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O Professor do Ensino Superior na Interface da Conjuntura do Planejamento em Educação a Distância – EAD

Educação

EAD, é um trabalho que procura trazer para um debate a percepção que o professor universitário tem sobre o planejamento dos processos para implantação da EAD pelas instituições de ensino superior.

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1. RESUMO

O professor do ensino superior na interface da conjuntura do planejamento em educação a distância – EAD, é um trabalho que procura trazer para um debate a percepção que o professor universitário tem sobre o planejamento dos processos para implantação da EAD pelas instituições de ensino superior. Para se ter um cenário mais abrangente, o trabalho foi concebido em duas partes, sendo a primeira um apanhado geral da educação a distância, sua história, a legislação, um panorama da situação da educação a distância, em relação à população de alunos que se utilizam desta modalidade, os insucessos e suas possíveis causas, nesta primeira parte também é descrito de forma sucinta as deliberações no tocante ao planejamento e ao processo avaliativo na modalidade de educação a distância. Na segunda parte do trabalho, focamos o universo do professor do ensino superior, conceituando de maneira ampla suas atribuições e características, migrando para um escopo mais especifico o ambiente virtual, onde o professor passa a atuar com uma equipe multidisciplinar e assume papeis múltiplos que são exemplificados no corpo do trabalho é exposto também, qual o perfil que estudiosos apontam como sendo o ideal para o professor atuante em educação a distância. No fechamento do trabalho é apresentado o resultado obtido em pesquisa de campo realizada com professores do ensino superior, direcionando o trabalho para a conclusão proposta.

Palavras chaves – Planejamento em EAD – Professor do ensino superior – Capacitação e Atuação em EAD.

ABSTRACT

The higher education teacher in the planning conjuncture interface in education the distance – EAD, it is a work that search bring to a debate the perception that the academic teacher has about the processes planning for EAD's Implantation by the higher education Institutions. To if it have a more including scenery, the work was conceived in two parts, being the first an education general caught the distance, its history, the legislation, an education situation panorama the distance, regarding the students' population that are used of this modality, the failures and her possible causes, in this first part also is described of succinct form the deliberations concerning the planning and to the process avaliativo in the education modality the distance. In the second part of work, we focus the teacher's universe of the higher education, judging of wide their way attributions and characteristic, migrating for a scope specify most, the virtual environment, where the teacher proceeds acting with a team multidisciplinar and takes over multiple papers, that are exemplified in work body, it is exposed as well, which the how studious profile point as being the ideal at the acting teacher in education the distance. In work shutdown is presented the result obtained in field research accomplished with higher education teachers, addressing the work for the proposed conclusion.

Keywords - Planning EAD - Professor of Higher Education - Training and Practice in Distance Education.

2. INTRODUÇÃO

A educação à distância hoje, com o crescimento de Instituições de Ensino Superior (IES) oferecendo esta modalidade, vem tornando-se mais um caminho para a conquista do nível superior, porém, ainda é muito questionado a qualidade do ensino oferecido e o real interesse das IES em disponibilizar esta modalidade de ensino, se, visando uma educação de qualidade ou apenas mais um negócio lucrativo.

Diante desta nova situação no ambiente educacional, o Ministério da Educação e Cultura (MEC), através da resolução Nº. 01/2001 da Câmara de Educação Superior (CES) e do Conselho Nacional de Educação (CNE), criou parâmetros de qualidade para as IES ofertarem cursos à distância.

Esta resolução ofereceu às IES a oportunidade de adotarem medidas e políticas voltadas à incorporação da educação à distância (EAD) no sistema educacional já existente.

2.1 Justificativa

Verifica-se uma complexidade no que se refere ao planejamento, desenvolvimento, implementação e avaliação de cursos na modalidade EAD.

Este trabalho tem por finalidade explorar estes fatores de forma crítica, inserindo neste contexto a ótica dos professores de ensino superior no planejamento educacional voltado para a EAD.

2.2 Causa problema

O professor, no ambiente multidisciplinar proposto pela EAD, deixa de ser o foco do conhecimento, passando a exercer sua função mais como transmissor de informação.

Diante desta suposição, como os professores analisam o ambiente da EAD? Este questionamento certamente terá múltiplas respostas, de diversas vertentes, mas o fundamental neste processo é a qualificação das partes envolvidas em prol do todo, isto é, o resultado final, pois assim contemplaremos um planejamento eficiente e determinante na questão da confiabilidade da EAD, questão esta, cujas pesquisas apresentam resultados nada agradáveis, mesmo existindo parâmetros de qualidade exigidos pelo MEC, através da SESUS, e do empenho das IES em aprimorar seus sistemas de EAD.

2.3 Objetivo

Este trabalho de conclusão de curso de Pós Graduação em Formação em Educação à Distância – EAD, tem por objetivo sintetizar a percepção do professor do ensino superior em relação ao planejamento e implementação da EAD pelas Instituições de Ensino – IES.

Trazendo em sua primeira parte, uma coletânea sobre a história da educação à distância, sua legislação no Brasil, uma síntese do processo avaliativo e de planejamento da EAD.

Na parte dois, o trabalho apresenta um comparativo entre pesquisas feitas entre professores do ensino superior e os conteúdos encontrados nas pesquisas bibliográficas, procurando assim chegar a uma conclusão mesmo que primária, da real percepção do professor do ensino superior em relação a sua participação no processo de EAD no Brasil.

3. EMBASAMENTO TEÓRICO

Este trabalho está embasado em pesquisas bibliográficas, no sentido de buscar fonte para fundamentar o tema proposto e também para se ter um comparativo para os resultados que vierem alcançar e pesquisa de campo com professores do ensino superior, onde foi utilizado como instrumento para coleta dos dados um questionário quantitativo (Apêndice A).

4. METODOLOGIA

O trabalho será apresentado fracionado em duas partes, sendo a primeira parte subdividida em 03(três) tópicos, a saber:

I – História da EAD: Onde será abordado de forma resumida a história da EAD;

II – Planejamento: Expondo uma síntese do material pesquisado sobre o tema;

III – Avaliação: Apresento uma revisão das características de cada tipo de avaliação, as definições de estudiosos e o momento de utilização de cada tipo.

Na segunda parte do trabalho, faço uma abordagem ao tema principal, procurando explicitar de maneira abrangente a ótica do professor sobre suas múltiplas funções no planejamento e desenvolvimento da EAD, utilizando como fonte de informação e comparação com a bibliografia pesquisada, os resultados obtidos em pesquisa de campo onde foi utilizado como instrumento para coleta dos dados um questionário (Apêndice A), que foi distribuído em duas frentes de pesquisa, sendo uma, fechada, ou seja, com professores da Universidade Paulista, campus Sorocaba, onde se procurou diversificar as áreas de atuação dos pesquisados, distribuindo 100(cem) questionários, 10(dez) para cada, entre os cursos de Arquitetura e Urbanismo, Engenharia, Farmácia, Biomedicina, Enfermagem, Comunicação Social, Psicologia, Letras, Direito e os cursos Tecnológicos de menor duração chamados de Gestão.

