Autismo e a educação: Método ABA como proposta de intervenção na educação infantil

índice

Imprimir Texto -A +A
icone de alerta

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do site por meio do canal colaborativo Monografias. Brasil Escola não se responsabiliza pelo conteúdo do artigo publicado, que é de total responsabilidade do autor . Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: https://www.brasilescola.com.

1. INTRODUÇÃO

Este presente estudo foi elaborado para atender ao requisito de conclusão de curso de pedagogia, a qual tem como foco autismo e a educação- intervenção com o método ABA (Applied Behavior Analysis).

Para refletir sobre universo autista precisamos argumentar previamente o que é inclusão social? Segundo o dicionário Wikipédia refere-se a um conjunto de meios e ações que combatem a exclusão aos benefícios da vida em sociedade. Incluir é a capacidade de compreender reconhecendo o outro com especificidade e limitações.

A inclusão pode ser uma faca de dois gumes. Pode ser algo maravilhoso para o crescimento de todos, mas pode ser motivo de sofrimento de muitos se não estiver bem estruturada. (MINETO,2008,p.98).

O transtorno do espectro autista (TEA), é uma variedade de transtorno mentais do tipo neuro desenvolvimento caracterizada por anormalidade generalizadas de interação social e muito restrito e comportamento altamente repetitivo, com causa incerta, fatores de risco inclui ter pais mais velhos, familiares com autismo e certas condições genéticas.

Aparecendo nos primeiros anos de vida, proveniente de causas genéticas ou por uma síndrome ocorrida durante o período do desenvolvimento da criança, o autismo possui no seu espectro as incertezas que dificultam na maioria dos casos, um diagnostico de grande parte dos educadores. Não há padrão fixo para a forma como ele se manifesta, e os sintomas variam grandemente. (CUNHA, 2012,p.19).

Por essa peculiaridade, entendemos as dificuldades que os pais, á escola e a todos que o cercam tem de comunicar-se com uma criança autista. Por isso se faz necessário uma aproximação adequada e eficiente para que a criança consiga um bom desenvolvimento durante sua vida escolar e social.

A educação mundial na década de 1990 foi marcada por debates relacionados à Educação para Todos e o discurso da Educação Inclusiva na qual destacamos os adventos como a Conferência Mundial sobre Educação para Todos, em Jomtien, Tailândia (UNESCO, 1990) e assinatura de documentos internacionais como a Declaração de Salamanca na Espanha (1994), que discutiu a proposta de inclusão educacional como forma de amenizar a discriminação.

Os documentos orientam o acolhimento a todas as pessoas, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais ou lingüísticos (UNESCO, 1994). No Brasil, a Constituição Federal (BRASIL, 1988) já referendava o mote “Educação para Todos” que, no entanto, nem as rápidas mudanças sociais e as orientações legais têm sido suficientes para garantir o acesso e a permanência com qualidade no processo de escolarização para cada um, indistintamente.

Por esse viés destacamos as pessoas com deficiência que representam cerca de 10 a 15% da população brasileira que historicamente estão distante da convivência social com seus pares isso porque, culturalmente, a sociedade criou uma (pseudo) imagem de normalidade de forma que as pessoas que não se harmonizavam ao padrão estabelecido eram segregadas a partir de suas diferenças, ou seja, encontravam-se privados da convivência social, pois o paradigma vigente estigmatizava o déficit e impedia de enxergar a pessoa humana integralmente, tanto suas limitações como o seu potencial.

Com a efetivação da Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva, em 2008, e o Decreto 6571/2008, propõe-se uma mudança na forma de compreender e efetivar o Atendimento Educacional Especializado (AEE), que deixar de existir como ações em instituições isoladas, substitutivas ao ensino regular, e tornando-se práticas com caráter complementar e suplementar ao Ensino Regular (BRASIL, 2008a, 2008b), colaborando com melhor eficácia para o exercício da lei.

Com passar dos anos observa-se o aumento dos assuntos relacionados ao TEA, e alguns métodos que são utilizados para melhoria das crianças. Felizmente, a partir dessa nova visão a respeito da deficiência e das pessoas com suas peculiaridades física, mental ou social, ainda longe de ser uma sociedade inclusiva, igualitária e justa a todas as pessoas, diversas políticas públicas são implementadas em busca de uma sociedade que permita oportunidade e igualdade a todas as pessoas, independentemente de suas limitações.

