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Percepção de Professores e estagiários de escolas de futebol sobre a especialização esportiva precoce

Educação Física

Compreender os processos pedagógicos de ensino referenciados por professores e estagiários das escolas de futebol, analisar os pontos positivos e negativos da especialização esportiva na visão de professores e estagiários e verificar a possível influência de fatores externos (mídia, pais e responsáveis, coordenações, direções das escolas) na atuação dos professores e estagiários.

índice

1. RESUMO

O Brasil é considerado como sendo o país do futebol por todas as suas conquistas e diversos jogadores de alto nível. Dentro dessa premissa, as escolas de futebol, têm tido um papel importante tanto na formação cidadã de crianças e adolescentes quanto na propagação do esporte. Nesse contexto, a especialização esportiva precoce tem sido cada vez mais observada nas mais diversas realidades do país e tem como principal característica a realização de treinamentos de alta intensidade para indivíduos despreparados em vários aspectos. O objetivo da pesquisa foi identificar a percepção dos professores e estagiários das escolas de futebol sobre a especialização esportiva precoce e como está sendo o planejamento das aulas e quais fatores interferem. O estudo caracterizou-se como quantitativo, utilizando o levantamento como meio para coleta dos dados e como objeto descritivo. A amostra foi composta por 15 participantes, sendo 10 professores e 5 estagiários de escolas de futebol de Fortaleza, utilizando um questionário on-line para compreender como está sendo a ocorrência desse fenômeno nas escolas de futebol. Portanto, o grupo conhece esse fenômeno, entende seus processos, mas, compreende que é um encadeamento complexo, com diversos fatores negativos e que necessita ser bastante analisado pelas famílias com o devido acompanhamento dos professores e da coordenação das escolas.

Palavras-chave: Futebol. Especialização Esportiva Precoce. Ensino.

ABSTRACT

Brazil is considered to be the country of football for all its achievements and several high level players. Within this premise, the football schools have had a role important in civic education of children and teenagers as the spread of the sport. In this context, early sports specialization has been increasingly observed in the most diverse realities of the country and its main feature is conducting training for individuals unprepared in various aspects. The research objective was to identify the perception of teachers and interns of soccer school about early sports specialization and how the lesson planning is being and which factors interfere. The study was characterized as quantitative, using the survey as a means for data collection and with a descriptive object. The sample consisted of 15 participants, 10 teachers anda 5 interns from soccer schools in Fortaleza, using an online questionnaire to understand how this phenomenon is occurring in football schools. Therefore, the group is aware of this phenomenon, understand your processes, but, understands that it is a complex chain with several negative factors anda that it needs to be thoroughly analyzed by families, with due monitoring by teachers and school coordinators.

Keywords: Football. Early sports specialization. Teaching.

2. INTRODUÇÃO

A participação de crianças e adolescentes em atividades esportivas têm sido alvo de muitos estudos que reiteram sua importância em relação a diversos fatores, como a prevenção de doenças cardiovasculares, sedentarismo e uma população fisicamente ativa. Segundo dados da World Health Organization - WHO, crianças e adolescentes devem fazer pelo menos uma média de 60 minutos de atividade intensa moderada a alta por dia (WHO, 2020).

Dentro dessa premissa, o Brasil pode ter ganhado uma maior visibilidade às atividades físicas por ter sido o local escolhido para sediar algumas competições esportivas de abrangência internacional, como os Jogos Panamericanos de 2007, a Copa do Mundo de Futebol da Fifa em 2014 e os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. Pode-se considerar também um fator determinante para o engajamento em alguma prática esportiva, a influência da mídia através de suas transmissões esportivas.

Nesse contexto, houve um aumento na procura pelo Futebol, esporte mais popular e conhecido do país e dessa forma surgem novos questionamentos para profissionais e estudantes de Educação Física em relação às fases de iniciação esportiva e da especialização esportiva precoce. Compreende-se que a iniciação esportiva é marcada pela prática regular e orientada de uma ou mais modalidades esportivas. Seu objetivo imediato é dar continuidade ao desenvolvimento da criança de forma integral, não implicando em competições regulares (SANTANA, 1998). Na iniciação o foco primordial é ajudar no desenvolvimento integral das crianças e assim proporcionar o máximo de interações e movimentos possíveis, não tendo somente o viés técnico ou tático dos esportes evidenciados, mas, sim promover a ludicidade, interação social e sobretudo a formação de cidadãos que sejam fisicamente ativos no futuro.

Em contrapartida, a especialização esportiva precoce é o termo utilizado para expressar o processo pelo qual as crianças tornam-se especializadas em um determinado esporte em uma idade anterior àquela considerada adequada (BARBANTI, 2003). Dessa forma, esse fenômeno se caracteriza pelos vários treinamentos durante a semana com elevadas cargas e com viés totalmente voltado para o aumento do rendimento e a consequente participação em competições, sem levar em conta o desenvolvimento maturacional natural dos participantes.

Dessa forma, nesse processo, a descoberta de novos talentos esportivos e a especialização se torna o principal objetivo ao invés do desenvolvimento integral da criança, da dissipação da modalidade e a prática livre (COSTI et al., 2017).

Logo, o presente trabalho justifica-se pelas vivências do autor com a referida prática esportiva, tanto como atleta na infância, adolescência, na escola e em equipes amadoras, como em um segundo momento, através da graduação, com a experiência de estagiar em escolas de futebol, o que possibilitou o interesse sobre a temática em uma perspectiva mais crítica baseada na vivência diária que contribuiu para facilitar o processo da escrita. Além disso, essa temática pode influenciar o planejamento das escolas de futebol, consequentemente, no processo pedagógico dos profissionais e de estudantes de graduação que atuam com esta modalidade que podem se sentir pressionados por fatores externos, como os familiares e a realidade do futebol que induz que a especialização precoce seja cada vez mais cedo culminando com a revelação de novos talentos futebolísticos.

O número de crianças praticantes de um único esporte, com características de alto volume e intensidade de treinamento, tendo início antes da conclusão do ensino fundamental, cresce cada vez mais (REIS, 2018). Dessa forma, o papel do professor e dos estagiários se torna mais decisivo, por estarem lidando com faixas etárias cada vez menores, necessitando de um planejamento coeso e adequado.

Segundo Brenner (2016) e Laprade (2016) a especialização precoce além de não significar uma ferramenta para a criança tornar-se um atleta de sucesso, pode desencadear problemas de lesões, overtraining e síndrome de burnout. Nesse contexto, os entes que fazem parte desse contexto precisam ter ciência dos danos que a especialização pode causar nas crianças e adolescentes.

Dessa forma, espera-se que esse trabalho possa servir como base de dados para análise de outros graduandos e também para profissionais de Educação Física, tendo em vista que a especialização esportiva precoce é uma temática que está bem presente nos dias atuais. Entretanto, nem sempre é perceptível que esse processo esteja em curso e, por vezes, não conseguimos mensurar suas causas e consequências. Além disso, pode servir de motivação para novas pesquisas, formulação de novos questionamentos acerca dessa temática.

3. OBJETIVOS

3.1. Geral

Identificar a percepção de professores e estagiários de escolas de futebol sobre a especialização esportiva precoce.

3.2. Específicos

  • Compreender os processos pedagógicos de ensino referenciados por professores e estagiários das escolas de futebol;

  • Analisar os pontos positivos e negativos da especialização esportiva na visão de professores e estagiários;

  • Verificar a possível influência de fatores externos (mídia, pais e responsáveis, coordenações, direções das escolas) na atuação dos professores e estagiários.

4. REVISÃO DE LITERATURA

4.1. Futebol

O futebol moderno surgiu na Inglaterra durante o século XIX, entretanto, estudos relatam que em sociedades anteriores já existiam atividades parecidas. Galeano (2004) afirma que havia relatos de algo parecido com o futebol na idade média e que os reis condenavam essa prática, chegando até ser proibida durante os reinados de Henrique IV e Henrique VI. “O vestígio de prática similar ao futebol mais antigo do qual se tem conhecimento remonta à China de 3000 a.C. Somente em 1848, o esboço das primeiras regras foi concebido por alunos da Universidade de Cambridge, porém ainda havia muitas divergências com outros protocolos de regras da época” (SILVA, 2007, p. 01).