Na outra frente de pesquisa foi disponibilizado na rede (em site de associação e comunidades) o mesmo questionário, visando desta forma alcançar um resultado mais amplo e imparcial.

A identificação dos pesquisados, não está sendo divulgada por não haver relevância com a temática da pesquisa.

5. DESENVOLVIMENTO – 1ª PARTE

Nesta seção inicia-se a primeira parte do trabalho, abordando a história da educação à distância ao longo do tempo, a conjuntura do planejamento e avaliação para EAD.

5.1 Histórico da Educação à Distância

A educação à distância tem uma longa história de experiências, sucessos e fracassos.

A origem da EAD baseia-se nas cartas de Platão e das epístolas de São Paulo. Adiantando-se no tempo, encontram-se registros de experiências de educação por correspondência já no século XVIII, tendo um desenvolvimento generoso em meados do século XIX e, chegando aos dias atuais utilizando e desenvolvendo tecnologias de informação e comunicação especifica para esta modalidade de ensino-aprendizagem.

A EAD tem grande repercussão em diversos países dos quatro continentes, tendo como definição por alguns autores do tema.

Educação à distância (Ferstudium) é uma forma sistematicamente organizada de auto-estudo, onde o aluno se instrui a partir do material de estudo que lhe é apresentado, onde o acompanhamento e a supervisão do sucesso do estudante são levados a cabo por um grupo de professores. Isto é possível de ser feito através da aplicação de meios que comunicação capazes de vencer longas distâncias. ”O oposto de educação à distância, é a educação direta, ou educação face-a-face: um tipo de educação que tem lugar com o contato direto entre professores e estudante". – G. DOHMEM (1967)

No Brasil, segundo Saraiva (1996, apud CHERMANN e BONINI, 2000) várias ações foram implantadas para levar educação a um contingente maior de pessoas, entre os anos de 1922 a 1925, pelas mãos de Roquete Pinto e a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, com a programação mesclada com partes de trechos dedicados a radiodifusão da cultura.

Algumas experiências também foram feitas pela Marinha e pelo Exército Brasileiro, outras iniciativas de grande importância e relevante impacto nesta modalidade de ensino, sendo eles, a Fundação do Instituto Rádio Maior em 1939 e em 1941 do Instituto Universal Brasileiro, Projeto Minerva, na década de 70 surgem às televisões educativas da Fundação Padre Anchieta, Fundação Padre Landell de Moura, também foram desenvolvidos os Tele cursos 1º e 2º grau e Tele curso 2000, iniciativas da Rede Globo de Televisão. No entanto, apesar do sucesso alcançado e da grande mobilização de recursos, a educação a distância ainda enfrenta muita resistência, tanto no cunho social como no governamental.

Criaram-se leis e parâmetros de qualidade para alavancar a aceitação da modalidade EAD, que vem apresentando uma crescente, segundo pesquisas sobre o tema.

5.2 Legislação

A LDB – Lei de Diretrizes e Base de Educação Nacional tem regulamentado seu artigo 80, pelo Decreto nº. 5.622 de 19 de dezembro de 2005, o qual estabeleceu no artigo 3º “A criação, organização, oferta e desenvolvimento de cursos e programas à distância deverão observar ao estabelecido na legislação e em regulamentações em vigor, para os respectivos níveis e modalidade da educação nacional”.

Para ALVES (1999, p. 12, apud CHERMANN e BONINI, 2000).

O Brasil conheceu a sua primeira Lei de diretrizes e bases somente em 1961, através da Lei nº 4024, e o artigo 25, parágrafo segundo dizia: Os cursos supletivos serão ministrados em classes ou mediante utilização de rádio, televisão, correspondência e outro meio de comunicação que permitam alcançar o maior número de alunos.

Afirmando ainda que o Brasil é um dos últimos países a prever educação à distância em sua legislação.

5.3 Panorama atual da EAD

Com a implementação da educação à distância, novos conceitos surgiram na prática do ensinar e, com isso, questionamentos são feitos, estudos são realizados na busca de se conseguir vislumbrar um padrão nesse novo modelo de educação.

Primeiramente, questiona-se se o professor está preparado para atuar neste novo modelo educacional em que o tempo e espaço deixam de ser obstáculos para o acesso ao conhecimento e onde ele deixa de ser protagonista para ser mais um dentro da equipe multidisciplinar.

A qualidade na EAD é outro fator gerador de resistência na aceitação da modalidade, mesmo com os indicadores de qualidade sugeridos pelo MEC, segundo BELLI (1999, apud OLIVEIRA et al, 2005) esta dúvida sobre a qualidade da EAD é conseqüência tanto da visão exploratória de aproveitadores, que colocam a EAD como solução para as mazelas da educação nacional, bem como do olhar conservador de céticos, que não enxergam as possibilidades apresentadas com o uso das Tecnologias de Informação e comunicação (TICs). Disponível em .

Para BELLONI (2008), a EAD caminha para se tornar parte regular dos processos educacionais e não apenas como uma solução paliativa dos problemas emergenciais.

Segundo registro do Anuário Brasileiro Estatísticos de Educação Aberta e a Distância (ABRAEAD/2007) disponível em:

Havia aproximadamente 2,5 milhões de brasileiros em algum curso de ensino a distância no país, oferecidos por entidades credenciadas, incluindo universidades públicas e privadas que seguem uma regulamentação específica do poder público.

Considerando-se apenas o número de estudantes em instituições credenciadas pelo Sistema de Ensino (Conselho Nacional de Educação e Conselhos Estaduais de Educação), o país terminou 2007 com 973 mil alunos. Destaca-se, segunda a ABED, o expressivo crescimento do numero de alunos em projetos credenciados no período de 2004-2007, 213%, e o de instituições credenciadas, 54%. Em 2006, o numero de IES que ministravam graduação a distancia alcançou 77.

Observando separadamente os níveis de curso oferecidos vê-se que o Ensino Superior é o que mais cresce. Este aumento já faz com que conte com quase três vezes a quantidade de alunos em cursos de nível técnico ou médio. A figura a seguir apresenta esta segmentação e aponta o crescimento de mais de 90% no número de alunos no último ano. Vale ressaltar que este índice faz com que a educação a distância passe a ser cada vez mais significativa no Ensino Superior brasileiro

Figura 1

Fonte: www.mzweb.com.br


Gráfico 1: Alunos matriculados por ano
Fonte: www.mzweb.com.br

5.4 Planejamento

O planejamento educacional para EAD deve ser configurado no contexto sistêmico, pois sendo a EAD um processo multidisciplinar, é a melhor forma para se evitar a cizânia no ambiente de produção.

