ANÁLISE SOBRE A REPRESENTATIVIDADE DA ARTE DRAG QUEEN NOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO DIGITAL “O GLOBO” E “A FOLHA DE S. PAULO”: CASO PABLLO VITTAR

Arte e cultura

Análise detalhada sobre como a drag queen Pabllo Vittar representa positivamente a comunidade LGBTQ+ na mídia.

índice

1.  RESUMO

A drag queen Pabllo Vittar representa positivamente a comunidade LGBTQ+ na mídia. Essa comunidade sempre foi alvo de estereótipos e preconceitos em todo mundo. Historicamente, a partir dos séculos XVII e XIX, na Europa, as drag queens começaram a ser associadas aos homossexuais, que estavam aderindo à essa arte de se “montar”, mas somente no século XX, os homossexuais assumiram totalmente os papéis de drag como uma forma de continuar se expressando artisticamente. Dos anos 60 até 80, mesmo em época de ditatura militar (1964 a 1985), as drag queens e travestis se mantiveram nos palcos brasileiros fazendo os shows envolvendo as linguagens de canto, dublagem e dança. Porém, apesar deste relativo avanço no mundo dos espetáculos, a violência, os estereótipos e preconceitos contra a comunidade LGBTQ+ continuaram a existir. Na atualidade, o Brasil é o país mais violento em relação aos LGBTQ+, totalizando em 2017, 445 assassinatos. Mesmo com a representatividade da drag queen Pabllo e o seu engajamento à causa LGBTQ+, o preconceito persiste. Diante destes fatos, o objetivo da presente pesquisa foi apurar e analisar notícias sobre a comunidade LGBTQ+, centralizando na arte drag queen e especificamente no caso da cantora Pabllo Vittar, que foram publicadas nos veículos de comunicação digital “O Globo” e “A Folha de S. Paulo”. Esses dois veículos de comunicação foram pesquisados no período de três meses – maio, junho e julho – do ano corrente. A metodologia utilizada foi a análise de conteúdo buscando demonstrar qual veículo soube melhor tratar e informar esse assunto para o seu público. Buscou-se averiguar se o discurso apresentou-se de forma não preconceituosa e se destacou as diferentes identidades dentro da diversidade sexual. Aproveitar as ferramentas inovadoras que a internet e os meios digitais proporcionam é uma maneira importante para aprimorar os conhecimentos sobre essa questão das drag queense, com isso, a mídia pode aproximar os seus leitores desse mundo drag e contribuir para a quebra de preconceitos. Cabe aos meios de comunicação representar esses conteúdos de forma respeitosa e adequada. Pabllo Vittar é o sinônimo de militância e empoderamento para a comunidade LGBTQ+, e dar voz para toda essa comunidade é um compromisso ético de todos os veículos de comunicação digital ou impresso. Em um mundo repleto de estereótipos, preconceitos e violências, a mídia precisa noticiar de forma adequada e respeitosa assuntos relacionados a essa comunidade, porém, incialmente é preciso ter conhecimento entre as diferenças das pessoas LGBTQ+ para então iniciar um conteúdo que os cita.

Palavras-chave: Representatividade. Drag Queen. Pabllo Vittar. Comunicação Digital.

ABSTRACT

The drag queen Pabllo Vittar positively represents the LGBTQ+ community in the media. This community has always been the target of stereotypes and prejudices around the world. Historically, from the 17th and 19th centuries in Europe, drag queensbegan to be associated with homosexuals, who were adhering to this art of "riding", but only in the twentieth century did homosexuals fully assume the roles of drag as a way of continuing to express themselves artistically. From the 60s to the 80s, even in military dictatorship (1964 to 1985), drag queensand transvestites remained on Brazilian stages performing the shows involving singing, dubbing and dancing languages. However, despite this relative advance in the world of spectacles, violence, stereotypes and prejudices against the LGBTQ + community continued to exist. At present, Brazil is the most violent country in relation to LGBTQ +, totaling in 2017, 445 murders. Even with the representation of drag queen Pabllo and her involvement in the LGBTQ + cause, the prejudice persists. In the light of these facts, the objective of the present research was to analyze and analyze news about the LGBTQ + community, focusing on drag queen art and specifically in the case of the singer Pabllo Vittar, which were published in the digital communication vehicles "O Globo" and "Folha de S. Paulo". These two communication vehicles were searched in the three-month period - May, June and July - of the current year. The methodology used was the analysis of content trying to demonstrate which vehicle knew best to treat and inform this subject to its public. We sought to ascertain whether the discourse presented itself in a non-prejudiced way and highlighted the different identities within the sexual diversity. Taking advantage of the innovative tools that the internet and digital media provide is an important way to enhance knowledge about this issue of drag queensand with this, the media can bring their readers closer to the drag world and contribute to the breakdown of prejudices. It is up to the media to represent these contents in a respectful and appropriate way. Pabllo Vittar is the synonym of militancy and empowerment for the LGBTQ + community, and giving voice to the whole community is an ethical commitment to all digital or printed communication vehicles. In a world full of stereotypes, prejudices, and violence, the media must adequately and respectfully address issues related to this community, but initially it is necessary to be aware of differences between LGBTQ + people and then initiate content that quotes them.

Key-words: Representativity. Drag Queen. Pabllo Vittar. Digital Communication.

2. INTRODUÇÃO

Em um mundo em que a comunicação digital avança no quesito da tecnologia, é preciso também que a mesma avance na forma de noticiar questões que envolvem a diversidade sexual, especialmente no que se refere à comunidade LGBTQ+ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, transgêneros, queers, drag queens, simpatiazantes), tendo em vista os valores sociais pautados pela democracia e pelo respeito à dignidade da pessoa humana.

A cantora e drag queen Pabllo Vittar é uma artista que vêm representando de forma militante essa comunidade, a qual tem sido alvo de chacotas, estereótipos, preconceitos e violências. Neste contexto, o papel da artista é relevante na luta pelos direitos humanos das pessoas LGBTQ+ e, por outro lado, é compromisso ético dos veículos de comunicação produzir conteúdos de forma adequada e respeitosa no que se refere a essas pessoas.

Parte dos jornalistas possuem dificuldades ao abordarem assuntos relacionados às questões LGBTQ+, principalmente pela falta de informação ou conhecimento, o que faz com que cometam erros ou equívocos na publicação das matérias.

Os veículos de comunicação, tanto digital quanto impresso, precisam estar conectados com essa nova forma de fazer jornalismo. Manter a sociedade bem informada, com notícias e dados claros, concretos e objetivos é um dever desses veículos, além de divulgar os fatos de forma adequada e respeitosa em relação às questões da diversidade sexual.

Sendo assim, o objetivo desta pesquisa foi verificar como os meios de comunicação divulgam o universo das drags, a partir da figura da artista Pabllo Vittar, trazendo uma abordagem comparativa entre dois veículos digitais de comunicação – “Folha de S. Paulo” e “O Globo” – e procedendo à análise de conteúdo.

Essa pesquisa buscou verificar se há indícios de estereótipos, preconceitos ou discriminação através de palavras, citações, intenções das palavras e repetições, e se os jornalísticos possuem dificuldades em abordar esse tipo de assunto. Por outro lado, a análise também discute questões de como a drag representa e empodera a comunidade LGBTQ+.

Para dar início à pesquisa, houve um estudo de todo o processo histórico sobre a origem das drag queense a conquista do espaço como arte. Também foi preciso verificar os conceitos que envolvem toda a questão da diversidade sexual, para então, começar a reflexão relacionada às questões dos estereótipos e preconceitos, destacando-se a violência e o número de assassinados de LGBTQ+ nos últimos dez anos no Brasil. Levantamentos realizados pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) concluíram que em 2017 foram 445 assassinatos de LGBTQ+, sendo na maioria gays e travestis.

Diante desse contexto, foram analisados dois veículos de comunicação digital, “O Globo” e “A Folha de S. Paulo”, ambos os mais lidos no Brasil. Desses conteúdos voltados em assuntos relacionados à drag queen Pabllo Vittar, em “O Globo” foram encontradas nove matérias, e em “A Folha de S. Paulo” totalizaram dezoito. Os focos das editorias no site destes jornais foran o cultural, o musical e o entretimento, buscando-se análisar se nos jornais, há possíveis convergências e divergências relacionadas aos estereótipos e preconceitos no que se refere a drag queen Pabllo Vittar através de palavras, citações e repetições utilizadas.

A partir daí, foram destacadas as representações veiculadas sobre a cantora, identificando possíveis vieses preconceituosos, homofóbicos ou de discriminação de outra natureza. Num primeiro levantamento, foram pesquisados aspectos como o tamanho das matérias entre os dois jornais, em parágrafos, além do uso de fotos, de indicações claras sobre suas obras como CDs, canais no Youtube e seus clipes, para depois proceder a uma abordagem mais focada em aspectos que valorizam a cantora como artista ou em fofocas. Assim, buscou-se descobrir se Pabllo aparece representada de forma positiva nesses veículos e qual é o espaço para as pessoas LGBTQ+ nesses veículos de comunicação.

Sendo assim, partiu-se da hipótese de que de um modo geral existem muitos veículos de comunicação digital que não sabem como tratar a questão da diversidade sexual, especialmente no caso das drag queens, por falta de conhecimento em relação ao universo LGBTQ+, também por questões relacionadas à reprodução do preconceito social e aos estereótipos de gênero.

De modo geral, muitos confundem drag queen com transexual ou travesti, por exemplo. A travesti assume uma identidade de gênero feminina, mas mesmo tomando hormônios femininos, colocando seios, as travestis não se sentem desconfortáveis com a sua genitália, portanto não desejando a realização de cirurgia. Transexual e transgênero são pessoas que não se sentem confortáveis com seu o corpo, remetendo-se às cirurgias de redesignação sexual até se sentirem realmente o que querem ser e são.

Contudo, totalmente diferente é o caso de drag queens, homens ou mulheres que se vestem de maneira caricata com o intuído de realizar performances artísticas como dublagem, dança e canto, porém, se sentem bem com o corpo que têm, podendo ser homoafetivo ou não. Diante de todo esse contexto da diversidade sexual, é essencial a discussão sobre o que é ser drag queen e qual suas representações perante a sociedade.

A importância de trazer à luz este debate, especialmente no que se refere ao papel social dos meios de comunicação, relaciona-se ao fato de quem mais se transforma em drag queen são homoafetivos. Muito deles usam essa arte como uma forma de trabalho ou exercício profissional, se apresentando em shows e outros eventos. E as pessoas preconceituosas ou que não conhecem essa arte, julgam, humilham ou fazem postagens de discurso de ódio nas redes sociais, contribuindo para a reprodução de comportamentos violentos, homofóbicos e transfóbicos.

A metodologia utilizada nesta pesquisa é à análise de conteúdo, de acordo com Laurence Bardin (2009), ou seja, depois da separação, organização e leitura flutuante, os conteúdos são separados em categorias e subcategorias, para depois serem classificados de acordo com o referido método de investigação.

Vale ressaltar que no presente trabalho, realizada teve caráter qualitativo, pois é investigada a qualidade dos textos, além das palavras adequadas e inadequadas, se houve palavras estereotipadas ou erradas como ao escrever o nome de Pabllo, ou se houve palavras consideradas corretas, como “A drag queen Pabllo Vittar”, e não “O drag queen Pabllo Vittar”, por exemplo. E a partir de toda essa análise, buscou-se verificar se a drag está representando a comunidade LGBTQ+ ou não. No que se refere à análise de caráter quantitativo, foi realizada levantamento sobre a quantidade de fotos de cada jornal, de parágrafos, de palavras incorretas e corretas e, ao final, os números alcançados foram em porcentagem para obter uma amostra dos resultados finais.

O segundo capítulo trata especificamente de questões e conceitos sobre a diversidade sexual. A partir da leitura de bibliografia especializada, buscou-se explicar quais são as maneiras corretas ao se referir às pessoas LGBTQ+. Também foi abordada a origem e a atualidade das drag queens, ou seja, um histórico de como eram as artistas e sua arte e qual é o estado em que essa realidade se encontra hoje.

No terceiro capítulo, a pesquisa trouxe dados biográficos da artista Rogéria, conhecida como ‘a travesti da família tradicional brasileira’, a qual se destacava nos palcos mundiais e brasileiros, principalmente no “Teatro Rival”, no Rio de Janeiro, inspiração para o documentário de Leandra Leal, “Divinas Divas” realizado em 2016 e lançado em 2017. Levando em conta a história de Rogéria, foi realizada uma comparação com vida da drag queen e cantora Pabllo Vittar, destacando-se os pontos em comum e as diferenças entre as duas artistas, e aspectos relacionados à questão da cultura digital e pop e a novas atribuições do jornalismo cultural no que se refere ao tratamento contextualizado e menos estereotipado da diversidade sexual.

No quarto capítulo, são abordadas as questões relativas às características da comunicação digital e o surgimento dos memes da internet, e apresentado um breve histórico dos dois jornais em análise, “O Globo” e “A Folha de S. Paulo”, na versão digital. Diante disso, é discutida a comunicação digital no mundo das drag queens, resultante das interações por redes sociais com os fãs.

O capítulo cinco se refere à metodologia utilizada no trabalho, a partir da abordagem quantitativa e qualitativa dos conteúdos encontrados, foi aplicada a análise de conteúdo e, por fim, a comparação dos resultados de um jornal e de outro.

Como a análise de conteúdo mostra, nas 18 matérias analisadas de “A Folha de S. Paul” foram encontradas 77 palavras adequadas. Nas nove matérias do “O Globo”, decectou-se 11 palavras apropriadas. É evidente que o número de palavras adequadas do jornal “A Folha de S. Paulo” foi maior devido à quantidade de matérias, porém, o jornal limita o espaço das matérias em parágrafos, ao contrário de “O Globo”, que expande os textos.

Ambos os jornais, no geral, trataram Pabllo no feminino, mas em poucos casos há erros de tratamento. Os veículos de comunicação, na maioria das vezes, procuraram sempre colocar uma palavra feminina quando citam Pabllo. De acordo com a análise, palavras como “a cantora” e “a drag queen” reforçam para um leitor que não tem muito conhecimento do assunto quem é Pabllo Vittar e os motivos de os veículos de comunicação a chamarem no feminino, e não no masculino. Porém, foi possível localizar erros de grafia em relação ao nome da artista e falhas relacionadas ao tratamento da drag.

Diante disso, a pesquisa foca na representatividade da cantora e drag queen Pabllo Vittar em relação aos veículos de comunicação digital “A Folha de S. Paulo” e ‘O Estadão’.

3. A QUESTÃO DA DIVERSIDADE SEXUAL

A gente tem que lutar sim todos os dias, passar nosso blush, nosso glitter e sair na rua. E não ter vergonha do que a gente é.”

Pabllo Vittar

A diversidade está novamente reconquistando o seu espaço. Por muito tempo, a palavra diversidade ficou extinta do vocabulário de muitos, principalmente na época da Ditadura Militar, em 1964. A questão da diversidade sexual é cercada pelo preconceito, pelo estigma e pela desinformação. De um modo geral, as pessoas entendem a diversidade sexual como uma anomalia, uma perversidade e, a partir daí, assumem comportamentos e atitudes que desrespeitam o diferente, que causam discriminação, segregação e diversas formas de violência.

A sexualidade humana constituiu-se por variadas configurações no decorrer dos tempos, de acordo com a normatização sociocultural. E nessa construção histórica, as diferentes sociedades determinaram a heterossexualidade como padrão considerado normal, e as outras formas de expressão da sexualidade como anormais ou desviantes. Contudo, a compreensão atual, que engloba conhecimentos nas de ciências biológicas e humanas, entendem:

A sexualidade humana é formada por uma múltipla combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais e é basicamente composta por três elementos: sexo biológico, orientação sexual e identidade de gênero. Chamamos de Diversidade Sexual as infinitas formas de vivência e expressão da sexualidade. (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2014, p. 45).

O sexo biológico é o que se dá de acordo com um conjunto de informações cromossômicas e também com os órgãos genitais, o que irá distinguir o “masculino” do “feminino”. Já, a orientação sexual, é o que o indivíduo se sente e o que vê. Uma atração afetiva e sexual que a pessoa tem, naturalmente, por outra pessoa. Um indivíduo nessas condições nasce assim, e não “se torna”.

Nesse sentido, é importante esclarecer os conceitos e a fundamentação científica relacionada à diversidade sexual, buscando desconstruir estereótipos e preconceitos disseminados na sociedade e muitas vezes reproduzidos pelos meios de comunicação.

Existem vários discursos neste quesito, por exemplo, retratando como uma “opção sexual” o comportamento que difere do padrão heterossexual. Trata-se de uma visão deturpada e considerada um equívoco e um erro conceitual na atualidade.

3.1. Definindo os conceitos

A diversidade sexual está e sempre esteve presente na vida dos seres humanos. Hoje, devido à militância dos diversos movimentos sociais relacionados ao tema, entender o que é o porquê dessa realidade deveria ser mais fácil.

Quando se fala em diversidade sexual, existem três tópicos: sexo biológico, que envolve as genitálias da questão do macho e da fêmea, orientação sexual e gênero.

A orientação sexual é diferente de ‘opção sexual’, pois a pessoa não opta ser assim, ela nasce. O sentimento, o afeto e o desejo sexual de uma pessoa pelo indivíduo do mesmo sexo é simplesmente o que se dá em sua orientação sexual. A partir desse contexto, é possível a diferenciar tópicos para definir a orientação sexual. São eles: heterossexualidade, homossexualidade, bissexualidade e os assexuados.

Esses quatro quesitos primordiais que ajudam a definir a orientação sexual. A heterossexualidade é o ser humano que sente atração física e sexual por uma pessoa de outro sexo, homem e mulher. É considerado em diferentes sociedades, a norma socialmente imposta e aceita como natural. Numa perspectiva histórica, a homossexualidade (hoje entendida como homoafetividade) sempre esteve presente nas diferentes sociedades.

Para os gregos na Antiguidade, a relação sexual entre os homens era norma social. Só existia uma regra: o homem mais velho deveria ser ativo em relação ao menino mais novo; assim como o escravo deveria ser passivo em relação ao seu senhor. Já no Brasil, no período da ditadura militar em 1964 até 1985, ser homossexual era uma aberração para a maioria das pessoas e para o governo. Eles eram tratados como desumanos, vistos como reprodutores de doenças, por isso deveriam de serem exterminados. Muitos gays 1e lésbicas 2 foram assassinados por simplesmente amarem pessoas de seu mesmo sexo, por enfrentar o preconceito da época, e mostrar quem realmente era. Segundo Molina (2011), a homossexualidade foi ao longo dos tempos e das diferentes culturas, motivo de punição, de vergonha, segregação e violência contra todos aqueles que atravessassem a fronteira da heteronormatividade.

Outro termo é a bissexualidade. Para o senso comum, uma pessoa bissexual é indecisa ou que está se aproveitando da situação para não se ‘assumir’. Mas, na verdade a bissexualidade sempre esteve presente no mundo e faz parte da diversidade sexual. É entendida como uma pessoa de um sexo, seja feminino ou masculino, a qual sente atração física/sentimental ambos os sexos. E, por último, existem assexuados, são pessoas não sentem desejo nem pelo mesmo sexo e nem pelo sexo oposto.

As teorias sobre a sexualidade humana ganharam novos contornos com os estudos sobre gênero, conceito fundamental nos dias atuais para a melhor compreensão sobre a questão da diversidade.

Formulado nos anos 1970, o conceito de gênero foi criado para distinguir a dimensão biológica da dimensão social. Embora a biologia divida a espécie humana entre machos e fêmeas, a maneira de ser homem e de ser mulher é expressa pela cultura. Assim, homens e mulheres são produtos da realidade social e não decorrência direta da anatomia de seus corpos. (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2014, p. 45).

O gênero é uma construção social, diferente de sexo, que é biológico. O papel de gênero é o jeito que homem e a mulher devem agir, segundo os padrões estabelecidos. Quando nasce uma criança do sexo masculino, ele, seguindo a cultura estabelecida pela sociedade brasileira, deve ganhar presentes azuis, brincar de carrinho e gostar de futebol. Assim, quando nasce uma menina, ela deve ganhar presentes da cor rosa, brincar de bonecas e gostar de cozinhar. Estabelece-se, a partir daí, papéis sociais e padrões de comportamento determinados a partir dos estereótipos de gênero.

Nesse sentido, entende-se que o fato de uma pessoa nascer com um pênis não significa que ela irá automaticamente gostar de futebol e “falar grosso”. Da mesma forma, nascer com uma vagina não faz com que a pessoa seja emotiva e vaidosa. (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2015, p. 12). Os estereótipos se relacionam, portanto, aos valores e ideias como Para ser homem de verdade, ele tem que agir como um e gostar de futebol, e ela, para ser mulher, tem que saber cozinhar bem e gostar de balé e boneca. O preconceito se reproduz nessas opiniões, pois, não é porque o menino não gosta de futebol, obrigatoriamente é gay, e a menina que não sabe e não gosta de cozinhar, é lésbica.

Levando em conta essas visões preconceituosas, as discussões relacionadas à identidade de gênero estão sendo bastante debatidas ultimamente, no sentido de esclarecer os termos. Dessa forma, define-se a identidade de gênero como a percepção íntima que uma pessoa tem de si como sendo do gênero masculino, feminino ou de alguma combinação dos dois, independente do sexo biológico (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2014, p.13). A palavra chave é a identidade. O ser humano ganha identidade ao nascer. Quando ele cresce e se olha no espelho percebe que não é assim que ele se sente, ele não é o que se vê no espelho. A partir daí, há uma batalha de conflitos internos, pois ele não sabe o que é, na medida em que sua identidade está em desacordo com o padrão heteronormativo. Todos os seres humanos tem identidade, e na questão da identidade de gênero, os transgêneros, travestis e transexuais são as pessoas que mais sofrem com sua identidade.

Transgênero é o nome dado para descrever as pessoas que transitam entre os gêneros, englobando travestis, transexuais, crossdressers e drag queens. Mas, também existem as pessoas que não são transexuais e nem travestis, mas que vivenciam os papéis de gênero de maneira não convencional. (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2014, p. 15, 16).

A pessoa transexual é aquela que se olha no espelho e percebe que a sua identidade de gênero não está de acordo com seu sexo biológico. São homens e mulheres que se veem e se sentem pessoas do sexo oposto, então, optando pela cirurgia de mudança de sexo (redesignação sexual), além de tratamentos hormonais. Durante e depois desses processos de mudança, para essa pessoa a sua identidade é reconhecida, porém, ela sempre esteve presente com esse indivíduo.

A mulher transexual, ou mulher trans, é aquela que se reconhece como uma mulher, porém nasceu com seu órgão genital masculino. Já, o homem transexual, ou homem trans, é aquele que se reconhece como um homem, porém, seu órgão genital é feminino. Muitas travestis não realizam a cirurgia de mudança de sexo. Elas tomam hormônios, colocam silicones, fazem cirurgias plásticas. A travesti, por sua vez, é uma pessoa que nasce com sexo masculino e tem identidade de gênero feminina, assumindo papéis de gênero diferentes daqueles impostos pela sociedade (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2014, p. 13).

Ocasicialmente a mídia noticia assuntos sobre travestis reconhecendo-a como ‘o travesti’, o que é errado, pois é uma figura feminina, então, o adequado é ‘a travesti’. Muitas das travestis são vítimas de preconceito e chacota. O termo mais usado por essas pessoas preconceituosas é ‘traveco’, o que corresponde a falta de respeito. Como muitas sofrem esse preconceito desde muito cedo, acabam não terminando os estudos, muitas vezes são expulsas de casa e sem oportunidades de inserção no mercado formal de trabalho, a prostituição torna-se então uma forma de renda para elas. Segundo a Constituição Federal, em seu artigo 3º, inciso IV, diz que é preciso promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação, principalmente com as travestis, que em muitos casos são espancadas e violentadas até a morte.

Outro conceito importante para a discussão sobre diversidade sexual é cisgênero. São pessoas cuja identidade de gênero coincide com o sexo biológico. Aquelas que são biologicamente mulheres e possuem identidade de gênero feminina ou biologicamente homens e possuem identidade de gênero masculina (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2014, p. 16).

O leque da diversidade vai se abrindo, destacando-se o exemplo dos Crossdresser. Uma cultura não muito conhecida no Brasil, mas que também faz parte dessa realidade. “É a pessoa que se veste com roupas do sexo oposto para vivenciar momentaneamente papéis de gênero diferentes daqueles atribuídos ao seu sexo biológico, mas, em geral, não realiza modificações corporais e não chega a estruturar uma identidade transexual ou travesti.” (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2014, p. 15).

Por fim, existe também a drag king, o que também não é muito conhecido no Brasil. É a mulher que se veste com roupas masculinas com objetivos artísticos, performáticos, como uma forma de trabalho e renda salarial. E quem é homem, que se veste/monta com objetos femininos? São as chamadas drag queens, o qual é o foco deste trabalho. Uma arte que voltou de forma rápida e está reconquistando o trono da diversidade, e também os veículos de comunicação digital e social. Quem se monta de drag queen, pode ser por lazer e diversão, mas, na maioria das vezes, é um ato de profissão, assim como as drag kings.

3.2. A Teoria Queer

A Teoria Queer surgiu ao final da década de 1980, por intelectuais americanos, ganhando então relevância social sobre os estudos de comportamento de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis, dentre outros. Quando se fala sobre essa classe LGBTQ+ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, transgêneros, queers, drag queens, simpatizantes), muitas pessoas problematizam e não é diferente com a Teoria Queer. Ela está ligada ao termo como a pessoa estranha, esquisita, diferente.

Em 1990, Guacira Lopes Louro, escritora ligada às questões de gênero, sexo e sexualidade, criou o GEERGE (Grupo de Estudos de Educação e Relação de Gênero), na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), com o objetivo de se aprofundar e fazer debates sobre a sexualidade das pessoas. Louro (2004) faz uma análise metafórica entre dois capítulos de seu livro, ‘Deus é brasileiro’ e ‘Bye Bye’, juntando à perspectiva queer para então analisar como as pessoas se comportam perante a sociedade.

Nesse gênero de filme, o personagem ou os personagens estão em trânsito, em fuga ou na busca de algum objetivo frequentemente adiado e, ao longo do caminho, veem-se diante de provas, encontros, conflitos. Ao se deslocarem, também se transformam e nessa transformação é, muitas vezes, caracterizada como uma evolução. (LOURO, 2004, p.12).

Para a autora, os seres humanos estão em constantes mudanças e evoluções. Essa imagem metafórica, destacada em seu livro diz respeito à transformação do corpo, da evolução, do crescimento, descobrimento, das novas ideias, novos prazeres, o qual todos os seres humanos estão sujeitos a passar até o envelhecimento.

Nessa evolução do ser humano, a autora cita Judith Butler (1999, apud Louro, 2004), que diz que o caminho das pessoas é construído socialmente a partir do nascimento, pois, como citado anteriormente, “é menino, vai ser um homem, vai jogar bola, usar azul”, ou “é menina, vai ser uma mulher, vai brincar de boneca, vai usar rosa.” Ou seja, entra novamente na questão dos padrões estabelecidos há séculos pela sociedade, já que uma vez que o corpo, o gênero e a sexualidade “guardam a inconstância de tudo o que é histórico e cultural.” (LOURO, 2004, p. 17).

A Teoria Queer diz respeito a esses indivíduos que não seguem os padrões heteronormativos, que não ligam para a questão do ‘ser homem’ e ‘ser mulher’, como sugere a teoria ‘essencialismo biológico’. Eles se inventam e reinventam a todo momento, sejam gays, lésbicas, travestis, transexuais, e até mesmo drag queens/kings, é a diversidade que ganha vida. O efeito das minorias sobre a sociedade é contraditório, pois setores sociais passam a aceitar, sendo que setores tradicionais praticam o preconceito gerando discursos de ódio e não aceitação, resultando muitas vezes agressão física ou verbal.

Parte da sociedade olha e ainda se mostram assustadas ou com preconceito, como no começo do século XX, em relação a essa teoria. Porém, o público LGBTQ+ está ganhando espaço no mundo nos aspectos sociocultural, político e econômico. Assim, devido à luta pelos direitos e pelo respeito, esses grupos têm conquistado algum reconhecimento. “A ação política empreendida por militantes e apoiadores torna-se mais visível e assume caráter libertador. Suas críticas voltam-se contra a heterossexualização da sociedade”. (LOURO, 2008, p. 31).

Existe uma frase popular que fala no ‘pensar fora da casinha’. Assim, para entender as Teorias Queer, como são essas pessoas consideradas “estranhas” por serem quem realmente são, abre-se esse leque importante de repensar na diversidade de identidades, na multiplicidade sexual ou de gênero. Além disso, para autora, isso possibilita no pensamento de novos modos de se pensar sobre o conhecimento, ou seja, conhecer a cultura do estranho e respeitá-lo. Pessoas do grupo LGBTQ+ se descontroem, saem dos padrões da sociedade e acabam virando um ponto de interrogação para muitos:

Queer é estranho, raro, esquisito. Queer é, também, o sujeito da sexualidade desviante – homossexuais, bissexuais, transexuais, travestis, drags. É o excêntrico que não deseja ser “integrado” e muito menos “tolerado”. Queer é um jeito de pensar e de ser que não aspira o centro nem o quer como referência; um jeito de pensar e de ser que desafia as normas regulatórias da sociedade, que assume o desconforto da ambigüidade, do “entre lugares”, do indecidível. Queer é um corpo estranho que incomoda, perturba, provoca e fascina. (LOURO, 2004, p. 546).

A Teoria Queer representa tudo que está envolvido com as minorias sexuais que são diariamente excluídos da sociedade.

O queer, portanto, não é uma defesa da homossexualidade, é a recusa dos valores morais violentos que instituem e fazem valer a linha da abjeção, essa fronteira rígida entre os que são socialmente aceitos e os que são relegados à humilhação e ao desprezo coletivo (MISKOLCI, 2012, p. 25).

Assim, coloca-se em prática uma nova cultura específica do grupo LGBTQ, dando importância de que se trata de uma cultura para a minoria se abrigar, proteger e ser quem quer ser, uma cultura repleta de diversidade, identidade que aspira a voz da luta pelo respeito, inclusão, nessa sociedade contemporânea e sociopolítica repleta de padrões e preconceitos citados através em seus discursos de ódio, transgressão, tratando a comunidade LGBTQ como algo estranho e repleto de perdições. Uma drag queen, por exemplo, que representa claramente a Teoria Queer é Pabllo Vittar. Homem, homossexual, afeminado, porém, montado de mulher, com uma voz peculiar, o que resulta num desconforto para parte da sociedade.

3.3. Origens e atualidade das drag queens

Os indivíduos que não possuem conhecimento na questão LGBTQ+, se confundem no conceito drag queen e transexuais. Homossexuais, transexuais, travestis e drag queensfazem parte de um mesmo grupo, o qual é o chamado de LGBTQ+. Todos têm muito em comum, como a busca pela sua identidade, felicidade e de descobrir realmente quem são, além de tentar achar um motivo do porque ser desse jeito.

Porém, é preciso saber diferenciar a drag queen da transexual. Para Fontoura (2007), há pontos cruciais que diferem a drag da pessoa transexual:

Embora sejam atores transformistas, as drags distinguem-se dos travestis por andarem, em seu cotidiano, vestidos de homens, exercendo também profissões diversas, não afeitas ao transformismo durante o dia. Travestis utilizam próteses de silicone e hormônios na constituição de seus corpos femininos, permanecendo travestidas em seu cotidiano, e não o fazem de maneira exagerada e caricata. (FONTOURA, 2007, p.18).

São milhares de drag queensque fazem shows, se apresentam, cantam, dançam, dublam e são comentadas na mídia devido ao sucesso. Mas, afinal, o que significa a palavra drag queen? Segundo Fontoura (2007, p. 20), o termo inglês drag é uma variação de dragon que significa dragão e o queen, corresponde a palavra rainha.

Um dos fatores que marcam a Grécia Antiga é o teatro. Em 500 a.C, as mulheres não participavam das peças teatrais. Os atores se vestiam de mulheres para então poder interpretar personagens femininos. Com o passar dos séculos, na Europa, por volta dos séculos XVIII e XIX, as mulheres foram ganhando espaço nos palcos de teatros. Dessa forma, a maioria dos homens deixou de lado a experiência de interpretar um personagem feminino. Mas, mesmo assim, ainda tiveram aqueles que continuaram a “montagem” como uma forma de sátira.

Os homens que se vestiam de mulheres passaram a integrar as peças como uma categoria diferente de atores. Maquiagem exagerada, vestimentas parodiando o estilo da alta sociedade e um humor fizeram esta figura comum para o público e sucesso de crítica. Estas “damas” do teatro passaram a se apresentar em clubes também. Mas as duas guerras mundiais transformaram o cenário mundial e a mulher assumiu nova posição social e a posição da drag queen também foi revista. Aos poucos também passou a estar associada ao homem homossexual. (PINHONI, REGADAS, LIMA, 2017). 

Ao mesmo tempo em que as mulheres conquistam os seus direitos e espaços nos teatros, homossexuais se aproveitam para dar continuidade à arte de se transformar em uma mulher. Uma das primeiras drags que ficou bem conhecida na época foi a Madam Pattrini, papel de Brigham Morris Young (1931), uma drag que fazia performances em casas noturnas.

Figura 1: Madam Pattrini em 1860

Fonte: Blog Huffpost3

As pessoas acreditavam que ela era realmente uma mulher, devido a sua maquiagem feminina, seu jeito, e principalmente pela sua voz. Amanajás (2017) descreve brevemente o que seria as drag queens:

Desde a Grécia clássica até os dias atuais, homens personificam a imagem feminina em diferentes aspectos, da maneira mais realista ao total estilizamento da forma. A drag queen sofreu metamorfoses reais tanto em sua estética como em sua função, mas nunca perdeu seu principal objetivo – a grande arte do estranhamento. (AMANAJÁS, 2017, p. 02).

Para Fontoura (2007, p. 18), “as drag queenssão homossexuais masculinos, que se apresentam caricaturalmente em trajes e adereços femininos. Sua produção focaliza no humor e no exagero”.

No século XIX, o termo drag queen foi se concretizando, fazendo com que ficasse oficialmente conhecido como um homossexual que se transformava em mulher para fazer apresentações teatrais. Como os homossexuais da época pensavam que estava tudo liberado, alguns começaram a sair de suas casas montados, como foi o caso de Frederick Park e Ernest Boulton, dando a vida a Fanny e Stella. A revolta da população em Londres, ao ver dois homens vestidos de mulher no meio da rua, e de dia, foi imediata. A partir disso, as polícias começaram a investigar, até que passou a ser um crime esse tipo de arte. Muitos homossexuais, ou homens travestidos, como eram conhecidos na época, foram presos por “abominável crime de sodomia” e também por prostituição.

Figura 2: Frederick Park e Ernest Boulton, como Fanny e Stella, em 1860

Fonte: Blog Huffpost4

Porém, em 1880, os homens transformistas apenas eram aceitos em peças teatrais, com fins culturais. Eles não podiam ir montados à peça, e nem voltar para a casa caracterizados, senão a chance de ir preso era grande. Com o passar do tempo, a cabeça da sociedade foi evoluindo e as drag queensganhando mais espaço nos meios teatrais. Foi no século XX que as drags se tornaram conhecidas por se apresentarem em teatros, cantar, agitar, alegrar o público que após um dia estressante no trabalho, buscava por diversão.

A drag queen que ganhou um destaque nas noites teatrais, fazendo performances e cantando na Broadway, mas com seu foco na comédia, foi a Julian Eltinge. Porém, como muitas drag queenshoje, ela foi conquistando o seu público aos poucos com as suas pequenas apresentações.

Figura 3: Drag queen Julian Eltinge (Julian Dalton) em 1900

Fonte: Drag queens - of the World5

Mahawasala (2017) relata que muitos homens no século XIX se montavam de mulher apenas por diversão, sendo que em 1920 a arte de se montar ficou voltada mais especificamente para o público gay. Um grande evento da época chamava atenção de muitos, intitulado de “Pansy Craze’ ou “Drag Balls”, era o baile em que os homens deveriam ir vestido de mulheres, como uma grande forma de diversão. E o referido evento possibilitou as drag queenstambém se montarem e irem a esses bailes. Com o passar do tempo, esse baile foi conquistando milhares de pessoas. Em meados 1927, o movimento Pansy Craze tomava parte de Nova York, Paris, Londres e Berlim.

Figura 4: Baile Drag Balls em 1900

Fonte: Blog Fashion Bubble6

Um dos destaques nesses bailes, ainda segundo Mahawasala (2017), foi Vander Clyde que deu vida à queen Barbette, saindo em turnê pelos EUA e Europa. Suas apresentações eram diferenciadas, comparadas como outras drag queensda época. Ele não cantava, dublava e nem dançava, ele fazia números de apresentações aéreas em que colocava sua vida em risco em um trapézio, montado de drag. Ao final de seu show, Barbette tirava a peruca e fazia poses masculinas.

Figura 5: Drag queen Barbette (Vander Clyde) em 1926

Fonte: The Red List7

Como todas as mulheres que se preocupam com suas maquiagens, as drag queenstambém. Batom, base, corretivo, iluminador, cílios, rímel, peruca, roupa e unhas, todos esses elementos transformava um homem em uma figura feminina. Na década de 1930 para 1940, a carreira de ser drag ficou conhecida como cara, devido à tanto material para se montar adequadamente.

Contudo, Mahawasala (2017) destaca que nessa época o preconceito era um ponto que estava se alastrando na sociedade. Os bailes Pansy Craze começaram a ficar mais escondidos, sem tanta divulgação, como uma forma de evitar o aparecimento da polícia, pois as queens estavam em busca de seus lugares na sociedade, e a justiça as consideravam ainda uma ‘ofensa’ para as outras pessoas. Nessa época, muitos transformistas foram presos por tentarem desafiar a lei e serem simplesmente quem eram, fazendo a sua arte como uma forma de trabalho. Porém, não deixaram essa fase abalar a arte drag, a qual continua viva devido à insistência das drags antigas em acreditar na arte, no diferente, no brilho, na magia, e no amor.

A evolução das roupas femininas aconteceu entre 1950 a 1960, dos enormes vestidos e chapéus que cobriam todo o corpo, às roupas modernas e mais aconchegantes. Para as drag queensnão foi diferente. Porém, o lado de preservar a figura feminina continuou e ainda prevalece na maquiagem, o jeito sensual e feminino de ser.

Na época da perseguição das polícias, a maioria das drag queensusavam enormes vestidos que tapavam todo o corpo, e ao final das apresentações, algumas tiravam alguma parte da roupa, ficando seminuas no palco. Mas, sempre tinham aquelas que já começavam o show com as roupas sensuais, como hoje têm prevalecido em parte das drag queensbrasileiras como Pabllo Vittar, Gloria Groove, Lia Clark e Aretuza Lovi, as quais são destaques nos veículos de comunicação digital. Porém, o foco deste trabalho de conclusão de curso, é a Pabllo Vittar.