Deste modo, a organização neste trabalho aborda um breve histórico sobre método ABA, seus benefícios, definição do autismo e suas variações, diminuição de estereotipias e o desenvolvimento da autonomia, com tema Autismo e educação- Método ABA como proposta de intervenção na educação infantil.

Para conclusão do trabalho buscamos desenvolver estudos com a metodologia qualitativa bibliográfica em caráter explicativa com propósito de referenciar estudos anteriores de como tem melhorado ou não a vida de crianças que desenvolveu o transtorno do espectro autista através do método ABA.

1.1. TEMA

Autismo e educação – método aba como proposta de intervenção na educação infantil

Na educação inclusiva, a escola precisa estar preparada para enfrentar os desafios e necessidades de oferecer uma educação com qualidade para todos os seus alunos. Torna-se fundamental que a educação com qualidade considere que, cada aluno numa escola, demonstra características próprias no ritmo de aprendizagem, na diversidade de interesses e no conjunto de valores e informações que os tornam únicos e especiais.

Segundo (FRIAS;MENEZES.2008) O desafio da escola é proporcionar a diversidade de alunos que nela é representado, tentativas de se construir um conceito que possua bons resultados no processo ensino e aprendizagem, de forma que sejam incluídos neste processo todos que dele são por direito.

Desta forma, torna-se necessário a inclusão dos autistas, uma vez que a inclusão traz como premissa básica, proporcionar a educação para todos, pois é um direito constitucional do aluno autista, ou de qualquer outra necessidade educacional especial e de todos os cidadãos à educação.

Partindo da premissa de que todo comportamento pode ser explicado pela identificação da sua causa e de suas consequências, compete ao analista do comportamento de uma criança autista ensinar comportamentos alternativos que possam provocar as mesmas consequências que o comportamento inapropriado provocava, já que tais comportamentos interferem no desenvolvimento e na interação dessa criança.

Para isso, deve identificar as habilidades apresentadas pela criança e as que ela precisa aprender, o que envolve um ensino intensivo e individualizado para novas habilidades (BRAGAKENYON, KENYON; MIGUEL, 2005).

Atentar para as dificuldades e facilidades da criança em aprender.

Tudo deve ser planejado de acordo com estilo de aprendizagem de cada criança, demonstrado pelos dados. Os dados são registros de como a criança está respondendo a cada programa; Por exemplo

se ela acertou ou errou perguntas, se precisou de ajuda [...]. Esse

Numero em geral se transformam em gráficos que serão usados para pelo analista do comportamento para tomar decisões continuamente em relação ao sucesso de sua intervenção (FAZZIO,2012,p.15).

Considerando os tópicos acima, denotados aqui como dificuldades e/ou desafios de aprendizagem, percebemos como pode ser difícil para uma criança com autismo prestar atenção e aprender da maneira que uma criança com desenvolvimento típico faz. Dentro desse contexto, abordaremos sobre a metodologia ABA, a qual vem sendo usada como um método de intervenção eficaz do comportamento da pessoa com autismo, que dentre tantos benefícios, corrobora para ganhos no desenvolvimento cognitivo e pedagógico dessas crianças.

A Análise do Comportamento Aplicada (Applied Behavior Analysis) é um termo advindo do campo científico do Behaviorismo, que observa, analisa e explica a associação entre o ambiente, o comportamento humano e a aprendizagem. Uma vez que um comportamento é analisado, um plano de ação pode ser exercido para modificar aquele comportamento.

A análise do comportamento aplicada, ou ABA é uma abordagem da psicologia que é usada para a compreensão do comportamento e vem sendo amplamente utilizada no atendimento a pessoas com desenvolvimento atípico, como os transtornos invasivos do desenvolvimento (TIDs). (Lear, K., 2004) De acordo com Anderson (2007), a metodologia ABA.

É o uso cientifico dos princípios da abordagem comportamental para desenvolver, manter e aumentar comportamentos desejados e diminuir comportamentos indesejados. Envolvendo uma serie de diferentes estratégias, que podem ser utilizadas em variadas situações para modificar ou ensinar novos comportamentos(ANDERSON,2007,p.10).

1.2. PROBLEMATIZAÇÃO

Quais as principais contribuições para o desenvolvimento cognitivo do aluno autista podem ser observadas com a intervenção através da análise do comportamento aplicada-ABA?