Segundo trabalho apresentado no XXV Encontro Nacional de Engenharia de Produção - ENEGEP/2005, na cidade de Porto Alegre, sobre a interdição de um curso na modalidade EAD, a falta de sinergia entre os envolvidos no planejamento e implantação foi fator preponderante para a finitude do curso.

No texto do trabalho apresentado no ENGEPE (2005) é notado que os agentes conceberam de forma diferente o processo educacional do EAD e, por este motivo, priorizaram suas áreas de atuação esquecendo do todo, dificultando desta forma a interação entre as áreas, com as agravantes das divergências e falta de comunicação. Disponível em.

Com o exposto, fica evidente que a conjuntura do planejamento para EAD, deve seguir um roteiro de procedimentos e propósitos, levando em consideração um rol de componentes básicos para o bom funcionamento desta modalidade de ensino-aprendizagem, sendo esses componentes básicos:

  • Identificação
  • Justificativa
  • Objetivo – Geral e Especifico
  • Metas
  • Carga horária
  • Público alvo
  • Requisitos da seleção e ingresso
  • Recursos
  • Estrutura necessária
  • Equipe
  • Proposta metodológica
  • Indicadores de qualidade
  • Custo
  • Cronograma
  • Acompanhamento, controle e avaliação.

Citando ALMEIDA E NOVAK, é importante ressaltar alguns fatores que interferem diretamente no planejamento de projetos de EAD, como resistência de envolvidos e a falta ou falha nas informações levantadas, salientando que a resistência pode gerar interferências que vão além da retenção ou limitação de informação, podendo influenciar de forma abrangente o comportamento do grupo, salientamos também que, a comunicação deve ser levada a todas as áreas e, fatores como logística e segurança do sistema devem ser levados em consideração. Disponível em:< http://www.repositorio.seap.pr.gov.br>.

5.5 Avaliação

É uma prática do processo de ensino-aprendizagem, que transmite sensações adversas de acordo com a ótica utilizada.

Na ótica do alunado, vem à sensação de medo, da insegurança de não estar totalmente preparado, na visão do professor, a sensação é a de conhecimento pleno, de ser o dono da verdade.

Estudiosos do tema advertem para não tratarmos a avaliação como teste ou medição, pois são práticas distintas, como veremos adiante.

HAYDT (2003) apresenta 03(três) tipificações da avaliação, sendo elas: avaliação diagnóstica, formativa e somativa.

5.5.1 Avaliação diagnóstica

O próprio nome já indica a função desta avaliação que tem objetivo verificador, buscando do educando suas competências preexistentes para que o educador tenha uma fotografia do conhecimento e das habilidades prérequisitadas para prosseguimento da vida acadêmica.

5.5.2 Avaliação formativa

È a avaliação utilizada durante o ciclo/período letivo e tem como finalidade controlar o nível de absorção de conhecimento do educando.

5.5.3 Avaliação somativa

Esta avaliação tem por objetivo classificar o educando dentro de uma proposta educacional preestabelecida e de acordo com o aproveitamento apresentado é conferida uma nota, que dá ou não direito ao classificado avançar o nível.

No quadro abaixo verifica-se as diferenças entre as três modalidades de avaliação, segundo HAYDT(2003).

Figura 2
Quadro Modalidades e Funções da Avaliação

Fonte: HAYDT (2003, P. 19)

Como citado anteriormente, apresenta-se as diferenças entre testar, medir e avaliar, segundo HAYDT (2003).

Testar é submeter alguém ou algo em uma experiência previamente organizada, e tem uma abrangência muito pequena para sozinho compor um resultado completo.

Medir tem como função primordial explicitar quantidade, extensão ou grau, tendo como base as unidades e medidas existentes como, o litro, o metro, o peso, etc.

Avaliar tem por base uma escala de valores para sobre ela, julgar ou apreciar alguém ou alguma coisa.

Avaliar consiste em interpretar dados de forma qualitativa e quantitativa baseado em critérios preestabelecidos.

Para LUCKESI (2006) a prática avaliativa no processo ensinoaprendizagem, vem ampliando seu espaço de forma que o processo educacional passou a ser direcionado para uma “pedagogia do exame”, que se caracteriza por uma busca constante na resolução de provas, característica bem marcante nos processos educativos de alunos que estão em fase prévestibular.

LUCKESI (idem) também verifica a existência da pedagogia do exame nos períodos de provas das IES, onde os alunos concentram seus estudos para o atingimento da média necessária para evitar a retenção e, em muitos casos o descontentamento social.

Já SANTOS (2000, apud VIDAL 2002) adverte que a avaliação no processo de ensino-aprendizagem deve ser processada de forma a contemplar a tripartite formando, formação e sistema.

Formando: avaliar o conhecimento adquirido durante o curso;

Formação: avaliar e, se for o caso, revisar material didático e metodologia utilizada no curso;

Sistema: avaliar as tecnologias usadas, o corpo técnico e estrutura da organização.

5.5.4 Definições

HAYDT (2003, p 11/12) apresenta a transcrição de algumas definições de avaliação.

RALPH TYLER – A avaliação é o processo mediante o qual se determina o grau em que essas mudanças de comportamento estão realmente ocorrendo.

MICHEL SCRIVEN – Uma atitude metodológica que consiste na coleta e na combinação de dados relativos ao desempenho usando um conjunto ponderado de escalas de critérios que leve a classificações comparativas ou numéricas, e na justificação a) dos instrumentos e coletas de dados b) das ponderações c) da seleção de critérios.

DANIEL STUFFLEBEAM – A avaliação é o processo de delinear obter e fornecer informações úteis para o julgamento de decisões alternativas.

O autor tem como definição para avaliação, o que segue: É um processo evolutivo e comprobatório do desenvolvimento do individuo quanto a sua atitude comportamental, intelectual e social.

6. DESENVOLVIMENTO – 2ª PARTE

Nesta seção tem inicio a segunda parte do trabalho, onde será abordado o tema proposto de forma mais direta e abrangente.

6.1 O professor do ensino superior

Existe uma formação para os professores do ensino básico, através de cursos universitários, citando como exemplos os cursos, Normal Superior e Pedagogia, no caso dos professores do ensino superior, a disponibilização desta formação especifica é rara ou mesmo inexistente.

O professor do ensino superior tem uma didática mais voltada para o como fazer, para o imediatismo que o mercado exige dos recém formados, que, passam a ser os tomadores de decisões deste mercado tão competitivo.