Figura 6: Homem vestido de mulher em 1800

Fonte: Site Littfe Things8

Figura 7: Drag queen Pabllo Vittar em 2017

Fonte: Reprodução/Instagram - Jornal digital “O GLOBO9

A roupa que as drag queensusavam no século XIX são completamente distintas em comparação com as de hoje. Existem casos que nem a maquiagem é o essencial, mas sim a roupa, para valorizar o que há de aspecto feminino, moldando no corpo masculino um corpo que representa uma mulher. Esse é o papel essencial da roupa - a arte de transformar o corpo. Mesmo com o passar dos tempos, e as roupas das queens ficarem mais curtas e sensuais, a essência de passar uma mensagem de querer ser drag e viver queen é normal, natural, e sempre existiu, desde as primeiras drag queensjá mencionadas. Em seu estudo, Fontoura (2007) diz que a roupa se destaca mais, e isso tem uma explicação:

As drag queens, por não se submeterem as cirurgias plásticas para modificarem seu corpo, fazem com que a roupa ganhe este papel. A roupa reveste o corpo de elementos decorativos que adotam figurativamente a estrutura do corpo reconstruindo sua forma e aparência exterior. Assim, seu corpo e transrnutado e de urn corpo masculino torna-se urn corpo feminino. (FONTOURA, 2007, p. 42).

Um ponto fundamental e que gera muitas dúvidas nas pessoas que não conhecem essa arte, é de que maneira as drag queensesconde sua genitália? Existem diversas formas de esconder o pênis, deixando a genitália masculina com uma aparência feminina, ou melhor, falando em gíria drag, ‘aquendar10’ o pênis. Para Gadelha (2008, p. 05), as formas de esconder variam entre as drag queens. Para ele, “o revestimento dos membros envolve próteses de borracha ou esponja que simulam coxas, nádegas e seios, pelo porte de vestimentas femininas, pelo uso de calçados de saltos elevadíssimos e pela técnica de truncamento11 da neca12”.

Levar uma pessoa a se montar de drag é um ponto que envolve fatores psicológicos e descobrimento. Busca pelo “eu”, pela sua felicidade, se ser realmente quem é, de gostar e sentir prazer em fazer essa arte da montagem, ou seja, descobrir a identidade do masculino, junto com o feminino. Assim, para fazer drag queen envolve uma estética. Não são tutoriais no ‘YouTube’, por exemplo, que transformará o indivíduo em uma drag queen do dia para a noite. Há um estudo de campo, o estilo, a essência, o nome, a maquiagem, a roupa e a maquiagem. Nesse sentido, Fontoura (2007) destaca:

A estética drag é sempre de presença, do momento, ela dá afirmação de um outro si. As drag queensfogem do cotidiano, a mesmice, elas não estão sempre nos mesmos lugares. Cada "montaria” é diferente: muda-se o rosto, a peruca etc. A "montagem", no entanto, é um processo destinado para experiência de um momento, pois o estado corporal adquirido com ela é vivido em curto período de tempo, geralmente a noite, e para uma determinada situação: show, desfile, festa etc. (FONTOURA, 2007, p. 23).

Como pode perceber, quando se fala em drag queen a imagem que vem à mente é de uma figura feminina, porém em um corpo masculino. Para Louro (2004), quando os gays se montam de drag, os mesmos passam por um longo processo de transformação, buscando um "outro" não acessível, senão por meio de sua montaria. Ao encontrar a identidade, as drag queensestão prontas para subir no palco ou até mesmo apenas ir a algum evento montada. Até porque, fazer drag é trabalho, e também diversão, neste quesito depende de quem faz.

Como citado acima, o nome é um dos pontos que dá a estética, e também a sua marca. A maioria das drag queensse autobatizam com nomes femininos, fazendo ligações entre suas divas ou algo subliminar que só elas enxergam. Para Gadelha (2008, p. 02), a escolha do nome está “relacionada à aparência do corpo montado uma vez que, os corpos manufaturados por essas pessoas apresentam fortes aspectos relacionados ao ‘domínio’ da feminilidade.”.

Existem outros meios de encontrar um nome essencial para a drag queen. No ciclo de amizade é comum surgir um apelido que acaba ganhando gosto, fazendo com que o indivíduo tenha certa intimidade com ele, e o adote. Outros, porém, preferem deixar o nome de batismo ou social, como é o caso de Pabllo Vittar. Neste último caso, são diversas matérias em veículos de comunicação digital em que Pabllo diz o porquê de continuar com o seu nome masculino, e isso, além de seu sucesso e talento divulgados pelas mídias, foi um dos pontos que o fizeram alavancar. Para a referida artista, se ela optasse por um nome feminino não estaria passando a sua mensagem.

Depois de todo esse processo de descobrir a sua identidade drag, como a maquiagem, o jeito, as roupas e chega o momento em que o feminino se acolhe junto ao masculino, aspecto destacado pela Teoria Queer. Para Fontoura (2007, p. 27), “os sujeitos, quando montados de drag, unem, em um único corpo, características físicas e psicológicas de ambos os gêneros, sendo e estando masculinos e femininos ao mesmo tempo, em um jogo de corporação de gêneros”.

A referida autora cita, como exemplo, esse processo de montagem relacionando-o com a borboleta. Num momento ela é um lagarto que num determinado período fica presa em um casulo, mas logo suas asas nascem e ela se liberta. Assim é o caso dos homens que são drag queens, pois muitos têm medo do que a sociedade irá pensar ou agir, até mesmo, parte desse medo se resume à família. Mas quando vê, a sua metamorfose está se iniciando e ele está preso dentro de seu casulo, criando a sua identidade e a sua essência, tanto quanto masculina e feminina, e logo ele se liberta, suas asas abrem, a maquiagem é feita, a peruca é posta, a drag queen nasceu. Para Fontoura (2007, p. 40), a palavra metamorfose significa transformação, mudança de forma ou estrutura física ou moral, geralmente profunda.

Há todo esse processo de montagem e construção da identidade da drag queen. Como assinalado anteriormente, não é só colocar uma peruca na cabeça, passar uma maquiagem e colocar uma roupa e sair para se divertir. Ser drag é ter trabalho, ter postura, ter a sua identidade e transmitir de forma avassaladora a arte de ser uma queen.

Em comparação às drag antigas e as atuais, percebem-se várias mudanças. Antes, o foco eram casas noturnas, teatros, danças e, na maioria das vezes, com enormes vestidos, como se fosse algo mais clássico, como seguia a época. Hoje é visto como um trabalho sério e mesmo tempo como diversão. As drag queenspodem sair às ruas montadas e não serão presas como já asinalado. Porém, isso não impede o preconceito, a discriminação ou ato homofóbico, como têm repercutido nos veículos de comunicação digital.

Parte das drag queensbrasileiras está sendo alvo dos holofotes da mídia, e isso é bom e vantajoso para elas e todos que seguem a comunidade LGBTQ+. Assim, pode-se observar drag vencendo o prêmio de fanfeat da Coca-Cola, participando de novelas, ganhando um programa exclusivo na televisão fechada, e fazendo diversos feats 13com outros cantores brasileiros e internacionais.

A representatividade está crescendo, as drags estão reerguendo o castelo das queens, castelo o qual foi sendo destruído a partir da década de 1960 com a ditadura militar e também devido aos fatores socioeconômicos e culturais enfrentados na época, junto com a sociedade que insistia em agir de forma preconceituosa, com discursos de ódio, abominando essa cultura, o qual para parte dessa sociedade, era um mau exemplo, mau caminho ou aberração. Mas, nos últimos anos, a mídia e os veículos de comunicação digital estão noticiando as conquistas de cada uma dessas drag queens, ao começar com ‘RuPaul’, drag americana que têm um programa sobre uma disputa de drag queens só dele, chamado ‘RuPaul Drag Race’. A partir disso, percebe-se o olhar da representatividade, e a reconquista do trono das queens. Assim como as drags brasileiras que fazem músicas, gravam vídeoclipes, dão entrevistas, aparecem nas mídias, cujos nomes caem no gosto de uma grande parte da sociedade. Pabllo Vittar é um exemplo desse close. 14

3.4. LGBTQ+: O close errado dos estereótipos e preconceitos

O preconceito persiste. Seja ele contra homossexuais, travestis, negros, pessoas mais gordas, magras, altas, baixas. São visões que inferiorizam aqueles que não se enquadram no padrão socialmente imposto. Vale ressaltar que além dos negros que sofrem racismo todos os dias, a comunidade LGBTQ+ é também a que mais sofre preconceito e discriminação no Brasil. Nesse sentido, segundo dados do Grupo Gay da Bahia (GGB), o Brasil é o que mais mata gays e travestis no mundo, e esse número de assassinatos, só aumenta, como será relatado adainte deste capítulo. Foram 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais mortos em crimes motivados por homofobia em 2017. Sendo assim, com um aumento de 30% em relação a 2016. (GRUPO GAY DA BAHIA, 2017).

É necessário aqui entender mais detalhadamente a sigla LGBTQ+. Na década de 1990, o termo usado para referir à comunidade gay era GLS, o qual representava apenas os gays e lésbicas, excluindo as demais orientações como travestis, tansgêneros, e os queers. Devido a essa exclusão, essa adjacência foi abolida, fazendo necessário o uso de outro termo que englobava todas as formas de orientações sexuais vivenciadas no mundo gay.

Para Zanoli (2012), o movimento LGBTQ+ começou no Brasil em 1978, com a criação de um grupo chamado SOMOS, de São Paulo:

Ao periodizar a trajetória desse movimento a partir do contexto político no qual se insere, problematizando de que maneira as organizações ativistas se relacionam com os demais atores sociais presentes em seu “campo” de ativismo, Fac-chini (2005) aponta para a existência de três “ondas” do movimento. (ZANOLI, 2012, p.157).

A “Primeira Onda” estreia com o grupo SOMOS, de São Paulo no ano de 1978. A “Segunda Onda”, foi um marco com o surgimento do vírus HIV (Aids). Vale ressaltar que o vírus HIV acomete também a casais heterossexuais, pois é um vírus sexualmente transmissível, independente do sexo do parceiro. Logo, na “Terceira Onda”, o grupo LGBTQ+ gera força no cenário político nacional, resultando na parceria do mercado segmentado e Estado. Neste período da terceira onda, começaram a surgir os ativistas LGBTQ+, os quais defendiam a sua orientação sexual e que militavam quando aparecia algum discurso de ódio. A partir desse ponto que o conceito LGBTQ+ ficou mais debatido, pois antes, era apenas GLS, excluindo as outras classes desse meio.

Depois que ficou estabelecido LGBT, (lésbicas, gays, bissexuais e travestis/transexuais), muitos perceberam que faltava alguma letra para representar os outros, os queer. Vale ressaltar que atualmente as entidades governamentais, como secretarias e conselhos, usam esse termo ultrapassado (LGBT). A partir da necessidade de representar os outros, militantes e os movimentos sociais começaram a adotar a sigla LGBTQ+. São várias siglas que estão surgindo, como LGBTTTIS, que representa as lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, transgêneros, pansexuais, intersexuais, e simpatizantes. Esse termo não é tão utilizado pela sociedade contemporânea e os militantes da causa.

Em alguns estados do Brasil é colocado a letra A, para representar as pessoas assexuais, ou seja, pessoas que têm a dificuldade de sentir atração sexual por pessoas, sejam elas pelo sexo oposto ou igual. Nos EUA, é comum ver a sigla LGBT*, com esse asterisco, para representar todos, ou seja, englobar os simpatizantes, assexuados, dentre outros. No Brasil, como as entidades governamentais, deixam LGBT, pois, para eles, esse T tem significado múltiplo. Os pansexuais são as pessoas que sentem atração física ou amorosa por pessoas, não importando a sua identidade de gênero, ou seja, engloba tudo e todos. As pessoas intersexuais, são aquelas que possuem qualquer variação de caracteres sexuais, ou órgãos genitais que dificultam a identificação de um indivíduo como totalmente feminino ou masculino.

Os movimentos sociais estão aderindo às siglas LGBTQ+ ou LGBTQI, ao qual vai englobar todos os tipos de pessoas, e além de inserir a Teoria Queer. Sendo assim, neste trabalho de conclusão de curso será utilizada a sigla LGBTQ+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, assexuais, pansexuais, simpatizantes, queer, e muitos outros que existem e que nem cientistas descobriram.).

E por que os movimentos sociais ligados à diversidade sexual têm se fortalecido nos últimos anos? É fato que é devido ao aumento da violência e da homofobia, transfobia e lgbtfobia. Porém, o aumento expressivo de liberdades individuais com influência de uma presidenta mulher (Dilma Rousseff) em um passado recente e políticas mais inclusivas fizeram com que aumentasse as manifestações ligadas a comunidade, dando espaço a defesa dos direitos LGBTQ+.

Resende (2016) discute em seu trabalho o motivo pelo qual a homofobia, assim a LGBTQfobia merece ser discutida. Para ela, o Brasil é um país repleto de crenças e religiões, fazendo que com que se reproduzam visões estereotipadas e com discurso de ódio e preconceito. Para Resende (2016, p. 08), “o preconceito e a violência contra a população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) é um exemplo vivo do espelho desses estereótipos impostos à sociedade.”. A homofobia, segundo a autora, é quando um indivíduo sente ódio, desconforto e desprezo por um LGBTQ+, levando então muitas vezes por agressão verbal ou física. Segundo Resende (2016, p. 11), o simples ato de evitar e ter nojo, ou outra reação negativa em relação as pessoas da comunidade LGBTQ+, ou qualquer situação que se deriva com o universo homossexual, seria indícios de homofobia. A autora busca trazer em seu estudo visões de outros autores sobre a homofobia, como a de Junqueira (2007):

A tônica deixa de ser posta na “fobia” e em modelos explicativos centrados no indivíduo e passa a ser de reflexão, crítica e denúncia contra comportamentos e situações que poderiam ser mais bem abordados em outros campos: o cultural, o educacional, o político, o institucional, o jurídico, o sociológico, o antropológico. A homofobia passa a ser vista como fator de restrição de direitos de cidadania, como impeditivo à educação, à saúde, ao trabalho, à segurança, aos direitos humanos e, por isso, chega-se a propor a criminalização da homofobia. (RESENDE apud JUNQUEIRA, 2007, p. 6).

Como os casos de homofobia no Brasil estariam aumentando, a Secretaria Especial de Direitos Humanos lançou o Programa Brasil Sem Homofobia. O Brasil tentou, em 2004, lançar outros programas para melhor atendimento à comunidade LGBTQ+. Porém, mesmo dando certo, a violência no Brasil se instala:

Em 2004, foi lançado o programa Brasil Sem Homofobia – Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra LGBT e de Promoção da Cidadania Homossexual, juntamente com o Ministério da Saúde e a sociedade civil. Buscando recomendações para o governo assegurar políticas, programas e ações contra a discriminação e promover equidade de acesso a ações qualificadas aos serviços públicos. (RESENDE, 2016, p. 19).

Mesmo tentando fazer com que a comunidade LGBTQ+ se sinta assegurada no país, não há uma lei que criminalize a homofobia. Existe, na verdade, apenas um projeto de lei tramitando na Câmara dos Deputados (PLC 122/2006) ou PL 122, também conhecida como Lei Anti-homofobia, a qual a deputada Iara Bernardi (PT – SP), ao colocar em discussão causou muita polêmica, fazendo com que esse projeto, desde 2014, esteja esperando a aprovação. Porém, a bancada não aprovada a lei, fazendo com que os LGBTQ+ fiquem inseguros. Dados do site oficial do Senado Federal, chamado Senado Notícias, em junho de 2017, afirma que:

A Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional manifestou-se de forma contrária a sugestão apresentada. Em nota diz que “o direito de um cidadão, em virtude de sua orientação sexual, não deve ser sobreposto ao dos demais se existem regras claras que protegem a todos.” (SENADO, 2017).

Vale ressaltar que, na época, esse projeto recebeu cerca de 50 mil apoiadores e que, mesmo assim, o argumento que muitos deputados defenderam foi relacionado à “proteção da família.” Esses deputados que não aprovaram o projeto PL 122, por preconceito, desconsideraram totalmente o verdadeiro conceito e tradução de família. Para Santana (2015), família é um conjunto de seres humanos que, unidos, por laços sentimental ou parentescos, formam um elo de confiança, e principalmente afeto.

Desenvolveu então a definição de família e os vínculos em meio a seus integrantes, sendo correto que o remoto padrão familiar patriarcal conferiu espaço a modos novos de formação a família mais populares, fundamentados no afeto. (SANTANA, 2015, p.13).

Para os conservadores, família é a instituição tradicional da sociedade formada por pai, mãe, filho e filha. Porém, não levam em consideração a realidade dos fatos onde família pode ser a moça que mora com seu cachorro, o casal homossexual, o casal heterossexual, o casal de lésbicas, o casal que adota ou gera um filho. Se há laços de amor, afeto, proteção, carinho, sendo parentesco ou não, já é considerada uma família.

A falta de uma lei que puna os homofóbicos resulta no número de LGBTQ+ assassinados no Brasil. Em 2011 foram registrados no Brasil 266 assassinatos, sendo na maioria deles os gays e travestis, com taxas de morte por dia a 0,73%. (GRUPO GAY DA BAHIA, 2017). O Ministério dos Direitos Humanos levantou dados de apenas três anos, sendo eles, 2011, 2012 e 2013. Nos dados do Ministério, em 2011, segundo o “Relatório sobre Violência Homofóbica no Brasil: ano de 2011”, 1.713 pessoas foram vítimas de ataques homofóbicos, entre eles, a maioria é homossexual. Esses ataques se resumem em agressão física e verbal, até mesmo podendo levar até mesmo à morte. Lembrando que o Grupo Gay da Bahia relata apenas os casos de morte, ao contrário do Ministério dos Direitos Humanos que registra todos os casos e tipos de homofobia, sem contar os casos não minutados.

No ano de 2012, ainda segundo os dados do Grupo Gay da Bahia, o número de assassinatos contra LGBTQ+ aumentou, indo para 338 casos, sendo então 0.93% a taxa de morte por dia. Já os relatos do Ministério, acusaram que 4.851 pessoas foram vítimas de denúncias de diversos tipos de agressão homofóbica. Percebe-se um aumento de ambas as partes e veículos de informações de dados estatísticos, o que faz remeter a um avanço ao preconceito e da intolerância. Neste ano, ainda segundo o Ministério, das 4.851 vítimas, 72% eram do sexo masculino, sendo então 60,44% gays, 37,59% lésbicas, 1,47% das vítimas foram identificadas como travestis e 0,49% transexuais. A idade das vítimas varia entre 15 a 29 anos.

Nota-se que o perfil das vítimas é de jovens que estão em fase de descobrimento e da metamorfose. São “lagartos que estão dentro do casulo”, e quando quebrado, “saem borboletas”, com suas essências e identidades formadas, e são criminosamente interrompidos por ataques homofóbicos, causando então muitas vezes, como mostra o Grupo Gay da Bahia.

Para concluir os dados do Ministério dos Direitos Humanos, em 2013, foram registrados 1.695 pessoas que foram vítimas de ataques homofóbicos, sendo então, 44,0% gays, 13% lésbicas e 3% transexual e 1% travesti. Na maioria dos casos, os gays são os que mais sofrem esse tipo de agressão. Segundo os dados do Ministério, a faixa etária dessas 1.695 vítimas varia de 18 a 24 anos. Neste ano, o número de vítimas caiu, mas isso não significa que a luta pelos direitos e pela lei ser aprovada deveria ser extinta. Assim, segundo o Grupo Gay da Bahia, o número de mortes de LGBTQ+ no ano de 2013, marcou 312, sendo a taxa de morte por dia 0,85%.

Em comparação às mortes, de 2011 a 2013 houve um aumento e um declínio. Em 2012 foi o ano máximo de casos de morte nessa comparação de três anos, mas o número de mortes de LGBTQ+ de 2014 até 2017 aumentou. Como já citado, não há mais registros recentes sobre casos de homofobia registrados pelo Ministério dos Direitos Humanos, porém, o Grupo Gay da Bahia todos os anos lança os dados oficias em relatórios no site, o qual é referência para o Brasil nesse caso.

No gráfico abaixo, há registros levantados pelo Grupo Gay da Bahia sobre casos de mortes homossexuais de 2008 até 2017.

Gráfico 1: Número de mortes de LGBTQ+ no Brasil nos últimos 10 anos

Fonte: Grupo Gay da Bahia15

A partir de uma leitura do gráfico acima, é evidente que o ano em que menos houve mortes de LGBTQ+ foi em 2008, com 187 mortes. Porém, em 2012, o número dobra, atingindo 338 assassinatos. Nos anos de 2013, 2014 e 2015, se mantiveram entre 312 e 326 casos. Em 2016, foram relatadas 343 mortes e, 2017, 445, sendo 387 assassinatos e 58 suicídios, gerando um aumento de 30% de óbitos de LGBTQ+ em 2017, segundo o relatório do GGB. São vítimas do preconceito e estereótipos que são perpetuadas na sociedade conservadora, são atos de homofobia que acabam causando também o suicídio.

O indivíduo que chega a ponto de cometer o suicídio, neste caso, é porque deseja que a dor do preconceito vivido no cotidiano se apague. Na maioria dos casos, são ameaçados, espancados, humilhados, fazendo com que as forças para continuar a viver se esgotem como foi o ano de 2017, com o maior número de suicídios registrados, além de assassinatos. A dor do preconceito pode ser física, mas muitas vezes psicológicas. Nunca é tarde demais para se curar a dor física e psicológica. Por mais desesperadora que seja a situação, a psicologia possui meios de recuperar a autoestima e a vontade de viver.

São para nesses momentos de agressão, preconceito e desiquilíbrio sentimental que o Disque 100 foi criado. Disque 100 é o Disque Direitos Humanos, feito pelo Ministério dos Direitos Humanos, com a finalidade de receber denúncias e reclamações de casos que afetem a condição humana, sejam físicos ou morais. São milhares de denúncias registradas diariamente no Disque 100, sendo que a maioria é sobre LGBTQ+fobia. Qualquer pessoa que for agredida fisicamente ou verbalmente, seja por ser negro, gay, lésbica, transexual, drag queen , travesti, bissexual, heterossexual, pode denunciar no Disque 100.

Na maioria das mortes, as vítimas eram gays e travestis de 19 a 30 anos. No ano de 2017, o número de assassinatos aumentou de forma crítica, chegando para 445. Ainda segundo o relatório, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Ceará são as capitais que mais matam LGBTQ+.

Segundo a avaliação dos movimentos sociais da diversidade, é preciso resistir ao preconceito. Mas, enquanto o poder político não se manifesta com a aprovação do PL 211, a comunidade LGBTQ+ continua sendo alvo de estereótipos e preconceitos. Vale ressaltar que além dos LGBTQ+, os heterossexuais também são assassinados por diversos motivos, como por tentar defender algum homossexual de uma agressão, ou até mesmo ser confundido com um LGBTQ+, pelo fato de ter amizade e conviver. Ainda, por estarem em um ambiente predominante gay ou por serem amantes de travestis. Segundo o GGB, em 2017, 12 heterossexuais foram assassinados devido a esses motivos, e foram cinco bissexuais, 43 lésbicas, 191 transexuais e 194 gays.

Para Resende (2016), quem dissemina discursos de ódio, muitas vezes vinculado a crenças religiosas, são pessoas com problemas de saúde mental e precisam de ajuda uma ajuda profissional.

São milhares de pessoas LGBTQ+ que sofrem esse tipo de violência. Ainda há quem diz que é uma opção. Como já mencionado, ninguém escolhe deliberadamente algo que possa causar-lhe dor e sofrimento, não deseja arriscar a vida por ser quem é. É uma condição, nasce-se assim e não há e nem existem fatores para fazer com que “mude” o gosto e a preferência. A violência contra a comunidade gay está alta, é preciso de uma mudança, de transformar o preconceito em respeito, pois muitos homossexuais e toda a comunidade desejam ser aceitos pela sociedade, exigem respeito como cidadãos e cidadãs.

3.5. DE ROGÉRIA A PABLLO VITTAR

Fazer uma comparação entre Rogéria e Pabllo Vittar não é o propósito deste capítulo. Pelo contrário, a intenção é mostrar que, em épocas distintas já existiam pessoas LGBTQ+ que lutavam de forma peculiar, pró direitos da classe, seja fazendo shows de canto, dança, teatro, em apresentações, como foi o caso de Rogéria, e como é o caso de Pabllo Vittar.

Diante disso, Pabllo Vittar faz uma espécie de feats entre a cultura digital, cultura pop e o jornalismo cultural. Ou seja, a arte e a sua representatividade já acarreta um universo digital e moderno, o que resulta em uma cultura pop, pois a drag queen possuí o seu estilo de música, cabendo então para o jornalismo cultural divulgar em meios de comunicação digital ou não, as notícias que esses elementos trazem consigo.

3.6. A reconquista do close

Como foi destacado no capítulo anterior, as manifestações da arte drag queen surgiram 500 a.C, com homens atores, nos teatros da Grécia Antiga, interpretando personagens femininos. Logo, por volta de 1800 a 1900, homossexuais aderiram a essa arte, com seus enormes vestidos caros e maquiagens às vezes moderadas, outras mais avassaladoras, onde o palco era o meio em que elas mais se identificavam, pois tinham prazer de cantar, dublar, dançar e levar o público que habitava os teatros ao encantamento.

Rogéria, a travesti que era a mais famosa no Brasil pelo seu talento admirável e respeitoso, é uma das referências da cultura LGBTQ+. Fazer um caminho entre o passado, que ainda vive no presente e um presente que será notícia no futuro é essencial para a compreensão da essência de fazer arte, seja ela drag queen ou não. Em meio às diferenças de gênero, nasce uma igualdade, que resulta em um reflexo sobre a questão da representatividade LGBTQ+ seja nos meios de comunicação digital, social, nas mídias e na sociedade. Mesmo Rogéria, que foi uma travesti, e Pabllo Vittar, uma drag queen da atualidade, o que elas mais têm em comum é a arte de subir aos palcos e fazer o show acontecer, levando a alegria para diversas pessoas.

Segundo o jornal digital “O Globo”, Astolfo Barroso Pinto nasceu no dia 25 de junho de 1943, em Cantagalo RJ. Cresceu, e começou a trabalhar como maquiador na TV Rio, hoje extinta, descobrindo então algo diferente. Astolfo, mesmo assumindo-se homossexual, sempre teve apoio de sua família. Com a base de sua mãe, ele não deixava o preconceito exalar, ele afrontava.

Astolfo assumiu a identidade de Rogéria em 1964. A identidade de gênero é uma questão importante, pois, naquela década de 60, um homem se transformar em uma travesti, era algo inaceitável e estranho, por parte da sociedade. Os transgêneros englobam as pessoas que transitam entre ser travesti, transexuais, crossdressers e drag queens. Rogéria era uma travesti, mais conhecida como a “travesti da família brasileira”. (Brasil, 2014, p. 13), travesti é a pessoa que nasce com o sexo masculino e tem uma identidade de gênero feminina, porém, isso não impede da pessoa fazer a designação da retirada do pênis.

Com o incentivo de algumas artistas a qual Rogéria maquiava, como Fernanda Montenegro e Bibi Ferreira, Rogéria começou a fazer apresentações de performer em teatros. Ela estreou como performer em 29 de maio de 1964, dias após o golpe militar. Naquela época, uma travesti subir em um palco e cantar, dançar e dublar já era conhecida como uma espécie de arte. Porém, com a censura, isso acabaria. Ela cantava e dançava em teatros pequenos, como Rival, no Rio de Janeiro e abrilhantava as noites de glamour nos teatros estrangeiros e também brasileiros. Além disso, começou a se apresentar em programas de TV, o qual só fez a artista crescer profissionalmente. Segundo o jornal “O Globo”, o ano de 1964 foi marcado pela sua vitória em um concurso de fantasias no carnaval, no Teatro República, no Rio de Janeiro, em 1964. Em 1979, ela recebeu o troféu “Mambembe”, o qual era um dos maiores prêmios por atuação na época, por ter feito a peça chamada “O desembestado”, ao lado de Grande Otelo (morte em 1993).

Figura 8: Rogéria com 30 anos

Fonte: Cidade Verde.com16

Rogéria foi coreógrafa da comissão de frente da escola de samba São Clemente em 2008, e lançou em 2016, a sua biografia, escrita por Márcio Paschoal, e intitulada “Rogéria – Uma Mulher e mais um Pouco”. Participou de muitas novelas, filmes e programas de TV. Se destacou em “Sai de Baixo”, programa extinto da Rede Globo, e que deu vida a personagem “Brigite”. Também participou de outro programa humorístico, “Toma Lá Dá Cá”, com a personagem “Tia Dolly”. Na sua carreira de atriz constam novelas como “Malhação”, no papel “Cármem Rios/ Rômulo Rios”, “Amor & Sexo”, a qual a sua personagem era ela mesma, Rogéria. No ano de 2015 e 2016 ela entrou para o elenco de outro programa de humor, também da Rede Globo, “Tá no Ar: a Tv na Tv”, e uma de suas últimas aparições na televisão foram em 2017, como comentarista do “Carnaval 2017”, da Rede TV.

Ainda como atriz, atuou no cinema. A primeira aparição de Rogéria nas telonas foi em 1968, no filme “Enfim Sós... Com o Outro”, direção de Wilson Silva, em que viveu a personagem “Glorinha”. Depois, foi chamada para participar de outros filmes, entre curtas-metragens e documentários. O último documentário/curta em que ela participou, sendo a personagem dela própria, foi “Divinas Divas”, de 2017, escrito e dirigido pela atriz Leandra Leal.

Figura 9: Rogéria em "Divinas Divas", em 2017

Fonte: Reprodução Divinas Divas – G117

O referido documentário foi lançado no Brasil no dia 22 de junho de 2017. O mesmo conta a história da primeira geração de travestis no Brasil, tendo no elenco, Rogéria, Valéria, Jane di Castro, Camille K., Fujica de Holliday, Eloína, Marquesa e Brigitte de Búzios, as quais fizeram sucesso nos palcos de teatros e no cinema.

No documentário de Leal a história é sobre as travestis, mais conhecidas como divinas divas, acontece no “Teatro Rival”, localizado no Rio de Janeiro, e que foi um dos locais em que as divas passaram a maior parte da década de 60 e 70, com suas apresentações de canto, danço e performer. O teatro começou a funcionar em 1964, justo no ano em que a censura no Brasil amedrontava pela a sua expansão. Em Divinas Divas, Leal18 relembra a trajetória delas nesse teatro, o qual pertencia a seu avó falecido, Américo Leal, e que agora, pertence à família da atriz. Vale ressaltar que Américo Leal foi o primeiro empresário no Brasil a abrir espaço no palco para homens vestidos de mulheres se apresentarem. (MORAES, 2017).

Durante o documentário, é narrada a história de cada diva/travesti. Fotos, recordações e histórias são transmitidas, buscando emocionar o público. De todas as oito divinas divas, Rogéria é a que mais se destaca. Além de fazer uma breve introdução sobre a história de sua vida, a artista enquanto se maquia, relembra no documentário pontos marcantes de sua trajetória.

Enquanto eu me maquiava em uma noite, defendendo o meu emprego, perguntei a Fernanda Montenegro: ‘como é estar no palco?’, e a diva me respondeu: ‘estar no palco, minha querida, no cinema ou na TV, é viver uma outra vida, ser outra além de você’. Então, eu deixei um cabelo, fiz o que sempre quis: passei um batom vermelho e fui ser estrela em Paris.”. (ROGÉRIA, 2017, min. 20:30).

O enquadramento, a fotografia e os cenários fizeram com que o documentário ganhasse destaque nos veículos de comunicação digital. Às vezes, com um efeito retrô, como se fosse recordações, as músicas que marcaram a época, dão destaque na essência do documentário. Também as cores quentes, a própria história e a naturalidade faz com que a emoção de recordações e momentos, os quais envolvem as divas, atinja de forma delicada o telespectador, levando então à possibilidade de um pensamento mais aberto sobre a classe LGBTQ+. Isto porque é mostrada toda a história de superação que as divas passaram e como elas conseguiram se destacar em meio à repressão da ditadura militar. Desde essa época de supressão das liberdades civis, de censura e inúmeras arbitrariedades em que o Brasil se encontrava, surge a representatividade LGBTQ+ e a força dessa comunidade, os quais já representavam uma luta e forma de resistência.

Divinas Divas foi o último papel de Rogéria no cinema. A atriz faleceu aos 74 anos no dia 4 de outubro de 2017. Rogéria estava internada desde julho em um hospital na Barra da Tijuca, com infecção urinária. (O GLOBO, 2017). Rogéria, diva que fez parte do resgate do close, artista talentosa e reconhecida que deixou sua mensagem registrada para a atual e futura geração, além dos espaços e conquistas do show business que atualmente estão sendo tomados por diversos fenômenos LGBTQ+, como Pabllo Vittar.

Phabullo Rodrigues da Silva nasceu em São Luís (MA), no dia 1 de novembro de 1994. É conhecido pelo seu nome artístico Pabllo Vittar. Homossexual, drag queen e cantora, não importa se o chamam de “A Pabllo” ou de “O Pabllo”, e tal fato traz elementos interessantes na perspectiva das discussões sobre gênero.

Em 2017, a drag ganhou um documentário chamado de “Pabllo Vittar”, com a duração de aproximadamente 20 minutos, produto da “Up Next”, que é uma série de produções originais do Apple Music, o qual tem a finalidade de divulgar e enaltecer os maiores artistas da atualidade. Nele, é retratada toda a história da cantora, desde as dificuldades pelas quais passou em sua vida até se tornar o fenômeno que representa a comunidade LGBTQ+, tanto nas redes socais e mídias digitais, veículos de comunicação impresso e digital.

No documentário, Vittar apresenta aspectos fundamentais da sua vida e revela seu primeiro contato com a arte drag. Segundo ela, quando criança, não sabia o que era uma drag queen. Ainda jovem, se mudou para Caxias (MA) onde em uma balada conheceu e viu de perto as drag queens fazendo suas apresentações no palco. “Nossa, aquilo me deixou louca: ‘eu quero também’. E comecei.” (VITTAR, 2017, min. 02:11)

No que se refere às questões sobre sua identidade de gênero, muitas pessoas se mostram confusas ao se referirem a Pabllo, pois ficam em dúvida em chama-la no masculino ou feminino. Em uma participação no programa ‘Encontro com Fátima Bernardes’, da Rede Globo, em agosto de 2017, Pabllo explicou e tirou dúvidas sobre como chama-la, já que Pabllo é um nome masculino e a maioria das pessoas a chamam e “A Pabllo”.

Nunca senti a necessidade de optar por um nome feminino porque, quando eu decidi fazer drag, eu queria passar verdade através da minha arte, música, do que eu acho que sou eu. Pabllo me representa de uma forma que você não tem noção. Acho que se eu tivesse um nome feminino, não ia passar tanta verdade. Não gosto de me trancar em uma caixa. Gosto de ser afeminada, de ser isso aqui, de sair na rua às vezes de boné. Eu gosto de ser o que eu quiser ser. (VITTAR, 2017, min. 00:15)

Sua carreira de sucesso começou com o clipe “Open Bar”, em outubro de 2015. Logo em seguida, foi convidada para ser cantora do programa “Amor & Sexo”, da Rede Globo, ao lado de Fernanda Lima. Durante o ano de 2016, a cantora e drag queen continuou lançando alguns clipes e continuou na emissora. Em 2017, lançou seu primeiro álbum chamado “Vai Passar Mal”, com as músicas “Todo Dia”, a qual fez sucesso no carnaval, “K.O”, “Corpo Sensual”, dentre outras. Em julho de 2017, fez uma parceria com a cantora Anitta, lançando a música e o videoclipe “Sua Cara”, do grupo Major Lazer. A partir daí a carreira de Pabllo se expandiu, a ponto de ser a drag queen mais seguida e comentada no mundo, ultrapassando RuPaul, considerada a mãe das drag queens.

Em meio ao sucesso, a representatividade de Pabllo foi aumentando. Neste ano de 2018, Vittar ganhou o seu primeiro programa de televisão fechada no Multishow, intitulado “Prazer, Pabllo Vittar”. A cantora e drag queen lançou em abril de 2018, o vídeoclipe de sua música “Indestrutível”. Muitos críticos e youtubers19, como Felipe Netto, a transexual Mandy Candy, dentre outros, ao “reagirem” ao clipe, ficaram sem reação ao perceber que se tratava de um assunto sério: a homofobia. A cantora retrata a sua adolescência, o preconceito na escola a aceitação de sua mãe. O clipe foi produzido e editado com efeitos em preto e branco20, para retratar uma sensação de um cenário triste para o usuário que estivesse assistindo. Pabllo vai se desmontando conforme o clipe vai passando. Primeiramente ela tira a peruca, logo, os cílios. São diversas cenas de violência contra LGBTQ’s retrata, principalmente na época da adolescência, na escola. O clipe “Indestrutível” alcançou até no começo de junho de 2018, 11.846.301 visualizações no Youtube.

O jornal on-line e digital “O Globo” noticia a cantora e drag queen Pabllo Vittar, mais especificamente nos cadernos de cultura, música e entretenimento. O jornalismo está cada vez mais saindo dos padrões, e migrando para o multiplataforma. Ou seja, com as novas tecnologias de informação e digital, tudo vai se modernizando. Exemplos disso são as grandes ferramentas que o jornalismo digital proporciona, como intercalar texto com vídeos, fotos, hiperlinks21, podcasts22, etc.

Como já citado, Vittar não se importa com a forma de tratamento no feminino ou masculino, ela só pede respeito a sua humanidade. Porém, a maioria dos veículos de comunicação digital, famosos, amigos, parentes a tratam como “A Pabllo Vittar”, ou seja, a identificam como “a drag queen”.

Assim como no caso de Rogéria, a família de Pabllo sempre a apoiou em tudo, ainda mais por ela ter crescido dentro do universo feminino. Verônica Rodrigues, mãe de Pabllo, fez uma participação no documentário da Apple Music e revelou que sempre soube sobre ele. “Quando ele chegou pra mim e falou: ‘mãe, eu quero ser isso’, eu falei: ‘eu já sabia o que você queria ser. Então o mundo é seu, e eu continuo sendo a sua mãe.”. (RODRIGUES, 2017, min. 02:56).

No documentário, fica evidente que Pabllo transmite representatividade para muitas pessoas LGBTQ+. Segundo ela (2017), são milhares de crianças LGBTQ+ que enviam mensagens dizendo que seus pais estão aceitando a orientação sexual delas porque se tornaram fãs da Pabllo, das músicas, mensagem e do trabalho, percebendo que é natural do ser humano. Diante disso, percebe-se a influência positiva que Pabllo causa na vida das pessoas que sofrem preconceito e discriminação, fazendo então da drag queen uma espécie de exemplo e superação para continuar a enfrentar os desafios.

Contudo, com o passar dos tempos, acontece a transformação. Rogéria era uma travesti, Pabllo é uma drag queen, ambas são artistas que representam o segmento social relacionado à diversidade sexual, que através de sua arte de cantar e dançar também leva a mensagem sobre a luta de LGBTQ+ para toda a sociedade.

