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Caracterização de Sistemas de Produção de Ovinos em Cinco Povoados de Miguel Calmon - Bahia

Agricultura e Pecuária

Análise sobre o sistema de produção de ovinos em cinco povoados de Miguel Calmon - Bahia.

índice

  1. 1. RESUMO
  2. 2. INTRODUÇÃO
  3. 3. REFERENCIAL TEÓRICO
    1. 3.1 A ovinocultura no Brasil, no Nordeste e na Bahia
      1. 3.1.1 Surgimento e desenvolvimento da ovinocultura no Brasil
      2. 3.1.2 Situação atual
    2. 3.2 Sistemas de criação de ovinos
    3. 3.3 Tipos de sistemas de produção
      1. 3.3.1 Sistema extensivo
      2. 3.3.2 Sistema semi-intensivo
      3. 3.3.3 Sistema intensivo
      4. 3.3.4 A escolha do tipo de sistema
    4. 3.4 Manejo alimentar de ovinos no Nordeste brasileiro
    5. 3.5 Água
    6. 3.6 Criação a pasto
    7. 3.7 Confinamento
    8. 3.8 Principais raças de ovinos criadas no Nordeste brasileiro
      1. 3.8.1 Santa Inês
      2. 3.8.2 Morada Nova
      3. 3.8.3 Dorper
      4. 3.8.4 Somalis Brasileira
      5. 3.8.5 Crioula (SRD – Sem Raça Definida)
    9. 3.9 Instalações comuns na atividade
      1. 3.9.1 Abrigos
      2. 3.9.2 Apriscos
      3. 3.9.3 Baias para reprodutores
      4. 3.9.4 Centro de manejo ou setor de manejo
      5. 3.9.5 Quarentenário
      6. 3.9.6 Bebedouros, comedouros e saleiros
      7. 3.9.7 Esterqueiras
      8. 3.9.8 Cercas
  4. 4. METODOLOGIA
  5. 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO
    1. 5.1 Perfil da propriedade, atividade e produtor.
      1. 5.1.1 Produção de outras espécies animal
      2. 5.1.2 O acompanhamento técnico
      3. 5.1.3 Irrigação x produção de forrageiras
    2. 5.2 Estruturas das propriedades
      1. 5.2.1 Composição dos apriscos
      2. 5.2.2 Outras estruturas importantes
      3. 5.2.3 Piqueteamento e o pastejo rotacionado
    3. 5.3 Nutrição do rebanho e manejo das forrageiras
      1. 5.3.1 Principais forrageiras exploradas
      2. 5.3.2 Outras forrageiras cultivadas
      3. 5.3.3 Suplementação alimentar
      4. 5.3.4 Mineralização do rebanho
    4. 5.4 Manejo e conservação do solo
      1. 5.4.1 Práticas edáficas e vegetativas realizadas
    5. 5.5 Questões sanitárias nos sistemas de produção
      1. 5.5.1 Quarentenário: a barreira contra a entrada de patologias.
      2. 5.5.2 Manejo do esterco
      3. 5.5.3 Frequência de limpeza do aprisco
      4. 5.5.4 Ocorrência de patologias
    6. 5.6 Questões acerca da reprodução, crias, matrizes e reprodutores
      1. 5.6.1 Sistema de acasalamento
      2. 5.6.2 Estação de monta
      3. 5.6.3 Acompanhamento do parto
      4. 5.6.4 Cura do umbigo
      5. 5.6.5 Desmame e peso médio
      6. 5.6.6 Descartes de machos e fêmeas de acordo com a idade
      7. 5.6.7 Questões intrínsecas aos sistemas de produção
      8. 5.6.8 Sistemas de criação explorados
      9. 5.6.9 Procedência dos ovinos e fases de produção realizadas
      10. 5.6.10 Tipo de exploração e destino da produção
      11. 5.6.11 Efetivo do rebanho ovino (total, machos e fêmeas)
      12. 5.6.12 Raças predominantes e outras raças produzidas
  6. 6. CONCLUSÃO
  7. 7. REFERÊNCIAS
  8. 8. ANEXOS

1. RESUMO

A produção e o consumo da carne ovina no Brasil ainda são incipientes quando comparados com as carnes bovinas, suínas e de frangos, essa baixa é justificável pelo reduzido nível de tecnificação dos sistemas de produção. A região Nordeste é a maior produtora e o estado da Bahia possui o maior rebanho ovino do país. No entanto, este efetivo é formado, na sua maioria, por animais criados em pequenos rebanhos, com pouca tecnificação ou acompanhamento técnico. Deste modo, diante da escassez de informações quanto aos sistemas de produção de ovinos, o presente trabalho teve como objetivo traçar o perfil da produção de ovinos no município de Miguel Calmon – Bahia. A coleta de dados foi realizada via questionário semiestruturado, em dez propriedades rurais, localizadas nos povoados de: Queimada Nova, Olhos d’Água, Bagres, Brejo Grande e França (região pertencente ao município). Foi possível notar que as propriedades ovinocultoras estão em um processo de transição entre a exploração tradicional extensiva e a produção mais intensiva, com uso de tecnologias, foco no manejo alimentar, sanitário e genético, almejando-se maiores níveis de produção, e consequente distanciamento do modelo primitivo. Logo, as informações coletadas são de suma importância visando traçar o perfil dos empreendimentos rurais ovinocultores e fornecem base para se traçar metas e estratégias visando o fortalecimento da atividade no município.

Palavras-chave: Bahia; Ovinocultura; Pecuária;

2. INTRODUÇÃO

No Brasil, a carne ovina ainda apresenta baixa produção e consumo. Em comparação com outras carnes, é possível perceber que o seu consumo é reduzido. De modo geral, são consumidas cerca de 700 gramas de carne ovina per capita/ano, enquanto que a carne bovina, de frango e a suína apresentam consumo de 39 kg, 44,5 kg e 13 kg per capita/ano, respectivamente (ANUALPEC, 2011).

A baixa produção de carne ovina no Brasil pode estar atrelada a diversos fatores. Inicialmente, os sistemas ainda são pequenos, poucos animais são terminados por ano e de forma sazonal; além disso, a maioria das propriedades produtoras apresentam baixos níveis de tecnificação, que uma vez melhorados podem resultar em resposta positiva na produtividade.

De fato, Albuquerque et al. (2009) relata que a ovinocultura de corte vem apresentando um elevado crescimento nas regiões Sudeste e Centro-oeste, possuindo características mais tecnificadas. Adicionalmente, Viana (2008) ressalta que países como a Austrália e Nova Zelândia são reconhecidos por possuírem sistemas de produção com alta produtividade, as criações são altamente tecnificadas e visam à produção de carne e lã, tornando esses países os termômetros do mercado internacional desses produtos.

Desse modo, o conhecimento sobre como funciona todo o sistema de produção de ovinos é essencial para que seja possível traçar metas em busca da exploração e potencialização desse mercado ainda em crescimento no país.

No Brasil, a principal região produtora de ovinos é a região Nordeste, concentrando aproximadamente 65,5% do rebanho nacional. Essa região, no entanto, ainda apresenta sistemas de produção pouco eficientes e com pequena escala de produção, o estado da Bahia é o destaque, possuindo o maior plantel de ovinos do país, correspondente a 20,7% do rebanho nacional (IBGE, 2017).

Desse modo, diante da falta de dados a respeito dos sistemas de produção de ovinos no Brasil, especialmente os voltados a estabelecimento do perfil dos sistemas de produção desses animais, este trabalho tem como objetivo traçar o perfil da produção de ovinos no município de Miguel Calmon-BA.

3. REFERENCIAL TEÓRICO

3.1. A ovinocultura no Brasil, no Nordeste e na Bahia

3.1.1. Surgimento e desenvolvimento da ovinocultura no Brasil

Segundo Vilela (2020), os primeiros ovinos que chegarem ao país foram trazidos pelos colonizadores, provenientes de Portugal, data-se dos anos iniciais da colonização (1534). Rapidamente esses animais se espalharam e multiplicaram-se, formando os primeiros rebanhos. Por se tratar de um país com grandes dimensões territoriais e climáticas, os ovinos começaram a passar por um processo natural de seleção, se adaptando as diferentes condições de ambiente e consequentemente alterando algumas de suas características específicas, como o porte, o número de crias por parto, resistência a parasitas e doenças, atividade sexual precoce, rusticidade a diferentes condições extremas e não estacionalidade produtiva.

Entretanto, apesar de todas essas características que contribuíram para a resistência, pouca exigência, sobrevivência e perpetuação das raças, esses animais ainda apresentam baixos níveis de produtividade a nível nacional (VILELA, 2020).

As raças de ovinos vindas do exterior remontam desde o processo de colonização, sendo crioulas provenientes de Portugal e Espanha, além de alguns deslanados africanos (SOUSA et al., 2003). Além dessas já mencionadas, com o decorrer do tempo muitas outras foram chegando, como as mais conhecidas: Dorper, White Dorper, Texel, Merino Australiano, Suffolk entre outras. As raças que surgiram no Brasil foram: Morada Nova, Rabo Largo, Santa Inês, Bergamácia Brasileira, Cariri, Crioula, Somális Brasileira e a SRD (Sem raça definida), sendo que a maioria das naturalizadas (deslanadas) se encontram no Nordeste (PAIVA et al., 2005; MCMANUS et al., 2010, 2020).

Apesar das diferenças edafoclimáticas do país e consequentemente aptidões distintas para cada raça, a modernização do manejo, surgimento de técnicas avançadas e demanda dos mercados, algumas regiões mudaram de foco e outras apresentam raças em comum. Segundo Hermuche et al. (2013), é perceptível que no Centro Oeste e no Norte do país exista uma carência em variedades de raças, predominando às: Santa Inês, White Dorper e Dorper. Além disso, fator trivial para raças criadas nessas regiões é a ausência de lã, em virtude dos elevados índices pluviométricos (Centro-oeste entre 1500–2000mm/ano e Norte entre 2500–3000mm) (INMET, 1990).

A produção de lã na região Sul influenciou os tipos de raças a serem criadas nela, assim como as condições climáticas e localização subtropical. Isso proporcionou a concentração de raças comerciais, porém, após a crise da lã, houve uma tendência de produtores partirem para raças produtoras de carne (MCMANUS et al., 2020).

Na região Nordeste se destacam as raças de corte, sendo principais às: SRD, Dorper, Santa Inês, Morada Nova, Cariri, Rabo Largo e Somális Brasileira. Chamando a atenção para a Somális Brasileira e a Rabo Largo, sendo as mais rústicas, no que tange a necessidade nutricional, uma vez que apresentam uma reserva de gordura na base da calda (LÔBO, 2005).

3.1.2. Situação atual

Tomando como parâmetro a última década, podemos notar um crescimento do rebanho de ovinos a nível mundial. Em 2008, o rebanho mundial consistia em 1.106.795.961 cabeças de ovinos, já em 2018 esse número foi aumentado para cerca de 1.209.467.079 cabeças (FAO, 2008, 2018).

Houve um aumento de aproximadamente 4 milhões de cabeças de ovinos no rebanho brasileiro, entre os anos de 2000 e 2018 (Tabela 01). Mesmo assim, o rebanho ovino brasileiro ainda é inferior ao rebanho de bovinos e suínos, superando somente o de caprinos (IBGE, 2015).

De acordo com Schlindwein; Kassouf (2006), essa inferioridade está relacionada a muitos fatores, podendo destacar, principalmente, a cultura do país em consumir preferencialmente carne bovina, de frango e suína. Estes mesmos afirmam que a compra per capita anual é de 17,7 kg (bovina), 13,6 kg (frango) e 4,6 kg (suína).

Tabela 1. Efetivo de animais do rebanho ovino brasileiro entre os anos de 2000 e 2018.

Ano

Número de cabeças (milhões)

2000

14.784.958

2005

15.588.041

2010

17.380.581

2018

18.948.934

Fonte: FAO (2000, 2005, 2010 e 2018).

O Nordeste é a região que mais produz ovinos no país, possuindo 9.037.800 cabeças, podendo notar-se um incremento efetivo nos últimos anos, uma vez que é uma atividade de importância econômica e social na região. A Bahia concentrou cerca de 2.866.445 cabeças do rebanho total de ovinos, sendo o estado maior produtor na região, dando destaque para o município de Casa Nova, que ficou com o top ranking municipal (IBGE, 2017).

3.2. Sistemas de criação de ovinos

Existem elementos essenciais para que se tenha um retorno econômico satisfatório na criação de ovinos, os quais incluem: os animais, as pessoas envolvidas no processo, os recursos naturais que fazem parte do âmbito rural da propriedade e os recursos tecnológicos que são ou serão utilizados. Todas essas peças devem funcionar em perfeito equilíbrio e de forma eficiente, visando sempre o mesmo objetivo. Esse conjunto de processos é denominado sistema de criação ou sistema de produção (CODEVASF, 2015).

