Whatsapp

A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Educação

Análise sobre a psicomotricidade, demonstrando a sua importância no desenvolvimento de crianças na educação básica, bem como identificando atividades que estimulam o desenvolvimento integral dos alunos.

índice

1. Resumo:

O presente artigo tem por objetivo problematizar a Psicomotricidade como recurso de aprendizagem e desenvolvimento para crianças da Educação infantil. A Psicomotricidade define-se como a ciência que estuda o homem por meio do seu movimento, integrando funções motoras e psíquicas na relação entre o mundo externo e interno. Esse estudo irá definir a Psicomotricidade, demonstrando a sua importância no desenvolvimento de crianças na educação básica, bem como identificando atividades que estimulam o desenvolvimento integral dos alunos. A referida pesquisa se justifica pela necessidade de capacitação docente que atende a educação infantil na atualidade, trabalhando as dificuldades de aprendizagem, proporcionado o atendimento de crianças que necessitam de atividades psicomotoras para o seu desenvolvimento cognitivo, físico e neurológico. A Psicomotricidade promove no ambiente escolar um ambiente de inclusão e possibilita o desenvolvimento do conhecimento de forma construtiva, trabalhando com as crianças o seu desenvolvimento integral dentro do processo de aprendizagem.

Palavras-chave: Aprendizagem, Desenvolvimento Infantil, Educação Infantil, Psicopedagogia, Psicomotricidade.

2. INTRODUÇÃO

Em uma sociedade composta pela diversidade e pluralidade, a Psicomotricidade é uma técnica que tem como estudo o corpo em movimento, desenvolvendo aspectos cognitivos e motores, desenvolvendo o processo de aprendizagem de forma contínua e globalizada, centralizando o seu objetivo em resolver problemas relacionados a disfunções, patologias, educação, aprendizagem e outros.

É na Educação Infantil onde há a necessidade de trabalhar as áreas da Psicomotricidade, aproveitando experiências vividas pelas crianças como meio para o aprofundamento das suas etapas de desenvolvimento, dessa forma se faz necessário que seja trabalhado com as crianças o processo atrativo e psicoativo.

É fundamental que haja a compreensão por parte dos educadores sobre os fenômenos que os envolve, a maneira adequada e efetiva de se trabalhar com o desenvolvimento da psicomotricidade, principalmente de crianças de educação infantil e séries iniciais.

A prática psicomotora deve ser entendida como um processo de ajuda que acompanha a criança em seu próprio percurso maturativo, que vai desde a expressividade motora e desenvolvimento até o acesso à capacidade de descentralização.

Dessa forma, com o intuito de destacar a importância da temática proposta, este estudo trouxe como problemática: “a Psicomotricidade pode ser um método diferencial se usado na educação para alunos com dificuldades de aprendizagem?”. Este estudo teve como objetivo geral entender a importância da Psicomotricidade na Educação Infantil voltada para os alunos com dificuldades de aprendizagem. Pautado nesse propósito, dividiu-se em três capítulos os objetivos específicos. No primeiro capítulo, realizou-se uma análise histórica sobre a Psicomotricidade. No segundo capítulo, objetivou-se apresentar a relação entre a Psicopedagogia e a Psicomotricidade. No terceiro capítulo, objetivou-se escrever a utilização da Psicomotricidade na Educação Infantil.

O estudo foi desenvolvido de acordo com o delineamento de uma pesquisa bibliográfica com abordagem qualitativa. Segundo Gil (2002), a pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros, artigos científicos, teses e dissertações. Foram utilizados como fontes livros, periódicos, artigos científicos e bases de dados, considerando como base os autores como Freire, Vygostky, Wallon, entre outros que contemplaram o tema.

3. REFERENCIAL TEÓRICO / DESENVOLVIMENTO

Estudos recentes abordam que um bom desenvolvimento motor repercute na vida futura das crianças nos aspectos sociais, intelectuais e culturais. O termo desenvolvimento motor diz respeito à interação existente entre o pensamento consciente e inconsciente e os movimentos efetuados pelos músculos, com o auxílio do sistema nervoso.

O desenvolvimento motor está relacionado às áreas cognitiva e afetiva do comportamento humano, sendo influenciado por muitos fatores. Dentre eles destacam os aspectos ambientais, biológicos, familiar, entre outros. Esse desenvolvimento é a contínua alteração da motricidade, ao longo do ciclo da vida, proporcionada pela interação entre as necessidades da tarefa, a biologia do indivíduo e as condições do ambiente. (GALLAHUE, 2005, p. 03).

O desenvolvimento motor é um processo de mudança no comportamento motor, o qual está relacionado com a idade, tanto na postura quanto no movimento da criança. Como também observamos que o desenvolvimento motor apresenta características fundamentais sendo elas, as possibilidades de nosso corpo agir e expressar-se de forma adequada, a partir da interação de componentes externos, que é o próprio movimento, e através de elementos internos, que são todos os processos neurológicos e orgânicos que executamos para agir.

De acordo com a Associação Brasileira de Psicomotricidade (ABP, 1980):

Psicomotricidade é a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. É sustentada por três conhecimentos básicos, o movimento, o intelecto e o afeto. Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função de experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização.

O temo empregado para a concepção de Psicomotricidade é utilizado como um movimento que resulta na linguagem, individualidade e socialização, sendo um movimento baseado em experiências vividas pelas pessoas, sendo um movimento organizado e integrado a educação.

No final do século XIX, a Psicomotricidade nomeou zonas corticais localizadas além das regiões motoras. A Psicometria nomeou desde o início da fala humana, onde o homem iniciou sua fala sobre o seu corpo, com o percurso histórico do corpo, as concepções sobre o “corpo” ou mesmo “um corpo”, se multiplicaram até os nossos dias, pela própria construção do homem acerca do corpo e sua entrada no simbólico, no mundo.

A palavra corpo provém de três vertentes: garbhas, que significa embrião, karpós, que significa fruto, semente e envoltura e; corpo e latim corpus, que significa tecido de membros, envoltura da alma, embrião do espírito.

Com a evolução e as descobertas da neurofisiologia, começa a constatar-se que há diferentes disfunções graves sem que o cérebro esteja lesionado ou sem que a lesão esteja localizada. Foram descobertos os “distúrbios da atividade gestual”, “da atividade práxica”. Dessa forma, “esquema anátomo-clínico” que determinava para cada sintoma sua correspondente lesão focal, já não podia explicar alguns fenômenos patológicos.

