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A IMPORTÂNCIA DO SERVIÇO SOCIAL NA EDUCAÇÃO: Frente à Violência na Escola

Educação

Analisar a presença do fenômeno bullying nas escolas e os fatores que incentivam essa pratica, avaliar soluções para à agressividade escolar e por fim discutir a ação dos profissional de assistente social, gestores e família no ambiente escolar e familiar.

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RESUMO

Esta pesquisa tem por objetivo assinalar o a atuação do assistente social na escola, onde o profissional pode atuar frente à violência presente na escola contemporânea. Todavia, através de políticas educacionais hoje presente na escola funcionam com ferramentas a atuação do assistente social afim de minimizar o problema com interação entre alunos e violência moral e física, denominada atualmente como bullying. Para tanto, diversos estudos e legislações foram imprescindíveis para a coleta desses dados, pois a violência na escola ainda é um problema que envolve questões legais de proteção à criança e em alguns casos há punição ao agressor, levando em conta que o ambiente escolar deve ser um local de interatividade e convívio mutuo respeitando as diferenças. Porem os métodos para sanar traumas à vitimas e orientar agressores a importância do respeito ao próximo leva à necessidade de acompanhamento interdisciplinar e juntamente a isso, questões terapêuticas de atenção à saúde física e mental da criança. Os resultados dos dados bibliográficos apontam para a presença indispensável do assistente social na escola, onde há evidencias de traumas sofridos por crianças e adolescentes nessas situações de bullying e uma necessidade de acompanhamento intra familiar.

Palavras-chave: Bullying. Escola. Serviço Social. Comunidade. Políticas.

RESUME

This research aims to point out the the role of the social worker at the school, where staff can act against the violence in the contemporary school. However, through educational policies currently present in school work tools with the work of the social worker in order to minimize the problem with interaction between students and moral and physical violence, currently known as bullying. Therefore, several studies and legislation has been essential for the collection of such data, as violence in school is still a problem involving child protection legal issues and in some cases for punishing the aggressor, taking into account that the school environment should be a place of interaction and mutual coexistence respecting differences. However the methods to remedy traumas to the victims and aggressors guide the importance of respect for others leads to the need for interdisciplinary and follow along to that, therapeutic issues of attention to physical and mental health of the child. The results of bibliographic data point to the indispensable presence of the social worker in school, where there is evidence of trauma suffered by children and adolescents in these situations of bullying and a need for family intra monitoring

Keywords: Bullying . School. Social service. Community. Policies.

1. INTRODUÇÃO

Este trabalho visa a Identificar o papel do assistente social na escola frente aos fenômenos causador de violência entre alunos e também a professores buscando aprofundar conhecimentos sobre o bullying no âmbito escolar visando suas causas e consequências para todos os envolvidos.

Todavia, através de conceitos referencias confiáveis podemos apontar a caracterização a função do profissional de serviço social e seu objetivo para com os projetos educacionais através de políticas publicas. sendo assim visamos discutir a políticas educacional e inclusão do Serviço social na escola contemporânea.

Assim traçamos uma pesquisa da realidade no âmbito educacional e seus referidos problemas analisando os fatores determinantes das violências no cotidiano escolar. Referindo-se principalmente ao bullying que trata-se de uma pratica de violência antiga, porém mais frequente na atualidade devido a fatores que influenciam direta e indiretamente as crianças e adolescentes da sociedade.

Contudo, através desse objetivos iremos discutir a ação do assistente social juntamente com gestores, professores, estudante e pais, e por consequência a comunidade em si. Traçando um perfil social que modelem uma nova sociedade através de atividades interdisciplinares para interagir todos do ambiente escola garantindo a qualidade no ensino e respeitando seus direitos.

Por sua vez o direito a educação implica em qualidade dos serviços prestados a população e em especial ao usuário da escola pública para o seu pleno desenvolvimento, conforme previsto pela Constituição Federal (1998), Lei de Diretrizes e Bases, Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90). A contribuição do Serviço Social na área escolar consiste em identificar os fatores sociais, culturais e econômicos que determinam os processos que mais afligem o campo educacional no atual contexto, tais como: evasão escolar, o baixo rendimento escolar, sexualidade, violência doméstica e que precisam necessariamente de intervenção conjunta com educadores, psicólogos, dirigentes governamentais, possibilitando consequentemente uma ação mais efetiva. Demonstramos neste artigo que a questão social está presente na educação. E assim as políticas publicas e política educacional se referenciam para garantir uma melhor qualidade de ensino.

O serviço social e a política educacional fazem-se necessários e serão citados com frequência para se compreender a necessidade desse novo modelo de ver a educação como base de um modelo social.

Tomando como base todos esses aspectos, esta pesquisa tem por objetivo analisar a importância da presença de um profissional de Serviço Social na escola, principalmente frente à violência entre alunos, ou entre alunos e professores.

Como objetivos específicos, pretende-se: discutir o Serviço Social e as Políticas Públicas em sua contemporaneidade; analisar a presença do fenômeno bullying nas escolas e os fatores que incentivam essa pratica; avaliar soluções para à agressividade escolar e por fim discutir a ação dos profissional de assistente social, gestores e família no ambiente escolar e familiar.

Todavia pressupões-se que o assistente social aparece como um profissional de maior relevância no atendimento a esses casos. Por isso, esta pesquisa se justifica em vista da importância de se compreender melhor o papel desse profissional de Serviço Social frente à necessidade da comunidade escolar.

Contudo ao abordar sobre políticas públicas e ações educativas no atendimento às vítimas de bullying, mostra-se de extrema importância a abordagem do serviço social em sua trajetória e a retomada histórica da profissão no âmbito escolar, ressaltando as contribuições dessas ações no mundo contemporâneo.

A metodologia utilizada para a realização desta pesquisa são de ordem bibliográfica, com base na interpretação e leitura dos dados pesquisados. Para tanto, diversos estudos sobre comportamento, projetos sociais e relatos de fatos ocorridos foram imprescindíveis para a coleta desses dados.

Para tornar essa pesquisa qualitativa bibliográfica podemos destacar nos estudos que serviram como base para esta pesquisa Almeida (2000) que relata sobre o serviço social na educação instituídas pelas políticas educacional dos anos 70 e parte do anos 80; Frigotto (2006) que defende a modernização da educação em políticas sociais e contrapõe-se à influencia do monopólio privado; Fante (2005) que aprofundou seus estudos sobre bullying identificando as atitudes dos agressores e vitimas caracterizando seus fatos e consequências entre outros que citaremos ao longo do trabalho.