A ovinocultura é uma atividade interessante para os pequenos produtores, pois as espécies ovinas apresentam curto ciclo de produção, em relação às bovinas, contudo, independente do sistema de criação que será utilizado, é uma atividade que requer maiores cuidados, mão de obra especializada e dedicação (CODEVASF, 2015).

3.3. Tipos de sistemas de produção

Segundo a Codevasf (2015), o que irá diferenciar os sistemas entre si será a forma de exploração e o nível tecnológico empregado, podendo classifica-los em: sistemas extensivos, semi-intensivos e intensivos.

3.3.1. Sistema extensivo

O sistema extensivo é o tipo simples entre eles, possui menor custo, é rústico e normalmente os animais que são criados apresentam menor exigência nutricional. O rendimento da atividade exercida depende muito da fertilidade natural do solo, pois nesse sistema a pastagem explorada é natural, consequente da produção sazonal das mesmas e das condições climáticas da região. Também está associada a esse sistema a escassez de práticas de manejo sanitário, assim como instalações básicas e muitas vezes mínimas, logo, o nível tecnológico é baixo, retratando os baixos índices produtivos, a elevada taxa de mortalidade e concomitantemente, uma menor produtividade.

3.3.2. Sistema semi-intensivo

O sistema semi-intensivo envolve a base do sistema de produção extensivo, no entanto, com melhores índices produtivos, graças ao grau de adoção de tecnologias mais elevado, além da implantação de algumas ferramentas diferenciais, como a suplementação dos animais e melhores práticas de manejos.

3.3.3. Sistema intensivo

A exploração intensiva visa maior produtividade por animal ou maior produção por área através do melhor nível de tecnificação, com o objetivo de se explorar o seu máximo potencial. Mediante algumas técnicas como a adubação das pastagens, cultivo de forrageiras mais produtivas (uso de irrigação ou não, a depender da região), piqueteamento das pastagens, suplementação com rações balanceadas, instalações adequadas, manejo sanitário ideal, estação de monta. Este sistema se requer bastante planejamento e organização, uma vez que os seus custos de estabelecimento e manutenção é elevado em relação ao extensivo e semi-intensivo.

3.3.4. A escolha do tipo de sistema

A seleção do sistema que será utilizado para a produção pecuária na propriedade é complexa e leva em consideração algumas variáveis determinantes no sucesso.  A adequação a realidade do produtor rural, da propriedade e região, são variáveis que devem ser atendidas de forma eficiente, pois o objetivo final de toda a cadeia de produção é a obtenção de um produto de qualidade, com custo baixo. Entretanto, propiciar ganhos satisfatórios para o produtor e causar o mínimo de impacto no meio ambiente, atendendo assim a necessidade do mercado (CODEVASF, 2015).

Ainda de acordo com a Codevasf (2015), para a seleção do melhor sistema o produtor deve definir de forma clara e coesa a finalidade da produção, podendo o produto ser a carne, leite, pele, reprodução, matrizes, desde que esteja baseado na demanda do mercado consumidor e realidade do mesmo na região. Além disso faz-se necessário computar o valor inicial de investimento e o tempo que se terá o retorno do capital aplicado e ponderar sobre os elementos constituintes do sistema, ou seja, ter alguns deles, como: infraestruturas na propriedade, a genética do rebanho, manejos utilizados (reprodutivo, sanitário, alimentar) e a mão de obra a ser explorada.

3.4. Manejo alimentar de ovinos no Nordeste brasileiro

O manejo alimentar tem reflexo direto sobre a produtividade e economicidade dos sistemas de produção, vale ressaltar que condições climáticas também tem influência na produção e oferta das forragens (MAGALHÃES et al., 2016).

No sertão do Nordeste é possível encontrar grandes áreas onde a vegetação já se apresenta em progressivo estado de degradação, situação essa ocasionada pelo uso indiscriminado de práticas agrícolas e do superpastejo. Levando, além da degradação, a uma perda de parte de sua constituição florística. Diante desse cenário, a recuperação da produção forrageira só é possível através da implantação de forrageiras nativas ou exóticas, adaptadas as condições edafoclimáticas da região (LEITE e VASCONCELOS, 2000).

De acordo com Leite e Vasconcelos (2000), não é preciso desmatar a caatinga para a implantação de tais forrageiras, sendo necessário somente o raleamento da mesma. Esse enriquecimento da vegetação pode ser realizado tanto no estrato herbáceo quanto no lenhoso. Se tratando do herbáceo, o capim-buffel (Cenchrus ciliaris) e o capim grama-bermuda (Cynodon dactylon) são considerados ótimas opções, assim como as leguminosas: cunhã (Clitoria ternatea) e erva-de-ovelha (Stylosanthes humilis). No que tange ao estrato lenhoso, as melhores opções são: a sabiá (Mimosa caesalpinifolia), leucena (Leucaena leucocephala), o mororó (Bauhinia cheilantha) e o carquejo (Caliandra depauperata).

Quando se fala da produção de ovinos no Nordeste brasileiro, deve-se ressaltar que essa produção também ocorre em regiões de semiárido, o que dificulta ainda mais o manejo alimentar dos animais. Segundo Pereira Filho et al. (2003), no semiárido a base da alimentação animal é a vegetação da caatinga. Esse bioma apresenta grande variedade de vegetais com potencial forrageiro e biodiversidade de recursos, fortemente influenciados por condições climáticas instáveis, as estações são muito distintas entre si, uma é chuvosa com abundância de alimentos, esses de boa qualidade; enquanto a outra é seca e com forragens escassas.

Logo, o produtor rural procura alternativas alimentares que busquem melhorar o desempenho dos animais, almejando aumentar ou manter os índices de produtividade e a qualidade final dos produtos (carne e leite). Na maioria das vezes, essa suplementação é feita através do consórcio entre vegetação nativa e pastagem cultivada, como foi mencionado por Araújo Filho e Carvalho (1997), confinamento ou através da fenação e ensilagem, ambas, formas de conservação de forragens. Essas técnicas são amplamente utilizadas por pecuaristas que buscam manter os níveis de produção animal da estação seca o mais próximo possível das chuvosas, a fenação e a ensilagem tem como objetivo fundamental aproveitar os excessos do período chuvoso e armazená-los para a época crítica, mantendo as suas qualidades nutritivas. Uma se baseia na desidratação da forragem e a outra no armazenamento como silagem (ARAÚJO NETO e CÂMARA, 2000).

A produção média de carne ovina no semiárido nordestino é de 16 kg/ha/ano na caatinga nativa, no entanto, é possível obter até 68 kg/ha/ano por meio de técnicas de manipulação da caatinga (ARAÚJO FILHO e CARVALHO, 1997). De acordo com Santos (2007), para solucionar esse problema é necessário o estudo de práticas simples, como a suplementação animal em pastejo, para diminuir os custos de produção com a alimentação concentrada em confinamento, aumentando a viabilidade dos sistemas de criação e permitindo fácil assimilação pelos produtores, para que ocorra um aumento substancial nos níveis de produtividade no semiárido nordestino brasileiro.

3.5. Água

A dessedentação dos animais ocorre em reservatórios cavados, mananciais ou bebedouros. O suprimento deve ser fornecido sem limitação e com boa qualidade. Comumente os ovinos consomem cerca de dois litros de água para cada quilograma de alimento consumido, logo, para se ter uma boa produção é necessário que o consumo de água seja ideal, em casos contrários existe uma queda no consumo de alimentos (HUSTON e PINCHAK, 1991). Além das fontes convencionais já citadas, outra fonte importantíssima de água são as palmas forrageiras (Opuntia e Nopalea). Estas plantas possuem a capacidade de armazenar água, suprindo grande parte da necessidade de água dos rebanhos em períodos de estiagem prolongada, além de produzirem matéria verde (alimento) (SANTOS et al., 2006).

3.6. Criação a pasto

A maneira extensiva como o rebanho de ovinos está sendo criado vai de encontro às condições requeridas para que se tenha uma exploração intensiva (Figura 1). Assim, é preciso que medidas sejam tomadas visando o aumento da produção, incremento na tecnificação e competitividade nos criatórios, almejando atender a demanda do mercado consumidor e consequentemente maior retorno financeiro para o produtor (NUNES et al., 2007).

Segundo Oliveira (2016), na região Nordeste a atividade pecuarista sofre pelas secas constantes e períodos curtos de chuvas. A baixa oferta de forragem leva os produtores à busca por alimentos alternativos para o rebanho, levando a necessidade de maiores investimentos. Ainda de acordo com o autor, a palma forrageira corresponde a um desses alimentos, sendo cultivada nos diversos sistemas de manejo. Em alguns casos existe a utilização de irrigação, para que se forme um estoque alimentício estratégico, podendo produzir de 200 toneladas de massa verde por hectare (população é de 50.000 plantas/ha) a 250 toneladas de massa verde por hectare (população de 80.000 plantas/ha), o consumo de água médio é de 25mm (milímetros) a cada 15 dias, sendo sistema irrigado por aspersão.

Neste sentido, se tratando da ideia de produzir palma para utilizar em período críticos, em 2014, no Ceará, estimou-se que o custo de implantação de um hectare da palma forrageira, com uma população de 50.000 plantas, foi de R$12.000,00, incluindo a mão de obra e compra de insumos (OLIVEIRA, 2016).

A produção anual de biomassa da folhagem das espécies lenhosas e de toda a parte aérea do estrato herbáceo na caatinga atinge em média quatro toneladas por hectare de matéria seca, no entanto, essa produção apresenta elevadas variações durante o ano (ARAÚJO et al., 1995). Ocasionado, sobretudo, à sazonalidade do período das chuvas e das secas, recorrentes na região nordestina, impondo severas restrições ao suprimento de forragens e consequentemente, à produção dos ovinos (ARAÚJO e SILVA, 2000).

Para pastagens plantadas, existem forrageiras adaptadas à escassez hídrica, como o: capim-buffel (Cenchrus ciliaris), que chega a produzir 4000 kg/ha/ano de matéria seca, com 8,5% de proteína bruta e 43% de digestibilidade. Outras forrageiras tolerantes a seca são o capim-andropogon (Andropogon gayanus) cv. Planaltina, capim-gramão/grama bermuda (Cynodon dactylon), capim-corrente (Urochloa moscambicensis) e enriquecimento com cunhâ (Clitoria ternatea) ou feijão grandu (Cajanus cajan) (SOUSA de, 2005).

Figura 1.  Ovinos no pasto

Fonte: Adriano Brito, (2019).

3.7. Confinamento

Conforme Albuquerque e Oliveira (2015), esse sistema de terminação corresponde ao fornecimento do alimento aos ovinos diretamente no cocho, sendo alimentados de duas a três vezes por dia, com volumoso (palma picada, capim verde moído, silagem de capim, de milho ou sorgo, além do feno) e concentrado (ração de farelo de milho, de soja) sem que os animais precisem ir para o pasto, ficando limitados a área do confinamento (Figura 2).

O confinamento no Nordeste é um fator vigorosamente restritivo na produção de carne de ovinos, devido à reduzida disponibilidade e elevado custo de produção. Tem-se ciência que os alimentos concentrados tradicionais, como são o caso da soja e do milho estão diretamente ligados à elevação de custos no sistema de confinamento (XENOFONTE et al., 2009).

De acordo com Frescura et al. (2005), no confinamento, é possível aumentar a taxa de lotação da propriedade, permitir o aperfeiçoamento das condições alimentares do rebanho e fornecer a carne de ovinos com qualidade no período de entressafra. Porém, o uso demasiado de concentrados só é empregado em propriedades ovinocultoras com altos níveis organizacionais, no que tange ao investimento e gerenciamento (POLI et al., 2008).

De acordo com Medeiros et al. (2008), o confinamento de ovinos vem sendo fomentado. Contudo, para que se obtenham lucros que compensem economicamente tal prática, a dieta animal deve conter níveis satisfatórios de proteínas e altos teores de energia, provenientes da maximização do uso de concentrados. Além do aprimoramento genético dos animais submetidos ao sistema, almejando melhorias na eficiência produtivas e consequentemente na qualidade dos produtos que serão obtidos (REIS et al., 2001).

As instalações para o confinamento são facilmente adaptadas, podendo ser até mesmo uma baia grande do aprisco, qualquer galpão pode servir como confinamento, o piso varia entre terra batida, cimentado ou ripado suspenso, a depender da disponibilidade do material, condições climáticas e financeiras (SENAR, 2019).

Ainda em conformidade com Senar (2019), a área para confinamento varia de acordo com o peso vivo (PV) dos animais, para ovinos com 30kg de PV recomenda-se 0,60 m² por animal, sendo expandida de acordo com o ganho de massa do rebanho; os comedouros e bebedouros devem ser protegidos, limitando o acesso dos animais, por questões de higiene e limpeza. É importante que no local existam camas (serragem, palha de arroz, feno ou outros materiais que amaciem o solo), para diminuir o estresse dos animais (vale ressaltar que não carecem em área total).