A sexualidade humana é formada por diversos fatores biológicos, psicológicos e sociais, que é basicamente composta por três tópicos já mencionados e discutidos neste trabalho, como o sexo biológico, orientação sexual e identidade de gênero (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2014, p. 45). Diante disso, as drag queens, as quais na visão de Fontoura (2007, p. 18), que são diferentes das travestis, são homens que se montam de mulher, numa visão mais caricata e exagerada para diversos fins como shows, apresentações (como no caso de Pabllo), ou até mesmo por simplesmente gostarem e aderirem essa cultura como uma espécie de diversão e passatempo. Assim, as drag queens, como no caso de Pabllo, integram vasta representatividade inserida na sociedade e na mídia, causando por vezes o desconforto em pessoas conservadoras. E como essa arte LGBTQ+ não é recente, é fato que as pessoas mudam, o cenário evolui, as roupas se modificam, e as maquiagens se transformam de acordo com o tempo. Mas, o que não muda, evolui, modifica e nem se transforma é a forma de levar a mensagem e a cultura LGBTQ+ para as pessoas, (como Rogéria e Pabllo) seja com shows, música, danças, concertos, espetáculos, palestras etc.

3.7. Pabllo Vittar feat Cultura Digital

Dentro de diversos feats surgindo entre os artistas, Pabllo Vittar também fez os seus, não só com artistas mas também com a sociedade, a qual está envolvida nessa cultura digital. Através da comunicação em tempo real, on-line e conectada, possibilitou a sociedade de se comunicar de uma forma mais rápida, deixando de lado o contato “olho a olho”.

Brito (2012) cita as manifestações populares como um grande exemplo de comunicação digital. O jornalista tem a função de noticiar para a sociedade de forma clara e coesa tudo o que é considerado notícia, como no caso, as manifestações. Essa é o primordial do jornalista. Porém, como grande parte da sociedade hoje possuí um celular, o qual possibilita a gravação, essas pessoas se sentem à vontade para gravar algo que acontece e que esteja ao seu alcance, pois se tornou algo fácil e prático, deixando muitas vezes o jornalista de lado. Ainda segundo a autora, com as novas tecnologias de comunicação como celulares, câmeras, aplicativos, redes socais, canais de comunicação on-line, a sociedade passou fazer parte de uma rede digital da comunicação.

Para a referida autora, enquanto a mídia pensa em que mostrar para a população determinado fato, a própria já publica nessa rede conectada e virtual em tempo real tudo o que está acontecendo. E muitas vezes, são publicados conteúdos que os jornalistas não publicariam, pois existem regras na área do jornalismo que envolvem ética, e também o cuidado para não partir de um ponto sensacionalista. Ou seja, o jornalista apura, investiga e entrevista, para depois lançar o material, ao contrário da parte da população que acaba gravando e publicando.

Definir o que é cultura digital é complexo. As pessoas estão cada vez mais conectadas e então, segundo Silva e Tessarolo (2016, p. 13), as mesmas ficam rodeadas de possibilidades virtuais. Existem também os influenciadores digitais, em que Silva e Tessarolo (2016) citam exemplos como Kéfera Buchmann, de 22 anos e com mais de 700 milhões de seguidores, plataforma digital YouTube.

Para os referidos autores, “influenciar digitalmente algum nicho23 já se tornou uma profissão muito bem remunerada. Os jovens vêm se lançando nessa nova carreira e adaptando a forma de aproximação das marcas com seus públicos.” (BRITO, 2012). Tudo isso acontece devido ao digital, em que a sociedade está ligada e acaba sendo influenciada. Um exemplo disso, é que se Kéfera lançar uma nova marca de sapato, certamente, segundo os autores, os seus seguidores irão aderir à marca. Segundo a autora, a cultura digital é

Toda a relação humana mediada por dispositivos digitais. Com o advento das novas tecnologias e a proliferação das redes [...], sistemas de distribuição de arquivos, repositórios de mídias na internet, além da facilidade de divulgação que os blogs e as redes sociais como Twitter e Orkut proporcionam tanto a denúncia quando a organização dos movimentos sociais potencializou-se em escala global. (BRITO, 2012, p. 21 - 22).

Assim, não se espera as mídias tradicionais publicarem que está tendo uma manifestação no Brasil, pois a sociedade está conectada nessa rede cultural digital, assim, participando de eventos em tempo real. Mesmo assim, elas continuam fazendo o maior acesso do grande público contínuo, ou seja, sendo o jornalismo.

Outra questão são as redes sociais, as quais dão outra possibilidade de comunicação on-line entre as pessoas. Vale ressaltar que para ter acesso às redes sociais ou mídias digitais de comunicação é relativamente fácil e possível para a maioria das pessoas. Todavia, nem todos tem acesso ao digital, e muito menos a um aparelho digital, como um celular. O Brasil é um país profundamente desigual, de proporções continentais, não podendo resumir essas visões do acesso ao digital a partir da região sudeste ou do eixo Rio-São Paulo. Além disso, existem pessoas que possuem um celular e não sabem lidar com essa tecnologia, usando somente como um simples telefone.

Tudo é mais digital. Para o IBGE24, em 2016, de 63,4 milhões de pessoas no Brasil com 10 anos ou mais, 37,8% não utilizaram e não sabiam utilizar a internet. Cerca de 37,6% alegaram falta de interesse, enquanto 14,3% não acessaram por considerar o serviço caro. Os demais motivos como indisponibilidade do serviço, equipamento eletrônico considerado caro e outro motivo, ficaram abaixo de 6%. Ou seja, existe uma parte da sociedade que não utiliza essas ferramentas digitais, sendo que a maioria, utiliza. Ainda segundo o IBGE, no nordeste, 40% das pessoas que não utilizaram a Internet alegaram não saber acessá-la, sendo que o centro-oeste, cerca de 84,6% são usuários da tecnologia digital. Esse é um exemplo de um país desigual, pois em partes do Brasil o uso de energia elétrica é inexistente, como é o caso da cidade de Uiramutã, em Roraima, em que 70% da população não têm luz em casa, o que acaba impossibilitando dessas pessoas ter acesso ao digital.

É possível fazer uma compra pela internet, se comunicar através de mensagens de texto e por áudio com pessoas que moram perto e longe, fazer chamadas ao vivo, enviar e receber fotos, vídeos, arquivos etc. Com a internet, a possibilidade do indivíduo se manter conectado em tempo real com outras pessoas e com o mundo é abrangente. Tudo isso não existia no início da Internet, que no Brasil, chegou ao ano de 1988. Depois de sua chegada, as pessoas começaram a usufruir dessa ferramenta, fazendo novas descobertas, ajudando cientistas, professores, alunos, etc, em experiências e pesquisas, e deixando tudo mais rápido e fácil. Em 1998 essa ferramenta não era como se encontra hoje. A internet era “lenta”, muitas vezes não funcionava, porém, para a época, era um avanço. É possível o usuário conversar com um robô, projetar 3D, abrir contas em bancos sem agência física, assistir filmes e séries, contratar serviços, e até mesmo conseguir um encontro amoroso, todos esses fatores, com a ajuda de aplicativos especializados. (TEC MUNDO, 2018). Porém, ao mesmo tempo em que os usuários se conectam virtualmente devido à tecnologia digital, muitas vezes acabam os afastando pessoalmente um dos outros. É comum perceber em um típico encontro familiar, combinado por vias de mensagem de texto, por exemplo, em que parte dos parentes ficam conectados à maioria do tempo na internet, afastando-os certamente de outros parentes presentes. Ou seja, ao mesmo tempo que a internet pode “unir” as pessoas, ela pode “separar”.

O que se toca, vira digital, e essa plataforma rodeia o ser humano, como câmeras, celulares, notbooks e ipad, ipod, os quais cabem dentro da mochila do dia a dia das pessoas que tem acesso a essas tecnologias. A qualquer momento, o usuário acaba usufruindo desses aparelhos, seja para tirar uma foto, fazer uma pesquisa, conversar com alguém, telefonar e até mesmo estudar – em qualquer lugar.

Devido à cultura digital, já se tornou parte do cotidiano ser “refém” dessas tecnologias de comunicação, porém, sempre levando em considerações que ainda existem pessoas que não têm acesso a essas novas tecnologias. Para os referidos autores, Bortolazzo e Marcon (2015, p. 1), “quando uma série de invenções tecnológicas permitiu a conexão entre milhões de pessoas às redes de informações, nossas práticas cotidianas passaram também a incorporar certos hábitos gerados pelo uso intenso das tecnologias.”.

Muito se fala em tecnologia, mas pouco se sabe o que significa essa palavra. Para Bortolazzo e Marcon (2015, p. 2), “entende-se por tecnologia cada aparato que requer tempo de aprendizagem, adaptação e acomodação por parte dos sujeitos.”. Os referidos autores se arriscam ainda mais e dizem que tecnologia “se refere tanto ao conhecimento técnico e científico, quanto às ferramentas e os processos para adquirir tal conhecimento.”.

Durante esse longo processo de transformação e inovação, fica claro que ocorreu uma profunda mudança de tecnologia entre os aparelhos que tem a mesma finalidade: comunicar as pessoas. A tecnologia existe desde a pré-história (3.500 a.C), com a descoberta do fogo. Com o passar dos séculos, o homem foi descobrindo cada vez mais fatores convergentes para o bem-star do ser humano, ou seja, a tecnologia. Do fogo, para as grandes os aparelhos eletrônicos, carros, aviões, máquinas, enfim, aperfeiçoamento da tecnologia.

O digital não se refere apenas aos efeitos e possibilidades de uma determinada tecnologia, mas abrange formas de pensar e de desenvolver certas atividades que são incorporadas por essa tecnologia e que permitem a sua existência. (BORTOLAZZO E MARCON, 2015, p. 8).

Para pagar uma conta, por exemplo, o indivíduo baixa o aplicativo do banco no celular e paga quando e na hora que quiser. Assim, o conceito de novas mídias se renova, complementando com o a tecnologia digital.

É relativamente fácil localizar em livros recentes, artigos científicos, trabalhos acadêmicos ou de conclusão de cursos, dentre outros, a palavra “Novas Mídias”. Com o passar dos tempos, o termo de novas mídias foi se adequando e se moldando de acordo com a situação que a sociedade iria apresentando, porém, o foco principal sempre foi os meios de comunicação como televisão, jornais, revistas, rádios, e também, com a evolução e globalização, celulares, computadores, ipad, ipod, dentre outros.

O que muda em novas mídias, o jeito de se interpretar e de se fazê-las. Segundo Bortolazzo e Marcon (2015, p. 04), “seguindo as orientações de Lister et al. (2009), o termo novas mídias pode ser analisado se referindo, então, às novas experiências textuais, aos novos modos de representar o mundo e às novas relações dos sujeitos (usuários e consumidores) com as tecnologias midiáticas.”.

A tecnologia, o digital, a tecnologia digital, e as novas mídias digitais vão formando o grupo que fazem parte de uma cultura digital. Seria mais adequado sugerir, então, que “a tecnologia digital é um produto da cultura digital, e não vice-versa” (GERE, 2008, p.17).

Segundo os estudiosos citados, pode ser que o mundo parta cada vez mais para o digital e que as pessoas se transformem em seres digitais. Pabllo Vittar é exemplo de pessoa que vive se atualizando nas redes sociais, seja no Facebook, Instagran e twitter25. Ela usa das plataformas digitais para se comunicar com os fãs, mostrar o seu trabalho, para gravações e lançamentos de clipes (YouTube). Os fãs acabam entrando nessa rede digital de Pabllo interagem pessoalmente (ao vivo, junto no espaço ambiente) ou virtualmente, com a drag queen em tempo real, resultando então em uma comunicação:

E as pessoas me perguntam: ‘e agora Pabllo, o que você vai fazer?’... Eu quero continuar cantando, fazendo os meus shows, indo nas cidades aonde muitos artistas não vão, levar minha música nos lugares pequenos, nos lugares grandes. Levar minha mensagem em todo o lugar que eu puder levar, e divertir as pessoas. Fazer as pessoas se sentirem eufóricas que nem eu no palco, batendo o cabelo junto comigo e falarmos o que quisermos. Ser feliz é muito bom.” (PABLLO, 2017, min. 07:54).

É inovador uma drag queen fazer um feat com a cultura digital. Talvez por estratégia de marketing, a cantora utiliza essas ferramentas digitais para fazer com que seus fãs, mesmo em outros lugares, cidades, estados e até mesmo em diferentes países, se sintam presentes na vida da cantora e isso fortalece ainda mais a representatividade e a rede conectada da cultura digital.

3.8. Pabllo Vittar feat Cultura Pop

O Brasil é um dos países do mundo que apresenta uma das maiores diversidades culturais, com ricas e variadas expressões regionais. No Nordeste, por exemplo, a festa de São João é a festa mais tradicional, respeitada e muito prestigiada. A região se converge à tradição com as bandeirolas coloridas, as comidas típicas, as músicas, as danças que acontecem nos arraiás. 26 Já na região Sul do Brasil, mais especificamente no Rio Grande do Sul, a cultura local dessa região é consumir o chimarrão. Já em Santa Catarina, acontece a tradicional festa da cerveja, conhecida como a oktoberfest, em Blumenau (SC), e que acaba atraindo milhares de turistas. Outro elemento que faz parte da cultura da região é a dança de fitas, a qual consiste num pau de fita, em que o mastro é sustentado no centro da dança. Da ponta do mastro saem pares de fita coloridos, que são trançadas conforme as pessoas vão dançando em torno do mastro.

Percebe-se o quão rico o país é no quesito cultura, e assim, as regiões não deixam de fomentar as tradições que seguem fundamentadas para que futuros continuem fazendo parte da essência popular de cada canto do Brasil. Diante disso, pode-se afirmar que cultura popular se baseia em:

[...] conjunto de conhecimentos e práticas vivenciadas pelo povo, embora possam ser vividos e instrumentalizados pelas elites. Pense-se no candomblé, no carnaval, na feijoada, nos usos folclóricos, no jogo do bicho e na capoeira. [...] Cultura popular simplesmente é o que é espontâneo, livre de cânones e de leis, tais como danças, crenças, ditos tradicionais. [...] Tudo que acontece no país por tradição e que merece ser mantido e preservado imutável. [...] Tudo que é saber do povo, de produção anônima ou coletiva. (VANNUCCHI, 1999, p. 98).

Sendo assim, a cultura popular é aquela cuja essência são os aspectos territoriais, no sentido folclórico, em que não precisa de conglomerados midiáticos para ser percebida. Para Assis e Nepomuceno (2007), a palavra “povo” é referência de diversas percepções. Quando se refere a “povo brasileiro”, automaticamente a sociedade considerada que a elite é excluída, sendo que povo se refere às pessoas mais pobres, ou seja, em oposição às classes dominantes.

Dessa forma, essa palavra influencia o conceito sobre a cultura popular brasileira:

Sob esse enfoque socioeconômico, é possível perceber que, em decorrência do desenvolvimento industrial, os elementos do fazer popular tanto sofreram influência quanto influenciaram as outras formas de manifestação cultural. Atualmente, a cultura popular assume uma dimensão nova e multifacetada: definidora da identidade nacional, fonte de renda e atração turística. (ASSIS e NEPOMUCENO, 2007, p. 2).

O turismo e a cultura fazem parte do mesmo quesito, porém, são palavras distintas. Ao ir para o Nordeste, por exemplo, o indivíduo estará fazendo parte do turismo local-regional, principalmente na parte econômica, como citado pelos referidos autores. O turista estará conhecendo a cultura popular da região, e ao mesmo tempo, participando dela.

Não há dados específicos que contextualize a média de pessoas por show de Pabllo, porém, mas, a organização da 22° Parada do Orgulho LGBTQ+ de São Paulo, ocorrida em junho de 2018, estimou que, no momento do show de Pabllo, o público era de três milhões de pessoas, o que acaba movimentando o turismo local de certas regiões e também consagrando a cultura popular da região. (A FOLHA DE S. PAULO, 2018). Existem aqueles fãs que viajam quilômetros de distância, atravessam o estado em que residem, só para presenciar ao show de Pabllo, e essas atitudes se remetem aos atos de fãs, pois, a representatividade é a Pabllo ser mencionada, tratada e ter espaço nos eventos midiáticos do país.

Talvez por ser uma pessoa que veio de São Luis (MA), sem recursos financeiros e fazendo shows em bares, a cantora já se destacasse pelo seu jeito simples e ingênuo. Ela foi crescendo aos poucos, e depois de um vídeo publicado no YouTube, em 2014, de Pabllo (ainda descaracterizado de drag), em que canta e música “I Have Nothing”, de Whitney Houston, a cantora começou a ficar famosa chegando ao ponto de participar de programas de TV, até chegar em “Amor & Sexo”, da Rede Globo, em 2016. Muitos jovens também começam a carreira dessa forma e, aos poucos, vão conquistando o seu espaço. Diante disso, Pabllo é uma referência para quem sonha em ser um cantor (a). Ela também é uma das representantes da comunidade LGBTQ+, o que a torna mais próxima de seu público. Quando se diz “seu público”, não se refere somente a essas pessoas LGBTQ+, pois existem os heterossexuais que também são fãs da drag queen, e que a acompanham nas redes sociais e em seus shows. Essa relação entre o público, também se conquista devido aos discursos militantes em seus shows, redes sociais e entrevistas, além da queen se manter conectada com seus fãs nas redes sociais, com os Stories27 do Instaram, mostrando o seu cotidiano como uma forma de interação.

Cada região tem a sua cultura, seus costumes e suas crenças. A cultura popular brasileira é riquíssima, como foi citado no inicio do tópico. Cantar e dançar é uma cultura, e é isso que Pabllo faz, além de se montar em drag queen (a qual também é uma cultura). A cantora tem o seu estilo, e procura misturar diversos ritmos brasileiros, atraindo então o público para os seus shows e suas músicas e produtos, fazendo uma ligação com a cultura popular. Todos esses fatores são favoráveis para a Pabllo se destacar nos noticiários locais e regionais, conquistando então, especialmente para a comunidade LGBTQ+, a representatividade, de um homem estar vestido de mulher, maquiado, com roupas e jeito feminino, e levando música misturada com discursos às pessoas, principalmente no Brasil, um país machista e conservador.

[...] eu acho que receber o carinho das pessoas é muito legal, mas trazer isso pro Brasil e fazer isso com brasilidade é isso que me deixa mais feliz. O Brasil não é só futebol, não é só samba... O Brasil é também um país colorido, são vários ritmos que embalam as pessoas que moram nesse país. E a gente pode trabalhar isso sendo drag, e isso me deixa muito feliz.”.(PABLLO..., 2017, min. 04:39).

Cada artista tem o seu modo de produzir música, envolvendo estilo, ritmos e formas, tudo pensado para atingir o público alvo. Algumas das drag queens brasileiras, como Gloria Groove (Daniel Garcia Felicione Napoleão, 1995), Lia Clark (Rhael Lima de Oliveira, 1992) e Aretuza Lovi (Bruno Nascimento, 1990), além de produzirem diversos feats musicais entre elas, também levam consigo seus próprios estilos musicais.

A drag queen Lia Clark promove uma mistura de funk e pop. Assim como Gloria Groove, que começou a sua carreira lançando Rap, e que vêm migrando para o pop/funk. Já, Aretuza sempre esteve no pop e permanece. Porém, a Queen Vittar, como é conhecida no hit 28 “Joga Bunda”, de Aretuza Lovi, busca mesclar o pop atual com referências brasileiras, levando então a diversidade de ritmos para todas as pessoas e gostos.

Segundo Pabllo, o estilo que ela segue é pop, mas quando se busca referências, sendo brasileiras ou não, o trabalho fica mais composto. “Eu gosto de buscar as referências, e misturar os ritmos de quando minha mãe me acordava no sábado. Então, quem não ouviu minha música, com certeza vai gostar de alguma, porque tem de tudo, e eu gosto de misturar as coisas.” (VITTAR, 2017, min. 05:59).

Rogéria, conhecida como a travesti da família brasileira, também seguia o seu estilo de fazer arte. Ao subir no palco, como no teatro Rival, cantava músicas internacionais e nacionais, as quais estariam fazendo sucesso na época, tanto quanto nas novelas e filmes.

Para os autores Assis e Nepomuceno (2007), o que mantém a cultura popular contemporânea é a relação entre o global e o local, os quais cada um aborda seus princípios e essências. Sendo assim, a cultura popular orienta-se pela tendência contemporânea da confluência entre o global e o local, uma perspectiva concebida como portadora de princípios, modelos, esquemas de conhecimento próprios de nossa época. Ou seja, há uma diversidade de cultura popular não só no Brasil, mas sim no mundo, não resultando em uma fonte única de conhecimentos. Assim, os autores citam Edgar Morin, o qual resume essa teoria na chamada Dialógica Cultural, que, para ele, é:

Comércio cultural feito de trocas múltiplas de informações, ideias, opiniões e teorias; tanto mais estimulado quanto mais se trava com as ideias de outras culturas e as ideias do passado. [Processo este que] provoca o enfraquecimento dos dogmatismos e intolerâncias, [do mesmo modo que] comporta a competição, a concorrência, o antagonismo e o conflito entre ideias, concepções e visões de mundo, fazendo com que ideias antagônicas e concorrentes se tornem ideias complementares (MORIN, 1991, p. 27).

Esse novo ponto de vista de analisar a cultura popular permanece fixo nas raízes culturais e tradicionais, porém, com as novas vozes e estilos que surgem de todos os cantos do mundo a diversidade cultural vai sendo abrangida e respeitada. Tudo se transforma e evolui, como é o caso da cultura popular. Ela sempre está em transformação, mesmo mantendo aspectos tradicionais.

A cultura popular passa a interessar muito mais do que simplesmente como fator de identidade nacional. Revela um semi-reconhecimento de uma alteridade, reivindicando e denunciando, sinuosamente, as descriminações e as cidadanias de “segunda classe”. Dentro dessa perspectiva, a cultura popular faz emergir também a dignidade e o reconhecimento [É onde] apreendem-se “vozes” de uma sociedade mais tolerante com as diferenças culturais (...), [Torna-se o reflexo de uma] época em que predomina um caleidoscópio cultural e étnico acelerando a epifania de uma cultura afetada pelo processo de globalização (MELLO, 2004, p. 10).

Diante disso, percebe-se que a sociedade, mesmo apresentando uma pluralidade cultural, valores e padrões distintos , se organiza para combater os preconceitos procurando ouvir e respeitar a diversidade, seja cultural ou sexual, pois, são ideias que também fazem parte da cultura democrática que se busca aprofundar em nosso país.

Neste contexto, Pabllo Vittar faz o feat com a cultura popular e a cultura pop, pois, além de misturar os ritmos e referências em suas músicas, traz consigo o pop, devido a esse novo jeito e próprio de fazer música, fazendo com que exista uma tendência de uma parte da sociedade aderir para o seu cotidiano as músicas da drag, e também, é co-dependente do mercado midiático (cultura pop). No segundo semestre de 2017, carros de som, festas, barzinhos, aniversários, eventos etc., tocavam “K.O.”, o principal hit de Pabllo. Vale ressaltar que essa música foi trilha sonora de “O Outro Lado do Paraíso”, novela das nove da Rede Globo.

Pabllo é uma das representantes da comunidade LGBTQ+. Ao meio de seus shows, a cantora dispara mensagens contra o ódio e preconceito. São diversos profissionais da área da música que avaliam a música, o timbre e a voz de Pabllo, e isso acaba dando mais visibilidade para a drag, podendo então favorecer para a queen ser a mais comentada e seguida nas redes sociais.

3.9. Pabllo Vittar feat Jornalismo Cultural

Como visto, Pabllo Vittar realizou e realiza diversos feats, conquistando então hits que muitas vezes parte da sociedade vem consumindo. A cada clipe lançado existe toda uma estratégia de divulgação e vasta cobertura jornalística no âmbito dos eventos culturais. Em diversas ocasiões, são publicadas em veículos de comunicação digital, sendo eles jornais, revistas, blogs, dentre outros, e quem produz esse conteúdo, - na maioria das vezes - é o jornalista.

Existem os jornalistas e veículos de comunicação que não fazem um jornalismo ético, e acabam produzindo e divulgando assuntos considerados sensacionalistas29, reforçando o jornalismo do tipo sensasionalista, com falta de credibilidade e veracidade. Isso muito ocorre em matérias sobre Pabllo Vittar, os quais acabam distorcendo e até mesmo inventando fatos sobre a drag que acaba se tornando vítima de Fakenews30.

É dever do jornalista apurar os fatos, observar não só as duas versões do caso, mas sim, todas as versões. No curso de Jornalismo, fica claro que ser curioso e questionar sobre os acontecimentos são elementos fundamentais para se colocar em prática, no momento que surgir alguma matéria para fazer. Então, buscar a verdade e publicar as notícias de forma clara para o público é papel do jornalista, e para isso é necessário saber fazer corretamente o uso dessa profissão, não cometendo gafes e desordens. (MANUAL DO JORNALISTA, 2013).

O jornalista tem o direito de informar, de ser informado e ter o acesso ao direito à informação. Com base nisso, é dever do jornalista transmitir as informações para o público com precisão e veracidade, pois, o jornalista, é o principal meio de filtrar as informações, para então passá-las para o público. Devido a isso, o cuidado com as palavras e o modo de divulgar é essencial, principalmente se tratando em questões da diversidade sexual. (CÓDIGO DE ÉTICA DO JORNALISTA, p. 2). Ainda, o Código diz que é dever do jornalista “defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial as das crianças, dos adolescentes, das mulheres, dos idosos, dos negros e das minorias”. (p. 2).

É necessário que o jornalista além de ético, tenha conhecimentos bem fundamentados e assuma uma postura sem preconceitos para divulgar e produzir conteúdos voltados para a comunidade LGBTQ+, pois qualquer afirmação preconceituosa ou o uso de palavras que reforçam estigmas ou estereótipos pode prejudicá-lo profissionalmente.

Também é dever do jornalista também “combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.” (CÓDIGO DE ÉTICA DO JORNALISTA, p. 02). Ou seja, é dever do jornalista saber como transmitir as informações das formas consideradas certas e éticas perante o Código, evitando possíveis perturbações futuras, ainda mais, por pertencer à mídia.

Diante disso, o jornalista precisa ter cautela em tudo o que faz. Entender o Código de Ética do Jornalista e praticá-lo um papel fundamental para se entender as manifestações artísticas e culturais da população, em que se tornam elementos fundamentais para uma boa fonte do jornalista. A partir daí, o jornalista começa a fazer um jornalismo especializado na área da cultura.

No Brasil, a primeira aparição do jornalismo cultural acontece a partir do século XIX. Machado de Assis, segundo Piza (2004), Assis foi um escritor importantíssimo para a literatura brasileira, o qual fazia criticas de teatro e redigia ensaios e resenhas. Outro autor crítico pertencente a essa época foi José Veríssimo, editor da extinta Revista Brasileira. “É neste século que o jornalismo brasileiro conquista um perfil mais cultural já que muitos textos eram escritos por literatos que tinham nesse meio de expressão uma forma de adquirir reputação e dinheiro, devido à dificuldade de viver apenas de literatura”. (SILVA e CONCEIÇÃO, 2007, p. 08).

Porém, no século XX a visão de mundo dos cadernos de cultura começam a mudar. “É o momento em que muitos jornais passam a integrar ou sem tornam empresas de formação mais estáveis. Assim, as principais cidades do país também registram transformações nos espaços urbanos e a efervescências de ideia s e hábitos culturais”. (SILVA e CONCEIÇÃO, 2007, p. 08).

A publicidade ganha força neste século, aumentando as tiragens em jornais. Tal fato reflete no aumento da proporção da divulgação literária e cultural brasileira. No século 1920, como ainda o analfabetismo era grande, figuras ilustrativas voltadas à cultura tomava conta dos impressos.

Na década seguinte, foi o ano de Getúlio Vargas, e segundo os autores Silva e Conceição (2008, p. 9), foi também a Era do Rádio, o que além de divulgar o trabalho do jornalista, enaltecia as músicas populares brasileiras. Em 1950 acontece a profissionalização do jornalista, a publicidade volta a ser um bom investimento, aumentando novamente as tiragens dos jornais.

É nos anos 60 que se iniciam as reportagens interpretativas, humorísticas e culturais. Nesta década que surgem diversas atrações e espetáculos teatrais envolvendo a cultura brasileira. Porém, na década de 1970 qualquer tipo de projeto cultural era controlado pelos militares e, muitas vezes, censurado.

Em suma, apenas nos anos 80 que surge a noção jornalística de serviços 31. Já nos anos 1990, artistas começam a ganhar espaços na literatura, em peças teatrais, moda, aumentando então as possibilidades da existência de um possível jornalismo cultural. (SILVA E CONCEIÇÃO, 2008).

No século XXI, com a consolidação da sociedade da informação e do conhecimento, de um modo geral as pessoas têm a necessidade de se sentir melhor informadas, sobretudo notícias sobre política, polícia, saúde e educação. Por outro lado, cresce o número de pessoas que se interessam por outras pautas como cultura, arte, teatro, festival, livros, e lazer.

Como visto, o jornalismo é um vasto campo de conteúdo junto ao entretenimento. O aumento de leitores de notícias se dá pelas novas formas que o jornalista vem trabalhando e também com as novos cadernos e pautas, citados acima. Assim, quando se fala que o jornalista se especializa em alguma área, como por exemplo em entretenimento, lazer, arte, etc, ele corre risco de se aprofundar naquilo e ser um agente que vá até o local e viva somente disso. Porém, como a área de trabalho dessa profissão está mais enxuta, o jornalista precisa ser multifuncional e saber fazer o jornalismo de todos os cadernos culturais. Todavia, além de exercer a profissão e em um momento estar preparando uma matéria sobre o esporte, o jornalista pode, segundo PIZA (2003), visitar exposições, ir ao cinema e entrevistar artistas e celebridades, como no caso de Pabllo Vittar.

Para Dapieve (2013), num ponto do senso comum, o jornalismo cultural fica dependente de atividades culturais exercidas na sociedade:

O senso comum diz, grosso modo, que o jornalismo cultural é o jornalismo que se debruça sobre as atividades culturais numa dada sociedade, do mesmo modo que o jornalismo econômico cobre as atividades econômicas e o jornalismo esportivo, as atividades esportivas etc. etc. – reproduzindo, esse conjunto de “jornalismos”, um determinado modo de dividir a tal sociedade. Um modo que, se não elimina, relativiza o impacto econômico das práticas esportivas [...] (DAPIEVE, 2013, p. 191).

Essa é a forma de organizar um caderno jornalístico, dividir em especializações, até chegar ao jornalismo cultural. Esse jornalismo se ocupa da indústria cultural. Os jornais na versão digital “O Globo” e “A Folha de S. Paulo” são exemplos de veículos de comunicação em que, para Dapieve (2013, p. 193), parte dos “textos dissociados de um produto específico ou até mesmo dissociados de qualquer produto da indústria cultural, são ocasionados por algum acontecimento ou alguma percepção no campo da política ou da economia.”. Nesse veículo, por exemplo, o leitor encontra não apenas matérias culturais, mas sim prestações de serviços e informações, como a programação do cinema, de um teatro, ou outro quesito cultural, tudo para o lazer. Cabe ao jornalista de informar, se sentir informado e informar o que acontece nas programações culturais de sua região.

Cada veículo de comunicação tem o seu caderno especializado, seja ele se esporte, política, cultura, etc. e isso quando se envolve no caso do caderno de cultural, resulta em um fruto de uma indústria industrial, assim sendo, para o referido autor,

No jornalismo cultural, tendemos a encontrar cadernos pouco variados entre si, na medida em que sua pauta é estabelecida voluntária ou involuntariamente pela indústria cultural: pelo trabalho cada vez mais eficiente de suas assessorias de imprensa; pela carga de trabalho que prende os jornalistas à redação e o que a ela chega enviado pelas tais assessorias, [...] e pela preocupação às vezes excessiva com a concorrência – o que, paradoxalmente, se traduz nas páginas mais em similaridade do que em diferença. O assunto principal de todos é ou costuma ser o filme mais importante da semana, o grande lançamento discográfico, a aguardada estreia teatral... Tudo publicado no mesmo dia em diferentes cadernos. (DAPIEVE, 2013, p. 195).

É necessário que o jornalista pense além da pauta proposta, quando for fazer o jornalismo cultural, pois, muitas vezes o concorrente estará pensando no mesmo propósito.

Em 2017, quando a gravadora Sony Music Entertainment, junto com a assessoria da drag promoveram o primeiro CD da artista, intitulado “Vai Passar Mal”, contendo as músicas em destaque “K.O” e “Corpo Sensual”, o produto foi promovido a partir de várias estratégias de marketing e comunicação, criando-se um produto da indústria cultural, por se tratar de uma obra com intuitos artísticos e musicais. Logo, o jornalismo cultural teve o papel de dar a notícia, sendo muitas vezes uma matéria paga (publieditorial), resultado das estratégias de marketing e comunicação. Além do CD, a artista também é um produto dentro dos esquemas da indústria cultural, pois toda essa questão envolve o capitalismo. Quando alguma marca patrocina Pabllo, como o exemplo já citado, a Adidas, a estratégia de marketing é que Pabllo divulgue e enalteça a marca, fazendo com que aumente o número de consumidores.

No quesito do jornalismo cultural, a mídia sempre esteve presente elevando as informações mais relevantes, como muitas vezes prestações de serviços. Segundo Silva e Conceição (2008, p. 13), existem alguns problemas em relação ao jornalismo cultural por se tratar de um gênero complexo, muitos jornalistas acabam se confundindo. Um deles é o de que “todo jornalismo é uma atividade cultural em si, o que diferencia este gênero, portanto, é a abordagem cultural de temas não artísticos e o tratamento dos temas ligado às artes.”. Diante disso:

Os textos da cultura (na) mídia não são simples veículos de uma ideologia dominante nem entretenimento puro e inocente. Ao contrário, são produções complexas que incorporam discursos sociais e políticos cuja análise e interpretação exigem métodos de leitura e crítica capazes de articular sua inserção na economia política, nas relações sociais e no meio político em que são criados, veiculados e recebidos. (KELLNER apud FARO, 2003, p. 14).

Assim como no caso de Pabllo Vittar, que a cada reportagem ou matéria veiculada em meios de comunicação digital, existem os haters32 que se compreendem como críticos e disparam comentários de ódio e preconceito contra os produtos da cantora, e também dela mesma. Por outro lado, existem os críticos especializados, que escrevem e falam a partir de determinadas teorias do campo estético, o qual pode-se concordar ou não, já que também no campo das artes existem diferentes visões. Todavia, cada reportagem ou matéria é jornalismo cultural por ser um produto que estaria divulgando ou apresentando uma crítica a um show de um artista, ou até mesmo de Pabllo, com um conteúdo carregado de uma bagagem que articula e levanta questões; neste caso, questões relativas às músicas, clipes, posturas, publicações, fotos, etc, tudo que esteja envolvido e que levante pontos polêmicos negativos e positivos sobre Pabllo.

Figura 10: Pabllo Vittar na gravação de seu clipe “Problema Seu”, em 2018

Fonte: reprodução/instagram33

Como visto nesse tópico, Rogéria foi uma das primeiras travestis que começou a carreira como dançarina e cantora no Brasil, pós assumir a sua identidade feminina em 1964. Vencedora de concursos de fantasias, foi maquiadora, escritora, dubladora, participou de filmes, documentários, novelas e seriados. Uma travesti que ganhou toda essa representatividade e foi consagrada como a “A travesti da família brasileira”, para a época de 1970 e 1980, era uma conquista para a comunidade LGBTQ+. Assim como Pabllo, uma drag queen de 23 anos que veio de São Luís (MA) e que hoje é reconhecida por parte do mundo pelo seu talento, suas músicas, jeito, voz e militância. Também participou de novelas, programas de TV aberta e fechada, foi garota propaganda de diversas marcas já mencionadas, e também é apresentadora de seu próprio programa, na Multishow, “Prazer, Pabllo Vittar”. Duas estrelas, em que a diferença entre elas é a idade, pois a essência de transmitir a mensagem da luta pró-comunidade LGBTQ+ através da arte de cantar e dançar é preservada pelo tempo. Pabllo continua fazendo feats com a Cultura Digital, fazendo com que seus seguidores se sintam conectados e em tempo real com a durante seus stories no Instaram ou outra rede social.

Além disso, o Brasil é rico em cultura popular, e Pabllo também é um exemplo disso, pois ela possui seu ritmo próprio, procurando sempre misturar as batidas brasileiras em uma só música, conseguindo então uma multidão de pessoas em seus shows, o que faz movimentar o turismo local dessa região. O resultado é o Jornalismo Cultural, papel do jornalista que tem como a finalidade de divulgar a notícia de um show e notícias em geral da drag, voltadas para a cultura, música e outros cadernos específicos parecidos. A representatividade da arte de Pabllo Vittar causam diversos feats, assim como causaram em Rogéria, mas de forma distinta devido a época, a mídia, sociedade e a indústria cultural localizada atualmente.

4. COMUNICAÇÃO DIGITAL

Quando as pessoas se comunicam umas com as outras, automaticamente surge um receptor e um emissor de mensagens. Para Vanoye (1993), emissor é quem emite a mensagem, e receptor, quem deve recebê-la. “A comunicação só se realiza se recepção da mensagem tiver uma incidência observável sobre o comportamento do destinatário. Isso não significa necessariamente que a mensagem tenha sido compreendida”. (VANOYE, 1993, p. 04). Segundo as teorias do referido autor, resumidamente, a mensagem é o objeto da comunicação, a qual busca atingir algum objetivo de comunicação. O chamado pelo autor canal de comunicação, é o meio em que as mensagens devem circular.

Para Vanoye (1993), existem três tipos de mensagens, no que ele nomeia de visuais (são as mensagens icônicas, como as imagens), sonoras (é a fala, efeitos sonoros), olfativas (o cheiro de alimentos e derivados), e gustativas (o sabor e tempero). Como se pode perceber, a comunicação é um campo vasto que abrange diversos fatores humanos.

Além disso, ainda segundo o autor, existe o código, no que se refere em “um conjunto de signos e regras de combinação desses signos”. (VANOYE, 1993, p. 8). Ele ainda completa dizendo que “não basta que o código seja comum para que a comunicação se realize de modo completo. Duas pessoas podem falar o mesmo idioma, mas pertencerem a universos culturais distintos. Isso modifica o nível de domínio que cada uma tem do mesmo código.”.

Para finalizar os processos fundamentais da comunicação, o referido autor diz que o referente é formado pelo contexto, pela situação e pelos objetos reais aos quais a mensagem remete. Vanoye (1993, p. 14) ressalta que existem dois tipos de referente. “Referente situacional: elementos da situação do emissor e do receptor e do contexto em que se dá a comunicação. Referente textual: elementos do contexto linguístico, ou seja, quando se faz referência aos elementos contidos no próprio texto”.

A comunicação digital faz parte das tecnologias digitais de informação e comunicação, e estão englobados no cotidiano de muitas pessoas, principalmente naqueles que trabalham com o digital. Com essa tecnologia, o usuário se conecta com o outro a qualquer lugar do mundo, podendo compartilhar diversos conteúdos.

Com essas novas ferramentas de interação e comunicação, os usuários da internet acabam criando memes de internet, em tons irônicos para retratar algo da atualidade ou se referir àquilo que “marcou” a sociedade e a internet.

Diante a essas novas tecnologias digitais, os veículos de comunicação digital como os jornais “O Globo” e “A Folha de S. Paulo” tiveram que se adequar a essas novas multiplataformas de comunicação e interação, atraindo então os seus usuários.

