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A TRANSMÍDIA NA REPORTAGEM A BATALHA DE BELO MONTE

Comunicação e Marketing

Análise sobre a transmídia na reportagem a batalha de Belo Monte.

índice

1. Resumo

A reportagem “A batalha de Belo Monte, da Folha de São Paulo” como exemplo de narrativa transmídia no jornalismo, possibilita identificar, conhecer e descobrir novas aplicações do ciberespaço na informação jornalística. Para caracterizar a linguagem e os elementos da narrativa transmidiática foi utilizado o conceito desenvolvido pelo autor do livro Cultura da Convergência, Henry Jenkins (2009). A importância de fazer esta pesquisa é proporcionar maior familiarização para com o tema da narrativa transmídia no jornalismo.

Palavras-chave: Transmíida. Crossmídia. Jenkins. Jornalismo. Convergência.

ABSTRACT

The article "The Battle of Belo Monte, Folha de São Paulo", as an example of a transmedia narrative in journalism, makes it possible to identify, discover and discover new applications of cyberspace in journalistic information. In order to characterize the language and elements of the transmissive narrative, the concept developed by the author of the book Culture of Convergence, Henry Jenkins (2009) was used. The importance of doing this research is to provide greater familiarization with the theme of the transmian narrative in journalism.

KEYWORDS: Transmitted. Crossmídia. Jenkins. Journalism. Convergence.

2. INTRODUÇÃO

O jornalista é um contador de história que informa, forma e compartilha informações através do jornal impresso, do rádio, da televisão, da internet, entre outros. “A essência de narrar fatos cotidianos continua a mesma, mas os canais pelos quais essas histórias são contadas se reformulam com o tempo e se adaptam aos anseios de seu público.” (ALVES, 2015). Dessa forma democratizando a informação para que as pessoas sejam livres para exercer o seu direito a liberdade de expressão. Com o compromisso de narrar a verdade com disciplina e lealdade, verificando os fatos e monitorando os poderes públicos e privados, garante a sociedade o desenvolvimento da história frente aos desafios das novas mídias. E um desses desafios é o de utilizar a narrativa transmídia como ferramenta de informação. Ferramenta essa que vem com a exigência de elementos como a “convergência dos meios de comunicação, a cultura participativa e a inteligência coletiva” (JENKINS, 2009, p. 30). Jenkins declara, em seu livro que a transmídia é a narrativa da Cultura da Convergência. Mas Scolari afirma que “Pode ser dito que o jornalismo sempre teve um caráter transmídia, antes mesmo da emergência da World Wide Web.” (SCOLARI, 2014, p.76). Para Bolter e Grusin a convergência é uma remediação das tecnologias mais importantes.

Convergência é uma remediação mútua das três últimas mais importantes tecnologias - telefone, televisão e computador – cada uma é híbrida técnica, social e economicamente e cada uma a seu modo oferece instantaneidade. O telefone oferece a instantaneidade da voz ou a intercalação de vozes em tempo real. A televisão, do ponto de vista tecnológico, promete instantaneidade através do monitoramento do mundo em tempo real. A promessa de instantaneidade do computador é uma combinação dos gráficos tridimensionais, ação automática (programada), e interatividade que a TV não pode oferecer. Juntas, cada uma dessas tecnologias está tentando absorver as outras e promover sua versão de instantaneidade (BOLTER; GRUSIN, 1999).

De acordo com Jenkins, a narrativa transmídia nasce no processo de convergência dos meios de comunicação como estrutura da cultura participativa que gera a inteligência coletiva, transformando a relação produtor/consumidor. Autores como Jenkins (2009) e Lèvy (1999) conceituam essa transformação como cultura da convergência e Cibercultura. Tanto um como o outro salientam que a internet mudou a forma de produzir e consumir os meios de comunicação. Jenkins, afirma que a “[…] convergência representa uma mudança no modo como encaramos nossas relações com as mídias.” Dessa forma quando se fala em meios de comunicação, também se fala em jornalismo, e assim se fala também nas mudanças na forma de se fazer o jornalismo.

A convergência altera a lógica pela qual a indústria midiática opera e pela qual os consumidores processam a notícia e o entretenimento. Lembrem-se disto: a convergência refere-se a um processo, não a um ponto final. (JENKINS. 2009, p.43).

Jenkins continua “Estamos realizando essa mudança primeiro por meio de nossas relações com a cultura popular, mas as habilidades que adquirimos nessa brincadeira têm implicações no modo como aprendemos, trabalhamos, participamos do processo político e nos conectamos com pessoas [...]” (JENKINS. 2009, p.49). Dentro dessa perspectiva o jornalista, como contador de história, deve acompanhar essas mudanças na sua forma de fazer notícias, pois precisa observar de perto as transformações culturais da sociedade para entender e informar seu público. E assegurar na construção da informação transmidiática a realidade seletiva dos fatos.

Dizer que uma notícia é uma “estória” não é de modo nenhum rebaixar a notícia, nem acusá-la de ser fictícia. Melhor, alerta-nos para o facto de a notícia, como todos os documentos públicos, ser uma realidade construída possuidora da sua própria vitalidade interna. Os relatos noticiosos, mas uma realidade selectiva do que uma realidade sintética, como acontece na literatura, existem por si só. Eles são documentos públicos que colocam um mundo à nossa frente. (TUCHMAN, 1994).

Para isso o jornalista precisa estar inserido no ciberespaço e conhecer a cultura da internet, definida por Lèvy como cibercultura, que “[...] especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço.” (LÉVY, 1999, p.17). Pois nem toda informação jornalística divulgada na mídia será considerada transmidiática, senão cumprir as exigências da narrativa transmídia:

Nessa perspectiva, nem toda informação jornalística dispersa em rede poderia, a rigor, ser considerada uma narrativa jornalística transmidiática. Tratar-se-ia, na verdade, de um tipo raro de narrativa jornalística, pois implicaria a emergência de padrões jornalísticos ainda não suficientemente sistematizados (ALZAMORA; TÁRCIA, 2012b, p.28).

