EXERCÍCIO FÍSICO, SISTEMA IMUNOLÓGICO E ENVELHECIMENTO

Biologia

Análise a respeito dos conceitos de atividade física, exercício físico, treinamento físico e sistema imunológico, sua estrutura e função no organismo.

índice

1. Resumo

A relação entre exercício físico e sistema imunológico é um tema de pesquisa muito relevante e frequente na área da saúde, no entanto as nomenclaturas e classificações são comummente mal interpretadas. Este artigo, por meio de revisão bibliográfica categoriza de forma simples e objetiva os conceitos de atividade física, exercício físico, treinamento físico e sistema imunológico, sua estrutura e função no organismo. Correlacionando sistema imunológico e exercício físico por meio de revisão bibliográfica e também com dados colhidos em pesquisa efetuada num grupo de 63 idosos de ambos os sexo, com idade entre 65 e 94 anos, os quais foram submetidos a um programa de treinamento físico moderado por 8 meses.

Palavras chave: Sistema imunológico. Exercício físico. Moderado. Envelhecimento.

Abstract:

The relationship between physical exercise and the immune system is a very relevant and frequent research topic in the health field, however nomenclatures and classifications are commonly misinterpreted. This article, through a bibliographic review, categorizes in a simple and objective way the concepts of physical activity, physical exercise, physical training and immune system, its structure and function in the organism. Correlating the immune system and physical exercise through a bibliographic review and also with data collected in a research carried out in a group of 63 elderly people of both sexes, aged between 65 and 94 years, who were submitted to a program of moderate physical training for 8 months.

Key words:  Immune system. Physical exercise. Moderate. Aging.

2. Introdução

É cientificamente comprovado que a atividade física e o exercício físico provocam alterações no sistema imunológico. Diferentes níveis de estímulo repercutem de maneira distinta no organismo. A maioria dos autores pesquisados relacionam a prática de exercício físico intenso ao favorecimento de infecções e ao enfraquecimento do sistema imune, enquanto que o exercício físico moderado está relacionado ao aumento da resposta do organismo de defesa. (NASCIMENTO et al., 2002)

Este artigo aborda de forma simples e objetiva por meio de revisão bibliográfica o que é sistema imunológico, qual a sua estrutura e como o sistema imunológico resiste a agentes patogênicos. Categoriza os conceitos de atividade física, exercício físico e treinamento físico, classificando os níveis de intensidade do exercício físico relacionados a indicadores fisiológicos e seus efeitos no sistema imunológico. Por fim, fornece dados sobre o efeito do exercício físico moderado colhidos em uma pesquisa realizada num grupo de 63 idosos que foram submetidos a um programa de treinamento físico com duração de 8 meses.

3. Sistema imunológico

O sistema imunológico é composto por uma rede de moléculas e células espalhadas por todo organismo e tem uma fantástica capacidade de adaptação, biologicamente caracterizando-se pela competência de identificar e desenvolver uma resposta efetora perante a estímulos de antígenos ou estruturas moleculares, inativando-os ou os destruindo. De fato, funcionando como uma sistema ativo de defesa contra a mutação maligna de células, contra microrganismos que possam penetrar no organismo, sendo uma função de defesa fundamental contra infeções e tumores. (PRIETO, A. et al, 1997)

4. Estrutura do sistema imunológico

O sistema imunológico é constituído por um conjunto de moléculas e células espalhadas pelo organismo, por meio desse sistema indispensável para sua defesa o corpo humano interage adaptando-se aos desafios endógenos e exógenos. As proteínas representam 20% a 25% da concentração de total de proteínas plasmáticas do sistema imunológico e o seu componente celular representa aproximadamente 15% das células corporais. (CÓRDOVA, 1994)