1.3. JUSTIFICATIVA

A análise do Comportamento aplicado teve uma grande proporção na clínica como Terapia AB (ABA Therapy), é considerada uma abordagem da psicologia que também pode ser usada em pacientes autistas. A ABA tem origem do campo do Behaviorismo, nos estudos de Skinner, e é conhecida como uma ciência que "observa, analisa e explica a associação entre o ambiente, o comportamento humano e a aprendizagem" (LEAR, 2004, p.4).

Portanto, logo se tem um determinado comportamento de um aluno autista e realizada a análise sobre ele, podendo ser prensando em uma intervenção para alterar aquele comportamento.

As técnicas de modificação comportamental têm se mostrado bastante eficazes no tratamento, principalmente em casos mais graves de autismo. Para o analista do comportamento ser terapeuta significa atuar como educador, uma vez que o tratamento envolve um processo abrangente e estruturado de ensino-aprendizagem ou reaprendizagem.

Portanto, justifica-se a escolha do tema, levando em consideração que o método ABA proporciona resultados positivos.

2. OBJETIVOS

Para o embasamento do presente trabalho, propõe-se os seguintes objetivos. Realizando um estudo sobre alunos autistas. Portanto, descrevem-se, a seguir, os objetivos geral e específicos que norte6aram os estudos para a submissão desta monografia.

2.1. Objetivo Geral

Identificar as principais contribuições para o desenvolvimento cognitivo do aluno autista a partir da intervenção feita através da análise do comportamento aplicada-ABA.

2.2. Objetivos Específicos

  • Contextualizar o método ABA;

  • Descrever os benefícios para vida do aluno autista;

  • Definir autismo e suas variações;

  • Analisar a diminuição de estereotipias e melhora na repetição;

  • Verificar o desenvolvimento da autonomia.

3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

3.1. UMA BREVE HISTÓRIA SOBRE MÉTODO ABA

ABA é a abreviação para Applied Behavior Analysis. É conhecida também como Análise do Comportamento Aplicada. Muitos definem a aplicação de ABA para crianças autistas como “aprendizagem sem erro”.

A terapia ABA envolve o ensino intensivo e individualizado das habilidades necessárias para que a criança autista possa adquirir independência e a melhor qualidade de vida possível. Dentre as habilidades ensinadas incluem-se os comportamentos interferem no desenvolvimento e integração do indivíduo diagnosticado com autismo.

De acordo com o Manual Autism Speaks (2011), a Análise do Comportamento é a ciência que fornece conhecimentos cientificamente comprovados sobre como e porque o comportamento ocorre.

Segundo o Manual “quando esta pesquisa é utilizada para melhorar o comportamento socialmente significativo, considera-se que é aplicada” (p. 34). Camargo e Rispoli (2013) abordam que a ABA também pode ser “definida como uma tecnologia que é aplicada em situações de vida reais, onde comportamentos apropriados e inapropriados podem ser melhorados, aumentados ou diminuídos” (RISPOLI, 2013, p.642).

Conforme Haydu (2009), o comportamento pode ser definido como um processo de interação entre o indivíduo e o ambiente, sendo que os indivíduos e os eventos ambientais interagem e assim, afetam um ao outro, produzindo alterações em ambos.

Para identificar se o método esta sendo positivo para o aluno, é necessário observações e exames constantes. O profissional responsável deve elaborar registros rigorosos e detalhados, a partir disso coletar dados e identificar se esta acontecendo há evolução das habilidades desejadas. Contudo, o método ABA deve ser aplicada por profissionais na área de analise comportamental com experiência supervisionada e pratica no método para alunos com autismo.

As experimentações originais da terapia comportamental trouxeram algumas vantagens importantes ao clínico: ele foi treinado na observação de comportamentos verbais e não verbais, tanto em casa, como na escola ou no consultório, o que é fonte de dados relevantes. Ele estuda o papel que o ambiente desempenha – ambiente este onde é possível interferir e verificar as hipóteses levantadas.

