WEBJORNALISMO E HUMOR: A PERCEPÇÃO SOBRE A CREDIBILIDADE DAS NOTÍCIAS NA REDE

Comunicação e Marketing

Discutimos qual a relação entre o webjornalismo e o entretenimento, o perfil do jornalista que atua nesse meio e se o uso do humor nas manchetes jornalísticas afeta a credibilidade dos profissionais a partir dos novos formatos e demandas.

índice

1. RESUMO

Com o aumento da utilização dos veículos on-line como fontes de notícia, fenômeno este que tem ainda mais destaque entre o público jovem, vêm à tona debates sobre as características desse meio de comunicação e, consequentemente, sua credibilidade como tal. Discutimos aqui como a utilização do humor, nas chamadas jornalísticas, interfere na credibilidade do texto junto ao público. Procuramos criar uma percepção de qual é a credibilidade das notícias que circulam na rede. Através de um Grupo Focal, fazemos uma pesquisa de campo para descobrir quais são as considerações dos jovens em relação à internet como fonte de informação. O estudo aponta que a credibilidade da web é crescente, principalmente entre o público jovem e também revela alguns fatores que influenciam na credibilidade do meio, como velocidade de publicação e quantidade de cliques que as matérias recebem.

Palavras-chave: Webjornalismo. Credibilidade. Humor. Jornalismo on-line.

ABSTRACT

Nowadays the increasing use of online vehicles as source of news it's a phenomenon prominent among the young public , this creates debates about the characteristics and consequences of that vehicle. We discuss how the use of humor in new's calls interacts with the credibility of the text and with the public. We seek to create a perception of quality and credibility of the news circulating in the network. We do research, through a Focus Group, to find out how young people regard the internet as a source of information. this study points out that credibility's web is increasing with young audiences and also reveals some factors that influence the credibility , such as the publication speed and quantity of clicks as received material.

Keys-word: Web journalism. Credibility.Humor. Online journalism.

2. INTRODUÇÃO

Desde a migração para a internet, o jornalismo tem passado por várias mudanças que afetam desde a demanda do público até a maneira como se apura informação. A nova rotina dos veículos produtores de notícia, as formas de distribuição e os novos formatos textuais são reflexos da revolução tecnológica e, consequentemente, a formação de um público mais segmentado em relação ao tipo de conteúdo que acessa. Atualmente, são inúmeras as possibilidades de compartilhamento e recebimento de informação.

Porém, produzir um conteúdo que seja capaz de competir com o entretenimento oferecido por essas redes não é tarefa fácil. É nesse contexto que se desenvolve o INFOtenimento, a hibridação da produção de notícia com a de entretenimento. Esse conceito é explicado por Devite (2007). Segundo a autora, esse fenômeno surge, e é mantido, a partir de dois fenômenos. O primeiro em relação à presença de elemento do entretenimento nas notícias. O segundo seria o aumento dos gêneros – e editorias – existentes – gêneros esses que possibilitam o uso de entretenimento, e em alguns casos humor, nos seus textos. Vale aqui destacar que Devite considera que, no impresso, essas “novas editorias” não tinham espaço. Os jornais eram caracterizados basicamente por notícias de política e economia. As produções dessa categoria – INFOtenimento- merecem destaque. Sites que intercalam o divertimento do leitor com as últimas informações do globo são cada vez mais acessados.

Como revela o levantamento da Pesquisa1 Brasileira de Mídia (PBM 2016), a TV aberta ainda é o meio de informação mais acessado do Brasil, "sendo mencionada por quase a totalidade da amostra" (PBM, 2016,p.33). Apesar disso, pesquisa do Datafolha2 revela que os jovens têm optado por se informar pela internet. De acordo com o levantamento a TV aberta é a preferência de 50% dos adultos com mais de 25 anos, esse número cai para 34% quando se fala do público entre 16 e 24 anos. Enquanto isso, 27% desse mesmo público jovem afirma utilizar as redes sociais como fontes de informação.

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Essa segmentação do público é bem destacada na Pesquisa do IBGE3 de 2015, que aponta que, no Brasil, os jovens entre 15 e 19 anos são os que mais acessam a internet. Nesse contexto, percebe-se a ascensão da plataforma digital como um dos mais importantes meios para divulgação de notícias. O levantamento também mostrou que os adultos são o público que menos busca informação na internet. Esse fato faz com que a atenção dos veículos de comunicação on-line seja voltada especificamente para o público jovem, sendo esse então o perfil central desse estudo.

Nesse ponto, é valido destacar que há diferença entre entretenimento e humor nas notícias. Como será visto mais adiante – pensamento esse reforçado por inúmeros autores – o entretenimento é algo que já está praticamente atrelado as notícias da rede. São vários os fatores que estimulam esse fenômeno. Entre eles pode-se destacar as redes sociais, sendo essas as principais fontes de contato entre os leitores online e as notícias. Não é o objetivo deste trabalho identificar se o grande público leitor presente nas redes sociais foi o motivador para o desenvolvimento de uma abordagem mais light e descontraída por parte dos veículos – ou se foi esse fenômeno que desencadeou a maior ascensão do público jovem como consumidor de notícias na web. O fato é que, as produções jornalísticas passaram a se aperfeiçoar no aspecto de chamar a atenção e despertar o interesse do público. Para este trabalho foi considerado que nem todo conteúdo da web, que tenha entretenimento, tenha necessariamente humor. Isso porque, se entende aqui, que o entretenimento – e as características de um texto mais leve provida pelo uso dele – está presente em grande parte das notícias veiculadas nesse meio. Por outro lado, o uso do humor não detém a mesma repercussão. Ou melhor, por ser um método mais “apelativo”, é mais facilmente identificável assim como as repercussões de seu uso. Portanto, o questionamento norteador desse estudo é “qual a credibilidade das notícias na rede?”. Esse discussão é importante ao passo que, com o aumento da utilização da internet como fonte de notícia – principalmente das redes sociais – as características – e a credibiidade desse meio – torna-se um valioso objeto de discussão.

Enquanto 27% dos jovens dizem buscar informações nas redes sociais, apenas 17% desse público afirma se informar em sites de notícias, fator que revela uma necessidade desses sites produzirem um conteúdo que consiga competir com as publicações das redes sociais. Tara Bullock (2014) fez um estudo do caso do BuzzFeed e concluiu que os jovens preferem acessar conteúdos que possuam uma abordagem mais dinâmica e um texto mais leve. Devido a esse fenômeno, cresce a proliferação do uso do humor como ferramenta para atrair os jovens.

Diante desses novos formatos e novas demandas, se inova também a atividade jornalística e, consequentemente, o perfil do jornalista que atua nesse meio. Por isso, discutimos qual a relação entre o webjornalismo e o entretenimento, e se o uso do humor nas manchetes jornalísticas afeta a credibilidade destes profissionais. Pretende-se também avaliar qual o impacto da presença dos fake news na internet para a credibilidade do meio como um todo. Para se aprofundar nesses questionamentos foi realizado um Grupo Focal como metodologia de pesquisa de campo, a fim de se verificar quais as ponderações do público jovem sobre as características da internet como fonte de informação.

3. WEBJORNALISMO

3.1. DEFINIÇÃO

O jornalismo na web sofreu inúmeras mudanças e passou por diferentes etapas. Houve o período em que os conteúdos disponibilizados nos sites eram apenas uma repaginação do texto que foi escrito para o impresso. Como mostra o levantamento do Datafolha4, apesar da TV ainda ser a maior fonte de informação para a maior parte da população, a internet vem crescendo a largos passos como fonte de notícia, fenômeno esse impulsionado pelos jovens leitores online. Cresceram também as as ferramentas e possibilidades oferecidas por esse meio e, consequentemente, novos formatos e conteúdos foram criados a fim de, além de informar o público, interagir com ele e disponibilizar diferentes materiais como vídeos, áudios além de outros recursos oferecidos pelo meio eletrônico. Dentro desse contexto, a atividade jornalística veiculada na internet recebeu vários nomes e classificações diferentes, como: ciberjornalismo, jornalismo eletrônico, jornalismo digital, jornalismo on-line. Diante disso, pretende-se destacar qual será a modalidade discutida ao longo deste trabalho, e para isso, iremos nos guiar pelo conceito de webjornalismo sugerido por Mielniczuk

O cenário começa a modificar-se com o surgimento de iniciativas tanto empresariais quanto editoriais destinadas exclusivamente para a Internet. São sites jornalísticos que extrapolam a idéia de uma simples versão para a Web de um jornal impresso e passam a explorar de forma melhor as potencialidades oferecidas pela rede. Tem-se, então, o webjornalismo.(MIELNICZUK, 2001, p.2)

Portanto, o que discutiremos neste estudo será o webjornalismo, enquanto produção de conteúdos que são veiculados unicamente na web.

3.2. TRANSPOSIÇÃO DO IMPRESSO PARA O ON-LINE

O jornalismo no ambiente digital surgiu como uma versão na rede do que era publicado nos veículos impressos.Bastos (2013) lista uma série de críticas a algumas tradições que se perderam na transposição do impresso para o on-line. Destaca a tendência de sedentarização dos jornalistas, isto é, não é mais o jornalista que vai até a notícia, a notícia passa a vir até ele. Esse distanciamento entre a informação e o interlocutor é crucial na credibilidade dada à informação – que será melhor discutida adiante. “Testemunhar presencialmente o acontecimento tornou-se uma prática rara. As inúmeras nuances, ambientes e imprevistos que certos acontecimentos comportam ficam assim fora do alcance do olhar do repórter.” (BASTOS, 2013, p.5). Apesar disso, cabe aqui destacar a o surgimento de um novo formato de transmissão de notícias propiciado pela web, as famosas "lives" a qualquer lugar e qualquer momento (mecanismo antes presente apenas na TV). Isso é, cobertura ao vivo de eventos. E mesmo que não tenha transmissão ao vivo, há também os jornalistas que atualizam os textos - ou produzem novos - no decorrer dos eventos. Se por um lado temos a tendência à sedentarizarão desses jornais, por outro, nunca se foi tão prático fazer uma cobertura audiovisual de um acontecimento.

Outro aspecto criticado pelo investigador é a desenfreada busca da instantaneidade. Bastos (2013) considera que as atualizações cada vez mais rápidas e menos apuradas, na tentativa de publicar as últimas notícias antes da concorrência, é um ponto negativo no webjornalismo. No geral, o autor avalia que essa transição está causando uma atrofia profissional para a área. Ele também usa como argumento a grande utilização de redatores com pouca ou nenhuma experiência no campo, além de modelos contratuais cada vez mais precários oferecidos por alguns veículos de comunicação do ambiente digital.

Como explicar a aparente erosão de práticas e valores tradicionais do jornalismo na transição para o ciberjornalismo? A explicação passa por uma conjugação ampla de factores, que aqui podemos apenas esboçar, ligados sobretudo à natureza dos novos média, às empresas jornalísticas, nomeadamente às portuguesas, aos modelos de negócio e aos próprios jornalistas. (BASTOS, 2013, p.9)

Porém, o jornalismo que começou a ser produzido utilizando os recursos do ambiente digital possibilitou novos formatos de produção e publicação de conteúdo. Mielniczuk (2001, p.3) cita quatro novos elementos oferecidos por esse meio, identificados por Bardoel e Deuze (2000).São eles: interatividade, customização de conteúdo, hipertextualidade e multimidialidade.

Palacios (1999), com a mesma preocupação, estabelece cinco características: multimidialidade/convergência, interatividade, hipertextualidade, personalização e memória. As características, que serão brevemente apresentadas, refletem as potencialidades oferecidas pela Internet ao jornalismo desenvolvido para a Web. Tais possibilidades não se traduzem necessariamente em aspectos efetivamente explorados pelos sites jornalísticos, quer por razões técnicas, de conveniência, adequação à natureza do produto oferecido ou ainda por questões de aceitação do mercado consumidor. (MIELNICZUK, 2001, p.3).

Percebe-se nesse contexto uma grande diversidade de processos interativos entre público e conteúdo. “O usuário estabelece relações: a) com a máquina; b) com a própria publicação, através do hipertexto; e c) com outras pessoas - seja autor ou outros leitores - através da máquina” (LEMOS, 1997; MIELNICZUK, 1998 apud MIELNICZUK, 2001, p.3).”Outra mudança, destacada por Canavilhas (2006, p. 7),é que a notícia não tem mais o espaço limitado das colunas dos impressos, o que permite ao jornalista oferecer novos formatos de conteúdos. O autor também reconhece as várias transformações e possibilidades disponibilizadas pela plataforma digital, entre elas, o compartilhamento de informação se torna mais prático além de ganhar maiores proporções.

Esta proposta não é inovadora, nem se aplica exclusivamente ao jornalismo. Autores como Robert Darnton (1999) salientam a importância do hipertexto nas publicações académicas, por exemplo. Este investigador salienta as potencialidades do ambiente web como alternativa para as publicações que não encontram espaço no papel. Porém, Darnton avisa que publicar na web implica uma nova arquitectura e propõe uma estrutura piramidal por camadas. A arquitectura sugerida pelo autor evolui em seis camadas de informação: uma primeira com o resumo do assunto; uma segunda com versões alargadas de alguns dos elementos dominantes, mas organizadas como elementos autónomos; um terceiro nível de informação com mais documentação de vários tipos sobre o assunto em análise; um quarto nível de enquadramento, com referências a outras investigações no campo de investigação; um quinto nível pedagógico, com propostas para discussão do tema nas aulas; por fim, a sexta e última camada com as reacções dos leitores e suas discussões com o autor. (CANAVILHAS, 2006, p. 7/8).

Canavilhas (2006, p.7) acrescenta que “[...] nas edições online o espaço é tendencialmente infinito”. Qualquer história tem espaço ilimitado para ser contada. Se o texto sofrer cortes, será por questões estilísticas ou editoriais, mas não por espaciais. A estrutura do lead é substituída por um formato de texto mais longo que permite a contextualização do conteúdo. Além disso, o ambiente digital permite o anexo de recurso audiovisual, o que pode facilitar ou enriquecer a interação do leitor com o conteúdo. O texto agora passa a contar com os hiperlinks, oferecendo aos leitores “[...] novos horizontes imediatos de leitura através de ligações entre pequenos textos e outros elementos multimédia organizados em camadas de informação”. (CANAVILHAS, 2006, p. 7).

Com todas essas transformações no campo, os critérios de noticiabilidade também passaram por alterações, de forma que um dos fatores mais importantes para a divulgação ou não de uma notícia é a visibilidade – número de cliques - que ela terá.

