A FACILITAÇÃO AO ACESSO DO ENSINO SUPERIOR: A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO SEMIPRESENCIAL EM VÁRZEA ALEGRE DE 2005 A 2019

Educação

As dificuldades de acesso ao ensino superior pela população da cidade de Várzea Alegre e como esse acesso foi facilitado a partir da tecnologia e de mudanças no sistema educacional.

índice

1. RESUMO

O presente artigo trata de questões relacionadas às dificuldades de acesso ao ensino superior pela população da cidade de Várzea Alegre e como esse acesso foi facilitado a partir da tecnologia e de mudanças no sistema educacional, inclusive na legislação, que fizeram surgir novas modalidade de ensino como a EAD – Educação a Distância e Semipresencial. Foram entrevistados professores que narram fatos relevantes, notadamente com relação às dificuldades e sobre a presença dessas modalidades de ensino no munícipio e como elas venceram a incredulidade das pessoas em relação às suas eficiência e eficácia para gerar mudanças na sociedade varzealegrense, bem como a expectativas relacionadas aos profissionais formados a partir dessa nova realidade da educação superior do Brasil e que tem crescido em Várzea Alegre desde o ano de 2005.

Palavras-Chaves: Facilitação – Educação – Várzea Alegre – Ensino Superior - Acesso.

ABSTRACT

This article deals with questions related to the difficulties of access to higher education by the population of the city of Várzea Alegre, and how this access was facilitated by technology and changes in the education system, including in legislation, which gave rise to new teaching modality as the distance learning and blended learning. We interviewed teachers who narrate relevant facts, notably regarding the difficulties and the presence of these types of teaching in the municipality and how they overcame people's unbelief regarding their efficiency and effectiveness to generate changes in varzealegrense society, as well as related expectations to professionals graduated from this new reality of higher education in Brazil and that has grown in Várzea Alegre since 2005.

Keywords: Facilitation - Education - Várzea Alegre - Higher Education - Access.

2. INTRODUÇÃO

As pessoas tomam iniciativas importantes movidas por necessidades e desejos. Entrar numa universidade, seja ela pública ou privada, presencial, semipresencial ou à distância, cursar, terminar e entrar no mercado de trabalho devidamente capacitado está na lista de desejos de ampla maioria do povo brasileiro, fato inegável para a população de Várzea Alegre também. Ao longo da história da educação brasileira, a marca é da desigualdade entre classes e problemas correlatos às distâncias geográficas de centros universitários, sendo forte esse traço no processo de formação acadêmica do cidadão como fator de dificuldades.

Uma medição de forças antagônicas e de obstáculos diversos que segue séculos após séculos, com investidas tímidas na direção de mudanças, e que por causa dessa timidez, os ventos contrários, sempre retomaram à direção do atraso. Somando questões sociais, geográficas e econômicas, as pessoas que persistiram e conseguiram concluir o ensino superior a tempos atrás, especialmente, as pessoas com problemas de ordem financeira ou de localização geográfica desfavorável, os desafios as colocam diante de nós como heróis e heroínas.

Como estamos agora e como falar na facilitação do acesso ao ensino superior, especialmente em Várzea Alegre, se a história está repleta de casos que têm como ênfase a dificuldade? O que mudou nessa trajetória para justificar a proposta deste trabalho? As tecnologias avançaram, avançou a educação com novas modalidades tais como a EAD – Educação a Distância e Semipresencial.

Embora os muitos questionamentos, as pessoas estão tendo acesso ao ensino superior. Mas, são pertinentes esses questionamentos quanto à qualidade do ensino, bem como a capacidade e as habilidades dos profissionais a partir de formados por meio de EAD ou Semipresencial. Persistem ainda graves problemas, mais presentes agora com relação ao financeiro. A distância pode ser considerada obstáculo superado.

Esse trabalho tem por objetivo analisar e avaliar o que de fato avançou com na educação superior em Várzea Alegre, com o ensino semipresencial desde 2005.

A fundamentação desse trabalho vem ancorada em uma pesquisa de campo e ainda na utilização de revisão bibliográfica, com apoio de fontes secundárias e trabalhos acadêmicos. Para melhor compreensão, está dividido nas seguintes subtemáticas: A história da educação formal varzealegrense no ensino anos 1980 e 1990; A chegada da educação semipresencial no território varzealegrense; As mudanças geradas por esse novo modelo de ensino na sociedade; e Prospectos para o futuro.

3. A história da educação formal varzealegrense no ensino nos anos 1980 e 1990

O que a história da educação principia é que houve esmero e esforço para que o cidadão consiga formação consciente e crítica, capaz de provocar transformações consideráveis no ambiente social do qual faz parte. A política educacional do país, desde os jesuítas, sofreu mudanças para que, com metodologias e modalidades diferenciadas, atinja objetivos de uma educação que faça o cidadão capaz de contribuir, pelo conhecimento, com o desenvolvimento da nação.

Não é possível pensar qualquer nação sem um sistema educacional estruturado. No Brasil Colonial, segundo Guiraldhelli, o país passou por três fases, sendo “a de predomínio dos Jesuítas; as das reformas realizadas pelo Marquês de Pombal, principalmente a partir da expulsão dos Jesuítas do Brasil e de Portugal em 1759; e a época de D. João VI no Brasil (1808-21), quando então nosso país foi sede do Império Português” (GUIRALDHELLI, 2009, p. 1).

A partir do Brasil Colônia, percebe-se que as mudanças políticas implicaram e implicam em metamorfoses no sistema educacional até os dias atuais. Embora haja o pensamento de uma educação universalizada, as dificuldades no fazer essa educação de maior alcance, foram e são enormes. Podemos avançar no tempo, até o ano de 1930, quando foi criado em 14 de novembro daquele ano, o MEC – Ministério da Educação, no governo do presidente Getúlio Vargas. Segundo o site Dicionário Direito, o MEC nasceu com o nome de “Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública” (DIREITO, 2016?).

Essa é mais uma comprovação de que a política educacional do Brasil, sempre enfrentou dificuldades. O Ministério da Educação não tratava só de educação. Reunia um mix de atividades. Notamos nessa passagem histórica que a educação não era prioridade. O MEC só veio a ganhar fôlego a partir de 1986, com a redemocratização do Brasil, quando passou a ter 13% do orçamento da União. Conforme expressa Guiraldhelli “a emenda Calmon destinava 13% do Orçamento da União para a Educação. Assim, a partir de 1986, o MEC passou a ter o segundo maior orçamento entre os ministérios” (GUIRALDHELLI, 2009, p. 169).

Mas, nem só de orçamento e de política vivia ou vive educação brasileira. Além das dificuldades financeiras, que ainda perduram, existiam dificuldades de acesso, especialmente ao ensino superior. Essas dificuldades eram características destacadas pelos universitários varzealegrenses entre os anos de 1980 e 1990. É o que relata Maria Lucimar, mestranda em Ciência da Educação, que se formou em história pela URCA – Universidade Regional do Cariri, em 1990.

Marcos, eu entrei na universidade através de um vestibular, na universidade pública em 1987 já no semestre 2, assim, foi um sonho, como eu acredito que continua sendo um sonho de muitos jovens. Era difícil, não tinha essa facilidade que nós temos hoje, mas era algo assim muito interessante você sair de uma cidade pequena para entrar numa universidade (LUCIMAR, Maria, 2019).

Maria Lucimar enfrentou o desafio para sua formação acadêmica e venceu. Essas dificuldades pelas quais ela passou, podem ter sido para muitos varzealegrenses aspirantes ao ensino superior, entre os anos de 1980 e 1990, motivos para terem deixado a vida acadêmica pelo caminho e seus sonhos de realização pessoal e profissional. Supomos que o prejuízo pode ter sido ainda maior, em razão da imensurável contribuição que essas pessoas que não tiveram acesso ao ensino superior poderiam ter dado ao país, especialmente para Várzea Alegre, nas mais diferentes áreas do conhecimento.

Podemos ainda citar que essas dificuldades não eram apenas de acesso, como superar a distância entre Várzea Alegre e o Crato num percurso de 81km, pela BR 230. Havia considerável falta de condições financeiras de muitos pais para que os filhos morassem nas cidades centrais do Cariri, como Crato, Juazeiro e Barbalha, ou até mesmo, dificuldades para pagarem pelo deslocamento deles até àquelas cidades.

Nota-se que os universitários que hoje são professores, contadores, advogados, entre outros profissionais, que partiram de Várzea Alegre em direção à URCA, tiveram que se desdobrar e exponenciar esforços para alcançar o almejado diploma do ensino superior.

Kátia Silva, formada em Biologia pela URCA, com especialização em Educação Ambiental pela mesma universidade, narra que, naquele período para marcar essa desafiante história a escassez na oferta de ensino superior era realidade. O Brasil mergulhava em uma nova fase política que balançava mais uma vez os caminhos da educação brasileira, afetava a educação em Várzea Alegre e tolhia sonhos dos jovens.

Ainda era difícil o acesso ao ensino superior pela grande maioria. E, considerando ainda que o Brasil na década de 80 tinha acabado de ter a Constituição, né, definitivamente como democracia, como direito, como tudo. E o nível superior não tinha tantas vagas disponíveis nas universidades, e todos o acesso era restrito, era realmente pra quem, é, os vestibulares além de serem muito difícil, o acesso não era pra todos, era pra quem, de certa forma, tinha uma certa condição. Era uma época que as pessoas ou trabalhavam ou estudavam. O acesso não era pra todo mundo apesar de já ter as universidades públicas, mas ainda não tinha um acesso favorável como é hoje para a grande maioria (SILVA, Kátia, 2019).

Essa realidade poderia ser diferente e Várzea Alegre teria condições de mudar o destino de sua juventude estudantil entre os anos de 1980 e 1990? Qual seria a solução para virar a página dessa história? Formado em Pedagogia pela Faerp – Faculdade Entre Rios, de Terezina, no Piauí, segundo Aluízio Menezes, Várzea Alegre poderia ter se tornado um centro universitário.

[...] Cajazeiras tem duas universidades de medicina e é menor que o Juazeiro. Não é tão desenvolvida quanto o Juazeiro, mas tem universidade de medicina. Pela situação geográfica de Várzea Alegre, era pra ter despontado, mas existiu uma cultura em Várzea Alegre que está enraizado com a cultura do Crato. Infelizmente, existiu uma cultura de ser um glamour, então eu mandava os filhos pra estudar no Recife, em Fortaleza e isso era um glamour, era bonito. Ah, o menino chegou de Fortaleza porque estava estudando em fortaleza e tal. Era pra ter sido o contrário, nós tivemos nomes que tiveram capacidade financeira de ter financiado uma faculdade na cidade, se naquela época desde 60, 50, 70 tivesse começado com a força do algodão, com a força do arroz, tivesse começado uma faculdade em Várzea Alegre com um curso só, hoje nós seriamos a maior potência de ensino superior da região (MENEZES, Aluísio, 2019).

