ESTUDO DE CASO SOBRE O CENTRO DE TRIAGEM DE ANIMAIS SILVESTRES DE BARUERI

Administração e Finanças

A estrutura de funcionamento dos CETAS de Barueri para que possa auxiliar em seu processo logístico, bem como possibilitar a melhor manutenção do fluxo de recepção que atende a uma grande demanda de animais.

índice

1. INTRODUÇÃO

1.1. Contextualização

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foi criado em 1989, a partir da promulgação da Lei nº 7.735 de 1989, que integra a gestão ambiental no país. Tem como missão proteger o meio ambiente, garantir a qualidade ambiental e assegurar a sustentabilidade no uso dos recursos naturais, executando as ações de competência federal. (BRASIL, 1989)

Devido à necessidade de uma adequada identificação, tratamento, triagem e destino dos animais silvestres foram criados os Centros de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), que são definidos como unidades responsáveis pelo manejo de fauna silvestre com finalidade de prestar serviço de triagem, avaliação, recuperação, reabilitação e destinação de animais silvestres provenientes de ação fiscalizatória, resgates ou entrega voluntária de particulares; de acordo com o artigo 2º da instrução normativa IBAMA nº 23, de 31 de dezembro de 2014. (ICMBIO, 2014)

Dentre os dezesseis CETAS existentes no estado de São Paulo, há o CETAS Barueri com 850 m2 de área construída, tem capacidade para receber até 3.000 animais por ano, possuindo 30 recintos: 21 para reabilitação de mamíferos e aves, um para treinamento de voo, seis para quarentena e dois para reabilitação de répteis. (SECRETARIA DO MUNICÍPIO DE BARUERI, 2016)

2. Problema

Os Cetas em geral estão sujeitos a lotação, visto que a quantidade e a velocidade de apreensões podem superar o tempo necessário para reabilitar e destinar os animais. Quando isso ocorre, ficam impossibilitados de receber novos animais até que destinem os que abrigam, segundo a Secretaria do Meio Ambiente. (TEIXEIRA, 2018)

Dentro do CETAS Barueri, quando visado a manutenção do fluxo de recepção, triagem e destinação, o treinamento médico veterinário e de reabilitação, a destinação das espécies torna-se difícil, devido a grande demanda de animais para recepção. (SECRETARIA DO MUNICÍPIO DE BARUERI, 2016)

3. Objetivo Geral

Conhecer a estrutura de funcionamento dos CETAS de Barueri para que possa auxiliar em seu processo logístico, bem como possibilitar a melhor manutenção do fluxo de recepção que atende a uma grande demanda de animais.

3.1. Objetivos Específicos

Entender a realidade do CETAS, compreendendo suas operações diárias, de forma geral;

Compreender os processos de recepção, triagem e destinação de animais;

Buscar soluções para o problema de superlotação, através de seu processo logístico;

Conhecer a realidade dos animais que são recebidos nos CETAS.

3.2. Justificativa

Ao estudar a estrutura do Cetas pretende-se viabilizar a chegada dos animais silvestres resgatados, com a melhora na logística de recepção, que por consequência diminui a superlotação e otimiza o atendimento. Esse trabalho atua na correção de erros da logística do Cetas, que por sua vez ao ser criado apenas se adequou às estruturas de resgates de animais já existentes. (KURT LO, 2012, p.15) Em conjunto a observação logística, há o estudo da realidade e da importância dos animais silvestres para a fauna brasileira, tendo em vista o descaso das políticas públicas que acabam ameaçando a integridade do meio ambiente.

4. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

4.1. IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é uma autarquia federal dotada de personalidade jurídica de direito público, autonomia administrativa e financeira, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente (MMA). (IBAMA, 2018)

Foi criado em 22 de fevereiro de 1989, a partir da promulgação da Lei nº 7.735 que unificava o SEMA (Secretaria do Meio Ambiente), Superintendência da Borracha (SUDHEVEA), Superintendência da Pesca (SUDEPE) e Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) em uma só entidade. Até então, havia várias instituições no governo federal com diferentes visões, muitas vezes contraditórias, para tratar sobre a gestão ambiental do país, com a criação do Ibama a gestão ambiental passou a ser integrada.(COSTA, 2019)

O Ibama tem como missão proteger o meio ambiente, garantir a qualidade ambiental e assegurar a sustentabilidade no uso dos recursos naturais, executando as ações de competência federal. E para o desempenho dessas funções, o Ibama pode atuar em articulação com os órgãos e entidades da administração pública federal, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama). Além disso, cada estado brasileiro tem uma unidade do Ibama. (IBAMA, 2018)

4.2. Animais Silvestres

Animal silvestre é aquele que não é considerado doméstico. O animal doméstico está acostumado a conviver com os seres humanos, como gatos, cachorros, porcos(WWF-Brasil). O silvestre é aquele animal que foi tirado de seu habitat natural, como por exemplo savanas, florestas e oceanos, e que reage à presença das pessoas, devido a essa reação, eles têm dificuldades de crescer em cativeiros e se reproduzirem. (Nascimento, 2016)

O Brasil é um dos países do mundo que mais exporta animais silvestres ilegalmente. O tráfico desses animais consiste em capturá-los da natureza, prendê-los e vendê-los para ganhar dinheiro. Esse comércio ilegal movimenta mais de um bilhão de dólares no Brasil e chega a comercializar cerca de doze milhões de animais anualmente. Tornando-se uma das maiores ameaças à natureza. Os animais mais traficados são o papagaio, as araras, o mico leão dourado e o jabuti. (WWF-Brasil)

4.3. CETAS - Centros de triagem de animais silvestres

Os CETAS recebem animais silvestres por entrega voluntária, resgate ou vindos de apreensão de fiscalização. Possuem a finalidade de receber, identificar, marcar, triar, avaliar, recuperar, reabilitar e destinar esses animais silvestres, com o objetivo maior de devolvê-los à natureza, além de realizar e subsidiar pesquisas científicas, ensino e extensão. Nos últimos dez anos, os Cetas do Ibama devolveram para a natureza mais de 200.000 animais apreendidos, resgatados e entregues espontaneamente. (IBAMA, 2016)

Atualmente, existem três tipos de CETAS públicos no Estado de São Paulo (além de ONGs ou associações que atuam como CETAS, como por exemplo a Associação Mata Ciliar). Os públicos e administrados por algum órgão do governo são: o DEPAVE (Prefeitura de São Paulo), o CRAS-PET (Parque Ecológico do Tietê/DAEE) e o CETAS/Lorena (IBAMA), de órgãos municipal, estadual e federal, respectivamente. Esses três contribuem com 80 a 90% das recepções de animais silvestres no Estado. Portanto, ressalta-se a importância e necessidade do Poder Público na institucionalização e adequada manutenção destes centros, considerando-se a responsabilidade dos órgãos ambientais frente à proteção da fauna silvestre. (KURT LO, 2012).

Felizmente existem recentes iniciativas de órgãos ambientais municipais, a exemplo da Prefeitura de Barueri, com um recém-implantado CETAS, que demonstram não só a sensibilidade, mas a consciência da presença e do papel do Estado em prol dos animais silvestres, do serviço à população e do combate ao tráfico de fauna. (KURT LO, 2012).