Esse sistema de terminação, geralmente permite aos cordeiros maior ganho de peso em menos tempo, quando o tripé do manejo atende as necessidades, ou seja, quando a alimentação é de qualidade, os animais apresentam boa genética e livres de problemas sanitários. No semiárido, os cordeiros em confinamento podem apresentar ganho de peso diário entre 100 g e 300 g, portanto, em dez dias os animais podem ter um aporte de 1 a 3 kg. Os animais com menos de 1 ano de idade, apresentam melhor conversão alimentar, sendo mais eficientes no processo de transformação do alimento em peso vivo (PV), logo, ganham mais peso do que os adultos, além de que, apresentam carne mais macia e saborosa (ALBUQUERQUE e OLIVEIRA, 2015).

Portanto, concluem Albuquerque e Oliveira (2015), salientando que o confinamento na região semiárida pode apresentar ótimos resultados, elevando a oferta de ovinos para o abate na entressafra; no entanto, para que se obtenha sucesso é necessário um planejamento estratégico para a oferta de alimentos nos períodos críticos, uma vez que a alimentação deve ser cultivada na estação chuvosa, armazenando-a para estação seca.

Figura 2.  Ovinos em confinamento

Fonte: Adriano Brito, (2019).

3.8. Principais raças de ovinos criadas no Nordeste brasileiro

3.8.1. Santa Inês

Essa raça surgiu provavelmente do cruzamento entre as raças: Bergamácia x Morada Nova (raça nativa brasileira) x Somalis x crioulas (portuguesas e espanholas) x deslanados africanos (SOUSA et al., 2003). A cor do pelo pode variar, podendo ser preta, vermelha, branca ou chitada. A sua produção é destinada principalmente para a produção de carne e peles, a fêmea chega a produzir 4 crias em 3 partos (1,3 de prolificidade), as crias nascem com média de peso de 3,5 kg e o desmame ocorre com 18 kg (quando estão submetidos em regime de pastagem nativa), no período de 56 a 84 dias de idade é possível que se ganhe 1,0 kg a cada 8 dias, em pastagem nativa. Essa raça é amplamente recomendada para ser utilizada em cruzamentos que se busca a produção de carne (EMBRAPA, 2007). Segundo Sousa (2003), em condições normais os machos adultos podem ter até 120 kg e as fêmeas de 40 a 60 kg (Figura 3).

Figura 3. Fêmeas da raça Santa Inês

Fonte: Fábio Ximenes, (2015).

3.8.2. Morada Nova

É uma raça nativa, proveniente da região de Morada Nova, no Ceará, sua produção é destinada para a produção de carne e pele, as fêmeas produzem cerca de cinco crias em três partos (1,6 de prolificidade), sendo essa a principal característica da raça, correspondendo a que mais tem cordeiros por parto. Possuem coloração variável entre branca, vermelha ou preta, o peso das crias no nascimento é de aproximadamente 2,5 kg, já no momento do desmame possuem 13,5 kg, quando criados em pastagem nativa de caatinga. No período de 56 a 84 dias de idade, pode-se ter um ganho de peso de 1,0 kg a cada 9 dias. Os machos adultos podem apresentar de 40 a 50 kg e as fêmeas de 30 a 35 kg. Além disso, essa raça é mais rústica que a Santa Inês, entretanto, menos em relação a Somalis (Figura 4) (EMBRAPA, 2007).

Figura 4. Ovinos da raça Morada Nova

Fonte: Agência de Notícias: Embrapa, (2012).

3.8.3. Dorper

Raça de origem africana, com aptidão para a produção de carne, carcaças com boa conformação e acabamento, possui coloração branca no corpo e a região do pescoço e da cabeça preta (Figura 5), porém, existe uma variedade que sua pelagem é totalmente branca. Essa raça se adaptou bem ao nordeste brasileiro, os cordeiros com idade entre 3 e 4 meses podem alcançar até 36 kg (sistemas semi-intensivos e intensivos). As fêmeas apresentam prolificidade de 1,4 crias por parto (CODEVASF, 2015).

Figura 5. Fêmeas Dorper

Fonte: Fábio Ximenes, (2015).

3.8.4. Somalis Brasileira

Também é uma raça de origem africana que se adaptou bem as condições do nordeste brasileiro. Apresenta médio porte, os exemplares são deslanados, com pelagem branca e com a cabeça na cor preta ou vermelha. Uma característica marcante dessa raça é o acúmulo de gordura na garupa e na cauda, sendo essa, posteriormente utilizada como fonte de energia em períodos de escassez de alimentos (Figura 6). Tem aptidão para a produção de carne e pele, apresentando enorme facilidade para ganhar peso. O peso médio dos adultos, machos é de 60 a 80 kg, enquanto que as fêmeas pesam de 32 a 50 kg, essas apresentam prolificidade de 1,4 crias por parto (CODEVASF, 2015).

Figura 6. Matriz Somalis Brasileira nas caatingas cearenses

Fonte: José Guedes Neto, (2007).

3.8.5. Crioula (SRD – Sem Raça Definida)

É uma raça que está presente em todas as regiões do Nordeste, é muito rústica e sua aptidão está voltada para a produção de carnes e peles (Figura 7), as fêmeas produzem por volta de 4 crias em 3 partos (1,3 de prolificidade), as crias ao nascerem podem apresentar entre 2,3 a 2,6 kg, e são apartadas entre os 13 e 15 kg de peso vivo, quando submetidos a pastagem nativa. Existem cruzamentos de ovelhas crioulas com machos da raça Santa Inês ou Dorper, sendo indicados para a produção de carne (EMBRAPA, 2007).

Figura 7. Rebanho de ovinos SRD

Fonte: Honório Barbosa, (2016).

3.9. Instalações comuns na atividade

Ainda existem carências a cerca de informações de instalações voltadas para a produção de ovinos. No entanto, é notável a importâncias das mesmas, uma vez que elas interagem com todas as etapas de produção animal, facilitando e reduzindo a mão de obra nas tarefas diárias, auxilia o manuseio do rebanho, dá segurança e protege os animais, comporta e reduz a perda de alimentos, do mesmo modo que realiza papel significativo no controle de doenças. Proporcionando e oferecendo bem-estar para o rebanho ovino (ALVES, 2004).

3.9.1. Abrigos

São mais comuns em sistemas de exploração extensiva, utilizados a princípio para manter a segurança do rebanho durante a noite, devem ser adaptados ao tipo de sistema de exploração e as condições climáticas da região, além de serem construídos com materiais adequados. É de suma importância que sejam frescos, no entanto, protegidos dos ventos e umidade. A escolha do tipo de abrigo pode ser influenciada principalmente pelas tecnologias que irão ser empregadas na nutrição do rebanho, no manejo dos dejetos e na área disponível para construção (NOGUEIRA FILHO, 2009).

3.9.2. Apriscos

Essas instalações são utilizadas para as fases de pré-gestação, gestação, maternidade e cria, em que o rebanho fica em total confinamento ou parte do dia no campo e durante a noite no aprisco (TURCO e ARAÚJO, 2011).

De acordo com Carneiro e Melo (2006), na construção dos apriscos, deve-se levar em consideração a flexibilidade dos mesmos, ou seja, que será possível adaptá-los a possíveis mudanças com novas instalações, proporcionando expansões futuras ou adaptações de acordo com o número variável de animais durante todo o período de exploração da atividade ou ano. Dentre os tipos de piso dos apriscos, os mais comuns são de chão batido, piso ripado e suspenso, e o de piso de concreto (CODEVASF, 2015).

3.9.3. Baias para reprodutores

Essas baias são construídas em sistemas tecnificados que utilizam estações de monta. Elas são construídas distantes dos apriscos, com o objetivo de impedir que os machos cubram as fêmeas fora da estação de monta, garantindo assim ao produtor, melhor controle do desenvolvimento do rebanho. (TURCO et al., 2011).

3.9.4. Centro de manejo ou setor de manejo

Trata-se do local utilizado para atividades de monitoramento do rebanho, como: vermifugação, vacinação, pesagem, banho sarnicida, tosquia, casqueamento, apartação, corte da cauda, entre outros. A área recomendada por animal adulto é de 1 m². Essa instalação geralmente é composta por currais, seringa e brete de contenção (CODEVASF, 2015).

3.9.5. Quarentenário

Os produtores de ovinos com certa frequência realizam a compra de novos animais, sejam matrizes ou reprodutores, geralmente no desejo de se obter um material genético para reposição e melhoramento, buscando atingir novos níveis de produtividades, sendo estes satisfatórios. No entanto, essa compra de animais deve ser cautelosa, pois, além de se avaliar os aspectos genéticos dos novos animais adquiridos, é importante que também se tenha conhecimento sobre o seu estado sanitário, visando à segurança do rebanho. Independente da procedência e origem dos animais adquiridos, todos eles devem ser tratados como suspeitos, para esse fim, se recomenda o quarentenário (TURCO e ARAÚJO, 2011).

Ainda de acordo com Turco e Araújo (2011), essa instalação deve ser construída isolada de todas as outras dependências, evitando o contato com os outros do rebanho, até que se certifique do seu estado sanitário. Não obstante, nem sempre os quarentenários são encarados com importância, contudo, são instalações indispensáveis (CAMPOS, 2008).

3.9.6. Bebedouros, comedouros e saleiros

Segundo Turco et al. (2011), os bebedouros devem estar presentes em todas as instalações do sistema e pastos, atendendo a demanda de todo o rebanho que irá fazer uso. Devem ser dimensionados em volume para os períodos que ocorrem o maior consumo de água, proporcionando-a no volume necessário, de qualidade e sem vazamentos. Além de serem dimensionados de acordo com o consumo animal, deve-se levar em consideração o número deles que fará uso, tal como também o tipo de alimentação que será fornecida. O tipo do bebedouro varia com o custo, o material de fabricação e a mão de obra que será empregada.

Os comedouros devem fornecer espaço suficiente para que todos os animais possam se alimentar ao mesmo tempo, evitando estresses, provenientes da competição. Seu dimensionamento varia de acordo com a idade dos animais, o número de animais, se possuem chifres ou não e o tipo de alimentação. O tipo varia com a mão de obra e o material que irá ser empregado na confecção, como foi mencionado por Turco et al. (2011).

Assim como os bebedouros, os saleiros devem estar presentes em todas as baias, nos sistemas de semi-confinamento e confinamento. Eles necessitam serem localizados distantes de bebedouros, para que não haja contaminação com água, assim como, protegidos da chuva. São produzidos de vários materiais, no entanto, evita-se o uso de metal, pois com o tempo o sal pode acarretar na corrosão do mesmo, como foi mencionado por Turco e Araújo (2011).

3.9.7. Esterqueiras

Os ovinos submetidos a sistemas semi-intensivos e intensivos geram resíduos, que basicamente são a junção de fezes, urina e a cama dos animais, quando não condicionados a manejo adequado podem causar danos econômicos e ambientais. É comum que esses resíduos (esterco) sejam amontoados em áreas com proximidade a outras instalações, como estábulos, atraindo moscas (RIBEIRO, 1998).

As esterqueiras são instalações utilizadas para armazenar os dejetos dos ovinos, carecem serem instaladas distantes de outras instalações, como, apriscos e poços, para evitar o aumento da população de moscas. Os locais mais indicados para a edificação das esterqueiras, para material sólido, são em terrenos de relevo inclinado, para que possam ser feitas na forma semi-enterrada, visando à facilidade na carga e descarga do esterco e redução de custos de edificação. Podem ser feitas com placas de alvenaria ou concreto, sendo importante dimensiona-las de acordo com o tamanho do rebanho e volume de dejetos que cada animal irá produzir (TURCO e ARAÚJO, 2011).

3.9.8. Cercas

A utilização de cercas veio com a necessidade de traçar perímetros nas propriedades, assim como posterior separação das pastagens e áreas cultivadas, ocasionando consequentemente no melhor manejo e melhoramento dos rebanhos (EMBRAPA, 1999).

Um dos maiores divisores de água, no que tange ao sucesso da produção pecuária em um empreendimento rural, é o capital investido na construção das cercas. Suas condições físicas, dimensão e manutenção influenciam em todos os manejos do rebanho. Se tratando dos arames, os principais tipos são: de arame liso, arame farpado e as cercas elétricas (CODEVASF, 2015).

4. METODOLOGIA

O trabalho foi desenvolvido na zona rural de Miguel Calmon, cidade localizada na região da chapada-norte da Bahia, com coordenadas geográficas: 11° 25′ 44″ S, 40° 35′ 42″ W (GEOHACK, 2020). Localizada a 360 km da capital (Salvador) e fazendo limítrofes com Piritiba, Várzea do Poço, Serrolândia, Jacobina, Várzea Nova e Morro do Chapéu, sua área territorial é de 1.599,672 km² (IBGE, 2019). A área territorial do município conta com vários rios, sendo os mais importantes: Itapicuru-mirim e o Jacuípe.