Assim esta pesquisa escolheu o especial multimídia “A batalha de Belo Monte” do Jornal Folha de São Paulo, como recorte sobre a narrativa transmídia, porque cumpre os requisitos do conceito do especial multimídia. “A grande reportagem constituída por formatos de linguagem multimídia convergentes, integrando gêneros como entrevistas, o documentário, a infografia, a opinião, a crítica, a pesquisa, entre outros, num único pacote de informação interativo e multilinear”. (LONGHI, 2010, p. 153). E a reportagem vem com a promessa de ser um exemplo de jornalismo transmidiático. “A narrativa transmídia refere-se a uma nova estética que surgiu em resposta à convergência das mídias – uma estética que faz novas exigências aos consumidores e depende da participação ativa de comunidades de conhecimento.” (JENKINS,2009). Sendo assim foram analisados esses elementos essenciais ao processo da narrativa transmídia dentro do especial multimídia da Folha. A importância dessa análise de conteúdo da reportagem se justifica devido à dificuldade encontrada no meio acadêmico para identificar nas mídias o jornalismo transmidiático:

O difícil, ainda, é visualizar este jornalismo transmidiático na prática, já que o que se vê, na maioria das vezes, são os modelos de veículos analógicos sendo transplantados para o meio digital. Isso não facilita em nada a missão de se buscar um jornalismo que transponha os limites de um veículo para se fazer presente em vários deles, com conteúdos complementares. (PERNISA JUNIOR, 2009, p.4).

Com cinco capítulos a Folha explora os fenômenos da internet na utilização da linguagem jornalística adaptada a linguagem do ciberespaço que Lèvy conceitua como “[...] o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga [...]” (LÉVY, 1999, p.17). Desta forma a grande reportagem do especial multimídia “A Batalha de Belo Monte”, da série “Tudo sobre” do Jornal Folha de São Paulo, publicado em dezembro de 2013, nas plataformas online e impressa, Editor de Arte: Fábio Marra, Coordenação de Arte: Mário Kanno, Design e programação: Pilker, Rubens Alencar e Lucas Zimmermann, Infografia, animação e Folhacóptero interativo: Simon Ducroquet, Edição de vídeo: Douglas Lambert, Pós-produção e motion graphics do Folhacoptero: Demétrius Daffara, Narração: Melina Cardoso, Cronologia: Marcelo Soares. Foi escolhida para recorte desta pesquisa acadêmica em que a Folha vai do âmbito da conceituação à potencialidade da prática do jornalismo transmidiático.

3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

A pesquisa teve como referencial teórico os autores Jenkins, Lévy, Scolari, Daniel, Baccin e Alves. Utilizando o recorte da grande reportagem multimídia da Folha de São Paulo, intitulada A Batalha de Belo Monte, Publicada em 2013, sobre a construção da usina de belo monte, no estado do Pará. Buscou aprofundar os estudos do conceito jornalismo transmídia. Em que Jenkins traz em seu livro Cultura da Convergência a manifestação da narrativa transmídia como exigência da relação entre três conceitos – convergência dos meios de comunicação, cultura participativa e inteligência coletiva.

Por convergência, refiro-me ao fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia, à cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação, que vão a quase qualquer parte em busca das experiências de entretenimento que desejam. (JENKINS, 2009, p. 30).

Lèvy conceitua o ciberespaço e apresenta sua cultura como cibercultura. “Do mais básico ao mais elaborado, três princípios orientaram o crescimento inicial do ciberespaço: a interconexão, a criação de comunidades virtuais e a inteligência coletiva. Uma das ideias, ou talvez devêssemos dizer, uma das pulsões mais fortes na origem do ciberespaço é a da interconexão.” (LÉVY, 1999, p. 127). Jenkins e Lèvy se encontram nos conceitos da cultura participativa e na inteligência coletiva, sendo que na inteligência coletiva Jenkins cita a obra de Lévy. “O consumo tornou-se um processo coletivo – e é isso o que este livro entende por inteligência coletiva, expressão cunhada pelo ciberteórico francês Pierre Lévy.” (JENKINS, 2009, p. 31). Com isso a Cibercultura de Lévy (1999) e a Cultura da Convergência de Jenkins (2009) estão intimamente ligadas e inseridas entre si no que se pode chamar de transmídia de conceitos.

Como uso diversas vezes os termos "ciberespaço" e "cibercultura", parece-me adequado defini-los brevemente aqui. O ciberespaço (que também chamarei de "rede") é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. Quanto ao neologismo "cibercultura", especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço. (LÉVY, 1999, p. 22).

Antes da Cultura da Convergência de Jenkins (2009), Lèvy já conceituava a transmídia como multimídia e a multimídia como unimídia. “Se desejamos designar de maneira clara a confluência de mídias separadas em direção à mesma rede digital integrada, deveríamos usar de preferência a palavra "unimídia".” (LÉVY, 1999, p. 67).

O termo "multimídia" é corretamente empregado quando, por exemplo, o lançamento de um filme dá lugar, simultaneamente, ao lançamento de um videogame, exibição de uma série de televisão, camisetas, brinquedos etc. Neste caso, estamos de fato frente a uma "estratégia multimídia". (LÉVY, 1999, p. 67).

Scolari, em seu livro Narrativas transmedia: cuando todos los medios cuentan, apresenta o conceito do Jornalismo Transmidiático, defendendo que o jornalismo sempre teve um caráter transmídia e que a internet iniciou uma novo processo midiático. Em que facilitou a estratégia da transmidiação da informação.

Pode ser dito que o jornalismo sempre teve um caráter transmídia, antes mesmo da emergência da World Wide Web, mesmo naquela época as notícias expandiam do rádio para a televisão e de lá para jornais e periódicos. Usuários, apesar da falta de redes sociais, podiam providenciar suas contribuições ligando para as estações de rádio e escrevendo cartas para os editores dos jornais. Esse processo obviamente entrou em uma nova dimensão com a proliferação de novas mídias e plataformas de comunicação 2.0. (SCOLARI, 2014, p. 76).

Daniel e Baccin refletem “sobre a integração dos vários formatos midiáticos que compõem a reportagem multimídia no ciberjornalismo”, promovendo um artigo científico sobre a reportagem A Batalha de Belo Monte, publicada em 2013, pela Folha, que aborda a construção da terceira maior usina hidrelétrica do mundo no estado do Pará e o seu impacto ao meio ambiente.