Os CETAS são instrumentos essenciais no combate ao tráfico de animais, papel muitas vezes negligenciado, sobrecarregando os poucos centros em operação. A possibilidade de retorno de animais apreendidos à natureza é estritamente relacionada à existência de CETAS capazes de receber, avaliar e reabilitar estes animais (ROCHA, 2012).

4.3.1. CETAS - Barueri

O Centro de Triagem de Animais Silvestres – CETAS Barueri - tem uma área construída de 850 m² e capacidade de recebimento de até 3.000 animais/ano. Ao todo são 43 recintos, sendo 30 de reabilitação de mamíferos e aves, 01 de treinamento de vôo, 09 de quarentena e 03 de reabilitação de répteis. O espaço conta com biotério, berçário, ambulatório veterinário, internação, laboratório, cozinha para animais, depósito, vestiários, administração e copa para funcionários. Uma equipe de veterinários, biólogos e tratadores especializados registram, identificam, prestam atendimento veterinário e realizam treinamento de reintegração do animal silvestre ao seu habitat natural. Após reabilitação o animal é encaminhado para áreas de soltura, em regiões de ocorrência de sua espécie, ou segue para criadouros autorizados pelo IBAMA ou pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente. (PREFEITURA DE BARUERI, 2019)

4.4. Políticas Públicas Ambientais

A Política Pública Ambiental que tem como interesse a proteção da fauna e da flora brasileira começou a ser constituída a partir da Era Vargas e só na Constituição Federal de 1988 foi efetivamente consolidada. Essa por sua vez, tornou-se um documento de gestão ambiental que tem como foco o debate e criação de ações resolutivas dos problemas ambientais que afetam toda a sociedade, fauna e flora (SALHEB et al., 2009).

Na discussão das ações resolutórias, destaca-se o caso dos animais silvestres e dos CETAS, os quais necessitam de Políticas Públicas voltadas para a criação de mais espaços físicos para os Centros de Triagem, além da destinação de recursos para as atividades de reabilitação (KURT LO, 2012).

No geral, há uma grande demanda por essas Políticas, mas para serem criadas e implementadas a gestão ambiental depende, principalmente, da capacidade do orçamento público e da capacidade técnica dos servidores que desempenham atividades na criação e implementação dessa Política (CPL, 2018). Vale lembrar, também, que para ter eficiência nas Políticas Públicas é necessário haver uma complementação entre as ações e os objetivos, já que não podem ser desconexas ou descoordenadas” (SALHEB et al., 2009, p. 15 apud MILARÉ, 2007, p. 285).

5. MÉTODO DE PESQUISA

O método de pesquisa adotado neste trabalho foi o estudo de caso. Primeiramente, foi realizada uma revisão bibliográfica sobre IBAMA, Animais Silvestres, CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestres), CETAS- Barueri e Políticas Públicas Ambientais.

Em seguida, definiu-se que seria considerado o estudo de caso único do CETAS - Barueri, a fim de um maior aprofundamento e aproveitamento das informações obtidas no decorrer da pesquisa. Como instrumentos de coleta de dados foram adotados entrevistas e análises documentais.

Para as análises serem realizadas foram utilizados livros e sites da internet com o propósito de tentar entender conceitos básicas do CETAS e do IBAMA, as políticas públicas relacionadas tema e a principal problemática enfrentada por esse local.

No dia 20 de setembro de 2019, foi realizada uma entrevista com o Ivan Silva, diretor do departamento técnico de biodiversidade de Barueri, que cuida e fiscaliza de maneira geral as atividades do CETAS - este também possui uma diretoria específica -. Com o intuito de conhecer o entrevistado e sua qualificação no ramo, primeiramente, foi abordado questões a respeito do tempo de trabalho do mesmo com o CETAS, em qual unidade esse trabalho era desempenhado, sua formação acadêmica e se tal formação se relaciona com sua função atual no local de trabalho. Sobre o CETAS Barueri, foi perguntado a respeito do funcionamento da divisão de trabalho, ademais, levando em consideração a premissa adotada - superlotação -, e com o intuito de supor sua possível solução, foi elaborado um questionário baseado nas pesquisas feitas (anexo 1) sobre o fluxo no setor de recepção e triagem, a demanda de animais, quais espécies são tratadas na unidade e se essa demanda afeta na superlotação. Durante a entrevista, foi sondado se há outras motivações para que se ocorra a superlotação, além do adotado e se tal afeta novas recepções de animais.

A partir dessa entrevista e dos dados por ele mencionados, foi feita a análise das informações - problemas, curiosidades, fluxos e desafios a serem enfrentados - e, assim, foi elaborado a conclusão da pesquisa sobre o centro de triagem de animais de Barueri.

6. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE RESULTADO

A Secretaria de Meio Ambiente de Barueri é dividida em dois de departamentos, o de Recursos Naturais e Meio Ambiente e o Técnico de Proteção e Biodiversidade, o qual é setorizado em três partes: Centro de Proteção ao Animal Doméstico, Divisão de Áreas Verdes e o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS).

O CETAS é responsável por administrar e cuidar dos animais silvestres apreendidos, encontrados ou entregues de forma voluntária, podendo ou não ser da região. Para ser criado, passou por um programa de desenvolvimento que começou em 2010, realizado, inicialmente, por três biólogos e um veterinário, sendo inaugurado em 2012.

Em entrevista com o biólogo e diretor do CETAS de Barueri, Ivan Silva, foi possível confirmar a premissa inicial de problema enfrentado pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres de Barueri, a superlotação. Influenciada por diversos fatores, o ciclo se inicia com o tráfico de animais silvestres.

O tráfico de animais pode ser configurado quando a venda é feita sem nota fiscal, anilhas e microchips definidos pelo IBAMA, sendo assim o animal está passível para apreensão e destinação a locais de triagem como o CETAS, Centro de Reabilitação de Animais Silvestres, criadouros legais e zoológicos. O CETAS e o CRAS trabalham em conjunto, sendo o CRAS acionado após o CETAS identificar de qual bioma é o animal apreendido e transferi-lo para o CRAS específico, com o intuito de devolvê-lo para a sua fauna e flora original. Mas devido a grande demanda de apreensões, as duas instituições estão funcionando da mesma maneira.

Quando o animal é abrigado pelo CETAS, passa por um processo de controle sanitário, para em seguida passar por uma reabilitação, de acordo com as suas dificuldades. Ao final desse processo o animal precisa ser reintegrado ao seu bioma de origem, fase em que ocorre um maior impasse, já que é necessário um extremo cuidado e monitoramento. Levando em consideração, por exemplo, um papagaio, em que o tráfico de animais é imenso e o processo de reabilitação leva, em média, dois anos, demorará dois anos para ter uma outra vaga disponível, o que afeta todo o fluxo de recebimento de animais, que já é intenso. Outro fator de forte influência são os animais que não podem voltar a natureza e também não são aceitos por zoológicos, ou criadores legais, como é o caso dos Saguis, macacos hibridizados e que normalmente detém o vírus da Febre Amarela.