Outra habilidade é o entendimento do que é observado como um processo comportamental, com contínuas interações e, portanto, sujeito a mudanças (Windholz, 2002). Segundo Windholz (1995), existe uma relação direta terapeuta e educador, pois, para o analista do comportamento ser terapeuta significa atuar como educador, uma vez que o tratamento envolve um processo abrangente e estruturado de ensino-aprendizagem ou reaprendizagem. Para Meyer (2003), um dos princípios básicos da metodologia ABA é que um comportamento é determinado por qualquer ação que pode ser observada e contada, tendo sempre uma frequência e uma duração.

Segundo ele, este comportamento pode ser explicado pela identificação do que antecedeu e das possíveis consequências deste. Ou seja, é a identificação das relações entre os eventos ambientais e as ações do organismo. Nesse contexto, estes comportamentos são motivados, de forma prazerosa. Tendo uma função exclusiva, ou seja, a de servir para conseguir algo que se deseja. É sabido, que todo comportamento de um modo geral é aprendido, seja ele, “bom” ou “mal”. Isso não significa que alguém intencionalmente nos ensinou a exibir um determinado tipo de comportamento ruim, mas, aprendemos que eles são eficazes para conseguirmos o que queremos.

Dentro dessa perspectiva, entendemos que o método ABA pode intencionalmente ensinar a criança a exibir comportamentos mais adequados no lugar dos comportamentos ruins, ou ditos, problemas. Comportamentos estão relacionados a eventos ou estímulos que os precedem, que são os antecedentes e a sua probabilidade de ocorrência futura está relacionada às consequências que os seguem.

O Behaviorismo concentra-se na análise objetiva do comportamento observável e mensurável em oposição, por exemplo, à abordagem psicanalítica, que assume que muito do nosso comportamento deve-se a processos inconscientes. Ivan Pavlov, John B. Watson, Edward Thorndike e B.F. Skinner foram os pioneiros que pesquisa e descobriram os princípios científicos do Behaviorismo.

Por esta razão, e frente a essa quebra de paradigmas na mudança de comportamentos, na metodologia ABA, os objetivos da intervenção são representados em ordem abaixo:

1. Trabalhar os déficits, identificando os comportamentos que a criança tem dificuldades ou até inabilidades e que prejudicam sua vida e suas aprendizagens.

2. Diminuir a freqüência e intensidade de comportamentos de birra ou indesejáveis, como por exemplo: agressividade, estereotipias e outros que dificultam o convívio social e aprendizagem deste individuo

3. Promover o desenvolvimento de habilidades sociais, comunicativa, adaptativas, cognitivas, acadêmicas etc.

4. Promover comportamentos socialmente desejáveis

Segundo Moreira e Medeiros (2007), essa intervenção, representada na figura 2, é baseada em uma análise funcional, ou seja, analisa a função do comportamento determinante, visando eliminar os comportamentos socialmente indesejáveis.

Este por sua vez, é um ponto central para entendermos qual é o propósito do comportamento “problema” que a criança está apresentando e, através disso, montarmos a intervenção para modificá-lo.

Se o comportamento é influenciado por suas consequências, podemos manipulá-las para entendermos melhor como essa consequência se dá e também modificar os comportamentos das pessoas, programando consequências especiais para tal. Daí, entendemos que para se resolver um comportamento “problema”, o primeiro passo é identificar a sua função.

Se não soubermos por que uma criança deve se engajar em um comportamento adequado (qual a função ou propósito), será difícil saber como devemos ensiná-las. Pais, terapeutas e educadores tendem a imaginar ou achar um motivo para o comportamento e isso incorrerá no insucesso da intervenção.

A avaliação comportamental é a fase da descoberta, e visa à identificação e o entendimento de alguns aspectos relativos à criança com autismo e seu ambiente. Alguns dos objetivos da avaliação são: a baixa pontuamos quais representa os objetivos da avaliação do método ABA uma vez identificada as possibilidades de intervenção, pontuados as fragilidades e pontos de atenção da avaliação, conseguimos, com base nesses dados, partir para o planejamento associado a metodologia ABA, que seria traçar pequenos objetivos a curto prazo, alguns exemplos:

1.Entender o repertório de comunicação da criança: presença ou não de linguagem funcional, contato visual, atendimento de ordens, entre outros;

2.Como ela se relaciona em seu ambiente: brinquedos preferidos, apresenta birras frequentes, como reage às pessoas;

3.Qual a função de seus comportamentos;

5.Em que circunstâncias certos problemas ocorrem ou deixam de ocorrer com maior freqüência ou intensidade?