Assim, é fato de que esses veículos de comunicação digital divulgam matérias sobre tudo o que acontece na sociedade, e também, assim como o “O Globo” e “A Folha de S. Paulo”, os quais apresentam um caderno especialmente de cultura, para tratar de assuntos culturais como é o caso da drag queen Pabllo Vittar.

4.1. Características da Comunicação Digital

A comunicação digital vem se popularizando na vida das pessoas, as quais têm consumido cada vez mais as tecnologias digitais de informação e comunicação, seja para se comunicar, publicar, divulgar, ou seja, informar e ser informado através de um meio digital de comunicação.

O ser humano está se tornando cada vez mais dependente das tecnologias digitais, pois a sociedade está mergulhada na era digital, o qual tende a acelerar nos próximos anos, fazendo com que as pessoas se habituem para que não haja futuros conflitos entre o analógico e digital.

Um fator leva o outro a se promover. Foi assim que começou com a comunicação, com a revolução midiática, quando surgiu a arte de escrever. A escrita surgiu a 4.000 a.C com os sumérios e os egípcios, onde eram destinados a serem utilizadas no comércio e nas administrações.

Por volta do século XV, Johannes Gutenberg dá início à segunda revolução midiática. Segundo Schlobinski (2012, pg. 141), “a invenção da imprensa moderna aumentou o alcance e a frequência da comunicação escrita à distância com os respectivos impactos sobre as comunidades linguísticas e comunicativas.”. Ou seja, já era prevista a facilidade de se comunicar à distância, mesmo com poucos recursos da época.

A palavra falada e a imagem tonam-se recursos técnicos, segundo Schlobinski (2012, pg. 141), recursos reprodutíveis a partir do século XIX. Segundo o referido autor, a criação do telefone, fotografia e projetor cinematográfico são invenções pioneiras neste momento de descobertas.

[...] tornam a comunicação linguística e imagética reprodutível e que por si mesmas criam novas formas de comunicação e arte, levando enfim à variedade de mídias de massa, que determinou fundamentalmente o desenvolvimento social e cultural do século passado [...] (SCHLOBINSKI, 2012, p. 141).

A revolução digital começa no século XX. Ainda segundo o autor, a conquista da informação pela escrita, tipografia, fotografia e do cinema começam a se estender junto com a chegada do computador. Diante disso, percebe-se que esse século começa a se profundar em uma era digital, não tão aperfeiçoada como as que existem hoje, porém, para o século XX era uma conquista e uma grande descoberta. Entretanto, o mundo digital não era tão acessível como hoje. Segundo o autor, somente pessoas de classe média alta que tinham acesso ao digital. Para Corrêa (2005), a comunicação é um processo que o homem vem conquistando de acordo com a sua vivência.

É fato que o processo de comunicação evoluiu na medida em que o homem encontrava sinergia entre modos, formas e meios de expressão. É fato que tal evolução vem sendo marcada pela introdução de novos modus faciendie modus operandi que foram se sofisticando em patamares equivalentes à evolução do conhecimento e das tecnologias. (CORRÊA, 2005, p. 98).

Essas tecnologias englobam a era digital. Segundo Schlobinski (2012), a partir dessa visão da era digital, o autor afirma que a multimidialidade e multimodalidade, convergência de mídias e transmidialidade, resultando então em uma espécie de “midiamorfose” o qual é um sistema único de comunicação integrada e universal, em que o mundo real e o virtual se entrelaçam de acordo com os usuários dessa era digital. Ou seja, as pessoas do mundo todo se comunicam em tempo real, criando-se uma esfera universal real e, ao mesmo tempo, virtual, possibilitando em envios de mensagens, fotos, e conteúdos, como hoje é o caso de Pabllo Vittar. Os fãs a acompanham pelos os seus stories nas redes sociais, dando a possibilidade para os usuários de se infiltrarem virtualmente, na vida da drag. Para Schlobinski (2012), por volta dos anos de 1997 e 1998, 86% dos websites no Brasil eram na maior parte na língua inglesa. Dentre eles, os conteúdos mais acessados eram e-mail, website e chats 34.

Ainda para o referido autor, hoje são apenas 30% dos sites que estão em inglês. Em 1998 foi lançado o sistema de pesquisa “Google”. “O próprio termo Google remete à denominação inglesa para o número 10100, isto é, googol. Originalmente com o significado de pesquisar informações na internet usando a ferramenta de busca Google.”. (Schlobinski, 2012, p. 146). O Google é a maior fonte em busca de informações de conteúdos na internet. Essa ferramenta é um exemplo de um sistema digital de comunicação e tecnológico, que possibilita o usuário a fazer pesquisas rápidas em qualquer lugar que ele esteja. Antes dele, alunos, por exemplo e faziam pesquisas em livros impressos, o que dificultava e era mais demorado o resultado dos trabalhos. O interessante é que em 1997, já havia conteúdos sobre essa nova linguística e linguagem, correspondentes a comunicação digital.

Outro exemplo que o referido autor cita são os chats. Para ele, os chats são uma espécie de ferramenta virtual e digital que facilita a comunicação em tempo real entre as pessoas. “O leitor visualiza as mensagens em seu monitor linha após linha; quando muitos usuários conversam entre si, nem sempre é fácil identificar o emissor das mensagens que rapidamente se seguem.”. (Schlobinski, 2012, p. 147). O que chama a atenção do autor, são os erros ortográficos, os quais são comuns, porém, com a cultura de abreviação das palavras, os usuários acabam “adotando” esse método de abreviar para as redações escolares, por exemplo.

Diante toda essa comunicação digital entre os usuários, acabam-se criando piadas de momentos inusitados e engraçados, e que acabam viralizando entre os usuários, como é o caso dos “memes da internet”.

Figura 11: “Ressuscita” ficou conhecida devido à música “Todo Dia”, de 2017

Fonte: Geradores de Memes35

Marques e Paiva (2013, p. 3) cita Dawkins (1976, p. 122) como um dos primeiros autores que definia o que seria um meme. Na visão de Dawkins, o “substantivo que transmite a ideia de uma unidade de transmissão cultural, ou uma unidade delimitação. [...] Pode-se, alternativamente, pensar que a palavra está relacionada à memória”.

Para Marques e Paiva (2013), o repasse de conteúdos midiáticos entre os usuários conectados na internet causa uma vasta probabilidade de os memes surgirem. Tudo começa com um ator e depois a sua conexão. Como no caso do meme “Ressuscita”, Pabllo gravou o clipe da música “Todo Dia” com Rico Dalasam. Ao meio do clipe, Pabllo solta a palavra “Ressuscita”, o que atraiu a atenção dos usuários e transformou de uma forma engraçada em um meme da internet. Depois desse meme compartilhado entre amigos por veículos de comunicação digital, a palavra “Ressuscita” ganhou força entre o público LGBTQ+, sendo falada então em momentos instantâneos em um grupo de amigos, por exemplo. Segundo os autores, (2013, p.3), “a participação de pessoas conectadas com outras nessas redes, tem-se o recurso que devemos destacar: o repasse de conteúdos midiáticos, através do compartilhamento de arquivos para amigos das redes sociais.”.

Ainda segundo os autores, quando os usuários curtem, comentam e compartilham um “meme”, a possibilidade dessa figura ficar reconhecida em grande parte do mundo, cresce. Para eles, a ironia é uma grande característica empregando por trás dos memes.

As variedades de interpretações podem ser explicadas pela principal característica do meme: a ironia. A utilização desta figura de linguagem nas suas comunicações foi um dos pontos determinantes para que o meme obtivesse grandes e pequenos volumes de comentários em torno de assuntos da vida social, formando debates em torno das questões expostas pelo meme e expandindo-as para outros assuntos entre os próprios assinantes, fazendo jogo de frases e perguntas relacionadas às contradições do ambiente social, concordando ou não com a expressão do Willy Wonka Irônico. (MARQUES e PAIVA, 2013, p. 8).

Figura 12: Um dos memes de Willy Wonka

Fonte: Geradores de Memes36

O meme de Willy Wonka é um dos mais utilizados pelos usuários. Conhecido por apresentar um tom de ironia, esse exemplo acima retrata um possível estudante de jornalismo que cometeu alguns erros de português, fazendo com que esse meme fosse criado e em seguida postado em veículos de comunicação digitais como Facebook, Instagram, Twitter, WhatsApp, etc., sempre em um certo tom de ironia. Ainda segundo Marques e Paiva (2013, p. 9 e 10), essas novas formas de leitura, podem servir como um novo formato, além de interagir e divertir os usuários e adquirir conhecimentos, fazer com que os leitores de alguma forma se identifiquem com o viral.

Assim como algo, alguém, características ou acontecimentos que acontecem no mundo considerado real podem virar memes da internet, estes mesmos memes podem retorná-lo para a vida social de alguns, como formas de identificação; [...] O crescimento das mídias sociais e digitais está presente e consequentemente os novos formatos de conteúdo aparecem com maiores frequências e não pode deixar de lado essas novas formas de leitura, através de publicação de memes, e as trocas informacionais e interativas através destes conteúdos da internet podem ser considerados uma forma complementar de adquirir conhecimentos. (MARQUES E PAIVA, 2013, p. 9 e 10).

Como já citado acima, a maioria dos memes criados trás consigo um tom de ironia. No caso de Pabllo, o viral “Agora Pabllo Vittar foi longe demais” circulou a web com noticias fakenews e possivelmente impossíveis. Mas, fica evidente que esses memes criados da Pabllo de fato uma ironia em resposta as que se incomodam com a drag, ou seja, os haters. Abaixo são alguns exemplos de memes irônicos de Pabllo sobre a drag “ir longe demais”:

Figura 13: Viral “Longe Demais” - Nota falsa de R$ 50,00 de Pabllo Vittar

Fonte: BuzzFeed37

Figura 14: “Pabllo foi longe demais” - meme da distância

Fonte: BuzzFeed3

Figura 15: Resposta da drag em seu Twitter – “Longe demais”

Fonte: BuzzFeed39

É fato de que muitas vezes esses memes também podem ser fakenews, como no caso da nota de R$ 50,00 com o rosto de Pabllo estampado. O resultado disso, é de que existem pessoas que acabam acreditando e então compartilham como se fosse verdade, e não como um meme. Neste último exemplo, a cantora também se inseriu dentro se deu próprio meme e publicou em seu Twitter que ela também “não iria longe demais”, devido ao preço da gasolina, que se encontrava alto devido à greve dos caminheiros no 1° semestre de 2018. Isso é resultado de uma rede de comunicação digital, os quais os indivíduos acabam compartilhando conteúdos em tempo real com outros usuários, como por exemplo os memes, ação em que não era comum se ver a 4.000 a.C. com o surgimento da escrita.

4.2. Jornais digitais “O Globo” e “A Folha de S. Paulo”

O jornal “O Globo”, assim como o nome diz, pertence à emissora de televisão brasileira Rede Globo e, segundo o “Memória Globo”, um caderno especializado dentro do jornal na versão digital que relata a história do jornal, diz que foi fundado no dia 25 de julho em 1925 pelo jornalista Irineu Marinho. No dia do lançamento, foram cerca de 33.435 mil exemplares que circularam pelas ruas do Rio de Janeiro. (MEMÓRIA GLOBO, S/D).

Figura 16: Página um da edição de 25 de Julho de 1925

Fonte: Memória O Globo40

Iriney Marinho promoveu um concurso para a escolha do nome, sendo então o resultado anunciado em 20 de junho de 1925, com o nome de “Correio da Noite”, como o mais votado. Porém, esse nome de jornal já existia, fazendo com que Irineu adaptasse para “O Globo”.

Ainda segundo o jornal, com a morte de Irineu Marinho, quem assume a direção do jornal no dia 05 de maio de 1931 é Roberto Marinho, aos 26 anos, com o cargo de diretor-redator-chefe. Marinho ficou no comando do jornal até a sua morte, em 06 de agosto de 2003. Em 17 de agosto de 1936, “O Globo” publicou a primeira telefoto41 do jornal, em que a nadadora Piedade Coutinho conquistou se classificou para a prova final dos 400 metros nado livre na Olimpíada de Berlim. A imagem para aquela época representava muito para os jornais, por ser um material caro e de difícil acesso. A imagem foi publicada com destaque na primeira página, com a manchete “O GLOBO inaugura a telephotographia no Brasil”.

Figura 17 – Página 1 da edição de 17 de agosto de 1936 – com fotografia

Fonte: Memória O Globo 42

Devido ao avanço das tecnologias e da sociedade, o jornal foi se desenvolvendo e se ampliando, passando a fazer publicações aos domingos, no ano de 1972. Em 23 de março de 1982 começaram a circular os Jornais de Bairro, do “O Globo”.

Os Jornais de Bairro são uma das mais bem sucedidas criações do GLOBO. Pode-se dizer que seu embrião foi o “Rio de bairro em bairro”, iniciado em 1963 e editado pelo jornalista Péricles de Barros. Em 1982, Roberto Marinho queria produtos que falassem mais de perto com cada leitor, em cada bairro. E incumbiu o então chefe de reportagem, Henrique Caban, de levar à frente a missão. Em uma semana, surgia o primeiro de uma série de suplementos: GLOBO-Tijuca, que circulou em 23 de março de 1982. (MEMÓRIA GLOBO, 2013).

Novos cadernos especializados com nomes de bairros também foram lançados no mesmo ano. Eram eles: Méier, Barra, Copacabana, Ipanema, Madureira, Botafogo, Leopoldina, Ilha e Niterói.

Hoje existe o jornalismo comunitário43, uma espécie de jornalismo especializado de um devido bairro de alguma cidade. Assim como os jornais de bairro, do “O Globo”, com os fins de expor os problemas das comunidades centralizadas e enfocar questões de interesse das pessoas de uma determinada região.

Os avanços tecnológicos foram se fortificando conforme a sociedade se evoluía. Assim, ainda segundo o jornal, no ano de 1985 foram conquistados os primeiros computadores para a redação do “O Globo”. Os jornalistas fizeram cursos até o ano seguinte, para aprenderem a mexer de forma mais fácil e segura nas máquinas, que fizeram com que as máquinas de escrever se exterminassem. Em 1995, continuando no impulso da tecnologia que tomava conta da época, o jornal adota a diagramação eletrônica à redação, gerando mais agilidade no processo de produção e edição de conteúdo. Além disso, mudou do dia para a noite o “visual” do jornal impresso com implementações gráficas mais modernas, além de deixar o logotipo nas cores da bandeira brasileira.

Acoplado à redação, o Departamento de Arte também recebeu grande impulso com a instalação de computadores Macintosh de última geração, para produção de gráficos e ilustrações. Com o processo de produção totalmente eletrônico, ilustrações, gráficos e mapas que antes eram feitos, em média, em cinco horas, passaram a ficar prontos em pouco mais de meia hora. (MEMÓRIA GLOBO, 2013).

Uma conquista é lançada no dia 29 de julho de 1996. Para a surpresa da população, o jornal lança o site “O Globo On”, “página na internet, era mais do que mera cópia da edição em papel. O site foi desenvolvido com o princípio de ter uma identidade própria, misturando jornalismo ágil e melhor prestação de serviços”. (MEMÓRIA GLOBO, 2013).

Porém, só em 2006 que “O GLOBO” definitivamente ganhou espaço digital na internet, disponível somente para acessos de computadores. Mas, ainda segundo o jornal, em 2007 o site passa a ser alcançado para celulares e só em 2010 criam-se aplicativos do jornal disponíveis para todas as plataformas digitais, podendo ser acessadas por celulares Android44, Ipad45, Iphone. 46Assim, o jornalista foi se especializando na “alimentação” diária do jornal na versão digital, descobrindo novas ferramentas e se adaptando às transformações do mundo, deixando os conteúdos impressos e digitais cada vez mais interativo e chamando cada vez mais a atenção do leitor.

Já no caso do jornal “A Folha de S. Paulo”, a história começa no ano de 1921, com a criação da “Folha da Noite”, por Olival Costa e seu sócio Pedro Cunha noticiava com prioridade as deficiências dos serviços públicos. Já em 1925 é fundado o jornal “Folha da Manhã”, edição matutina da "Folha da Noite". Uma reviravolta acontece em 1931, quando, ainda segundo o jornal, o mesmo é vendido para Octaviano Alves Lima. Lima era cafeicultor, e priorizava a defesa dos interesses da lavoura e também o liberalismo. “Lança campanhas pela saúde pública. A tiragem diária dos dois jornais sobe de 15 mil para 80 mil exemplares. Ainda em janeiro, o nome da companhia é alterado para Empresa Folha da Manhã”. (CIRCULO FOLHA, S/D).

A “Folha da Tarde” é criada 24 anos mais tarde. O nome Folha de São Paulo é resultado da convergência dos três títulos dessas empresas (1960), até então, divididas em manhã, tarde e noite. “A impressão das Folhas - "Folha da Manhã", "Folha da Tarde" e "Folha da Noite"- passa para o prédio entre as alamedas Barão de Campinas e Barão de Limeira, que ainda estava em construção”. (CIRCULO FOLHA, S/D).

Figura 18 – O prédio d”A Folha de S. Paulo”, conhecido com Prédio do Barão de Limeira (S/D)

Fonte: Folha Imagem - Circulo Folha47

Outra conquista para o jornal foi em 10 de dezembro de 1958, quando começou a circular a “Ilustrada”, um caderno especializado em cultura e variedades. Vale lembrar que a A Folha já cobria assuntos sobre esse campo cultural desde o começo, em 1921, mas, não havia um espaço só para o tratamento desses assuntos.

Como dito, em 1960 as três empresas “Noite”, “Manhã” e “Tarde”, se juntam, resultando então em “A Folha de S. Paulo”, como é conhecida atualmente pelo mundo. Em 1967, acontece uma revolução tecnológica dentro do design gráfico da empresa, surgindo então à coloração. Uma curiosidade é de que A Folha é a pioneira a usar a impressão offset 48 em cores no Brasil.

Ainda segundo o jornal, em 1976 o mesmo foi um importante agente na participação da redemocratização no Brasil. Década de 1980, o ano é de comemoração para a direção da Folha, por ser o jornal brasileiro de maior circulação.

Em 1983, a tecnologia começaria a fazer parte da redação do jornal, com a chegada dos computadores. Neste mesmo ano, é criado o Datafolha (instituto de pesquisa de opinião pública e de mercado), responsável em levantar temas de interesse de leitores e levar às informações as editorias.

A década de 1990 é seguida de muitas conquistas e também por conflitos políticos para a Folha.

Agentes da Polícia Federal invadem a Folha sob o pretexto de buscar irregularidades administrativas. Em novembro, a Folha lança cinco edições regionais (Sudeste, ABCD, Nordeste, Norte e Vale). [...] Em fevereiro, a Folha reorganiza o noticiário em novos cadernos de circulação diária. Além da Ilustrada, o jornal passa a oferecer os cadernos Brasil, Mundo, Dinheiro, Cotidiano e Esporte (autônomo aos domingos e segundas-feiras). A Folha é o primeiro órgão da imprensa brasileira a pedir o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, que renuncia no ano seguinte. (CIRCULO FOLHA, S/D).

Em 1993, a Folha se consolida em uma circulação com média de 420 mil exemplares diários e mais de 700 mil aos domingos, a maior circulação do país. Já em 1994, a empresa se torna o jornal brasileiro a ter um banco de imagens digital. Com essa ferramenta, é possível as imagens serem armazenadas em computador.

As fotos passam a ser armazenadas em computador. Com a utilização experimental de câmeras digitais, o disquete começa a substituir o filme. Para manter a liderança na imprensa diária brasileira, a Empresa Folha da Manhã inicia a construção de um edifício modelo em Tamboré, zona oeste da Grande São Paulo, para sediar o parque gráfico -o CTG-F (Centro Tecnológico Gráfico-Folha). (CIRCULO FOLHA, S/D).

A Folha começa a usufruir da internet em 1996, com lançamento do “Universo On-line”, disponível a todo o usuário de internet da época. Essa ferramenta possibilitava o usuário a fazer pesquisas por busca de palavras e textos integrais publicados na folha nos últimos três anos. “Em setembro, o Grupo Folha anuncia a fusão do Universo On-line (Grupo Folha) com o Brasil On-line (Grupo Abril). É constituída uma nova empresa, o Universo On-line S.A. É a primeira associação que envolve dois dos mais importantes grupos de comunicação do país”. (CIRCULO FOLHA, S/D).

Em 2000, A Folha começa a se enquadrar mundo on-line e digital.

O jornal em tempo real Folha On-line amplia substancialmente seu time de colaboradores e, em 17 de abril, lança novos canais na sua home page, como "Pensata", que reúne artigos de vários colunistas, "Círculo Folha" (este site), com informações variadas sobre o Grupo Folha, e "Almanaque", site produzido pelo Banco de Dados que resgata textos de valor histórico publicados nos jornais do grupo. (CIRCULO FOLHA, S/D).

A partir disso, segundo o jornal, a facilidade dos usuários acessarem seus conteúdos pelos celulares e computadores se tornou mais clara, com a chegada do digital e on-line na vida dos usuários. Além de terem o conteúdo impresso, os assinantes da “A Folha” podiam e podem acessar as matérias dos cadernos (cultura, muda, esporte, lazer, política, etc.) a qualquer momento, seja do celular, ipad e computador, assim como no caso do jornal “O Globo”.

A maioria dos jornais veteranos que surgiram por volta de 1920, como o jornal “O Globo” e “A Folha de S. Paulo” começaram com pequenos recursos, e foram conquistando aos poucos a tecnologia, de acordo com a sua chegada, e hoje, segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia realizada em 2016 – PBM 201649, são os dois jornais mais lidos e assinados no Brasil, sendo “O Globo” em primeiro lugar, com 11%, e “A Folha”, 10% de leitores. Vale ressaltar que não existem pesquisas atuais sobre Mídia, podendo então variar esse ranking50. Porém, como base estatística, o presente trabalho segue nas considerações desta pesquisa realizada em 2016.

4.3. Comunicação Digital no mundo das drag queens

A comunicação digital avança conforme a sociedade se atualiza. São milhares de pessoas trocando informações em tempo real, compartilhando conteúdos mesmo que estejam distantes um do outro. Muito desses conteúdos, focalizando na comunidade LGBTQ+, é sobre as drag queens, cultura a qual vem ganhando visibilidade nas mídias de comunicação.

Como visto, as drag queensficaram famosas de 1980 e 90. Para Tuler (2014), a arte drag não é somente homens vestidos de mulheres esbanjando o glamour com brilhos, maquiagem e o senso de humor, “hoje, ser drag é um ato político que discute questões como sexualidade, identidade de gênero e a definição cultural de masculino e feminino”, (TULER, 2014). Por olhos de muitos, a cultura drag é vista somente como diversão e trabalho, porém, como disse a autora, reforçar que elas representam uma questão que aborda inúmeros debates sobre sexualidade, identidade de gênero e definir o que pode pertencer para os meninos e para as meninas, diante os padrões estabelecidos na sociedade, é fundamental para entender o que essa cultura vêm representando para os veículos de comunicação digital.

Como já foi discutido neste trabalho, a arte de se vestir de mulher começa há muitos anos atrás, desde a história de Rogéria. Porém, segundo a referida autora, o cenário começou a mudar em 2009 com a chegada do programa RuPaul’s Drag Race.

Figura 19 – Drag queen RuPaul é conhecida mundialmente

Fonte: BrigshTest Young.com51

O programa era comandado pela drag queen RuPaul, uma das drag mais conhecida e seguida nas redes sociais no mundo todo, além dos Estados Unidos, possui o formato original da Logo Tv, e é transmitido no canal fechado da Multishow, e também as temporadas são disponibilizadas na Netlix. O objetivo do programa é, com diversas provas semanais, encontrar a maior drag da América.

A primeira temporada foi ao ar pela Logo TV, emissora norte-americana originalmente voltada ao público LGBT, e registrou a maior audiência da história do canal. O sucesso absoluto veio pouco tempo depois com a aquisição da atração pelo Netflix, maior serviço de TV pela internet do mundo. O resultado foi o encontro de um programa segmentado com um novo público mais abrangente e diversificado que, por sua vez, recebeu o reality de braços abertos. Era o início da transformação da cultura drag em mainstream – ou, simplesmente, em parte significativa da cultura pop mundial. (TULER, 2014).

Depois da primeira temporada (season), RuPaul não parou de produzir outras temporadas, totalizando 11, em que os números de audiência continuam sendo consideráveis para ter uma próxima temporada. Depois de sua estreia, os veículos de comunicação local dos Estados Unidos começaram a publicar conteúdos relacionados com o programa, como uma forma de entretenimento. Diante disso, depois da 1° temporada ser lançada no Brasil, os veículos de comunicação digital como “O Globo” e “A Folha de S. Paulo” também publicaram conteúdos relacionados ao programa, como qual foi a drag eliminada da semana. Diante a esse cenário, percebe-se que os veículos de comunicação começaram a englobar em suas redações conteúdos relacionados ao mundo das drag queens, o que não era comum de se ver antes.

Para Santos e Veloso (2010) os meios de comunicação são responsáveis pelo papel de inserir e fundamentar perante a sociedade o que são e o que representam as drag queens.

As drags, por apresentarem status de personagens lúdicos e interativos, findam por validar uma leitura semiótica e crítica desses modelos pré-estabelecidos pelos meios de comunicação e, por conseguinte, discutir a formação de uma opinião pública a respeito desses modelos. (SANTOS e VELOSO, 2010, p. 3).

Para os referidos autores, tudo se inicia através do corpo feminino, com os padrões pré-estabelecidos por parte dos veículos de comunicação, perante a mulher. Para eles, as mulheres constroem uma estética corporal, ou seja, é “[...] baseada em moldes que englobam, Além da aparência, a postura que uma mulher deve seguir para alcançar tal sucesso.” (Santos e Veloso, 2010, p. 4).

Desde sempre, o corpo, especificamente o feminino, sempre foi valorizado pelas pessoas. Principalmente nas publicidades, em que só eram permitidas lindas mulheres com corpos bonitos, considerados belos aos olhos da sociedade. A mídia foi adotando essa ferramenta mais rigorosamente, exemplo disso são os comerciais de televisão, principalmente os de cerveja, como o “vem verão, vai verão”.

Em grande parte dos comerciais de televisão, as pessoas que participam são consideradas belos, com corpos sarados e definidos, cabelos lisos, olhos claros, entre outras coisas. Tudo isso, para que os consumidores, ao comprar o produto que está sendo vendido por aquela pessoa considerada bela, se considerar parte desses “universos perfeito”.

O corpo transforma-se no principal instrumento das mídias para a difusão de produtos e serviços de beleza, sendo responsáveis pela obtenção de audiência e lucro para as grandes empresas. Nessa relação, o corpo é elevado a uma dimensão superficial, onde o conceito de um corpo saudável é ‘ressignificado’ a um corpo construído através de moderadores de apetite, clínicas de estética e academias esportivas, além de uma variedade de serviços vendidos diariamente através das imagens veiculadas nos meios de comunicação [...](SANTOS e VELOSO, 2010, p. 4 e 5).

Neste sentido, a maioria dos comerciais e novelas apresentam pessoas consideradas como padrão, com o corpo belo. Porém, percebe-se que isso está mudando, ainda que lentamente, mas já se percebe que a mídia está tendo novos olhares na figura do corpo em busca ao belo. Exemplo disso é a propaganda de carnaval das Havainas, com a cantora de funk/axé Jojo Todynho, a qual não é considerada dentro doa padrões do belo, mas, acabou participando da propaganda com uma nova versão de sua música “Que Tiro Foi Esse”. Pode ser um jogo de marketing, porém, comerciais como esse não existiam há décadas atrás.

Outro caso, é a drag Pabllo Vittar, a qual fez e continua fazendo diversas propagandas, como Avon, Coca Cola, Preservativo Olla, e da marca de óculos Chilli Beens, além de sair em capas de revista, como a “Marie Clarie”, uma revista feminina. A procura pela cantora fazer e lançar marcas é elevada, e, comparando com os anos anteriores diante os veículos de comunicação, um homossexual e drag queen não era visto por parte da sociedade de forma natural, por inúmeros fatores, sendo que o principal se resume em um homem montado de mulher, algo que não tinha tanta visibilidade antigamente (SANTOS e VELOSO, p. 5). Porém, é evidente que todos esses fatores fazem parte das estratégias de marketing dos comerciais e da assessoria da cantora, juntamente com a mídia.

Ao relembrar o corpo feminino nos meios de comunicação digital ou impresso, existem, segundo Santos e Veloso (2010, p. 5), “reproduções desse modelo na sociedade como uma forma de resposta aos códigos difundidos através dos veículos”:

Um exemplo que mostra como isso se manifesta encontramos nos personagens drag queens, considerados ícones de uma comunidade LGBT, e que através de um corpo performático são responsáveis por ‘ressignificar’ essa padronização do modelo midiatizado de mulher. Na criação de um “feminino exagerado”, as drags associam a imagem construída e difundida pelos mass media 52 a um corpo masculino justaposto a um conjunto de signos convencionados como pertencentes ao sexo feminino [...] O corpo da Drag queen passa, então, a simbolizar um corpo semiótico, uma espécie de documento social que, em atos performáticos tende a mediar às mensagens reproduzidas por esse corpo e os indivíduos que o assistem. (SANTOS e VELOSO, 2010, p. 5 e 6).

Diante disso, o corpo da drag queen em relação os veículos de comunicação digital, ainda segundo os referidos autores, pode causar questionamentos na sociedade. Existem casos, de drags que se montam por diversão e casos de drags que se montam por trabalho, como é o caso de Pabllo. A artista é um produto da indústria cultural, noticiado pelos veículos de comunicação digital e impresso. Lembrando que, com o avanço do digital fica mais acessível os usuários de conectarem com a drag em tempo real diante os aplicativos e redes sociais.

Para os autores, as drag não são vistas nos veículos de comunicação digital como corpos performáticos, e sim, “as drags tendem a reproduzir ou refutar o discurso dos meios de comunicação”. Ou seja, para Santos e Veloso (2010, p.9), elas protagonizam um papel de apresentar, além de um corpo visualmente feminino caracterizado, “[...] relações de interação entre os elementos midiáticos, sociais e culturais [...]”.

O corpo drag é validado como um documento que questiona, a partir da performance, a conjuntura da invenção do feminino proposto pela mídia, que é reforçado diariamente através da indústria do entretenimento e da publicidade. (SANTOS e VELOSO, 2010, p.9).

Através disso, fica evidente como a mídia tem influência na vida da sociedade e dos artistas. Ela é capaz de ajustar o corpo feminino até chegar em um estado “perfeito”, ou seja, conhecido como o padrão de beleza. Porém, os referidos autores Santos e Velozo (2010, p. 8), “enquanto a mídia veicula a imagem de um corpo perfeito como fator de integração social para as mulheres, a drag ironiza essa representação imagética através da ‘montaria53’”. Um homem pode se montar de mulher e ficar, segundo os padrões da mídia, com um corpo “belo”.

Todo esse universo das drag quens, mais especificamente de conquistarem participação na mídia e nos veículos digitais (por muitas vezes por audiência e também em busca de mais usuários on-line desses veículos), além de “ironizarem” esses veículos (os quais parte deles seguem os padrões do corpo estético na visão bela do feminino), com suas montarias exageradas, segundo os autores Santos e Velozo (2010), é fato de que as drags estão inseridas no cotidiano na maioria dos sites, blogs, canais e jornais digitais.

A sociedade se encontra literalmente em rede. Para Mueller (2016, p. 28), “o surgimento e desenvolvimento das tecnologias de informação e também da internet são responsáveis pela evidente mudança no processo de organização da vida em sociedade”.

Com isso, a interação rápida entre as pessoas são conquistadas, e o fato é de que não existe restrições de espaço diante a nova cultura de comunicação, que se resume em tudo mais digital.

A interação é constante e através de múltiplas redes, como Facebook, Twitter, Instagram, LinkedIn,54 Youtube, representando uma nova configuração comunicacional que é a conectividade generalizada. São consideráveis e significativas transformações da sociedade, porém, certamente muitas mudanças ainda estão por vir. (MUELLER, 2016, p. 28).

É através dessas redes que o mundo digital das Drag queens vai se concretizando e ganhando espaço, divulgando e enaltecendo a arte. Diante disso, os veículos de comunicação, neste caso, digital, são responsáveis em publicar matérias possíveis em relação a isso nos cadernos de cultura, entretenimento, música, devido a cada caderno especializado.

Em suma, de certa forma as pessoas vivem se comunicando, seja pessoalmente ou por meios digitais. A comunicação é estabelecida por um emissor, o qual envia a mensagem para o receptor, gerando então em uma comunicação. Como visto, a grande parte da sociedade está mergulhada na era digital, assim, tendendo a descartar cada vez mais o analógico.

Devido a isso, através de diversos meios de comunicação e interação, fica mais acessível aos usuários se manterem conectados um com os outros virtualmente, como no caso das drag queens, que usam suas redes sociais para fazer com que seu público faça parte de seu cotidiano de forma virtual. Lembrando que, os jornais como “O Globo” e “A Folha de S. Paulo” levam a notícia sobre os cadernos especializados clicados pelos usuários como moda, cultura, diversão, lazer, entretenimento, política, etc. de uma forma mais acessível através de suas versões digital e on-line, capacitando o leitor de acessar as mesmas de onde estiver a qualquer momento e de qualquer aparelho digital.

Figura 20: Pabllo Vittar em capa da revista “Marie Claire”, em 2017

Fonte: Jornal Opção55

5. METODOLOGIA

O presente trabalho possui natureza analítica com o intuito de verificar as relações entre fatos e fenômenos inseridos nos dois jornais que compõem a amostra da pesquisa, sendo eles: “O Globo” e “A Folha de S. Paulo”, ambos na versão digital.

O trabalho de sistematização e racionalização da amostra selecionou matérias noticiadas sobre a drag queen Pabllo Vittar, na seção de cultura, nos períodos de maio, junho e julho de 2018. O período selecionado compreende de maio a junho, data em função da 22° Parada do Orgulho LGBTQ+ de São Paulo, quando há maior probabilidade de publicação deste tipo de conteúdo, além de acontecer um aumento de apresentações da artista.

Desta forma, a intenção da pesquisa revela-se por observar e analisar a incidência de notícias sobre a artista Pabllo Vittar nos jornais selecionados, assim como verificar o conteúdo veiculado.

A pesquisa classifica-se como qualitativa e quantitativa, estabelecendo uma dinâmica entre as reportagens relacionadas à Pabllo Vittar postadas no “O Globo” e “A Folha de S. Paulo”, com o intuito de relacionar os dados numéricos e identificar e analisar expressões, sentimentos, sensações, percepções e intenções empregadas em cada veículo de comunicação digital.

Quanto à abordagem, aplica-se a Análise de Conteúdo, segundo Laurance Bardin (2009), que aplicou as técnicas da Análise de Conteúdo na investigação psicossocióloga e no estudo das comunicações de massas. Diante da complexidade de conteúdos analisados, essa análise reduz, através de categorias apresentadas de acordo com a Análise de Conteúdo, de forma sistematizada ou por contagem de palavras e termos empregados nas matérias dos jornais já mencionados.

Diante disso, são analisadas 18 matérias especializadas no caderno de cultura, sobre Pabllo Vittar no jornal “A Folha de S. Paulo”, sendo nove matérias filtradas no mesmo setor cultural no jornal “O Globo” nos meses de maio, junho e julho de 2018, como mencionado.

5.1. Análise de Conteúdo

A análise de conteúdo, segundo as visões de Bardin (2009), é uma metodologia consolidada às técnicas de análise das comunicações com o objetivo de buscar sentidos em um documento, mensagens, artigos etc.

O pesquisador pode trazer para sua pesquisa um método de investigador, podendo optar em realizar uma análise qualitativa, quantitativa ou mista, em que a interpretação dos dados, segundo a autora, é a principal etapa do trabalho. A autora define a análise de conteúdo enquanto método, sendo então um conjunto de técnicas de análise das comunicações que utiliza procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens. Todavia, ainda de acordo com a referida autora, entender a história da análise de conteúdo é fundamental para o pesquisador, no papel de investigador.

Descrever a história da análise de conteúdo é essencialmente referenciar as diligências que nos Estados Unidos marcaram o desenvolvimento de um instrumento de análise de comunicações. Seguir passo a passo o crescimento quantitativo e a diversificação qualitativa dos estudos empíricos apoiados na utilização de uma das técnicas classificadas sob a designação genérica de análise de conteúdo; é observar a posteriori os aperfeiçoamentos materiais e as aplicações abusivas de uma pratica que funciona há mais de meio século (BARDIN, 2009, p.15).

No início do século XX, nos Estados Unidos, o início dessa técnica era basicamente para medir o impacto sensacionalista de artigos, notícias, sendo o método quantitativo para medir os tamanhos dos títulos, artigos e páginas.

A utilização pela abordagem mista em pesquisas sociais é uma das ferramentas mais conhecidas, segundo a autora, pois dará a visão de prismas, os quais muitas vezes são distintos, mostrando então diversos lados sociais. Já na pesquisa quantitativa, o encaixe é em uma demanda maior de massas, ou seja, de pessoas, que exerce um papel de “termômetro” ao analisar os fatos reais em comparação ao perfil de fatores que influenciam essa abordagem. Já na pesquisa qualitativa, o objetivo é avaliar as percepções das pessoas de acordo com o fato, o acontecimento ou a notícia. Esse método, segundo Gaskell (2002, p. 65) disponibilizará dados básicos para um possível desenvolvimento e a compreensão das relações entre os atores sociais e a sua situação. “O objetivo é uma compreensão detalhada das crenças, atitudes, valores e motivação, em relação aos comportamentos das pessoas em contextos sociais específicos”. (GASKELL, 2002, p. 65).

Ainda de acordo com Gaskell (2002) a pesquisa qualitativa é uma espécie de fortalecimento de uma “descrição detalhada de um meio social específico, uma base para construir um referencial para pesquisas futuras e fornecer dados para testar expectativas e hipóteses desenvolvidas fora de uma perspectiva teórica específica”. (GASKELL, p. 65).

Os métodos quantitativos e qualitativos dentro da análise de conteúdo são complementares, pois ao mesmo tempo que um método analisa a quantidade de caracteres em um título de uma matéria, a qualitativa analisará possíveis relações semânticas, ou seja, as primeiras sensações encontradas inseridas no título.

5.2. As três fases da Análise de Conteúdo

Bardin (2009) faz a indicação de três fases da análise de conteúdo, sendo elas: pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados, o qual se resulta na inferência e a interpretação.

Para a referida autora, a pré-análise é o passo inicial, ou seja, a organização, envolvendo procedimentos bem definidos e flexíveis. Para ela, é uma leitura “flutuante”, sendo uma espécie de primeiro contato com os documentos que serão submetidos à análise. Esses documentos são encontrados na matéria prima. A matéria prima é a plataforma em que serão analisados os conteúdos, como por exemplo, revista, programa de televisão, jornal impresso ou on-line, etc. A escolha dos documentos e formulação de hipóteses prévias e os objetivos também surgem nessa primeira fase. Bardin (2009) faz alguns apontamentos em que o pesquisador deve seguir, acompanhando às regras:

1 – Exaustividade: não é permitido que o investigador esconda nada, analisando então a totalidade da comunicação;

2 – Representatividade: a metodologia e as técnicas apresentadas devem representar o universo;

3- Homogeneidade: os dados devem se referir ao mesmo tema, construídos e analisados por técnicas iguais;

4- Pertinência, sendo os documentos que precisam se adaptar ao conteúdo e objetivo da pesquisa;

5 – Exclusividade: um elemento não pode ser classificado em outras categorias.