Dentre os animais mais recebidos, destacam-se aqueles que são criados em gaiolas como papagaio, pássaro preto, sabiá, coleirinha, canário da terra, azulão, curió, arara, arara canindé, entre outros. Fora dos pássaros, os CETAS acaba por receber animais de maior porte como saruês, macacos, onças ou até mesmo animais exóticos como pinguins e tigres d’água.

O recebimento de animais exóticos é um outro problema que influencia na superlotação dos CETAS, já que após passar pelo processo de triagem e reabilitação não tem local para reintegrá-lo na natureza, pois seu local de origem tem uma fauna e flora muito distinta da brasileira, tornando impossível sua soltura.Uma vez que essa situação acontece, o animal tem que permanecer no Centro de Triagem, ocupando vaga de outro animal que poderia ser recebido e reabilitado, até que seja possível destiná-lo a um mantenedor ou um criador conservacionista (empreendimentos de fauna).

Ao ser projetado e construído, o CETAS Barueri foi inicialmente dimensionado para receber cerca de três mil animais por ano, baseando-se na estrutura física e financeira, além da estimativa de que 80% dos animais recebidos seriam aves, 15% répteis e 5% mamíferos. Apesar disso foi construído de maneira coringa, ou seja, tem a capacidade de abrigar outros animais ou em proporções diferentes das mencionadas. Além disso, o local conta com uma equipe de biólogos, veterinários, tratadores, durante sete dias da semana, entre outros funcionários que fazem papéis secundários no tratamento dos animais.

Apesar dessa projeção é possível que a instituição não consiga abrigar alguma espécie de animal, ou por superlotação influenciada pelo fluxo de recebimento ou por ser um animal que necessita de outras instalações além das oferecidas, como é o caso das onças, animais de grande porte que não cabem na projeção do CETAS. Sendo assim para solucionar esses problemas e destinar o animal para um tratamento, busca-se outros empreendimentos de fauna que possam atender esses animais. O inverso também é muito recorrente, já que o fluxo e tipo de apreensões são variados e em locais distintos, sendo possível que animais de outros locais sejam destinados à Barueri, mesmo sendo arriscado levar o animal para um clima diferente do seu habitual, pois as mortes por falta de adaptação são muito comuns.

Quando a superlotação por fluxo de apreensões ocorre, o CETAS se prontifica a não receber animais de entregas voluntárias, já que o protocolo está pautado em priorizar as apreensões, o que corresponde a 90% dos animais recebidos e tratados no local. Apesar dessa prioridade no processo, ainda ocorre muitas perdas, já que ao ser traficado, o animal passa por um grande momento de estresse e ao chegar no CETAS, mesmo sendo destinado ao descanso, os animais morrem por traumas psicológicos. Outro caso de perda é por falta de reprodução da vida selvagem no cativeiro, já que processos humanos não substituem o extinto animal.

Por fim, há outro processo que se destaca como fator de superlotação, a burocracia, visto que os biólogos e veterinários não estão todos os momentos dedicados à recuperação do animal, pois existem partes burocráticas ligadas a registros e atualização de status de recuperação.

7. CONCLUSÃO

A partir do estudo de caso realizado foi possível compreender os processos logísticos do Centro de Animais Silvestres de Barueri (CETAS), tais como a recepção e triagem, nas quais o animal recebido passa pelo controle sanitário, para então, passar pela reabilitação. Após reabilitado, o animal deve passar pela destinação, processo no qual há a reintegração desse animal em seu bioma de origem.

Além da compreensão do processo logístico, foi possível confirmar a problemática de superlotação adotada e entendê-la a fundo; concluindo, portanto, que essa inicia-se com o tráfico de animais silvestres, o qual garante grande número de apreensões cíclicas, uma vez que não há punições severas para quem o pratica, o que faz com que esse ciclo se mantenha com ajuda muitas vezes, dos próprios compradores que alimentam a prática do tráfico, tornando-o um ciclo vicioso. Também, foi possível notar que a superlotação é altamente influenciada pelo recebimento de animais exóticos, já que é mais difícil reintegrá-los à natureza, o que faz com que esses permaneçam por um tempo maior do que esperado na instituição.

Outro influente fator é o caso dos animais que não podem voltar para seu bioma e não são aceitos por zoológicos ou criadores legais, uma vez que esses têm que permanecer no centro de triagem, até que um destino seja encontrado. Ademais, há também a burocracia advinda da necessidade de registrar todos os animais e os locais, pelos quais esses animais estão passando, além de atualizar o status de recuperação de cada um; o que influencia também, no problema de superlotação, uma vez que os responsáveis por tal burocracia são os biólogos e veterinários, que ao cuidar da mesma, tem que se afastar do cuidado destes animais.

Por fim, fez- se possível concluir também que a superlotação não está relacionada com a logística de recepção dos CETAS - como imaginado previamente -, já que não há problemas em tal processo. Então, não é necessário que haja uma melhora na logística de recepção, mas que seja pensado como é possível, lidar com os animais exóticos que não podem voltar a natureza, com os outros animais que não tem um destino certo e com a burocracia, que acaba afastando o biólogo e/ou veterinário dos cuidados com o animal.

8. ANEXO I

Questionário para entrevista

Entevistado(a): ______________, diretor(a) do CETAS Barueri.

Apresentação:

Bom dia, somos estudantes do 3º ano do Ensino Médio Integrado de Logística do Instituto Federal, campus São Paulo Pirituba. E estamos fazendo um estudo de caso sobre o centro de triagem de animais silvestres de barueri, o que está acontecendo, qual a problemática, vamos fazer umas perguntas para poder aprofundar a nossa pesquisa.

Fase 1:

Há quanto tempo o senhor trabalha nos CETAS? Desde o início foi aqui na unidade de Barueri?

Qual a sua formação acadêmica e quais são as suas funções atuais aqui no CETAS atualmente?

Como a divisão do trabalho é desempenhada, quais os cargos dos funcionários que trabalham aqui?

Fase 2: De acordo com as nossas pesquisas, chegamos a conclusão que um dos principais problemas é a superlotação de animais, ou seja a grande demanda.

De acordo com esse intenso fluxo, qual o setor (recepção, triagem) mais afetado?

Qual é a demanda de animais mensal? E quais as espécies de animais que mais chegam aqui nessa unidade?

A superlotação afeta a demanda? Vocês já chegaram a não receber e cuidar de animais por não ter espaço disponível?

Existe algum outro grande problema, além da superlotação?

Fase 3: Sugestões

O que poderia ser feito para um melhor funcionamento do estabelecimento? Por que ainda não foi feito? (caso haja uma solução)

ANEXO II

Entrevista realizada no dia 20 de setembro de 2019, com Ivan Vanderley Silva, biólogo e Diretor de Biodiversidade do CETAS.

Grupo: Quanto tempo mais ou menos você trabalha com o CETAS e desde o início foi na unidade de Barueri?

