O Triunfo da Vontade como arma do discurso ideológico persuasivo no cinema

Arte e cultura

O discurso ideológico persuasivo usado para a construção do longa de 1935, O Triunfo da Vontade, da diretora Leni Riefenstahl.

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1. RESUMO

Este artigo analisa o discurso ideológico persuasivo usado para a construção do longa de 1935, O Triunfo da Vontade, da diretora Leni Riefenstahl. A produção alemã foi e ainda é objeto de estudo ao redor do mundo. Para a análise recorre-se às reflexões já desenvolvidas por pesquisadores sobre o filme e às teorias da comunicação, através dos conceitos sobre a persuasão do discurso e da linguagem ideológica. Os objetivos específicos referem-se aos discursos que propagam os ideais nazistas inseridos no filme de Leni e como tentou influenciar o seu público à época.

Palavras-chave: cinema, Segunda Guerra Mundial, nazismo, ideologia, persuasão

2. Hitler, sua postura persuasiva e contexto histórico

Antes de entrarmos nas linguagens específicas contidas em O Triunfo da Vontade, se faz necessário iniciar pelo líder dos nazistas, Adolf Hitler (1889-1945). O Führer, como também era chamado, já carregava consigo a habilidade para persuadir o receptor de sua mensagem bem antes de começar a usar o cinema como arma para propagar os ideais nazistas.

No livro Por dentro do III Reich (edição em português), Albert Speer, que dentro do regime nazista inicialmente exerceu o cargo de inspetor-geral dos Edifícios, e durante a Segunda Guerra (1939-1945) foi ministro de Armas e Munições, conta que a força da oratória de Hitler envolvia seu público: “Às vezes, elevava o tom de voz e falava com energia e sugestiva força e convicção”. Ele continua:

Essa impressão era muito mais profunda do que o próprio discurso, do qual não me ficou muita coisa na memória. Além disso, fui arrastado pelo entusiasmo que, frase após frase, animava o orador dando a impressão de que o seu corpo se erguia assim excitado por suas palavras, Hitler anulou os argumentos dos céticos. Os adversários não puderam falar. Daí adveio, pelo menos momentaneamente, a falsa impressão de unanimidade. Ao terminar sua fala, Hitler parecia já estar falando não para nos convencer-nos, mas ele mesmo dava a impressão de estar convencido de que o público esperava que ele falasse como estivera falando. (SPEER, Albert, 1970. pgs. 23 e 24)

Ele fala em “Hitler anulou os argumentos dos céticos”, “falsa impressão de unanimidade” e “estar convencido de que o público esperava que ele falasse como estivera falando”.

Pesando no discurso persuasivo, ao anular argumentos, pode-se considerar a hipótese de que um receptor, que já esteja alinhado com aqueles ideais, propague aquela ideia mais facilmente. Essa “falsa impressão de unanimidade” é importante para que se desenhe um quadro de “verdade absoluta”, pois não há quem discorde.

A mensagem soar como “se o público esperava que ele falasse aquilo”, pode-se interpretar como algo que já estava ali na mente do receptor de determinada mensagem. Essa hipótese poderia explicar, por exemplo, a força que o regime nazista e seus apoiadores tiveram desde a ascensão até os conflitos na Segunda Guerra, uma vez que Hitler precisava de pessoas que pensassem da mesma forma.

Adolf explorou a situação socioeconômica da Alemanha para fazer crescer seu apoio popular. Ainda que boa parte dos alemães não seguissem os mesmos ideais, houve quem não questionasse a ideologia do Partido Nazista. Parte da população acabou persuadida pelo discurso de reconstrução.

Após a derrota na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), com a monarquia fragilizada, além dos problemas econômicos, a Alemanha passou por um período próspero durante a República de Weimar. A Grande Depressão, como ficou conhecido o período pós-quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, ajudou a acelerar a crise socioeconômica e, de quebra, aflorou o crescimento dos ultranacionalistas tanto de direita como de esquerda. O discurso populista ganhou força e os nazistas foram ganhando cada vez mais simpatizantes. A partir de 1933, com os nazistas no poder, Hitler era a personificação de uma entidade sagrada para seus apoiadores, que os seguiram fielmente.