São descobertos distúrbios da atividade gestual, da atividade práxica. Portanto, o "esquema anátomo-clínico" que determinava para cada sintoma sua correspondente lesão focal já não podia explicar alguns fenômenos patológicos. É, justamente, a partir da necessidade médica de encontrar uma área que explique certos fenômenos clínicos que se nomeia, pela primeira vez, a palavra Psicomotricidade, no ano de 1870. (ABP, 2019.p.1)

Ajuriaguerra empenhou-se em compreender a patogénese dos distúrbios, a partir de uma classificação baseada na sintomatologia e, em colaboração com Soubiran, elaborou um exame psicomotor que permitia avaliar esses mesmos distúrbios. Os resultados deste exame possibilitavam determinar a Reeducação Psicomotora do indivíduo fundamentada em itens específicos baseados em exercícios que tinham por objetivo contrariar esses transtornos. (Costa, 2008).

A Psicomotricidade ganhou, a partir de 1947, novas concepções que a diferenciam mais ainda de outras áreas, buscando a identidade da motricidade, trazendo a fundamentação teórica de uma especificidade e autonomia não apenas nas ter o Brasil, a psicomotricidade foi norteada pela escola francesa, ganhando crescente investigação de fenômenos relacionados a patologias referentes ao comportamento e debilidades motoras. Durante a época da primeira guerra mundial, a psiquiatria infantil, a psicologia e a pedagogia foram influenciadas por esta mesma escola. Na década de 70 diferentes autores contribuíram para que a psicomotricidade fosse definida como uma motricidade de relação. Até então, ela era definida como “uma atividade de um organismo total expressando uma personalidade, e a motricidade, como uma das formas de adaptação ao mundo exterior”. (ALVES, 2007).

A partir dessa data iniciou-se o interesse de um a postura educativa a respeito do diagnóstico psicomotor, surgindo métodos e técnicas vindas de várias escolas para a utilização da ação psicomotora, sendo criados cursos de formação de professores em educação especial, com abordagem de conteúdos de ações psicomotoras.

A 1ª proposta no Brasil de uma formação específica em um método de Psicomotricidade parece ter sido iniciada em 1968, com a vinda de Simone Ramain – Método Ramain.

No Rio as fonoaudiólogas foram pioneiras na atuação psicomotora e em 68 a Psicomotricidade era introduzida como cadeira na Faculdade de Logopedia da UFBJ e em 1969 no Instituto Helena Antipoff, já iniciavam a abordagem psicomotora em áreas distintas como: na educação, reeducação ou treinamento.

Duas tendências marcaram o desenvolvimento da nova área na década de 70:

  • A generalização – qualquer abordagem corporal em educação e reeducação teria caráter de atuação psicomotora.
  • A Metodologização – aplicação de métodos- Picq y Vayer, Le Bouch, Costallat, Khepart, Hughette Bucher, Orlic e Le Bon Départ.

Em avaliação, tinha os métodos de Ozeretsky, o “bilan” de H. Bucher e Bergé Lezine.

Cada vez mais a utilização do corpo como instrumento da ação psicomotora era ampliado por diversas áreas e com a entrada da Psicomotricidade nos currículos do ensino de 3º grau, em várias capitais do País e a chegada de Françoise Desobeau (França), convidada para um Seminário sobre “Terapia Psicomotora”, os rumos se ampliaram aceleradamente, abrindo um viés na ação psicomotora, que antes supervalorizava a técnica e agora tinha como prisma à abordagem tônico- emocional, relevando as atividades espontâneas, o jogo e o simbolismo.

Na década de 70, André Lapierre e Bernard Aucouturier investigaram os modelos existentes e, a partir deles e com a sua experiência prática, elaboraram um método que promoveu um distanciamento progressivo da atitude de “Testador- Reeducador-Reparador”, para se aproximarem da postura de “compreender o indivíduo e auxiliá-lo”, adotando uma posição mais terapêutica (Costa, 2008). Abrindo-se assim um espaço significativo no âmbito educativo que facultou uma pedagogia baseada na descoberta através do jogo, no desejo de aprender e no movimento espontâneo, onde se deveria de trabalhar com o que há de positivo na criança, partindo do princípio de que a melhor forma de auxiliá-la a ultrapassar as suas dificuldades era por meio das experiências vividas.

Esta nova conceptualização marca o momento em que deixou de existir a “Reeducação” e tudo passou a ser educação, onde se estimula o desenvolvimento das potencialidades próprias da criança, estudando formas de facilitar as aprendizagens, numa relação interativa (Vieira, Batista, & Lapierre, 2005).

Importa ainda referir o nome do preconizador da psicomotricidade em Portugal, João dos Santos que, em 1965, realizou os primeiros exames psicomotores no Centro de Saúde Mental Infantil de Lisboa e que colocava a vida emocional da criança num paradigma DE triangulação entre corpo, espaço e conflito (Costa, 2008). Por fim, na última metade do século XX, destacou-se Pedro Soares Onofre que, desmontando preconceitos e sempre em defesa da criança, divulgou a Psicomotricidade por todo o país, preconizando uma metodologia de base fenomenológica, em descoberta, criatividade e iniciativa, onde privilegiava o relacionamento com a criança (Costa, 2008).

É ainda de referir o nome de Vítor da Fonseca, na medida em que introduziu a Psicomotricidade como a integração superior da motricidade, produto de uma relação inteligível entre a criança e o meio e, em 1975, criou a Bateria Psicomotora, baseada no modelo de Lúria, propondo também um modelo de Reabilitação Psicomotora (Fonseca, 2010).

Segundo Lapierre (1989), a Psicomotricidade considera o ser físico e social em transformação permanente em constante interação com o meio, modificando-o e modificando-se. Na Psicomotricidade é trabalhada a globalidade do indivíduo; é uma disciplina que estuda a implicação do corpo, a vivência corporal, o campo semiótico das palavras e a interação entre os objetos e o meio para realizar uma atividade.

O desenvolvimento psicomotor acontece num processo conjunto de todos os aspectos (motor, intelectual, emocional e expressivo), iniciando no nascimento e completando-se maturacionalmente por volta dos oito anos de idade.

De acordo com Fonseca (2004, p. 12):

A psicomotricidade constitui uma abordagem multidisciplinar do corpo e da motricidade humana. Seu objeto é o sujeito humano total e suas relações com o corpo, sejam elas integradoras, emocionais, simbólicas ou cognitivas, propondo-se desenvolver faculdades expressivas do sujeito, nas quais, por esse contexto, assume uma dimensão educacional e terapêutica original, com objetivos e meios próprios que se destacam de outras abordagens.

A Psicomotricidade em por objetivo maior fazer do indivíduo um ser de comunicação, um ser de criação e um ser de pensamento operativo, ou seja, a Psicomotricidade leva em conta o aspecto comunicativo do ser humano, do corpo e da gestualidade.

Em 1990 foi autorizada e reconhecida pelo MEC a primeira Graduação em Psicomotricidade, com a duração de quatro (4) anos, no Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitação (IBMR-RJ).

Segundo Lagrange (Apud OLIVEIRA, 2000, p.22), “a educação psicomotora não é um treino destinado à automatização, à robotização da criança”.