Miguel Calmon conta com uma população estimada em 25.894 pessoas, IDHM de 0,586 – baixo (Índice de desenvolvimento humano municipal), possui PIB per capita de R$ 7.852,92 IBGE (2010, 2017, 2019, 2020). Possui 2.074 estabelecimentos agropecuários, ocupando cerca de 84.545 ha. Rebanho ovino com 7.473 cabeças, sendo produzido em 349 estabelecimentos (IBGE, 2017).

As propriedades rurais estudadas se localizam nos povoados de: Queimada Nova, Olhos d’Água, Bagres, Brejo Grande e França (no perímetro pertencente a Miguel Calmon). Com a finalidade de coletarem-se dados acerca dos sistemas de produção de ovinos nas dez propriedades, foram realizados questionários semiestruturados. Além das visitas, alguns questionários foram aplicados de forma remota, devido a questões de risco sanitário para o aplicador e proprietário, haja vista a pandemia de Covid-19.

O questionário aplicado teve por finalidade levantar informações sobre a área, estruturas, manejo alimentar, sanitário e reprodutivo, sistema de criação, tipo de exploração e raças produzidas, assim como o destino da produção. Visando ao máximo à obtenção minuciosa de informações pertinentes aos sistemas de produção de cada propriedade, e por fim, da cidade, permitindo a caracterização dos sistemas de produção desenvolvidos no município, os resultados foram apresentados por meio de gráficos de porcentagem acerca das variáveis coletadas, produzidos pela ferramenta Microsoft Excel do Pacote Office 2010.

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1. Perfil da propriedade, atividade e produtor.

No presente estudo foram aplicados, a dez produtores rurais, questionários semi-estruturados contendo 40 questões, na Tabela 2 abaixo, é possível discorrer mais sobre as propriedades, produtores e a ovinocultura desempenhada por eles.

Tabela 2. Caracterização do perfil das propriedades, dos produtores e da atividade.

                   Variáveis

 

Dados

 

Frequência (f)

Porcentagem (%)

Área(ha)

 

 

Menor que 3,0

3

30%

3,0 a 10

4

40%

Maior que 10

3

30%

Acesso a eletricidade

 

Sim

10

100%

Não

0

-

Fonte de água

 

 

Reservatório/chuva

2

20%

Rio

4

40%

Poço artesiano

0

 

Barragem

4

40%

Água tratada

0

 

Gênero

 

 

Masculino

9

90%

Feminino

1

10%

Idade (anos)

 

 

Menos que 40

2

20%

40 a 60

5

50%

Mais que 60

3

30%

Iniciação na atividade

 

Hereditária

4

40%

Pioneira

6

60%

Anos de atividade na ovinocultura

Menos que 5

3

30%

05 a 10

5

50%

Mais que 10

2

20%

Ovinocultura como principal atividade

Sim

10

100%

Não

0

-

Total

10

        100%

As propriedades rurais que participaram da pesquisa são classificadas como minifúndios, de acordo com o INCRA (2020), toda aquela com área inferior a um módulo fiscal, o módulo fiscal em Miguel Calmon – BA equivale a 60 ha (EMBRAPA, 2020).

Todas elas têm acesso à eletricidade, o que é um fator fundamental, no que tange ao manejo do rebanho. Além disso, todas as propriedades tem acesso a água, das suas variadas formas, como se pode observar na Tabela 2. Araújo de. et al. (2011) salienta que a ingestão de água é fundamental para manutenção das suas condições fisiológicas ideais, podendo variar a depender das condições climáticas, idade dos animais, gestação e sanidade.

Nove das dez propriedades rurais trabalhadas tem homens como donos, correspondendo a 90% delas, evidenciando um fator histórico que é a dificuldade de inserção da mulher no mercado de trabalho, devido a aspectos culturais e de gênero, inclusive no meio rural (WOMMER e CASSOL, 2014). Quanto à idade, 20% (2/10) possuem menos de 40 anos, metade dos produtores (50%) apresenta entre 40 e 60, e por fim 30%, estando inclusa a produtora, possuem idade superior a 60 anos. Painel comum para a faixa de idade dos produtores rurais no Brasil, de acordo com o Data Sebrae e IBGE (2018) a maior proporção de idade dos produtores rurais (46,8%) está entre a faixa de 45 a 65 anos, enquanto que os jovens (idade inferior a 25 anos) representam a menor parte (6,7%).

Em relação à iniciação na ovinocultura, pioneira ou hereditária, foi possível constatar que existe um equilíbrio. Nesse quesito, 60% dos produtores (6/10) alegaram ter iniciado a atividade por conta própria, a maioria por interesse e identificação com ela, enquanto que 40% afirmaram que estão na atividade dando continuidade a um costume familiar, o que hipoteticamente, não remete a grau de satisfação negativa, pois como se observa ainda na Tabela 2, 70% dos ovinocultores estão a mais de cinco anos em exercício. Dos 30% (com menos de cinco anos de atividade) restante, 20% iniciaram por conta própria (2/10), ou seja, fortalece a ideia de que estão satisfeitos com a produção de ovinos por eles desempenhada.

Essa hipótese é consolidada através da última questão levantada acerca da ovinocultura como principal atividade. Todos os produtores entrevistados afirmaram que a atividade em questão é a principal desenvolvida por eles, sendo essa de suma importância e imprescindível para a renda dos seus empreendimentos rurais. SENAR (2019) cita que a renda proveniente da ovinocultura é importante nesses sistemas, pois a carne de cordeiros apresenta valor agregado, sustentando toda a cadeia produtiva, com a aquisição como produto nobre em açougues, restaurantes e churrascarias, principalmente em grandes centros.

5.1.1. Produção de outras espécies animal

Apesar de 100% dos produtores afirmarem que a ovinocultura é a principal atividade desenvolvida nas propriedades, questionou-se sobre a produção de outras espécies, os resultados são observados na Figura 8.

Figura 8. Produção de outras espécies animal.

Verificou-se que 60% dos ovinocultores (6/10) produzem outras espécies, permitindo assim uma diversificação na produção e consequentemente na fonte de renda, diminuindo riscos de impactos econômicos negativos caso a ovinocultura apresente declínio, uma vez que o produtor terá outras formas de explorar o empreendimento rural.

A diversificação é fundamental quando se pensa em sustentabilidade, entretanto, sistemas diversificados exigem uma gestão mais complexa quando comparados a sistemas especializados (EMBRAPA, 2020). Além do mais, de acordo com Silva et al. (2018), em agriculturas familiares, a diversificação da produção significa outras fontes de consumo, não somente de comercialização.

5.1.2. O acompanhamento técnico

A assistência técnica a produtores ainda que deficiente em muitos locais do país, por meio da Figura 9 é possível perceber que os produtores rurais em questão se mostram bastante assistidos, em sua grande maioria.

Figura 9. Tipo de assistência técnica recebida.

Logo, 70% (7/10) das propriedades rurais são assistidas por zootecnista, correspondendo a um número muito expressivo, enquanto que 10% por médico veterinário, 10% por técnico agrícola e os outros 10% (1/10) não recebem nenhum tipo.

O papel desempenhado pelo acompanhamento técnico é importante no desenvolvimento das atividades agropecuárias, em muitas das vezes é ele o responsável por indicar aos produtores o caminho a se trilhar de forma mais racional, eficiente e estruturado nas atividades desenvolvidas. Segundo Milhomem et al. (2018), a assistência técnica é fundamental na permanência do homem do campo, é através dela que se consegue maiores produtividades e qualidade de vida no campo.

5.1.3. Irrigação x produção de forrageiras

Sem a irrigação os demais custos (água, energia, insumos e mão de obra) podem se tornar prejuízos e não receitas (TESTEZLAF et al., 2002). Em outras palavras, sistemas de irrigação exercem influência sobre todo o sistema de produção, seja desde o planejamento ao modus operandi e produto final.

Figura 10. Propriedades com área irrigada.

É possível observar acima, no Figura 10, que nem todas as propriedades trabalhadas possuem área irrigada (30%), se tornando um fator limitante na produção animal, pois as forrageiras ficarão dependentes das condições climáticas para obtenção do suprimento de água; os outros 70% (7/10) são propriedades com áreas irrigadas.

Das 70% propriedades irrigadas, 50% (5/7) produzem forrageiras com elevado potencial produtivo (Figura 11), o que permite maior ganho de peso dos ovinos e consequentemente desenvolvimento da carcaça.

Figura 11. Forrageiras com elevado potencial produtivo nas propriedades irrigadas.

Logo, fazendo a correlação entre as Figuras 10 e 11 (relação: irrigação x forrageiras potencialmente produtivas), constata-se que as propriedades irrigadas, somam ponto positivo em cima das não irrigadas, pois a irrigação possibilita a produção de forrageiras com elevado potencial produtivo, além da forragem estar disponível nos períodos críticos. Sendo o grande diferencial dessas propriedades na produção ovina e consequente progressão em relação às demais, deixando clara a importância dos sistemas de produção agropecuária quando irrigados.

De certo, Testezlaf et al. (2002) acaba corroborando com o raciocínio quando relata que estudos científicos demonstram que o estresse hídrico causado aos vegetais reduz sensivelmente sua produção, inviabilizando seus cultivos em regiões de clima árido ou semi-árido, onde a falta de água é fator limitante a produtividade agrícola. na contramão disso, sistemas com irrigação em volumes ideais e no momento certo apresentam índices de produtividade acima das médias das culturas, quando comparadas a sistemas de sequeiro (cultivadas sob condições somente de chuvas).

5.2. Estruturas das propriedades

As estruturas são partes fundamentais de todo sistema de produção, são elas que irão auxiliar no manejo, alimentação, assim como fornecer segurança, abrigo e conforto para o rebanho, resultando em melhor desempenho animal e, consequentemente, ganhos em produtividade.

5.2.1. Composição dos apriscos

Em relação à parte estrutural dos apriscos, os produtores foram consultados quanto à extensão da cobertura e qual o tipo de piso utilizado.

As variáveis para cobertura foram: cobertura parcial e cobertura total, levando em consideração a área do aprisco, enquanto que as variáveis para tipo de piso: piso ripado suspenso, chão batido e chão cimentado. Os resultados das variáveis consultadas podem ser observados na Figura 12, adiante.

Figura 12. Extensão da cobertura e tipo de piso.

Na funcionalidade dos apriscos devem estar implícitos a higiene e o manejo sanitário, como foi dito por Turco e Araújo (2011), assim sendo, as características e condições da cobertura e do piso são de suma importância quando se refere ao conforto térmico e a sanidade dos ovinos.

Para o labor em questão, 20% (2/10) das propriedades apresentam cobertura total no aprisco, o que pode ser um agravante quando falamos em sanidade animal, pois a falta de incidência de radiação solar em parte do aprisco pode aumentar a umidade no interior do mesmo e, consequentemente, a proliferação de doenças, como por exemplo a sarna. Segundo SENAR (2019) os apriscos devem permitir correntes de ar adequadas, sem ventilação excessiva ou deficiente, podendo ser outro problema em apriscos com cobertura total.

Em contraponto, 80% dos produtores (8/10) afirmaram que seus apriscos apresentam cobertura parcial, com área de solário, favorecendo a solarização dos animais quando necessária e a circulação de ar no interior da estrutura, o que consequentemente reflete no conforto e sanidade animal.

De forma semelhante, 80% dos criatórios possuem apriscos com chão batido, enquanto que 20% são de chão batido com parte cimentada. Na literatura nada se fala sobre a diferença entre o chão batido e o cimentando, apenas ressalvas são feitas sobre as condições dos mesmos. Por exemplo, quando Turco e Araújo (2011) recomendam que o piso não deva ser extremamente liso ou grosso, evitando que os animais deslizem e se machuquem, assim como, prejudiquem os cascos, eles também citam que se deve atentar a higienização e limpeza, ocorrendo o mais frequente possível, tal como a instalação de drenos, para eliminação dos fluidos (urina, fezes misturadas, água da limpeza) e água da chuva.

5.2.2. Outras estruturas importantes

Além do aprisco, as outras estruturas mais comuns em sistemas de produção, no geral, são: bebedouros, comedouros, saleiros, setor de manejo, maternidade, baias para reprodutores e esterqueiras. A Tabela 3, a seguir, indica a frequência e porcentagem de propriedades com tais estruturas.

Tabela 3. Outras estruturas importantes.

Variáveis

 

Dados

 

Frequência (f)

Porcentagem (%)

Bebedouros, comedouros e saleiros

Sim

10

100%

Não

0

-

Setor de manejo

 

Sim

3

30%

Não

7

70%

Maternidade

 

Sim

3

30%

Não

7

70%

Baias para reprodutores

Sim

4

40%

Não

6

60%

Esterqueira

 

Sim

0

-

Não

10

100%

Total

10

100%

Bebedouros, comedouros e saleiros são indispensáveis em qualquer sistema de produção, não somente de ovinos, como de outros rebanhos. Estas estruturas é que irão dar suporte na dessedentação, alimentação e mineralização do rebanho, sua função básica é conter á água, alimentos e sal, respectivamente, devem ser bem protegidos para evitar que os animais entrem e poluam com excrementos. Todas as propriedades (10/10) estudadas os possuem. De acordo com Oliveira (2017) além de dar suporte aos animais, protagonizando o retorno produtivo, as estruturas em questão também inferem acerca do retorno econômico do produtor, pois quando se referem às perdas de alimentos e água, podem provocar efeitos negativos ao sistema de produção, ocasionando altos custos, assim como, as condições de infraestrutura e de dimensionamento, fatores estes que influenciam diretamente na saúde, manejo e acomodação, refletindo no comportamento social dos animais e na produtividade.