3. O Cinema e o discurso ideológico nazista

O cinema alemão gozava de uma imagem como um dos mais importantes, basicamente ficando atrás apenas de Hollywood (EUA), mas acabou caminhando para uma vertente propagandista com o Partido Nazista no poder. O ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, não se utilizou apenas da sétima arte para propagar a ideologia. A rádio, o teatro e a música também foram explorados para disseminar os ideais.

A década de 1930 foi para o cinema um período de larga produção de filmes de propaganda nazista. Além de O Triunfo da Vontade, Leni Riefenstahl produziu ainda em 1933, A Vitória da Fé. No mesmo ano foi lançado Hans Westmar – Um Dentre Muitos, filme de Franz Wenzler. Neste filme os jovens hitleristas são exaltados pelo “espírito de luta”.

Em O Triunfo da Vontade Hitler é colocado como uma figura divina, que irá guiar seu povo em direção ao futuro e que apenas ele é capaz de fazê-lo. Sobre essa “narrativa religiosa” em que se encaixa a figura do líder do Partido Nazista, como uma imagem “sacrossanta”, em seu artigo O mito em O Triunfo da Vontade: uma análise do documentário de Leni Riefenstahl, o doutor em comunicação e professor Sílvio Henrique Vieira Barbosa, diz: “Leni Riefenstahl soube trabalhar, na narrativa audiovisual, esses mitos, as duas simbologias, a pré-cristã, representada pela águia, e a cristã, pela cruz, dando momento a elas na linguagem audiovisual. Como a águia dos pagãos, a cruz dos cristãos também fala forte ao povo germânico. E ambas indicam a mesma coisa: o ser divino, o enviado, o Messias, retorna do céu para acabar com o sofrimento do povo”.

Pode-se dizer que um dos objetivos era mexer com o imaginário dos alemães que, em teoria, precisavam de um “alento”, de uma “esperança” em um momento delicado na Alemanha. Houve uma combinação entre propaganda ideológica e persuasiva, e entretenimento, ainda que se possa dizer que este último claramente tenha ficado em segundo plano:

Nesse filme, a propaganda revelou-se aplicada com tanta perfeição à realidade que torna-se difícil distinguir onde termina a realidade e começa a encenação. Não é mais possível perceber se a câmera filmou uma parada militar real ou se tudo foi apenas encenado para ela. (PEREIRA, W.P, 2003, apud LEISER, E., 1968)

4. O Triunfo da Vontade e o discurso persuasivo e ideológico

4.1. Divindade

Leni Riefenstahl soube muito bem trabalhar a imagem de Hitler como se ele fosse “a única esperança para a Alemanha”. A produção, importante lembrar, foi realizada durante o Congresso do Partido Nazista, na cidade de Nuremberg, em 1934. A criação dessa imagem de o “salvador” é vista desde as primeiras imagens do filme. Nos primeiros 20 minutos a exaltação é nítida. E as mensagens ideológicas e persuasivas vão sendo “desenhadas”.

No início, Leni usa o avião de Hitler sobrevoando a cidade milenar de Nuremberg para representar a águia, símbolo com forte significado do que é “santo”. Durante 2 minutos e 29 segundos, entre o minuto 3 até 5 minutos e 29 segundos, se vê a aeronave e também a sombra do avião do Führer sobre a cidade, que representa a “chegada do salvador”. Pode-se considerar o uso da águia como mensagem ideológica. Sobre esse símbolo e sua importância, o professor e doutor Sílvio Henrique Vieira Barbosa lembra: “O formato do avião lembra a sombra de um grande pássaro, a águia, o símbolo de civilizações, como a Asteca e a Romana, e animal que representa em diferentes culturas o Ser Divino, porque pode voar junto ao sol, e que agora é adotado como símbolo, ao lado da cruz gamada, a suástica do nazismo”.

