O USO DAS NOVAS TECNOLOGIAS COM ALUNOS PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS NA EDUCAÇÃO

Computação

Utilização dos recursos das novas Tecnologias da Informação e da Comunicação TIC’s com alunos portadores de necessidades especiais na educação.

índice

RESUMO: O presente estudo tem como objetivo utilizar os recursos das novas Tecnologias da Informação e da Comunicação TIC’s com alunos portadores de necessidades especiais na educação no processo de desenvolvimento cognitivo social, pincipalmente nos aspectos do autismo, surdez, cegueira, dificuldades da fala, da leitura e da escrita, buscando auxiliar os professores lotados nas salas de AEE (Atendimento Educacional Especializado) com as novas TIC’s que podem servir como novos recursos facilitadores no processo ensino e aprendizagem. Para tanto é necessário a inserção de várias ferramentas nesse processo, incluindo microcomputadores adaptados para esse público, como; notebooks, tablets além de softwares e aplicativos específicos interligados a internet. Esse trabalho inclui também capacitações para que os professores possam utilizar essas mídias de forma a facilitar o aprendizado cognitivo e a inclusão digital dos jovens com as novas Tecnologias da Informação e da Comunicação.

Palavras-chaves: Necessidades Especiais na Educação; Tecnologias da Informação e da Comunicação; Inclusão Digital.

1. INTRODUÇÃO

A sociedade vem passando por grandes mudanças tecnológicas, sobretudo aquelas que causam impactos como a Revolução Técnico Científico ou Terceira Revolução Industrial e também com o avanço das Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação TIC’s em todos os setores da sociedade, portanto a educação não poderia ficar de fora dessa grande transformação social, principalmente no auxílio aos alunos portadores de necessidades especiais na educação.

Pode-se perceber que as TIC’s, tem um papel fundamental no desenvolvimento do conhecimento e das habilidades pessoais dos alunos, pois todo e qualquer aprendizado inclui aquele que aprende e aquele que ensina e a relação entre eles. Considerando a dificuldade de aprendizagem dos alunos portadores de necessidades especiais na educação, uma realidade que vem crescendo em todas as escolas do país, e com a implantação das salas de AEE (Atendimento Educacional Especializado), as TIC’s tem um papel fundamental nesse processo de transformação social. De acordo com Robério Alves Ribeiro (2014, pg. 07) “A preocupação com o uso de Tecnologia da Informação (TI) se torna crescente, uma vez que elas estão entranhadas em nosso cotidiano, nas nossas casas, no trabalho e nos mais diversos espaços sociais”.

A autora Rosita Carvalho fala das “necessidades educacionais especiais”, portanto o ambiente escolar deve proporcionar aos alunos especiais, meios que façam uma mediação de conhecimentos amigável de forma a ajudar no auxílio de diagnósticos como; autismo, surdez, cegueira, dificuldades da fala, da leitura e da escrita, dessa forma é necessário mais interação desses professores com as Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação TIC’s, visto que novos recursos possibilitariam o fazer pedagógico do professor como um meio de ensino, que resultariam em melhorias cognitivas e sociais. É necessário que este aluno seja incluso ao meio. Também se inclui no presente trabalho outra abordagem para a discussão de terminologias:

Usando uma imagem da psicologia da forma, a deficiência deixa de ser a figura passando a ser o fundo de um contexto no qual a sociedade tem principal papel, seja na promoção das necessidades especiais de determinadas pessoas ou grupos, seja na satisfação dessas necessidades. (CARVALHO, 2011, p. 39)

A autora cita, portanto, a necessidade da participação de todos os segmentos sociais em um mundo em que os alunos passam por uma nova revolução “Revolução Técnica Cientifica”. O professor e a família estão inseridos dentro dessa sociedade onde as informações estão cada vez mais acessíveis e evoluem cada vez mais rápido com o avanço da internet.:

As escolas integradoras pressupõem uma pedagogia centrada no aluno, que permita identificar suas necessidades, para suprir com vistas ao seu pleno desenvolvimento e em respeito aos seus direitos de cidadania de pretender e de participar e nelas os alunos com necessidades educacionais especiais devem, sempre que possível aprender junto com seus pares, ditos normais, para fomentar a solidariedade entre todos. (CARVALHO, 2011, p. 46)

Ou seja, as TICs são recursos altamente atrativos, instigantes e estimulantes para o aprendizado. A internet propõe uma interconexão digital de objetos cotidianos. Para Salvi :