Este trabalho busca refletir sobre a interação sobre a integração dos vários formatos midiáticos que compõem a reportagem multimídia no ciberjornalismo. O objeto de estudo é A Batalha de Belo Monte, especial multimídia produzido em 2013 pelo jornal Folha de São Paulo sobre a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Compõe-se de cinco capítulos temáticos, que se desenrolam verticalmente e unem textos, infográficos, vídeos e imagens. (DANIEL, BACCIN, 2014).

Alves declara que a “linguagem transmídia é uma narrativa para a arte de se fazer jornalismo”, destacando meios como a Folha de São Paulo e o The New York Times, para demonstrar a essência de narrar fatos cotidianos diante do advento da internet. Dessa forma trazem dois exemplos práticos da experiência jornalísticas transmidiática.

Diante dessa reformulação e com o advento da internet como parte essencial da comunicação contemporânea, a tecnologia assume um papel essencial para auxiliar no desenvolvimento de linguagens e novas formas de criar, gerir e divulgar conteúdos, além de democratizar e expandir tais processos. (ALVES, 2015).

A linguagem da narrativa transmídia verificadas por esta pesquisa nesses autores, é definida e desenvolvida com uma abordagem qualitativa, que buscou desvendar as novas aplicações da cibercultura na informação jornalística. Com o objetivo de aprofundar o conceito do jornalismo transmidiático desenvolvido na plataforma da Folha. Em que foi observado a intenção do meio em espalhar pelas redes sociais seu conteúdo, na intenção de motivar o usuário a se envolver e participar do processo informativo da reportagem.

O espalhamento está ligado com a transmidiação e pode ocorrer quando há recomendação a partir de outras plataformas, como o Facebook e o Twitter. Em resumo, o espalhamento no jornalismo compreende o uso de ferramentas de recomendação, valoração, compartilhamento e comentários dentro dos sites jornalísticos e a utilização das redes sociais com finalidade semelhante. (SOUZA, 2011, p. 149).

A pesquisa teve como autores de apoio Massarolo; Mesquita, Pernisa Júnior, Bolter; Grusin, Alzamora; Tárcia, Christofoletti, Lage, Paul, Quinn, Recuero, Salaverría; Negredo, Trindade, Murray, Ferrari, Ford, Erdal, Renó e Flores, entre outros. O objetivo da pesquisa foi exploratório, abordando os conceitos em relação aos fenômenos relevantes acerca da narrativa transmidiática empregada na reportagem A batalha de Belo Monte, da Folha de São Paulo. “Diante de uma perspectiva transmídia é preciso considerar uma terceira possibilidade: a conexão de textos existentes em plataformas distintas. Com isso, o elo entre os fragmentos da história se dá pela transmidiação e o resultado é compreensão adicional da narrativa.” (SOUZA, 2011, p. 150).

4. METODOLOGIA

A classificação da pesquisa quanto à natureza é aplicada, pois “abrange estudos elaborados com a finalidade de resolver problemas no âmbito das sociedades em que os pesquisadores vivem.” (GIL, 2010, p. 26). A pesquisa foi dedicada à ampliação do conhecimento sobre a narrativa transmídia para a solução do problema de identificar e conhecer as novas aplicações da linguagem e dos elementos na aplicação prática do jornalismo transmidiático para sair do âmbito do conceito e evitar restrições que prejudiquem sua potencialidade como ferramenta do conteúdo informativo.

Assim, acredita-se que, hoje, o jornalismo multimídia ou transmidiático ainda é algo que se deve tratar no âmbito do conceito, com o cuidado de não se restringir as suas potencialidades, ao mesmo tempo em que se deve cultivá-lo, sempre com a perspectiva da experimentação, que vai além do que está, de certa forma, programado, e busca novos caminhos a cada dia. (PERNISA JÚNIOR, 2009, p. 11).

A classificação da pesquisa quanto a abordagem é qualitativa, porque a pesquisa foi baseada na interpretação da linguagem e de seus fenômenos observados na literatura dos autores e no significado de seus conceitos sobre a narrativa transmídia e sua aplicação ao jornalismo. Na busca para identificar as novas aplicações do ciberespaço na informação jornalística, para que aja uma maior familiarização da linguagem e dos elementos da narrativa transmídia.

A diferença entre qualitativo-quantitativo é de natureza. Enquanto cientistas sociais que trabalham com estatística apreendem dos fenômenos apenas a região “visível, ecológica, morfológica e concreta”, a abordagem qualitativa aprofunda-se no mundo dos significados das ações e relações humanas, um lado não perceptível e não captável em equações, médias e estatísticas (MINAYO, 2003, p. 22).

A classificação da pesquisa quanto aos objetivos é exploratória, devido a sua busca em promover a familiaridade do público alvo com o assunto da pesquisa, para tornar o conceito do jornalismo transmidiático mais claro. Com estudos de conceitos e fenômenos relevantes acerca da linguagem e dos elementos transmidiáticos empregados na produção de reportagens multimídias. Através da leitura de artigos, livros e sites de diversos autores para proporcionar maior conhecimento do tema.

Em pesquisas exploratórias, o grupo focal pode ser usado para gerar novas ideias ou hipóteses e estimular o pensamento do pesquisador. Para aqueles que optarem pelo uso do grupo focal, vale lembrar ainda outras limitações desta técnica. Há de se considerar o risco de alguns participantes sentirem-se reprimidos diante da postura grupal, e assim desencorajados de manifestarem opiniões dissidentes. (BACKES. et al, 2011).

A classificação da pesquisa quanto aos procedimentos de pesquisa é o estudo de caso, pois a pesquisa buscou nos estudos bibliográficos conceituar a transmídia e sua aplicação ao jornalismo. Coletando dados em obras de diversos autores, como Jenkins e Lévy, delimitando os estudos a necessidade de proporcionar maior familiaridade para os alunos. Interpretando as descobertas de forma a formular um texto de apoio a estudos futuros. “O estudo de caso é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, de maneira a permitir o seu conhecimento amplo e detalhado, tarefa praticamente impossível mediante os outros tipos de delineamentos considerados.” (GIL, 2008, p. 58). Dessa forma esta pesquisa visa responder questionamentos quanto a utilização da narrativa transmídia no fazer jornalismo.