A imagem do político falando de forma enérgica em um palanque sai para que um Hitler mais “do povo” apareça. Por volta do minuto oito há outro exemplo de sua imagem como algo “divino”. Já em solo, ele recebe um buquê de flores de uma criança pequena que, junto de sua mãe, o presenteia. Ali, “entre os seus”, Adolf vai sendo colocado em um “altar”. A mistificação de ser “o pai” de toda a Alemanha se dá com o objetivo de criar essa imagem fraternal.

Essa conexão e sentimento fraterno entre seus apoiadores, pode ser criada, uma vez que há, levando em consideração os graves problemas à época: a crise socioeconômica, o sentimento de medo de um colapso crescente, falta de coisas básicas. Quando há essa construção de aquele líder, uma vez distante, está ali “para você”, para levá-lo ao “progresso”, guiando-o “pelas mãos”, pode ser mais fácil ter sua idolatria e fidelidade em troca.

Sobre esse discurso persuasivo que consiste na cena com a criança, podemos citar a “tática da afeição”, do Ph. D. Robert B. Cialdini. O autor do livro As Armas da Persuasão – Como Influenciar e não se Deixar Influenciar, diz: “em geral, preferimos dizer ‘sim’ aos pedidos de pessoas que conhecemos e de quem gostamos”. (B. CIALDINI, Robert. 2012. p. 170)

Ou seja, essa aproximação de Hitler com o povo que é encenada em O Triunfo da Vontade, leva ao público uma falsa sensação de que ele é alguém próximo, uma figura disponível e que é possível recorrer à sua “bondade” sempre que necessário. Deve-se partir da hipótese de que quando há uma figura que remete à imagem do “pai”, o indivíduo estará muito mais próximo de dizer um “sim” por essa sensação de “segurança” que é passada.

Quando há uma figura como a de Hitler, que é colocado o tempo todo como “a grande salvação”, a tendência é que seus apoiadores estejam preparados para lutar por ele. Nas cenas em que Leni mostra, já à noite, a fanfarra tocando, os militares ainda ativos, como se fossem parte de uma engrenagem que não pode parar.

Uma vez que Hitler seja colocado como o “responsável pela reconstrução”, logo o povo (que apoia) também precisa agir de forma que essa engrenagem siga “caminhando para o futuro”. É como se os apoiadores correspondessem aos “atos heroicos” de seu líder, como se também estivessem se esforçando por um “bem maior”. Sobre essa “reciprocidade” entre o Führer e sua horda apoiadora, é possível citar outra teoria da persuasão de Cialdini:

A regra da reciprocidade promove a concessão mútua de duas formas: ela pressiona o beneficiário de uma concessão a reagir de forma equivalente e a segunda, como o beneficiário tem obrigação de retribuir, as pessoas se sentem livres para fazer a concessão inicial e, assim, iniciar o processo benéfico de troca. (B. Cialdini, Robert. 2012. p. 50)

5. Juventude como o futuro da ideologia

A Juventude Hitlerista, claro, não fica de fora da encenação. O grupo é mostrado por pouco mais de 4 minutos. O acampamento aparece movimentado, os jovens se divertem, cozinham, se ajudam – há uma cena em que um ajuda o outro no banho -, em uma clara mensagem de que há companheirismo entre eles, um “sentimento de irmandade”. Isso não é colocado de forma “inocente”. Toda peça é colocada de forma que monte “um quadro” alinhado, que mostre ao público que eles são o futuro, que estão sendo preparados para algo maior.

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É como se essa construção de cenas submetesse o jovem que naquele momento não faz parte de tal movimento, à sensação de que ali está o futuro dele, que ele pode ser parte de algo maior que está sendo “oferecido” pelo regime à juventude.