Entretanto, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) considera somente como data oficial do surgimento do futebol o ano de 1863, quando foi fundada na Inglaterra a The Football Association, a organização responsável pela gestão do futebol naquele país e que, com a união dos clubes e por meio do seu secretário geral Ebezener Corb Morley, foi instituído o “FA Minute Book’’, livro que continha as 13 regras fundadoras do futebol e, por consequência, marcava a divisão entre futebol e rugby (DIANA, 2020).

Com o passar do tempo e a consequente popularização do esporte ao redor do mundo, as regras foram aperfeiçoadas visando uma melhor jogabilidade e o entendimento universal sobre as disputas das partidas.

O ápice do futebol se materializa na Copa do Mundo da Fifa, torneio que reúne as melhores seleções de cada continente a cada quatro anos em um país sede, tendo sua primeira edição em 1930 no Uruguai e somente não foi realizada durante os anos de 1942 a 1946, devido a segunda guerra mundial. Este evento fica atrás somente das Olímpiadas em questão de organização, relevância e apelo mundial. O Brasil se destaca sendo o único a disputar todas as edições e por ser o maior campeão com cinco conquistas (1958, 1962, 1970, 1994, 2002).

O futebol passou por diversas transformações tanto de cunho técnico, quanto tático para que se chegasse no futebol que conhecemos atualmente. Nos primórdios como sua origem foi advinda do rugby, esporte mais viril, o aspecto da força era mais preconizado e as jogadas não tinham tanta dinamicidade. Dessa forma, ao longo do tempo os processos pedagógicos de treinamento foram sendo modernizados e adaptados em relação a cada realidade. Dessa maneira, os métodos mais utilizados no Brasil conforme Dietrich, Durrwachter e Schaller (1984) e Greco (1998) são os: analítico-sintético, global funcional e situacional com processos cognitivos.

O primeiro princípio trata de uma abordagem totalmente voltada para o aprendizado técnico de forma exaustiva e repetitiva, sem estar dentro do contexto do jogo em si. Trata-se de um método de repetição exaustiva de movimentos que, diante da premissa do desenvolvimento e aprimoramento técnico, pode desmotivar o aprendiz (GALATTI; PAES, 2007; MENEZES, 2010). Normalmente é utilizado em treinamento de crianças e adolescentes que estão começando a praticar o esporte e assim podem ter o primeiro contato com os gestos técnicos. A aplicabilidade desse método pelos professores pode ser de proveito, se houver dentro do planejamento atividades mais dinâmicas e atrativas que trabalhem os gestos motores de forma mais lúdica e aproximada a realidade do futebol.

O segundo método traz uma abordagem que utiliza jogos, mas que ainda ficam fora do padrão oficial do esporte em si, combinando elementos técnicos e táticos com a ludicidade buscando a resolução de problemas dentro das atividades. O jogo é tido como um elemento fundamental, no qual a adaptação das regras permite o acesso dos aprendizes aos conteúdos propostos (GALATTI et al., 2008). Dessa forma, os praticantes ficam mais interessados e se sentem ainda mais atraídos para dar continuidade na prática esportiva. O terceiro método é caracterizado como uma junção dos dois anteriores com o enfoque em situações realmente do jogo em si, entretanto, de forma condensada (duelos individuais, superioridade numérica e ataque contra defesa). É esperado que o atleta tenha uma noção de jogo mais apurada e consiga tomar as melhores decisões em curto espaço de campo e de forma mais ágil.

Os estudos de Memmert e Harvey (2010) e Ricci et al. (2011) apontam que o ensino por meio de situações de jogo é eficaz para o desenvolvimento do pensamento tático dos aprendizes, e para que esses entendam as razões de seus comportamentos. Dessa maneira, os alunos conseguem aprender uma forma mais concreta, entendendo os detalhes e tendo a oportunidade de ampliar seu repertório técnico e motor e assim conseguir resolver com mais eficiência as demandas solicitadas.

4.2. Crescimento e Desenvolvimento Infanto-Juvenil

O crescimento e o desenvolvimento são eventos geneticamente programados, da concepção ao amadurecimento completo (LOURENCO; QUEIROZ, 2010). Partindo dessa perspectiva, o professor de Educação Física deve ter ciência de que, apesar de ser algo inerente e inevitável, cada criança vai ter um desenvolvimento de maneira individualizada e que fatores como os hormonais, ambientais e socioeconômicos interferem de forma decisiva nesse processo.

Nesse contexto, o acompanhamento desse crescimento e desenvolvimento em conjunto com os responsáveis é de suma importância para auxiliar as crianças a compreenderem da melhor forma possível tudo que está acontecendo com o seu corpo e o que isso representa nas suas relações pessoais.

A evolução do desempenho motor na infância e na adolescência está fortemente associada aos processos de crescimento e maturação (BOJIKIAN et al., 2005). A criança não é uma miniatura do adulto e sua mentalidade não é só quantitativa, mas também qualitativamente diferente da do adulto, de modo que a criança não é só menor, mas também diferente (WEINECK, 1991). Dessa forma, para que sejam experiências exitosas em qualquer prática esportiva, os padrões e as exigências (se houverem) devem ser de acordo com cada nível de desenvolvimento e mesmo em turmas mais numerosas, respeitar a individualidade biológica de cada aluno.

Dessa maneira os modelos de desenvolvimento motor são fundamentados em sequências de acordo com divisão das faixas etárias e habilidades motoras pertinentes, classificadas como “habilidades motoras fundamentais” e “habilidades motoras especializadas” (ARENA; BÖHME, 2004).

A fase de habilidades motoras fundamentais é uma das mais importantes do desenvolvimento motor, começando aproximadamente no primeiro ano de vida e se estendendo até seis, sete anos de idade. Segundo Clark (1994) as habilidades motoras fundamentais aparecem em uma ampla variedade de esportes, de jogos e de outras atividades motoras nas quais nos engajamos. O que deve ser salientado é que, durante o desenvolvimento dessas habilidades, o indivíduo passa por três estágios distintos: 1) inicial; 2) elementar e 3) maduro (ISAYAMA; GALLARDO, 2008). O primeiro estágio considera o movimento ainda bem primitivo, imperfeito e que necessita de várias correções. Em relação ao segundo estágio, o movimento consegue ser mais trabalhado, mas o praticante em si ainda não consegue a condição de adquirir a perfeição, entretanto, no terceiro estágio o movimento se torna completo e se assemelha ao de um adulto totalmente formado. Para que o aluno consiga atingir essa qualidade na execução do movimento necessita de um planejamento bastante organizado e de estímulos adequados.

Dessa maneira, durante o processo de aprendizagem conforme vai havendo a progressão, as habilidades específicas se tornam naturais para os praticantes. Os autores reforçam a dificuldade destes em desenvolver treinamentos que conduzam a novos patamares motores que incorporem as variadas habilidades utilizadas em um jogo específico (PÍFFERO; VALENTINI, 2010).

Nesse contexto, os professores e auxiliares sentem dificuldades na inserção de novas habilidades e em consequência disso em saber o momento exato para que esse incremento seja benéfico e que tenham implicações positivas em todos os âmbitos (motor, afetivo, psicossocial). Além disso, as habilidades propostas precisam ser compatíveis com o desenvolvimento dos alunos, pois, nem pode ser tão fáceis ao ponto de realizarem de forma despretensiosa e assim a atividade perder o propósito e nem tão avançadas que não possam ser completadas, gerando assim frustrações, e porventura, um desinteresse pela prática esportiva.