O jornalismo é uma experiência? Isto é, ao se informar, um cidadão tem uma certa experiência de conexão com o mundo e com os fatos? Se a resposta for positiva, pode-se perguntar ainda: Esta experiência pode ser oferecida numa narrativa transmidiática e conforme a lógica de uma economia afetiva, segundo descreveu Jenkins? (CHRISTOFOLETTI, 2008, p. 3).

5. NARRATIVA TRANSMÍDIA

Antes de conceituar a narrativa transmídia é necessário entender os três fenômenos da cultura da convergência que são a convergência dos meios de comunicação, a cultura participativa e a inteligência coletiva (JENKINS, 2009). Dentro desse contexto e em resposta aos desafios da cultura da convergência, a narrativa transmídia veio como exigência da transformação no modo de produzir e de consumir os conteúdos que trafegam nas múltiplas plataformas de mídia. “A convergência altera a lógica pela qual a indústria midiática opera e pela qual os consumidores processam a notícia e o entretenimento.” (JENKINS, 2009, p. 20). Lévy também apresenta três princípios básicos para o crescimento do ciberespaço: a interconexão, a criação de comunidades virtuais e a inteligência coletiva.

Do mais básico ao mais elaborado, três princípios orientaram o crescimento inicial do ciberespaço: a interconexão, a criação de comunidades virtuais e a inteligência coletiva. Uma das idéias, ou talvez devêssemos dizer, uma das pulsões mais fortes na origem do ciberespaço é a da interconexão. (LÉVY, 1999, p. 127).

A convergência dos meios de comunicação implica no “[…] fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia, à cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação. (JENKINS, 2009, p. 27). A participação e colaboração do público são essenciais para o processo da convergência dos meios, pois não basta disponibilizar um fluxo de conteúdo em múltiplas plataformas de mídia. É necessária a interação e a troca de experiências entre os meios de comunicação e o seu usuário. Essa interconexão do público e as mídias nas múltiplas plataformas propiciam o desenrolar das histórias espalhadas pelo ciberespaço.

O paradigma da convergência prevê a interação entre novas e antigas mídias. E essas inovações permitem a transmidialidade, como também o fazer redobrado dos profissionais. Ao mesmo tempo, provoca suas habilidades, criatividade e conhecimentos. A narrativa transmídia, por exemplo, enquanto fruto desse avanço tecnológico, permite que os autores da história decidam como usar cada mídia, considerando-se o que há de melhor e mais forte em cada uma. (MARTINS, 2012, p. 113)

A cultura participativa é a expressão “[...] onde o usuário deixa de ser um mero espectador e passa a ser consumidor e produtor de conhecimentos. Ajudando e participando na construção da inteligência coletiva.” (JENKINS, 2009, p. 27). Dessa forma a interação do público com a internet promoveu mudanças significativas na forma de produzir e consumir as mídias. Armazenando conhecimento na troca de conteúdo dentro de comunidades virtuais, que se apóiam na interconexão, com colaboração mútua, para o processo de construção da inteligência coletiva. Lévy, nesse contexto, apresenta o princípio da comunidade virtual que tem como objetivo a participação ativa do público no ciberespaço para construir a inteligência coletiva.

O segundo princípio da cibercultura obviamente prolonga o primeiro, já que o desenvolvimento das comunidades virtuais se apóia na interconexão. Uma comunidade virtual é construída sobre as afinidades de interesses, de conhecimentos, sobre projetos mútuos, em um processo de cooperação ou de troca, tudo isso independentemente das proximidades geográficas e das filiações institucionais. (LÉVY, 1999, p. 128).

A inteligência coletiva é aquela compartilhada na colaboração dos conhecimentos da sociedade. “[…] refere-se a essa capacidade das comunidades virtuais de alavancar a expertise combinada de seus membros. O que não podemos saber ou fazer sozinhos, agora podemos fazer coletivamente.” (JENKINS, 2009, p. 28). Lévy condiciona a interconexão e a comunidade virtual para a existência da inteligência coletiva (LÉVY, 1999). Tanto Lévy como Jenkins, com poucas diferenças, concordam que no processo de construção da inteligência coletiva é essencial a participação do público. E justamente nessa colaboração entre produtores e consumidores para produzirem histórias distintas em múltiplas plataformas e que se completam, é que surge a narrativa transmídia.

Interconexão geral, comunidades virtuais e inteligência coletiva são aspectos de um universal por contato, um universal que cresce como uma população, que faz crescer aqui e ali seus filamentos, um universal que se expande como a hera. Cada um dos três aspectos constitui a condição necessária para isto: não há comunidade virtual sem interconexão, não há inteligência coletiva em grande escala sem virtualização ou desterritorialização das comunidades no ciberespaço. A interconexão condiciona a comunidade virtual, que é uma inteligência coletiva em potencial. (LÉVY, 1999, p. 134).

A narrativa transmídia “[...] desenrola-se através de múltiplas plataformas de mídia, com cada novo texto contribuindo de maneira distinta e valiosa para o todo.” (JENKINS, 2009, p 40). A transmídia é a narrativa da cultura da convergência, porque só a transmídia pode suprir e responder as exigências dos três elementos da cultura da convergência: convergência dos meios de comunicação, cultura participativa e inteligência coletiva, a “[...] narrativa transmídia é uma nova estética que surgiu em resposta à convergência das mídias[...]” (JENKINS, 2009, p. 40). Não há cibercultura ou cultura da convergência sem a inteligência coletiva e é justamente esta inteligência que é conhecimento (história) chamada de narrativa transmídia. A história contada em múltiplas plataformas de mídia, por meio de histórias distintas sobre o mesmo tema que se completam dentro da cultura participativa. O conhecimento de todos é considerado importante nesse processo. Interação e integração são necessidades humanas que promovem a cultura participativa e a convergência dos meios de comunicação, possibilitando a construção da a inteligência coletiva.