Em relação ao setor de manejo, 30% das propriedades possuem, facilitando a lida dos animais e reduzindo o estresse de submetê-los a certos manejos a campo ou soltos no curral, enquanto que 70% (7/10) dos produtores afirmaram não possuírem em suas instalações, ponto negativo a ser ressaltado, pois essa estrutura é de relevância. Sendo realizadas nela várias atividades, como: pesagem, vermifugação, vacinação, apartação, marcação, contenção, embarcação, entre outras; O setor de manejo deve ser dimensionado de acordo com o tamanho do rebanho e quantos serão manejados por dia, no dimensionamento incluem-se as atividades que serão realizadas nessa estrutura (TURCO e ARAÚJO, 2011).

Curral de parição, piquete de parição ou popularmente chamado de maternidade, estrutura simples e eficaz para o manejo sanitário, nutricional e no monitoramento de crias e matrizes. Contudo, 70% (7/10) não possuem e apenas 30% (3/10) dispõem desta estrutura, os produtores afirmaram que tal construção ajuda muito na gestação e pós-gestação, uma vez que facilita o manejo das matrizes, em questões sanitárias (limitando a área que elas ficam e consequentemente facilitando a limpeza) e nutricionais (permitindo fornecer alimentos selecionados e mais proteicos, para melhorar as condições de parição), o que acaba remetendo ao que Codevasf (2015) relata, além do mais, de acordo com o que foi dito nas propriedades, após a parição a maternidade por ser uma área limitada facilita a cura do umbigo e sua cicatrização sem contaminação a campo, mantém as crias sempre ao pé da mãe propiciando a alimentação assim que quiserem e com isso evita grandes interrupções, que são comuns de ocorrer em sistemas que possibilitam a saída das matrizes para o pasto.

As baias para reprodutores são cruciais quando se trata de sistemas de produção que tem controle rigoroso sobre o período e sistema de acasalamento (LOBATO et al., 2013). A pesquisa de campo mostrou que 40% das propriedades realizam a separação entre reprodutores e matrizes, enquanto que 60% delas (6/10) não separam, deixando que compartilhem o mesmo ambiente durante todo o período de desenvolvimento, seja ele durante o estro ou não, nos permitindo deduzir que, em sua maioria, não realizam estação de monta. A segregação entre reprodutores e matrizes oportuniza maior condução sobre a gestação das matrizes, parição e manejo das crias em um determinado período, logo, a presença de baias é essencial para se obter sucesso no manejo reprodutivo.

A esterqueira é uma construção que permite a fermentação dos dejetos diminuindo o efeito poluidor deles no meio, como foi mencionado por Silva (2017). Referindo-se a estruturas importantes em um sistema de produção de ovinos, é inevitável citar a esterqueira, entretanto, todos os ovinocultores questionados afirmaram não possuir essa estrutura em suas propriedades rurais, o que equivale a 100% (10/10) deles, algo muito preocupante, pois esta estrutura é condicionante no manejo sanitário do rebanho, o contato frequente dos animais com o esterco pode levar ao desenvolvimento de diversas doenças infectocontagiosas, comprometendo a saúde dos animais, o bem estar, e consequentemente acarretando perdas econômicas.

Por não possuírem esterqueiras, os produtores afirmaram que após a limpeza do aprisco e das demais estruturas, eles acumulam os dejetos em um local, que em muitos casos é perto do aprisco e a céu aberto, Segundo SENAR (2012), a higienização do ambiente é um conjunto de medidas de grande importância para evitar a transmissão de doenças. Além do mais, o esterco ovino após ter sido tratado e curtido em esterqueira se torna um produto valioso, podendo ser utilizado como adubo orgânico ou comercializado, continua SENAR (2012).

5.2.3. Piqueteamento e o pastejo rotacionado

Todos os produtores entrevistados informaram que suas propriedades são cercadas, porém, nem todos possuem sistema de produção com piquetes, nota-se na Figura 13, a seguir.

Figura 13. Sistemas de produção com piquetes e o tipo de arame dos piquetes.

De todas as propriedades ovinocultoras, apenas 70% (7/10) possuem piquetes para rotação do pastejo do rebanho, sendo um número expressivo, favorecendo o sistema de lotação rotacionado, esse sistema permite maior ganho/animal/dia e reduz o consumo seletivo. as outras 30% (3/10) que não, permitem o pastejo de lotação contínua, durante todas as fases de produção. Conforme Ferreira e Zanine (2007), além do ganho/animal/dia e redução do consumo seletivo, o sistema de lotação rotacionado ou diferido vem sendo recomendado porque se parte do princípio de que as plantas forrageiras necessitam de um período de descanso, uma vez que se faz necessária à recuperação da mesma após o pastejo, assim como o acúmulo de energia, permitindo a regeneração da pastagem, sem a presença do animal para interferir nesse processo de resiliência.

Dentre as propriedades que possuem piquetes (7/10), cinco delas (5/7) apresentam em seus piquetes cerca com arame liso, enquanto que as outras duas (2/7) tem suas divisões de piquetes com arame farpado. A vantagem do arame liso é a utilização da eletricidade, a cerca eletrificada permite melhor contenção dos animais, além de ser instrumento de muita utilidade para o manejo. O uso do arame liso (cerca elétrica), em termos de materiais, é mais econômico, pois o número de fios de arame na cerca é inferior, assim como de estacas, no entanto, requer maior atenção e manutenção, quando comparado a cercas de arame farpado (SOUZA e MORAES, 2007).

5.3. Nutrição do rebanho e manejo das forrageiras

5.3.1. Principais forrageiras exploradas

Numerosos são os métodos de manejo alimentar que são propostos, visando atenuar o problema nutricional dos ovinos nos períodos de seca no semiárido nordestino, sendo estes os períodos mais críticos (ARAÚJO FILHO e SILVA, 2000). Porém, a palma forrageira e a vegetação nativa da caatinga ainda correspondem às opções mais coniventes com os fatores climáticos e econômicos, em vista a situação monetária da maioria dos produtores de ovinos no semiárido.

Na Figura 14, em seguida, é possível inferir através das porcentagens, a importância dessas duas fontes de alimento.

Figura 14. Palmas forrageiras produzidas e relevância da vegetação nativa.

Como pode ser observado na Figura 14, apenas 10% dos produtores produzem somente palma miúda (Nopalea cochenillifera), 30% produzem somente palma orelha-de-elefante (Opuntia stricta) e os outros 60% (6/10) os dois tipos de palmas forrageiras. Isso se explica ao processo de migração que vem ocorrendo nas propriedades da região, a substituição do tipo de palma produzida. Segundo relatos dos entrevistados, eles estão começando a substituir a palma orelha-de-elefante pela palma miúda, afirmando terem recebido orientação sobre a palma miúda ser mais bem aceita pelos animais.

De fato, a literatura justifica esse pensamento. De acordo com Vasconcelos et al. (2009) e Cavalcanti et al (2008), apesar da palma orelha-de-elefante também ser uma boa opção e se destacar por ser resistente à cochonilha do carmim (Dactylopius opuntiae) foi observado um menor consumo de matéria seca pelos ovinos que foram alimentados com ela, quando comparada a palma miúda. Um dos fatores que justifica esse menor consumo é a presença elevada de espinhos (na orelha-de-elefante), referente à morfologia da espécie. O consumo é fundamental no desempenho animal, afinal é a partir do alimento ingerido que os animais obterão os nutrientes essenciais para a realização das atividades fisiológicas e consequentemente ganho de energia, resultando no ganho de peso, fundamental para atividades pecuaristas quem exploram a carne.

Todos os ovinocultores entrevistados afirmaram que a vegetação nativa é à base da alimentação animal, sendo a mais importante em seus sistemas, principalmente pelo fato de ocupar a maior área (abundância), exigir menores investimentos e apresentar rusticidade, tolerando estações de estiagem por determinados períodos. Aspectos estes que são mencionados por Simplício (2001) e Araújo Filho et al. (1999) quando declaram que a caatinga é a principal e mais econômica fonte de alimentos para os rebanhos, é a base da alimentação, sendo um dos mais importantes fatores para a produção animal na região semiárida, mesmo que ocorram variações na qualidade das forragens a depender das estações chuvosas ou secas.

5.3.2. Outras forrageiras cultivadas

Além das palmas forrageiras (Nopalea cochenillifera e Opuntia stricta) e forrageiras nativas da caatinga, alguns produtores cultivam outras espécies para fornecerem ao rebanho ovino, como se pode conferir na Figura 15, a seguir.

Figura 15. Propriedades com ou sem outras forrageiras.

Logo, percebe-se que 40% das propriedades rurais (4/10) não produzem outras forrageiras para os ovinos, além da (s) palma (s) e da vegetação nativa, ficando restritas apenas a essas duas fontes. Isso pode ser considerado um fator de risco, uma vez que possuir certa variedade de fontes de alimento é relevante para a manutenção dos níveis produtivos, tratando-se da vulnerabilidade do sistema de produção, afinal quando uma das fontes apresentar perdas (por pragas, fatores climáticos ou se esgotar) o produtor terá outros meios para explorar. Além disso, outras culturas exploradas podem dar retorno no desempenho animal muito maior do que os proporcionados pela palma e a vegetação nativa.

Dos outros produtores entrevistados, 10% afirmaram produzir Tifton-85 e Capim Pangola cv. Transvala (Cynodon spp. e Digitaria decumbens), 10% Tifton-85 e Capim Elefante cv. BRS Capiaçu (Cynodon spp. e Pennisetum purpureum), 10% capim Mombaça (Panicum maximum), 10% capim Buffel (Cenchrus ciliaris) e 20% o milho (Zea mays), totalizando 60% dos entrevistados (6/10).

Como já mencionada anteriormente, a diversificação das fontes de alimentos é uma estratégia oportuna para aumentar a sustentabilidade e redução da pressão sobre as forrageiras. Principalmente quando se trata sobre a produção no semiárido, onde em determinada época do ano o período de seca reduzirá a oferta de forragem nativa, tal como sua qualidade (SIMPLÍCIO, 2001).

Essa carência nos períodos de estiagem (seca) obriga os produtores a buscarem alternativas. Onde muitas vezes podem ser as técnicas de conservação de forragem: fenação e ensilagem. Para as forrageiras cultivadas pelos produtores do labor em questão, Bueno et al. (2007) alega que a silagem de milho apresenta valor energético elevado, porém baixo teor proteico, a fermentação é boa, sem necessidade de aditivos e quando a cultivar é bem implantada e manejada pode produzir de 30 a 50 t/ha de massa verde a ser ensilada; assim como o milho, outra silagem que possui bom valor nutritivo, quando colhido precocemente (35 a 45 dias) é a do Capim Elefante, no entanto, recomenda-se o emurchecimento no campo, pois nesse estádio ainda apresenta elevado teor de umidade (podendo prejudicar o processo de ensilagem).

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De acordo com Embrapa (2016), a cultivar BRS Capiaçu pode produzir 50 t/ha/ano de biomassa energética. Ainda de acordo com Bueno et al. (2007) fenos de gramíneas volumosas apresentam boa aceitação pelos animais, desde que possuam coloração esverdeada, elevada quantidade de folhas, sejam macios e com mais de 10% de PB (proteína bruta). O feno de Tifton-85 é um dos exemplos, sendo de boa qualidade quando colhido entre 28 e 40 dias de estágio vegetativo.

5.3.3. Suplementação alimentar

A suplementação alimentar surge como forma de fornecer aos animais os nutrientes que muitas vezes não são encontrados facilmente ou em abundância nas forrageiras em campo, na Figura 16, subsequente, estão quais as suplementações utilizadas nas propriedades rurais, assim como quantas propriedades não suplementam o rebanho.

Figura 16. Suplementações utilizadas e propriedades que não suplementam o rebanho.

De 100% dos ovinocultores, 20% (2/10) não realizam suplementação do rebanho. Outros 20% ofertam suplementação completa, destacando a diversidade de fontes (milho, soja, trigo e torta de algodão), que consequentemente fornece a maior quantidade de nutrientes para os animais, resultando em melhor desempenho. 10% (1/10) fornecem milho, soja e torta de algodão. 20% guarnecem com milho e soja, sendo essa a suplementação mais comum de ser encontrada no mercado. No entanto, de acordo com os dados coletados 30% (3/10), a maioria, oferta suplementação a base de milho, soja e trigo.