Pelo exposto, não aconteceu. Mas, de fato, poderia ter acontecido? Essa dúvida inquieta e intriga. Liga a história educacional de Várzea Alegre aos traços e caminhos pedregosos pelos quais tem percorrido a educação superior brasileira. A aristocracia despertou para educar fora, extramuros de sua cidade, sem uma reflexão para dentro dela, sem avaliação de possibilidades de empoderar a pequena Várzea Alegre, no Sul do Ceará, como centro acadêmico, mesmo sendo bem localizada geograficamente.

Percebe-se que Maria Lucimar comemorou sua vitória, assim como muitos outros de sua época. Foi pelo esforço e força de vontade, como bem narrou inicialmente para este trabalho. Mas, pela observação de Aluísio Menezes, a vida dela e de tantos outros varzealegrenses poderia ter sido facilitada, caso houvesse sido facultado aos estudantes o acesso ao ensino superior na sua cidade, ou, por vontade e condições, cursar noutros centros acadêmicos de outros municípios.

Essa falta de interesse de quem tinha como influenciar os rumos da história do ensino superior em Várzea Alegre no passado, e que é motivo de questionamento, vê-se fundamentada quando aporta no município as modalidades EAD e Semipresencial encontrando consistente demanda.

4. A chegada da educação semipresencial no território varzealegrense

A educação presencial segue com seu valor, mas há a necessidade de coexistir com as modalidades de EAD, que se bifurcam em totalmente online e semipresencial, sendo totalmente online, quando aluno faz seu curso em interação com a instituição acadêmica apenas pelos meios eletrônicos, tendo como ferramenta principal o computador, ou semipresencial, quando comparecem às instituições para aulas ou para prestar exames de avaliação. Essa modalidade de ensino está fundamentada pelo MEC – Ministério da Educação, por meio da Portaria Nº 4.059, de 10 de dezembro de 2004, com a seguinte redação no seu Artigo 1º:

Art. 1º. As instituições de ensino superior poderão introduzir, na organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos, a oferta de disciplinas

integrantes do currículo que utilizem modalidade semi-presencial, com base no art. 81 da Lei n. 9.394, de 1.996, e no disposto nesta Portaria (MEC, 2004).

O reconhecimento do Ministério da Educação às modalidades de ensino EAD e Semipresencial, embora haja questionamentos em relação às suas eficiência e eficácia, aportaram em Várzea Alegre a partir de 2005. Com a Plataforma Paulo Freire em ação, a URCA chegou à cidade com um projeto piloto, oportunizando o acesso ao ensino superior para professores da educação básica. Essa foi considerada grande oportunidade na formação de professores no município.

A partir de 2005, segundo Menezes, houve uma invasão de Várzea Alegre por parte de instituições oferecendo extensões, que, conforme afirma, prejudicou a qualidade do ensino, mas que o MEC, está corrigindo.

...existiu uma invasão não só em Várzea Alegre, mas sim no Brasil, dos ensinos das faculdades levando extensão. Houve uma contribuição e se pecou na qualidade, mas o MEC já cortou, e disse agora tem que ser EAD, então agora existe uma configuração do EAD mais flexível. Eu acho que Várzea Alegre tem condições de fazer uma mesclagem, acabar com que não tiver legal e ver o que está legal e incentivar. (MENEZES, Aluísio 2019).

De fato, Várzea Alegre abriu as portas para diversas instituições de ensino que encontram um mercado favorável economicamente para o desempenho de suas atividades mediante oferta remunerada pelos seus cursos de graduação e pós-graduação. Após a extensão da URCA, em 2005, vieram e se estabeleceram outras instituições de ensino como a FAK – Faculdade Kurios, IFESC – Instituto de Formação Superior do Ceará e o IDJ – Instituto Dom José.

Essas instituições passaram por dificuldades e crises de desconfiança. Algumas não conseguiram prosseguir com suas atividades em Várzea Alegre, casos da FAK e do IFESC. O IDJ, sendo um dos primeiros institutos a ofertar cursos de ensino superior em Várzea Alegre, está no município desde 2012, vinculado à UVA – Universidade Vale do Acaraú e segue em atividade. Diana Colaça, formada em História e Pedagogia pela UVA – Universidade Vale do Acaraú e pós-graduada em Docência do Ensino Superior pela Faculdade Vale do Salgado foi responsável pela chegada do IDJ a Várzea Alegre e evidencia as dificuldades.

O desafio foi enorme. Quando cheguei à Várzea Alegre para trabalhar com o IDJ em convênio com a UVA, eu vi que as pessoas não tinham o conhecimento de como funciona a descentralização. Como assim IDJ, UVA? O pessoal não entendia. Quando eu cheguei percebi isso e veio de encontro a experiência que tive na minha formação com o semipresencial. E aí eu decidi assim: tudo o que passei, a ausência de informação que existia, eu não vou querer que as pessoas passem e eu preciso levantar uma bandeira em que esse ensino é sério e de qualidade e que estamos caminhando para um cenário educacional em que cada vez mais a sala de aula não possui mais paredes (COLAÇA, Diana 2019).

As desconfianças estão sendo vencidas pela presença persistente das instituições na cidade e com a formação de turmas aumentando as oportunidades de acesso ao ensino superior. Seguindo as tendências apontadas pelo Inep, Várzea Alegre conta com duas novas instituições de ensino com oferta de cursos de nível superior: o CEPS – Centro de Educação Superior, que é polo EAD da UNINTA, fundado em 16 de março de 2018 e o CEDC – Centro de Educação Diana Colaça, polo EAD da UNICESUMAR, com data de fundação de janeiro de 2019.

Essas ofertas de educação de fácil acesso, influenciam e podem mudar os comportamentos sociais.

5. As mudanças geradas por esse novo modelo de ensino na sociedade varzealegrense

A presença de instituições de ensino superior em Várzea Alegre, como FAK, IDJ, IFESC, CEPS e CEDC, por exemplo, com oferta de cursos semipresenciais refletem um movimento ascendente da educação superior no Brasil. Isso é notado no último Censo da Educação Superior do país, realizado em 2017 pelo Inep – Instituto de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. O Censo da Educação Superior é realizado anualmente.

A modalidade de educação EAD, segundo o Inep, num período de 10 anos, compreendido entre 2007 e 2017, teve salto de 226%.

Entre 2007 e 2017, o número de ingressos variou positivamente 19,0% nos cursos de graduação presencial e mais de três vezes (226,0%, nos cursos a distância; Enquanto a participação percentual dos ingressantes em cursos de graduação à distância em 2007 era de 15,4%, essa participação em 2017 é de 1/3 (INEP, p. 11, 2017).

Ainda, pelos números do Inep, em 2017, 3,2 milhões de alunos entraram em cursos de graduação superior Brasil. A oferta de cursos nas modalidades EAD e semipresencial vieram para alavancar a educação, oportunizando acesso de uma população, que por fatores diversos, como rotina de trabalho, idade e ocupação com a família, que ansiavam por cursar o ensino superior, mas não tinha essa oportunidade, agora podem. É isso o que os números do Inep apontam.

Essas portas abertas ao conhecimento têm atraído aqueles que observam no conjunto da sociedade, pessoas de idades diferentes, entre jovens e adultos, se encontrando com a sonhada graduação. Pessoas, já maduras na idade, retornam aos bancos escolares, agora para cursos universitários, para preencherem uma lacuna que no seu tempo considerado ideal para esse feito, não fora possível. Há aquelas pessoas que procuram esses cursos para acrescentarem graduações e outras para se especializarem em uma determinada área do conhecimento científico.

Havemos de sustentar, com base no que aponta o Inep, que as mudanças provocadas pelos cursos de graduação semipresenciais em Várzea Alegre são positivas, pois, cumprem uma missão que foi, de certa forma, nunca experimentada por alguns, e noutros casos, o que foi descontinuado no processo de aprendizagem e de formação acadêmica de muitas pessoas, agora, é retomado, numa visível abertura, mais democrática, de acesso à educação superior. De acordo com Colaça (2019), “a descentralização e o curso semipresencial, tornam a educação muito mais democrática”

Para Evandro Augusto, Formado em Educação Física, pela Faculdade Leão Sampaio, de Juazeiro do Norte, e agora cursando especialização numa EAD, a mudança pelos modelos EAD é positiva.

Positivas, até onde eu entendo e observo é positivo porque a gente aumenta o campo, a gente aumenta o nível do profissionalismo, porque você se graduando numa EAD ou presencial você tem que se dedicar ao máximo para que você possa estar no mercado. Então elas contribuem porque quem está nessa EAD precisa se dedicar tal qual quem está no presencial porque para que ele ache espaço ou vaga no mercado de trabalho ele precisa ser bom[...] acho que 80% das pessoas que fazem uma graduação, seja em qualquer área, tem um trabalho pra poder se manter e aí a EAD ela contribui muito (AUGUSTO, Evandro 2019).

Pelo exposto, estão presentes os elementos que sustentam a importância e as mudanças provocadas pela EAD, que podem também referenciar a modalidade semipresencial, que se diferenciam em características mínimas. Aproveita-se a tecnologia e o tempo em benefício da educação superior. Augusto (2019), ainda pontuou que independentemente de o curso de graduação ser presencial ou EAD, o graduando terá que ser dedicado com vistas a atender um mercado exigente e concorrido.

Com relação as facilidades, elas se aprestam pelo acesso via tecnologias e pela presença nas diversas regiões do país, mas os conteúdos aplicados às disciplinas para fins de obtenção da graduação imprimem qualidade, exigindo do aluno dedicação, disciplina e compromisso com o conhecimento ao qual almeja. A qualificação dos que são tutores é das melhores, sendo condições que são observadas pelos órgãos reguladores da educação superior do país e das próprias instituições que necessitam das notas conceituais de desempenho para continuar bem no mercado.

Quanto ainda aos questionamentos de facilidades com relação aos cursos e seus conteúdos, Cácio Pereira, formado em Administração de Empresas pela FVS -Faculdade Vale do Salgado, de Icó, contesta, com a seguinte observação:

Quer dizer, o preconceito que as pessoas têm do ensino à distância é que é mais fácil. Não é, ele é mais flexível porque você pode estudar é, naquele momento que você chega em casa, é, após o trabalho, né, mas existe uma rotina de provas que você tem que fazer no polo, você não pode fazer a prova ali na sua residência, você vai para o polo, existe lá os profissionais que fiscalizam você fazer a sua prova, né. Então não tem essa, essa, essa conversa de ser mais fácil. Pelo contrário, você tem que se dedicar ainda mais, (PEREIRA, Cácio, 2019).

Nota-se que as mudanças provocadas na sociedade por essa modalidade de ensino são importantes, intensas, eficientes e eficazes, ampliando nessa sociedade a quantidade de pessoas com acesso ao ensino superior, transformando comportamentos sociais e proporcionando um mercado de trabalho de mão de obra mais qualificada.

6. Prospectos para o futuro

Como podemos verificar, a consolidação dessa modalidade de ensino semipresencial vem baseada no seu crescimento. Nota-se que o medo de fazer uma graduação EAD, modalidade semipresencial, tem diminuído. As certezas dos números e dos resultados derrotam as interrogações. São as facilidades de organizar uma agenda de estudos que não comprometa o trabalho e o compromisso com a família que tem levado mais e mais pessoas a optarem por essa modalidade de ensino.