6. JORNALISMO TRANSMÍDIA

O jornalista, um contador de histórias, tem na transmídia o desafio de utilizar os elementos essenciais a cultura da convergência no fazer jornalismo. Ou seja, a matéria deve ser pensada de forma a incentivar a interação participativa do leitor para consumir o conteúdo e através dessa experiência, produzir novo conteúdo relacionado ao tema da matéria original do repórter. Pois “A convergência não ocorre por meio de aparelhos, por mais sofisticados que venham a ser. A convergência ocorre dentro dos cérebros de consumidores individuais e em suas interações sociais com outros.” (JENKINS, 2009, p. 41).

Um novo formato de consumo, de produção e circulação de informação, que tem como característica principal a liberação do polo da emissão, a conexão planetária de conteúdos e pessoas e, consequentemente, a reconfiguração do espaço comunicacional. (LEMOS, 2011, p. 2).

Não basta publicar o conteúdo, mesmo que esse conteúdo seja bem elaborado e tenha uma linguagem própria para o meio digital. Isso não é o bastante para transformar webjornalismo em jornalismo transmidiático. “Cada um de nós constrói a própria mitologia pessoal, a partir de pedaços e fragmentos de informações extraídos do fluxo midiático e transformados em recursos através dos quais compreendemos nossa vida cotidiana.” (JENKINS, 2009, p. 30). Por isso, para que uma reportagem seja considerada uma informação transmidiática são necessários os fenômenos da cultura da convergência. Os receptores precisam ser impulsionados a direcionar, editar e divulgar nas múltiplas plataformas, como blogs e redes sociais, etc., para alimentar o processo da convergência dos meios de comunicação e construir a inteligência coletiva dentro da cultura participativa. “De fato, desde suas origens, o crescimento do ciberespaço deveu se, sobretudo, a uma atividade de base, espontânea, descentralizada e participativa. (LÉVY, 1999, p. 212).

A convergência jornalística é um processo multidimensional que, facilitado pela implantação generalizada das tecnologias digitais de telecomunicações, afeta em âmbito tecnológico, empresarial, profissional e editorial dos meios de comunicação, propiciando uma integração de ferramentas, espaços, métodos de trabalho e linguagens anteriormente separadas, de forma que os jornalistas elaboram conteúdos que se distribuem através de múltiplas plataformas, mediante linguagens de cada uma. (SALAVERRÍA; NEGREDO, 2008, p. 45).

Dessa forma deve haver interação entre o jornalista e o seu leitor, onde o jornalista vira autor/leitor ou seja produtor/consumidor de conteúdo e vice versa. “A convergência envolve uma transformação tanto na forma de produzir quanto na forma de consumir os meios de comunicação.” (JENKINS, 2009, pag 42). Aqui o ciberleitor também é um ciberautor que ajuda na construção da inteligência coletiva que é o acumulo de conhecimento através do qual é produzido dentro da cultura participativa. Não pense mais o jornalista que ele escreve e o seu público ler, não funciona mais assim. Essa era do leitor passivo, do ouvinte passivo, do espectador passivo, do telespectador passivo acabou. A convergência dos meios de comunicação encerrou no ciberespaço de Lèvy (1999) esse cidadão passivo. A transmídia é a voz do mundo para o mundo onde todos falam e ouvem a todos Jenkins (2009). Assim é importante que o jornalista da atualidade conheça a estrutura da transmídia.

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A dicotomia fundamental é o potencial conflito entre a visão de negócios da convergência – publicação multiplataforma como uma ferramenta para aumentar a produtividade e o marketing – versus a aspiração dos jornalistas em que a convergência oferece potencial para fazer melhor jornalismo. A última abordagem é improvável para salvar dinheiro. Como essa dicotomia será resolvida trará profundas implicações em como o jornalismo será praticado no futuro (QUINN, 2004. p. 111).

Nesse processo a interação do consumidor, que agora é um produtor também, dentro do ciberespaço, é o fator mais importante na estrutura da transmídia. Sem essa interação é impossível a ocorrência da narrativa transmidiática. Assim é necessário que o jornalista entenda que ele não faz mais a matéria sozinho, ele apenas inicia uma história e vai alimentando essa história de acordo com o feedback que ele vai recebendo de seu público em forma de nova história. Esse processo é contínuo e colaborativo. Mas essa mudança da relação do jornalista com o seu leitor, transformando os papéis, exige do jornalista o domínio dos elementos da Cultura da Convergência para potencializar a forma de fazer jornalismo. O jornalista precisa fazer parte do fenômeno, precisa ser transmídia dentro do ciberespaço.

Rede social é gente, é interação, é troca social. É um grupo de pessoas, compreendido através de uma metáfora de estrutura, a estrutura de rede. Os nós da rede representam cada indivíduo e suas conexões, os laços sociais que compõem os grupos. Esses laços são ampliados, complexificados e modificados a cada nova pessoa que conhecemos e interagimos. (RECUERO, 2009, p.29).

7. A BATALHA DE BELO MONTE

A Batalha de Belo Monte é o título da grande reportagem multimídia do especial “Tudo Sobre”, da Folha de São Paulo, Publicada em 2013. Sobre a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, na bacia do Rio Xingu, próximo ao município de Altamira, no sudoeste do estado do Pará. Com cinco capítulos, vinte e quatro vídeos, cinquenta e cinco fotos, 18 infográficos e um game, a Folha conta a história da terceira maior usina hidrelétrica do mundo (FOLHA, 2013).