Ainda nessa fase, são escolhidos os documentos que serão analisados, como por exemplo, entrevistas, revistas, matérias de jornais on-line ou impresso, artigos e até mesmo programa de televisão. Nessa fase, é necessária a formulação de objetivos e hipóteses, para explicitar dimensões e direções da análise, ou seja, é a preparação do material.

Já na segunda fase, a partir das teorias de Bardin (2009), a organização dos conteúdos é um processo fundamental. Com os documentos organizados e separados, é preciso realizar outra leitura flutuante para o pesquisador obter uma base inicial sobre o assunto em que os conteúdos estão tratando.

A segunda fase também pode ser chamada de exploração do material, que são adotados alguns métodos como codificação e categorização. Esse é o ponto crucial da análise de conteúdo, pois serão construídas as categorias. Segundo Câmara (2013, p. 185 e 186), que segue as mesmas perspectivas que Bardin, é necessário que o pesquisador escolha a unidade de codificação para depois classificar os conteúdos em blocos. Então, para chegar a esse resultado, precisa-se definir o que seria a codificação, classificação e categorização.

Codificação [que compreende a escolha de unidades de registro – recorte; a seleção de regras de contagem – enumeração - e a escolha de categorias - classificação e agregação - rubricas ou classes que reúnem um grupo de elementos (unidades de registro) em razão de características comuns], classificação [semântico (temas, no exemplo dado), sintático, léxico – agrupar pelo sentido das palavras; expressivo - agrupar as perturbações da linguagem tais como perplexidade, hesitação, embaraço, outras, da escrita, etc...] e categorização (que permite reunir maior número de informações à custa de uma esquematização e assim correlacionar classes de acontecimentos para ordená-los). (CÂMARA, 2013, p. 185 e 186).

Dando continuidade a presente etapa, é necessário que o pesquisador classifique as categorias do assunto mais relevante que tenha no conteúdo. Logo, o investigador deve apresentar as subcategorias, ou seja, os sinônimos das categorias aplicadas. A partir disso, deve-se confirmar ou modificar aquelas presentes nas hipóteses e referenciais teóricos inicialmente propostos. Logo, segundo Bardin (2009), essas categorias devem apresentar:

  1. Exclusão mútua: em que cada elemento só pode existir em uma categoria;

  2. Homogeneidade: é preciso haver somente uma dimensão na análise. Caso apareça alguma outra análise de um nível distinto, ela deve ser separada em outra categoria;

  3. Pertinência: as categorias devem respeitar as intenções do investigador e aos objetivos da pesquisa e as características da mensagem;

  4. Objetividade e fidelidade: se os temas e as categorias forem bem definidos, a intenção do conteúdo for distorcido será mínimo;

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  5. Produtividade: quando as categorias são produtivas devido aos resultados bem compostos e construídos, com hipóteses novas em dados exatos.

Nessa fase, o pesquisador ainda precisa definir se irá fazer um quadro teórico (a priori) ou análise exploratória (a posteriori) para começar a exploração e análise dos documentos.

Entrando na terceira fase, denominada tratamento dos resultados, a inferência e interpretação, o investigador deve tornar a sua pesquisa válida e significativa, são as informações fornecidas pela análise. Segundo Câmara (2013, p. 188), “esta interpretação deverá ir além do conteúdo manifesto dos documentos, pois, interessa ao pesquisador o conteúdo latente, o sentido que se encontra por trás do imediatamente apreendido”.
Nessa fase, os resultados são tratados como significativos e válidos. Operações estatísticas simples (percentagens), quadros, diagramas, figuras e modelos que condensam e põem em relevo as informações fornecidas pela análise pertencem a essa fase. É a conclusão da análise, interpretação dos resultados. Aqui, o pesquisador deve ter domínio no referencial teórico e que a hipótese de pesquisa, feita na primeira etapa junto com o objetivo, tenha permitido confrontar os resultados da análise. Ou seja, o analista irá comparar com indicadores das hipóteses, analisar as hipóteses implantadas se respondem ou não nessa última parte. Câmara (2013), ainda segundo as visões e teorias de Bardin (2009) explica a inferência:

[...] se orienta por diversos polos de atenção, que são os polos de atração da comunicação. É um instrumento de indução (roteiro de entrevistas) para se investigarem as causas (variáveis inferidas) a partir dos efeitos (variáveis de inferência ou indicadores, referências). (CÂMARA, 2013, p. 188).

Essa fase é a interpretação dos dados. Deve-se voltar aos marcos teóricos iniciais daprimeira fase, em que se inicia as investigações, “pois eles dão o embasamento e as perspectivas significativas para o estudo. A relação entre os dados obtidos e a fundamentação teórica, é que dará sentido à interpretação”. (CÂMARA, 2013, p. 189). É papel do investigador buscar o que se esconde sob a realidade dos conteúdos, analisar o seu verdadeiro discurso do enuncia- ado, o que querem dizer, buscando possíveis erros cometidos ou interpretações de duplo sentido sobre determinada situação.

5.3. Análise de conteúdo na pesquisa qualitativa e quantitativa

Dentro da análise de conteúdo, muitos autores usavam especialmente o método quantitativo na busca de resultados, com o intuito de calculá-los de forma sistemática, ou seja, a análise dos conteúdos, segundo Godoy (1995), parte do ponto de cálculos de frequência. Os resultados podem ser apresentados de forma numérica e porcentagem, além disso, há a opção do pesquisador pela criação de gráficos ou infográficos para representar a análise quantitativa, que se resumem em dados numéricos. A partir daí, surge então o método da pesquisa qualitativa, com o intuito de compreender as características e estruturas que estão por trás das mensagens.

Para Câmara (2013, p. 190), os pesquisadores qualitativos não partem de hipóteses previamente já estabelecidas e também se preocupam em obter dados que neguem ou corroborem as suas suposições. Pelo contrário, o foco desses pesquisadores parte de um ponto de vista amplo, o qual se torna mais específico de acordo com o andamento da análise de conteúdo.

Godoy (1995) defende a pesquisa qualitativa como uma diversidade de estratégias de análises. Segundo a autora, existem diversos métodos de análise em pesquisas qualitativas, sendo a análise de conteúdo a técnica mais comum.

Na pesquisa qualitativa, Câmara (2013, p.90) reflete a realidade como um bom exemplo para colocar em prática essa pesquisa. Na pesquisa qualitativa deve haver maior preocupação com o processo em detrimento dos resultados ou produto. Os pesquisadores procuram verificar como determinado fenômeno se manifesta nas atividades, procedimentos e interações diárias.

Cabe ao pesquisador usufruir da melhor forma de pesquisa que se encaixe no trabalho. Vale ressaltar que o presente estudo possui natureza analítica, com o intuito de verificar as relações e os conteúdos sobre a drag queen Pabllo Vittar apresentados nos jornais “O Globo” e “A Folha de S. Paulo”, versão digital, nos períodos de maio, junho e julho. Como já citado, a pesquisa classificada é a qualitativa e no que diz respeito às técnicas e procedimentos de análise, aplica-se a Análise de Conteúdo.

A partir da leitura flutuante, foram criadas as categorias de análise de cada matéria. As categorias se remetem as palavras que dão suporte à matéria, ou seja, é o agrupamento de caracteres comuns da unidade de registro (elementos) sob um titulo geral. São elas: Representatividade, estrela, produção, participação, hit, cena, disco, drag queen, parceria, Pabllo Vittar, cantora, camapanha, fãs, artistas, show, universo LGBTQI+, orgulho, música, músicos, festival, #minhaúltimamúsica, homofobia, morte, discurso, parada, público, brincadeira, clipe, moda, gênero, coleções, entrevista, revista, mídia internacional, moda, cabelo, K.O., carta, LGBT, amor, show, cantar, elogios, famosas, álbum, roupa, militância, leilão, vestuário, Casa 1, gênero fluído, homegem, violência, soropositivo, rivalidade, votar, desconjuntado, popularidade, estreia, haters e apresentadora. Logo, as matérias foram selecionadas de acordo com a ferramenta de busca por palavras chaves que se relacionavam ou citavam a arista Pabllo Vittar, durante o tempo de recorte.

6. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Este capítulo mostra as matérias especializadas no quesito cultural, musical, entretenimento dos jornais na versão digital “O Globo” e “A Folha de S. Paulo” sobre a Pabllo Vittar. Entre as diversas técnicas e categorias de análise de conteúdo, são privilegiadas nessa pesquisa os conteúdos em busca de possíveis tratamentos inadequados ou estereótipos em relação à Drag queen, porém, a busca e a análise não se fundamentam nesses possíveis estereótipos, e sim, no tratamento da drag na visão desses veículos de comunicação, o que pode ou não muitas vezes obter viés preconceituosos e indesejados.

Em suma, parte da análise de conteúdo verifica como Pabllo Vittar é vista, tratada e mencionada pelos os jornais “O Globo” e “A Folha de S. Paulo”. No que se refere a tratamentos ou palavras adequadas, corresponde-se quando a drag queen Pabllo Vittar é mencionada no texto no pronome feminino. No que se menciona a tratamentos ou palavras negativas ou inadequadas, diz a respeito quando no escrito, a cantora é mencionada no sexo masculino, quando erram ao escrever o nome da cantora, ou confundem a sua identidade de gênero.

Se, nas matérias analisadas Pabllo Vittar está sendo noticiada pelo o trabalho de fazer drag queen, nas condições de uma personagem e figura feminina, é necessário que os veículos de comunicação a tratem no pronome feminino, resultando em um tratamento adequado, de acordo com o processo de montagem da drag queen.

6.1. Análise de Conteúdo: representatividade da Pabllo Vittar em “O Globo” e “A Folha de S. Paulo”

A análise começa pelas matérias culturais do jornal digital “O Globo”, publicadas do mês de maio, junho e julho (mês antes, durante e depois da 22° Parada do Orgulho LGBTQ+ de São Paulo), o que resulta nas maiores aparições da Pabllo na mídia. Logo, a análise também se volta para o jornal “A Folha de S. Paulo” no mesmo período. E assim, aparecem os resultados pressupostos no objetivo e na hipótese deste trabalho, resultados os quais surgem devido à análise de conteúdo.

Como mostrado, a análise de conteúdo é formada por três fases. Na fase inicial é realizada a pré-análise. São separados os conteúdos (corpus), resultando em nove matérias em “O Globo” sobre o mesmo assunto, que é sobre a Pabllo Vittar, no caderno de cultura e dezoito sobre o mesmo assunto do jornal “A Folha de S. Paulo”. É feita diversas vezes a chamada leitura flutuante, para ter um primeiro contato com o corpus, ou seja, o documento em si.

É comum os leitores encontrarem fotos nas reportagens, principalmente quando elas são on-line. Assim como no “O Globo” e “A Folha de S. Paulo” on-line, já que foram localizadas diversas fotos sobre o conteúdo exposto durante a matéria. No que se refere às fotos veinculadas nos veículos de comunicação analisados, existem dezoito nas matérias analisadas do jornal “O Globo”, sendo sete fotos da Pabllo (39%).

Como essas matérias têm como objetivo retratar a cantora observou-se que não houve muito destaque dado à artista no quesito fotos, pois resultam em 11 fotos (61%) que não são da Pabllo. Porém, vale destacar que nesses 61% de fotos que não se referem e nem aparece a drag, o texto cita apenas o nome dela e não se aprofunda, assim como as outras matérias que compõe os 39% de aparições de fotos da cantora. A média de publicação é de duas fotos.

Já no jornal “A Folha de S. Paulo”, por ser um número maior de matérias analisadas (18), foram totalizadas 531, sendo 348 fotos (65.5%) que contêm Pabllo e 183 (34%) que não mencionam a drag, destacando fotos de outros artistas. Vale ressaltar que algumas matérias estão associadas a galerias de imagens, o que eleva o número de fotos dentro do período que compreende o recorte temporal.

Na questão de tamanho por parágrafo, “O Globo” totaliza com 83 parágrafos. Quando se trata em palavras adequadas e inadequadas encontradas nas matérias, “O Globo” especificamente possui 15 palavras ou expressões adequadas – contando com as repetições - na questão do tratamento que o veículo de comunicação tem sobre a comunidade LGBTQ+. Dessas 15, 11 palavras (73%) se referem à Pabllo Vittar adequadamente, identificando-a como “a cantora” e “a drag queen”, no feminino. As outras quatro (26,6%) se referem a tratamentos positivos não da Pabllo, mas às normas corretas de como utilizar a sigla LGBTQ+ e também quando as transexuais são tratadas e respeitadas no feminino, como “a transexual”.

No que se refere às palavras ou expressões inadequadas, foram encontradas sete. Duas dessas palavras (28,5%) escrevem errado o nome da Pabllo, utilizando “Pablo”. As outras cinco palavras inadequadas (71%) pertencem a outros erros de outros assuntos, como erro de digitação e até palavras inadequadas, como “transgênero”, ao se referir a Pabllo.

Um exemplo nesse sentido é quando uma das matérias do jornal on-line “O Globo” diz:RIO — O universo LGBTQI+ tem seu altar próprio, povoado por deuses da música. Entre Rihanna, Gloria Groove, George Michael e Pablo Vittar, os caminhos sonoros são muitos”, o jornalista escreveu o nome de Pabllo com apenas uma letra “L”, ficando “Pablo”, mas o correto é com duas letras “L”. (O GLOBO, 2018).

No que se trata em expressões corretas, uma das matérias desse mesmo veículo de comunicação utilizou a seguinte expressão:

Ter vencido pelo voto dos fãs é mais uma afirmativa que o trabalho que fazemos é verdadeiro. Eu quero passar uma mensagem de respeito e tolerância. As pessoas não precisam aceitar a gente, mas devem respeitar. Não somos só artistas, somos humanos e temos sentimentos. (VITTAR, 2018 apud GUIMARÃES, 2018).

Ou seja, o jornal cita uma fala direta da artista, e finaliza dizendo “diz a cantora Pabllo Vittar”. Ao escrever “cantora”, o jornalista utiliza o termo adequado, pois está se referindo a uma drag queen, em seu estado de montagem e transformação voltada para o universo feminino. A partir dessa questão, é essencial destacar a utilização do termo no femino e não “o cantor”, portanto o jornalista soube se referir adequadamente ao nome da drag.

Nas matérias da “A Folha de S. Paulo” são 129 parágrafos no geral. No quesito palavras adequadas, existem 77 (100%), as quais mencionam a drag e outras artistas LGBTQ+.

Nas palavras inadequadas, foram encontradas 11. Dessas, nove palavras inadequadas (82%) são destinadas somente à drag, ou seja, os jornalistas erram na hora de escrever o nome, e até chegam a dizer que ela é uma transexual. As outras duas palavras (18%) não são sobre a drag, são de erros de digitação ou atenção, confundindo nomes de clipes de Pabllo, de “Indestrutível”, para “Indecente”, de Anitta.

No que se refere às palavras adequadas, um exemplo desse veículo de comunicação é quando uma das matérias afirma: “A cantora Pabllo Vittar teve que cancelar, nesta quarta-feira (25), as gravações de seu novo clipe por conta de um olho roxo”, (O GLOBO, 2018). Ao utilizar “A cantora Pabllo Vittar”, a intenção do jornalista foi de explicar que Pabllo é uma artista. O texto poderia ser apenas “A cantora”, porém, houve a preocupação de fazer com que os leitores entendessem de que se trata de uma drag queen. É natural de uma parte dos leitores que não possuem tanto contato com o universo LGBTQ+ não entenderem, ou até mesmo não lembrarem, que Pabllo é uma drag queen e artista, mas apenas uma drag queen. Utilizar os dois termos seguidos do outro, reforça de que é uma cantora e uma figura feminina, ou seja, uma drag queen.

No que se refere às expressões incorretas, em uma de suas matérias o veículo utilizou a palavra “transgênero”. O jornalista se precipitou ao utilizar esse termo quando cita em seguida Pabllo Vittar.

Ao mesmo tempo em que hoje há espaços garantidos e holofotes sobre novos ícones, como as cantoras transgênero Pabllo Vittar, Liniker e Linn da Quebrada, ela diz, "com a mesma força vêm os crimes e a negação de tudo isso, como em um contínuo movimento de ação e reação". [...] Daí a relevância e a necessidade de um evento voltado a dialogar com todas as camadas da paleta LGBT. (GREGÓRIO apud A FOLHA DE S. PAULO, 2018).

Como já discutido, Pabllo é homem e homossexual e a sua personagem é uma drag queen, uma figura feminina. Isso não significa que Pabllo seja transexual, pois a drag se sente bem com o seu corpo masculino e com a sua genitália. Ao contrário de Liniker, que se diz uma mulher trans, e que se enxerga como uma mulher e gosta de ser tratada como uma. Já Linn da Quebrada se considera uma travesti, possuindo a sua genitália masculina, porém, gosta de ser tratada no universo feminino.

Assim, reforça-se a necessidade do jornalista entender as diferenças da diversidade sexual: o que é ser homossexual, drag queen, transgênero e transexual. Neste caso, o jornalista não soube utilizar adequadamente o termo “transgênero”. Se a matéria se referisse a Liniker o contexto estaria correto, mas ao colocar Pabllo Vittar e Linn da Quebrada como pessoas transgênero, o autor erra.

Como visto neste trabalho, drag queen e travesti são pessoas distintas de transgêneros. O que diferencia uma mulher trans de uma travesti é que a mulher trans nasceu homem, porém se identifica como mulher, podendo fazer a cirurgia de mudança de sexo, e a travesti nasceu com o pênis e transita na transgeneridade, ou seja, continua com o pênis, podendo colocar somente silicone. Mas, são pontos sociais e econômicos que também diferenciam a mulher trans da travesti.

Quando se fala em travesti, é possível vir à mente das pessoas a palavra prostituição, o que acaba causando um maior preconceito em torno das LGBTQ+. A verdade é que a mulher trans e a travesti sofrem preconceito, porém nessa comparação, é a travesti que é mais assassinada no Brasil. Segundo uma pesquisa realizada pelo “O Globo”, em 2017, 191 transexuais foram assassinados no Brasil, perdendo somente para os gays, que registraram 194 óbitos (SOUTO, 2018). Em meio a tantos preconceitos e discriminação, as oportunidades da vida e trabalho são escassas, fazendo com que a prostituição seja uma renda para conseguir sobreviver.

As três cantoras são exemplos da teoria Queer, em que essas pessoas diferentes, vistas pelos olhos de parte da sociedade como pessoas estranhas e confusas com a sua orientação sexual. Mas, são pessoas decididas, empoderadas e que possuem seus próprios valores, essências e ética. Não cabe o julgamento desse jornalista, pois é comum essa confusão com o universo LGBTQ+. Porém, como já mencionado, um profissional da comunicação precisa entender basicamente quais são as diferenças da diversidade sexual.

Ambos os jornais tratam a drag de forma adequada, porém há as diferenças. O jornal “A Folha de S. Paulo” oferece mais espaço para matérias sobre a drag queen, pois foram analisadas as matérias no mesmo recorte de tempo. Ainda, esse mesmo jornal oferece uma grande proporção das fotos de Pabllo, sendo galerias fotográficas repentinas durantes outras matérias. O Globo normalmente utiliza apenas uma foto da drag, e quando utiliza, não faz nenhuma galeria de fotos sobre.

Diante a análise, se percebe que a maioria das fotos encontradas no jornal O Globo não é da Pabllo, e sim de assuntos que citam a drag durante o meio da matéria. Ao contrário de “A Folha de S. Paulo”, em que a maior parte das fotos são especializadas em galerias e somente da Pabllo, em diversos momentos de sua vida, em shows, apresentações, programas de TV, então a representatividade dela nesse veículo na questão das fotos é maior, e isso significa uma conquista para a comunidade LGBTQ+. “A Folha” é um dos jornais mais lidos no Brasil, então, uma drag queen estar em uma matéria a qual existem diversas galerias de fotos sobre ela, é importante visibilidade e um sentimento dos LGBTQ+ estarem bem representados, e uma das consequêncis dessa representatividade é mostrada nos shows que têm apresentado um grande público.

Figura 21: Pabllo Vittar chega ao trio elétrico na parada LGBTQ+

Reprodução da matéria do jornal “A Folha de S. Paulo”, em 22/07/2018, na Parada LGBTQ+ de São Paulo

Fonte: “A Folha de S. Paulo” 56

Diante as matérias analisadas, verificou-se que duas matérias do “O Globo” fazem indicação das obras em que Pabllo está presente. Quando foi analisada a matéria falando sobre o clipe “Hasta La Vista”, promoção da Coca-Cola, logo após a matéria, o jornalista anexou o clipe, em que estrelam Pabllo Vittar, Luan Santana e Simone e Simaria. Mesmo não sendo um conteúdo próprio da cantora, é importante que os veículos de comunicação digitais mostrem nas matérias os trabalhos dos artistas. No mesmo veículo de comunicação, há uma matéria falando sobre uma playlist criada pelo DJ Binho, para comemorar o Dia do Orgulho LGBTQ+. Dentro dessa playlist foram encontradas três músicas da Pabllo, como “Corpo Sensual”, “K.O” e “Nega”.

Figura 22: Playlist criada com três músicas da drag Pabllo Vittar

Reprodução da matéria do jornal O Globo, em 28/06/2018, Rio de Janeiro

Fonte: O Globo57

Já o jornal “A Folha de S. Paulo”, diante de todas as 18 matérias, apenas uma delas publicou um vídeo da drag cantando uma música da Nina Simone no estúdio de gravação em Los Angeles. Pabllo viajou até lá para gravar o seu segundo álbum, intitulado “Não Para Não”. Todavia, a música cantada não é da própria drag, ou seja, não há indicações claras de suas obras nessa matéria analisada, e nem das outras desse veículo de comunicação. Ao contrário do jornal “O Globo”, que apresenta em uma matéria três músicas de Pabllo para o usuário ouvir após a leitura do conteúdo, e também assistir ao vídeoclipe “Hasta La Vista”, em parceria com a Coca-Cola. Mesmo assim, pela quantidade de conteúdo analisado ainda falta indicações das obras da drag queen nas matérias de ambos os jornais, como por exemplo, clipes, músicas de seus Cd’s, etc.

Ambos os jornais, no geral, souberam tratar a Pabllo no feminino. O jornal “O Globo”, na maioria das vezes, procurou sempre colocar uma palavra feminina quando citar Pabllo. De acordo com a análise, palavras como “a cantora” e “a drag queen” reforçam para um leitor que não tem muito conhecimento do assunto, quem é Pabllo Vittar e os motivos de os veículos de comunicação a chamarem no feminino, e não no masculino.

NITERÓI — Chegou a hora de a diversidade, que vem tomando conta da música brasileira, brilhar no universo dos quadrinhos. Essa é a aposta do quadrinista Elyan Lopes, que criou o super-herói gay Vélox e está produzindo a história em quadrinhos (HQ) [...] Na HQ, o encontro de Vélox com a Pabllo Vittar será justamente durante um show da cantora na abertura dos Jogos Olímpicos. O herói enfrentará um fanático terrorista com superpoderes, o maléfico Messias, e salvará a cantora. (O GLOBO, 2018).

Outro erro encontrado na análise em “A Folha de S. Paulo” foi que o (a) jornalista se confundiu ao escrever o nome do clipe da Pabllo, com o da Anitta.

Figura 23: Erro referido ao nome do clipe da drag Pabllo Vittar

Reprodução da matéria da “A Folha de S. Paulo”, em 22/07/2018, em São Paulo.

Fonte: “A Folha de S. Paulo”58

O Globo possui menos matérias, porém maiores em tamanho. Por outro lado, a Folha possui mais quantidade de matérias, porém, são menores que as do Globo. Percebe-se que há um equilíbrio entre os jornais, mesmo a Folha oferecendo um espaço maior para as noticias sobre drag queens. Os conteúdos do “O Globo” são mais aprofundados, além de sempre relembrar que Pabllo é uma drag queen. Já na Folha, Pabllo também é tratada e relembrada com ganchos como uma drag queen, porém, existem matérias que o jornalista evita especificar quem é Pabllo, e isso pode causar um certo desconforto para os fãs e para os leitores, que não sabem se Pabllo é um homem, uma mulher, uma drag queen ou uma transexual. É dever dos veículos esclarecer quem são essas pessoas e o que são, qual o histórico, a cultura, o que elas representam e para quem. A partir disso, os espaços das drags nesses veículos tenderão a aumentar, causando o empoderamento e representatividade para a comunidade LGBTQ+.

Pode-se afirmar que o jornalismo tem avançado na questão de representar a diversidade sexual nas matérias. Contudo, a questão é o jornalista entender as diferenças e utilizar os termos identificatórios corretos. Uma drag queen é uma figura feminina, ou seja, precisa ser tratada no feminino. Os dois jornais souberam tratar adequadamente a drag, utilizaram o feminino, exploraram a vida pessoal, utilizaram fotos. É evidente que algum erro saiu, como escrever o nome errado, como esquecer de uma letra “L”, por exemplo. Mas, é inadequado utilizar o termo transexual para se refrir à Pabllo, como uma matéria de “A Folha de S. Paulo” utilizou. Porém, mesmo assim, a representatividade da drag nesses veículos é alta, devido à quantidade de matérias e fotos, e o jornalismo precisa cada vez mais entender o que é diversidade sexual e saber as diferenças, para não cometer os mesmos erros.

Observou-se que todas as publicações realizadas e esse espaço destinado à cobertura de artistas LGBTQ+ atende e valoriza o empoderamento desses grupos. Não só a Pabllo Vittar é valorizada, mas sim toda a comunidade que luta para ter mais respeito para viver em uma democracia. Há cuidados de ambos os veículos de comunicação ao citar outros exemplos de cantores ou drags LGBTQ+, pois em diversas matérias essas outras figuras dessa comunidade também estão presentes, e isso mostra para o leitor que a comunidade LGBTQ+ tem energia e vem se unindo. Não só artistas LGBTQ+ fazem parte desse empoderamento, mas sim héteros, como Anitta, Ludmilla, Luan Santana, Simone, Simaria, Iza, Lucas Lucco, Preta Gil, etc., e ao noticiar Pabllo Vittar, como também outras drags, por exemplo, Gloria Groove, Lia Clark etc., “O Globo” e “A Folha de S. Paulo”, comprovam que o empoderamento da comunidade LGBTQ+ está comovendo e abrindo novos horizontes, trazendo apoio a causa de artistas heterossexuais famosos que também levantam a bandeira LGBTQ+ em sinal de mais respeito entre uma sociedade democrata.

O foco principal das notícias publicadas nos dois jornais é da aptidão artística da cantora, não se pautando por “fofocas”. É comum os artistas e celebridades se envolverem em polêmicas ou fofocas, notícias que não fazem muito sentido no âmbito das análises do mundo artísitco, assim como na da vida de uma pessoa. Essas notícias de “fofoca” ganham atenção da maioria dos leitores, até mesmo dos fãs. Porém, ambos os jornais apresentam noticias que valorizam o lado artístico da drag queen Pabllo Vittar, focando em seus shows, apresentações, conquistas, feats, novidades, etc.

De todas as matérias analisadas dentro dos dois veículos de comunicação, apenas uma aborda o que pode ser considerada de “fofoca”, como por exemplo no título da matéria dizendo: “ 'Acho que Diplo tem uma queda por você', diz cantora para Pabllo Vittar”. (“A FOLHA DE S. PAULO”, 2018). Nesta matéria, o (a) jornalista escreve sobre o que foi a entrevista de Pabllo com uma revista americana Paper, e em alguns momentos, acontece passagens que desfocam do trabalho da drag, e se volta para o lado mais pessoal e amoroso.

Toda vez que eu encontro o Diplo ele fala o quão gostosa você é. Eu acho que ele tem uma queda por você", disse Charli a Pablo, referindo-se ao DJ e produtor Diplo, que já colaborou com a cantora em músicas como "Sua Cara" e "Então Vai. (CHARLI, 2018, apud A FOLHA DE S. PAULO, 2018).

A entrevistadora buscou uma forma de interagir e “brincar” com a drag, como uma forma de distração para “quebrar o gelo” da entrevista. É comum esses tipos de atitude em entrevistas. Diante disso, retoma-se o fato de que somente essa matéria buscou fazer algum tipo de “brincadeira” ou “fofoca” com a drag, pois os outros conteúdos focam no trabalho da artista.

Constrói-se a partir destes textos abordando a cantora Pabllo, uma representatividade mais positiva para a comunidade, pois representa uma parte da sociedade que não tinha todo esse destaque nos veículos de comunicação, pela falta de interesse, e preconceito e até mesmo resistência de uma sociedade LGBTfóbica, cujos consumidores dos veículos também fazem parte.

Diante disso, a comunidade LGBTQ+ se une a partir das notícias sobre as conquistas que vêm acontecendo. Ao perceberem que virou uma rotina dos veículos de comunicação noticiarem Pabllo Vittar e assuntos derivados sobre a própria comunidade, as pessoas da diversidade se sentem representdas e valorizadas. Assim, a divulgação, o enaltecimento, entretenimento, a ajuda, interação, e o apoio da comunidade LGBTQ+ para os artistas fortalece essa base de sempre serem noticiados de forma positiva.

Por um outro lado, há falta nos dois jornais de comoção sobre indícios de combate ao preconceito, à homofobia e a outros problemas sociais que afligem e até matam pessoas associadas ao movimento LGBTQ+. No Jornal “O Globo”, há uma matéria sobre a Rádio Jovem Pan, que lançou uma campanha “Minha Última Música”, com o intuito de fazer com que os LGBTQ+ pedissem para a rádio a última música que queriam ouvir caso soubessem que seriam assassinados. Pabllo Vittar se envolveu na polêmica. Segundo a matéria, o seu perfil do Twitter teria publicado um texto a favor da campanha. Logo, ainda segundo a matéria, Pabllo apagou a postagem respondeu:

Gente do céu, o que foi isso? Eu não escrevi isso, não! Galera que mexe no meu Twitter que p*** é essa? Jamais escreveria uma coisa dessas. Pode ter certeza que quem fez isso não trabalha mais comigo, eu mais que ninguém sei o quão pesado é isso! Me desculpem por terem lido isso". (VITTAR, 2018 apud BORGES, 2018).

Muitos criticaram a rádio e a campanha não deu certo. Não é possível saber se foi Pabllo quem publicou o texto em apoio à campanha, ou se foram outras pessoas ligadas a ela. Porém, a drag possui assessores e produtores que cuidam de suas redes sociais, então há chances de que tenha sido alguém da assessoria ou da produção. Diante a todo percurso histórico e a militância da drag, pode ser que tenha sido alguém de sua equipe.

Uma matéria desse porte não possui em nenhum momento algum gancho, olho ou link em que fala sobre a homofobia em si e sobre como combater. Seria essencial a jornalista abordar esse tipo de assunto, fazendo uma reflexão sobre o caso da campanha da Jovem Pan. De todas as matérias analisadas do jornal “O Globo”, nenhuma delas aborda a questão sobre o combate à homofobia.

Em “A Folha de S. Paulo”, também não há matérias com indícios sobre o combate a homofobia. Existem apenas duas matérias que falam sobre a Parada da Diversidade de São Paulo, em que a drag queen Pabllo Vittar vestiu uma roupa estampada com manchetes de jornais com notícias de mortes de LGBTQ+.

Defendendo a causa da celebração, Pabllo escolheu um look de militância para sua performance. A cantora usou um casaco com capuz e uma saia longa estampados com manchetes de jornais relacionadas à homofobia. Por cima, os dizeres em vermelho: "Parem de nos matar". O styling do look é assinado por Victor Miranda. (A FOLHA DE S. PAULO, 2018).

A matéria é composta por citações diretas da cantora, que dá a voz para a comunidade LGBTQ+ continuar lutando pelos direitos e respeito, ou seja, faz o seu discurso militante. Porém, o jornalista não se preocupou em se aprofundar na questão da homofobia como, por exemplificar com dados de números de LGBTQ+ agredidos durante o ano, e até mesmo se há casos de homofobia na própria parada LGBTQ+. O jornalista se preocupou em noticiar o fato, que é sobre o look militância, e nada mais que isso.

Nenhum dos veículos de comunicação se aprofunda na questão sobre combate da homofobia. Pelo contrário, “O Globo” e “A Folha de S. Paulo” noticiam que aconteceu e finalizam a matéria sem nenhum comentário. Em um país violento, campeão no assassinato de gays e travestis, é papel fundamental que um jornalista ético se aprofunde e faça links com casos sobre combate ao preconceito e à violência, pois os leitores não são apenas a comunidade LGBTQ+, mas sim toda a população. Devido a isso, surge a importância da conscientização dessas pessoas.

Durante a análise, foi possível encontrar respeito, retratação digna, valorização da pessoa humana por trás da composição drag. Todos os conteúdos analisados dos dois jornais mostraram respeito à drag e aos assuntos noticiados. Nenhum jornal distorceu alguma fala de Pabllo ou de demais artistas. Eles souberam ser éticos e fizeram um jornalismo claro e verdadeiro, mostrando a realidade do que acontece no mundo LGBTQ+. Além disso, valorizaram a artista com as diversas galerias de fotos da cantora, mostrando seus variados shows, ou seja, o espaço que Pabllo vem ganhando nos palcos.

Muito se discute em textos, artigos científicos, e trabalhos de conclusão de curso sobre o que é ser drag queen, porém, parte dos autores não cita a vida pessoal de quem interpreta a drag queen, mantendo a figura drag em destaque, e desvalorizando a pessoa em si.

Drag queen

Ontem eu ouvi alguém dizer:
Somos todos drag quenns,
vivemos mascarando
nossa própria realidade.
Isso me preocupou
muito mais do que devia
pois senti que era verdade.

Será que você é assim
como se mostra pra mim?
E eu? como você me vê?
sou para mim o que mostro pra você?
o que é o outro pra mim?
quem sou eu? quem é você?
Acho que está certo sim
somos todos drag queens.

(LACERDA, S/D). 59

Ser drag queen é estar maquiado, em papel de uma figura caricata feminina. É se sentir outra pessoa. Mas, neste poema de Lacerda, o foco é mostrar a dificuldade das pessoas em conhecer de verdade as outras pessoas e elas próprias. Para Lacerda, todas as pessoas são drag queens, ou seja, ninguém se conhece suficiente, e ninguém conhece o outro. As pessoas estão vivendo por trás de uma máscara, a maquiagem drag queen. Essa ironia do poema mostra que a sociedade vive mascarada, ninguém conhece as pessoas literalmente. Quando uma pessoa se monta de drag queen, acaba-se criando um personagem, uma outra pessoa, e é esse raciocínio que a autora faz em relação com as pessoas.

No caso dos veículos de comunicação “O Globo” e “A Folha de S. Paulo”, ambos souberam separar a drag queen Pabllo Vittar de Phabullo Rodrigues da Silva e as próprias matérias, tiveram dificuldade em buscar a valorização da pessoa humana por trás da composição drag.

Phabullo Rodrigues da Silva (seu nome de batismo), sofreu bullying quando criança. Nascido em São Luís (MA), Phabullo é gêmeo de Phamella e tem outra irmã, Pollyana Rodrigues, um ano mais velha. Filho da enfermeira Veronica, não conheceu seu pai, que abandonou a mãe ainda grávida. (A FOLHA DE S. PAULO, 2018).

O jornalista se preocupa em dar uma transparência em quem é Pabllo Vittar quando não está montada (caracterizada) de drag queen. Não são todas as matérias que citam trechos da vida pessoal de Phabullo, e isso causa uma barreira entre os jornalistas, por não saberem se a drag é um personagem ou se Pabllo Vittar é uma drag 24h ao dia. Então, segundo a análise, grande parte dos veículos se abstém ao falar da vida pessoal da drag. Somente essa matéria com o trecho acima foi a que mais se arriscou ao relatar quem é Pabllo como pessoa, valorizando a pessoa humana por trás da figura de uma drag. Os veículos se preocupam em relatar a drag queen e não se aprofundar no assunto sobre a vida pessoal da cantora, assim como no caso sobre a falta de atenção envolvendo o combate a homofobia. Diante de todas as técnicas realizadas da análise de conteúdo, pode-se afirmar que ambos os veículos de comunicação mais acertam do que erram ao mencionarem a drag queen Pabllo Vittar nos conteúdos. São raras as vezes que esses veículos cometem erros. Buscam sempre tratar a artista na forma feminina, pois em todas as matérias ela está montada.

Ao analisar esses dois grandes jornais, se percebe que os jornalistas precisam aprender mais sobre a questão da diversidade, principalmente os da “A Folha de S. Paulo” por usarem um termo totalmente errado (transgênero). Antes de uma matéria ser publicada, ela deve ser lida novamente para ver de há erros, para então corrigir. Foi uma pequena parte das matérias em geral, dos dois jornais, que apresentaram erros, tanto quanto a “A Folha de S. Paulo” e “O Globo”, mas, essas minorias não passaram por tantas revisões, tendo então muitos erros de português e errando o nome ou o tratamento da Pabllo.

O que falta é um treinamento de uma pequena parte de jornalistas para então utilizar os termos adequados e não errar ao escrever o nome da cantora, a qual representa a população LGBTQ+ dentro desses veículos de comunicação. Ou até mesmo explorar mais o lado humano das artistas, fazer links com outras situações e explorar outros lados que fazem parte da mesma construção da narrativa. Uma drag queen ganhar tanto espaço e visibilidade é algo que vem acontecendo, e precisa se tornar cada vez mais real dentro do jornalismo, principalmente quando os cadernos especializados são de cultura e entretenimento.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na presente monografia, depois de um percurso histórico e social analisados e estudados do universo LGBTQ+, em especial sobre a cantora e drag queen Pabllo Vittar, prova-se que os veículos de comunicação “O Globo” e “A Folha de S. Paulo” atendem os requisitos de tratamento dessa comunidade.

A maioria das matérias analisadas de ambos os jornais não apresenta problemas em referência ao tratamento da Pabllo Vittar. Na questão das fotos, o jornal “O Globo” apresenta 18, sendo que 11 não são da Pabllo Vittar, e sim de outros artistas ou situações. Já o jornal “A Folha de S. Paulo”, totaliza em 531 fotos, e 183 não são da drag. “O Globo” possui menos fotos da Pabllo Vittar, em comparação a “A Folha de S. Paulo”, porém, mesmo assim, o próprio jornal “O Globo” possui mais fotos de outros assuntos do que a cantora, sendo que Pabllo é citada em todas as matérias desse veículo, e na maioria das vezes, ela é o ponto principal da notícia.

Os resultados encontrados mostram que “A Folha de S. Paulo”, possui um espaço maior para tratar das questões LGBTQ+. Assim, nas palavras que expressam corretamente o tratamento da Pabllo, foram 77, contra 15 do “O Globo”. Já, nas palavras inadequadas, envolvendo erros de tratamento sobre a sexualidade da Pabllo, como escrita do nome e também de tratamento, “A Folha de S. Paulo” contém 11 palavras, contra sete do “O Globo”. Diante a todo o complexo de matérias do jornal “A Folha de S. Paulo”, são poucas as palvras inadequadas em comparação com “O Globo”. “A Folha de S. Paulo” possui uma quantidade de matérias maior, em relação ao “O Globo”, então é compreensível que desde início, o veículo talvez possuísse mais fotos, palavras adequadas e inadequadas do que “O Globo”. Porém, os dois jornais souberam tratar Pabllo Vittar adequadamente, assim como também ambos cometeram deslizes.