Esse futuro de sucesso, figura nos levantamentos estatísticos da Abed - Associação Brasileira de Ensino a Distância. Numa pesquisa realizada em 2017, publica no site da Forbes, foi registrado número recorde de matrículas: 7.773.828 alunos (FORBES, 2017). Estão por trás de investimentos em educação a distância, instituições de ensino de prestígios no país. Segundo a mesma publicação, “A FGV conta com cinco MBAs online” (FORBES, 2017).

Percebe-se que a qualidade é também um dos atrativos para os cursos semipresenciais. Lucimar, atesta essa observação ao fazer o seguinte comentário:

[...] existem muitos doutores dando esses cursos, muitos mestres, que na época de 90 poucos eram os professores, pouquíssimos, que tinham um mestrado, eles só eram especialistas. Então a gente tem vantagens na questão de ter o professor presente, mas aquele professor ele não tinha tanto conhecimento quanto hoje nós temos. Então nesse instante você pode não ter um professor presencial, mas você vai lá numa plataforma e lá está um doutor, lá está um mestre, um especialista naquilo e você, pela sua capacidade, pela sua formação, porque não pode se dizer que estou em um nível superior sem ter nenhuma condição de abrir um livro, de abrir um site e não entender LUCIMAR, Maria 2019).

Essa presença de especialistas, mestres e doutores, como agentes a serviço dessa modalidade de ensino vem imprimindo confiança nas instituições e nos cursos que elas oferecem à população brasileira. O que observa Lucimar, é o fato de que, nos anos 1990, havia deficiência de professores com qualificação adequada para ministrar as aulas no ensino presencial, enquanto, atualmente, as instituições primam por essa oferta de profissionais, solícitos e disponíveis para os alunos.

Esse é fato determinante para a qualidade dos profissionais que tomarão conta do mercado num futuro próximo. Não seria incentivar contendas entre os que fazem graduação no modelo convencional e os que estudam EAD e semipresencial, afirmar que essa competição é natural e existente, mesmo que não seja, de fato, declarada. E a responsabilidade não está apenas sobre as instituições, mas, especialmente, com os alunos. Lucimar (2019), pontua que não se pode classificar o aluno pela universidade que faz, mas pelo desempenho dele na universidade.

Silva (2019), segue a mesma linha de pensamento, quando considera que o aluno depende do próprio esforço na condução do curso. Supomos, então que o futuro é promissor para as modalidades EAD e Semipresencial, devido aos esforços que serão empregados pelos alunos para alcançarem desempenho acadêmico que os deixem em vantagem quando da necessidade de suas funções no mercado de trabalho.

7. Conclusão

Pelo apresentado, podemos concluir que, evidentemente, desde 2005, a educação superior de Várzea Alegre teve novas oportunidades para os seus cidadãos com ampla oferta de cursos semipresenciais e EAD. Também que os resultados refletem em qualificação profissional de qualidade, com base nos esforços e empenho dos acadêmicos. No entanto, deixarmos nos levar apenas pelas facilidades de acesso à educação superior em Várzea Alegre ou pelos números do Inep com relação aos avanços do ensino superior a distância ou semipresencial no Brasil. Nos impressionar pela invasão de instituições de ensino com oferta de cursos superior nos lugares distantes dos tradicionais centros acadêmicos, inclusive Várzea Alegre, seria esquecer que ainda existem muitos obstáculos nesse caminho até a desejada formação superior ou as especializações.

O custo financeiro para cursar a universidade online ou semipresencial ainda é um dos maiores problemas que dificulta o acesso das pessoas, notadamente das mais carentes, à universidade. Ainda há um fosso social a ser corrigido. A tecnologia quebrou a barreira da distância, a democratização do ensino superior atingiu terras distintas e distantes, mas o problema financeiro ainda dificulta, visto que, o custo médio das mensalidades desses cursos, em Várzea Alegre, gira em torno de R$ 200,00.

Ampliar o acesso da população ao ensino superior passa pela busca de alternativas que diminuam esse custo. Entre essas alternativas podemos citar formação de parceria com o Poder Público para alunos carentes com a concessão de bolsas de estudos; e intenso trabalho nas empresas da cidade, conscientizando os empresários da importância da formação de mão de obra qualificada, firmando com esse segmento, parceria para que os colaboradores tenham seus estudos acadêmicos financiados, senão na sua totalidade, numa fração que lhes possibilite cursar a universidade.

Embora a presença do ensino semipresencial e EAD desde 2005 na cidade, as instituições de ensino existentes no município no que está relacionado à divulgação dos seus resultados no âmbito da sociedade varzealegrense, não é tão massiva, sendo que essa ausência, pode influenciar no desinteresse dos jovens para ingressar nos seus quadros discentes. Se até aqui, todos os passos foram lentos, que sejam acelerados, mostrando números e ações que despertem mais interesse pela vida acadêmica.

8. REFERÊNCIAS BIBLIGRÁFICAS

GUIRALDELLI JUNIOR, Paulo. Filosofia e história da educação brasileira : da colônia ao governo Lula / Paulo Guiraldelli Jr. -- 2. -- Barueri, SP : Manole, 2009.

O que é MEC? Para que Serve? História e Educação Nacional. [S.I] [2016?]. Disponível em <https://dicionariodireito.com.br/mec>. Acessado em 28 de maio de 2019.

PORTARIA Nº 4.059, de 10 de Dezembro de 2004 (DOU de 13/12/2004, Seção 1, p. 34). Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/nova/acs_portaria4059.pdf> Acessado em 29 de maio de 2019.

Censo da Educação Superior 2017 – Notas Estatísticas 2017. INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Ministério da Educação. Disponível em: <http://www.enem.inep.gov.br/>. Acessado em 30 de maio de 2019.

Educação a distância: um modelo que só cresce. Disponível em: <https://forbes.uol.com.br/negocios/2019/03/educacao-a-distancia-um-modelo-que-so-cresce/>. Acessado em 30 de maio de 2019.

9. ANEXO 1

ENTREVISTAS

ENTREVISTA COM EVANDRO AUGUSTO DA SILVA, FORMADO EM EDUCAÇÃO FÍSICA PELA FACULDADE LEÃO SAMPAIO DE JUAZEIRO DO NORTE E EX-PRESIDENTE DA ASSUVA – ASSOCIAÇÃO DOS UNIVERSITÁRIOS DE VÁRZEA ALEGRE.

Quando você começou a cursar a universidade?

Em 2008. Aí comecei o segundo semestre em 2008 na Leão. Aí fiquei 2008, quando no segundo semestre, iniciei o primeiro semestre em 2009, em 2009 e aí encerrei por falta de finanças para quitar porque não tinha conseguido financiamento, né? Quando foi em 2011 eu iniciei aí consegui o FIES e fui até 2015 finalizar. Só que aí, devido eu estudava no Juazeiro, é... pernoitava em Várzea Alegre e trabalhava em Lavras. Aí essa correria. Aí para mim poder conseguir cumprir a carga horária de trabalho eu tinha que trancar disciplinas e não ia a semana toda pra o Juazeiro. Aí eu demorei um pouco mais a concluir o curso por conta disso. Teve semestre que eu paguei duas disciplinas pra poder cumprir essa carga horária do trabalho. Porque chegava em Lavras seis e meia, começava a trabalhar oito horas, quando eram duas horas já tava na topic voltando pra Várzea Alegre. Em Várzea Alegre passava na minha mãe, tomava um banho, fazia um lanche ou jantava, quatro horas eu descia pro Juazeiro, nove, meia noite quando chegava só dormia, cinco da manhã já pegava a topic de volta.

Isso era no ano de...?

Isso já era, isso foi de 2011 até 2014. Aí 2015 eu estabilizei de volta a Várzea Alegre pra morar definitivo.

Você disse que não tinha intenção de fazer faculdade. Qual era a dificuldade que você achava que ia enfrentar pra fazer a faculdade, inclusive era uma faculdade convencional.

Isso, a questão da dificuldade, como eu citei antes, foi financeiro. Nosso município, hoje tem, graças a Deus, instituições que dá pra gente graduar-se, mas em 2008 ou 2009, ou antes disso, não tinha nenhum nível superior. Você teria que sair pra outros municípios e aí pra sair pra outro município mesmo nas públicas você tinha que ir morar, a questão dos transportes era difícil, é tanto que quando o pessoal começou a ver a necessidade de um transporte o município deu um ônibus mais aí a gente tinha que arcar com as despesas e financeiramente a gente não tinha como, e aí, devido eu não trabalhar sempre 2003 eu saí de Várzea Alegre pra trabalhar em Lavras, trabalhava numa empresa da Nacional Gás, entrega de gás de cozinha e aí quando eu saí dessa empresa em 2005 eu fiquei por Lavras ainda trabalhando lá nos projetos sociais aí já me interessei, com uma vontade de começar a cursar mas de novo a questão financeira vinha pesando e foi quando consegui um contrato, uma bolsa com o Estado, que era o projeto Superação e esse projeto dava pra mim arcar com as despesas e eu passei esse ano trabalhando, estudando na verdade. Quando esse projeto encerrou, eu não tive como arcar financeiramente, tranquei 2009, 2010 e em 2011 consegui um projeto que era do governo federal que era o ProJovem Adolescente e desse projeto eu vi que dava pra mim continuar, continuei. Aí, de 2011 até 2015 foram muitas dificuldades financeiras, noites sem jantar na faculdade, sem merendar mas aí eu pensei: Já estou dentro, vou encerrar. E foi quando eu decidi que teria que ter uma formação. Mas antes não era em si a vontade de ter um nível superior, mas sim uma questão financeira, família pobre, com muitas necessidades, então foi acumulando, acumulando e a gente ficava, ou trabalhava pra se alimentar ou então estudava sem se alimentar, então optei por trabalhar e quando eu vi que eu tinha condições mesmo nas dificuldades de estudar, resolvi estudar e graças a Deus estou seguindo aí.

Bom, é, você fez uma faculdade formal, mas qual a sua visão a respeito da faculdade semipresencial, que é esse tipo de modalidade que acontece aqui em Várzea Alegre?

Marcos, hoje também, por incrível que pareça, eu presido a APEF Associação dos Profissionais ou Professores de Educação Física e nós temos essa instituição vai fazer dois anos e é uma coisa bem às escondidas porque a gente tá querendo começar as raízes e aí a gente se depara com essas discussões sobre ensino à distância, que alguns não levam a sério, porque quando você está na presencial você vê que alguns não levam a sério também, mas aí a gente começa essa discussão: não vale a pena, ou se vale a pena. E aí o valer a pena vai de cada indivíduo, eu vejo assim, eu comecei a entender assim. E quando parte para uma área da saúde eu fico mais assim, com um pé atrás, porque na área da saúde você precisa de muita prática, tirar muitas discussões e aí quando você pega uma instituição que não lhe dá uma ponte aí fica um pouco a desejar, mas eu começando a estudar, começando a pesquisar, eu hoje estou fazendo outra especialização na verdade outra graduação em Bacharel, numa instituição a distância. Quando a gente começa a estudar e a entender a instituição a gente vai começando a ter outra visão e aí voltando à questão financeira, hoje graças a Deus eu tenho um bom emprego, na verdade bons, porque eu tenho dois, mas para mim, estudar fora do município de Várzea Alegre, pra mim não é possível, pois tenho o horário cheio a semana toda. E aí estou cursando uma EAD e aí, óbvio, pra mim cursar ela eu fui ao conselho buscar boas referências, fui estudar sobre a instituição, pra ver. Porque querendo ou não, ainda existem umas que usam de má fé, que acabam não atendendo, não usando o que é pra usar, mas eu hoje sou adepto à uma a distância mas dependendo de cada indivíduo é que ele vai saber o que quer ou o que não quer, como eu disse agora há pouco, eu fiz todo o superior numa presencial de segunda à sexta e as vezes no sábado ou domingo tinha que pagar aula mas a gente via que aluno queria e aí quando a gente para o próprio professor Idelvan que é um mestre disse várias vezes que o que vale não é a Instituição é o seu comprometimento e dedicação. Então, eu hoje estou numa EAD e estou feliz, está dando tudo certo.