6.Quais as conseqüências fornecidas a esses comportamentos problema?

Modificando os antecedentes podemos prevenir que o comportamento problema aconteça. Isto é realizado de diferentes maneiras:

1.Evitando situações ou pessoas que sirvam como antecedentes para o comportamento problema

2. Controlando o meio ambiente – no decorrer da vida do indivíduo o ambiente modela, cria um repertório comportamental e o mantém; o ambiente ainda estabelece as ocasiões nas quais o comportamento acontece, já que este não ocorre no vácuo (Windholz, 2002).

3. Dividindo as tarefas em passos menores e mais toleráveis, o que chamamos de aprendizagem sem erro. Toda a intervenção está baseada na aprendizagem sem erros, ou seja, deixamos de lado o histórico de fracassos e ensinamos a criança a aprender.

Esta aprendizagem deve ser prazerosa e divertida para a criança, podendo-se usar reforçadores para manter a criança motivada. Um reforço é uma conseqüência que aumenta a probabilidade de esta resposta acontecer novamente. Quando um comportamento é fortalecido, é mais provável que ele ocorra no futuro.

No Art. 1º É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.

Parágrafo único. Esta Lei tem como base a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, ratificados pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo nº 186, de 9 de julho de 2008 , em conformidade com o procedimento previsto no § 3º do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil , em vigor para o Brasil, no plano jurídico externo, desde 31 de agosto de 2008, e promulgados pelo Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009 , data de início de sua vigência no plano interno.

A Declaração de Salamanca é considerada um dos principais documentos mundiais que visam a inclusão social, ao lado da Convenção de Direitos da Criança (1988) e da Declaração sobre Educação para Todos de 1990.

Uma das implicações educacionais orientadas a partir da Declaração de Salamanca refere-se à inclusão na educação. Segundo o documento, “o princípio fundamental da escola inclusiva é o de que todas as crianças deveriam aprender juntas, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que possam ter.

Do Direito À Educação E Do Dever De Educar Art. 4º. O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de:

III - atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino;

Por tanto, a execução na pratica da lei será de estrema importância para que nossas crianças com autismo tenha uma educação adaptada para o seu grau de comprometimento e garantindo uma educação inclusiva.

3.2. A INTERVENÇÃO PRECOCE PODE REDUZIR SINTOMAS

A Neuroplasticidade refere-se à capacidade do cérebro de mudar, se adaptar e desenvolver novas conexões sinápticas entre os neurônios. Entretanto, apesar de ser possível a criação de novas conexões neuronais em indivíduos adultos, o cérebro é mais plástico até a idade de cinco anos.

Além de a plasticidade ser maior nos primeiros anos de vida, acontece também nessa época um fenômeno importante chamado “poda neuronal”. Tal fenômeno pode ser brevemente descrito como um momento em que o cérebro “descarta” os neurônios que até então não se desenvolveram ou não estavam sendo utilizados de maneira adequada. Uma das primeiras podas neuronais ocorre na primeira infância, coincidindo, muitas vezes, com a época em que os pais relatam regressão e perda de habilidades por parte de seus filhos. Ou seja, os pais podem relacionar a regressão a causas ambientais e ela ter causas neurológicas. De qualquer forma, perdas de habilidades, em qualquer tempo, não podem ser desconsideradas. Mais que lamentar por elas, os pais devem vê-las como um sinal que está ali para mostrá-los que algo não está bem, precisa ser investigado e requer tomada de providências.

Considerando todos esses fatores (podas neuronais e plasticidade cerebral), a época em que as intervenções são iniciadas faz muita diferença: quanto mais cedo, melhor.

Hoje não tenho dúvidas de que em algum momento isso aconteceria, pois havia uma predisposição e em algum momento outro episódio iria fazer com que os sintomas se tornassem mais evidente.

Para as crianças com autismo, o diagnostico precoce é de fundamental importância. Por isso, os pediatras precisam observá-las com muito critério desde o nascimento e, a qualquer alteração notada deve encaminhá-las a um especialista mesmo que não tenham certeza do diagnostico [...]. (GAIATO,2012,p.137).