Há erros de português com o nome da artista e também confusão sobre a sexualidade da drag – em que a chamam de transgênero. Porém, a intenção do jornalista não foi afetar negativamente a cantora, pois na mesma frase estava citando uma travesti e uma transgênero (Linn da Quebrada e Liniker) e devido a isso, acontece essa confusão de nomes, porém, um profissional da comunicação precisa ficar atento a todas as questões que envolvem a diversidade sexual e os conceitos.

Diante do estudo realizado, é possível afirmar de que Pabllo Vittar está sendo bem apresentada nos veículos de comunicação, pois os profissionais do jornalismo focam no trabalho profissional da cantora, e isso garante a representatividade da arte drag queen nesses veículos digitais. Em comparação às ultimas décadas, não era comum uma drag queen, afeminada, homossexual, ser noticiada nove vezes em um veículo de comunicação, como “O Globo” e 18 em outro, como “A Folha de S. Paulo”, em um prazo de três meses. Os veículos de comunicação estão aderindo essa nova forma de fazer jornalismo, de englobar todos e tratando de forma respeitosa. Dessa forma, gera-se uma representatividade tanto para a comunidade LGBTQ+, para a artista, para os veículos de comunicação, e leitores. É um ciclo de liberdade, em que as pessoas possuem o direito se serem quem quiser ser, trabalhar com o que quiser, lutar pelos direitos que acredita, e ler/consumir qualquer tipo de conteúdo, contudo, respeitando a diversidade.

Caso os veículos de comunicação parem de noticiar assuntos LGBTQ+ e não deem tanta visibilidade, essas pessoas correrão o risco de serem margilanizadas de novo, um estereotipo que, infelizmente sempre pertenceu a eles. Um exemplo disso no mercado de trabalho são as travestis. A maioria delas não consegue emprego por ser travesti, então o único meio encontrado para sobreviver é o caminho da prostituição. Diante disso, surge a necessidade de dar voz a essa comunidade tanto quanto na mídia, como também no mercado de trabalho, pois como analisado no presente trabalho, os LGBTQ+ possuem representatividade e é dever da mídia representá-los nos conteúdos de comunicação.

A presente monografia contribui academicamente diversos aspectos para pesquisadores, que pensam ou que estejam fazendo uma pesquisa sobre o tratamento da comunidade LGBTQ+ na mídia. Vale ressaltar que esse trabalho terá continuidade e abordará novos artistas LGBTQ+. Assim, parte da questão de que como a comunidade LGBTQ+ é inserida e representada nos veículos de comunicação. Serve também de reforço na questão do referencial teórico apresentado durante o trabalho, portanto, principalmente como os resultados encontrados na pesquisa. A partir disso, o pesquisador descobre através dessa pesquisa, qual jornal gera mais espaço ou que trata de uma maneira mais respeitosa a comunidade LGBTQ+ no ambiente digital. Logo, o mesmo pode dar continuidade ao trabalho, com embasamentos encontrados neste.

Além disso, percebe-se que os conteúdos analisados dos jornais “O Globo” e “A Folha de S. Paulo”, tratam Pabllo como uma artista. De todas as matérias analisadas, apenas uma matéria de “A Folha de S. Paulo” possui um caráter mais “brincalhão” com tom de fofoca. A matéria intitulada “ 'Acho que Diplo tem uma queda por você', diz cantora para Pabllo Vittar” não se refere ao trabalho da artista, porém, todas as outras focam na essência profissional da drag. Ou seja, o tema em que é mais tratado em ambos os veículos são de assuntos sérios, não há ênfase em fofocas, não tratando a personagem pela espetacularização, mas sim pela cultura que ela produz, o trabalho da artista.

Este trabalho é limitado no ano de 2018, no período dos meses de maio, junho e julho (mês antes a Parada LGBTQ+, durante e depois). Nesse período, ambos os jornais souberam tratar adequadamente Pabllo, mas, eventualmente cometem deslizes. A monografia limita-se a um artista, que é a cantora e drag queen Pabllo Vittar, noticiada em dois veículos de comunicação em jornais versão digital (O Globo e A Folha de S. Paulo).

Assim, em próximas pesquisas, poderão ser feitos outros recortes. Porém, essa monografia deve ser expandida para outros artistas. Não só drag queens, mas também artistas LGBTQ+, como o ator e transexual Thammy Miranda, o qual é noticiado pelos veículos de comunicação diariamente, possibilitando em outro trabalho com a mesma intenção. Outra questão que poderá ser construída, é uma nova metodologia de estudo, como por exemplo análise de enquadramento, a qual também corresponderia a esse tipo de trabalho.

Como a pesquisa obteve um período de recorte de três meses, os futuros trabalhos poderão ser em um prazo mais longo, surgindo novas possibilidades de investigação. Essas possibilidades se referem na questão de continuar pesquisando nesse campo, ou seja, se há espaço para outras pessoas LGBTQ+ na mídia digital ou impressa, ou até mesmo, aproveitando os resultados da presente monografia. Ainda, se a drag Pabllo Vittar abre espaço para serem apresentados outros artistas LGBTQ+. Diante disso, surgem novos meios de pesquisas, fundamentadas na questão sobre a representatividade LGBTQ+ nos veículos de comunicação digital. Ressalta-se que é dever ético da comunicação noticiar de forma respeitosa qualquer assunto, não somente LGBTQ+, mas como também quando se refere à representatividade na sociedade em geral dos negros, mulheres, índios, e qualquer outro tipo de pessoa.

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Apêndice A - Quadros de análise de conteúdo das matérias publicadas no jornal “O Globo”, de 01/05/2018 a 31/07/2018

Nos quadros a seguir mostra-se em cada linha a análise de conteúdo realizada para este trabalho. Foi adotado o método de Análise de Conteúdo, proposta por Bardin (2009), aplicado nas questões sobre a drag queen Pabllo Vittar, ou seja, como ela é mencionada, tratada e chamada pelos veículos de comunicação digital. Os quadros irão identificar inicialmente o título, a linha fina, a data, o tamanho e depois. O link on-line da matéria. Logo, as fotos presentes nas matérias também serão analisadas, como a luz, o que tem na foto e se está valorizando a artista ou não.

Partindo para o lado mais técnico da análise de conteúdo, a matéria prima é a plataforma em que o material foi publicado. A codificação são frases ou palavras que são caracterizadas por serem impactantes no conteúdo. Na classificação, uma palavra é codificada, gerando outras representações que também tenham presentes na matéria, ou seja, é uma palavra chave, a qual na matéria exista outras palavras e significados para se remeter a essa palavra chave. Na categorização, são definidas palavras que tenham sentido a classificação, formando uma espécie de estrutura, ou seja, as categorias da matéria. São palavras que são uma espécie de suporte à matéria, ou seja, é o agrupamento de caracteres comuns da unidade de registro (elementos) sob um título geral. A enumeração ainda fica presente nas categorias e na qual são contadas quantas vezes essas categorias são repetidas no texto. Já na subcategoria, são as traduções mais aprofundadas das palavras da categoria, ou seja, um filtro de explicação. A inferência e interpretação é a conclusão, a análise de conteúdo em si, com sistemas técnicos da análise de conteúdo. Diante disso, como privilégio da análise das matérias, foram adicionados dois tópicos, sendo um equivalente ao uso inadequado de palavras e o outro, ao uso adequado das palavras, por ser uma análise da representação de uma drag queen, e ter possíveis palavras mal colocadas, sendo então analisadas pelas técnicas da análise de conteúdo.

Quadro 1

Título

Quadrinista lança projeto de HQ com Pabllo Vittar

Linha fina

Elyan Lopes transforma cantora em personagem de publicação que busca dar visibilidade à causa LGBTQI nos quadrinhos

Data

14/07/2018

Tamanho

Matéria composta por 45 linhas, contando com título e linha fina, sendo e nove parágrafos.

Link

https://oglobo.globo.com/rio/bairros/quadrinista-lanca-projeto-de-hq-com-pabllo-vittar-22884936

Foto

A foto mostra o quadrinista Elyan Lopes segurando o seu projeto de HQ (histórias em quadrinhos) de Pabllo Vittar. A capa da HQ chamado “Vélox – O campeão da Liberdade”, é o desenho da Pabllo com uma peruca rosa e com um maio nas cores do arco-íris, com uma posição que favorece a cantora. Nesse desenho, ela representa a mocinha da história que será salva por um super herói, o qual está atrás da drag. A luz da cena favorece o autor e também o livro.

Matéria prima

Jornal On-line O Globo

 

Codificação

Chegou a hora de a diversidade. Brilhar no universo dos quadrinhos. Super-herói gay Vélox, contracena com a cantora Pabllo Vittar. Falta de representatividade da comunidade LGBTQI nos quadrinhos brasileiros. Representação da diversidade sexual.

Classificação

Palavra Representatividade: visibilidade, diversidade, liberdade, sexualidade, igualdade.

Categorização e Enumeração

Representatividade: apenas uma vez

Pabllo Vittar: repetição de 04 vezes

Cantora: repetição de 05 vezes

Categorização e Subcategoria

Representatividade – qualidade de representativo, expressão, representação. Representa algum grupo, nicho estabelecido.

Pabllo Vittar – homossexual, drag queen, artista, ativista LGBTQ+. (Lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, queers, etc.).

Cantora – artista, trovadora, emite sons vocabulários formando melodias.

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas

Uso adequado de palavras

Há uso de palavras adequadas, como “A cantora”, referindo-se a Drag queen como uma figura feminina. Outra palavra é “lisonjeada”, para referir que Pabllo ficou feliz e agradecida ao saber que Elyan criou uma história em HQ com a participação da drag, como personagem principal. Vale ressaltar que essa matéria, ao se referir a Pabllo, sempre utilizou os adjetivos no feminino. “A artista”, também no feminino, reforçando que se trata de uma figura feminina.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

Não foi encontrada nenhuma palavra preconceituosa ou distorcida que cause desconforto para a drag. Desde o começo e ao fim, Pabllo Vittar foi tratada no feminino, como deve ser, por ser uma drag queen. A intensidade do nome da drag sempre vem acompanhado com o “da”, referindo-se no sexo feminino, por se tratar de uma drag queen. A direção do nome é favorável, pois a matéria deixa bem claro que se trata de uma cantora, artista, e não “O cantor”. A frequência do nome aumenta o registro de aparição, para o leitor perceber realmente do que se trata a matéria, com o foco na cantora Pabllo. De acordo com a análise, todo o conteúdo tratou de forma adequada a cantora, não colocando palavras de preconceito e discriminação, ou palavras distorcidas. (a intensidade de falar cantora, tratando no nome sexo feminino é de extrema importância para o leitor entender que se trata de uma drag queen, ou seja, uma figura feminina. Assim, a direção da palavra é favorável, por ser positiva e adequada. O registro de aparições da palavra também é frequente na matéria, aumentando a relevância e presença no significado de cantora. A matéria trata a sigla LGBTQ+ como LGBTQI, porém, foi adotado para este trabalho a sigla LGBTQ+, então quando for citada a matéria, fica a expressão LGBTQI, e quando for comentada, fica LGBTQ+. Lembrando que a letra I, significa intersexual, e eles estão representados no + de LGBTQ+.

A drag também é tratada como a “mocinha” da HQ, sendo a personagem principal, sendo que o super-herói é homossexual, ou seja, é uma matéria que fala de algo que nunca aconteceu, e que sabe tratar de forma adequada, valorizando discurso e a linguagem estabelecida para drag queens.

Quadro 2

Título

Pabllo Vittar estrela clipe da banda de Francisco Gil

Linha fina

Não possui

Data

08/06/2018

Tamanho

Matéria composta por 06 linhas, contando com o título e 01 parágrafo

Link

https://blogs.oglobo.globo.com/marina-caruso/post/pabllo-vittar-estrela-clipe-da-banda-de-francisco-gil.html

Foto

A foto mostra a artista Pabllo Vittar com um vestido degrade laranja e vermelho andando pela orla da Praia do Leme, de Rio de Janeiro, enquanto narra a história de amor dos personagens de Rodrigo Simas e Giovanna Lancellotti. A foto valoriza a drag queen, e o cenário encontra-se bem iluminado, apensar da gravação ter acontecido a noite.

Matéria prima

Jornal On-line O Globo

Codificação

Pabllo Vittar estrela clipe.

Classificação

Palavra estrela: rodando, canta.

Categorização e Enumeração

Estrela: apenas uma vez

Pabllo Vittar: apenas uma vez

Categorização e Subcategoria

Estrela: Trabalhar em um filme/ novela como um dos personagens principais. Semear de estrelas. Brilhar, esfuziar, lampadejar, tremer.

Pabllo Vittar – homossexual, drag queen, artista, ativista LGBTQ+. (Lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, queers, etc.).

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas.

Uso adequado de palavras

Não há uso de palavras adequadas.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

Não foi encontrada nenhuma palavra preconceituosa ou estereotipada a respeito da cantora. Todavia, também não foi encontrada palavra adequada sobre a Pabllo, pois faltaram essas palavras. Percebe-se que o jornalista se manteve em recuo, não usando preposições masculinas e nem femininas, simplesmente depois de um ponto final, a matéria recomeça e não é citada “Ela aparece”, ou “A cantora aparece”, ou até mesmo “A drag queen aparece”. A jornalista deixa a frase como: “Aparece andando pelo calçadão do Leme de madrugada (...)”. Faltou o uso de preposições como “ela”, ou até mesmo “ele”. A direção do nome de mantem em Pabllo Vittar, não utilizando preposições e a frequência do nome é pequena, aparecendo somente uma vez. Essa pequena matéria não soube tratar a drag, talvez por esse motivo, se manteve com apenas cinco linhas.

Quadro 3

Título

Pabllo Vittar inicia gravações de novo álbum nos EUA

Linha fina

Disco ainda não tem nome ou data de lançamento

Data

05/06/2018

Tamanho

Matéria composta por 14 linhas contanto o título e linha fina, e 04 parágrafos.

Link

https://oglobo.globo.com/cultura/musica/pabllo-vittar-inicia-gravacoes-de-novo-album-nos-eua-22782753

Foto

A foto mostra a artista Pabllo Vittar no centro, desmontada (descaracterizada de drag queen), abraçada com Turbo Tito (músico, Dj e produtor) e Rodrigo Gorky (produtor), em um estúdio de gravações de música dos EUA. A foto é de baixa qualidade por ser tirada possivelmente de algum celular, e foi publicada no Instagram da cantora. A luz da foto não favoreceu a artista e nem Tito e Gorky, dando um certo destaque as olheiras deles. Percebe-se que a foto foi tirada em um momento espontâneo, pela posição dos artistas.

Matéria prima

Jornal On-line O Globo

Codificação

 

Produção de seu novo álbum. Parcerias internacionais. Novo álbum. Chamado de "PV 2". Milhões de visualizações no Youtube.

Classificação

Palavra Produção: gravações, lançamento, trabalho, participações, parceiros, artistas.

Categorização e Enumeração

Produção: aparece apenas uma vez

Disco: aparece 03 vezes

Drag queen: 02 vezes

Parcerias: 02 vezes

 

Categorização e Subcategoria

Produção: criação, elaboração, formação, geração, realização. Quando é produzido, criado ou elaborado algo.

Disco: CD, roda, gravação, long-play. CD de tocar, reproduzir músicas, melodias, sons.

Drag queen: transformista, artista, dublador. Homem que se veste com roupas extravagantes de mulher e imita voz e trejeitos femininos, apresentando-se como artista em shows.

Parcerias: Colaboração que visa um objetivo comum. É uma união, ligação, associação, contrato, companhia, corporação em busca de algum resultado para todos os envolvidos.

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas.

Uso adequado de palavras

Há uso de palavras adequadas quando a matéria se refere à: “drag queen, Pabllo Vittar” e “cantora”. Quando se utiliza “a drag queen”, o (a) jornalista já se refere que é um ser feminino, por utilizar a letra “a” na frente de “drag”. A matéria apresenta Pabllo como “a cantora” e “a drag queen”, palavras bem colocadas para o leitor perceber e entender que é uma drag queen, figura feminina. Em momento, é citado “de Pabllo Vittrar”. A palavra “de” com certeza seria a melhor preposição para colocar naquele momento, pois se colocasse “da Pabllo Vittar”, ao ler, soaria de forma informal e muito íntima.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

Nessa matéria não foi encontrada nenhuma palavra preconceituosa a respeito de Pabllo. O (a) jornalista soube tratar a cantora, utilizando “a cantora” e logo afirmando que ela é uma drag queen, utilizando “a Drag queen”. A matéria é clara e objetiva, fala dar parcerias nacionais e internacionais, e relembra o último disco e traz um dado sobre as visualizações na plataforma de entretenimento digital do Youtube. O título é chamativo, pois o leitor, ao ver a abreviação de Estados Unidos associado ao nome de Pabllo, gera uma atenção e atração maior para a matéria. Vale ressaltar que a frequência das palavras cantora e drag queen e as formas com que elas foram colocadas foram bem aproveitadas e utilizadas, não deixando cansativo e enjoativo.

Quadro 4

Título

'O outro lado do paraíso': Pabllo Vittar aparecerá no final

Linha fina

Não há.

Data

09/05/2018

Tamanho

Matéria composta por 25 linhas, contanto com o título, e tem 07 parágrafos.

Link

https://kogut.oglobo.globo.com/noticias-da-tv/novelas/noticia/2018/05/o-outro-lado-do-paraiso-pabllo-vittar-aparecera-no-ultimo-capitulo.html

Foto

A matéria é composta por duas fotos, sendo ambas dos bastidores da novela. Mauuro Mendonça Filho e Laura Cardoso (Caetana) estão ao lado da drag queen, que fez uma participação no último capítulo, mais especificamente no velório do personagem de Laura. A foto está em alta qualidade e valoriza os personagens da cena, sendo que as luzes coloridas no rosa e amarelo também trazem uma harmonia e alegria para a fotografia. Na última foto, abaixo da matéria, a atriz Laura Cardoso está abraçada com Pabllo Vittar e novamente a fotografia é de alta qualidade, e por ser no mesmo cenário da foto acima, as luzes rosa, amarela e agora o verde também valorizaram as artistas, causando um clima de alegria e vivaz para a cena.

Matéria prima

Jornal On-line O Globo

 

Codificação

Pabllo Vittar aparecerá no final. Ela cantou o hit “K.O.”. Último capítulo

Classificação

Palavra Participação: aparecerá, gravou, cantou, homenagem.

Categorização e Enumeração

Participação: aparece apenas uma vez

Hit: apenas uma vez

Cena: apenas uma vez

Categorização e Subcategoria

Participação: Atuação em alguma situação. É a ação, atividade, presença, operação, cooperação, trabalho, laboração.

Hit: música, melodia, canção que está/fez sucesso.

Cena: É um acontecimento: acontecimento, episódio, fato, lance, ocorrência, passagem, situação. Pode ocorrer no cenário, sendo uma atuação fictícia ou não.

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas.

Uso adequado de palavras

Há uso de palavras adequadas quando a matéria se refere à Pabllo Vittar, com a preposição “ela”.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

Nessa matéria não foi encontrada nenhuma palavra preconceituosa a respeito de Pabllo. Por ser uma matéria curta, e com muitas falas das frases finais das personagens que compõem a cena do velório da personagem de Laura Cardoso (Caetana), o primeiro parágrafo foca em falar da participação especial da drag queen na última cena, a qual ela irá cantar o Hit “K.O”, no velório. A jornalista soube utilizar o nome correto, pois ao citar Pabllo pela primeira vez, para não repetir na segunda, ela usou a preposição “ela”, no feminino. A palavra “hit” também foi bem construída, dando a entender que realmente a música “K.O”, do álbum “Vai Passar Mal” (2017) tocou sucessivamente durante o ano. A intensidade das palavras, principalmente quando se refere ao último capítulo, coloca Pabllo Vittar como uma participação especial, pois normalmente, os últimos capítulos de novelas são escalados artistas famosos que não fizeram parte da novela, para dar um destaque e chamar a atenção do público, talvez por uma estratégia de audiência.

Quadro 5

Título

Luan Santana, Pabllo Vittar e Simone e Simaria lançam clipe juntos

Linha fina

‘Hasta la vista’ é resultado de ação dos fãs, que elegeram três artistas

Data

02/05/2018

Tamanho

Matéria composta por 37 linhas, junto com o título, linha fina e subtítulo, e contém 09 parágrafos

Link

https://oglobo.globo.com/cultura/musica/luan-santana-pabllo-vittar-simone-simaria-lancam-clipe-juntos-22647128

Foto

A matéria é composta por duas fotos e um vídeo. A primeira foto se remete aos três cantores, sendo eles, Pabllo Vittar, Simone e Luan Santana. Simaria não fez parte devido a problemas de saúde. A foto valoriza os cantores, os quais pousam no evento de lançamento do clipe “Hasta La Vista”, música considerada pela Coca-Cola o hit do ano. Pabllo faz um sinal com os dedos representando “paz e amor”. Ao fundo, há um painel da Coca-Cola, empresa que fez a promoção do “Fan Feat” para que fãs pudessem votar em um de seus cantores prediletos. A peruca curta e rosa de Pabllo chama a atenção, por Simone e Luan serem morenos. A luz favorece os mesmos, já que o lugar em que eles estão posicionados possivelmente era para fins de fotografia do evento. Mais abaixo, o jornalista anexou o clipe “Hasta la Vista”, como uma forma de interagir os leitores, e depois, uma fotografia de Pabllo Vittar, fazendo o seu show, no show de lançamento do clipe. Ela aparece abaixada, colocando o microfone perto de seus fãs, sorrindo para eles, e os mesmos aparentemente felizes por a drag estar perto deles. Foto bem favorecida e a luz branca mirando na cantora, sendo que os fãs estão menos desfavorecidos devido à luz roxa do local.

Matéria prima

Jornal On-line O Globo

 

Codificação

O quarteto Luan Santana, Pabllo Vittar e Simone e Simaria. Campanha Coca-Cola #Fan Feat. Multishow. Força-tarefa dos fãs. Show. Respeito e tolerância.

 

 

Classificação

Palavra Campanha: juntos, elegeram, quarteto, apresentação, parceria, participação, lançarem, promoção, representações, competição.

Categorização e Enumeração

Campanha: aparece 02 vezes

Fãs: aparece 05 vezes

Artistas: aparece 05 vezes

Show: 02 vezes

Categorização e Subcategoria

Campanha: Conjunto de esforços para atingir um fim: 1 ação, cruzada, empresa, esforço, expedição, jornada, lida, tarefa, trabalho. Trabalham juntos para um bem maior, com um objetivo.

Fãs: admirador, tiete, apreciador, adorador, amante, apaixonado, amador, fanático, aficionado, torcedor, seguidor, simpatizante, entusiasta, entusiasmado, empolgado, afeiçoado, fascinado, encantado, enamorado, dedicado, devoto, adepto, venerador.

Artistas: Aquele que é talentoso, faz sucesso. É o ator, intérprete, famoso, cantor, apresentador, habilidoso, hábil, engenhoso.

Show: Bom local para apresentação, performance espetáculo. É um espetáculo, apresentação, exibição, performance, programa, representação.

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas.

Uso adequado de palavras

Há uso de palavras adequadas quando a matéria se refere à Pabllo Vittar, como “diz a cantora Pabllo Vittar”, ou seja “a” e “cantora”.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

O jornalista teve cautela para escrever essa matéria. Ele soube tratar o quatro artistas de forma igual, e não utilizou pronomes como “ele” e “ela” especificamente, tratando todos de uma forma igual, como “os artistas”. Ele soube misturar os nomes de Pabllo Vittar, Luan Santana e Simone e Simaria, ou seja, ele não se apegou a uma ordem para se referir a eles. No título, a matéria começa com Luan Santana, na legenda da foto, Pabllo Vittar. Porém, ao desenvolver da matéria, ele cita Luan Santana em primeiro lugar, por ser o 1° colocado, sendo então Simone e Simaria em 2° lugar, e Pabllo em 3°. A palavra “quarteto” para se referir aos artistas foi bem empregada para se referir a eles, sendo uma palavra sem gênero masculino ou feminino. Logo, é colocado um trecho da entrevista com Pabllo, a qual agradece aos fãs por ter ganhado e também aproveita para pedir respeito, e ao final, a entrevista é finalizada com: “disse a cantora Pabllo Vittar”, termo correto para se referir a drag queen, por ser uma representação de uma montagem feminina. A matéria soube equilibrar os espaços entre os artistas, não favorecendo e nem desmerecendo algum deles, pois logo depois da entrevista com Pabllo, há uma foto da drag fazendo o seu show nesse lançamento do clipe “Hasta la Vista”. E depois, a matéria foca em Luan Santana e Simone e Simaria, que pertencem ao gênero musical sertanejo. Então, há uma divisão entre gêneros musicais, começando por Pabllo, e depois, terminando com entrevistas e falas de Luan e Simone, os quais não tem mais nenhuma foto ao longo da matéria, somente Pabllo, que aparece duas vezes. O jornalista anexou o clipe “Hasta la Vista” ao meio da matéria, já que o foco é falar sobre o lançamento do mesmo, como uma forma de interação entre o leitor e a matéria, e essa é uma nova forma que o jornalismo digital vem empregando, buscando multimídias nas matérias.

Quadro 6

Título

DJ cria playlist para celebrar Dia do Orgulho LGBTQI+; escute

Linha fina

De George Michael a Pablo Vittar: Binho S. elenca músicas que não podem faltar nas pistas

Data

28/06/2018

Tamanho

Matéria composta por 28 linhas, junto com título, linha fina e subtítulos, e também 06 parágrafos

Link

https://oglobo.globo.com/cultura/musica/dj-cria-playlist-para-celebrar-dia-do-orgulho-lgbtqi-escute-22830979

Foto

A foto é sobre a Parada do Orgulho Gay em Copacabana, porém, não tem data da foto. É provável que tenha sido desse ano. Não há foto da drag queen Pabllo Vittar, mas mostra, na fotografia da Parada do Orgulho Gay, uma multidão de pessoas, com destaque a bandeira LGBTQ+ de metro. A fotografia foi tirada com uma vista aéra, podendo ser de um possível trio-elétrico ou drone, pois a qualidade é bem profissional, e a luz, por ser de dia, também favoreceu o momento.

Matéria prima

Jornal On-line O Globo

 

Codificação

O universo LGBTQI+ tem seu altar próprio. Deuses da música. Rihanna, Gloria Groove, George Michael e Pablo Vittar. Essa Coca é Fanta! E Daí?!. “Corpo Sensual” da Pabllo Vittar. Dia que marque/celebre/simbolize o Orgulho de sermos quem somos.

Classificação

Palavra Universo LGBTQI+: deuses da música, Rihanna, Gloria Groove, George Michael e Pablo Vittar, orgulho LGBTQI+, identificação, “Bum Bum de Ouro” de Gloria Groove, “New Rules” da Dua Lipa, “Ana Wintour” da Azealia Banks, “Corpo Sensual” da Pabllo Vittar, “Vai Malandra” da Anitta, “Sissy That Walk” da Ru Paul e “We Found Love” da Rihanna, perseguição, luta, direitos, respeitados, assassinados, espancados, humilhados e execrados.

Categorização e Enumeração

Universo LGBTQI+: aparece apenas uma vez

Orgulho LGBTQI+: aparece 02 vezes

Música: aparece 02 vezes

Categorização e Subcategoria

Universo LGBTQI+: sigla utilizada como nome de um movimento que luta pelos direitos dos homossexuais e, principalmente, contra a homofobia. Universo representa as pessoas, a classe, o ser humano.

Orgulho LGBTQI+: dignidade, valor, honra, honradez, amor-próprio, ufania, pundonor, exaltação, glória por ser quem é, que no caso se refere à pessoas LGBTQ+.

Música: toada, composição, obra, peça, modinha, melopeia, cantilena, melodia, canto, criação, balada, cântico, canção, cantiga, modilho, som, sonância, tanger, moda.

Uso inadequado de palavras

O (a) jornalista errou ao escrever “Pablo”, com apenas uma letra L, pois o certo seria “Pabllo”.

Uso adequado de palavras

Há uso de palavras adequadas quando a matéria se refere à Pabllo Vittar, com a preposição “da”, resultando em “da Pabllo Vittar”, como uma figura drag, feminina. Utilizou os termos Universo LGBTQI+ e Orgulho LGBTQI+ adequadamente, pois diversas matérias de outros jornais não sabem ou evitam escrever a sigla LGBTQ+.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

A presente possui somente dois erros quando escreve o nome de Pabllo, como “Pablo’, com um L só. Porém, quando o jornalista cita novamente a drag, junto com a sua música “Corpo Sensual”, é escrito corretamente o nome da drag. Talvez faltou uma revisão ou leitura final da matéria para corrigir os erros iniciais. A intensidade que a matéria trata sobre Universo e Orgulho LGBTQ+ é vasta, e isso possui caráteres positivos para os LGBTQ+, que talvez possam se sentirem representados pelos veículos de comunicação digital. Nessa matéria, o jornalista usa a sigla LGBTQI+, sendo então as lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, queers, intersexuais, e os mais representados todos aqueles que também se veem representados dentro dessa classe. Porém, neste trabalho de conclusão de curso foi escolhida a sigla LGBTQ+, então essa é a diferença nas oscilações acima da análise dessa matéria, pois quando se refere a essa matéria, cita-se LGBTQI+, e quando não, é citado a sigla que foi escolhida para o trabalho. Ressalta-se que a letra I, (intersexuais), se enquadra, neste trabalho, na representação do +. Logo, a matéria traz um breve histórico explicando o motivo que levou os LGBTQ+ de Nova York de 1969, a começarem a manifestar sobre seus direitos, e isso é importante para o leitor entender o verdadeiro sentido e a essência da Parada. Para finalizar, a multimídia entra com a PlayList feita pelo DJ Binho Souza, o qual criou especialmente para celebrar o dia do Orgulho LGBTQ+, sendo que a primeira música é “Corpo Sensual”, da Pabllo Vittar. Essa forma de interação entre o usuário/leitor é importante para todos os tipos de veículos de comunicação, para integrar ainda mais o leitor que aparenta estar distraído pelo cotidiano.

Quadro 7

Título

Cinco surpresas dos primeiros dias de festival Bananada, em Goiânia

Linha fina

Vigésima edição do evento começou com shows espalhados pela cidade

Data

11/06/2018

Tamanho

A matéria é composta por 73 linhas (contando com título, linha fina e subtítulos) e 18 parágrafos

Link

https://oglobo.globo.com/cultura/musica/cinco-surpresas-dos-primeiros-dias-de-festival-bananada-em-goiania-22676276

Foto

Há 06 fotos nessa matéria, com as participações de bandas que fizeram parte do 20º Festival Bananada, em Goiânia. A primeira foto é a cena da noite da guitarra, que aconteceu no evento. A segunda, é a banda Engrenagem fazendo o show, a terceira, é Natália Matos sentada no palco cantando, a quarta é são os SixKicks, banda de Rock, sendo o guitarrista como plano principal pelo seu cabelo em movimento, e a última foto é Lucas Estrela também fazendo seu show. Todas as fotos são de boa qualidade, a apesar de o evento ter acontecido em um lugar fechado, a iluminação está adequada, sendo que as luzes coloridas também dão destaque a cena. Lembrando que não há nenhuma de Pabllo Vittar.

Matéria prima

Jornal On-line O Globo

 

Codificação

Nova música brasileira. Novidades promissoras de diferentes cenas. Edição comemorativa do evento. Noite quente. Evento.

Classificação

Palavra Músicos: Refavela 40, Gilberto Gil, Emicida, Francisco, el Hombre, As Bahias e a Cozinha Mineira e KL Jay, Pedro Miranda, Renato Galvão, Natália Matos, Theo Charbel, Marjorie Jorie, Lucas Estrela, DJ Dan Bordallo, Nação Zumbi, BaianaSystem, Pabllo Vittar, Boogarins, Carne Doce, Fresno, Rincon Sapiência.

Categorização e Enumeração

Músicos: aparece apenas uma vez.

Festival: aparece 04 vezes

Pabllo Vittar: aparece 02 vezes

Categorização e Subcategoria

Músicos: É o profissional na música. É musicista, tocador, instrumentista, compositor, maestro, artista, executante. É aquela pessoa musical, melodiosa, melódica, harmoniosa e eufônica.

Festival: São espetáculos, eventos, festa, festividade e shows.

Pabllo Vittar: homossexual, drag queen, artista, ativista LGBTQ+. (Lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, queers, etc.).

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas.

Uso adequado de palavras

No que se refere à drag queen Pabllo Vittar, não há uso de palavras adequadas. O Jornalista não usou preposições para definir Pabllo.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

A matéria é extensa e repleta de informações sobre o 20º Bananada, de Goiânia. Além de colocar fotos das maiorias das bandas que se apresentaram, há espaços separados para falar um pouco de cada uma das bandas, ou artista. No lead (parágrafo 1), já são citados alguns artistas que iram participar do evento. Apenas nos últimos parágrafos são citados os outros artistas, assim como Pabllo Vittar, a qual, para quem lê, representa que a drag começaria com o estilo funk, e isso é importante para a comunidade LGBTQ+ e também para as pessoas que iriam ao evento e que gostassem de uma diversidade de músicas. A matéria não dá destaque a Pabllo, assim como outros artistas, pois o foco realmente seria revelar novidades. Pode ser que, devido ao formato que foi escrita a matéria, não teve espaço ou lógica para tratar Pabllo no feminio, então o autor obteve frases como “passando por Pabllo Vittar”, mantendo a transparência no texto.

Quadro 8

Título

Jovem Pan é criticada por campanha no dia de combate à homofobia

Linha fina

Rádio pediu para ouvintes compartilharem qual seria a sua última música caso fossem assassinados por homofóbicos

Data

17/05/2018

Tamanho

Matéria composta por 53 linhas contanto com título, linha fina e subtítulo, e possuí 13 parágrafos

Link

https://oglobo.globo.com/sociedade/jovem-pan-criticada-por-campanha-no-dia-de-combate-homofobia-22691502

Foto

A foto é da manifestação do Orgulho LGBTQ+ de São Paulo. Não possui nenhum famoso, mas foca nos balões em cor de arco-íris. A foto foi tirada possivelmente de cima de um trio elétrico, dando a possibilidade de ver o fundo da manifestação, com as inúmeras pessoas. A foto é de boa qualidade e por ser de dia, a luz ficou natural e clara.

Matéria prima

Jornal On-line O Globo

 

Codificação

A empresa lançou a hashtag #MinhaÚltimaMúsica. Qual seria a última música. Não queremos escolher uma música antes de ser morto. Twitter já tinha 150 respostas, todas majoritariamente negativas. Mas é difícil incluir quando não se cria inclusão. O perfil oficial de Pabllo Vittar apagou o post.

Classificação

Palavra #MinhaÚltimaMúsica: campanha, homofobia, homobóficos, assassinos, vítima, última música, morto, errado, aproveitador, negativas, despedida, morte, violência, problema.

Categorização e Enumeração

#MinhaÚltimaMúsica: repetição de 3 vezes

Homofobia: repetição de 3 vezes

Morte: repetição de 5 vezes

Categorização e Subcategoria

#MinhaUltimaMúsica: “campanha” rádio Jovem Pan sobre o dia internacional sobre o combate à LGBTQ+fobia.

Homofobia: Homofobia significa aversão irreprimível, repugnância, medo, ódio, preconceito que algumas pessoas, ou grupos nutrem contra os homossexuais, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis, transgêneros, queers, intersexuais, etc.

Morte: Fim da vida. É o falecimento, óbito, perecimento, fenecimento, passamento, extinção, decesso, trânsito, traspasse, traspassamento, exício, parca.

Uso inadequado de palavras

Há uso de palavras inadequadas, quando a Jovem Pan intitula a campanha do combate a LGBTQ+fobia como “#MinhaÚltimaMúsica”. Essas três palavras dentro da hastag estão completamente sem sentido de acordo com o propósito do combate a homofobia, preconceito e violência.

Uso adequado de palavras

A jornalista usou a palavra “cantora” para se referir a transexual Candy Melody. Além disso, utilizou a preposição “ela”, pois ela é uma mulher trans, ou seja, termo correto.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

A matéria e extensa. Além das fotos, há o post oficial da Joven Pan com a campanha “MinhaÚltimaMúsica”, e logo, com os comentários desaprovando a campanha. Como já mencionado, a maioria dos internautas do twitter não concordaram com a campanha. Tem um trecho que fala que Pabllo Vittar era uma participante da campanha e foi publicado em seu twitter oficial um texto a favor da campanha. Logo, foi apagado e Pabllo se manifestou dizendo que não foi ela quem escreveu, e que quem fez o texto estaria demitido. Quando começa a falar sobre Pabllo, dá a entender que ela é culpada e que ela estaria apoiando a campanha, porém, a jornalista de preocupou em colocar a posição da cantora negando para dar um suporte e evitar possíveis constrangimentos. Não dá para saber qual é a verdade, se realmente a drag estaria apoiando a campanha, e que depois que percebeu a montanha de críticas, ela se desfez, isso fica subentendido. A Intensidade da palavra morte é alta, e isso facilita o leitor a entender que a matéria estaria falando de morte, até porque o próprio nome da campanha já diz ser a última musica. A jornalista coloca ao final que a rádio não se manifestou sobre, e isso é importante para o leitor estar ciente dos possíveis posicionamentos ou desculpas dessas empresas quando acontece alguma polêmica.

Quadro 9

Título

Com shows de Pablo Vittar, Preta Gil e Anitta, Parada Gay de SP leva milhares à Paulista

Linha fina

Vereadora Marielle Franco, assassinada em 14 de março, foi lembrada na abertura do evento

Data

03/06/2018

Tamanho

A matéria é composta por 59 linhas, contando com título, linha fina e subtítulos, e apresenta 14 parágrafos

Link

https://oglobo.globo.com/sociedade/com-shows-de-pablo-vittar-preta-gil-anitta-parada-gay-de-sp-leva-milhares-paulista-22742052

Foto

A matéria apresenta três fotos. A primeira é a multidão que lotou a Avenida Paulista, na grande São Paulo. A segunda é a concentração da Parada, com o foco no trio elétrico decorado com balões que representam a bandeira LGBTQ+. A útlima foto é de Jasmin (drag queen), montada com roupas clássicas nas cores laranja e palha, com um guarda-chuva sofisticado e decorado, e também com penas laranjas, sorrindo para o lado. As três fotos são profissionais, e por ser de dia, a luz ficou de acordo. Não há foto de cantores ou famosos, e sim, sendo o foco realmente na multidão que participou da edição deste ano.

Matéria prima

Jornal On-line O Globo

 

Codificação

Milhares de pessoas lotaram a Avenida Paulista. Maior do mundo. O público vibrou com os shoes de Pablo Vittar, Preta Gil e Anitta. Três milhões de pessoas. Palavras de protesto contra o presidente Michel Temer e o Congresso. Vereadora Marielle Franco. Bandeira LGBT. Poder para LGBTI+, Nosso Voto, Nossa Voz. Apenas Manuela D'Ávila (PC do B) e Guilherme Boulos (PSOL), estavam presentes. Desabastecimento.