E dessas instituições que prestam serviço educacional em Várzea Alegre com ensino superior, você acha que é problema ou uma solução?

Rapaz é, eu acho que não tem nenhum problema eu citar aqui o nome da CEPS. Não é porque o seu trabalho é da CEPS, eu tenho conversado muito com a professora Katia a gente tem uma parceria aí de bons diálogos e eu até levei a CEPS pra o conselho pra averiguar, pra estudar e a CEPS é uma instituição varzealegrense em parceria com a UNINTA, então a UNINTA é renomada no país, então eu acho que a CEPS só fez foi ganhar tendo essa parceria, para as classes tipo a minha quando eu iniciei, questões financeiras e isso só faz somar. Porque financeiramente compensa você estudar numa instituição desse porte, para quem trabalha a semana toda também compensa porque você pode fazer o seu horário de estudo, a vantagem que eu acho até da CEPS é porque tem uma vez no mês ou é duas vezes se não me falha a memória presencial, então já é uma segurança a mais. Então eu acho hoje, pelo menos a CEPS, a UNICESUMAR que é a da Diana Colaça também tem um bom papel, tem algumas aí querendo entrar que ainda não conseguiram porque não tem um comprometimento tal qual essas duas que acabei de citar.

Na sua opinião, esses cursos que eles trouxeram em várias áreas, Pedagogia, Administração, Recursos Humanos eles provocaram mudanças positivas ou negativas na comunidade?

Positivas, até onde eu entendo e observo é positivo porque a gente aumenta o campo, a gente aumenta o nível do profissionalismo, porque você se graduando numa EAD ou presencial você tem que se dedicar ao máximo para que você possa estar no mercado. Então elas contribuem porque quem está nessa EAD precisa se dedicar tal qual quem está no presencial porque para que ele ache espaço ou vaga no mercado de trabalho ele precisa ser bom. Então, elas contribuem porque, como citei anteriormente, hoje quase todo mundo que faz uma graduação também trabalha, eu acho que 80% das pessoas que fazem uma graduação, seja qualquer área, tem um trabalho pra poder se manter e aí a EAD ela contribui muito. Eu vou dar um exemplo da minha formação, eu administro essa academia e anteriormente a gente tinha uma grande dificuldade em encontrar pessoas para fazerem parcerias como um estágio, ou mesmo cobrir a falta de um profissional e hoje com o curso de Educação Física aqui em Várzea Alegre nos ajudou muito. E é tanto que a gente tem parceria com a instituição. Eles usam nosso espaço, a gente faz evento em algum momento e convida eles, então só fez somar.

Qual sua expectativa em relação aos profissionais do futuro, formados a partir desse ensino semipresencial?

Voltando também nas conversas anteriores, a minha expectativa é que saiam bons profissionais, porque tem uma galera aí que eu conheço pessoalmente, que eu tenho conversas, que eu sento e a gente bate um papo e que tiram dúvidas e que me procuram para pedir ajuda, eu creio que vai ter uma porcentagem boa de bons profissionais. Mas aí em qualquer que for o nível, tem aqueles que empurram com a barriga e a gente fica um pouco com o pé atrás. Mas, esses profissionais que estão vindo eles vão se sair se forem bons, o mercado de trabalho vai mostrar. Voltando ao professor Idelvan, ele cita nas nossas conversas que o que vai dizer se você é bom ou não é um concurso público, é um currículo, não é só fazer por fazer, então no meu ver está tendo bons profissionais. E as pessoas que estão fazendo o mesmo EAD estão fazendo porque precisam de uma formação, de um melhor currículo, de uma melhor qualificação porque o mercado pede mais e mais qualificação. É tanto que se você for observar hoje, uma pessoa está numa formação, logo mais já está cursando outra porque quer melhorar seu currículo. Antes mesmo de terminar sua graduação já estar fazendo uma especialização para concluir com o currículo lá em cima, então eu só vejo pontos positivos e peço a Deus que a gente continue porque as instituições que tem em Várzea Alegre com o nível superior elas tem muitos profissionais lecionando que são do município, então esses profissionais sabem da realidade do nosso município, sabem da necessidade de estudar e se dedicar, então isso só faz somar, diferente de vir um profissional de fora e que não conhece nossa realidade e que mostra em sala de aula uma realidade que não está presente no mercado de trabalho do município e eu particularmente gosto muito de viver a realidade. Trabalho em uma escola de ensino fundamental e falo muito pra minha garotada que para ser bom você precisa se dedicar cada dia mais e nível superior também tem que ser assim.

ENTREVISTA COM ANTÔNIO ALUÍSIO MENEZES, FORMADO EM PEDAGOGIA PELA FACULDADE ENTRE RIOS (FAERP), DE TEREZINA NO PIAUÍ, PÓS-GRADUADO EM GESTÃO ESCOLAR PELA FACULDADE EDUCACIONAL DA LAPA – CURITIBA, NO PARANÁ, DIRETOR-PRESIDENTE DA ESCOLA TÉCNICA GERAÇÃO DE VÁRZEA ALEGRE.

A nossa conversa agora é com Aluísio da Escola Geração, ele foi um dos primeiros a estimular e a tentar trazer para Várzea Alegre o ensino EAD e logicamente os cursos semipresenciais. Aluísio conte para a gente como foi essa experiência de fazer essa tentativa de trazer esses cursos aqui pra Várzea Alegre, você conseguiu, enfim?

Bom, o que é que acontece, existe uma dificuldade para o Brasil que é um país grande, em levar os cursos de ensino superior, já existia o telecurso do segundo grau para trazer alguns cursos a nível profissionalizante, ou melhor de qualificação, mas ainda não era uma coisa totalmente robusta, cheia de conteúdo, com regras e tal. Em 97 foi criada as normativas para o EAD e aí o EAD começou a entrar no Brasil para valer, copiando até estilos europeus e norte-americanos. Então em 2008 quando eu tinha vindo do Pará eu estava trabalhando aqui e queria fazer o ensino superior e aí pensei em fazer o ensino EAD, só que em Várzea Alegre não tinha. Nós tentamos trazer pra Várzea Alegre e não conseguimos porque em 2008 mesmo foi criado um Termo de Ajuste e Conduta (TAC) em que o Governo Federal através do Ministério da Educação disse que as universidades só poderiam atuar na sua região, então elas não poderiam vir do Rio Grande do Sul, Santa Catarina ou do Sudeste para o Ceará. Teria que ser de Salvador, Recife ou do próprio Ceará, para conseguirmos trazer. Agora o modelo que foi primeiramente permitido era muito rígido, então ele obrigava que a instituição de ensino superior que tivesse EAD fechasse parceria com outra faculdade, para que essa faculdade agisse como meio e fizesse a parte operacional. Então essa faculdade fechava um contrato com a universidade que tinha na sua sede o curso de ensino a distância credenciado, ela só tem um curso de ensino a distância credenciado quando ela tem as primeiras turmas que se formaram e na sede precisa ter todo o aparato para poder ministrar o curso de ensino EAD. O primeiro EAD não era online, ele era semipresencial, então existia uma dificuldade pela questão da internet que eram muito fracas e travavam muito, porque lá na sede é preciso montar um laboratório de informática, um sistema televisivo, é preciso ter todo um aparato para poder transmitir aquela aula. No polo precisa ter tudo o que tem na sede em miniatura, precisa ter no mínimo de 10 a 20 computadores, se tiver 120 alunos, laboratório de informática, biblioteca, sala de aula de multimídia que é onde vai ser transmitida a aula, isso tudo aí engessava, ficava muito caro em 2008 e isso se arrastou até 2013, 2014, 2015. Em 2017 para 2018, foi que se flexibilizou através do ministro Mendonça Filho no governo do Michel Temer, que botou uma portaria dizendo que agora não precisa mais disso, então não tinha aula cem por cento online, só tinha semipresencial. No decorrer desse tempo, eles implantavam o 100% online mais nas pós-graduação, mas aí com isso, alguns cursos desde que eles sejam teóricos, por exemplo, eles podem ser 100% online, mas se forem cursos que precisem de laboratório eles precisam ser semipresenciais por que precisa ter a prática. Em 2018 foi que a portaria flexibilizou, porque além disso, tudo pronto para receber o aluno direitinho, o que precisava acontecer? Tinha que pagar ao MEC para vir fazer uma visita in loco, ver o prédio, tirar fotos, medir as salas, tinha que ver a acessibilidade, piso tátil para deficiente visual, rampas, tinha que ver tudo isso que era obrigado ter na sede e no polo, então isso deixaria tudo muito caro, aí em 2018 eles disseram que a instituição vai autorizar o polo, não é credenciar porque quem credencia é o MEC, vai fazer visita ao polo, vai tirar todas as medidas do polo, como por exemplo, nós tivemos com a UNOPAR que eles vieram de Londrina para Várzea Alegre fazer todas as medidas e tem que estar tudo do jeito que eles queriam que tivesse. Porque isso eles têm que mandar para o MEC, para que ele possa dizer que o polo está autorizado e nós vamos talvez fazer uma visita a qualquer momento naquele polo. Mas com isso existiam outros problemas, que era a biblioteca virtual, porque o que tem na biblioteca da sede é preciso estar digitalizado na biblioteca virtual e aí as universidades de ensino a distância utilizavam o site do próprio governo, sites que todo mundo já conhece. Eles utilizavam esse site e diziam que tinha biblioteca virtual. O MEC foi e disse que vocês tem que ter no site de vocês a disponibilidade para a biblioteca virtual, então o aluno ele pode até pedir o livro lá da sede juntamente com o polo se ele precisar do livro, como ele pode baixar todos os livros, fazendo download. Então hoje é muito mais fácil, mas ainda existe esse preconceito de dizer que a EAD não presta.

Qual a diferença que você pode analisar entre o ensino superior tradicional, presencial, o ensino EAD e o semipresencial?