Ivan: O CETAS começou a funcionar em 2012, fazem uns 7 anos. Em 2011, nós desenvolvemos um projeto. Então o projeto foi desenvolvido aqui na secretaria, particularmente eu, Ana Fostos, Erica Sayuri (diretora responsável pelo CETAS Barueri) e o Nilton, são dois biólogos e um veterinário. Nós desenvolvemos desde o projeto base, aprovamos o licenciamento, ajudamos o pessoal da engenharia da prefeitura a construir a conceber a estrutura. Nós conseguimos na prefeitura o recurso que veio de compensação ambiental e a construção toda, então, posso dizer que eu comecei a trabalhar com o CETAS desde 2010, pelo menos.

Grupo: Qual a atual divisão do trabalho do CETAS mais especificamente?

Ivan: Tá, vou falar primeiro a divisão primeiro de departamento, olha, é assim, primeiro vem a secretaria de recursos naturais e meio ambiente, tem o departamento técnico de biodiversidade, esse departamento tem 3 setores: o centro de proteção ao animal doméstico, com duas unidades, que trata só de cão e gato, cavalo e grandes mamíferos; a divisão de áreas verdes, responsável pelo licenciamento, manejo de arborização e florestas; e o centro de triagem dos animais silvestres, que acaba ficando responsável por tudo relacionado aos animais silvestres no município e como CETAS acaba atendendo a região.

Grupo: Nós fizemos uma pesquisa o que você faz no CETAS? Qual o seu cargo?

Ivan: Eu, particularmente, sou o diretor do departamento, então, nos CETAS em si eu faço com que as metas, os objetivos sejam atingidos. Eu, particularmente, participo também dos plantões, então, nos plantões de final de semana eu acabo participando. Mas no dia a dia meu com os CETAS é mais controle dos contratos, metas, verificação se o processo de reabilitação tá acontecendo, se acontece algum problema... Se for um problema muito específico de reabilitação, muito operacional, quem resolve é a gestora do centro. Se for o caso, ela falar ‘‘Ivan não depende mais de reabilitação, não tá reabilitando, não tá acontecendo destinação’’, aí vem pra mim. Então eu falo, tem tantos animais para serem destinados, ‘’não consigo destinar’’, aí eu tenho que conseguir uma forma de fazer destinar.

Grupo: Então, você é diretor do departamento geral?

Ivan: Então assim do departamento, tem o departamento de biodiversidade, o CETAS é uma divisão, tem uma gestora do CETAS, que é uma bióloga. Aí eu tenho que dar estrutura para que eles executem e cobro deles as metas e os objetivos.

Grupo: A gente fez uma pesquisa, por cima, segundo as coisas que conseguimos achar na internet, mas como vocês são do convívio com certeza sabem muito mais coisas que a gente. E nessas pesquisas, a gente chegou que um dos maiores problemas do CETAS, um dos principais, assim, que dá para destacar é a superlotação.

Ivan: A é isso, verdade.

Grupo: E, a partir dessa informação de superlotação, qual setor que pra vocês fica mais complicado, tem um fluxo mais intenso, que é mais difícil?

Ivan: Não sei se consigo responder assim, diretamente, eu vou bater um papo com vocês, e vocês extraem a resposta.

Grupo: Pode ser.

Ivan: Acho que é melhor… vamos lá, então como é que começa tudo isso? Tudo isso começa com o tráfico de animais, tá? Então, o grande problema de superlotação dos CETAS é o tráfico de animais. E o que é o tráfico de animais? Não existe isso na legislação, é proibido o tráfico, que tem uma série de crimes envolvidos no tráfico que é ir lá capturar, que é transportar, que é guardar o animal, vender, manter dentro de casa um animal que não tem origem legal. O animal que não foi comprado num comércio com nota fiscal, com as anilhas definidas e os microchips definidos pelo IBAMA ou pelo estado, fora desse contexto tudo é irregular. Sendo irregular, esse animal deve ser apreendido. E apreendido ele tem que inicialmente ir para um CETAS. Bom, os CETAS é um empreendimento de fauna, existem vários empreendimentos de fauna, existe o zoológico, você tem os criadouros, você tem as áreas de soltura e monitoramento, você tem os CETAS e você tem os CRAS. Bom, como que funciona os CETAS/CRAS e você vai entender essa questão do acúmulo de animais. O centro de triagem teoricamente ele é responsável por receber animal de qualquer origem dentro do Brasil, triar esse animal começar a reabilitação e destinar. Em nenhum momento o CETAS deveria abrigar o animal por muito tempo. Então você tem a função do CRAS - Centro de Reabilitação do Animal Silvestre - que teoricamente deveria receber os animais dentro do bioma da região onde foi instalado. Então se o CETAS identificar que esse animal é da região de mata atlântica, da região sudeste. Ele deveria procurar um CRAS dentro da região sudeste e transferir desse animal para o CRAS da região sudeste. E o CRAS começa o processo de reabilitação e reintroduz, repassa ele para uma área de soltura que faz a reintrodução. Se o animal foi apreendido dentro de uma área de um determinado bioma, o CRAS deveria já ser acionado e não mais um CETAS, diretamente para um CRAS da região. Porque, quando você fala que apreendeu um animal você precisa saber assim: de onde esse animal veio? Por exemplo um papagaio do Mato Grosso, é diferente do papagaio de São Paulo, que é diferente do papagaio do nordeste. Então você não só precisa saber somente a espécie, mas também de onde esse animal veio. Então, a ideia é que o animal vá para a região onde ele estava. E aí a gente começa a falar da superlotação, então começa vir animal de tudo qualquer região e esses animais acabam indo tudo para os CETAS. Na prática, o CRAS e os CETAS acabam funcionando do mesmo jeito por conta do volume de serviço. Uma vez que ele entra nos CETAS, ele precisa passar por um processo de controle sanitário, é a primeira coisa, depois por um processo de reabilitação. Quando ele tá pronto para reabilitar, ele precisa ser devolvido para a área de origem da espécie, e aí começa toda a dificuldade. Primeiro conseguir reabilitar, depois conseguir devolver o animal para a área de origem da espécie. Porque não basta você chegar lá no local de origem e soltar o animal. Você tem que transferir para um projeto de soltura que vai soltar esse animal e monitorar esse animal, tudo isso leva tempo. Então se você imaginar que o tráfico de animais é imenso. E o processo de reabilitação, por exemplo do papagaio leva quase dois anos, só vai entrar o próximo papagaio dois anos depois. E apreensão de papagaio é todo o dia praticamente. Esse é o grande problema da superlotação. Na verdade, é o fluxo do tráfico de animais e o tempo de reabilitação, e aí não tô nem falando de recurso, porque para fazer tudo isso você precisa de dinheiro. Você precisa ter veterinário disponível, biólogo disponível, tratador, alimentação variada, você nunca sabe o que vai receber, posso receber um papagaio que come fruta com ração, com sementes; posso receber uma onça, com carne; posso receber 20 papagaios ou 200 papagaios. Então tudo isso é um grande problema.

Grupo: Eu vi que você falou muito sobre os papagaios. É uma das maiores espécies que chega?

Ivan: É um dos 10 mais. Os 10 mais, não necessariamente nessa ordem, Papagaio

verdadeiro, de fato. Aí você tem aquela sequência de animais que são criados em gaiolas, normalmente, Trinca Ferro ou Pixarro, como o pessoal conhece, Pássaro Preto, Sabiá, Canário da Terra, Coleirinha, Bigodinho, Azulão, Curió, Arara e Arara Canindé é bem comum aparecer.