3.3. NOTICIABILIDADE E INTERESSE PÚBLICO

Como já foi visto até aqui, o jornalismo tradicional, produzido pelos grandes impressos do século XX, sofria do que hoje pode ser visto como limitações: espaço para o texto, tempo para apuração, distância para locomoção, entre outras. Nesse período, onde o impresso era o principal meio, os critérios para uma notícia ser publicado por uma redação deveria atender vários requisitos, como interesse público, relevância, proximidade com o público, entre outros. Devido a esses fatores, e como já foi aqui citado por Devite (2007), os jornais veiculavam basicamente assuntos de política e economia. Com a chegada da web, e com ela dos veículos online, essa seleção do que seria publicado pelo veículo ganhou novos critérios. O espaço não era mais limitado, o público se torna mais amplo e, consequentemente, a demanda dos leitores também passa por alterações.

A internet conseguiu dinamizar e trouxe novas possibilidades para o processo jornalístico. Isso possibilitou aos veículos on-line aumentar a quantidade e variedade de conteúdo noticiado. Nesse contexto, o jornalismo passa a abordar temas que antes não recebiam muita atenção – se é que recebiam alguma. Com isso, o interesse do público, em relação ao conteúdo que deseja acessar, passa a ir além dos tradicionais assuntos tratados pelos impressos. Mielniczuk (2001) cita ainda uma observação feita por Palacios sobre uma importante característica da internet, a memória.

Palacios (1999) aponta para o fato do acúmulo das informações ser mais viável técnica e economicamente do que em outras mídias.

Sendo assim, o volume de informação diretamente disponível ao usuário é consideravelmente maior no webjornalismo, seja com relação ao tamanho da notícia ou à disponibilização imediata de informações anteriores. Desta forma surge a possibilidade de acessar com maior facilidade material antigo. (MIELNICZUK, 2001, p.4)

Essa possibilidade de acessar conteúdo antigo a qualquer momento é um estimulo para fabricação de textos que não sejam vinculados ao factual. Nesses casos, as matérias não têm um prazo de validade para ser acessadas. Com isso, editorias que antes não ganhavam tanto destaque na cobertura midiática dos impressos, como a de cultura se comparada à de política, passam a ser mais demandadas por um público cada vez maior e mais segmentado. Bastos (2013) avalia que os critérios de noticiabilidade se perderam na migração dessa área para o ambiente digital. Segundo o autor, a importância de uma notícia passa a ser a contabilizada através da quantidade de visualizações recebidas, e não mais o interesse público necessariamente.

Além disso, a possibilidade de acompanhamento em tempo real do comportamento das audiências online leva, em certos casos, a alterações dos valores-notícia, uma vez que se tende a dar mais destaque às notícias que obtém melhor feedback, traduzido em rankings das mais lidas, por parte dos ciberleitores. (BASTOS, 2013, p.4)

É natural que isso ocorra. Se para os impressos o importante era a quantidade de edições vendidas, assim como os índices de audiência para os canais de TV, na internet a quantidade de cliques se torna medidor da recepção – e da aceitação - do público sobre aquele veículo.

De acordo com Wolf (2008), os critérios de noticiabilidade se articulam, essencialmente, em dois fatores: importância e interesse. Ambos apresentam a relevância da proximidade. Ele ainda destaca outros fatores que deveriam ser levados em conta como o nível hierárquico dos envolvidos no acontecimento noticiável, o impacto sobre a nação e sobre o interesse nacional, a quantidade de pessoas envolvidas no fato, a relevância e a significatividade do acontecimento.

Nesse sentido, os critérios de noticiabilidade adotados pelos veículos passam por uma reformulação. Conteúdos cada vez mais variados ganham atenção do público e, consequentemente, da imprensa. Sobre a segmentação do público cabe aqui destacar a observação feita por Mielniczuk a respeito dessa tendência.

Customização do conteúdo/Personalização - Também denominada de personalização ou individualização, consiste na existência de produtos jornalísticos configurados de acordo com os interesses individuais do usuário. Há sites noticiosos, entre eles o da CNN, que permite a pré-seleção dos assuntos de interesse, assim quando o site é acessado, este já é carregado na máquina do usuário atendendo à demanda solicitada. (MIELNICZUK, 2001, p.4)

Devido a essa liberdade na navegação do conteúdo, a autora já questionava se essa possibilidade de personalização do conteúdo afetaria os preceitos das teorias de agendamento. O que vimos aqui é que, com os avanços tecnológicos, a profissionalização dos jornalistas e a segmentação do público, verifica-se que o a atividade jornalística passa por um processo de mudança e, em alguns casos, desenvolvimento. Mudanças estruturais, dos assuntos de cobertura, da abordagem dada ao tema, do destaque dado a um acontecimento... Com todas essas inovações, temos então uma “mudança” no interesse do público em relação ao que será lido. Como aponta Devite (2007, p.6) a notícias mais leves, estimuladas por essas inovações passa a ser caracterizada por possuir um conteúdo de rápida leitura e de fácil entendimento. Ela acrescenta que essa circulação intensa e efêmera tem o objetivo de divertir o leitor. “Ele espera encontrar na matéria suas necessidades e seus interesses de informar e formar, mas também distração e a vivência do fato, já que o consumo da informação é feito naquele tempo destinado ao lazer e à diversão”.

Resumidamente, os consumidores de notícias na web têm uma série de interesses a serem atendidos. Por isso, as notícias produizas para esse meio devem se preocupar em, além de informar o leitor, passar certa dose de descontração e entretenimento ao público.

4. O ENTRETENIMENTO NO JORNALISMO

4.1. O JORNALISMO ENQUANTO LAZER

Como vimos, o INFOtenimento vem ganhando destaque na web. Sites que mesclam notícias de interesse público com um pouco de humor, seja nas chamadas ou nos títulos, estão fazendo sucesso. Essa “exploração de um algo a mais” na notícia acaba convertendo-a em entretenimento, dando mais destaque, portanto, à temática dos acontecimentos. Porém, não é de hoje essa íntima relação entre jornalismo e entretenimento. Dejavite (2007, p.2) aponta que esse termo surgiu na década de 1980, porém só ganhou repercussão ao final dos anos 1990, “quando passou a ser empregado por profissionais e acadêmicos da área comunicacional”. O que se observa é que essa ligação entre os estilos vai se aperfeiçoando proporcionalmente à modernização dos meios de comunicação, que é quando surgem novos formatos e possibilidades da apresentação da notícia além de, é claro, um público com demandas variadas em relação à forma como a mensagem é transmitida. Assim o produto jornalístico acaba sendo agregado a outros contextos, o que acaba transformando o hábito de se informar em um lazer.

Arbex (2002) avalia que o telejornalismo produzido no início do século XXI tratava a notícia como um espetáculo. Ele usa como exemplo a cobertura midiática do atentado de 11 de setembro de 2001 às torres Gêmeas nos EUA. Como o autor destaca, nada se precisa dizer sobre essa data para inteirar o leitor do acontecimento, isto porque os veículos que cobriram o evento descarregaram um grande volume de material sobre toda a população, fazendo com que a notícia do atentado se tornasse um “espetáculo”.

O que vemos hoje, afinal, é essa mescla entre jornalismo e entretenimento sendo desenvolvida no ambiente digital, onde passa a contar com novas ferramentas como os meios de compartilhamento, big data, hiperlinks e etc.

4.2. A RELAÇÃO ENTRE WEBJORNALISMO E ENTRETENIMENTO

A relação entre o público e a mídia se transformou ao longo do tempo, assim como o contato entre a notícia e o receptor. Dentre essas mudanças pode-se destacar a interatividade oferecida pelas plataformas de comunicação, como os portais da web e os aplicativos para celulares. Para Conceição e Domingos (2012), a principal mudança foi a possibilidade de participação do consumidor na produção de conteúdo. Os autores avaliam que essa interação fomenta a visibilidade dos veículos on-line, como portais e blogs. Eles explicam que estes passam a oferecer um complemento do conteúdo divulgado nos meios tradicionais, pensamento este que é ainda reforçado pelo estudo de Chistofoletti e Laux (2008).

Blogs jornalísticos têm funcionado não apenas como versões eletrônicas de colunas impressas, mas também têm sido explorados em outras modalidades, seja como alternativa para profissionais que desejam oferecer coberturas independentes e não atreladas a grandes meios, seja como canal de experimentação de novos formatos e linguagens ou ainda como meios mais ágeis e com conteúdos privilegiados/exclusivos. (CHISTOFOLETTI; LAUX, 2008, p.31).

Chistofoletti e Laux (2008) avaliam que outro elemento que também incentiva essa maior interação entre os leitores e o conteúdo é a disseminação dos blogs enquanto ferramentas jornalísticas, o que, como já vimos no capítulo anterior, acarreta novas práticas para produção e difusão de notícias e opiniões. Para eles esse fator esse que estimula a interação do público com as notícias.

Diante de uma grande variedade de temas abordados por blogs jornalísticos e sites de notícias, ganhar atenção do leitor tem se tornado cada vez mais difícil, já que o mesmo se encontra diante um universo de possibilidades e informações. Nesse contexto, Almeida (2009) considera que os fenômenos tecnológicos, sociais, políticos e culturais dos novos tempos formam uma complexa cultura midiática que é representada por uma linguagem mais leve, efêmera, dinâmica e divertida: o entretenimento.

No entanto, se a idéia de entretenimento na modernidade era concebida como uma forma de se escapar dos problemas diários, no mundo contemporâneo o entretenimento se consagra pela sua presença constante e praticamente ininterrupta no cotidiano, ele se transforma na própria vida humana (GABLER, 1999 apud ALMEIDA, 2009, p.2)

O que Almeida sugere é que a demanda por conteúdos com abordagem leve é crescente. Para ela, o público está em uma constante busca de entretenimento e tenta ao máximo conciliar o divertimento com tarefas que antes não tinham esse caráter, como o hábito de se informar. Conceição e Domingos (2012) concordam que há uma relação entre jornalismo on-line e entretenimento.

Além disso, os sites e blogs têm um poder de abrangência muito grande e, quando não estão relacionados diretamente aos meios de comunicação tradicionais, representam uma alternativa ao conteúdo das grandes empresas de comunicação. Desse modo, é inegável a relação entre blog, jornalismo e entretenimento, principalmente pela liberdade maior que se tem nos sites em relação aos veículos impressos. (CONCEIÇÃO; DOMINGOS, 2012, p.2).

Os autores esclarecem que o uso do humor, - além da elaboração notícias que sejam fictícias mas tenham verossimilhança com a realidade - é um dos fatores que causa o sucesso do site “Sensacionalista”. De acordo com eles, a partir do uso do humor, definido por eles como um recurso aceito por todos, a informação ganha uma crítica mais destacada, além de uma dose de prazer. Almeida (2009) considera ainda que o entretenimento passa a ser agregado ao valor do produto. “Na nova era de marketing, a imagem não representa o produto, mas sim o produto representa a imagem (RIFKIN, 2001 apud ALMEIDA, 2009, p. 3).”

4.3. A DEMANDA DO PÚBLICO

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2015 aponta que os jovens entre 15 e 19 anos são as pessoas que mais acessam a internet no Brasil. Os dados são da PNAD 2013 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). O levantamento também mostra que, quanto maior a idade das pessoas, menor é a média de acesso à internet. Enquanto 75,7% dos adolescentes entre 15 e 17 anos utilizaram a web em 2013, os acessos dos jovens entre 18 e 19 anos representam 73,8%. Já no grupo das pessoas com 20 a 24 anos, a porcentagem dos conectados cai para 70,5%. Dos 25 aos 29 anos, o número é de 65,2%. E entre os adultos com idade de 30 a 34 anos, o percentual é de 60,3%.

Por esses dados é possível concluir que os jovens são os que mais consomem os conteúdos da web, porém, a faixa etária dos jovens que afirmam utilizar as redes sociais como principal fonte de informação é mais restrita. De acordo com o Datafolha5, apesar da maioria (34%) dos jovens entre 16 e 24 anos buscar informação na TV aberta, 26% destes utilizam as redes socias como principal fonte e apenas 17% os sites de notícias. Ou seja, o público leitor on-line se informa mais por meio das redes sociais do que pelos sites de notícias.Portanto, se um site deseja obter muitos cliques, a demanda desse público jovem não deve ser ignorada. Esse fenômeno explica o elevado número de sites jornalísticos que tratam de temas como jogos, filmes, música, etc. – editorias essas que não ganhavam muito espaço no jornalismo tradicional – e que utilizam as redes sociais como principal forma de compartilhamento de conteúdo.

No site News Games, são analisados vários formatos de conteúdos jornalísticos em forma de jogos, como infográficos, notícias e fotos interativas, games editoriais, etc. De forma geral, o webjornalismo tem encontrado seu espaço no desenvolvimento de formatos interativos de notícias, sobretudo através de interfaces divertidas e sedutoras, congregando imagens, vídeos, ícones e textos e exigindo uma participação mais ativa dos interagentes. A experiência de ler notícias tem sido ampliada para uma atividade de diversão, indo além do simples desejo de se informar. (ALMEIDA, 2009, p.6).

Para o público da web em geral, e principalmente para os jovens, o ato de se informar passa a ser também uma atividade de entretenimento. Maciel (2013) afirma que um dos motivos que justifica o sucesso desse fenômeno é a briga por audiência cada vez mais acirrada entre os veículos de comunicação. O autor classifica notícias de cunho humorístico como infotainment.Por isso, textos que seguem esse modelo de hibridação de gêneros ganham mais destaque. Devite (2007) sugere que essas modernizações e ramificações da atividade criaram uma nova demanda do público.

O público (com os seus novos princípios de receber a informação) exige que a notícia – independente do meio em que estiver inserida – informe, distraia e também lhe traga uma formação sobre o assunto publicado. Se as informações jornalísticas não tiverem essas características, não vão chamar a atenção da audiência. Agora, a notícia tem que ser light. (DEVITE, 2007, p. 4)

Bittencourt (2015) considera que esse contexto gera uma crise no jornalismo. Para ela, os jornalistas devem se preocupar, mais do que nunca, em produzir um texto mais chamativo e atraente para poder competir com a viralidade de informações que circulam na internet, e isso tudo sem perder a veracidade.