A competência que alguns dos seus elementos tem de reconhecer especificamente determinadas frações celulares ou antígenos é sua propriedade biológica fundamental. A origem desses antígenos pode ser endógena ou exógena e sua natureza química é muito variável. (CÓRDOVA, 1994; BELLANTI, 1985; MARTINEZ; ALVAREZ-MON, 1999)

5. Como o Sistema imunológico combate agentes patogênicos

A proteção contra doenças infecciosas, é composta por elementos de proteção específicos e não específicos. Os elementos não específicos, imunidade conatural, também chamada de imunidade inata, é formada por estruturas que resistem a enfermidades, agindo sempre do mesmo modo, não diferenciando o agente patogênico. A imunidade adquirida ou elementos específicos, tem um alto nível de especificidade, que por meio da memória imunológica realiza respostas mais fortes, eficazes e rápidas na ação contra um agente patogênico já combatido anteriormente. (AROSA et al., 2007; RANG et al., 2007)

A imunidade inata ou conatural, age primariamente resistindo durante o período crítico, imediatamente depois do contato do organismo com o agente patogénico. A imunidade adquirida, por ser a forma secundária de defesa necessita de algum tempo para agir. Habitualmente, os agentes patogênicos ao entrarem em contato com um organismo saudável são neutralizados pelas estruturas de defesa não específicas, anteriormente ao acionamento do sistema de imunidade adquirida, ou seja, se um microrganismo resistir aos mecanismos inatos, uma ação imune específica da imunidade adquirida é acionada. (AROSA et al., 2007)

6. Atividade física e Exercício físico

A quantidade de energia recrutada para realizar alguma atividade física pode ser mensurada por quilojoules (kj) ou quilocalorias (kcal); 4.184kJ é essencialmente equivalente a 1kcal.

Realizamos atividade física para sustentar a vida, e de acordo com as escolhas que fazemos, recrutamos mais ou menos energia que é mais comumente mensurada em (quilocaloria) kcal/dia, kcal/semana, etc .(CASPERSEN, C. et al., 1985)

Exercício físico é uma subcategoria da atividade física, e é erroneamente confundido em ser a mesma coisa, apesar de ter característica muito parecidas com a atividade física, como por exemplo o gasto energético por meio de movimentos corporais produzidos por músculos esqueléticos e dependendo de alguns fatores podem influenciar positivamente índices de aptidão física, no entanto se diferencia pela estrutura planejada e repetitiva com a finalidade da manutenção e melhoria da aptidão física. (CASPERSEN, C. et al., 1985)

A maneira como o corpo responde a um treinamento individual tem a nomenclatura de reação aguda, isto é, quando analisamos a resposta biológica de exercícios aeróbios ou exercícios anaeróbios de forma isolada, estudamos a reação aguda ao exercício.

As adaptações crônicas são respostas biológicas a um treinamento individualizado, sistemático e progressivo efetuado por no mínimo 6 meses. As adaptações crônicas caracterizam-se por alterações significativas no organismo, que podem ocorrer nos sistemas imunológico, cardiorrespiratório e musculoesquelético, essas alterações relacionam-se com volume e intensidade, especificidade do treinamento e individualidade biológica. (SANDOVAL, 2014)

7. Classificação de intensidade do exercício físico

De acordo com o estímulo, o exercício físico pode ser caracterizado em diferentes níveis de intensidade, sendo eles: leve, moderado ou intenso. A categorização dos níveis de intensidade baseia-se nos resultados dos testes de esforço máximo que aferem a frequência cardíaca, concentração de lactato no sangue e o consumo de oxigênio. A concentração de lactato no sangue permanece estável nos exercícios de intensidade leve e moderada, variando entre 2 e 4 mmol/L. A frequência cardíaca máxima e o VO2 máximo, são os indicadores fisiológicos mais frequentemente utilizados como referência para a intensidade do esforço. Portanto, o exercício intenso está acima de 80% da frequência cardíaca máxima e do VO2 máximo, o exercício moderado está entre 50% e 80% da frequência cardíaca máxima e do VO2 máximo, e o exercício leve entre 20% e 50% da frequência cardíaca máxima e do VO2 máximo, geralmente. (FOLADOR, A. et al., 2006; HOFFMAN-GOETZ, 1998; GLEESON, M. et al., 2000)