Concomitantemente, Farinatti et al. (2006) ilustra o painel das propriedades trabalhadas quando menciona que, cada vez mais a intensificação dos sistemas de produção tem incrementado o uso de suplementos para animais em pastejo (ou seja, como foi visto na Figura 16: 80% suplementam) e continua explicando quando declara que essa prática é fundamentada em dois vieses: o primeiro, de suprir as deficiências nutricionais das pastagens, viabilizando o equilíbrio na dieta dos animais; e o segundo, reduzindo o risco ocasionado pela flutuação da produção de matéria seca das pastagens. Quando existe suplementação, os animais são capazes de substituírem uma fração do consumo de forrageiras por suplemento, resultando em consequências positivas na produção e estrutura das pastagens.

5.3.4. Mineralização do rebanho

A crescente especialização das raças ovinas para a produção de leite e principalmente de carne vem exigindo cada vez mais eficiência nos sistemas de produção, na sua maior parte em função da maior exigência nutricional e da demanda dos mercados consumidores (BARROS et al., 2006). A Figura 17 indica a porcentagem de propriedades que realizam a suplementação mineral e com qual tipo de sal.

Figura 17. Propriedades que mineralizam e tipo de sal fornecido.

É possível notar na Figura 17, acima, que todas as propriedades ovinocultoras (10/10) realizam a mineralização do rebanho. Portanto, é de ciência dos entrevistados a importância de tal suplementação. Assim como a suplementação alimentar, a suplementação mineral também visa suprir as necessidades nutricionais que as pastagens não suprem, possibilitando aos animais o desenvolvimento do seu potencial genético, logo, a mineralização do rebanho deve ocorrer em todas as fases do ciclo, em qualquer região do país e durante todo o ano (BARROS et al., 2006; FARINATTI et al., 2006). De conhecimento comum, as deficiências minerais nos seres vivos ocasionam desordens fisiológicas, comprometendo o bem estar animal e consequentemente o desempenho, no rebanho ovino acaba refletindo na produção de carne e leite.

Nas propriedades, o sal fornecido é o próprio para ovinos, segundo os produtores, eles têm conhecimento que tal produto foi desenvolvido justamente para o rebanho e que consequentemente é este que trará os melhores resultados. No passado era comum ofertar aos ovinos o sal de bovinos, devido a alguns fatores, como: o pouco acesso à informação, o sal bovino ser mais comum e também por criarem espécies bovinas. De fato, isto é justificado por Eckert et al. (1999) quando ele menciona que mesmo havendo uma vasta variedade de misturas minerais disponíveis no mercado, tem produtores que ofertam ao rebanho ovino a mesma suplementação mineral que é dada aos bovinos, um grande problema, pois pode acarretar patologias aos ovinos, uma vez que estes são mais sensíveis, podendo ocorrer toxicidade ao cobre e a outros minerais.

5.4. Manejo e conservação do solo

Wadt et al. (2003) afirma que o solo é um recurso que possui múltiplas funções nos ciclos de nutrientes, da água e da vida (relevância na sustentabilidade e equilíbrio dos sistemas naturais). Portanto, é de suma importância que o manejo correto e práticas conservacionistas sejam sempre empregados, para manutenção desses ciclos e consequentemente desse recurso base para as atividades e produções agrícolas.

Quando questionados sobre o uso de práticas conservacionistas, os produtores afirmaram que realizam apenas as edáficas e vegetativas, os resultados obtidos podem ser observados nas Figuras 18 e 19, do subtítulo a seguir.

5.4.1. Práticas edáficas e vegetativas realizadas

Quanto às práticas de caráter edáfico utilizadas pelos produtores, são elas: preparo do solo e adubação, no entanto, nem todos realizam as duas, nota-se na Figura 18, adiante.

Figura 18. Realizam preparo do solo e/ou adubação.

Dessa maneira, somente 10% (1/10) realizam unicamente preparo do solo e 10% realizam somente adubação, os outros 80% realizam tanto o preparo do solo, quanto a adubação, oferecendo melhores condições para as forrageiras que serão cultivadas e exploradas, um avanço quando se refere a sistemas de produção que almejam a intensificação.

Outra prática edáfica que poderia ser utilizada é a adubação verde, visando repor a matéria orgânica do solo e consequentemente melhorar as características físicas, aumentando a infiltração e retenção de água, estimulando processos químicos e biológicos, além da fixação de nitrogênio, através do cultivo de espécies da família Fabaceae, como é o caso da Leucena (Leucaena leucocephala) e do Feijão-caupi (Vigna unguiculata) (ZONTA et al., 2012).

Em relação às práticas vegetativas, os entrevistados em maioria exorbitante, disseram não realizar nenhuma, a Figura 19, em seguida, ilustra bem.

Figura 19. Utilização de práticas vegetativas.

Com números expressivos, 90% (9/10) dos ovinocultores não realizam nenhuma prática vegetativa, somente 10% (1/10) realizam rotação de culturas, esse mesmo também executa preparo do solo e adubação, das práticas edáficas (correspondente a 10% dos 80% da figura anterior). De acordo com Zonta et al. (2012) as práticas vegetativas tem como principal função minimizar o processo erosivo e proteger o solo contra a ação direta do impacto da gota de chuva. Essas práticas se baseiam em fornecer cobertura para o solo, diminuindo a carga e a velocidade da água em função da declividade.

De fato, verifica-se que poucas são as práticas para a conservação do solo nas propriedades trabalhadas. Este fato é alarmante, pois o solo está diretamente ligado ao sucesso das atividades agrícolas, ele é a base para o desenvolvimento agrário e dos sistemas produção, no caso referido da ovinocultura. Segundo Pes e Giacomini (2017), é através do planejamento e da aplicação precisa das práticas de conservação do solo, que se consegue manter o potencial produtivo do mesmo e evitar problemas, como a erosão e a compactação. Contratempos que implicarão nos níveis de produção de forragem, concomitantemente na produção animal, no desempenho e por fim na economia dos sistemas de produção de ovinos.

5.5. Questões sanitárias nos sistemas de produção

Para que um sistema de produção, seja ele de qual criação animal for, tenha sucesso é necessário que os animais estejam em condições satisfatórias de bem estar, logo, não só os animais precisam estar sadios, mas que todo o sistema ofereça tais condições, que giram em torno das questões de manejo, qualidade das instalações, espaço, limpeza, higienização e alimentação.

5.5.1. Quarentenário: a barreira contra a entrada de patologias.

Essa estrutura simples tem como função deixar animais recém-adquiridos ou de retorno de exposições, sob observação, ela conta com pasto, comedouros, bebedouros e saleiros (GUIMARÃES FILHO e JÚNIOR, 2009). A Figura 20 ilustra a porcentagem de propriedades que possuem essa instalação, tal como as que não.

Figura 20. Propriedades com quarentenário.

Logo, apenas 10% (1/10) das propriedades possuem quarentenário, as demais alegaram não possuírem e introduzirem normalmente os animais recém-comprados, no rebanho. Uma questão de risco quanto a doenças infectocontagiosas que podem acabar comprometendo todo o rebanho. Fernandes e Simionato (2007) sustentam que a quarentena além de ser uma medida preventiva contra a introdução de animais com patologias no sistema, é também uma forma de adaptar gradativamente os ovinos ao novo ambiente, tal como a alimentação e manejo realizado nas propriedades, concluem citando que a etapa de exame dos ovinos que chegaram deve ser criteriosa e avaliar a condição corporal, aspecto da lã/pelo, boca, dentes, cascos, úbere, genitálias, linfonodos, mucosas e condição das fezes.

5.5.2. Manejo do esterco

Os dejetos dos animais fazem parte do planejamento do manejo sanitário de todos os sistemas de produção, esse resíduo tanto pode ser prejudicial ao sistema de forma direta por meio da proliferação de doenças ou vetores, assim como indiretamente contaminando lençóis freáticos e o solo, afetando a produção de forragem. A Figura 21 indica o destino do esterco dos ovinos nas propriedades questionadas.

Figura 21. Destino do esterco.

Em sua maioria, os ovinocultores afirmaram que utilizam o esterco para a adubação de suas pastagens e outras plantas da propriedade, correspondendo a 90% deles (9/10). O esterco ovino apresenta ótimo resultados na adubação orgânica, de acordo com Vieira e Costa (1984), tanto o esterco de ovinos quanto o de caprinos apresentam concentrações de nitrogênio, fósforo e potássio superiores ao esterco de bovinos, correspondendo a uma porcentagem substancial na recuperação e estruturação da fertilidade dos solos, assim como na atividade biológica no mesmo.

A comercialização foi o outro destino do esterco, sendo os 10% que sobraram, o entrevistado disse que vende todo o esterco para os produtores de hortaliças e frutíferas da região, que utilizam como adubo. Estudos, tanto para alface quanto para mamão, apontam que os resultados obtidos são positivos. Por exemplo, Moraes et al. (2012) menciona que a adubação com esterco ovino apresentou resultados satisfatórios, tanto para o cultivo solteiro, quanto para o consorciado de alfaces, quando comparados a adubação com esterco bovino e NPK. De modo semelhante, Oliveira et al. (2015) observou que o esterco ovino proporcionou aumento na altura da planta, número de folhas, área foliar, diâmetro do coleto e produção de matéria seca do mamoeiro grupo Formosa.

5.5.3. Frequência de limpeza do aprisco

Além da proliferação de doenças e vetores, o estrume e a urina no interior dos apriscos podem ocasionar lesões aos cascos ou membros dos animais, por meio de acidentes. Por isso se faz necessária à limpeza constante desses locais. Na Figura 22, a seguir, estão expressas as frequências de limpeza do aprisco, em porcentagem.

Figura 22. Frequência de limpeza do aprisco.

Portanto, dos entrevistados, 60% (6/10) declararam realizar a limpeza de três em três dias, sendo a menor frequência de dias entre os entrevistados, 30% (3/10) realizam semanalmente, ou seja, a cada oito dias, e somente 10% (1/10) realizam quinzenalmente. Em termos de limpeza, mais da metade dos ovinocultores chegam a realizar duas por semana, correspondente aos 60% (6/10), aspecto positivo para os seus sistemas de produção, pois de acordo com Simões (2012) o ideal é que a limpeza geral do aprisco ocorra diariamente ou com uma frequência de dois dias, destinando o esterco para um local apropriado ou para uma esterqueira.

5.5.4. Ocorrência de patologias

O manejo sanitário e a alimentação exercem influência sobre o bem-estar e a saúde dos animais, no entanto, mesmo que o empreendimento atenda a estes aspectos, seu sucesso também está ligado à prevenção e o controle das patologias de forma direta. Através das Figuras 23, 24 e 25, será possível entender o panorama das propriedades ovinocultoras em relação às patologias que ocorrem com frequência e os processos de vermifugação e vacinação.

Figura 23. Patologias frequentes.

Quando questionados sobre as patologias mais frequentes no rebanho, os ovinocultores citaram as verminoses, linfadenite caseosa/mal-do-caroço e o ectima contagioso/boqueira. Podemos notar na figura que as verminoses correspondem à enfermidade que acomete ou acometeu ovinos em 100% das propriedades estudadas e é também a mais letal, começando por debilitar e emagrecer os animais, ao primeiro sinal o tratamento deve ser realizado (RETORE e CORREA, 2015). Das propriedades, 30% (3/10) afirmaram que ela é a única reiterada.

Apenas um produtor (10%) atestou que na propriedade é frequente a ocorrência das três doenças, um risco para o sistema de produção. Pois, ainda de acordo com Retore e Correa (2015), são altamente contagiosas, tanto a linfadenite caseosa quanto o ectima contagioso levam o rebanho a significativas perdas de produtividade, esta por último se torna endêmica, graças à persistência do vírus no ambiente ou rebanho. Enfim, mais da metade das propriedades produtoras (60% (6/10)) asseguraram que passam por problemas apenas com duas, sendo: verminoses e linfadenite caseosa.

Visando combater as verminoses, problema comum a todas as propriedades, questionou-se aos ovinocultores se eles realizam a vermifugação do rebanho e qual critério utilizam para tal. Os resultados obtidos estão na Figura 24, abaixo.

Figura 24. Porcentagem que realiza vermifugação e qual critério utiliza.

Todas as propriedades realizam a vermifugação do rebanho, sendo uma prática comum. Quando questionados sobre qual critério adotam para a realização, citaram o método Famacha©, sendo o método utilizado por todos os produtores entrevistados (100%). Van Wyk et al. (1997) menciona que o método em questão trata os animais de forma seletiva, somente aqueles que apresentam alteração na conjuntiva ocular, com certo grau de anemia (tons claros) são vermifugados, a coloração da conjuntiva é comparada com um cartão que possui colorações indicando cinco graus de hematócrito ou de anemia, aqueles categorizados nos graus 1 e 2 não necessitam da vermifugação.

Logo, esse é um método simples, que permite ser realizado pelos próprios produtores, agilizando o processo, o que pode ser um diferencial no processo de tratamento e recuperação dos animais enfermos.