Classificação

Palavra Discurso: lembrada, palavras, protesto, Marielle Franco, Pauta LGBT, tema, gritos, “fora Temer”.

Categorização e Enumeração

Discurso: 03 vezes

Parada: 05 vezes

Público: 03 vezes

Político: 03 vezes

Categorização e Subcategoria

Discurso: É a fala, expressão, enunciado, manifestação, linguagem, oração, sentença. Uma Exposição oral, como palestra, conferência, alocução, elogio, arenga, exposição oral, louvor, mensagem oral.

Parada: Uma Interrupção, pausa, paralisação, manifestação, cessação, suspensão, intervalo, demora, espera, estada, permanência, interregno. Pode ser também um ponto de transporte coletivo, paragem, estação, apeadeiro.

Público: Que pertence a todo, é o comunitário, comum, compartilhado, social, coletivo, geral, partilhado, popular, universal. Um nicho, grupo de seres.

Político: Relativamente ao governo e assuntos público. É governamental, oficial, público. Pode ser cortês e delicado, afável, polido, agradável, amável, atencioso, civil, civilizado, educado, elegante, fino, gentil, simpático, urbano.

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas em relação a Pabllo Vittar, porém, há erros de digitação como “Pablo”, “shoes” (se referindo à shows, e repetição consecutivas de palavras como “estão estão”.

Uso adequado de palavras

Não há uso de palavras adequadas.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

A matéria é extensa e bem interativa. Ela busca trazer diversas visões da Parada, começando pelos shows, depois focando na política e discursos, e também nas fantasias de alguns participantes. Não fica falando algo específico, ela traz vários lados e isso acaba interagindo mais o leitor. Porém, o jornalista não se preocupou em revisar o texto antes de publicar, devido ao excesso de erros de português e também, todas as vezes que Pabllo é citada, é escrito “Pablo”, com apenas uma letra L. No que se refere ao chamamento, foi utilizado a preposição “de”, talvez tenha sido a melhor palavra para se referir a Pabllo, e essa palavra é unissex. A matéria não tem como objetivo de falar dos shows ou dos famosos que participaram, como Anitta e Pabllo, mas sim trazer uma visão geral dos acontecimentos, desde o começo até o fim, porém, o Titulo cita os shows das cantoras, fazendo com que o leitor automaticamente pense que ao longo da matéria, o foco seria sobre o os shows, e não foi. A linha fina cita o caso da Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro que foi assassinada no dia 14 de março desse ano, e o jornalista se preocupou em fazer dois parágrafos sobre o caso como uma forma de manifestação sobre os casos de violência no Brasil.

Apêndice B - Quadros de análise de conteúdo das matérias publicadas no jornal “A Folha de S. Paulo”, de 01/05/2018 a 31/07/2018

Quadro 1

Título

Pabllo Vittar cancela gravações de novo clipe após ficar com olho roxo durante brincadeira

Linha fina

Cantora contou na web que deu joelhada em si mesma em ensaio

Data

25/07/2018

Tamanho

Matéria composta por 21 linhas, contando com título e linha fina, e cinco parágrafos

Link

https://f5.folha.uol.com.br/musica/2018/07/pabblo-vittar-cancela-gravacoes-de-novo-clipe-apos-ficar-com-olho-roxo-durante-brincadeira.shtml

Foto

A matéria é composta por duas fotos. A primeira foto é a cantora Pabllo Vittar desmontada de drag queen, com o seu olho esquerdo roxo, devido a joelhada que ela deu em si mesma durante o ensaio da gravação do clipe “Problema Seu”. A foto é uma “selfie”, ou seja, a própria drag quem tirou e publicou em seu Instagram. A foto não está valorizando a drag, pois está muito focada em seu rosto, principalmente no olho roxo e a luz é de baixa qualidade, assim como a qualidade da foto. Já na outra foto, é a drag montada, no ensaio na praia paradisíaca de Fernando de Noronha. Foto profissional, de alta qualidade e com uma iluminação apropriada. A fotografia valoriza a cantora, os traços, maquiagem e a pose de seu rosto sensual. O preto no fundo dá um destaque na cantora, a qual está em iluminada, e isso valoriza também.

Matéria prima

Jornal On-line “A Folha de S. Paulo”

 

Codificação

A cantora Pabllo Vittar. Um olho roxo. Brincadeira em um ensaio. Mal conseguiu abrir o olho esquerdo.

Classificação

Palavra Brincadeira: cancelar as gravações, hematoma, olho roxo, machucado, joelhada.

Categorização e Enumeração

Brincadeira: aparece três vezes

Cantora: aparece quatro vezes

Clipe: aparece cinco vezes

Categorização e Subcategoria

Brincadeira: é o divertimento de crianças, diversão, recreio, recreação, entretenimento, entretimento, reinação, distração, passatempo, lazer, jogo, brinquedo, joguete, brinco, desenfado.

Cantora: Indivíduo que canta, emite sons vocálicos, formando melodia. Ela é trovadora, versejadora, rimadora, versificadora, emite melodias.

Clipe: é um vídeo. Composto por coreografias, uma história, narrativa, começo meio e fim.

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas.

Uso adequado de palavras

Há uso de palavras adequadas quando a matéria se refere à Pabllo. As palavras são: “cantora”, “a cantora”, “a drag queen Pabllo Vittar” e “ela foi convidada”.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

A matéria se preocupa em mostrar que Pabllo Vittar é uma drag queen e uma cantora. A palavra “cantora” foi repetida quatros vezes, no feminino, e isso representa uma conquista para a comunidade LGBTQ+, ao ver que os veículos de comunicação estão se enquadrando no que é considerado adequado. Na legenda da última foto, em que a drag está fazendo um ensaio fotográfico em Fernando de Noronha, a legenda explica “A drag queen Pabllo Vittar”, ou seja, há uma preocupação em mostrar que aquela artista é uma drag queen. O (a) jornalista soube adequadamente se referir a Pabllo Vittar, não mostrando “medo” para falar da drag. Nos dois últimos parágrafos, a matéria fala sobre o último clipe de Pabllo, (Indestrutível) de seu primeiro álbum. O (a) jornalista teve o cuidado e cautela ao descrever o clipe, explicando que foi totalmente preto e branco, sem cores, pois se tratava de homofobia. Quando é citada a música “Indestrutível”, há hiperlink para o leitor clicar e ir a uma página em que há uma matéria com fotos sobre o clipe, e ao final do conteúdo, há o clipe para ser acessado pelo leitor, e isso favorece o trabalho da artista.

Quadro 2

Título

Anitta e Pabllo Vittar estão entre artistas vestidos pela grife Another Place

Linha fina

Não possuí linha fina

Data

22/07/2018

Tamanho

Matéria composta por 29 linhas contando com o título, e seis parágrafos

Link

https://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2018/07/1976464-anitta-e-pabllo-vittar-estao-entre-artistas-vestidos-pela-grife-another-place.shtml

Foto

A matéria é composta por duas galerias de imagens com 46 fotos ao todo. A primeira galeria possuí 16 fotos, com pessoas vestidas com a moda genderless, ou seja, sem gênero definido. Dentro dessa primeira galeria, está Lia Clark, outra drag queen brasileira que está fazendo sucesso, e isso é representante para a comunidade LGBTQ+. As fotos foram tiradas em um estúdio, com uma alta qualidade de imagem e iluminação. Homens e mulheres participaram das seções das fotos genderless. Na última galeria, é somente voltada para a drag queen Pabllo Vittar, composta por 38 fotos. Existem fotos dela desmontada, se maquiando, pousando na praia de Fernando de Noronha, ela fazendo shows, fazendo poses sensuais, pousando com famosos como Preta Gil, Fergie, Lucas Lucco, Ludmilla, Nego do Borel, Anitta, Luciano Hulk e Mateus Carrilho. Todas as fotos são de alta qualidade, com uma iluminação que favorece a cantora e todos os outros cantores que estão com ela.

Matéria prima

Jornal On-line “A Folha de S. Paulo”

 

Codificação

Artistas vestidos pela grife. A influência do guarda-roupa masculino na moda feminina. Novas estrelas do pop nacional. Camisas e calças com modelagem unissex. Nossa roupa é para quem quiser usar.

Classificação

Palavra moda: artistas vestidos, grife Another Place, guarda-roupa masculino, moda feminina, gêneros, vestiu, macacões, camisas, calças, unissex, gêneros na moda, roupa, confecções, moletom, etiqueta, estampa, cores, preto e branco.

Categorização e Enumeração

Moda: aparece três vezes

Gêneros: aparece duas vezes

Coleções: aparece duas vezes

Categorização e Subcategoria

Moda: um costume, estilo, praxe, hábito, prática, rotina, tendência, uso, voga, jeito, gosto, forma, maneira, meio, modo, roupas, vestuário.

Gêneros: Modo de ser, da natureza, casta, categoria, classe, divisão, espécie, família, grupo, modelo, ordem, qualidade, raça, sorte, tipo, tribo, variedade.

Coleções: conjunto, acervo, reunião, ajuntamento, agrupamento, galeria, arquivo, repositório, museu, tesouro, buquê. Grande quantidade de alguma coisa, monte, montão, quantidade, série, abundância, batelada, enxurrada, exorbitância, profusão, chorrilho. São as novas tendências.

Uso inadequado de palavras

Na última galeria de fotos sobre a Pabllo, há fotos do clipe “Indestrutível”, último clipe de seu primeiro álbum “Vai passar Mal”. Porém, na legenda dessas fotos especificamente, está “clipe Indecente”; sendo que “indecente” é uma música da cantora Anitta.

Uso adequado de palavras

Há uso de palavras adequadas quando a matéria se refere à Pabllo, localizada nas legendas da segunda galeria de fotos, em que está “A drag queen Pabllo Vittar”, usando o feminino e ao mesmo tempo explicando que ela é uma drag queen.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

O título da matéria coloca Anitta e Pabllo Vittar como estrelas que usam a grife Another Place, porém, no decorrer da matéria, Pabllo é citada apenas uma vez, dizendo que ela, Anitta e Ludmilla já aderiram a marca. Ou seja, o título começa falando de Pabllo e Anita, e o desfecho da matéria é outro, pois foca mais na proposta da marca, o que é, e para quem é. Então, o título poderia ser outro, e o título atual, um olho ao meio da matéria, e em seguida o único parágrafo que cita brevemente Pabllo. O texto é bem construído e explicativo. A análise de volta para a galeria de fotos específica de fotos, pois são fotos somente da Pabllo, e isso representa uma conquista para a comunidade LGBTQ+, pois poderiam ser fotos de Anitta e Ludmilla, pois elas também foram citadas na matéria. Mas, o (a) jornalista resolveu dar destaque na matéria, e sempre com a frequência de chamar Pabllo, nas legendas, como “A drag queen”, para os leitores perceberem que é uma figura feminina, e não masculino.

Quadro 3

Título

'Acho que Diplo tem uma queda por você', diz cantora para Pabllo Vittar

Linha fina

Charli XCX fez revelação à brasileira durante entrevista para revista americana

Data

18/07/2018

Tamanho

Matéria composta por 16 linhas, contanto com título e parágrafo, e sendo seis parágrafos

Link

https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2018/07/acho-que-diplo-tem-uma-queda-por-voce-diz-cantora-para-pabllo-vittar.shtml

Foto

A matéria é composta por uma foto de Pabllo Vittar e novamente a mesma galeria de fotos da drag, com as mesmas fotos da matéria anterior. A foto de Pabllo está valorizando a cantora, que usa uma roupa rosa em detalhes pretos, com a pose sexy que ela costuma fazer, chamando de “carao”. A luz está em boa qualidade e a foto é profissional. A galeria, novamente é somente voltada para a drag queen Pabllo Vittar, composta por 38 fotos. Existem fotos dela desmontada, se maquiando, pousando na praia de Fernando de Noronha, ela fazendo shows, fazendo poses sensuais, pousando com famosos como Preta Gil, Fergie, Lucas Lucco, Ludmilla, Nego do Borel, Anitta, Luciano Hulk e Mateus Carrilho. Todas as fotos são de alta qualidade, com uma iluminação que favorece a cantora e todos os outros cantores que estão com ela.

Matéria prima

Jornal On-line “A Folha de S. Paulo”

 

Codificação

A cantora britânica Charli XCX. Revelações à entrevistada. Cantora brasileira Pabllo Vittar, 23. “Diplo ele fala a quão gostosa você é”. “Tenho uma queda por ele”. Os dois trocaram beijos durante a gravação do clipe de ‘Então Vai’.

Classificação

Palavra Entrevista: revista americana, revista americana ‘Paper’, entrevistadora, entrevistada, Pabllo Vittar,

Categorização e Enumeração

Entrevista: aparece duas vezes

Revista: aparece duas vezes

Mídia Internacional: aparece uma vez

Categorização e Subcategoria

Entrevista: é o diálogo entre duas pessoas em local determinado. Uma conversa, conversação, diálogo, fala, interlocução, palra, prosa. Encontro formal para avaliações e esclarecimentos. É uma audiência, conferência, encontro, reunião, visita. Pode ser para fins jornalísticos, contratação de funcionários, etc.

Revista: é um folheto, brochura, opúsculo, guia, livrete, livreto, livro, manual, obra impressa ou on-line, obra publicada, produção, trabalho, jornal, anuário, boletim, magazine, periódico, revista, tabloide.

Mídia Internacional: são os meios de comunicação internacionais que divulgam as informações. Conjunto de meios de comunicação, meios de difusão de informação, meios de divulgação de informação, meios de veiculação de mensagens, suportes de campanhas publicitárias, suportes de propaganda.

Uso inadequado de palavras

A matéria cita diversas vezes Pabllo, porém, no segundo parágrafo, é escrito “Pablo”, com apenas um “L”.

Uso adequado de palavras

Há uso de palavras adequadas quando a matéria se refere à Pabllo. As palavras são: “A cantora Brasileira Pabllo Vittar”, “a cantora”, “à entrevistada” “a Pabllo Vittar”, “a drag queen Pabllo Vittar” e “ela”.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

A matéria se preocupou em representar Pabllo Vittar como a cantora, a drag queen. A maioria das vezes quando o texto se refere à Pabllo, o (a) jornalista coloca palavra no feminino como “ela”, “a cantora”, “a drag queen”, como uma forma do leitor não se perder, e entender que se trata de uma figura representativa feminina. A matéria cita trechos diretos da entrevista da cantora britânica Charli XCX e Pabllo Vittar (como entrevistada). A matéria é descontraída, pois foca na questão de um possível clima que Diplo (DJ e produtor que colaborou com as músicas “Sua Cara” de Major Lazer feat Anitta e Pabllo Vittar, e também “Então Vai”, de Pabllo) tenha sobre Pabllo Vittar. Diplo e Pabllo se beijaram no clipe de “Então Vai”, a partir daí, o clima entre os dois, segundo a matéria e as falas de Pabllo, aumentou. Ao mesmo tempo que a matéria é descontraída, ela é desconstruída, pois como já mencionado, diversas vezes quando se refere à Pabllo, o (a) jornalista se preocupa em utilizar termos no feminino, e isso é uma conquista na visão da comunidade LGBTQ+. Em relação ao nome “Pablo”, é necessário que o jornalista revise o texto antes de publicar, e verifique o jeito certo de escrever os nomes citados dentro do corpo da matéria.

Quadro 4

Título

Anitta adere à moda do cabelo verde neon para gravar clipe na Colômbia

Linha fina

Quem ficou melhor com o visual: Pabblo Vittar, Kylie Jenner ou a carioca?

Data

04/07/2018

Tamanho

Matéria composta por 19 linhas, contando com título e linha fina, sendo cinco parágrafos

Link

https://f5.folha.uol.com.br/estilo/2018/07/anitta-adere-a-moda-do-cabelo-verde-neon-para-gravar-clipe-na-colombia.shtml

Foto

A matéria é composta por uma foto e duas galerias de fotos, sendo a primeira galeria composta por cinco fotos, e duas fotos sendo de Pabllo. A primeira foto é da cantora Anitta nas gravações do clipe de sua música “Medicina” em que ela aparece em uma escada entre casas amarelas, com a sua peruca verde neon, foto que valoriza a artista devido à iluminação e qualidade. Na galeria todas as fotos são de alta qualidade e estão valorizando as cantoras Anitta, Kylie Jenner, e Pabllo Vittas, as quais estão com a peruca verde neon parecida. As duas fotos de Pabllo existentes na galeria foram publicadas no Instagram dela, e as duas estão valorizando a arista, porém, a última foto, ela apresenta estar quase sem maquiagem e movimentando a sua peruca, porém a luz é de alta qualidade. Na galeria são 59 fotos da cantora Anitta, nem todas são profissionais, mas estão valorizando a cantora.

Matéria prima

Jornal On-line “A Folha de S. Paulo”

 

Codificação

Quem ficou melhor com o visual. Cabelo verde limão. Peruca emprestada de Pabllo Vittar. Cabelo colorido.

Classificação

Palavra moda: cabelo verde neon, peruca, aplique, cabelo verde limão, colorido, verde.

Categorização e Enumeração

Moda: apenas uma vez

Cabelo: quatro vezes

Fãs: duas vezes

Categorização e Subcategoria

Moda: moda, onda, uso, voga. Traje masculino ou feminino, roupa, vestimenta, fato, indumentária, tailleur, terno, traje.

Cabelo: cabeça, pelo ou crina.

Fãs: admirador, tiete, apreciador, adorador, amante, apaixonado, amador, fanático, aficionado, maníaco, obcecado, doente, torcedor, seguidor, simpatizante, entusiasta, entusiasmado, empolgado, afeiçoado, fascinado, encantado, enamorado, dedicado, devoto, adepto, venerador, idólatra, diletante.

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas, porém, novamente erros ao se referir ao nome da Pabllo. Dessa vez, aparecem duas vezes como “Pabblo”, com duas letras “B”, na linha fina e no segundo parágrafo.

Uso adequado de palavras

Não há uso de palavras adequadas.

 

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

Matéria que foca mais em Anitta, porém, cita Pabllo Vittar. Quando o (a) se refere a Pabllo, não é colocada nenhuma preposição para se referir a drag, somente “de Pabllo Vittar”. Na legenda das duas fotos compostas na galeria, aparece somente “Pabllo Vittar usando peruca...”, e não explica que é “a drag queen Pabllo Vittar usando peruca”. O leitor desatento, ou que não tem tanto acesso a diversidade não conseguirá compreender perfeitamente do que se trata. Apenas na citação de Anitta, que é citada “A Pabllo”.

Quadro 5

Título

Música de Pablo Vittar ganha paródia sobre classificação argentina na Copa

Linha fina

Versão futebolística de "K.O" foi cantada por repórter que imitou Muricy Ramalho

Data

28/06/2018

Tamanho

Matéria composta por 16 linhas, e quatro parágrafos.

Link

https://f5.folha.uol.com.br/voceviu/2018/06/muricy-ramalho-canta-parodia-de-pabllo-vittar-sobre-a-copa.shtml

Foto

A matéria é composta por uma foto e uma galeria de imagens. Ambas não têm Pabllo Vittar, porém, ela é citada no título da matéria. A foto é do ex-treinador de futebol Muricy Ramalho, focando principalmente no rosto do ex-treinador. Profissional, luz que valoriza o rosto. E a galeria é composta por 10 fotos do momento do jogo entre Nigéria e Argentina, focalizando sempre no ex-jogador Diego Maradona. Fotos profissionais que pegaram exatamente os momentos de expressão de sentimentos de Maradona.

Matéria prima

Jornal On-line “A Folha de S. Paulo”

 

Codificação

Música de Pablo Vittar ganha paródia. Versão futebolística de "K.O”. Verdadeiro hit da Copa.

Classificação

Palavra paródia: música, K.O., hit.

Categorização e Enumeração

Música: aparece duas vezes

K.O.: aparece duas vezes

Pabllo Vittar: aparece três vezes

 

Categorização e Subcategoria

Música: Melodia, toada, composição, obra, peça, modinha, melopeia, cantilena, melodia, canto, criação, balada, ária, cântico, canção, cantiga, modilho, som, sonância, tanger, moda.

K.O.: Música da drag Pabllo Vittar, do álbum “Vai Passar Mal”, de 2017.

Pabllo Vittar: homossexual, drag queen, artista, ativista LGBTQ+. (Lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, queers, etc.).

 

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas, porém novamente o nome da Pabllo é escrito errado. Aparece no título como “Pablo Vittar”, com apenas uma letra “L”.

Uso adequado de palavras

Não há uso de palavras adequadas.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

A matéria foca mais no jogo entre a Nigéria e a Argentina, então não fala muito sobre Pabllo. Porém, o título cita a drag e fala que a música “K.O” ganhou uma paródia, gerando atenção dos leitores. No primeiro parágrafo, cita novamente Pabllo, dessa vez corretamente, porém, todas as vezes que a drag é citada, sempre tem um “de Pabllo Vittar”. Como se trata de uma matéria mais esportiva, seria interessante o (a) jornalista explicar que se refere a uma drag queen, para os leitores entenderem e estarem mais cientes do assunto. Depois, a matéria não fala mais nada sobre a paródia, e foca mais no jogo, mas, a paródia gerou repercussão positiva entre os fãs. Há um vídeo no final da matéria que o “SporTV” publicou no Twitter oficial, e neste vídeo é mostrada a paródia, que ficou parecida com o ritmo de “K.O”, porém, na legenda, o “SporTV”, cita “Pablo Vittar”, somente com um “L”.

Quadro 6

Título

Pabllo Vittar faz carta de amor para público LGBT internacional

Linha fina

Cantora foi convidada pela Billboard americana para ação do mês do Orgulho LGBT+

Data

28/06/2018

Tamanho

Matéria composta por 23 linhas contando com título e linha fina, e sete parágrafos

Link

https://f5.folha.uol.com.br/musica/2018/06/pablo-vittar-faz-carta-de-amor-para-publico-lgbt-internacional.shtml

Foto

A matéria é composta por uma imagem da Pabllo Vittar, novamente a mesma galeria utilizada em uma das matérias anteriores com fotos somente dela e também dela junto com outros famosos e cantores, e um print da carta publicada no Instagram da cantora, a qual escreveu para a comunidade LGBTQ+ internacional. A primeira foto e da drag queen em seu clipe “Indestrutível”, de seu segundo álbum. Foto preta e branca, totalmente valorizando a arista, que está com um olhar distante, porém um olhar representando força para os LGBTQ+. Com a mão na cintura e a outra no microfone, a foto é centrada na drag, com uma qualidade profissional e ao mesmo tempo, transmitindo uma sensação de paz para quem vê. A galeria, novamente é somente voltada para a drag queen Pabllo Vittar, composta por 38 fotos. Existem fotos dela desmontada, se maquiando, pousando na praia de Fernando de Noronha, ela fazendo shows, fazendo poses sensuais, pousando com famosos como Preta Gil, Fergie, Lucas Lucco, Ludmilla, Nego do Borel, Anitta, Luciano Hulk e Mateus Carrilho. Todas as fotos são de alta qualidade, com uma iluminação que favorece a cantora e todos os outros cantores que estão com ela. E por último o print da publicação da carta escrita para a comunidade LGBTQ+ internacional, com uma arte do rosto da drag, que foi publicada no Instagram oficial da Pabllo.

Matéria prima

Jornal On-line “A Folha de S. Paulo”

 

Codificação

Pabllo Vittar faz carta de amor. Ação especial do mês do Orgulho Gay. O apoio de sua família. Pabllo deixa um incentivo.

Classificação

Palavra carta: carta LGBT+, carta de amor, público internacional, mensagem, público LGBT+, texto, inglês e português, narra.

Categorização e Enumeração

Carta: Correspondência escrita, missiva, bilhete, linhas, epístola, escrito, favor, mensagem.

LGBT: Lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, queers, etc...

Amor: Afeição, afeição, afeto, amizade, apego, benevolência, carinho, afabilidade, fraternidade, simpatia, ternura, afinidade, apreço, bem-querer, benquerença, respeito, culto, entusiasmo, devoção, adoração, veneração.

 

Categorização e Subcategoria

Carta: aparece três vezes

LGBT, LGBTQ, LGBT+: aparecem cinco vezes

Amor: aparece uma vez

 

Uso inadequado de palavras

Na legenda da foto, o (a) erra ao escrever o nome da Pabllo, colocando como “Pablo”, e também, errando no nome do clipe que ela posa na foto. O nome do clipe é “Indestrutível”, e o (a) colocou “Indecente”.

Uso adequado de palavras

Há uso de palavras adequadas quando a matéria se refere à Pabllo. As palavras são: “cantora”, “convidada”, “da brasileira”, “ela”, e “a cantora”.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

A matéria se preocupa com o tratamento em relação a Pabllo. O único erro é que na legenda da galeria de fotos, está “Pablo Vittar” com apenas uma letra “L”. Porém, logo na linha fina, está “cantora”, remetendo Pabllo como uma figura feminina, e isso e de extrema importância na questão da representatividade dela na mídia. Percebe-se que quando se refere a Pabllo, sempre há o tratamento no feminino, pois, como já foi discutido, é uma drag queen. O jornalista (a) se preocupou em colocar um breve resumo da vida de Pabllo. Quem é, seu nome verdadeiro, a sua mãe, sua irmã, e isso deixa a matéria viva e faz o leitor se manter mais interessado. Na matéria também há trechos da carta que ela escreveu. Pabllo disse “Eu sou um cantor gay”, no masculino. Ela está certa, realmente é um cantor gay, e ela já disse em uma série de reportagens não ligar se a chamam de “ele” ou “ela”. Porém, quando ela está montada como drag queen, a melhor maneira de chamar, é de “a Pabllo”, pois se remete a uma figura feminina. A intensidade da repetição de “a cantora”, “a Pabllo” é alta, e isso reforça de que quem escreveu, sabe as diferenças de gênero.

Quadro 7

Título

Ludmilla e Pabllo Vittar se encontram em show de Beyoncé em Amsterdã

Linha fina

'Um show não, uma aula amor', afirmou Ludmilla nas redes sociais

Data

20/06/2018

Tamanho

Matéria composta por 22 linhas, contando com parágrafo e linha fina, e 5 parágrafos

Link

https://f5.folha.uol.com.br/musica/2018/06/ludmilla-e-pabllo-vittar-se-encontram-em-show-de-beyonce-em-amsterda.shtml

Foto

A matéria é composta por uma foto de Ludmilla e Pabllo Vittar juntas no show de Beyoncé, e duas galerias de fotos: a primeira, que representa somente fotografias de Ludmilla, têm 18 fotos. E Pabllo Vittar, que é a segunda galeria, 38 fotos. A primeira foto é de baixa qualidade, meio distorcida e isso prejudica na hora de analisar a foto. Elas estão agachadas no chão, uma ao lado de outra, fazendo pose, sendo que Pabllo está desmontada. As fotos da galeria especial da Ludmilla são de alta qualidade e a cantora é conservada em todas. Nas de Pabllo, é a mesma galeria utilizada em matérias anteriores. Existem fotos dela desmontada, se maquiando, pousando na praia de Fernando de Noronha, ela fazendo shows, fazendo poses sensuais, pousando com famosos como Preta Gil, Fergie, Lucas Lucco, Ludmilla, Nego do Borel, Anitta, Luciano Hulk e Mateus Carrilho.

Matéria prima

Jornal On-line “A Folha de S. Paulo”

 

Codificação

As duas registraram o momento com “a diva”. Gritos e comemorações. “Eu vou chorar, vou chorar”.

Classificação

Palavra Show: Beyoncé, aula de amor, apresentação, boné, bandana, broche, turnê.

Categorização e Enumeração

Show: aparece oito vezes

Cantar: aparece duas vezes

Categorização e Subcategoria

Show: sinônimos de show para um sentido da palavra show, espetáculo, apresentação, exibição, performance, programa, representação.

Cantar: Criar sons musicais com a voz, cantarolar, cantarejar, trautear, vocalizar, entonar, entoar, modular, executar, trovar.

 

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas.

Uso adequado de palavras

As cantoras”, foi assim que a (o) jornalista define Ludmilla e Pabllo Vittar, e está correto.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

A matéria começa falando apenas de Ludmilla e cita Pabllo em pequenos trechos. A (o) jornalista colocou frases das falas da Ludmilla, e nenhum da Pabllo, o que poderia ser importante pois o título fala que as duas se encontraram no show. Quando e citado “as cantoras”, percebe-se que abrange Ludmilla e Pabllo Vittar, porém, quando cita somente Pabllo, não é usado nenhuma preposição ou frase/oração para descrever quem é Pabllo, se é “a” ou se é “o’, então há essa falta de representatividade ao se referir a drag. Por último têm a mesma galeria de fotos da Pabllo utilizadas em outras matérias. São as mesmas fotos e a mesma quantidade de matérias passadas, poderia mudar um pouco.

Quadro 8

Título

Pabllo Vittar canta trecho de música de Nina Simone e recebe elogios de famosas e de Dilma

Linha fina

Em Los Angeles para gravar álbum, ela postou trecho de 'Feeling Good'

 

Data

08/06/2018

Tamanho

Matéria composta por 18 linhas, contando com título e linha fina, e sendo cinco parágrafos

Link

https://f5.folha.uol.com.br/musica/2018/06/pabllo-vittar-canta-musica-de-nina-simone-e-e-elogiada-por-famosas.shtml

Foto

A matéria é composta por uma foto da Pabllo Vittar e também a mesma galeria utilizada em matérias anteriores. A foto tirada da Pabllo é profissional, com o fundo branco e bem iluminado, sendo que a sua roupa também é branca, trazendo um clima mais harmonioso na cena. A pose é de timidez, porém, com o mesmo “carão de sempre”, fotografia que valoriza a drag queen. Logo, existe a mesma galeria com as 38 fotos da cantora, sendo também anexado ao meio o print em que a ex presidenta do Brasil, Dilma Rousseff elogia a drag nas redes sociais. Existem fotos dela desmontada, se maquiando, pousando na praia de Fernando de Noronha, ela fazendo shows, fazendo poses sensuais, pousando com famosos como Preta Gil, Fergie, Lucas Lucco, Ludmilla, Nego do Borel, Anitta, Luciano Hulk e Mateus Carrilho. Todas as fotos são de alta qualidade, com uma iluminação que favorece a cantora e todos os outros cantores que estão com ela.

Matéria prima

Jornal On-line “A Folha de S. Paulo”

 

Codificação

Canta um trecho da música “Feeling Good”. Recebendo elogios de famosas e até de Dilma Roussef. “Quanto talento!!!”. Sony Music Entertainment Brasil. Sua agenda lotar.

Classificação

Palavra elogios: canta, trecho, música, Dilma Rousseff, ‘Feeling Good', famosas, palhinha, Ivete, Daniela Mercury, Solange Almeida.

Categorização e Enumeração

Elogios: aparece duas vezes

Famosas: aparece duas vezes

Álbum: aparece três vezes

Categorização e Subcategoria

Elogios: enaltecimento, congratulação, aplauso, encômio, exaltação, gabação, gabo, glorificação, honra, louvação, louvor, preconização. Discurso em louvor de alguém, panegírico, apologia, discurso, hosana, laudatório, loa.

Famosas: Que tem fama, notável, popular, renomado, admirável, egrégio, afamado, célebre, conhecido, falado, ilustre, insigne, prestigiado, famigerado.

Álbum: atlas, coleção de fotos guardadas dentro de um álbum, nova coleção de músicas.

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas.

Uso adequado de palavras

Há uso de palavras adequadas quando a matéria se refere à Pabllo. As palavras são: “ela”, “a cantora e drag queen Pabllo Vittar” e “a cantora

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

A matéria se preocupou em tratar adequadamente Pabllo Vittar. Utilizou os termos corretos no feminino e também há uma presença significa de “ela” quando se refere a Pabllo. Porém, em diversas partes também se percebe que foi colocado o uso da preposição “de”, para se referir a ela, ou então, somente “Pabllo Vittar...” e a continuação do texto, não colocando e nem explicando que é uma drag queen, lembrando que na legenda da primeira foto, explica “cantora e drag queen Pabllo Vittar”. O (a) jornalista se preocupou em colocar o vídeo da drag cantando a música e também o print que comprove o elogio de Dilma, e isso é importante para o leitor ver e ficar mais ciente junto com essa interação de multimídias em uma matéria, como também a galeria de fotos.

Quadro 9

Título

Famosos participam da Parada do Orgulho LGBTQ em São Paulo

Linha fina

O evento, que está na 22ª edição, contou ainda com apresentações das cantoras Anitta e Pabllo Vittar

Data

03/06/2018

Tamanho

Matéria composta por 17 linhas contando com linha fina e titulo, sendo quatro parágrafos

Link

https://f5.folha.uol.com.br/diversao/2018/06/famosos-participam-da-parada-do-orgulho-lgbtq-em-sao-paulo.shtml

Foto

A matéria é composta por uma foto dos famosos juntos e por duas galerias, a primeira com voltada mais nos famosos que fizeram parte da Parada, e a outra, dos momentos, das pessoas, das drag queens. A primeira foto é profissional, e tem Pabllo Vittar, Vivian Amorim, Gloria Groove, Mateus Carrilho, Only Fuego e Preta Gil, juntos em algum camarim. Uma iluminação que valoriza todos os artistas, os quais posam para a foto fazendo poses distintas. Pabllo está com uma peruca preta e uma maquigem rosa, e a sua roupa é uma manifestação aos crimes cometidos contra LGBTQ+ e que são noticiados nos veículos de comunicação. A galeria que foca nos famosos possui 18 fotos, a maioria profissional. Nela está Anitta, Pabllo Vittar dentre outros, valorizadas e fotografadas no momento do show. A outra galeria apresenta 43 fotos, e as fotos são das pessoas montadas, manifestando seus desejos de igualdade com faixas, fantasias, etc. Todas profissionais e com uma iluminação que valoriza todos eles, por ser de dia e luz.

Matéria prima

Jornal On-line “A Folha de S. Paulo”

 

Codificação

Presença de diversos convidados. Abraçam a bandeira da diversidade. Cantoras Anitta e Pabllo Vittar. "Parem de nos matar".

Classificação

Palavra Homofobia: look militância, manchetes, matar, vermelho, defensora, luta.

Categorização e Enumeração

Homofobia: aparece apenas uma vez

Famosos: aparece duas vezes

Categorização e Subcategoria

Homofobia: significa aversão irreprimível, repugnância, medo, ódio, preconceito que algumas pessoas, ou grupos nutrem contra os homossexuais, lésbicas, bissexuais e transexuais.

Famosos: que tem fama, é notável, popular, renomado, admirável, egrégio, afamado, célebre, conhecido, falado, ilustre, insigne, prestigiado, famigerado

 

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas.

Uso adequado de palavras

Há uso de palavras adequadas quando a matéria se refere à Pabllo. As palavras são: “cantoras” e “a artista”.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

A matéria focou em Pabllo Vittar. Na linha fina, a (o) jornalista cita as cantoras Anitta e Pabllo Vittar, como as artistas que dse apresentarão na Parada. O segundo parágrafo cita novamente as duas, porém, foca no look militante de Pabllo Vittar, que é uma espécie de manchetes reais que noticiaram casos de homofobia, e estava escrito em vermelho “Parem de nos matar”. É de suma importância para a comunidade LGBTQ+ ser representados por figuras públicas como a Pabllo, principalmente em um parágrafo em que está Anitta, uma diva do pop brasileiro, e o foco fique somente em Pabllo. Todos os termos utilizados são corretos, com preposições no feminino para se referir a Pabllo.

Quadro 10

Título

Pabllo Vittar veste roupa com estampa de manchetes sobre homofobia para Parada LGBTQ

Linha fina

Além dos títulos de notícias sobre homofobia, o look tinha os dizeres: 'Parem de nos matar'

Data

03/06/2018

Tamanho

Matéria composta por 17 linhas contando com título e linha fina, e cinco parágrafos

Link

https://f5.folha.uol.com.br/estilo/2018/06/pabllo-vittar-veste-roupa-com-estampa-de-manchetes-sobre-homofobia-para-parada-lgbtq.shtml

Foto

A matéria é composta por uma foto sobre a roupa da drag, dois vídeos, uma galeria de fotos e novamente a mesma foto da roupa da Pabllo. A primeira foto é a roupa de militância que Pabllo está usando no dia da Parada LGBTQ de São Paulo, em que ela manifesta contra a homofobia. A cantora está virada de costas, e o foco é na roupa, com frases e manchetes de jornais que publicaram casos reais contra esse crime. A foto não e profissional, pois mas a qualidade está a favor da luz. Logo, o primeiro vídeo pulicado no Instagram, é a cantora dentro de um carro chamando todos e todas para irem a Parada e lutar pelos direitos. Ela esta com uma peruca curta preta e uma maquiagem rosa, o que chama a atenção, pois é raro vê-la de peruca preta e curta. O último vídeo é da drag queen chegando em um trio elétrico. Ela sai de um carro cercado por fãs, que cercam o carro e dificultam a passagem dela. Os seguranças fazem de tudo para protegê-la, e Pabllo acena para seu público e sorri. O vídeo foi gravado supostamente de cima do trio elétrico. Logo, a galeria é composta por sete fotos do momento do show da cantora na Parada. A maioria das fotos ficam embaçadas, dificultando na leitura visual, porém, duas fotos estão em estado profissional.

Matéria prima

Jornal On-line “A Folha de S. Paulo”

Codificação

Manchetes sobre homofobia. 'Parem de nos matar'. Convidada especial a cantora Pabllo Vittar. Mais esperadas do evento.

Look de militância. A artista doou peças. A cantora ainda deu seu conselho.

Classificação

Palavra roupa: estampa de manchetes, ‘parem de nos matar, notícias de homofobia, look de militância.

Categorização e Enumeração

Roupa: aparece duas vezes

Militância: apenas uma vez

LGBTQ: aparece três vezes (LGBTQfobia – aparece uma vez)

Categorização e Subcategoria

Roupa: fatiota, fato, indumentária, indumento, induto, muda, roupagem, traje, trajo, veste, vestimenta, vestuário, revestimento, pano, fazenda, estofo, tecido, trapagem, trapo.

Militância: militante, ativista, tem atitude por algo.

LGBTQ: (Lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, queers, etc.)

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas.

Uso adequado de palavras

Há uso de palavras adequadas quando a matéria se refere à Pabllo. As palavras são: “convidada especial “a cantora Pabllo Vittar”, “a artista”.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

A maioria das vezes em que o (a) jornalista se refere à Pabllo, a repetição de falar “a cantora” e “a artista” é alta. Isso mostra que quem escreveu entende sobre se tratar de uma drag queen. A matéria fala sobre o look de Pabllo, e além disso, fala de uma boa ação da cantora, que doou peças de roupas para um leilão beneficente, e todo o dinheiro arrecadado foi revertido para a Casa 1, que é o lar de cultura e acolhimento aos LGBTQ+ abandonados e não tem para onde ir. Além das fotos, vídeos e galeria, o que são multimídias dentro da plataforma jornalística on-line, há uma frase da drag no último parágrafo, em que ela diz para as pessoas não se calarem diante ao preconceito. Matéria bem construída, sensata, que além de falar sobre um assunto, traz informações positivas sobre a drag, como no caso do leilão.