ABREU E MASETTO (1990) observam, o professor do ensino superior se pauta em três critérios para sua atividade docente, o conteúdo da área onde é especialista, a ótica de educação, homem e mundo, suas habilidades e conhecimentos da ação pedagógica, ficando um vão entre o professor especialista e o professor com conhecimentos educacionais pedagógicos.

O papel do professor do ensino superior ergue-se no contexto do facilitador da aprendizagem e não apenas de ensinar o aluno, transmitindo informações, mas criando um ambiente onde o aluno busque a informação e, transfome-a em conhecimento cognitivo.

ABREU E MASETTO (1990) apontam alguns princípios da aprendizagem:

  • Relacionamento com o universo de conhecimento;
  • Experiência e vivência;
  • Formulação de problemas e questões que de algum modo interessem, envolvam e digam respeito;
  • Confronto experiencial com problemas práticos de natureza social, ética, profissional, que sejam relevantes;
  • Participação responsável do processo de aprendizagem;
  • Ajudar a transferir o aprendizado para outra circunstância e situação de vida;
  • Suscite modificações no comportamento e até mesmo na personalidade do aprendiz.

Para LIMA, GRIGOLI E BARROS (2005) o professor do ensino superior não se adapta aos moldes de uma formação pedagógica sistematizada, sendolhes aferido valores através do currículo profissional e não do histórico das atividades de docência.

Neste mesmo prisma, LIMA et al (2006) advertem que, a falta de conceito pedagógico na atividade de docência no ensino superior, mesmo sendo fato concreto, não estimula uma preocupação mais latente de uma formação pedagógica a este profissional, colocando ainda como fator importante para a falta de interesse na formação pedagógica do professor do ensino superior, o interesse prioritário das IEs ao campo da pesquisa, deixando o ensino em segundo plano, o critério de progressão na carreira acadêmica exemplifica bem esta priorização, pois é sabido que, a base da progressão acadêmica é a produção cientifica.

Ao mesmo tempo em que o interesse pela pesquisa, questionamentos e análise dos aspectos da existência humana são disseminados, o professor entenderá também que a aprendizagem, antes de tudo, carece de um desejo exógeno e contínuo de mais vicissitude. ABREU E MASETTO (1990).

Verifica-se até aqui, que existe pontos divergentes entre os autores pesquisados, em relação à formação do docente do ensino superior, deixando evidenciado que não existe receita pronta ou regra definida para a atuação no universo acadêmico, que depende em muito do grau de comprometimento do profissional com o seu desenvolvimento e com as diretrizes da instituição na qual leciona.

É tácito que o professor tem que se direcionar com base em sua consciência critica e, ao assumir a missão de ensinar tem que considerar diversos aspectos para tomar as decisões, dentre os quais estão:

  • Adequação metodológica ao contexto;
  • Visão de ensino não técnico;
  • Comprometimento político;
  • Valores éticos e morais.

ABREU E MASETTO (1990) sinalizam que, o professor do ensino superior quando responsável por uma disciplina é levado a certas ações para equacionar os dilemas em destaque, com a observação de que é considerado em todas as decisões o seu conceito sobre educação.

  • O que pretende que seus alunos aprendam;
  • Que conteúdo vai tratar em classe;
  • Que partes vai deixar de lado, por não serem essenciais;
  • Que recursos vai usar para facilitar a aprendizagem dos alunos e torná-los mais significativos.

É preponderante que o docente tenha como regra, um plano de ensino elaborado de maneira a viabilizar ajustes de correção no decorrer do período letivo, além de ter conhecimento do plano educacional da Instituição em que leciona, para desta feita interagir com desenvoltura com as demais disciplinas, buscando assim o melhor resultado no processo de ensino-aprendizagem.

ABREU E MASETTO (1990)

Na sala de aula o professor é o senhor do conhecimento, é o protagonista no processo de ensino-aprendizagem, é ele quem determina a estratégia a ser implantada para fazer germinar o interesse do aluno pelo conteúdo proposto.

Estratégia de aula é a parte do plano que permite maior flexibilidade ao professor, que tem a vantagem de poder modificar suas decisões no decorrer do curso, até em cada aula, e até no próprio momento de dar a aula.

“O padrão que permite essa flexibilidade de decisões são os objetivos estabelecidos”. ABREU E MASETTO (1990, p 57).

No momento da tomada de decisão, principalmente no ensino tradicional, é que o professor explora toda sua habilidade, criatividade, colocando em ação toda a experiência da vida docente para perceber as situações grupais e conduzi-las para o melhor aproveitamento do aluno.

Não obstante, para se ter um resultado proveitoso da estratégia

operacionalizada, o professor tem que observar algumas premissas como:

  • Conhecer a si mesmo, para ter o domínio na condução da estratégia, adaptando-a a suas características pessoais e seus valores;
  • Comprometer-se com a estratégia, afastando completamente o risco da incapacidade de usá-la. ABREU E MASETTO (1990)

Em síntese, o professor do ensino presencial tem o controle do desenvolvimento da aula, podendo agir de imediato caso perceba um desvio de comportamento do aluno ou surja algo novo no contexto mundial que seja válido debater com a classe.

6.2 O Professor na EAD

Com a crescente da EAD, está sendo superado o desafio de aumentar a inclusão no ensino superior, ainda há muito que se aprimorar nesta modalidade de ensino, principalmente no que tange a capacitação do corpo docente, que migra da estrutura do ensino tradicional, moldado na estrutura verticalizada, onde o professor é o dono do conhecimento, para uma nova dinâmica de ensino-aprendizagem.

O professor do ensino superior que se disponibiliza para atuar na modalidade de educação a distância tem que estar preparado para o ambiente virtual e para as múltiplas funções apresentada.

Fazendo um paralelo com o mundo das artes, esta situação assemelhase ao ocorrido com o surgimento da televisão, onde os atores de teatro, acostumados com o retorno imediato do público, viram se no universo televisivo, onde a resposta ao trabalho exposto era mais lenta, carecendo de maior tempo.

Neste contexto deve-se considerar o histórico do professor e, este, encarar o novo momento da educação, não apenas como educador, mas também como educando para melhor assimilar este tempo de transição do ensino tradicional para a EAD, que oferece uma gama de recursos, trazendo o professor para um universo bem mais amplo do que aquele do quadro negro e giz.

VIDAL (2002), “o professor acostumado ao modelo tradicional de ensinoaprendizagem, para ter uma boa avaliação se o processo didático está surtindo o resultado necessário, se vale de diversas reações dos alunos para compor um quadro diagnóstico e, assim, operar os ajustes de melhoria”.