O método Famacha©, por ser seletivo, também tem a vantagem de submeter ao tratamento de vermifugação somente os animais que estão enfermos, assim sendo, se expõe o mínimo possível o rebanho aos vermífugos (estamos falando de produtos químicos/fármacos). Outro ponto a ser mencionado é que essa seletividade reduz o estabelecimento de resistência aos endoparasitas (CHAGAS et al., 2007).

Em relação à vacinação do rebanho, a Figura 25, a seguir, ilustra a porcentagem de propriedades que realizam e contra quais doenças.

Figura 25. Propriedades rurais que vacinam e contra qual patologia.

De 100% das propriedades, 20% (2/10) não realizam qualquer tipo de vacinação, vale ressaltar que quando se define o manejo sanitário de um rebanho, a vacinação corresponde à primeira ferramenta a ser lembrada, como foi mencionado por Gaspar, Mino e Santos (2015), os autores continuam explanando que o uso de vacinas na medicina veterinária é algo rotineiro, graças às medidas preventivas que elas oferecem contra doenças infecciosas, a redução do uso corriqueiro de antibióticos e consequentemente redução de custos e de resíduos dos fármacos nos produtos com a origem do animal.

As outras 80% (8/10) realizam vacinação, sendo que 70% vacinam o rebanho contra raiva e clostridioses e 10% vacinam somente contra raiva, a vacinação contra raiva é fundamental, devido à agressividade da doença. Retore e Correa (2015) corroboram quando reiteram que a raiva é uma doença viral que pode matar um animal entre sete a dez dias após início dos sintomas clínicos. Ainda de acordo com os autores, a clostridiose também é uma patologia aguda, matando rapidamente os ovinos, a vacinação é a única forma de preveni-la, uma vez que o tratamento com antibióticos não tem eficiência.

5.6. Questões acerca da reprodução, crias, matrizes e reprodutores

5.6.1. Sistema de acasalamento

Visando acelerar o aumento da produtividade, associado ao melhoramento genético, deve-se buscar a utilização de técnicas para a reprodução, almejando à otimização do manejo de rebanho quanto ao acasalamento (LOBATO et al., 2013). Questionados sobre qual o sistema de acasalamento utilizado nas propriedades e a procedência dos reprodutores, os resultados obtidos estão expressos na Figura 26, logo abaixo.

Figura 26. Procedência dos reprodutores e sistema de acasalamento utilizado.

Como foi possível observar, dentre os sistemas de acasalamento questionados (monta natural, inseminação artificial e transferência de embrião), em todos os sistemas de produção o utilizado é a monta natural (100%). O fato da monta natural ser amplamente utilizada é por ser simples, econômica e requerer menores investimentos em tecnologias. de acordo com Chagas (2007) esse sistema é simples de ser adotado de forma contínua, é o método tradicional, baseado na permanência dos machos com as fêmeas, comumente utilizado em sistemas extensivos. Lopes e Oliveira (2010; 2011) citam que as desvantagens são o fato de não sabermos quais são os pais das crias (quando se tem muitos machos no rebanho) e a questão da transmissão de doenças sexualmente.

Em relação à procedência dos reprodutores, 80% (8/10) dos ovinocultores afirmaram que adquirem via compra, enquanto que 20% obtêm tanto por compra quanto por empréstimos. O risco da obtenção de reprodutores por empréstimos está na transmissão de doenças, tanto da propriedade de origem quanto para a de destino, uma vez que apenas 10% (1/10) possuem quarentenário para uma prévia realização de exames, antes de introduzi-los no rebanho. Esse alerta também serve para reprodutores comprados, onde não se tem certificação de vacinação.

5.6.2. Estação de monta

Essa prática corresponde ao estabelecimento de um período para a reprodução dos animais, colocando em um mesmo piquete ou alojamento o macho e as fêmeas a serem fecundadas. Deve atentar-se ao estado corporal e reprodutivo dos animais, assim como a disponibilidade de alimentos no período de gestação, parto e amamentação (FONSECA, 2006). A Figura 27 indica a porcentagem de propriedades que realizam estação de monta, já que todas têm como sistema de acasalamento a monta natural.

Figura 27. Propriedades que realizam estação de monta.

A partir da figura, nota-se que a grande maioria (90%) dos empreendimentos rurais ovinocultores não realizam estação de monta, logo, de certo a reprodução dos animais ocorre ao acaso, naturalmente sem um planejamento prévio dos produtores, dessa forma, apenas 10% (1/10) realizam estação de monta, gerenciando melhor os fatores mencionados anteriormente (manejo produtivo, disponibilidade de alimentos e condição das matrizes e reprodutores).

A estação de monta poderia ser mais explorada, pois esse controle reprodutivo possibilita o nascimento das crias em um só período, facilita e reduz os custos do manejo sanitário e alimentar, além do mais, acaba por favorecer a organização da produção, propiciando uma oferta de produto uniforme ao mercado (NOGUEIRA et al., 2011).

5.6.3. Acompanhamento do parto

Tarefa de relevância quando se trata do bem estar dos animais, foram questionados se realizam, os resultados são observados na Figura 28.

Figura 28. Acompanhamento do parto.

Apenas 30% (3/10) dos ovinocultores alegaram não realizar acompanhamento do parto, em compensação, a maioria (70%) afirmou que realizam e que de acordo com eles: Acompanhar o parto é uma forma de evitar perdas, também pelo apreço criado aos animais. Em outras palavras, essa tarefa é uma medida de segurança, para que se preserve a vida das matrizes e das crias, evitando contratempos no trabalho de parto (momento do nascimento). Segundo Lobato (2013), a parição pode ocorrer a qualquer momento do dia (24h), alguns sinais podem ser percebidos, permitindo identificar o momento do parto, inicialmente à ovelha fica inquieta, começa a deslocar-se em círculos, se abaixar e levantar com frequência e berrar. Alguns cuidados também fazem parte do acompanhamento do parto, como manter as fêmeas vacinadas, fornecer locais limpos e tranquilos, assim como alimentação de qualidade (GRANADOS et al., 2006).

5.6.4. Cura do umbigo

O acompanhamento do parto é só o primeiro passo para garantir o bem estar da cria, seguido da cura do umbigo, sendo fundamental para a manutenção da sobrevivência e saúde da mesma. Na Figura 29, estão expressos os resultados obtidos quanto à realização ou não da cura.

Figura 29. Cura do umbigo.

Os resultados obtidos foram que na maior parte das propriedades a cura do umbigo não é realizada (60%), fator de risco, pois de acordo com Nogueira et al. (2011), o corte e a cura do cordão umbilical (e posterior imersão em tintura de iodo com concentração de 10%) são fundamentais para evitar que agentes patogênicos penetrem a cavidade abdominal via umbigo e causem infecções generalizadas, levando os cordeiros a morte. O procedimento em questão permite uma rápida secagem do cordão e assim evita infecções. É o que é feito em 40% (4/10) delas, pelo que foi relatado, a realização do corte e acompanhamento da cura do cordão umbilical ocorre com todas as crias, atividade costumeira e básica nas referidas propriedades rurais.

5.6.5. Desmame e peso médio

O processo de desmame influencia de várias formas o sistema de produção de um empreendimento rural ovinocultor, desde o desenvolvimento da cria até a próxima estação de reprodução das fêmeas. Na Figura 30, é possível observar o panorama das propriedades quanto à idade que os cordeiros são desmamados e o peso médio deles no momento.

Figura 30. Idade de desmame e peso médio das crias ao desmamar.

Em relação à idade de desmame, os resultados obtidos nos questionários nos mostram que apenas 20% (2/10) realizam o desmame aos noventa dias de idade, sendo esse o período ideal para isto. De acordo com Nogueira et al. (2011) o desmame pode ser realizado entre 56 a 90 dias, a depender do manejo que as crias serão submetidas. Talvez a questão do manejo alimentar das matrizes ser muito dependente da vegetação nativa e sua produção sazonal, explique o fato dos outros ovinocultores submeterem as crias ao desmame mais tardiamente, como é o caso de 80% deles, onde 70% (7/10) realizam o desmame aos cinco meses e 10% aos sete meses. O grande problema desses sistemas que realizam o desmame tardiamente é o fato de a amamentação retardar o reinício da atividade ovariana, atrasando o processo de ovulação (NOGUEIRA et al., 2011). Em outras palavras, as matrizes não entram no estro, retardando a nova estação de cruzamentos e consequentemente afetando o planejamento.

Diversos são os fatores que influenciam o peso médio das crias no momento do desmame, como a idade do cordeiro, a qualidade do leite e da alimentação das matrizes, bem-estar animal, sanidade e raça. Todas essas variáveis serão condicionantes, por fim, metade deles (50%) afirmaram que as crias apresentam 20 kg no momento do desmame, 10% (1/10) em torno de 22 kg e os outros 40% (4/10) que alcançam até 25 kg.

De acordo com Cunha et al. (2008), sistemas que utilizam reprodutores selecionados de raças de corte especializadas (Ille de France, Suffolk, Poll Dorset e Texel) em cruzamento com fêmeas deslanadas obtiveram cordeiros com 17 kg aos 45 dias, com um ganho de 240 a 280 g/dia, sendo cordeiros super precoces. Ponderando para a situação estudada, em 90 dias com um ganho de 240 g/dia, esses cordeiros alcançam em torno de 27,8 kg, média superior a de todos os produtores do labor em questão, no entanto, é como citamos, a literatura está baseada em sistemas especializados, o que não são os do nosso caso.

5.6.6. Descartes de machos e fêmeas de acordo com a idade

O descarte orientado de animais pode ocorrer seguindo vários critérios, todavia, foi questionado quando é realizado em reprodutores e matrizes, baseando-se apenas no critério da idade. A Figura 31, a seguir, ilustra isso.

Figura 31. Idade de descarte de reprodutores e matrizes.

Foram vários os resultados obtidos, sendo quatro, tanto para machos quanto para fêmeas. Para os machos, 20% (2/10) realizam o descarte quando estes atingem os 5 anos, assim como outros 20% descartam aos 4 anos; E 30% (3/10) aos 3 anos de idade, chegando o mais próximo do recomendado, Codevasf (2015) afirma que os reprodutores são descartados aos dois anos de atividade reprodutiva, isso porque visa-se evitar que ocorram acasalamentos entre eles e as filhas, apesar de que, pode-se evitar através da monta, dito isto, somente 30% dos ovinocultores realizam o descarte de reprodutores na idade recomendada.

Se tratando das matrizes, 20% (2/10) dos ovinocultores disseram que ainda não realizaram o descarte, isso porque um deles iniciou a produção recentemente e o outro monitora os cruzamentos. Dos outros, 10% (1/10) descartam com 4 anos de idade, idade recente, pois, ainda de acordo com Codevasf (2015), animais jovens apresentam maiores produtividade e resistência, indicando-se descartar as matrizes com mais de 5 anos, como é o caso dos outros 30% (3/10) que descartam com 6 anos e 40% (4/10) realizando aos 5 anos de idade, cumprindo a faixa ideal sugerida.

Os animais devem ser descartados, principalmente quando falamos das matrizes, visto que a fertilidade e outras qualidades reprodutivas vão diminuindo com o decorrer do tempo (ELOY et al., 2007).

5.6.7. Questões intrínsecas aos sistemas de produção

Em seguida, serão abordadas as questões acerca do sistema de criação utilizado, origem dos animais das propriedades, assim como as fases de produção que são realizadas, o tipo de exploração, destino da produção, o efetivo do rebanho, as raças predominantes e a presença de outras raças.

5.6.8. Sistemas de criação explorados

O sistema de criação diz muito como as atividades no empreendimento rural irão proceder, assim como o desempenho animal e os ganhos em produtividade, a Figura 32, adiante, expõe os resultados quanto a essa variável.

Figura 32. Sistema de criação explorado na propriedade.

Nenhum dos produtores afirmou utilizar sistema intensivo, ou seja, a exploração somente por meio de confinamento, ficaram divididos entre sistema extensivo 50% (5/10) e 50% semi-intensivo (5/10).

Resultados de certa forma esperados, tal como foi visto anteriormente 100% das propriedades exploram as forrageiras nativas da caatinga, portanto se torna conclusivo quando eles afirmam não criarem via sistema intensivo. A exploração extensiva corresponde a 50% dos entrevistados, por ser mais simples e exigir menores custos, no entanto, os ganhos em produtividade dos empreendimentos ovinocultores ficam a mercê da produtividade sazonal das pastagens naturais, condições climáticas e a fertilidade natural do solo. Desta forma a exploração extensiva se caracteriza como atividade de risco, pois depende desses fatores para a receita positiva. Os demais produtores (50%) utilizam o sistema semi-intensivo, que tem como base o extensivo, diferindo do sistema extensivo pela aplicação de algumas tecnologias e emprego da suplementação animal. Este é o perfil da maioria das propriedades ovinocultores na região Nordeste, grande parte delas se baseiam no baixo investimento tecnológico, consequentemente obtendo carne, leite, couro e outros derivados de menor qualidade (CODEVASF, 2015).