Embora haja uma certa dificuldade em apontar problemas de bullying na escola, existem alguns fatores que podem auxiliar nessa identificação, por isso a importância de se fazer um estudo a respeito deste tema no sentido de auxiliar os profissionais que trabalham ou pretendem trabalhar no ambiente escolar.

Contudo, no primeiro capitulo abordaremos um breve contexto sobre política educacional e políticas publicas e como o profissional de serviço social se insere nesse projeto. Já no segundo capítulo apontaremos os fatores que incentivam o bullying na escola e características psicológica de agressor e vitima. Continuando, no terceiro capitulo discutiremos soluções para a violência escolar e por fim trataremos sobre a ação dos gestores, família e assistente social sob à demanda de boas praticas e acompanhamento profissional para solução de problemas recorrentes.

2. Serviço Social e política educacional

Segundo SILVA, embora as políticas sociais e políticas educacionais estejam inseridas por meio de um mesmo contexto, é perceptível que a presença do profissional de Serviço social ainda se torna muito pouco, mostrando a ineficiências de muitos projetos sociais devido à demanda da comunidade e em contrapartida a desinformação de seus direitos.

Durante muitos anos a associação entre Serviço Social e educação esteve, quase que de forma automática, relacionada ou ao campo da formação profissional ou à dimensão educativa do trabalho dos assistentes sociais. As razões não nos são desconhecidas: uma franca alteração no perfil do mercado de trabalho, no que se tange à efetiva atuação dos assistentes sociais no âmbito dos estabelecimentos e da política educacional ao longo dos anos 70 e parte dos 80, (Almeida: 2000a, 19).

O autor ainda continua a defender a prática de atuação do assistente social na educação tendo como base pesquisas que evidenciam sua necessária participação frente questão social.

A afirmação do debate e das práticas sobre educação popular que se estenderam para além dos muros institucionais, além do reconhecido avanço teórico e político que as abordagens sobre a formação dos assistentes sociais ganharam no final deste século, particularmente face à atuação da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS) (Almeida: 2000a, 20).

Vale salientar uma carência de uma interligação maior entre os polos dessa relação de Serviço Social e política educacional onde haja uma defesa sobre o ponto de vista teórico ou político para sustentar a necessidade de um assistente social na área da educação.

Entretanto SILVA destaca que esta recente aproximação do Serviço Social no âmbito educacional provem dos avanços teóricos da profissão nas discussões em desdobrar o conhecimento e a ação profissional, assim como suas estratégias de articulação aos movimentos sociais atuante em construção de novos projeto societário, onde a comunidade luta por cidadania mostrando-se um componente fundamental para sua unidade.

2.1 Definindo a Política educacional

PASTORINI comenta que Juntamente com a economia as políticas sociais no Brasil estão interligadas, principalmente a educação, onde desenvolve-se papeis fundamentais através das políticas publicas em nossa legislação e as normatizações e decisões são tomada para o bem comum da sociedade civil. Essas políticas públicas envolvem as necessidades da sociedade implantadas pelo Estado.

Quanto à função econômica, podemos ressaltar a atuação do Estado por meio de ações direta e indiretas (pagamento a população via impostos), de bens, de recursos, ofertas e prestação de serviços sociais a população mais carente como saúde, educação e assistência social (PASTORINI, 2002 apud PIANA, 2009a, p. 36).

Deste modo, para entendermos melhor como essas políticas sociais se relacionam e influenciam diretamente no contexto escolar e na comunidade, precisamos entender o que são políticas públicas.

“As políticas públicas são decisivas para a concretização de direitos humanos, pois elas atuam na estrutura básica do sistema capitalista contribuindo para a construção do bem comum, visando à redução das desigualdades sociais”... (FRANÇA e FERREIRA, 2012, p. 186).

Por ser um elemento normativo do Estado KO BARROS aponta que a política educacional no Brasil envolve diversos interesses políticos, entretanto a educação de um pais deve respeitar o direito de cada indivíduo respeitando o bem comum de toda a nação, atendendo às suas necessidade, demandas e objetivos para que seja contribuído com um modelo educacional efetivo.

Campo do conhecimento que busca, ao mesmo tempo, “colocar o governo em ação” e/ou analisar essa ação (variável independente) e, quando necessário, propor mudanças no rumo ou no curso dessas ações ( variável dependente). A formulação de políticas públicas constituise no estágio em que os governos democráticos traduzem seus propósitos e plataformas eleitorais em programas e ações que produzirão resultados ou mudanças no mundo real (Souza, 2006, p.26)

Continuando, esses elementos normativos por uma política educacional no Brasil emergiram na época em que se fazia necessária no pais, e uma oportunidade para tal mudança iniciou-se junto aos movimentos reformistas em 1930, e através de (Anísio Teixeira,Lourenço Filho, Fernando de Azevedo e outros) instituíram em 1932 o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova.

Aos que tomaram posição na vanguarda da campanha de renovação educacional, cabia o dever de formular, em documento público e o governo, a posição que conquistaram e vêm mantendo desde o início das hostilidades contra a escola tradicional. (INEP, 1984)

Este foi um marco na definição de metas e prioridades educacionais a serem regulamentadas, não servindo apenas de alerta para a realidade educacional da época, mas para incentivar o surgimento de novas leis educacionais. "SAVIANI (2007, p.195) aponta o manifesto como um equilíbrio entre a Pedagogia Tradicional e a Pedagogia Nova, ocorrido entre 1932 a 1947". Contudo na Conferência Nacional de Educação já havia se instituído no “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova” a separação de católicos e liberais em 1932.

intenção das políticas publicas e educacional é conduzir aos poucos a criança a ser um modelo social de adolescente e consequentemente um jovem e adulto moldado pelo grupo social em que se encontra. Entretanto uma política educacional sendo clara ou não pode compreender aspectos que envolvam o poder e definição do processo pedagógico em função de um grupo, comunidade ou setores. Podem ser resultados de processos participativo pedagógico instituído por professores, alunos e assistente social, podendo evidenciar uma imposição de um pequeno grupo exercer poder sobre uma grande maioria.

Todavia há duas vertentes sobre política educacional, uma aristotélica onde a política é municipalizada e outra platônica que elaboram a política educacional e representados pelo Estado.

SANTOS aponta a legislação educacional como um instrumento da política de educação e controle administrativo unificado, o que implica em um poder maior a favor de complexos autônomos de controle escolar compreendido como municipalização do ensino. Esta política assegura recursos públicos desvinculados de posições partidárias e pressupõe um compromisso maior por parte da comunidade com o motivo educacional.