Atualmente, todo o segmento de profissionais, pais e as próprias pessoas com necessidades educativas especiais denominam como inclusão um novo paradigma de pensamento e ação, no sentido de incluir todos os indivíduos socialmente, inclusive no contexto educacional. (SALVI, 2202, p.2)

De certa forma, boa parte dos professores, não estão preparados em sua formação atual para utilizarem essas novas tecnologias em seu cotidiano como práticas pedagógicas. É necessário que haja por parte do poder público a promoção de capacitações para o uso das Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação TIC’s para que essas novas tecnologias sejam utilizadas de forma a facilitar o processo de ensino e aprendizagem com alunos portadores de necessidades especiais educacionais. De acordo com Waldecy de Nazaré Tavares da Fonseca:

Quando falamos em inclusão de alunos com necessidades especiais, não basta apenas que escolas e currículos sejam adaptados para receber e trabalhar com esses alunos é preciso acima de tudo, professores capacitados e comprometidos em atender essa demanda (FONSECA, 2012, p. 15)

Portanto as TIC’s estão sendo inseridas paulatinamente nas escolas com alunos portadores de necessidades especiais educacionais, as salas de AEE (Atendimento Educacional Especializado) o que promove uma educação contextualizada e direcionada para um público que cada vez mais está sendo inserido no ensino regular, proporcionando inclusão e socialização desses alunos. De acordo com Diógenes Gewehr:

E para implantar na sala de aula as TICs, o professor necessitará ter disposição em estudar as tecnologias e suas diversas possibilidades, exigindo que avance além dos limites de sua área do conhecimento, o que não se constitui tarefa fácil. (GEWEHR, 2016, p. 45)

Portanto faz-se necessário que os professores tomem essas ferramentas como meios pedagógicos na intermediação entres as TIC’s e os alunos com necessidades especiais na educação. Independente das limitações desses alunos, com as Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação TIC’s é possível incluir esses alunos incialmente na comunidade escolar e posteriormente na sociedade em geral, sendo esse um passo fundamental na construção de uma sociedade mais justa e igualitária através da educação.

2. DESENVOLVIMENTO

No caso aqui em questão, segue alguns softwares educativos para alunos portadores de deficiências especiais, que podem ser utilizadas como uma ferramenta importante para que a criança exprima as suas ideias e desejos, contribuindo, para o desenvolvimento das suas competências e assim aumentando a sua inclusão social.

Segue abaixo exemplos de softwares e aplicativos utilizados para esse fim;

2.1. Hand Talk Tradutor para Libras

Esse aplicativo tem como finalidade traduzir os sinais de libras para pessoas portadoras de deficiências auditivas, facilitando a comunicação expressiva como meio pedagógico para os professores interagirem até mesmo com os aqueles que não entendem a linguagem de sinais. Basta escrever ou mandar um comando de voz através do aplicativo instalado em um smartphone ou tablet para que o personagem virtual faça a tradução. No aplicativo tem um personagem virtual chamado Hugo que traduz a escrita para sinais de libra, além de um dicionário variado com assuntos da língua portuguesa, matemática, história, geografia e ciências, ele também tem um tutorial “#HugoEnsina” com centenas de vídeos ensinado a língua de sinais. De acordo com Ana Flávia Fidelis Fernandes:

O aplicativo é um tradutor automático de texto e voz para LIBRAS, os sinais são interpretados por um boneco chamado Hugo, o aplicativo também possui uma seção educativa chamada de Hugo Ensina com vídeos que ensinam crianças e adultos expressões e sinais em LIBRAS. (FERNANDES, 2017, p.40)

Com este aplicativo, pretende-se, então, que a criança preste atenção a estímulos visuais e facilite a comunicação com os professores. Link https://play.google.com/store/apps/details?id=br.com.handtalk

Figura 1

Fonte: https://play.google.com/store/apps/details?id=br.com.handtalk, Acesso 22/07/2019.

2.2. DOSvox

O software realiza a comunicação com portadores de deficiência visual através de síntese de voz em português, (ele “conversa” com o deficiente visual em português) e do contato com o teclado de maneira prática e é de fácil aprendizagem, após um determinado tempo de uso. Essa voz que emite as mensagens sonoras, em grande parte é feita com voz humana gravada o que diminui o nível de estresse para o usuário. De acordo com Waldecy de Nazaré Tavares da Fonseca:

Assim para o DV, a existência desta tecnologia de baixo custo é a chave para romper as barreiras de comunicação existente. Através do uso de recursos sonoros, um DV pode utilizar facilmente o computador, pois a maior parte de sua interação com o mundo é feita através dos sentidos (tato e audição). (FONSECA, 2012, p. 12)

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Esse sistema não lê apenas o que está escrito na tela, ele estabelece um diálogo, através de programas específicos e interfaces adaptativas.

