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EMPREGABILIDADE DO ADMINISTRADOR: UMA ANÁLISE DO PERFIL DO EGRESSO DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DE UMA UNIVERSIDADE PRIVADA

Administração e Finanças

O profissional formado no curso de administração deve estar preparado para se adequar as mudanças e buscar conhecimentos que precisam ser revistos e reorganizados, ou, talvez, reciclados para melhor aproveitamento, além de identificar quais habilidades serão necessárias para um mercado tão competitivo.

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1.  RESUMO

Este estudo foi realizado focado no objetivo de compreender a trajetória acadêmica dos egressos do curso de Administração de uma universidade privada. Especificamente, buscou-se conhecer e analisar a trajetória acadêmica desses egressos, tal como sua relação com a empregabilidade. Foi feito um estudo qualitativo e quantitativo, coletando-se os dados por meio de entrevistas. Os resultados encontrados podem ser entendidos como a busca constante por qualificações e melhoria do currículo; investimento em capital humano por meio da educação; foco na empregabilidade; mobilidade social e a responsabilidade individual de investir em si. Foi possível concluir que o ensino superior possui um significado que vai além da idéia inicial de simplesmente conseguir um bom emprego ao se formar. Para os egressos, a etapa na universidade adquire significados variados que envolvem transformação, evolução, desenvolvimento profissional e principalmente pessoal, refletidos nas inúmeras experiências vivenciadas durante esse período.

Palavras-Chave: Empregabilidade, Administração, Egressa

2. INTRODUÇÃO

Empregabilidade significa ter que conhecer as ferramentas que o mercado exige. Em outras palavras, quanto mais suas habilidades se aproximarem do perfil profissional exigido pelos novos tempos, maiores serão as chances no mercado de trabalho; ou seja, maior será sua empregabilidade. O presente artigo tem como fundamento os egressos do curso de administração de uma universidade privada concluintes entre os anos de 2014, a 2016. Percebe-se, que está consolidando-se uma nova maneira de pensar e agir. Alguns fatores que podem ser atribuídos a essas mudanças são, a flexibilidade dos horários e diferentes ambientes de trabalho que fazem parte do processo de transformação. O profissional formado no curso de administração também deve estar preparado para se adequar a estas mudanças e buscar conhecimentos que precisam ser revistos e reorganizados, ou, talvez, reciclados para melhor aproveitamento, além de identificar quais habilidades serão necessárias para um mercado tão competitivo.

Segundo Chiavenato (1998), o mundo vive uma era de mudanças e de incertezas chamada a Era da Informação, que traz consigo em seus conceitos um novo desafio para as organizações. Nota-se que, a partir daí a ascensão das organizações depende da Administração e de como a mesma está sendo fundamentada dentro das organizações.

Baseado neste contexto percebe-se que no passado, a qualificação profissional de um graduado por meio da educação, garantia aos mesmos, condições para competirem no tumultuado mercado de trabalho. Avaliou-se que com a modernização e as fortes exigências das empresas, o profissional considerado de sucesso não é mais aquele especializado em determinado assunto. Hoje, com as constantes transformações no mercado, é preciso ter uma visão macro para atender às demandas das organizações que estão cada vez mais exigentes.

Inserindo-se nesse contexto, percebe-se que o curso de administração ganha cada vez mais espaço e valor, justamente por proporcionar uma vasta expansão de conhecimentos e ter um volumoso campo de atuação. O conhecimento e a busca constante de formação serão cada vez mais valorizados pelo mercado de trabalho.

Podem ser evidenciados na vida de um graduando em Administração que a própria universidade na qual se formou também tem papel fundamental na sua formação, desde o primeiro momento em que ele começa a efetuar sua matrícula, que passa pelos seus estudos em sala de aula e a mesma oferece um suporte através de uma estrutura física, estrutura curricular, experiências práticas e professores qualificados. Tem-se em vista que competências e satisfação profissional podem ser desenvolvidas através da formação acadêmica e de experiências adquiridas no exercício da profissão.

Com base nesses dados, surge o seguinte questionamento: Qual o verdadeiro perfil do profissional egresso do curso de Administração e a sua satisfação em relação à sua formação em uma universidade privada? O objetivo geral desta pesquisa está formalizado em traçar o perfil do egresso do curso de Administração de uma Universidade Privada, dessa forma, esta pesquisa, por conseguinte, tem como objetivo específico evidenciar a situação dos egressos do curso de administração de uma universidade privada do Rio Grande do Norte em relação à empregabilidade. Busca ainda, verificar como a instituição contribui para a vida do administrador no mercado de trabalho, qual o índice de empregabilidade desses egressos e como os mesmos percebem as exigências das empresas locais em relação ao seu aprendizado acadêmico.

A realização desta pesquisa se justifica por questões de cunho social, pessoal e acadêmico-científico. Primeiramente, com relação à questão social, tem-se a relevância do ensino superior e principalmente do curso de Administração, sendo o segundo mais procurado no Brasil é o que declara o site do Conselho Regional de Administração (CRA,2015). Conhecer cada vez melhor o caminho percorrido pelo egresso é uma forma dos executivos do curso de administração da universidade, avaliarem a qualidade do curso que é ofertado pela mesma. O Curso de Administração está atrelado ao processo de desenvolvimento de uma nação e quando se leva em consideração o significado etimológico da palavra administração (tendência à subordinação ou obediência) logo se percebe que este conceito a muito não é compatível com o que ele realmente representa.