Entender como e por que um conteúdo é atrativo e acaba se espalhando torna-se tarefa do jornalista que busca, além de uma adaptação ao presente contexto de colaboração e participação, inovar suas práticas, utilizando diferentes suportes e criando novos formatos adequados ao ambiente digital. (BITTENCOURT, 2015, p. 347)

A autora afirma que o BuzzFeed conseguiu se adaptar ao novo contexto. Ela comenta que o site tenta produzir um conteúdo que seja facilmente viralizado através de compartilhamentos nas redes sociais, o que gera mais visibilidade em meio à grande quantidade de informações on-line. O site reformulou o jeito de tratar a informação. O veículo publica uma variedade de assuntos que antes não eram vistos como notícia. Mas vale ressaltar que nem todo conteúdo publico no site é jornalístico ou se enquadra como notícia.

4.4. O SUCESSO DO HUMOR

Como temos visto até aqui, essa hibridação de gêneros, que previamente eram apresentados separadamente, é uma forte característica do webjornalismo. As consequências da mescla entre informação com entretenimento são muito amplas. Gomes (2009) considera que não encontramos definições precisas do que seja esse fenômeno, nem temos clareza das razões de sua existência e que, por isso, não temos embasamento para avaliar suas potencialidades. “Como uma espécie de vírus Ebola cultural, o entretenimento invadiu organismos que ninguém jamais poderia imaginar que pudessem oferecer diversão. (GABLER, 2004, p.74 apud GOMES, 2009. p.3).” O autor busca ainda encontrar os fatores motivadores da ascensão dessa tendência.

Defendemos que infotainment designa uma estratégia de produção midiática que não é, em si, nem boa, nem má, e que parece resultar de uma complexa articulação entre políticas macroeconômicas, marcos regulatórios, possibilidades tecnológicas, estratégias empresariais, expectativas históricas e culturais sobre os sistemas televisivos e seus produtos, ideologias, práticas e expectativas profissionais do campo midiático, pressupostos e conhecimentos sobre a audiência. (GOMES, 2009, p.3.)

De um lado, sites buscam reconfigurar o produto jornalístico de diferentes formas a fim de captar audiência, apresentando para o público as notícias em formatos diferentes. Já outros buscam mais visibilidade por meio de notícias fictícias, porém engraçadas e contextualizadas com as últimas notícias do globo. Em entrevista6 para O Globo, Martha Mendonça, do Sensacionalista, explicou a grande repercussão das notícias ficcionais e humorísticas publicadas no site e nas redes sociais. Ela disse que as pessoas, que acham o conteúdo engraçado, compartilham o link sem terem lido a notícia original, e reproduzem o conteúdo como se fosse verídico mesmo o jornal sendo “isento de verdade”.

Pesquisa 7da Universidade Columbia juntamente com o Instituto Nacional Francês mostrou que, no Twitter, 6 em cada 10 pessoas compartilham um link sem terem aberto a notícia. O estudo acompanhou o perfil no site de 5 grandes sites de notícias. Apesar de se tratar de grandes veículos jornalísticos, esse levantamento reforça a percepção de que a maior parte do público tem um contato superficial com a notícia.

No texto publicado no Observatório da Imprensa, Paulo8 Sérgio Pires (2010) aponta benefícios encontrados exclusivamente no jornalismo humorístico. Segundo ele, matérias engraçadas – ou até mesmo charges – conseguem transmitir informações com mais simplicidade e objetividade do que textos jornalísticos padrão. Ele conclui o texto questionando se o humor não seria um artifício – uma boa alternativa – para autores mais furtivos evitarem processos judiciais sem deixar de influenciar a opinião pública.

O economista e ex-ministro Delfim Netto, apesar de ter sido retratado e castigado duramente nas caricaturas e charges da época em que era governo, admitiu que esse formato é um dos mais eficientes para a crítica. Inclusive, mesmo sendo alvo de massacre, não parece guardar rancor, pois tem uma coleção completa de suas charges e caricaturas estampadas em pequenos quadros em sua casa. Isso, naturalmente, não aconteceu com as notícias e reportagens. (PIRES, 2010, p. 1).

Bullock (2014) também se debruça a estudar as novas mídias e, com elas, as novas ferramentas e mecanismos utilizados. Ela também fez um estudo do caso do BuzzFeed, um dos maiores sites de entretenimento do mundo, e concluiu que as técnicas de narração e os formatos de textos mais curtos fazem muito sucesso com o público jovem.

BuzzFeed, no entanto, é uma nova forma de mídia que usa o humor para explicar notícias, muitas vezes através de memes e GIFs. A empresa se refere a si mesma como "a principal empresa de mídia para notícias sociais e entretenimento ", (BuzzFeed, 2013), mas há pouca ou nenhuma pesquisa acadêmica que sugira qual a eficácia dos textos do BuzzFeed na retenção de informação em comparação com os tradicionais diários americanos. (BULLOCK, 2014, p.7)

Segundo a autora, em 2014 um experimento comparou os textos dos diários norteamericanos, conhecidos pelo jornalismo tradicional, e os textos do site BuzzFeed e perguntou a jovens universitários qual das abordagens eles preferiam. Depois de 438 entrevistas, concluiu que 52,8% dos jovens preferiram acompanhar o BuzzFeed que os diários americanos (28%). Eles afirmaram gostar do humor e entretenimento oferecido pelo site.

Diante desses levantamentos, é visível que o humor vem sendo um recurso utilizado pelos sites para captarem audiência. Independentemente de serem fictícias ou verídicas, matérias que utilizam do recurso lúdico ganham a simpatia do público.

5. CREDIBILIDADE DOS WEBJORNALISTAS

Uma pesquisa9 do Ibope, mostra que os sites, blogs e as redes sociais são os veículos que detém a menor confiança dos usuários quando o assunto é veracidade da informação. Sobre os sites, 62% disseram confiar poucas vezes no que foi publicado. O índice é de 63% quando a plataforma é rede social e de 54% em relação a blogs. O levantamento aponta que os jornais impressos são os líderes de confiança dos brasileiros como meio de comunicação, apesar de a grande maioria se informar, na maior parte das vezes, pela TV. O percentual dos entrevistados que disseram confiar sempre ou muitas vezes nas notícias publicadas em jornais é de 59%. Rádio e televisão têm 57% e 54%, respectivamente. Ainda assim, Chistofoletti e Laux (2008) acreditam que a tendência é de uma perda de credibilidade da mídia convencional para os meios on-line. Porém, reconhecem, em um outro estudo de 2006, que a credibilidade é algo frágil. Dificilmente adquirida, porém facilmente perdida. Dizem que aspectos como as limitações impostas pelo editorial, a indiferença com o público, fatores estéticos e alguns outros colaboram para a desconstrução da credibilidade.

Como discutido por Bastos (2013), algumas “boas tradições” da atividade jornalística se perderam na transposição do impresso para o on-line o que, em muitos casos, pode prejudicar a credibilidade dada à informação e à profissão de maneira geral. Chistofoletti e Laux (2008) avaliam que características como prestígio, notoriedade e confiabilidade são apontadas como fundamentais para os jornalistas e o maior patrimônio desses profissionais e dos meios de comunicação. Segundo eles, com os veículos on-line, surgem novos sistemas de reputação que avaliam a qualidade dos produtos de outra forma.Partindo da análise dos grandes veículos de webjornalismo, os autores estudaram os blogs noticiosos que, para eles, trouxeram à tona o debate sobre a credibilidade dada à internet, enquanto meio de transmissão de informação.deles buscam identificar quais são os critérios que devem ser considerados para dizer se um veículo é ou não digno de crédito.

Mas, então, a credibilidade jornalística nos blogs é distinta? Sim e não. O que se percebe – ao menos agora, quando os blogs chegam a sua primeira década de existência – é que essa nova mídia carrega traços do conceito tradicional de credibilidade jornalística e ainda se vale de novos sistemas de reputação, originados e fortalecidos na Internet. Assim, parece haver nos blogs jornalísticos uma simbiose dos modelos que certificariam a credibilidade (ou não) de um veículo ou outro. (CHISTOFOLETTI; LAUX, 2008, p.32)

Chistofoletti e Laux (2008) destacam que a credibilidade é uma preocupação antiga e citam como exemplo a primeira tese doutoral sobre Jornalismo, em 1690, quando o alemão Tobias Peucer já discutia a importância dos relatos jornalísticos terem veracidade e confiabilidade para que fossem bem aceitos pelo público. Em suma, Peucer considera que as informações obtidas através de inspeção própria são mais dignas de credibilidade, isto é, quando o jornalista testemunha o fato, mesmo que isso seja o oposto da tendência do webjornalismo, que privilegia cada vez mais o sedentarismo jornalístico. “Assim como nos julgamentos costuma-se dar mais crédito a um testemunho ocular que a um testemunho de ouvidos” (PEUCER, 2004, p.18 apud CHISTOFOLETTI; LAUX, 2008 p.34). Os autores avaliam que a credibilidade é um dos pilares do jornalismo nos quais a atividade vem se apoiando durante todo o desenvolvimento e transmutação.

Apesar desse sistema, não há uma instância entre os fatos e o público que garanta a validade da informação, e cabe ao receptor decidir por, seus próprios meios, o que merece sua credibilidade e confiança. Essa triagem alcança contornos mais difusos nos dias atuais, quando há muitas formas de acesso à informação, o que é catalisado pela Internet. Para Serra, a web passa agora por um processo de “credibilização do seu dispositivo”, etapa da qual o jornalismo online depende para se firmar com consistência no horizonte do receptor. (CHISTOFOLETTI; LAUX, 2008 p.34)

Para que o jornalista exerça sua função de informar o público sobre os eventos de seu interesse, a credibilidade é um fator primordial e também um prérequisito. Nesse sentido, estudaremos quais são os elementos que determinam ou afetam a credibilidade dos profissionais do meio on-line.

5.1. CREDIBILIDADE X VELOCIDADE

Soster (2003) desenvolve o pensamento de que alguns fatores da transposição do impresso para o on-line interferem diretamente na qualidade da informação e, assim, na credibilidade dos jornalistas da web. Para ele, a desenfreada busca pela velocidade das publicações leva a erros nos textos disponibilizados pelos sites. “Velocidade e precisão aparentemente caminham em sentidos opostos quando o assunto é jornalismo” (SOSTER, 2003, p. 309). Para o autor, era mais fácil avaliar a credibilidade dos veículos de comunicação através de outros meios, onde a objetividade e a imparcialidade do jornalista eram os pontos chaves para ganhar a confiança do público.

Ocorre que se erra, e muito, quando o assunto é jornalismo em um contexto de alta velocidade. Ao se possibilitar a existência de um número significativo de equívocos em um site noticioso, sejam eles simples problemas de digitação ou lapsos grosseiros de informação, acaba-se por gerar um ambiente em que o jornalismo relega a um segundo plano justamente o que vinha alimentando sua credibilidade até então: o rigor na informação. (SOSTER, 2003, p.309)

O pesquisador fez um levantamento a fim de perceber qual a frequência de erros nas postagens de sites noticiosos, e identificar quais são eles. Ainda que muitos dos que são apontados por eles não sejam decisivos para a concepção correta da notícia, percebe-se que, buscando velocidade, os sites cometem uma grande quantidade de equívocos, principalmente no que diz respeito à grafia correta das palavras.

Os dados levantados sugerem a existência de um paradoxo: quando o assunto é webjornalismo, errar parece ser a regra. Foram encontrados 610 ruídos de linguagem nas 167 matérias da categoria Últimas Notícias na análise. A maior incidência de lapsos, total de 58,4%, está relacionada a pontuação, acentuação e sinais gráficos. Os equívocos de ortografia, concordância e regência vêm em segundo lugar, com percentual de 22%. Questões relacionadas à digitação resultam em percentual de 10,2%. As que envolvem empastelamento, repetição e ausência de palavras prejudicando a leitura representam índice de 6%. Já os problemas de grafias de nomes próprios somam 3,4% do total. Os dados levantados pela pesquisa sugerem que se erra, e muito, quando o assunto diz respeito a jornalismo em um contexto de alta velocidade. São 1.392 lapsos em 468 matérias, 44% deles na categoria Últimas Notícias e 56% na categoria Cobertura Cotidiana. (SOSTER, 2003, p.316)

A incessante busca pela novidade, pelo furo - em dar a notícia primeiro que o concorrente - é uma antiga característica da atividade jornalística ao mesmo tempo em que se tornam uma grande preocupação quando se fala sobre confiabilidade da informação no ambiente eletrônico. A possibilidade, oferecida pela web, de publicar um conteúdo na medida em que se recebe as informações gerou nos veículos uma desonrosa prática de soltar uma notícia sem antes verificar a veracidade do fato e, caso esteja errada, uma publicação posterior poderia explicar o “mal entendido”.

Para a atividade jornalística, velocidade é cada vez mais importante. A notícia é, por sua própria natureza, uma mercadoria altamente perecível, torna-se antiga no instante mesmo de sua divulgação, especialmente em um mundo interconectado por satélites e bombardeado, a cada segundo, por uma imensa montanha de novos dados. Daí a importância que o furo, a prerrogativa de ter sido o primeiro veículo a informar, adquire para as empresas de comunicação. (ARBEX, 2002, p. 88/89).

Ziller (2006, p.7) comenta que a velocidade cobrada do trabalho jornalístico não é uma realidade nova, e tampouco deve ser relacionada à criação das novas tecnologias. Segundo ela, essa relação entre jornalismo e velocidade é anterior à criação dos aparelhos que hoje permitem o acesso à internet. Porém, o fato é que na web, a relação entre velocidade e credibilidade se torna mais sensível. Ela destaca que a velocidade não é um fator negativo. Inclusive, no jornalismo é fundamental. “O problema estaria em conjugá-la com apuração correta, ética e busca pela objetividade” (2006, p. 6). A autora ainda arrisca dizer que essa perda de crédito se une a outros problemas de confiabilidade da internet, de modo que acaba afetando a credibilidade do meio como um todo. Porém, Ziller considera que, se as ferramentas disponibilizadas nessa mídia forem bem utilizadas, pode-se conquistar a confiança dos usuários.

Os portais não se aproveitam da totalidade dessa potencialidade do suporte. O incentivo à posição ativa dos usuários, em relação ao noticiário, passa, nos portais analisados, por um outro caminho: a disponibilização de enquetes e fóruns para que o visitante se manifeste. Mas o aproveitamento desse recurso também é baixo. Ele é usado em 28,8% das notícias do Globo.com, 10,1% no Terra e 2,8% no Uol (ZILLER, 2005, p. 196).