Fora dos pássaros a gente tem que entender o seguinte, os CETAS acaba por receber muito animal também de resgate, então no resgate você tem muito Saruê, normalmente a mãe atropelada ou mordida por cachorro, com um monte de filhotes. Ainda em relação ao tráfico de Jabutis, dos répteis são os mais comuns e começa aparecer também outros 2 problemas, que envolvem a superlotação; Que é o Tigre D’água de orelha vermelha, que é uma tartaruguinha de aquário que o pessoal compra como PET, deixa crescer e aí quando fica grande, mais ou menos desse tamanho (sinaliza com as mãos), não cabe mais naquele aquário, começa ficar trabalhoso cuidar e aí eles destinam o animal exótico.

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Esse é outro problema do CETAS, até agora estamos falando de animal nativo, que você recebe, reabilita e volta para a área de origem. O problema é quando entra um animal exótico, exótico ao Brasil, então o Tigre D’água de orelha vermelha, não posso devolver ele para a América do Norte. Faço o que com esse animal? O CETAS não pode ficar, porque se ele ficar é o recinto de outro animal que “ta” sendo ocupado, teria que, teoricamente, devolver isso para um mantenedor ou um criador conservacionista, que é outro empreendimento de fauna. Aí dependo de vaga para esse animal. Vamos supor, se esse animal viver 10/20 anos, só vai abrir uma vaga 10/20 anos depois para outro animal.

Grupo: E com isso, para entender com relação a isso de vagas. Vocês no CETAS tem um espaço disponível para uma quantidade de animais. Vocês só recebem esses animais quando tem espaço disponível? ou…

Ivan: Teoricamente sim! Assim como funciona:

A gente fez um planejamento e dimensionou o CETAS, o CETAS de Barueri tem vagas… foi dimensionado para 3.000 animais/ano, não só por uma estrutura física, mas também por uma questão financeira. Quanto mais animal recebe mais caro fica. Porém como todo CETAS, a gente nunca sabe o que vai chegar. Então esse dimensionamento de 3.000 animais anos depende do que vai chegar. A gente não consegue controlar isso, pois depende das apreensões, é… depende também dos resgates.

A gente também fez um estudo previamente sabendo que 80% do que chegaria eram aves, 15% seriam répteis e 5% seriam mamíferos, então o CETAS foi meio dimensionado para essa proporção; E que 90% disso seriam apreensões. Tá?

Só que nossos recintos são coringas, eles são diferentes do Zoológico. Zoológico ele nasce concebido para uma espécie...

Então a gente fez recintos coringas, são recintos que a gente faz pequenas adequações e consegue colocar “N” espécies, várias espécies.

Grupo: E por exemplo. O orçamento que vocês recebem por ano é com base nesses 3.000 animais e essas porcentagens?

Ivan: Sim, 3.000 animais, porém, assim, de um ano “pro” outro, uma quantidade de animais permanece, então “ta” considerando que quando a gente estava com 0 a previsão era de até 3.000. Tenho no CETAS todo mês, por dia tenho 750 animais.

Grupo: Então tenho 3.000 vagas…

Ivan: 3.000 vagas ao longo do ano. E na verdade, cabe no CETAS 750/900 animais no máximo hoje, chega até 900 mais ou menos. Então para eu receber até 3.000 tenho que destinar esses animais, então tem que girar o CETAS 3 vezes ao menos no ano, para poder chegar aos 3.000 animais.

Grupo: Então a capacidade é de mais ou menos 700 chegando a 900…

Ivan: A capacidade é difícil de prever, porque o passarinho de gaiola pequenininho cabe muito mais que 3.000. Mas eu estou considerando aquela proporção.

Grupo: Já chegou de ter que vir o animal e não caber e ele não vir?

Ivan: Na verdade, acontece da gente não conseguir receber. Se a polícia ligar para a gente e falar assim: “Olha, tenho uma apreensão de tantos animais. O que a gente vai fazer?”

A gente vai entrar em contato com os CETAS da região e se dividir todo mundo, para cada um receber uma parte. Por que a apreensão é um papel nosso de tentar de alguma forma, fazer o CETAS funcionar. Então a todo instante a pessoa “tá” lá em cima pensando em como destinar o animal, porque sabe que a qualquer momento pode acontecer uma apreensão.

O que a gente, normalmente, pode falar não, é para as entregas voluntárias. Então a pessoa tem um Papagaio lá em casa, é irregular e ele quer devolver, então esses animais a gente não abre vaga, porque sabe que vai chegar uma apreensão, então não “da” para pegar aquele animal naquele momento.

A apreensão não tem como devolver, então a gente vai fazendo esse tipo de controle.

Grupo: Tem noção de quantas apreensões vocês tem, mais ou menos, mensalmente?

Ivan: Até poderia fazer o levantamento, mas, assim, não sei de cabeça, porque pode ser uma prisão com 1 ou com 200.

Grupo: Então, mais ou menos o fluxo, assim. Tem apreensões todos os dias?

Não em quantidade de animais, mas vezes.

Ivan: Normalmente chega, mas, assim, às vezes acontece de ficar 1 ou 2 dias sem “apreensão” e depois vir 10 “num” dia só.

Também não tem essa rotina!

Grupo: Então são bastante apreensões?

Ivan: 90% dos animais que chegam são apreensões.

Grupo: Então vocês trabalham mais com animais de pequeno porte?

Ivan: No nosso levantamento, no nosso CETAS, ele não tem estrutura para receber uma onça, por exemplo. Apesar da gente já ter… já ter sido destinado para a gente.

Aí, assim… tem animais que o destinamento é mais fácil. Você pega uma onça, tem lugares específicos para onças. Então a gente acaba encaminhando, os próprios Zoológicos acabam tendo mais estrutura que a gente e a gente vai de alguma forma entrando no contato. Primeiro com o CETAS ou CRAS, todo mundo, depois com Zoológico e assim por diante. Alguns animais têm mais facilidade de destinação outros menos.

Animal, por exemplo que não tem condições de destinação são os Saguis, a maioria dos Saguis não tem condições de destinação por vários motivos, porque é difícil de introduzir, porque tem essa questão do bloqueio da Febre Amarela, porque, normalmente, são espécies hibridizadas (mistura de duas espécies), aí não pode destinar mais, soltar mais. Não tem quem queira.

Grupo: Aí o que faz com o Sagui?

Ivan: Fica dentro da quantidade de animais que a gente não consegue destinar no ano.

Grupo: Mas para onde eles vão?

Ivan: Continuam ficando, até conseguir.

Grupo: Ficam nos CETAS?

Ivan: Então quanto mais o animal vai ficando, menos a gente vai, daquela nossa capacidade. Então por exemplo, uma capacidade de, vou chutar, de mil, depende do número de espécie de mil. Eu tenho que girar ele três vezes até chegar à três mil, se eu tenho duzentos animais que não saem, que na verdade a capacidade passa a ser só de oitocentos, então se eu fizer isso três vezes, eu só consigo receber dois e quatrocentos. Se eu ficar com quinhentos animais lá, que não saem, minha capacidade reduz mais ainda, então é isso que vai acontecendo. Quanto mais, os CETAS ele não foi feito para ser santuário.