BELLONI (1998, p.16) “Qualquer melhoria ou inovação em educação passa necessariamente pela melhoria e inovação na formação de formadores”, pontuando que qualquer melhoria no sistema educacional, o professor é peça de vital importância na estratégia, seja qual for.

Entendo que, o sistema educacional necessita de uma remodelação na base da formação dos professores, em especial aos do ensino superior, que carecem de uma adequação voltada para o planejamento e atuação nos moldes da EAD.

TAJRA (2004), O professor do novo modelo de ensino-aprendizagem tem que ter a capacidade de adequação a nova dinâmica do processo educacional, quebrando paradigma da detenção do conhecimento, compartilhando desta nova postura de professor facilitador que sabe ser flexível diante da rápida mudança ocorrida a partir do uso das TICs, o professor precisa aprender a aprender.

KENSKI (2008, p. 93) afirma que, “o ponto fundamental, no entanto, da nova lógica de ensinar utilizando-se das redes e a redefinição do papel do professor”.

Para KENSKI (2008), o professor tem que ter a clara percepção de que é condição fundamental, o aprimoramento contínuo para corresponder as expectativas na atual postura da atividade docente.

Observando-se que com a facilidade de acesso e uso das TICs, houve uma transformação considerável na forma de se planejar educação.

As múltiplas possibilidades de discernir o conhecimento em várias áreas científicas criam um ciclo de cooperação entre as diversas áreas e organizações.

No entanto, é válido ressaltar que o modelo de ensino oferecido necessita de uma reestruturação profunda, deixando o estilo tradicional e repetitivo e abrindo um novo momento na gestão educacional, utilizando amplamente as novas tecnologias no intuito de remodelar a prática do ensino-aprendizagem, não se esquecendo da afirmação de KENSKI (2008, p. 93), citada anteriormente.

Outro fator a ser observado, é em relação à questão da substituição do professor por máquina, eliminando assim o relacionamento interpessoal tão necessário no processo de ensino-aprendizagem, de acordo com CARDOSO (2002) em pesquisa realizada na USP – Universidade de São Paulo: em torno de 18% dos alunos pesquisados acreditam que o professor será preterido por máquina.

No contexto deste novo cenário da educação, a formação continuada do corpo docente na sociedade contemporânea tem colocado em questão a identidade docente expondo novas reflexões em torno da mesma.

No tocante ao ensino, surgem novos valores culturais, transformando a sociedade e a escola de adaptação, fazendo do docente um inovador na aprendizagem, criando a possibilidade de um ensino mais amplo com a utilização dos novos recursos tecnológicos.

Relembrando o que foi visto no decorrer do curso, em especial na disciplina dimensões dos atos de planejar e avaliar no ensino superior destacase a preocupação na reflexão sobre as possibilidades que permitam ao professor ir além do mero ofício de transmitir conhecimento, assumindo-se como um pesquisador, que estará sempre se redescobrindo.

Como já aludimos neste trabalho, o professor na EAD não pode ficar preso aos paradigmas tradicionais, deve buscar com o suporte tecnológico oferecido a melhor adaptação neste novo contexto de relacionamento existente no ciberespaço.

Uma das mudanças mais significativas deste novo conceito, sem dúvidas é a ocorrida na relação professor-aluno, que também é o fator que mais recebe criticas, sendo para muitos estudiosos, a não presença do professor no cotidiano do aluno, o ponto fraco da modalidade.

Para CARVALHO (2007) o papel do professor na educação à distância é tão importante quanto no presencial, apesar de sua forma de atuar ser diferenciada.

Observando-se também, que na educação à distância uma equipe de professores interage com o aluno em diversas fases do processo no intuito de facilitar a aprendizagem. Disponível em http:// anabeatrizgomes.pro.br

Na estrutura da educação à distância, as equipes multidisciplinares que interagem entre si e com os alunos, são constituídas também por professores de áreas diversas que assumem múltiplos papéis, que vão desde a área administrativa até a apresentação do conteúdo, ou seja, o professor virtual.

Dentre estes papéis estão os descritos a seguir, com um detalhamento de suas atribuições no ambiente da educação à distância.

  • Tutor: Terminologia que na visão de alguns pesquisadores do tema, não é adequada por remeter-nos a realidade jurídica, de acordo com as descrições dos dicionários.

Esta função que em algumas instituições não é exercida por professores e sim por profissionais de nível superior, mas sem a experiência das práticas docente, tem como tarefa primordial o suporte técnico-administrativo aos alunos da educação à distância.

O tutor é o elo entre o aluno e toda a estrutura da EAD, assim sendo, se faz imprescindível ao profissional que exerce tal função, algumas competências básicas como: domínio de recursos tecnológicos, comunicação multidirecional, interdisciplinaridade, conhecimento intrínseco da estrutura do processo, dentre outras.

Para MAIA (2002, apud OLIVEIRA et. al. 2005) a atividade da tutoria no processo de EAD, torna-se fundamental na contribuição para o desenvolvimento da capacidade de “aprender a aprender” do aluno.

MAIA et. al. (2004, apud OLIVEIRA et. al. 2005) enfatiza que a tarefa do tutor é voltada para manter o aluno motivado em progredir em sua formação.

OLIVEIRA et. al.(2004. p. 5-4 apud OLIVEIRA et. al. 2005) identifica como proposta de atribuições do tutor o que segue:

  • Participar das atividades de capacitação e de avaliação, promovidas pelas Coordenações;
  • Acompanhar a freqüência dos alunos às atividades de tutoria desenvolvidas, mantendo contato com os alunos que não procurarem a tutoria utilizando-se do e-mail e estimulando-os a lançarem mão deste e dos demais recursos de interação;
  • Estimular o aluno a buscar a construção de uma metodologia própria de estudo, no sentido de ajudá-lo a adquirir autonomia;
  • Orientar os alunos nas aulas teórico-práticas e trabalhos em grupo;
  • Estimular o aluno a lançar mão de diversas fontes de informação, como as bibliotecas e laboratórios dos pólos, bibliotecas virtuais, etc.

O tutor é o profissional da linha de frente do processo, é ele quem qualifica as atividades e conteúdos, em suma, é ele que representa a instituição junto ao aluno, portanto, passa a ser o receptor das expectativas e frustrações deste.

É através do trabalho de tutoria que se forma o conceito de qualidade do projeto proposto.

  • Coordenador: É o responsável em coordenar os trabalhos das equipes multidisciplinares no intento de o processo ser incrementado com eficiência e eficácia.

Cabe ao coordenador, dentre outras tarefas, captar o docente, conceber as diretrizes que irão direcionar o conteúdo das disciplinas integrantes do curso oferecido.

Estudiosos do tema definem o coordenador como o articulador responsável em interligar todas as áreas envolvidas no projeto de educação à distância.

