qualidade de vida e lhes conferir novas possibilidades para a vida social, profissional e acadêmica. A pesquisa para a confecção desse trabalho foi realizada através da leitura de artigos e matérias publicadas em sites e revistas disponíveis ao publico e que visam explicar esse tema recente e apontar caminhos para que pessoas que necessitem de formas de comunicação alternativa ou ampliada possam se desenvolver como cidadãos plenos a partir da sua alfabetização escolar.  

PALAVRAS-CHAVE: Comunicação. Recursos Tecnológicos. Aprendizagem.

2. INTRODUÇÃO

O presente estudo intitulado “Comunicação Alternativa e Seu Uso na Aprendizagem” tem como proposta inicial apresentar um conceito do que é comunicação alternativa e posteriormente apresentar recursos didático-pedagógicos que o professor poderá utilizar em sala de aula como ferramenta de mediação da aprendizagem dos alunos que apresentam Necessidades Educacionais Especiais (N.E.E) ou que sejam pessoas portadoras de necessidades especiais.

O estudo foi realizado com base em pesquisa bibliográfica de forma a abordar num primeiro momento um conceito de Comunicação Alternativa, na sequência apresentar ferramentas que poderão ser utilizadas com os alunos na mediação da aprendizagem e avaliação do desenvolvimento dos discentes e também no cotidiano social.

Assim buscamos formar um conceito de Comunicação Alternativa a partir da visão de autores do tema, de forma que contemple, de uma maneira geral varias particularidades sobre o tema de forma a proporcionar uma visão mais ampla.

Após estudar o conceito, surge a dúvida de como trabalhar o tema na prática, inserir no dia a dia do professor em sala de aula, e é nesse ponto que surgem os materiais didático-pedagógicos que são imprescindíveis para o desenvolvimento dos alunos e necessários para que o professor, como mediador desse desenvolvimento possa avaliar todo esse processo de modo a buscar a melhoria da aprendizagem e da vida social.

Nesse ponto, surge a integração da tecnologia como recurso didático-pedagógico para ser usada como ferramenta em sala de aula e proporcionar uma melhoria no processo ensino-aprendizagem, como ferramenta inovadora e inclusiva, por meio de softwares, hardwares e programas dos mais variados tipos, possibilitando a comunicação, despertando o interesse e curiosidade do aluno e como “ferramenta de trabalho” do professor, utilizada tanto na mediação da aprendizagem como ferramenta de avaliação do trabalho.

2.1. O que é comunicação alternativa?

Considerando que a comunicação pode ser definida como a ação de transmissão de mensagem, e ao transmitir a mensagem há uma resposta também em forma de mensagem ao que foi transmitido, ou seja, há uma ação e uma reação.

Quem transmite a mensagem é o locutor e quem a recebe é o interlocutor, logo para que haja comunicação é necessário que o locutor consiga usar palavras, gestos, códigos ou alguma forma de linguagem de modo que seu interlocutor possa compreender e assim responder a essa mensagem, seja com alguma resposta ou ao menos com o entendimento dessa mensagem, decodificando e compreendendo o que lhe foi passado.

Assim, percebemos que normalmente as pessoas se comunicam de forma verbal, porém algumas pessoas, por serem portadoras de necessidades especiais ou por estarem sobre alguma circunstância excepcional só conseguem se comunicar por sinais, gestos, figuras, desenhos ou expressões.

Dessa forma surgiu uma área de estudo  chamada de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), que se dedica a estudar diferentes formas de linguagem verbais e não verbais, como o uso de figuras, gravuras, representações gráficas da linguagem, de forma associada as capacidades de comunicação que o indivíduo possua.

Assim a CAA pode ser desenvolvida através de gestos, da expressão corporal e facial de forma que indivíduo possa estabelecer alguma forma de comunicação. De acordo com Lamônica e Caldana:

“[...] a comunicação alternativa envolve o emprego de atos motores manuais, expressões faciais, código Morse e símbolos gráficos (incluindo a escrita, desenhos, fotografias e gravuras). (...) considerados quanto ao seu grau de iconicidade, ou seja, são definidos quanto ao grau de semelhança física entre o símbolo e o seu referente, sendo considerados pictográficos, ideográficos ou arbitrários” (LAMÔNICA e CALDANA; p. 97. 2007).