Grupo: E vocês tiveram por exemplo um ano que recebeu mais, um ano que recebe menos?

Ivan: Sim.

Grupo: É bem, ou é tipo uma média? Oscila muito?

Ivan: Na verdade isso foi um direcionamento, a gente nunca chegou a três mil animais ano, durante esse período. A gente teve, é engraçado que assim, no primeiro ano, quando a gente abriu em 2012, a gente começou em 31 de agosto de 2012, de agosto de 2012 até dezembro de 2012, a gente recebeu mil e oitocentos animais, isso em quatro meses. Depois teve ano que a gente só recebeu trezentos o ano inteiro, por uma questão de estrutura.

Grupo: Mas já tinha alguns que ficaram?

Ivan: Já tinha alguns que ficaram, e no ano passado a gente recebeu dois e quatrocentos.

Grupo: Quase!

Ivan: Esse ano com uma previsão de mil e seiscentos.

Grupo: Em que ano foi dois mil e quatrocentos?

Ivan: Em 2018, esse ano a previsão é de mil e seiscentos.

Grupo: Por que você acha que oscila tanto? O número de apreensões?

Ivan: Não é falta de animal. É condição de operacionalidade nos CETAS mesmo, porque animal não falta. Os CETAS que tem de alguma forma, ele tem essa variação porque assim, ah não conseguiu destinar animal porque o recinto ta lotado. Porque quando ele entra, como que é o fluxo: entra o animal vai para a quarentena, coleta material biológico, faz alguns exames e coloca em reabilitação, junta todo mundo que ta reabilitado e procura um destino. A partir do momento em que você juntou e não conseguiu destino, se você coloca outro animal aqui, você pode quebrar a estabilidade do grupo, seja por briga, seja porque se aumentou o número de animal lá dentro e ai tem o estresse. Então você começa a falar assim: então eu não vou colocar mais animal aqui dentro, porque senão eu vou quebrar a estrutura desse grupo, e ai eu perco o grupo inteiro. Perder no sentido assim de dar uma doença e ter que começar de novo, de morrer por briga, então começa a formar outro grupo.

Grupo: O que você acha que nesse caso poderia ser feito para melhorar, para conseguir atender essa demanda de animais que sempre está surgindo?

Ivan: Uma série de coisas, uma delas é de fato redimensionar a questão de CETAS, espalhar melhor, a gente recebe mais de oitenta municípios, em três ou quatro estados, então dimensionar melhor.

Grupo: Então são poucos CETAS para muitos estados.

Ivan: Se não me falha a memória, não sei exatamente os números, mas aqui na região metropolitana, tem em Barueri, São Paulo e o Governo do Estado. Governo do Estado é o que recebe mais, chegou a receber no ano doze mil animais. Prefeitura de São Paulo já chegou a receber seis ou sete mil no ano. Então você junta esses três que recebem a grande maioria das apreensões do Estado de São Paulo, então, distribuir um pouco melhor. A outra, não é no CETAS o grande problema muitas vezes, é na destinação e nas apreensões, a população precisa ser educada à não comprar animal vindo do tráfico, então o problema começa um pouco, bem antes, na captura, as pessoas não entendem que comprar aquele papagaio ou aquele passarinho de gaiola, que ela está compondo o processo do tráfico. Se a gente troca o papagaio e transforma isso em uma TV, isso fica muito mais claro, o papel do receptor de mercadoria ilegal, mas quando você coloca o papagaio, dá a entender que você não está nesse processo de crime. Então sempre coloca assim, toda vez que você falar de animal silvestre, transforma em uma mercadoria e você vai ver o quanto é perigoso e o quanto é criminoso o ato.

Grupo: No começo você falou num sentido de legislação, né? Que a gente não tem uma legislação que penaliza o tráfico.

Ivan: Não, não tem na legislação a palavra tráfico. A gente tem uma série de crimes que compõe o que a gente popularmente chama de tráfico, não aparece lá na legislação.

Grupo: Você acha que seria mais eficiente se a gente tivesse uma coisa mais assim?

Ivan: Na verdade é, de fato, você tem uma punição muito branda para tráfico de animais, é bastante brando, normalmente é revertido em transição penal, a pessoa paga uma multa qualquer, perde o animal, enfim, de fato tinha que apertar isso sim, tinha que ser uma coisa muito mais rigorosa porque senão parece ser algo que, pode conversar com o pessoal da polícia, que você vai ver que geralmente é a mesma pessoa o traficante, porque normalmente, se fala o traficante o cara que vai na captura e vende, mas não coloca quem compra nessa história, então essa pessoa que captura e vende normalmente são conhecidos.

Grupo: Foi o que a gente conversou lá no IBAMA.

Grupo: Ele falou que a pessoa vai, fica uns dias sem traficar e volta.

Ivan: É, depois de um tempo.

Grupo: A pessoa paga multa e sai mais barato que o trabalho renderia.

Ivan: É porque assim, qual que é a conta que o cara faz?! Se o cara conseguir trazer o animal e não for pego, ele vende tudo aquilo. Se na próxima ele perder, já lucrou na primeira, e ele pode lucrar na próxima, e assim vai.

Grupo: E tipo, o IBAMA vai lá e por exemplo prende o lote de animais, como que ele sabe se ele vai destinar ou para os CETAS, se eles vão para o CRAS?

Ivan: Não sabe. Ele vai ligar para todo mundo para saber quem tem vaga, ele nem sabe se ele vai conseguir destinar na hora que ele faz a apreensão.

Grupo: Qual a diferença, tipo assim, na prática deles.

Grupo: Isso foi uma coisa que nos deixou bastante em dúvida, porque assim, o de Perus não chama CETAS né, chama CEMACAS, que é o da Anhanguera.

Ivan: Assim, CEMACAS não é o nome de entendimento que aparece na legislação, é que assim, eles são CRAS, e o CRAS começa no parque Ibirapuera.

Grupo: E por que eles deram esse nome?

Ivan: O nome é porque ele vai além da função de CRAS, que a gente faz, eles fazem outras coisas além de, é uma hierarquia, é um setor dentro da prefeitura de São Paulo. Dentro do CEMACAS também tem o CRAS. Como que funciona, é assim, fez a apreensão e identificou os animais que foram capturados aqui em Barueri mesmo, é animal nativo daqui, não é papagaio que veio de outro lugar, então vamos lá, sei lá, vamos pegar aqui. Pegou o cara com um sabiá laranjeira que é da nossa região. Teoricamente, esse sabiá laranjeira deveria depois de passar por um empreendimento de fauna, voltar pra onde ele foi pego, porque o animal sabe a casa dele. É como se eu tirasse você de uma casa, soltasse em outro lugar e falasse "agora se vira", aí você não conhece, você não sabe, o espaço como que é. Você faz briga entre os habitantes ali daquele local. Então, o CRAS foi pensado pra ser assim: se você apreendeu e sabe exatamente da onde o animal veio, procura o CRAS da região porque ele já solta alí mesmo. O que você não pode fazer é assim: apreender um animal, por exemplo, vamos supor que não tenha vaga, apreender um animal da nossa região de São Paulo, mas só tem vaga em Araras. Você vai levar esse animal lá pra Araras, vai soltar o animal lá em Araras sendo que você sabe que o animal que é aqui da região? Por isso que surgiu o CRAS... A ideia inicial porque na prática não tem essa diferença. Na prática é quem tem vaga... O CETAS, ele entraria como? Apreendeu um animal aqui em São Paulo e não se sabe de onde que é. Pegaram lá no aeroporto, pode ter vindo de Minas, da Bahia, pode ter vindo do interior do Mato Grosso, não se sabe. Então vai pra um CETAS, o CETAS tria e devolve...