O presencial tradicional é aquele ensino que vem junto com a base, então o professor está em sala de aula, o aluno está estudando todo dia e existe um costume que quando ele chega no ensino superior, ensino técnico, ele custa a se acostumar que ele agora, apesar de ser tradicional, ele não vai mais “comer com a colher do professor”, ele não vai mais estar utilizando o saber do professor, ele vai ter que pesquisar. Então o que é que acontece no ensino presencial? Eu estou fazendo uma visão crítica, o aluno é viciado, então é tanto que nós estamos tendo uma qualidade de profissionais um pouco a ser revista. No ensino semipresencial e no ensino online, o aluno é estimulado a pesquisar, então ele não tem o professor no polo, ele tem um professor e um tutor que vai dar aula em videoconferência e depois ele vai ter um professor online 24 horas. Mas só que esse professor tem horário para começar e para terminar, então ele é estimulado a pesquisar e estudar, ele não vai passar com um trabalho feito pelo professor, ele vai ter realmente que fazer as provas, ele só pode ir a diante quando ele faz uma prova. Então no presencial, o preconceito é esse, porque é mais fácil o professor gostar do aluno, ou ficar com raiva do aluno, ou negociar com o aluno uma nota e no ensino semipresencial e no EAD não existe essa negociação. Olhe você agora está fazendo um TCC e está correndo atrás, você não está fazendo uma pós onde o professor está vendo pra você e ajeitando pra você não, você está sendo estimulado a correr atrás, então é esse dispositivo que tem no EAD que faz com que o ensino tenha uma melhora e um policiamento até no ensino presencial.

Bom, da época que você trouxe a Kurios pra Várzea Alegre, que é o ensino EAD, para hoje os institutos que já tem em Várzea Alegre prestando serviços. Qual é a diferença?

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Bom, na época nós não tínhamos a intenção de trazer a Kurios, a intenção era trazer a UNIANCEL que era ensino EAD. A Kurios era apenas uma faculdade parceira. Depois existiu até uma intenção de construir uma faculdade aqui, que seria do pessoal da Kurios e tal, era um sonho mas nós queríamos trazer a UNIANCEL, o que acontece hoje, nós já temos aí, Várzea já aparece no mapa com o ensino com várias universidades de ensino EAD, o que precisa hoje é que haja um trabalha de conscientização da população que o ensino EAD é tão bom ou mais que o ensino presencial. O que é que os técnicos pedagogos falam, os especialistas falam, sobre a questão presencial e EAD é porque no presencial eles dizem que há o contato, então nesse contato aí não se negocia, o contato do aluno estar na faculdade, do aluno ter contato cm outros alunos, ter aquela troca de ideias e a sociabilidade da universidade faz cm que o aluno cresça. Só que eles não analisam que no ensino EAD eles tem muito mais contatos do que no presencial. Por exemplo: se ele se forma aqui, não estou criticando aqui e nem dizendo que a faculdade não presta, mas o aluno se forma na URCA e qual o contato que ele tem na URCA? Apenas os alunos do Cariri. Agora vamos dizer que ele se forma na UNICESUMAR, ele tem um fórum de participação que é com os alunos de todo o brasil, então ele tem uma troca social, uma sociabilidade que vai fazer cm que ele cresça a nível dele estar por dentro do que está acontecendo no mundo. Então esse aluno sai do mundo do Cariri, sai do mundo de Várzea Alegre e começa a ir para outros mundos, fazer outros rumos. E isso eles não contestam, não falam que realmente há essa vantagem no ensino semipresencial. Então eu acho que tem os seus méritos no ensino presencial tradicional e tem seus méritos no ensino EAD e todos eles somam. Hoje nós temos que ver que o país é grande e nós temos uma dificuldade enorme sobre a expansão territorial do país. Então digamos que em Várzea Alegre, aqui tem uma universidade no Crato e outra no Iguatu, digamos que nós quiséssemos trazer uma universidade para cá, nós não conseguiríamos, porque o MEC, através das suas normativas, ele diz o seguinte: a menos de 100km não pode haver outra universidade. Pode trazer um IF? Dá para trazer. Mas outra universidade pública não pode. Outra coisa, a população antes não podia ter menos de 50mil habitantes, mas agora parece que aumentou, parece que é 100mil habitantes. Então jamais uma cidade pequena dessa vai ter um ensino, uma universidade pública gratuita para os alunos e tal. Agora, a cidade tem que fazer o que? Não é tentar mudar essa realidade, por que não vai mudar, é tentar se adaptar. Então não dá pra trazer universidade pública, vamos tentar trazer as universidades de ensino semipresencial e online, que é o EAD, porque a gente fica com a cidade barateando esse custo para os alunos poder estudar, numa parceria junto com as universidades e dá condições, porque o aluno paga mais de 200 reais pra ir estudar no Juazeiro ou Iguatu, pagando ônibus, mais despesa de alimentação, material escolar, então ele tem um custo por baixo de 350 e 400 reais. Hoje dá pra trazer uma universidade de qualidade com o mesmo curso a 250 reais. Então, se houver a participação da iniciativa pública, da gestão municipal para estimular esse aluno, quebrando essa barreira, porque assim, o grande empecilho de toda cidade pequena se chama secretaria de educação, porque infelizmente a secretaria de educação ainda tem alguns técnicos pedagogos que não se reciclaram, se reciclar é aproveitar o que ainda dá certo e transformar o que não presta mais em algo novo, então essa secretaria de educação que nós temos hoje nas cidades pequenas ainda estão naquela engrenagem antiga. Então elas não estão se atualizando, abrindo a mente. Se o aluno chegar na secretaria de educação e perguntar sobre o ensino EAD, vão dizer que não presta. Eu tenho certeza que a maioria fala isso, alguns dizem que não, mas a maioria fala isso.

Aluísio só para a gente finalizar aqui, então na sua opinião o ensino semipresencial e EAD em Várzea Alegre eles serviram para melhorar o acesso ao ensino superior?

Sim. O que acontece, existiu uma invasão não só nem Várzea Alegre, mas sim no Brasil, dos ensinos das faculdades levando extensão, houve uma contribuição e se pecou na qualidade, mas o MEC já cortou, e disse agora tem que ser EAD, então agora existe uma configuração do EAD mais flexível. Eu acho que Várzea Alegre tem condições de fazer uma mesclagem, acabar com que não tiver legal e vê o que está legal e incentivar... agora que contribuiu, contribui sim. Porque é melhor o professor que aprendeu 50% do que professor que não aprendeu nada. Então se ele fez uma graduação e não é uma graduação como deveria ter sido feita, mas alguma coisa ele aprendeu, absorveu, isso é muito bom. Agora uma coisa que eu quero dizer é que, não tem nada haver contigo, mas eu vou dizer aqui, Várzea Alegre não tem um mestre na educação, nós tentamos trazer mestres para Várzea Alegre através do intercâmbio que era juntamente com o Paraguai. Cheguei a formar 23 alunos no Paraguai e eles faziam duas viagens pro Paraguai, a terceira viagem era para apresentar a tese e depois tinha que revalidar no brasil. Todos eles sabiam que era assim que tinha que fazer. Em Várzea Alegre, todos eles desistiram. Então hoje Várzea Alegre trabalhando na educação, não tem um mestre. Isso é muito ruim, você tira pelo seguinte, quando você vai fazer a avaliação da escola, por exemplo eu mando aqui um projeto e aí o conselho de educação pergunta para mim: quantos pós-graduados tem? Eu coloco: todos eles. A minha avaliação, a avaliação da escola aumenta. Se uma faculdade quando vai fazer o GC que é o índice do MEC, que faz pra avaliar que é de 1 a 5, o que acontece, eles avaliam a titulação dos docentes e se tiver muito mestre, a pontuação da universidade aumenta, então a cidade também peca por isso. Não existe mestrado a distância, mas nós poderíamos por exemplo incentivar. Muitos alunos não conseguiram revalidar ainda porque também a Capes que é quem cuida da questão de pós-graduação principalmente strictu censu, a Capes deu uma engessada e tal, mas eles trabalham como mestre ou pelo estado ou pela prefeitura. Um aluno meu aqui em Banabuiú a prefeitura botou uma faixa, bem vindo mestre da cidade. Ele terminou no Paraguai bilíngue, porque não pode ser mestre sem ser bilíngue, então só esse intercâmbio que ele faz, dá condições ao aluno aprender outra língua sem precisar pagar. Então ele tem essa condição e não houve essa estimulação também, e é um erro porque não é uma visão que se tem em Várzea Alegre em relação a isso.

E aquilo que você estava falando, pra gente mais ou menos da educação em Várzea Alegre lá na década de 80, 90, que o pessoal tinha por obrigação achar que o fortalecimento da educação, aliás educação só tinha fundamento se fosse estudar fora.

O que eu digo e o seguinte, é uma cultura que existe na nossa cidade, infelizmente a nossa cidade não teve o despertar que teve Juazeiro e que teve Cajazeiras. Cajazeiras é conhecida como a cidade que ensinou a Paraíba a ler, mas eles tiveram a visão de levar as universidades para lá. Cajazeiras tem duas universidades de medicina e é menor que o Juazeiro. Não é tão desenvolvida quanto o Juazeiro, mas tem universidade de medicina. Pela situação geográfica de Várzea Alegre, era pra ter despontado, mas existiu uma cultura em Várzea Alegre que está enraizado com a cultura do Crato. Infelizmente, existiu uma cultura de ser um glamour, então eu mandava os filhos pra estudar no Recife, em Fortaleza e isso era um glamour, era bonito. Ah, o menino chegou de Fortaleza porque estava estudando em fortaleza e tal. Era pra ter sido o contrário. Nós tivemos nomes que tiveram capacidade financeira de ter financiado uma faculdade na cidade, se naquela época desde 60, 50, 70 tivesse começado com a força do algodão, com a força do arroz, tivesse começado uma faculdade em Várzea Alegre com um curso só, hoje nós seriamos a maior potência de ensino superior da região.

Sabe por quê? Porque ela é bem situada geograficamente e quem ia deixar de estudar em Várzea Alegre pra ir estudar no Juazeiro, de Lavras? Ninguém. De Cariús, de Farias Brito, Granjeiro e de outro lugar? Ninguém. Era muito mais fácil vir estudar em Várzea Alegre, mas infelizmente não houve esse despertar, e ainda não tem, ainda é bonito dizer que está estudando em Juazeiro, e lá fora e não dizer que está estudando em Várzea Alegre, infelizmente.

ENTREVISTA COM DIANA COLAÇA, NATURAL DE SÃO MIGUEM, NO RIO GRANDE DO NORTE, FORMADA EM HISTÓRIA E PEDAGOGIA PELA UNIVERSIDADE VALE DO ACARAÚ, PÓS-GRADUADA EM DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR PELA FACULDADE VALE DO SALGADO DE ICÓ, FUNDADORA E PROPRIETÁRIA DO CEDC- CENTRO EDUCACIONAL DIANA COLAÇA.

Diana eu gostaria que você me falasse como foi a sua primeira graduação.