O enfoque das aulas é direcionado para à prática do jogo como meio de desenvolver habilidades específicas e a prática de habilidades específicas como meio de se manter efetivamente atuante no jogo (VALENTINI; TOIGO, 2005). Por essa linha de raciocínio, após o trabalho mais analítico com as habilidades fundamentais, as habilidades específicas seriam trabalhadas de forma mais eficiente dentro dos jogos em si, incentivando os alunos a terem mais contato com as situações problema e os forçando a utilizar novas formas de resolução.

Para a aquisição de habilidades motoras é imprescindível a percepção do indivíduo sobre seu próprio desempenho e as informações provindas do professor (PÍFFERO; VALENTINI, 2010). Dessa maneira, o profissional e os seus auxiliares precisam ter bastante controle emocional e saberem o momento certo de realizar feedbacks, sejam eles positivos ou negativos, ponderar as palavras, discernimento de compreender as características de cada aluno e prezar que os conselhos positivos promovam motivação e confiança aos seus alunos e que, somente de forma particular realizar, se forem necessárias, críticas.

4.3. Iniciação esportiva versus Especialização esportiva

4.3.1. Iniciação Esportiva

A iniciação esportiva é o período no qual a criança começa a aprender, de forma específica, a prática de um ou vários esportes (RAMOS; NEVES, 2008). É nesse período que a criança necessita ter contato com várias práticas esportivas e ser estimulada da melhor maneira possível, visando a aprendizagem dos mais variados movimentos e visando que o seu processo formativo seja integral e tenha como foco principal a formação de cidadãos e que esteja acima da formação puramente esportiva.

Esse processo da iniciação esportiva está sendo cada vez mais precoce, tanto por fatores familiares como por exemplo o sentimento do pai querendo que o filho seja o que ele não conseguiu atingir, criando uma expectativa ainda maior para que o sucesso esportivo seja atingido. Além disso, a mídia enaltece, de forma cada vez mais incisiva, o sucesso dos grandes atletas.

No contexto em que estamos inseridos, pelo aumento do sedentarismo e de doenças cardiovasculares em crianças e adolescentes, a prática de atividade esportiva é de suma importância para a saúde e o desenvolvimento de uma população fisicamente mais ativa. Porém, a condução desse processo pode ocorrer de forma inapropriada, visando apenas atingir as metas das instituições (clubes, escolinhas, academias) ou somente revelar talentos para outras equipes.

A iniciação no esporte, na ótica da formação global do jovem, é uma iniciativa louvável dos pais, professores e outras pessoas envolvidas no processo de formação do ser humano (GOMES, 2009). Além de todos os aspectos motores e da importância para o desenvolvimento físico, o esporte ainda proporciona o trabalho em equipe, cooperação, liderança, sentimento de pertencimento a um grupo e proporciona situações que são de extrema importância para o crescimento das crianças e adolescentes, que vão desde a euforia de fazer um gol decisivo em um simples jogo coletivo a perder o pênalti decisivo, assim aos poucos vão aprendendo a lidar com as situações problema da vida de uma maneira geral e assim conseguindo ao longo do tempo controlar as ações.

Estes devem também ser estimulados a construir novas formas, técnicas e regras, estimulando sua criatividade (MORENO; MACHADO, 2006). Partindo dessa afirmação, dentro do processo da iniciação esportiva, a criança no primeiro momento somente repete as ações ditas pelos seus professores e respectivos auxiliares, mas, com o passar do tempo começa a desenvolver um entendimento maior sobre o jogo, sendo assim, com mais confiança começa a ocupar melhor os espaços, ter decisões mais rápidas em situações problema e consequentemente se sente mais feliz nessa prática esportiva.

Segundo Oakley (1998), a prática esportiva pode ser relacionada a três razões: habilidades e características, influência da família e oportunidades de experiências bem sucedidas. Dessa forma, precisa-se ter o discernimento de cada realidade e o porquê da busca do aluno por determinada modalidade e assim conseguir gerar experiências exitosas garantindo a continuidade do aluno na prática esportiva.

Nos estudos de Piaget (1980), o autor afirma que a criança, em um ambiente competitivo precoce, confunde as regras com objetivos por causa do seu realismo e por seu egocentrismo. Partindo desse pressuposto, na iniciação esportiva, precisa-se ter cuidado com a realização de torneios, competições, mesmo sabendo que o esporte, sobretudo para as idades iniciais (5 a 7 anos), tem o caráter festivo e lúdico. Desse modo, a condução de um processo de iniciação esportiva precisa ser bastante minucioso e trabalhar todos os aspectos inerentes ao esporte de forma adequada e ser bem conduzida nos ambientes externos da prática esportiva.

A iniciação esportiva é um tema bastante recorrente e vem sendo estudado a muito tempo, segundo Almeida (2005) afirma que na década de 1970 encontra-se vasta bibliografia de autores estrangeiros sobre o assunto e, na década de 1980, essa preocupação passa a ser também dos autores nacionais. Atualmente é possível encontrar crianças de 8-9 anos, em disputas competitivas nas modalidades de ginástica rítmica desportiva, ginástica artística, judô, futebol e outras (FECHIO et al., 2011).

Essa realidade tem tido bastante influência dos países que são potências olímpicas como os Estados Unidos da América, China, Rússia, onde as crianças quando são detectadas com habilidades mais desenvolvidas em determinado esporte, em muitos casos, são submetidas a processos de treinamento mais rigorosos visando a obtenção de êxitos esportivos nas competições.

4.3.2. Especialização Esportiva

A especialização esportiva precoce consiste em uma forma de treinamento que não coaduna com as características da fase maturacional dos praticantes (MARQUES, 2000). Nesse processo, crianças e adolescentes são submetidas a vários treinamentos intensos semanais e sofrem uma pressão exacerbada (em grande parte dos casos) por resultados positivos em competições pré-estabelecidas no planejamento anual das escolas, clubes e centros de treinamento. É um fenômeno silencioso e que se notabiliza pela utilização de parâmetros, métodos de preparação idênticos aos dos adultos.

Baker (2003) destaca que a especialização esportiva precoce, vinculada à busca por resultados excelentes ainda na infância, não pode ser confundida com a participação lúdica de crianças em uma única modalidade esportiva. Nesse contexto, todos os responsáveis pelo processo de desenvolvimento infantil das crianças nos esportes precisam estar cientes das metodologias, objetivos dos espaços que oferecem as práticas esportivas e trabalhar o psicológico dessas crianças para que vivam a infância da melhor maneira possível e que o esporte seja uma forma de lazer e divertimento, mesmo que tenha talento, para tal prática esportiva.

Partindo desse pressuposto, não se tem a certeza de que o talento esportivo mostrado na infância e adolescência e o consequente sucesso esportivo tenha a mesma ocorrência em fases superiores. Dessa maneira, a pressão que crianças sofrem, pode ser que não tenha nenhuma influência na formação de novos jogadores e em uma consequente continuidade em alguma prática esportiva.

Diante disso, a especialização esportiva precoce tem alguns benefícios e malefícios, que estão cada vez mais sendo estudados, de acordo com Bento (2006) o treinamento precoce pode melhorar a autoestima, a segurança e a sociabilidade acreditando que os exercícios físicos e o esporte são de fundamental importância para um bom desenvolvimento físico, psíquico e social da criança.

Em contrapartida, Kunz (1994) diz que os maiores problemas que um treinamento especializado precoce provoca sobre a vida da criança e especialmente seu futuro, após encerrar a carreira esportiva, podem ser enumerados como: formação escolar deficiente, devido à grande exigência em acompanhar com êxito a carreira esportiva onde os alunos, devido ao excesso de treinamentos e a participação em competições (inclusive em outros estados e países), acabam perdendo aulas e avaliações, comprometendo os anos letivos e ainda pode-se dizer deixando de lado uma grande oportunidade de concluir os estudos de forma eficiente para terem mais uma opção de seguimento na vida.

