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A INDISCIPLINA NA ESCOLA

Educação

Combater o foco da indisciplina, utilizando uma metodologia diversificada, para que o professor possa ter um trabalho efetivo dentro da sala de aula.

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1. RESUMO

O presente trabalho visou ampliar o conhecimento e a compreensão acerca da indisciplina no contexto escolar, identificando suas causas, analisando as sérias consequências e apresentando estratégias para combater esse problema educacional. Diante da realidade de violência praticada nas escolas, se faz necessário a elaboração de um projeto de intervenção com o objetivo de combater e diminuir os índices de falta de disciplina. O envolvimento da família também se faz necessário, sendo uma ação conjunta através da parceria escola/família/sociedade. Para enfrentar o problema da indisciplina, educadores devem utilizar estratégias diversas na sala de aula que vão desde as atitudes com caráter punitivo como repreensão verbal após a quebra de acordos, até o reforçamento com elogios para os comportamentos adequados. Conclui-se que: para lidar com a indisciplina, os professores precisam adquirir algumas características aversivas, utilizar também de alguns conceitos da análise do comportamento. Desse modo, se faz necessário uma formação que venha dar subsídio ao professor, para auxiliá-lo de modo que ele possa agir com segurança diante do mau comportamento dos alunos, para isso, a análise do comportamento se torna uma importante ferramenta.

Palavras-chave: Indisciplina Escolar, Violência, Família, Escola.

2. INTRODUÇÃO

O tema desenvolvido neste projeto de ensino voltado à gestão escolar, diz respeito a indisciplina na escola, confrontando as teorias relacionadas à causa, ao combate e as sérias consequências geradas por este problema. Segundo o dicionário Aurélio (FERREIRA, 1999), a palavra indisciplina significa: falta de disciplina, desobediência, rebelião. Visto isso, grandes desafios surgem no ambiente escolar, e de acordo com pesquisas realizadas mundialmente, o Brasil apresenta altos índices de indisciplina na sala de aula.

O combate à indisciplina tem sido um processo difícil, considerando que a escola necessita do apoio da família para que consigam juntas atingir seus objetivos. A análise dos fatos é muito mais complexa do que questionar o mau comportamento apresentado pela criança ou adolescente, é necessário um estudo de caso mais aprofundado, buscando descobrir a raiz do problema.

O projeto desenvolvido nesse trabalho acadêmico apresenta propostas para descobrir e combater o foco da indisciplina, utilizando uma metodologia diversificada, para que o professor possa ter um trabalho efetivo dentro da sala de aula. Trabalhar conteúdos relacionados à autoestima, ao respeito e a solidariedade, ajudam na formação da personalidade dos alunos.

A parceria entre escola e família também é um ponto positivo no combate à indisciplina, pois, o aluno está presente nesses ambientes, tornando-os assim, espaço de aprendizagem. Segundo Cury (2017), a família traz segurança para a criança, e essa segurança auxilia na formação de um adulto confiante.

É expressivo o número de profissionais da educação que estão sendo afetados psicologicamente, e até muitas vezes afastados de suas funções por causa dos males causados pela indisciplina. O professor precisa ter uma postura ética para superar as dificuldades sobre esse tema, aprendendo a conceituar o que é a indisciplina, não estabelecendo comparações com conversas entre os educandos. O aluno não deve ser um agente passivo, pois a conversa entre alunos na sala de aula nem sempre representa falta de disciplina, a troca de informações e experiências são necessárias na formação da personalidade do estudante.

Mudanças atitudinais necessitam ser tomadas não só pela escola, mas também pelo aluno e pela família. O objetivo principal desse trabalho é contribuir para a construção de uma educação mais justa, mais prazerosa e diminuir os índices de evasão escolar, contribuindo também para o combate da violência.

3. Revisão Bibliográfica

3.1 Causas

A indisciplina escolar tem sido o tema de inúmeras discussões no meio educacional. É um fenômeno que não se limita apenas a alguma classe social, faixa etária, gênero ou cultura específica. Sendo assunto de diversas investigações devido a sua propagação nas escolas apresentar um crescimento alarmante. Segundo os professores, a indisciplina tem sido um dos problemas mais difíceis de se combater no sistema educacional.