Podemos considerar o “Dosvox” para pessoas com deficiência visual na mesma proporção que a maioria dos programas usados para deficientes visuais. Isso explica sua grande aceitação junto ao público em questão, além de outros aspectos importantes como: o áudio em português, oferece muita interatividade, e está disponível gratuitamente na Internet. http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox.

Figura 2

Fonte: http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox, Acesso 22.07.2019.

2.3. ABC Autismo

O aplicativo tem os quatros níveis de dificuldades iguais ao do programa Teacch: Os dois primeiros níveis são com habilidades concretas, interage com níveis divertidos para a criança. E em seus dois primeiros níveis a criança começa aprendendo habilidades como discriminação e transposição. Do terceiro nível ao quarto, o jogo começa a ficar mais complexo, sendo que o último nível está plenamente de acordo com o quarto nível do” Teacch", abordando a questão do letramento, no qual é ensinado a repartição de sílabas, conhecimento de vogais e formação de palavras.

Quando a criança olha para a tarefa, a própria atividade já indica o que precisa ser feito. Então, isso traz uma autonomia e uma independência para a criança, porque ela não precisa de ajuda para entender a proposta da tarefa, o que leva a evitar distrações. Segundo Adriane Rodrigues Nunes:

O fato é que há uma escassez sobre pesquisas na área de problemas sensoriais, especialistas deixam essa questão de lado; não a tratam como objeto de estudo. Observando os comportamentos pode-se obter informações imprescindíveis, mas somente a pessoa com sobrecarga sensorial poderia dizer como realmente acontece. O problema é que a desordem sensorial desorganiza seus pensamentos de uma forma difícil de descrever como são suas experiências. Nesse sentido, o uso de tablets pode facilitar a comunicação, pois não é preciso tirar os olhos do aparelho ao digitar. (NUNES, 2017, p. 12)

A porta de entrada de aprendizagem do autista é visual, por isso ele precisa de estruturas de aprendizagem apoiadas no modelo visual. O aplicativo ABC Autista pode ser baixado em versão gratuita no Google Play: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.dokye.abcautismo.

Figura 3

Fonte: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.dokye.abcautismo, Acesso 22.07.2019.

A pesquisa demonstra que quando utilizadas de maneira adaptada ao currículo escolar, à realidade e singularidade dos alunos portadores de necessidades educacionais especiais, as TIC’s são um excelente recurso pedagógico, que pode e deve ser inserido na prática didática do professor.

3. CONCLUSÃO

Os avanços alcançados por meio de direitos das pessoas portadoras de necessidades especiais na educação e a evolução das Novas Tecnológicas vivenciada nos últimos anos, conclui que a escola, enquanto agente de inclusão e transformação cultural, social e educacional, responsável pela formação de um cidadão para atuar em sociedade, não pode permanecer indiferente às mudanças ocorridas. Faz-se necessário inovar, pesquisar, reinventar, planejar e implementar novas formas de desenvolver e estimular no processo de ensino e aprendizagem, inserindo, sempre que possível, as Novas Tecnologias da Informação e Comunicação, TIC’s, com alunos portadores de necessidades educacionais especiais

Chagas faz um paralelo histórico entre a profissão de professore e os recursos utilizados na realização de suas atividades pedagógicas afirmando que:

A profissão de professor sempre teve uma relação direta com livros, giz, quadro negro e papel. Nos últimos anos, isso mudou bastante. O universo de recursos do docente entrou em expansão – pode não abrir mão do material de sempre, mas incorpora hoje uma relação direta com as tecnologias [...] trazendo novas perspectivas para o ensino. ( CHAGAS, 2010, p.16)

A utilização das TIC’s com alunos portadores de necessidades especiais na educação precisa suprir todos os tipos de alunos, precisa suprir as necessidades básicas desses alunos nas escolas, tanto na leitura e na escrita como no cognitivo social, além inclusão digital e social. Porém, é de extrema importância que o professor, tenha conhecimento e domínio do uso dessas TIC’s, através de capacitações constantes. De acordo com Moran (p. 01, 2001):

Estão acontecendo mudanças tão profundas na sociedade, que elas afetam também a educação. Nunca tivemos tantas mudanças em todos os campos – na medicina, nas ciências, no comportamento, e também na educação. Ela está sofrendo processos sérios de gerenciamento, de avanço do particular e reorganização do publico. Está havendo pressão pela educação continua, pela educação à distancia. Isso nos obriga a repensar os modelos pedagógicos que nós temos, aqueles modelos centrados no professor, que começam a mudar, a ser mais participativos. Hoje, começam a se aproximar metodologias, programas, tecnologias e gerenciamento, tanto dos cursos presenciais como dos cursos à distancia ou virtuais. Aos poucos a educação vai-se tornando uma mistura de cursos, de sala de aula física e também de intercambio virtual. Há um processo de aproximação.