3. REFERENCIAL TEÓRICO

3.1 HISTÓRICOS DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO NO BRASIL

A profissão administrador de empresas é um tanto nova no Brasil, pois surgiu na década de 40. Historicamente, de acordo com o CRA em 2015, o ensino de Administração no Brasil passou por três momentos marcantes, devido aos currículos mínimos aprovados em 1966 e 1993, culminando com as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Bacharelado em Administração homologadas em 2004 pelo Ministério da Educação. Ressalte-se que as alterações produzidas em 1993 nos currículos mínimos aprovados em 1966 representaram um significativo avanço em face da excessiva rigidez dos primeiros currículos, avanço esse que veio se ampliar e se consolidar de forma definitiva com as Diretrizes Curriculares, trazendo ao ensino superior da Administração inegável e necessário avanço e desenvolvimento do curso (CRA, 2015). O administrador é o profissional que toma decisões estrategicamente e elabora ações para melhorar o desempenho da organização como um todo. O foco deste profissional está nos resultados obtidos pela companhia. Para garantir bons resultados, o administrador acompanha e coordena as atividades de cada setor da empresa. No início de sua carreira, o administrador geralmente assume a coordenação de algum setor ou departamento da empresa ou a liderança de uma pequena equipe com o intuito de conhecer bem as atividades da organização, sua missão, objetivos e posicionamento no mercado. Em muitos casos, um administrador assume cargos de alta gerência após um período de trabalho em outros setores.

De acordo com Maximiano (2006), a Administração é uma arte, tanto no que se refere à profissão quanto na área de decisão humana. Porém, o desempenho de qualquer administrador depende de suas competências e de suas habilidades. Estas competências são adquiridas e aprimoradas com o passar do tempo, por meio de estudos que são realizados e as experiências colocadas em práticas. Nos últimos dois séculos, tornou-se necessária a profissionalização na formação dos administradores para que houvesse uma maior qualidade no processo administrativo das organizações, tornando-as mais eficazes. É a partir daí que surgem, então, escolas, livros e pesquisadores na área de administração. A administração é objeto de estudo sistemático, ou seja, um estudo organizado que incorpora um conjunto de conhecimentos agrupados, chamados de teorias. O profissional chamado de administrador trabalha para alcançar as mais diversas vantagens competitivas e obter sucesso através de ações no seu desempenho profissional. Entretanto, vale salientar que os profissionais da Administração necessitam de uma série de conhecimentos e habilidades para alcançar o tão desejado sucesso.

Para Bateman e Snell (1998), as habilidades são conhecimentos específicos direcionados, a fim de que haja entendimento, informação, prática e aptidão. Como para os administradores há a necessidade de se ter habilidades individuais, os autores ainda agrupam três categorias para estas: habilidades técnicas, interpessoais e de comunicação, conceituais e de decisão. É por esta razão que um profissional da Administração deve estar atento e ter uma habilidade para entender e saber lidar com as atualizações internas que muitas vezes são conseqüências das mudanças causadas pela globalização, o mundo muda e o administrador precisa acompanhar as tendências.

O termo administração surgiu na década de 40, com as companhias de navegações americanas, que eram comandados por profissionais formados em administração de empresas. Por volta de 1960 que realmente a administração começou a ser reconhecida e firmada, conquistando espaço, importância e status na atividade profissional desenvolvida, com ênfase no governo de Getúlio Vargas, que veio valorizar a ciência, suprindo suas necessidades de aprimoramento na Administração Pública Federal, com ordem de que deveria ter mudanças, e reformas administrativas e sociais que deveriam ser coordenadas ou conduzidas pelos administradores. (CRA, 2015).

Seria completamente difícil o mundo sem empresas, aliás, seria impossível, pois as empresas e organizações surgiram para atender as necessidades/demandas das pessoas, como hospitais, escolas, fábricas, restaurantes. O que seria dos humanos sem hospitais? Para que os hospitais, escolas, restaurantes e fábricas existissem houve um estudo detalhado e aprofundado, sobre as necessidades das pessoas, do que elas precisavam, de quais serviços seriam oferecidos nos hospitais, restaurantes eetc.ou seja, antes de tudo é preciso saber criar um plano de negócios, que identifique esses pontos, antes de tudo é preciso administração.

Segundo o autor George Terry (1962), o conceito de administração está atrelado a um processo para se chegar a algum objetivo, “A administração é um processo distinto, que consiste no planejamento, organização, atuação e controle, para determinar e alcançar os objetivos da organização pelo uso de pessoas e recursos”.A lei 4769, que regulamenta a profissão só entrou em vigor no dia 9 de setembro de 1965, dia em que se comemora oficialmente o dia do administrador, no governo do então presidente Castelo Branco.Com o desenvolvimento do país e a necessidade de se ter profissionais qualificados em administração, sendo que até então as empresas eram administradas apenas por seus próprios donos que na sua grande maioria não tinham experiência alguma, apenas assumia por tradição familiar.

Muitos autores se diferenciam em poucas palavras sobre o conceito geral de Administração, o autor Peter Drucker(1966), afirma que a “Administração é simplesmente o processo de tomada de decisão e o controle sobre as ações dos indivíduos, para o expresso propósito de alcance de metas predeterminadas”, há um poder sobre o ser humano. Portanto, nota-se que independente da variedade e de certa heterogeneidade entre algumas definições,autores em especificamente, apesar da pluralidade atualmente ligada à Administração, este é um campo que abrange ações como a preparação de planos, pareceres, relatórios, projetos, arbitragens e laudos. Logo, e, sobretudo, ao administrador cabe o papel de – Planejar; Organizar; Controlar; e (em dias atuais) liderar sua equipe e trazendo consigo toda uma responsabilidade. Segundo Lima (2006),

“Administrar é algo muito mais abrangente, mais complexo, não basta ter apenas bom senso, é preciso preparo conhecimento e determinação para encarar as mais diversas situações propostas pela profissão. Administrar é ter que montar um mapa com diversas rotas o tempo todo: onde devo investir quem contratar para realizar as tarefas, que posicionamento deve ter diante daquele mercado, como promover a e organização e escolher os parceiros, enfim, é cuidar da “saúde” de uma organização ao mesmo tempo saber que você diante disso estará envolvendo a vida de diversas pessoas além da sociedade em geral, como um agente transformador. “

Com essa definição permitiu-se remunerar adequadamente o trabalho, e não somente condicionar o aumento salarial à responsabilidade por trabalhos de terceiros. Porém, isso não resolveria sequer todos os problemas, pois os profissionais técnicos mostraram apenas um pouco menos insatisfeitos que antes, e continuaram a relacionar o chefe como alguém que ganha mais e progride na organização. Segundo Drucker (1954): “O trabalho do administrador pode ser definido como planejar, organizar, ajustar, medir e formar pessoas”. 