Temos acompanhado o alarmante aumento de casos registrados acerca do aumento da violência em nossas escolas, fato este anunciado por diversos meios de comunicação, o que contribui para gerar um clima de angústia e insatisfação no ambiente escolar. A indisciplina leva à violência e surge quando ocorre o não cumprimento das regras impostas e normas sociais estabelecida. Refletir sobre suas causas, consequências e caminhar para a mudança envolve a participação dos diversos segmentos: pais, alunos, professores, equipe pedagógica, funcionários e comunidade. Precisamos ter clareza da parcela de responsabilidades de todos, o professor não pode ser o único culpado nesse processo; envolvendo todos na discussão e no enfrentamento do problema, podemos evitar a transferência de responsabilidades. (VAGULA, RAMPAZZO e STEINLE, 2009, p.84)

Provavelmente a indisciplina escolar é um importante obstáculo no processo de ensino-aprendizagem no mundo, além de prejudicar o trabalho docente e o aproveitamento dos conteúdos por parte dos alunos, tem sido o principal motivo de reuniões de pais e mestres, conselho de classe, etc. Sendo o universo educacional um vasto ambiente de diversidades e experiências vivenciadas, talvez seja impossível existir receitas prontas e infalíveis contra a falta de disciplina. Analisando o significado da palavra indisciplina, vemos uma relação um tanto tradicional de ensino, não podendo haver o descumprimento das “regras”.

A disciplina severa nos remete a uma tendência pedagógica que pouco contribuiu no processo de desenvolvimento da criança, a pedagogia liberal tradicional. Nesta tendência, o aluno era visto como um ser frágil e sujeito à corrupção, com pouca participação durante as aulas. O professor era caracterizado como autoritário e detentor do saber. Os conteúdos eram totalmente desvinculados da realidade social da época, e não muito significativos para a formação dos estudantes. A disciplina escolar estava relacionada a passividade, silêncio, organização e imobilidade dos alunos, tida como um “controle de sala”.

Segundo Aranha, (1996, apud VAGULA, RAMPAZZO e STEINLE, 2009, p.15) a função da escola era desvinculada dos problemas sociais, cotidianos e atuais. Visava preparar os alunos para exercerem seu papel na sociedade, enfatizando o preparo moral, dessa forma, os conteúdos refletem valores, tradições e a cultura acumulada de geração em geração, transmitidos aos alunos como verdades absolutas. Cabe aos alunos em uma atitude passiva, assimilar os conteúdos trabalhados, para reproduzi-los em uma situação de prova.

Podemos analisar o ato indisciplinar de uma forma mais pessimista quando são utilizados termos como castigo, punição, subordinação ou submissão. A disciplina não deve ser entendida como uma força repressora dentro da sala de aula, mas como um instrumento de libertação humana. A partir desse contexto surge uma nova tendência, diferente da pedagogia tradicional, em que o ensino começa a ser centrado nas necessidades do aluno, a pedagogia renovada progressista. Até aqui entendemos que a disciplina até chegar a esse último engajamento proposto, passou por etapas distintas. Primeiro, uma visão tradicionalista, pautada na contenção dos comportamentos. E por último, com um olhar voltado à educação construtivista, atribuindo ao professor o papel de mediador da aprendizagem e responsável pela construção da liberdade, autodisciplina e autocontrole dos alunos. Porém, também é notável que a indisciplina escolar não é um fenômeno estático e que ela tem sofrido diversas modificações ao longo das décadas.

Outro fator que pode resultar na indisciplina na escola é a falta de estrutura familiar. Antes de qualquer julgamento em relação ao fato, se faz necessário avaliar todo o contexto em que a criança está exposta. Quando é submetido a situações que o incomode, o aluno reage com mau comportamento, muitas vezes demonstrando estresse. Isso ocorre porque ele está começando a desenvolver sua personalidade através da expressão de suas escolhas ou sentimentos. Esses comportamentos indicam contestação a regras ou limites impostos pelos adultos.

Considerando que a escola não é o único espaço em que a criança está inserida, podemos entender que o ambiente familiar exerce um papel fundamental no desenvolvimento do indivíduo. A participação da família não deve ser em casa de maneira isolada, pois, a interação entre família e escola é essencial para potencializar as boas condições de aprendizagem.