Observamos que, para interagir entre as áreas envolvidas o coordenador deve ser um profissional com conhecimentos amplos e atualizados das novas TIC’s, para que possa agir positivamente no desenvolvimento dos agentes atuantes no processo da EAD, fazendo com que estes, se adaptem as mudanças e aos novos paradigmas inseridos no contexto do ensino-aprendizagem.

A mudança tecnológica não é nem aditiva nem subtrativa, mas de mudança total, de ruptura. Em si, ela não acresce nem diminui competências ou incompetências de escola, não vai desatar os nós do enfadamento do ensino, muito menos “salvar” o sistema educacional da crise didático-pedagógica instaurada. A entrada das novas tecnologias na educação alterará o paradigma educacional, mais cedo ou mais tarde, com as correspondentes conseqüências no perfil e na formação dos educadores. (BARATO, 1997, p. 115, apud BRUNO et. Al., 2003).

Neste contexto, vemos o coordenador como o detentor da tomada de decisão no tocante ao planejamento e administração do curso nos moldes da EAD, não podendo este profissional ficar a quem da formação continuada de si próprio e de seu corpo docente e técnico-administrativo, ou seja, de toda a equipe multidisciplinar alinhada ao projeto.

O coordenador para realizar um trabalho de qualidade e ter sua equipe em sinergia com os objetivos propostos, tem, obrigatoriamente, que desenvolver competências como;

  • Pro atividade;
  • Iniciativa;
  • Senso organizacional;
  • Dinamismo;
  • Raciocínio lógico;
  • Comunicação;
  • Relacionamento interpessoal;
  • Trabalho em equipe; etc.

Verifica-se que as TIC”s trouxeram um dinamismo ao sistema educacional, e neste novo cenário apresentado pela EAD, o profissional que recebe a missão de coordenar os trabalhos deve sempre primar por uma visão holística e agir de forma que todo o processo seja realizado harmonicamente entre os diversos setores, definindo objetivos, intervindo na divisão de tarefas, revendo conceitos e direcionando os esforços de cada agente atuante em prol do todo.

O professor do ensino superior está disposto a se inserir neste novo contexto educacional? Na convivência em ambiente docente, verificamos que a resposta para esta questão, ainda é incerta, ainda nota-se muita resistência dos professores em explorar e atuar neste novo espaço para a prática do ensino-aprendizagem.

6.3 O novo perfil do professor

Estudiosos procuram detectar os conceitos básicos para uma adequada definição do novo perfil do professor atuante na educação à distância. Muitas são as denominações utilizadas para se referir ao novo professor, formador, facilitador, parceiro, reflexivo, dentre outras, como também múltiplas são as funções exercidas, coordenador, tutor (eletrônico e de sala), transmissor das aulas.

ASSAMANN (2005, apud LOPES 2008) indica que esse modelo de ensino-aprendizagem é apropositado e carece de profissional ímpar, ou seja, que se diferencie do existente no modelo tradicional.

Em pesquisas vistas, verificaram-se os seguintes resultados entre professores, LOPES (2009) disponível em www.abed.org/congresso2009 

80% acreditam na educação a distância;

20% acreditam na EAD como substituta da educação tradicional;

100% sentiram dificuldades na separação entre professor/aluno;

80% sentiram dificuldades em avaliar o aluno;

100% fariam curso à distância, porém somente para especialização em EAD;

80% dizem ser imprescindível e insubstituível a figura do professor, mas admitem a utilização das TICs;

A pesquisa apurou ainda que, os atuantes em EAD não receberam preparo adequado em sua base de formação, sendo que a maioria 98%, atuam na EAD apenas para reforço orçamentário (o popular bico).

Em pesquisa entre alunos realizada na USP, verificam-se os seguintes resultados, CARDOSO (2002) disponível em www.scielo.br.

18% acreditam na extinção do professor;

98% acreditam que o processo de ensino-aprendizagem, será contínuo por toda vida;

62% que as aulas serão totalmente à distância;

55% terão controle sobre o currículo educacional;

55% acreditam que as tecnologias de ensino serão fundamentais.

Fazendo um comparativo nos resultados apresentados, nota-se que o alunado está mais confiante nesta modalidade de ensino-aprendizagem, mesmo porque, o universo tecnológico faz parte do cotidiano deles.

Em relação aos professores, a pesquisa aponta uma maior preocupação no tocante à didática a ser utilizada na EAD e a ausência física do aluno, deixando professor sem referência para diagnosticar a evolução do aprendizado.

A ausência física do aluno é um, se não, o maior desafio do professor do ensino superior tem para superar nesta nova modalidade de educação, e para alcançar êxito nesta missão “ensinar aprendendo”, o professor tem que se moldar em um novo perfil de educador.

Na modalidade da educação à distância o professor do ensino superior vem encontrando novos paradigmas, que exigem do profissional uma inovação nos conhecimentos pedagógicos, redirecionando sua prática docente e sua linguagem, para um cenário onde espaço e tempo são fatores de grande importância no desafio proposto pelo novo escopo educacional, ou seja, o professor do ensino superior necessita aprender como inovar em educação, nas interações no espaço virtual.

A educação a distância traz no seu esboço um novo conceito no papel do professor, PETERS(1983, p. 99, apud BELLONI 2009) afirma que,

O uso mais intenso dos meios tecnológicos de comunicação e informação torna o ensino mais complexo e exige a segmentação do ato de ensinar em múltiplas tarefas, sendo esta segmentação à característica principal do ensino a distância. No modelo racionalizado e industrializado do tipo “fordista”, o processo de ensino está baseado na divisão do trabalho e desligado da pessoa do professor, figura central do ensino convencional, o que torna este processo independente de uma “situação de ensino determinada subjetivamente” e, portanto, teoricamente mais “objetivo”. A divisão do trabalho e a objetivação do processo de ensino permite planejálo para alcançar objetivos estabelecidos sistematicamente de modo o mais eficaz possível, cada especialista ou equipe de especialistas sendo responsável por uma área limitada em cada fase do complexo processo de concepção, planejamento, realização e distribuição de curso e materiais.

Expomos abaixo tabela apresentando as diferenças entre ensino presencial e a distância.

Figura 3 – Tabela diferença ensino presencial x EAD

Fonte: http://interacaoeducativa.webnode.com.br. Acesso em 28/12/10

Ensinar na EAD requer do professor uma postura de investigador, que tenha consciência de quão fundamental é a busca constante das melhores teorias explicativas, para que ele possa compreender o seu próprio processo de aprendizagem.