Os profissionais de carreira também atuam com base nessas necessidades descritas acima. Dentro das organizações, haverá pessoas que detêm a responsabilidade clássica que é chefiar pessoas e outras que têm atribuições específicas e restritas. Além do mais, ainda há um terceiro grupo que são chefes e acumulam função de assessoria da alta administração da organização. A maioria dos administradores hoje em dia, costuma desempenhar papéis que não lhe cabem responsabilidade e acaba perdendo-se no meio da profissão, é o que declara Peter Drucker (1954):

A maioria dos administradores passa a maior parte do tempo fazendo coisas que não são administrar, pois não faz uma análise sistemática do conceito da “Administração Científica” (que visa garantir o melhor custo/benefício aos sistemas produtivos) o tempo todo. O administrador tem cinco operações básicas (planejar, organizar, ajustar, medir e formar pessoas) que juntas resultam na integração de um organismo viável e de pleno desenvolvimento.

Com isso, pela sua importância, o curso de Administração começou a ser oferecido pelas universidades como o curso que poderia fazer a diferença. Com o surgimento da Administração e crescimento ascendente, a primeira Universidade a oferecer o curso foi a USP de São Paulo e logo foram surgindo outras em cada lugar do país. Hoje, existem inúmeras universidades formando por ano, aproximadamente 2 milhões de bacharéis em Administração de Empresas. Apesar de parecer um número que chame bastante atenção, nem podese comparar com o curso oferecido nos Estados Unidos que, para ser candidato, a presidente da república deve, dentre outros cursos, ser formado em administração de empresas, enquanto no Brasil até o presente momento de 2017, não teve nenhum presidente formado na área de Administração de empresas.

Com a constante evolução dos conhecimentos mostrados, acredita-se que até se for comparado às empresas com qualificação profissional a outras, pode-se sentir notável diferença vindo a agregar ao profissional administrador sua real importância. Mas é preciso chamar atenção para o nosso perfil do Administrador Contemporâneo já que sua função é imprescindível, tendo em vista que ele é responsável por atingir os objetivos propostos de uma empresa independente da área.

3.2 O PERFIL DO ADMINISTRADOR CONTEMPORÂNEO

A área de administração está conectada às transformações do mundo contemporâneo. Com o surgimento das inovações tecnológicas e as mudanças nas formas de gerir as organizações, o administrador precisa ter capacidade de se adaptar. Entre as habilidades exigidas do administrador contemporâneo também se destaca a capacidade de tomar decisões certas, com base na consciência e conseqüências de cada decisão, levando em consideração seu grau de risco. Entrando no tema de empregabilidade, evidenciou-se que no contexto educacional, o principal objetivo é melhorar a empregabilidade utilizando como ferramenta as instituições de ensino.

Lourenço (1982), afirma que em um contexto no qual a educação se torna consumo, cujo objetivo é somente a melhoria da empregabilidade, a instituição de ensino superior deixa de ser um espaço de construção de conhecimento e saber. Nessa perspectiva, aponta se a necessidade de as instituições refletirem sobre seu sentido e atuação no campo de ciência, a fim de devolver ao ser humano sua posição central.

A partir do momento em que se conclui um curso, tem-se um conjunto de habilidades técnicas que foram absorvidas. Ex. especialistas em contabilidade gerencial, especialistas em tecnologia da informação, especialistas em marketing. Os administradores dependem de suas habilidades técnicas à medida que ascendem dentro da empresa, e essas habilidades fornecem os conhecimentos necessários para desempenhar as novas responsabilidades e encarar grandes desafios, assim como para uma apreciação e avaliação das atividades de outras pessoas na organização.

Administração para Drucker (1956) está no nível de conhecimento e competência que cada colaborador desenvolveu ao longo de sua prática profissional e como essas habilidades são aplicadas no contexto organizacional. É uma arte liberal assim o mesmo disse por ele acreditar que a profissão de administrador pode sofrer influências de outros fundamentos e percepções (como por exemplo: a ética, a filosofia, a psicologia, etc.), ampliando assim, sua capacidade intelectual.

As habilidades interpessoais e de comunicação de certa forma influenciam o modo como aquele administrador vai trabalhar com as pessoas. Nos cargos dos mais altos escalões, os executivos utilizam uma boa parte de seu tempo para interagir com outras pessoas, por isso, eles devem desenvolver as habilidades de conduzir, motivar e comunicar-se de forma eficaz com aqueles que estão a sua volta. Em função do tipo de comunicação e das relações interpessoais podemos dividir os administradores em tradicionais e contemporâneos.

Administração é uma arte liberal, onde podemos entender que a arte está na prática e na aplicação, dada pelos administradores, onde cada um além do conhecimento sobre administração, que é o mesmo disponível para todos, emprega suas habilidades pessoais. (DRUCKER, 2001)

Para se tornar um administrador verdadeiramente destacado é necessário que sejam líderes ativos, que criem um ambiente de trabalho harmonioso, no qual a empresa e seus colaboradores tenham a oportunidade e o incentivo para atingir alto desempenho.Os melhores administradores são líderes que participam ativamente nos departamento e organizações pelos quais são responsáveis. Eles não podem ser passivos ou observadores desligados, sentados num escritório sem ter contato regular com os funcionários e as operações. Os administradores que tem aspecto de liderança devem estar intimamente envolvidos nas decisões e atividades chaves e possuir amplo e profundo entendimento das tarefas que delegam a outros. 

Um ambiente de trabalho positivo existe quando o administrador faz todo o possível para estabelecer as condições que encorajam o sucesso e removem as causas de falhas. Peter Drucker (1956), grande pensador da Administração Contemporânea e fundador da Administração por objetivos (APO) seguiam a linha de raciocínio de que nenhuma empresa é melhor do que o seu administrador permite.” Portanto, o Administrador é uma espécie de "coringa" dos negócios, profissional requisitado pela maioria das empresas, públicas ou privadas, para atuar nas mais diversas áreas. Nenhuma instituição funciona sem a administração, empresas pequenas, médias ou de grande porte, nacionais ou multinacionais constituem o mercado em potencial, onde podem trabalhar-nos mais diversos setores.