Nos últimos tempos, observamos várias mudanças em relação ao conceito de família, não existe mais um padrão e sim uma variedade de padrões familiares e em constantes desenvolvimentos. Independente desses conceitos, sabemos que a família está diretamente associada as atitudes de comportamento da criança. Nela é o lugar onde a criança tem suas primeiras experiências educacionais e sociais.

Não há como ignorar que a forma como as famílias estão sendo estruturadas podem interferir no processo de ensino-aprendizagem, pois as crianças que vivem em famílias que tem uma interação saudável, com presença de uma união estável e com capacidade de dialogar, com recursos para ter uma vida digna, apresentarão na maioria das vezes, excelentes resultados durante toda a sua trajetória escolar. Já os membros de uma família desestruturada, geralmente se mostram defensivos, distantes, agressivos e tendem a apresentar na maioria das vezes, dificuldades de aprendizado e de socialização.

A dificuldade dos professores na atualidade em relação à indisciplina, está relacionada a uma didática monótona, fazendo com que os alunos percam o interesse em estudar. O resultado disso é uma turma de estudantes entediados, ansiosos, desatentos, barulhentos, brincalhões e com conversas paralelas. Necessitando de um estímulo que os mobilizem a se interessar novamente pelos conteúdos ministrados pelo professor.

3.2 Consequências

Uma das consequências causadas pela indisciplina é o baixo rendimento escolar, devido a interrupções durante as aulas. O barulho de conversas paralelas e fora do contexto dos conteúdos, causando um tormento no processo de aprendizagem, e transformam a sala de aula em um ambiente desconfortável, desagradável e desfavorável para o aprendizado.

A violência e a indisciplina que ocorre no interior de nossas escolas interfere de forma significativa na qualidade e no aprendizado dos alunos, a aula é interrompida em diversos momentos, prejudicando o rendimento de todos, sem contar o tempo que o professor perde para resolver os conflitos e dar encaminhamentos para a orientação educacional. Sabemos que muitos professores não estão recebendo formação adequada para isso. (VAGULA, RAMPAZZO e STEINLE, 2009, p.84)

Outro fator de risco resultante da indisciplina é a violência. Esta violência pode ocorrer entre os próprios alunos, como também entre funcionários e aluno. A disciplina é um pilar para a realização pessoal e profissional. Quando há ausência dela, surge como resultados o desrespeito, as agressões físicas e verbais, o bullying.

O número de casos registrados de violência dentro das escolas tem crescido de forma alarmante. A escola é o lugar onde a formação do cidadão deve ser complementada, é um lugar de instruir e educar, entretanto, tem servido de palco para o triste cenário de espancamentos, e até mortes. As condições socioeconômicas e culturais também são responsáveis por muitas formas de violência apresentada pelas escolas.

O aluno indisciplinado apresenta atitudes violentas contra outros alunos e professores. Xingar, apelidar, amedrontar, bater, ferir, roubar, entre outras, já não poder ser consideradas como meras atitudes de imaturidade ou brincadeiras, pois ferem o direito do próximo.

Já um aluno que está sendo vítima de bullying, pode apresentar comportamento de isolamento, dificuldades em se relacionar aos demais, baixo estima, tristeza profunda que muitas vezes desencadeia uma depressão, e até mesmo ato de mutilar-se. O aumento do número de suicídios de adolescentes que sofrem com o bullying, também tem se tornado um problema na educação a nível mundial.

Falar de violência social é falar de um assunto presente em nosso cotidiano. Tal situação é relatada por muitas pessoas em nosso dia-a-dia, em diversos espaços e esferas sociais. A relação entre indisciplina escolar e violência social se dá quando analisamos os dados dos altos índices de apreensões de menores infratores. Alunos indisciplinados geralmente apresentam baixo rendimento escolar, e desinteresse em aprender, sendo assim, grandes são as possibilidades de evasão. Para esse aluno, a escola é um ambiente extremamente desconfortável e desinteressante, quando este fator se une a desestruturação familiar, como consequência, temos um jovem exposto a marginalidade.