Para reforçar sua opinião, cita Vayer (Apud OLIVEIRA, 2000, p.34):

Trata-se de uma educação global que, associando os potenciais intelectuais, afetivos, sociais, motores e psicomotores da criança, lhe dá segurança, equilíbrio e permite o seu desenvolvimento, organizando corretamente as suas relações com os diferentes meios nos quais tem de evoluir.

De Fontaine (Apud OLIVEIRA, 2000, p.35) declara que só poderemos entender a Psicomotricidade através de uma triangulação corpo, espaço e tempo. A Psicomotricidade é um caminho, é o desejo de fazer, de querer fazer e de poder fazer, e que o homem não é exclusivamente um ser motor ou vir a ser, o homem não é exclusivamente um ser psíquico ou um querer fazer. O homem é psicomotor, é a articulação do ter, do ser, do querer, do poder ser e fazer.

A educação psicomotora deve ser considerada como uma educação de base na escola primária. Ela condiciona todos os aprendizados pré-escolares; leva a criança a tomar consciência do seu corpo, da lateralidade, a situar-se no espaço, há dominar o tempo, a adquirir habilmente a coordenação de seus gestos e movimentos. A educação psicomotora deve ser praticada desde a mais tenra idade; conduzida com perseverança, permite prevenir inadaptações, difíceis de corrigir quando já estruturadas. (LE BOULCH, 1984, p.235)

Ajuriguerra (Apud FONSECA ,1998, p.332) afirma ser um erro estudar a psicomotricidade apenas por um prisma do plano motor, sem estar acompanhada de um plano mental.

Entendemos que, para que ocorra um desenvolvimento global e harmonioso da criança, o professor deverá estar habilitado, para que possa permitir a sensibilização, a percepção do próprio corpo, o toque, o renascimento corporal, a união entre a psique e o corpo, as brincadeiras durante o parque, brincadeiras realizadas pelas professoras, o correr, o pular, subir, descer, mexer com a terra, com o barro, andar descalço, perceber diferentes texturas, manipular objetos de diferentes tamanhos, amassar, rasgar; com certeza, terá minimizado algumas dificuldades quanto ao seu aprendizado. Pois:

É pela motricidade e pela visão que a criança descobre o mundo dos objetos e é manipulando-os que ela redescobre o mundo; porém, esta descoberta a partir dos objetos só será verdadeiramente frutífera quando a criança for capaz de segurar e de largar, quando ela tiver adquirido a noção de distância entre ela e o objeto que ela manipula, quando o objeto não fizer mais parte de sua simples atividade corporal indiferenciada. A psicomotricidade não é exclusiva de um método, ou de uma “escola” ou de uma “corrente” de pensamento, nem constitui uma técnica, um processo, mas visa fins educativos pelo emprego do movimento humano. (AJURIAGUERRA, apud FONSECA, 1998 p.332)

O mesmo autor nos relata que, segundo Piaget, “todos os mecanismos cognitivos assentam na motricidade, tanto mais que esta é o meio (e o instrumento) facilitador de todas as formas de expressão verbal”.

Em todos os níveis de desenvolvimento das funções cognitivas, desde a percepção e os esquemas sensório-motores até as operações propriamente ditas, ocorre interferência da motricidade.

É preciso salientar que, no Brasil, a Psicomotricidade desenvolveu-se pela vertente da Educação Física. A partir de 1978, a Psicomotricidade começou a despertar o interesse de professores de Educação Física, Pedagogos e Psicólogos que utilizavam as práticas corporais na escola como meio de inovar as aulas de Educação Física das crianças. A psicomotricidade adota inicialmente o mesmo paradigma da educação física, pois alimenta a vertente da ginástica ao agrupar famílias de exercícios (equilíbrio, coordenação, lateralidade, orientação espacial, orientação temporal, ritmo).

O desenvolvimento da psicomotricidade ocorre através de exercícios motores em que o corpo se desloca e o sujeito percebe as diferentes noções de maneira interna; exercício sensório-motores ocorre através da manipulação de objetos, ou seja, quando a criança é capaz de segurar e largar os objetos; nos exercícios preceptor motores às manipulações são mais sutis e a percepção visual, muito importante, domina as outras partes. A psicomotricidade busca oferecer às crianças a livre expressão de seu ser, o estar bem e o sentir-se bem.

O desenvolvimento da psicomotricidade ocorre através de exercícios motores em que o corpo se desloca e o sujeito percebe as diferentes noções de maneira interna; exercícios senso-motores ocorrem através da manipulação de objetos, ou seja, quando a criança é capaz de segurar e largar os objetos; nos exercícios preceptor motores às manipulações são mais sutis e a percepção visual, muito importante, domina as outras partes. A psicomotricidade busca oferecer às crianças a livre expressão de seu ser, o estar bem e o sentir-se bem.

Os elementos básicos da Psicomotricidade são: esquema corporal, lateralidade, estruturação espacial e orientação temporal. Estes elementos serão agora brevemente considerados

Esquema corporal: é a tomada de consciência total do corpo, em consequência, a criança passa a indicar e em nomear as partes dele.

O controle, manejo e conhecimento de seu próprio corpo a criança adquire à medida que processa o seu desenvolvimento, o qual é resultado da ação recíproca de seu corpo com os elementos de seu dia-a-dia, com as pessoas que estão presentes na sua vida e com o mundo, onde as ligações afetivas e emocionais são estabelecidas e vivenciadas, ou seja, as experiências que possuímos, provenientes do corpo, e as sensações por que passamos levam-nos a conceituar o esquema corporal. Dessa forma, é através dele que estabelece contato com a essência do mundo, compromete-se no mundo e compreende seus semelhantes.

Quando a criança realiza um desenho de figura humana, podemos conhecer a imagem que ela apresenta de si mesmo.

M. Frosting (1982, p. 78) indica-nos que o correto conhecimento do corpo é composto por três elementos: imagem corporal, conceito de corpo e esquema corporal. A autora salienta que caso um dos três aspectos esteja alterado, altera- se a habilidade da criança para a coordenação olha-o o, para sua percepção da posição no espaço e para perceber as relações espaciais entre elas.

Imagem corporal: De Fontaine compara a imagem corporal a um conhecimento “geográfico” que uma criança possa ter. Através da interiorização, a criança tornar-se capaz de se situar. É a experiência subjetiva da percepção de seu próprio corpo e seus sentimentos em relação a ele. Esta imagem faz-se a partir dos desenhos de pessoas que as crianças fazem, assim como de suas verbalizações em relação ao corpo.

A imagem corporal inclui a impressão que a pessoa tem de si mesma, por exemplo: alta ou baixa, gorda ou magra, bonita ou feia e outras.

Conceito corporal: é o conceito intelectual que a pessoa apresenta de seu corpo. Desenvolve-se mais tarde que a imagem corporal e é adquirida por aprendizagem consciente. O conhecimento que a criança apresenta das funções que as diferentes partes do corpo realizam está inserido no conceito corporal.