Porém, vale ressaltar que a autora fez um levantamento apenas dos maiores portais em atuação no Brasil. Temos hoje sites que já se aperfeiçoaram na utilização desses recursos, e que produzem um conteúdo que poderia ser disponibilizado única e exclusivamente na web, como é o caso do BuzzFeed e do Spectra Visual Newsreader, dentre outros. Voltando ao pensamento de Ziller, antes da web, os veículos procuravam a maior apuração possível dos fatos para depois divulgar a notícia, enquanto na web a notícia pode ser publicada em vários fragmentos, que são reescritos de acordo com o recebimento de mais informações. A apuração completa dos fatos, antes da publicação, parece não fazer mais parte das práticas jornalísticas.

É prática comum entre os webjornalistas, por exemplo, publicar dois lados de uma questão separadamente, na medida em que se escutam os envolvidos, para elevar a quantidade de notas publicadas e a velocidade de atualização do site. Entretanto, um usuário que visite o site quando apenas uma das notas, com apenas um dos envolvidos em determinado fato, tiver sido publicada tende a ter uma visão parcial e distorcida daquele fato. À noite, ao chegar em casa e ligar a TV, vai ver o fato com os dois lados mais óbvios e terá a oportunidade de se conscientizar de que a impressão obtida por meio do seu portal era errônea. (ZILLER, 2006, p.11).

Ainda em debate dos fatores que interferem na credibilidade do produto jornalístico, Chistofoletti e Laux (2008) recorrem a Adghirni, que relaciona valoresnotícia e credibilidade no jornalismo on-line. Para a autora, a instantaneidade de publicação da informação se tornou uma obsessão dos veículos. Ela critica o fato de o público dar mais valor para a instantaneidade da notícia que para a credibilidade da mesma. Chistofoletti e Laux afirmam que a velocidade do compartilhamento da informação está cada vez mais interligada com a confiabilidade do conteúdo. “No tempo real, tempo é a definição mesma do serviço e a relação tempo versus credibilidade é a base do seu diferencial frente às outras modalidades jornalísticas e frente à concorrência.” (ADGHIRNI, 2004, p.3 apud CHISTOFOLETTI; LAUX, 2008, p.35).

Seguindo nessa linha, Adghirni diz ainda que a quantidade de notícias está acima da qualidade, assim como a velocidade vale mais que a veracidade. Ela destaca que a maior parte do conteúdo dos sites noticiosos é uma cópia dos textos disponibilizados em outros veículos on-line. Por isso, considera que essa prática revela um atrofiamento da apuração jornalística.

Como é freqüente a prática do recorta e cola, é cada vez mais difícil identificar o responsável final pela informação. [...] contexto que minaria os esforços para o estabelecimento de um sistema de credibilidade próprio para os meios online, demonstrando a dependência e insuficiência da internet como mídia. (ADGHIRNI, 2004, p.3 apud CHISTOFOLETTI; LAUX, 2008,p.35).

Vimos aqui que fatores que foram consequências da transposição entre os meios afetaram a credibilidade dos profissionais da web, assim como novas práticas que foram adotadas – recorta e cola – devido às novas possibilidades oferecidas por essa plataforma.

5.2. COMO A CREDIBILIDADE É CONSTRUÍDA

A discussão sobre a credibilidade dos profissionais que atuam na web é bastante complexa e abstrata, porque, como temos visto, são inúmeros fatores que influenciam na captação da confiança do público. Para Conceição e Domingos (2012), por exemplo, as mídias digitais utilizam storytelling para ganhar credibilidade ou atingir públicos distintos. Storytelling seria a arte de contar histórias. Uma maneira de usar a narrativa para compartilhar informações e experiências dentro da mídia, com fins persuasivos e comerciais. Seguindo a análise de quais seriam os fatores que moldariam a credibilidade de um veículo, e quais então seriam os novos critérios de confiabilidade dos blogs (portugueses), Catarina Rodrigues (apud CHISTOFOLETTI; LAUX, 2008) concluiu que a credibilidade depende da qualidade do trabalho e dos recursos que foram utilizados para a criação do conteúdo. Ela recorre ainda a José Luis Leon, que define as condições de credibilidade em três atributos principais: experiência, confiança e status.

Assim, Rodrigues afirma que celebridades, ou pessoas com maior prestígio social, possuem maior poder de persuasão e, consequentemente, mais sucesso no universo dos blogs. Portanto, um autor anônimo “[...] nunca terá a mesma credibilidade de alguém perfeitamente identificado, e a quem possam ser imputadas responsabilidades sobre o que é dito” (RODRIGUES,p. 77 apud CHISTOFOLETTI; LAUX, 2008, p.36).

O facto de os blogs mais lidos em Portugal serem de autores devidamente identificados pode significar que, ao assinarem, podem ser responsabilizados pelo que publicam. Isso transmite confiança aos leitores representando igualmente um aumento da credibilidade. Podemos ainda acrescentar, tal como refere Varela, que ‘os bloggers mais respeitados são os mais transparentes e os que citam as melhores fontes. O hipertexto converte-se num elemento de autoridade ao aumentar a profundidade da informação. Num blog, factores como credibilidade e transparência são muito apreciados, merecendo o respeito da comunidade blogger. (RODRIGUES, p.80-81 apud CHISTOFOLETTI; LAUX, 2008,p.36).

Saindo brevemente da análise dos veículos da web e voltando para uma discussão mais antiga, proposta por Arbex (2002), é possível concluir que essa credibilidade dada a pessoas com maior status social pode ser perigosa. O autor critica os supostos “intelectuais-jornalistas” que, para ele, seriam figuras públicas que, enquanto ocupantes do posto de jornalista – ou melhor, de informante da notícia – se utilizam dessas duas condições para agregar maior confiabilidade ao discurso. Arbex afirma que esses sujeitos utilizam o “duplo vínculo” – acadêmico e midiático – para burlar possíveis exigências dessas áreas. Ele usa como exemplo desse pensamento a figura do âncora que, ao seu ver, representa a mediação dos veículos com o público, funcionando como uma espécie de vitrine das ideologias da marca. Assim, esses personagens teriam liberdade para opinar e discutir sobre qualquer assunto, mesmo que não faça parte de sua formação acadêmica, e ainda assim o discurso desse intelectual-jornalista teria toda a autoridade atribuída a um profissional com formação acadêmica.

Dão, assim, a aparência de um ‘saber intelectual’ à lógica do mercado. Eles ditam o que deve ou não ser lido, visto, ouvido e usado pelos seus leitores/telespectadores. Orientam as escolhas, assim como geram parâmetros de opinião. (ARBEX, 2002, p. 135).

O autor ainda vai além. Segundo ele, os intelectuais-jornalistas contaminam os produtos de formas totalmente distintas, fazendo com que os produtos culturais, artísticos, filosóficos e sociológicos – elaborados por pensadores, professores e artistas – tenham que ser, de certa forma,aceitos pela mídia que, por sua vez, exige uma simplificação e vulgarização do conteúdo, de forma a ficar mais universalizado.Chistofoletti e Laux (2008) destacam que, no Brasil, os jornalistasblogueiros de maior confiabilidade são os que geralmente estão vinculados a grandes meios de comunicação, “[...] como se estendessem na blogosfera parte do prestígio de que desfrutam na mídia tradicional.” (p.31).

Porém, os autores mostram que, diferentemente da TV – onde a credibilidade é atribuída a uma só figura, o canal, através de um representante, o repórter - nos blogs, a credibilidade não é formada apenas pelo autor do texto, mas também por todos os leitores que consomem, comentam e avaliam o conteúdo. A interação possibilitada pelo advento da internet permite ao público uma participação cada vez maior no que diz respeito à avaliação da qualidade de um produto.

Mas esta não é uma mudança irrelevante: trata-se da organização de um conjunto de orientações dispersas numa determinada direção e com alguma intensidade. Isto é, o público dessa mídia — o blog — não apenas recebe passivamente os conteúdos, mas ajuda a julgá-los pertinentes, válidos e confiáveis para serem replicados. Como nas demais mídias, o público elege seus favoritos, mas como a blogosfera ainda desfruta de uma fase de crescimento exponencial (e ainda livre do domínio das grandes corporações de comunicação), a indicação dos eleitos parece traduzir com mais fidelidade a vontade popular. Daí poder-se dizer que, na blogosfera, o público seja mais influente. A bem verdade, o que acontece é que convivem simultaneamente vários sistemas de reputação na Internet — e também na blogosfera —, permitindo que a seleção de serviços, conteúdos e informações (inclusive jornalísticas) se apóie em mais filtros. E estes funcionem de forma descentralizada. A emergência da Internet como uma das principais plataformas de difusão de informação trouxe também questionamentos sobre como esse meio contamina o processo de produção e disseminação de notícias; e que aspectos mais contam para os públicos no que tange o consumo dessas mídias. Alguns estudos e sondagens contribuem com dados para uma melhor compreensão do webjornalismo como fenômeno social e comunicacional, mas também da cada vez maior influência dos blogs no que tange à confiabilidade das informações difundidas pela Internet. (CHISTOFOLETTI; LAUX, 2008, p.37).

Os autores avaliam que esse “novo sistema de credibilidade dos blogs” oferece riscos justamente por ser mais aberto e contar com a participação dos usuários, já que está exposto a julgamento de crenças pessoais, porém consideram que esse sistema é mais transparente que os demais. Eles destacam que a reputação se torna um produto de uma construção coletiva de opiniões e críticas de terceiros, diferentemente do modelo em que a reputação é dada a um único canal. “Nos novos sistemas, cada pessoa se torna um elo que contribui e acrescenta para a indicação global de uma reputabilidade, de uma credibilidade.” (CHISTOFOLETTI; LAUX, 2008, p.44). Destacam ainda que “[...] o público ocupa um espaço mais decisivo na seleção informativa, na definição de atributos qualitativos ao produto jornalístico.”(p 46)

Eles citam o site NewsTrust como exemplo de blog que já se condicionou aos novos critérios de confiabilidade. O veículo reúne notícias de todo o globo. Uma rede de avaliadores, formada por jornalistas, estudantes e cidadãos comuns, atribui notas aos textos, certificando assim a credibilidade e veracidade dos relatos. Canavilhas faz citação de uma pesquisa que reforça o sucesso dessa tendência.

Uma pesquisa realizada pelo Media EffectsResearchLaboratory revela que há uma espécie de "efeito multidão" que conduz os leitores para notícias que registam grande número de visitas. Na experiência realizada, os participantes foram convidados a ler notícias selecionadas por um editor de notícias de um jornal, por um computador (escolha aleatória) e por outros intervenientes no estudo. Convidados a classificar os conteúdos das notícias analisa-das quanto à confiabilidade/credibilidade, os participantes valorizaram em primeiro lugar as notícias seleccionadas pelos outros utilizadores.] Este dado, revelado pela possibilidade de interactividade, é importante na hora da selecção das notícias. (CANAVILHAS, 2001, p. 3.)

Em outro estudo,Chistofoletti e Laux (2006) comentam sobre os critérios de credibilidade recomendados pela Stanford Persuasive Technology Lab, em 2002, para que sites de notícias tenham mais chances de captar a confiabilidade do público. São elas:

“a) facilite para que as informações de seu site sejam confirmadas; b) mostre que existe uma organização/empresa real por trás de seu site; c) mostre que pessoas honestas e confiáveis estão por trás do site; d) facilite o contato dos leitores; e) profissionalize o visual do seu site; f) preocupe-se com a usabilidade; g) atualize frequentemente o seu site; h) evite erros de todo tipo, mesmo os menos graves.” (CHISTOFOLETTI; LAUX, 2006. p.9)

Essas sugestões não devem ser tratadas como regra - e a utilização não garante a confiabilidade do público para com o veículo - porém podem ser consideradas como um manual de recomendações para a apresentação de um site.

6. METODOLOGIA

O método pelo qual uma pesquisa obtém as informações tem impacto direto no resultado e na qualidade dos estudos. Como Gaskell (2002 apud TRAD, 2009.) destaca, não há um consenso, na literatura, sobre qual método de pesquisa vai ser o mais eficaz para alcançar determinado fim, o que cria um desafio para o pesquisador no momento de decidir qual técnica de pesquisa irá adotar. Embora muitos pesquisadores expliquem, de maneira embasada, as recomendações para se aplicar os métodos, definir o mecanismo de pesquisa é um problema confuso (MORGAN, 1998 apud TRAD, 2009.). Em uma tentativa de simplificar o processo de escolha de um método a se seguir, Costa (2005, p. 180) considera ainda que é comum que os pesquisadores nem sempre saibam qual pergunta certa para o problema, mas concorda que, de acordo com Hellinger (2004), “[...] o mais importante é a definição da pergunta”.

Se comparados com a observação, Morgan (1992, apud TRAD, 2009.) coloca que os grupos focais são mais vantajosos – em estudos que desejam analisar uma tendência de um público, por exemplo - porque, diante da complexidade das questões, usar o método de observação de indivíduos demanda muito mais tempo. Já Gaskell (2002,apud TRAD, 2009) avalia que, para o mesmo número de entrevistados, o grupo focal é mais eficaz. Para ele, são critérios decisivos, por exemplo, os estímulos que os moderadores podem fazer durante uma sessão em grupo e o fato de permitir estudar a maneira como as pessoas lidam com as divergências. Ele também comenta sobre a possibilidade de se compartilhar interesses e preocupações quando se discutem as experiências de cada um, já que raramente um indivíduo começa a refletir sozinho sobre as mesmas questões. Nesse raciocínio, Costa (2005,p. 180) coloca o Grupo Focal (GF) como uma alternativa de pesquisa qualitativa para analisar tendências, o foco, desvendar problemas e, em alguns casos, buscar a agenda oculta do problema. Trad (2009) associa a escolha dessa metodologia ao baixo custo de produção da mesma, além da possibilidade de obtenção de diversos dados em um curto período de tempo.

6.1. GRUPO FOCAL

De acordo com Costa (2005, p. 181), esse método teve origem nas Ciências

Sociais, mais especificamente em 1941, através dos estudiosos Paul Lazarsfeld e Robert Merton, sendo o segundo e considerado o pai do Grupo Focal. Merton publicou o primeiro trabalho utilizando o Grupo Focal. Entre 1950 e 1980 a metodologia foi muito “[...] utilizada no marketing para identificar tendências, preferências, hábitos e percepções do consumidor.” (p. 181).