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8. Níveis de intensidade do exercício físico e os efeitos no sistema imunológico

O Sistema imunológico é afetado diferentemente de acordo com os graus de intensidade de esforço a que o corpo é submetido, no entanto, esses efeitos podem ser positivos ou negativos para o sistema imunológico. Uma quantidade variada de autores e estudos fundamentados em modelos humanos e experimentais tem manifestado evidências que o exercício moderado praticado com duração menor a 60 minutos, está associado a menores perturbações do sistema imunológico e melhora dos mecanismos de defesa do organismo. (ANGELI et al., 2004; NOBREGA, 2005; KRINSKI et al., 2018) Todavia, com o exercício físico intenso averiguou-se um aumento da suscetibilidade infecciosa geral e no trato superior respiratório. (PIRES DA SILVA et al., 2009)

Logo após a prática do exercício físico intenso, até 72 horas depois, o organismo tende a inibir alguns aspectos da sua defesa, sendo eles: a resposta proliferativa dos linfócitos, a atividade das células NK e a produção de anticorpos. (PEDERSEN, B. et al., 1988; PEDERSEN; HOFFMAN-GOETZ, 2000)

A defesa do organismo fica comprometida com relação a autoimunidade, nos processos alérgicos e contra agentes oncogénicos e infecciosos. (NOBREGA, 2005)

9. Efeitos do exercício físico moderado no sistema imunológico de idosos

A grande maioria das pesquisas realizadas para a avaliar a relação entre o exercício físico e o sistema imune, aferiu os resultados analisando do ponto de vista da reação aguda do exercício físico, tendo um volume pequeno de informação da resposta do organismo quando os resultados do exercício são observados na prática crônica. É importante salientar também que é muito pouco pesquisado os efeitos do exercício físico praticado de forma crônica no sistema imunológico de idosos, tendo em vista que maioria dos estudos são feitos em indivíduos de meia idade e em jovens.

Principalmente no recorte etário dos idosos que esse tema tem uma fundamental importância, pelo fato das alterações imunológicas no envelhecimento. (MAZZEO, 2000; PAWELEC, G. et al., 1995)

Foi realizado um estudo em idosos que residem em um centro da terceira idade em Coimbra, o grupo era constituído por idosos de ambos os sexos, que tem entre 65 e 94 anos e são funcionalmente independentes. Após concordarem em participar do estudo, foram randomizados para grupo de controle e grupo teste, estratificados por sexo e idade. (VERÍSSIMO, M. T. et al., 2006)

No início do estudo eram 69 idosos, sendo que 63 participaram até o fim. (VERÍSSIMO, M. T. et al., 2006)

O grupo controle conservou seu padrão de vida habitual, enquanto que grupo teste seguiu o programa de treinamento. (VERÍSSIMO, M. T. et al., 2006)

O programa de treinamento foi executado durante 8 meses, com 3 treinos de exercício físico por semana, alternando os dias de treino e descanso, com a duração de cada treino menor que 60 minutos. Os treinos foram iniciados com sessões de baixa intensidade e curta duração, os quais foram sendo aumentados de forma progressiva até o fim do primeiro mês, que só então se mantiveram estáveis com intensidade moderada de treinamento, o que compreendia entre 60% a 80% da frequência cardíaca até o fim do estudo. (VERÍSSIMO, M. T. et al., 2006)

Os resultados deste estudo nos evidenciam que , os idosos de ambos os sexos, praticantes regulares de exercício físico de intensidade moderada, aumentaram significativamente os valores basais dos linfócitos T circulares, especialmente a sub população CD8, não influenciando os linfócitos NK e B. (VERÍSSIMO, M. T. et al., 2006)