Aponta nessa mesma direção a característica, frequentemente assumida pelos espaços públicos que se constituem no interior do Estado, de isolamento e relação ao conjunto da estrutura administrativa: eles acabam se constituindo como “ilhas” separadas, em “institucionalizadas paralelas”, conservadas à margem e com difícil comunicação com o resto do aparato estatal. (DAGNINO, 2002, p. 283)

Desprovido de burocracias, DAGNINO explica que a descentralização do ensino possuiu flexibilidade nos currículos escolares permitindo mudanças sempre que necessárias. E assim se faz a oportunidade de incluir políticas sociais no ensino através dessas demandas individuais sendo que a gestão de cada unidade escolar são democráticas, pois diretores e gestores pertencem à comunidade onde estão situados, o que faz uma ligação entre a figura administrativa e o contexto social que ela defende. Contudo, a política educacional te relação direta o contexto político e organizacional de cada sociedade, onde seu perfil depende em grande parte do aspecto social em que esta inserido.

Assim, se a comunidade em sua cultura participa nas tomadas de decisões políticas, certamente sua política educacional acatará sugestões e necessidades da população, fazendo-se necessário a inclusão do serviço social no intuito de fazer ligação entre escola e comunidade, mesmo que sobre contextos autoritários.

2.2 Origem do Serviço Social na Educação

ALMEIDA aponta que a relação entre Serviço Social e Educação na sociedade brasileira se desenvolveu após a década de 1930, durante o primeiro mandato de Getúlio Vargas. Contendo um caráter desenvolvimentista adotado em sua política interna, Vargas, em 1942, criou o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), tendo como um dos seus principais intuitos a adequação de mão de obra às necessidades do setor industrial que vinha em um alto desenvolvimento através da qualificação da mão de obra. Partindo dessa ideia o profissional de assistente social juntamente com outros profissionais eram requisitados a trabalhar no SENAI com vista a disciplinar e ajustar o trabalhador pelo contexto da época.

A inserção dos assistentes sociais na área de educação não se constitui em um fenômeno recente, sua origem remonta aos anos iniciais da profissão em sua atuação marcadamente voltada para o exercício de um controle social sobre a família proletária e em relação aos processos de socialização e educação na classe trabalhadora durante o ciclo de expansão capitalista experimentado no período varguista” (ALMEIDA, 2004, p.2).

SOUZA BARBOSA em seu livro de Política e Sociedade no Brasil relata que no ano de 1946, inaugurou-se a fundação do Serviço Social da Indústria (SESI) tendo como pano fundo a mudança política, social e econômica ocorrida no pós-guerra. Tanto o SESI quanto o SENAI desenvolviam para o mundo do trabalho seus projetos educacionais, configuraram um alargamento dos espaços da educação formal brasileira que se constituíram para além da escola.

Para Carvalho (2008), a inserção dos assistentes sociais em industrias e empresas participava do conjunto de estratégias de frear a organização operária, uma vez que a intenção era de promover o controle político e ideológico através da inserção do profissional por mecanismos abarcavam processos pedagógicos e ações assistenciais.

CARVALHO diz que a principio o aumento da necessidade trabalho qualificado e ampliação da educação escolarizada obteve mais atenção em meados da década de 1950 e início dos anos 1960, desenvolvimento industrial acelerado e a urbanização trazia reflexos para a vida social, essa ainda sem educação curricular ou profissional adequados. Mas foi após o Golpe de 64 que a educação brasileira ganhou uma atenção mais particulares. Por sua vez a política educacional da ditadura em 1968-1969 passa a operar de acordo à demanda que lhe era necessária.

...e, para tanto, à sua dimensão “negativa”, acopla-se uma dinâmica construtiva (“positiva”): o regime autocrático burguês, redefinindo-se na vertente do militar-facismo, começa a instaurar o seu “modelo educacional”, congruente com a concretização do seu “modelo econômico”. (NETTO, 2008: p58).

A relação entre a Educação e o Serviço Social na década de 1970 a 1980 esteve mais presente no âmbito dos estabelecimentos e da política educacional relacionada à formação profissional.

“O que se observa concretamente é que a classe burguesa não se contrapõe ao acesso à escola. A universalização do acesso legitima a aparente democratização. O que efetivamente se nega são as condições objetivas, materiais, que facultem uma escola de qualidade e o controle da organização da escola”.(Frigotto, 2006, 166)

2.3 DESAFIOS ATUAIS PARA O SERVIÇO SOCIAL

IAMAMOTO mostra que devido às questões sociais trazidas pelo neo liberalismo, a entrada do assistente social nas instituições de ensino se estenderam, porem vale ressaltar que na ultima década as políticas sociais de enfrentamento a pobreza e garantia de renda mínima através de política educacional entre outros aumentaram o fluxo de informações sobre as instituições educadoras.

Por ventura um dos principais desafios do assistente social no campo educacional hoje é compreender e ser capaz de fazer uma leitura critica da realidade em que está situado, e partindo deste ponto optar por um exercício profissional convergente com as diretrizes ético-político profissional, desenvolvendo novas relações e tendências desvinculadas às políticas conservadoras.

Para abranger a inserção do serviço social em todas as áreas do setor educacional provendo melhoria para o aluno, comunidade e escola (ALMEIDA, 2003), agrupa 4 focos centrais do trabalho do Assistente Social na Educação.

  • Garantia do acesso da população à educação escolariza – concessão de bolsas, definição de critérios de elegibilidade institucional, elaboração de diagnósticos populacionais para ampliação da capacidade de cobertura institucional, a mobilização e a organização política de grupos sociais.

  • Garantia da permanência da população nas instituições educacionais – ações interinstitucionais dirigidas para a mobilização da rede de proteção social local, como serviços de saúde, de transporte, os Conselhos Municipais ligados aos diversos campos dos direitos sociais e os programas e projetos sociais das demais instâncias governamentais. São ações que favorecem desde o encaminhamento para atendimento na rede de serviços sociais, até a inclusão em programas sociais que incidem diretamente sobre as condições objetivas da população no que diz respeito à permanência dela ou de alguns membros no sistema educacional.