Grupo: Então numa hierarquia o CETAS é o que tá lá em cima?

Ivan: É... não existe a hierarquia. Mas o CETAS receberia tudo e encaminha pros outros empreendimentos. Seria essa a lógica. Porque, por exemplo, um CRAS não receberia animal exótico. Porque não faz sentido reabilitar animal exótico. Quem deveria receber é o CETAS.

Grupo: Pensando nas etapas que acontecem quando é animal silvestre, o primeiro passo é a quarentena?

Ivan: Primeira coisa é o registro do animal. Registra o animal, põe o animal, assim... Se o animal chegar sadio, só mesmo a apreensão: quarentena. Quarentena faz a coleta de material, manda pro laboratório... durante esse período que o exame não tá pronto ou quando o exame sai pronto e deu algum positivo para alguma doença, faz o tratamento. Nesse período o animal tem que ser marcado. No caso de aves é uma anilha, ai no nosso caso, a gente tem autorização para anilha que seja aberta, né? que você abre a anilha e coloca... a anilha é um anel mesmo. Se o animal for de origem legal, esse anel não pode abrir, é totalmente fechado, como se fosse uma aliança, e ele não pode sair da pata do animal. Essa é a diferença do nosso anel, da nossa anilha para as outras. Se for um réptil ou um mamífero, é um microchip subcutâneo, normalmente entre as garras. Bom, passou o período de quarentena, e o animal foi liberado pelo veterinário, e normalmente essa etapa é o veterinário que cuida, ele é repassado para o setor de reabilitação, que pegam esse grupo todo que estava na quarentena, separam por espécies e colocam cada um em seu recinto de reabilitação e vai começar o processo de reabilitação. Quando ele conclui o processo de reabilitação, ai ele vai para um outro setor que vai falar: precisa destinar; é um papagaio, assim, assim, assim ou é um animal do nordeste... E ai esse setor vai começar ligar para a região e saber se alguém pode receber, ou uma área de soltura ou um CETAS da região, que vai transferir depois para uma área de soltura, ou mesmo os CETAS soltar, que pode acontecer do CETAS soltar diretamente. Se o animal entrar e estiver doente, ele vai pra clínica, aí ele vai ser tratado pelo motivo e depois entra no processo de reabilitação. Ao longo desse processo ele pode acabar morrendo, e aí ele é destinado como ou resíduo de saúde ou como material para universidade, museus, depende.

Grupo: Existe muitas perdas nesse processo?

Ivan: Existe sim. Depende muito. Por exemplo, você nunca sabe exatamente como um animal chega, o animal é traficado assim de formas absurdas. Então, muitas vezes, por que a gente já não marca o animal quando ele chega? Por que ele precisa de descanso. E nesse processo de descanso você começa a perder, por que o estresse é muito grande. Então a gente perde por estresse. Se o CETAS não consegue uma destinação rápida, muitas vezes você perde, por exemplo, um animal do nordeste, acostumado com o calor, no inverno de São Paulo. Como que lida com o inverno, um animal que é comum da região nordeste. Isso são outros motivos. E principalmente filhote, ninhada de patinhos selvagens; Irerê, Araraique, que vem 10, 15. Não sobrevivem todos. Muitas vezes o animal depende da mãe para se alimentar, digerir um pouco desse alimento para depois ela jogar na boca dele, já pré-digerido porque ele não tem ainda como digerir completamente e isso é um processo que dificilmente conseguimos reproduzir em cativeiro, o cuidado que a mãe tem. A gente vai adaptando algumas coisas e algumas coisas a gente vai aprendendo, para fazer acontecer. Faz o primeiro teste: deu errado, faz o segundo: deu certo, então repete para os próximos.

Grupo: E o CETAS Barueri tem quantos funcionários?

Ivan: Deixa eu fazer as contas... Temos 2 biólogos, que ficam lá o tempo todo, 1 veterinário, 2 pessoas da manutenção, 1 administrativo, 5 tratadores (já são 11) terceirizados, mais 2 tratadores da prefeitura (são 13), 4 guardas, que é obrigatório ter segurança, (são 17), 1 motorista (são 18), 19 com a moça da limpeza. Aí tem 4 ou 5, varia um pouco, de estagiários. 23 pessoas, de segunda a segunda, domingos e feriados. Natal e Ano Novo. [...] Deve sempre considerar que metade das pessoas ou estão cuidando de animal ou de documentos.

Grupo: Porque a burocracia é tão grande?

Ivan: O biólogo quando chega lá, ele acha que vai chegar lá e só lidar com bicho. Mas, vai gastar 70% do tempo dele com documentos, com burocracia de conseguir documentação para tirar o animal de lá de dentro ou garantir que o animal que está lá dentro foi registrado e saber exatamente onde o animal está. Se chegar uma fiscalização, o que eles vão fazer?! Eles vão no administrativo e pegam um documento e falam “eu quero ver esse bicho”, então tem que saber onde ele está. Quando chega no recinto, ele [o fiscal] pega um bicho e fala “Quero ver a documentação desse animal”, aí você tem que apresentar. E você tem todo aquele problema, se você tira um animal de um recinto e põe no outro e não informa na hora, acabou… Você chega no recinto e fala “E agora onde está o papagaio número 10?”. Chega no recinto tem 20 e você só sabe quando olhar a anilha, porque é tudo igual.

Grupo: E tem que pegar um por um e papagaio voa…(risos)

Ivan: Tem que pegar todos, todos, todos… tudo isso, é um processo de estresse. Por que para o papagaio, o que representa?! Alguém quer me capturar. E aí, o que acontece? O animal fica doente. É custo com medicamento. É processo de reabilitação atrasado.

Grupo: É perda de dinheiro.

Ivan: Ou no nosso caso, é dinheiro sendo desperdiçado.

Grupo: Qualquer passarinho se assusta muito fácil, eles tiram a pena deles próprios.

Ivan: E se perder pena, se tiver aquele estresse de perda de pena, não reabilita mais, aí é pior, porque depende de um cativeiro. Qual cativeiro que vai? Aí depende da espécie. Dependendo da espécie não tem. Quem quer um urubu em casa, em cativeiro, por exemplo?! Ou então por exemplo, o animal chegou atropelado ou bateu… Nós temos casos de animal que bateu na frente de um pequeno aviãozinho. Ou chegou uma amputação de asa por linha de pipa. Se for um gavião, bonito, tudo… talvez alguma zoológico queira, mas se for um urubu, quem vai querer um urubu?! Zoológico nenhum quer. Cativeiro? Qual cativeiro vai querer um urubu?! Então, você tem esse problema de o plantel começar a acumular um número de animais que não saí.