Marcos, primeiro é um prazer estar participando do seu trabalho, da produção do seu artigo. É assim, a minha primeira graduação ela foi semipresencial. Eu sou de uma cidade do interior do Rio Grande do Norte, a dificuldade é imensa. Eu iniciei o curso em 2004 e foi um momento de decisão em minha vida. O que fazer, o que não fazer, ou ir para a cidade vizinha ou optar por um curso na cidade, tendo em vista que eu sempre quis a docência e a área de humanas é uma área que realmente sempre me encantou e quando chegou na cidade a Universidade Estadual Vale do Acaraú, a descentralização, então eu decidi optar por esse curso. Optar por um curso semipresencial na época, não foi fácil, era em 2004 era algo muito novo, ficava aquela coisa muito incerta. Será que isso vai dar certo, será que tem algum rendimento acadêmico mesmo, será que vai gerar um resultado positivo nessa formação acadêmica e consequentemente profissional? Será que existe mesmo essa instituição? Porque até então, no Rio Grande do Norte a gente não conhecia tanto a UVA, a UVA que com sede em sobral e aí no Rio Grande do Norte a gente não tinha, pelo menos na minha cidade, cidade do interior, pequenininha, a gente não tinha tanto conhecimento da UVA, mas aí os dias foram passando, a gente foi se adaptando a essa nova realidade e a gente vai percebendo ao longo dos anos, não somente na época à qual eu estava cursando, porque quando a gente está nessa primeira graduação existe uma imaturidade enorme, o conhecimento que a gente tem ainda é muito limitado, uma visão de mundo, e aí hoje já eu analiso o quanto que foi importante essa graduação tão sofrida, viver a dor e a delícia de trabalhar a semana toda, porque eu já trabalhava três expedientes na educação do município como professora mesmo e aos sábado a gente tinha que ir para uma sala de aula, janeiro e julho o intensivo que era o período de férias, então foram quatro anos da minha vida que eu não tive férias que era o período de janeiro e julho, que era justamente pra todo mundo estar de férias e a gente estava no intensivo de domingo a domingo, acelerando algumas disciplinas pra poder concluir aos quatro anos.

Você sofreu com essa questão dessa, digamos assim, crise de credibilidade logo no início do seu curso? O que é que as pessoas do ensino tradicional conversavam com você a respeito?

Sofri e sofri muito. Os professores que vinham eram todos da própria UVA, da capital, não eram professores da cidade, nem da região e nem do nosso estado. Mas aí, na cidade todo mundo dizia que era algo que não iria dá certo, que era algo que estávamos investindo e iríamos ser lesados, esse certificado não iria valer. A gente não tinha muito conhecimento de como era que funcionava essa descentralização porque não era explicado da forma que se é hoje quando acontece essa descentralização das universidades e sempre há uma comparação daquele aluno que estuda todos os dias, que está no banco universitário todos os dias, para aquele que vai somente uma vez na semana. Há uma comparação, as pessoas têm preconceito, tiveram muito preconceito com a gente, tipo como se analisasse que o currículo ou diploma de quem estava todos os dias na sala de aula seria totalmente diferente, além, superior, de quem estava cursando essas aulas semipresenciais.

E depois que você fez o semipresencial, qual a sua visão hoje em relação ao curso tradicional?

É, depois que eu cursei e hoje, principalmente, hoje trabalhando com cursos semipresencial, inclusive eu nunca imaginei que iria trabalhar com a UVA. Do ano de 2012 a 2019 eu estive trabalhando com a UVA, indiretamente era funcionária do Instituto Dom José (IDJ) um instituto ao qual tem convênio com a UVA e jamais pensei que ao passar dos anos eu iria trabalhar. E hoje eu tenho uma visão totalmente diferente da época em que eu era acadêmica, e da época também que eu me formei também passei alguns anos porque a gente interioriza tanto o que as pessoas falam que se a gente não tiver uma firmeza, um conhecimento mesmo a fundo daquilo que você está experimentando, daquela oportunidade que você está tendo naquele momento, que é um curso semipresencial, a gente também duvidava. Às vezes eu pensava que eu não tinha o mesmo conhecimento que alguém que estava todos os dias na sala de aula tem. E aí hoje eu já vejo de uma forma totalmente diferente. Como educadora e ao passar dos anos o amadurecimento profissional e social a gente vai acompanhando essa evolução educacional e percebe que o estar na sala de aula não significa nada. O estar na sala de aula significa uma coisa e ser realmente aquele aluno que estuda é totalmente diferente, e nós sabemos também que hoje esse momento que nós ficamos em sala de aula ele é apenas direcionamento e que cabe a nós enquanto acadêmicos, enquanto estudante estar renunciando várias madrugadas de sono, vários finais de semana e feriados para estar aprofundando mais ainda em determinadas disciplinas a qual você já vai focando que é área que você irá se especializar, que você tem uma afinidade maior, principalmente. E aí hoje eu vejo de uma forma totalmente diferente, hoje eu vejo que a descentralização e o curso semipresencial eles tornam a educação muito mais democrática, eu vejo dessa forma. O semipresencial ele dá um poder maior às pessoas a ter acesso a esse conhecimento. Essa descentralização também era outro fator que era de muitos preconceitos. Fazer parte de uma instituição que tem sede lá em estado tal e aí manda para cá as sobras e aí a gente vê que não é dessa forma que funciona. A minha vida acadêmica foi em curso semipresencial, a minha vida profissional também está sendo trabalhando com esses cursos. Porque eu vejo justamente que o ensino semipresencial dá o poder a pessoas que passaram anos sem estudar e hoje são profissionais, não podem renunciar o trabalho e aí nessas horas à qual alguma instituição disponibiliza para eles estarem estudando é justamente o momento que ele tem essa liberdade, essas horas vagas para estar buscando esse conhecimento sistemático. Porque o semipresencial é ainda muito para um público ao qual são pessoas que já são profissionais. Você perceba, Marcos, que o semipresencial não está muito associado a um público que sai do ensino médio, não é. O público que sai do ensino médio e já ingressa de imediato é realmente para um ensino tradicional das universidades federais, estaduais e que se deslocam mesmo para outros municípios, outros estados, para ir em busca dessa sua formação acadêmica e aí esse semipresencial vem de encontro a outro público mas também não significa que hoje está limitado somente a um público que já é profissional. Como aqui mesmo na instituição a gente já tem esse aluno que saiu do ensino médio e está vindo diretamente para o ensino semipresencial.

Você considera isso uma mudança já de comportamento, no sentido de buscar o semipresencial, o EAD?

Isso, com certeza. Hoje a gente percebe que há uma mudança enorme e o preconceito está diminuindo. E se o preconceito está diminuindo é porque as pessoas estão buscando esse conhecimento. Será se realmente tudo aquilo que a gente pensou em relação ao ensino EAD ou semipresencial era verdade? E aí a gente percebe que não, muito pelo contrário, o ensino EAD requer uma disciplina maior por conta de um calendário muito criterioso que precisa ser seguido e aí a gente percebe também que há algo cultural nessa questão. O ensino EAD e semipresencial na região sul do nosso país, na região norte também, ele já é muito avançado, as pessoas não pensam mais dessa forma. Já na nossa região nordeste ainda há muito a trabalhar nessa questão de mostrar mais ainda como é o ensino EAD. O ensino EAD não é somente o aluno e um computador, muito pelo contrário. Existem encontros dentro da instituição, avaliações que é na instituição, no próprio polo de ensino. Existem temáticas, atividades curriculares e extracurriculares onde a gente está trazendo esse aluno para a sala de aula, para a instituição e além desse ensino semipresencial e do EAD dentro desse cenário, como está cada vez mais ampliando o número e a procura, hoje nós temos os cursos híbridos, que são de áreas novas que jamais alguém imaginou que teria EAD como no caso das engenharias, todas as engenharias tem elas semipresencial e aí se dá o nome de cursos híbridos, onde há salas invertidas que o aluno ele tem aula virtual e aí uma vez por semana obrigatoriamente ele está dentro da instituição polo ao qual ele faz parte para desenvolver atividades relacionadas àquela aula virtual que ele assistiu.

Você praticamente trouxe também para Várzea Alegre no início o curso semipresencial. Eu queria saber da sua opinião como foi trazer esse curso para a cidade e também quais são as expectativas em relação ao pessoal que realmente se forma no EAD e as expectativas para esse profissional no mercado?

O desafio foi enorme. Quando cheguei à Várzea Alegre para trabalhar com o IDJ em convênio com a UVA, eu vi que as pessoas não tinham o conhecimento de como funciona a descentralização. Como assim IDJ, UVA? O pessoal não entendia. Quando eu cheguei percebi isso e veio de encontro a experiência que tive na minha formação com o semipresencial. E aí eu decidi assim: tudo o que passei, a ausência de informação que existia, eu não vou querer que as pessoas passem e eu preciso levantar uma bandeira em que esse ensino é sério e de qualidade e que estamos caminhando para um cenário educacional em que cada vez mais a sala de aula não possui mais paredes. A sala de aula é um cenário bem maior e que cabe a nós, enquanto aquela pessoa ao qual optou por determinado curso, estar dedicando suas horas para estar estudando. O professor na sala de aula, essa figura mudou muito, em que o professor tinha todo o conhecimento e esse conhecimento você não encontraria em nenhum outro lugar, somente na presença do professor. Hoje o professor a gente sabe que é apenas mais uma ferramenta, mas também uma ferramenta essencial e que nada substitui. As pessoas precisam entender que esse professor existe no EAD, que é onde se dá o nome de tutor, mas aí eu luto muito, eu não uso o nome tutor, eu uso professor, porque assim a figura do professor é essencial, é uma profissão universal e nada substitui. O ensino EAD existe, mas quem elabora todas as atividades é um professor. Quem está por traz de uma máquina quando vocês estão assistindo aula, as videoaulas, ao vivo ou não é um professor. Ele apenas não está presente fisicamente dentro do seu mesmo ambiente, mas ele está virtualmente. Ao vivo ou não, mas é um professor. As dúvidas quando você entra no seu estúdio, no seu chat para tirar, não é uma máquina, quem tira suas dúvidas é um professor. Então nós, enquanto professores, temos que caminhar lado a lado essa tecnologia, saber que a educação está tomando outro rumo e que precisamos nos adaptar e não nos manter resistentes.

ENTREVISTA COM CÁCIO ANTÔNIO PEREIRA, CEARENSE DE ICÓ, FORMADO EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS PELA FACULDADE VALE DO SALGADO – FVS, ESPECIALISTA EM AUDITORIA CONTÁBIL PELA FVS E ESPECIALISTA EM ADMINISTRAÇÃO HOSPITALAR SISTEMA DE SAÚDE PELA UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI – URCA, DIRETOR DO CEDC - CENTRO EDUCACIONAL DIANA COLAÇA.

Bem, nós vamos continuar aqui a entrevista falando agora com Cácio Antônio Pereira, ele é administrador e estudou de forma convencional. Primeiro eu queria que você comentasse como foi, ah.. esse estudo convencional e a sua visão agora do semipresencial, do EAD.