Com o aumento do envolvimento de crianças e adolescentes na criminalidade, a mídia exibe diariamente casos de crimes desumanos e que causam indignação em toda sociedade, foi necessário a criação DA Lei nº 8.069, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Esta lei vem dispor sobre a proteção integral à criança e ao adolescente, que deve ser fiscalizada pelo Conselho Tutelar, garantindo-os os seus direitos.

Alguns educadores acreditam que o Estatuto da Criança e do Adolescente facilita a indisciplina, de acordo com um estudo realizado pela PUC - SP. Em outras palavras, os professores relatam que a lei “passa a mão” na cabeça dos alunos violentos. Por outro lado, a escola pode e deve adotar medidas para diminuir esses atos de indisciplina que ocorrem no âmbito educacional. Mas é necessário esclarecer que a Lei nº 8.069/90 (ECA) tem o escopo de proteger a integridade da criança e do adolescente, preceito previsto no artigo 227 da Constituição Federal de 1988, ou seja, reforçar a ideia de que crianças e adolescentes também são sujeitos de direitos como todo cidadão, portanto, precisam ser respeitados. E, ainda, demonstrar que os mesmos, não estão autorizados, de modo algum, a violar direitos de outros cidadãos porque também possuem deveres. No entanto, são deveres que se enquadram à situação peculiar na qual se encontram, pois, são indivíduos em pleno desenvolvimento que precisam ser educados e preparados para o exercício da cidadania.

Há também a falta de estimulo dos professores, causada pela falta de disciplina. Segundo a pesquisa internacional de sobre ensino e aprendizagem (Talis, na sigla em inglês), o Brasil ocupa o primeiro lugar no quesito “tempo gasto para manter a ordem na classe”. (RODRIGUES, 2015)

Gastam 20% do tempo da aula combatendo a indisciplina. Esses dados mostram como o problema tem sido um grande obstáculo na prática docente. A falta de formação continuada para ensiná-los a lidar com essas situações de conflitos também contribui para desestimular os educadores, levando-os muitas vezes a adquirir problemas psicológicos e comportamentos depressivos.

3.3 Possíveis Soluções

Buscando minimizar as consequências causadas pela indisciplina escolar na educação e na sociedade, a escola e a família podem unir forças para o combate desses transtornos. O professor como formador, deve estar atento aos sinais emitidos pelos alunos, podendo assim, buscar meios para que essa barreira possa der destruída.

Sabe-se da importância do entendimento global do aluno em formação para o trabalho em prol de um desenvolvimento satisfatório em termos emocionais, cognitivos, pedagógicos e sociais. A criança passa grande parte de sua vida na escola e lá desenvolve e demonstra muitas de suas habilidades e limitações. É provável que fragilidades emocionais fiquem à mostra na escola. É comum que problemas externos à classe enfrentados pela criança interfiram em seu rendimento escolar cabendo ao professor, quando possível, detectar e denunciar que algo não está bem. (ARAMAN, 2009, p.145)

O estabelecimento de regras dentro da sala de aula, também podem ajudar a diminuir os índices de indisciplina. Seja em qual for o ambiente, é necessário que esteja preservado por regras e condutas que regularizem o comportamento e mantenha o ambiente em bom estado. Esse contrato didático deve ser criado com a ajuda dos alunos, visto que, ao deixar que eles mesmo mencionem as regras que deverão ser obedecidas, tudo o que poderá e o que não poderá ser feito dentro da sala de aula, o professor de forma indireta estará desenvolvendo neles o senso de responsabilidade. Tornando-os responsáveis pelos cumprimentos das regras e manutenção do contrato. Quando o contrato não for respeitado, cabe ao professor dosar as medidas de conscientização conforme as gravidades das ações. Sempre tendo cuidado ao abordar esse critério para que não sejam adotadas medidas injustas ou excessivas.

Ao perceber uma certa tensão nos alunos durante a aplicação de alguma atividade, é necessário que o professor altere a metodologia, levando em consideração a diversidade social. Recebemos alunos de diferentes personalidades, e é preciso conhecer a quem vai ensinar, conhecer a realidade de cada criança. Essa atitude ajudará no processo de chegar mais próximo ao sucesso escolar, evitando os desvios de atenção, problemas de concentração, minimizando a indisciplina. O professor deve ministrar a aula de forma atraentes, através de metodologias inovadoras e criativas, rompendo com as atividades de rotina. Sempre buscar o aperfeiçoamento, o replanejamento, a formação continuada, a especialização. Visando melhorar o trabalho docente e atingir os objetivos educacionais.