Figura 1 - Capa da reportagem A Batalha de Belo Monte

Fonte: Folha (2013)

O tema tem papel importante no processo de produção do jornalismo transmidiático para envolver as pessoas e promover a interação desejada ao processo da narrativa transmídia, pois deve ser interessante e atraente de forma a convidar o público ao debate e discussões. A reportagem do Jornal Folha cumpriu este propósito com um tema muito bem elaborado e intrigante, com uma pauta quente, pois na época da reportagem em 2013, a usina estava em construção. Já no primeiro capítulo, gráficos e imagens audiovisuais animados são utilizadas para enriquecer o texto e tem o app para navegar para outras plataformas, tornando assim o acesso mais interessante e multilinear, onde a pessoa tem a liberdade de explorar a publicação da forma que achar melhor, a interatividade também é visível e marcante, pois é possível passear pela reportagem de maneira fácil e simples, deixando o usuário bem à vontade, devido ao uso de aplicativos amplamente utilizados no ciberespaço, facilitadores que agregam vantagens sobre as mídias convencionais. A respeito das técnicas jornalística somadas ao ciberespaço no “jogo de tensões entre ficção e realidade temos como significação, o sentido do ser, do modo de existência de uma dada realidade, mediada pelo discurso/linguagem. Essa realidade, quando favorecida em uma relação com discursos não ficcionais criam um efeito de discurso sobre a realidade tratada, como o discurso jornalístico.” (TRINDADE, 2001, p. 9). Essas técnicas jornalísticas somadas estrategicamente as ferramentas da internet atraem redes de pessoas interessadas pelo tema da reportagem.

Uma rede de pessoas interessadas pelos mesmos temas é muito mais eficiente, não apenas que qualquer máquina de busca, mas, sobretudo, do que qualquer intermediação cultural tradicional, que tria, grosso modo e a priori, sem conhecer no detalhe as situações e as necessidades de cada um. (LÉVY, 1999, p. 22 ).

Figura 2 – Gráficos animados

Fonte: Folha (2013)

Recursos de gráficos animados são utilizados para facilitar a compreensão do texto. Com dados reais que trazem legitimidade ao conteúdo, aumentando a confiabilidade do usuário para com a reportagem. Essa estratégia com os gráficos também ajuda a prender a atenção do leitor e a motiva-lo a interagir com a publicação, sem contar que esta técnica resume e ilustra as informações contidas no texto. Bulhões (2009) ressalta que “Esse movimento de intercâmbio de códigos e cruzamento de processos narrativos audiovisuais faz com que reconheçamos uma permanente circulação de referências claras do universo narrativo - ficcional midiático, um agitado movimento de alusões ou citações explícitas de seu abundante repertório.” (BULHÕES, 2009, p. 127). Mas vale lembrar que mesmo com todo esse movimento, se o público não se envolver com a plataforma e daí passar essa experiência adiante, todo esse esforço será em vão. É preciso tomar certas precauções no lindo e perfeito e se preocupar mais com a interação do público.

Colaboração é a mesma coisa que participação. Participação pode ser passiva (ler conteúdo adicional e explorar o mundo) ou ativa – votando, trocando, comentando, discutindo. Tweetando, entre outros. Colaboração é estar em contato direto com o mundo da história: escrevendo fanfiction, criando vídeos ou ilustrações. É fornecer um novo conteúdo, que você, como autor, está livre para aceitar ou recusar (PRATTER, 2011, p. 70).

Figura 3 – Imagem que ilustra a rotina dos operários

Fonte: Folha (2013)

Imagens estáticas disposta em galerias de fotos, tem na reportagem o papel de demonstrar o dia a dia dos funcionários da usina em sua fase de construção. Assim o leitor pode ter uma vasta ideia de como era o cotidiano na fase de obras, podendo observar através das fotos expressões reais. Esta galeria também traz para o leitor uma experiência vivida através das fotos, podendo ele se relacionar e se identificar com os personagens retratados na galeria. Esse gênero jornalístico conhecido como fotojornalismo é expressivo porque traz a experiência do reporte na imagem estática para o leitor que daí pode verificar suas próprias experiências através da fotorreportagem. “A experiência de imersão através do uso

coordenado de múltiplas mídias (cinema, internet, televisão, mobile, entre outras) estimula o desenvolvimento de ações narrativas que se articulam com ambientes cotidianos, numa combinação de elementos ficcionais e não ficcionais para construção de uma realidade lúdica.” (MASSAROLO e MESQUITA, 2014). Aqui a Folha utiliza o recurso da fotografia para empoderar seu discurso e torna-lo mais acessível para estimular a interação do seu público. As fotos são selecionadas de formar a captar a expressão do trabalhador da usina e assim humanizar a matéria para atrair a atenção do leitor. Assim a equipe da Folha expressa em sua reportagem seu conhecimento e domínio dos elementos característico a cada mídia.

Entender o poder da mídia é o primeiro passo para a construção de produtos inovadores e instigantes do ponto de vista editorial. Conteúdo original é necessário quando se busca uma audiência significativa para o produto e não simplesmente marcação de território na Internet. (FERRARI, 2004, p. 52).

Entrevistas com pessoas de cargo elevados da usina de Belo Monte, trazem além da experiência da imagem a experiência do áudio, onde o usuário pode ouvir vozes, ruídos de máquinas e ainda observar a linguagem corporal dos entrevistados. Informações dadas por um funcionário da usina em entrevista traz mais confiabilidade a matéria e atrai o usuário para o foco do tema da reportagem, prendendo a sua atenção e incentivando ele a interagir com a reportagem de modo a produzir debate e discussões nas redes sociais, onde o usuário costuma frequentar. E assim fomentar dentro da estrutura da narrativa transmídia a linguagem essencial ao processo de confecção do conteúdo exposto na mídia, Jenkins afirma que “Às vezes, a convergência corporativa e a convergência alternativa se fortalecem mutuamente, criando relações mais próximas e mais gratificantes entre produtores e consumidores de mídias.” (JENKINS, 2009a, p. 46). A Folha utiliza bem esse conceito pra somar sua convergência corporativa a convergência alternativa de forma a gerar o processo da cultura da convergência. Com essa estratégia de utilizar “entrevistas” no meio digital o veículo chama o usuário para uma análise baseada na sua experiência para confrontar e opinar sobre a informação jornalística exibida nos vídeos publicados. Essa interação provocada leva o internauta a fazer a divulgação da matéria em suas redes sociais ao comentar sobre seu contato e impressões.

O propósito de uma notícia transmídia é informar os leitores da melhor maneira possível, e utilizando uma combinação de formas de mídias para fazê-lo absorver a informação que faça sentido em um mundo no qual tais parcerias estão se tornando plausíveis em todas as plataformas de conteúdo, e a publicação na internet fornece os meios pelos quais se pode montar um pacote de texto, áudio, vídeo e imagens em uma cobertura de alcance global (FORD, 2007, online).