  • Garantia da qualidade dos serviços prestados no sistema educacional – são desenvolvidas atividades conduzidas por assistentes sociais, como por equipes multiprofissionais. São atividades promovidas como parte de um processo de formação ampliada da população com a perspectiva de uma educação alicerçada na luta pela conquista e ampliação da cidadania. A organização de atividades com responsáveis, com a comunidade local, com os próprios alunos e profissionais da educação para tratar de questões relacionadas aos problemas e desafios sócio-institucionais, é parte de um processo social e educacional no qual professores, assistentes sociais sociólogos, sanitaristas, psicólogos e outros profissionais têm contribuído e participado exclusivamente.

  • Fortalecimento da proposta e ações de gestão democrática e participativa da população no campo educacional – são atividades desenvolvidas junto a segmentos sociais como coletivos e grêmios estudantis, sindicatos, associações de pais, moradores e profissionais da educação no sentido de instrumentalizar e apoiar os processos de organização e mobilização sociais no campo educacional. (ALMEIDA, 2003)

Segundo LIBANEO Pensar a atuação do assistente social na área de educação requer pensar a política educacional em sua dinâmica e estrutura, de fato que a escola represente simbólica e objetivamente de forma mais completa a área de educação, muitas vezes este privilegio do espaço escolar como local de atuação dos assistentes sociais conduz a uma leitura reducionista e equivocada da política educacional e, por consequência, das atividades profissionais e do mercado de trabalho do profissional de serviço social.

Primeiramente, é necessário admitir que há, de fato uma inter-relação entre as políticas educacionais, a organização e a gestão das escolas, as práticas pedagógicas na sala de aula e o comportamento das pessoas.As políticas educacionais e diretrizes organizacionais e curriculares são portadores de intencionalidades, ideias, valores atitudes, práticas, que influenciam as escolas e seus profissionais na configuração das práticas formativas determinando um tipo de sujeito a ser educado.(LIBANEO, 2008, p. 14)

LIBANEO continua que a estrutura da política educacional em áreas como a da educação infantil, o ensino fundamental, o ensino médio, a educação superior e a educação de jovens e adultos. E em todas elas existem assistentes sociais atuando, seja direta ou indiretamente, sendo que em muitas já há algumas décadas. Vale salientar que o avanço da política educacional no conjunto de práticas sociais que regulamenta, seja no conjunto das profissionais e instituições que fazem parte, mostra tanto a diversidade de como inserir e recuperar o referido trabalho do profissional de serviço social no âmbito educacional sob o contexto que a própria categoria desconhece a política desse setor.

Contudo, ALMEIDA aponta que existem atividades e ações que visam garantir a permanência da população nas instituições de ensino. Dentre estas atividades encontram-se as instituições internas e suas ações dirigidas para mobilizar a rede de proteção social como os serviços de saúde, transporte, Conselhos Municipais ligados e direitos sociais, alem dos projetos sociais das demais instâncias e programas governamentais.

Continua ALMEIDA que são essas ações que favorecem desde o encaminhamento para atendimento na rede de serviços sociais que incidem diretamente sobre as condições da população no que diz respeito à permanência dela ou de alguns de seus componentes no sistema educacional mais próxima até a inclusão em programas sociais.

2.4 SISTEMA EDUCACIONAL E SERVIÇO SOCIAL

Devido a aprovação da ultima versão do Projeto de Lei 837 em julho de 2005, podemos coletar experiências positivas em São Paulo sobre o que dispõe da inserção de Assistentes Sociais e de Psicólogos em cada escola. A aprovação dessa lei e execução desse projeto demonstra a possibilidade de estender essa pratica para outros estados do país, mostrando a atual importância do profissional de Serviço Social na área da educação sob várias discussões da atuação e sua contribuição para o âmbito escolar

Todavia podemos destacar com base na Lei a versão do PL que exige a presença de assistentes sociais e psicologos nas escolas de acordo com o artigo 1º e 2º do PL (2003), que diz:

Art. 1º O Poder Público deverá assegurar atendimento por Psicólogos e Assistentes Sociais a alunos das escolas públicas de educação básica que dele necessitarem.

§ 1º O atendimento previsto no caput deste artigo será prestado por Psicólogos vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e por Assistentes Sociais vinculados aos serviços públicos de assistência social.

§ 2º Os sistemas de ensino, em articulação com os sistemas públicos de saúde e assistência social, deverão prever a atuação de Psicólogos e Assistentes Sociais nos estabelecimentos públicos de educação básica ou o atendimento preferencial nos serviços de saúde e assistência social a alunos das escolas públicas de educação básica, fixando em qualquer caso número de vezes por semana e horários mínimos para esse atendimento.

Art. 2º Esta lei entra em vigor um ano após a data de sua publicação. (PROJETO DE LEI, nº 837. 01 julho 2005).

Partindo disso podemos notar que através do Projeto de Lei citado que ja existe uma preocupação com as políticas educacionais e políticas sociais na área da educação e que se faz necessário a presença de profissionais que possa executar projetos de forma profissional e competente atingindo não somente aos alunos, mas sim às famílias e em geral a comunidade envolvida, agindo assim o assistente social como intermediador de escola e comunidade abrangendo o contexto educacional.

Todavia, segundo Morin (2003) uma educação contextualizada é uma educação para a cidadania,complexa porem global e multidimensional onde o individuo também deve ser visto como um ser global inserido em uma família e em uma comunidade.

Contudo mesmo sendo esta Lei uma conquista atual através de lutas para efetivar o projeto e sua regulamentação, nao poderia se deixar passar que muito se foi contribuído na década de 90, onde pesquisadores começaram a discutir sobre as contribuições que o Serviço Social poderia trazer para a educação e enfim para a família. Assim podemos então citar entre eles Backahaus (1992), Camardelo (1994), algumas pesquisas no 8º e 9º Congresso Brasileiro de Assistente Social (CBAS), realizados em 1995 e 1998 e Almeida (2000).

Na prática o Assistente Social está situado sob uma perspectiva crítica, que participa ativamente da transformação social. Por sua vez, Novais (2001, p. 13), orienta através de sua pesquisa que o profissional do Serviço Social deverá desenvolver as seguintes atividades:

• Pesquisa de natureza sócio-econômica e familiar para a caracterização da população escolar;

• Elaboração e execução de programas de orientação sócio-familiar, visando prevenir a evasão escolar e melhor o desempenho e rendimento do aluno e sua formação para o exercício da cidadania;

• Participação, em equipe multidisciplinar, da elaboração de programas que visem prevenir a violência; o uso de drogas e o alcoolismo, bem como visem prestar esclarecimento e informações sobre doenças infecto-contagiosas e demais questões de saúde pública;

Continuando Novais (2001), a mostrar sua pesquisa pontos importantes para garantir efetividade na atuação só assistente social então deve-se continuar ainda as seguintes atividades:

• Articulação com instituições públicas, privadas, assistenciais e organizações comunitárias locais, com vistas ao encaminhamento de pais e alunos para atendimento de suas necessidades;

• Somente com o objetivo de ampliar o conhecimento acerca da realidade sócio-familiar do aluno, de forma a possibilitar assisti-lo e encaminhá-lo adequadamente;

• Elaboração e desenvolvimento de programas específicos nas escolas onde existem classes especiais;

• Empreender e executar as demais atividades pertinentes ao Serviço Social, previstas pelos artigos 4º e 5º da lei 8662/93. (NOVAIS, 2001, p. 13).