Administradores são conciliadores de conflitos, líderes e medidores. Assim a posição da administração deve-se renovar-se e destacar-se, pois, podem gerenciar grandes interesses da sociedade contemporânea.

3.3 O MERCADO DE TRABALHO E EMPREGABILIDADE

O mercado de trabalho pode ser definido como o elo que organiza a relação de troca, aproximando aqueles que ofertam a força de trabalho e aqueles que a demandam, podendo também ser entendido como a principal forma por meio da qual acontece a solução institucional para um duplo problema de alocação. De um lado, o sistema produtivo precisa ser provido com o trabalho necessário para a geração de riqueza; do outro, os indivíduos detentores da força de trabalho necessitam dos meios monetários (salário e benefícios) e sociais (status) para assegurar sua sobrevivência (MURAD, 2017).

No atual cenário que combina competividade e necessidade de recursos humanos altamente qualificados nas organizações, bem como a instabilidade das relações de trabalho, a preocupação com os aspectos do trabalho ganham destaque (CAVAZOTTE et al. 2012). A qualificação profissional tem sido considerada como um diferencial para a inserção no mercado de trabalho, sendo entendida como um requisito da empregabilidade e até mesmo como um desafio a ser enfrentado pelos profissionais que pretendem se inserir no mercado de trabalho.

Oliveira e Piccinini (2012), afirmam que entre a universidade e o mercado de trabalho, há os estágios, criados pelas instituições de ensino como forma de complementar a formação e facilitar o acesso ao mercado, sendo reconhecido por organizações e estudantes como uma forma legítima (e às vezes necessárias) para ingresso na esfera laboral. Com isso, pode-se notar que os estágios possuem uma boa contribuição para o processo de formação e qualificação profissional, pois possibilita um contato inicial com o campo em que o indivíduo irá atuar e aumenta a possibilidade de ingresso no mercado de trabalho. David Allenet al. (2001), afirma que:

Há uma necessidade de adequação entre a oferta do mercado de trabalho e demandas educacionais em termos de número de programas oferecidos, no entanto, considerado essencial aprofundar e atualizar o conteúdo, práticas e metodologias, haja vista que às vezes as instituições de ensino, principalmente universidades, são percebidas como distantes da realidade e incapazes de lidar com as demandas do mundo empresarial.

Observa-se que, para alguns estudiosos como Almeida (2012), há uma lacuna entre a formação e o mercado de trabalho. Segundo ele, os profissionais recém-formados apresentam formação diferenciada e distanciada das demandas da realidade e, por esse motivo, enfrentam sérias dificuldades para atuar no mercado de trabalho, que uma contínua evolução, obrigatória pela competitividade, e que não está sendo acompanhada em tempo real no decorrer da aprendizagem oferecida ao profissional pelas instituições de ensino superior.

Percebe-se que o perfil profissional do administrador, assim como de outras profissões, é moldado principalmente pelas instituições de ensino e os conselhos regulamentadores dessas profissões. As instituições exercem um papel normatizado, no sentido de contribuir para a criação de um perfil profissional generalista, multiprofissional que tenha maturidade pessoal e a identidade profissional necessária para agir em um ambiente de imprevisibilidade na qual as organizações estão inseridas (INGLAT; SANTOS; PUPO JUNIOR, 2017).

Inglat, Santos e Pupo Junior (2017), destacam ainda que o perfil profissional deve estar alicerçado em pelo menos em três grandes grupos de habilidades: as cognitivas, obtidas no processo de educação formal; técnicas-especializadas; e as comportamentais e atitudinais.

Verifica-se, portanto, que as instituições assumem um papel de modular o comportamento de seus profissionais. Por conseguinte, compreende-se que os profissionais de uma organização acabam definindo o seu perfil profissional guiando-se pelas restrições e autorizações dispostas pelos marcos institucionais, que atuam como as regras do jogo, estipulando incentivos e penalidades (SCHAPIRO, 2010).

O mercado de trabalho se modifica de tempo em tempo, e exige que os profissionais também sejam assim. E para ser bem recebido pelo mercado, é necessário que o profissional também tenha em seu currículo a empregabilidade, as habilidades e competências do profissional devem ser bem esclarecidas para o empregador. Uma recente matéria do Jornal Folha de São Paulo (2016) destaca que os empregadores estão em busca de profissionais que se diferenciem e sobressaiam se no mercado, a consultora Rúbria Coutinho destaca que os empregadores buscam profissionais que se diferenciam.

“Estão mais exigentes e acredito que essa tendência permanecerá mesmo depois da crise, quando as ofertas de vagas poderão crescer. Destaco uma formação de qualidade, incluindo pós-graduação, participação em programas de especialização e atualização, fluência em outros idiomas, capacidade de pensar digitalmente, conhecer e lidar com tecnologia no dia a dia, perfil empreendedor, que busca e adquire conhecimentos, experimenta novas práticas e é capaz de se adaptar aos diferentes movimentos e mudanças.”

O mercado de trabalho mudou e junto com ele impõe se ao exigir um novo perfil de profissional: aquele que está em constante transformação. A crise, a recessão econômica, o fechamento de postos de trabalho, a queda de contratações via CLT, a globalização, o aumento do empreendedorismo, tudo isso se apresenta em um momento de transição em que é fundamental para o trabalhador buscar um novo modelo de carreira que o prepare para o futuro. Hoje, o profissional disputado pelas organizações é o que consegue ser multitarefa em um mercado em frequente mudança. Se ainda não enxergou que o cenário é outro, é melhor abrir os olhos, é o que destaca a reportagem da Folha de São Paulo (2016).