Figura 4 – Plano de fundo

Fonte: Folha (2013)

Os planos de fundo das páginas são práticos e se movem apenas com o rolar da barra, possibilitando a navegação com simplicidade e facilidade, conquistando a preferência do leitor. Bem organizados, foram selecionados de forma a implementar proporções diferentes entre as imagens e o texto proporcionando nova leitura com a interpretação desejada do veículo. Todos os capítulos foram pensados    cuidadosamente para atrair a atenção do leitor e a partir daí motivar o leitor a uma interação com as suas redes sociais e com a reportagem. O Jornal Folha também flexibilizou o conteúdo de forma dinâmica através dos hipertextos e das imagens de plano de fundo para dar noção do problema causado pela usina. Elementos interativos planejados conforme especificações da estrutura da linguagem da narrativa transmídia são utilizadas de forma a motivar a interação. Como “[...] uma inteligência repartida em todas as partes, valorizada constantemente, coordenada em tempo real, que conduz a uma mobilização efetiva das competências. (LÉVY, 2005, p. 20). Percebe-se não só a preocupação com o conteúdo, mas também a preocupação com a estética, fazendo do site uma opção atraente através dos produtos de multimídia, e assim fortalecendo o engajamento do seu público com a mídia. Cumprindo uma das características do jornalismo registrada por Lage “O jornalismo é atividade e serviço público que se adapta a diferentes meios tecnológicos e convive com os usos econômicos e culturais desses meios.” (LAGE, 2005, p. 161-162). Dessa forma a Folha demonstrou que seus profissionais de comunicação se adaptaram a    Cultura da Convergência, bem como buscaram a interação participativa com o seu público, de modo a provocarem a movimentação própria da narrativa transmídia.

Convergência tem mudado a forma como as notícias têm sido feitas. Digitalização e convergência tecnológica são os meios para que as plataformas midiáticas sejam facilmente cruzadas. Conteúdo pode facilmente ser compartilhado entre jornalistas que fazem notícias para televisão, rádio e web. Organizações midiáticas cada vez mais integram produção de diferentes plataformas midiáticas, a fim de incentivar cooperação entre redações. (ERDAL, 2007, p. 58).

Figura 5: Folhacóptero, aplicativo interativo.

Fonte: Folha (2013)

O Folhacóptero é uma estratégia inteligente, interativa, multilinear e integrada com programas de aplicativos, tornando a reportagem do Jornal Folha muito interessante. O aplicativo convida o usuário a uma viagem para dentro do cenário da matéria, revelando ali, através de um jogo, onde o leitor pilota um helicóptero virtual, os problemas causados pela construção da usina. Essa estratégia desperta o interesse do público ao conteúdo publicado de forma a motivar o usuário a comentar a experiência vivida no especial multimídia do Jornal Folha de São Paulo. Assim essa experiência do internauta se transforma em ações participativas. “A cultura participativa define, nessa perspectiva, novas práticas de uso das mídias associadas, sobretudo, ao compartilhamento, à publicação, à recomendação, aos comentários, ao remix e à reoperação de conteúdos digitais (criados e disponibilizados em meios digitais, especialmente na Internet)”. (FECHINE, 2014, p. 282). Observa-se que essa estratégia foi acertada, pois captura não só atenção do usuário, mas também a sua interação com a mídia, promovendo uma experiência virtual diferenciada e interessante, despertando o público para uma interpretação participativa da informação jornalística.

Diferença entre Jornalismo transmídia sobre outras formas de narrativa jornalística é que com a narrativa transmídia é possível utilizar as possibilidades de comunicação presentes na sociedade pós-moderna, onde a mobilidade a liquidez de estruturas, ou seja, a interatividade, assumem papéis importantes no campo da comunicação, como envolver e atrair o receptor para interpretação participativa da mensagem (RENÓ E FLORES, 2012, p. 81).

A reportagem especial multimídia “A Batalha de Belo Monte” possibilita três navegações distintas para plataformas móveis o IOS, o Android e pela web, onde o leitor é direcionado para os App Store, desta forma o leitor pode acessar a mídia de qualquer lugar. Durante os cinco capítulos da reportagem é possível perceber que o veículo pensou a publicação de forma multiplataformas para contar sua história e impulsionar o usuário a contar novas histórias a partir da história da Folha (2013). Também é possível verificar que a mídia se preocupou em deixar a matéria ao alcance do seu leitor de modo a possibilitar o acesso em qualquer lugar e a qualquer hora, promovendo dessa forma para o seu usuário uma experiência transmidiática. Mas é bom fazer aqui uma observação sobre a semelhança que transparece entre o jornalismo e o entretenimento na reportagem do Jornal Folha. “É evidente que jornalismo e entretenimento são produtos semelhantes na sua natureza de conteúdos simbólicos. São substratos midiáticos, são resultados da produção cultural, mas as diferenças se acentuam a partir daí.” (CHRISTOFOLETTI, 2008, p. 2). Todo o projeto foi pensado na estratégia transmídia, cada página, cada foto, cada gráfico, cada vídeo foi planejado para informar e entreter o público e assim motivar esse público a interagir com essa informação em suas redes sociais e grupos sociais.

8. RESULTADOS

A pesquisa identificou o conceito da narrativa transmídia no fazer jornalismo do Jornal Folha de São Paulo. Foi apontado os desafios para os profissionais da comunicação social, que cada vez mais necessitam de especificidade no trato com as novas tecnologias da informação. O recorte da reportagem A batalha de Belo Monte exemplifica o jornalismo transmidiático proporcionando maior familiaridade para com o tema proposto. Também foi possível identificar às novas aplicações do ciberespaço na informação jornalística, adequando a linguagem e os elementos da narrativa transmídia a forma de contar história informativa. A pesquisa explorou os fenômenos relevantes acerca da linguagem e dos elementos transmidiáticos através da leitura de artigos, livros e sites de diversos autores, proporcionando maior conhecimento do tema. Dessa forma constatou-se que estudar transmídia é conhecer a convergência dos meios de comunicação.