3.3. UMA BREVE HITÓRIA SOBRE AUTISMO

O Autismo Infantil foi definido por Kanner(1), em 1943, sendo inicialmente denominado Distúrbio Autístico do Contato Afetivo, como uma condição com características comportamentais bastante específicas, tais como: perturbações das relações afetivas com o meio, solidão autística extrema, inabilidade no uso da linguagem para comunicação, presença de boas potencialidades cognitivas, aspecto físico aparentemente, normal, comportamentos ritualísticos, início precoce e incidência predominante no sexo masculino.

Em 1944, Asperger propôs em seu estudo a definição de um distúrbio que ele denominou Psicopatia Autística, manifestada por transtorno severo na interação social, uso pedante da fala, desajeitamento motor e incidência apenas no sexo masculino. O autor utilizou a descrição de alguns casos clínicos, caracterizando a história familiar, aspectos físicos e comportamentais, desempenho nos testes de inteligência, além de enfatizar a preocupação com a abordagem educacional destes indivíduos.

Na décima revisão da Classificação Internacional de Doenças – CID 10(33), os Transtornos Globais do Desenvolvimento foram classificados como um grupo de alterações, caracterizadas por alterações qualitativas da interação social e modalidades de comunicação, e por um repertório de interesses e atividades restrito e estereotipado. Essas anomalias qualitativas constituem uma característica global do funcionamento do indivíduo.

4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Nos tópicos abaixo, será descrito de maneira breve, o procedimento cientifico utilizado para a realização da pesquisa que embasa este trabalho de

conclusão de curso.

4.1. Caracterização do estudo

Conforme os objetivos apresentados homonimamente, este trabalho pretende fazer uma revisão de literatura sobre o tema autismo e educação: método ABA como proposta de intervenção na educação infantil. Deste modo, texto de referência como livros, revistas, artigos, simpósios, como também outros trabalhos de conclusão de curso serão utilizadas no que diz respeito ao autismo e método aba na educação infantil.

O texto será explicativo, pois será exposto aquilo que já foi feito e os resultados os resultados adquiridos por outros trabalhos, para obtenção de conclusão a respeito da intervenção com método aba para o aluno autista na educação infantil.

4.2. População e amostra

Por se tratar de um texto com caráter de revisão de literatura, essa etapa de definição de uma população e de delimitação de uma amostra representativa para o estudo do caso não se fez necessário.

4.3. Instrumentos de coleta de dados

Foram utilizados artigos entre 1996 á 2019.

No quadro abaixo, são elencados os instrumentos de coleta de dados possíveis de serem utilizados neste trabalho e explica-se quais deles farão, de fato, parte dele:

Quadro 1- Instrumento de coleta de dados

Instrumento de coleta de dados

Universo pesquisado

Finalidade do Instrumento

 

Documentos

 

 

 

Livros, revistas

Obter materiais de referencia para bases teóricas sobre educação e autismo, e método ABA

 

Dados Arquivados

Artigos digitais de periódicos, simpósios e congressos, paginas web, musicas e vídeos.

Obter dados e casos práticos de aplicação dos conceitos teóricos relacionados ao autismo e método ABA

Fonte: Cavalcanti E Moreira (2008)

5. CRONOGRAMA

A conclusão deste trabalho se dará de acordo com o seguinte cronograma:

 

Março

Abril

Maio

Junho

Conceituar método ABA

X

X

X

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Descrever alguns benefícios para vida do aluno

 

 

 

X

X

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Definir autismo e suas variações

 

 

 

 

 

X

X

 

 

 

 

 

 

 

 

Introdução

 

 

 

 

 

 

 

 

X

 

 

 

 

 

 

 

Conclusão

 

 

 

 

 

 

 

 

 

X

 

 

 

 

 

 

Revisão do

Conteúdo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

X

X

 

 

 

 

Revisão

Metodológica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

X

 

 

 

Revisão

Ortográfica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

X

 

 

Preparação para defesa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

X

 

Defesa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

X

REFERÊNCIAS

ALBUQUERQUE, Sonia Maria Toledo (Trabalho de conclusão de curso), A musicalização na educação infantil, Maceió,2019.