Diversos profissionais são muito bons tecnicamente, mas pecam na grande dificuldade em se comunicar. Por isso, qualquer aprendizado que possa utilizar em sua vida profissional é valido para manter a sua empregabilidade em alta. E vale salientar que acompanhar as mudanças do mercado na sua área de atuação é compromisso do profissional que deseja agregar conhecimento e manter-se competitivo. Não importa o quanto conhecemos, sempre haverá muito a aprender.

3.4 O CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DA REFERIDA INSTITUIÇÃO PESQUISADA

A instituição pesquisada iniciou suas atividades em 1981 com a oferta das graduações em Administração, Ciências Econômicas e Ciências Contábeis. Registra se uma expansão significativa a partir do seu credenciamento como Universidade, em 1996. Hoje, são 82 (oitenta e dois) cursos de graduação presenciais em atividade, consideradas todas as Unidades do Campus Natal, Campus Mossoró, Campus Parnamirim e Campus Caicó. Integra desde 2007 a Laureate International Universities — maior rede de universidades privadas do mundo —, por isso é a primeira universidade internacional da Região Nordeste e a segunda do país, recebendo e enviando constantemente alunos de todas as partes do globo para realizarem intercâmbio e vivenciarem novas culturas. Em 2016, entrou para o rol de instituições de Ensino Superior estreladas no QS Stars 2016, que reúne as melhores do mundo, segundo a avaliação de rígidos indicadores de desempenho. O Projeto Pedagógico do Curso de Administração (PPC) norteia-se pelo Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) em vigor, assim como pelos instrumentos legais e normativos estabelecidos oficialmente para o ensino superior brasileiro, incluindo-se as diretrizes curriculares nacionais instituídas pela Resolução CNE/CES nº 4, de 13 de julho de 2005.

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O objetivo do curso da presente instituição privada é de formar cidadãos com capacidade empreendedora, comprometidos com valores éticos e socioambientais, capazes de desenvolver negócios auto-sustentáveis, criar produtos e serviços inovadores, exercer liderança transformadora, focada em resultados, visando à elevação das condições de vida na sociedade e no meio empresarial. O perfil do egresso desta universidade privada é desempenhar suas funções eticamente, compreendendo a administração de modo integrado, sistêmico e estratégico e em suas múltiplas articulações com os demais fenômenos econômicos e sociais, a partir de uma sólida formação básica, humanística e cultural; apresentar condições para atuar nas organizações e empreender seu próprio negócio. Dentre as competências que o curso oferece estão as competências técnicas – intelectuais, organizacionais, comunicativas, sociais, comportamentais e políticas. As habilidades apresentadas pelo PPC do curso de Administração desta referida universidade são de comunicação e negociação: expressão e comunicação compatíveis com o exercício profissional, inclusive nos processos de negociação e nas comunicações interpessoais ou intergrupais.

4. METODOLOGIA

Neste artigo, utilizou-se a pesquisa descritiva realizando-se um estudo detalhado, com levantamento de dados através das técnicas de coleta, para uma análise e interpretação destes dados. A pesquisa é considera descritiva uma vez que consegue descrever as características dos egressos do curso de Administração de uma universidade privada, mediante entrevistas e questionários, na fase da pesquisa de campo. A pesquisa descritiva expõe as características de uma determinada população. Segundo Vergara (2007, p.47):

A pesquisa descritiva expõe as características de determinada população ou fenômeno, estabelece correlações entre variáveis e define a sua natureza. A autora coloca também que a pesquisa não tem o compromisso de explicar os fenômenos que descreve, embora sirva de base para tal explicação.

A pesquisa de campo pode ser considerada uma das etapas da metodologia científica de pesquisa que corresponde à observação, coleta, análise dos dados. Considerada uma etapa importante da pesquisa, responsável por extrair dados e informações diretamente da realidade do objeto de estudo. A pesquisa de campo foi realizada através de um questionário com a quantidade de 17 perguntas entre objetivas e subjetivas divididas em duas partes, a primeira etapa para levantamento de dados do perfil do egresso e posteriormente para responder os objetivos desta pesquisa.

Segundo Gonsalves (2007, p.67), A pesquisa de campo é o tipo de pesquisa que pretende buscar a informação diretamente com a população pesquisada. Ela exige do pesquisador um encontro mais direto. Nesse caso, o pesquisador precisa ir ao espaço onde o fenômeno ocorre, ou ocorreu e reunir um conjunto de informações a serem documentadas [...].

Realizou-se, então, uma análise quanti-qualitativa referente à colocação do profissional de administração e a satisfação desses egressos de acordo com uma amostra. Foi realizada uma pesquisa para a avaliação com uma quantidade de indivíduos, através de um questionário que buscou identificar qual o verdadeiro perfil do profissional egresso do curso de Administração e a sua satisfação em relação à sua formação em uma universidade privada.

O universo que se tem é de 431 egressos concluintes entre os anos de 2014 a 2016.Os dados foram fornecidos pela própria universidade. A amostra foi calculada através do software “SurveyMonkey” que através da inserção de dados foi obtido uma amostra de 166 pessoas, com confiabilidade de 90% e a margem de erro de 5%. Os questionários foram enviados através de contatos via WhatsApp e e-mail e desses 166 entrevistados foram obtidas as respostas de 64 egressos. Identifica-se que provavelmente não foram respondidos em virtude da mudança de endereço e das informações dos dados não serem atualizadas.

A análise dos dados é caracterizada pelo processo de distinção, ou seja, a separação das partes de um todo, com o objetivo de compreender melhor os dados colhidos. A análise em si pode ser definida como o estudo detalhado de um objeto ou assunto tornando o melhor aprofundamento das discussões. É perceptível que no campo profissional a análise de algumas informações pode ser considerada uma fonte para uma futura tomada de decisão.

“No mundo profissional, a análise dos dados é cada vez mais considerada essencial, podendo ser considerada uma fonte de tecnologia da informação para identificar regras, padrões e tendências que têm o poder de auxiliar na tomada de decisões assertivas segundo (ESCOLA EDIT, 2017).