Assim temos claramente a percepção da presente atuação do assistente social nas mais variadas expressões do cotidiano, nas relações internas com diretores, docentes e outros que estão inseridos no ambiente escolar, quando nas relações internas como família, sociedade e outros

A pratica do profissional de Serviço Social se firma sobre a possibilidade de atender as necessidades com maior eficácia. Assim para que na pratica o profissional contribua para o processo educacional sua atuacao precisa ser critica e participativa e que por ventura esteja relacionada com a realidade, baseada no conhecimento em sua totalidade.

Contudo, para Backhaus (1992, p.54), existem alguns processos que podem ser utilizados com êxito pela equipe interdisciplinar, esses processos são:

• Ter sempre presente que a pessoa (indivíduo) deve ser considerado na sua experiência, no processo de trabalho grupal e comunitário e no contexto onde ela própria constrói e vai se construindo;

• Levar em conta a questão da “motivação” dos integrantes do grupo, como ênfase a realização de um bom trabalho;

• Buscar a conquista de espaços dentro e fora do grupo- “posicionar-se”;

• Expor sentimentos, usar de franqueza e espontaneidade nas trocas com os outros integrantes do grupo, nas discussões, trabalhar a “idéia” e, sobretudo, perguntar a “união grupal ”;

• A conquista da liberdade de opinião é primordial à interação grupal; os posicionamentos devem ser discutidos em nível de equipe (profissionalmente) e não a nível pessoal. Os resultados precisam vir ao encontro, visando o aperfeiçoamento do conjunto. (BACKHAUS,1992, p.52).

Nota-se que a autora aponta para que os profissionais façam interação de saberes e dinâmicas na realização de suas praticas, porque quanto maior o grupo se interage maior se torna a busca por conhecimento, promovendo um trabalho unificado com melhores condições de confrontar, intervir e solucionar os problemas contidos na realidade .

[...] pensar sua inserção na área de educação não como uma especulação sobre a possibilidade de ampliação do mercado de trabalho, mas como uma reflexão de natureza política e profissional sobre a função social da profissão em relação as estratégias de luta pela conquista da cidadania através da defesa dos direitos sociais das políticas sociais. ALMEIDA (2000, p.2)

A teoria de Gramsciana auxilia na profissao do assistente social onde os estudos de Antonio Gramsci sobre sociologia, teoria politica e antropologia reconhece a importancia de um unico sujeito nas inumeras mudanças. Contudo, em meio às mudanças ocorridas atualmente o serviço social vem a nortear uma reflexao politica direcionando a comunidade ao conhecimento de seus direitos e deveres para que seja exercida cidadania.

Isso também serviu de base para o levantamento das pesquisas de LOPES (2005) que retrata Serviço Social e Educação como uma interatividade mutua e necessária, onde a parceira de um serviço social no ambiente escolar só traz benefícios à comunidade, família e ao próprio aluno resolvendo assim a questão social sobre o assunto.

Todavia, diante desse contexto educacional social segundo Novais (2001) a pratica do Serviço Social é fundamental, e suas técnicas de trabalho são de inteira importância para a realização coerente e disciplinada onde o profissional está apto a fazer um estudo e diagnostico da realidade escolar, trabalhar com interdiciplinaridade, criar projetos ente familia e escola e comunidade e se articular com outras instituiçoes de ensino afim de criar uma rede de parcerias para possiveis encaminhamentos pertencentes ao papel do assistente social. Isso tudo tambem esta previsto no Codigo de Etica Profissional de Serviço Social sob a Lei 8662/93 que regulamenta a profissao do Art. 4º e 5º.

3. Bullying na escola: fatores que incentivam essa pratica.

MC PIANA 2003 comenta que o setor educacional sempre foi e será de grande importância para o desenvolvimento, seja de uma cidade, país ou nação. Entretanto, formar um cidadão de bem ainda consiste em ter que superar inúmeras dificuldades no ambiente escolar. Embora a evasão escolar, dificuldades no ensino, falta de materiais e entre outro sejam um problema na área da educação, a violência na sala de aula talvez seja o maior e mais grave resultado que enfrentamos no mundo contemporânea

Já para FANTE a violência no âmbito escolar é uma ameaça às crianças e ao jovem adolescente, denominada Bullying, palavra inglesa que significa intimidação ou valentão. é uma palavra que está em moda devido aos frequentes casos de agressões e perseguições entre alunos detectados nas escolas publicas ou privadas, fazendo com que muitos desses estudantes vivam situações verdadeiramente aterradoras.

Contudo o Bullying refere-se a todas e quaisquer formas de atitudes agressivas e recorrente sem motivação evidente. A criança que comete o "bullying" o faz para impor seu poder sobre o outro, tendo-o assim sob seu completo domínio durante meses e às vezes anos.

[...] um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente, adotado por um ou mais alunos contra outro(s), causando dor, angústia e sofrimento. Insultos, intimidações, apelidos cruéis, gozações que magoam profundamente, acusações injustas, atuação de grupos que hostilizam, ridicularizam e infernizam a vida de outros alunos levando-os à exclusão, além de danos físicos, morais e materiais, são algumas das manifestações do comportamento bullying (FANTE, 2005, p. 28)

Segundo pesquisas do GUIA INFANTIL a vítima sofre calada na maioria dos casos a intimidação levará o individuo a sentir angustia, dor, medo, que ate em alguns casos levam a ter atitudes absurdas como suicídio.

O estudo sobre o bullying existe à décadas, entretanto no Brasil se iniciou por volta de 1990. “O centro multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o bulliyng Escolar” (CEMEOBES,2005) observou uma maior incidência de bulliyng praticado por crianças e jovens em 45% dos estudantes brasileiros do ensino fundamental em oito cidades do país em 2007.