O Grupo Focal tem como objetivo perceber os aspectos valorativos e normativos que são referência de um grupo em particular. São na verdade uma entrevista coletiva que busca identificar tendências. A maior busca é a de compreender e não inferir nem generalizar. (COSTA, 2005, p. 181.)

A autora diz ainda que essa investigação qualitativa possibilita analisar a satisfação de produtos como programas de TV, revista, seriados, textos populares, além de entender quais são as provocações causadas nos receptores desses conteúdos. Porém, por ter uma abordagem bastante dinâmica e se tratar de um processo com várias implicações e variáveis, o GF possui vantagens e desvantagens.

O Grupo Focal apresenta vantagens relacionadas à sinergia gerada pela participação conjunta do grupo de entrevistados; a interação entre os participantes, que enriquece as respostas; a flexibilidade para o moderador na condução do roteiro,; a profundidade e a qualidade das verbalizações e expressões; por outro lado, o que é considerado vantagem pode se percebido como desvantagem em algumas situações, como o controle reduzido que o moderador tem sobre os dados gerados; o fato de que não é um ambiente natural e pode refletir ou não o comportamento individual, a possibilidade de circunstancialmente as opiniões serem influenciadas pelo comportamento de um integrante mais exuberante do grupo, por exemplo; o Grupo Focal é altamente recomendável quando se quer ouvir as pessoas, explorar temas de interesse em que a troca de impressões enriquece o produto esperado, quando se quer aprofundar o conhecimento de um tema. Em contrapartida, os grupos focais não atendem a necessidade de dados estatísticos, não integram pessoas que não se sentem confortáveis umas com as outras, não fornecem informações previsíveis, e o tópico em tela cria inversão de privacidade. (MORGAN, 1998 apud COSTA, 2005, p.182-183).

O GF permite uma maior interação entre o pesquisador e o objeto estudado, o que cria um ambiente favorável para refletir sobre os resultados alcançados. Segundo Elasir e Barbosa (1999, p.1), um grupo focal “[...] é um grupo de discussão informal e de tamanho reduzido, com o propósito de obter informações de caráter qualitativo em profundidade.”Ou seja, ele tem como objetivo captar e analisar diferentes percepções, opiniões e sentimentos sobre um tema em um ambiente de interação. Costa (2005) também ressalta que esse tipo de pesquisa não pode produzir nenhuma estatística numérica, já que o objetivo do método é identificar e estudar opiniões e tendências.

O GP é um dos principais métodos de pesquisa que utiliza a dinâmica de grupo, o que permite aos participantes serem orientados para alcançar níveis de maior compreensão e aprofundamento no tema. Giovanazzo (2001) sugere que o método é a ferramenta apropriada para entender como as pessoas consideram uma experiência, ou uma ideia, além de discorrer sobre o que as pessoas pensam, sentem ou agem. A técnica é rica já que reconhece a tendência humana de formar opiniões na interação com outros indivíduos. Sendo assim, se difere dos dados colhidos em questionários fechados ou entrevistas individuais, em que o entrevistado pode ser convocado a opinar sobre assuntos que talvez nunca tenha pensado. De acordo com Iervolino e Pelicioni (2001), “[...] as pessoas em geral precisam ouvir as opiniões do outros antes de formar as suas próprias, mudando constantemente de posicionamento, ou fundamentando melhor sua posição inicial, quando expostas a discussão em grupo”. Mas, como já foi apontado por Costa (2005), deve-se tomar cuidado para que, no meio dessa dinâmica, algumas opiniões – de entrevistados com mais protagonismo que outros – ganhem mais atenção do que as dos demais e acabe levando todos os participantes a um consenso de ideias, mesmo que não seja de fato a opinião de todos os estudados.

6.2. NÚMERO DE PARTICIPANTES

Em relação ao número de participantes se encontra uma variação entre as recomendações encontradas na literatura, de seis a quinze integrantes. O tamanho ideal para um grupo focal é aquele que permita a participação efetiva dos entrevistados e a discussão adequada dos temas (PIZZOL, 2004). Costa (2005) sugere que esse número seja de 8 a 12 participantes. Para a pesquisa, foram convidados 10 participantes, porém 1 participante não pôde comparecer e por isso o GF contou com 9 participantes. Essa escolha foi para que, baseado nas recomendações dos autores, se alcançasse uma variedade de discursos e percepções. O pesquisador optou por não atingir o número máximo de participantes (12) sugeridos.

6.3. PERFIL DOS PARTICIPANTES

Os selecionados devem apresentar características em comum que sejam relacionadas ao tema estudado. Barbour e Kitzinger (1999 apud TRAD, 2009) recomendam que os integrantes sejam escolhidos em um grupo de indivíduos que convivam com o assunto e que tenham conhecimento dos fatores que afetam os dados mais pertinentes. Costa (2005) destaca ainda a importância de o grupo ter um nível socioeconômico e acadêmico semelhante, “para evitar inibições e constrangimentos”.

Como já foi visto no capítulo que tratou da demanda do público (p.13), quando o assunto é internet, o perfil jovem é o mais apto a debater sobre. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2015 aponta que os jovens entre 15 e 19 anos representam o maior número de usuários conectados na internet. Outra pesquisa, do Datafolha10, revela que os jovens entre 16 e 24 anos são os que mais buscam informações em redes sociais e sites de notícias.

Na pesquisa, foram convidados participantes entre 16 a 22 anos. Essa escolha refere-se à delimitação do estudo em um perfil de público jovem.

7. RESULTADOS DA PESQUISA 11



Devido a esses fatores, os participantes da técnica para essa pesquisa se enquadravam na faixa etária entre 16 e 24 anos e tinham os níveis de formação acadêmica e socioeconômicos aproximados.

7.1. SELEÇÃO

Para decidir quem serão os integrantes do grupo, alguns critérios são recomendados. Variam conforme o problema em estudo. O essencial é que os escolhidos tenham características em comum e que estejam qualificados à discussão. (GATTI, 2005). Os participantes devem ter algum nível de convivência com o para uma maior repercussão na troca de informações. Na hora de se montar a lista de participantes, deve-se considerar os objetivos da pesquisa, as características das pessoas e as possíveis contribuições destas para o tema. (FREITAS; OLIVEIRA,1998). [Os participantes foram convidados pessoalmente e por meio de e-mails.]

7.2. DURAÇÃO E QUANTIDADE DE QUESTÕES.

Ainda segundo Costa (2005, p. 184), a recomendação é de que a entrevista dure em torno de uma hora. Em relação à quantidade de questões, é variável. Ela explica que, no caso de homogeneidade entre os entrevistados, as perguntas são rapidamente respondidas e um consenso é facilmente apontado. Porém, nos casos de grupos heterogêneos, pode-se trabalhar mais sobre um número reduzido de questões. Isso porque os participantes teriam mais pontos de vista contraditórios para debater. [Na ocasião, o GF durou aproximadamente 50 minutos, preenchidos por questões e debates entre os participantes, a respeito das fontes de informação mais acessadas, as mais confiáveis, e o humor em chamadas jornalísticas feitas na internet, principalmente nas redes sociais. Após um levantamento sobre a aprovação ou desaprovação desse tipo de chamada nas matérias, a discussão girou em torno de como esse fenômeno se relaciona com a credibilidade dos jornalistas.

7.3. PERFIL MODERADOR

Durante o GF, procurei sempre me alinhar às recomendações sugeridas pelos autores que discutem a técnica. De acordo com Costa (2005, p.185), um bom moderador não deve induzir as respostas. Ele deve estimular o debate para fazer com que todos os entrevistados – se possível – participem da discussão. A autora afirma que qualquer parcialidade que o moderador transpareça pode influenciar a resposta do público, já que este, segundo a autora, tem uma predisposição a tentar “agradar” o entrevistador e, assim concordar com ele. É importante que esse facilitador, que intermedia a entrevista, crie um clima de informalidade e descontração. A autora considera que as respostas instantâneas, que são rapidamente formuladas, são as que mais expressam o posicionamento dos entrevistados.

7.4. DOCUMENTADOR

A técnica conta com a presença de um documentador, que exerce um papel que se assemelha ao de um assistente. Este não participa da discussão, apenas registra tudo o que se passa na entrevista. Ele deve registrar os comentários verbais e não verbais em uma planilha – que não contém os nomes, apenas os números dos participantes, a fim de propiciar a confidencialidade dos mesmos. Na planilha devem estar identificadas todas as perguntas que foram feitas e quem foram os participantes que a responderam. Costa (2005, p. 187) ressalta que, na hora da transcrição desses dados, deve-se tomar muito cuidado para que não se acrescente falas ou atitudes dos quais não se tem certeza de que realmente aconteceram. Em outras palavras, depois da entrevista, não se acrescenta nada na planilha só porque algum documentador “acha” que foi assim. Foi convidado para compor o Grupo Focal, como documentador, um estudante de jornalismo.

7.5. REALIZAÇÃO

Deve ocorrer em lugar neutro para não coagir os participantes. No caso de estar sendo gravada, a entrevista deve ser em ambiente silencioso, e todos os entrevistados têm de estar cientes de que estão sendo gravados e lembrados de que todos os nomes não serão divulgados. Respeitando os critérios de gravação e sigilo, o GF ocorreu em uma sala de aula do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) contando com o auxílio de um retroprojetor, com os slides das manchetes e perguntas.

7.6. ANÁLISE DE DADOS

A análise do produto nesse método é muito subjetiva, todas as reações – linguagens verbais e corporais – devem ser consideradas. Até o silêncio deve ser interpretado a fim de se analisar qual é o posicionamento de um determinado entrevistado diante do problema.

Puchta (2004) faz referência à produção de opiniões como resultado de um Grupo Focal e afirma que essas opiniões são cunhadas pelo acróstico POBA (Perceptions, Opinions, Beliefs ET Attitudes). De acordo com a autora, esse caráter subjetivo e um tanto vago dos produtos do Grupo Focal justifica-se por algumas razões – primeiro, alivia a tensão entre as áreas sociais e de marketing, permitindo uma convivência mais pacífica; segundo, porque reflete um produto que é um conjunto de percepções e não simplesmente uma relação de perguntas e respostas de um para um; e terceiro, permite acompanhar a fluidez do dia-a-dia das pessoas sem colocações definitivas ou radicais. (PUCHTA, 2004, apud COSTA, 2005, p. 189)

Costa (2005) também alerta que algumas opiniões podem ser manifestadas como se fossem de outras pessoas, nos casos dos entrevistados usarem como exemplo a experiência de familiares ou conhecidos. Para a análise, Costa oferece um modelo para que se categorize a relevância das respostas. Apesar de simples, a partir da leitura deste trecho percebe-se a complexidade das avaliações dos entrevistados.

Tenho usado na minha prática, para uma categorização mais básica, três dimensões: respostas espontâneas, que refletem de forma mais fiel a percepção dos participantes; respostas socialmente aceitas, que refletem a pressão do grupo, a conformidade; e respostas pistas, que ensejam continuidade da investigação, possivelmente a realização de mais Grupos Focais, que levam à análise de manifestações do inconsciente, do simbólico do grupo. (COSTA, 2005, p. 190)

A autora também destaca a importância de uma reunião de feedback após a execução da técnica metodológica. Segundo ela, esse encontro pode servir como forma de aperfeiçoar o processo, no caso da equipe apontar possíveis pontos que possam ser melhorados. Porém, outro aspecto que também pode ser valorizado nessa reunião é a troca de informações acerca do que foi observado pelo moderador e pelo documentador, a fim de se verificar se a percepção de ambos aponta para um mesmo resultado.

O Grupo Focal debateu diversos critérios de credibilidade no webjornalismo enquanto seguia uma apresentação de manchetes. Esse modelo conseguiu, de certa forma, simular a exposição de notícias à que os leitores estão expostos diariamente. Exposição essa que, por ser constante, pode acabar afetando o senso crítico desses leitores. O que se pretendeu com esse método foi a aproximação dos jovens com um tipo de abordagem de conteúdo os quais estão em contato cotidianamente. Para isso, foram selecionadas matérias – compartilhas no facebook de alguns veículos – que possuíam chamadas engraçadas. Logo em seguida, era apresentado um texto sobre o mesmo tema, que porém, não utilizou do humor. Pretendia-se assim verificar a recepção dos jovens em relação ao humor nas matérias jornalísticas. Logo abaixo temos, como exemplo, uma das manchetes apresentadas durante a pesquisa. Destaca-se que, no Facebook, o espaço disponibilizado para um possível comentário na matéria está sendo bastante utilizado pelos veículos para se colocar uma chamada que capture a atenção do leitor.

Os slides – com todas as manchetes utilizadas - podem ser consultadas no Apêndice.

8. GRUPO FOCAL

Está disponibilizado a seguir a análise dos resultados obtidos por meio da realização do Grupo Focal, conforme descrito no capítulo anterior. A apresentação de power point exibida ao GF encontra-se no apêndice deste trabalho.

8.1. ANÁLISE

A análise de resultados foi elaborada pelo facilitador do GF juntamente com as considerações do observador. Essa precaução ocorre para comparar as interpretações de cada um sobre o estudo além de compartilhar as anotações. Ao início da pesquisa, o moderador perguntou aos participantes qual era o meio de preferência deles para buscar informação. Todos os participantes revelaram que preferem se informar através da internet.O participante número 6 elogiou a web por ser um meio prático para se fazer buscas de assuntos de interesse do leitor a qualquer momento e em qualquer lugar. O número 7 destacou a possibilidade de “checagem” da informação em diferentes veículos como, por exemplo, os jornais mais tradicionais. O número 3 disse ainda que a prática de acessar mais de um veículo possibilita ao internauta perceber quando falta informação em algum texto, nos casos em que a mesma notícia é veiculada em mais de um site. Apesar disso, os participantes 2, 3 e 6 consideraram que o impresso é o meio de maior credibilidade quando se fala em jornalismo. Notou-se que um fator que estimula essa percepção é a existência de inúmeros sites que publicam conteúdos na forma de notícias, porém não são jornalísticos.

Apesar de confiar mais nos impressos, o número 2 disse que prefere buscar informações pela internet por esta oferecer mais detalhes sobre o assunto. Já o 4 e o 7 afirmaram que, devido à grande variedade de fontes de informação - o que permite mostrar vários enquadramentos de um mesmo fato e outras possíveis interpretações - a internet se consagra como veículo de maior credibilidade. Porém, todos os participantes consideraram que é o público jovem quem mais acredita nos veículos on-line. Para eles, apesar de haver exceções, as gerações mais antigas preferem se informar pela TV e acham que esse seria o veículo de mais confiança.