É preciso conceder a McLuhan o mérito de ter descrito, pela primeira vez, o caráter das sociedades midiáticas. A principal diferença entre o contexto midiático e o contexto oral é que os telespectadores, quando estão implicados emocionalmente na esfera dos espetáculo, nunca podem estar implicados praticamente. Por construção, no plano de existência midiática, jamais são atores. (LÉVY, 1999, p. 117).

Foi examinado desde o ciberespaço e sua cibercultura à cultura da convergência e a relação entre seus três conceitos convergência dos meios de comunicação, cultura participativa e inteligência coletiva proposta por Jenkins (2009) e Lèvy (1999) e convergindo no jornalismo transmidiático citado por Scolari (2012). Para a aplicação da convergência midiática ao jornalismo, consistente com a mudança na forma de publicar a informação jornalística. O jornalismo transmídia deve ser colaborativo, precisa fazer parte da cultura participativa existente na convergência dos meios de comunicação, precisa colaborar e fazer parte da inteligência coletiva, o seu conteúdo deve motivar a interação com a troca de informação, onde o jornalista é, também, um consumidor de conteúdo e não apenas um produtor. Dessa forma o jornalista e leitor colaboram para o conhecimento da inteligência coletiva, colaboram para o processo de construção da narrativa transmídia. “O consumo tornou-se um processo coletivo [...] A inteligência coletiva pode ser vista como uma fonte alternativa de poder midiático.” (JENKINS, 2009, p. 30).

9. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base no estudo feito sobre a reportagem A Batalha de Belo Monte do Jornal Folha de São Paulo e nos conceitos dos autores aqui pesquisados, foi possível identificar os elementos do jornalismo transmídia no formato de multiplataformas, na narrativa expandida e aprofundada na participação ativa do leitor para com o conteúdo da Folha. O conceito da narrativa transmídia existente no meio foi eficaz e alcançou os critérios aqui apresentados nos conceitos dos autores Jenkins e Lèvy. É possível que as novas tecnologias alterem a estrutura de interesses do público de acordo com a estratégia de interação sugerida pela mídia.

Com o tempo, cada nova forma de comunicação evoluiu desde suas origens como uma extensão reconhecível de uma forma anterior em uma forma distinta, toda sua. Esse contínuo de transformações e adaptações, como veremos, é na verdade um processo complexo, comparável em muitos aspectos à evolução das espécies. Formas bem-sucedidas de novas mídias, assim como novas espécies, não surgem espontaneamente do nada. Eles têm todas as ligações necessárias com o passado (FIDLER, 1997, p 16 3 17).

O estudo do recorte da reportagem A batalha de Belo Monte, da Folha de São Paulo possibilitou o entendimento da utilização da narrativa transmídia no jornalismo. O conceito transmidiático desenvolvido pelo autor do livro Cultura da Convergência, Henry Jenkins foi explorado e confrontado segundo textos de outros autores possibilitando maior entendimento para com a narrativa transmídia e o conceito de Jenkins. Foi possível observar através da comparação da reportagem com os conceitos dos autores a construção da inteligência coletiva com a cultura participativa dentro da convergência dos meios de comunicação, resultando no jornalismo transmidiático de acordo com os conceitos da narrativa transmídia.

Este fato apenas serve para destacar o ponto de que “o meio é a mensagem”, porque é o meio que configura e controla a proporção e a forma das ações e associações humanas. O conteúdo ou usos desses meios são tão diversos quão ineficazes na estruturação da forma das associações humanas. Na verdade não deixa de ser bastante típico que o “conteúdo” de qualquer meio nos cegue para a natureza desse mesmo meio. (MCLUHAN, 2007, p. 22).

A transmídia se faz presente na reportagem “A Batalha de Belo Monte” nos 24 vídeos, 55 fotos, 18 infográficos e um game, nas multiplataformas de linguagem, na interação com o público, na escolha do tema relevante, na forma de navegação disponibilizadas nos sistemas IOS, Android e de web no App Store e nas mídias sociais que foram utilizados no processo de produção da reportagem da Folha (2013). Assim foram identificados na estrutura da reportagem os elementos essenciais a linguagem da narrativa Transmídia que são as múltiplas plataformas, a cultura participativa, a convergência dos meios de comunicação, a inteligência coletiva, a interação com o público. Esta pesquisa explorou as aplicações da narrativa transmidiática na informação jornalística da reportagem A batalha de Belo Monte, da Folha de São Paulo. Utilizando como recurso de estudos artigos, livros e sites relacionados ao tema. Buscando proporcionar maior familiaridade para com a narrativa transmídia conceituada no livro Cultura da Convergência Jenkins (2009). Tento como ideia básica apresentar um trabalho exploratório que facilite o entendimento e a identificação da narrativa transmidiática proposta por Jenkins, apontando suas possibilidades como ferramenta para o jornalismo e para pesquisas futuras.

A exploração de diferentes formatos de linguagem em um mesmo suporte permite o esclarecimento de fatos e/ou de sistemas de difícil entendimento por meio de infográficos e vídeos. A quebra da linearidade desperta interesse e envolvimento e permite ao usuário percorrer um caminho próprio de leitura dos acontecimentos. Porém, a premiada reportagem mostra que os experimentos multimídia exigem investimentos em trabalho de equipe interdisciplinar e integrada que pensa a forma a partir do conteúdo nas rotinas produtivas do jornalismo, envolvendo profissionais qualificados de diferentes áreas como engenharia da computação e designers gráficos. (BECKER, 2013, p. 7 ).

Assim são apresentados os elementos essenciais ao entendimento e a familiarização da estrutura da narrativa transmídia e como ela pode ser útil na preparação de estratégias para o jornalismo transmidiático. Dessa forma esta pesquisa não é um fim, mas sim, mais um passo em direção da construção de um novo modelo de jornalismo em processo de adaptação. Colaborando para o desenvolvimento da história do jornalismo e para a estrutura da cultura participativa na intenção de somar conhecimento a inteligência coletiva de forma que esta pesquisa também seja ela em si uma narrativa transmidiática.

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Trabalho de avaliação de curso apresentado ao Curso de Jornalismo da Faculdade Anhanguera de Brasília como requisito para a conclusão da disciplina Trabalho de Conclusão de Curso 2  Por Marcondes Schifter.


Publicado por: MARCONDES SCHIFTER

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