Quadro 11

Título

Pabllo Vittar leiloa itens de vestuário para causa beneficente LGBT

Linha fina

O leilão acontecerá na noite desta quinta (31), em São Paulo

Data

30/05/2018

Tamanho

Matéria composta por 13 linhas, contando com o título e linha fina, sendo quatro parágrafos

Link

https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2018/05/pabllo-vittar-leiloa-itens-de-vestuario-para-causa-beneficente-lgbt.shtml

Foto

A matéria é composta por uma foto e uma galeria com fotos somente da cantora. A foto é da cantora, em estúdio, com uma peruca loira e uma maquiagem forte, destaque para o batom escuro, o brilho nas joias e plumas. Foto que está valorizando a drag, na questão de luz e iluminação. A galeria é composta por sete fotos da cantora se apresentando em um show organizado pela loja de roupas C&A, na Rua Augusta. Todas as fotos são profissionais, e o destaque vai par a sua roupa, que é uma espécie de macacão nas cores da bandeira LGBTQ+, que é o arco-íris. A luz valoriza a cantora, devido o show de dia, e o destaque também é a multidão que está na rua, assistindo ao show da drag.

Matéria prima

Jornal On-line “A Folha de S. Paulo”

 

Codificação

Pabllo Vittar leiloa itens. Cantora representativa na comunidade gay. Leiloará peças de seus figurinos. Ajudar um centro de cultura e acolhimento LGBT.

Classificação

Palavra leilão: vestuário, peças, figurino, doará, trabalhos fotográficos, obras de artistas plásticos.

Categorização e Enumeração

Leilão: aparece duas vezes

Vestuário: aparece duas vezes

Casa 1: aparece duas vezes

 

Categorização e Subcategoria

Leilão: praças, hastas. Modalidade de venda, mais difundida em órgãos públicos e empresas privadas, ao fim da venda rápida de bens.

Vestuário: é um conjunto de peças de roupa para vestir, adorno, fato, indumentária, indumento, roupa, roupas, traje, trajo, veste, vestes, vestido, vestimenta, farpela.

Casa 1: A Casa 1 é um centro de cultura e acolhimento de LGBTs.

 

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas.

Uso adequado de palavras

Há uso de palavras adequadas quando a matéria se refere à Pabllo. As palavras são: “a cantora Pabllo Vittar”, “cantora representativa” e “a artista”.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

A matéria não desfoca do assunto principal: doação do vestuário da cantora Pabllo, que será revertida para a Casa 1. Poderia ter um link quando cita a Casa 1, para o usuário conhecer o projeto e talvez poder fazer doações. A Casa 1 foi criada pelo jornalista Iran Giusti, de 27 anos, que abriu as portas de seu apartamento para abrigar LGBTQ+ desconhecidos que foram expulsos de casa, porém, como aumentou a procura, ele buscou uma casa para funcionar, chamada Casa 1. O jornalista começa falando que Pabllo é uma cantora representativa da comunidade gay, ou seja, explica, de forma feminina, que ela tem representatividade e representa muitos LGBTQ+, ou seja, já deixa claro de quem é Pabllo.

Quadro 12

Título

Serafina reproduz com Pabllo Vittar capa da Manchete com Xuxa

Linha fina

Não possuí

Data

27/05/2018

Tamanho

Possuí 19 linhas contando com o título, e seis parágrafos

Link

https://www1.folha.uol.com.br/serafina/2018/06/1969539-serafina-reproduz-com-pablo-vittar-capa-da-manchete-com-xuxa.shtml?loggedpaywall

Foto

A matéria é composta por duas fotos em que há uma dinâmica interativa de arrastar para fazer a comparação de uma foto e de outra. A primeira foto é de Xuxa pousando para a revista “Manchete”, em julho de 1981, com um maiô rosa e uma pose sensual, em que chega a mostrar ums parte do seio. Ao arrastar a imagem para direita, é a reprodução que a revista Serafina fez, da mesma pose, e com Pabllo Vittar, a qual também está com um maiô rosa e fazendo uma pose sensual, reproduzindo a foto de Xuxa. A foto é profissional e a iluminação está valorizando os traços do corpo dela.

Matéria prima

Jornal On-line “A Folha de S. Paulo”

 

Codificação

A primeira vez que Pabllo usou um maiô. “A minha drag queen urgiu no meu aniversário de 18 anos”. Artistas mais populares do país. Nem homem nem mulher. “Sou fã dela”. O (a) cantor (a) quer pintar um arco-íris.

Classificação

Gênero fluído: nem homem, nem mulher, drag queen, cantora, ele, ela, essência.

Categorização e Enumeração

Gênero fluído: aparece uma vez

Homenagem: aparece uma vez

Drag queen: aparece duas vezes

 

Categorização e Subcategoria

Gênero fluido: é a pessoa que tem sentimento fluido de sua identidade de gênero. Em um dia ela pode se sentir mulher, e no outro homem.

Homenagem: É o tributo, preito, louvor, consagração, condecoração, agraciamento, honra, galardão, laurel, láurea, prêmio, encômio, menagem. Demonstração de cortesia, é a consideração, deferência, mesura, reverência, respeito, vênia, veneração, adoração, admiração, culto, glória.

Drag queen: transformista, artista, dublador. Homem que se veste com roupas extravagantes de mulher e imita voz e trejeitos femininos, apresentando-se como artista em shows.

Uso inadequado de palavras

Há o uso de palavras inadequadas como: “Gênero fluído” e “Pablo”, apenas com uma letra “L’.

O jornalista ao utilizar “o (a) cantor (a) quer pintar um arco-íris” cria uma certa dúvida de como chamar Pabllo.

Uso adequado de palavras

Há uso de palavras adequadas quando a matéria se refere à Pabllo. As palavras são: “e a drag queen cantora

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

O jornalista dessa matéria não soube explicar quem é Pabllo Vittar. Quem lê o texto vê Pabllo como algo confuso, ao citar que “Pablo assumiu um gênero fluído, nem homem nem mulher”. Pabllo não possui um gênero fluido, Pabllo é do sexo masculino, sendo a sua orientação sexual homoafetiva, e também, sendo uma drag queen. Ou seja, um homem, homossexual e drag queen. Isso não quer dizer que Pabllo possuí um gênero fluído, que tem dias que se sente mulher e dias que se sente homem. Pabllo diz que não se importa se a chamam se “ele” ou “ela”, porém, quando ela está de drag queen, o correto seria “a drag queen”, “a Pabllo Vittar”, pois drag queen se remete a uma figura feminina, uma mulher, lembrando que é uma arte, um personagem. Como Pabllo é conhecida por ser drag queen, se torna comum chama-la no femino no cotidiano.

Quadro 13

Título

Premiação da MTV terá show de Pabllo Vittar e participação especial de Anitta e Alok

Linha fina

MTV MIAW premia ícones do universo pop e acontece pela primeira vez no Brasil

Data

23/05/2018

Tamanho

Matéria composta por 24 linhas, contando com título e linha fina, sendo seis parágrafos.

Link

https://f5.folha.uol.com.br/musica/2018/05/premiacao-da-mtv-tera-show-de-pabllo-vittar-e-participacao-especial-de-anitta-e-alok.shtml

Foto

A matéria é composta por uma foto de Pabllo Vittar e uma galeria com sete imagens de outros artistas que também participarão do evento, contando também com a drag. A primeira foto é a drag em um estúdio de fotografia, com uma peruca loira e o batom forte. É a mesma imagem do quadro 11, com brilho nas joias e destaque para as plumas. Fotografia que valoriza a cantora em todos os sentidos, desde seus traços até a sua pose sensual. A galeria de fotos possui cantores como Anitta, Jojo Todynho, Mc Kevinho, Alok, Tropkillaz, Pabllo Vittar e o apresentador e youtuber Whindersson Nunes. Todas as fotos são profissionais e a iluminação valoriza todos eles. Pabllo está na sétima foto, com o mesmo look, mesmo estúdio, porém, fazendo outra pose.

Matéria prima

Jornal On-line “A Folha de S. Paulo”

 

Codificação

Show de Pabllo Vittar. Ícones do universo pop. Abertura musical da cantora Pabllo Vittar. Kevinho e Pabllo seguem logo atrás.

Classificação

Palavra Ícones: participação especial, Pabllo Vittar, Anitta, Kevinho, Alok, Zeeba, Tropkillaz, Jojo Todynho, 28 categorias, geração atual.

Categorização e Enumeração

Ícones: aparece duas vezes

Premiação (participações): aparece duas vezes

Categorias: aparece duas vezes

 

Categorização e Subcategoria

Ícones: é aquela pessoa emblemática, o ídolo, imagem. Representação artística. Pode ser também uma escultura, estampa, estátua, figura, gravura, pintura, quadro, reprodução.

Premiação: é a recompensa de um rendimento, compensação, lucro, remuneração, gratificação, ganho, abono, pagamento, bonificação, paga, retribuição. Uma condecoração, laurel, láurea, honraria, glória, homenagem, honra, distinção, galardão, reconhecimento, condecoração, coroa.

Categorias: uma espécie, laia, tipo, marca, natureza, sorte, hierarquia, grau, gradação, camada, condição, estrato, nível, posição, predicamento.

 

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas.

Uso adequado de palavras

Há uso de palavras adequadas quando a matéria se refere à Pabllo. As palavras são: “da cantora Pabllo Vittar” e “a cantora Pabllo Vittar”

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

A matéria fala de diversos artistas que irão participar da premiação do MTV MIAW. Já no título, o jornalista cita Anitta, Pabllo Vittar e Alok, três grandes artistas populares brasileiros. A foto que vem abaixo, é da drag queen Pabllo Vittar. Poderia ser de Anitta ou Alok, mas o (a) jornalista optou por Pabllo e isso causa uma representatividade para a comunidade LGBTQ+. O texto cita duas vezes Pabllo, e todas as vezes ela é tratada de forma adequada. O autor ou a autora da matéria soube diferenciar os artistas, principalmente se tratando de Pabllo, a chamando de “a cantora”. Na galeria de fotos, há novamente outra foto da drag, com outra pose, ou seja, a matéria começa falando de Pabllo e com uma foto da mesma, e se encerra com a última foto, também sendo da drag. A comunidade LGBTQ+ se sente representados e respeitados quando existem esses pequenos detalhes dentro do jornalismo.

Quadro 14

Título

Globo busca substitutas para Pabllo Vittar em banda do Amor e Sexo

Linha fina

Com agenda apertada, cantora deixará o programa de Fernanda Lima

Data

23/05/2018

Tamanho

Matéria composta por nove linhas, contando com título e linha fina, sendo três parágrafos

Link

https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/fernando-oliveira/2018/05/globo-busca-substitutas-para-pabllo-vittar-em-banda-do-amor-e-sexo.shtml

Foto

A matéria é composta por uma foto da drag e novamente a mesma galeria de fotos, com 38 fotos. A foto inicial é da cantora fazendo um ensaio fotográfico em Fernando de Noronha. A foto esta ampliada, valorizando mais a Pabllo, que está aparentemente dentro do mar, mas no lado mais raso. Com o dedo na boca, ela faz uma pose sensual, olhando fixamente na câmera. Aparentemente a foto foi tirada no final de tarde e início de noite, pois a paisagem ao fundo já está escura, e Pabllo, está bem iluminada, também causando um destaque que valoriza o seu rosto, peruca e traços. Logo, existe a mesma galeria com as 38 fotos da cantora, com fotos dela desmontada, se maquiando, pousando na praia de Fernando de Noronha, ela fazendo shows, fazendo poses sensuais, pousando com famosos como Preta Gil, Fergie, Lucas Lucco, Ludmilla, Nego do Borel, Anitta, Luciano Hulk e Mateus Carrilho. Todas as fotos são de alta qualidade, com uma iluminação que favorece a cantora e todos os outros cantores que estão com ela.

Matéria prima

Jornal On-line “A Folha de S. Paulo”

 

Codificação

Substitutas para Pabllo Vittar. Cantora deixará o programa. Baixa no elenco. Pabllo Vittar não estará à frente da banda. As cantoras Liniker e Aretuza Lovi.

Classificação

Palavra banda: Amor & Sexo, Pabllo Vittar, substituta, agenda, Fernanda Lima, programa, Liniker, Aretuza Lovi.

Categorização e Enumeração

Banda: aparece três vezes

Agenda: aparece três vezes

Programa: aparece três vezes

Categorização e Subcategoria

Banda: Uma banda, conjunto ou grupo musical é uma reunião de músicos formado com o intuito de tocar arranjos musicais.

Agenda: dietario, memorándum, anales, anuário, crónica, diário, efemérides, fastos, memorias, breviário, guía, manual, prontuário, para anotar as coisas que tem que ser feitas.

Programa: pode ser um planejamento, esquema, esboço, roteiro, planejamento, plano, projeto, prospecto. Ou também, pode ser apresentação, show, atração, espetáculo, exibição, sessão, como também um software, disciplinas, matérias, passeio, distração, diversão, lazer, recreação.

 

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas.

Uso adequado de palavras

Há uso de palavras adequadas quando a matéria se refere à Pabllo. As palavras são: “cantora” e “a drag queen”.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

A matéria é curta, porém soube tratar adequadamente não só Pabllo Vittar como ela é (drag queen), mas também a transexual e cantora Liniker e também a drag queen e cantora Aretuza Lovi, utilizando o termo “as cantoras” para se referir a elas. A matéria diz que a Globo busca novas substitutas para o programa “Amor & Sexo”, apresentado por Fernanda Lima, e as duas cogitações são: uma transexual e uma drag queen, e isso representa uma conquista para a comunidade LGBTQ+, ainda mais quando o jornalismo sabe tratar adequadamente as diferenças de cada um.

Quadro 15

Título

'Vivemos melhor e pior momento' para causa, diz curadora de mostra LGBT no Itaú Cultural

Linha fina

Soropositividade inspira a 5ª edição do festival 'Todos os Gêneros', que aborda a diversidade sexual

Data

09/05/2018

Tamanho

Matéria composta por 51 linhas contando com título e linha fina. A programação do evento, anexada junto com a matéria é composta por 85 linhas, contando com o título das apresentações, horário e um breve resumo do que se trata. Na matéria, cuja apresenta 51 linhas, existem 15 parágrafos.

Link

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/05/vivemos-melhor-e-pior-momento-para-causa-lgbt-diz-diretora-do-itau-cultural-sobre-evento.shtml

Foto

A matéria é composta por uma galeria com 11 fotos de pessoas que irão ou participaram do evento, e nenhuma consta Pabllo. Logo, é um vídeo chamado “Lasicalíptica 6 - #elCuerpoVih”, conhecido como “Cura”, de Micaela Cyrino. Vale ressaltar que todas as fotos estão com uma iluminação que valoriza os artistas.

Matéria prima

Jornal On-line “A Folha de S. Paulo”

 

Codificação

‘Vivemos melhor e pior momento'. Soropositividade inspira a 5ª edição do festival 'Todos os Gêneros'. Visibilidade para a causa LGBT. Violência contra gays e transgêneros. Ainda é sobreviver. Cantoras transgênero Pabllo Vittar, Liniker e Linn da Quebrada. Grupo de risco para o HIV.

Classificação

Palavra Visibilidade: causa, 5ª edição do festival 'Todos os Gêneros, gays, transgêneros, sobreviver, debates, performances, peças, musicais, festas, show, ascensão, ação, reação.

Categorização e Enumeração

Visibilidade: aparece uma vez

Violência: aparece duas vezes

Soropositividade: aparece duas vezes

Categorização e Subcategoria

Visibilidade: é a visão, vista, visualidade. Condição do que se apresenta de modo evidente, pode ser também a clareza, evidência, nitidez, perceptibilidade, transparência.

Violência: a agressão, agressividade, aspereza, bestialidade, brutalidade, crueldade, dureza, ferocidade, hostilidade, rigor, selvageria, selvajaria. Uma fúria, ímpeto, ardor, calor, força, fúria, impetuosidade, inflamação, intensidade, veemência.

Soropositividade: é portador do vírus HIV portador do vírus da aids soropositivo

Uso inadequado de palavras

Há uso de uma palavra inadequada quando o jornalista se refere à Pabllo, ele usa o termo “ cantoras transgênero Pabllo Vittar, Liniker e Linn da Quebrada”.

Uso adequado de palavras

Há uso de palavra adequada quando a matéria se refere à Pabllo, como a palavra “as cantoras

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

A matéria apresenta um tema que precisa ser debatido e entendido por todos. Ao começar que se trata de um evento que está na 5ª edição, chamado festival 'Todos os Gêneros', voltado para a diversidade sexual, tema que todos deveriam ter uma base de entendimento. Um evento importante, ainda mais com o tema dessa edição, que é sobre HIV. Como citado na matéria e também neste trabalho, antigamente era considerado os gays como a espécie que proliferava essa doença. Hoje, essa visão é totalmente estereotipada e preconceituosa, pois, na matéria diz que, “segundo dados do Ministério da Saúde, a doença tem avançado mais entre mulheres, idosos e negros”. Então, através das apresentações do festival, palestras, músicas e tudo mais, percebe-se que é necessário entender e falar sobre a diversidade sexual e também os riscos, como a violência contra a comunidade LGBTQ+ e a prevenção para não se tornar um portador HIV. Mas, além de tudo isso, o jornalista não soube definir quem é Pabllo. Ele a coloca como uma cantora (até aí está correto) transgênero. Pabllo não é um transgênero, uma transexual e nem travesti, é um homossexual e drag queen. É normal as pessoas que não tem contato se confundirem como uma travesti, como acontece, porém, isso não pode acontecer em uma matéria que trata de um assunto importante para as pessoas.

Quadro 16

Título

Juntos no palco, Pabllo Vittar, Simone e Luan Santana pedem mais união e menos rivalidade entre fãs

Linha fina

Artistas ganharam ação promocional que envolvia votação popular

Data

03/05/2018

Tamanho

Matéria composta por 35 linhas, contando com título e linha fina, sendo 11 parágrafos

Link

https://f5.folha.uol.com.br/musica/2018/05/juntos-no-palco-pabllo-vitar-simone-e-luan-santana-pedem-mais-uniao-e-menos-rivalidade-entre-fas.shtml

Foto

A foto é de Pabllo Vittar, Simone da dupla com Simaria e Luan Santana cantando juntos no show promovido pela Coca-Cola. Pabllo parece estar emocionada, tentando conter as lagrimas de felicidade de rosto, ao seu lado, está Simone, que sorri para os fãs e Luan Santana, do lado de Simone, está sorrindo para Pabllo Vittar. A imagem traz uma sensação de emoção, e foi tirada em um momento espontâneo em um determinado momento do show. A fotografia é profissional e está valorizando os três, e a iluminação também, pois se trata um show com o melhor “hit” do ano. A roupa brilhante e a peruca rosa curta de Pabllo chama atenção de quem vê a foto, pois gera um destaque sobre a queen.

Matéria prima

Jornal On-line “A Folha de S. Paulo”

 

Codificação

Juntos no palco. Menos rivalidade entre fãs. Chamaram de "hit do ano". Se dedicam mais com isso do que a própria vida.

Fanatismo musical ainda é muito permeada por ódio. “A música é para fazer união”. “Não temos que ficar com disputa".

Classificação

Palavra fãs: união, rivalidade, votação, popular, site, internet, respeitar, amados, estilo.

Categorização e Enumeração

Fãs: aparece seis vezes

Rivalidade: aparece duas vezes

Votar/votação/votando: aparecem cinco vezes

Show: aparece cinco vezes

Categorização e Subcategoria

Fãs: admirador, tiete, apreciador, adorador, amante, apaixonado, amador, fanático, aficionado, torcedor, seguidor, simpatizante, entusiasta, entusiasmado, empolgado, afeiçoado, fascinado, encantado, enamorado, dedicado, devoto, adepto, venerador.

Rivalidade: antagonismo, hostilidade, ciúme. Uma espécie de guerra, disputa, rixa, oposição, primazia, contenção, desinteligência, porfia, competitividade.

Votar/votação/votando: sufrágio, cédula eleitoral, eleição, votação. Causa de uma promessa, compromisso, jura, juramento, obrigação, promessa, prometimento, promissão.

Show: Bom local para apresentação, performance espetáculo. É um espetáculo, apresentação, exibição, performance, programa, representação.

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas.

Uso adequado de palavras

Há uso uma palavra adequada se referindo a uma frase dita por Pabllo em: “diz Pabllo, se dizendo honrada”.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

Uma matéria composta por três artistas. Um do pop, e os outros dois do sertanejo universitário. A cita Pabllo poucas vezes, porém, apenas uma vez a trata como feminino, quando diz que a drag ficou honrada, com “A” no final. Das outras vezes, não há pronomes e nem outra palavra para se referir. Como se trata de uma matéria com outros artistas que também ganham a promoção, outros diversos públicos diferentes também terão acesso a essa matéria, então teria que ter uma explicação ou um melhor posicionamento ao se referir a Pabllo, pelo menos falar “a drag queen”. A matéria abre espaço para todos os artistas, então, cada um têm uma fala nessa matéria. Porém, na de Pabllo há um ponto controverso. O (a) jornalista diz que os fãs de Pabllo desmerecem Anitta nas redes sociais, e vice-versa. Porém, os fãs de Anitta, a maioria são LGBTQ+, e a tratam como uma diva pop brasileira. Então, pode-se dizer que mais da metade dos fãs de Pabllo, também são fãs de Anitta, a qual participa de eventos em apoio a causa como a Parada do Orgulho LGBTQ+. Pode ser que essa informação esteja correta, porém, ela não faz sentido. O jornalista deveria apurar e analisar se isso não acontece em relação a outros artistas.

Quadro 17

Título

Prazer, Pabllo Vittar é irregular, mas tem momentos emocionantes

Linha fina

Estreia do programa realça rede de afeto que ajudou no sucesso da cantora

Data

02/05/2018

Tamanho

Matéria composta por 35 linhas, contando com título e linha fina, sendo 12 parágrafos

Link

https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/tonygoes/2018/05/prazer-pabllo-vittar-e-irregular-mas-tem-momentos-emocionantes.shtml

Foto

Matéria composta por uma foto da drag em seu programa da Multishow “Prazer, Pabllo Vittar”, e duas galerias de fotos específicas a ela. A primeira foto é profissional e está valorizando a cantora, que aparece estar ao meio de alguma apresentação na gravação de seu programa. O destaque vai par a roupa preta verniz, em que quando a luz rosa do cenário reflete, a roupa fica toda destacada em rosa. Além da peruca verde limão, que foi uma tendência esse ano dentro de alguns famosos. A luz está um pouco baixa, porém, mesmo assim não desvaloriza a cantora. Já a outra galeria é composta por sete fotos da cantora se apresentando em um show organizado pela loja de roupas C&A, na Rua Augusta. Todas as fotos são profissionais, e o destaque vai par a sua roupa, que é uma espécie de macacão nas cores da bandeira LGBTQ+, que é o arco-íris. A luz valoriza a cantora, devido o show de dia, e o destaque também é a multidão que está na rua, assistindo ao show da drag. E a última galeria novamente é a que mais se repete durante algumas matérias. Na última galeria, é somente voltada para a drag queen Pabllo Vittar, composta por 38 fotos. Existem fotos dela desmontada, se maquiando, pousando na praia de Fernando de Noronha, ela fazendo shows, fazendo poses sensuais, pousando com famosos como Preta Gil, Fergie, Lucas Lucco, Ludmilla, Nego do Borel, Anitta, Luciano Hulk e Mateus Carrilho. Todas as fotos são de alta qualidade, com uma iluminação que favorece a cantora e todos os outros cantores que estão com ela.

Matéria prima

Jornal On-line “A Folha de S. Paulo”

 

Codificação

Prazer, Pabllo Vittar é irregular. Realça rede de afeto. Inevitável que Pabllo Vittar ganhasse programa próprio. Uma mistura de musical. Depoimentos lacrimejantes dignos das “histórias de superação”. Pabllo tem carisma. Fenômeno de popularidade. Polemicas nas redes sociais. Prazer, Pabllo Vittar é meio desconjuntado. Roteiro anda em zigue-zague. Pabllo não é exatamente uma grande entrevistadora. Ela sofreu bullying no colégio. Dedinho a menos de pieguice. Primeira atração em horário nobre.

Classificação

Palavra Programa: ‘Prazer, Pabllo Vittar’, programa próprio, Multishow, canal pago, episódio, musical, “talk show”, “reality” documental, desconjuntado, roteiro, zigue-zague, estrutura.

Categorização e Enumeração

Programa: aparece três vezes

Desconjuntado: aparece uma vez

Popularidade: aparece uma vez

Categorização e Subcategoria

Programa: pode ser um planejamento, esquema, esboço, roteiro, planejamento, plano, projeto, prospecto. Ou também, pode ser apresentação, show, atração, espetáculo, exibição, sessão, como também um software, disciplinas, matérias, passeio, distração, diversão, lazer, recreação.

Desconjuntado: descosido, desengonçado, desmantelado.

Popularidade: é a pessoa que tem fama, celebridade, renome, glória.

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas.

Uso adequado de palavras

Há uso de palavras adequadas quando a matéria se refere à Pabllo. As palavras são: “da cantora”, “a drag queen”, “vinda de”, “das duas”, “da artista”, “ela”.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

E uma matéria em que o jornalista dá a sua opinião. Escrito por Tony Goes (56), uma palavra no título dá a entender basicamente o que ele quer falar no decorrer do texto. Quando ele diz que “Prazer, Pabllo Vittar” é irregular (sem aspas), significa que ele dará a sua opinião sobre o programa. Inicialmente ele explica e elogia, dá a sua opinião e sempre quando se refere a Pabllo, ele usa as palavras no feminino. Logo, um pouco antes de chegar à metade da matéria, ele começa a falar que o programa é desengonçado, ou que deveria focar mais em Pabllo do que os convidados. É a opinião do jornalista. Ele deu a opinião e respeitou, inclusive soube tratar adequadamente o drag. O jornalismo de opinião é lgo que está faltando no jornalismo atual, principalmente quando se fala em jornalismo político.

Quadro 18

Título

Pabllo Vittar diz que quer 'mostrar mais da Phabullo Rodrigues da Silva Araujo' em novo programa

Linha fina

Cantora estreia como apresentadora nesta terça (1º)

Data

01/05/2018

Tamanho

Matéria composta por 48, contando com título, linha fina e olho, sendo 17 parágrafos

Link

https://f5.folha.uol.com.br/televisao/2018/05/vinte-quilos-mais-magra-pabllo-vittar-diz-que-quer-mostrar-mais-da-phabullo-rodrigues-da-silva-araujo.shtml

Foto

A matéria é composta por novamente a mesma foto da drag utilizada na matéria passada, em que ela está em seu programa da Multishow “Prazer, Pabllo Vittar”, uma galeria com 38 fotos sobre ela, a mesma que foi utilizada em matérias anteriores, somente voltada para a drag queen Pabllo Vittar, composta por 38 fotos. Existem fotos dela desmontada, se maquiando, pousando na praia de Fernando de Noronha, ela fazendo shows, fazendo poses sensuais, pousando com famosos como Preta Gil, Fergie, Lucas Lucco, Ludmilla, Nego do Borel, Anitta, Luciano Hulk e Mateus Carrilho. Todas as fotos são de alta qualidade, com uma iluminação que favorece a cantora e todos os outros cantores que estão com ela.

Matéria prima

Jornal On-line “A Folha de S. Paulo”

 

Codificação

Mostrar mais da Phabullo Rodrigues da Silva Araujo. “Mas sou muito tímida”. Encontros com convidados. Números musicais. Interação com a plateia e com o público de casa. Sem medo de críticas. “Eu amo os haters, afinal eles me dão audiência”.

Classificação

Palavra estreia: novo programa, terça feira, Multishow, palcos, cinco episódios, temas, facetas, sem medo, bem ou mal, preparada.

Categorização e Enumeração

Estreia: aparece duas vezes

Haters: aparece três vezes

Apresentadora: aparece cinco vezes

Categorização e Subcategoria

Estreia: é o lançamento, apresentação, debute, inauguração, abertura, batismo, fundação, instituição, começo, princípio, início, exórdio, alfa.

Haters: O mesmo que "odiadores", aqueles que odeiam algo ou alguém, ao contrário de fãs.

Apresentadora: é a comentadora, narradora, quem comanda algo, como um programa de televisão, rádio, etc.

Uso inadequado de palavras

Não há uso de palavras inadequadas.

Uso adequado de palavras

Há uso de palavras adequadas quando a matéria se refere à Pabllo. As palavras são: “cantora”, “apresentadora”, “ela”, “animada”, “a drag queen”, “magra”, “babadeira”.

Inferência e Interpretação (Análise do conteúdo)

Do começo ao fim da matéria, o (a) jornalista se preocupou em utilizar os termos corretos quando se refere à Pabllo. Todas as vezes que algum assunto era sobre a drag, o (a) jornalista utilizou os termos no feminino, além de falar que ela é uma “drag queen”, como “a drag queen (...)”, e isso reforça o que ela é, para que o público que não esteja acostumado entenda que se trata de uma figura feminina. A matéria começa falando de como será o programa “Prazer, Pabllo Vittar”, os primeiros convidados, qual será a cara do programa, e também, falas da Pabllo dizendo sobre as expectativas de estrear como apresentadora e qual pode ser a intenção dos haters para a estreia. A matéria não buscou falar somente do programa, abordou vários lados, como por exemplo no subtítulo “Menos 20 quilos”, em que Pabllo fala de sua vida na academia. Ainda nisso, o (a) jornalista dá outras informações, como por exemplo da estreia do clipe “Hasta la Vista”, do ‘Fan Feat Coca Cola’. Logo, em outro subtítulo chamado “Webséries”, proporciona falar um pouco mais da carreira artística da drag em webséries, além do “Prazer, Pabllo Vittar”. Vale ressaltar que o autor da matéria usa o termo “babadeira”, para se referir a drag de Pabllo em outra websérie chamada “Bem Menininha”. Esse termo proporciona interagir o jornalista não só com o conteúdo sendo abordado, mas também com a comunidade LGBTQ+ que se veem representados por uma drag queen, e também, por um jornalismo que sabe utilizar corretamente as palavras e que até explora esse mais as gírias e o lado LGBTQ+, como a palavra “babadeira”.

1 Gays: palavra inglesa utilizada normalmente para se designar o indivíduo, homem ou mulher, homossexual.

2 Lésbicas: é o termo para homossexualidade feminina. Uma mulher que experimenta amor romântico ou atração sexual por outras mulheres.

3 Disponível em: Acesso em: abr.2018.

4 Disponível em: Acesso em: abr.2018.

5 Disponível em: Acesso em: abr.2018.

6 Disponível em: Acesso em: abr.2018.

7 Disponivel em: Acesso em: abr.2018.

8 Disponível em: Acesso em: abr. 2018.

9 Disponível em: < goo.gl/zVubMF> Acesso em: abr. 2018

10 Aquendar: Palavra utilizada no universo LGBTQ+ como forma de “guardar”, “esconder” o pênis.

11 Truncamento: Vem de Aquendar. Outra palavra utilizada pelo universo LGBTQ+ como forma de “guardar”, “esconder” o pênis.

Neca: palavra utilizada no universo LGBTQ+ para se referir ao pênis

12.

13 Feats: ft ou feat são a abreviação de "featuring" que vem do inglês "feature" que quer dizer característica e especialidade. Quando há Quando ft ou feat em títulos de músicas, significa que há uma participação de algum outro artista.

14 Close: palavra utilizada no universo LGBTQ+ quando o indivíduo chama a atenção de um jeito diferente.

15 Disponível em: < https://homofobiamata.wordpress.com/relatorio-ggb-2017/> Acesso em: maio.2018.

16 Disponível em: Acesso em: maio.2018

17 Disponível em: Acesso em: maio. 2018.

18 Leandra ia ao teatro com a sua mãe, Ângela Leal, e assistia do camarim os espetáculos das travestis. Leandra cresceu em meio à arte do teatro, via de perto os espetáculos do teatro de seu avô. No documentário, ela deixa claro que as divas, para ela, fazem parte de seu cotidiano, dizendo que as divas nunca foram estranhas para ela. Em 2004 o Teatro Rival completou 70 anos com o show das 8 travestis juntas, com o espetáculo “Divinas Divas”. Dez anos depois, Leandra, para comemorar o aniversário de 80 anos do teatro, em 2014, fez o resgate dessas memórias do passado, juntando novamente todas as divas, para uma celebração no palco que as consagrou, resultando nas gravações de seu documentário “Divinas Divas”.

19 Youtubers: vem da palavra YouTube. É um usuário frequente do site do YouTube que tem uma conta (canal) e compartilha vídeos gravados dele e por ele mesmo.

20 O preto é a cor do absolutismo, do poder; na fotografia, funciona da mesma maneira que na moda, concedendo elegância e superioridade. O branco transmite o oposto, tornando-se a personificação de pureza e delicadeza e ampliando os sentidos de espaço e percepção. Cinza, a cor mais presente em toda a imagem monocromática (ironicamente chamada de “preto e branco”), representa a estabilidade e o equilíbrio. Disponível em: Acesso em: maio.2018

21 Hiperlinks: Uma hiperligação, um liame/ligame, ou simplesmente uma ligação, é uma referência dentro de um documento em hipertexto a outras partes desse documento ou a outro documento.

22 Podcasts: Podcasting é uma forma de publicação de ficheiros multimídia na Internet, através de um feed RSS, que permite aos utilizadores acompanhar a sua atualização.

23 Nicho: Em administração e marketing, nicho é a porção específica de um mercado, geralmente uma parte pequena, com necessidades e hábitos específicos, com consumidores exigentes, normalmente. Nicho de mercado é um segmento de público, que muitas vezes suas necessidades não são bem exploradas. Pode ser o público-alvo, ou aquele grupo de pessoas.

24 IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

25 Twitter: é uma rede social e servidor para microblogging, que permite aos usuários enviar e receber atualizações pessoais de outros contatos, em textos de até 140 caracteres.

26 Arraiás: local em que se comemora a festa de São João, ou seja, a festa junina, com palco para apresentações culturais da região como quadrilha, forró, dentre outros. Típica do Nordeste brasileiro.

27 Stories: plataforma em que os usuários podem compartilhar seus momentos com fotos e vídeos personalizados com emojis, desenhos coloridos feitos à mão e texto, ou até mesmo fazer “lives”, mais conhecido como o “ao vivo”.

28 Hit: música que fez/faz sucesso, caí no “gosto” das pessoas.

29 Sensacionalismo: Foge da realidade. Busca pela notícia exagerada, causando impacto às pessoas.

30 Fakenews: matérias e informações falsas. Boatos que muitas vezes acabam virando notícia. Podem ser criados por jornalistas ou não, lembrando que foge dos valores éticos do Código de Ética do Jornalista Brasileiro (2007).

31 Jornalística de serviços: também é conhecido como jornalismo de utilidade pública, no que se refere às especializações da profissão jornalística em fornecer informações de utilidade imediata ao leitor, principalmente no que diz respeito a empregos, concursos públicos, imóveis e mercado imobiliário, exercício da cidadania e serviços públicos.

32 Haters: ou odiador é um termo usado na internet para classificar pessoas que postam comentários de ódio ou crítica sem muito critério.

33 Disponível em < http://twixar.me/4sD3> Acesso em: jul. 2018.

34 Chats: Um chat, que em português significa conversação ou mais informalmente bate-papo, é um estrangeirismo que designa aplicações de conversação em tempo real e virtualmente.

35 Disponível em: < http://geradormemes.com/meme/gvq667> Acesso em: ago. 2018.

36 Disponível em Acesso em: ago. 2018.

37 Disponível em: < goo.gl/gRsA3U> Acesso em: ago. 2018.

38 Disponível em: < goo.gl/RLzR53> Acesso em: ago. 2018.

39 Disponível em: < goo.gl/RLzR53> Acesso em: ago. 2018.

40 Disponível em: Acesso em: ago. 2018.

41 Telefoto: transmissão e recepção a distância de imagens fotográficas por meio de ondas hertzianas.

42 Disponível em: < https://glo.bo/2Moo2lb> Acesso em: ago. 2018.

43 Jornalismo comunitário: a especialização da profissão jornalística nos fatos que ocorrem dentro de uma comunidade (bairro, vila, vilarejo, aldeia, povoado, distrito, concelho, município, favela, etc.) ou que sejam de interesse para os moradores desta. Também se define como o jornalismo praticado por membros de uma comunidade como, por exemplo, no caso de jornais e rádios produzidos por moradores de uma favela.44

Android: é o nome do sistema operacional baseado em Linux que opera em celulares (smartphones), netbooks e tablets. É desenvolvido pela Open Handset Alliance, uma aliança entre várias empresas, dentre elas a Google.

45 Ipad: é o nome de um tablet produzido pela empresa Apple Inc. Pelo seu tamanho (tela de 9,7 polegadas) e peso (cerca de 700 gramas) se situa entre um smartphone e um computador portátil. O iPad usa o sistema operativo iOS, o mesmo do iPod e iPhone.

46 Iphone: é uma linha de smartphones desenvolvidos e comercializados pela Apple Inc. É o unico smartphone a operar com o sistema operacional móvel iOS.

47 Disponível em: Acesso em: ago. 2018.

48 Impressão offset: é um processo planográfico cuja essência consiste em repulsão entre água e gordura (tinta gordurosa). O nome off-set - fora do lugar - vem do fato da impressão ser indireta, ou seja, a tinta passa antes por um cilindro intermediário (blanqueta).[1] Todo o processo acaba tornando a impressão de alto custo mas que é dissolvido devido a sua grande tiragem. Hoje em dia, com as novas tecnologias, os processos analógicos já não são mais tão utilizados, dando lugar aos CTP's, que agilizam o processo e geram menos material como fotolito.

49

50 Ranking: é um processo de posicionamento de itens de estatísticas individuais, de grupos ou comerciais, na escala ordinal de números, em relação a outros.

51 Disponível em < https://brightestyoungthings.com/articles/6-reasons-why-banaka-should-be-on-rupauls-drag-race> Acesso em ago. 2018.

52 Mas Media: Meios de comunicação social são todos os tipos de aparatos analógicos ou digitais utilizados para transmitir textos, imagens e áudios para uma massa heterogênea e indeterminada de pessoas.

53 Montaria: montaria exagerada nas Drag queens.

54 LinkedIn: é uma rede social de negócios fundada em dezembro de 2002 e lançou em 5 de maio de 2003.

55 Disponível em < https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/pabllo-vittar-estampa-capa-de-revista-feminina-e-e-alvo-de-ataques-108688/> Acesso em: ago. 2018.

56 Disponível em < https://f5.folha.uol.com.br/estilo/2018/06/pabllo-vittar-veste-roupa-com-estampa-de-manchetes-sobre-homofobia-para-parada-lgbtq.shtml> Acesso em: set. 2018.

57 Disponível em: < goo.gl/2Bt7z7> Acesso em: set. 2018.

58 Disponível em < https://f5.folha.uol.com.br/musica/2018/06/pablo-vittar-faz-carta-de-amor-para-publico-lgbt-internacional.shtml> Acesso em set. 2018.

59 Disponível em: < https://www.poetasdelmundo.com/detalle-poetas.php?id=3895> Acesso em: 12 set. 2018 


Publicado por: Luis Otávio Pires

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