O segundo aspecto é a unilateralização de um desenvolvimento que deveria ser plural, ainda na fase de aprendizagem motora geral, pois precisam ter todas as experiências possíveis nos mais diversos esportes, e na realidade, por conta de participarem de times esportivos ou de apenas uma modalidade específica, em muitos casos, ficam isentos das aulas de Educação Física;

O terceiro aspecto se refere a uma reduzida participação em atividades, brincadeiras e jogos do mundo infantil, indispensáveis para o desenvolvimento da personalidade na infância, devido a intensa exigência física para a disputa de uma modalidade específica, as crianças ficam privadas de participar de atividades mais lúdicas e importantes para o seu desenvolvimento integral.

Dentro dessa realidade ainda podem existir problemas físicos, que segundo Marques e Oliveira (2001) relatam existir a ocorrência de lesões resultantes da aplicação sistemática de cargas unilaterais/especializadas prematuramente.

Santana (2005) acrescenta mais alguns riscos da especialização precoce na criança: estresse de competição: que se caracteriza por um sentimento de medo e insegurança, causado principalmente por conflitos oriundos de uma prática excessivamente competitiva e saturação esportiva: que se manifesta quando a criança apresenta sinais de desânimo (enjoo) e desinteresse em continuar a prática do esporte.

O primeiro aspecto trazido por Santana (2005) pode ser caracterizado pela falta de confiança da criança em realizar seus movimentos dentro das partidas e em vários casos pode ter influência do trato da comissão técnica com a criança, onde a cobrança se sobrepõe ao incentivo. Em relação ao segundo aspecto, pode-se caracterizar como uma das piores consequências da especialização esportiva precoce, onde a criança quando tem alguma decepção muito grande ou se esgota fisicamente, perde o prazer pelo esporte e acaba desistindo, o que pode ter um efeito duradouro e até inibir a participação em outra modalidade no futuro.

4.3.3. Especialização esportiva precoce no futebol

O futebol, muito mais que uma paixão nacional, é capaz de provocar fascínio e devoção de seus apreciadores e têm se mostrado como uma ótima alternativa de investimento financeiro (REILLY; BANGSBO; FRANKS, 2000). Dessa maneira, conforme o tempo foi passando o futebol foi sendo ainda mais inserido dentro da nova ordem mundial, com os mercados cada vez mais interligados, clubes gerando milhões em receitas e transferências de jogadores se tornaram mais frequentes.

Diante dessa constatação, o Brasil que historicamente já possuía o rótulo de país exportador de grandes talentos esportivos, se intensificou ainda mais na busca de grandes talentos de forma mais precoce possível, refletindo nas categorias iniciais e no trato dos professores com diversas questões (emocional dos praticantes, questões táticas e técnicas do jogo, olhar mais crítico dos pais e responsáveis, pressões por vitórias constantes e captadores de grandes equipes).

A prática pedagógica dentro de escolas de futebol não deve se resumir em apenas ensinar o devido esporte, mas também outros fatores como discutir regras, casos de violência no esporte (SILVA, T.; SILVA, C.; PAOLI, 2011). Nesse contexto, o intuito sobretudo nas categorias iniciais (5, 7, 9 anos) e nas demais categorias (sub 11, 13, 15) é formar cidadãos que possam desempenhar aspectos esportivos de forma respeitosa, harmoniosa e que estejam preparados para a vida fora dos gramados.

Os treinamentos na categoria inicial, são mais recreativos, voltados para a aclimatação das crianças, circuitos coordenativos e bastante ludicidade. Na categoria sub 7, o trabalho mais técnico e das valências físicas começa a ser realizado agregado com a ludicidade. Na categoria sub 9, as crianças já começam a ter um entendimento maior sobre o jogo, os movimentos já conseguem ser mais naturais e as competições mesmo dentro dos treinamentos tendem a aumentar de intensidade. Nas categorias acima, que engloba, do sub 11 ao sub 15/16, o treinamento não perde seu caráter de divertimento, entretanto, a parte técnica e tática dos aspectos do jogo é bem mais trabalhada, visando possíveis competições.

A competição no futebol inicia-se muito cedo, onde se veem campeonatos para crianças de 4 e 5 anos, nos quais pais e professores buscam o melhor resultado e não apenas a participação das crianças (BARBIERI; BENITES; MACHADO, 2008). Muito pela influência dos pais, a criança ingressa nas escolinhas de futebol como uma forma de lazer, divertimento e interação com outras crianças. Nesse contexto, o início é uma realidade bem diferente para as crianças, obedecer aos professores e estagiários, saber compreender os valores que norteiam os esportes, ter mais controle emocional, começar a entender as noções do trabalho em equipe, conhecer as possíveis limitações e potencialidades dos seus colegas.

A “evolução” do Futebol, enquanto jogo desportivo coletivo, tem passado, cada vez mais, pelo estudo e sistematização de elementos relativos a duas realidades interdependentes: o jogo e o jogador (GARGANTA, 1991).

Dessa forma, devido a modificação dos sistemas de jogo, maior dinamicidade e velocidade das partidas, e a exigência mais vigorosa das valências físicas, por consequência houve a influência no trabalho nas categorias iniciais, com diversas adequações aos modelos dos adultos.

Dessa maneira, a prática toma um rumo voltado ao esportivismo, com o professor e seus auxiliares tornando-se muito mais técnicos, objetivos, tendo o enfoque somente no desempenho e não nas vivências que o esporte pode proporcionar e ainda desde cedo começam a aplicar conceitos táticos e técnicos, e em muitas realidades, as crianças ainda não estão preparadas para tal exigência.

Além disso, hoje, por exemplo, a busca pelo jogador com idade entre doze e treze anos é muito grande e o garoto é levado a se especializar em uma dada posição e cobrado dele resultados imediatos (SILVA, T.; SILVA, C.; PAOLI, 2011). Dessa forma, o mercado de transferências está cada vez mais dinâmico, pois, os clubes estão dando prioridade para jogadores que estejam mais “prontos” para desempenhar as funções pretendidas, e isto, na maioria dos casos pode ser conseguido através de um trabalho bem feito nas categorias de base.

Dentro desse contexto do mercado de transferências, o Brasil teve que fazer alguns ajustes nas legislações, visando coibir o assédio de clubes a crianças e adolescentes e assim foi instituída no ano de 1998 a Lei N° 9.615, conhecida popularmente como “Lei Pelé”, que na seção V, capítulo V e no Art. 29, trata que a partir de 16 anos de idade pode-se assinar um contrato de trabalho especial e que esse vínculo não pode superar cinco anos (BRASIL, 1998). Essa lei também traz aspectos relacionados a toda a assistência que os clubes devem ter com os adolescentes em questões médicas, psicológicas, de alojamento e de garantia de acesso ao ensino regular.

5. METODOLOGIA

5.1. Tipo de estudo

O estudo ocorreu de forma descritiva com abordagem quantitativa e uso do levantamento como procedimento de coleta de informações. Segundo Prodanov e Cristiano (2013), a pesquisa descritiva é caracterizada “quando o pesquisador apenas registra e descreve os fatos observados sem interferir neles.” (p. 52). Já a abordagem quantitativa significa traduzir em números opiniões e informações para classificá-las e analisá-las.’’ (p. 69).

Além disso, apresenta o levantamento como forma de coleta de dados, que consiste em indagações mais diretas e objetivas que necessitam de grupo mais numeroso para posterior trato dos dados. Com isso, “os levantamentos se tornam muito mais adequados para estudos descritivos do que para os explicativos’’ (GIL, 2017, p. 56).

5.2. Local da pesquisa

A pesquisa foi realizada em algumas escolas de futebol da cidade de Fortaleza, nos mais diversos bairros, sem limitação específica de distância e em virtude da pandemia da COVID-19, foi realizada de forma virtual. Dessa maneira, a abordagem com os possíveis participantes da pesquisa e o envio do questionário foram realizados por meios virtuais.

5.3. Período da pesquisa

A pesquisa foi realizada entre os meses de maio e julho de 2021.