A análise dos dados foi realizada através de uma comparação entre as informações obtidas e o referencial teórico que embasou esta pesquisa, foram utilizados dados percentuais e gráficos.

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES

A pesquisa mostrou que 61,09% dos egressos do curso de Administração são do sexo feminino e 38,91% do sexo masculino ressaltando a participação feminina no curso de Administração, o que indica que as mulheres estão cada vez mais buscando desenvolver suas habilidades como administradoras. O número de administradores casados é de 36,05% ,55,06% dos egressos encontram-se solteiros, 3,02% dos egressos são divorciados e 4,8% declaram –se estar em união estável. Os participantes desta pesquisa declaram que 47,06 % tem entre 26 a 35 anos, 31,07% declaram ter entre 16 a 25 anos, 12,07% declaram ter entre 36 anos a 45 anos e 7,09% tem acima de 45 anos de idade. Sobre o período de conclusão do curso o perfil do egresso está representado no quadro 1 a seguir:

QUADRO 01: Perfil do egresso de Administração da instituição estudada.

Sexo

Percentual

Feminino

61,09%

Idade

-

Entre 26 anos a 35 anos

47,06%

Relacionamento

-

Solteira

55,06%

Dos pesquisados, 34,09% afirmaram que são concluintes das turmas de 2014.2, 17,05% declararam que concluíram no semestre 2015.1. Em relação aos concluintes de 2015.2 e 2016.1 obteve-se o percentual de15,09%. Sobre os que concluíram de 2016.2 o resultado foi de 4,8% e finalizando com os concluintes de 2017.1 que obtiveram 11,01%. Os resultados sobre o semestre em que os egressos cursaram Administração pode ser representado no quadro 2 a seguir.

QUADRO 02: Semestre que os egressos estudaram na referida instituição privada

Semestre

Percentual

2017.1

11,01%

2016.2

4,8%

2016.1

15,09%

2015.2

15,09%

2015.1

17,05%

2014.2

34,09%

Os egressos que responderam esse questionário residem nas mais diversas cidades como Mossoró, representando uma porcentagem significativa de 73,01%. Nesta pesquisa os egressos declararam ser de outras cidades como Alexandria/RN, Fortaleza/CE, Apodi/RN, Governador Dix Sept Rosado/RN, Upanema/RN, Limoeiro do Norte/CE e Riacho da Cruz/RN que somaram 1,6% cada.

Perguntando qual fator que levou o egresso a optar pelo curso de Administração foi possível obter o seguinte resultado: 38,01% admite que sempre teve o interesse em atuar como Administrador, 23,08% optou pelo curso pelo seu interesse em empreender.É importante salientar como a vontade de ter seu próprio negócio e a disciplina de empreendedorismo ofertada durante o curso acaba contribuindo para o aumento da procura do mesmo, é o que diz o Projeto Pedagógico do Curso de Administração da referida instituição privada:

O Curso de Administração destina-se a formar profissionais com sólida formação básica, humanística e cultural, e que sejam capazes de compreender todo o contexto da administração de modo integrado, sistêmico e estratégico, como também suas relações com o ambiente externo. O egresso do Curso deve estar habilitado para atuar como agente essencial nas organizações, através do desenvolvimento de um conjunto de habilidades específicas, bem como de empreender seu próprio negócio. (PPC,2011)

Os números apontam que 23, 08% admitem que queriam agregar a Administração a sua atividade anterior. O egresso acredita que o curso seja de suma importância para aperfeiçoar a atividade que já vinha exercendo. A nota do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), ser bolsista do PROUNI (Programa Universidade para Todos), interesse por disciplinas de cálculos, fazer um concurso público e investir na atividade desempenhada obtiveram o mesmo resultado de 1,6%.O fato que chama bastante atenção é que apenas 6,3 % mostraram-se que decidiram escolher o curso de Administração em virtude do valor da mensalidade, sendo que o mesmo é um dos mais em conta da referida instituição privada.

Figura 1: Gráfico referente ao que levou o egresso optar pelo curso de Administração

Questionado se optou por fazer algum tipo de especialização após o curso, o resultado indica que 60,03% dos entrevistados optaram por não fazer nenhum tipo de especialização, o que reafirma ainda mais a difícil escolha que a empresa tem em contratar pessoas que possuam diferencial em seu currículo para exercer determinada função. É necessário que os egressos não percam tempo e procurem cada vez mais aperfeiçoar-se depois de concluído sua graduação. Os números ainda mostram que 38,01% fizeram uma pós-graduação ou MBA (Master in Bussiness) após o curso como forma de aprimorar ainda mais o currículo. 1,6% admitem possuir mestrado e nenhum entrevistado egresso possui doutorado na área. Uma recente matéria do Jornal Folha de São Paulo (2016) destaca que os empregadores estão em busca de profissionais que se diferenciem e sobressaiam se no mercado, a consultora Rúbria Coutinho destaca que os empregadores buscam profissionais que se diferenciam.

“Estão mais exigentes e acredito que essa tendência permanecerá mesmo depois da crise, quando as ofertas de vagas poderão crescer. Destaco uma formação de qualidade, incluindo pós-graduação, participação em programas de especialização e atualização, fluência em outros idiomas, capacidade de pensar digitalmente, conhecer e lidar com tecnologia no dia a dia, perfil empreendedor, que busca e adquire conhecimentos, experimenta novas práticas e é capaz de se adaptar aos diferentes movimentos e mudanças. ” (Folha de SP,2017)

Figura 2: Gráfico referente se o egresso cursou algum tipo de especialização após o curso

O presente questionário também analisou qual a maior barreira encontrada após o término da graduação em Administração, 57,8% apontam que foi a falta de oportunidade no mercado de trabalho, mas é preciso salientar que na pergunta feita anteriormentemostra que muitos optaram por não aperfeiçoar seu currículo profissional na busca por uma vaga de emprego, é importante destacar esse ponto. 15,06% alegam falta de estágio na área de Administração, um estudo feito no ano de 2010 mostra que os estágios em administração são os mais numerosos, porém, são os menos remunerados. Seme Arone que é presidente da empresa NUBE que oferta estágios declara:

"O estágio é o primeiro passo para uma carreira de sucesso. É fundamental retribuir esses jovens pelas atividades desenvolvidas, pois isso irá estimulá-los à conquistar um reconhecimento maior dentro da empresa. Os estudantes de administração são os que têm mais ofertas de estágio no Brasil. Do total de oportunidades disponíveis para o ensino superior, 41,5% são para alunos de Administração de Empresas, o principal motivo para o não preenchimento dessas vagas é a falta de candidatos preparados para assumir as devidas funções”.(NUBE, 2013)

Sobre as barreiras encontradas no mercado de trabalho, 4,8% apontaram que a falta de conhecimento compatível com o mercado é um dos fatores, em uma recente entrevista ao Portal EM veiculado no Jornal Folha de SP, Amir El-Kouba que é Professor de gestão de pessoas da FGV (Fundação Getúlio Vargas) conclui que:

O mercado de trabalho mudou e ele se impõe ao exigir um novo perfil de profissional: aquele que está em constante mutação. A crise, a recessão, o fechamento de postos de trabalho, a queda de contratações via CLT, a globalização, o aumento do empreendedorismo (muitos por necessidade), tudo isso se apresenta em um momento de transição em que é fundamental para o trabalhador buscar um novo modelo de carreira que o prepare para o futuro, que já bate à porta.(AMIR,2017)

O Projeto Pedagógico do Curso de Administração da referida instituição privada ressalta que as diretrizes que regem o PPC estão compatíveis com o que mercado exige e ressalta que é preciso está em constante mudança e, por conseguinte acompanhando as tendências do mercado.

A Universidade Potiguar tem como missão formar cidadãos comprometidos com os valores éticos, culturais, sociais e profissionais, contribuindo - através do ensino, da pesquisa e da extensão de excelência - para o desenvolvimento sustentável do Rio Grande do Norte, da Região e do País, o Plano Pedagógico de curso está compatível com o mercado, porém, a universidade está ciente de acompanhar as mudanças propostas pelos mesmos. (PPC,2011)

Questionado sobre qual a sua área de atuação atualmente foi detectada que 34,04% atuam na área de Administração Geral, 20,03% afirmam que trabalham, mas que não atuam na área de Administração., 25% também afirmam que não estão trabalhando atualmente, entrando assim na estatística dos 13 milhões de brasileiros desempregados com base no site do IBGE (2017) devido a atual conjuntura que o país está vivendo tanto na crise financeira, quanto na crise política, esta última a maior de todas. Percebe –se que a soma do percentual dos egressos que não estão trabalhando e que não atuam na área é de 54,07% o que indica que os egressos não buscaram se qualificar para um mercado tão competitivo.

O profissional que trabalha na área de finança obteve se 9,04%, os egressos que optaram pela área de Produção, Recursos Humanos, Marketing e Logística representaram o mesmo percentual de 1,6% cada. Dentre esses egressos que estão trabalhando, os mesmos estão ocupando os cargos de auxiliares ou assistentes (31,03%), Gerência/Coordenação/Supervisão (17,2%), Proprietários/Gerentes (3,1%). Questionados sobre qual o grau de satisfação com o emprego atual, os egressos responderam que estão satisfeitos o que representa a porcentagem de 45,3%, o percentual dos que não estão trabalhando atualmente foi de 28,01%, 12,05% afirmam não está satisfeito com seu trabalho, o que chama atenção para que uma organização caminhe no rumo certo é preciso colaboradores satisfeitos e proativos, que gostam do que fazem, tendo um caminho inverso a esse é possível identificar que o colaborador não está correspondendo às expectativas e conseqüentemente está afetando a organização

Questionado sobre sua faixa salarial os egressos afirmam que recebem entre um salário mínimo e R$1.500,00 o que corresponde a porcentagem de 39,07%, os entrevistados também afirmaram que ganham entre R$1.501,00 a R$2.500,00 o que corresponde a 20,6%, os egressos que recebem entre R$2.500 a R$3.500 foram de 9,05%,os que ganham acima de R$5.000 representaram uma porcentagem de apenas 3,2% e os que não tem salário/pró-labore obteve se 22,02%.

Figura 4: Gráfico referente a faixa salarial que o egresso se encaixa

É importante frisar que a faixa salarial hoje de um Administrador é de R$2.458 para profissionais iniciantes e R$5.977 para profissionais com mais de dois anos de experiências.(FENAD,2017). A FENAD (Federação Nacional dos Administradores) entra em contraponto ao CRA (Conselho Regional de Administração) no qual destaca que:

Os valores devem ser apresentados em horas técnicas(60 minutos à disposição do cliente). R$ 90 por hora em empresas de pequeno porte, R$ 224 por hora em empresas de médio porte, R$ 312 por hora em empresas de grande porte. Esses valores se aplicam às práticas mais corriqueiras da profissão, como administração financeira, mercadológica, produção, orçamentos e organização de métodos de trabalho. “Para melhor aprofundar este debate, levamos esta discussão a Câmara dos Deputados que tramita um projeto de lei que garante que o Administrador deva ganhar R$4.500 como um piso para iniciantes”. (CRA, 2017)

O egresso foi abordado sobre qual o seu nível de satisfação em relação a instituição privada em que estudou, os números apontam que 57,01% estão satisfeitos com o curso que a faculdade privada oferece, 19% afirma ainda que são muito satisfeitos com a mesma e 17,05% afirmam não ficarem satisfeitos com o ensino da referida instituição e 6,03% declaram que estão muito insatisfeitos com a faculdade privada. Sobre o grau de satisfação em relação as disciplinas e conteúdos ofertados os números apresentados foram de 65,01% estão satisfeitos com a grade curricular ofertada e conseqüentemente o cumprimento do PPC do curso. 15,09% demonstram está muito satisfeito e 15,09 % afirmam está insatisfeito e o percentual que afirma está muito insatisfeito foi de 3,2%.

Figura 5: Gráfico referente ao grau de satisfação em relação ao curso de Administração no qual graduou se.