Nesse contexto, é preciso resgatar a imagem do professor e valorizar o seu importante papel na escola e na sociedade. O professor deve ensinar o aluno a aprender a aprender, deve promover a formação de um aluno ativo, sujeito da sua ação. Para que isso ocorra, é preciso que o professor seja integrador, comunicador, questionador, criativo, colaborador, eficiente, flexível, produtor de conhecimento e comprometido com as mudanças do seu tempo. Entretanto, se a sua prática for conservadora, irá contribuir para a manutenção dos valores tradicionais da sociedade e pouco poderá avançar na formação de alunos críticos. Sendo o professor um agente de mudança, e sabendo que toda inovação encontra resistências que exige a organização, podemos nesse processo enfatizar a importância do planejamento de ensino, como fundamento de toda ação educacional, como forma de gerenciar as mudanças. (VAGULA, RAMPAZZO e STEINLE, 2009, p.23)

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O professor que prepara bem suas aulas sofre menos com os problemas de mau comportamento dos alunos. É inadmissível uma prática docente voltada a improvisação, pois desestimula o interesse pelo aprendizado. Saber o que vai realizar em cada momento quando se estar dentro da sala de aula, simboliza o planejamento antecipado e bem elaborado, podendo trazer momentos agradáveis para o desenvolvimento. Quando o professor procura estudar mais sobre o processo de desenvolvimento humano, com certeza terá mais facilidade no momento de elaborar seu plano de aula, buscando sempre adequar seus conteúdos e metodologia a faixa etária da turma.

Sobre o planejamento temos a contribuição de Libâneo: a partir da importância do planejamento escolar, define as principais funções do mesmo: 1) esclarece sobre princípios, diretrizes e procedimentos do trabalho docente, articulando as atividades da escola e as exigências do contexto; 2) estabelece o posicionamento filosófico, político-pedagógico e profissional e relacionado com as ações a serem realizadas na escola e na sala de aula; 3) pretende garantir a racionalização, organização e coordenação do trabalho docente, voltado para um ensino de qualidade, evitando a improvisação e a rotina; 4) define objetivos, conteúdos e métodos a partir do contexto social, de modo a contemplar a comunidade e os alunos nas suas individualidades; 5) mantém a unidade e a coerência do trabalho pedagógico, relacionando com o plano de ensino do professor, respondendo para que ensinar (objetivos), o que ensinar (conteúdos), a quem ensinar (público-alvo), como ensinar (metodologias) e como avaliar (avaliação); 6) atualiza os conteúdos do plano, quando necessário; 7) facilita o planejamento das aulas. (1994, apud FERROATO, RAMPAZZO et al., 2014, p.118)

A postura profissional do educador deve demonstrar o controle emocional mesmo durante os momentos de conflitos. O tom de voz também pode contribuir no combate à indisciplina. Manter um tom de voz calmo ao falar com os alunos demonstrará controle diante da situação, fazendo com que no momento que o professor necessitar aumentar o tom de voz, certamente conseguirá reter a atenção dos estudantes. Ou seja, se toda vez que for se dirigir aos alunos o professor utilizar um alto tom de voz, fará com que eles se acostumem e não terá mais como controlar a situação. Lembrando que isso também prejudicará a saúde vocal do educador futuramente.

A construção de uma relação de respeito, afeto, admiração mútua, confiança e valores morais, contribuem para a formação de cidadãos responsáveis e solidários. E é na escola onde começam a surgir as primeiras práticas sociais, visto que, na maioria das vezes antes de chegar no ambiente escolar, o aluno só mantém contato com o ambiente familiar.