Persuadir, antes de mais nada, é o sinônimo de submeter, daí sua vertente autoritária. Quem persuade leva o outro à aceitação de uma dada ideia. É aquele irônico conselho que está embutido na própria etimologia da palavra: per + suadere = aconselhar. Essa exortação possui um conteúdo que deseja ser verdadeiro: alguém “aconselha” outra pessoa acerca da procedência daquilo que está sendo enunciado. É possível que o persuasor não esteja trabalhando com uma verdade, mas tão-somente com algo que se aproxime de uma certa verossimilhança ou simplesmente a esteja manuseando. (CITELLI, Adilson, 2002. P. 13)

A exaltação à “raça superior”, ao “ariano puro” segue com os corpos atléticos, em cenas construídas com o intuito de mostrar a “beleza da raça”. Mas, claro, beleza essa colocada com o objetivo de “desenhar” a imagem do “ariano ideal”. Em seu artigo, o professor e doutor Sílvio Henrique Vieira Barbosa diz: “Dorsos que reforçam o ideal nazista da saúde, da beleza, enfim, da perfeição de uma suposta raça superior, a ariana. Os mais brancos entre os brancos, os mais inteligentes e fortes entre os povos. Os destinados, segundo Adolf Hitler, a liderar a reconstrução de uma Europa branca, livre de povos inferiores, como os eslavos, os judeus e os ciganos, imigrantes racialmente inferiores que teriam vindo da Ásia distante para roubar espaço dos legítimos povos que ali devem habitar”.

Pode-se dizer que, quando é colocada como o “futuro da nação”, a Juventude Hitlerista não está sendo preparada apenas visando a imagem da “superioridade da raça”, mas também para os campos de batalha. No artigo intitulado A Juventude Hitlerista (Hitlerjugend) e as Juventudes Musicais (Jeunesses Musicales): estudo comparativo destas associações durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Fernando Menon e Álvaro Carlini ressaltam:

O Forte apelo de Adolf Hitler para a construção de uma Alemanha livre, através do não cumprimento do Tratado de Versalhes e da concepção de superioridade racial, física e intelectual dos arianos, suscitou nos jovens alemães qualidade consideradas elevadas, figurando entre elas: a coragem para a batalha em busca de um ideal nacional e a extrema fidelidade ao Partido Nacional Socialista. Devido a crise econômica e social que a Alemanha estava enfrentando e a dispersão dos jovens em diversos tipos de organizações, houve a necessidade de um líder que desse aos jovens um único ideal para viver e lutar, mesmo tendo esse ideal o objetivo final de intolerância racial e de xenofobia, para conseguir congrega-los em uma única associação e com um único propósito: a construção do novo Reich. (2007. P. 6)

6. Os ideais do partido como religião

Aos 45 minutos de filme, Hitler tem sua entrada anunciada por uma banda composta por jovens. Toda a encenação lembra como o que ocorre em uma missa, por exemplo, quando o padre (figura santa) é anunciado e entra ao som de uma música instrumental cristã. A construção da cena a partir daí se dá por um jogo de imagens como se o Führer olhasse de forma compenetrada para “suas ovelhas”. O menino com os olhos focados em Adolf, a câmera volta para o jovem, ao líder novamente e termina com os jovens tocando em homenagem à “sua santidade”.

Adolf Hitler ainda discursa e fala sobre obediência, para que os jovens sejam e a pratiquem. Neste momento o discurso persuasivo se dá com o intuito de “ensinar” e transformar esse público em um grupo uníssono: “Emissores e receptores não se integram num circuito comunicativo. O receptor não responde: trata-se de uma passiva figura que somente ouve e lê”. (CITELLI, Adilson. 2002. P. 65)