Figura 6: Gráfico referente ao grau de satisfação em relação as disciplinas e conteúdos ofertados.

Questionado quanto as competências desenvolvidas no decorrer do curso, o egresso afirma que julga como o mais importante a tarefa de identificar o problema, implementar soluções com a porcentagem de 39,07%, aqueles que afirmam que assumir processos decisórios de uma empresa representam 33,03%, a competência de ter raciocínio lógico, crítico e analítico apresentou 14,03% e 12,7% instituiu que desenvolver e socializar o conhecimento alcançado é uma das competências mais importantes. O Projeto Pedagógico do Curso de Administração da instituição privada institui uma série de competências a serem desenvolvidas, nas quais se destaca:

Ao formar o administrador, o Curso desenvolve competências e habilidades numa perspectiva, ética, democrática e de relação teoria/prática, formando o profissional cidadão. Considerando essas perspectivas, o egresso deve apresentar as seguintes competências como competências técnicas intelectuais, organizacionais, comunicativas, sociais, comportamentais e política. (PPC, 2011)

Figura 7: Gráfico referente as competências desenvolvidas no decorrer do curso e qual o egresso julga com mais importante.

No que se referem às habilidades, os egressos respondem que o relacionamento interpessoal é o mais importante para área de atuação profissional, o que representa 30,02% dos entrevistados, 33,03% apontam que a visão organizacional é a habilidade mais lembrada no campo de atuação, 23,08 % apontam que o desenvolvimento de liderança é sem dúvidas o ponto forte de sua atuação, o que chama atenção para que a universidade privada desenvolva ações de lideranças durante o curso para que o profissional sinta se preparado a gerir e liderar equipes, 12,07% aponta a criatividade e inovação, é importante desenvolver ações dentro das disciplinas que estimule o aluno a desenvolver sua criatividade e ter a percepção do que é inovador. O Plano Pedagógico do curso de Administração da referida rede privada coloca como pontos fortes habilidades como liderança, inovação e focando em resultados dentro de seu objetivo geral que refere se que:

Formar cidadãos com capacidade empreendedora, comprometidos com valores éticos e sociais, capazes de desenvolver negócios auto-sustentáveis, criar produtos e serviços inovadores, exercer liderança transformadora, focada em resultados, visando à elevação das condições de vida na sociedade e no meio empresarial. (PPC,2011)

Figura 8: Gráfico referente as habilidades desenvolvidas no decorrer do curso e qual o egresso julga mais importante.

Referindo se a atitudes desenvolvidas no decorrer do curso é importante frisar que 60,03% afirmam que sempre buscam comprometimento e profissionalismo, 23,08% falam que buscam o aprendizado contínuo, estão sempre acompanhando as mudanças do mercado e 15,09% buscam o comportamento ético perante as empresas. Analisando todo o questionário acima e em particular as habilidades, competências e atitudes percebem se que a referida instituição cumpre seu PPC e todas as competências, habilidades e atitudes citadas pelo egresso norteiam o Projeto Pedagógico do Curso da referida instituição privada tem como base nos seus objetivos específicos a valorização da ética, e compreensão dos valores sociais, culturais, sociais, políticos e econômicos que podemos destacar no seguinte trecho:

Formar profissionais aptos a tomar decisões éticas a partir da compreensão das condições sociais, políticas, econômicas e culturais de sua comunidade, e atuar em qualquer área de uma empresa; contribuir para o desenvolvimento das competências técnicas, humanas, políticas e sociais, visando atender as transformações da sociedade, do mercado global de trabalho e das condições do exercício profissional; (PPC,2011)

Figura 9: Gráfico referente as atitudes desenvolvidas no decorrer do curso e qual o egresso julga mais importante.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pretendeu-se neste estudo entender o perfil do egresso no curso de administração de uma universidade privada entre os anos de 2014 a 2016, bem como sua relação com a empregabilidade. Foi identificado que a grande maioria dos egressos atua na área de administração geral, os egressos também relataram que buscou no curso o aperfeiçoamento para melhor empreender, o que leva a crer que o curso foi de suma importância para a carreira desses profissionais.

Compreende-se que o presente estudo atendeu o objetivo geral da pesquisa que foi analisar o perfil do egresso do curso de administração. Buscou-se também avaliar outros pontos importantes, como a satisfação em ralação a sua formação. Os resultados obtidos mostram uma parcela considerável de egressos muito satisfeitos com o curso.

Mediante a essa analise referente aos egressos, observou-se que muitos não buscaram uma especialização, mestrado ou doutorado, como forma de ser um diferencial para o mercado, o que se faz necessário refletir a importância da busca do conhecimento contínuo para melhor atender as necessidades de um ambiente altamente competitivo.

Sugere-se para trabalhos futuros que esta pesquisa possa ser aprofundada, fazendo o cruzamento dos dados obtidos relacionados ao tempo de formação, com os resultados salariais e cargos ocupados, como também a ampliação do mesmo, considerando outros aspectos relevantes para a sociedade de um modo geral.

EMPLOYEE OF THE ADMINISTRATOR: AN ANALYSIS OF THE PROFILE OF THE DEGREE OF THE ADMINISTRATION COURSE OF A PRIVATE UNIVERSITY

ABSTRACT

This study was carried out focused on the objective of understanding the academic trajectory of the graduates of the Administration course of a private university. Specifically, we sought to know and analyze the academic trajectory of these graduates, as well as their relationship with employability. A qualitative and quantitative study was done, collecting the data through interviews. The results can be understood as the constant search for qualifications and improvement of the curriculum; investment in human capital through education; focus on employability; social mobility and the individual responsibility to invest in them. It was possible to conclude that higher education has a meaning that goes beyond the initial idea of ​​simply getting a good job when graduating. For the graduates, the stage in the university acquires varied meanings that involve transformation, evolution, professional development and mainly personal, reflected in the numerous experiences lived during this period.

Key words: Employability, Administration, Egress

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Publicado por: Evandro Medeiros da Costa Segundo

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