5.4. População e amostra

A população da pesquisa constou com professores e estagiários de Educação Física de algumas escolas de futebol de Fortaleza. Após buscas no Instagram com a palavra chave “escolas de futebol”, as escolas foram selecionadas, desde que tivessem localizadas na cidade de Fortaleza. Buscou-se também entrar em contato diretamente com professores e estagiários via “WhatsApp”, devido o contato do autor com alguns desses profissionais e graduandos. Dessa maneira, 21 escolas de Fortaleza foram selecionadas e 6 responderam ao contato, e em seguida o recebimento do formulário, onde houveram 15 participantes, sendo 10 professores (graduados em Educação Física) e 5 estagiários (graduandos em Educação Física).

5.5. Seleção da amostra

Foram selecionados para participação na pesquisa, professores e estagiários de escolas de futebol em Fortaleza com no mínimo de 1 ano de experiência na atuação com o futebol.

Foram excluídos da amostra professores e estagiários que exerciam funções de coordenadores das escolas e questionários que não foram devolvidos dentro do prazo estabelecido.

5.6. Coleta de Dados

A coleta de dados foi realizada por meio de um formulário construído na plataforma Google Forms, devido ao momento atual vivido no mundo, com a questão do distanciamento social e assim não gerar risco para os participantes. O formulário foi elaborado a partir do questionário (APÊNDICE A) que conteve 9 questões objetivas e 4 subjetivas e o contato foi realizado através dos e-mails dos possíveis participantes, além da utilização das redes sociais (Whatsapp, Instagram).

5.7. Análise dos dados

A abordagem utilizada foi a quantitativa, sendo aplicado o uso da plataforma Microsoft Excel onde foram utilizadas análises estatísticas descritivas, com o emprego de testes de frequências (absolutas e relativas), médias e desvios padrões.

5.8. Aspectos Éticos

Com relação aos aspectos éticos e legais da pesquisa, estiveram de acordo com a Resolução Nº 466, de 12 de dezembro de 2012 do Conselho Nacional de Saúde/Ministério da Saúde, que trata da pesquisa com seres humanos, respeitando a dignidade, liberdade e a autonomia dos participantes, ponderação entre riscos e benefícios, tanto conhecidos como potenciais, individuais ou coletivos, comprometendo-se com o máximo de benefícios e o mínimo de danos e riscos (BRASIL, 2012). Todos os participantes assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE B) que esclareceu todos os objetivos da pesquisa, e lhes garantiu o sigilo total de todas as informações que forem fornecidas, bem como o direito de se retirarem do estudo quando desejarem e que não houve nenhum prejuízo.

6. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados do presente trabalho foram apresentados, primeiramente, com a caracterização da amostra, onde professores e estagiários de escolas de futebol foram questionados através de um formulário intitulado “Percepção de professores e estagiários de escolas de futebol de Fortaleza sobre a especialização esportiva precoce”. Dessa forma, os dados foram todos apresentados na integra e na mesma ordenação em que as questões se encontram no formulário e logo em seguida, foi realizada a discussão do presente trabalho. A amostra conta com 15 participantes, sendo 10 profissionais de Educação Física correspondendo a 66,7% das respostas e 5 graduandos em Educação Física correspondendo a 33,3 % das respostas (graduandos são intitulados de estagiários nos locais de atuação) (Gráfico 1).

Gráfico 1 – Identificação do quantitativo de professores e estagiários participantes da amostra. Fortaleza, Ceará, 2021

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Fonte: Elaborado pelo autor (2021).

Os participantes foram perguntados em relação ao tempo em que lecionam (no caso dos professores) e que estagiam (no caso dos estagiários) e os resultados ficaram divididos em três das quatro alternativas existentes, a opção “mais de 2 anos” ficou com 60% das respostas, a opção “entre um 1 e 2 anos’’ (26,7%) das respostas e a opção “1 ano” ficou com (13,3%) das respostas e a opção “2 anos” não teve nenhuma resposta (Gráfico 2).

Gráfico 2 – Identificação do tempo de trabalho/estágio de professores e graduandos em escolas de futebol. Fortaleza, Ceará, 2021.

Fonte: Elaborado pelo autor (2021).

A pesquisa trouxe um questionamento em relação a quantas escolas os participantes já haviam sido inseridos e feito parte dos projetos. As alternativas ficaram dispostas da seguinte forma: 1 escola; 2 escolas; 3 escolas; mais de 3 escolas. A primeira alternativa contou com 2 respostas (13,3%); a segunda alternativa contou com 4 respostas (26,7%); a terceira alternativa contou com 3 respostas (20%) e a última alternativa contou com 6 respostas (40%) (Gráfico 3).

Gráfico 3 – Quantitativo de escolas em que os participantes da pesquisa tiveram experiências. Fortaleza, Ceará, 2021.

Fonte: Elaborado pelo autor (2021).

Em relação às faixas etárias que os participantes trabalham ou estagiam atualmente foi possível observar que houve respostas para todas as faixas etárias, ocorrendo prevalência da faixa etária de 9 a 11, com 4 respostas totalizando (26,7%). Vale ressaltar também as respostas da faixa etária 5 a 8 anos, demonstrando que as escolinhas possuem uma grande procura pelas faixas etárias menores, que significa um ensino mais voltado para a iniciação esportiva e a ludicidade. Os outros itens colocados também tiveram respostas, e também houveram respostas de acordo com cada realidade dos participantes (Gráfico 4).

Gráfico 4 - Faixas etárias em que os participantes da pesquisa trabalham ou estagiam atualmente. Fortaleza, Ceará, 2021.

Fonte: Elaborado pelo autor (2021).

No que se refere a iniciação esportiva no futebol os participantes foram perguntados se teria um papel relevante (utilizando a escala de Likert: Muito Irrelevante, Irrelevante, Indiferente, Relevante e Muito relevante) em relação às habilidades motoras fundamentais essenciais, quase a totalidade das respostas consideraram sendo muito relevante (93,3%) Dessa forma, pode-se considerar que os professores e estagiários tiveram opiniões semelhantes Esses dados reforçam a importância de se trabalhar as habilidades motoras desde muito cedo e atestam que os participantes utilizam de forma bastante positiva em suas aulas. (Gráfico 5).

Gráfico 5 - A opinião dos participantes sobre a iniciação esportiva no futebol e seu papel sobre as habilidades motoras fundamentais. Fortaleza, Ceará, 2021.

Fonte: Elaborado pelo autor (2021).

Os participantes da pesquisa foram perguntados se alguns fatores externos poderiam influenciar de forma negativa o processo de treinamento e o andamento das aulas. Com 14 respostas representando (93,3%,) eles afirmaram que a pressão dos pais e responsáveis é o fator que mais pode minimizar os resultados dos alunos, vale ressaltar que um participante escolheu a alternativa “outros” e fez um comentário elencando um ranking dos fatores citados trazendo para a realidade vivida por ele (Gráfico 6).

Gráfico 6 - Fatores que mais podem influenciar as aulas das escolas de futebol, na visão dos professores e estagiários. Fortaleza, Ceará, 2021.

Fonte: Elaborado pelo autor (2021).

Os participantes foram perguntados em relação ao conhecimento que eles possuem sobre a iniciação esportiva, suas características principais e sua utilização nas aulas. Houve um consenso, pois todos os componentes assinalaram a mesma alternativa, totalizando (100%) dos resultados. Vale ressaltar que todos os participantes conhecem esse método, mostrando um domínio dos conteúdos e das vivências que fazem parte desse contexto (Gráfico 7).

Gráfico 7 - A posição dos constituintes da pesquisa em relação a iniciação esportiva, suas características e utilização nas aulas. Fortaleza, Ceará, 2021.

Fonte: Elaborado pelo autor (2021).

No que se refere a especialização esportiva precoce, os participantes da pesquisa foram perguntados se conheciam esse processo que é inserido nas vertentes de esporte competitivo e se o utilizavam e teriam contato nas suas aulas. A maioria mencionou que conhece, mas não utiliza e nem observa esse método, totalizando (60%) das respostas. Uma parcela mencionou que conhece e utiliza esse método (professores) totalizando (20%) do percentual das respostas, em relação aos estagiários (13,3%) mencionaram que observam nas aulas que participam e (6,7%) não observam nas aulas que participam. Destaca-se que a opção “não sei’ não teve nenhuma menção, mostrando que os profissionais e os estagiários perguntados possuem ciência dos mais variados métodos que norteiam as aulas das escolas de futebol (Gráfico 8).