Boa noite Marcos, agradecer pela presença. É, realmente, a gente que tá no interior a gente não tem muita perspectiva, é, do ensino do nível superior, né, do ensino superior. Então a FVS veio para o Icó é no ano de 2003, 2004 e se instalou lá e possibilitou a juventude, não só do Icó, mas daquela região Orós, Iguatu e até outros estados. Eu tinha colega do Rio Grande do Norte, da Paraíba... Então possibilitou é... que nós pudéssemos fazer um nível superior na nossa cidade, ou cidades próximas poderiam vir pra FVS. Então, assim, foi uma coisa nova, a gente, realmente o ensino superior tinha uma dificuldade muito grande de atingir públicos até de uma condição menor, era mais na capital, grandes cidades, né, então tive essa experiência de cursar o ensino presencial. Foi de grande valia, né. Não resta dúvida, você tá ali com 30, 40 colegas em sala de aula, é..., trocando experiência, né. Então assim, foi muito proveitoso, mas também vejo, na minha visão, que o ensino semipresencial, o EAD, ele veio contemplar uma abrangência maior de alunos. Alunos que estão fora de... de... dos centros, de grandes cidades, né, que hoje, através da internet, que tá invadindo aí quase que a totalidade do município na sua região rural, né, então isso também possibilita é... essa condição de ter um nível superior. E eu também tinha uma visão é... contrária, preconceituosa a respeito da... do... ensino semipresencial e totalmente EAD, mas quando eu conheci, eu fiz uma especialização, iniciei uma especialização através do Ensino à Distância e vi, né, a qualidade, os fóruns, eu comentei aqui que numa sala de aula presencial você dialoga com que estão ali pre..., ali naquele momento de aula em sala de aulas, mas o EAD ou semipresencial também possibilita isso porque existem os fóruns dentro desse sistema que você também debate com colegas, é, tira dúvidas com o professor ali, ao vivo, né, e ainda precisa ainda mais de uma dedicação maior. Quer dizer, o preconceito que as pessoas têm do... do... ensino à distância é que é mais fácil. Não é, ele é mais flexível porque você pode estudar é, naquele momento que você chega em casa, é, após o trabalho, né, mas existe uma rotina de provas que você tem que fazer no polo, você não pode fazer a prova ali na sua residência, você vai para o polo, existe lá os profissionais que fiscalizam você fazer a sua prova, né. Então não tem essa... essa.... essa conversa de ser mais fácil. Pelo contrário, você tem que se dedicar ainda mais. E a questão da qualidade desse ensino também eu não vejo nenhuma perda, né. Então assim, depende muito do aluno, tanto no presencial como no EAD. Então eu acho que esse preconceito a tendência é que realmente acabe por que no Sul e Sudeste realmente já tem essa tendência das pessoas estudarem à distância, né, semipresencial ou totalmente EAD e aqui no Norte e Nordeste tem tido uma abrangência muito grande, né, tem muitos polos que estão aqui, se instalando na região, aqui no Ceará. Então eu... eu... eu, por experiência própria, porque também eu tinha um olhar, né, meio desconfiado dessa questão, da... da educação à distância, mas vejo que vai possibilitar além de tudo, uma qualidade porque esse ensino à distância ele te dá o material, você acompanha as aulas ao vivo, é, acompanha as aulas após, é, em outro horário, você pode entrar e assistir aquela aula. Então você só não se aperfeiçoa, só não existe um aperfeiçoamento se você realmente não quiser. E isso independe se é presencial, semipresencial ou totalmente EAD, isso depende do aluno. Então, assim, eu vejo que há um crescimento pra esse mercado, há uma possibilidade maior para os estudantes que não têm a condição de sair de sua cidade pra cursar o ensino nível superior. Então assim, eu... eu vejo que é uma tendência e nós temos que se adequar a essa nova realidade do ensino.

Você analisa que, assim... o avanço da tecnologia tem sido uma ferramenta impulsionadora desse tipo de ensino e que isso não tem mais volta?

Exatamente. Hoje nós andamos com o computador nas mãos. O smartphone hoje te dá essa possibilidade de você assistir suas aulas onde você estiver, se tiver um sinal de internet que hoje quase todos os lugares existe esse sinal de internet. Então você com o seu celular, seu smartphone, você consegue assistir aulas, responder exercícios. Então, hoje a facilidade tecnológica, isso aproximou muito essa questão da... da educação à distância. Então não há desculpa, a tecnologia tá aí, ela tem que ser usada da maneira correta, ela pode possibilitar um crescimento profissional e pessoal muito grande. Então, não há barreiras. Nós temos que aproveitar esse momento, esse momento tecnológico e aprender e se qualificar ainda mais.

Você comunga que a presença dos cursos semipresenciais e EAD em Várzea Alegre provocou alguma transformação na educação?

Com certeza. A gente já, a gente iniciou o Centro de Educação Diana Colaça aqui em Várzea Alegre, quatro meses que nós estamos aqui, existe uma procura muito boa, logicamente que nós vamos intensificar indo a blogs, entrevista em rádio explicando como é o funcionamento do EAD e com certeza vão ter, começar a ter essa confiabilidade, porque alguns acham que o certificado, o diploma que se tem no EAD é diferente da presencial, e não é. É regulamentado pelo Ministério da Educação. Então todos os estudantes que estão, é..., nessa plataforma, o EAD, vai ter o mesmo reconhecimento de um ensino presencial. Então podem ficar tranquilos a respeito disso.

Você tem uma formação acadêmica é..., de um ensino convencional e tem também já experiência do semipresencial. É... vendo isso na sua pessoa e projetando no pessoal que hoje tá no semipresencial, o que que você espera em termos de qualidade desses profissionais que serão lançados no mercado?

Eu tenho certeza que esses profissionais que vão sair dessa plataforma, com certeza, não vão deixar a desejar em sua qualidade como profissional, porque é o que eu disse antes, e..., independe da plataforma que esse aluno está, se é presencial, se é semipresencial ou totalmente EAD. O conteúdo está disponível, o aluno recebe o material, ele tem a possibilidade de rever e revisar essa matéria, ou seja, eu acho uma vantagem maior ainda do que o presencial, porque o presencial você estava na aula ali, você perdeu a aula, quando for na próxima você acaba ficando com uma dificuldade maior de aprender sobre aquela disciplina, e a EAD, não. Ah, não pude assistir aula ao vivo, daqui a uma hora ou duas eu vou lá e reviso com o professor. Se eu tiver dúvida vou no fórum, vou no chat, envio as minhas dúvidas e o professor responde. Então eu vejo que a EAD não traz nenhum prejuízo da questão profissional desses estudantes. Então a gente fez visitas, fez pesquisas, fomos ao Paraná, né, e fizemos essa... essa parceria com a UNICESUMAR e com a UNIJAR também, que é outra EAD, né. Então, assim, a gente vai trazer alguns cursos que com certeza eu não tenho nem é... é... é, a preocupação de dizer ah, o aluno vai sair e não vai ter a sua competência no mercado de trabalho, porque o material e a forma, a forma rígida, uma forma séria, e esses profissionais com certeza vão brilhar no mercado de trabalho.

ENTREVISTA COM CÍCERA KÁTIA DA SILVA – FORMADA EM BIOLOGIA E EM LETRAS, PORTUGUÊS E INGLÊS, ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL ESCOLAR PELA URCA – UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI, EMPRESÁRIA E COORDENADORA DO CEPS – CENTRO DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E SUPERIOR.

Bom, estamos dando continuidade ao nosso trabalho de pesquisa, hoje nós vamos conversar com Cícera Kátia Silva, ela é formada em Biologia pela URCA – Universidade Regional do Cariri, sua formação foi de 2005 a 2008 com um curso semipresencial. Era um projeto piloto da URCA – Universidade Regional do Cariri em Várzea Alegre. Ela tem uma segunda graduação em Letras (português e inglês), e especialização em educação ambiental também pela URCA, e está concluindo Gestão Escolar pela FAIARA. É... Kátia, qual sua visão da educação superior formal entre as décadas de 1980 e 1990, ou até mesmo início dos anos 2000?

Ainda era difícil o acesso ao ensino superior pela grande maioria. É, considerando ainda que o Brasil na década de 80 tinha acabado de ter a Constituição, né, definitivamente como democracia, como direito, como tudo. E o nível superior não tinha tantas vagas disponíveis nas universidades, e todos o acesso era restrito, era realmente pra quem, é..., os vestibulares além de serem muito difícil, o acesso não era pra todos, era pra quem, de certa forma, tinha uma certa condição. Era uma época que as pessoas ou trabalhavam ou estudavam. O acesso não era pra todo mundo, apesar de já ter as universidades públicas, mas, ainda não tinha um acesso favorável como é hoje para a grande maioria

Qual a sua opinião sobre a formação acadêmica formal em Várzea Alegre?

Considero de grande vantagem, de grande crescimento para o nosso município. Porque deu a oportunidade a várias pessoas terem acesso ao nível superior sem ter que arcar ou cumprir grandes distancias, sem ter grandes custos porque por mais que tenha universidades públicas onde nossos alunos continuam se deslocando, mas ainda tem custo com transporte e outros custos que nem todos tem condições, nem todos tem condições de estarem viajando todos os dias e nem de estar arcando com esses outros custos, como transportes, alimentação, material didático e o nível superior aqui em Várzea Alegre veio oportunizar, tanto àqueles que não têm tempo para estar se deslocando, como àqueles que não têm tantas condições.

Bom, você hoje está à frente do CEPS em Várzea Alegre que é um polo EAD da UNINTA e eu queria que você falasse para a gente o que representa para você e para a educação, especialmente ensino superior em Várzea Alegre, esse estilo de ensino.

Para mim, é uma forma de estarmos contribuindo para o nosso município e com aquelas pessoas que tem o sonho de fazer o nível superior. A gente hoje se sente como se fosse uma porta aberta para acolher ou tentar ajudar a realizar o sonho daqueles que ainda não tinha tido a oportunidade de cursar o nível superior. Uns por motivo de não poder se deslocar, devido à distância, ter que trabalhar, chegar tarde e outros por questões financeiras. Ser um polo da UNINTA hoje, que é uma das universidades mais reconhecidas do nosso país, e também por ser aqui do nosso Ceará com os projetos pilotos que inclusive o país todo copiou, a gente hoje está trazendo vários cursos. Começamos com poucos, mas hoje o aluno que quiser cursar um bacharelado é possível fazer esse curso, de uma forma de custo financeiro não muito alto e aqui no nosso município, onde ele pode trabalhar na sua comodidade e pode estudar.

O ensino semipresencial e o ensino formal. Quais são as diferenças de quem faz uma faculdade presencial para quem faz uma semipresencial?

Eu posso dizer que a diferença quem faz é o aluno. Eu tive a oportunidade de estudar no semipresencial e na época eu ajudava os amigos que estudavam na faculdade semipresencial pela mesma instituição. Então desde o meu tempo como estudante, como aluna universitária de nível superior, eu pude verificar que quem faz o curso é o aluno, independente de ser presencial ou não. Logicamente que aqueles que querem se dedicar mais, que tem mais tempo e puder estudar presencial, se assim ele quiser ter melhor aproveitamento, porém, eu mesma pude constatar que na época em que eu era aluna de nível superior eu ajudava minhas amigas que estudavam na sede da URCA, no Crato.

Quais são suas expectativas em relação a atuação profissional de um estudante formado a partir de um curso semipresencial?

Eu acredito muito, porque o curso semipresencial ele dá ao aluno a oportunidade de ele mesmo mostrar o que ele é capaz. Quando você estuda no presencial, de certa forma, você acaba se acomodando um pouco porque todo dia o professor vai estar lá e vai continuar o conteúdo no dia seguinte, quando o aluno estuda de forma semipresencial ele sabe que vai ter que passar por uma avaliação e ele só vai conseguir se ele se dedicar. Então praticamente o mérito do aluno que estuda no semipresencial é dele, a evolução como acadêmico, com o estudo, ele vai precisar se esforçar para poder conseguir ter uma aprovação nas disciplinas e concluir o curso. Então eu considero vantajoso.