Esquema corporal: diferencia-se da imagem e do conceito corporal por ser inconsciente e diferente em diversos momentos. O esquema regula a posição dos músculos e partes do corpo em relação mútua, em um momento particular, e varia de acordo coma posição do corpo.

Oliveira (2000, p.150) destaca que um esquema corporal organizado, portanto, permite a criança sentir-se bem, na medida em que seu corpo lhe obedece, em que tem um domínio sobre ele, em que o conhece bem, em que pode utilizá-lo para alcançar um maior poder cognitivo. Ela deve ter o domínio do gesto e do instrumento que implica em equilíbrio entre as forças musculares, domínio de coordenação global, boa coordenação óculo-manual.

O corpo é a referência que o ser humano possui para conhecer e interagir com o mundo. Assim, servirá de base para o desenvolvimento cognitivo, para a aprendizagem de conceitos necessários à alfabetização. A criança necessita viver os conceitos através de seu corpo para depois visualizá-los no objeto.

4. A PSICOMOTRICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

A Psicomotricidade é uma área que tem como objetivo o desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo, trabalhando o desenvolvimento integral da criança. Segundo Lê Boliche (2001, p. 25) a Educação Psicomotora auxilia de forma significativa o processo de desenvolvimento infantil, “a educação psicomotora deve ser inadaptações, difíceis de corrigir quando já estruturadas”. O trabalho psicomotor é indispensável para as crianças, possibilitando uma maior assimilação das aprendizagens escolares.

Psicomotricidade é a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. É sustentada por três conhecimentos básicos: o movimento, o intelecto e o cognitivo. (GALVÂO, 1995, p. 10).

A Psicomotricidade pode ser definida como uma concepção de movimento organizado e integrado que trabalha experiências vividas, linguagem e socialização.

Muitos estudiosos, mesmo de correntes de pensamento diversas, concordam sobre o fato de que os primeiros anos de vida são fundamentais para a maturação da criança. De maneira particular, é opinião compartilhada que já aos três anos todo indivíduo tenha adquirido as características principais da própria personalidade. (VECCHIATO, 2003, p. 33).

A psicomotricidade possibilita a criança a livre expressão de sentimentos, pensamentos, conceitos, ideologias, além do trabalho corporal realizado pela Psicomotricidade que auxilia nos processos de aprendizagem. Ela procura superar os obstáculos e prevenir possíveis inadaptações dos alunos.

Toda a ação torna-se possível porque houve uma ação coordenada que ligou os movimentos em função de um objetivo, ou seja, o gesto mecânico produz uma ação com objetivo, e só é possível porque houve a coordenação, que nada mais é que o saber corporal. A essa ligação entre o saber e a ação denomina-se psicomotricidade (FREIRE, 1989, p. 122).

O estímulo motor é tão importante que quando ocorrem falhas nesse estímulo podem acarretar falhas no aprendizado, essas falhas podem ser dificuldades de leitura e compreensão, que pode acarretar em problemas graves no processo de alfabetização da criança.

“O termo psicomotricidade se divide em duas partes: a motriz e o psiquismo, que constituem o processo de desenvolvimento integral da pessoa”. (Fonseca, 2004, p.16). A palavra motriz se refere ao movimento, já pisco determina a atividade psíquica em duas fases: sócio - afetiva e a fase cognitiva. Em outras palavras, o que se quer dizer é que na ação da criança se articula toda sua afetividade, todos seus desejos, mas também todas suas possibilidades de comunicação e articulação de conceitos.

O enfoque da Psicomotricidade na educação infantil é a reeducação, a terapia e a educação. A reeducação trata de sintomas como debilidade motora, atrasos e instabilidades psicomotoras. De acordo com Moirizo (1979) determinados sintomas desencadeiam outros distúrbios secundários, caracterizados como relacionais afetivos. A reeducação está relacionada com a educação, em ambas a relação entre a pessoa tratada e o profissional é muito importante. De acordo com Conste (1981) “o aspecto relacional e afetivo da relação terapêutica pode ser o elemento determinante na dinâmica da cura”. A terapia é usada nos casos onde a criança possui grandes perturbações e cuja adaptação é de ordem patológica.

Nós deveríamos levar mais longe essa lógica; se a criança tem deficiências que a impedem de chegar ao cognitivo, é porque o ensino que recebeu não respeitou as etapas de seu desenvolvimento psicomotor. Sob o aspecto da prevenção, passaríamos da reeducação à educação psicomotora. Portanto, torna-se importante estudar as funções psicomotoras, bem como sua importância para o desenvolvimento infantil. (LAPIERRE, 2002, p. 25).

Abrange todas as aprendizagens da criança, processando-se por etapas progressivas e específicas conforme o desenvolvimento geral de cada indivíduo. Realiza-se em todos os momentos da vida por meio de percepções vivenciadas, com uma intervenção direta em nível cognitivo, motor e emocional, estruturando o indivíduo como um todo. A educação passa pela facilitação das condições naturais e prevenção dos distúrbios corporais. Ela se realiza na escola, na família e no meio social com a participação dos educadores, dos pais e dos professores em geral (professores de natação, de atividades aquáticas, judô, balé, ginástica, dança, arte-educadores, etc.). Dirige-se prioritariamente à criança em condições de frequentar a escola e sem comprometimentos maiores. Muitos autores citados a seguir enfatizam essa área de atuação e acredita-se que a base educativa acaba permeando as outras (reeducação, estimulação e terapia).

A reeducação psicomotora é a ação desenvolvida em indivíduos que sofrem com perturbações ou distúrbios psicomotores, tendo como objetivo retomar as vivências anteriores com falhas ou as fases de educação ultrapassadas inadequadamente em etapas anteriores. Deve começar em tempo hábil em função da instalação das condutas psicomotoras, diagnosticando as dificuldades a fim de traçar o programa de reeducação.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Sua atribuição está contida em várias áreas profissionais: pedagogia, educação física, fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional, psicologia, arte- educadores, educadores, médicos da especialidade motora ou psíquica, dentre outros. Mas o mais importante para uma boa reeducação é a tranquilidade e o intercambio afetivo e presente do reeducador com o educando.

A meta de uma terapia (psicomotora) não é de transformar uma criança em um retardor, e sim em um ator: o corpo tem uma posição, ou caso contrário, está ausente. E, para fazer isto, o terapeuta deve manter sua posição e não se colocar no lugar da criança (BERGÈS, 1982, p.43).

Através do movimento, como meio terapêutico, procura-se melhorar os processos de integração, elaboração e realização do mesmo. Percebendo que o corpo, como afirma Walton (1999, p.56), é instrumento de ação sobre o mundo, e um instrumento de relação com o outro, a perspectiva de terapia psicomotora é necessariamente diferente dos métodos tradicionais e das técnicas clássicas, com as quais não convém confundi-la.