GRÁFICO 8 - Conhecimento dos participantes da pesquisa sobre a especialização precoce e possível utilização nas aulas. Fortaleza, Ceará, 2021.

Fonte: Elaborado pelo autor (2021).

Ainda em relação a especialização esportiva precoce, os participantes foram perguntados se essa realidade é constatada nas escolas onde trabalham ou estagiam. Através de uma escala de likert (Pouco frequente, frequente, inexistente, muito frequente, extremamente frequente) maioria dos participantes alegou que essa prática é pouco utilizada nas escolas em que fazem parte, com 7 respostas (46,7%). Pode-se frisar as 3 respostas (20%) na opção “Muito frequente” e as 2 respostas (13,3%) na opção “Frequente” e as 3 respostas (20%) na opção “Inexistente”, mostrando que a especialização precoce está presente, mas, que esses valores possuem dependência em relação aos princípios, virtudes da escola, e a opção “Extremamente frequente” não obteve nenhuma menção (Gráfico 9).

GRÁFICO 9 - Constatação da realidade sobre a especialização esportiva precoce nos locais onde trabalham ou estagiam os participantes da pesquisa. Fortaleza, Ceará, 2021.

Fonte: Elaborado pelo autor (2021).

Em relação aos fatores negativos da especialização esportiva precoce, os participantes foram indagados a escolher o aspecto que, na opinião deles, seria o mais prejudicial e mais visto dentro das realidades vividas por eles. A opção “saturação e abandono da prática esportiva obteve (66,7%) das respostas'', seguido pelas opções “Unilaterização dos movimentos” e “Problemas psicológicos” com (13,3%) cada uma e pôr fim a opção “Todos” com (6,7%). Vale a ressalva de que a opção “Aparecimento de lesões” não obteve nenhum voto dos entrevistados, e apesar de ser um fator bastante comum em diversos esportes, inclusive o futebol, (quando se trabalha com altas cargas de treinamento e de forma bem intensa), não fora citado como um fator determinante da especialização esportiva precoce na opinião dos participantes (Gráfico 10).

GRÁFICO 10 - Fator mais negativo da especialização esportiva precoce na visão dos participantes da pesquisa. Fortaleza, Ceará, 2021.

Fonte: Elaborado pelo autor (2021).

No que concerne ao processo de ensino aprendizagem realizado pelos professores com ajuda dos estagiários nas escolas de futebol, os participantes da pesquisa responderam de forma subjetiva, quais eram os processos de ensino aprendizagem e quais aspectos que eram mais potencializados em suas aulas. Com isso, no gráfico a seguir foram apresentadas as respostas obtidas em formato quantitativo, com os tópicos indicando quais foram os temas mais citados nas respostas observando-se uma prevalência de metodologias voltadas ao lúdico com 5 respostas (33,4%), esporte participativo, desenvolvimento de aspectos psicomotores e cognitivos e fundamentos do esporte com 3 respostas cada (20%) e o foco no rendimento esportivo com uma resposta (6,6%) (Gráfico 11).

Gráfico 11 - Processos de ensino e aprendizagem aplicados pelos participantes da pesquisa. Fortaleza, Ceará, 2021.

Fonte: Elaborado pelo autor (2021).

Em relação ao tipo de treinamentos que são utilizados em suas aulas ou que são observados de forma participativa por parte dos estagiários. Os participantes responderam de forma subjetiva quais eram os tipos de treinamentos mais frequentes nas aulas. Dessa maneira, a ludicidade se mantém presente, afirmando os dados obtidos na questão anterior em conjunto com os jogos cooperativos e a tentativa de inclusão de todos os alunos. Entretanto, houve um consenso pelo uso dos treinamentos voltados aos fundamentos do esporte com 6 respostas (40%) (passe, domínio, condução de bola e finalização) com a utilização de métodos analíticos, globais de acordo com as faixas etárias. Outro ponto bastante citado foram os treinamentos situacionais com 4 respostas (26,6%) que são treinamentos que simulam situações que podem ocorrer durante a partida, normalmente são utilizados conforme o nível da turma e que dão um complemento bastante efetivo em conjunto com as outras metodologias aplicadas, mini jogos e brincadeiras tiveram 3 respostas (20%) e os treinamentos físicos e técnicos com 2 respostas (13,3%) (Gráfico 12).

Gráfico 12 - Tipos de treinamentos mais utilizados pelos participantes da pesquisa nas aulas. Fortaleza, Ceará, 2021.

Fonte: Elaborado pelo autor (2021).

A respeito sobre como evitar fatores negativos relacionados à especialização esportiva, os participantes foram perguntados sobre quais eram os métodos mais utilizados e que poderiam ser observados de forma bem evidente dentro de suas práticas. De maneira subjetiva, os participantes elencaram os aspectos mais comuns utilizados em suas vivências e dessa maneira muitas respostas ficaram idênticas e no quadro a seguir, as respostas que mais foram citadas pelos participantes. Ressaltar o caráter mais educativo das aulas, com o enfoque na participação, ludicidade, ampliação do repertório motor e cognitivo (Quadro 1).

Quadro 1 - Tipos de treinamentos utilizados para evitar efeitos da especialização esportiva. Fortaleza, Ceará, 2021.

TIPOS DE TREINAMENTOS UTILIZADOS PARA EVITAR EFEITOS DA ESPECIALIZAÇÃO ESPORTIVA PRECOCE

  • Abordagens mais globais;

  • Ludicidade;

  • Estimular a participação de todos;

  • Informações claras e objetivas;

  • Máxima variação dos movimentos;

  • Evitar o uso de muitas repetições;

  • Estimular a tomada de decisão;

  • Adaptação aos níveis das turmas;

  • Respeitar a individualidade dos alunos;

  • Evitar a competitividade excessiva.

Fonte: Elaborado pelo autor (2021).

Com relação a especialização esportiva precoce, os participantes foram perguntados sobre quais fatores eles achavam que seriam positivos ou negativos desse fenômeno. De forma subjetiva, houveram muitos argumentos em comum, que foram compilados e apresentados em formato de quadro. Nota-se que os argumentos positivos de ambas as categorias (professores e estagiários) são focados na questão benéfica do esporte, como o estímulo ao trabalho em equipe, disciplina para os treinamentos, aptidão física, aquisição de habilidades específicas e os argumentos negativos são mais voltados para o caráter individual do indivíduo, com a possível ocorrência de lesões, estresse de competição, problemas psicológicos e um crescimento e desenvolvimento maturacional desordenado (Quadro 2).

Quadro 2 - Fatores positivos e negativos da especialização esportiva precoce na visão dos participantes da pesquisa. Fortaleza, Ceará, 2021.

PONTOS POSITIVOS

PONTOS NEGATIVOS

  • Estímulo à competitividade;

  • Trabalho em equipe;

  • Maiores investimentos e mais oportunidades;

  • Preparação mais apurada para o alto rendimento;

  • Trabalho de habilidades específicas;

  • Desenvolvimento físico e intelectual;

  • Senso de independência e responsabilidade;

  • Desenvolver talentos para o esporte;

  • Saturação esportiva;

  • Tornar a criança/jovem individualista;

  • Lesões;

  • Frustrações;

  • Pular etapas de crescimento e desenvolvimento;

  • Estresse de competições;

  • Unilaterização dos movimentos;

  • Pressão excessiva de pais e responsáveis;

  • Problemas psicológicos (depressão, baixa autoestima);

  • Possível abandono estudantil;

  • Especialização de posições;

  • Não usufruir de outras atividades e esportes por conta do foco no futebol;

Fonte: Elaborado pelo autor (2021).