Hoje em dia, existem tecnologias capazes de intermediar a comunicação, utilizando recursos de baixa tecnologia como figuras, cartazes, pastas e pranchas e também há os recursos de alta tecnologia, que usam computadores e softwares que podem interpretar gestos e traduzi-los em palavras usando uma voz gerada no sistema, ou mesmo o contrário, interpretar linguagem escrita e traduzir em gestos, como em LIBRAS.

Logo, podemos assim, compreender a Comunicação Alternativa como formas de comunicação, de expressão, de compreender e se fazer compreender utilizando de recursos não convencionais, podendo ser tecnológicos ou não.

2.2. Comunicação alternativa na sala de aula

A Comunicação alternativa pode e deve ser usada não somente com os alunos especiais, mas também com alunos que possam apresentar alguma dificuldade, seja de escrita, leitura, em realizar cálculos ou mesmo para expressar seus sentimentos, desejos e opiniões.

Ela se trata de ferramenta muito útil no auxílio à alfabetização de alunos, independente de serem ou não portadores de necessidades especiais.

Assim o professor deve sempre avaliar com cuidado quais as dificuldades e as potencialidades do aluno, de modo a elaborar um plano de estudos e definir estratégias eficientes de como trabalhar com o aluno usando recursos Comunicação Alternativa.

Dessa forma, os professores devem encorajar seus alunos e motivá-los para que não desista frente há alguma dificuldade.

Deve ser dada ao aluno, a liberdade para se expressar, propiciando a ele o contato com diferentes formas de comunicação, envolver a classe em atividades em conjunto que utilizem desses recursos, visto que são recursos que podem ser usados normalmente pelos alunos que não possuam necessidades educacionais especiais ou mesmo que não sejam portadores de necessidades especiais.

Um trabalho bem direcionado resultará em aprendizagem significativa. Para isso é necessário verificar as possibilidades do discente, e a partir daí explorar os recursos que melhor se encaixarem ao perfil do aluno.

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Alguns exemplos de uso de Comunicação Alternativa em sala de aula:

Caso, um aluno seja mudo ou portador de surdez, deve-se avaliar suas capacidades cognitivas e se for favorável introduzir o ensino de LIBRAS, podendo aproveitar o caso e promover o ensino para todos na escola, caso o aluno possui alguma limitação cognitiva que o impeça de aprender a Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS), deve explorar a comunicação por meio da expressão corporal, facial e se possível também de forma gráfica, seja pela escrita e/ou por figuras e desenhos.

No caso de alunos cegos, deve-se explorar o método BRAILE, a linguagem oral e trabalhar a percepção auditiva e tátil do aluno, podem-se usar programas de computador que fazem a tradução de textos escritos para o aluno.

Se o aluno apresentar dificuldades na aprendizagem da leitura, por exemplo, o professor poderá usar de atividades que atribuam figuras ou imagens as letras, de forma que ele possa incorporar e significar as letras e palavras e assim se apropriar de sua estrutura gráfica e fonética, ajudando a compreender a estrutura e códigos das palavras fazendo com que ele desenvolva habilidades de leitura usando de recursos de imagens.

Além da preocupação com método e recursos a serem usados com os alunos, a escola deve ter o cuidado de observar sempre o que existe de legislação vigente para melhor atender aos alunos que possam ser portadores de necessidades especiais ou alunos portadores de necessidades educacionais especiais, visando sempre atender as leis e aos direitos que os alunos possuam, oferecendo condições dignas para se desenvolver academicamente e também como pessoa.

2.3. Recursos tecnológicos

Tecnologias assistivas são todos os serviços e recursos como softwares e hardwares desenvolvidos com o propósito de oferecer meios para melhora da qualidade de vida da pessoa com deficiência.

Para Nunes (2002), uma das necessidades básicas dos homens é a capacidade de se comunicar. É algo necessário para que se haja interação nas relações, sendo um aspecto fundamental para o desenvolvimento social e para sobrevivência humana. Uma criança, a partir do momento de seu nascimento já se comunica, fazendo uso do choro, do riso para demonstrar suas necessidades e vontades. Vai desenvolvendo outras formas de comunicação aos poucos, por meio de gestos e desenvolvimento da fala e assim vai aperfeiçoando suas formas de interação e comunicação com o seu meio.