A terapia psicomotora não é uma ginástica corretiva, nem uma rítmica especializada. É uma nova abordagem dos problemas de motricidade perturbada, partindo de um aspecto essencial e básico, que auxilia o indivíduo nas múltiplas ações de adaptação à vida corrente (FONSECA, 1998, p.98). Ela pretende readaptar a criança à atividade mental que preside à elaboração do movimento, procura melhorar as estruturas psíquicas pela transmissão, execução e controle dos movimentos, através de um melhor reconhecimento espaço-temporal com base numa maior disponibilidade corporal, visa a integração mental do movimento.

O educador pode estimular a criança interligando as áreas da motricidade, cognição, afetividade e linguagem e afetividade, buscando as dificuldades que possam surgir durante o aprendizado.

Para De Meu e Setas (1989, p. 21) A educação psicomotora é indispensável nas aprendizagens escolares, onde afirmam que “é por essa razão que a propomos inicialmente à escola materna”.

A educação psicomotora tem como premissa o auxilio dos processos neurológicos de maturação, trabalhando desde a expressividade motora da criança até a sua autonomia.

“O indivíduo não é feito de uma só vez, mas se constrói, através da interação com o meio e de suas próprias realizações”. (Fonseca, 2004, p.19).

A Psicomotricidade desempenha papel fundamental, como o suporte que ajuda a criança a adquirir o conhecimento do mundo que a rodeia através de seu corpo, de suas percepções e sensações. Por esse motivo, a educação psicomotora tem sido enfatizada em várias instituições escolares, aplicada principalmente na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, fase em que as crianças estão descobrindo a si mesmo e o mundo em que vive.

Especialistas como neuropsiquiatrias, psicólogos, fonoaudiólogos reforçam cada vez mais a importância da Psicomotricidade no desenvolvimento da criança nos primeiros anos de vida, compreendendo que esse desenvolvimento é um momento de aquisições a nível físico e importantes no universo emocional e intelectual da criança.

Para Lassos (1984) a educação psicomotora envolve e comanda todo o processo de aprender, tanto na coletividade ou no individual. A própria psicomotricidade quem auxilia o educando no processo de aprendizagem e que contribui no processo de apreensão nas atividades escolares, dando a base para o desenvolvimento intelectual, sendo desenvolvidas, a partir primeiramente de experiências motoras, exigindo para sua realização o uso das funções cognitivas, tornando a psicomotricidade um procedimento que permite e auxilia no desenvolvimento da inteligência humana.

Por esse motivo, alguns psicólogos acreditam que quanto mais cedo começar o aprendizado das crianças, melhor será o seu desenvolvimento, isto porque na infância a crianças passa por diversas mudanças físicas, cognitivas e afetivas que podem ser usadas como experiências no aprendizado. Quanto mais rápido for estimulado a Psicomotricidade da criança, melhor será o seu aprendizado. Vygotsky (apud DAVIS; OLIVEIRA, 1994, p. 56) “[...] postula que o desenvolvimento da aprendizagem é processo que se influenciam reciprocamente de modo que, quanto mais aprendizagem, mais desenvolvimento”.

Sendo assim, instituições de ensino buscam oportunizar, às crianças, condições de desenvolverem capacidades básicas, aumentar seu potencial motor, utilizando o movimento para atingir aquisições mais elaboradas, como as intelectuais, como também sanar as dificuldades apresentadas pelos alunos.

As habilidades dos indivíduos são desenvolvidas através da sua interação com o meio social em que ele vive, quando mais conhecimento ele tiver, melhor será o seu desenvolvimento, por isso, a Psicomotricidade é tão importante na Educação Infantil.

Segundo o RCNEI (BRASIL, 1998) o trabalho com o movimento deve ocorrer desde os primeiros anos de vida e se faz necessário o respeito às especificidades de cada faixa etária, além de respeitar as inúmeras culturas corporais. Referente aos conteúdos o RCNEI:

Os conteúdos deverão priorizar o desenvolvimento das capacidades expressivas e instrumentais do movimento, possibilitando a apropriação corporal pelas crianças de forma que possam agir com cada vez mais intencionalidade, devendo ser organizadas em um processo que seja contínuo e integrado. Esse processo envolve múltiplas experiências corporais, possíveis de serem realizadas pela criança sozinha ou em situações de interação. Os diferentes espaços e materiais, os diversos repertórios de cultura corporal expressos em brincadeiras, jogos, danças, atividades esportivas e outras práticas sociais são algumas das condições necessárias para que esse processo ocorra. (BRASIL, 1998, p.29)

O estímulo que a criança recebe quando o professor faz uso da Psicomotricidade é crucial na prevenção de dificuldades de aprendizagem, se do fundamental na fase de alfabetização da criança e um precursor no desenvolvimento de suas habilidades e capacidades de aprofundamento.

Seja qual for à experiência proposta e o método adotado, o educador deverá levar em consideração as funções psicomotoras (esquema corporal, lateralidade, equilíbrio, etc.) que pretende reforçar nas crianças com as quais está trabalhando. Mesmo levando em conta que, em qualquer exercício ou atividade proposta, uma função psicomotora sempre se encontra associada a outras, o professor deverá estar consciente do que exatamente está almejando e onde pretende chegar. (NEGRINE, 1995, p. 25).

Contudo, em se tratando de educação psicomotora é importante ressaltar, nesse aspecto, que o professor primeiramente precisa conhecer sobre o desenvolvimento infantil e as funções psicomotoras, para posteriormente organizar o seu planejamento de aulas. Ele precisa saber qual a dificuldade apresentada por cada aluno em especial e como a Psicomotricidade pode atuar para a solução do problema apresentado.

Conforme Fonseca (1995a, p.72) “o enfoque das DA está no indivíduo que não rende ao nível do que se poderia supor e esperar a partir do seu potencial intelectual, e por motivo dessa especificidade cognitiva na aprendizagem, ele tende a revelar fracassos inesperados”.

“A educação psicomotora deve ser considerada como uma educação de base na escola primária. Ela condiciona os aprendizados pré-escolares e escolares; leva a criança a tomar consciência de seu corpo, da lateralidade, a situar-se no espaço, há dominar o tempo, a adquirir habilmente a coordenação de seus gestos e movimentos. A educação psicomotora deve ser praticada desde a mais tenra idade; conduzida com perseverança, permite prevenir inadaptações, difíceis de corrigir quando já estruturadas...”. Baseado na obra L’ L’éducation par Le mouvement 1966, um decreto ministerial em 1969 introduziu a educação psicomotora como prática semanal de seis horas na escola primária.