Dessa forma podemos dizer que os afetos estão presentes em muitos estados de nossa vida, como, por exemplo, o prazer e o desprazer. Eles servem de critério de valorização, de avaliação das situações de nossa vida, ou melhor, eles ajudam a preparar nossas ações, participando ativamente da percepção que teremos das situações, tanto as vividas como aquelas que planejamos. (...) A emoção é um elemento de expressão que inclui aspectos orgânicos ao qual o professor deve estar atento. Quando o componente emocional é exacerbado, há uma tendência à inibição do componente intelectual, e vice-versa, o que pode dificultar a aprendizagem do aluno. As emoções têm um papel preponderante no desenvolvimento da pessoa, pois a partir delas é que demonstramos nossos desejos e vontades. (CHIARATTI, GONÇALVES e RICIERI, 2014, p.67)

Estabelecendo essas relações, o processo de aprendizagem se torna coeso e produtivo, minimizando os conflitos e mantendo a harmonia no ambiente. Claro que para se ter um resultado positivo em relação a construção da afetividade no educando, a escola necessita da contribuição da família. A relação de cuidado e carinho que o estudante recebe no seio familiar complementará a formação da personalidade que este revela no ambiente escolar, através da sua convivência com os demais alunos e professores.

Para evitar o bullying o professor precisa desenvolver um trabalho docente que estimule o senso de cooperação e igualdade, dissolvendo os conflitos. A prática do bullying gera um círculo vicioso de violência e hostilidade, a criança que pratica o ato pode facilmente naturalizá-lo e repeti-lo. Se essa prática não for banida durante a infância, este estudante se tornará um adolescente problemático e violento, e posteriormente, um adulto que não respeita o próximo, não respeita as leis, e não apresenta a conduta necessária para conviver em sociedade.

Buscar o envolvimento da família através de palestras e ações educativas, pode ser uma oportunidade de descobrir a raiz do problema e as razões que podem motivar a indisciplina e a violência escolar. Quando o professor age pela “autoridade amada”, afetividade combinada a conscientização, desperta no aluno comportamentos dessa natureza, e amplia os sentimentos de justiça e segurança, fortalece o convívio harmonioso e retira da sala de aula os medos e os conflitos.

A família deve ser acolhedora e estar atenta a toda mudança de comportamento, fazendo com que a criança se sinta à vontade para se manifestar. Sendo exemplo principal, pois a criança aprende pelo exemplo. Demonstrar carinho, segurança e amor, favorecendo a comunicação, o comportamento afetivo e solidário.

A parceria entre escola e família é de fundamental importância para combater a indisciplina na escola. Essa relação deve buscar sempre o aconselhamento e orientação quando necessário, para contribuir com o melhoramento das práticas educativas.

O art. 227 da Constituição Federal determina que: “é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”. (BRASIL, 1988)

4. Processo de Desenvolvimento do Projeto de Ensino

4.1 Tema e linha de pesquisa

O tema apresentado pelo referido projeto diz respeito a indisciplina na escola. Sendo de fundamental importância a preparação do profissional da educação para combater esse obstáculo no ambiente escolar. A gestão escolar deve estar atenta a buscar soluções para diminuir os índices e combater os problemas gerados pela indisciplina.

4.2 Justificativa

A atual situação educacional tem mostrado altos índices de violência nas escolas, e essa violência está atrelada a indisciplina. A formação adquirida pelos profissionais da educação nas instituições de Ensino Superior, não são suficientes para enfrentar e combater esse problema. Sendo necessário o aperfeiçoamento através de outros cursos ou palestras desenvolvidas por órgãos responsáveis pela fiscalização do cumprimento de leis como a Lei nº 8.069, o Estatuto da Criança e do Adolescente. A busca por ajuda se faz necessária para escolher meios de diminuir os casos de violência.

Fonte: leocadiakroessin.blogspot.com.br

A escola, a família e a sociedade devem juntas contribuir para a formação integral da criança. O ECA, criado para garantir os direitos de crianças e adolescentes em situações de risco, é um instrumento importante no auxílio aos educadores, porém, devido a interpretações ambíguas e em decorrência da falta de informações, os educadores não conseguem distinguir ato indisciplinar de ato infracional. Considerando-o um documento que contribui com as más práticas realizadas pelos alunos.

4.3 Problematização

Levando em consideração os registros de casos de violência praticados pelos alunos da Escola Municipal Professora Irene Leão, observou-se a existência de dúvidas por parte da equipe pedagógica e docentes da instituição. Como a escola deve proceder diante de alguns casos? Para onde os praticantes desses atos devem ser encaminhados? Qual o real papel da escola, da família, da sociedade, do conselho tutelar? O que fazer para que os educadores não ajam em desconformidades com o ECA? Com todas essas dúvidas, a equipe gestora considerou a importância de todas essas instituições firmarem uma parceria, visando uma atuação conjunta no que diz respeito a preparação dos alunos para o exercício da cidadania.