ENTREVISTA COM MARIA LUCIMAR DA SILVA FREIRE – FORMADA EM HISTÓRIA PELA URCA – EM 1990, PÓS-GRADUADA EM METODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA, PLANEJAMENTO EDUCACIONAL PELA UNIVERSO – UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA DO RIO DE JANEIRO, EM GESTÃO ESCOLAR PELA UECE/UDESC, DE SANTA CATARINA E MESTRANDA EM CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO PELO UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE LISBOA-PORTUGAL.

Ela fez sua primeira graduação em História na década de 1990. Professora Dedê como é que você avalia a educação superior da década de 80 e mais especificamente da década de 90?

Marcos, eu entrei na universidade através de um vestibular, na universidade pública em 1987 já no semestre 2. Assim, foi um sonho, como eu acredito que continua sendo um sonho de muitos jovens. Era difícil, não tinha essa facilidade que nós temos hoje, mas era algo assim muito interessante você sair de uma cidade pequena para entrar numa universidade. O período que eu entrei na universidade, eu me deparei com uma mudança de uma faculdade de filosofia do Crato, como era chamada, para se transformar numa Universidade Regional do Cariri (URCA). Participei e vivenciei momentos turbulentos lá dentro, eu acho que nesse momento eu me deslumbrei com as questões do movimento esquerda porque eu via jovens em cima dos muros da URCA brigando para ter uma universidade pública de fato, de direito... e assim, eu aproveitei bastante, participei dos centros acadêmicos, eu era componente do centro acadêmico. O curso de história era visto como um curso com poder de resolução dentro da universidade, que até hoje continua sendo. Quem é da área de humanas geralmente quando entra na universidade ele se transforma, a cabeça da gente muda muito. E eu me deparei dentro do curso de história com muitas realidades que eu até então não conhecia. Então cheguei lá, os professores quem levantavam, quem desvendavam nossas bocas, nossos ouvidos e a gente aprendia a falar. No início eu sofri. Se fosse para escrever eu tinha muita facilidade, mas as provas elas variavam: ora eram escritas, ora o professor dava um livro para trabalhar um tema e depois na sala de aula a gente debatia aquele livro. Senti muita dificuldade. Eu era muito calada, não tinha hábito de trabalhar em público, de falar em público e isso aos poucos, são oito semestres o curso de história, aos poucos eu fui quebrando aquele medo de falar. Mas, sofri bastante. Se fosse para descrever o tema, eu tinha uma facilidade enorme, mas, na hora dos debates, chegava um ponto que eu dizia “vou falar, eu sei disso”, mas, eu não conseguia acompanhar. Então, eu tenho pela URCA hoje uma grande gratidão. Hoje os laboratórios estão diferentes. hoje nós temos uma tecnologia que nós não tínhamos. Antes a gente ia para as bibliotecas mesmo, tomava aquele livro emprestado e passava sete dias com ele. Se a gente não conseguisse terminar naqueles sete dias, ia novamente lá na biblioteca, renovava e continuava. Mas foram momentos de grande aprendizagem. Você chegar num momento de transição, porque a URCA antes era Faculdade de Filosofia do Crato, então eu participei desse momento de transição e graças a Deus estudei os quatro anos de forma gratuita. Eu iniciei justamente nessa nova era dela.

Dedê, nesse seu tempo de estudo, a maioria dos alunos aqui de Várzea Alegre que buscava universidade tinha a URCA também nesse período como referência?

Tinha sim, com certeza. Nós só tínhamos a URCA e nós tínhamos os cursos da área de humanas, história, geografia, tinha também a parte de letras, tinha economia também só que não funcionava no mesmo prédio, então a gente não tinha tanta ligação com essas pessoas e o curso de direito também já existia. Mas a URCA marcou a minha vida. Para você ter uma ideia, o centro de história e de direito é o mesmo. Na época eu tive duas colegas que pela questão do que hoje a gente entende como grade curricular, elas tinham uma ligação história, economia e direito. Você poderia concorrer ou fazer inscrição para você sair do seu curso e passar, porque era o mesmo centro. Mas também eu me identifiquei tanto com o curso de história, mas também por falta de conhecimento na época também eu não entendia nada do curso de direito, passava pela minha cabeça que quem terminava direito ia só ficar em porta de cadeia e aí eu não fui para o curso de direito. Talvez se eu tivesse tido alguma orientação, talvez eu tivesse ido. Eu lembro Marta Otoni, Miriam Otoni, elas eram minhas colegas, ingressaram no curso de direito depois do vestibular de história. Mas eu me identifiquei tanto com o curso de história que eu continuei até terminar.

Professora Dedê, como é que podemos fazer um comparativo da modalidade de ensino superior que você fez, o curso presencial, com os cursos semipresenciais que hoje estão presentes em todo o Brasil inclusive aqui em Várzea Alegre?

Estudar sempre é bom. Eu não vou dizer que um curso 100% presencial não seja bom, é ótimo, porque temos a oportunidade de tirar dúvida. Mas os cursos semipresenciais também são bons, porque assim, vamos dizer que a cada 15 dias você recebe o professor, mas você vai ter ... não é o professor ... nós, não é ... vamos falar de curso superior onde alguém já tem uma formação suficiente para não ter necessidade de o professor estar sempre presente para você tirar dúvida e aprender. Eu fiz um curso 100% presencial, os estágios que eu fiz eram supervisionados. Na época eu trabalhava na esplanada e a gente sabe que a lei nos dá o direito de você fazer um estágio, trabalhar até as 13 horas da tarde e ia para o ensino fundamental dar aula. Na época era a Escola 18 de Maio e a noite eu ia para o municipal que era atrás da URCA. Lógico que um curso totalmente com acompanhamento dos professores, mas hoje também, Marcos, temos que entender que existem os cursos semipresenciais e existem muitos doutores dando esses cursos, muitos mestres, que na época de 90 poucos eram os professores, pouquíssimos, que tinham um mestrado, eles só eram especialistas. Então, a gente tem vantagens na questão de ter o professor presente, mas aquele professor ele não tinha tanto conhecimento quanto hoje nós temos. Então, nesse instante você pode não ter um professor presencial, mas você vai lá numa plataforma e lá está um doutor, lá está um mestre, um especialista naquilo e você, pela sua capacidade, pela sua formação, porque não pode se dizer que estou em um nível superior sem ter nenhuma condição de abrir um livro, de abrir um site e não entender. Então, assim, existem, eu não vou dizer, desvantagem, são épocas diferentes, mas que eu valorizo demais. Até porque eu fiz uma especialização pela UECE, pela UDESP, gestão escolar, que eu tinha aulas presenciais, era semipresencial a especialização e tinha uma gama de estudo que eu tinha que fazer sozinha para que no dia da aula presencial eu pudesse estar lá pronta para debater com aquele professor. Então, nós temos que entender hoje não podemos ter mais, nós estamos num momento de tanta abordagem, tanto assunto, que a gente nunca vai ter mais a presença do professor 100% na sala de aula.

Na sua opinião esses cursos provocaram mudanças positivas ou negativas para o ensino superior de Várzea Alegre, pegando exemplos da sua época, exemplos de alunos que você acompanha até o nível superior?

A questão da quantidade de alunos que saem de Várzea Alegre para o Crato, Juazeiro, Cedro, Iguatu, para outros estados, fez com que viessem esses cursos para cá. Várzea Alegre hoje já era para ter um campus e nesse instante, por exemplo, nós temos hoje o CEPS, nós temos o IDJ e nós temos hoje o Diana Colaça, olha como cresceu. Começou o IDJ, começamos primeiro com as pós-graduações nas escolas nos finais de semana, cresceu bastante. E assim, quem é que vai dar credibilidade a esses cursos? São os próprios alunos. Com certeza esses institutos que estão trabalhando aqui o curso superior tem gabarito para isso, mas quem vai dar credibilidade são os próprios alunos. Lógico que os institutos tem que cobrar, porque ele vai formar tantos alunos e que ter resultado. Vai ter um concurso, quer dizer, é preciso que esse instituto trabalhe para que a gente não seja criticado, para dizerem que está tendo tanto curso superior, até em fundo de quintal, a gente tem que ter cuidado. Então tanto as universidades que vem para cá como os alunos que estão participando. Eu tive a oportunidade de fazer um curso de educação inclusiva e foi um dos primeiros que houve aqui e o que eu mais admirei foi a questão do rigor com a questão do horário, começa às 18 e terminava as 22 horas. Tudo o que era planejado, era trabalhado e apresentado. Então assim, é preciso que a gente tenha cuidado para esses cursos não caírem qualquer cursinho. Tem que ter respaldo. Porque de qualquer forma um dia esses meninos vão ser avaliados, o MEC vive avaliando essas universidades, tem uma universidade na região do Cariri que já foi bastante criticada, não vou aqui, por questões de ética falar, mas um dos cursos que mais se sonha pelos nossos estudantes é um desses cursos e que já foi bastante criticado. E onde é que se critica? É quando o MEC aplica uma prova e que esses alunos tiram notas menores do que 2, porque geralmente a média é 5. Então quando uma universidade tira a média 5 ela é uma universidade de excelência. Então, o que a gente tem que ter cuidado com esses cursos superiores semipresenciais é que realmente eles trabalhem da forma como deve ser trabalhado. O professor que vier é mestre, é especialista, porque essas universidades só vão conseguindo a sua titulação de universidade pelo grau que os seus professores têm. Então, tem que ter esse cuidado.

Quais são as suas expectativas em relação a atuação profissional de um estudante formado a partir de um curso superior semipresencial?

Tem tipos e tipos de estudantes. Ele pode estar lá na UFC, uma das universidades mais classificada como boa no país e quando terminar não ser um bom profissional. Então, a gente não pode classificar um aluno ou um profissional recém-formado se ele é um bom profissional só pela questão da universidade, é pela questão dele. Porque hoje o aluno pesquisa todo dia, ele tem que pesquisar todo dia. Se você está dentro da universidade e você não for e, vamos se dizer, uma barata de universidade, que se joga lá dentro, você vai sair da forma que você entrou. Então, não é somente a questão da universidade ser presencial ou não, é a questão de quem está lá. Eu estou pesquisando ou estou só indo dar minha presença e saindo? Porque a gente tem que ver, eu não conheço bem a plataforma desse pessoal, mas tem cadeiras a ser cumpridas, tem notas a ser atribuídas, então não é só ir. Eu defendo a semipresencial porque eu lutei pela Universidade Aberta do Brasil, que é a universidade pública semipresencial. Eu tive a oportunidade com Liduína Sousa irmos ao polo de Orós e lá tem cursos brilhantes, tudo montado de forma gratuita. Então, ela infelizmente não chegou aqui em Várzea Alegre, mas eu falei muito e fui atrás, fui na Secretaria de Ciência e Tecnologia, em Fortaleza, atrás desse curso, porque eu acredito também na universidade semipresencial.


Publicado por: Francisco Marco Filho

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