As mudanças na vida privada interferiram diretamente na vida social, principalmente, na socialização da educação dos filhos por diferentes agências educativas (PROST; VICENT, 2009). Conforme a fala acima, as escolas de futebol ganham muita força nesse processo de ajudar na criação e no desenvolvimento de crianças e adolescentes, ainda mais, quando se trata de Brasil, conhecido por muitos como o “País do Futebol”, onde as crianças nutrem desde cedo um sonho de serem jogadores de futebol e as escolinhas ajudam nessa busca e também cumprem um papel de manterem viva a cultura do futebol, promoção e participação de todos no esporte e diversas formas de obtenção de êxito.

Dentro desse contexto, o Brasil é um grande formador de bons jogadores, tanto pela imensa procura pela prática, quanto pela cultura do futebol instaurada no país. Dessa maneira, as escolinhas possuem o papel de ser o primeiro local de contato e, dependendo dos valores empregados, podem intensificar treinamentos e condições para que as crianças e jovens se tornem jogadores cada vez mais cedo, e com isso, influenciarem o desenvolvimento e crescimento maturacional em diversas ocasiões.

Nos estudos de Loureiro (2008) constatou-se que a formação de crianças e adolescentes é bastante complexa, multivariada e extremamente dinâmica. Dessa maneira o ensino de futebol por parte das escolinhas de uma maneira formal pode contribuir de maneira decisiva em diversos aspectos, interação com o ambiente, autoconfiança, trabalho em equipe, lidar com diferentes emoções e trabalhar aspectos físicos, cognitivos. No presente trabalho esse dado fica claro no gráfico 5, onde (93,3%) dos participantes consideraram muito relevante o trabalho realizado na iniciação esportiva que colabora com o desenvolvimento e aperfeiçoamento das habilidades motoras essenciais.

Os participantes da pesquisa foram perguntados com relação à iniciação esportiva, se conheciam os processos e se utilizavam nas suas aulas. O resultado foi apresentado no gráfico 7, onde os professores e estagiários convergiram em (100%) das respostas na opção "Sim, conheço e utilizo”, mostrando que estão com as mesmas opiniões, em processos de iniciação que utilizem a questão esportiva como um artifício que propaga valores e virtudes para a vida cotidiana.

Segundo Blázquez (1995, p.41) “a iniciação esportiva se caracteriza por quatro processos: socialização, ensino-aprendizagem, aquisição de habilidades, contato e experimentação”. No tocante a questão dos processos de ensino aprendizagem, pode-se perceber que o grupo participante da pesquisa se mostrou bastante favorável ao ensino adaptado a cada faixa etária com o incentivo de promover o esporte de forma participativa com a utilização da ludicidade, das habilidades motoras fundamentais como fatores primordiais para a continuidade das crianças e adolescentes na prática esportiva. Pode-se ressaltar que dessa forma, os participantes da pesquisa tiveram percepções semelhantes, mostrando que profissionais formados e os estagiários, que ainda estão no processo formativo (graduação), reconhecem a importância de um processo bem planejado de iniciação esportiva.

A preocupação em proporcionar prazer pela prática esportiva está enfatizada no eixo prazer e participação (COAKLEY, 1998). Entretanto, em diversos contextos a iniciação esportiva pode ser levada a um ponto em que o foco se volte para competições e para a formação de novos talentos esportivos. Assim vai aumentando de proporção mais silenciosa o fenômeno da especialização esportiva precoce. Os treinamentos tornam-se cada vez mais incessantes e existe a reprodução de treino dos adultos, cobranças maiores e a busca incessante pelo êxito. Pode-se observar que o grupo participante da pesquisa sabe o que significa e quais são suas principais características, entretanto, não as utiliza e nem tem observado com frequência nos locais em que atuam.

Para Arena e Bhöme (2000, p. 185) “a especialização esportiva é uma questão complexa porque envolve além dos aspectos biológicos e ambientais, aspectos socioculturais”. Dentro desse contexto, essa constatação é bastante incisiva, ainda mais quando se trata do futebol no Brasil, pois, muitos pais possuem o sonho de serem jogadores de futebol e veem nos filhos uma oportunidade para que isso se realize. Essa realidade ainda se torna mais atrativa em função dos veículos de comunicação que propagam somente as grandes conquistas dos atletas, de forma bastante heroica, induzindo as crianças e adolescentes a terem esses exemplos para serem seguidos, mas, sem citar as dificuldades, obstáculos que foram ultrapassados.

Muitos desses obstáculos que podem até chegar a impedir o processo de formação de atletas podem ser oriundos de uma especialização esportiva precoce. Alguns desses aspectos foram citados de maneira bastante contundente pelos participantes da pesquisa, como a saturação e abandono da prática esportiva, aparecimento de lesões, problemas psicológicos (estresse, depressão, bloqueios, baixa autoestima), unilaterização dos movimentos.

Não podemos negar que a especialização esportiva precoce pode possibilitar bons resultados esportivos em curto prazo (BALBINO, et al., 2013). Com relação a isso, os participantes da pesquisa também entraram de acordo com o autor, ressaltando alguns pontos positivos, que normalmente o esporte com suas virtudes próprias ajudam a potencializar nos seus praticantes, trabalho em equipe, senso de responsabilidade, desenvolvimento físico e intelectual.

Então, quando as pessoas dos grandes centros reinventaram os espaços para se jogar bola, os projetos e as escolas de futebol foram criados, e os professores eram os craques do passado (Freire, 1998). Essa realidade trazida pelo autor mudou de forma bem significativa nos últimos anos, com a criação de diversos cursos de Educação Física e o papel mais formal que a profissão conquistou perante a sociedade.

Dessa maneira, com o advento de mais espaços para a prática do futebol, sobretudo, em campos particulares, os profissionais e os estudantes foram ganhando mais oportunidades no mercado e conforme visto na pesquisa, grande parte dos entrevistados possui mais de 2 anos de vivência, mostrando a continuidade dos trabalhos e o crescimento desse setor. Portanto, a iniciação esportiva, especialização esportiva, a prática do futebol está dentro de um contexto bastante complexo, que envolvem diversos fatores e que cada realidade deve ser vista com um olhar diferente, visando, acima de tudo, a formação de adultos conscientes e bem instruídos para a vida em sociedade.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após a verificação dos dados obtidos, temos o grupo predominante de participantes formado por profissionais de Educação Física e uma parcela menor de estagiários (graduandos em Educação Física) com mais de 2 anos de experiência nessa área com a maioria tendo tido participação em mais de 3 escolas. O grupo trabalha, de forma geral, com todas as faixas etárias, tendo contato com as mais diversas realidades existentes.

No tocante à questão dos processos de ensino aprendizagem, pode-se perceber a utilização dos fundamentos do esporte de forma bastante expressiva em conjunto com a ludicidade, com a tentativa de proporcionar momentos alegres e motivantes, sem focar de maneira excessiva no êxito esportivo. Os professores e estagiários demonstraram que entendem as inúmeras realidades existentes e procuram se adaptar da melhor forma possível.

Em relação a utilização da especialização esportiva precoce, o grupo conhece esse fenômeno, entende seus processos, mas, compreende que é um encadeamento complexo, com diversos fatores negativos e que necessita ser bastante analisado pelas famílias com o devido acompanhamento dos professores e da coordenação das escolas.

Portanto, pode-se compreender que a especialização esportiva é um fenômeno cada vez mais comum e que necessita de estudos mais aprofundados, podendo utilizar uma amostragem maior, pois, é uma prerrogativa que possui diversas nuances e que deve ser vista com olhares mais atentos pelos entes que fazem parte do meio desportivo.

Dessa forma, será mais plausível ter conclusões mais coesas e poder ter argumentos mais contundentes para entender como esse fenômeno afeta a formação integral de crianças e adolescentes e quais são seus maiores impactos a médio e longo prazo.

8. REFERÊNCIAS

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WHO. World Health Organization. Guidelines on physical activity and sedentary behaviour, 2020. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240015128. Acesso em: 29 de novembro de 2020.