O quadro abaixo mostra trechos das falas dos participantes durante o Grupo Focal. Foram selecionadas as falas que revelam a percepção de credibilidade que os usuários têm dos veículos on-line. Uma análise mais aprofundada sobre as falas dos participantes pode ser consultada no apêndice deste trabalho.

TRECHOS DE FALAS DOS PARTICIPANTES DURANTE O GF

PARTICIPANTE FALAS

  1. “[...] a gente pode se entreter enquanto busca informação.”

[facebook]

“[...] a internet é um meio onde você vai achar diversas opiniões sobre determinado assunto e com mais facilidade.”

  1. “Eu prefiro me informar pela internet por ter mais detalhes.”

“[...] o impresso tem mais credibilidade”.

  1. “A Internet é boa pela diversidade de opiniões e pela praticidade.”

“Na internet a gente pode abrir vários sites tratando do mesmo tema para poder comparar as informações... Qual matéria tem mais informação.”

“O uso do humor pode afetar credibilidade do veículo dependendo do assunto do texto.”

  1. “Eu acredito que os veículos online estão ganhando a confiança do público jovem.”

“Prefiro me informar pela internet, mas acho que, no geral, as pessoas confiam mais no impresso”

  1. “Acho que essa chamada com humor é dispensável. O uso do humor depende do tipo de notícia.”

  2. “Na internet eu posso acessar apenas assuntos do meu interesse.”

“Acho que o uso de aspas traz credibilidade ao texto.”

  1. “[...] acho que a internet tem mais credibilidade que o impresso.” “Eu acho que a matéria tem que te passar informação, e não trazer humor ou alguma coisa extra. A função da mídia é te informar. Acho que a maior parte das matérias deve seguir esse padrão, mas dependendo, cabe o humor sim.”

“Acho que matérias de politica podem ter humor, mas eu não gostaria de ler. Eu gostaria de pegar uma mais imparcial.”

  1. “Não confio na mídia tradicional. Prefiro entrar na internet, que tem varias fontes, para me informar. Confio mais na internet.”

  2. “Acho que os veículos online estão ganhando confiança do público jovem. Mas existem execções. Meu pai, por exemplo, busca informação em todos os meios. Acho que no geral o público jovem é quem mais acredita nos sites, mas acho que existem exceções nas gerações mais antigas.”

Observou-se, após a conclusão do GF, que o acesso a diferentes sites é um dos pilares da confiabilidade da web na opinião do público analisado. Percebeu-se também que os entrevistados não possuíam um site de preferência para se informar. Apenas a participante número 7 afirmou gostar de acessar o site Catraca Livre, por este possuir manchetes legais, em sua opinião. Mas considerou que o veículo não é sua fonte principal de informação e que ela acessa notícias em diferentes sites. A maioria afirmou receber as informações principalmente pelas redes sociais e que, caso queiram se aprofundar em algum assunto, fazem uma pesquisa no Google e acessam o conteúdo dos sites que aparecerem, independentemente de quais sejam. Neste ponto percebe-se que os sites mais acessados – os primeiros apresentados na pesquisa do Google - se configuram como fontes de informação de certa credibilidade. Como já foi visto no capítulo 3 (p. 27), o chamado efeito multidão agrega confiabilidade aos veículos. Os participantes 1, 2 e 3 disseram ainda que o estilo de fonte usada no título pode agregar ou não mais credibilidade à informação.

Após a análise sobre os meios de informação de preferência dos participantes, a discussão se encaminhou para a percepção dos entrevistados em relação ao uso de humor em chamadas jornalísticas. Foram apresentados alguns exemplos dessas ocorrências, principalmente pela página do Facebook de alguns veículos, para que os participantes opinassem sobre. Dos 9 entrevistados, 6 disseram que consideram o uso do humor perigoso em alguns casos e concordam com a utilização do mesmo apenas em alguns temas. A maior parte dos entrevistados concluiu que em alguns casos o humor pode ser usado, porém consideram que esse atrativo é dispensável na maioria das vezes. Todos os participantes aprovam o uso do humor em assuntos de cultura e esportes. A maioria considera que quando se trata de temas políticos e econômicos essa utilização se torna mais complexa.O entrevistado 4 disse ainda que, no caso de temas políticos, o humor pode revelar um possível posicionamento do redator, fator este que pode desagregar credibilidade para um leitor que tenha outra opinião. Nesses casos, o participante 7 considera que o jornalista deve se ater a passar as informações sem partir para o uso do humor ou de uma abordagem opinativa. Apenas o participante número 6 avaliou que o humor pode ser usado em chamadas jornalísticas – independentemente da editoria - sem que isso afete o restante do conteúdo, porém desde que usado com responsabilidade, sem exagerar, explicou. O participante disse ainda que o uso de aspas, para as falas dos entrevistados das matérias, traz mais credibilidade ao texto. Apesar disso, os participantes concluíram que, no caso de veículos mais antigos e de maior credibilidade - como os sites de grandes impressos -, o veículo pode usar o humor sem que isso cause uma perda de credibilidade para o mesmo.

Foram apresentadas várias manchetes aos participantes. Entre elas havia manchetes sobre política, cultura, algumas com chamadas engraçadas e havia uma notícia falsa. Ao final da apresentação de todas, o moderador perguntou aos participantes se alguém havia desconfiado da veracidade de alguma das informações. Até o momento em que o facilitador fizera esse questionamento, ninguém havia questionado se alguma notícia era falsa. Depois de perguntados, os participantes pensaram em qual das manchetes poderia ser falsa. Ninguém adivinhou. Apenas quando o moderador apresentou novamente todas as manchetes, e as leu uma por uma, os participantes 4 e 5 perceberam qual era a notícia falsa.

Esse fato revela que algumas manchetes, por mais absurdas que sejam, passam despercebidas por navegantes que, expostos a uma quantidade imensa de informações dos mais diversos assuntos, se tornam cada vez menos críticos quanto à veracidade dessas informações. Todos os participantes disseram já ter acreditado em alguma notícia ficctícia que viram circulando na rede. Além disso, o fenômeno levantou uma discussão sobre como a presença de sites de notícias falsas na rede pode “sujar” a reputação dos demais veículos on-line. Os participantes afirmaram que sempre acessam outros sites para checar informações que tenham visto em algum veículo desconhecido. Mesmo assim, concluíram que os veículos on-line estão ganhando cada vez mais a confiança do público, porém consideram que esse fenômeno é restrito aos jovens. Para eles, as gerações mais antigas têm preferência pela TV como fonte de informação. Em relação à credibilidade dos webjornalistas, percebe-se que a mesma está fortemente ligada à confiabilidade do veículo e sua aceitação pelo público.

9. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Percebe-se que o público jovem é o que mais tem afinidade com os veículos de comunicação on-line e, consequentemente, o público que mais consome informações na web. Por ainda ser recente a migração em massa dos veículos tradicionais para o on-line, parte do público ainda assume uma postura receosa em relação aos novos meios, principalmente as gerações mais antigas, sobretudo aqueles que preferem a TV como fonte de informação. Paralelamente a isso, temos uma ascensão dos veículos on-line como fontes de informação de confiança. Novas formas de avaliação sobre a qualidade dos textos produzidos pelos sites de notícias surgem e se estabelecem. Esse fenômeno é ainda estimulado pela disponibilidade de uma grande variedade de fontes na rede, o que possibilita ao público ter acesso a várias informações, percepções e análises de um acontecimento. A internet oferece aos leitores uma democratização na análise das informações, num ambiente de imensa variedade de opiniões e conteúdos. Sendo assim, a variedade de discursos e fontes se consagra como um dos pilares da credibilidade do webjornalismo. Em meio a tudo isso, cresce – especialmente para o público jovem- a credibilidade dos veículos on-line como fontes de informação.

A concepção pessoal de um indivíduo sobre um fenômeno passa a ser relativizada a partir do acesso a informações que antes estavam fora do alcance. Destaca-se que essa oportunidade, de checar várias fontes, com diferentes abordagens sobre uma informação, garante ao público uma possibilidade de criação de senso crítico sobre a mídia, já que este passa a ter material suficiente para comparação e análise. Esse contexto impossibilita a existência de um “discurso único” propagado por um grande veículo. Na web, nenhum meio detém o monopólio da informação.

Mas essa infinidade de veículos também oferece riscos à confiabilidade da internet como meio, porque existem muitos sites de notícias falsas que, por meio do apelo a manchetes absurdas e/ou engraçadas, sobrevivem da grande quantidade de cliques e, por isso, ganham ares de confiabilidade por estarem entre as fontes mais acessadas já que, como vimos, o número de acessos é um dos fatores que podem agregar credibilidade no ambiente digital.

Outros fatores que facilitam a captação de público para a web são: a grande diversidade de assuntos abordados – em especial assuntos que normalmente não têm espaço na TV -, a praticidade de buscar notícias, a facilidade de checagem da veracidade de uma informação e da possibilidade de aprofundamento em determinados assuntos – hiperlinks.

A utilização do humor em chamadas jornalísticas cumpre o papel de chamar a atenção do leitor, porém o presente estudo indica um risco de que esse artifício deve ser utilizado com cuidado a fim de se evitar expor posicionamentos e opiniões. Apesar da opinião de um veículo poder ser um fator decisivo para um leitor simpatizar com o conteúdo, a exposição da mesma é relativa e perigosa, devendo ser evitada para não afetar a credibilidade do veículo, segundo os participantes do GF. Além disso, apesar de ser um artifício para captar um leitor com uma abordagem mais descontraída, observa-se que, para os leitores que buscam informação, a utilização do humor seria dispensável, sendo ele mais bem recebido por internautas que buscam descontração no ambiente digital, de acordo com o que foi apontado pelos entrevistados. Devido a isso, recomenda-se bastante precaução na utilização de humor em chamadas de matérias que tratem de temas políticos, a partir da tendência indicada na análise. O surgimento dessa grande variedade de fontes traz à tona o debate sobre a credibilidade dos meios. Espera-se que este trabalho estimule a produção de outros estudos mais aprofundados, diante das tendências apontadas sobre esse fenômeno.

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10.1. Notas

1 Pesquisa Brasileira de Mídia. 2006. Disponível em: http://www.secom.gov.br/atuacao/pesquisa/listade-pesquisas-quantitativas-e-qualitativas-de-contratos-atuais/pesquisa-brasileira-de-midia-pbm2016.pdf/view. Acesso em: 30 jun 2017.

2 FOLHA DE S. PAULO. Televisão perde espaço para as redes sociais entre jovens. Disponível em: http://temas.folha.uol.com.br/folha-20-anos-na-internet/a-geracaoconectada/televisao-perde-espaco-para-as-redes-sociais-entre-jovens.shtml. Acesso em 30 jun 2017.

3 IIBGE. PNAD 2015. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/pesquisas/pesquisa_resultados.php? id_pesquisa=40. Acesso em: 30 jun 2017.

4 FOLHA DE S. PAULO. Televisão perde espaço para as redes sociais entre jovens. Disponível em: http://temas.folha.uol.com.br/folha-20-anos-na-internet/a-geracaoconectada/televisao-perde-espaco-para-as-redes-sociais-entre-jovens.shtml. Acesso em 30 jun 2017.

5 FOLHA DE S. PAULO. Televisão perde espaço para as redes sociais entre jovens. Disponível em: http://temas.folha.uol.com.br/folha-20-anos-na-internet/a-geracaoconectada/televisao-perde-espaco-para-as-redes-sociais-entre-jovens.shtml. Acesso em 30 jun 2017.

6 O GLOBO. É tudo mentira. Disponível em: https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/e-tudo-mentira-4707979. Acesso em 30 jun 2017.

7 SUPER INTERESSANTE. Você tem 60% de chance de compartilhar esta noticia sem ler. Disponível em: http://super.abril.com.br/comportamento/voce-tem-60-de-chance-decompartilhar-esta-noticia-sem-nem-ler/ Acesso em 30 jun 2017.

8 OBSERVATORIO DA IMPRENSA. Difíceis delimitações no jornalismo humorístico. Disponível em: http://observatoriodaimprensa.com.br/feitos-desfeitas/dificeis-delimitacoesno-jornalismo-humoristico/ Acesso em 30 jun 2017.

9 Relatório Final de Pesquisa Brasileira de Mídia - PBM 2016. Disponível em: http://www.secom.gov.br/atuacao/pesquisa/lista-de-pesquisas-quantitativas-e-qualitativas-decontratos-atuais/pesquisa-brasileira-de-midia-pbm-2016.pdf/view. Acesso em: 30 jun 2017.

10 FOLHA DE S. PAULO. Televisão perde espaço para as redes sociais entre jovens. Disponível em: http://temas.folha.uol.com.br/folha-20-anos-na-internet/a-geracaoconectada/televisao-perde-espaco-para-as-redes-sociais-entre-jovens.shtml. Acesso em 30 jun 2017.

11 FOLHA DE S. PAULO. Televisão perde espaço para as redes sociais entre jovens. Disponível em: http://temas.folha.uol.com.br/folha-20-anos-na-internet/a-geracaoconectada/televisao-perde-espaco-para-as-redes-sociais-entre-jovens.shtml. Acesso em 30 jun 2017.

11. APÊNDICE

Neste capítulo se encontra a decupagem das falas dos participantes do Grupo. Aqui também se encontra a imagem dos slides que conduziram a técnica de pesquisa.

Legenda:

M- MODERADOR

P1 - PARTICIPANTE 1

P2 - PARTICIPANTE 2

P3 - PARTICIPANTE 3

P4 - PARTICIPANTE 4

P5 - PARTICIPANTE 5

P6 - PARTICIPANTE 6

P7 - PARTICIPANTE 7

P8 - PARTICIPANTE 8

P9 - PARTICIPANTE 9

M: Boa tarde. Nós vamos realizar agora um Grupo Focal. O Grupo Focal é um método de pesquisa qualitativo. Não vamos criar dados numéricos. É uma uma discussão sobre um determinado tema, com público, para termos uma percepção do assunto. O tema deste Grupo Focal é webjornalismo. Eu escolhi vocês porque vocês se enquadram nas características do público jovem que estou estudando. De acordo com uma pesquisa do Datafolha, os jovens entre 16 e 24 anos são os que mais buscam notícias na internet. Então vocês foram escolhidos por estarem incluídos nessa faixa etária mais jovem. Não existem respostas certas ou erradas, então não tenham medo de falar. Nada que vocês falarem aqui poderá ser usado contra você. Não vamos registrar o nome de vocês. Vamos identificar vocês por números. Então não tenham vergonha ou medo de falar, tudo bem? Então agora podemos começar..