O comportamento agressivo entre estudantes é um problema universal, tradicionalmente admitido como natural e frequentemente ignorado ou não valorizado pelos adultos. Estudos realizados nas duas últimas décadas demonstraram que a sua prática pode ter consequências negativas imediatas e tardias para todas as crianças e adolescentes direta ou diretamente envolvidos (LOPES NETO, 2005)

Onde houver relações humanas e principalmente na vida escolar que faz parte da rotina de crianças e jovens sempre haverá a presença de uma forma de intimidação ou violência. Denominando-se Bullying que no Brasil é traduzido como "valentão". Alguns países apresentam características peculiares sobre este fenômeno, como exemplo nos EUA o bullying se apresenta de forma muito mais grave como casos de homicídios coletivos e suicídios devido a facilidade de terem acesso a armas de fogo. Já no Brasil observa-se manifestações similares, porem com peculiaridades locais onde o uso de armas brancas são mais frequentes do que armas de fogo.

Segundo SILVA, Um dos fatores que levam a alunos a praticarem bullying é a violência na forma de descriminação. Mais comum em escolas particulares, como por exemplo em muitas regiões do país os descendentes nordestinos, ainda que favorecidos economicamente, costumam sofrer discriminação em função de seus sotaques e hábitos típicos.

...é necessário sempre anali­sar, de maneira individualizada, todos os comportamentos de bullying, pois as suas formas diversas podem sinalizar com mais precisão as possíveis ações para a redução dessas variadas expressões da violência entre estudantes. (SILVA,2010).

SILVA ainda continua que muitos outros fatores são causadores de violência, seja ela no âmbito escolar, no país ou em outras nações, onde as marcas dessa questão são variadas como diferenças culturais, racismo, religião e fatores econômicos. Entretanto existem casos em que essa violência é gerada de forma pessoal, onde o próprio individuo constrói fatores que acabam resultando em situações de desrespeito, intimidação e por fim a agressão propriamente dita.

Contudo esses fatores pessoais são geralmente influenciados por insuficiência na educação familiar, ambição ou uso de drogas. Onde hoje comumente há facilidade de jovens adquirirem armas e drogas. Próximo às escolas e muitas vezes em meio aos próprios alunos o uso de substancias psico ativas perturbam e influencia jovens e crianças, que nem sempre usam drogas por falta de entendimento, mas por simples curiosidade e influencia de amigos. Entre outras formas de contato com substancias que não deveria ser utilizadas por crianças um estudo de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), em todo o País 66,6% dos Alunos já experimentaram álcool e 19,6% já fumaram cigarro.

Entretanto de acordo com MV FRANCISCO, para entender como os fatores externos e internos representam no cotidiano escolar é necessário identificar os possíveis grupos criados dentro da instituição, e por sua vez fazer a integração desses alunos. O bullying geralmente se caracteriza pela influencia do mais forte sobre o mais fraco onde no Brasil o bullying e traduzido como "valentão". Assim o individuo ou grupo de indivíduos por sua vez conseguem identificar aqueles que não podem se defender, muitas vezes por ser mais fraco ou por ter medo de retaliações futuras. O que no caso se estabelece a relação de agressor e vitima, e em muitos casos existe apenas um agressor, porem alguns participam de forma imparcial a favor do agressor para se destacar ou com medo de ser a próxima vitima.

SILVA mostra que muitas intimidações na escola acontece pelo fator racial, onde mesmo alunos convivendo com a diversidade de raças dentro e fora da escola ainda implica-se sobre a questão de cor, e muitas vezes aliando-a por preconceito à sua etnia e classe social. Onde se faz comum definir que negros são pobres e brancos são ricos. E partindo dessa ideia inicia-se a violência, seja ela direta ou indireta.

Por sua vez a violência na escola gerada pela diferencia étnica de raças geralmente são indiretas, principalmente cometida por alunos do sexo feminino onde a discriminação são acometidas por olhares, cochichos, distanciamento e comentários de duplo sentido. Porem para os estudantes do sexo masculino é comum a abordagem direta, seja ela por xingamentos, ameaças, intimidações e agressões físicas.

“ Estudos revelam um pequeno predomínio dos meninos sobre as meninas. No entanto, por serem mais agressivos e utilizarem a força física, as atitudes dos meninos são mais visíveis. Já as meninas costumam praticar bullying mais na base de intrigas, fofocas e isolamento das colegas. Podem, com isso, passar despercebidas, tanto na escola quanto no ambiente doméstico” .(SILVA,2010).

Continua SILVA a apontar a violência escolar também esta ligada à desigualdade social, entretanto esse conceito que determina a violência de um aluno sobre outro pode ser equivocado se não tratarmos a família ou conjunto familiar da criança e adolescente. Onde entra a questão de educação familiar que por sua vez veem desestruturada por gerações sem acompanhamento, orientação e educação.

Consequências que não podemos caracterizar como culpa da família e nem culpa da criança, muito menos do colégio, mas sim de uma serie de fatores acumuladas e desenvolvidas de geração em geração.

Entretanto fazer com que um aluno desvincule o ambiente escolar de seu convívio familiar ou realidade de sua comunidade é uma necessidade a ser superada. Pois se tratando de índices econômicos muitos alunos acostumado a vivenciar atos de criminalidades e extorsão nas ruas ou por sempre esta ouvindo sobre o assunto o incentiva de certa forma a querer adquirir por meios violentos o que seu colega possui, muitas vezes extorquindo o dinheiro do lanche ou objetos pessoais como relógios, bonés, acessórios ou muitas vezes celulares. SILVA relata que gerando um circulo de violência física e psicologia entre alunos, onde muitas vezes os que presenciam tal acontecimento não fazem saber à direção ou supervisão da escola para não serem alvos desses ataques.

SILVA diz que devemos considerar que a violência no âmbito escolar não esta associada à agressão cometida somente dentro da escola, pois existem muitos casos da violência entre alunos que ocorrem fora dos muros da instituição, antes ou muitas vezes depois das aulas, muitas vezes motivadas por coisas fúteis mas que para o agressor se torna uma afronta que precisa ser resolvido com violência e de preferência presenciada por varias testemunhas.

Nestes casos é que podemos considerar que a violência gera violência, onde a humilhação sofrida por uma criança muitas vezes a incentiva a repetir este ato com outros colegas para descontar sua ira e indignação por estar muito frustrado ao ser vitima de bullying.