9. APÊNDICE A - QUESTIONÁRIO

QUESTIONÁRIO

Idade (anos): ______________

Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino

Identificação: ( ) Professor(a) ( ) Estagiário(a)

Grau de escolaridade: ( ) Pós-graduação completa ( ) Pós-graduação incompleta

( ) Superior Completo ( ) Superior Incompleto

1. Há quanto tempo você trabalha com escolinha de futebol?

a. 1 ano

b. Entre 1 ano e 2 anos

c. 2 anos

d. Mais de 2 anos

2. Em quantas escolas de futebol você trabalha ou já trabalhou?

a. 1 escola

b. 2 escolas

c. 3 escolas

d. Mais de 3 escolas

3. Com quais faixas etárias você trabalha na atual ou atuais escolinhas de futebol ?

a. 5 a 8 anos

b. 9 a 11 anos

c. 12 a 15 anos

d. Acima de 15 anos

e. Outros: ___________________________________________________________

4. Você considera a iniciação esportiva no futebol relevante para o desenvolvimento de habilidades motoras fundamentais essenciais?

( ) Extremamente irrelevante

( ) Muito irrelevante

( ) Irrelevante

( ) Indiferente

( ) Relevante

( ) Muito relevante

( ) Extremamente relevante

5. O desenvolvimento de um processo de treinamento passa por diversos fatores que podem potencializar ou minimizar os resultados. Dentro desse contexto, para você, quais são os fatores externos que mais influenciam nas aulas?

( ) Falta de materiais

( ) Pressão dos pais e responsáveis

( ) Pressão por resultados pela coordenação

( ) Pressão por revelar novos talentos esportivos

( ) Outros:___________________________________________________________

6. A iniciação esportiva possui grande importância e pode auxiliar as crianças em diversos aspectos, tanto em relação ao aspecto esportivo quanto para auxiliar na vida cotidiana. Em relação a esse tema, você conhece as principais características desse processo?

( ) Sim. Conheço e utilizo.

( ) Sim. Conheço, mas não utilizo.

( ) Não conheço.

7. O esporte possui várias vertentes e uma delas trata do esporte competitivo e como isso pode afetar diretamente na especialização esportiva precoce. Nessa perspectiva, você sabe o que significa especialização esportiva precoce?

( ) Sim. E trabalho nas minhas aulas.

( ) Sim. Mas não trabalho nas minhas aulas.

( ) Não sei.

8. A especialização esportiva precoce é o processo pelo qual a criança ou adolescente repetem modelos e protocolos de treinamento de adultos, visando o êxito esportivo a qualquer custo. Essa realidade está sendo frequente nos ambientes em que trabalha?

( ) É inexistente

( ) Pouco frequente

( ) Frequente

( ) Muito frequente

( ) Extremamente frequente

9. Muito tem-se falado de que a especialização esportiva precoce possui diversos pontos negativos e que de nada acrescenta para o desenvolvimento de crianças e adolescentes, dentro desse contexto analise os itens abaixo:

 

Discordo muito

Discordo

Não concordo nem discordo

Concordo

Concordo muito

Unilateralização do desenvolvimento

 

 

 

 

 

Saturação e abandono da prática esportiva

 

 

 

 

 

Aparecimento de lesões

 

 

 

 

 

Problemas psicológicos

 

 

 

 

 

10. Descreva como está sendo realizado o processo de ensino aprendizagem nas suas aulas?

11. Quais os tipos de treinamentos mais comuns utilizados nas suas aulas?

12. Baseado na resposta da questão anterior, como está sendo trabalhado esse método visando evitar a especialização esportiva precoce?

13. Em relação a especialização esportiva precoce, o que você considera como pontos positivos e negativos desse fenômeno?

10. APÊNDICE B - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

TÍTULO DA PESQUISA: PERCEPÇÃO DE PROFESSORES E ESTAGIÁRIOS DE ESCOLAS DE FUTEBOL SOBRE A ESPECIALIZAÇÃO ESPORTIVA PRECOCE

PESQUISADOR (A) RESPONSÁVEL: Prof.ª Esp. Jeania Lima Oliveira

ACADÊMICO: GABRIEL VIANA SOARES

Prezado (a) Colaborador (a),

Você está sendo convidado (a) a participar desta pesquisa que tem como objetivo geral identificar a percepção de professores e estagiários de escolas de futebol sobre a especialização esportiva precoce. A presente pesquisa é relevante, pois deve-se servir como base de dados para outros trabalhos acadêmicos e analisar de forma precisa sobre a temática abordada.

Sua participação ocorrerá mediante sua livre aceitação após a leitura, compreensão, e aceitação deste Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE. Os dados da pesquisa a qual você está convidado a participar, serão coletados mediante uma conversa com o pesquisador, através de uma plataforma de comunicação, que iniciará realizando um questionamento e logo em seguida haverá o envio do questionário via google forms no período previsto para iniciar em maio e concluir em agosto.

Lembramos que a sua participação é voluntária, você tem a liberdade de não querer participar, e pode desistir, em qualquer momento, mesmo após ter iniciado o preenchimento do questionário, sem nenhum prejuízo para você. Ao aceitar participar da pesquisa, não haverá nenhum gasto e não receberá nenhuma compensação financeira.

Os riscos são considerados mínimos para os participantes envolvidos na pesquisa e estão relacionados com o constrangimento em relação às perguntas, o medo de ser exposto na instituição onde a pesquisa está sendo realizada ou em outros meios, o nervosismo pelo ambiente estressante, conexão com a internet, a não compreensão das perguntas do pesquisador, suprimir, ocultar ou negar seus sentimentos e percepção sobre o objeto da pesquisa para evitar julgamento, represália ou intimidação.

Serão tomadas medidas para prevenir, reduzir e /ou monitorar estes riscos apresentados ou quaisquer outros que possam emergir sem a previsão do pesquisador. Os participantes receberão a garantia do pesquisador de que não haverá nenhuma forma de identificar o nome do setor e nem do profissional e o questionário poderá ser respondido a qualquer momento após o primeiro contato com o pesquisador. Os resultados poderão contribuir para auxiliar na compreensão sobre o tema abordado, trazer novas análises, motivação para a produção de novos trabalhos acadêmicos sobre a temática e ajudar no trabalho da prática dos professores e estagiários.

Todas as informações que o(a) Sr.(a) nos fornece serão utilizadas somente para esta pesquisa. Suas respostas, dados pessoais, ficarão em segredo e o seu nome não aparecerá em lugar nenhum das avaliações nem quando os resultados forem apresentados. O material obtido por meio das respostas dos questionários, como já dito, será utilizado somente nesta pesquisa e poderão também ser utilizados em publicação de revistas científicas que tenham relação com o objeto desta pesquisa.

Se tiver alguma dúvida a respeito da pesquisa e/ou dos métodos utilizados na mesma, pode procurar a qualquer momento a pesquisadora responsável e o pesquisador colaborador. Se desejar obter informações sobre os seus direitos e os aspectos éticos envolvidos na pesquisa poderá consultar o Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Estadual do Ceará – CEP/ UECE, localizado na Av. Dr. Silas Munguba, 1700. Bairro Itaperi. Fortaleza-Ceará. CEP: 60.714.903. Telefone: (85) 31019890. E-mail: cep@uece.br. Horário de funcionamento de 8h às 17h.

Pesquisadora responsável: Prof.ª Esp. Jeania Lima Oliveira. Professora da Universidade Estadual do Ceará - UECE. E-mail: jeania.lima@uece.br. Endereço: Universidade Estadual do Ceará. Av. Dr. Silas Munguba, 1700. Coordenação de Educação Física, contato do setor: 3101-9807.

Pesquisador Colaborador: Gabriel Viana Soares.

Se o(a) Sr. (a) estiver de acordo em participar, deverá preencher e assinar o Termo de Consentimento Pós-esclarecido que se segue, e receberá uma cópia deste Termo.

E, por estar de acordo, assina o presente termo.

Fortaleza, _______ de ________________ de _______.

__________________________ ___________________________

Assinatura do participante Assinatura do pesquisador

   


Publicado por: Gabriel Viana Soares

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