Primeira pergunta: qual o meio você prefere para buscar informação? Quando você quer se informar sobre um tema onde você procura? Impresso, TV, internet, rádio, ou outros?

P1: Internet.

P5: Internet! P7: Internet. P8: Internet!

P9: Internet.

M: A internet então é um consenso? Todo mundo aqui prefere a internet? (...) Por que vocês preferem a internet?

P4: A internet dá mais detalhe

P2: É, eu prefiro me informar pela internet porque tem mais detalhes.

P5: Porque a internet tem mais praticidade… Mais detalhe… Tá sempre acessível. P1: É porque é um meio onde você vai achar diversas opiniões sobre determinado assunto, com mais facilidade e "tal". Podemos ler várias matérias sobre um mesmo tema para ir comparando. Ver se a informação é correta.

P6: É mais direto, é só você pesquisar o que você quer saber e você acha. Eu posso acessar apenas assuntos do meu interesse.

P3: É mais prático, ta sempre lá…. E é… Tem diversas opiniões. E como ele disse, a gente pode abrir vários sites pra poder comparar às informações… Ver qual matéria tem mais informação.

P7: Lá tem várias fontes, você pode ver quando a notícia é falsa.

M: E, entre esses que eu falei, qual meio te transmite mais confiança? Rádio, TV, jornal, impresso ou internet? Em qual deles você sente confiança na informação que esta sendo passada? P1: Eu acho que jornal

P6: Jornal

P9: Acho que o jornal tem mais confiança.

M: O Jornal impresso?

P1: Sim

P3: Sim

M: Todo mundo acha o impresso mais confiável?

P9:Sim

P2: Também acho que o impresso tem mais credibilidade.

P4: Eu prefiro me informar pela internet, mas acho que, no geral, as pessoas confiam mais no impresso.

P8: Pô, eu não confio em mídia tradicional não. Eu prefiro pesquisar, ir na internet...

Ter várias fontes, do que ir lá e ler só o jornal.

P7: Eu também. Acho que a internet tem mais credibilidade que o impresso.

M: Então você confia mais na internet ou mais no impresso?

P5: Mais internet.

M: Por quais motivos você confia mais na internet?

P7: Porque você pode pegar várias fontes e ver se tem alguma coisa que ta sendo distorcida, uma informação que está sendo deixada pra trás...

M: Ok. Agora vamos falar de webjornalismo. E quando eu digo isso eu não to falando das matérias de teleMornais da globo, por exemplo, que são postadas no site do G1. Eu to falando de matérias produzidas especialmente pra web. As que são criadas para serem compartilhadas na web, certo? Próxima pergunta: Quando vocês acessam a internet, vocês acessam mais para se informar, ou para se entreter?

P5: Isso é meio relativo.

P1: É. Isso é meio relativo porque você pode se entreter na informação.

P8: Tipo, você pode entrar no facebook e ir descendo o feed de notícias e acabar achando algumas informações. Você acaba se informando enquanto se ‘entrete’. M: Entendi. E tem alguma vez que algum de vocês entram na internet só pra se informar? P1: Sim P4: Sim

P2: Sim

M: E quando vocês fazem isso onde vocês vão?

P1: Google

P4: Google

M: Google mesmo? Ok. Agora eu vou mostrar pra vocês apenas duas manchetes. Se você se deparasse apenas entre essas duas matérias, em qual delas você clicaria: "Roda presa literalmente [chamada facebook]. Homem enche carro da esposa de cimento após ela alterar o sobrenome". Outra, "Homem enche carro da esposa de cimento por ciúme. Motivo da revolta seria uma mudança de sobrenome pra participar de uma promoção."

P5: O segundo

P7: O segundo M: Por que?

P5: Porque o segundo já mostra a imagem e já estraga. tipo você lê isso, aí você fica curioso pra saber o que que aconteceu. Aí você vê a imagem depois. O primeiro você Já viu…

P8: Também acho que a foto entrega a notícia e tira a curiosidade. Não tem mais porque clicar na matéria.

P3: Eu acho que um título com muita informação me atrai pra ler a matéria.

M: Você acha que nesse caso a imagem quebrou a curiosidade? Você não vai mais abrir porque já viu o que queria ver?

P5: Sim

P9: Sim

M: Todo mundo concorda com ele?

P2: Não, as vezes que vejo só a imagem e quero saber mais informação. Eu fico curiosa pela história.... Eu quero saber mais da história. Eu acho que clicaria na que tem a imagem.

M: Só ela clicaria nessa?

P4: Não.

M: Você também?

P4: Sim

P3: Sim

P1: Eu acho que a imagem, junto com a manchete, chama atenção para clicar na notícia.

P8: Eu gostei da chamada. Chamou minha atenção… Mas acho que eu clicaria na segunda também.

M: E agora, em qual você clicaria? "Câmara derruba dez vetos e novas leis vão beneficiar educação e saúde. Ou esse: "Acabou a correria [chamada facebook]. Aprovado aumento de tempo limite para sair de estacionamento sem pagar. Quem clicaria na primeira:

P9: Eu

P6: Eu

M: Quem clicaria na segunda?

P3: Eu

P5: Acho que não tenho opinião sobre isso

P1: São informações diferentes entendeu? Então eu não sei qual informação me chamaria mais a atenção.

M: Entendo. Mas nesse caso, não são informações diferentes. A mesma medida fez essas duas alterações... Mas então, de qual abordagem você gostou mais?

P5: A segunda

P4: A segunda

M: Vocês tem algum comentário sobre algo que tenha chamado mais a atenção?

P4: acho que a cor amarela da imagem.

P2: É.. cor chama atenção

P5: "Acabou a correria"

P8: Pô, eu pensei que quase todo mundo usa estacionamento, então acho que isso chamaria minha atenção porque muita gente usa.

P5: Eu mesmo não tenho carro, acho que isso me interessa mesmo

M: E qual a opinião de vocês sobre esse comentário: "acabou a correria"? Vocês acham que isso acrescenta a matéria em alguma coisa?

P1: Não acrescenta... Assim, só acrescenta pra chamar a atenção. Tipo: acabou a correria. A pessoa já para, assim, analisa. Lê aquele assunto. A pessoa lê a chamada e acaba lendo a manchete em seguida.

M: Certo. E agora, em qual vocês clicariam? "Em vídeo, Bolsonaro ironiza Maria do Rosário, alvo da lista de Fachin". Ou essa: "O deputado federal fez pouco da parlamentar em um vídeo divulgado nas redes sociais [chamada facebook].

Bolsonaro ironiza Maria do Rosário por ela estar em lista de Fachin".

P1: Segundo

P4: No segundo

P2: No segundo M: Por que?

P2: Porque ele deu mais detalhe

P1: É, ele deu uma informação mais concreta, uma informação mais certa.

M: então você acha que a segunda passa mais credibilidade?

P8: Eu clicaria na primeira M: Por que?

P8: Por causa do vídeo. Eu iria clicar pra ver se tinha o vídeo.

P3: É...

P7: Eu ficaria na segunda

P3: Na primeira eu gostei do "Maria do Rosário" e do "Bolsonaro". Tipo, eu gostei de ver o nome citado.

M: Certo. alguém fazer alguma outra observação que não foi feita? (...) Ok. Próximo: "O Papa Francisco é fera [chamada facebook]. Papa ganha camisa do Palmeira com número utilizado por Gabirel Jesus". Ou essa, "Papa Francisco ganha camisa personalizada do Palmeiras. Pontífice recebeu presente nesta quarta-feira, no Vaticano. Modelo especial tem patch personalizado no peito e número 33, usado por Gabriel Jesus, atualmente no City.

P1: Na segundo

P5: Segunda

P8: Segunda M: Por que?

P1: Pelo mesmo motivo. Ela parece trazer mais informação que a outra.

M: Então você gosta de subtítulos grandes, que trazem muita informação?

P1: Sim

P5: Eu clicaria na primeira M: Na primeira? Por que?

P5: Pelo simples fato de que eu ia ler o título e ia ficar com preguiça de ler o resto e iria desviar pra qualquer coisa.

P9: Eu acho que as duas trazem muita informação. Eu não clicaria nem em uma nem em outra. Acho que na primeira, a imagem Já diz muito. E na segunda Já tem muita informação no título.

M: Ok. E em relação a esse comentário aqui [chamada facebook]. Ele não faz parte da matéria, alguém que compartilhou que colocou ele. Vocês acham que esse comentário agregam ou desacrescenta alguma coisa na matéria? "Papa Francisco é fera. #estadão". Você acha que enriquece? É dispensável? Não faz diferença?

P1: É dispensável

P5: Acho que é dispensável

P7: Dispensável

M: Certo. E agora, em qual vocês clicariam? "Regiões leste e sul dos Estados Unidos foram afetadas por tempestade com temperaturas de vários graus abaixo de zero [chamada facebook]. Nadadores trocam piscina por revezamento na neve.". Ou essa: "Nadadores impedidos de competir por nevasca trocam piscina por revezamento na neve". Qual te chama mais atenção?

P8: A primeira

P3: A primeira

M: Ninguém clicaria na segunda? (...) Porque vocês gostaram mais dessa?

P7: eu gostei da imagem P3: É a imagem!

P5: E eu nem confio na BBC também...

M: Ok. Além da imagem alguma outra coisa? Ou a imagem foi fator decisivo aí? (...) A imagem. né? Ok. A próxima: "Odebrecht e Braskem pagarão a maior multa por corrupção da história". Outra, ""Como pedido de desculpas ao Brasil, Odebrecht fará expansão da Papuda de graça. [fake news]." Em qual dessas vocês clicariam?

P3: Na primeira P5: Na primeira

M: Alguém clicaria na segunda? (...) Ninguém? Por que vocês clicariam na primeira?

P3: Eu não confio em nada que as pessoas falam que é de graça.

P5: É...

M: Certo. Próximo. Qual dessas manchetes te passa mais credibilidade? Se você lesse apenas o título, qual dessas você diria que é de mais confiança?: "Reality show que se passa na selva é cancelado, mas participantes não são avisados". "Renan recebeu R$500 mil de propina e reclamou que era pouco, diz delator". "Salvador terá 4ª edição de concurso do maior testículo da cidade". "Mulher é indenizada após 'perder a virgindade' em exame médico". Eu não quero saber em qual dessas vocês clicariam. Assim, se vocês só pudessem ler o título, qual dessas matérias você diria que era verídica? Qual te passa mais confiança?

P2: A segunda

P5: A segunda

M: A sobre o Renan?

P5: É

P3: Eu diria a de competição de testículos em Salvador só porque é muito provável que exista.

P5: Mas são coisas muito aleatórias...

P1: É... não sei qual seria...

P7: O primeiro parece ser piada!

P5: E essa parada dos testículos ai também...

P6: A última, se pá. Porque tem gente muito doida nesse mundo

M: Ta. Entendi. Vocês diriam que essas notícias seriam verdadeiras pela possibilidade do fenômeno existir, né? O que você acha que é mais provável...

P5: Sim P7: Sim

M: Teve alguma coisa na montagem da manchete fez você sentir que ela era verdadeira? P8: As letras

P1: É, as letras chamam a atenção

M: Vocês acham que as fontes transmitem credibilidade?

P3: Sim

P1: Sim. As letras chamam atenção. Traz credibilidade.

P9: Transmite...

M: Então, olhando só as fontes agora, tirando o conteúdo. Qual delas? Qual fonte vocês diriam ser mais confiável?

P9: A última

P3: A última

P8: A última

P4:A última

M: A última? [fonte dos títulos do metrópoles]

P6 Eu acho que o uso das aspas também dá uma credibilidade.

P3: É...

P7: Sim.

P6: Porque ela não perdeu a virgindade, ela indenizou "perder a virgindade" [aspas com as mãos] em exame médico.

P7: E também tem que tipo, várias coisas que acontecem com mulheres, quando vão colocar na manchete, amenizam a situação...

P3: É, exatamente...

P7: Eu acho que isso daí também pode ser amenizando um estupro que ocorreu em um exame médico. Por que isso acontece....

M: Mas enfim. De todas notícias que a gente viu até agora, desde o início da apresentação... Vocês acham que alguma delas não é verdadeira? (...) Tem alguma notícia falsa?

P5: Daquelas 4?

M: Não, de tudo, desde o início.

P2: Ah, a da competição de maior testículo

P3: Eu confio, véi! [risos]

M: Alguém desconfia de outra? Tem algum outro palpite de qual seja a falsa? (...) Eu posso voltar os slides... Vocês querem que eu volte pra lembrar?

P2: Sim

P5: Quero

M: Homem enche carro de esposa com cimento

P7: Eu acho que esse é possível

P6: É possível

P5: Eu acho que esse é possivel

M: “Em vídeo, Bolsonaro ironiza Maria do Rosário”, “Papa Francisco ganha camisa personalizada do Palmeiras”, “Nadadores impedidos de competir por nevasca…”, “Odebrecht e Braskem pagarão a maior multa…”, “Odebrecht fará expansão da

Papuda de graça…”

P7: Essa…

P4: Odebrecht...

P6: Essa da Odebrecht talvez...

P7: Essa da piscina eu não entendi, véi…

P1: É, eu também… E por que eles trocaram a piscina pela neve?

M: Já Já eu volto explico… Eu vi que vocês ficaram curiosos.. Mas antes, qual que vocês acharam que foi a falsa? P1: Ah, eu acho que a dos nadadores… P6: Odebrecht!

P3: É.. eu acho que a da Odebrecht… M: Qual da Odebrecht?

P6: A da dívida…

M: Realmente… É essa aqui. A da Papuda de graça… P3: É véi, não existe nada de graça.

M: Pois é, essa notícia aqui é de um site de fake news… Eu fiz isso pra mostrar como que a gente pode acabar lendo uma notícia falsa e ela passar despercebido. (...) Mas agora eu vou voltar então e explicar pra vocês as que vocês tiveram curiosidade… Todas as outras eram verdadeiras. A da operação médica, o que aconteceu foi que durante uma cirurgia, o médico não sabia que a paciente era virgem e acabou rompendo o hímen dela… A dos nadadores foi uma brincadeira que os atletas de uma universidade fizeram e acabou repercutindo. A do cimento… Tudo isso aconteceu mesmo!