4.4 Objetivos

OBJETIVO GERAL – Promover o combate à indisciplina escolar a partir da desmitificação de que a função do ECA é conferir imunidade à população infanto-juvenil.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS –

  • Promover momentos em que todos os docentes reflitam sua própria prática pedagógica;

  • Discutir com toda a comunidade escolar a importância de vivenciarem relações interpessoais;

  • Construir coletivamente o contrato didático;

  • Direcionar a atuação da comunidade escolar diante das situações de indisciplina nos alunos;

  • Discutir o conceito de ética e cidadania com todos os alunos, nos diversos anos do Ensino Fundamental, a partir do 3º ano.

4.5 Conteúdos

  • Ética;

  • Respeito mútuo;

  • Diálogo;

  • Justiça;

  • Valores;

  • Desenvolvimento moral.

4.6 Processo de desenvolvimento

1ª ETAPA - A equipe escolar fez um levantamento das principais situações de indisciplina, classificando-as em categorias. Duração: 04 horas.

2ª ETAPA – Palestra com uma psicóloga e com a coordenadora pedagógica da instituição sobre atitudes de indisciplina e a violência gerada pela mesma. Conceituação do significado da palavra indisciplina. A ideia principal da palestra foi demonstrar que a falta de disciplina significa que algo não vai bem, e que a falha pode estar nas relações e não nas pessoas. O foco da discussão se deslocou para a origem do problema, considerando o contexto da sala de aula. A postura adequada que o professor deve adquirir diante de situações de conflitos; as propostas didáticas bem elaboradas visando aproximar o aluno de seu cotidiano e a elaboração do Projeto Gentileza gera Gentileza. Duração 04 horas.

3ª ETAPA – Proposta de estudo e atualização do Regimento da escola, visando às necessidades da instituição e dos educandos. Duração: 02 horas.

4ª ETAPA – A convite da gestão escolar, os pais participaram de uma palestra com a psicóloga, assistente social, conselheira tutelar, e docentes. O objetivo dessa ação foi construir um vínculo de respeito entre as partes. O tema desenvolvido durante a palestra foi “responsabilidades no combate à indisciplina”, e surgiu o debate para a conscientizar que as reponsabilidades devem ser distribuídas entre todos. No final da palestra, foram formadas parcerias para transformar a realidade escolar. Duração: 04 horas.

5ª ETAPA – Vivência do Projeto Gentileza gera Gentileza juntamente com os educandos. Durante este dia letivo, o projeto foi vivenciado de forma lúdica e inovadora. Os alunos foram levados para o auditório da escola, e lá assistiram o vídeo Profeta Gentileza – Documentário. Logo após a apresentação do vídeo houve um debate sobre as seguintes questões: “O que é gentileza?”, “Existe espaço para a gentileza no mundo atual? E na escola?”, “A gentileza é um ato em extinção?”, “Que atos de gentileza são possíveis identificar na escola?”, “Como é a questão da gentileza no mundo?”, “O que podemos fazer na prática para se ter um mundo mais gentil?”, “O que devemos fazer na escola para que se tenha um ambiente mais gentil?”. Ao terminar a discussão foi construído o acordo didático contendo as regras para boa convivência na escola, todos participaram dessa construção. Em seguida foram distribuídas folhas coma letra da música “Gentileza” de autoria da cantora brasileira Marisa Monte, e apresentado o videoclipe da música. Após houve reflexão da letra da música que é um protesto contra o fato de terem apagado a poesia da gentileza. Duração: 04 horas.

6ª ETAPA – Na última etapa do Projeto Gentileza gera Gentileza foi realizado o Cinema Estudantil. A escola disponibilizou ao estudante e a comunidade escolar um momento de lazer, no auditório foi apresentado o filme “A corrente do bem”. Os professores receberam orientações pedagógicas para posteriormente trabalharem com os alunos o tema principal do filme. Duração: 04 horas.