Buscamos em BELLONI (2009, p. 82) a confirmação desta tendência, onde a autora enfatiza, “Para fazer frente a esta nova situação, o professor terá necessidade muito acentuada de atualização constante, tanto em sua disciplina especifica, quanto em relação às metodologias de ensino e novas tecnologias.”

Complementando BELLONI (2009.) aponta que a redefinição do papel docente é vital para que o processo educacional tenha êxito, seja ele, presencial ou à distância.

Conforme já observado neste trabalho, existe uma grande dificuldade na inserção do professor do ensino superior ao modelo de educação à distância, fazendo-se necessário que o professor deixe o conceito de educação atual, forjado na sociedade industrial e mude sua concepção facilitando sua inclusão à cultura do desenvolvimento cognitivo, existente nesta nova sociedade, a do conhecimento.

Verifica-se que esta inclusão não ocorre com a rapidez que esperávamos, pela falta de uma formação mais ampla, que aborde toda a dinâmica da EAD, tanto no campo conceitual, como dos procedimentos e atitudes exigidas do professor atuante na EAD.

7. PESQUISA DE CAMPO

Antes de analisar os resultados da pesquisa, vale trazer algumas observações relacionadas ao processo de coleta dos dados.

- Houve por parte dos respondentes, muita relutância em participar desta pesquisa, ou por não serem atuantes na EAD, ou por falta de conhecimento mais aprofundado da modalidade.

- A tentativa da pesquisa on-line, não apresentou o resultado esperado, com apenas 01(hum) questionário respondido.

- Na pesquisa fechada, a população de professores é de 390(trezentos e noventa), ficando o montante da amostra em 81 (oitenta e um), com as deduções dos questionários não respondidos, conforme exposto no quadro demonstrativo do montante da amostra conseguida.

Figura: 03
Tabela demonstrativa da participação curso/professor na pesquisa

Fonte: Autor

- Para simplificar a tabulação dos resultados, o questionário único da pesquisa on-line, está sendo inserido no montante da amostra, totalizando assim 81 (oitenta e um) questionários respondidos de uma população de 391 (trezentos e noventa e um) professores, ou seja, 20,72%.

- Na segunda questão do questionário o número computado, cai dos 81 (oitenta e um) para 27(vinte e sete) respondentes, configurando 33,33%, de professores que participaram de alguma experiência em EAD.

7.1 Resultados

Na tabulação dos resultados alguns números chamam a atenção pela extensa diferença entre as opções.

Questões 1 e 2

Dos respondentes 67% não participaram de nenhuma experiência na modalidade de educação à distância, e dos 33% que já participaram de experiências com EAD, os conceitos apontados são:

Figura 4
Tabela demonstrativa dos resultados das questões 1 e 2.

Fonte: Autor


Gráfico 2
Fonte: Autor

Salientando que, das experiências em cursos à distância apresentadas, a maioria foi para formação em EAD, e o índice alcançado no conceito razoável, é um sinalizador da necessidade de aprimoramento na apresentação dos cursos em EAD.

Nas questões seguintes onde se pede uma visão mais crítica sobre a conjuntura da EAD, obtivemos os seguintes resultados.

QUESTÃO 3 – A percepção sobre planejamento da EAD no Brasil foi a seguinte, suprimindo as abstenções: 56,34% dos professores que responderam a questão vêem como pouco satisfatório o planejamento para implementação e disponibilização da EAD, um número importante, que indica o grande descontentamento do professor do ensino superior com a configuração atual da EAD no Brasil.

Figura 5
Tabela demonstrativa dos resultados da questão 3.

Fonte: Autor * Considerado o total geral de 81 questionários.


Gráfico 3
Fonte: Autor

Questão 4 – Sobre a valorização do professor no planejamento em EAD, obtivemos o seguinte resultado, também suprimindo as abstenções: outro número chama a atenção pela expressiva diferença, apenas 26,08% considera que o professor é valorizado no planejamento, contra preocupantes 73,92%, que são contrários a esta visão e, outros 14,81% que não tem um conceito formado por falta de informação sobre o tema.

Figura 6
Tabela demonstrativa dos resultados da questão 4.

Fonte: Autor * Considerado o total geral de 81 questionários.


Gráfico questão 4
Fonte: Autor

Questão 5 – Questionados se os programas de capacitação correspondem às expectativas, obtivemos os seguintes resultados, subtraindo as abstenções: Dos respondentes 74,47%, afirmaram que os programas não suprem as expectativas, contra 25,53% que tem percepção contraria, outro dado importante é que 41,97% se absterá por não terem conhecimento suficiente para opinar, na mesma questão há um complemento questionando o que falta nos programas de capacitação de professores para EAD, e quase que a totalidade, apontou, informações de qualidade, seriedade e melhor preparo dos envolvidos.

Figura 7
Tabela demonstrativa dos resultados da questão 5.

Fonte: Autor * Considerado o total geral de 81 questionários.

Gráfico questão 5


Gráfico 5
Fonte: Autor

Questão 6 – Sobre a substituição do ensino presencial pela EAD, o resultado foi o que segue no quadro abaixo.

Figura 8
Tabela demonstrativa dos resultados da questão 6.

Fonte: Autor

Gráfico questão 6


Gráfico 6
Fonte: Autor

Fechando o questionário, foi colocado um espaço para um comentário do respondente, não sendo direcionado um foco especifico, foram feitos comentários que mostram como o professor do ensino superior percebe a EAD, alguns comentários poderiam ser descartados por saírem da temática principal da pesquisa, mas, na possibilidade de uma nova vertente para um estudo, estão transcritos na seqüência.

“A EAD deve ser aplicada apenas a cursos onde a parte prática não fique comprometida. Algumas disciplinas também podem ser ministradas dessa maneira, mas jamais a totalidade do curso.”

“Com a imaturidade do aluno o EAD permite ao aluno maior disponibilidade para o descompromisso, acredito que o aluno não aproveita todo o EAD e muitas das vezes de maneira que não deixa “remorso” ou preocupação.”

“Acredito que o EAD é uma poderosa ferramenta mas ainda temos alunos pouco preparado para utilizar essa ferramenta positivamente.”

“O contato, a empatia entre professor e aluna são importantes para o aprendizado. Explicar dúvidas qdo se está próximo (cara a cara) é mais fácil e mais interessante. No ensino à distância muitas vezes suas dúvidas são deixadas para o prof. E esse responde depois. Isso prejudica o aprendizado o raciocínio.”

“O relacionamento pessoal é indispensável.”

“Nada substitui o bom professor em sala de aula, com lousa e giz.”

“Muitas vezes é utilizado como válvula de escape para equilibrar custos.”

“EAD segue na contraposição do que se entende por educação.”

“Falta informação sobre o planejamento da EAD.”