Grupo: Cativeiro, é o que?

Ivan: Por exemplo assim, o animal não foi reabilitado ou é exótico, não pode ser solto mais. Alguém tem que cuidar. O CETAS não é responsável por ficar com esse animal. Então, além de ficar procurando áreas de soltura, tem que ficar procurando assim: a gente tem X animais que não podem sair, quem pode receber? Tem um que tem uma asa a menos, uma perna a menos, não tem pena. Outro, quebrou o bico, enfim…

Grupo: A destinação desses animais normalmente acontece para zoológico ou pode acontecer para pessoa comum?

Ivan: Não. Normalmente assim, para empreendimentos de fauna, registrados junto ao Estado ou ao Ibama. Nunca para pessoa física. A não ser que, eu não sei se pode registrar pessoa física como algum desse tipo de empreendimento, o fato é que eles têm que estar registrado em alguma dessas instituições.

Grupo: Entendi, normalmente é uma instituição. Para trabalhar lá [no CETAS] é por meio de concurso?

Ivan: A gente tem dois caminhos, ou concurso público ou terceirizado.

Grupo: Normalmente é concurso?

Ivan: Depende. Depende da terceirização. No nosso caso, nós temos dois caminhos, o concurso público quando abre vaga ou o terceirizado quando surge vaga.

Grupo: Vocês [o CETAS como instituição] tem muito problema de verba? Repasse de verba?

Ivan: Varia muito… já tem um tempo em que não temos problema de verba. O que a gente tem assim, às vezes é, demora pra uma compra, porque processo de licitação demora muito, mas nos últimos anos nós não tivemos problema de verba. A gente teve problema assim, igual eu falei pra vocês, a gente estima chegar 200 papagaios, eu faço compra de ração para 200 papagaios, aí chega uma apreensão de 400, lá se foi nosso planejamento. Aí, nós temos que entrar com um novo pedido de compra.

Grupo: Não tem como ter muita certeza dos animais que vão vir. Por que às vezes você compra ração de papagaio, e aí vem réptil

Ivan: Por exemplo, já chegou para a gente… o mais esquisito, pensando em Barueri, foi um pinguim. Não tenho nem ambiente, nem recinto, nem alimentação para um pinguim.

Grupo: Imagina a loucura que vira os CETAS, porque quando um pinguim chega o que você faz com um pinguim?

Ivan: Aí é estabilizar e tentar destinar o mais rápido possível.

Grupo: Teve época em que eu estava na praia e teve uma onda de vários pinguins no litoral sul, nada a ver.

Ivan: Muito normal pro litoral. Muito comum um pinguim no litoral sul, é rota deles. O que não é comum, é você não ter vagas na região e ter que transferir esse animal pra cá [Barueri].

Grupo: Uma região nada a ver.

Ivan: Acho que você tinha São Vicente, o aquário. Normalmente os aquários que acabam tendo estrutura para isso. O CETAS nem prepara, a não ser que seja um CETAS de animal aquático. Mas normalmente vai para um zoológico, tanto é que o nosso [pinguim recebido], a gente ligou para o aquário de São Paulo.

Grupo: Em São Paulo, tem aquários?

Ivan: Tem, o aquário de São Paulo, tanto é que a gente ligou para eles. Falamos “Vocês têm como receber aí? Coloca na quarentena de vocês.” Porque é a mesma coisa, eles têm quarentena, depois exposição.

Grupo: O CETAS é muito longe daqui?

Ivan: Uns seis quilômetros. Vocês estão como?

Grupo: A pé. Para hoje, é bem longe. Para ir lá até hoje, não tem como.

Ivan: O ideal seria vocês agendarem, principalmente final de semana, pegar um plantonista do dia, porque é mais tranquilo, durante semana é mais complicado.

Grupo: A gente poderia agendar, então. Seria com quem esse agendamento? Liga no CETAS?

Ivan: Pode mandar um e-mail, tenta agendar comigo.

Grupo: Qual seu nome inteiro?

Ivan: Ivan Vanderlei Silva.

Grupo: Você é biólogo, né?

Ivan: Sim, sou biólogo. Diretor de Biodiversidade do CETAS. A gestora é Erika Sayuri, a bióloga, que responde pelos CETAS, que faz o dia a dia do CETAS acontecer. Ela que diz se entra ou não entra, se tem vaga ou não tem vaga, a logística toda é dela.

Grupo: Poderíamos pegar um plantão em que ela estivesse nos CETAS.

9. REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei n. 7.735, de 22 de fevereiro de 1989. Dispõe sobre a extinção de órgão e de entidade autárquica, cria o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e dá outras providências.

BRASIL. Instrução Normativa ICMBIO nº 23, de 31 de dezembro de 2014. Estabelece normas sobre procedimentos relativos ao funcionamento dos Centros de Triagem de Animais Silvestres - CETAS do IBAMA.

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IBAMA. Sobre o Ibama. 2018. Disponível em: . Acesso em agosto de 2019.

KURT LO, Vicent. Breve diagnóstico dos Centros de Triagem e Áreas de Soltura do Estado de São Paulo. In: IBAMA- SP, Centros de Triagem e Áreas de Soltura de Animais Silvestres no Estado de São Paulo, São Paulo, ago. 2012, p. 15-22.

NASCIMENTO, Priscila. Animais silvestres. Disponível em: . Acesso em agosto de 2019.

PREFEITURA DE BARUERI. Animais Silvestres – CETAS. Disponível em: . Acesso em agosto de 2019.

ROCHA, Murilo Reple. Prefácio. In: IBAMA- SP, Centros de Triagem e Áreas de Soltura de Animais Silvestres no Estado de São Paulo, São Paulo, ago. 2012, p. 4.

SALHEB MONTEIRO, Gleidson. et. al. Políticas públicas e meio ambiente: reflexões preliminares. 2009. (Programa de Pós-Graduação em Direito Ambiental e Políticas Públicas) - Universidade Federal do Amapá. Disponível em: . Acesso em: 09 ago. 2019

SANTOS, A. B. I.; SILVA, A. B. G. V.; ESTEVÃO J. A.; SARTORE M. O. Distribuição e panorama dos centros de triagem de animais silvestres no Brasil. Minas Gerais. 2018.

Secretaria do Município de Barueri. Diretiva - Biodiversidade - Centro de Triagem de Animais Silvestres – CETAS. São Paulo. 2016.

TEIXEIRA, Patrícia. Sem local regular para destinação, animais silvestres apreendidos em Campinas correm risco por falta de estrutura. Disponível em: . Acesso em maio de 2019.

WWF (World Wild Fund for Nature) Brasil. O que é um animal silvestre?. Disponível em: . Acesso em agosto de 2019.

Autoria de:

Giovanna de Souza Almeida

Marcela Terumi Luz Campos

Marieta Alexandre da Costa

Marina Zanardo Pedro

Vitoria  Candido Maciel


Publicado por: Marina Zanardo Pedro

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