Segundo SILVA Muitas vezes a motivação para uma agressão verbal ou física entre alunos ocorre simplesmente por ambos os envolvidos procurarem estabelecer autoridade sobre os demais. E esta autoridade acaba estendendo-se também à professores onde nas ultimas décadas foram registrados com mais frequência a incidência de agressões a professores por alunos entre faixa etária de 09 a 16 anos, idade onde adolescentes encontram-se em conflito de personalidade e convívio familiar mal assistido.

Por sua vez a agressão contra um professor é desencadeada por vários fatores, e um deles é a imposição de respeito e autoridade entre mestre e aluno. Acostumado a viver em um ambiente sem regras e às vezes sem a presença autoritária do pai, o adolescente se posiciona no direito de estabelecer seus próprios limites.

SG KEM que retrata sobre a educaçao familiar observa que o papel da escola sobre o aluno se inverte, porque a família deve ensinar a sua criança estabelecendo educação e respeito, determinando regras e limites, orientando sobre o certo e o errado. Contudo, o ambiente contemporâneo em que nos encontramos valores familiares estão desestruturados, onde pai e mãe precisam sair para trabalhar e esta criança por sua vez permanece só ou com parente, creche, amigos etc. Então a educação familiar e comportamental precisa ser apontada pelo professor, gerando um conflito com o aluno que não esta acostumado a receber sermões e nem a obedecer um adulto, querendo tratar de igual para igual.

Assim TSC Tavares observa o despreparo de quem leciona em situações de conflito em sala de aula e a falta de um assistente social ou um psicólogo para indeferir no ocorrido faz com que esses conflitos de identidade acabem gerando agressões verbais e às vezes físicas, gerando conflitos ainda maiores por acabar envolvendo aluno pais e professores.

Porem ARAMIS observa que o núcleo familiar deve dar a real importância sobre a educação de seus filhos junto a instituição de ensino, onde a ação pedagógica necessita e cooperação na ação interdisciplinar da criança. Porem a escola coloca em pauta as dificuldades de interlocução da família e, a família culpa a escola pelo baixo desenvolvimento escolar de seus filhos.

A escola sempre foi vista como um ambiente saudável, seguro, onde se busca a educação formal, o conhecimento e a preparação das novas gerações para o enfrentamento da vida em sociedade como verdadeiros cidadãos. (ARAMIS, 2005).

Pois segundo as observações de ARAMIS as questões sociais como desemprego, moradia, fome, saúde etc. fazem com que a desestruturação familiar aumente refletindo por sua vez no contexto escolar onde a criança e o adolescente reproduz o meio em que vive. Contudo essa relação de desigualdade conduziu para o aumento de delinquentes no âmbito escolar e na sociedade.

Até bem pouco tempo, esse era o valor maior imputado à escola. Hoje, o seu papel vem mudando drasticamente, ultrapassando sua função acadêmica e passando a responder também pelas relações interpessoais, formação do caráter, comportamento, áreas de desenvolvimento tão fundamentais ao crescimento dos jovens. (ARAMIS, 2005).

Devido aos acionamentos mais padronizados da instituição públicas como acionamento a Conselhos Tutelares e Delegacia da Criança e do Adolescente entre outros mostra uma eficácia maior contra o bullying nas escolas municipais e estaduais do que em colégios particulares. Isso porque já existe uma preocupação maior das instituições para reduzirem essa pratica nas escolas e não há necessidade de esconder os índices de violência, onde em uma escola particular seria uma exposição negativa em sua região.

3.1 Gênese psicológica e social do bullying.

JAF de MENEZES ao procurar soluções para o fenômeno denominado bullying, viu que era necessário entender a sua origem sob uma perspectiva psicológica. A psicologia é uma ciência que procura entender a mente humana e encontrar respostas.

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De acordo com a INFO ESCOLA a pesquisa sobre bullying se tornou necessária procurar sua causa na origem, e a melhor maneira de encontrar respostas foi ter uma perspectiva analítica pela Psicologia social Também um saber médico para uma higiene mental se faz presente, visando desenvolver dispositivos de prevenção dos distúrbios mentais que pude se multiplicar nas modernas populações urbanas. Então um movimento se reuniu, a partir do início do século XX, na área da Psicologia Aplicada, especificamente nas áreas da Psicologia Educacional e da Saúde Mental para colocar à disposição das instituições de saúde e para as famílias os novos conhecimentos observados hospitais psiquiátricos, visando em contrapartida intervir no plano de gestão dos sistemas de ensino aplicados, e evitar distúrbios mentais provocados pelas intensas mudanças culturais que a sociedade contemporânea implica ao cidadão.

Houve então uma mudança de pensamento sobre o ser humano através do surgimento da psicologia como ciência, tratando problemas psíquicos como doenças e não como loucura como exemplo a depressão que era tratado como loucura. Contudo a psicologia pode ser inserida em vários campos de atuação como a da educação, e se tratando de um assistente social que também estuda o comportamento humano e faz parceria com a psicologia se mostra eficaz um profissional dedicado no âmbito escolar para identificar e solucionar problemas ocorrido

Todavia SILVA diz que entendendo o problema de forma particular e o aluno em sua totalidade com experiência ao logos de seus dias, suas emoções, pensamentos e identidade pessoal podemos transformar e melhor, pois o homem esta suscetível a mudança a partir de sua vivencia no meio em que vive .

Ao longo da vida o ser humano no grupo familiar e grupo escolar por exemplo pode nos mostrar que viver em grupo é uma necessidade que faz parte da vida humana já que não somos uma ilha, e nao podemos ser, e essa vivência irão contribuir para o desenvolvimento de um grande cidadão. Onde FERRATER (2001) aponta que de um grupo sobressai em um sentido mais amplo que pode se referir a modos diferentes de relacionar realidades: séries, classes naturais, estruturas funcionais, sequencias causais.

E FARRATER continua mostrando que ha uma diferença entre grupo e agrupamento, onde a participação das pessoas é que diferem os dois. como exemplo pessoas esperando por um ônibus podem ser considerado um agrupamento, porem se algumas pessoas se unirem para usarem o ônibus para um destino em comum formam um grupo.

Então entender a vivencia social frente ao grupo que se esta inserido pode dizer muito sobre o seu comportamento. há transformações e relações na vida de todo ser humano, embora isso se apresente de forma mais evidente na adolescência devido às questões culturais e biológica. Então criar um modelo que guie o comportamento das novas gerações é um desafio cada vez maior, devido a crise no modo econômico, familiar, cultural, social e religioso. É evidente a busca por um ideal referencial em culturas religiosas buscando uma base solida sobre a qual posam se apoiar.

