Topo
pesquisar

A APLICAÇÃO DE DIFERENTES TEXTOS NA ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

Educação

Aplicação de textos em seus diferentes gêneros na sala de aula.

índice

1. RESUMO

O questionamento sobre a alfabetização e as dificuldades que apresentam os alunos durante a vida escolar levaram a necessidade de muito mais que alfabetizar, trabalhar o letramento que vai além do simples aprendizado de códigos escritos, mas o entendimento da leitura e escrita num âmbito maior de aplicação a vida cotidiana. O presente artigo trata da aplicação de textos em seus diferentes gêneros na sala de aula.

Palavras–Chave: Textos. Alfabetização. Letramento.

ABSTRACT

The question on literacy and the difficulties that present students during school life brought the need for much more than literacy work literacy that goes beyond simple learning written code , but the understanding of reading and writing in a larger scope of application everyday life. This article deals with the application of texts in their different genres in the classroom.

Keywords: Texts. Literacy. Literacy.

2. INTRODUÇÃO

A dificuldade nas séries iniciais da alfabetização está centrada na leitura e na escrita, a criança muitas vezes escreve, mas não lê, ou lê de forma mecânica, sem entender o significado.

(...) a cópia é apenas um dos procedimentos usados para apropriar-se da escrita, mas não é o único (nem sequer é o mais importante), aprende-se mais inventando formas e combinações do que copiando; aprende-se mais tentando produzir junto com os outros uma representação adequada para uma ou várias palavras do que fazendo sozinho, exercícios de copiar listas de palavras ou letras (FERREIRO 2001, p. 102).

Atualmente as discussões das escolas giram em torno da problemática da alfabetização nas séries iniciais, entende-se que é preciso muito mais que uma alfabetização de decifração de códigos escritos e uma leitura limitada, é preciso uma reflexão sobre a compreensão do que é alfabetizar e o que se espera da funcionalidade dessa alfabetização, não se pode limitar o conhecimento, esse é um processo permanente para toda a vida e assim sendo há de se estender ao letramento.

Para Soares (2008), alfabetização é um processo de representação de fonemas em grafemas e vice-versa, mas é também um processo de compreensão/expressão de significados por meio do código escrito.

A compreensão do uso da escrita vai além do decifrar códigos e sinais gráficos, é preciso que o aluno tenha o conhecimento da representação dela em diferentes textos, que saiba interpretar a aplicação às diferentes manifestações da escrita no seu cotidiano escolar e social.

É comprovado que uma criança alfabetizada e letrada com qualidade nas séries iniciais tem maior capacidade de entendimento e sucesso escolar nos próximos anos, minimizando assim os índices de evasão e repetência escolar.

A sociedade nos últimos anos tem passado por transformações na comunicação, deixamos de ser industriais para nos tornarmos tecnológicos onde todos os meios de comunicação são digitais, visuais, auditivos em sons e mensagens muitas vezes sublimares, é preciso que o leitor desse mundo esteja atento as diferentes apresentações de textos e formas comunicativas para que possa viver e se comunicar, é uma questão de necessidade de aprender para a própria sobrevivência no meio cada vez mais cheio de novas mensagens em diferentes formas de apresentação tecnológica.

[...] um indivíduo pode não saber ler e escrever, isto é, ser um analfabeto, mas ser, de certa forma, letrado (atribuindo a esse adjetivo sentido vinculado a letramento). Assim, um adulto pode ser analfabeto porque marginalizado social e economicamente, mas, se vive em um meio em que a leitura e a escrita têm presença forte, se se interessa em ouvir a leitura de jornais feita por um alfabetizado, se recebe cartas que outros lêem para ele, se dita cartas para que um alfabetizado as escreva (e é significativo que, em geral, dita usando vocabulá- rio e estrutura próprios da língua escrita), se pede a alguém que lhe leia avisos ou indicações afixados em algum lugar, esse analfabeto é, de certa forma, letrado, porque faz uso da escrita, envolve-se em práticas sociais de leitura e escrita. Da mesma forma, a criança que ainda não se alfabetizou, mas já folheia livros, finge lê-los, brinca de escrever, ouve histórias que lhe são lidas, está rodeada de material escrito e percebe seu uso e função, essa criança ainda é “analfabeta” porque ainda não aprendeu a ler e a escrever, mas já penetrou no mundo do letramento, já é de certa forma, letrada. (SOARES, 2001, p. 24)

Quem não souber interpretar e produzir pequenos textos será um analfabeto funcional e viverá a margem e na dependência de outro para traduzir os significados.

A questão a ser aqui discutida é sobre alfabetização e letramento, o que é alfabetizar? Para Soares (2008), alfabetização é um processo de representação de fonemas em grafemas e vice-versa, mas é também um processo de compreensão/expressão de significados por meio do código escrito.

Letramento é a compreensão do uso da escrita na sua prática social e em diferentes seguimentos.

... letramento é o resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e escrever: o estado ou a condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como consequência de ter-se apropriado da escrita (SOARES, 1998, p.18).