P6: A do reality show aconteceu mesmo?

M: Sim…

P6: Era “Largados e Pelados”?

M: Não…

P3: Não… tem outro…

M: Continuando… Vocês preferem as matérias mais tradicionais ou as que trazem uma chamada de humor quando possível?

P7: Tradicional...

P5: Pô, depende...

P4: Depende.

M: Depende do tema? P7: É, depende do tema… M: Por que depende?

P7: Porque jornalismo é uma coisa mais confiável, eu acho que a matéria tem que te passar a informação. Não colocar uma coisa extra… Um comentário… A função da mídia deve é te informar. Nada mais!

M: Certo. Mas então você acha que o uso do humor vai te trazer o que, ou desagregar o que?

P7: Então, é o que eu to te falando… depende…

P5: Depende do tipo de notícia…

P7: Depende do que se trata a matéria.. Na maior parte, eu acho que tem que seguir o modelo tradicional, mas dependendo cabe humor sim.

P5: Se for uma coisa muito séria...

P3: Eu acho legal porque tipo assim… Tem uma notícia cabulosa tipo: “Ministro declara terceira guerra mundial e vai atacar a Síria”. Ai daqui a pouco ta uma notícia mais de boa.;. Sei lá, tipo: “Bernardinho faz churrasco de melancia”... uma coisa assim… da uma descontraída… M: Você queria falar?

P1: Então, era exatamente isso… Não tem como a gente usar humor com determinado assunto… Com “paradas” pesadas…

M: Então vocês estão dizendo que dependendo do tema é possível humor e às vezes é melhor não usar, né?

P5: Sim…

P7: Sim…

P3: Mas tem que a gente é brasileiro né, cara? A gente zoa com tudo…

P5: É… [risos] Tem isso…]

M: Então ok. Em quais tipos de matérias vocês acham que cabe humor? Quando trata de quais temas?

P6: Presidência… Odebrecht…

M: Nessas você acha que cabe humor?

P6: É, eu acho que cabe… Independente do tema, é só saber mediar não pegar pesado. P3: Pô, eu não…

P1: É eu também acho que não…

P7: Também não…

P5: Eu acho que esporte… Futebol…. tipo: “Time de fulano fez ‘tal coisa’”. O humor é bem vindo, desde que usado com responsabilidade.

P8: É… Acho que o humor cabe mais nas matérias de esporte, lazer… M: Ok. Então todos concordam que em esporte, lazer pode usar humor?

P4: Sim.

P7: Sim.

P3: Com certeza!

P5: Sim

P1:Sim

P6: Sim.

M: Então eu vou perguntando e vocês vão respondendo se cabe ou não, tá? (...) Economia?

P4: Não.

P1: Não.

P7: Não...

P6: Rola.

M: Você acha que rola?

P6: Rola! eu tenho humor negro… Eu gosto!

M: Certo… Política?

P3: Com certeza!

P6: Rola.

M: Cabe humor em política?

P1: Cabe…A gente pode se entreter enquanto busca informação.

M: Todo mundo concorda?

P5: É sem necessidade...

P7: Cabe, mas eu acho que eu não gostaria de ler…. Se tivesse o humor… Gostaria de pegar uma mais imparcial.

P3: Eu acho que não teria tanta credibilidade., mas a gente leria só pela zoeira… Acho que o uso do humor varia com o tipo de notícia (...) Ele pode ser perigoso se usado em assuntos de política… Economia… Pode afetar a credibilidade do veículo dependendo do assunto.

P8: É porque mostra um ponto de vista… Aí eu posso ter um ponto de vista diferente do seu… Você pode zoar uma parada que eu vou achar paia… Por isso acho o humor perigoso. Expressa opinião e o leitor pode não gosta do seu ponto de vista. P9: Eu acho que cabe uma ironia… Às vezes fazer uma ironia com política… Às vezes cabe, depende.

M: Então vocês acham arriscado mexer com política, né?

P2: É.

P5: É.

P4: É.

P2: Sim.

P1: Sim…

P3: Ah, mas é legal… Os cartunistas e “tal”... Depois da matéria… É muito massa

[risos]

M: Culta você achas que cabe humor?

P7:sim P3: sim P2: sim

M: Ok. E Não as que vocês acham que depende são as de economia e política?

Pelo que eu oi aqui, todo mundo concordou com o restante; P1: Cultura também depende...

P5: Economia eu acho que não.. é matéria de muito número, estatística… Não tem espaço para humor…

P9: É, economia eu também não…

M: Ok… Então vocês acham que matérias que utilizam humor perdem um pouco de credibilidade? P8: Sim

P5: Depende

P7: Depende

P6: Depende

P1: Dependendo da matéria afeta…

M: Dependendo do teor né? Certo… P6: Depende do tipo de humor também… M: Como assim?

P6: Se for por exemplo sobre economia tipo: Eita, a carteira tá vazia”, é de boa. Ai vem uma outra tipo: “O país todo ta na merda!”... Sacou? Isso dá uma….

M: Entendo… Mas e se for um humor que te agrade… Uma abordagem que você gostou? Viu uma manchete e achou legal… Suponhamos… Vocês acham que a credibilidade seria a mesma caso não tivesse usado humor?

P1: Isso é muito relativo

P7: Eu acho que vai depender

P5: É isso é muito relativo…

P7: Por que, por exemplo, o Catraca Livre é muito bom em manchete, mas quando você vai pegar o texto pra ler não é um texto que tem muita informação. E aí eles colocam várias manchetes assim que tem humor… Por que eles soltam muita informação de lazer, de cultura… Por exemplo o Catraca de Brasília… Fala sobre os eventos que tem em Brasília… Essas coisas… E às vezes quando você vai pegar o texto pra ler não tem muita coisa. Eles colocam um pouco de humor ali e tal. Pelo menos eu sinto falta, solta muita manchete e coloca pouca informação no texto… M: Certo, você disse que o Catraca Livre solta muita manchete com humor… E se você for analisar o veículo… Ele é de credibilidade para você? Você vai confiar em toda informação que ele soltar? Ou não?

P7: Ai…. Não sei… [risos]

P5: Eu acho que também depende da fonte. Às vezes pode zoar ou também não zoar, sem humor, mas pela fonte você já vai saber que pode ter algo errado ou não.

P7: É…

M: Certo, então… Uma fonte de confiança pode usar humor sem perder credibilidade? É isso?

P5: tipo isso…

P7: É… O Catraca por exemplo, voltando nesse tema, eu já vi eles soltando correções algumas vezes. Tipo: Ah, a gente errou aqui mas estamos lançando essa errata, ou alguma coisa… Acho que isso vai muito em confiabilidade…

P3: Ah, eu acho que tem temas, tipo jurídico, que não precisa… Mas o resto é massa! Mas tem que ter, sei lá, responsabilidade.

M: Ok… Próxima. Quando você vê uma informação em um blog desconhecido você vai conferir a veracidade em algum outro lugar?

P4: Aham

P7: SIm

P1: Sim

P9: Sim

M: Onde?

P9: Google

P6: Papai Google.

P5: Google sempre vai abrir umas respostas diferentes

P1: É… aí você vai abrindo varias abas sobre um determinado assunto, e vai lendo, e aqui que falaram… a gente compara. Se tem distorção, ou alguma coisa. Ou se tem alguma informação que em outra matéria não tem.

P7: Aí você pega um de um desconhecido com um que você confia e compara. M: Tem alguém aqui que não confere a veracidade? Que acredita? (...) Não, todo mundo confere, né? (...) Alguma vez você já leu uma notícia fictícia e achou que ela fosse verdadeira?

P5: Sim P1: Sim

P7: Sim

P8: Sim

P5: Osh, direto… Quando você abre o Facebook tem cada coisa que você fica tipo: “o quê?”.

M: Sim, mas nesse caso você desconfiou… Quero saber se já teve alguma que você acreditou… Depois que você foi descobrir que era falso…

P5: Já…

P3: Ah, já rolou comigo…

P5: Teve uma vez que li umas coisas sobre sereias, ai fiquei tipo “caraca”

P1: Eu vi! Tinha um vídeo né? Com uma sereia… [risos]

M: Então aqui todo mundo já caiu em um fake news, certo?

P6: Aham

P3: Sim P8: Sim P9: Sim

P7: Mas às vezes a gente acredita em um fake news e nem sabe, né? Tem tanta coisa na internet...

P5: É…

M: Ok… Agora eu pergunto: Pras vocês, os veículos online, e aí eu falo em geral, conquistaram a confiança do público?

P6: Sim P1: Sim P5: Sim

M: Certo… E vocês acham que conquistaram a confiança de todos os públicos?

P1: Não

P7: Não

P5: Não

M: Quais conquistaram e quais não conquistaram então?

P1: Mais Jovens

P7: A geração de agora

P4: Eu acredito que eles estão ganhando a confiança do público jovem mesmo.

P3: É…

P1: Exato…

P7: E a geração que ta vindo também…que ta em contato com esses veículos todos M: Então você acha que os jovens confiam e que as pessoas mais velhas não confiam, é isso?

P7: Não, não que não confiam… Mais é mais difícil… Tipo, meu pai lê jornal impresso e assiste televisão. Ele não pega o celular dele pra ficar abrindo Metrópoles… Sabe?

P3: É

P5: É…

P7: Ai quando você traz outra informação ele fica tipo: “Ah é que eu vi no correio braziliense, ou no Jornal Nacional…”tipo, não é todo mundo das gerações passadas que tem esse contato com a internet pra pegar informação. Apesar de que outros meios também já viraram meio de informação… Por exemplo, o Whatsapp agora é…. Mesma coisa se você tiver um Twitter e acompanhar jornal… Ou você ter um

Facebook, e essas coisas… M: Você ia falar?

P6: Mas também tem a geração antiga que corre atrás e a geração nova que não é assim… Eu, por exemplo, leio jornal, não gosto de assistir jornal… Até vejo jornal, aí depois chego em casa e vejo a veracidade… Mas minha vó fica lá no iPad dela procurando notícia.

P7: Mas aí eu acho que é exceção. Acho que a internet conquistou os jovens. É mais difícil os mais velhos acreditarem tanto porque eles não tem tanto contato quanto a nossa geração. Meu pai, por exemplo, só acompanho impresso e TV.

P5: Meu padrasto lê jornal, assiste tv, usa celular...

M: Você ia falar?

P9: Eu acho que os veículos online estão ganhando a confiança dos jovens. Mas existem exceções. Meu pai, por exemplo, busca informação em todos os meios. Acho que no geral o público jovem é quem mais acredita nos sites, mas acho que existem exceções nas gerações mais antigas.

M: Legal. Então todos concordam que os jovens confiam na internet?

P1 Sim

P5 Sim

P7: Sim

M: Na sua opinião, as pessoas têm dificuldades de distinguir quais notícias são falsa e quais são verdadeiras?

P5: Depende

P1: Exatamente, depende da forma como determinado assunto vai chegar na pessoa… entendeu?

M: quais formas seriam essas?

P1: Ah, depende. Por exemplo... se eu chegar pessoalmente em alguém e contar que aconteceu alguma coisa… “um cara se suicidou e depois a esposa se matou também”...

M: Mas aí no caso é boca a boca. Tô falando das notícias que acessamos pela internet… você acha que as pessoas têm dificuldade em distinguir?

P3: Eu acredito que vai depender do nível de educação e formação de cada um..

tem gente que acredita em tudo.

P2: Isso que eu ia falar! Tenho uma irmã de 14 anos que acredita em tudo que vê. Minha prima de 7 anos, por exemplo, acredita em tudo que vê na internet… Às vezes eu falo que não é verdade mas ela fala: “mas eu vi na internet”.

P3: E tem gente da família postando no Whatsapp matéria que fala que margarina é feita de plástico, sacou? Eu vi isso! Aí eu fui pesquisar.. mas não era verdade… Margarina é de boas… Acho que depende do nível de informação.

P5: Depende da curiosidade da pessoa também.. Tem gente que acredita… Tem gente que duvida e busca...

P9: Tem pessoas que são mais alienadas que outra... Principalmente com relação à nutrição.. Minha mãe fica digitando coisa no Google, clica no primeiro site e fica falando o que ela leu... Eu fico falando pra ela conferir se é verdade… Eu sempre falo pra ela ver em mais de um site.. Ela acredita na primeira coisa que vê! Ela teve uma educação diferente da minha sabe? E eu acho que, tipo, tem muita coisa que é mentira na internet.. Pessoas que se dizem médicas e fazem blogs.. Fala sobre sintomas e doenças sem ter o menor fundamento,.. E tem pessoa que vai lá, lê e acredita.

P3: na área da saúde é mais complicado ainda. Tipo, você vai lá e cria um blog. Você passa a receita de uma dieta… E essa dieta existe., mas não é pra todo tipo de pessoa. E aí pessoas vão lá e usam, e isso causa problema.

P5: Eu acho que é da geração também.. Eu acho que a galera de 1990 a 2000 tem uma mente muito conspiratória. Tem muitas ideias...

M: Você já ficou lendo notícia engraçada na internet durante algum tempo?

P8: Já!

P7: Já [risos].

M: E como foi a experiência?

P5: Mas aí pode ser o que? Twitter?

M: Não, nesse caso é rede social… Quis dizer algum site que tenha notícias engraçadas… tipo Buzz Feed ou laranja news.. algo sim…

P1: Não…

P7: Pô, Buzz Feed.. Você entra lá, Ai você clica em uma notícia que te chamou a atenção e depois acaba navegando pelo site. Ai lê uma coisa, ai clica em outra… Aí você clica em outra.. Aí em outra… Acaba ficando muito tempo la.

M: Certo… tem algum outro site que vocês já entraram pra ficar navegando e vendo notícias assim?

P7: Tem, o Twitter do G1 que sempre solta umas coisas muito engraçadas… Que você olha e pensa: “não é possível”. Tipo umas coisas muito aleatórias.. Mas tipo, não sou de clicar e ficar vendo a página deles não, só o quando aparece o tweet mesmo.

M: Entendi… E assim, quando vocês, que já navegaram no Buzz Feed, entraram no site… Vocês procuravam informações com uma abordagem diferente ou lazer?

P9: Lazer

P7: Lazer

M: Então é isso galera, encerramos aqui. muito obrigado pela participação de todos, ap presença de vocês foi fundamental!

11.1. Apresentação de Slides do Grupo Focal


Publicado por: joao vitor silva

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