Dessa forma, fica evidenciado que as instituições ao fazer a preparação dos docentes tem um papel muito importante para desempenhar, para que possa ser desenvolvido um trabalho com eficácia no processo de ensino e aprendizagem. De acordo com os autores Moura, Azevedo e Mehlecke (p. 01, 2011), descrevem que:

Promover a aprendizagem no aluno é o objetivo principal do professor. Para atingir este objetivo não basta ao professor dar uma boa aula, trabalhar bem os conteúdos, ele deve ter bem claro as concepções teóricas que fundamentam a sua pratica. Paralelamente ao avanço tecnológico o conhecimento humano vem crescendo exponencialmente. Exige-se do professor uma postura diferente da tradicional visando possibilitar que o aluno "aprenda a aprender" e consiga ter acesso a toda informação disponível em fontes de pesquisa as mais variadas, inclusive pela internet. Torna-se necessário que o aluno e professor conheçam os recursos existentes e saibam lidar com eles, de maneira que possam agir, interagir e como consequência construir o conhecimento.

Contudo, precisamos destacar, que a melhoria e transformação do ensino com alunos portadores de necessidades especiais, não depende apenas da implementação das Novas Tecnologias nas escolas, mas principalmente de um conjunto de medidas, que estimule novos métodos de diagnósticos, atitudes e procedimentos. As instituições de ensino devem sempre estar em busca de novas formas de aprimorar o processo ensino e aprendizagem.

4. REFERÊNCIAS

TÁVARO DA FONSECA, Waldecy de Nazaré. O uso do software DOSVox na educação dos deficientes visuais. Macapá. 2012. Monografia (Especialista em Mídias na Educação) – Amapá, Universidade Federal do Amapá, Amapá, 2012.

CARVALHO, Rosita Edler. Educação inclusiva: com os pingos nos “is”. 4 ed. Porto Alegre: Mediação, 2004.

ALVES RIBEIRO, Rogério. Utilização da Tecnologias da Informação na Educação Pública em Santa Catarina. 2014. Monografia (Pós-Graduação em Gestão da Tecnologia da Informação) – Santa Catarina, Universidade Vale do Rio do Peixe, Caçador, 2014.

GEWEHR, Diógenes. TECNOLOGIAS DIGITAIS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO. 2016. Dissertação (MESTRADO EM ENSINO) – Rio Grande do Sul, Centro Universitário UNIVATES, Lajeado, 2016.

SALVI, Inez. A inclusão da pessoa com necessidades educativas especiais no contexto educacional. Santa Catarina, 2002. Disponível em: . Acesso em: 07 abril 2014.

FLÁVIA FIDELIS FERNANDES, Ana. Análise de requisitos de IHC em aplicativos para comunicação com Surdos em LIBRAS. 2017. Trabalho de conclusão de curso (BACHAREAL EM SISTEMAS DE INFORMAÇÃO) – Minas Gerais, Faculdade de Computação da Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais, Monte Carmelo, 2017.

RODRIGUES NUNES, Adriane. A importância do design de interiores para a inclusão social. 2017, Trabalho de conclusão de curso. (Bacharel em Sistemas de Informação), Minas Gerais. Faculdade de Computação da Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2017.

CHAGAS, Catarina. Novas perspectivas tecnológicas. Revista TV Escola, Curitiba, n. 3, p. 16, nov./dez. 2010.

MORAN, José Manuel. Como utilizar a internet na educação. Revista Ciência da informação. v.26, n. 2, maio./ agosto. 1997. Porto Alegre, 1997.

MOURA, Ana Maria Mielniczuk de. AZEVEDO, Ana Maria Ponzio de. MEHLECKE, Quer-te. As Teorias de Aprendizagem e os Recursos da Internet Auxiliando o Professor na Construção do Conhecimento. 2011. Disponível em: < http://www2.abed.org.br/visualizaDocumento.asp?Documento_ID=17>. Acesso em 25 de agosto de 2019.

1 orismende@gmail.com 


Publicado por: Orismende Holanda Brandão

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do site por meio do canal colaborativo Monografias. O Brasil Escola não se responsabiliza pelo conteúdo do artigo publicado, que é de total responsabilidade do autor. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.