Um projeto de lei alterou a Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelecendo as diretrizes e bases da educação nacional (LDB), incluindo o Art. 62-A, que afirma: “Os conteúdos curriculares da disciplina Educação Física no ensino infantil, fundamental e médio serão ministrados exclusivamente por Professores de Educação Física, licenciados em nível superior”. No mesmo parecer é revelado à preocupação com a Educação Física Escolar. “Há estudos que revelam que a disciplina, sobretudo na esfera da Educação Pública, é oferecida de forma muito precária. No entanto, está comprovado que a Educação Física influencia positivamente o desenvolvimento da psicomotricidade, da sociabilidade e até do caráter do jovem”.

Existe a referência dos Parâmetros Curriculares Nacionais do terceiro e quarto ciclo, para que sejam propostas atividades em grupo, proporcionados momentos para discussão e elaborações de trabalhos coletivos. Promovem o favorecimento das potencialidades como indicações de trabalho nas escolas (PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS, 1998).

Todavia, a intervenção da Psicomotricidade Relacional favorece esta socialização e a relação entre os alunos, por meio principalmente da aproximação corporal, estabelecida pela disponibilidade do adulto no setting, que facilita o contato entre as próprias crianças, como também, com próprio adulto. Podendo ser usada como ferramenta de intervenção na educação. Dentre as inúmeras finalidades da educação é imprescindível que os alunos aprendam a conviver em grupos, respeitem-se e estabeleçam boas relações de cooperação e produtividade. Nessa perspectiva, os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997, p. 63) acordam que “são fundamentais as situações em que possam aprender a dialogar, a ouvir o outro e ajudá-lo, a pedir ajuda, aproveitar críticas, explicar um ponto de vista, coordenar ações para obter sucesso em uma tarefa conjunta”, afirmando a importância da aprendizagem desses procedimentos para construção de uma identidade pessoal e coletiva. O criador da Psicomotricidade Relacional, André Lá Pierre, acredita “que o corpo não é essencialmente cognição, mas também o lugar de toda sensibilidade, afetividade, emoção da relação consigo e com o outro.” Batista e Lá Pierre (2004).

Sendo assim, as relações Inter e intrapessoais convergem para a construção do sujeito enquanto pessoa, e sujeito inserido na coletividade como afirma os Puns.

A função do psicomotricista relacional no setting envolve “a capacidade de decodificar, intervir e responder de forma a proporcionar possibilidades de desenvolvimento e evolução em direção à autonomia e socialização.” (Ibid., p. 100) A partir do reconhecimento do desenvolvimento individual e do processo de socialização, a escola irá potencializar as capacidades dos alunos, [...] de modo a auxiliá-los a desenvolver, no máximo de sua possibilidade, as capacidades de ordem cognitiva, afetiva, física, ética, estética e as de relação interpessoal e de inserção social, ao longo do ensino fundamental (1998). Lá Pierre e Aucouturier comentam que: A evolução da criança depende de sua inserção no grupo, de sua aceitação ou de sua rejeição, das possibilidades de comunicação que ela consegue estabelecer, mas também da estrutura, mais ou menos patogênica ou que proporcione equilíbrio, do grupo em que convive e das individualidades que o compõem. (2004, p. 21) Através da Psicomotricidade Relacional, por meio do jogo espontâneo, é possível identificar as dificuldades e as facilidades de cada criança a qual se mostra na sua inteireza na relação que estabelece com os outros, e assim percebê-la e valorizá-la como única.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais foram criados com o intuito de contribuir com o processo educativo respeitando a diversidade comumente em nosso país e as necessidades de referências comuns a todas as regiões brasileiras. Tendo em vista, criar condições para construção do conhecimento em prol dos envolvidos neste processo.

Constituem objetivos fundamentais da República: construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (artigo 3º da Constituição Federal).

O fundamento da sociedade democrática é a constituição e o reconhecimento de sujeitos de direito. Na área educacional, são fundamentos que permitem orientar, analisar, julgar, criticar as ações pessoais, coletivas e políticas na direção da democracia. Os Parâmetros Curriculares Nacionais, ao propor uma educação comprometida com a cidadania, elegeram tais princípios para orientar a educação escolar, sendo eles: Dignidade da pessoa humana - Implica em respeito aos direitos humanos, repúdio à discriminação de qualquer tipo, acesso a condições de vida digna, respeito mútuo nas relações interpessoais, públicas e privadas; Igualdade de direitos - Refere-se à necessidade de garantir a todos a mesma dignidade e possibilidade de exercício de cidadania; Corresponsabilidade pela vida social - Implica em partilhar com os poderes públicos e diferentes grupos sociais, organizados ou não, a responsabilidade pelos destinos da vida coletiva.

O professor precisa ter muito claro qual o caminho a seguir, quais as necessidades de seus alunos naquela etapa do desenvolvimento, trabalhando as dificuldades apresentadas de acordo com as necessidades dos alunos, apesentando uma proposta de ensino viável para cada tipo de situação.

Lá Pierre em relação às dificuldades de aprendizagem menciona:

Nós deveríamos levar mais longe essa lógica; se a criança tem deficiências que a impedem de chegar ao cognitivo, é porque o ensino que recebeu não respeitou as etapas de seu desenvolvimento psicomotor. Sob o aspecto da prevenção, passaríamos da reeducação à educação psicomotora. Portanto, torna-se importante estudar as funções psicomotoras, bem como sua importância para o desenvolvimento infantil. (LAPIERRE, 2002, p. 25).

De acordo com os autores: Bomtempo (1987); Kishimoto (1997); Fundação Roberto Marinho (1992); Oliveira (1992); Oliveira (2000a); Material IESDE BRASIL S/A (s/d) e principalmente Wajskop (1999), para cada perturbação existe uma proposta de reeducação que pode ser trabalhada de forma lúdica.