ANDRADE, Erika, Criança e saúde .Disponível em : https://www.criancaesaude.com.br/autismo/erika-andrade/plasticidade-cerebral/

BRAGA-Kenyon, P.; KENYON, S. E.; MIGUEL,C.F. Análise do Comportamento Aplicada (ABA ): um modelo para a educação especial. In: CAMARGOS Jr, W. et al. Transtornos Invasivos do Desenvolvimento: 3° Milênio. 2 ed. Brasília: CORDE, 2005. Disponível em: < http://www.autismo.psicologiaeciencia.com.br/wpcontent/uploads/2012/07/An%C3%A1lise-do-comportamento-aplicada.pdf > Acesso em: 13 jun. 2016. B

BRASIL/MEC. Lei n°.9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes r Bases da Educação Nacional. Brasília, DF: 20 de dezembro de 1996.

CUNHA, Eugênio. Autismo e inclusão: psicopedagogia e práticas educativas na escola e na família. 4 ed.Rio de Janeiro: Wak Editora,2012. Acesso em: 24 de outubro

DIAS, Nadla dos santos. Estrategia de intervenção no desafio da inclusão no âmbito escolar, na perspectiva da analise do comportamento.2017. Acesso em: 24 de outubro.

FARIAS, E. M. A., MENEZES, M. C. B. Inclusão Escolar do Aluno com Necessidades Educacionais Especiais: contribuições ao professor do Ensino Regular. Disponível em: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1462-8.pdf G. Acesso em: 22 de outubro.

FAZZIO, D. O Verdadeiro ABA: Um Programa Público Modelo de Intervenção Comportamental Precoce Para Crianças Com Autismo. Revista Autismo. n. 2. Abril, 2012. Disponível em: Acesso em: 07 de novembro

GAIATO, Mayara Bonifácio; REVELES, Leandro Thadeu; SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mundo Singular: Entenda o autismo. FONTANAR, São Paulo- SP, 2012. Acesso em: 29 de outubro.

GONCALVES, Silvio Ferreira Passos. As contribuições do método ABA para o desenvolvimento cognitivo e pedagógico da criança com autismo. Acesso em: 31 de outubro.

Instituto Pensi, http://institutopensi.org.br/blog-saude-infantil/terapia-aba-tratamento-autismo/. Acesso em: 31 de outubro.

Lei Brasileira da Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Lei n° 13,146, de 6 de julho de 2015. Acesso em: 01 de outubro.

MINETTO, Maria de Fátima. Currículo na Educação Inclusiva: entendendo esse desafio/Maria de Fátima Minetto.2.ed. Curitiba: ibpex, 2008. Acesso em: 18 de outubro.

OLIVEIRA, Rafaela Machado. A função do profissional de apoio escolar na inclusão da criança autista na educação infantil. 2016. 144 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Pedagogia)—Universidade de Brasília, Brasília, 2016.Disponível em: http://bdm.unb.br/handle/10483/19177. Acesso em: 04 de outubro.

RIBEIRO, Elza Maria Alves, Blanco, Marília Bazan. Um estudo sobre as propostas de intervenção com crianças autistas em sala de aula. Acesso em: 02 de outubro.

ROSA, Fernanda Duarte, MATSUKURA Thelma Simões, SQUASSONI, Carolina Elisabeht. Cad. Bras. Ter. Ocup. Vol.27 no.2 São Carlos Apr/June 2019 Epub June 13, Disponível em: http://dx.doi.org/10.4322/2526-8910.ctoao1845. Acesso em: 03 de outubro.

SETÚBAL, José Luiz, Disponível em: http://autism.am/errorless-learning-an-autism-teaching-strategies-video/. Aceso em: 06 de outubro.

TAMANAHA, Ana Carina, Perissinoto, Jacy, Chiari, Brasilia Maria. Uma Breve Histórica Sobre A Construção Dos Conceitos Do Autismo Infantil E Da Síndrome De Asperger. (Artigo de revisão). Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2008;13(3):296-9. Acesso em: 06 de outubro.

UCHÔA, YASMIM FIGUEREDO. A criança autista na educação infantil (Trabalho de conclusão de curso). PB- Campina Grande, 2015. Disponível em : http://dspace.bc.uepb.edu.br//jspui/bitstream/123456789/7959/1/PDF%20-%20Yasmim%20Figueiredo%20Uchôa.pdf. Acesso em: 04 de outubro. 


Publicado por: Daniela dos santos Ferreira Oliveira

icone de alerta

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do site por meio do canal colaborativo Monografias. Brasil Escola não se responsabiliza pelo conteúdo do artigo publicado, que é de total responsabilidade do autor . Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: https://www.brasilescola.com.