Anteriormente as escolhas e valores eram mais evidentes, porém restritas. Havia uma rigidez ideológica mais presente e menos democrática, contudo mais determinada.

A criminologia é a ciência que estuda o fenômeno criminal e em resumo, busca o seu diagnostico, prevenção e controle. Para tanto, ela utiliza uma abordagem interdisciplinar e se vale do conhecimento específico de outros setores, como sociologia, psicologia, psicologia, psiquiatria, etc, para lançar um novo foco, com busca de uma visão integrada sobre o fenômeno criminal." (Prof. Lélio Braga Calhau, promotor da Justiça do Ministério Público do Estado de Minas gerais).

O professor LELIO BRAGA retrata que a ilusão de um mundo perfeito faz com que as pessoas sofram ao fazer de tudo para alcançar esse estilo de vida, o que faz também com que a frustração de não conseguir permitam um estado em que o indivíduo esteja predestinado a fazer coisas horríveis.

As relações estão fragmentadas, há uma falta de convivência, os pais trabalham horas para dar uma vida e estudo melhor aos filhos, é difícil uma família se reunir para o almoço e até mesmo para o jantar, a correria tomou conta de nossas vidas, isso acarreta uma falta de diálogo, entre os pais e filhos. A falta de convivência e de diálogo se reflete nas escolas, os alunos não estão habituados a conversar e sim a competir.

Moreira 2004 diz que para se identificar as formas de violência dentro de uma escola são necessários conhecer as formas como atuam estes alunos agressores. e preciso estar atento para identificar entre esta ações de intimidação, com a verbal, provocadas por insultos, ofensas e apelidos pejorativos.

Também há agressões físicas como bater, empurrar, beliscar, destruir pertences ou furtar objetos. O psicológico tende a humilhar, chantagear, intimidar, excluir e difamar o aluno. E existem casos mais extremos como o abuso e violência sexual iniciadas com assedio e insinuações.

Todavia, não só no Brasil mas em todo o mundo, a violência na escola é sem dúvida um problema que necessita de maior atenção. Então precisamos encontra na literatura psicológica anglo-saxônica tudo o que conceitua os comportamentos agressivos e anti-sociais, em estudos sobre o problema da violência escolar

Freire (2005). Temos a necessidade de nos humanizar, pois temos consciência que somos incompletos. Para uma educação verdadeira humanista, devemos desvendar os mitos com os quais se pretende manter o homem desumanizado, esforçando-se para não ocultar essa realidade. Isso é o que permitirá ao homem externar sua real vocação: a de transformar a realidade. E para poder transformar a realidade, deve-se conhecê-la muito bem, criticá-la, resenhá-la.

A existência de bullying nas escolas tem sido tema reiteradamente investigado nos últimos anos, no exterior e no Brasil. O termo em inglês refere-se a uma denominação diferenciada para a violência nesse âmbito, evidenciando uma repercussão negativa da violência nas relações entre pares, com destaque para o ambiente escolar. Já falamos que o Bullying caracteriza-se por atos repetitivos de opressão, tirania, agressão e dominação de pessoas ou grupos sobre outras pessoas ou grupos, subjugados pela força dos primeiros. Trata-se de indivíduos valentes e brigões que põem apelidos pejorativos nos colegas, aterrorizam e fazem sofrer seus pares, ignoram e rejeitam garotos da escola, ameaçam, agridem, furtam, ofendem, humilham, discriminam, intimidam ou quebram pertences dos colegas, entre outras ações destrutivas Lopes, Aramis Saavedra ( 2003).

“Quem agride, quer que o seu alvo se sinta infeliz como na verdade ele é. É provável que o agressor também tenha sido humilhado um dia, descarregando no mais frágil a sua própria frustração e impotência”(Maluh Duprat).Não é interessante responder às provocações, pois isso aumentaria a raiva do agressor e é exatamente isso que ele quer. “Outra coisa importante é não manter segredo da ofensa, intimidando-se. Pode ser um bom momento de lidar com os próprios complexos, de superar com a ajuda da família ou dos superiores no trabalho uma situação de confronto maior que seus recursos internos”.

O portador dessa síndrome possui necessidade de dominar, de subjugar e de impor sua autoridade sobre outrem, mediante coação; necessidade de aceitação e de pertencimento a um grupo; de autoafirmação, de chamar a atenção para si. Possui ainda, a inabilidade de expressar seus sentimentos mais íntimos, de se colocar no lugar do outro e de perceber suas dores e sentimentos

Esta Síndrome apresenta sintomatologia: irritabilidade, agressividade, impulsividade, intolerância, tensão, explosões emocionais, raiva reprimida, depressão, stress, sintomas psicossomáticos, alteração do humor, pensamentos suicidas. É oriunda do modelo educativo predominante pela criança na primeira infância. Sendo repetidamente exposta a estímulos agressivos, aversivos ao seu psiquismo, a criança os intrometa inconscientemente ao seu repertório comportamental e transforma-se posteriormente em uma dinâmica psíquica “mandante” de suas ações e reações. Dessa forma, se tornará predisposta a reproduzir a agressividade sofrida ou a reprimi-la, comprometendo, assim, seu processo de desenvolvimento social.

As consequências para as “vítimas” desse fenômeno são graves e abrangentes, promovendo no âmbito escolar o desinteresse pela escola, o déficit de concentração e aprendizagem, a queda do rendimento, o absentismo e a evasão escolar. No âmbito da saúde física e emocional, a baixa na resistência imunológica e na autoestima, o stress, os sintomas psicossomáticos, transtornos psicológicos, a depressão e o suicídio.

È necessário que todos os envolvidos com a educação se conscientizem sobre a gravidade desse problema e elaborem planos de ações a serem desenvolvidos no ambiente escolar e na sociedade. Ações que despertem os alunos de todos os níveis de escolaridade, para respeito, amor, companheirismo, ética, criticidade, compreensão, amizade, valores humanos, harmonia, sabedoria, dignidade e tantas outra virtudes - que se encontram desvinculadas dos conteúdos escolares e do alcance das famílias - têm que ser levadas diariamente às diversas Instituições educacionais.

3.2 Classificaçao dos alunos envolvidos.

Através de estudos sobre a violência no âmbito escolar FANTE mostra que há possibilidade de identificar os tipos de envolvidos, onde apresentam-se quatro deles; alvos, autores, alvos-autores e agressores. onde os alvos são os alunos sofrem o bullying geralmente impossibilitados de reagir às vezes por não possuírem rendimento físico e por serem passivos, alem de serem pouco sociáveis, in