Pensando em auxiliar pessoas com dificuldades em comunicação desenvolveram-se diversos recursos para auxiliar nessa tarefa, hoje em dia, alguns sites possuem um pequeno ícone com símbolo da Língua Brasileira de Sinais e se abre na tela uma caixa onde uma pessoa traduz o conteúdo escrito ou em vídeo para a linguagem de sinais.

Para pessoas com comprometimento muito severo que as impossibilitem de se mexer, como nos casos de pessoas com esclerose lateral amiotrófica, existe um recurso chamado sintetizador de voz, essa tecnologia funciona com a disponibilização de um menu de palavras onde a pessoa através dos movimentos dos olhos, ou de outra parte do corpo que possua mais movimento para controlar um cursor, como do mouse, escolhe as palavras e vai montando a frase que deseja, após completar ela direciona o cursor até a opção enviar, o programa reconhece a mensagem e a lê para que outros possam ouvir, o sintetizador permite o usuário escolher o um tipo de voz em seu menu, possibilitando que ele possa escolher uma com a qual ele se identifica.

Atualmente sites governamentais e de grandes empresas também disponibilizam um opção chamada para cego vê, o usuário vidente clica nesse ícone e uma voz previamente gravada na página, traduz a imagem, explicando as imagens ou vídeo em detalhes para que a pessoa possa através da imaginação fazer a montagem mental do que está na tela.

Porém, também existem recursos de baixa tecnologia, esses muito usados em salas de aula, como pictograma, que se caracteriza por ser uma organização de figuras, sejam em lousa, tablets, ou mesmo montar um álbum no qual há varias figuras que representam algum desejo ou vontade que a pessoa possa ter, assim sempre que ela quiser algo é só mostrar a figura que representa esse desejo que a pessoa com quem ela estiver interagindo entenderá.

Para pessoas surdas-mudas, existem apps permitem que elas usando pictografia, escrever frases ou palavras em LIBRAS e o app traduz para linguagem falada o que foi escrito.

Essas são algumas das tecnologias mais usadas atualmente, são recursos que fazem a diferença na vida de muitas pessoas, resinificando a comunicação e permitindo que pessoas se desenvolvam de forma mais plena, mesmo sendo portadoras ou não de necessidades especiais, colaborando para que elas possam aprender, se alfabetizar e o mais importante, se socializar e se sentirem ativas em seu meio.

3. CONCLUSÃO

Pode-se concluir que a Comunicação Alternativa e Ampliada é de suma importância para a inclusão de pessoas com necessidades especiais, sejam elas físicas ou cognitivas educacionais, a comunicação é uma condição primordial para o desenvolvimento humano, para interação social e aprendizagem educacional.

A comunicação é a forma que temos de aprender, de transmitir conhecimento, de entender o outro e de poder ser entendido, expressar sentimentos, sentir o mundo e as pessoas.

Com os avanços tecnológicos a comunicação passou a ser mais dinâmica, mas também trouxe recursos, que ajudam muito as pessoas especiais a se comunicar, melhorando sua qualidade de vida e permitindo que desde crianças se alfabetizem e se desenvolvam  de forma mais plena.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DIOGÉNES, Bruna et. al. Comunicação Alternativa e Tecnologias Assistivas sob as vias do Trabalho em Redes: Construindo Práticas Inclusivas. Revista Iberoamericana de Informática Educativa. Nº 16, julio-dezembro de 2012, p. 33-47. 2012.

 LAMÔNICA, Dionísia Aparecida Cusin e Caldana, Magali De Lurdes. Uso De Comunicação Alternativa Para Reabilitação De Afásico: Relato De Caso. In: Nunes, Leila Regina Oliveira De Paula ; Pelosi, Miryam Bonadiu E Gomes, Márcia Regina (Orgs.). (2007) Um Retrato Da Comunicação Alternativa No Brasil: Relatos De Pesquisas E Experiências - Volume 1 . Rio De Janeiro: Quatro Pontos.

NUNES, Luis Roberto. Linguagem e comunicação alternativa. 2002.Tese (Professor Titular)- Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2002.


Publicado por: VAGNER MIRANDA DE MORAES

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do site por meio do canal colaborativo Monografias. O Brasil Escola não se responsabiliza pelo conteúdo do artigo publicado, que é de total responsabilidade do autor. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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