5.6.9. Procedência dos ovinos e fases de produção realizadas

A origem dos animais é um dos fatores a se analisar quando se visa à formação de um rebanho com altos índices produtivos, sendo um item da pirâmide de produção animal. Depois de tratados todos os itens da pirâmide de produção, no trabalho, chega-se ao topo (genética) e para se ter certeza da qualidade genética dos animais se faz necessário saber de onde eles vêm ou quais são os seus genitores. A Figura 33, adiante, expõe os resultados acerca da procedência dos animais.

Figura 33. Procedência dos ovinos.

Para os resultados obtidos, 50% (5/10) afirmaram adquirir os animais via reprodução e compra no comércio local, sem especificar se via feira livre ou exposição, questão que deve ser colocada em pauta, pois muitos dos ovinos vendidos na feira livre da cidade não são de pura origem (PO), 10% (1/10) obtêm por reprodução e comércio intermunicipal e 40% (4/10) somente via reprodução. Detalhe interessante, pois a formação do rebanho somente via reprodução permite ao produtor ter controle sobre a genética do plantel, uma vez que a procedência dos animais é de seu conhecimento, em alguns casos, quando ocorre estação de monta controlada é possível saber quem é o pai, sistematizando assim ainda mais a produção e permitindo traçar cruzamentos desejados, almejando potencializar as virtudes genéticas.

No que se refere aos sistemas de produção que adquirem ovinos através da compra e não somente da reprodução (60%), é interessante que se avalie a aquisição de reprodutor (es) de pura origem e de matrizes com boa procedência, com controle genealógico, certo que o objetivo é obter crias puras por cruza (VAZ, 2007).

Em relação às fases de produção, todos os produtores realizam cria, recria e engorda. A realização das três fases de produção permite ao produtor estruturar o sistema de produção de acordo com o andamento de cada uma delas, proporcionando ao mesmo o estabelecimento de metas e calendários, desde a reprodução e crescimento dos cordeiros ao desmame, início da reprodução, fase de engorda e abate. É o que ocorre com os ovinocultores estudados, possuindo assim de forma cíclica, cordeiros para iniciarem a exploração, fêmeas e reprodutores para procriarem e por fim, adultos para se comercializar o leite e derivados ou carne e até os próprios animais, a depender do tipo de exploração de cada empreendimento rural.

5.6.10. Tipo de exploração e destino da produção

Os ovinos, assim como os bovinos, são animais com diversos produtos, podem ser manejados visando à produção de lã, couro, carne, leite e derivados, ou até mesmo de crias, para vender a outros sistemas. No entanto, as condições climáticas, as raças e o manejo são quem definirão o que será explorado, na Figura 34 estão os resultados quanto ao tipo de exploração adotada pelos ovinocultores, assim como, qual o destino da produção.

Figura 34. Tipo de exploração e destino da produção.

De acordo com os resultados obtidos, o nicho de todos os empreendimentos ovinocultores é a exploração de carne, logo é o produto principal (100%), no entanto, deles, 20% (2/10) além da carne exploram a venda de crias, mencionando que são procurados por outros ovinocultores por possuírem animais geneticamente qualificados. Os outros 80% (8/10) exploram somente carne. Quanto a 100% (10/10) se dedicarem a produção de carne, é de certa forma o cenário esperado, pois corresponde ao nicho de mercado mais forte na ovinocultura nordestina. No Rio Grande do Sul, a ovinocultura alcançou grande importância através da produção de lã, diferente dela, o Nordeste se impulsionou pela produção de subsistência, ocupando áreas no semiárido, sendo fundamental no abastecimento de proteína para as populações locais, além de ser uma alternativa econômica (assim como a caprinocultura), devido à adaptação das espécies as condições climáticas da região (ANDRADE, 1984; SÓRIO, 2017).

Da mesma forma, Andrade (1984) e Sório (2017) justificam o fato de 100% das propriedades destinarem a produção para o comércio local (como se pode observar ainda na Figura 34), no entanto, delas, 90% (9/10) comercializam exclusivamente para a cidade e povoados pertencentes, enquanto que somente 10% (1/10) comercializam também para outra(s) cidade(s), além de Miguel Calmon – BA.

5.6.11. Efetivo do rebanho ovino (total, machos e fêmeas)

Referente à quantidade total do rebanho ovino, vários são os fatores que serão influenciados por ele, caracterizando ainda mais as atividades, instalações e conjunto de manejos realizados. Na Figura 35, em seguida, estão expressos em porcentagem os intervalos quanto à quantidade de cabeças do rebanho nas propriedades trabalhadas.

Figura 35. Efetivo do rebanho ovino.

Classificou-se em três níveis: propriedades que possuem de 8 a 20 ovinos, propriedades com 21 a 50 ovinos e por fim, aquelas com mais de 50 ovinos. O que fica claro é que metade delas (50% (5/10)) contam com um efetivo mediano (considerando os três níveis), correspondente entre 21 a 50 ovinos. Outra boa parte com 8 a 20 ovinos (40% (4/10)) e apenas 10% (1/10) possuem mais de 50 ovinos. Logo, no contexto dos entrevistados, 90% criam menos de 50 animais.

Se tratando do tamanho do rebanho, alguns aspectos devem ser levados em consideração, como é o caso das instalações, estas devem atender a toda demanda, cumprindo seus papéis eficientemente, como é o caso da quantidade de cochos, comedouros e saleiros, assim como o dimensionamento dos mesmos para servir a todos os animais, a área dos apriscos, o tamanho da esterqueira, a quantidade de baias para os reprodutores e maternidades para as matrizes (TURCO e ARAÚJO, 2011). O manejo alimentar e a produtividade das forrageiras são itens a serem avaliados, em relação a alimentação, deve-se ter em mente a quantidade de matéria seca que todo o rebanho vai necessitar para manter seus níveis de produtividade elevados, tal como, todo o planejamento forrageiro em função do tempo.

Segundo Andrade (2008), referente à implantação do pastejo rotacionado como é o caso de 70% dos produtores, avalia-se vários fatores e um deles é o tamanho do rebanho. Sem deixar de reiterar que o mesmo influenciará sobre o manejo sanitário e reprodutivo, além de que, evidentemente, sob a área da propriedade.

A Tabela 4, a seguir, indica a quantidade de fêmeas e machos nas propriedades, em intervalos, e a porcentagem de propriedades que se encaixam no perfil.

Tabela 4. Quantidade de fêmeas e machos nas propriedades.

Categoria

Quantidade na categoria (n)

Porcentagem de propriedades (%)

Fêmeas

 

 

 

8 a 20

40%

 

21 a 50

50%

 

Mais de 50

10%

Machos

 

 

 

1 a 5

40%

 

6 a 10

40%

 

Mais de 10

20%

Conforme a Tabela 4, 80% (8/10) das propriedades ovinocultoras possuem até 10 machos, sendo que 40% (4/10) de 1 a 5, e 40% (4/10) de 6 a 10, enquanto que somente 20% (2/10) apresentam no plantel mais de 10 machos. Vale ressaltar que os números e porcentagens explanam sobre número de machos no geral, desde crias a reprodutores. Enquanto isso, os resultados obtidos para fêmeas são que a minoria (10% (1/10)) possui mais de 50 fêmeas, a maioria dos ovinocultores (50% (5/10)) tem de 21 a 50 cabeças e por fim 40% (4/10) detêm de 8 a 20 fêmeas.

Portanto, assim como está apresentado na coluna de quantidades, espera-se sempre que o número de machos seja inferior ao de fêmeas, haja vista que os machos são conduzidos por meio de seleção visando torná-los reprodutores, o que consequentemente reduz sua população para um menor número em relação ao de fêmeas. O número elevado de fêmeas possibilita ao sistema maior número de matrizes e mais crias após as estações de monta, consequentemente mais renda para os empreendimentos rurais.

Em conformidade, Salles e Eloy (2005) citam que em sistemas que se utiliza monta controlada a razão é de um reprodutor para até quarenta fêmeas (1/40), deixando claro o número elevado de fêmeas em relação ao de machos, e que essa disparidade pode ser maior ainda quando se tem um rufião, sendo possível ter um reprodutor para até sessenta fêmeas (1/60), completam o raciocínio afirmando que em um sistema de produção o ideal é que se tenham no mínimo dois reprodutores, para que seja possível avaliar a eficiência do rebanho entre reprodutores e selecionar assim os indivíduos que estão elevando os índices produtivos.

5.6.12. Raças predominantes e outras raças produzidas

As Figuras 36 e 37, a seguir, tangem sobre as raças produzidas, sendo divididos em: raça predominante no sistema e outras raças produzidas, respectivamente. Isso porque alguns ovinocultores não são especializados, tendo em seu plantel mais de uma raça.

Figura 36. Principal raça produzida (predominante).

A frequência das raças entre as propriedades se mostra bem homogênea, no tocante aos tipos de raças de corte presentes no mercado, ficando dividida em apenas três: Santa Inês, Dorper e SRD. Metade dos ovinocultores produzem a raça Dorper (5/10), a outra grande parte produz ovinos SRD, com 40% (4/10), ficando por último, apenas 10% (1/10) produzindo Santa Inês. Essa homogeneidade é importante, pois ilustra que os produtores estão seguindo um nicho de mercado, assim como, utilizando raças que possuem determinada aptidão para as condições climáticas da região, de acordo com Vaz (2007) antes de se iniciar uma criação de ovinos, o produtor deve fixar quais são seus objetivos, ou seja, o que ele pretende explorar (no caso do trabalho, 100% carne, vide Figura 34), levando em consideração a infraestrutura que possui e o mercado consumidor que pretende atender, além das aptidões produtivas e exigências da raça, o que acaba justificando a escolha dos produtores, por optarem: Dorper, Santa Inês e SRD, todas elas com aptidão para produção de carne.

A Figura 37, adiante, indica a porcentagem de propriedades que possuem raças secundárias e que não, tal como, quais são essas raças.

Figura 37. Raças secundárias e propriedades que não as criam.

A princípio fica claro que 40% (4/10) dos ovinocultores são especializados, ou seja, não criam mais de uma raça, os demais ovinocultores (60%) exploram mais de uma (principal e secundária), as raças secundárias exploradas por eles são: Santa Inês, Dorper e SRD.

Deles, 20% (2/10) exploram como raça secundária a Santa Inês, assim como 10% (1/10) Dorper e por fim, 30% (3/10) criam SRD, correspondendo à maioria. Não se sabe ao certo o porquê dessa diversidade nos plantéis. Em alguns casos talvez seja pela falta de engajamento em se especializar na atividade ou pela busca da diversidade no sistema de produção, como uma forma de contornar as intempéries dos períodos críticos, visando maior adaptabilidade e tolerância as condições da região. Isso se explica pela forte presença do rebanho secundário SRD, uma vez que essa raça apresenta como fortes características a rusticidade, se destacando em ambientes adversos as outras raças, a produção satisfatória em pastagens pouco produtivas e a exigência reduzida nos investimentos (VAZ, 2007).

6. CONCLUSÃO

Levando em consideração todos os dados coletados, caracterizados e sistematizados acerca dos sistemas de produção de ovinos em Miguel Calmon – BA é possível notar uma mudança no perfil deles, quando referidos em nível de região Nordeste. Se apresentando em nível de transição entre a exploração tradicional extensiva, desprovida de tecnologia, ainda comum a região, para uma exploração mais intensiva, especializada, com maior uso de tecnologias, adequação das estruturas, foco no manejo alimentar para períodos críticos, preocupação com as questões sanitárias e genéticas das crias, matrizes e reprodutores, almejando assim melhores níveis de produtividade.

Portanto, as informações obtidas neste trabalho são pertinentes para se traçar o perfil das propriedades rurais, assim como, metas e estratégias a nível de campo e da esfera política, visando o fortalecimento da ovinocultura no município, tal como viabilizar trabalhos futuros de pesquisa, extensão e mercado, através dos elementos e bases por ele fornecidos.

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8. ANEXOS

Anexo 1. Pastagem formada por Cynodon spp cv. Tifton-85.

Anexo 2. Aprisco coberto e com chão cimentado.

Anexo 3. Capineira de Pennisetum purpureum cv. BRS Capiaçu.

Anexo 4. Área descoberta do aprisco para solarização do rebanho.

Anexo 5. Caatinga que os ovinos utilizam.

Anexo 6. Reprodutor da raça Dorper.

Anexo 7. Rebanho SRD no aprisco.

Anexo 8. Entrevistando o produtor.

Anexo 9. Matriz amamentando a cria com auxílio do produtor.

Anexo 10. Produtor observando os animais na baia dentro do aprisco.

Anexo 11. Produtor realizando a pesagem da cria.

Anexo 12. Rebanho pastejando em piquetes.

Anexo 13. Aprisco coberto com galpão para armazenagem de feno.

Anexo 14. Foto com produtor na área de solário do aprisco.

Anexo 15. Preenchendo questionário. 


Publicado por: GABRIEL MIRANDA RIOS ACCIOLY

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