  • Reeducação para perturbações motoras: no caso dos atrasos do desenvolvimento motor, podem ser utilizados exercícios motores e sensoriais como jogos de bola, jogos de destreza e de percepção do esquema corporal.
  • As propostas lúdicas que contribuem e auxiliam na prevenção e reeducação destas perturbações seriam músicas, fantoches, quebra-cabeças com figuras humanas e brincar de circo (equilíbrio).
  • Nos grandes déficits motores: (sistema motor) utilizam-se exercícios de destreza e coordenação, para o esquema corporal utiliza - se exercícios de conhecimentos das partes do corpo, organizadores da lateralidade e exercícios preceptor - motores.
  • Na lateralidade: utilizam-se exercícios com recurso do espelho e do conhecimento de esquerda-direita, e no caso de dificuldades da estruturação espacial os jogos de estruturação espacial.
  • As propostas lúdicas que contribuem e auxiliam na prevenção e reeducações destas perturbações seriam: matizações, músicas e canções que trabalhem o corpo, artes plásticas (modelagem com argila, esculturas e massinha).
  • Nas perturbações do equilíbrio: podem ser utilizados exercícios de reconhecimento proprioceptivo, exercícios de impulso e exercícios de equilíbrio.
  • As propostas lúdicas que contribuem e auxiliam na prevenção e reeducações destas perturbações seriam: músicas, brincar de estátua, amarelinha, brincar de se equilibrar sobre linhas no chão, jogar boliche.
  • Nas perturbações da coordenação: utilizam-se exercícios de grande motricidade, de destreza, de coordenação dinâmica, de motricidade delicada e exercícios motores de pré - escrita.
  • As propostas lúdicas que contribuem e auxiliam na prevenção e reeducação destas perturbações seriam jogos de boliche, bola ao cesto, bola de gude, jogos com tacos, brincar de passar por baixo de cadeiras, sem encostar, brincar de trem, canções com trabalho corporal e dramatizações com fantoches.
  • No caso das perturbações da sensibilidade: utilizam-se exercícios de reconhecimento interno e tátil, de tomada de posição, de coordenação, de equilíbrio, de destreza e exercícios com olhos vendados.
  • As propostas lúdicas que contribuem e auxiliam na prevenção e reeducações destas perturbações seriam: brincar de cabra-cega, brincar de adivinhar o quem tem dentro de um saco só pelo tato, brincar com dominós táteis, dramatizações, andar sobre banco (brincar de desfile de moda).
  • Reeducação para perturbações intelectuais: em se tratando da reeducação para perturbações intelectuais, utilizam-se exercícios motores, de memórias, exercícios de reconhecimento e outros correspondentes à sua idade mental.
  • As propostas lúdicas que contribuem e auxiliam na prevenção e reeducação destas perturbações, seriam: pintura, jogos da memória, jogos de adivinhações, dramatizações através de canções, brincar de teatro, contos e histórias.
  • Reeducação para perturbações do esquema corporal: para esta perturbação podem ser utilizados exercícios de grande motricidade, de orientação espaço- temporal e de aperfeiçoamento dos movimentos.
  • As propostas lúdicas que contribuem e auxiliam na prevenção e reeducação destas perturbações, seriam: brincar com músicas e danças, de estátua, artes plásticas, brincar de roda, cabra-cega, canções com trabalho corporal,
  • Escravo-de-Jó brincar de se vestir com os olhos vendados, dublar canções dramatizando e brincar de morto-vivo.
  • Reeducação para perturbações da lateralidade: utilizam-se exercícios de percepção do lado dominante, de eixo simétrico do corpo, de formação de bonecos, de reconhecimento de esquerda- direita, de discriminação visual e de educação gráfica.
  • As propostas lúdicas que contribuem e auxiliam na prevenção e reeducação destas perturbações, seriam: artes plásticas (colagens, recorte, trabalho com miçangas), brincar de roda com canções que falam de direita e esquerda, brincar de gato e rato, brincar com espelho, brincar de macaco mandou.
  • Reeducação para perturbações da estrutura espacial: utiliza exercícios de estrutura espacial, de discriminação visual, de educação da direção gráfica e de topologia.
  • As propostas lúdicas que contribuem e auxiliam na prevenção e reeducação destas perturbações, seria jogos cantados, dança das cadeiras, boliche, brincar de se rastejar, jogo de loto, jogos de encaixe, quebra-cabeças, loto de posições, jogo da velha, resta um, artes plásticas (dobraduras).
  • Reeducação para perturbações da orientação espacial: utilizam-se exercícios de duração dos intervalos, de ritmos, exercícios com noção de distância.
  • As propostas lúdicas que contribuem e auxiliam na prevenção e reeducação destas perturbações, seriam: adivinhar algo através de mímicas, brincadeiras com músicas (dança da cadeira, estátua), dona galinha e seus pintinhos, amarelinha, cantigas de roda e suas representações dramáticas.
  • Reeducação para perturbações do grafismo: utilizam-se exercícios da coordenação.
  • As propostas lúdicas que contribuem e auxiliam na prevenção e reeducação destas perturbações, seriam: artes plásticas (pintura, argila, massinha, trabalho com miçangas, rasgar papel, colagens).
  • Reeducação para perturbações afetivas: as propostas lúdicas que contribuem e auxiliam na prevenção e reeducação destas perturbações, seriam: dramatizações com fantoches, artes plásticas, histórias, músicas que trabalhem o movimento.

As habilidades que devem ser trabalhadas na Educação Infantil relacionadas à Psicomotricidade são as seguintes:

  • Coordenação Global (zero aos sete anos) - Atividades: rolar, rastejar, engatinhar, andar, correr; soltar, transpor, dançar e a realização de jogos imitativos.
  • Coordenação Fina e Viso-motoras (dois aos sete anos) - Atividades: transportar, agrupar, bater, segurar, encaixar, manipular, atar, desatar, aparafusar, lançar, abotoar, riscar, modelagem, recorte, colagem e escrita (iniciação do movimento de pinça);
  • Imagem Visual (três e meio a sete anos) – Atividades: observação do corpo no espelho e desenho do próprio corpo.
  • Esquema corporal (três e meio a oito anos) - Atividades: auto – identificação , localização, abstrata corporal, reconhecimento de todas as partes do corpo.
  • Lateralidade (6 a 7 anos) – Atividades: dominância lateral dos três níveis, olho, mãos e pés.
  • Organização Espacial (cinco aos sete anos) observada aos dois anos como estímulos desta habilidade, mas se consolidaram dos cinco aos sete anos – Atividades: jogos de identificação de cores, formas, tamanhos, direcional e de relações espaciais (em cima, em baixo, lado direito, lado esquerdo, atrás, frente, etc.). Amarelinha, jogos de comandos, letras e números gigantes para serem observados e manipulados corporalmente.
  • Orientação Temporal (seis aos oito anos) iniciada aos dois anos e consolida-se dos seis aos oito anos - Atividades: perceber os intervalos de tempo entre as palavras, rimas musicais, danças cantadas, (servindo de estímulo, podendo utilizar-se das cirandas, construção de instrumentos musicais rítmicos (tambor, chocalho, etc.), acompanhamento dos ritmos musicais com o corpo, trabalho com sequências sonoras e gráficas).
  • Discriminação Visual e Auditiva (quatro aos oito anos) – Atividades: Jogo de memória com letras e sílabas, dominó de letras e gravuras, quebram cabeças de letras e palavras, sequências de fatos, leitura de histórias, escritas espontâneas de palavras, reescritas de histórias, músicas, etc.

5. CONCLUSÃO

Destaca-se, neste estudo, a importância da Psicomotricidade na Educação Infantil. Seu foco em atividades motoras promove o desenvolvimento das crianças, encontrando nas dificuldades apresentadas, oportunidades de respeitar a diversidade e as limitações de cada indivíduo.