Em outro “ato” que remete ao “sagrado” acontece já no final da produção de Riefenstahl. São pouco mais de dez minutos de Hitler discursando (de 1 hora e 38 minutos, até 1 hora e 48 minutos, quando sai do púlpito). Já com pouco mais de 1 hora e 45 minutos, após caloroso e enérgico discurso a multidão aplaude, saúda, enquanto Hitler, com um semblante não tão fechado e com os dois braços abertos, recebe a ovação de “seu rebanho” (por seis segundos), enquanto aguarda para seguir com seu discurso. É como se os tivesse “tocado com seu sermão”. Pode-se interpretar como uma “ação dominadora”. As cenas mostram que, ainda de forma sutil, o público é persuadido de tal forma, que provavelmente passará a agir de modo condizente com o que ali foi dito. Em seu livro Linguagem e Ideologia, o professor e pesquisador José Luiz Fiorin explica os elementos desse ‘discurso dominante”:

Comunicar é também agir num sentido mais amplo. Quando um enunciador reproduz em seu discurso elementos da formação discursiva dominante, de certa forma, contribui para reforçar as estruturas de dominação. Se se vale de outras formações discursivas, ajuda a colocar em xeque as estruturas sociais. (FIORIN, Jose Luiz, 1998. P. 74)

7. Dominação e controle

Em um regime ditatorial a imprensa será alvo de retaliações, sobretudo os veículos que se posicionem de forma contrária. Na produção, é possível notar que há uma amostra de que a Alemanha comandada pelos nazistas faria esse controle do que seria publicado sobre o regime. Em meio aos discursos dos integrantes do alto comando, aos 30 minutos, o foco está em Otto Dietrich, chefe de imprensa e amigo de Adolf Hitler. Ele fala das “verdades” sobre a Alemanha que está sendo construída. De forma velada, mas com palavras duras, nota-se que tudo o que será falado e escrito sobre o nazismo será controlado: “A verdade é a fundação na qual o poder da imprensa se apoia. Nossa única exigência é que a imprensa, incluindo a imprensa estrangeira, é que ela diga apenas a verdade sobre a Alemanha”, discursa Dietrich.

O regime quer mostrar ao público que “toda a Alemanha” está alinhada com esse discurso ideológico. Ou seja, quer criar uma falsa atmosfera de que todos estão ao lado de Hitler. Esse controle, esse poder de dominação, também é visto no trecho em que Julius Streicher discursa. O editor do jornal Der Stürmer, publicação que fazia propaganda nazista, enaltece o orgulho da “raça superior”. Uma cena curta, mas de forte simbolismo: “Um povo que não se apega à pureza de sua raça perecerá”.

É possível recorrer às teorias da comunicação de Citelli sobre essa tentativa de controle e dominação:

No discurso autoritário é que se instalam todas as condições para o exercício de dominação pela palavra. Um discurso exclusivista, que não permite mediações ou ponderações. O signo se fecha e irrompe a voz da “autoridade” sobre o assunto, aquele que irá ditar verdades como num ritual entre a glória e a catequese. (CITELLI, Adilson, 2002. P. 39)

8. O poder nas mãos da nação

É possível fazer a leitura desse discurso persuasivo na “concessão do poder” ao povo alemão. O partido não dará plenos poderes ao indivíduo, mas nota-se a intenção de colocar a população como “responsável” e como um “fator decisivo” para que a “engrenagem siga funcionando”.

Nem sempre a “fala” autoritária se dará de forma enérgica. Esse “poder dado” pode ser interpretado como um jogo de influência, que tem como objetivo diminuir a distância entre o líder e seu povo. Em uma de suas aparições, Rudolf Hess, vice de Adolf, “chama a nação”: “Vocês são alemães. Quando vocês agem, a nação age. Quando vocês julgam, o povo julga”.

Esse tom de aconselhamento pode ser explicado com mais uma teoria da comunicação sobre essa forma autoritária, porém sem um tom enérgico:

O discurso autoritário é encontrável, de forma mais ou menos mascarada, na família: o pai que manda, sob a máscara do conselho. (CITELLI, Adilson, 2002. P. 40)

Já no fim, depois de mais de dez minutos de discurso de Adolf, Hess volta para finalizar com uma frase de impacto, como se convocasse cada indivíduo para lutar ao lado do Führer como um “filho que vai à luta com seu pai”: “O Partido é Hitler, Hitler é a Alemanha, como a Alemanha é Hitler”.