“O que sei sobre EAD é que ainda não foi regulamentado. Não existe uma política de entendimento entre patrão e professores. Nenhum acordo coletivo foi firmado até o momento.”

“Eu não participei de nenhum como aluno. Dei aula EAD mas não gostei porque a remuneração do professor era apenas 60% da aula presencial e o trabalho(para o professor) era muito maior.”

“Nunca uma pessoa terá formação total sem um professor presente, as dúvidas não são sanadas no momento, prejudicando assim a formação.”

“EAD é para quem tem disciplina e força de vontade. O ensino presencial acaba disciplinando mais o aluno.”

“O Brasil ainda não tem a cultura do ensino à distância pois, na minha opinião o fato de não a presença em sala de aula, ou o mínimo que o curso exija, o aluno acaba não tendo a disciplina necessária para cumprir o conteúdo em tempo, deixando tudo para última hora, o que compromete a qualidade do curso.”

“Acredito que a figura do professor é fundamental embora acredite que esse lugar precisa ser repensado a luz das novas tecnologias.”

“Não acho que a EAD veio substituir o ensino presencial, nem totalmente, nem parcialmente, acredito que é uma modalidade diferente de ensino, que vem preencher outras lacunas.”

“Atualmente são inegáveis os recursos tecnológicos como parceiros no processo de aprendizagem. Entretanto, o encontro presencial ainda tem especificidades que o EAD não substitui. O encontro de alunos e professores “gera” situações que surgem deste encontro.”

“Não há como substituir a dinâmica e a interação em sala de aula.”

“Somos seres sociais e humanos, portanto o contato ainda se torna essencial.”

“Se o curso for de qualidade é mais complexo que o presencial.”

“Não acredito que o EAD tenha sucesso porque não leva em conta a experiência colateral do aluno e a capacidade deste acompanhar os programas propostos.”

“A impressão que se tem é que qualquer um com um mínimo de preparo e competência pode participar deste projeto de ensino à distância. O preparo para este profissional deve especializá-lo para tanto, coisa que ainda não acontece.”

“Não consigo visualizar essa substituição, os profissionais que participam desses cursos são otimistas em relação a essa ascendência, quanto ao planejamento vejo pouca participação dos professores na maioria das vezes a “coisa” já vem pronta.”

“Ainda não existe cultura para o aprendizado a distância – Quem sabe no futuro.”

“Precisa melhorar o ensino na base para que o aluno possa ter um bom aproveitamento.”

“Para alguns casos talvez, mas dependendo da disciplina, teoria apenas não basta, faz-se necessário inclusive a vivência do professor, alem do contato presencial. Nem todos os tópicos podem ser virtuais, isto não é viável.”

8. CONCLUSÃO

No decorrer do trabalho foi observada a escassez de material bibliográfico sobre o tema abordado, deixando claro o vasto campo existente para pesquisa na dicotomia formação e atuação do professor do ensino superior na educação à distância – EAD.

Na análise dos resultados da pesquisa de campo realizada, verificou-se um distanciamento do professor do ensino superior, da modalidade de educação à distância e, muito se deve a falta de divulgação e qualidade dos programas oferecidos pelas Instituições de Ensino – IE’s, que para grande parte dos pesquisados, direciona seu planejamento mais para redução de custos, do que para um programa sério de ensino-aprendizagem.

Os professores, em sua maioria não se sentem valorizados na conjuntura do planejamento para EAD, pois acreditam que não estão sendo considerados o histórico acadêmico e o talento intelectual do corpo docente nos programas de educação à distância.

As Tecnologias de Informação e Comunicação – TIC’s, já estão inseridas no cotidiano dos professores, mas, como uma ferramenta de apoio às aulas presenciais.

Para a maioria do professorado a EAD no Brasil ainda está longe de ser uma opção qualificada de formação acadêmica.

Sendo assim, concluiu-se que, apesar da modalidade de educação a distância – EAD ser uma realidade, ainda há muito que se fazer para uma melhoria considerável na qualidade dos processos existentes e, assim aumentar o interesse e a adesão dos professores do ensino superior.

Finalizando, recomenda-se que a capacitação do corpo docente para a educação á distância – EAD, seja mais difundida entre o professorado, e as Instituições de Ensino Superior – IES, amplie seus investimentos no potencial intelectual dos professores.

Também se sugere um aprofundamento neste campo de pesquisa, para identificar mecanismos que possam auxiliar na melhoria do processo de planejamento da EAD.

9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

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LOPES, Náuplia Maria. O perfil profissional do professor de ensino superior na EAD e suas perspectivas, a partir da análise dos profissionais que atuam em uma instituição de Ipatinga. disponível em, acesso em 10/09/10.

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TACHIZAWA, Takeshy, Metodologia da pesquisa aplicada à administração: A internet como instrumento de pesquisa, Rio de Janeiro: Pontal. 2002.

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VOIGT, Patrícia da Cunha Garcia, LEITE. Ligia Silva. Investigando do papel do professor em cursos de educação à distância, Estudo de caso. Petrópolis, RJ. 2004, disponível em - acesso em 22/09/10.

Associação Brasileira de Educação a Distância. Graduação à distância quase dobra no Brasil em um ano, Agencia Globo, 2009, disponível em acesso em 26/09/10.

Educação à distância: fundamentos e guia metodológico, UNIFESP Virtual. disponível em 24/09/10>.

10. APÊNDICE A: Questionário utilizado na coleta de dados da pesquisa de campo.

Este questionário tem por objetivo, analisar a ótica dos professores do ensino superior em relação ao planejamento de cursos do ensino superior na modalidade EAD.

Questionário este que é parte do TCC - Trabalho de Conclusão de Curso de pós-graduação em formação em educação à distância.

Agradeço a atenção e a colaboração dispensada.

Área em que leciona: ( ) Saúde ( ) Tecnologias ( ) Sociais ( ) Jurídicas

Formação: ( ) Graduação ( ) Especialista ( ) Mestre ( ) Doutor ( ) Outros_________

11. QUESTIONÁRIO

1 – Você já fez algum curso à distância?

( ) Sim ( ) Não Qual?________________________

2 – Como foi a experiência?

( ) Ótima ( ) Boa ( ) razoável ( ) Ruim

3 – Como você percebe o planejamento da EAD no Brasil?

( ) Satisfatório ( ) Pouco satisfatório ( ) Insatisfatório

4 – Na sua percepção, o professor é valorizado no planejamento da EAD?

( ) Sim ( ) Não

5 – Os programas de capacitação de professores para EAD, correspondem as expectativas?

( ) Sim ( ) Não O que falta? _______________________

6 – A EAD veio para substituir o ensino presencial?

( ) Totalmente ( ) Parcialmente

Comente:

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Publicado por: João Batista Martins de Souza

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