Os professores com alunos com dificuldades psicomotoras devem buscar atender a demanda proporcionando um ambiente adequado ao desenvolvimento do estudante, seja auxiliando-o em sua formação, habilidades, adaptações, emoções, socialização, na compreensão de si e dos outros. Para tal necessidade, aponta-se uma abordagem que oferece aporte teórico e prático de grande relevância para entender e intervir sobre o desempenho do aluno em sala de aula. A Análise do desempenho é uma abordagem científica que avalia o comportamento por meio da comprovação da existência de uma estrutura lógica e organizada do comportamento, demostrando a correlação entre comportamentos e circunstâncias. Dentro desta perspectiva, que considera as contingências das experiências anteriores, para traçar as probabilidades de problemas relacionados à Psicomotricidade ser os responsáveis pelas dificuldades de aprendizados apresentadas pelas crianças. Por meio da maior compreensão da rotina do aluno com problemas psicomotores, o professor pode observar o indivíduo e sua relação com o meio, baseando-se nas virtudes e vulnerabilidades, pontos fracos e fortes, defeitos e qualidades, objetivando a geração de resultados.

Em contribuição aos professores de aluno com problemas psicomotores se deparam no dia a dia com atitudes desafiadoras, onde a análise de cada criança em particular permite ao professore modelar pela consequência positiva os comportamentos desejados por meio de adição de elementos sejam ambientais ou motivacionais. Conforme apresentado neste estudo, a Psicomotricidade é um instrumento de grande valia disponível para promover o bem-estar das pessoas, considerando seus resultados imediatos na produção do efeito de prazer, sendo possíveis professores utilizar como estratégia para alunos com problemas psicomotores, estimulando-os com maior frequência e fazendo toda diferença na vida deles.

Essas afirmações expressam a importância e relevância cientifica a este estudo, pautada na ideia de promover resultados significativos na sociedade em geral, bem como comunidade cientifica, acadêmica e de na práticas para professores que se apropriarem desta técnica e optarem por usá-la de forma minuciosa para promoverem as mudanças desejadas nos repertórios psicomotores, de maneira a produzir transformações significativas na vida de alunos que possuem dificuldade de aprendizado.

6. REFERÊNCIAS

ABP. Associação Brasileira de Psicomotricidade. Histórico da Psicomotricidade. Disponível em: Acesso em 01 de dezembro de 2020.

AJURIAGUERRA, J. A escrita infantil: evolução e dificuldades. Trad. de Iria Maria Rua de Castro Silva. Porto Alegre: Artes Médicas, 1988.

ALVES, F. Psicomotricidade: Corpo, Ação e Emoção. 1. Ed. Rio de Janeiro: Wake, 2007.

ARAÚJO, V. C. O jogo no contexto da educação psicomotora. São Paulo: Cortez, 1998.

BRASIL, 1998. Ministério da Educação e do Desporto. Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a educação Infantil. Brasília. Volume Três. Disponível em: . Acesso em: 05 dez. 2020.

BERGÈS, J. Perspectivas sociológicas. Petrópolis: Vozes 1982.

BOMTEMPO, E. Aprendizagem e brinquedo. In: WITTER, G. P.; LOMÔNACO, J.F. B. (orgs). Psicologia da Aprendizagem. São Paulo: EPU, 1987.

BOUCH, Jean L. O desenvolvimento psicomotor. Porto Alegre: Artes Médicas, 2001.

Costa, J. Um olhar para a criança: Psicomotricidade relacional. Lisboa: Editores Trilhos 2008.

COSTE, Jean- Claude. A Psicomotricidade. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.

DE MEUR, A.; STAES, L. Psicomotricidade, Educação e Reeducação. Trad. Ana Maria Inique Galliano; Setsuko Ono (trad.). São Paulo: Manole Ltda., 1984.

FERNÁNDEZ, Alicia. A inteligência aprisionada – abordagem psicopedagógico clínica da criança e sua família. Trad. de Iara Rodrigues, Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.

FREIRE, J. B. Educação de Corpo Inteiro: teoria e prática da Educação Física. São Paulo: Scipione, 1989.

FONSECA, V. Psicomotricidade: perspectivas multidisciplinares. Porto Alegre: Artmed, 2004.

FONSECA, V. Contributo para o estudo da Gênese da Psicomotricidade. 3. Ed. Lisboa: Editora Notícia, 2010.

FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO. Professor da pré-escola. 2ª ed. São Paulo: Globo, 1992.

GALLAHUE, David L; OZMUN John C. Compreendendo o desenvolvimento motor de bebês, crianças, adolescentes e adultos. 2. Ed. São Paulo: Forte, 2005.

GALVÃO, I. Henri Walton: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. 3. Ed. Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes, 1995.

KISHIMOTO, T. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 1997.

LAPIERRE, A. Da psicomotricidade relacional à análise corporal da relação. Curitiba: Editora da UFPR, 2002.

Levine, E. (2000). A Clínica Psicomotora: o corpo na linguagem. Petrópolis: Vozes.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO. Coordenação Geral de Educação Infantil. Referencial Curriculum Nacional para Educação Infantil. Vol. 3. Brasília: MEC, 1998.

MORIZOT, R. Aspectos Fonoaudiólogos. Jornal Brasileiro de Reabilitação Verbal, (2) (1), 1989.

NEGRINE, Airton. A coordenação psicomotora e suas aplicações. Porto Alegre, 1987.

OLIVEIRA, G. C. Psicomotricidade: Um estudo em escolas com dificuldade em leitura e escrita. Tese de Doutorado. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, 1994.

SISTO, F. F. ET al. Atuação psicopedagógico e aprendizagem escolar. Rio de Janeiro: Vozes, 1996.

SOUZA, R. A. M.; ROJAS J. A dinâmica do trabalho e a organização do espaço na educação infantil. São Paulo: Editora EDUFMT, 2010.

TRANG-THONG. Estádios e conceito de estádio de desenvolvimento. Volume1. Goiás: Editora: Afrontamento, 1981.

VAYER, P.. El dialoga corporal. Barcelona: Ed. Científica Médica, 1972.

VECCHIATO, Mauro. A terapia psicomotora. Brasília, DF: Universidade de Brasília, 2003.

VELASCO, Cassilda Gonçalves. Brincar: O Despertar Psicomotor. Rio de Janeiro: Sprint, 1996.

VIEIRA, J; Batista, M., & Aperre, A. (2005). Psicomotricidade Relacional: A teoria de uma prática. Curitiba: Filosofar Editora.

VYGOSTKY, L. A. Formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

WALLON, H. As origens do caráter na criança. São Paulo: Nova Alexandria, 1995.

WAJSKOP, G. Brincar na pré-escola. São Paulo: Cortez, 1995.

 

Por Shirley R. A. F. Monteiro  e Edilania Lopes de Souza


Publicado por: Edilania Lopes de Souza

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do site por meio do canal colaborativo Monografias. O Brasil Escola não se responsabiliza pelo conteúdo do artigo publicado, que é de total responsabilidade do autor. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
  • Facebook Brasil Escola
  • Instagram Brasil Escola
  • Twitter Brasil Escola
  • Youtube Brasil Escola
  • RSS Brasil Escola