A socialização do projeto Gentileza gera Gentileza foi realizada com a contribuição do número máximo de professores e outros funcionários da instituição de ensino.

4.7 Tempo para a realização do projeto

Data

Duração

Etapa/ atividade

Público alvo

09/10/2017

04 h

1ª etapa – levantamento da situação atual da escola

Professores e funcionários da instituição.

10/10/2017

04 h

2ª etapa - Palestra para professores

Professores e gestão.

11/10/2017

02 h

3ª etapa – estudo e atualização do regimento escolar

Professores e gestão.

13/10/2017

04 h

4ª etapa – palestras para os pais

Pais, professores e gestão.

16/10/2017

04 h

5ª etapa – vivência do projeto Gentileza gera Gentileza

Funcionários da instituição e alunos.

17/10/2017

04 h

6ª etapa - vivência do projeto Gentileza gera Gentileza

Funcionários da instituição, alunos e comunidade.

4.8 Recursos humanos e materiais

  • Retroprojetor;

  • Notebook,

  • Caixa amplificada;

  • Folhas de papel sulfite;

  • Folhas xerografadas.

4.9 Avaliação

Todo o processo percorrido deverá ser analisado, discutido na comunidade escolar, e também nos encontros pedagógicos com os pais, professores, coordenadores e gestores. A participação do aluno será avaliada pelos professores com os critérios estabelecidos durante a elaboração do contrato didático.

5. Considerações finais

O processo de combate à indisciplina pode ser considerado um dever social, não só escolar. O presente projeto tem o objetivo de contribuir para a diminuição dessa prática de violência nos interiores das escolas. O papel do professor e da família é identificar esses sintomas, e juntamente com a gestão escolar buscar meio de romper com esses atos.

É preciso um bom embasamento teórico, principalmente os estudos das leis, pois assim todos poderão agir de forma correta sem aumentar o problema. A gestão deve ter um comportamento investigativo, levando em consideração que o aluno é um ser em formação, e que necessita da intervenção do adulto em casos de negação de seus direitos.

A sociedade atual caminha para o descaso, e a educação das crianças é o principal meio de tentarmos minimizar os impactos causados pela violência. O cuidado com as novas gerações, um olhar mais atento para as suas necessidades se faz necessário na busca de um futuro melhor.

Atitudes de expulsão ou suspensão não contribuem em nada no combate a essa realidade, pois, lugar de criança é na escola. E quando este direito lhe é negado, a criança ou adolescente fica exposto a diversos problemas sociais, podendo assim receber influências.

A construção de uma relação de afeto e respeito entre aluno e escola. E entre aluno e família, é indispensável nesse processo de recomeços. “Um desrespeito aos pais pode ser relevado; aos professores já implica advertência; ás autoridades sociais, punição”. (TIBA, 2006)

6. REFERÊNCIAS

ARAMAN, Elaine Maria de Oliveira. O trabalho do Pedagogo nos espaços educativos. 1 Ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.

BARBOSA, Ana Clarice Alencar; et al. Teorias e Práticas do currículo. 1 Ed. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2014.

BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal; Centro Gráfico, 1988.

BRASIL, Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei Federal nº 8069 de 13 de julho de 1990. Rio de Janeiro: Imprensa Oficial, 2002.

CHIARATTI, Fernanda Germani de Oliveira; GONÇALVES, Carlos Eduardo de de Souza; RICIERI, Marilucia. Psicologia da Educação: desenvolvimento e aprendizagem. 1 Ed. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2014.

CURY, Augusto. Indisciplina escolar infantil: causas, consequências e como combate-la. 2015

Disponível em: <https://escoladainteligencia.com.br/indisciplina-escolar-infantil-causas/> Acesso em: 03 out. 2017

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da Língua Portuguesa. 3 Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: 1999.

IMAGEM – Disponível em: < http://leocadiakroessin.blogspot.com.br/p/pa.html > Acesso em: 03.out 2017

MARISAMONTEVEVO. Gentileza.

Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=mpDHQVhyUrY >

Acesso em: 04.out 2017

RAMPAZZO, Sandra Regina dos Reis; STEINLE, Marlizete Cristina B.; VAGULA, Edilaine. Organização e didática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. 1 Ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.

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Publicado por: Maria Jessica Couto Silva

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