A criança desde muito cedo é atenta a histórias narradas, livros, revistas, figuras, rótulos, embalagens, vive em um mundo letrado, brinca de ler, e escrever, tem a noção desse mundo em suas diferentes apresentações, é preciso estender esse conhecimento na sala de aula enriquecendo com textos variados e as utilidades de cada um possibilitando a interpretação de cada texto, aprender a criar seus próprios textos, modificar, reescrever, decifrar, para que seja capaz de fazer a intermediação e a interação entre o que é ler e escrever.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Cabe, portanto, à escola viabilizar o acesso do aluno ao universo dos textos que circulam socialmente, ensinar a produzí-los e a interpretá-los. Isso inclui os textos das diferentes disciplinas, com os quais o aluno se defronta sistematicamente no cotidiano escolar e, mesmo assim, não consegue manejar, pois não há um trabalho planejado com essa finalidade (PCNs, 1997, p. 30).

Sobre os textos o que oferecer? Quais os gêneros? Todos é a resposta, pois no mundo fora da escola o aluno encontrará todos os tipos, é preciso ler para o aluno para que ele entenda o sentido e as diferentes entonações da leitura em diferentes textos.

A leitura é informativa, lemos para nos informar de tudo, para aprender, conhecer, imaginar e fantasiar.

As práticas de ensino em sala de aula feitas pelos professores sugerem a leitura de textos didáticos e verbetes, cartazes de apoio e trabalho escolares, seminários orais, reportagens e entrevistas, jornal falado, jograis, acrósticos, notícias, romances, fábulas, lendas, histórias simples, gibis, quadrinhos, poemas, trovas, adivinhas, contos, trava línguas, parlendas, adivinhações, piadas, mapas instruções, manuais, bulas, receitas, problemas, regras de jogo, folhetos, panfletos publicitários, informativos, cartas, telegramas, bilhetes, mensagens, artigos de opinião, verbete, ata, diário, manifesto, abaixo assinado, entre outros mais.

3. OBJETIVO

A aplicação desses textos deve ser trabalhada na sala de aula para desenvolver as habilidades de leitura e escrita diariamente, acompanhando sistematicamente, pois é preciso reconhecer e dar importância à complexidade do aprendizado e sua efetivação.

A aplicação da leitura e escrita depende do gênero textual e a discussão do grupo sobre o que fazer, a eficácia é garantida na aplicação e no interesse do grupo para a compreensão de todos.

Os gêneros textuais são formas culturais e cognitivas de ação social, estabilizadas ao longo da história, corporificadas de modo particular na linguagem, caracterizadas pela função sociocomunicativa que preenchem (BAKHTIN, 2000; MARCUSCHI)

Não é aconselhável trabalhar os textos prontos oferecendo apenas o preenchimento de perguntas e respostas determinadas na folha de atividade, todo texto não importando o gênero oferece uma rica possibilidade de interpretação, ação sobre a atividade, a limitação do trabalho resulta na limitação da aprendizagem.

Os textos devem ser trabalhados na proposta de: relatar, narrar, descrever, expor, opinar, argumentar.

Relatar: textos de memorização e documentação. Ex: notícias, relatos históricos.

Narrar: recriação da realidade Ex: lendas contos, fábulas.

Descrever ações: instruir e prescrever, Ex: receitas, regras, manuais.

Expor: textos destinados à construção e divulgação do conhecimento

Opinar e Argumentar: defesa do ponto de vista.

O trabalho com textos em salas de aula requer um planejamento da ação didática de tempo, a quebra ou interferência exterior no trabalho é prejudicial e requer que se reinicie em outra oportunidade, pois deve ser aplicado com concentração do grupo.

Magalhães e Yazbek (1999, p. 37), a esse respeito, afirmam que: são as observações, os registros de situações e as reflexões sobre essas observações que lhe possibilitam (o professor) distanciar-se de seu fazer e compreendê-lo de forma mais ampla, não mais como simples agir, mas como uma ação didática possível de ser generalizada e transferida para novas situações. Sem uma ação reflexiva, suas experiências, por melhores que sejam, mantém-se no âmbito da vivência, circunscritas àquele grupo e momentos únicos em que foram concebidas.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho do letramento está assim apresentado em todos os textos e seus diferentes gêneros tanto na apresentação escrita quanto na leitura porque de uma forma ou de outra é dado a interpretação de diferentes modos e compreensão de sua utilidade.

5. REFERÊNCIAS

BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, [1953] 2000.

BRAGA, Regina Maria. Construindo o leitor competente: atividade de leitura interativa para a sala de aula/Regina Maria Braga, Maria de Fátima Silvestre, - São Paulo: Petrópolis BRASIL, Ministério da Educação. Ensino Fundamental de nove anos. Nascimento Aricélia Ribeiro do. FNDE: Estação Gráfica, 2006.

BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: língua portuguesa: Ensino de primeira à quarta série. Brasília: 144p.

FERREIRO, Emilia. Com todas as letras. 7 ed. São Paulo: Cortez, 1999. _________. Reflexões sobre alfabetização. 24 ed. Atualizada. São Paulo: Cortez, 2001.

MAIA, Joseane. Literatura na formação de leitores e professores. São Paulo: Paulinas, 2007, (Coleção literatura & ensino).

MAGALHÃES, L.; YAZBEK, A. P. Parceria planejada entre o orientador e o professor. Seminário Intinerante. Recife: Centro de Estudos Escola da Vila, 1999. PURCELL-GATES, V. A.

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 1998.

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. p. 9-10.

SOARES, Magda. Alfabetização e Letramento. 5 ed. São Paulo: Contexto, 2008.


Publicado por: KATIA REGINA LASTORIA

  • SIGA O BRASIL ESCOLA
Monografias Brasil Escola