De acordo com essas evidências podemos concluir que o treinamento físico de intensidade moderada, aumentando o número de linfócitos e geral e os CD8, combate o envelhecimento do sistema imunológico, contribuindo para prevenção das doenças autoimunes, infecciosas e neoplásicas. (VERÍSSIMO, M. T. et al., 2006)

10. Conclusão

A estrutura com níveis interligados e a fantástica capacidade adaptativa do sistema imunológico é o elemento fundamental de defesa do organismo, e se relaciona de forma positiva com o exercício físico moderado, pois as reações agudas do estímulo físico moderado estão associadas a menores perturbações do sistema imunológico e melhora dos mecanismos de defesa do organismo.

As evidências do estudo efetuado com 63 idosos demonstrou que o exercício físico moderado combate o envelhecimento do sistema imunológico e contribui para prevenção de doenças e infecções.

11. Referências:

ANGELI, A. et al. The overtraining syndrome in athletes: a stress-related disorder. Endocrinol Invest. 2004.

AROSA, F. A. et al. Fundamentos de Imunologia. Lidel. Lisboa, 2007.

BELLANTI, J. Immunology III. Saunders. Philadelphia, 1985.

CASPERSEN, C. et al. Physical activity, exercise, and physical fitness: definitions and distinctions for health-related research. Public Health Rep, 1985.

CÓRDOVA, A. Compendio de fisiologia para ciencias de la salud. Ind. ed. Interamericana-McGraw-Hill. Madrid, 1994.

FOLADOR, A. et al. Physical training attenuates the stress-induced changes in rat t-lymphocyte function. Neuroimmunomodulation. 2006.

GLEESON, M. et al. Training strategies to maintain immunocompetence in athletes. Int J Sports Med. 2000

HOFFMAN-GOETZ, L. Influence of physical activity and exercise on innate immunity. Nutr Rev. 1998.

KRINSKI, K. et al. Efeitos do exercício físico no sistema imunológico. Moreira Jr Editora | RBM Revista Brasileira de Medicina, 2018

MARTINEZ, A. C.; ALVAREZ-MON, M. O sistema imunológico: Conceitos gerais, adaptação ao exercício físico e implicações clínicas. 1999.

MAZZEO, R. Aging, immune function, and exercise: hormonal regulation. Int J Sports Med, 2000.

NASCIMENTO, E. et al. Exercício físico e sistema imunológico: mecanismos e integrações. Vol. 2, no 5. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, 2002.

NOBREGA, A. The subacute effects of exercise: concept, characteristics, and clinical implications. Exerc Sport Sci Rev. 2005.

PAWELEC, G. et al. Immunosenescence: ageing of the immune system. Immunol Today, 1995.

PEDERSEN, B. et al. Modulation of natural killer cell activity in peripheral blood by physical exercise. Scand J Immunol. 1988.

PEDERSEN, B.; HOFFMAN-GOETZ, L. Exercise and the immune system: regulation, integration, and adaptation. Physiol Rev. 2000.

PIRES DA SILVA, R. et al. Salivary Immunoglobulin A(s-IgA) and Exercise: Relevance of its Control in Athletes and Methodological Implications. Rev Bras Med Esporte, 2009.

PRIETO, A. et al. Activación de las subpo-blaciones de linfocitos a sus funciones efectoras. Medicine, 1997

RANG, H. P. et al. Rang & Dale – Farmacologia. 6a edição. Rio de Janeiro, 2007.

SANDOVAL, A. E. P. Introdução à fisiologia do exercício principais mecanismos. Medicinanet, 2014. Disponível em: encurtador.com.br/lxEW1. Acesso em: 09 mar. 2020.

VERÍSSIMO, M. T. et al. Efeito do exercício físico moderado no sistema imunológico dos idosos. 2006


Publicado por: Bruno Cezar Barbosa Silva

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