Considerações finais

Os nazistas exploraram o orgulho ferido do povo que, após a derrota do país na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), sofreu com problemas econômicos e com a falta de emprego. Pode-se interpretar que O filme O Triunfo da Vontade, de Leni Riefenstahl, tinha como objetivo mostrar que, de um modo geral, a população seguia a ideologia do regime. A produção tentou construir uma imagem de Hitler como alguém “santo”, que foi enviado para salvar o país, e que seria o único capaz de reconstruí-lo. O objetivo deste artigo era mostrar que essa não é uma “simples produção cinematográfica”, mas um filme que tinha um claro objetivo de influenciar as escolhas do povo, de persuadir e instaurar a ideologia na mente de seu público (povo).

Sobre o autor: jornalista, cursou especialização em Jornalismo Cultural, pela FMU e atualmente faz MBA em Comunicação e Mídia

9. REFERÊNCIAS

CITELLI, Adilson. Linguagem e Persuasão. São Paulo: Ática, 2002.

_____. Linguagem e Persuasão. São Paulo: Ática, 2002.

GUBERN, Román. Historia del Cine. Barcelona: Anagrama, 1969.

HASTINGS, Max. Inferno: O Mundo Em Guerra 1939-1955. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012.

SPEER, Albert. Por Dentro do III Reich. São Paulo: Círculo de Livros, 1970.

KERSHAW, Ian. Hitler. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

KRACAUER, Siegfried. De Caligari a Hitler: Uma Hisória Psicológica do Cinema Alemão: Editora: Paidós, 1985

B. Cialdini, Robert. As armas da Persuasão – Como Influenciar e não se Deixar Influenciar. Rio de Janeiro: Editora: Sextante, 2012.

OLIVEIRA, Dennison de. O Cinema e a Segunda Guerra Mundial no século XXI. Guarapuava/PR: UFPR, 2011. Disponível em: http://www.ufrgs.br/alcar/encontros-nacionais-1/8o-encontro-2011-1/artigos/O%20cinema%20e%20a%20Segunda%20Guerra%20Mundial%20no%20seculo%20XXI.pdf/at_download/file.

PEREIRA, W.P.. Cinema e Propaganda Política no Fascismo, Nazismo, Salazarismo e Franquismo. Curitiba. Editora UFPR, 2003. p. 101-131, apud LEISER, E. “Deutschland erwache!” Propaganda im Film des Dritten Reiches. Berlim: Rowohlt, 1968

SWEETING, C. Glen. O Piloto de Hitler. São Paulo: Jardim dos Livros, 2014

FALEIROS, V. P. Metodologia e Ideologia do Trabalho Social. São Paulo: Cortez, 2011.

FIORIN, J. L. Linguagem e Ideologia. São Paulo: Ática, 1998.

SHV, Barbosa. O mito em O Triunfo da Vontade: uma análise do documentário de Leni Riefenstahl., 2013. Revista Communicare – Faculdade Cásper Líbero – Volume 13. Disponível em: https://casperlibero.edu.br/wp-content/uploads/2015/08/O-mito-em-O-Triunfo-da-Vontade.pdf

F, Menon e col. Á, CARLINI,. A Juventude Hitlerista (Hitlerjugend) e as Juventudes Musicais (Jeuneusses Musicales): estudo comparativo destas associações durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), 2008. Artigo disponível para download em: https://www.researchgate.net/publication/255908366_A_Juventude_Hitlerista_Hitlerjugend_e_as_Juventudes_Musicais_Jeuneusses_Musicales_estudo_comparativo_destas_associacoes_durante_a_Segunda_Guerra_Mundial_1939-1945

FILMES

O Triunfo da Vontade, Leni Rienfenstahl, Alemanha, 1934. Postado por: Fernando Motta. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=55mClZIxRjg.

Outro link disponível no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=SH9AkBFjpy0


Publicado por: Bruno Félix do Prado

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